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  • 1. Desertificação é o fenómeno que corresponde à transformação de uma áreanum deserto. Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação,a desertificação é "a degradação da terra nas regiões áridas, semi-áridas e sub-húmidas secas, resultante de vários factores, entre eles as variações climáticas eas actividades humanas". Considera-se áreas susceptíveis aquelas com índice dearidez entre 0,05 e 0,65. Nas últimas décadas vem ocorrendo um significativo aumento do processo dedesertificação no mundo as principais áreas atingidas são: oeste da América do Sul,Oriente Médio, sul da África, noroeste da China, sudoeste dos Estados Unidos,Austrália e sul da Ásia. A ONU adoptou o dia 17 de Junho como o Dia Mundial de Combate àDesertificação. Portugal subscreveu a Convenção das Nações Unidas de Combate àDesertificação em Outubro de 1994. Desde então, o combate à Desertificação tem sidouma preocupação dos vários Governos. Hoje, a desertificação, tal como sucede com asalterações climáticas, é também um assunto global. Ambos constituem um “desafioglobal” para a nossa sociedade. Mais de metade de Portugal corre o risco de desertificar. No espaço de duasdécadas, 66% do País pode transformar-se em solo árido, se nada for feito parainverter a situação que se vive na actualidade um terço do território continentalencontra-se classificado como zona susceptível à desertificação.
  • 2. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃOÍ NDICE1. INTRODUÇÃO ---------------------------------------------------------------------------------------------32. DESERTO ---------------------------------------------------------------------------------------------------43. TIPOS DE DESERTO -----------------------------------------------------------------------------------44. DESERTIFICAÇÃO NO MUNDO --------------------------------------------------------------------75. DESERTIFICAÇÃO EM PORTUGAL ---------------------------------------------------------------86. ALENTEJO E ALGARVE ----------------------------------------------------------------------------- 107. OS INCÊNDIOS E A DESERTIFICAÇÃO ------------------------------------------------------- 118. DESPOVOAMENTO DO INTERIOR -------------------------------------------------------------- 139. CONCLUSÃO -------------------------------------------------------------------------------------------- 1410. BIBLIOGRAFIA ------------------------------------------------------------------------------------------ 16 Página 2 de 16
  • 3. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃO1. INTRODUÇÃO O termo desertificação tem sido muito utilizado para a perda da capacidadeprodutiva dos ecossistemas causada pela actividade humana. Devido às condiçõesambientais, as actividades económicas desenvolvidas numa região podem ultrapassara capacidade de suporte e de sustentabilidade. O processo é pouco perceptível a curtoprazo pelas populações locais. Há também erosão genética da fauna e flora, extinçãode espécies e proliferação eventual de espécies exóticas. O que acontece é um processo em que o solo de determinados lugares começaa ficar cada vez mais estéril. Isso quer dizer que a terra perde seus nutrientes e acapacidade de fazer nascer qualquer tipo de vegetação, seja florestas naturais ouplantações feitas pelo homem. Sem vegetação, as chuvas vão rareando, o solo vai ficando árido e sem vida, ea sobrevivência fica muito difícil. Os moradores, agricultores, geralmente abandonamessas terras e vão procurar outro lugar para viver.No caso de desertos arenosos, origina-se a partir do empobrecimento do solo econsequente morte da vegetação. No caso dos desertos polares, a causa evidente é atemperatura extremamente baixa daquelas regiões. Nas regiões semi-áridas e semi-húmidas secas, a acção humana intensifica osprocessos de desertificação. As actividades agropecuárias insustentáveis sãoresponsáveis pelos principais processos: a salinização de solos por irrigação, o sobrepastoreio e o esgotamento do solo pela utilização intensiva e insustentável dosrecursos hídricos. O crescimento demográfico e a consequente demanda por energia e recursosnaturais também exerce pressão pela utilização intensiva do solo e dos recursoshídricos. As consequências deste processo geram grandes problemas económicos. Emprimeiro lugar, reduz a oferta de alimentos, além disto, há o custo de recuperação daárea degradada. Do ponto de vista ambiental, a perda de espécies nativas é umaconsequência funesta. Finalmente, os problemas sociais: a migração das populaçõespara os centros urbanos, a pobreza, o desemprego e a violência. Isto gera umdesequilíbrio entre as diversas regiões mundiais, uma vez que as áreas susceptíveis àdesertificação encontram-se em regiões pobres, onde já há uma desigualdade social aser vencida. Página 3 de 16
  • 4. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃO2. DESERTO A maioria das classificações repousa numa combinação de número de dias dechuva por ano, a quantidade pluviométrica anual, temperatura, humidade e outrosfactores. Em 1953, Peveril Meigs dividiu as regiões desérticas da terra em trêscategorias, de acordo com o total de chuva que recebiam. Por este sistema, hojeamplamente aceite, terras extremamente áridas são as que têm pelo menos 12 mesesconsecutivos sem chuva; terras áridas têm menos de 250 milímetros de chuva anual, eterras semi-áridas têm uma média de precipitação anual entre 250 e 500 milímetros. Asterras áridas e extremamente áridas são os desertos, e terras semi-áridas cobertas degramíneas geralmente são chamadas de estepes.Aproximadamente 20% da superfície continental da Terra são desérticos. No entanto, a aridez sozinha não fornece uma descrição exacta do que é umdeserto. Por exemplo: a cidade de Phoenix, no estado do Arizona nos EUA, recebemenos de 250 mm (10 polegadas) de chuva por ano, e é imediatamente reconhecidacomo sendo localizada em um deserto, apesar de ser altamente povoada. As paisagens desérticas têm alguns elementos em comum. O solo do deserto éprincipalmente composto de areia, e dunas podem estar presentes. Paisagens de solorochoso são típicas, e reflectem o reduzido desenvolvimento do solo e a escassez devegetação. As terras baixas podem ser planícies cobertas com sal. Os processos deerosão eólica (isto é, provocados pelo vento) são importantes factores na formação depaisagens desérticas. A sua vegetação é constituída por gramíneas e pequenos arbustos, é rala eespaçada, ocupando apenas lugares em que a pouca água existente pode se acumular(fendas do solo ou debaixo das rochas). As maiores regiões desérticas do globosituam-se na África (deserto do Saara) e na Ásia (deserto de Gobi). A diferença reside no processo de evapotranspiração. A evapotranspiração é acombinação de perda de água por evaporação atmosférica da água do solo, junto coma perda de água também em forma de vapor, através dos processos vitais das plantas.O potencial de evapotranspiração é, portanto, a quantidade de água que poderiaevaporar numa dada região. A cidade de Tucson, no Arizona, recebe uns 300 mm (12polegadas) anuais de chuva, no entanto, uns 2500 mm, (100 polegadas) de águapoderiam evaporar no período de um ano. Em outras palavras, significa que quase 8vezes mais água poderia evaporar da região do que normalmente cai. Já as taxas deevapotranspiração em regiões do Alasca são bastante inferiores; então, mesmorecebendo precipitações mínimas, estas regiões específicas são bem diferentes dadefinição mais simples de um deserto: um lugar onde a evaporação supera o total daprecipitação pluviométrica. A principal característica de um deserto é a seca.3. TIPOS DE DESERTO Página 4 de 16
  • 5. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃO Há diferentes formas de desertos. Desertos frios podem ser cobertos de neve;esses locais não recebem muita chuva, e a que cai permanece congelada como nevecompacta. Essas áreas são comum entre chamadas de tundra, quando nelas existeuma curta estação com temperaturas acima de zero grau Celsius e alguma vegetaçãofloresce neste período; ou de regiões de capa de gelo, se temperatura permaneceabaixo do ponto de congelamento durante todo o ano, deixando o solo praticamentesem formas de vida. A maioria dos desertos não-polares ocorre por que eles têm pouquíssima água.A água tende a refrescar, ou pelo menos a moderar, os efeitos do clima onde ela éabundante. Em algumas partes do mundo, os desertos surgem devido à existência debarreiras à chuva, quando as massas de ar perdem a maior parte de sua humidadesobre uma cadeia de montanhas; outras áreas são áridas em virtude de serem muitodistantes das fontes mais próximas de humidade (isto é verdade em algumas áreas doglobo em latitudes médias, particularmente na Ásia).Desertos em regiões de ventos contra-alísios Os ventos contra-alísios ocorrem em duas faixas do globo divididas pela linha do Equador, e se formam pelo aquecimento do ar junto à região equatorial. Estes ventos secos dissipam a cobertura de nuvens, permitindo que mais luz do Sol aqueça o solo. A maioria dos grandes desertos da Terra está em regiões cruzadas por ventos contra-alísios. O maior deserto do nosso planeta, o Saara, no norte da África, que já experimentou temperaturas de 58 ° é um C, deserto de ventos contra-alísios.Desertos de latitudes médias Desertos de latitudes médias ocorrementre os paralelos 30° e 50° Norte. e tambémna mesma faixa no hemisfério sul, em zonasde alta pressão subtropicais. Estes desertosestão em bacias de drenagem distantes dosoceanos e têm grandes variações detemperaturas anuais. O deserto de Sonora, nosudoeste da América do Norte é um típicodeserto de latitude média. O deserto deTengger, na China, é um outro exemplo.Desertos devido a barreiras ao ar húmido Página 5 de 16
  • 6. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃO Paisagem típica no Deserto de Negev, com areias de múltiplas cores e rios secos, ocasionalmente inundados no inverno por instantâneas enchentes. Desertos deste tipo formam-se devido a grandes barreiras montanhosas que impedem a chegada de nuvens húmidas às áreas de sotavento (ou seja, protegidas do vento, que traz a humidade). À medida que o ar sobe a montanha, a água precipita-se e o ar perde seu conteúdo húmido. Assim, umdeserto forma-se do lado oposto. O deserto da Judeia em Israel e Palestina, sãoexemplos, assim como o deserto do Vale da Morte, nos EUA, que é formado pelosventos Chinook que formam uma zona de sombra de chuva no local.Desertos costeiros Os desertos costeirosgeralmente localizam-se nasextremidades ocidentais doscontinentes próximas aosTrópicos de Câncer e deCapricórnio. Eles sãoafectados por correntesoceânicas costeiras frias, quecorrem paralelamente à costa.Devido aos sistemas de ventolocais dominarem os ventosalísios, estes desertos sãomenos estáveis que os deoutros tipos. No inverno,nevoeiros, produzidos por correntes frias ascendentes, frequentemente cobrem osdesertos costeiros com um manto branco que bloqueia a radiação solar. Os desertoscosteiros são relativamente complexos, pois eles são o produto de sistemas terrestres,oceânicos e atmosféricos. Um deserto costeiro, o Atacama, é o mais seco da Terra.Nele, uma chuva possível de ser medida - isto é, de um milímetro ou mais - podeocorrer uma vez a cada cinco ou até a cada vinte anos. Dunas em forma de lua crescente são comuns em desertos costeiros, como oNamibe, na África, onde prevalecem os ventos do continente para o mar.Desertos de monção Página 6 de 16
  • 7. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃO "Monção," derivada de uma palavra árabe que significa "estação climática", refere-se a um sistema de ventos com acentuada reversão sazonal. As monções desenvolvem- se em resposta a variações de temperatura entre os continentes e os oceanos. Os ventos alísios do sul do Oceano Índico, por exemplo, despejam pesadas chuvas na Índia ao chegarem à costa. Conforme a monção cruza a Índia, ela perde suahumidade no lado oriental da cadeia montanhosa Aravalli. O deserto do Rajastão naÍndia, e o deserto Thar no Paquistão, são parte de uma região de deserto de monção aoeste da cadeia de montanhas onde se cultivam mangos.4. DESERTIFICAÇÃO NO MUNDO A pressão dos 6,2bilhões de pessoas nomundo está, lentamente,a transformar terrasprodutivas em desertosem todos os continentes.O cultivo de terrasmarginais erodiu solos,enquanto cerca de 3bilhões de cabeças debois, ovelhas e cabraspressionaram os pastosalém dos seus limites sustentáveis. No todo, a desertificação flagela um terço dasuperfície da Terra, afectando mais de 1 bilhão de pessoas em 110 países. Embora os desertos normalmente se expandam e contraiam, a aceleração dadesertificação induzida pela actividade humana está afectando rapidamente economiasrurais. Anualmente, os desertos conquistam milhões de hectares de terras agrícolas epastagens. O risco de desertificação atinge 33% da superfície terrestre, envolvendouma população de 2,6 bilhões de pessoas. A África com quase metade de seu território em perigo é o continente maisvulnerável, porém imagens de satélite e relatórios locais confirmam que adesertificação é generalizada através de todas as terras secas mundiais. São 200 milhões de pessoas atingidas pelo processo na região subsaariana. Adegradação nos vários países subsaarianos varia de 20% a 50% do território. Página 7 de 16
  • 8. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃOO processo de desertificação ocorrido no continente africano é proveniente, segundorelatórios da ONU, da ocupação humana em regiões de clima semi-árido, árido e sub-húmido, ocupando-as com o cultivo da monocultura. Essa prática retira toda camada devegetação, deixando o solo exposto, propício a fragmentar-se pelo vento e água, portratar-se de um solo arenoso é facilmente dispersado, iniciando assim o processo dedesertificação. O caso mais evidente desse processo está ao sul do Saara, em uma regiãochamada de Sahel, nessa região o problema cresce de forma assustadora, as causassão as ações antrópicas (ações humanas). No Sahel acontece atualmente a migraçãode pessoas para outras áreas como consequência desse problema ambiental. A sul dodeserto do Saara estão localizados alguns dos países mais pobres do planeta, comoMali, Niger, Chade e o Sudão, em toda a região adjacente ao deserto a destruiçãovegetal provoca assoreamento dos rios, lagoas e lagos e acelera o processo, atingindoáreas que até então eram férteis. Essa destruição dá-se por causa da produção decarvão vegetal, da agricultura de subsistência tradicional que não leva em conta oscuidados ambientais e as técnicas que são menos degradantes. Na Ásia e na América Latina, são 357 milhões de hectares afectados. A cadaano, perde-se 2,7 bilhões de toneladas de solo. As adaptações a estas mudançasprovocam mais pressões sobre o uso do solo, aumentando sua degradação pelo usoinadequado.Em Agosto de 2010, a ONU lançou a Década da ONU sobre Desertos e de Combate àDesertificação, a fim de fortalecer o combate ao processo e consciencializar sobre aquestão.5. DESERTIFICAÇÃO EM PORTUGAL Portugal é um dos países afectados pela desertificação, em parte devido à aridez do seu clima, caracterizado por 3 a 5 meses secos / ano, tal como outros Países da região Mediterrânica. A zona de maior susceptibilidade à desertificação em Portugal é o sul e interior do País, onde os índices de aridez são mais elevados e os solos apresentam maior risco de erosão, esse risco é praticamente nulo nas regiões acima do rio Tejo, mas abaixo do mesmo esse risco torna-se evidente. As regiões do Alentejo e Algarve sofrem uma grande pressão hidrográfica devido a falta de pluviosidade, prática agrícola excessiva (Alentejo), e demasiadas infra-estruturas turísticas (Algarve). A diminuição da produtividade biológica devido à desertificação no Interior e noSul do País, está também associada a uma diminuição da produtividade económica, oque poderá contribuir para acelerar o despovoamento rural. Página 8 de 16
  • 9. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃO O sobral e os bosques de sobreiro,formando sistemas ecológica eeconomicamente sustentáveis funcionamcomo um importante instrumento deprevenção contra a desertificação. De facto,desde que adequadamente geridos, estessistemas, geram níveis elevados debiodiversidade, melhoram a matéria orgânicados solos, contribuem para a regulação dociclo hidrológico e impedem a suadegradação. O sobreiro como espécie prioritária, pela sua importância para o combate àdesertificação e às alterações climáticas é uma estratégia de intervenção no combate àdesertificação e às alterações climáticas. Na região Alentejana, para combater a falta de pluviosidade, foi construída a barragem do Alqueva (não foi a única razão para a sua construção), de modo a criar o maior lago artificial da Europa. Esse lago permitiu a irrigação dos campos agrícolas envolventes, sem a necessidade de utilizar fontes de água primitivas, esperando-se assim reduzir a susceptibilidade dos solos nesta região. Já no Algarve, devido aos campos de golfe eoutras infra-estruturas turísticas como as piscinas, o governo português implementoualgumas políticas de modo a restringir o uso de água para estas actividades.A degradação do solo em Portugal é essencialmente levada a cabo pela construção emsolos agrícolas de bom potencial, pela degradação química (como sejam a salinização,contaminação por nitratos e metais pesados), pela degradação física por destruição damatéria orgânica e pela erosão, em especial a hídrica.As características mediterrâneas do clima português fazem com que o território tenhazonas semi-áridas e sub-húmidas secas. Com uma variabilidade espacial da pluviosidade, as regiões do nordesteapresentam maiores valores e as de menor pluviosidade são a Terra Quente, a faixalitoral a Sul e a região do Guadiana. É também de ter em conta a variabilidade inter-anual do clima, em que ocorrem com cada vez mais frequência longos anos de seca.A temperatura média anual está a aumentar, apresentando taxas de aquecimentoacima da média global. Verifica-se igualmente uma redução da precipitação dePrimavera (principalmente no mês de Março) com o aumento de variabilidade deInverno e maior frequência de seca. O período seco inicia-se mais cedo e a Página 9 de 16
  • 10. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃOprecipitação de Outono vai aumentar o risco de erosão, pois o solo ainda não temcoberto vegetal. A precipitação extrema conduz igualmente à erosão dos solos. Estima-se que, nos próximos 20 anos, mais de metade do território do País corrao risco de ficar deserto e seco. Cerca de um terço do território já se encontra afectadopela desertificação, alerta a Liga para a Protecção da Natureza (LPN).Portugal é um dos países onde a desertificação tem especial relevância, com cerca de60% do território susceptível à desertificação e à seca, em resultado das nossascondições climáticas, geológicas e do tipo de cobertura vegetal, mas também emresultado do nosso modelo de ordenamento do território. As zonas já atingidas pela desertificação são o Alentejo, o interior algarvio e todaa fronteira com Espanha, do Algarve a Trás-os-Montes. Nestas regiões a desertificaçãoé grave não só ao nível dos solos como da população.6. ALENTEJO E ALGARVEAs primeiras vítimas da desertificação A influência das alterações climáticas na desertificação não é certa, mas sim amaneira como o homem trata os solos. As grandes searas de trigo alentejanas podem desaparecer. E em seu lugarficará um inóspito deserto com a terra sulcada. Será este o cenário, caso nada se façacontra o avanço da desertificação. Mas já há zonas em perigo iminente. Na serra doCaldeirão já se nota uma elevada mortalidade entre a flora, como nos sobreiros", avisaLuís Silva, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Alentejo e Algarve serão, aliás, as primeiras zonas do País a sofrer com adesertificação, fenómeno que já foi assumido pelo Painel Intergovernamental sobreMudanças Climáticas (IPCC) como "um dos maiores desafios ambientais daactualidade. Não há dúvidas de que as alterações climáticas potenciam a desertificação,como pode ser notado pelo estado do tempo que se faz sentir em Portugal. Há maisondas de calor, que provocam incêndios florestais, o principal factor de desertificação.Além disso, o Alentejo e o Algarve são zonas com menor precipitação e umatemperatura elevada durante o ano todo, sendo por isso as mais afectadas peladesertificação. João Corte-Real, professor de Física da Universidade de Évora e especialistaem desertificação, defende que o clima interfere na desertificação, chamando aatenção para as fortes chuvas que se fazem sentir em pequenos períodos de tempo:"As chuvadas provocam a erosão dos solos, como quando se deita um balde de águasobre a terra." No entanto, já em relação às alterações climáticas e aos seus efeitos nadesertificação, o professor de física admite não existirem certezas absolutas. "Não étotalmente fundamentado por estudos que a desertificação seja causada pelasmudanças climáticas", diz. No entanto, acrescenta: "Há indícios em Portugal Página 10 de 16
  • 11. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃO continental que a partir dos anos 70 passaram a haver períodos de seca de cinco em cinco anos.” De facto, no País assume importância estratégica na degradação dos territórios, não só os solos, como as suas águas, os seus habitantes, as suas paisagens, a flora e fauna, influenciando negativamente o desenvolvimento regional e rural. O fenómeno da desertificação não se encontra cingido ao sul do país. A desertificação física e humana é preocupante em toda a região interior junto à fronteira com Espanha. O agravamento dos efeitos da seca, os incêndios florestais e o despovoamento do interior são algumas das causas que contribuem para a crescente desertificação do território. Refira-se ainda, neste contexto, segundo enfatiza a LPN, o crescimento urbano indevido em terras com potencial agrícola e a degradação dos solos devido à poluição e a uma utilização incorrecta. O AGRAVAMENTO DOS EFEITOS DA SECA OS INCÊNDIOS FLORESTAIS Principais causas que contribuem para a crescente desertificação do território.O DESPOVOAMENTO DO INTERIOR A DEGRADAÇÃO DOS SOLOS DEVIDO À POLUIÇÃO 7. OS INCÊNDIOS E A DESERTIFICAÇÃO Página 11 de 16
  • 12. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃO Antes da última glaciação, Portugal estava coberto por uma floresta sempre-verde (laurisilva). Durante essa glaciação a descida drástica da temperatura fezdesaparecer quase por completo essa laurisilva, tendo sido substituída por umacobertura florestal semelhante à actual taiga. Após o período glaciar, a temperaturavoltou a subir, ficando o país com um clima temperado como o actual. Assim, a florestaglaciar foi substituída por florestas mistas (fagosilva) de árvores sempre-verdes(algumas delas relíquias da laurisilva) e outras caducifólias, transformando o país numimenso carvalhal caducifólio (alvarinho e negral) a norte, marcescente (cerquinho) nocentro e perenifólio (azinheira e sobreiro) para sul, com uma faixa litoral de florestadominada pelo pinheiro-manso e os cumes das montanhas mais frias com o pinheiro-da-casquinha. Por destruição dessas florestas, particularmente com a construção das naus(três a quatro mil carvalhos por nau) durante os Descobrimentos (cerca de duas milnaus num século) e da cobertura do país com vias-férreas (travessas de madeira denegral ou de cerquinho para assentar os carris), as nossas montanhas passaram aestar predominantemente cobertas por matos de urzes ou torgas, giestas, tojos ecarqueja. A partir do século XIX, após a criação dos "Serviços Florestais", foram artificialmente rearborizaras com pinheiro-bravo, tendo-se criado a maior mancha contínua de pinhal na Europa. A partir da segunda década do século XX, apesar dos alertas ambientalistas, efectuaram-se intensas, contínuas e desordenadas arborizações com eucalipto, tendo-se criado a maior área de eucaliptal contínuo da Europa. Sendo o pinheiro resinoso e o eucalipto produtor de óleos essenciais, produtos altamente inflamáveis, com pinhais e eucaliptaiscontínuos, os incêndios florestais tornaram-se não só frequentes, como tambémincontroláveis. Desta maneira, o nosso país tem já algumas montanhas transformadasem zonas desérticas. A eucaliptização desordenada e contínua e o êxodo rural tiveram como resultadoa desumanização das nossas montanhas pelo que, mal um incêndio florestal eclode,não está lá ninguém para acudir de imediato e, quando se dá por ele, já vai devastadore incontrolável. As duas medidas fundamentais, as que poderiam travar esta onda de incêndiosdevastadores que nos tem assolado nas últimas décadas, seria a rehumanização dasmontanhas, que pode ser feita com pessoal desempregado que, depois de terfrequentado curtos "cursos de formação" durante o Inverno, iria vigiar as montanhas,percorrendo áreas adequadas durante a Primavera e Verão. A outra medida Página 12 de 16
  • 13. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃOfundamental seria, após os incêndios, arrancar logo a toiça dos eucaliptos e replantar aárea com arborização devidamente ordenada. Isto porque os eucaliptos rebentam detoiça logo a seguir ao fogo, renovando-se a área eucaliptada em meia dúzia de anos,sem grande utilidade até porque o diâmetro da ramada de toiça não é rentável para asceluloses. Mas como tal não se faz, essa mesma área de eucaliptal torna a arderpoucos anos após o primeiro incêndio e assim sucessivamente. Muitas vezes, essasmesmas áreas são também invadidas por acácias ou mimosas, bastando para tal queexista um acacial nas proximidades ou nas bermas das rodovias, pois as sementes dasacácias são resistentes aos fogos e o vento ajuda a dispersá-las por serem muitoleves. As acácias, como são heliófitas (plantas "amigas" do Sol), e não havendosombra de outras árvores após os incêndios, crescem depressa aproveitando aluminosidade e ocupando aquele nicho ecológico antes das outras espécies sedesenvolverem. A sociedade cuja preocupação predominante é produzir cada vez mais, commaior rapidez e o mais barato possível, as medidas propostas são economicamenteinviáveis por duas razões: primeiro, porque é preciso pagar aos vigilantes e respectivosformadores; segundo, porque arrancar a toiça dos eucaliptos é muito dispendioso(custa o correspondente ao lucro da venda de três cortes, isto é, o lucro de 30 anos). Ébom também elucidar que os eucaliptais só são lucrativos até ao terceiro corte (30anos). Depois disso, estão a abandoná-los, o que os torna um autêntico "rastilho" ou,melhor, um terrível "barril de pólvora", áreas onde os seus óleos essenciais, porvaporização ao calor, são explosivos e, quando a madeira do eucalipto começa a arder,provocam a explosão dos troncos e respectiva ramada, lançando ramosincandescentes a grande distância. Este "fenómeno" tem sido bem visível nos nossos"piroverões". Por outro lado, pelo menos uma destas medidas (arranque da toiça erearborização ordenada) não tem resultados imediatos mas a longo prazo.Assim, sem resultados imediatamente visíveis e com uma despesa tão elevada, osgovernos nunca vão adoptar tais medidas. Finalmente, após a referida delapidação técnica e funcional dos ServiçosFlorestais (antigamente, os incêndios florestais eram quase sempre apagados logo noinício e apenas pelo pessoal e tecnologia dos Serviços Florestais), esqueceram-se daconveniente profissionalização e apetrechamento dos bombeiros, melhor adaptados aincêndios urbanos. Assim caminha-se rapidamente para um amplo deserto montanhoso, com aplanície, os vales e o litoral transformados num imenso acacial, tal como já aconteceem vastas áreas de Portugal.8. DESPOVOAMENTO DO INTERIORPortugal entre os três países mais desertificados da Europa Página 13 de 16
  • 14. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃO Mais de metade de Portugal corre o risco de desertificar. No espaço de duasdécadas, 66% do País pode transformar-se em solo árido, se nada for feito parainverter a situação que se vive na actualidade um terço do território continentalencontra-se classificado como zona susceptível à desertificação. A aridez dos solos atinge a totalidade do interior algarvio e o Alentejo. Nestaregião, o fenómeno assume proporções quase dramáticas, na margem esquerda doGuadiana, nos concelhos de Mértola, Castro Marim e Alcoutim. Mas a desertificaçãonão está confinada ao Sul do País. Todo o interior raiano, do Algarve a Trás-os-Montes, está a ficar deserto, a nível de perda de potencial biológico dos solos. Mas nãosó. Também é humana a desertificação do País. Vítor Louro, coordenador do Programa de Acção Nacional para Combate àDesertificação (PANCD), aponta uma cadeia de factores que concorrem para oempobrecimento da terra. Desde logo a susceptibilidade natural de algumas regiões,aliada ao mau uso do solo, mas também os incêndios e reflorestações mal conduzidas.A seca severa, que este ano afecta Portugal, é mais um elemento a contribuir para umretrato pouco animador. João Corte-Real, da Universidade de Évora, embora recuseapontar as alterações climáticas como causa da falta de chuva, admite que oaquecimento global vai provocar períodos secos mais frequentes e longos. A desertificação não se explica só por factores físicos. Os problemassocioeconómicos, que afastam as pessoas do interior para as cidades do litoral, deixamas terras ao abandono e indefesas perante os incêndios que devoram centenas dehectares e provocam forte erosão nos solos. Um cenário assustador. A dificuldade em desenvolver acções de combate emitigação da desertificação física do território "Em alguns locais escasseiam já osdestinatários para as iniciativas." Um exemplo flagrante é o concelho de Mação, nocentro do País, cuja sede está ironicamente situada a escassos 10 quilómetros de umaauto-estrada.9. CONCLUSÃO A desertificação gera vários problemas e prejuízos para o ser humano. Com aformação de áreas áridas, a temperatura aumenta e o nível de humidade do ar diminui,dificultando a vida do ser humano nestas regiões. Com o solo infértil, odesenvolvimento da agricultura também é prejudicado, diminuindo a produção dealimentos e aumentando a fome e a pobreza. O meio ambiente também é prejudicado com este processo. A formação dedesertos elimina a vida de milhares de espécies de animais e vegetais, pois modificaradicalmente o ecossistema da região afectada. Página 14 de 16
  • 15. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃO A desertificação também favorece o processo de erosão do solo, pois as plantase árvores não existem mais para "segurar" o solo.Desertificação vai provocar migração de 50 milhões Um relatório compiladopela Universidade das NaçõesUnidas (UNU) revela que até50 milhões de pessoas terãode migrar nos próximos dezanos por causa dadesertificação que atingevárias regiões do planeta.É imprescindível que políticase práticas de agriculturasustentável sejam postas emprática o mais rápido possívelpara reverter o processo dedesertificação. Só na África Subsaariana e na Ásia Central, os estudiosos estimam que dezenasde milhões terão de deixar suas casas em busca de lugares menos inóspitos.América Latina Os estudos apontam para que a desertificação ameaça 75% das terras áridas esemi-áridas da América Latina, que constituem um quarto da superfície da região. Os pesquisadores criticam a forma como as políticas de combate ao avanço dodeserto têm sido postas em prática na região em que têm sido implementados a níveldos Estados, limitando os resultados que poderiam ser alcançados se a política fossefeita a nível colectivo.Mudanças climáticas A desertificação é um processo que leva à degradação das terras, tornando-as improdutivas. Pode ser causada pela acção humana, entre outros factores. O uso incontrolado da terra para cultivos e pastagens, além do desmatamento, erosão e pouca irrigação, estão Página 15 de 16
  • 16. PROTECÇÃO AMBIENTAL – DESERTIFICAÇÃOtransformando terras produtivas em desertos. As mudanças climáticas também são consideradas como um factor agravante doprocesso. Para os estudiosos, “as alterações do clima estão fazendo da desertificaçãoo maior desafio ambiental dos nossos tempos”. Eles sugerem a implementação de práticas como o reflorestamento de terrasáridas, como forma de deter o avanço do deserto, além do uso da energia solar e doincentivo ao eco turismo.10. BIBLIOGRAFIAReferências: • World Day to Combat Desertification 2009; • Food And Agriculture Organization of the United Nations: Desertification; • U.S. Geological Survey : Desertification; • Universidade Técnica de Lisboa: Investigação e Desenvolvimento para o Combate aos Fenómenos da Desertificação e Seca; • Ciência Hoje (Portugal): Combate à desertificação no IST. Página 16 de 16