Plano de Ação para    a Conservação doMutum-de-Alagoas  (Mitu mitu = Pauxi mitu)
República Federativa do Brasil                                                             Presidente                     ...
Plano de Ação para                a Conservação doMutum-de-Alagoas          (Mitu mitu = Pauxi mitu)          Série Espéci...
Produção do Plano                                               Onildo João Marini Filho – CGESP/Dibio/ICMBio, Brasília, D...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas                                                      Agradecimentos  ...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas                                                             Apresenta...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas                                                                      ...
Instituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeParte 2 – Plano de conservação........................................
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas                                                                      ...
Instituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeFigura 8    –   Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural      ...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas                            Lista de siglas e abreviaturasCDB      –  ...
Parte 1INFORMAÇÕES      GERAIS
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas                                                               1 Intro...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade     sileiro, sendo o exemplar figurado por             vez de Mitu...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoasjunto com a floresta onde vivia. Graças ao   proteção contra caçadores...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade     tuberosa, Figura 3]) e uma delas antiga-           rosa (mutum...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas                                                                      ...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade                                                                   ...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas                                                                      ...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade                                                                   ...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-AlagoasLuís Fábio Silveira                      Fig. 9 – Pauxi mitu no Criado...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade     solo. Quando alarmado, emite um assovio            Na região o...
Fig. 11a – Distribuição presumida de Pauxi mitu
Fig. 11b – Informações adicionais sobre a distribuição presumida de Pauxi mitu
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-AlagoasReprodução                                    3 Ameaças         Apenas...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade     impactos ambientais, como a destruição de          energia dom...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas2005 são Coruripe (553 ocorrências),São Miguel dos Campos (217), Jequi...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade     2005). Eles se localizam nas seguintes             bro de 1994...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoascorte de madeira, a retirada de lenha e os     grota íngreme e no fund...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade     já houve queimadas e corte seletivo de             sofreu um s...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoasarrastos de caçadores por toda a mata,        árvores adultas. Essas á...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade              Cerca de 90 ha da Fazenda                 Usina Triun...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoasque fica mais próxima à usina tem várias      principalmente caçadores...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade     pesquisas que realizou com a espécie               de Pauxi mi...
Parte 2   PLANO DECONSERVAÇÃO
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas                                                  1 Objetivos gerais  ...
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade             Os objetivos específicos estão             o monitoram...
Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas2.2 Proteção da espécie e seu                2.2.5 Implementar program...
Mutum de alagoas
Mutum de alagoas
Mutum de alagoas
Mutum de alagoas
Mutum de alagoas
Mutum de alagoas
Mutum de alagoas
Mutum de alagoas
Mutum de alagoas
Mutum de alagoas
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Mutum de alagoas

2,382 views

Published on

  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

Mutum de alagoas

  1. 1. Plano de Ação para a Conservação doMutum-de-Alagoas (Mitu mitu = Pauxi mitu)
  2. 2. República Federativa do Brasil Presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Vice-Presidente JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVAMinistério do Meio Ambiente Instituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeMinistroCARLOS MINC PresidenteSecretaria de Biodiversidade e Florestas RÔMULO JOSÉ FERNANDES BARRETO MELLOMARIA CECÍLIA WEY DE BRITO Diretoria de Conservação da BiodiversidadeDiretoria do Programa Nacional de Conservação MARCELO MARCELINO DE OLIVEIRAda BiodiversidadeBRÁULIO FERREIRA DE SOUSA DIAS Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas ONILDO JOÃO MARINI FILHOGerência de Recursos GenéticosLÍDIO CORADIN INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE SCEN, Avenida L4 Norte, Trecho 2 Diretoria de Conservação da Biodiversidade Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas 70818-900 – Brasília – DF – Brasil Tel./fax: + 55 61 3316-1165 http://www.icmbio.gov.br Edição Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Coordenação Geral de Pesquisa Coordenação de Gestão da Informação SCEN, Avenida L4 Norte, Trecho 2, Bloco B, subsolo, Edifício-sede do Ibama 70818-900 – Brasília – DF – Brasil Telefone: + 55 61 33161229© ICMBio 2007. O material contido nesta publicação não pode ser reproduzido, guardado pelo sistema “retrieval” ou transmitido de qualquermodo ou por qualquer outro meio, seja eletrônico, mecânico, de fotocópia, de gravação ou outros, sem a prévia autorização, por escrito,do Coordenador da Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas.© dos autores 2007. Os direitos autorais das fotografias contidas nesta publicação são de propriedade de seus fotógrafos.
  3. 3. Plano de Ação para a Conservação doMutum-de-Alagoas (Mitu mitu = Pauxi mitu) Série Espécies Ameaçadas – nº 7 Luís Fábio Silveira Sônia Aline Roda André Maurício Melo Santos Elisiário Strike Soares Carlos Abs Bianchi Colaboradores Christine Steiner Mercival Roberto Francisco Fábio Olmos Moacyr de Carvalho Dias Fernanda Junqueira Vaz Paulo H. Chaves Cordeiro Fernando Pinto Paulo Rodolfo César Fernando Siqueira Magnani Roberto Azeredo João Batista Cruz Rodrigo Mendonça Luís fábio Silveira Sônia Alina RodaMarcelo Américo de Almeida Wanderlei de MoraesMaria Cecília Martins Kierulff Brasília – 2008
  4. 4. Produção do Plano Onildo João Marini Filho – CGESP/Dibio/ICMBio, Brasília, DF Paulo H. Chaves Cordeiro – Ornis Meio Ambiente eWorkshop: 24 e 25 de abril de 2007 (Brasília, DF, Brasil). Desenvolvimento, Rio de Janeiro, RJ Paulo Rodolfo César – Cesp, Paraibuna, SPEste plano foi baseado nas discussões ocorridas durante o Roberto Azeredo – Fundação Crax, Contagem, MGworkshop e nas informações fornecidas por especialistas Rodrigo Mendonça – Cesp, Paraibuna, SPno Brasil. Sônia Aline Roda – Cepan, Recife, PERevisões do Plano Vanderlei de Moraes – Itaipu Binacional, Foz do Iguaçu, PRSerá monitorado anualmente pelos participantes e Elaboração de textos:deverá ser revisado a cada 5 anos. Entretanto, revisões Luís Fábio Oliveira, Sônia Aline Roda, André Maurício Meloemergenciais poderão ser efetuadas a qualquer tempo, Santos, Elisiário Strike Soares e Carlos Abs Bianchi.caso alguma mudança inesperada ameace as populaçõesdestas espécies. Revisão técnica Luís Fábio Oliveira, Elisiário Strike Soares, Sônia AlineCoordenador Técnico da Série Espécies Ameaçadas Roda, Carlos Abs Bianchi, Fábio Olmos e Marcelo AméricoOnildo João Marini Filho de Almeida.Documento-Base Revisão e Edição de TextoGrupo de trabalho que participou da reunião para Gráfica e Editora Diplomataa elaboração do Plano de Ação (listados em ordemalfabética): Capa Giancarlo ZorzinChristine Steiner – Unesp, Rio Claro, SP SOS Falconiformes – Centro de Pesquisa para a ConservaçãoElisiário Strike Soares – CGESP/Dibio/ICMBio, Brasília, DF das Aves de Rapina NeotropicaisFernanda Junqueira Vaz – Fundação Parque Zoológico de falconiformes@vsnet.com.br São Paulo, São Paulo, SPFernando Siqueira Magnani – Parque Ecológico de São Mapas Carlos, São Carlos, SP e Sociedade de Zoológicos do Confeccionados no Centro de Sensoriamento Remoto do Brasil (SZB) IbamaLuís Fábio Silveira – Departamento de Zoologia e Museu Noemia Regina Santos do Nascimento de Zoologia, USP SP , Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas/Dibio/ICMBio,Marcelo Levy – Criadouro Científico e Cultural Poços de Brasília, DF. Caldas, Poços de Caldas, MG Pedidos de exemplares deste documento, dúvidas e su-Maria Cecília Martins Kierulff – Fundação Parque Zoológico gestões devem ser encaminhados para: Onildo João Marini de São Paulo, São Paulo, SP Filho (onildo.marini-filho@icmbio.gov.br).Mercival Roberto Francisco – UFSCar, Sorocaba, SP Catalogação na Fonte Instituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeF723 Plano de ação nacional para a conservação do mutum-de-alagoas (mitu mitu = Pauxi mitu) / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. – Brasília: ICMBio, 2008. XXp. : il. color. ; 29cm. (Série Espécies Ameaçadas, 7) Bibliografia ISBN 978-85-61842- 1. Plano (Planejamento). 2. Aves (mutum-de-alagoas). 3. Ornitologia. 4. Extinção. I. Fábio Silveira, Luís. II. Roda, Sônia Aline. III. Santos, André Maurício Melo. IV. Soares, Elisiario Strike. V. Bianchi, Carlos Abs. VI. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. VII. Diretoria de Conservação da Biodiversidade. VIII. Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. IX.Título. X. Série. CDU(2.ed.)598.2
  5. 5. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas Agradecimentos Nossos sinceros agradecimentos aos membros do Comitê para a Conservaçãodo Mutum-de-Alagoas pelo envolvimento intenso nas discussões. Aos mantenedoresatuais da espécie, senhores Roberto Azeredo e Moacyr de Carvalho Dias, pela dedicaçãopessoal na preservação dos últimos espécimes existentes. Um agradecimento especiala Pedro Mário Nardelli, pela iniciativa pioneira que salvou esta espécie da extinçãono final do século passado. Agradecemos aos proprietários dos remanescentes da Mata Atlânticanordestina que, juntamente com o Instituto para a Preservação da Mata Atlântica(IPMA), reconhecem a necessidade de manter os últimos hectares do habitat da espécie.A Fernando Pinto, que desde a década de 1970 luta para conservar as últimas matasde Alagoas. Aos pesquisadores do passado e do presente que, de uma forma ou de outra,participaram da construção do conhecimento e da conservação dos últimos exemplaresdo mutum-de-alagoas. A todas as instituições e pesquisadores que participaram da elaboração destedocumento. Luís Fábio Silveira agradece, ainda, ao Conselho Nacional de DesenvolvimentoCientífico e Tecnológico (CNPq) pela bolsa de produtividade concedida à Fundaçãode Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pelos auxílios financeirosconcedidos, e à World Pheasant Association, instituição da qual é Pesquisador Associado(Associate Researcher). Moacyr de Carvalho Dias (CCCPC) e Roberto Azeredo (Crax)auxiliaram em numerosas etapas das nossas pesquisas com Galliformes.
  6. 6. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas Apresentação O Brasil é o país que detém a blumenbachii, os albatrozes e petréis (or-maior biodiversidade em todo o mundo. dem Procellariiformes), o pato-mergulhãoAo mesmo tempo, a intensificação de ati- Mergus octosetaceus, a arara-azul-de-learvidades humanas, a exemplo da expansão Anodorhynchus leari, as aves de rapinadesordenada de cidades e do aumento (ordens Cathartiformes, Falconiformes eda fronteira agrícola sobre áreas preser- Strigiformes) e a ordem Galliformes.vadas, tem gerado forte pressão sobre as O sétimo número desta Série é odiversas paisagens e biomas brasileiros. Plano de Ação para a Conservação do Mu-As principais conseqüências dessas ações tum-de-Alagoas (Pauxi mitu = Mitu mitu),são perda, degradação e fragmentação espécie extinta da região de Mata Atlânticade habitats, que se refletem no aumento conhecida como Centro Pernambuco dedo número de espécies presentes na Lista Endemismo. A espécie sobrevive em cati-Nacional das Espécies da Fauna Brasileira veiro graças aos esforços de mantenedoresAmeaçadas de Extinção, oficializada pela e pesquisadores, todos envolvidos com aInstrução Normativa nº 3 do MMA, de 27 conservação. A população total cativa é dede maio de 2003. 121 indivíduos, divididos em dois criadou- Zelar pela conservação dessa ros no estado de Minas Gerais. As matas,riqueza nacional é responsabilidade de onde a espécie ocorria originalmente, en-cada cidadão brasileiro, porém as inicia- contram-se degradadas, havendo poucostivas e medidas a serem adotadas para remanescentes com mais de 500 hectares,reverter o quadro devem ser tomadas de os quais também não se encontram emmaneira organizada e conjunta em prol boas condições de proteção.de um objetivo comum. Assim, a união de Este plano apresenta informaçõesesforços de governos, da sociedade civil sobre a biologia da espécie, identifica seuse das instituições de ensino e pesquisa, principais fatores de ameaça e propõe umavisando à conservação da nossa biodiver- série de medidas para a implementaçãosidade, representa um passo importante em diversas áreas temáticas, identificandonessa jornada. atores potenciais e seguindo uma escala Com o propósito de mudar a situ- de prazos e prioridades, com o principalação de ameaça, o Instituto Chico Mendes objetivo de conservar a espécie em longode Conservação da Biodiversidade e o prazo. Este plano deverá ser revisado pe-Ministério do Meio Ambiente criaram a riodicamente como forma de monitorar eSérie Espécies Ameaçadas, que é composta avaliar o sucesso das ações executadas epor planos de ação, planos de manejo e atualizar as necessidades de conservação.outras contribuições relevantes para a pro- Agradecemos a todos os que tra-teção e a conservação da fauna brasileira balharam pela sua formulação, em todasameaçada de extinção. Os números ante- as suas fases, demonstrando o comprome-riores desta Série abordaram, em ordem timento com a conservação da biodiver-de publicação, o mutum-do-sudeste Crax sidade brasileira.
  7. 7. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas SumárioParte 1 – Informações gerais.............................................................................................151 Introdução ....................................................................................................................172 Informações sobre a espécie e sua história natural.........................................................19 Taxonomia e morfologia ...............................................................................................19 Comportamento ..........................................................................................................24 Distribuição e habitat ...................................................................................................26 Alimentação .................................................................................................................26 Reprodução .................................................................................................................293 Ameaças .......................................................................................................................29 Histórico da ocupação da área .....................................................................................29 Utilização dos recursos naturais na região de ocorrência do mutum-de-alagoas ............30 Incêndios .....................................................................................................................30 Caça ............................................................................................................................314 Áreas potenciais para reintrodução ...............................................................................31 Unidades de Conservação na área de distribuição do mutum-de-alagoas .....................31 Caracterização ambiental dos fragmentos para uma possível reintrodução do mutum-de-alagoas ..................................................................................................31 Usina Cachoeira...........................................................................................................32 Usina Caeté .................................................................................................................33 Usina Coruripe ............................................................................................................33 Usina Porto Rico ..........................................................................................................34 Usina Serra Grande ......................................................................................................35 Usina Sinimbu .............................................................................................................35 Usina Sumaúma ...........................................................................................................35 Usina Triunfo ...............................................................................................................36 Usina Utinga Leão........................................................................................................365 População em cativeiro ................................................................................................37
  8. 8. Instituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeParte 2 – Plano de conservação........................................................................................391 Objetivos gerais ............................................................................................................412 Objetivos específicos ....................................................................................................41 2.1 Políticas públicas e legislação .................................................................................42 2.2 Proteção da espécie e seu habitat ..........................................................................43 2.3 Pesquisas ...............................................................................................................43 2.4 Manejo das populações em cativeiro......................................................................44 2.5 Projetos de reintrodução ........................................................................................45Referências bibliográficas .................................................................................................47
  9. 9. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas Lista de figurasFigura 1 – Primeira ilustração de Pauxi mitu, realizada em 1648 e constante da obra de Marcgrave. Observe a presença da região auricular nua, caráter diagnóstico desta espécie ..............................17Figura 2 – Pauxi tomentosa no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................19Figura 3 – Pauxi tuberosa na Fundação Crax (FC) Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................20Figura 4 – Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................20Figura 5 – Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................21Figura 6a – Detalhe da cabeça de Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC), mostrando a região auricular completamente nua e o bico vermelho na base, tornando-se esbranquiçado em direção à ponta. Compare com a Figura 6b (Pauxi tuberosa) Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................22Figura 6b – Detalhe da cabeça de Pauxi tuberosa no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................22Figura 7a – Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC), onde pode ser visto par central das retrizes completamente negro. Compare com a Figura 7b, de Pauxi tuberosa, que apresenta estas penas brancas Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................23Figura 7b – Pauxi tuberosa no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC). Observe o par central das retrizes, de coloração branca Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................23
  10. 10. Instituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeFigura 8 – Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................24Figura 9 – Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................25Figura 10 – Casal de Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) Autor: Luís Fábio Silveira ...........................................................................25Figura 11a – Distribuição presumida de Pauxi mitu ........................................................27Figura 11b – Informações adicionais sobre a distribuição presumida de Pauxi mitu ...........................................................................28
  11. 11. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas Lista de siglas e abreviaturasCDB – Convenção sobre Diversidade BiológicaCemave – Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação das Aves SilvestresCepan – Centro de Pesquisas Ambientais do NordesteCites – Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de ExtinçãoCNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e TecnológicoCPRH – Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos HídricosIbama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais RenováveisICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeIMA/AL – Instituto do Meio Ambiente do Estado de AlagoasIncra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma AgráriaIUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos NaturaisMCT – Ministério de Ciência e TecnologiaMMA – Ministério do Meio AmbienteOemas – Organizações Estaduais de Meio AmbienteONG – Organização Não-GovernamentalParna – Parque NacionalRebio – Reserva BiológicaRPPN – Reserva Particular do Patrimônio NaturalUC – Unidade de ConservaçãoUFPE – Universidade Federal de PernambucoUHE – Usina Hidrelétrica
  12. 12. Parte 1INFORMAÇÕES GERAIS
  13. 13. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas 1 Introdução O mutum-de-alagoas (Pauxi mitu O mutum-de-alagoas foi uma das= Mitu mitu, veja abaixo) é uma ave de primeiras aves endêmicas do Brasil a sergrande porte e permaneceu, por mais de descrita e figurada durante o período da300 anos, como uma das aves mais raras e invasão holandesa no Brasil (1637-1644).enigmáticas de todo o mundo. Endêmico Marcgrave, naturalista que estava entre osdo “Centro Pernambuco”, faixa de Mata membros da corte do Príncipe MaurícioAtlântica que se inicia ao norte da foz do de Nassau, ilustrou (Figura 1) e descre-Rio São Francisco, o mutum-de-alagoas veu com riqueza de detalhes um mutumpassou despercebido pelos ornitólogos mantido vivo em cativeiro, provavelmentee quase desapareceu. Muito pouco se no zoológico do Príncipe, em Recife. Foisabe sobre sua distribuição e os registros com base nessa descrição e na xilogravurafidedignos provêm apenas do estado de existente que Linnaeus, em 1766, o bati-Alagoas, embora seja altamente provável zou cientificamente de Crax mitu. Apesarque possa ter ocorrido também em de conhecido pela ciência, desde então,Pernambuco. Alguns autores sugerem uma o mutum-de-alagoas permaneceu comodistribuição ainda mais ampla, nas florestas um táxon de validade incerta por quaseabaixo de 400 metros desde o Rio Grande 200 anos. Alguns autores argumentavamdo Norte até o sul de Alagoas, mas essas que esta espécie não era válida ou nãoafirmações carecem de base documental. existia originalmente no Nordeste bra- Fig. 1 – Primeira ilustração de Pauxi mitu, realizada em 1648 e constante da obra de Marcgrave. Observe a presença da região auricular nua, caráter diagnóstico desta espécie 17
  14. 14. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade sileiro, sendo o exemplar figurado por vez de Mitu mitu) reflete as mudanças mais Marcgrave apenas um mutum amazônico recentes na sistemática dos representantes bastante comum, o mutum-cavalo, Pauxi da família Cracidae. tuberosa (Spix, 1825). É importante ressal- Da mesma forma que os tar que, mesmo no século XVII, animais de acontecimentos envolvendo a taxonomia estimação eram trazidos de regiões bem e a conservação do mutum-de-alagoas, a distantes por índios, o que justificava de história da ocupação da Mata Atlântica alguma maneira essa linha de raciocínio. nordestina é longa, polêmica e caminha Outros autores, por sua vez, assumiam a a passos largos para uma tragédia única identidade dos dois táxons, considerando no Novo Mundo. A ocupação do litoral o amazônico Pauxi tuberosa (Spix) como nordestino, especialmente nos estados subespécie do táxon alagoano. de Pernambuco e Alagoas, confunde- Entretanto, todas essas sugestões se com a própria história do Brasil, a eram baseadas apenas no estudo de partir de sua colonização no século XVI exemplares de Pauxi tuberosa depositados até os dias de hoje. Os desmatamentos em museus, pois não eram conhecidos para dar lugar a plantações de cana- quaisquer espécimes de Pauxi mitu em de-açúcar iniciaram-se muito cedo na coleções científicas, o que dificultava região, mesma época da caça de animais enormemente qualquer trabalho mais silvestres de maior porte, incluindo elaborado com esses táxons. As primeiras o mutum. As plantações de cana-de- tentativas de solucionar consistentemente açúcar dominaram a paisagem das terras esse problema apareceram apenas em baixas, mas ainda existiam fragmentos 1951, quando uma fêmea foi coletada de floresta de considerável tamanho e em Alagoas, reabrindo o debate sobre a em bom estado de conservação. A partir identidade de Pauxi mitu (Linnaeus) em da década de 1970, com o advento do relação à Pauxi tuberosa (Spix). Após a programa Proálcool, houve um novo ciclo confirmação de que Pauxi mitu de fato de desmatamento, mais violento e rápido, existia nas florestas alagoanas, o seu status que dizimou os fragmentos de floresta de como táxon independente, embora muito tabuleiro e invadiu o planalto adjacente, relacionado à Pauxi tuberosa, passou a ser eliminando enormes porções de floresta à reconhecido pela maioria dos autores. revelia do Código Florestal Brasileiro e não Entretanto, apenas no final do século XX despertando a menor atenção dos órgãos é que Pauxi mitu passou a ser reconhecido do governo responsáveis pela proteção dos como espécie plena e distinta de Pauxi recursos naturais. Não é surpresa alguma tuberosa, com base em diferentes linhas constatar que as localidades com o maior de evidência. Um histórico da distribuição número de espécies de aves ameaçadas e da taxonomia desta espécie pode ser de extinção no planeta encontram-se visto em Collar et al. (1992) e Silveira et justamente em Alagoas e em Pernambuco, al. (2004). Recentemente, as espécies do onde restam menos de 2% de cobertura gênero Mitu foram incluídas no gênero vegetal nativa. O mutum-de-alagoas Pauxi por Frank-Hoeflich et al. (2007), não teve melhor sorte – era a maior ave que realizaram uma análise filogenética terrestre da Mata Atlântica nordestina, em que foram incluídos caracteres que provavelmente ocupava grandes moleculares, osteológicos, de tegumento territórios de floresta virgem, vivendo em e comportamentais. Dessa forma, o baixas densidades. Apreciado, como todo tratamento adotado aqui (Pauxi mitu em mutum, como peça de caça, foi dizimado18
  15. 15. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoasjunto com a floresta onde vivia. Graças ao proteção contra caçadores e madeireirosesforço de um criador carioca, aliado a um e a recuperação dos ambientes são osornitófilo alagoano, três exemplares foram primeiros passos a serem dados in situ,capturados e deram início a um programa enquanto a criação maciça destas avesde reprodução em cativeiro. A triste em cativeiro é fundamental para garantirhistória do mutum-de-alagoas é o reflexo indivíduos viáveis para a reintrodução.da falta de compromisso que os órgãosambientais e a sociedade em geral tiveramcom os últimos remanescentes de florestados estados de Alagoas e de Pernambuco. 2 Informações sobreDessa forma, não é nenhuma surpresaconstatar que esses dois estados abrigam a espécie e suao maior número de espécies ameaçadasde extinção em todo o Brasil e, talvez, no história naturalmundo todo, sendo motivo de estudos dofenômeno de extinção em massa. Taxonomia e morfologia Os caminhos para trazer o O antigamente reconhecido gê-mutum-de-alagoas de volta às suas nero Mitu era formado por quatro espé-florestas são longos e demandam grandes cies, três delas amplamente distribuídasesforços de pesquisadores, ONGs, órgãos na Bacia Amazônica (Mitu salvini [= Pauxiambientais, usineiros e da sociedade civil salvini], M. tomentosum [= Pauxi tomen-em geral. A recuperação das florestas, sua tosa, Figura 2] e M. tuberosum [= Pauxi Luís Fábio SilveiraFig. 2 – Pauxi tomentosa no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) 19
  16. 16. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade tuberosa, Figura 3]) e uma delas antiga- rosa (mutum-cavalo) e P mitu (mutum-de- . mente registrada numa pequena porção alagoas) são morfologicamente similares, da Mata Atlântica nordestina (Mitu mitu fato que gerou uma notável instabilidade [= Pauxi mitu] Figura 4). Recentemente, taxonômica, desde a descrição do táxon Frank-Hoeflich et al. (2007) sugeriram que nordestino feito por Linnaeus. O mutum- os representantes deste gênero devem ser de-alagoas possui aproximadamente 90 transferidos para o gênero Pauxi, trata- cm de comprimento total e não apresenta mento adotado neste plano. Pauxi tube- evidente dimorfismo sexual de plumagem, Luís Fábio Silveira Luís Fábio Silveira Fig. 3 – Pauxi tuberosa na Fundação Crax (FC) Fig. 4 – Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cul- tural Poços de Caldas (CCCPC)20
  17. 17. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas Luís Fábio Silveira Fig. 5 – Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC)que é uniformemente negra com reflexos A ausência de exemplares depo-azulados. As penas da região ventral e do sitados nos museus, aliados a uma crençacrisso (coberteiras inferiores da cauda) generalizada de que o mutum-de-alagoaspossuem coloração marrom (Figura 5). seria, no máximo, uma subespécie fraca-Apresenta, na cabeça, um topete pouco mente definida, mantiveram este táxon ànotável. As penas da cauda são também margem de estudos mais detalhados sobrenegras, com o seu ápice branco-sujo ou sua morfologia e, conseqüentemente, so-amarronzado, exceção feita ao par central bre sua validade taxonômica. A ausênciaque é totalmente negro, o que representa desses estudos teve implicações profun-caráter-diagnóstico importante quando das na conservação de Pauxi mitu, poiscomparado com Pauxi tuberosa (Figuras a categoria de subespécie foi historica-7a e 7b). Outros caracteres-diagnósticos mente desconsiderada em programas desão observados na região da cabeça, que conservação que, no caso de Pauxi mitu,apresenta a região auricular desprovida de trouxe graves conseqüências. Somente apenas (Figuras 1, 6a e 9), caráter já figu- partir da espetacular descoberta desta averado por Marcgrave no século XVII e que em Alagoas, por Olivério Pinto, em 1951permite a pronta identificação do táxon (um dos maiores orgulhos profissionais daquando comparado com Pauxi tuberosa brilhante carreira desse ornitólogo), é que(Figura 6b). Outro caráter-diagnóstico está alguma luz começou a ser lançada sobreno bico, que é bicolor, vermelho na base esta espécie. Sick (1980) e Nardelli (1993)e tornando-se róseo-esbranquiçado em também fizeram estudos detalhados sobredireção à ponta (Figuras 6a e 9). A íris é esta ave e alguns caracteres-diagnósticoscastanho-avermelhada e o tarsometatarso e entre o táxon nordestino e o amazônicoos dedos são vermelhos (Figuras 8 e 10). (Pauxi tuberosa) foram apontados. Entre 21
  18. 18. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Luís Fábio Silveira Fig. 6a – Detalhe da cabeça de Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC), mostrando a região auricular completamente nua e o bico vermelho na base, tornando-se esbranquiçado em direção à ponta. Compare com a Figura 6b (Pauxi tuberosa) Luís Fábio Silveira Fig. 6b – Detalhe da cabeça de Pauxi tuberosa no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC)22
  19. 19. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas Luís Fábio SilveiraFig. 7a – Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC),onde pode ser visto par central das retrizes completamente negro. Comparecom a Figura 7b de Pauxi tuberosa, que apresenta estas penas brancas Luís Fábio SilveiraFig. 7b – Pauxi tuberosa no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas(CCCPC). Observe o par central das retrizes de coloração branca 23
  20. 20. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Luís Fábio Silveira Fig. 8 – Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) eles, destacam-se os já citados bico ver- Comportamento melho na base e róseo-esbranquiçado na ponta, a região auricular nua e o par cen- Não existem muitos relatos sobre tral de retrizes negro. Entretanto, outros o comportamento desta espécie na caracteres alegados como diagnósticos por natureza, contando-se apenas com as Sick (1980) ou Nardelli (1993) não foram breves observações de Pinto (1952), confirmados por Silveira et al. (2004) após que entrevistou mateiros da região, e de uma análise mais abrangente de material. Nardelli (1993), que descreve o único Entre esses caracteres descartados encon- ninho encontrado desta espécie. Os tram-se o tamanho e a largura do bico, o relatos de Marcgrave (1942) são baseados porte e o número de retrizes (14, segundo tanto em observações de cativeiro quanto Nardelli [1993]). Como nos demais mu- em relatos dos caçadores que traziam tuns do gênero Pauxi, o dimorfismo sexual estas aves até Recife, pois ele próprio de plumagem não é notável. Entretanto, não realizou observações em campo. os machos parecem ser maiores do que De forma geral, Pauxi mitu não pareceu as fêmeas e apresentam a traquéia mais diferir muito em seleção de habitat e em desenvolvida. Além disso, como a maioria comportamento da sua espécie-irmã, Pauxi dos Galliformes, os machos apresentam tuberosa, sendo uma espécie terrícola, um pequeno órgão intromitente (phallus que sobe às árvores para passar a noite, protrudens), que pode ser detectado atra- construir o seu ninho ou, em caso de vés da manipulação da região cloacal. fuga, quando não é possível fazê-la pelo24
  21. 21. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-AlagoasLuís Fábio Silveira Fig. 9 – Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) Luís Fábio Silveira Fig. 10 – Casal de Pauxi mitu no Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas (CCCPC) 25
  22. 22. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade solo. Quando alarmado, emite um assovio Na região onde ocorria Pauxi mitu, fino e curto, abrindo também a cauda encontram-se dois tipos principais de repetidas vezes em leque, demonstrando vegetação: a Floresta Ombrófila Aberta, irritação. Também pode eriçar o pequeno onde se observam árvores de grande porte topete nessas ocasiões. com o sobosque esparso, o que permite a existência de aves terrícolas de grande porte. Esse é um tipo de floresta que é Distribuição e habitat mantido permanentemente úmido, com Os dados sobre a distribuição de apenas 2 meses secos por ano (VELOSO Pauxi mitu são, em sua grande maioria, et al., 1991); e a Floresta Estacional anedóticos. Espécimes cativos foram Semidecidual, onde a estação chuvosa figurados por Marcgrave no século XVII e e a seca são mais bem demarcadas, provavelmente vieram das proximidades havendo perda de folhas em cerca de 20% de Recife. Entretanto, os únicos registros das espécies arbóreas que a compõem do século XX foram provenientes do (VELOSO et al., 1991). estado de Alagoas, mais especificamente da região litorânea. Pinto (1952) coletou uma fêmea no município de São Miguel Alimentação dos Campos enquanto Nardelli (1993) Como todos os outros aspectos da obteve, no final da década de 1970, sua biologia, a alimentação de Pauxi mitu exemplares vivos em Roteiro e na Barra de na natureza é praticamente desconhecida. São Miguel (Figuras 11a e 11b). Assume- Sabe-se apenas das informações de Pinto se, atualmente, que a distribuição do (1952), que coletou uma fêmea cuja mutum-de-alagoas abrangia apenas as moela estava repleta de frutos de uma matas atlânticas de baixada nos estados planta chamada localmente de castelo de Alagoas e de Pernambuco. Burmeister (Phyllanthus nobilis). Coimbra-Filho (1971) (1856) sugeriu que esta espécie também relata que caçadores faziam espera por ocorria na Bahia, mas esta sugestão é esta espécie em mangabeiras em fruto, certamente devida a uma confusão com enquanto Nardelli (1993) observou três o mutum-do-sudeste, Crax blumenbachii, aves alimentando-se dos frutos de uma pois o mutum-de-alagoas é restrito árvore denominada batinga (Eugenia sp., apenas ao “Centro Pernambuco” de Myrtaceae). Como os demais cracídeos de endemismo, uma reduzida área de Mata grande porte, Pauxi mitu é principalmente Atlântica localizada do norte do Rio São frugívoro, consumindo folhas e brotos Francisco até o Rio Grande do Norte. em menor quantidade. Os cracídeos Registros em altitudes mais elevadas de grande porte são mais predadores (~800 m) podem ser assumidos com base que dispersores de sementes, pois em topônimos, como a pequena vila de destroem a parte reprodutiva dos frutos, “Mutum”, em Alagoas, nas proximidades sendo dispersores mais eficientes apenas da Usina Santo Antônio. quando ingerem coquinhos ou frutos Os mutuns do gênero Pauxi de sementes duras, que são eliminadas são aves essencialmente florestais, posteriormente nas fezes destas aves. habitam matas primárias de terra firme Provavelmente, como outros mutuns, ou de tabuleiros, podendo utilizar alguns deve também ingerir oportunamente remanescentes de mata secundária pequenos vertebrados ou invertebrados em avançado estado de regeneração. como lagartas ou caramujos.26
  23. 23. Fig. 11a – Distribuição presumida de Pauxi mitu
  24. 24. Fig. 11b – Informações adicionais sobre a distribuição presumida de Pauxi mitu
  25. 25. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-AlagoasReprodução 3 Ameaças Apenas um relato sobre a repro-dução é conhecido na natureza. Nardelli Histórico da ocupação da área(1993) fotografou um ninho desta espécieem Alagoas, e o ninho não difere muito A área de domínio do sistemado construído por sua espécie-irmã, Pauxi canavieiro nos estados de Alagoas,tuberosa (Luís Fábio Silveira, observação Pernambuco, Paraíba e Rio Grande dopessoal), sendo uma plataforma feita com Norte é uma das regiões mais exploradasgalhos trançados no alto de uma árvore. economicamente no Nordeste do Brasil.Apesar do tamanho e da sua plumagem Além disso, a região é densamentenegra, a ave permanece camuflada em povoada devido aos vários pólos industriaismeio à folhagem. Esse tipo de ninho é ali instalados. Sob o ponto de vistabastante comum entre os Cracidae e Pauxi sucroalcooleiro essa região é importantemitu não foge à regra. Todos os demais tanto pela expressiva produção obtida,relatos de reprodução referem-se apenas como pela quantidade de pessoasà população cativa, mantida inicialmente empregadas, tendo que utilizar mão-de-na Zoobotânica Mário Nardelli, em Niló- obra de regiões vizinhas, como do Agrestepolis, Rio de Janeiro (NARDELLI, 1993) e do Sertão durante os períodos de safrae depois transferida para dois centros de (ANDRADE, 1998).criação em Minas Gerais, nos municípios Ao longo dos 4 séculos de desen-de Contagem e de Poços de Caldas. volvimento da cultura canavieira no Em cativeiro, as fêmeas realizam Nordeste, as áreas consideradas comoduas posturas por ano, sendo a primeira as mais adequadas para o cultivo denos meses de agosto/setembro e a segunda cana-de-açúcar foram principalmenteem janeiro/fevereiro. Dois ovos são postos as várzeas e as encostas dos tabuleiros.em cada postura, embora esse número No entanto, com a necessidade depossa variar de um a três. A incubação em expandir a lavoura e aumentar a produçãocativeiro dura 29 dias e diversas formas de açucareira e alcooleira, principalmente namanejo, já testadas em outras espécies, década de 1950, passou-se a incorporarvêm ampliando o tamanho da postura, que gradativamente as terras de tabuleiros.pode chegar a até 12 ovos por fêmea. Apesar da baixa fertilidade do solo, o uso dessas áreas por canaviais apresentava Atualmente, nos dois cativeiros vantagens, pois facilitava a mecanizaçãoque concentram 100% das aves conheci- e dispensava algumas técnicas comodas, duas técnicas de manejo são feitas. drenagem e curvas de nível. A produçãoNo Criadouro Científico e Cultural Poços tornou-se mais barata, mesmo comde Caldas (CCCPC), são mantidos casais o aumento da adubação, implicandofixos durante todo o ano, enquanto na também num grande processo de perda daSociedade de Pesquisa em Manejo e cobertura vegetal que, até então, mantinha-Manutenção da Fauna Silvestre (Crax) um se em bom estado de conservação.macho pode ser utilizado para copularcom várias fêmeas no período reproduti- A partir dos anos de 1960, avo. Esta última forma de manejo, aliada à cultura canavieira não mais levou em contaretirada dos ovos para incubação artificial as condições climáticas e topográficas,ampliou enormemente o plantel dessas expandindo-se para áreas íngremes maisaves nos últimos anos. interioranas, provocando os mais variados 29
  26. 26. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade impactos ambientais, como a destruição de energia doméstica), Bowdichia virgilioides florestas, erosão dos solos e desequilíbrio (sucupira: lenha, fornecimento de energia ecológico de rios e riachos (ANDRADE, doméstica, construções de cercas, 1998). Isso se deu, principalmente, por manutenção das casas, pequenas pontes causa da criação de vários fundos e etc.) e Eschweilera ovata (imbiriba: programas governamentais para aumentar construção de cercas, manutenção das a produção canavieira e abrir espaço para casas, pequenas pontes etc). Os principais o comércio internacional (ANDRADE, municípios produtores de lenha são Boca 1998), como o Fundo de Recuperação da Mata, com 10.350 m3/ano, seguido de da Agroindústria Canavieira em 1961; o São Miguel dos Campos e Coruripe, com Fundo de Racionalização da Agroindústria 5.920 e 5.130 m3/ano, respectivamente Canavieira do Nordeste em 1963; o Fundo (IBGE, 2000). Especial de Exportação em 1965; o Plano de O carvão também é um dos Expansão da Indústria Açucareira Nacional recursos retirados da mata e de grande em 1965; o Programa de Racionalização influência na economia local. Segundo da Agroindústria Canavieira em 1971; o informações do IBGE (2000), o município Programa Nacional de Melhoramento da de Boca da Mata é o principal produtor de Cana-de-Açúcar/Planalsucar em 1971; e o carvão vegetal entre os municípios da área Programa Nacional do Álcool – Proálcool de distribuição do mutum-de-alagoas, em 1975. Este último, o Proálcool, com cerca de 6 toneladas/ano, seguida talvez o mais polêmico de todos os de Coruripe, com 5 toneladas/ano e Pilar, programas adotados pelo governo, não com 4 toneladas/ano. atingiu uma das suas metas principais, que era aumentar substancialmente a Os recursos hídricos também produtividade agrícola canavieira. O são utilizados para diferentes fins, como programa gerou graves conseqüências irrigação, geração de energia, pesca e sociais (i.e. houve diminuição na geração também para lazer. A má utilização dos de empregos devido à modernização recursos hídricos pode causar vários agrícola e industrial) e ecológicas (aumento impactos, tais como envenenamento das da poluição dos rios e desmatamento, águas das regiões por insumos químicos, ANDRADE, 1998). represamento e conseqüente interrupção de fluxos biológicos, eutrofização, etc. Utilização dos recursos naturais na região de Incêndios ocorrência do Os incêndios são freqüentes em vários municípios da área de distribuição mutum-de-alagoas do mutum-de-alagoas. Geralmente são Os recursos naturais são ampla- decorrentes da colheita de cana-de- mente utilizados principalmente por se açúcar, ocupações de terras ou renovação tratar de uma região com famílias de de pastos, podendo ser tanto acidentais baixa renda, tendo na natureza a fonte de quanto intencionais. Os municípios mais alguns recursos de sua economia, como afetados, de acordo com o Centro de a madeira bruta retirada da mata. As Previsão de Tempo e Estudos Climáticos madeiras mais utilizadas são: Byrsonima (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas sericea (murici: lenha e fornecimento de Espaciais (Inpe), entre os anos de 2000–30
  27. 27. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas2005 são Coruripe (553 ocorrências),São Miguel dos Campos (217), Jequiá 4 Áreas potenciaisda Praia (159), Atalaia (156), Rio Largo(118), Marechal Deodoro (117), Pilar (91) para reintroduçãoe Maceió (72). Unidades de conservação na área de distribuição doCaça mutum-de-alagoas A caça está fortemente enraizada Na área de distribuição dona cultura popular, sendo uma das principais mutum-de-alagoas são encontradas cincoresponsáveis pelo desaparecimento do unidades de conservação gerenciadas pelomutum-de-alagoas e do seu habitat. Instituto de Meio Ambiente do estadoAlgumas comunidades locais tinham de Alagoas, sendo que três são áreas denos cracídeos uma importante fonte de proteção ambiental (APA) com poucoproteína e em períodos em que a floresta potencial de conservação efetiva. As outrasera mais extensa e mais preservada a duas unidades são: Reserva Ecológica decaça pode ter tido um efeito menos Manguezais do Roteiro (742 ha), cujodanoso nas populações. Entretanto, com objetivo é a proteção de mangues e oo aumento das populações humanas desenvolvimento local da pesca artesanal;aliado ao desmatamento, a caça foi fator Reserva Ecológica de Saco da Pedra (5 ha),importante para o desaparecimento desta que sofre pressão do fluxo turístico, alémespécie na natureza. do tamanho pouco significativo. Existem ainda duas unidades de domínio privado Atualmente, a caça é praticada na (RPPN) localizadas em municípios comregião de ocorrência do mutum-de-alagoas registros do mutum (RPPN Fazenda Sãoapenas com o intuito de lazer, pois Silveira Pedro, 50 ha, em Pilar; e RPPN Fazendaet al. (2003) observaram que os caçadores Rosa do Sol, 15,5 ha, em Barra de Sãoencontrados nos fragmentos de florestas Miguel) e três em municípios vizinhospesquisados possuíam automóveis, cães, aos de registros (RPPN Fazenda Lobo I,armas de grosso calibre (geralmente 20 ou 68,6 ha, em Coruripe; RPPN Fazenda28 mm) e utilizavam munição comprada Francisco Pereira, 290 ha, em Coruripe;em lojas onde o preço de apenas um e RPPN Fazenda Santa Tereza, 100 ha,cartucho de espingarda era mais alto do em Atalaia).que um quilo de frango comprado emqualquer supermercado. Dessa forma,qualquer programa de reintrodução fica Caracterização ambientalcompletamente inviabilizado diante da dos fragmentos para umapersistência dessa atividade criminosaonde resta floresta em Alagoas. Programas possível reintrodução dode fiscalização devem ser intensificados mutum-de-alagoasnão apenas coibindo a caça, mas também Um trabalho desenvolvido peloapreendendo as armas de fogo que, Centro de Pesquisas Ambientais doprovavelmente, estão circulando entre Nordeste (Cepan) realizou visitas emesses caçadores sem obedecer à severa 19 fragmentos com potencial de abrigarlegislação vigente. populações da espécie (RODA e SANTOS, 31
  28. 28. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade 2005). Eles se localizam nas seguintes bro de 1994 relativas à classificação dos usinas: Cachoeira, Caeté, Coruripe, Porto estágios de sucessão da Floresta Atlântica Rico, Serra Grande, Sinimbu, Sumaúma, como: fisionomia; estratificação; altura Triunfo, Utinga Leão (RODA e SANTOS, média da vegetação; existência, diversi- 2005). A Usina Serra Grande situa-se fora dade e quantidade de epífitas; existência, da área de registro do mutum-de-alagoas, diversidade e quantidade de trepadeiras; no entanto o Comitê para a conservação ausência ou presença e quantidade de da espécie, na sua primeira reunião em serapilheira; sobosque; diversidade bio- 2003, achou necessária sua inclusão por lógica e dominância de espécies. apresentar um dos fragmentos florestais A presença de algumas espécies (Engenho Coimbra) mais representativos arbóreas e de predadores potenciais e bem conservados. do mutum-de-alagoas foi comentada Apesar dos registros históricos durante as entrevistas aos mateiros que englobarem seis municípios dos Tabuleiros acompanhavam a equipe nos diferentes Costeiros do Estado de Alagoas (Pilar, fragmentos. Em alguns casos, foi possível São Miguel dos Campos, Jequiá da Praia, a detecção visual de alguns predadores. Roteiro, Barra de São Miguel e Marechal A seguir, o resultado obtido pelo trabalho Deodoro), as áreas inventariadas pela desenvolvido pela Cepan, em cada usina: Cepan reuniram dez municípios (Barra de Santo Antônio, Campo Alegre, Coruripe, Ibateguara, Jequiá da Praia, Maceió, Usina Cachoeira Marechal Deodoro, Pilar, Rio Largo e São Miguel dos Campos). Os fragmentos visitados na Usina Cachoeira localizam-se em áre- Foi elaborado protocolo para as não próximas de povoados e vilas aquisição das informações a ser aplicado em (15km de Maceió), com exceção da cada fragmento, obtendo-se informações Grota da Cachoeira e Bamburral, situ- preliminares sobre: caracterização da adas próximas à usina. As coordenadas estrutura da vegetação; disponibilidade de referência são: Barragem das Prensas de abrigos e sítios reprodutivos para o (9°26’09.3”S/35°40’43.5”W), Grota de Ca- mutum-de-alagoas; forma e tamanho choeira (9°25’51.1”S/35°43’36.1”W), Mata do do fragmento; presença de predadores Bamburral (9°26’09.45”S/35°43’23,5”W), potenciais; presença de outros cracídeos; Mata da Sela (9°22’S/35°43’W) e Mata segurança das áreas; pressão antrópica; do Raboio (9°22’53.1”S/35°40’05.4”W). aspectos hídricos; conectividade potencial Todos esses fragmentos localizam-se no entre os fragmentos; impactos ambientais município de Maceió. decorrentes da agricultura; infra-estrutura, acesso e trilhas; ocorrência de caça De maneira geral, os fragmentos e retirada de madeira. Os protocolos estão associados a encostas íngremes encontram-se no Anexo 2 do relatório (Grota da Cachoeira, Bamburral e parte dos elaborado pela Cepan (RODA e SANTOS, fragmentos de Raboio) ou área de proteção 2005), disponível no endereço eletrônico de mananciais (Barragem das Prensas). www.cepan.org.br (acessado em 8 de A Mata do Raboio é um complexo fevereiro de 2008). de pequenos fragmentos de formatos Para padronizar a caracterização bastante irregulares e de diferentes da vegetação seguiram-se alguns itens da tamanhos, geralmente menores do que Resolução Conama n° 28 de 7 de dezem- 10 ha. Visualmente, é possível perceber o32
  29. 29. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoascorte de madeira, a retirada de lenha e os grota íngreme e no fundo do vale existearrastos de caçadores por toda a área. um açude abastecido pelas nascentes da mata. Esse açude é também utilizado para A Barragem das Prensas apresenta abastecer recipientes para a aplicaçãofragmentos isolados e de diferentes de agrotóxicos. Foram observados váriostamanhos, no entanto, a maioria encontra- tambores vazios ao lado do açude. Essase em estágio inicial de recuperação mata é separada da Mata de Carobas porflorestal. Uma pequena porção de mata, uma grande área de pasto.mais preservada próxima à barragem, écortada por um riacho que se encontra A Mata de Carobas é um fragmentoparcialmente assoreado por entulho das alongado e estreito. Nessa área, foramobras da construção da barragem. Parte observados grande quantidade de lenhada área que margeia a barragem foi cortada e vestígios de retirada de madeira.reflorestada e a vegetação encontra-se Também é bastante freqüentada pornaturalmente em início de regeneração. caçadores. Existe grande tubulação para a captação de água para irrigação que corta A Grota da Cachoeira e Bamburral transversalmente parte da mata. Tantoapresentam árvores altas e, de forma a Varrela quanto a Carobas margeiam ageral, a vegetação tem estrutura mais BR-101 em trecho de trânsito bastantemadura. Foi possível observar árvores movimentado.emergentes e algumas com troncosbastante desenvolvidos. A mata das Fazendas Reunidas é totalmente cercada e existe vigilância permanente. Segundo o proprietário, éUsina Caeté para assegurar que não retirem madeira, pois esse fragmento fica próximo à vila de Os fragmentos visitados na Usina moradores da Fazenda Carobas que estáCaeté foram: Fazenda Varrela (9°42’04. situada a 1 km da BR-101. A mata já foi5”S/36°00’54.4”W), Mata das Carobas I parcialmente cortada, mas encontra-se em(9°42’35.8”S/36°00’09.9”W) e Fazendas estágio avançado de regeneração. ApenasReunidas (9°42’ 2.1”S/36°02’15.4”W). As a área da “Grota do Niquim” apresentaFazendas Reunidas não pertencem à Usina árvores com fisionomia de mata tardia.Caeté, no entanto fazem divisa com parte Nessa grota existem bombas de captaçãoda mata pertencente à Fazenda Carobas de água que funcionam praticamente o diae à Usina Roçadinho. A Fazenda Varrela todo. Um tubo de gasoduto da Petrobraslocaliza-se no município de Pilar, a Fazenda corta a mata em toda a sua extensão.Carobas e Reunidas localizam-se nomunicípio de São Miguel dos Campos. O fragmento da Fazenda Varrela é Usina Coruripeparcialmente protegido, o acesso é restrito Foram visitados dois fragmentosà executiva da Usina Caeté, pois existe da Usina Coruripe, a Mata do Riachãoali um clube de campo. Existem portões (10º00’04’’S/36º17’18’’W), com cercacom cadeados em um dos acessos. A de 460 ha de área, e a Mata de Capiatãmata apresenta boa estrutura com árvores (10º03’32.3’’S/ 36º16’42.8’’W), comemergentes e algumas com troncos cerca de 700 ha de área. A primeirabastante desenvolvidos e, de maneira está localizada entre os municípios degeral, a vegetação apresenta uma estrutura Coruripe e Teotônio Vilela, a segundamais madura. Parte dessa mata é uma no município de Coruripe. Nessas matas 33
  30. 30. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade já houve queimadas e corte seletivo de sofreu um severo corte seletivo cuja madeiras. Em muitas áreas no interior dos madeira foi, entre outros fins, destinada fragmentos, é comum encontrar clareiras ao fornecimento de energia à usina. dominadas por gramíneas. As matas da Felizmente, o fragmento não foi atingido Usina Coruripe apresentam fisionomia em sua totalidade e em grande parte de matas secas devido ao tipo de floresta, apresenta fisionomia típica de mata a Estacional Semidecidual, aliada ao primária, com árvores que ultrapassam estágio de sucessão em que se encontram. 30m de altura e com troncos muito Grande parte da área visitada está em grossos. Toda a extensão da mata está estágio médio-avançado de regeneração. situada sobre um relevo plano. Não Não se observou área de desenvolvimento existem grotas com declividade acentuada mais tardio, no entanto existem muitas como nas outras usinas investigadas. árvores emergentes que chegam a mais A Mata do Matão apresenta de 25 m. mamíferos de grande porte dispersores A Usina Coruripe desenvolve pro- de sementes, como o guariba (Allouata grama de reflorestamento que está viabili- belzebu) e o macaco-prego (Cebus flavius). zando a conexão entre muitos fragmentos, Este último foi recém-redescoberto em entre esses está a conexão de dois grandes matas dos estados da Paraíba, Pernambuco fragmentos na Fazenda Capiatã. e Alagoas (OLIVEIRA e LANGGUTH, Em nenhum dos fragmentos visi- 2006) e também em Porto Rico, uma das tados foram observados indícios de corte oito localidades em que a espécie pode ou retirada de lenha, no entanto, a gerên- ser encontrada. cia da usina é consciente da intrusão de Não existem nascentes de água caçadores nos seus fragmentos florestais. nesse fragmento, no entanto, ao lado de Na Mata do Capiatã, no Sítio Pau- uma das bordas existe um pequeno riacho Brasil, existe uma base avançada da Reser- e um grande açude que é margeado por va da Biosfera da Mata Atlântica. No local vegetação exuberante. O riacho capta são oferecidos cursos de capacitação para água para irrigação do canavial e também professores e aulas de educação ambiental abastece o açude. Entre a mata e a outra para crianças da região. Além disso, é sede margem onde está o açude existe um de uma sementeira de mudas nativas para canal de passagem de vinhoto utilizado na o programa de reflorestamento. fertirrigação do canavial. A usina instalou algumas “pontes de passagem” sob esse canal para os animais conseguirem chegar Usina Porto Rico até o açude. A Mata do Matão foi o único A Mata do Matão é rodeada por remanescente visitado nessa usina estradas, uma delas bastante utilizada (9º46’12’’S/36º14’23’’W), localizada no para o acesso a municípios vizinhos, com município de Campo Alegre e próxima trânsito constante de caminhões e ônibus à Usina Sinimbu, local de um registro não apenas na época de safra. histórico do mutum-de-alagoas. Esse Em parte da mata, é possível fragmento parece ser um dos mais observar muitas clareiras e grande representativos da região, com 1.000 quantidade de árvores podres. Não foi ha de floresta em diferente estágio de encontrado vestígio de retirada de madeira regeneração. Há alguns anos, a mata nem de lenha, no entanto há muitos34
  31. 31. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoasarrastos de caçadores por toda a mata, árvores adultas. Essas áreas onde há corteapesar dessa ser vigiada constantemente seletivo (principalmente perto das vilase existirem placas de alerta e proibição de moradores) estão sendo monitoradasde entrada. e um projeto de recuperação florestal vai ser implementado. São inúmeras as nascentes e riachos no interior da mata,Usina Serra Grande sendo muitas delas perenes. A Mata de Coimbra é o maiorfragmento de mata situado em propriedadede usina na região, e possui cerca de 3.500 Usina Sinimbuha. As coordenadas de referência são: Foram visitadas as matas das fazen-9º00’02.21’’S/35º51’12.51’’W e está das do Prata (9º54’08.7’’S/ 36º08’04.9’’W)localizada no município de Ibateguara. e Riachão (9º56’26.5’’S/36º09’00.7’’W), Vários estudos estão sendo ambas localizadas no município de Jequiádesenvolvidos, em Coimbra, como da Praia. Essas duas áreas encontram-sesubsídio para desenvolver protocolos em estado completo de degradação. Aspara a restauração da Floresta Atlântica grotas antes florestadas encontram-sedo Nordeste. Estudos de identificação parcialmente descobertas, expondo o solode árvores, aves, mamíferos, abelhas e a ações de intempéries. Durante a visitaformigas que fazem parte da dispersão e da equipe de campo, foram observadospredação de sementes, polinização das vários arrastos de caçadores no interiorplantas, herbivoria, produção de frutos das matas, além de árvores cortadas, ca-e sementes e regeneração da floresta já çadores e pessoas apreendendo aves. Nãoestão sendo desenvolvidos, desde o ano havia vigilância ou placas de sinalização2000, por uma equipe de pesquisadores em nenhum dos fragmentos visitados.da UFPE e do Cepan. Na Fazenda do Prata, praticamente Na Mata de Coimbra, há uma toda a área florestada foi cortada edominância de espécies produtoras de posteriormente queimada. Os fragmentosfrutos como Sapotaceae, Annonaceae, se encontram em estágio inicial deMimosaceae, Melastomataceae, etc. No regeneração. O mesmo se observa naentanto, é observado que esses frutos são Fazenda Riachão e em outras áreaspouco consumidos. visitadas brevemente (fazendas Taquari, Cacimbão, Pau Amarelo, Mangabeira e Florística e fisionomicamente, Luziápolis). A Fazenda Mangabeiras foi,a Mata de Coimbra apresenta uma no passado, área de registro do mutum-vegetação exuberante, no entanto existem de-alagoas (PINTO, 1952).áreas na mata (antigos sítios de moradores)que se encontram com a fisionomiabastante alterada e em estágios de Usina Sumaúmaconservação e regeneração diferenciados. Duas matas foram visitadas naExistem locais com fisionomia de floresta Usina Sumaúma, a Mata das Carobasprimitiva, principalmente nos fundos de (9º47’07.9’’S/35º58’49.0’’W), e a Matavale. Grande parte da mata já foi cortada da Fazenda Charles (9º44’24.7’’S/há cerca de 50 anos, mas já se encontram 35º57’00.6’’W), ambas localizadas noem estágio avançado de regeneração. município de Marechal Deodoro.Ainda existe corte seletivo, mas não de 35
  32. 32. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Cerca de 90 ha da Fazenda Usina Triunfo Charles foram transformados em RPPN A Mata do Quebra Carro está como forma de preservar a mata nativa localizada no município de Boca da e as dezenas de nascentes da área. A Mata e as coordenadas de referência são mata encontra-se bastante preservada 9º37’58.5’’S/36º06’44.8’’W. principalmente na área de recreação restrita à executiva da usina, que apresenta um Apresenta uma área de extraordi- dossel relativamente fechado e uniforme nária beleza cênica. No interior da grota com árvores emergentes que ultrapassam há um riacho que passa por várias quedas 20 m. O acesso é restrito e existe portão d’água até desembocar no outro lado da com cadeado na entrada. Localiza-se ao mata. Toda a mata está situada no interior lado da usina, próximo à vila de moradores. de uma grota e possui 400 ha em estágio Aparentemente não há caça ou retirada de médio de regeneração, apresentando, madeira. Existe uma vila nas imediações. também, em muitos pontos, áreas em regeneração inicial. A Mata das Carobas dista aproxi- madamente 20 km da usina. Possui cerca A mata ocupa o fundo do vale de 800 ha e faz divisa com matas de outras e as encostas são bastante íngremes propriedades (Usina Roçadinho). Existem na maior parte da sua extensão, no várias estradas nas proximidades utilizadas entanto, é estreita e várias trilhas cortam principalmente no período de safra, transversalmente a mata que é utilizada algumas estradas margeiam o fragmento. como caminho de trabalhadores durante Foram observadas duas estradas de acesso o período de safra. à mata e apenas uma delas apresentava Segundo informações obtidas portão. na área, o riacho que corta a mata vem A área é parcialmente vigiada, de nascentes do “tabuleiro” situadas na mas não impede que caçadores construam porção mais superior. Eventualmente, esta acampamentos no seu interior. A Mata água pode estar contaminada por resíduos das Carobas é, esporadicamente, alvo de de agrotóxicos e outros insumos utilizados incêndios causados por esses caçadores, na cultura da cana-de-açúcar. Nessa área além disso, muita madeira é retirada das deverá ser construído o Centro de Visita- encostas próximas à estrada. ção do mutum-de-alagoas. A mata, principalmente no fun- do da grota, apresenta uma fisionomia Usina Utinga Leão de mata tardia, com muitas árvores emergentes e grande quantidade de Foram visitados dois grandes epífitas, principalmente bromélias. fragmentos na Usina Utinga Leão: a Mata da Sálvia (9º31’29.57’’S/35º49’32.3’’W) Segundo informações locais, a e a Mata do Cedro (9º31’56.3’’S/ Mata das Carobas pertenceu a uma família 35º54’51.5’’W). Ambas as matas da cidade de Marechal Deodoro que fabri- localizam-se no município de Rio Largo. cava móveis. Pode-se supor, dessa forma, que toda a madeira nobre já tenha sido A Mata da Sálvia situa-se ao lado objeto de alguma exploração nessa mata. do caminho de acesso à usina. É uma A usina assumiu a área em 1975, quando estrada com trânsito constante de carros, ainda havia mutum-de-alagoas nessa loca- ônibus e caminhões. Essa estrada divide lidade (informações de mateiros locais). a mata em duas porções: a parte de mata36
  33. 33. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoasque fica mais próxima à usina tem várias principalmente caçadores, entremtrilhas, facilitando o trânsito de pessoas motorizadas na propriedade. Segundoque as utilizam para cortar caminho até a administração da usina, é possívelo asfalto. Essa mata ainda apresenta linha encontrar nas trilhas armadilhas feitas comde transmissão de energia que corta a canos que funcionam como espingardasmata no sentido transversal. As grotas são improvisadas e de disparo automático.bastante íngremes e muitas delas são de Vários tiros foram ouvidos durante adifícil acesso. visita. Foi possível observar no interior Há uma grande área aberta entre ada mata muita madeira cortada e lenha Mata do Cedro e os outros fragmentos – osretirada, além disso, tiros foram ouvidos canaviais – que estão sendo abandonadosem duas ocasiões. Na borda, observou-se para dar lugar a pastos. Essa região é todamuito lixo que não parecia ser doméstico. cercada e existem várias áreas encharcadasEm uma das grotas foi encontrado um carro (paludosas).sem os vidros, os bancos e as peças. A duplicação da BR-101 em Alagoas Apesar disso, a mata apresenta afetará diretamente a Mata do Cedro,fisionomia de mata madura com árvores necessitando haver acompanhamentoque chegam a 40 m no fundo de algumas por parte dos órgãos públicos sobregrotas, entre elas destaca-se Terminalia os impactos provocados pela obra. Obrasiliensis (mirindiba), bastante rara na projeto executivo, bem como o manejoregião. da faixa de domínio da rodovia, devem ser A Mata do Cedro e outros feitos de forma a minimizar os impactos,fragmentos muito próximos possuem especialmente os referentes à perda1.000 ha. Parte dessa mata já sofreu corte de habitat e fragmentação. Os recursosseletivo e está em plena recuperação. No oriundos de compensação ambientalentanto há grotas com árvores emergentes podem ser direcionados para a recuperaçãoque chamam a atenção. Esse conjunto de das matas localizadas nas áreas de solturafragmentos e a Mata do Cedro são cortados do mutum-de-alagoas. Para a pequenapelo Rio da Conceição, que também passa Mata do Humaitá (não visitada) já houveao lado da usina. No interior das matas, há registro do mutum-de-alagoas. Hoje essavárias nascentes que desembocam nesse mata é um pequeno fragmento.rio e também no açude. Uma tubulaçãode gasoduto da Petrobras corta parte damata. A Mata do Cedro chama a atençãode caçadores pela grande quantidade 5 População emde caça. As cotias (Dasyprocta aguti) sãoabundantes nas estradas e trilhas dentro cativeiro Todos os exemplares de Pauxida mata. mitu conhecidos são oriundos de aves Existe uma estrada que atravessa capturadas pelo criador Pedro Márioa Mata do Cedro, mas o acesso é restrito Nardelli, no final da década de 1970,por causa das correntes e dos cadeados. cujos descendentes encontram-se hojeVárias outras estradas de acesso às matas em dois criadouros no estado de Minasdas proximidades também oferecem essa Gerais. Nardelli narra a história das avesresistência, que é uma forma encontrada em seu livro “A preservação do mutum-de-pela usina de impedir que pessoas, alagoas Mitu mitu”, assim como algumas 37
  34. 34. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade pesquisas que realizou com a espécie de Pauxi mitu, com o restante apresentando quando essas estavam sob sua guarda características que sugerem hibridação (NARDELLI, 1993). O primeiro exemplar com Pauxi tuberosa. da coleção de Nardelli foi obtido em A avaliação fenotípica, com base novembro de 1976, uma fêmea cativa nos caracteres diagnósticos (SILVEIRA proveniente da cidade de São Miguel dos et al., 2004), é ferramenta segura Campos. Segundo o proprietário que doou para identificar os indivíduos de Pauxi a ave, o espécime tinha 6 anos e procedia mitu (GRAU et al., 2003). Entretanto, do município de Roteiro. Essa ave morreu análises genéticas são fundamentais e pouco tempo depois. Em 1979, Nardelli imprescindíveis para indicar os melhores obteve cinco exemplares do mutum-de- pareamentos, visando aumentar a alagoas, dois machos e três fêmeas, sendo variabilidade genética da espécie. que um casal não se reproduziu. Dessa forma, todo o conjunto gênico existente Os métodos utilizados para a da espécie é oriundo de apenas um macho reprodução das aves são diferentes nos e duas fêmeas. dois criadouros, mas ambos utilizam chocadeiras elétricas, retirando os ovos das Em 1990, o criadouro de Pedro fêmeas após a postura. Com a retirada dos Nardelli, no Rio de Janeiro, contava com ovos, as fêmeas são estimuladas a novas 19 exemplares do mutum-de-alagoas, posturas dentro de uma mesma estação sendo que no mesmo ano foi realizado o reprodutiva. Além disso, o criadouro da cruzamento com Pauxi tuberosa. Em 1999 Crax utiliza-se de um único macho para o plantel, que contava com 43 aves, foi fertilizar várias fêmeas, promovendo o transferido do Rio de Janeiro para dois encontro dos casais somente quando criadouros em Minas Gerais, a Fundação esses apresentam sinais que favoreçam Crax, em Contagem, pertencente ao o cruzamento. Dessa forma, a Fundação pesquisador Roberto Azeredo, que Crax obtém mais ovos férteis por fêmea a recebeu 23 indivíduos, e o Criadouro cada estação reprodutiva do que obteria Científico e Cultural Poços de Caldas, em condições normais. Em Poços de em Poços de Caldas, pertencente ao Caldas, as aves são mantidas em casais. pesquisador Moacyr de Carvalho Dias, que recebeu 20 aves. Cinco exemplares A necessidade de se transferir recebidos pela Crax, por problemas físicos algumas aves para outros criadouros, diversos, não serviam para a reprodução diminuindo assim o risco de perda da e o plantel reprodutivo foi constituído população por epidemias foi discutida por 18 aves. A população existente desta nas reuniões do Comitê da espécie. espécie está dividida da seguinte forma: Alguns candidatos, com estrutura para darem continuidade ao programa de Crax: 88 indivíduos, dos quais reprodução são o Zoológico de São Paulo aproximadamente 60% possuem caracte- e o criadouro de cracídeos e tinamídeos rísticas fenotípicas de Pauxi mitu, enquanto pertencente a Centrais Elétricas de São que os outros 40% apresentam fenótipo Paulo (Cesp) em Paraibuna. Os trâmites que reúne características desta espécie para a transferência de alguns indivíduos com Pauxi tuberosa (GRAU et al., 2003). para o Zoológico de São Paulo estão em Criadouro Científico e Cultural andamento. Poços de Caldas: 33 indivíduos, cerca de 75% deles com características fenotípicas38
  35. 35. Parte 2 PLANO DECONSERVAÇÃO
  36. 36. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas 1 Objetivos gerais O objetivo deste plano de ação é assegurar permanentemente a manutençãodas populações em cativeiro de Pauxi mitu, promover o aumento tanto do efetivopopulacional quanto do número de populações e propiciar a reintrodução da espécienos remanescentes florestais dentro de sua provável área de distribuição original. Paraque essas metas sejam atingidas são propostos diversos objetivos específicos dentrode diferentes áreas temáticas, conforme descrito abaixo.2 Objetivos sobre o programa de conservação da espécie. específicos Os prazos para que cada objetivo específico seja alcançado possuem seis Cada objetivo específico recebeu níveis:um nível de prioridade, um prazo e uma Imediato: um objetivo específico queindicação dos possíveis atores envolvidos deve ser alcançado no prazo de 1para a execução. ano; A escala de prioridades indicaa relevância qualitativa dos objetivos Curto: um objetivo específico quepara a conservação da espécie e possui deve ser alcançado no prazo de 1 aquatro itens: 3 anos; Fundamental: um objetivo específico Médio: um objetivo específico que cujo cumprimento é indispensável deve ser alcançado no prazo de 1 a para o programa de conservação da 5 anos; espécie; Longo: um objetivo específico que Alta: um objetivo específico cujo deve ser alcançado no prazo de 1 a cumprimento provoca alto impacto 10 anos; sobre o programa de conservação da Contínuo: um objetivo específico que, espécie; uma vez iniciado, deve perdurar durante Média: um objetivo específico cujo todo o programa de conservação; cumprimento provoca médio impacto Completo: um objetivo específico sobre o programa de conservação da que já tenha sido alcançado durante espécie; a preparação deste plano de ação (as Baixo: um objetivo específico cujo ações associadas a esses objetivos podem cumprimento provoca baixo impacto necessitar de revisão, dependendo das circunstâncias futuras). 41
  37. 37. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Os objetivos específicos estão o monitoramento do cumprimento da divididos nas seguintes áreas: referida lei. 2.1 Políticas públicas e legislação; Prioridade: fundamental. 2.2 Proteção da espécie e seu habitat; Prazo: contínuo. 2.3 Pesquisas; Atores: ONGs, instituições de ensino 2.4 Manejo das populações em e pesquisa, IMA/AL, ICMBio, Ibama, cativeiro. MMA, IMA/AL, CPRH, Oemas. 2.1.4 Assegurar que a análise, licenciamento 2.1 Políticas públicas e e aprovação de empreendimentos legislação econômicos desenvolvidos na área de provável reintrodução de Pauxi mitu 2.1.1 Incentivar a adoção de instrumentos contemplem medidas mitigadoras e socioeconômicos voltados para a proteção compensatórias que gerem benefícios dos remanescentes de habitat como, por para a conservação desta e de outras exemplo, ICMS ecológico, Royalties de espécies ameaçadas. carbono, etc. Prioridade: fundamental. Prioridade: alta. Prazo: contínuo. Prazo: contínuo. Atores: Ministério Público, ICMBio, Atores: Poder legislativo com gestão do Ibama, MMA, IMA/AL, CPRH, ICMBio e MMA. Oemas. 2.1.2 Exigir o cumprimento da Lei nº 2.1.5 Modificar a Lei de Crimes Ambien- 4.771/65 (Código Florestal) e seus com- tais de modo a considerar a caça, a cap- plementos em toda a área de distribuição tura ou o comércio de animais silvestres original da espécie, havendo a obrigato- como infração gravíssima sujeita à prisão riedade da averbação das áreas de reserva sem fiança. legal e de preservação permanente como Prioridade: fundamental. condicionante para a obtenção de finan- ciamentos públicos e qualquer autoriza- Prazo: imediato. ção ou licenciamento requeridos. Atores: Poder legislativo com gestão Prioridade: fundamental. do Ministério Público, IMA/AL, CPRH, ICMBio, Ibama, MMA. Prazo: contínuo. Atores: Ministério Público, Poder 2.1.6 Elaborar e implementar o zone- legislativo, Ibama, MMA, IMA/AL, amento econômico-ecológico para os CPRH, Oemas. estados de Alagoas e Pernambuco. Prioridade: fundamental. 2.1.3 Elaborar mapeamento das áreas de reserva legal e APPs, constituídas pela Prazo: médio. Lei nº 4.771/65, na região potencial de reintrodução de Pauxi mitu, visando Atores: IMA/AL, CPRH, Oemas.42
  38. 38. Plano de Ação para a Conservação do Mutum-de-Alagoas2.2 Proteção da espécie e seu 2.2.5 Implementar programas de recuperação da vegetação nos locais habitat potenciais de reintrodução de Pauxi mitu.2.2.1 Incentivar e apoiar a criação deRPPNs nas áreas de potencial ocorrência Prioridade: alta.de Pauxi mitu. Prazo: contínuo. Prioridade: alta. Atores: proprietários de fragmentos Prazo: contínuo. florestais, ONGs, Oemas, ICMBio. Atores: ONGs, ICMBio, Oemas. 2.2.6 Criação de corredores entre fragmentos de floresta dentro da área2.2.2 Investir em melhorias de infra- potencial de distribuição do Pauxi mitu.estrutura e de pessoal nas unidades deconservação potenciais para a reintrodução Prioridade: fundamental.de Pauxi mitu, especialmente no que se Prazo: contínuo.refere à fiscalização. Atores: proprietários das áreas de Prioridade: fundamental. interesse, ONGs, Oemas, Ibama, Prazo: contínuo. ICMBio. Atores: ONGs, Proprietários de RPPNs, Oemas, Ibama, ICMBio. 2.3 Pesquisas2.2.3 Implementar efetivamente a Estação 2.3.1 Realizar estudos fenológicos,Ecológica Murici, em especial a regulari- fitossociológicos e faunísticos noszação fundiária, fiscalização e elaboração fragmentos potenciais para reintroduçãodo plano de manejo. do Pauxi mitu. Prioridade: alta. Prioridade: fundamental. Prazo: médio. Prazo: médio. Atores: Ministério Público, ICMBio. Atores: instituição de ensino e pesquisa, ONGs, ICMBio.2.2.4 Estabelecer programas específicosde educação ambiental nos municípios 2.3.2 Fomentar e desenvolver pesquisasonde há fragmentos importantes para a visando melhorar a manutenção e areintrodução do Pauxi mitu. reprodução em cativeiro do Pauxi mitu. Prioridade: alta. Prioridade: fundamental. Prazo: contínuo. Prazo: imediato. Atores: ONGS, secretarias de educação, Atores: MMA, ICMBio, MCT, CNPq, instituições de ensino e pesquisa, ONGs, mantenedores, instituições de ICMBio. ensino e pesquisa. 43

×