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Faça aqui seu evento!  www.memorial.sp.gov.br Informações: 3823-4618
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Durante os anos 1970, quan-         cosmético, pode fortalecer o regionalis-do vigorava uma ditadura militar no        mo ...
O mundo indígena só tem vigor   se ganhar dimensão política              dentro da nação.     13
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Mas, simultaneamente, há uma diferen-         projetos, especialmente na Amazôniaça: Humala jamais falou em “herança      ...
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ção do homem pelo homem, custou-lhecaro. Portinari praticamente se auto-emu-lou , tornando-se, mais que um artista, umheró...
Desmontagem dos painéisGuerra e Paz de Portinari, na ONU, em Nova York.                             29
Estudos para                         Guerra e Paz. Mãos                        Entrelaçadas, 1955.                        ...
Meninos no Balanço,                                                                                                  1955....
CRÍTICA     QUatro artistasCOLOMBIANOS:        Uma introdUção          Julia Hertzberg32
Antes de partir para Bogotá, Co-       esquerda. Em 11 de março de 2010, o                       À esquerda, Juanlômbia, p...
Miguel Ángel              (ilustração). Os cinco quadros-negros         e 114.13 graus de longitude), nos ter-Rojas, Econo...
Blue e o vídeo Lat 65.31 N Long 114.13       século XIX, que registravam o sublime.W são da série Inukshuk, uma palavra   ...
retilínea. O vídeo, inserido na montagem,    em textos para inscrever suas pinturas edestaca folhas de coca voando fora da...
ARTEcUritiBafirma sUa Bienal                                  Adonis Flores,                            Incubación, 2009. ...
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POLÍTICABrasil         Um dos maiores doadores e Prestadores                    de assistência tÉcnica e financeira       ...
as fontes dos recursos transferidos aos       assento permanente no conselho de segu-países mais pobres?                  ...
direitos humanos, deixando prevalecer       a Convergência Estrutural do Merco-a ideia de que “negócios são negócios”.    ...
REFLEXÃOGEOESTÉTICAcomPleXidade em discUssão                        Ibis HernandezQ                      uando, há algum t...
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nesta metáfora geográfica um código           zona geocultural do Caribe; não menos                         Na páginaefica...
ECONOMIA          o sistema da dÍvida e ainflação           no Brasil                   Maria Lucia Fattorellia           ...
Para operar, esse sistema conta com ar-      transferência de recursos públicos aocabouço de privilégios de ordem legal,  ...
ra por meio de elevadas taxas de juros,      represente ônus financeiro ao orçamen-favorecendo ainda o crescimento con-   ...
computa a atualização monetária da dí-        a execução das “políticas necessárias paravida pública juntamente com a rubr...
oficiais comprovam que mais de 70%                  Esse mecanismo tem provocadoda inflação decorre dos grandes aumen-    ...
te supera R$ 2,5 trilhões, e o pagamento     eficientes: redução da taxa de juros;de juros e amortizações consumiu 45%    ...
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  1. 1. Nossa Revista do Memorial da América Latina N°44 - Ano 2012 | 1º trimestre - R$9,00GUERRa E PaZpORtInARI nO MEMORIAlInflaÇÃOE DÍVIDA públIcABRaSIl,uM pAÍs DOADORREElEIÇÃODE cRIstInA KIRcHnER
  2. 2. Faça aqui seu evento! www.memorial.sp.gov.br Informações: 3823-4618
  3. 3. Nossa Revista do Memorial da América Latina N°44 - Ano 2012 | 1º trimestre - R$8,00 Número 44 ISSN 0103-6777 EDITORIAL 04 Antonio Carlos Pannunzio EDUCAÇÃO 06 Helgio Trindade ANÁLISE Everaldo de Oliveira 10 Andrade Mãe, 1955. Candido Portinari. Pintura a óleo/madeira compensada. 160 x 110cm OPINIÃO 14 Enrique Amayo Zevallos ENSAIO 18 Sergio Guerra ARTE 24 Eduardo Rascov CRÍTICA 32 Julia P. HerzbergGOVERNADORGERALDO ALCKIMIN REVISTA NOSSA AMÉRICA DIRETOR CULTURA 37SECRETÁRIO DA CULTURAANDREA MATARAZZO ANTONIO CARLOS PANNUNZIO Leonor Amarante 40 EDITORA EXECUTIVA/DIREÇãO DE ARTEFUNDAÇÃO MEMORIAL LEONOR AMARANTEDA AMÉRICA LATINA POLÍTICA EDITORA ADJUNTACONSELHO CURADOR ANA CANDIDA VESPUCCI Rubens BarbosaPRESIDENTE 43ALMINO MONTEIRO ÁLVARES AFFONSO ASSISTENTE DE REDAÇãO MÁRCIA FERRAZSECRETÁRIO DA CULTURA REFLEXÃOANDREA MATARAZZO DIAGRAMAÇãO (ESTAGIÁRIO) FELIPE DE PAULA LOPESSECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, CIÊNCIA ETECNOLOGIA Ibis Hernández AbascalPAULO ALEXANDRE BARBOSA REVISãO (ESTAGIÁRIO) 46 ELIAS CASTROREITOR DA USPJOãO GRANDINO RODAS ECONOMIA DIAGRAMAÇãO E ARTE ESTAÇãO DAS ARTES/SILVIA SATOREITOR DA UNICAMPFERNANDO FERREIRA COSTA Maria Lucia Fattorelli TRADUÇãO E REVISãO ESTAÇãO DAS ARTES/DEISE ANNE RODRIGUES/ 52REITOR DA UNESP (em exercício)JÚLIO CEZAR DURIGAN FERNANDA LIMA ELEIÇÕESPRESIDENTE DA FAPESP COLABORARAM NESTE NÚMEROCELSO LAFER Helgio Trindade, Everaldo de Oliveira Andrade, Enrique Amayo Zevallos, Sergio Guerra, Eduardo Rascov, Julia Luis Fernando AyerbeREITOR DA FACULDADE ZUMBI DOS PALMARES P. Herzberg, Leonor Amarante, Rubens Barbosa, Ibis 56JOSÉ VICENTE Hernández Abascal, Maria Lucia Fattorelli, Luis FernandoPRESIDENTE DO CIEE Ayerbe, Reynaldo Damazio, Bruno Perón Loureiro, Dario LIVRORUI ALTENFELDER SILVA Pignotti.DIRETORIA EXECUTIVA CONSELHO EDITORIAL Reynaldo Damazio Aníbal Quijano, Carlos Guilherme Mota, Celso Lafer, Davi 59DIRETOR PRESIDENTE Arrigucci Jr., Eduardo Galeano, Luis Alberto Romero, LuisANTONIO CARLOS PANNUNZIO Felipe Alencastro, Luis Fernando Ayerbe, Luiz Gonzaga DEBATEDIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS DA AMÉRICA LATINA Belluzzo, Oscar Niemeyer, Renée Zicman, Ricardo Medrano,ADOLPHO JOSÉ MELFI Roberto Retamar, Roberto Romano, Rubens Barbosa, Ulpiano Bezerra de Menezes. Bruno Peron LoureiroDIRETOR DE ATIVIDADES CULTURAISFERNANDO CALVOZO 62 NOSSA AMÉRICA é uma publicação trimestral da FundaçãoDIRETOR ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO (em exercício) Memorial da América Latina. Redação: Avenida Auro Soares COMENTÁRIOANGELO DE JESUS FERREIRA LOPES de Moura Andrade, 664 CEP: 01156-001. São Paulo, Brasil. Tel.: (11) 3823-4669. FAX: (11)3823-4604.CHEFE DE GABINETEIRINEU FERRAZ Internet: http://www.memorial.sp.gov.br Dario Pignotti Email: publicacao@fmal.com.br.DIRETOR PRESIDENTEMARCOS ANTONIO MONTEIRO Os textos são de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo o pensamento da revista. É expressamente proibida a reprodução, por qualquer meio, do conteúdo da revista. AGENDA 65 Da RedaçãoDIRETOR INDUSTRIAL 66TEIJI TOMIOKADIRETOR FINANCEIRO POESIAMARIA FELISA MORENO GALLEGO Xavier VillarrutiaDIRETOR DE GESTãO DE NEGÓCIOSJOSÉ ALEXANDRE PEREIRA DE ARAÚJO Gonzáles 3
  4. 4. EDITO Neste número inaugural de conciliadoras, segundo o historiador2012, a revista Nossa América registra Enrique Amayo Zevallos.o passo significativo que o Brasil está Na esfera das artes plásticas, qua-dando para a integração latino-ameri- tro temas. Um deles, Nossa América foicana. Trata-se da Unila (Universidade buscar na Colômbia: convidou a críticaFederal da Integração Latino-Ameri- norte-americana Júlia P. Herzberg paracana), em Foz do Iguaçu, na Tríplice escolher quatro talentos do país e regis-Fronteira. A instituição já está em ati- trar sua opinião sobre a importância de-vidade, em sede provisória, e quem ex- les no cenário contemporâneo. Outro éplica os propósitos da iniciativa é seu a exposição de obras de Portinari, que oreitor Helgio Trindade. No outro ex- Memorial realiza entre fevereiro e abril,tremo do Continente corre a seguinte com uma seleção dos mais importantesquestão: o que o presidente boliviano momentos do autor. Já o ensaio foto-Evo Morales pode fazer pelas comuni- gráfico desta edição reúne imagens dedades indígenas. Na opinião do histo- Sérgio Guerra, “baiano” que mora emriador Everaldo de Oliveira Andrade, Angola, com o intuito de lembrar a re-pode fazer muito, com sua política de levância dos afrodescendentes, cujo ani-promoção de um Estado plurinacional. versário foi comemorado no ano pas-Por sua vez, Ollanta Humala, presi- sado. Por fim, um panorama da Bienaldente do Peru, também ganha avalia- Vento Sul de Curitiba, traçado por Leo-ção positiva com seu governo de ações nor Amarante, editora de Nossa América,4
  5. 5. ORIAL para quem o evento carrega o mérito da ner, “provada” e aprovada pelo eleitor persistência. com uma quantidade de votos insus- Um assunto bastante atual: gradu- peitada. A análise é do especialista Luís almente o Brasil aumenta sua presença Fernando Ayerbe. no exterior, ao se tornar um dos maio- Para encerrar, uma resenha do li- res doadores de assistência técnica e fi- vro Responsabilidade do Estado, de Sô- nanceira a países menos desenvolvidos, nia Sterman, dissertação de mestrado da artigo de Rubens Barbosa, ex-embaixa- autora, já em segunda edição. E um ar- dor do Brasil em Washington. Também tigo do jornalista Bruno Perón Loureiro pertinente é a questão da geoestética da sobre a reserva de lítio de Uyuni, conhe- visualidade caribenha, que Ibis Hernán- cida como a Pérola dos Andes. Além da dez Abascal desenvolve a partir do nexo agenda, sobre eventos realizados pelo com a área etnocultural. Memorial, e a tradicional poesia que fe- Como a inflação afeta o “sistema cha a edição, neste número assinada por da dívida” brasileira? Quem responde é Xavier Villarrutia Gonzáles. Maria Lucia Fattoreli, colaboradora do Boa leitura! Le Monde Diplomatique, que defende a redução das taxas de juros e a adoção de outros mecanismos de controle infla- cionário. No país vizinho, a Argentina, Antonio Carlos Pannunzio a questão é o fenômeno Cristina Kirsh- Presidente do Memorial da América Latina 5
  6. 6. EDUCAÇÃOUnila Universidade federal da integração latino-americana Helgio TrindadeP ara promover a integração, o desenvolvimen- to e a cooperação solidária entre os países da América Latina, a partir do conhecimento e da formação de recursos humanos de alto nível, o Ministério da Educação do Brasil (MEC) enviou ao presidente Luiz Inácio Lulada Silva, em dezembro de 2007, o Projeto de Lei de Criação daUniversidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila)que foi sancionado por meio da Lei 12.189, de 12 de janeirode 2010.Trata-se de uma proposta inédita, que pela primeiravez no contexto latino-americano previu a criação de uma uni-versidade nacional dirigida à integração do Continente, com oprincípio de trabalhar de forma programada a vocação integra-cionista das instituições de educação superior. Presidida peloprofessor Hélgio Trindade, ex-reitor da Universidade Federal do6
  7. 7. Rio Grande do Sul (UFRGS), ex-mem- (português e espanhol). Alem disso, tem A universidade jábro do Conselho Nacional de Educa- como objetivo a formação de redes de funciona em prédioção (CNE), a Comissão de Implantação cooperação com universidades de toda provisório e deve ser(CI) da Unila, formada e investida pelo a América Latina. transferida para um complexo projetadoMEC, com 13 especialistas em educa- A localização da cidade de Foz do por Oscar Niemeyer.ção superior e integração, trabalhou por Iguaçu, na Tríplice Fronteira, foi fatordois anos no desenvolvimento e na es- determinante por dois aspectos. De umtruturação do plano político- pedagógi- lado correspondente à política do atu-co da Universidade. al governo, de expansão superior e in- Apesar de a Unila ser uma univer- teriorização até as regiões de fronteira.sidade do sistema federal de educação Também por ser fronteira trinacional, osuperior do Brasil, sua especificidade que sem dúvida enriquece o projeto e odecorre de sua missão própria: a inte- caráter multiétnico da formação histó-gração latino-americana. Nesta pers- rica da região. A hidrelétrica de Itaipupectiva está a sua vocação institucional Binacional apoiou a criação da Unila,original. Financiada pelo MEC, como as doando uma área de 40 hectares parademais universidades federais, seu olhar a construção do futuro campus e coo-esta voltado de forma prioritária para perou na elaboração do projeto arquite-a América Latina, com o objetivo de tônico de Oscar Niemayer. Atualmentedesenvolver uma cooperação solidária o PTI abriga a sede provisória da Unilacom os países na região. O seu campus até a conclusão do Campus, que está emdeverá ser um local de experiência da fase de construção.integração em termos acadêmicos, cien- O fato de que Niemayer tenhatíficos e culturais, por meio do convívio desenhado o projeto do campus foientre professores e alunos. uma grata surpresa, pois a ideia inicial O Anteprojeto estipula que a me- era ter do arquiteto somente o prédiotade dos 10.000 alunos previstos e dos da biblioteca. Seu projeto para a Uni-500 professores seja selecionada nos la é majestoso, como são todas as suasdiversos países latino-americanos e a obras, e os seus traços simbolizam aoutra metade no Brasil. Para promover integração latino-americana. No total,esta integração, a Unila será bilíngue serão cerca de 150 mil metros quadra- 7
  8. 8. dos, divididos em seis edifícios: prédiocentral, biblioteca, anfiteatro, restau-rante universitário e dois edifícios paraaulas e laboratórios. Foi decidida pelaComissão de Implantação a utilizaçãomúltipla dos espaços, e procurou-seadaptar o projeto para uma maior con-vivência entre alunos e professores. O projeto de uma Biblioteca dereferência na América Latina (Biunila)sobre integração regional e compara-da prevê um moderno centro de do-cumentação e informação virtual, comcapacidade para 300 mil volumes. Abiblioteca estará integrada com o Ins-tituto Mercosul de Estudos Avançados(Imea). Este é um centro interdiscipli-nar de pesquisa e pós-graduação queatualmente atua por meio de CátedrasLatino-Americanas nos diferentescampos do saber. Já com o apoio daAssociação de Universidade do Grupode Montevidéu (AUGM), pretende-seformar uma rede de pesquisas avança-das que se organize a partir da integra-ção do Imea. A proposta da Biunila edo Imea tem o apoio do governo brasi-leiro por meio do Focem (Fundo paraa Convergência Estrutural e Fortaleci- distintas de contratação para professo-mento Institucional do Mercosul). A res doutores seniores e jovens doutores.Biunila e o Imea deverão atender a re- Os docentes são contratados por seugião e ser referência em pesquisa sobre perfil como professores visitantes tem-a América Latina. porários, recrutados de acordo com sua Quanto à seleção de alunos brasi- capacidade nos outros países da Améri-leiros e estrangeiros, esta é realizada de ca Latina. Este formato permite maiorforma diferenciada. Os brasileiros são flexibilidade na contratação e na per-selecionados por meio do Enem (Exa- manência dos especialistas estrangeiros,me Nacional do Ensino Médio) enquan- provendo uma maior circulação destesto os estrangeiros são selecionados em professores, o que cremos ser benéficoseus países de origem de acordo com para a instituição. Deve-se destacar quecritérios definidos pela Unila em acordo haverá um desenvolvimento progressi-com os seus Ministérios da Educação. vo do tamanho da Universidade até que O corpo docente brasileiro (250 alcance a meta de 500 professores e 10professores) é selecionado por meio mil alunos. A concretização do projetode concurso público, como se faz em deverá ser alcançada até o ano de 2017.qualquer outra universidade federal bra- A Unila já oferece cursos intersileira, mas com banca internacional. e transdisciplinares, áreas inovadoras,Entretanto, foram criadas modalidades afastando-se das carreiras clássicas. Ini-8
  9. 9. ciou com uma oferta de 12 cursos de no resultado de uma consulta interna- O conjunto terágraduação, e está implementando pro- cional realizada com mais de uma cente- prédio central, bi-gramas de pós-graduação. A ênfase é na de especialistas. blioteca, anfiteatro,dada aos cursos considerados estratégi- Há uma grande receptividade do restaurante e doiscos para a integração, como formação projeto da Unila, em âmbito nacional e edifícios para aulas e laboratórios.de professores, recursos naturais, rela- internacional. No Congresso Nacionalções internacionais, processos culturais a criação da Unila recebeu aprovaçãoe outros. A proposta é dirigida a estabe- unânime e conta atualmente com alu-lecer ciclos de formação: o ciclo básico, nos de vários países da América Latinao ciclo profissional e o ciclo de integra- (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Para-ção latino-americana. Porém, deve-se guai, Peru e Uruguai). Em 2012, a Uni-destacar que a questão da integração la receberá alunos de toda a Américaregional deverá permear toda a forma- do Sul e de alguns países da Américação do aluno, constituindo o princípio Central e do Caribe.da instituição. Esta proposta é resultadodo trabalho da Comissão de implanta-ção da Unila, que realizou um diagnósti-co da oferta de cursos de graduação na Helgio Trindade é cientista político e atual presidenteAmérica Latina para evitar a reprodução da Comissão para a Instalação da Universidadedos mesmos cursos e também se apoiou Federal da Integração Latino- Americana (Unila). 9
  10. 10. ANÁLISE EVOMORALES e as comUnidades indÍgenas Everaldo de Oliveira AndradeH á uma história ancestral no mundo andi- no que a ascensão de Evo Morales pare- ce ter projetado novamente para a luz. O mundo andino foi marcado pela sobrevi- vência ao longo de séculos de resistência das comunidades indígenas aymarás eqhéchuas, entre outras, que sobreviveram à colonização es-panhola e aos anos conturbados que se seguiram às indepen-dências no século XIX. O genial e precoce pensador peruanoJosé Carlos Mariátegui já havia notado uma profunda socie-dade indígena remanescente e entranhada na própria terra,um elo de ligação entre a solidariedade comunitária e um fu-turo libertário para a América Latina com que sonhava. NaBolívia, nem sempre esse laço de solidariedade previsto porMarátegui entre os de baixo foi claro. Mesmo os proletários10
  11. 11. mineiros que se enfrentaram nas dé- cidadania liberal, da propriedade in- Os líderes indígenascadas de 1940 e 1950 com os mine- dividual e da liberdade. Isso cravou esperam um diálogoradores, sob as bandeiras socialistas, novas feridas na sociedade boliviana, que Evo Moralespouca atenção deram ao mundo in- ainda mal curadas. O sociólogo boli- acena conduzir.dígena. Uma fragilidade que a His- viano René Zavaleta Mercado chegoutória não deixou de cobrar seu pre- a forjar o conceito de “sociedade abi-ço. A revolução de 1952 e sua quase garrada”, para tentar entender umaesquecida e pálida reforma agrária nação junta, mas não unida, em quebuscaram, sob a liderança dos nacio- conviviam em um mesmo quadro so-nalistas reformistas, desestruturar as cial setores sociais quase incomunicá-comunidades indígenas em nome da veis. Isso está mudando? 11
  12. 12. Durante os anos 1970, quan- cosmético, pode fortalecer o regionalis-do vigorava uma ditadura militar no mo e a fragmentação social dos setorespoder desde 1964, um vigoroso mo- populares e do tradicional e combativovimento indigenista buscou recons- movimento operário do país. E, dessatruir, ou trazer para a superfície, uma forma, favorece a antiga Bolívia divididaBolívia silenciada ou apartada. Era o e submissa à ingerência externa, aquelamovimento katarista, que em sua face que sempre foi obstáculo no caminhomais radical beirou o fanatismo racis- que levou Evo Morales ao poder. Ota dos índios contra os brancos. Esse choque entre etnias e grupos da própriamovimento indigenista crescia na es- base social de Evo é também parte dateira do silenciamento do combativo dinâmica em desenvolvimento de frag-movimento operário pelos militares. mentação étnica, regionalista e auto-De fato, parecia haver um constante nomista que ameaça destruir a granderessurgir histórico do mundo andino conquista política do seu governo, aancestral, dos laços sociais e econômi- unidade política em torno da soberaniacos das comunidades indígenas, mar- nacional traduzida nas ações contráriascados pela quase impermeabilidade da ao separatismo regional.modernidade ocidental, expressando O mundo das comunidades in-muitas vezes quase um mundo à parte, dígenas só tem sentido e vigor, ga-ou uma história vivida em outro ritmo nhando uma dimensão política maiorparalelo, em outra camada da história na arena de uma nação boliviana ple-silenciosa. Em momentos de grande namente soberana e independente. Atensão social e econômica, esses tem- fragmentação enfraquece as própriaspos históricos vividos em outro ritmo, comunidades. O regionalismo e o au-essas camadas mais profundas da so- tonomismo, expressos recentementeciedade parecem se reencontrar para nos choques relacionados à constru-buscar acertar seus ritmos, como se ção da estrada para ligar os depar-uma história caudalosa e profunda se tamentos de Pando e Cochabamba,tornasse repentinamente visível à su- mostram uma dinâmica preocupante,perfície, como protagonista das con- se prevalecer uma dinâmica políticajunturas e dos eventos mais corriquei- isolacionista e não nacional. A posi-ros. Evo Morales certamente unificou, ção do governo Evo de dialogar e ne-ou expressou, um movimento social gociar com as comunidades indígenasprofundo e unificado de defesa da so- da região é positiva, mas está longe deberania e autodeterminação da nação resolver as questões. As cicatrizes queboliviana como nunca houve no país. separaram e contiveram a Bolívia du-Estamos vivendo um novo ressurgir, rante séculos ainda estão abertas.um reencontro da nação boliviana? A tão celebrada Nova Constitui-ção Política do Estado Boliviano, apro-vada em janeiro de 2009, foi exaustiva-mente negociada com os setores quedefenderam abertamente o separatismodo país. Foi celebrada a formulação de Everaldo de Oliveira Andrade é historiador, pós-um Estado plurinacional, intercultural, doutorando na Universidade de São Paulo (USP)descentralizado e com autonomias re- e professor na Universidade Guarulhos (UNG).gionais. Porém, essa suposta conquista Acaba de lançar o livro Bolívia: democracia edo estado plurinacional, longe de ser um revolução – a Comuna de La Paz de 1971.12
  13. 13. O mundo indígena só tem vigor se ganhar dimensão política dentro da nação. 13
  14. 14. OPINIÃOHUMALA e amÉrica latina Enrique Amayo Zevallosc ontexto: No dia 5 de junho de 2011, Ollanta Humala, no segundo turno, foi eleito Presiden- te do Peru: obteve 53% dos votos, contra 47% de Keiko Fujimori. Esta, é filha do ex-presi- dente (1990-2000) Alberto Fujimori, que aca- bou governando de forma ditatorial. O men-tor e braço direito de Fujimori foi Vladimiro Montesinos - chefedo Sistema de Inteligência Nacional (SIN). Ambos estão presosem Lima, submetidos a julgamentos por haverem cometido cri-mes políticos juntos. Até hoje, Fujimori foi condenado a 25 anos eMontesinos a quase 10. Analistas sérios, como Mario Vargas Llosa(que apoiou Humala por considerar que a vitória de Keiko signifi-caria que seu pai, representante de um novo fascismo, retornariaao poder), concordam que a “presidente” Keiko libertaria pai eassociados. Ações de Fujimori realizadas no ano 2000 levaram14
  15. 15. o Peru a uma situação caótica: os abusos outros governos, rumo ao Uruguai e ade Fujimori para reeleger-se pela terceira todos os países do Mercosul. Depois,vez, contra o que a Constituição manda- aos países andinos vizinhos do Peru.va, desencadearam, apesar da brutal re- E também aos Estados Unidos (sendopressão do SIN, protestos massivos que recebido por Barack Obama e Hillaryterminaram obrigando-o a fugir para o Clinton), Venezuela (reunindo-se comJapão; o Peru entrou em caos. Chávez), México e Cuba (dialogando Algo semelhante teria ocorrido com Raul Castro e Fidel). Isso parecese Keiko libertasse seu pai, já que ela ser parte essencial da política exterior donão decide nada sem consultá-lo, além governo de Humala. O Ministro das Re-de seu círculo decisório ser constituído lações Exteriores que ele escolheu, Ra-pelos membros do governo de Fujimo- fael Roncagliogo, continua fiel à decla-ri que não foram presos. A vitória de ração que fez ao saber de sua nomeação:Keiko significaria, assim, o retorno de a política externa “vai ser uma políticaFujimori ao poder com seu corolário: de integração com todos os países da re-protestos, repressão e caos. gião, sem distinção nem preconceitos de Desde que Ollanta Humala assu- tipo ideológico”. O governo de Humalamiu o poder, em 28 de julho de 2011, quer manter relações com os países dapassou-se pouco tempo. Assim, ain- América do Sul (abrangendo a Américada não é possível julgar seu governo; é Latina e o Mundo), “sem distinções” epossível, sim, descrever algumas de suas com fins de ”igualdade”.decisões tomadas nesse período, o que A nomeação de Roncagliogo foipermitiria perceber tendências. um êxito de Humala, evidenciado em Em 2006, quando Humala foi can- seu bom recebimento por quase todasdidato a Presidente e perdeu para Alan as forças econômicas, sociais e políticasGarcía, era pró-Chávez. Mas nas elei- do Peru. Bem recebida porque Ronca-ções de 2011, Humala se distanciou do gliogo desempenhou papéis-chave naPresidente da Venezuela. Provavelmen- história política peruana recente. Miguelte, Humala entendeu que Chávez não é Castilla, Ministro da Economia e Finanças,um bom exemplo, e que sua proximida- escolhido por Humala, ao contrário dede não ajuda. Em treze anos como pre- Roncagliogo, gerou discórdia: críticas dossidente (desde 1998), Chávez foi incapaz progressistas e esquerdistas que tornaramde resolver os principais problemas eco- possíveis seu triunfo e apoio do mundonômicos e sociais de seu país. Venezue- empresarial e dos mercados. Castilla, comla, gigante petroleiro, com grande renda mestrado em Harvard e Ph.D. na Univer-provinda desse combustível (renda que sidade John Hopkins, economista ortodo-nos anos de Chávez aumentou enorme- xo com sólida experiência, até o dia de suamente pela alta dos preços do petróleo), nomeação por Humala, era vice-ministrodeveria ter os mais altos níveis econômi- da Fazenda de Alan García. Igual discór-cos e sociais da América Latina, mas não dia gerou a ação de Humala que aceitouos tem; e seu crescimento econômico manter Julio Velarde no cargo de presi-está entre os mais baixos do continente. dente do Banco Central.A imprensa peruana sugere que foi por Humala aproxima sua administra-realismo que Humala substituiu o cha- ção à do governo PT de Lula: pretendevismo pela aproximação com o Brasil, continuar a política econômica de Gar-do Partido dos Trabalhadores (PT). cía (assim como Lula fez em seu primei- Mas Humala não se limitou ao ro mandato, ao assumir, sem admitir, aBrasil: continuou aproximando-se de política econômica de seu antecessor). 15
  16. 16. Mas, simultaneamente, há uma diferen- projetos, especialmente na Amazôniaça: Humala jamais falou em “herança peruana, que estavam sendo realizadosmaldita” e, ao contrário, “pratica aberta- sem consulta prévia.mente a continuação”, o que se eviden- Altos Lucros de Minerais: ocia nas figuras-chave que escolheu para Peru é um grande produtor e expor-a direção econômica de seu governo (fi- tador mundial de minerais, dentre osguras importantes de seu antecessor). quais, os preciosos. Em função da crise Como o Peru inteiro, Humala não mundial, os preços dos metais aumen-quer pôr em risco o alto crescimento taram muito. Por exemplo, o preço daeconômico de seu país, um dos maio- onça troy de ouro, na última década,res da América Latina na última década. passou de mais ou menos 300 dólaresIsso explicaria a manutenção de Castilla a quase 2.000 dólares. Os altos lucrose Velarde como seus gestores econômi- não dependem de inovações tecnológi-cos. Mas Humala quer que esse cresci- cas ou de investimentos maiores, masmento seja distribuído, sobretudo entre simplesmente de inflexões de mercado.os mais pobres, para diminuir as dife- Os altos lucros favoreciam os donosrenças sociais. das empresas mineradoras, mas não o Aqui só é possível mencionar ra- Estado peruano, porque a maioria dospidamente algumas decisões tomadas contratos de exploração foi firmadapor Humala: com o corrupto governo de Fujimori, Lei da Consulta Prévia: o Acordo que lhes deu vantagens, pois a crise, atén°.169 da Organização Internacional então, não havia elevado os preços àsdo Trabalho sobre Povos Indígenas e alturas. Como candidato, Alan GarcíaTribaisconcede a esses povos o direito prometeu renegociar esses contratos,de consulta e aceitação prévias por eles mas como presidente disse que era im-(usando suas formas de consulta tradi- possível fazê-lo; assim, solicitou a essascionais) sobre qualquer obra que pos- empresas uma doação voluntária (óbo-sa causar impacto em seus territórios lo) que foi de 500 milhões de soles (mo-históricos. Em setembro de 2011, Hu- eda nacional peruana que, pelo câmbiomala transformou esse acordo em lei, atual de 2.75 por dólar, daria aproxi-promulgando-a em Bagua. Esta cidade madamente 180 milhões de dólares).amazônica peruana tem poder simbó- Quando Humala assumiu o poder, delico: ali ocorreram, em junho de 2009, imediato, iniciou a renegociação; as em-violentos confrontos entre a polícia e a presas, sem muita dificuldade, aceitarampopulação, sobretudo nativa, que causa- pagar três milhões de soles, ou seja, seisram a morte de 34 pessoas. Os indíge- vezes mais. Dinheiro que será utilizadonas protestaram contra o então gover- para cumprir promessas de campanha,no de García, que negava a Consulta como o Programa Social Renda 65, quePrévia. Humala, ao promulgar essa lei, significa: salário mínimo (aproximada-obteve apoio quase consensual da po- mente 100 dólares mensais) para a po-pulação indígena nacional e do país in- pulação com idade mínima de 65 anos,teiro, o qual se refletiu em altas taxas de sem renda fixa.aprovação de seu governo(hoje cerca de Lei contra a Corrupção: o gover-65%). Também foi muito bem recebido no de Humala enviou ao Congresso umpelos meios internacionais preocupados projeto de lei para declarar imprescrití-com a causa indígena e a preservação. veis os delitos graves de corrupção deIsso porque, uma das consequências funcionários públicos, impondo san-imediatas dessa lei foi a paralisação de ções aos corruptos; foi aprovada.16
  17. 17. A lei de Consulta Prévia pode transfor- mar Ollanta Humala em líder das causas indígenas. Concluindo: Humala está to- Humala, por força das circunstâncias,mando decisões conservadoras na eco- no líder das causas indígenas do con-nomia, progressistas no social, e inde- tinente com bases poderosas em suapendentes na política exterior. Políticas população nativa.de centro-esquerda que têm gerado, atéagora, respostas positivas das maioriasperuanas e do exterior, até dos Estados Enrique Amayo Zevallos é professor de HistóriaUnidos. E o impacto da lei de Consulta Econômica e Estudos Internacionais Latino-Prévia poderia acabar transformando Americanos - Universidade Estadual Paulista. 17
  18. 18. ENSAIOraÍZes do Brasil ENSAIO DO FOTÓGRAFO BAIANO SERGIO GUERRA EM TERRAS AFRICANASo impacto da escravidão não conseguiu conter as manifestações culturais dos escravos tra- zidos de diversos pontos da África. A sim- biose das várias vertentes etnológicas deu origem a novos simbolismos e formatos, enriquecendo substancialmente o modo deser dos brasileiros. Internacionalmente, o ano de 2011 foi dedica-do aos afrodescendentes, e a revista Nossa América estende aindaneste ano as homenagens a esse povo, que tanto adensou a culturabrasileira. O ensaio do fotógrafo pernambucano Sergio Guerra,que se auto-intitula baiano e vive em Luanda, capital de Ango-la, remete-nos a imagens poéticas, dramáticas, singelas e raras decomunidades distantes da região. A forte presença dos africanosno Brasil pode ser avaliada no censo de 1810, quando eles erammais de 30% da população do Brasil, porcentagem que decresceua partir de 1931. A população afrodescendente nos provou que,sem seu universo, o mundo seria monótono, triste e sem a trilhasonora do rock, do jazz, do hip hop, do reaggae e de tantos outrosritmos fundamentais da contemporaneidade.18
  19. 19. 19
  20. 20. 20
  21. 21. 21
  22. 22. 22
  23. 23. 23
  24. 24. gUerra Eduardo Rascov24
  25. 25. e PaZ 25
  26. 26. Acima,PlantandoBananeira,1955 - Candido Portinari.Desenho a lápis de cor/cartolina 9.5 x 8.5cm 26
  27. 27. Após seis anos de guerra total, na ONU. Paz, do mesmo tamanho, olhao mundo descansou. Em 1945, o sur- e é olhado por quem sai. A mensagemgimento da Organização das Nações é inequívoca: é possível ao engenho hu-Unidas enchia de esperança os crédu- mano resolver seus problemas.los. Esqueciam o fracasso da Liga das Como Di Cavalcanti, Jorge Amado,Nações, anos antes. Surgida dos escom- Mário Schemberg, Carlos Drummond debros da Primeira Guerra Mundial, a Andrade, enfim, boa parte da intelectuali-Liga das Nações havia sido incapaz de dade e artistas da sua geração, Portinari eraimpedir outra conflagração planetária. comunista filiado ao PCB, por quem con-Mas agora a paz precisava ser celebrada. correu a deputado constituinte em 1945Uma comissão internacional de arquite- e a senador em 1947. Sua insistência emtos seria formada para construir a sede presentear o mundo com a sua arte pun- Menino com Diabolô, 1955 Candido Portinarida ONU, em Nova York. O projeto do gente, como que clamando por um tempo Desenho a grafite e lápis demestre franco-suíço Le Corbusier seria utópico em que não houvesse a explora- cor/papel 21 x 15.5cmo escolhido, com a colaboração de Os-car Niemeyer. O conjunto arquitetônico da ONUfoi inaugurado em 1952. Era preciso em-belezá-lo com obras de arte de grandesartistas. O Brasil ganha o privilégio de seocupar do hall de entrada da AssembleiaGeral das Nações Unidas. Getúlio Vargasescolhe Cândido Portinari (1903-1962)para a tarefa e este põe mãos à obra. Entre1952 e 1956, Portinari trabalha sofrega-mente para atender o pedido do governobrasileiro. Apesar da recomendação médi-ca que evitasse o uso de tinta a óleo, cujochumbo o intoxicava, o artista encara aencomenda como missão. Com os olhose as pinceladas voltadas para a eternidade,ele passa a pintar os painéis Guerra e Paz,cuja superfície total de 280 metros qua-drados ultrapassa a do Juízo Final (CapelaSistina), de Miguel Ângelo. O resultado é um dos mais belose impactantes testemunhos da loucurahumana e resume como nada o dilemada ONU até hoje: É possível se livrar daguerra? Há guerra justa? A paz tem pre-ço? O que é preciso para conquistá-la?Portinari retrata a guerra não por meiode soldados ou equipamento bélico, maspor meio de suas vítimas, especialmen-te aquela que sofre a dor maior - a mãeque perde o filho, imolado à (i)raciona-lidade dos poderosos. Guerra, painel de14X10m, toma a visão de quem entra 27
  28. 28. ção do homem pelo homem, custou-lhecaro. Portinari praticamente se auto-emu-lou , tornando-se, mais que um artista, umherói trágico da humanidade. Guerra e Pazforam os últimos grandes painéis pintadospor ele. Depois disso, adoeceu pouco apouco até morrer em 1962, vítima das tin-tas que para ele eram arma. Os quadros foram finalmente ins-talados na ONU, em 1957. Por ser comu-nista, Portinari não obteve autorizaçãodo governo americano para ir à inaugu-ração da sua obra. Niemeyer também jánão tinha acesso ao prédio que ajudou acriar. O “Comitê de Atividades Antiame-ricanas”, criado pelo senador Joseph Mc-Carthy, estava ativíssimo. Nos primeirosanos, o público tinha acesso ao hall daONU onde estão os painéis Guerra e Paz.Mas, com o tempo, por motivo de segu-rança, o acesso a ele ficou restrito aos de-legados oficiais. Segundo João CândidoPortinari, filho do pintor, 95% da obrade seu pai está fechada em coleções par-ticulares. Por isso, quando soube que asinstalações da ONU passariam por refor-ma entre 2010 e 2013, tanto fez que con-seguiu a guarda da obra por esse período.Era a oportunidade dos painéis Guerra ePaz percorrerem o mundo e - finalmente- serem conhecidos pelo povo. Em con-trapartida, eles deveriam voltar devida-mente restaurados, como previa o con-trato entre a ONU e o governo brasileirodos anos 50. Para essa empreitada, JoãoCandido Portinari obteve o apoio do go-verno brasileiro, por meio do BNDES, ede outras entidades públicas e privadas. Os painéis foram restaurados noRio de Janeiro, em ateliê aberto ao pú-blico, montado no Palácio Gustavo Ca-panema, por iniciativa do Projeto Porti-nari, no início de 2011. Antes disso, elestinham ficado expostos por alguns diasno palco do Teatro Municipal carioca.Mais de 40 mil pessoas foram visitá-lo. A mostra no Memorial inclui cer-ca de cem esboços originais de Guerra e28
  29. 29. Desmontagem dos painéisGuerra e Paz de Portinari, na ONU, em Nova York. 29
  30. 30. Estudos para Guerra e Paz. Mãos Entrelaçadas, 1955. Desenho a grafite e crayon colorido/papel 10 x 10cm. Cabeça de Mulher, 1955. Desenho a grafite e crayon colorido/papel. 16 x 16cm.Paz, que nunca foram expostos conjunta- por meu pai um pouco antes, em 1949,mente e audiovisuais contando a aventu- com quem Guerra e Paz dialogam muitora de remover obras de arte gigantescas, bem.” E, complementa o filho que faz datransportá-las para o Brasil e restaurá- sua vida uma espécie de sacerdócio pelalas, bem como documentários sobre a memória, preservação e divulgação davida e a obra do pintor. Para o Memorial, obra de seu pai, “o Memorial é o lugaré significativo ter os famosos painéis, que ideal para o público ver as cores intensashá 54 anos estão em Nova York, com- dessas pinturas de meu pai, pois ambospartilhando temporariamente o espaço têm um significado irmanado. O que é ocom outra obra de Portinari não menos painel Tiradentes, já instalado no Salão deimportante, o painel Tiradentes que, con- Atos, senão um grito de repúdio à violên-forme explica João Candido, “foi pintado cia similar aos painéis Guerra e Paz?”30
  31. 31. Meninos no Balanço, 1955. Desenho a grafite e lápis de cor papel. 25 x 24.5cm. Fotos de Portinari no ateliê e com o filho João Candido. Visionário, sonhador, maluco do Brics, Rússia, China, Índia e Áfri-(algo a ver com seu pai?), João Candi- ca do Sul. Até agosto de 2013, quandodo Portinari afirma que, depois de São eles voltam para o hall da ONU, iman-Paulo, Guerra e Paz devem percorrer o tados pelo olhar compreensivo de mi-mundo. Com o esperado apoio do Ita- lhões de pessoas.maraty, os painéis de Candido Portina-ri, espera o filho, vão levar sua mensa- Exposição Guerra e Paz, de Portinari. A partirgem dramática e de esperança a cidades de fevereiro no Memorial da América Latina.emblemáticas, como Hiroshima e Oslo, Para mais informações, consulte nosso site: www. memorial.sp.gov.br Tel.: (11) 3823 4600por ocasião da entrega do Prêmio No-bel da Paz em dezembro de 2012. E, Eduardo Rascov é jornalista e editor do site dopor que não, às potências emergentes Memorial da América Latina 31
  32. 32. CRÍTICA QUatro artistasCOLOMBIANOS: Uma introdUção Julia Hertzberg32
  33. 33. Antes de partir para Bogotá, Co- esquerda. Em 11 de março de 2010, o À esquerda, Juanlômbia, para ver a Feira ArtBo e as ati- artista foi convidado para ir à cidade ru- Manuel Echavarría,vidades de arte estendidas ao redor do ral Mampujan, na região montanhosa de Silencio con frutasevento, pediram-me para escrever sobre Montes de Maria, para a comemoração do (série La O). C-print, 40 x 60 in. Cortesiaquatro artistas colombianos emergentes. décimo aniversário do dia em que os mo- do artista e da GaleriaContemplando a arte e refletindo sobre radores foram forçados a deixar suas casas Sextante, Bogotá.ela, conversando com artistas em mu- e terra pelas forças paramilitares, “Heroes Nesta página, Milerseus de exposições e nos estúdios do Es- de los Montes de Maria”. Tal aldeia nunca Lagos, Red-Blue, (série Inukshuk),pacios Las Nieves, ficou claro para mim foi reocupada. No decorrer do dia, Echa- 2011. Giclée print,que três dos quatro artistas que escolhi varría encontrou uma escola deteriorada 55 x 81 cm (21 ¾não eram emergentes, mas sim maduros na qual as vogais a, e, i e u estavam escritas x 32 in.). Cortesiatalentos, cujos trabalhos extremamente em uma parede ao lado do quadro-negro. do artista e da ABconvincentes mereciam ser mais conhe- O tempo havia gasto o o, a letra que se Projects, Toronto.cidos para além da Colômbia. A seleção tornaria o título da série La O.inclui: Juan Manuel Echavarría, cujo tra- Echavarría voltaria quinze vezesbalho eu tenho acompanhado e escrito às cidades e às aldeias abandonadas ema respeito, Miler Lagos, Miguel Ángel Montes de María, em suas contínuas jor-Rojas e Catalina Mejía, cuja obra é nova nadas antropológicas. Uma descobertapara mim. Em linguagens diversas, seus surpreendente levou a outra. Uma sérietrabalhos abordam questões comuns e de quadros-negros silenciosos, comopessoais, o político e o poético. me refiro a eles, inclui Silencio con frutas Por mais de quinze anos, Juan Ma- e Silencio 1,2,3,4. Silencio con frutas foi fil-nuel Echavarría viajou por aldeias rurais mado através de uma abertura para uma(veredas) e cidades da Colômbia, foto- janela na parede externa, em consequên-grafando os traços da guerra civil em an- cia emoldurando a lousa (a qual é ver-damento, travada por narco-traficantes, de agora) ao mesmo tempo capturandoparamilitares de direita e guerrilheiros de o apagamento de duas paredes em pé 33
  34. 34. Miguel Ángel (ilustração). Os cinco quadros-negros e 114.13 graus de longitude), nos ter-Rojas, Economía silenciosos compartilham característi- ritórios do Nordeste do Canadá. Aintervenida, 2011. cas pictóricas e temáticas. Formalmente, jornada era na verdade uma residênciaPó de folha de coca, eles recordam pinturas abstratas, telas orgznizada por Astrid Bastin, uma co-camada de ouro ealumínio, 110 x 163 gestuais nas quais diferentes camaradas lombiana que dirige a AB Projects emcm (43 5/16 x 62 de pigmentos foram sobrepostas. Clima Toronto. Durante a primeira residên-in.); vídeo e som, 15 e tempo alteraram as suas cores e mate- cia de Lagos, no AB Projects (2010),min. 30 seg. Cortesia riais originais, transmitindo uma espécie seu trabalho foi baseado na exploraçãodo artista e da Sicardi de pertubadora beleza romantizada. ambiental. Considerando seu interesseGallery, Houston. Precisamos nos lembrar, todavia, pela natureza e pelas relações da huma- que esses quadros-negros, com ou sem le- nidade para com ela, Bastin propôs a tras e números, não são usados para edu- Lagos que fosse a uma área remota do car crianças. As crianças, juntamente com Ártico canadense, onde exploradores seus pais, foram deslocadas à força de ci- polares navegaram no século XIX. dade a cidade; enquanto algumas fugiram Lagos e Bastin voaram para e se salvaram, outras encontraram seu Yellow Knife, onde o pequeno hidropla- silêncio final. A questão do artista é: es- no os levou a Red Rock Lake, perto de sas fotografias de lousas vão avivar a me- Coppermine River, lugar da expedição mória acerca da violência prolongada que de Sir John Franklin (1819-1822). Por vitimou tantas pessoas por tanto tempo? 12 dias, durante o final de julho e o iní- Miler Lagos fez uma peque- cio de agosto de 2011, Lagos fotografou na série de belas fotografias e vídeos e filmou entre 11:30 pm e 2h30 am, as com som, durante uma viagem ao Red horas entre o pôr e o nascer do sol. As Rock Lake (65.31 graus de latitude N fotografias entituladas Red, Blue, and Red- 34
  35. 35. Blue e o vídeo Lat 65.31 N Long 114.13 século XIX, que registravam o sublime.W são da série Inukshuk, uma palavra Seus trabalhos são como meditações nainuíta que se refere a um marco de pe- cor, luz, e tranquilidade antes do friodra, construído por mãos humanas, que do Ártico transformar a região em gelofunciona como um ponto de referência branco, escuridão e vento.para rotas de viagem, lugares de venera- Miguel Ángel se aproxima da eco-ção e de caça, dentre outros usos. Na li- nomia, da política, e das realidades sociaisnha de árvore em um cenário de marcos de seu país, de uma perspectiva diferentede pedra (assemelhando-se a esculturas), em relação à de Juan Manuel Echavarría.Lagos colocou chifres de veado em uma Economía intervenida, de Roja, é uma confi-das pedras e depois suspendeu pequenas guação da tempestade de padrões, visual-pedras nos chifres (ilustração). O artista mente definidos por pequenos quadradosfotografou e filmou apenas a luz solar e dourados, cercados por um campo de Catalina Mejía, Youas condições climáticas do lugar. A bele- quadrados levemente maiores de folhas you you you, 2010.za desolada de uma paisagem do Ártico, de coca. O efeito geral é um padrão de Grafite no papel, 38com seus dias de 24 horas e ventos que superfície abstrata de linhas douradas on- x 56 cm (12 x 14 in). Cortesia do artista.variam, fez com que Lagos se lembrasse dulantes, aparecendo em pequeno relevo Fotógrafo: Oscardas pinturas românticas de paisagem do contra o chão cinzento em uma superfície Monsalve. 35
  36. 36. retilínea. O vídeo, inserido na montagem, em textos para inscrever suas pinturas edestaca folhas de coca voando fora das desenhos com palavras que empregampáginas de listas telefônicas. a primeira e a segunda pessoas (“eu” e Rojas fala da realidade da Co- “você”) para transmitir tristeza, desilusãolômbia, que por anos tem enriquecido e raiva. As superfícies de pintura das telas,com o dinheiro do narcotráfico e mais juntamente com os desenhos magistral-recentemente com a mineração ilegal mente compostos de grafite revelam osde ouro, ambos produzindo “uma eco- estados emocionais da artista por meionomia mediada”. Para a montagem, de palavras, a maioria delas apagada.o artista empregou tanto altas quanto A escrita gestual expressionistabaixas tecnologias, uma total maestria anima as superfícies desses trabalhosde vocabulários figurativos e abstratos, abstratos em sua maioria, ao declarar aum apelo visual e significativo de dois especificidade dos estados emocionaisprodutos para o discurso econômico e da artista. A pintura Carta de Amor, de-social de seu país. clara obsessivamente momentos, atos, e O processo artístico, trabalho sentimentos íntimos por meio de pala-intenso e repetitivo, exigiu grande des- vras como queimar, ligar, chorar, negar,treza em colocar centenas de pequenos apreciar, excitar, sentir, esquecer, perdo-quadrados de folhas de coca cortados ar, foder, beijar. Outra tela inclui lam-a laser, e ouro em um apoio acrílico. O ber, perder, possuir, prometer, lembrar,artista primeiro secou as folhas de coca, tocar, confiar, desejar. You you you you étriturou-as até obter uma consistência configurada como um esboço no qual ade pó, misturou-as com um agente de maior parte da prosa está apagada (ilus-serigrafia à base de água , e usou o pó tração). No queda nada é uma das poucas(folha de coca) como se fosse tinta em pinturas nas quais elementos da natu-serigrafia. O satélite da tempestade de reza estão esquematicamente definidospadrões, baixado da Internet, foi im- em uma superfície ricamente colorida.presso em papel do tamanho do traba- “N a d a” é o que está escrito na partelho final. Rojas usou o impresso como inferior direita, evocando o vazio, a so-uma referência para a montagem final, lidão, o nada.que ele fez desenhando uma grade so- O apreço de Mejia por Cy Twom-bre o acrílico, colocando pontos para bly e por Jean Michel Basquiat é evidenteindicar a tempestade de padrões, e fi- na qualidade gráfica das linhas pintadas enalmente aplicando as folhas de coca e desenhadas, na organização pictórica doos quadrados de ouro, um por um, em espaço e na fusão das fronteiras entre aum padrão de mosaico. A riqueza esma- pintura e o desenho. Olhando para trás,gadora da cocaína e da mineração ilegal para dois importantes artistas e professo-de ouro está causando uma preocupa- res, ela se lembra que Miguel Ángel Rojasção renovada na sociedade colombiana. lhe ensinou a importância de expressar aDe forma hábil, Rojas fez alusão a essas catarse, enquanto Luís Camnitzer lhe en-complexas realidades nas quais os mate- sinou a importância de ordenar a emoção.riais têm contribuído para uma econo-mia mediadora. Desastres del Corazón, de CatalinaMejía, elucida a dor sentida em um re- Julia P. Herzberg, Ph.D, é curadora, especialista sêniorlacionamento amoroso que deu errado. da Fulbright, e também ministra palestras e publicaMejía referiu-se ao título de Goya, Disas- constantemente sobre artistas contemporâneos nosters of War, assim como uso do Espanhol Estados Unidos e no exterior.36
  37. 37. ARTEcUritiBafirma sUa Bienal Adonis Flores, Incubación, 2009. Impressão 80x120 cm Leonor Amarante 37
  38. 38. o crítico argentino mor ele nos reporta aos desequilíbrios de Jorge Glusberg cos- nossa realidade permanente. E lembra tuma dizer que, se do período em que combateu em An- uma bienal tem pelo gola, como soldado internacionalista, co- menos duas obras baia da complexidade humana. inesquecíveis, ela já é Normalmente as bienais são salas um sucesso. A Bienal Vento Sul de Curi- de espetáculos para encenar grandes tiba tem o mérito da persistência, da ten- obras, grande parte com caráter cênico. tativa de superar-se e de conseguir desen- Um dos trunfos dessa edição é mos- volver um discurso crítico consistente. trar que obras sutis como as de Lilian O tema Além da Crise foi oportuno e Tí- Porter podem ter alta potencialidade, cio Escolar, que divide a curadoria com capaz de dialogar com instalações po- Alfons Hughs, trabalha o conceito de que tentes como as de Nelson Felix. a arte contemporânea tem suas próprias A sexta edição segue as conquistas de crises e, uma delas é a da representação. outras edições, potencializa seu espaço Quem pode exemplificar o discurso é o expositivo com a ocupação do Museu cubano Adonis Flores, artista convoca- de Arte Oscar Niemeyer MON. Os do para a “comissão de frente” que nos paradigmas estéticos emanados dos recebe no Museu Oscar Niemeyer com centros hegemônicos Europa e Esta- sua série de Caveiras. Com crítica e hu- dos Unidos parecem ter perdido a for- ça. Os desenhos eróticos e sensuais do uruguaio Ricardo Lanzarini nos dão a sensação de que os artistas estão atentos na desconstrução de estereótipos sobre produção dos países latino-americanos. Interessante é que o encontro de críti- cos de formações tão diferentes chegou ao denominador comum de que a arte tem sua autonomia, mas sofre com as crises que atingem muitos países. A atualidade do tema, mais do que além da crise, se reforça em muitas obras na percepção crítica de Hughs, para quem há hoje uma mudança estética de para- digmas “Obras difíceis e invendáveis, fei- tas de material precário, que se esquivam à lógica do mercado, ganham cada vez mais terreno.” Esse é um dos vieses des- sa mostra, que no conjunto reforça como um dos polos de reverberação da produ- ção brasileira. Mesmo sem uma vitrina internacional, que deveria ser colocada como meta para as próximas edições, a Angelo Luz, intervenção Bienal Vento Sul é uma realidade.urbana na praça tiradentes, 2011. Leonor Amarante é editora da Revista Nossa América. 38
  39. 39. ada como meta para as próximas edições,a Bienal Vento Sul é uma realidade. Sem título, 2010. Instalação. Ferro, resina, Em um edifício acrílico,arrojado, a marca é a 150x150x60 cm I Cortesia internacionalização. Boers Li Gallery, Pequim é a marca internacionalização. 39
  40. 40. POLÍTICABrasil Um dos maiores doadores e Prestadores de assistência tÉcnica e financeira Rubens Barbosaa assistência técnica e fi- Sem chamar muito a atenção, e gra- nanceira prestada pelo dualmente aumentando sua presença no Brasil a dezenas de pa- exterior, o Brasil está se tornando um dos íses, especialmente da maiores doadores e prestadores de assis- África e da América La- tência técnica e financeira para os países tina, é um dos aspectos com menor desenvolvimento relativo. Porda política externa que pouco tem mere- meio de diversas formas de ajuda, o Brasil,cido a atenção de analistas e estudiosos. somente em 2010, teria se comprometidoTrata-se de um dos desdobramentos da com mais de US$4,5 bilhões.política Sul-Sul, desenvolvida nos últimos Quais as motivações dessa açãooito anos pelo governo brasileiro. governamental no exterior, o volume e40
  41. 41. as fontes dos recursos transferidos aos assento permanente no conselho de segu-países mais pobres? rança da Organização das Nações Unidas Reforçar a solidariedade com gestos (ONU) e interesses comerciais de abertu-políticos do Brasil no mundo é a explica- ra de mercado para serviços de empresasção oferecida pelo Itamaraty. Na realidade, brasileiras na competição com o governo ealgumas das motivações que explicam a di- companhias, sobretudo da China.plomacia da generosidade na América La- Como ocorre com a China, o Bra-tina e na África durante o governo passado sil não impõe condições aos países queforam: a busca de prestígio para o Brasil e recebem a ajuda, mas também não levapara o presidente Lula; o esforço a fim de em consideração valores que defende-obter apoio para a nossa pretensão de um mos internamente, como democracia e 41
  42. 42. direitos humanos, deixando prevalecer a Convergência Estrutural do Merco-a ideia de que “negócios são negócios”. sul, que sobe hoje a US$470 milhões, Segundo informações coligidas acrescido de US$100 milhões por ano,em 2011 pelo The Economist, os recur- 70% representados por contribuiçõessos utilizados nessa ação externa sobem do Brasil.a US$1,2 bilhões, superando o Canadá Por outro lado, além de créditose a Suécia, tradicionais doadores e pres- de difícil recuperação concedidos a al-tadores de ajudas aos países em desen- guns países africanos, a Cuba e a Ve-volvimento. Os recursos são oriundos nezuela, o governo brasileiro, nos últi-da Agência Brasileira de Cooperação mos anos, perdoou dívidas do Congo,do Itamaraty, com cerca de US$52 mi- de Angola, de Moçambique, da Bolívia,lhões em 2010. De outras instituições do Equador, do Paraguai, de Suriname ede cooperação técnica, como a Empre- agora da Tanzânia.sa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Até dezembro de 2010, coincidin-(Embrapa), e a Companhia Nacional de do com o final do governo anterior, se-Abastecimento (Conab), saem US$440 gundo se noticiou, o governo brasileiromilhões; para ajuda humanitária a países vai doar US$300 milhões em alimentosafetados por desastres naturais, US$30 (milho, feijão, arroz, leite em pó) para,milhões; recursos para a United Nations entre outros, Sudão, Somália, Níger eDevelopment Programme (UNDP) das nações africanas de língua portuguesa.Nações Unidas, US$25 milhões; para Serão igualmente beneficiados a faixao programa de alimentação da Food de Gaza, El Salvador, Haiti e Cuba. Se-and Agriculture Organization (FAO), gundo a Coordenação Geral de AçõesUS$300 milhões; de ajuda para a faixa Internacionais de Combate à Fome dode Gaza, US$10 milhões e para o Hai- governo federal, também receberamti, US$350 milhões. Implantamos escri- ajuda brasileira, África do Sul, Jamaica,tório de pesquisas agrícolas em Gana; Armênia, Mali, El Salvador, Quirguis-fazenda-modelo de algodão no Mali; fá- tão, Saara Ocidental, Mongólia, Iraquebrica de medicamentos antirretrovirais e Sri Lanka.em Moçambique e centros de formação No tocante à assistência técnica eprofissional em cinco países africanos à abertura de créditos para obras públi- Os empréstimos do Banco Na- cas em países africanos e sul-americanos,cional do Desenvolvimento (BNDES) e a exemplo do que ocorre com os paísesagora do Banco do Brasil para os países desenvolvidos, as empresas brasileirasem desenvolvimento, de 2008 ao pri- poderão vir a se beneficiar, ganhandomeiro trimestre de 2010, subiram para concorrências para a prestação de servi-mais de US$3,5 bilhões, em projetos na ços e exportando produtos brasileiros.América do Sul, no Haiti, em Guiné- Essa vertente da política externaBissau, em Cabo Verde, na Palestina, no reforça o soft power do Brasil, a principalCamboja, em Burundi, no Laos e em característica da crescente projeção ex-Serra Leoa. De 2003 a 2010, o BNDES terna do país.concedeu US$5,3 bilhões para projetosde infraestrutura na América Latina. O Tesouro Nacional, por outro Rubens Barbosa, diplomata de longa trajetória, foi embaixador do Brasil nos Estados Unidos e nalado, aumentou sua exposição com o Inglaterra, é considerado um dos maiores especialistasincremento da contribuição do Bra- em comércio internacional do Itamaraty e é autor desil na Corporação Andina de Fomento América Latina e perspectiva: a integraçãopara US$300 milhões e no Fundo para regional da retórica à realidade, entre outros livros.42
  43. 43. REFLEXÃOGEOESTÉTICAcomPleXidade em discUssão Ibis HernandezQ uando, há algum tempo, fui convidada a par- ticipar do segundo seminário Geoestéticas do Caribe, tive a preocupação que interpre- tei, no início, como uma sorte de causalida- de geográfica operando no terreno da arte. Tendo em conta o nível de complexidadee caráter multifacetado dos fenômenos que incidem no com-portamento das práticas artísticas no Caribe, imaginei que seriadifícil abordar essa produção desde que acreditei ser uma pers-pectiva reducionista. Mas quando recebi uma cópia dos textosapresentados na primeira edição desse seminário, vislumbrei apossibilidade de focar o tema manejando uma noção múltiplado território que, além do cenário que provê a geografia do Cari-be, permitisse compreender, desde a perspectiva da arte, à apro-priação do território caribenho, que empreenderam indivíduo 43
  44. 44. e sociedade durante os últimos quinhen- cial metafórico tem se convertido emtos anos. Seria esta uma noção de terri- recurso eficaz para adentrar-se aos do-tório que ultrapassa os limites impostos mínios da psicogeografia especial e ex-pela Geografia e adiciona um bem feno- plorar as sensações e estados de ânimomenológico que compreende as inscri- que provoca “a maldita circunstância dações deixadas pelo sujeito que o ocupa água por todas as partes”, a que se refe-e faz história. ria o escritor cubano Virgilio Piñera em De igual modo, acreditei ser per- seu poema La isla en peso . Insularidade,tinente mencionar a existência de vários fronteira e migração são temas que secritérios, tanto no referente à delimita- transpassam e podem compartilhar umção geográfica desta região, como a sua repertório comum de significantes. Odelimitação cultural. São diversos os au- mar, a embarcação e a cartografia têmtores que têm se referido a esta questão, sido três dos ícones mais recorrentes e é,mas a multiplicidade de argumentos ter- na realidade, a ideia de que a viagem estámina apontando, definitivamente, até o indissoluvelmente ligada às condiçõesCaribe (lugar), e/ou Caribe como uma geográficas e à história da região. Umconstrução sócio-histórica e cultural que exemplo são os passeios de canoa nosmuda segundo o lugar de enunciação, o bairros nativos, as viagens de Colombo,período histórico e a posição ideológica o trânsito dos navios negreiros - de ondedeste se define, dentre outros aspectos. teve origem a aventura do “abismo”, a Dada a superposição de cartogra- que se refere Glissant -; os movimen-fias existentes em relação com o Caribe, tos de corsários e piratas, dentre outros.decidi circunscrever a análise da obra de Agora no terreno da arte, a imagem daartistas que vivem e/ou trabalham nos embarcação não só reproduz as viagensterritórios do arco insular e do resto da- históricas, como abordam também mi-quela região, considerando também os grações e traslados mais recentes, poispaíses que integram a Extensão Centro- não se pode esquecer que navegam nes-Americana, de acordo com o padrão in- sas águas azuis, luxuosos cruzeiros e pre-clusivo aplicado já por alguns eventos que cárias balsas. De igual modo, os remos,têm versado sobre a arte na zona. Em pontes e portos têm revelado o desejotermos temporais, o recorte abarcaria as de buscar novos horizontes, a sensaçãoduas últimas décadas, recordando que, de medo ou a insegurança experimenta-justo nos anos de 1990, emergiu no Cari- da na travessia. A arte edifica, assim, umbe uma vanguarda que, imersa na batalha território de constantes deslocamentos,pela conquista de uma identidade artística de margens imprecisas e flutuantes que,contemporânea, explorou novos cami- não por renegar a norma imposta pelonhos formais e conceituais de tendência, mapa geográfico, consegue desmarcar-ao modificar os clichês advindos dos em- se das circunstâncias e a paisagem realblemas regionais, ativando, de um modo na qual irremediavelmente se inscreve.inédito, a cena artística de um bom nú- Em sua densidade metafórica, omero de países. Dentro deste panorama, mapa geográfico tem tido também umafoi possível detectar algumas orientações presença destacada nas artes visuais doque se conectam ao tema da geoestética. Caribe. Em Cuba, chegou a converter- Digamos, por exemplo, que o mar, se em um dos ícones mais versáteis daassociado ao tema da paisagem, como plástica dos anos 1990, dentre as poéticasmotivo de pesquisa plástica ou em qua- que deram continuidade ao debate críticolidade de metáfora, atravessa parte do iniciado na década anterior, agora, desdeimaginário visual da Região. Seu poten- um hedonismo simulador que encontrou44
  45. 45. nesta metáfora geográfica um código zona geocultural do Caribe; não menos Na páginaeficaz para prolongar, de forma astuta, a importantes seriam aquelas que con- anterior, Mapasdiscussão sobre tópicos cadentes da re- templam o nexo com o etnocultural, ou (detalhe) dealidade social. No solitário, multiplicado, as práticas de inserção social nas comu- Ibrahim Miranda (Cuba). Acima,desdesenhado ou sobredimensionado; nidades fixas transterritoriais, no espa- Cinco Carosastransformando em balsa, cesta, jaula, ra- ço das urbes modernas, e nas zonas de para la Historia,bisco, homem ou animal; ocupando seu assentamento ilegal e dos bares. Expe- 1991, instalaciónlugar no mapa-múndi ou transladado a riências desse porte se estendem com (técnica mixta),uma oficina de reparações, o mapa da alcance desigual por vários países da de Marcos Lora Read (Repúblicailha estendeu seu enorme potencial se- área e merecem igual atenção, ainda que Dominicana).mântico ao se descobrir como território tenhamos pretendido visualizar apenas Foto Davidde aspirações, frustrações, utopias, me- um pequeno recorte de tudo quanto po- Damoison.mórias, migrações, batalhas, vicissitudes deria abarcar o tema.e identidades, em um dos momentosmais difíceis da história de Cuba. Muitas outras linhas de trabalho Ibis Hernández Abascal é pesquisadora e curadora dodão conta da relação arte-território na Centro de Arte Contemporáneo Wifredo Lam, de Cuba. 45
  46. 46. ECONOMIA o sistema da dÍvida e ainflação no Brasil Maria Lucia Fattorellia atual crise financeira mundial teve início em 2008, localizada nas maiores instituições fi- nanceiras do mundo que corriam risco de quebra devido à utilização desenfreada de diversos produtos financeiros sem lastro, especialmente os derivativos. Apesar de nu-merosas denúncias de fraudes, as nações mais ricas do mundodecidiram “salvar” tais instituições com a emissão de grandesvolumes de dívida pública. Tal procedimento escancarou a uti-lização do endividamento público às avessas, ou seja, a dívidapública deveria servir para aportar recursos ao Estado e nãoo contrário. Dessa forma, a crise atual expôs as entranhas doque batizamos de “Sistema da Dívida”, isto é, a utilização doinstrumento do endividamento público como um sistema dedesvio de recursos públicos em direção so sistema financeiro.46
  47. 47. Para operar, esse sistema conta com ar- transferência de recursos públicos aocabouço de privilégios de ordem legal, setor financeiro.política, financeira e econômica, que Os trabalhos da CPI e da Audito-visam a garantir prioridade absoluta ria Cidadã da Dívida têm comprovadoaos pagamentos financeiros, em detri- que também em nosso país o “Sistemamento de direitos humanos e sociais de da Dívida” conta com privilégios de todatoda a Nação. ordem, especialmente com uma superes- No Brasil, apesar de a Constitui- trutura legal que parte da Constituiçãoção Federal prever a realização da au- Federal: reafirma-se na Lei de Diretrizesditoria da dívida, tal dispositivo nunca Orçamentárias, na Lei de Responsabi-foi cumprido. As recentes investigações lidade Fiscal e na legislação que rege oda Comissão Parlamentar de Inquérito chamado “Regime de Metas de Infla-(CPI) da Dívida Pública revelaram a ção”, dentre outras normas, afetando di-absoluta necessidade da realização da retamente a vida de toda a sociedade.auditoria da dívida, tendo em vista a No presente artigo menciono decomprovação de numerosos indícios e forma resumida como um conjunto deevidências de ilegalidades, ilegitimidades normas legais nacionais tem garantidoe, especialmente, a utilização do endivi- prioridade absoluta à remuneração dosdamento público como instrumento de detentores de títulos da dívida brasilei- 47
  48. 48. ra por meio de elevadas taxas de juros, represente ônus financeiro ao orçamen-favorecendo ainda o crescimento con- to da União terá, obrigatoriamente, quetínuo do estoque da própria dívida pú- indicar a fonte de recursos suficienteblica, com a emissão continuada e até para tal gasto, exceto os gastos com ainconstitucional de dívida para pagar dívida pública. Dessa forma, se o Bancoesses elevados juros. Central eleva as taxas de juros sob a jus- O mais grave é que todo esse apa- tificativa de conter a inflação, por exem-rato “legal” que favorece o setor finan- plo, e gera a necessidade de mais recur-ceiro surgiu no campo jurídico de forma sos para pagar tais juros, não ocorre atortuosa e demanda aprofundamento de necessidade de indicar de onde sairão osestudos e investigações. recursos para tanto: o remédio aplicado Paira sob o art. 166, § 3º., II “b” tem sido emitir dívida para pagar dívida.da Constituição Federal, robusta de- O referido remédio conflita comnúncia de que tal dispositivo jamais outro dispositivo constitucional – art.chegou a ser votado pelos parlamen- 167, III - que estabelece a proibição detares constituintes, tendo sido incluído emissão de dívida para pagar despesasno texto final como um contrabando, correntes, rubrica que compreende ossegundo especialistas do Congresso juros da dívida. As investigações reali-Nacional à época – Anatomia de uma zadas durante a CPI da Dívida PúblicaFraude à Constituição. revelaram a contabilização irregular de Tal dispositivo excetua os gastos grande parte dos juros como se fos-com a dívida pública da regra geral apli- sem amortizações, o que representacada aos demais gastos, isto é, qualquer mais uma flagrante evidência de burla àproposta de gasto ou investimento que Constituição e ilegalidade no tratamen- to dos gastos da dívida. Além do indício de desobediên- cia ao dispositivo constitucional, tal fato revela o encobrimento do efetivo custo dos juros da dívida, aliviando seu peso quando comparado, por exemplo, com as despesas de Pessoal, Previdência e outras, que acabam sendo traduzidas em grandezas distintas. Enquanto os dispêndios com Pessoal ou Previdên- cia englobam a variação de preço neles embutidos (por exemplo, reajustes sala- riais decorrentes de inflação, atualização de tabelas dos serviços de saúde, atua- lização de benefícios previdenciários, reajuste do salário mínimo decorrente da inflação, dentre outros), o valor dos “Juros e Encargos da Dívida” considera somente a parcela dos juros que supera a inflação. Tal fato decorre da metodo- logia utilizada no Balanço Orçamentário da União, que tem considerado como “Juros” somente a parcela que supera a inflação indicada por índices (IGP-M), e48
  49. 49. computa a atualização monetária da dí- a execução das “políticas necessárias paravida pública juntamente com a rubrica cumprimento das metas fixadas”.“Amortização”. Cabe observar mais uma desor- Evidencia-se, portanto, que a dem legal, pois o citado decreto confli-mesma “inflação” que serve de argu- tua com a Lei 4.595 (art. 3º., II), da qualmento terrorista para coibir e proibir decorre, já que a utilização preponde-reajustes automáticos para os salários, rante das taxas de juros no controle daaposentadorias e outros direitos sociais inflação significa o descarte das demaiscom base em sua variação, não vale para medidas mencionadas na referida lei,os juros da dívida, que têm a parcela da necessárias para o controle da inflação,inflação expurgada de seu custo e sequer tais como a prevenção ou a correção decomputada nos juros, mas erradamente depressões econômicas e outros dese-como amortização. quilíbrios conjunturais. Além desse in- Desde 1999, com a edição do De- dício de ilegalidade, a eleição das taxascreto 3.088, foi instituído no Brasil o de juros como praticamente o único ins-regime de “Metas de Inflação”, que ele- trumento de combate à inflação contémgeu a Política Monetária - taxas de juros uma série de inconsistências que provo-- como o principal instrumento de com- cam repercussões econômicas e sociais.bate à inflação, dado que o art. 2º. do De- O Brasil já apresenta preocupan-creto delegou ao Banco Central do Brasil tes índices de desindustrialização e dados 49
  50. 50. oficiais comprovam que mais de 70% Esse mecanismo tem provocadoda inflação decorre dos grandes aumen- megaprejuízos operacionais ao Banco Cen-tos nos preços administrados (tarifas de tral - R$ 147,7 bilhões em 2009 (http://energia, telefone, combustível, transpor- www.bcb.gov.br/htms/inffina/be200912/tes, entre outros) que influenciam forte- dezembro2009.pdf) e R$ 48,5 bilhões emmente na formação dos preços. 2010 (http://www.bcb.gov.br/htms/in- As distorções que favorecem o Sis- ffina/be201012/dezembro2010.pdf) - otema da Dívida prosseguem nas chamadas que representa significativo dano ao patri-“Operações de Mercado Aberto”, realiza- mônio público, pois tal prejuízo é, por leidas em grande volume pelo Banco Central (11.803/2008, art. 6º.), coberto pelo Tesou-sob a justificativa de combate à inflação ro Nacional, ou seja, por todos nós.e na prática representam dívida feita sem A justificativa reiteradamenteautorização legislativa, em flagrante con- apresentada pelo governo para a acumu-flito com a Lei Complementar 101/2000, lação de reservas internacionais (prote-que proibiu a emissão de títulos pelo Ban- ção do país de fugas de capital em crisesco Central. Tais operações estão servindo financeiras globais) não se sustenta, dadopara trocar dólares especulativos que in- que tal proteção seria feita de forma bemgressam no país, sem controle, por títulos mais eficiente por meio do controle so-da dívida pública que pagam os juros mais bre o fluxo de capitais financeiros, adota-elevados do mundo, sob a justificativa de do com sucesso por vários países.controle da inflação mediante o enxuga- O resultado tem sido o crescimentomento da base monetária. explosivo da dívida pública, cujo montan-50
  51. 51. te supera R$ 2,5 trilhões, e o pagamento eficientes: redução da taxa de juros;de juros e amortizações consumiu 45% controle e redução dos preços admi-dos recursos do orçamento federal em nistrados; reforma agrária para garantir2010, conforme mostra o gráfico a seguir. a produção de alimentos não sujeitos Neste ano de 2011 a taxa de juros à variação internacional dos preços deSelic já subiu 5 vezes, saindo de 10,75% e commodities; controle de capitais paraalcançando 12,5%. Recentemente ocor- evitar o ingresso de “capitais abutres”,reram duas reduções de apenas 0,5% e meramente especulativos, e as fugas no-a Selic está situada no elevado patamar civas à economia real; adoção de medi-de 11,5% ao ano, enquanto mais de 40 das tributárias apropriadas ao controlepaíses praticam taxas de juros inferio- de preços. Para tanto, é necessário de-res a zero. A prática de elevadas taxas sarmar o Sistema da Dívida e corrigir osde juros não tem servido para combater rumos da política econômica.o tipo de inflação que temos. Adicio-nalmente, perpetua a concentração derenda no Brasil , 7ª. economia mundial,que ocupa a vergonhosa posição de 8º.país mais injusto do mundo, segundo oÍndice de Gini, e é o 73º. no ranking derespeito aos direitos humanos. Maria Lucia Fattorelli é coordenadora da Auditoria Alternativas para o efetivo com- Cidadã da Dívida desde 2001 e colaboradora do Lebate à inflação existem e são muito mais Monde Diplomatique. 51

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