Programação e Periodização do Treino em Futebol

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SU 1º Dezembro

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Programação e Periodização do Treino em Futebol

  1. 1. 1 Das teorias generalistas… à ESPECIFICIDADE do treino em Futebol Programação e Periodização do Treino em Futebol Sociedade União 1º.Dezembro
  2. 2. 2 Programação e Periodização do Treino em Futebol “Ter a convicção que o resultado desportivo pode nascer do improviso é ignorar os objectivos e conhecer o insucesso” “Independentemente das metas a que se propõe cada equipa no início de uma época desportiva, terá que existir um trabalho programado, que oriente o processo de treino desde o seu começo até ao final” Programação e Periodização do Treino em Futebol Preparar a época de uma equipa de futebol implica: Programar Periodizar Planificar
  3. 3. 3 Programação e Periodização do Treino em Futebol Programação “Programar é definir e determinar o conjunto de conteúdos e estratégias de acção que perspectivem e estruturem todo um processo de trabalho, que vise o treino nas suas diversas dimensões e a competição” Programação e Periodização do Treino em Futebol Periodização “Aspecto particular da programação, que se relaciona com uma distribuição no tempo, de forma regular, dos comportamentos tácticos de jogo, individuais e colectivos, assim como, a subjacente e progressiva adaptação do jogador e da equipa a nível técnico, físico e cognitivo e psicológico”
  4. 4. 4 Programação e Periodização do Treino em Futebol Planificação É o acto de preparar e estabelecer um plano de actividades para realizar um conjunto de tarefas. Determinar um conjunto de objectivos e os meios de os atingir. Definir os conteúdos e as estratégias ideais para atingir os objectivos propostos. Reestruturar uma tipificação / modelo de acção. Programação e Periodização do Treino em Futebol Para se programar uma época é preciso ter definido o Modelo de Jogo. E para esta definição é importante conhecer: 1º O Clube em que estamos. 2º A equipa que temos e o respectivo nível de jogo. 3º O nível e as características dos jogadores individualmente. 4º O calendário competitivo. 5º Os objectivos a atingir.
  5. 5. 5 Programação e Periodização do Treino em Futebol Periodização do Treino em Futebol Periodização Convencional Versus Periodização Táctica Capacidade e características dos jogadores (tempo e qualidade da equipa) Modelo de Jogo do Treinador Modelo de Jogo Adoptado Princípios de Jogo: Defensivos: Ofensivos: Transição: Defesa / Ataque Ataque / Defesa Organizações Estruturais (Sistema Táctico) Organização Funcional (Como se articulam os princípios)
  6. 6. 6 A necessidade de um Novo Modelo de Periodização… A essência estrutural e evolutiva do jogo de futebol revelam a inadequação dos conceitos convencionais de periodização do treino. Assim a existência de: Um período preparatório muito reduzido e com exigências competitivas elevadas; Um período competitivo muito grande; Quadros competitivos longos; Competições em simultâneo; Elevado número de jogos; Necessidade de alto rendimento durante toda a época: Indicam que as componentes Táctica-Técnica e cognitiva sejam as que direccionam todo o processo de treino e um projecto de jogo. Novo Modelo de Periodização… “Periodização Táctica” Falar em “Periodização Táctica” implica: Que a dimensão Táctica seja entendida como uma cultura de jogo; A definição do Modelo de jogo do treinador. Um projecto consciente da sua concepção de jogo; Que o Modelo de Jogo adoptado oriente todo o processo de periodização e planificação do treino; Que as restantes dimensões (técnica, física, cognitiva e psicológica) surjam em função das exigências do Modelo de Jogo; A exponenciação do princípio da ESPECIALIDADE. Uma Especificidade/Modelo de Jogo e não apenas uma especificidade/modalidade.
  7. 7. 7 “Periodização Táctica” em busca da Especificidade… Classificar os Exercícios! Exercícios Competitivos: Exercícios Competitivos propriamente ditos; Exercícios de Competição Variados (regras, dimensões, nº de jogadores); Exercícios Especiais: Exercícios Especiais de instrução; Exercícios Especiais Condicionados (com oposição); Exercícios Gerais: Exercícios Gerais Orientados; Exercícios Gerais Não Orientados; “Periodização Táctica” …Princípio da Especificidade Só existe ESPECIFICIDADE quando… …existir uma constante relação entre as componentes Táctico-Técnicas individuais e colectivas, psicocognitivas, físicas e coordenativas, em correlação permanente com o MODELO DE JOGO adoptado pelo treinador e respectivos PRINCÍPIOS que lhe dão corpo.
  8. 8. 8 “Periodização Táctica” em busca da Especificidade… Classificar os Exercícios! A operacionalidade da ESPECIFICIDADE deve assumir várias dimensões: Dimensão Colectiva; Dimensão Sectorial / Grupal; Dimensão Individual; O Cumprimento do Princípio da Especificidade só é atingido em toda a sua magnitude quando durante o treino: Os atletas entenderem os objectivos e as finalidades da situação; Os atletas mantiverem um elevado nível de concentração durante toda a situação; O treinador intervier adequada e atempadamente perante a situação; Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Períodos da Época: Período Preparatório - Período de preparação longo e fundamental para o resto da época; - Preparação dividida em duas grandes fases: preparatória geral e preparatória especial; - A primeira fase serve de alicerce da segunda; - Criação dos pressupostos indispensáveis para se adquirir a forma desportiva; Melhoria das Capacidades Condicionais - Não divide a época em períodos; - Considera a época um só período o que vai desde o 1º dia até ao último dia de trabalho; - A preparação apenas entende a Especificidade / Modelo de Jogo; Melhoria do nível de jogo, dos jogadores e da equipa
  9. 9. 9 Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Períodos da Época: Período Competitivo - Está dividido em pelo menos 3 períodos: Um 1º período de desenvolvimento e conservação da forma; Um 2º período de reconstrução da forma; Um 3º período de conservação da forma. A Principal preocupação é a forma, mas sempre em termos físicos. - A periodização assume a lógica evolutiva do Modelo de Jogo Adoptado e respectivos princípios; - A componente Táctica (entendida como linguagem comum a todos os jogadores), é a coordenadora de todo o processo evolutivo da periodização (táctica, técnica, física cognitiva e psicológica). A Principal preocupação é a evolução constante do Modelo de Jogo Adoptado em consequência de um crescente “jogar cada vez melhor” Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Perfil do Rendimento – Forma Desportiva Período Preparatório - Existe uma 1ª fase de criação de pressupostos para a forma, depois existe uma 2ª fase para o desenvolvimento da forma. Período Competitivo - Existe uma 1ª fase de desenvolvimento e conservação da forma, uma 2ª fase de reconstrução da forma e, por fim uma 3ª fase de conservação da forma. - Desde o 1º dia que o objectivo é o desenvolvimento / evolução da forma relacionada com o Modelo de Jogo Adoptado; - Tem como objectivo uma dialéctica entre desenvolvimento / evolução e manutenção da forma relacionada com o Modelo de Jogo Adoptado;
  10. 10. 10 Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Perfil do Rendimento – Forma Desportiva Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Perfil do Rendimento – Forma Desportiva 100 80 60 40 20 0 Periodização Convencional Max. Min. Periodização Táctica Período Transitório Período Preparatório 1º.Per. 2º.Per. 3º.Per. Período Competitivo - O estado de Forma procurado é essencialmente Físico, Individual (aspecto quantitativo); - A fase de aquisição da forma é longa, cerca de 3 a 4 semanas; - Há variações dos níveis de forma durante o Período Competitivo; - Os níveis da forma dependem em absoluto da preparação realizada no período preparatório; - Estar em forma significa “JOGAR BEM”; - É uma Forma Desportiva entendida sobre o ponto de vista colectivo; - Estar em Forma individualmente, é ser capaz de ao nível táctico individual, técnico, físico, cognitivo e psicológico, cumprir as exigências do Modelo de Jogo Adoptado e seus respectivos princípios (Táctico Colectivo); - Os níveis da Forma não dependem da preparação realizada no período preparatório, mas sim do trabalho diariamente efectuado; - Tenta-se que haja uma conservação, ou um progressivo aumento qualitativo da Forma Desportiva;
  11. 11. 11 Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Dinâmica das Cargas – Volume e Intensidade Período Preparatório - A intensidade das cargas inicia-se com valores muito baixos, aumentando gradualmente; - Relativamente ao volume das cargas, numa 1ª fase, há um aumento significativo até atingir um valor máximo. Numa 2ª fase, há uma diminuição desse volume até valores intermédios; - Inicia-se os trabalhos com intensidades altas relativas. Essas intensidades (altas relativas) devem aumentar progressivamente até atingir um nível considerado óptimo, mantendo-o até ao final; - Impõe-se uma inversão no binómio volume- intensidade, a intensidade é quem “comanda”, e o volume é o somatório de fracções de máxima intensidade (volume da qualidade) de acordo com, o Modelo de Jogo Adoptado; Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Dinâmica das Cargas – Volume e Intensidade Período Competitivo - Há uma relação antagónica entre o volume e a intensidade; - Na 1ª fase de manutenção há uma redução do volume e um aumento proporcional da intensidade. Na fase de reconstrução da forma, há uma inversão brusca da lógica da 1ª fase. Por último na 2ª fase de manutenção, há novamente uma redução do volume e um aumento proporcional da intensidade; - Os valores das intensidades devem ser sempre altos; - Os valores dos volumes acumulados das intensidades vão subindo até um momento óptimo. A partir desse momento devem estabilizar; - Deve haver uma constante relação do volume das intensidades com a densidade e a quantidade competitiva;
  12. 12. 12 Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Dinâmica das Cargas – Volume e Intensidade Máx. Forte Intensidade Médio Peq. Baixa Volume Periodização Convencional Intensidade Máx. Tempo Duração Treino Volume Baixa Periodização Táctica Período Transitório Período Preparatório 1º Per. 2º Per. 3º Per. Período Competitivo Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Preparação / Treino Geral e Preparação / Treino Específico Período Preparatório - Relativamente ao tipo das cargas numa 1ª fase, há uma elevada incidência na preparação/treino geral em detrimento da específica. Numa 2ª fase, processa- se a inversão dessa alógica. -Não tem sentido, neste tipo de Periodização, que os valores do tipo preparação / treinos específicos não sejam elevadíssimos; - O tipo de preparação / treino geral somente aparece como complemento ou compensatório do específico; - A ESPECIFICIDADE é fundamento teórico da Periodização táctica;
  13. 13. 13 Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Preparação / Treino Geral e Preparação / Treino Específico Período Competitivo - Ao longo deste período, existe uma relação inversa entre a preparação / treino específico e geral: - Na 1ª fase de manutenção, há uma elevada utilização da preparação / treino específico e uma reduzida utilização geral. Na fase de reconstrução da forma, dá-se a inversão da lógica da 1ª fase. Por último na 2ª fase de manutenção, há novamente uma elevada utilização da preparação / treino específico e uma reduzida utilização da geral. - Os valores do tipo de preparação / treino específicos são sempre elevadíssimos; - Os valores do tipo de preparação / treino geral somente aparece como complemento ou compensatório do específico; Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Treino Geral e Treino Específico 100 Preparação Específica 80 60 40 l 20 Periodização Convencional Preparação Geral Max. Preparação Específica Preparação Geral Baixa Periodização Táctica Período Transitório Período Preparatório 1º Per. 2º Per. 3º Per. Período Competitivo
  14. 14. 14 Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Preocupações: 1. Tendo como fundamental, na Planificação “Táctica” Semanal, o modelo de jogo, o sub-modelo táctico-estratégico, etc, é importante atender à dinâmica das cargas / esforço e recuperação (1 ou 2) jogos semanais. A lógica da carga fisiológica / biológica, se possível deve ser mantida sem grandes oscilações: 2. Lógica evolutiva do Modelo de Jogo Adoptado. 3. Periodização previamente realizada. 4. Jogo realizado: aspectos positivos e aspectos negativos. 5. Jogo a realizar: - aspectos positivos e negativos da equipa adversária; - Características individuais dos adversários; - Estratégias a adoptar; Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Dinâmica das cargas / esforço e recuperação: Um jogo por semana D 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª S D Jogo Jogo
  15. 15. 15 Periodização Convencional Versus “Periodização Táctica” Dinâmica das cargas / esforço e recuperação: Dois jogos por semana Que tipo de recuperação?... D 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª S D Jogo Jogo Jogo Planificação “Táctica” Semanal Problemática da Recuperação: - Recuperação após a competição; - Recuperação das cargas dos treinos semanais; - Recuperação dos exercícios durante o treino; - Recuperação durante as repetições e/ou séries do mesmo exercício; - Capacidade de recuperação individual; - Recuperação da fadiga do sistema nervoso central; - Concentração na competição - Concentração nos treinos - Concentração nos diferentes exercícios Regime da Recuperação: - Regime fisiológico (mais tradicional); - Regime táctico-técnico / específico (cuidados com a recuperação da fadiga central);
  16. 16. 16 Bibliografia Mourinho, José (Planificação do treino em futebol) Departamento de Futebol de Formação Sociedade União 1º.Dezembro Janeiro 2009 Planificação “Táctica” Diária Preocupações: 1. Ter sempre em consideração a periodização e a planificação semanal (aos níveis táctico, técnico, físico, cognitivo, psicológico) sendo importante gerir a dimensão física no processo; 2. Definir objectivos concretos e direccionados; 3. Escolher criteriosamente os conteúdos; 4. Promover a interacção da intensidade, dos respectivos volumes, e da recuperação, relacionando-os com a capacidade de concentração necessária; 5. Seleccionar e direccionar as estratégias de acção para a rentabilidade e eficácia do treino; 6. Ser suficientemente aberto para alterar o que for necessário;

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