Apostila 1 geopolítica

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A crise no oriente médio: seus efeitos e suas conseqüências. As manifestações nos países árabes e os efeitos que provocam no mundo. A situação da Palestina e Israel frente aos eventos.

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Apostila 1 geopolítica

  1. 1. Fonte “O Estado de São Paulo”CENTENAS DE MILHARES PROTESTAM NO ORIENTE MÉDIO E NORTE DA AFRICA. MANIFESTANTES NO IRAQUE – IÊMEN –BAHREIN – EGITO – TUNÍSIA – JORDÂNIA, EXIGEM PRESTAÇÃO DE CONTAS DELÍDERES E SE SOLIDARIZAM COM LÍBIA.
  2. 2. 02 – allencar rodriguez Centenas de milhares demanifestantes saíram às ruas no OrienteMédio e norte da África para exigir aprestação de contas de seus líderes eexpressar solidariedade ao levante naLíbia que o líder Muamar Kadafi estátentando suprimir pela força. No Iraque, manifestações reivindicando melhores serviços públicossaíram do controle em muitos lugares. Os manifestantesqueimaram prédios, e a forças de segurança atiraram contra amultidão em Bagdá, Mossul, Ramadi e na Província de Salahuddin,no norte da capital, deixando pelo menos cinco mortos. Manifestantes e policiais entram em choque em Bagdá, no Iraque. Passeatas em grande escala no Iêmenpareceram preceder marchas mais pacíficas eaté mesmo festivas. Mais de 100 mil saíram àsruas depois que o presidente prometeu nãoreprimir as demonstrações. No Egito, dezenas de milhares se concentraram na praça Tahrir doCairo, que virou símbolo da revolta que forçou a renúncia de HosniMubarak em 11 de fevereiro. Os manifestantes exigem a formaçãode um novo governo e o julgamento do ex-presidente egípcio, quese retirou para a cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, na Península doSinai.
  3. 3. crise árabe - 03 O Egito vive um período de transição política após a renúncia, mas a maioria dos ministros e o chefe do gabinete, Ahmed Shaifg, procedem do regime anterior.“Não precisamos desse governo, queremos um novo que possamosescolher”, disse o jovem manifestante Omar el-Guendi. A concentração coincidiu com as orações do meio-dia de sexta-feira, a celebração religiosa semanal mais importante para o mundomuçulmano. Os manifestantes levavam bandeiras e cartazes, emuitos deles estavam com as caras pintadas com as cores dabandeira egípcia. No Bahrein, manifestações pró-democracia bloqueou quilômetros das estradas e rodovias centrais em Manama, capital. Em uma mudança em relação à terça-feira, quando os manifestantes antigoverno atraíram mais de 100 mil para a Praça Pérola. Nesta sexta foram os líderes religiosos que convocaram apopulação a tomar as ruas. Isso pode mudar a dinâmica noBahrein, onde os xiitas são a maioria, mas os governantespertencem à maioria sunita. Na Jordânia, milhares saíram novamente às ruas de Amã e outrascidades para exigir reformas políticas, entre elas a dissolução daCâmara baixa do Parlamento. A principal manifestação ocorreu nacapital e saiu da Grande Mesquita de Hussein, onde se reuniramlíderes opositores, sindicalistas e ativistas independentes. Os participantes da manifestação cantarampalavras de ordem para exigir reformaspolíticas, o fechamento da embaixadaisraelense em Amã e a restauração daConstituição de 1952, que previa a formaçãode governos representativos.
  4. 4. 04 – allencar rodriguez Os manifestantes também traziam cartazes em apoio às revoltascontra o regime de Muamar Kadafi na Líbia. Os protestos naJordânia começaram há seis semanas no calor das revoltas do Egitoe da Tunísia, e as exigências da população se centramprincipalmente em reformas como a modificação da Lei Eleitoral,muito criticada pela oposição. Diante da pressão das ruas, o reiAbdullah 2º formou um novo governo, pedindo que promovareformas políticas reais e rápidas, e que dialogue com todas asforças políticas. Na Tunísia, onde começaram em dezembro os protestos queserviram como um rastilho de pólvora no mundo árabe, milhares seconcentraram na frente do Palácio de Governo, no centro de Túnis,para pedir a renúncia do Executivo de transição tunisiano e doprimeiro ministro Mohamed Ghannouchi. A praça da velha Medina de Túnis se transformou poucos dias depois da fuga do presidente deposto no centro dos protestos populares contra o governo, especialmente dos habitantes das regiões mais abandonadas do interior do país como Sidi Buzid e Kaserin. PROTESTOS NO MUNDO ÁRABE ABALAM ISRAEL APESAR DA CRISE ENTRE ISRAEL E PALESTINOS NÃO ESTAR NO FOCO DAS REVOLTAS NO MUNDO ÁRABE, APOIO À CAUSA PALESTINA PODE CRESCER
  5. 5. crise árabe - 05 As antigas certezas sobre o Oriente Médio foram reviradas e Israelencontra muitos dos seus parceiros mais confiáveis abalados ouderrubados pela agitação popular. O Egito foi por muito tempo umdos mais importantes aliados de Israel, e seus laços com a Tunísiatambém eram discretamente fortes. Com as manifestações pormudanças abalando também Jordânia, Bahrein e Marrocos, Israel seencontra em dificuldades. Os israelenses temem que os movimentos pela democracia árabeacabarão por ser dominados por extremistas, como aconteceu no Irãapós a revolução de 1979 que derrubou o antigo xá. Eles sepreocupam com a transição caótica entre a revolta e a estabilidadedemocrática, se ela vier. Eles vêem a Irmandade Muçulmana doEgito, mesmo que permaneça como uma minoria, como um grupoque fará pressão para uma maior solidariedade com os palestinos eo Hamas, o ramo palestino da Irmandade. E temem que seusparceiros regionais no controle do Irã estejam sob ameaça ou emqueda. Analistas árabes avaliam que as novas realidades e democraciasna região devem ser abraçadas por Israel. A nova geração árabecompartilha muitos dos mesmos valores de Israel e do Ocidente.Eles argumentam que não há apoio entre os líderes do Egito para arevogação do Tratado de Paz de 1979, embora ele não seja popularcom o público. O exército não irá prejudicar a política externa. Mas os novos governos são mais suscetíveis a aumentar seu apoioà causa palestina, como o Egito já reabrindo a passagem para aFaixa de Gaza governada pelo Hamas. Essa nova atitude podepressionar Israel a fazer mais para encontrar uma solução para oproblema, alguns analistas argumentam. A maioria dos outrosacredita que Israel, ao contrário, deve resistir, alegando que elesnão podem fazer concessões porque está cercada por vizinhos maishostis.
  6. 6. 06 – allencar rodriguez "A indignação generalizada sentida pelos egípcios, que se veemcomo os carcereiros de Gaza em nome de Israel e Washington, darálugar a uma política realista na qual os egípcios usam os seus laçoscom Israel para pressionar o país a adotar uma postura maisrespeitadora da lei em relação aos palestinos, sírios e libaneses",escreveu Rami G. Khouri, analista da Universidade Americana deBeirute, no Yale Global Online. "O Egito irá manter a paz com Israel,mas também deve elevar a temperatura em questões de interessenacional profundo para os árabes". A questão entre Israel e palestinos não foi importante para asrevoltas democráticas, disse Marwan Muasher, ex-ministro dosNegócios Estrangeiros da Jordânia e seu primeiro embaixador emIsrael. Mas ele disse que isso pode mudar no futuro. "Não resolver aquestão Israel e palestinos hoje vai complicar as relações entre osgovernos emergentes árabes e seu povo de um lado e o Ocidente dooutro", disse Muasher, agora vice-presidente da Fundação Carnegie."Nesse ambiente de liberdade, será muito difícil para os novosgovernos árabes ignorar a ocupação". Olivier Roy, professor do Instituto Universitário Europeu, na Itália,também espera que um novo governo egípcio terá "uma política maisaberta em relação aos palestinos, ajudando mais os habitantes deGaza através de doações e transportes". Mas ele argumentou queisso "não será muito", apesar de muitos israelenses preferirem umaGaza dependente do Egito a uma voltada ao Irã. Enquanto os israelenses se preocupam com a IrmandadeMuçulmana, Roy afirma que a revolta surpreendeu e marginalizou ogrupo. "A Irmandade ficará muito feliz em representar algum tipo deoposição", disse. “Eles não querem estar na linha de frente. Portanto,não prevejo uma grande mudança geoestratégica", disse Roy. "Já ossauditas e israelenses estão convencidos de que haverá uma”.
  7. 7. crise árabe - 07 Outros analistas veem uma grande oportunidade para Israel. Éuma situação totalmente nova, que está sendo descoberta agora",disse Gilles Kepel, um estudioso do islã no Instituto de EstudosPolíticos de Paris. "Eu acredito que há uma abertura grande e a bolaestá no campo israelense”. Os militantes islâmicos da região estão divididos entre os radicais eos participacionistas‟, cujo modelo é o partido governista daTurquia", disse Kepel. "Eles vão ter de lidar com a democracia e verseus compromissos ideológicos se corroerem”. Mas os israelenses estão ansiosos, especialmente sobre a Jordânia,onde o rei parece incerto tanto sobre a Irmandade Muçulmana quantosobre as vozes seculares de esquerda do Egito. O embaixador deIsrael nos Estados Unidos, Michael Oren, elogiou a democracia egípciaem um artigo de opinião no New York Times, mas observou compreocupação que “o líder reformista, Ayman Nour, declarou que „a erade (Acordos de) Camp David acabou‟”. Os israelenses também notaram a presença de Youssef El-Qaradawi, um teólogo islâmico egípcio que havia sido exilado porMubarak, na praça Tahrir na última semana e a disposição doExército egípcio em deixar alguns navios de guerra iranianospassarem pelo Canal de Suez. Não são apenas os israelenses que estão preocupados, observouHeller em Tel Aviv, apontando para o protesto das mulheres naTunísia no último fim de semana, preocupadas que suas liberdadesexistentes possam estar em risco em uma nova democracia mantidapor muçulmanos mais radicais. O debate principal é saber se Israel deveria permanecer imóvel,vendo o quão confiáveis são nossos parceiros", ou se Israel deveria"tirar a si mesmo da equação ao fazer algum progresso na questãopalestina", disse Heller, que descreveu a segunda solução como amais difícil. "E claro, em Washington o debate é o mesmo”.
  8. 8. 08 – allencar rodriguez Dore Gold, ex-embaixador israelense na ONU e ex-assessor doprimeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que ademocracia árabe poderia tornar Israel um país mais seguro.Durante anos, os líderes árabes que pensavam ter problemas delegitimidade porque não foram eleitos pelo povo usaram diversosargumentos diante de sua população, como a unidade árabe, asolidariedade islâmica e, o mais importante, a luta contra Israel",disse ele. "Então, se você tiver regimes legitimados por eleiçõesdemocráticas e um governo responsável, eles vão depender menosdo conflito para a sua própria situação interna”. Mesmo assim, a transição para a democracia está cheia de todosos tipos de armadilhas”, disse Gold, argumentando que adesestabilização regional ajudou o Irã, uma ameaça que Israelconsidera mais importante.O próprio Irã, é claro, tem sofrido com suas próprias divergênciasinternas, mas os analistas israelenses não veem o governo comoatualmente vulnerável. Os israelenses se preocupam em estaremcercados por militantes islâmicos apoiados pelo Irã - o Hezbollah aonorte, o Hamas ao sul e a Irmandade Muçulmana no Egito - e osoficiais israelenses acreditam que terão novos problemas desegurança caso haja um colapso na partilha de informações com oEgito e o aumento do contrabando de pessoas, armas, dinheiro ebens em todo o Sinai. Muitos analistas veem um papel crescente para a Turquia, umademocracia muçulmana com um Exército forte e laços com osEstados Unidos, Israel e o Ocidente. A Turquia será beneficiada coma democratização árabe, conforme sociedades mais abertas edinâmicas aprendam com o país e sua famosa mistura entreislamismo e secularismo”, Khouri escreveu. O modelo turco seria um bom resultado para Israel, muitosisraelenses concordam. Mas, como eles também notaram, as relaçõescom a Turquia têm sido profundamente prejudicadas por suaproximidade a vizinhos muçulmanos como o Irã, o Hezbollah e oHamas.
  9. 9. crise árabe - 09 INTERNET FAVORECE MOBILIZAÇÃO EM REGIME FECHADOS.Manifestante mostra cartaz que diz “Facebook contra todos os injustos” durante protesto no Cairo contra o presidente do Egito, Hosni Mubarak.Rede ajuda articulação de cidadãos comuns, mas também é utilizada por governos autoritários para monitorar dissidência. Na tentativa de explicar o que levou milhares de manifestantes alotar as ruas de países do mundo árabe nas últimas semanas,analistas internacionais citaram, além da insatisfação popular comas dificuldades econômicas e a falta de liberdade política, vídeos noYouTube, posts no Twitter e relatos no Facebook. Em países comoTunísia e Egito, a internet ajudou a compor movimentosheterogêneos, apartidários e sem lideranças claras.Atribuir as históricas revoltas no mundo árabe somente à circulaçãode informação na internet é ignorar as dificuldades econômicas epolíticas de países que há décadas estão sob regimes autoritários.Na Tunísia, o primeiro a levar a insatisfação às ruas, a populaçãojovem foi motivada a protestar principalmente por causa doaumento nos preços dos alimentos, a alta taxa de desemprego e afalta de oportunidades em uma sociedade extremamente fechada.Mas, utilizando a internet, eles conseguiram mais do que divulgardatas e locais de protesto: organizaram um movimento forte emultiplicaram a repercussão de suas ações.
  10. 10. 10 – allencar rodriguez Um dos estopins dos protestos na Tunísia foi a divulgação de umvídeo no qual um vendedor imola-se na cidade de Sidi Bouzid, emprotesto contra o confisco de suas mercadorias por policiais. Filmadopor tunisianos que estavam no local munidos de seus telefonescelulares, o vídeo foi publicado no YouTube, compartilhado em redessociais e transmitido pela emissora Al-Jazeera, alcançando grandenúmero de espectadores árabes e, depois, ganhando o noticiáriointernacional. Sem a liderança de um partido ou organizaçãoespecífica, milhares se revoltaram contra o governo. Para Faraz Sanei, pesquisador da organização Human Rights Watch, a internet impulsiona esse tipo de movimento sobretudo em países sob regimes políticos fechados, onde grupos opositores que poderiam liderar os protestos não têm permissão para atuar ou são vistos como pouco confiáveis. “Em locais onde é difícil emergir um líder natural, a internet facilita a mobilização dos cidadãos comuns”, afirmou, em entrevista ao iG. O professor David Anderson, que leciona Política Africana naUniversidade de Oxford, no Reino Unido, concorda. “No Egito e naTunísia, a oposição é fragmentada e muito fraca. Por isso, osmovimentos sociais oferecem uma base mais coerente paradissidência e protesto”, explicou. Segundo ele, nos últimos dois anos a internet e os telefonescelulares tiveram importância na organização de movimentos sociaisem diferentes partes da África e no mundo árabe. Ele recomenda,porém, “cautela” ao analisar “onde esse tipo de mobilização podenos levar”. “Esses movimentos carecem de coerência política, e nãoestá claro se as alianças criadas durante os protestos vão se traduzirem algo concreto”, afirmou. No Egito, o passo posterior à revolta parece ser a preocupação degrande parte dos manifestantes. “Onde isso vai dar?”, questionou oativista egípcio Gasser Abdel-Razeq, em entrevista ao jornalamericano “The New York Times”. “Como criar uma liderança quepossa representar essas pessoas sem dividi-las?”
  11. 11. crise árabe - 11 Até agora, grupos opositores como a Irmandade Muçulmana elíderes como o Prêmio Nobel da Paz de 2005 Mohamed ElBaradeiocuparam papel coadjuvante nos protestos. “Aqui todo mundo estáandando sozinho e falando por si próprio, porque não há nenhumgrupo que nos represente”, disse o manifestante Mohammed Nagi.Censura online O principal indicador de que a internet facilitou a mobilizaçãopopular no Egito foi a decisão do governo de interromper os serviçosde telefone por mais de 24 horas e derrubar os provedores deinternet por vários dias. Diante do bloqueio, os egípcios utilizarammáquinas de fax e aparelhos de rádio para circular informaçõessobre protestos, além de dicas sobre como usar modems discadospara acessar a internet. O Google também desenvolveu umaferramenta especial com a qual a população publicava conteúdo noTwitter por meio de mensagens de voz. Outros governos já derrubaram a internet de todo o país parafrear protestos, como Mianmar em 2007 e Nepal em 2005. Mas amaioria dos países, como China e Irã, usam formas mais sofisticadasde censura online, bloqueando endereços específicos e filtrando oconteúdo de sites de busca. Ações como essas levam analistas como Evgeny Morozov, nascidona Bielo-Rússia, a rejeitar a ideia de que a internet seja umaferramenta a favor da democracia. No livro “The Net Delusion: TheDark Side of Internet Freedom” (“A Ilusão da Rede: O Lado Negro daLiberdade na Internet”), ele argumenta que sites como Facebook eTwitter ajudam governos autoritários a monitorar dissidentes,conhecer seus hábitos e coletar informações sobre seus parentes efamiliares. O pesquisador da Human Rights Watch também vê o ladopotencialmente perigoso das redes sociais. “Quando você posta algono Twitter ou no Facebook, deixa um rastro eletrônico”, explicouSanei. “Seus amigos podem ler o que você escreve, mas o governotambém pode.”
  12. 12. 12 – allencar Rodriguez Sanei, que estuda a situação dos direitos humanos no Irã,afirma que o governo do país aprimorou consideravelmentesuas técnicas de monitoramento de cidadãos pela internetdesde 2009, quando foi “pego de surpresa” pela imensaquantidade de informações compartilhadas nas redes sociaissobre os protestos contra a reeleição do presidentemahrmoud Ahmadinejad. Hoje, a Guarda Revolucionária, principal força econômica e políticaque protege o regime, afirma ter um “Exército virtual” capaz detornar conexões mais lentas, bloquear e até derrubar sitesconsiderados indecentes por ter conteúdo pornográfico oupropaganda de bebidas alcoólicas, por exemplo. Segundo Sanei, a mesma tecnologia é usada para punirdissidentes. “A Guarda Revolucionária monitora indivíduos nas redessociais, que muitas vezes são perseguidos, presos e processados porcrime contra a segurança nacional”, afirmou. O pesquisador lamenta que a forte repressão nas ruas tenhasufocado os protestos sociais no Irã e o aumento da censura tenhalimitado a ação dos dissidentes na web. “O fato de a internet seralgo relativamente novo não significa que disseminar e acessarinformação online não seja um direito fundamental”, afirmou.
  13. 13. crise árabe - 13 RESPONDA: QUAIS SÃO OS EFEITOS DAS MANIFESTAÇÕES?RESPONDA: O QUE OS REVOLTOS BUSCAM NA REALIDADE DE SUAS AÇÕES?
  14. 14. 14 – allencar rodriguezARTIGO DE OPINIÃOFaraós, califas, mulás, sovietes e mandarins26 de fevereiro de 2011 | 0h 00 A revolta que assombra os países islâmicos coloca uma questão:as respectivas sociedades, em que pese a diversidade delas, naTunísia, no Egito, na Argélia, no Iêmen, no Irã, na Líbia, noMarrocos, no Bahrein, etc., buscam uma coisa: melhores condiçõesde vida, liberdade e participação. Tudo isso comunicado, em rede,pelas pessoas, driblando controles policiais e censuras. Um primeirocapítulo dessa onda libertária ocorreu no final do século passado,quando desabaram as ditaduras da União Soviética e do LesteEuropeu e quando os cubanos fugiram em massa para Miami, noepisódio conhecido como os "Marielitos", na época do governoReagan. Terremoto semelhante ocorreu na China, com a ocupaçãoda Praza da Paz Celestial pelos estudantes, primeiro, e, depois, pelostanques. Uma conclusão salta à vista: o que os revoltosos de ontem e dehoje procuram é o que sempre foi apregoado pelas democraciasliberais: liberdade de ir e vir, liberdade para empreender negócios,liberdade de pensamento e expressão, liberdade para as mulheres epara as minorias, controle da sociedade civil sobre o aparelho doEstado, conquista do conforto como expressão do desenvolvimentoeconômico, tolerância, pluralismo, enfim, tudo aquilo que as elitescorruptas dos países sacudidos pela onda de insatisfação negam aosseus cidadãos. Palmas para o liberalismo que consegue, em pleno século 21,seduzir com os seus ideais as grandes massas dos países queficaram por fora das reformas ensejadas no Ocidente pelosseguidores de Locke, Tocqueville e Adam Smith. Os ideais liberaissuperaram a prova da História, não ocorrendo assim com os ideaistotalitários de Marx e quejandos.
  15. 15. crise árabe - 15 No final da primeira década do século 21 encontramos,consolidada pela opinião pública mundial, a modalidade de Estadocontratualista estudado pelos liberais doutrinários e por Max Weber.Segundo o pensador alemão e os seus precursores franceses(Benjamin Constant, Guizot, Tocqueville, etc.), ali onde houve umaexperiência feudal completa, as respectivas sociedades sediversificaram em ordens diferentes de interesses, que ensejaram osurgimento das classes sociais, sendo o jogo político uma luta entreelas. Esse processo ensejou o moderno parlamentarismo, civilizadaarena onde se realiza o confronto entre interesses diversos,abandonando o campo da guerra civil. A alternativa a esse modeloliberal ficou por conta do pensamento de Rousseau, ao longo dostrês últimos séculos, que consolidou o ideal da democraciatotalitária, alicerçada na unanimidade construída mediante aeliminação da dissidência. Ora, a luta que observamos presentemente é uma reação desociedades dominadas por ditaduras, que se constituíram emherdeiras do velho despotismo oriental. O que egípcios, tunisianos,iemenitas, iranianos, chineses dissidentes, etc. buscam é asubstituição do modelo do patrimonialismo hidráulico por arquétiposinspirados na prática da representação política e de respeito aosdireitos individuais. Ora, isso é possível, inclusive no seio desociedades diferentes das ocidentais. A Turquia encarna hoje, porexemplo, um regime que se aproxima das modernas democracias. As ditaduras somente são aceitáveis para aqueles que dominam,jamais para os dominados. Como dizia Talleyrand, a raposaaristocrática, a Napoleão: "Sire, as baionetas servem para muitascoisas, menos para se sentar encima delas." Ou seja: você,governante, quer estabilidade? Construa a livre participação dosseus cidadãos! Essa, aliás, foi a genial lição que o nosso precursorliberal Silvestre Pinheiro Ferreira passou ao seu chefe, Dom João VI,no final da primeira década do século 19, nas suas famosas Cartassobre a Revolução Brasileira.
  16. 16. 16 – allencar rodriguez Faraós, califas, sovietes, mulás e mandarins jamais conseguiram -nem conseguirão - satisfazer às suas respectivas sociedades, porqueestá viciado, ab origine, o modelo de patrimonialismo oriental em quese inspiram e que se define como a organização do Estado como sefosse propriedade familiar de uma casta, de um czar ou de umaoligarquia. Chamou-me a atenção uma reportagem que li num jornal canadenseno ano passado: o maior grupo étnico de milionários que buscaresidência no Canadá é constituído pelas famílias de altos dirigenteschineses. O repórter indagava acerca das razões dessa preferência. Omotivo alegado por eles era bem curioso: a China, sim, é uma grandepotência econômica e política. Mas ninguém tem certeza de que asconquistas de bem-estar atingidas pela elite - calculada em 400milhões de pessoas - serão garantidas para as próximas gerações.Assim sendo, os mandarins cuidam para que as suas famílias passem agozar das benesses do desenvolvimento, não na terrinha (pátria dodespotismo hidráulico), mas ali onde estão garantidas, por uma longatradição liberal, as conquistas dos indivíduos. Ou seja: a China podeser uma grande potência, mas não é o paraíso, mesmo para as famíliasdos seus dirigentes, que preferem um país desenvolvido do Ocidentepara ali gozarem as benesses do progresso e do conforto, com acerteza de que esses direitos serão garantidos num clima de liberdade. A América Latina, na trilha do populismo da última década, abjurajustamente o liberalismo e fica presa à manutenção de odiososprivilégios oligárquicos (vide os pactos realistas do partido governanteno Brasil com ícones da oligarquia nordestina, que ainda conseguemmanter sob censura o mais importante diário do País, justamente porter sido denunciada nas suas páginas a prática de arcaicopatrimonialismo). Nesse ponto, o Brasil consegue ser ainda maisretardatário que o Egito, onde caiu o faraó de plantão, enquanto nósmantemos, felás pagadores de impostos, os privilégios de odiosanomenclatura em que se converteu a nossa classe política.COORDENADOR DO CENTRO DE PESQUISAS ESTRATÉGICAS DAUFJF E-MAIL: RIVE2001@GMAIL.COM

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