DO DISCURSO MONOLÓGICO DA CONSCIÊNCIA AOS GÊNEROS DO DISCURSO

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Importância epistemológica da concepção dialógica
e da concepção de gêneros do discurso em Bakhtin;
• Implicações e consequências para a vida
comunitária (ética);
• Gêneros do discurso  unidade de conhecimento
que só faz sentido como prática social;
• Implicações com relação à relevância dos gêneros
nos atos cotidianos (ênfase para os de caráter
profissional);
• Experiências de sucesso e de fracasso,
consideradas as categorias pragmáticas da
arquitetônica de Bakhtin.

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DO DISCURSO MONOLÓGICO DA CONSCIÊNCIA AOS GÊNEROS DO DISCURSO

  1. 1. DO DISCURSO MONOLÓGICO DADO DISCURSO MONOLÓGICO DACONSCIÊNCIA AOS GÊNEROS DOCONSCIÊNCIA AOS GÊNEROS DODISCURSODISCURSOMaria Marta FurlanettoMaria Marta FurlanettoUNISULUNISUL –– SCSC –– BrasilBrasil
  2. 2. SínteseSíntese•• Importância epistemológica da concepção dialógicaImportância epistemológica da concepção dialógicae da concepção de gêneros do discurso em Bakhtin;e da concepção de gêneros do discurso em Bakhtin;•• Implicações e consequências para a vidaImplicações e consequências para a vidacomunitária (ética);comunitária (ética);•• Gêneros do discursoGêneros do discurso unidade de conhecimentounidade de conhecimentoque só faz sentido como prática social;que só faz sentido como prática social;•• Gêneros do discursoGêneros do discurso unidade de conhecimentounidade de conhecimentoque só faz sentido como prática social;que só faz sentido como prática social;•• Implicações com relação à relevância dos gênerosImplicações com relação à relevância dos gênerosnos atos cotidianos (ênfase para os de caráternos atos cotidianos (ênfase para os de caráterprofissional);profissional);•• Experiências de sucesso e de fracasso,Experiências de sucesso e de fracasso,consideradas as categorias pragmáticas daconsideradas as categorias pragmáticas daarquitetônica de Bakhtin.arquitetônica de Bakhtin.
  3. 3. IntroduçãoIntrodução•• Princípio:Princípio:•• O contexto histórico e epistemológico emO contexto histórico e epistemológico emque foi gerada a abordagem dialógica daque foi gerada a abordagem dialógica dalinguagem é uma tela (ou teia) a olhar comlinguagem é uma tela (ou teia) a olhar comlinguagem é uma tela (ou teia) a olhar comlinguagem é uma tela (ou teia) a olhar comatenção para que se compreenda aatenção para que se compreenda asignificância da concepção estendida designificância da concepção estendida degêneros do discurso em Bakhtin e seugêneros do discurso em Bakhtin e seuCírculo e implicações e consequências paraCírculo e implicações e consequências paraa vida comunitáriaa vida comunitária..
  4. 4. IntroduçãoIntrodução•• Objetivo:Objetivo:•• Na interface daNa interface da cultura vividacultura vivida, compreender, compreenderos laços em sua materialidade; trabalhar oos laços em sua materialidade; trabalhar odistanciamento e a aproximação do outrodistanciamento e a aproximação do outrodistanciamento e a aproximação do outrodistanciamento e a aproximação do outro(sujeito), materializando o movimento de(sujeito), materializando o movimento deescuta para compreensão, e retorno para aescuta para compreensão, e retorno para amanutenção de duas consciênciasmanutenção de duas consciências(compreender o outro sem assimilar(compreender o outro sem assimilar--se ase aele).ele).
  5. 5. IntroduçãoIntrodução•• [...] viver significa ocupar uma posição[...] viver significa ocupar uma posiçãoaxiológica em cada momento da vida,axiológica em cada momento da vida,significa firmarsignifica firmar--se axiologicamente.se axiologicamente.(Bakhtin)(Bakhtin)(Bakhtin)(Bakhtin)•• A palavra do outro coloca diante doA palavra do outro coloca diante doindivíduo a tarefa especial deindivíduo a tarefa especial decompreendêcompreendê--la... (Bakhtin)la... (Bakhtin)
  6. 6. Fragmentos de um mosaicoFragmentos de um mosaico•• As relações “teoria/prática” e o modoAs relações “teoria/prática” e o modopolíticopolítico--social de vivêsocial de vivê--las:las:•• A “teoria” não é senão uma prática (práticaA “teoria” não é senão uma prática (prática•• A “teoria” não é senão uma prática (práticaA “teoria” não é senão uma prática (práticateórica). Aqueles que estão concernidos porteórica). Aqueles que estão concernidos poruma teoria têm de falar por si própriosuma teoria têm de falar por si próprios –– essaessaé a forma de contornar e impedir que o poderé a forma de contornar e impedir que o poderse torne absoluto (e silencie).se torne absoluto (e silencie).(Foucault/Deleuze, Microfísica do poder)(Foucault/Deleuze, Microfísica do poder)
  7. 7. Fragmentos de um mosaicoFragmentos de um mosaico•• Formação do Cristianismo e monologismo:Formação do Cristianismo e monologismo:•• Critérios básicos da Igreja Católica para considerarCritérios básicos da Igreja Católica para consideraralguém um cristão: fazer a confissão do Credo,alguém um cristão: fazer a confissão do Credo,aceitar o batismo, participar do culto, obedecer àaceitar o batismo, participar do culto, obedecer àhierarquia da Igreja e acreditar na verdadehierarquia da Igreja e acreditar na verdadehierarquia da Igreja e acreditar na verdadehierarquia da Igreja e acreditar na verdadeproveniente dos apóstolos e legada pela Igreja.proveniente dos apóstolos e legada pela Igreja.•• Reforma Protestante e ContraReforma Protestante e Contra--Reforma católica:Reforma católica:protestantes e católicos diminuíram o importanteprotestantes e católicos diminuíram o importantepapel dapapel da comunidadecomunidade, tornando mais fácil para a, tornando mais fácil para aigreja e o estado um controle mais direto doigreja e o estado um controle mais direto doindivíduo (Helen Ellerbe, 1995).indivíduo (Helen Ellerbe, 1995).
  8. 8. Fragmentos de um mosaicoFragmentos de um mosaico•• Monologismo.Monologismo.•• “Do ponto de vista da verdade não há consciências“Do ponto de vista da verdade não há consciênciasindividuais. O único princípio de individualizaçãoindividuais. O único princípio de individualizaçãoque o idealismo conhece é oque o idealismo conhece é o erro.erro.” (Bakhtin).” (Bakhtin).•• A forma monológica de percepção de conhecimentoA forma monológica de percepção de conhecimentoe da verdade surge quando “a consciência ée da verdade surge quando “a consciência écolocada acima do ser e a unidade do ser secolocada acima do ser e a unidade do ser seconverte em unidade da consciência” (Bakhtin):converte em unidade da consciência” (Bakhtin):•• Imagens do “eu absoluto”, “consciência em geral”,Imagens do “eu absoluto”, “consciência em geral”,“espírito absoluto”“espírito absoluto” –– formas metafísicas, eclipsandoformas metafísicas, eclipsandoa individualidade e a interatividade (heteroglossia).a individualidade e a interatividade (heteroglossia).
  9. 9. Fragmentos de um mosaicoFragmentos de um mosaico•• BakhtinBakhtin a linguagem mantém a união daa linguagem mantém a união dacomunidade, que é sua materialidade, umacomunidade, que é sua materialidade, umaprática, um compromisso dentro dasprática, um compromisso dentro dascomunidades.comunidades.•• Uma identidade não se representa comoUma identidade não se representa como“mesmidade”, mas como simultaneidade. O“mesmidade”, mas como simultaneidade. Odiálogo reúne “diferenças simultâneas”diálogo reúne “diferenças simultâneas”(várias consciências).(várias consciências).
  10. 10. Fragmentos de um mosaicoFragmentos de um mosaico•• Peças do mosaicoPeças do mosaico mostram o traçomostram o traçododo impedimento impostoimpedimento imposto (teórico e(teórico epragmático) que os contextospragmático) que os contextosideológicos institucionais expressam.ideológicos institucionais expressam.ideológicos institucionais expressam.ideológicos institucionais expressam.O trabalho é orientado para oO trabalho é orientado para omonologismo, o formalismo, omonologismo, o formalismo, oidealismo.idealismo.•• Tendência de superação.Tendência de superação.
  11. 11. O programa de BakhtinO programa de Bakhtin•• Virada bakhtiniana:Virada bakhtiniana:•• “saída da“saída da filosofia da consciência paraparauma mais abrangente compreensão douma mais abrangente compreensão dodiscurso” (Hebeche)” (Hebeche) a língua em suaa língua em suaintegridade concreta e viva.integridade concreta e viva.integridade concreta e viva.integridade concreta e viva.•• DiscursoDiscurso “posições de diferentes“posições de diferentessujeitos”.sujeitos”.•• Uma consequência: o enunciado ganha umUma consequência: o enunciado ganha umautorautor (a palavra do líder, a palavra do juiz, a(a palavra do líder, a palavra do juiz, apalavra do mestre, a palavra do pai, etc.)palavra do mestre, a palavra do pai, etc.)nas formas dosnas formas dos gênerosgêneros..
  12. 12. O programa de BakhtinO programa de Bakhtin•• O caráterO caráter comunalidadecomunalidade –– paraparacompreender a extensão do conceitocompreender a extensão do conceitode gênero.de gênero.•• Comunidades ganham existênciaComunidades ganham existência porpor•• Comunidades ganham existênciaComunidades ganham existência porpormeio de e por causa da linguagem.meio de e por causa da linguagem.–– a) que espécie de comunidades estãoa) que espécie de comunidades estãoenvolvidas?envolvidas?–– b) o que significa ser membro delas?b) o que significa ser membro delas?(Wertsch)(Wertsch)
  13. 13. O programa de BakhtinO programa de Bakhtin•• Comunidade implícitaComunidade implícita (A)e(A)e comunidadecomunidadeimaginadaimaginada (B)(B) –– fundadas na mediaçãofundadas na mediaçãosemiótica. (Wertsch)semiótica. (Wertsch)•• A) congrega sujeitos com um conjunto deA) congrega sujeitos com um conjunto deferramentas comum, mesmo inconscientemente;ferramentas comum, mesmo inconscientemente;ferramentas comum, mesmo inconscientemente;ferramentas comum, mesmo inconscientemente;não há esforço para criar ou reproduzir anão há esforço para criar ou reproduzir acomunidade.comunidade.•• B)B) congrega sujeitos quecongrega sujeitos que usam instrumentos parausam instrumentos parareconhecimento mútuo dos membros (símbolos,reconhecimento mútuo dos membros (símbolos,senhas, elementos gestuais e um sistemasenhas, elementos gestuais e um sistemasemiótico).semiótico).
  14. 14. O programa de BakhtinO programa de Bakhtin•• Diferença principalDiferença principal papel e funçãopapel e funçãodos instrumentos culturais envolvidos.dos instrumentos culturais envolvidos.•• Comunidade imaginadaComunidade imaginada•• Comunidade imaginadaComunidade imaginada projetaprojetainstrumentos para o reconhecimento einstrumentos para o reconhecimento ereprodução de um grupo social;reprodução de um grupo social;cimenta as relações dentro do grupocimenta as relações dentro do grupoem vista de metas específicas.em vista de metas específicas.
  15. 15. O programa de BakhtinO programa de Bakhtin•• “Em sua análise da multivocalidade“Em sua análise da multivocalidade[…], ele [Bakhtin] focalizou a[…], ele [Bakhtin] focalizou adiferenciação e a estratificação quediferenciação e a estratificação quediferenciação e a estratificação quediferenciação e a estratificação quedistinguem variadas comunidades dedistinguem variadas comunidades delinguagem antes que amarraslinguagem antes que amarrasgenéricas que unem pessoas em umgenéricas que unem pessoas em umgrupo homogêneo, “monológico”.grupo homogêneo, “monológico”.(Wertsch)(Wertsch)
  16. 16. O programa de BakhtinO programa de Bakhtin•• Construtos de Bakhtin, empiricamenteConstrutos de Bakhtin, empiricamenteassociadosassociados::–– a)a) linguagens sociaislinguagens sociais, diferenciando grupos de, diferenciando grupos defalantes por seu estrato (profissional ou outro) emfalantes por seu estrato (profissional ou outro) emdado tempo e lugar (professores, matemáticos,dado tempo e lugar (professores, matemáticos,dado tempo e lugar (professores, matemáticos,dado tempo e lugar (professores, matemáticos,físicos, japoneses, mulheres, europeus...);físicos, japoneses, mulheres, europeus...);–– b)b) gêneros do discursogêneros do discurso, que diferenciam, que diferenciamsituações específicas e contextos de fala.situações específicas e contextos de fala.(Wertsch)(Wertsch)•• Linguagens sociais e gêneros do discursoLinguagens sociais e gêneros do discurso“modelos tipológicos de construção da totalidade“modelos tipológicos de construção da totalidadediscursiva” (crenças sociais/sistemas verbaisdiscursiva” (crenças sociais/sistemas verbaisideológicos).ideológicos).
  17. 17. O programa de BakhtinO programa de Bakhtin•• Gêneros enfatizam aGêneros enfatizam a multiplicidademultiplicidade, não a, não aessencialidade, a mesmidade doessencialidade, a mesmidade docomportamento de um indivíduo ou grupo.comportamento de um indivíduo ou grupo.•• Indivíduos ou grupos não possuem atributoIndivíduos ou grupos não possuem atributoinerente causador de seu modo de pensar ouinerente causador de seu modo de pensar oufalar.falar.inerente causador de seu modo de pensar ouinerente causador de seu modo de pensar oufalar.falar.•• FocoFoco processos contextuais envolvidosprocessos contextuais envolvidosna produção dos enunciadosna produção dos enunciados relevânciarelevânciada incorporação da noção deda incorporação da noção de gêneros dogêneros dodiscurso,discurso, integrada nasintegrada nas comunidades decomunidades dediscursodiscurso..
  18. 18. Corpo, gestos, subgestos,Corpo, gestos, subgestos,subtonssubtons•• Enunciado verbalEnunciado verbal implica:implica:•• A) compreensão e resposta,A) compreensão e resposta,•• B) tem como complemento elementos extraverbais,B) tem como complemento elementos extraverbais,e a resposta esperada também: o gesto, o sorriso, oe a resposta esperada também: o gesto, o sorriso, omovimento de mão, de cabeça...movimento de mão, de cabeça...movimento de mão, de cabeça...movimento de mão, de cabeça...•• Orientação social do enunciadoOrientação social do enunciado “força viva” que“força viva” quedetermina, em última análise, a forma estilística e adetermina, em última análise, a forma estilística e aestrutura gramatical do enunciadoestrutura gramatical do enunciado –– nos gêneros.nos gêneros.•• Criador de literatura criaCriador de literatura cria as falasas falas dos personagensdos personagensEE suas “maneiras”suas “maneiras” (boas e más)(boas e más) expressãoexpressãogestual da orientação social do enunciadogestual da orientação social do enunciado(Voloshinov).(Voloshinov).
  19. 19. Corpo, gestos, subgestos,Corpo, gestos, subgestos,subtonssubtons•• O nãoO não--verbalverbal acento apreciativo: gestos,acento apreciativo: gestos,subgestos, subtons...subgestos, subtons...•• José Saramago (José Saramago (O homem duplicadoO homem duplicado):):•• “a verdade inteira [...] reclama que estejamos“a verdade inteira [...] reclama que estejamosatentos à cintilação múltipla dos subgestosatentos à cintilação múltipla dos subgestosatentos à cintilação múltipla dos subgestosatentos à cintilação múltipla dos subgestosque vão atrás do gesto como a poeiraque vão atrás do gesto como a poeiracósmica vai atrás da cauda do cometa,cósmica vai atrás da cauda do cometa,porque esses subgestos [...] são como asporque esses subgestos [...] são como asletrinhas pequenas do contrato, que dãoletrinhas pequenas do contrato, que dãotrabalho a decifrar, mas estão lá.”trabalho a decifrar, mas estão lá.”
  20. 20. Corpo, gestos, subgestos,Corpo, gestos, subgestos,subtonssubtons•• Do gesto do corpo aosDo gesto do corpo aos gestosgestosdiscursivosdiscursivos: gesto de leitura, de: gesto de leitura, deescrita, de interpretação.escrita, de interpretação.•• GestoGesto movimento, atitude, quemovimento, atitude, queirrompe desde que se entre numirrompe desde que se entre numprocesso discursivo. Gesto sempreprocesso discursivo. Gesto sempresignifica.significa.
  21. 21. Corpo, gestos, subgestos,Corpo, gestos, subgestos,subtonssubtons•• Saramago, por seu narrador, preconizaSaramago, por seu narrador, preconizaa área de estudo dosa área de estudo dos subgestossubgestos::•• “[...] o estudo, a identificação e a“[...] o estudo, a identificação e a•• “[...] o estudo, a identificação e a“[...] o estudo, a identificação e aclassificação dos subgestos” comoclassificação dos subgestos” como“um dos mais fecundos ramos da“um dos mais fecundos ramos daciência semiológica em geral.”ciência semiológica em geral.”
  22. 22. Corpo, gestos, subgestos,Corpo, gestos, subgestos,subtonssubtons•• Bakhtin:Bakhtin:•• “Papel excepcional do tom. [...] O“Papel excepcional do tom. [...] Oaspecto menos estudado da vida doaspecto menos estudado da vida dodiscurso. Não é o mundo dos tropos,discurso. Não é o mundo dos tropos,discurso. Não é o mundo dos tropos,discurso. Não é o mundo dos tropos,porém o mundo dos tons e matizesporém o mundo dos tons e matizespessoais [...]”.pessoais [...]”.•• Tom determinado “pela relação doTom determinado “pela relação dofalante com a pessoa do interlocutorfalante com a pessoa do interlocutor(com sua categoria, importância, etc.)”.(com sua categoria, importância, etc.)”.
  23. 23. Corpo, gestos, subgestos,Corpo, gestos, subgestos,subtonssubtons•• Subtons (e subgestos)Subtons (e subgestos) produzidos eproduzidos erefinados com recursos verbais e nãorefinados com recursos verbais e não--verbais (incluindo as formulaçõesverbais (incluindo as formulaçõesmetafóricas), tendo como resultado camadasmetafóricas), tendo como resultado camadasde variação de sentido cujos vetores podemde variação de sentido cujos vetores podemser múltiplos.ser múltiplos.•• Não somos apenasNão somos apenas seresseres--dede--linguagemlinguagem, mas, masseresseres--dede--linguagemlinguagem--com.com.
  24. 24. A rede de relações pedagógicas:A rede de relações pedagógicas:conhecimento e éticaconhecimento e ética•• Consequências pedagógicasConsequências pedagógicas aa“conversação” educacional“conversação” educacional•• A)A) Ensino sem compreensãoEnsino sem compreensão?? critériocritério•• A)A) Ensino sem compreensãoEnsino sem compreensão?? critériocritérioexterno e falso do conhecimentoexterno e falso do conhecimento ritualritualsem sentido.sem sentido.•• “A palavra quer ser ouvida, entendida,“A palavra quer ser ouvida, entendida,respondida e mais uma vez responder àrespondida e mais uma vez responder àresposta, e assim ad infinitum.” (Bakhtin).resposta, e assim ad infinitum.” (Bakhtin).
  25. 25. A rede de relações pedagógicas:A rede de relações pedagógicas:conhecimento e éticaconhecimento e ética•• [...] trata[...] trata--se de colocar o outro comose de colocar o outro comoimprescindível dentro de umaimprescindível dentro de umaarquitetônica dialogicamentearquitetônica dialogicamenteestruturada que encontra expressão naestruturada que encontra expressão naestruturada que encontra expressão naestruturada que encontra expressão nasua palavra e que requer da parte do eusua palavra e que requer da parte do eua posição de calar e escutar, quea posição de calar e escutar, querequer uma posição de nãorequer uma posição de não--indiferençaindiferençade participação, de compreensãode participação, de compreensãorespondente. (Ponzio, sobre Bakhtin)respondente. (Ponzio, sobre Bakhtin)
  26. 26. A rede de relações pedagógicas:A rede de relações pedagógicas:conhecimento e éticaconhecimento e ética•• Em contraposição a um todo mecânico,Em contraposição a um todo mecânico,“um todo arquitetônico é imbuído da“um todo arquitetônico é imbuído daunidade advinda do sentido, estandounidade advinda do sentido, estandounidade advinda do sentido, estandounidade advinda do sentido, estandosuas partes articuladas internamente,suas partes articuladas internamente,de um modo relacional que as tornade um modo relacional que as tornainterligadas e não alheias umas àsinterligadas e não alheias umas àsoutras, isto é, constitutivamente”outras, isto é, constitutivamente”(Sobral).(Sobral).
  27. 27. A rede de relações pedagógicas:A rede de relações pedagógicas:conhecimento e éticaconhecimento e ética•• “A verdade sobre o homem na boca“A verdade sobre o homem na bocados outros, nãodos outros, não--dirigida a ele pordirigida a ele pordiálogo, ou seja, uma verdade à revelia,diálogo, ou seja, uma verdade à revelia,transformatransforma--se em mentira que ose em mentira que otransformatransforma--se em mentira que ose em mentira que ohumilha e mortifica caso esta lhe afetehumilha e mortifica caso esta lhe afeteo ‘santuário’, isto é, o ‘homem noo ‘santuário’, isto é, o ‘homem nohomem’” [capaz de significarhomem’” [capaz de significar--se a sise a simesmo, para o outro (enlaçamento demesmo, para o outro (enlaçamento deconsciências)]. (Bakhtin)consciências)]. (Bakhtin)
  28. 28. A rede de relações pedagógicas:A rede de relações pedagógicas:conhecimento e éticaconhecimento e ética•• “Para a palavra (e“Para a palavra (econsequentemente para oconsequentemente para ohomem) não existe nada maishomem) não existe nada maishomem) não existe nada maishomem) não existe nada maisterrível do que aterrível do que airresponsividadeirresponsividade” (Bakhtin).” (Bakhtin).
  29. 29. A rede de relações pedagógicas:A rede de relações pedagógicas:conhecimento e éticaconhecimento e ética•• B) Complemento de (A):B) Complemento de (A): captação doscaptação dossubgestos e dos subtonssubgestos e dos subtons na relaçãona relaçãoprofessor/aluno, nas trocas didáticasprofessor/aluno, nas trocas didáticas(ethos)(ethos)(ethos)(ethos)•• –– em suma, apreciação valorativaem suma, apreciação valorativaatravessando a linguagem verbal e asatravessando a linguagem verbal e asoutras modalidades de expressãooutras modalidades de expressão(atividades pedagógicas em presença).(atividades pedagógicas em presença).
  30. 30. A rede de relações pedagógicas:A rede de relações pedagógicas:conhecimento e éticaconhecimento e ética•• Relações pedagógicas :Relações pedagógicas :•• váriosvários euseus para os quais ospara os quais os outrosoutrossão necessários e ao mesmo temposão necessários e ao mesmo tempodiferentes, ou desconhecidos, oudiferentes, ou desconhecidos, oudiferentes, ou desconhecidos, oudiferentes, ou desconhecidos, ouestranhos e mesmo inimigosestranhos e mesmo inimigosameaçadores (o que todo professorameaçadores (o que todo professorpode ser, aos olhos dos alunos que jápode ser, aos olhos dos alunos que jáconsumiram estereótipos, e estudantesconsumiram estereótipos, e estudantespodem ser entre si).podem ser entre si).
  31. 31. A rede de relações pedagógicas:A rede de relações pedagógicas:conhecimento e éticaconhecimento e ética•• Duas vertentes e consequências associadas:Duas vertentes e consequências associadas:•• A) Compreender esses elementos em funçãoA) Compreender esses elementos em funçãoda responsabilidade de uma parte e outra noda responsabilidade de uma parte e outra noprocesso de interação para formaçãoprocesso de interação para formaçãoprocesso de interação para formaçãoprocesso de interação para formaçãoespecífica;específica;•• B) Mostrar o funcionamento desses gestos eB) Mostrar o funcionamento desses gestos etons para o relacionamento humano notons para o relacionamento humano nomundo da cultura e da vida, especialmentemundo da cultura e da vida, especialmentese pessoas estão sendo formadas parase pessoas estão sendo formadas paraserem formadoras.serem formadoras.
  32. 32. Considerações...Considerações...•• Não tratei dos gêneros em suaNão tratei dos gêneros em suasingularidade nas esferas sociais.singularidade nas esferas sociais.Quis, antes, atribuirQuis, antes, atribuir--lhes sentidolhes sentidoteórico e metodológico, tirarteórico e metodológico, tirar--lhes alhes ateórico e metodológico, tirarteórico e metodológico, tirar--lhes alhes aeventual avaliação de apenas “sereventual avaliação de apenas “sermodismo”.modismo”.
  33. 33. Considerações...Considerações...•• A atitude monológica diante de sujeitos nãoA atitude monológica diante de sujeitos nãotratados como interlocutores sufoca otratados como interlocutores sufoca odirecionamento ao outro e a expectativa dedirecionamento ao outro e a expectativa deresposta (alternância) e as ressonânciasresposta (alternância) e as ressonânciasdialógicas sobre o que foi enunciadodialógicas sobre o que foi enunciadodialógicas sobre o que foi enunciadodialógicas sobre o que foi enunciadoanteriormente, produzindo o efeito de merasanteriormente, produzindo o efeito de merasparáfrases que lembram a natureza daparáfrases que lembram a natureza daoraçãooração (tratamento meramente lingüístico). O(tratamento meramente lingüístico). Oprojeto de dizerprojeto de dizer é malogrado, porque seé malogrado, porque sedesliga a língua da vida circundante, e a vidadesliga a língua da vida circundante, e a vidanão pode insinuarnão pode insinuar--se na língua.se na língua.

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