ELABORADO DE ACORDO COM O REFERENCIAL CURRICULAR                ESCOLA ESTADUAL LINO VILLACHÁ
             DO ENSINO MÉDIO / SED/MS

                                                                       OLÍVIO MANGOLIM




                                                                  VAMOS FILOSOFAR:
                 OLÍVIO MANGOLIM                              “ENSAIOS DE INTRODUÇÃO À FILOSOFIA”
Possui LICENCIATURA PLENA EM FILOSOFIA pela
                                                               “DE COMO SE DÁ O DESVELAMENTO E A
PONTÍFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ (1981)
e CURSO INSTITUCIONAL DE TEOLOGIA pelo STUDIUM               INTERVENÇÃO NA REALIDADE PELA RAZÃO
THEOLOGICUM agregado à PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE                             CIENTÍFICA”
CATÓLICA DO PARANÁ (1985). É MESTRE em Educação
pela UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO (1999).
Atualmente é presidente do INSTITUTO TÉCNICO JURÍDICO        CONTEÚDO PARA 2º ANO DO ENSINO MÉDIO
E EDUCATIVO. Tem experiência na área de Educação, com
ênfase na Área de Concentração: EDUCAÇÃO ESCOLAR e
FORMAÇÃO DE PROFESSORES, atuando principalmente
nos seguintes temas: a questão indígena e o
desenvolvimento regional, Educação Indígena, sociedade e
índios. É professor de Filosofia e Sociologia, Geografia e
História na Escola Estadual Lino Villachá do Bairro Nova
Lima em Campo Grande/MS.
      olívio-m@hotmail.com ou olivio2009@gmail.com
              (067) 3354-9265 – (067) 9284-0544                  CAMPO GRANDE, ABRIL DE 2010
A EDUCAÇÃO PARA TODOS
                                                                                       E TODOS PELA EDUCAÇÃO

FILOSOFAR PODE SER USADO COM TRÊS SIGNIFICADOS                               "Não há mestre que não possa ser aluno” (Baltazar Gracián).
                              DISTINTOS:
•       Como simples sinônimo de pensar. Doenças ou morte de
                                                                               “Não se transforma o Homem em verdadeiro cidadão com
        pessoas próximas, decepções, perdas irreparáveis... Fazem-
                                                                          processos educativos repressivos ou de dominação. Nem
        nos pensar (filosofar) sobre o sentido de nossa vida.
                                                                          tampouco com processos educativos altamente libertadores
•       Como sinônimo de “saber viver”. Aqui, filosofar é viver com
                                                                          sendo manipulados por pessoas dominadoras e repressivas.
        sabedoria. O sábio é aquele que se torna um exemplo vivo das
                                                                          Verdadeiros processos educativos que visem a transformação
        virtudes apreciadas em uma sociedade e é tomado como ponto
                                                                          da sociedade em que vivemos, necessariamente, advirão de
        de referência para fortalecer o valor das tradições vigentes. É
                                                                          experiências de grupos    concretos, onde o processo da
        nesse sentido que as sabedorias orientais são também
                                                                          construção dessa experiência de verdadeiros cidadãos, seja
        chamadas “filosofias”.
                                                                          coletivo, tanto na formação dos educadores quanto dos
•       Como “filosofar propriamente dito”, que teve início da
                                                                          educandos, no caso, o cidadão brasileiro em geral” (Olívio
        Grécia, em torno dos séculos VI e V a.C.
                                                                          Mangolim).
    •    PARA OS PRIMEIROS FILÓSOFOS: A RAZÃO É O ÚNICO
             INSTRUMENTO PARA LER E INTERPRETAR A
                          REALIDADE.
É POSSÍVEL ACREDITAR NAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS, E,
      QUE, A ÉTICA VALE MAIS QUE O CONHECIMENTO                                                                       SUMÁRIO
    Ultimamente, tenho concentrado grande parte do meu tempo a ler, um
autor, HOWARD GARDNER, pois ele tem se dedicado a estudar como o
pensamento se organiza.
    Para o autor não é admissível que continuemos a medir a inteligência só
pelo raciocínio lógico-matemático, geralmente o mais valorizado na escola.
Segundo Gardner, há outros tipos de inteligência: musical, espacial,
lingüística, interpessoal, intrapessoal, corporal, naturalista e existencial. A   APRESENTAÇÃO.......................................................................7
Teoria das Inteligências Múltiplas atraiu a atenção dos professores, o que
fez com que ele se aproximasse mais do mundo educacional.                         INTRODUÇÃO............................................................................8
    Hoje, Gardner tem um novo foco de pensamento, organizado no que
chama de cinco mentes para o futuro, em que a ética se destaca. “Não              1. A CIÊNCIA............................................................................11
basta ao homem ser inteligente. Mais do que tudo, é preciso ter caráter”, diz,
                                                                                      1.1. ETIMILOGIA DA PALAVRA...........................................................11
citando o filósofo norte-americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882). E
                                                                                      1.1.1. OBJETIVOS DA CIÊNCIA...........................................................11
emenda: “o planeta não vai ser salvo por quem tira notas altas nas provas,            1.1.2. ÁREAS DA CIÊNCIA...................................................................12
mas por aqueles que se importam com ele”.                                             1.1.3. A CIÊNCIA E FILOSOFIA............................................................12
    Além de lecionar na Universidade de Harvard e na Boston School of                 1.2. SENSO COMUM E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO..................14
Medicine, ele integra o grupo de pesquisa Good Work Project, que defende              1.2.1. CIÊNCIA E TECNOLOGIA..........................................................14
o comportamento ético.                                                                1.2.2. AFINAL, O QUE É O CONHECIMENTO?...................................15
    No que se refere à ética, é necessário imaginar-se com múltiplos papéis:          1.2.2.1. TEORIA DO CONHECIMENTO NA ANTIGUIDADE................18
ser humano, profissional e cidadão do mundo. O que fazemos não afeta                  1.2.2.2. TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE MÉDIA.................18
uma rua, mas o planeta. Temos de pensar nos nossos direitos, mas também               1.2.2.3. TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE MODERNA..........18
nas nossas responsabilidades. O mais difícil com relação à ética é fazer a            1.2.2.4. TEORIA DO CONHECIMENTO CONTEMPORÂNEA..............19
                                                                                      1.2.2.5. MODOS DE CONHECER O MUNDO.......................................20
coisa certa mesmo quando essa atitude não atende aos nossos interesses.
                                                                                      1.3. CIÊNCIA, POLÍTICA, FILOSOFIA E PODER.................................21
As pessoas que tem atitudes éticas merecem nosso respeito. O problema é               1.3.1. O QUE É O PODER.....................................................................21
que muitas vezes respeitamos alguém só pelo dinheiro ou pela fama. O                  1.3.2. OS ELEMENTOS DO PODER.....................................................21
mundo certamente seria melhor se dirigíssemos nosso respeito às pessoas               1.3.3. OS RECURSOS DO PODER.......................................................21
extremamente éticas.                                                                  1.3.4. AS ESTRATÉGIAS DO PODER..................................................21
    O bom trabalhador possui excelência técnica, são altamente                        1.3.5. PODER E AUTORIDADE............................................................22
disciplinados, engajados e envolvidos e gostam do que fazem. Além disso,              1.3.6. PODER E INFLUÊNCIA...............................................................22
também são éticos. Estão sempre se questionando sobre que atitude tomar,              1.3.7. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA.........................................................22
levando em conta a moral e a responsabilidade e não o que interessa para o            1.3.7.1. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA TRADICIONAL.............................22
bolso deles. O bom cidadão se envolve nas decisões, participa, conhece as             1.3.7.2. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA LEGAL-RACIONAL.....................23
                                                                                      1.3.7.3. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA CARISMÁTICA............................23
regras e as leis: isso é excelência. Por último, não tenta se beneficiar à
                                                                                      1.3.8. AS FORMAS DE PODER............................................................24
custa disso. “Há pessoas bem informadas que só promovem o próprio                     1.3.8.1. AS TRÊS FORMAS DE PODER SOCIAL................................24
interesse. O bom cidadão não pergunta o que é bom para ele, mas para o                1.3.9. A CIÊNCIA COMO INSTRUMENTO DO ESTADO......................24
país”.
109



2. A CIÊNCIA NA IDADE MODERNA......................................28                                  SILVA, F. L. Teoria do Conhecimento, In: CHAUÍ et al. Primeira
                                                                                                       Filosofia. São Paulo: Brasiliense,1985.
   2.1. UMA NOVA CONCEPÇÃO DO HOMEM E DO MUNDO...............28                                        SILVA, José Cândido da; SUNG, Jung Mo. Conversando sobre ética
   2.1.1. O MOVIMENTO DA REFORMA..................................................28
   2.1.2. O DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA NATURAL......................28
                                                                                                       e sociedade. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.
   2.1.3. A INVENÇÃO DA IMPRENSA.....................................................28                STRECK, Lenio Luiz & MORAIS, José Luis Bolzan – Ciência Política
   2.1.4. O RENASCIMENTO.....................................................................29        e Teoria Geral do Estado. 2ª edição - Porto Alegre: Livraria do
   2.1.4.1. PENSAMENTO MEDIEVAL E RENASCENTISTA...................29                                   Advogado, 2001. (pág. 163-165)
   2.2. OS PRECURSORES DA CIÊNCIA MODERNA.............................29                               TELES, Antônio Xavier. Introdução ao estudo de filosofia. 19 ed., SP:
   2.3. BACON, DESCARTES E LOCKE..................................................31
   2.3.1. FRANCIS BACON.......................................................................31
                                                                                                       Ática, 1982.
   2.3.1.1. O MÉTODO EXPERIMENTALCONTRA OS ÍDOLOS..............31                                      TERRA, Paulo. Pequeno Manual do anarquista epistemológico, São
   2.3.1.2. AS FALSAS NOÇÕES RESPONSÁVEIS PELO                                                         Paulo: Editus, 2000.
            INSUCESSO DA CIÊNCIA.......................................................32              TIBURI, Márcia. O que é ética hoje? Sem uma discussão lúcida sobre
   2.3.1.3. O MÉTODO INDUTIVO DE INVESTIGAÇÃO...........................33                             a ética não é possível agir com ética. Publicado no Jornal O Estado
   2.3.2. RENÉ DESCARTES....................................................................34
   2.3.2.1. O RACIONALISMO DE RENÉ DESCARTES: IDÉIAS
                                                                                                       de Minas, Domingo, 22 de abril de 2007.
            CLARAS E DISTINTAS – A DÚVIDA METÓDICA                                                     TOBIAS, J.A. Iniciação à filosofia. 8 ed. Presidente Prudente/SP:
            E O COGITO............................................................................34   Unoeste, 1987.
   2.3.2.2. O RACIONALISMO: DOUTRINA QUE ATRIBUI                                                       VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 18. ed. Rio de Janeiro: Civilização
            EXCLUSIVA CONFIANÇA NA RAZÃO HUMANA COMO                                                   Brasileira, 1998.
            INSTRUMENTO CAPAZ DE CONHECER A VERDADE........35
   2.3.2.3. RACIONALISMO: A CONFIANÇA EXCLUSIVA NA RAZÃO. .36
                                                                                                       _________. Filosofia da Práxis (trad. Luiz Fernando Cardoso). Rio de
   2.3.2.4. O MÉTODO CARTESIANO E HERANÇA DE DESCARTES...36                                            Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
   2.3.3. JOHN LOCKE..............................................................................37   VENOSA, Sílvio de Salvo. Introdução ao Estudo do Direito. São
   2.3.3.1. EMPIRISMO: A VALORIZAÇÃO DOS SENTIDOS COMO                                                 Paulo: Atlas, 2004.
            FONTE PRIMORDIAL DO CONHECIMENTO.........................37                                VERNANT, J. P. Entre Mito e Política. São Paulo: Editora da
   2.3.3.2. AS IDÉIAS PEDAGÓGICAS DE JOHN LOCKE......................39
   2.4. O MÉTODO EXPERIMENTAL........................................................39
                                                                                                       Universidade de São Paulo, 2001.
   2.4.1. ELÉMENTOS INTRODUTÓRIOS................................................39                    _________, J. P. Mito e Pensamento entre os gregos. São Paulo:
   2.4.1.1. O QUE É MÉTODO...................................................................39        Editora Difusão Européia do Livro, Ed. da Universidade de São Paulo,
   2.4.1.2. A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO...............................................40                   1973.
   2.4.1.3. BENEFÍCIOS DO MÉTODO......................................................40               WEBER, Max. Ciência e Política: duas vocações. 13ª edição. São
   2.4.1.4. DIFERENÇA DE MÉTODO E TÉCNICA...................................40
   2.4.2. DESENVOLVIMENTO DO MÉTODO..........................................40
                                                                                                       Paulo: Ed. Cultrix, 2005.
   2.4.2.1. GALILEU GALILEI....................................................................40      WEFFORT, Francisco – Os Clássicos da Política. (Vol. 1) SP: Ed.
   2.4.2.2. FRANCIS BACON....................................................................41        Ática, 1992.
   2.4.2.3. RENÉ DESCARTES.................................................................41          _________, Os Clássicos da Política. (Vol. 1). SP: Ed. Ática, 2000.
   2.5. CIÊNCIAS HUMANAS: TENDÊNCIA HUMANISTA E                                                        (pág. 113-120); (pág. 245-255).
         TENDÊNCIA NATURALISTA.......................................................43
                                                                                                       ZINGANO, M. Platão e Aristóteles – os caminhos do conhecimento.
                                                                                                       São Paulo: Editora Odysseus, 2002.
108

LOCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano. 2. ed. São
Paulo: Abril Cultural, 1978. (Col. Os Pensadores).                        3. O PENSAMENTO POLÍTICO...............................................49
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. SP: Cortez, 1994.
                                                                             3.1. O CONCEITO DE POLÍTICA E PODER POLÍTICO.......................49
MARITAIN, J. Introdução geral à filosofia. RJ: Agir, 1978.
                                                                             3.2. O PENSAMENTO POLÍTICO ANTIGO...........................................51
MARX, K.; O 18 Brumário de Luís Bonaparte. Rio de Janeiro: Paz e             3.2.1. PLATÃO E CIÊNCIA POLÍTICA..................................................51
Terra, 1977.                                                                 3.2.1.1. A POLÍTICA É TECELAGEM...................................................52
MAYOR, Frederico e FORTI, Augusto. Ciência e Poder, tradução de              3.2.2. ARISTÓTELES E A CIÊNCIA POLÍTICA....................................52
Roberto Leal Ferreira. Papirus, 1998.                                        3.2.3. OS GREGOS E A POLÍTICA.......................................................53
                                                                             3.2.3.1. A DEMOCRACIA ATENIENSE.................................................54
MERLEAU-PONTY, M.; Elogio da Filosofia. Lisboa: Guimarães Ed., s/
                                                                             3.2.4. O LEGADO ROMANO PARA A POLÍTICA.................................56
d.                                                                           3.3. O PENSAMENTO POLÍTICO MÉDIEVAL......................................57
MINOGUE, Kenneth. – Política: uma brevíssima introdução. RJ: Jorge           3.3.1. O PODER NA IDADE MÉDIA......................................................57
Zahar Ed., 1998.                                                             3.4. O PENSAMENTO POLÍTICO MODERNO......................................59
MONDIN, B. Introdução à filosofia. SP: Paulinas, 1981.                       3.4.1. NICOLAU MAQUIAVÉL...............................................................61
                                                                             3.4.1.1. BIOGRAFIA DE NICOLAU MAQUIAVÉL.................................61
MORENTE, M. G. Fundamentos de filosofia. 3 ed. SP: Mestre Jou,
                                                                             3.4.1.2. FORMAÇÃO E ESTRUTURA DO ESTADO MODERNO.........62
1967.                                                                        3.4.2. THOMAS HOBBES......................................................................64
MOSER, P. K.; DWAYNE, H. M.; TROUT, J. D. A Teoria do                        3.4.2.1. BIOGRAFIA DE THOMAS HOBBES........................................64
Conhecimento: Uma introdução Temática. São Paulo: Martins Fontes,            3.4.2.2. ABSOLUTISMO E CENTRALIZAÇÃO EM T. HOBBES..........67
2004.                                                                        3.4.3. JEAN JACQUES ROUSSEAU....................................................82
                                                                             3.4.3.1. BIOGRAFIA DE JEAN JACQUES ROUSSEAU......................82
MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro:
                                                                             3.4.3.2. A TEORIA DO CONTRATO SOCIAL EM ROUSSEAU............83
Âmbito Cultural, 1984.                                                       3.4.4. MONTESQUIEU...........................................................................85
NOGUEIRA, Marco Aurélio. Em defesa da política. 2ª Ed. São Paulo:            3.4.4.1. A TEORIA DA SEPARAÇÃO DOS PODERES........................85
Editora SENAC São Paulo, 2004.                                               3.5. O PENSAMENTO POLÍTICO CONTEMPORÂNEO.......................86
PLATÃO; Defesa de Sócrates. Pensadores, São Paulo: Abril Cultural,           3.5.1. JOÃO LOCKE: O PRECURSOR.................................................86
                                                                             3.5.1.1. BIOGRAFIA DE JOÃO LOCKE................................................86
1972.
                                                                             3.5.1.2. CONTEXTO HISTÓRICO..........................................................87
PLATÃO; República. São Paulo: Abril Cultural, 1972.                          3.5.1.3. TEORIA DA TÁBULA RASA DO CONHECIMENTO...............87
PRADO JUNIOR, C. O que é filosofia. SP: Brasiliense, 1983.                   3.5.1.4. ESTADO E PROPRIEDADE – O ESTADO LIBERAL..............88
REALE, G; ANTISERI, D. História da Filosofia. Vol. I. São Paulo:
Paulus, 1991.
REIS, José Carlos. A história entre a filosofia e a ciência. SP: Ática,
1996.
RIBEIRO, Renato Janine. A ética na política. São Paulo: Lazuli
Editora, 2006.
RÓNAI, Paulo. Dicionário universal de citações. RJ: Círculo do Livro,
1985.
SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. São Paulo: Cortez,
2003.
SCURO, Neto Pedro. Sociologia Ativa e Didática. SP: Saraiva, 2003.
107

                                                                                                                FAGUNDES, Márcia Botelho. Aprendendo Valores Éticos. Belo
4. MORAL E ÉTICA..................................................................90                            Horizonte: Autêntica, 2001.
                                                                                                                FARIA, M. C. B. Aristóteles: a plenitude do Ser. São Paulo: Moderna,
    4.1. O QUE É ÉTICA HOJE?.................................................................90                 1994.
    4.2. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS...............................................92                            FOUREZ, Gerard. A construção das ciências. Tradução, a introdução
    4.2.1. ÉTICA...........................................................................................92
                                                                                                                à filosofia e à ética da ciência. São Paulo: Ed. UNESP, 1995.
    4.2.1.1. DE COMO A TEORIA É UMA FORMA DE PRÁTICA..............92
    4.2.2. MORAL........................................................................................94      FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro:
    4.2.2.1. QUESTÕES FUNDAMENTAIS DO CAMPO DA MORAL........94                                                  Paz e Terra, 1975.
    4.3. DISTINÇÃO ENTRE ÉTICA E MORAL..........................................94                              GAARDER, J. O Mundo de Sofia: romance da história da filosofia. SP:
    4.4. ÉTICA, MORAL E DIREITO............................................................95                   Cia das Letras, 2001.
    4.5. NOVOS PROBLEMAS DA ÉTICA..................................................96
                                                                                                                GALEANO, E. De pernas pro ar - A escola do mundo ao avesso.
    4.6. CARÁTER HISTÓRICO E SOCIAL DA ÉTICA E DA MORAL.......97
    4.6.1. GRÉCIA ANTIGA.........................................................................98             Porto Alegre: Le PM, 1999.
    4.6.1.1. SOFISTAS.................................................................................98        GARDNER, Howard. A nova ciência da mente. São Paulo: USP,
    4.6.1.2. SÓCRATES...............................................................................98          1995.
    4.6.1.3. PLATÃO....................................................................................98       _________. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre:
    4.6.1.4. ARISTÓTELES.........................................................................99
                                                                                                                Artes Médicas, 1995.
    4.6.2. A ÉTICA NA IDADE MEDIEVAL.................................................99
    4.6.2.1. O QUE DIFERENCIA A ÉTICA CRISTÃ DA ÉTICA GREGA.100                                                 _________. Fala, mestre! Entrevista: “É difícil fazer o certo se isso
    4.6.3. A ÉTICA NA IDADE MODERNA...............................................100                           contraria nossos interesses”. NOVA ESCOLA, ANO XXIV, N. 226,
    4.6.4. MORAL E ÉTICA NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA........101                                                  OUTUBRO 2009, pp. 38-42.
    4.6.4. MORAL E ÉTICA NA POLÍTICA BRASILEIRA.........................102                                     GRAMSCI, A. Concepção Dialética da História (trad. Carlos Nelson
                                                                                                                Coutinho). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1991.
                                                                                                                _________. La città futura. Turim, 11 fev. 1917.
CONCLUSÃO..........................................................................104
                                                                                                                GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução à Ciência do Direito. Rio de
BIBLIOGRAFIA.......................................................................106                          Janeiro: Forense, 1972.
                                                                                                                GUTHRIE, W.K.C. Os Sofistas. São Paulo: Paulus, 1995.
                                                                                                                HESÍODO, Teogonia: a origem dos deuses. São Paulo: Iluminuras,
                                                                                                                2001.
                                                                                                                HESSEN, J. Teoria do Conhecimento. São Paulo: Martins Fontes,
                                                                                                                2003.
                                                                                                                JASPER, K. Introdução ao pensamento filosófico. 4 ed. SP: Cultrix,
                                                                                                                1980.
                                                                                                                JOLIVET, Régis. Curso de filosofia. 19 ed. RJ: Agir, 1995.
                                                                                                                LEFEBVRE, H. Introdução à Modernidade. Rio de Janeiro: Editora
                                                                                                                Paz e Terra, 1969.
BIBLIOGRAFIA
                                                                                                        APRESENTAÇÃO
ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. SP: Mestre Jou, 1970.
ALVES, Rubem. Entre a ciência e a sapiência, o dilema da educação,          “Se não tivermos presente a tradição histórica, seremos como selvagens
SP: ed. Loyola, 1999.                                                                             modernos na selva da cidade" (Jostein Gaarder).
ARENDT, Hannah. A Condição humana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
1989.                                                                          O objetivo de elaborarmos esta apostila é colocar às mãos dos
ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. 4ª ed. Tradução de Mário da             alunos do Ensino Médio o conhecimento dos conteúdos básicos de
Gama Kury. Brasília: Editora Universidade de Brasília - UNB, 2001.      Filosofia que permita o desenvolvimento do raciocínio lógico,
ASSIS, M. de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo:               aprofundado, sistemático, questionador.
Scipione, 1994.                                                                Trata-se da disciplina Filosofia e pretende-se apresentar
ARAGON, L. O camponês de Paris. Rio de Janeiro: Editora Imago,          aqueles aspectos da Filosofia que darão uma contribuição importante
1996.                                                                   na formação dos estudantes em relação ao pensar, o aprender, o
BACHELARD, G. A Formação do espírito científico. Rio de Janeiro:        conhecer e o falar. Não se ensina e não se aprende a Filosofia.
Contraponto, 1996.                                                      Aprende-se a filosofar. Por isso é um convite: vamos filosofar.
BACON, Francis. Novum Organum. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural,                Ensaios porque as atividades do aprender a aprender, do
1988. (Col. Os Pensadores).                                             conhecer como se conhece, do saber como se sabe, serão feitas
BLACKBURN, S. Dicionário Oxford de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge     coletivamente, reelaborando o conhecimento a partir da contribuição
Zahar, 1994.                                                            de cada estudante. Introdução, do latim Intus (dentro) Ducere
BOBBIO, Norberto. Estado, governo, sociedade – para uma teoria          (conduzir), porque coloca os estudantes em contato com a ciência do
geral da política. RJ, Paz e Terra, 1987.                               ser e do pensar. E, finalmente, a Filosofia. O conhecer é obra dos que
BOBBIO, Norberto. Política. In: Bobbio, N., Matteucci, N. & Pasquino,   pensam, querem e sentem. Na medida em que se vive se filosofa.
G. Dicionário de Política. 13º Ed. Brasília: Ed. Universidade de        Filosofia é uma atividade do ser humano, é a dinâmica do ser. É a
Brasília, 2007.                                                         idéia, sangue do meu sangue. Produzir a idéia, o pensamento. Não
CAMARGO, Marculino. Fundamentos da ética geral e profissional. 3.       ser apenas meros repetidores. Filosofia é ser e pensar. Consegue
ed. Petrópolis: Vozes, 1999.                                            viver melhor quem pensa. Portanto, Filosofia é aprendizado do saber
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1997.           em proveito do homem.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes                 A coruja na capa é o símbolo da filosofia, pois consegue
Temas. São Paulo: Saraiva, 2006.                                        enxergar o mundo mesmo nas noites mais escuras. A constituição
CUNHA, José Auri. O conceito de pessoa na comunidade dialógica          física de seu pescoço permite que ela veja tudo a sua volta. Essa
de investigação. Transcrição da palestra proferida na Mesa-Redonda      seria a pretensão da filosofia, por meio da razão poder ver
'Racionalidade, Ética e Educação', II Encontro Nacional de Educação     racionalmente e entender o mundo mesmo nos seus momentos mais
para o Pensar. Leia o texto integral em www.cbfc.com.br. (Clique em     obscuros. E ainda, procurar enxergá-lo sob os mais diversos ângulos
"Biblioteca CBFC" e em "Volume 3").                                     possíveis.
DESCARTES, René. Discurso do Método. 3. ed. São Paulo: Nova                                                         Penso logo não me arrependo.
Cultural, 1983. (Col. Os Pensadores).                                         Pensar é produzir conhecimento, é ação sobre a realidade circundante.
DROZ, G. Os mitos Platônicos. Brasília Editora Universidade de                   Arrependo por não executar o que penso, por executar diferente do
                                                                                                          pensado, ou executar sem ter planejado.
Brasília, 1997.                                                                           Recordo-me de ter pensado e isto é conhecimento de fato.
105

                                     INTRODUÇÃO
                                                                                      A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas
                                                                                      atua. É a fatalidade; é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que
                  “Nada caracteriza melhor o homem do que o fato de pensar”
                                                                                      confunde os programas, que destrói os planos mais bem construídos. É a
                                                               (Aristóteles).
                                                                                      matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca. O que
                                                                                      acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato
       Neste primeiro encontro com a ciência chamada FILOSOFIA,                       heróico (de valor universal) pode gerar, não se deve tanto à iniciativa dos
berço de todas as demais ciências, para um grupo de alunos do                         poucos que atuam, quanto à indiferença de muitos. O que acontece não
Ensino Médio, o filósofo ressente-se de duas atitudes: apreensão e                    acontece tanto porque alguns o queiram, mas porque a massa dos
                                                                                      homens abdica de sua vontade, deixa fazer, deixa enrolarem os nós que,
estímulo.                                                                             depois, só a espada poderá cortar; deixa promulgar leis que, depois, só a
       Apreensivo porque na maioria das vezes se têm a idéia, que a                   revolta fará anular; deixa subir ao poder homens que, depois, só uma
muito vem sendo disseminada, de que a filosofia é coisa de maluco,                    sublevação poderá derrubar. (...)
árida e de nenhuma utilidade para a vida. Sem dúvida a ideologia                      Os fatos amadurecem na sombra porque mãos, sem qualquer controle a
dominante assim a define, porque interessa. É conhecida aquela                        vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva e a massa não sabe, porque não se
                                                                                      preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo
definição de que “filosofia é uma ciência que com a qual ou sem a                     com visões restritas, os objetivos imediatos, as ambições e paixões
qual o mundo vai permanecer tal e qual”1. Por isso há os que                          pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens ignora,
zombam. Mas como disse Pascal: “Zombar da filosofia já é filosofar”2.                 porque não se preocupa” (GRAMSCI, Antônio. La città futura. Turim, 1917).
       Estimulado por buscar na filosofia a razão última das coisas.
                                                                                       A atitude filosófica empenha-se em conhecer o mundo para
Com sabedoria afirmou o cineasta americano John Huston: “O futuro
                                                                                transformá-lo a fim de restaurar a harmonia e a unidade no
do homem não poderá estar dissociado de seu retorno às origens”3. A
                                                                                pensamento e na própria realidade da existência humana. Ter uma
grande busca da contemporaneidade é a questão da qualidade. Lá na
                                                                                atitude filosófica quer dizer que estamos utilizando o raciocínio
Grécia Antiga encontramos Platão absorto na discussão de como
                                                                                fundamentado e lógico, tendo uma visão crítica e adulta da realidade
administrar a Pólis com justiça, buscando sempre com sabedoria o
                                                                                e convicções sustentadas.
melhor caminho. Assim a filosofia hoje há que se preocupar com um
                                                                                       Em todos os tempos a Filosofia tenta interpretar o mundo e
elemento muito importante: o ser humano, aquele que cria e reproduz
                                                                                entender e transformar o homem, isto é, todo tema importante é
a qualidade.
                                                                                assunto de preocupação filosófica à procura da verdade.
       A cada dia que passa é maior a necessidade de que os
indivíduos sejam sujeitos de si mesmos conscientes de sua história.
Até mesmo o mercado já exige um perfil profissional que supõe uma
mão de obra criativa e atuante, e não mais meros executores de
tarefas.
       Nossa preocupação, para além do mercado, é com a formação
de um indivíduo crítico e responsável socialmente pelos seus atos.


1
  Gregório Marañon (1887-1960), nota à margem de uma de suas obras, Apud.
PAULO RÓNAI, Dicionário universal de citações, p. 374.
2
  Pensamentos I, 4.
3
  Apud Irene Tavares de Sá, Você também faz a história, p. 58.
09

                                       CONCLUSÃO                                              A possibilidade da formação deste indivíduo deve ser
  “Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para           viabilizada para o adolescente e o jovem. Ela não se dá
     atravessar o rio da vida, ninguém exceto tu. Existem, por certo, inúmeras        espontaneamente. Uma das formas de viabilizá-la é através do
veredas, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te do outro lado         processo ensino-aprendizagem das ciências, da filosofia, das artes, e
       do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa: tu te hipotecarias e te     da experiência de vida de cada um.
 perderias. Existe no mundo um único caminho, por onde só tu podes passar.
                       Para onde leva? Não perguntes, segue-o” (F. Nietzsche).                Neste contexto, cabe à Filosofia garantir não só a visão de
                                                                                      totalidade da história e do processo do conhecimento, sem negar a
        A ciência não é uma coleção de fatos e teorias definitivamente                necessidade de especialização hoje imposta, mas também
estabelecidas, mas um conhecimento racional – porque crítico –                        desenvolver no educando - junto com outras disciplinas - a sua
conjetural, provisório, sempre capaz de ser questionado e corrigido. A                capacidade de buscar, através da leitura, da observação, da
ciência não é uma representação completa e perfeita de fenômenos                      percepção de transformações ocorridas a partir da sua própria
diretamente observáveis, mas uma reconstrução idealizada e parcial                    interferência em situações político-econômico-sociais, o melhor
da realidade, que explica o visível pelo invisível.                                   caminho historicamente possível para a organização da vida em
        O cientista não realiza uma observação pura e imparcial dos                   sociedade.
fatos, mas uma observação guiada por hipóteses e teorias. O cientista                         Desta forma, a disciplina de Filosofia busca fornecer ao
não descobre nem verifica hipóteses por procedimentos indutivos,                      estudante do Ensino Médio o instrumental básico à elaboração de
mas inventa conjecturas ousadas, surgida de sua imaginação, que                       uma reflexão sobre o mundo, e sobre si mesmo no mundo, de forma
serão testadas o mais severamente possível, através de tentativas de                  a possibilitar-lhe a conquista de uma autonomia crescente no seu
refutação que façam uso de experimentos controlados. Desse modo,                      pensar e agir.
ele busca teorias cada vez mais amplas, precisas, profundas, de                               Os trabalhos e atividades serão desenvolvidos a partir de aulas
maior grau de corroboração, com maior poder preditivo e talvez, mais                  expositivas; leituras e pesquisas orientadas; seminários; análise,
próximo da verdade.                                                                   interpretação e discussão de temas atuais; integração com outras
        Finalmente, a visão de ciências exposta nestas aulas pode e                   disciplinas; avaliações. Pois como disse Kant: “Não se ensina
deve ser criticada. Novos critérios para avaliar hipóteses e teorias                  Filosofia, ensina-se a filosofar”4.
científicas devem (e estão sendo) propostos. É desnecessário dizer                            Ao longo dos três anos do Ensino Médio, espera-se do
que estes critérios, por sua vez, devem também ser criticados, visto                  estudante:
que a ausência de discussão crítica e a aceitação passiva e                               • Aprender e fixar a leitura interpretativa de textos teóricos;
dogmática de um conjunto de idéias e teorias são a não ciência, é                         • Aprender conceitos, saber relacioná-los entre si e aplicá-los em
pseudociência, enfim, a negação do espírito crítico e da racionalidade                        sua realidade;
do homem.
                                                                                          • Reconhecer-se como ser produtor de cultura e, portanto, da
       “Odeio os indiferentes. Como Federico Hebbel, acredito que ‘viver quer                 história;
       dizer tomar partido’. Não pode existir os apenas homens, os estranhos à
                                                                                          • Compreender a produção do pensamento como enfrentamento
       cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e
       partidário. Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por           dos desafios humanos;
       isso, odeio os indiferentes.                                                   10
       A indiferença é o peso morto da história. É a bola de chumbo para o            4
       inovador, é a matéria inerte na qual frequentemente se afogam os                citado em "Revista Brasileira de Filosofia" - Volume 16, Página 149, 1966.
       entusiasmos mais esplendorosos. (...)                                          Disponível em: http://pt.wikiquote.org/wiki/Immanuel_Kant, acessado em 23 de
                                                                                      março de 2010 às 14h:01min.
Como se não bastasse isto, o que fora decidido ontem já não o
   •  Compreender o papel da reflexão, em especial, o da filosófica;
                                                                       é mais hoje nem o será amanhã, deixando a opinião pública
   •  Saber construir "universos" históricos de diferentes tempos em   completamente desnorteada e perplexa, sem saber a que se ater.
      seu pensamento sem preconceitos;                                         Por outro lado, a violência sobe em ritmo assustador. No
   • Situar-se como cidadão no mundo em que vive percebendo o          Estado do Rio de Janeiro recentemente assistimos a mais uma
      seu caráter histórico e a sua dimensão de liberdade;             chacina que deixou mortos inúmeros menores, crianças e
   • Compreender o conhecimento como possibilidade de libertação       adolescentes entre os 12 e os 15 anos. Famílias destroçadas, dor,
      social;                                                          luto e lágrimas incessantes por causa de um governo sem ética e
   • Compreender o pensamento do seu mundo como síntese de             uma polícia idem. O povo se cansa e o grande perigo é que ele perca
      diferentes culturas anteriores e concomitantes a ele;            a capacidade de indignar-se. A indignação, embora não esteja
   • Elaborar criticamente seu próprio pensar a partir de              incluída nos moldes das virtudes clássicas, não deixa de ter seu
      notícias/análises de jornais/revistas e de suas vivências        elemento de virtude. É uma escala de valores que é agredida, são
      concretas.                                                       princípios que são pisoteados, é a credibilidade naqueles que deviam
      Este é o caminho que devemos percorrer. A esperança de           ser os guardiões da justiça e do direito e que são, ao contrário, os
caminhar nas linhas que traçamos é infinda, esperamos consegui-lo,     primeiros a agir contra tudo isso.
senão o conseguir na totalidade, ao menos em parte.                            A ética é a parte da Filosofia que estuda os juízos de
                                                                       apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação
                                                  Olívio Mangolim.     do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada
                                                                       sociedade, seja de modo absoluto. A ética, portanto, é o estudo dos
                                                                       valores que regem a conduta humana subjetiva e social. É o
                                                                       parâmetro que temos para julgar as ações que beneficiam ou
                                                                       prejudicam a vida humana neste mundo e nesta sociedade.
                                                                               Parece que neste momento da história do Brasil, nossos
                                                                       políticos perderam completamente seus parâmetros éticos. E a
                                                                       impunidade os ajuda no seu esforço de destruir e lançar ladeira
                                                                       abaixo as referências que fazem a vida humana tolerável e serena e
                                                                       geram orgulho no coração das novas gerações de pertencerem a
                                                                       determinado país.
                                                                               Infelizmente nosso país não tem se esmerado nem se
                                                                       destacado nisso. Pelo contrário, em recente pesquisa feita sobre
                                                                       quais as instituições que mereceriam maior credibilidade no Brasil, os
                                                                       políticos ficaram em último lugar. Por outro lado, é importante que os
                                                                       cidadãos não permaneçam de braços cruzados vendo as coisas
                                                                       acontecerem. Indignar-se é preciso. E, sobretudo precisamos de
                                                                       cidadãos que gritem contra a corrupção que infesta nossas
                                                                       instituições para finalmente poder caminhar em direção a um futuro
                                                                       mais risonho, onde reinem a paz, a justiça e o direito.
                                                                 103   102
1. A CIÊNCIA
       Em lugar da felicidade pura e simples há a obrigação do dever
                                                                               O SOL NASCERÁ AMANHÃ? Tanto o senso comum como a
e a ética fundamenta-se em seguir normas. Trata-se da “Ética da
                                                                        ciência diz que sim... O que diferencia o conhecimento popular do
Obediência”. Que impede o Homem de pensar, e descobrir uma nova
                                                                        conhecimento científico? Não é nem pela veracidade, nem pela
maneira de se ver, e assim encontrar uma saída em relação ao
                                                                        natureza do objeto conhecido. O que os diferencia é a forma, o
conformismo de massa que está na origem da banalidade do mal, do
                                                                        método do “conhecer”... Daí: O SOL NASCERÁ AMANHÃ, para o
mecanismo infernal em que estão ausentes o pensamento e a
                                                                        conhecimento popular, porque assim o faz todos os dias. Para a
liberdade do agir.
                                                                        ciência, porque sabe que a terra gira completamente em torno do seu
       Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. O
                                                                        eixo a cada 23 horas e 59 minutos, expondo-a ciclicamente à luz
homem, com seu livre arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o
                                                                        solar, o que para observadores humanos em sua superfície se traduz
destruindo, ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga
                                                                        no movimento aparente do sol que denominamos “dia”.
tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se forma no bem ou no
mal neste planeta.                                                            1.1. ETIMOLOGIA DA PALAVRA
                       4.6.5.MORAL  E   ÉTICA    NA   POLÍTICA                 Etimologia: Ciência vem da palavra latina scientia, que significa
                       BRASILEIRA: UM GRITO DE INDIGNAÇÃO               conhecimento. A Ciência é o conhecimento ou um sistema de
       O dicionário nos define o sentimento de indignação com as        conhecimento que abarca verdades gerais ou a operação de leis
seguintes palavras: Sentimento de cólera despertado por ação            gerais especialmente obtidas e testadas através do MÉTODO
indigna; ódio, raiva. Desprezo, repulsa, aversão. Nada parece mais      CIENTÍFICO. A ciência se caracteriza pela busca de conhecimento
exato do que essas palavras para definirem o sentimento que se          sistemático e seguro dos fenômenos do mundo; Um dos objetivos da
apossa crescentemente do coração de todos os brasileiros ao             ciência é tornar o mundo compreensível; O homem domina a
presenciarem cada dia na mídia e na imprensa as notícias sobre os       natureza não pela força, mas pela compreensão.
níveis intoleráveis a que chegou a falta de ética e a corrupção entre         1.1.1.OBJETIVOS DA CIÊNCIA
os nossos políticos.
                                                                               O objetivo da ciência é compreender o universo de um modo
       É moeda corrente entre nós o fato de vermos representantes
                                                                        cuidadoso, disciplinado. A prova é a condição para a aceitação das
parlamentares eleitos com o voto popular legislarem em causa
                                                                        idéias na ciência, e a prova tem de ser empírica (observação empírica
própria, para aumentarem os próprios salários e benefícios, enquanto
                                                                        como base da prova). A ciência deve ser entendida como uma
discutem dias e meses para aumentar irrisoriamente o salário mínimo.
                                                                        comunidade de estudiosos que verificam o trabalho uns dos outros,
Os aumentos de ganhos salariais vêm por sua vez acompanhados de
                                                                        criticam, debatem e, juntos, constroem lentamente um conjunto de
atos de nepotismo intoleráveis, quando os políticos em questão
                                                                        conhecimentos. A ciência é uma tentativa de generalizar. A ciência é
encontram sinuosos caminhos para incluir nos benefícios e benesses
                                                                        uma tentativa de explicar eventos, ou seja, de dizer por que as coisas
dos quais se fazem possuidores parentes e amigos, desperdiçando
                                                                        acontecem, quais são as causas e influências de uma determinada
iniquamente o suado dinheiro do povo, que deveria estar sendo
                                                                        classe de eventos na natureza. A ciência é uma tentativa de
canalizado para geração de empregos e projetos sociais.
                                                                        desenvolver idéias sobre relações de causa e efeito. Melhoria da
                                                                        qualidade de vida intelectual. Melhoria da qualidade de vida material.
12                                                                                                                                                       101
         1.1.2.ÁREAS DA CIÊNCIA
                                                                                              De acordo com esse pensamento, para nos tornarmos seres
     •   Pura – O desenvolvimento de teorias.                                         morais era necessário nos submetermos ao dever. Essa idéia é
     •   Aplicada – A aplicação de teorias às necessidades humanas.                   herdada da Idade Média na quais os cristãos difundiram a ideologia
     •   Natural – O estudo da natureza ou mundo natural. Exemplos:                   de que o homem era incapaz de realizar o bem por si próprio. Por
         Biologia, Física, Geologia, Química, etc.                                    isso, ele deve obedecer aos princípios divinos, cristalizando assim a
     •   Social – O estudo do comportamento humano e da sociedade.                    idéia de dever. Kant afirma que se nos deixarmos levar por nossos
         Exemplos: História, Sociologia, Ciências Políticas, etc.                     impulsos, apetites, desejos e paixões não teremos autonomia ética,
     •   Biológicas – Estudo do ser humano e dos fenômenos da                         pois a Natureza nos conduz pelos interesses de tal modo que usamos
         natureza. Exemplos: Biologia, Medicina, Odontologia, etc.                    as pessoas e as coisas como instrumentos para o que desejamos.
     •   Exatas – Tem origem na física. Exemplos: Física, Matemática,                 Não podemos ser escravos do desejo.
         Computação, etc.                                                                     No século XIX, Friedrich Hegel traz uma nova perspectiva
     •   Humanas – Estudo social e comportamental do ser humano.                      complementar e não abordada pelos filósofos da Modernidade. Ele
         Exemplos: Direito, Filosofia, Letras, etc.                                   apresenta a perspectiva Homem - Cultura e História, sendo que a
                                                                                      ética deve ser determinada pelas relações sociais. Como sujeitos
         1.1.3.CIÊNCIA E FILOSOFIA                                                    históricos culturais, nossa vontade subjetiva deve ser submetida à
                  “A Ciência está estendendo seu poderio a toda Terra. Mas a          vontade social, das instituições da sociedade. Desta forma a vida
                 Ciência não pensa. Pois sua marcha e seus métodos são tais           ética deve ser “determinada pela harmonia entre vontade subjetiva
                           que ela não pode refletir sobre si mesma” (MARTIN
                                                                 HEIDEGGER).
                                                                                      individual e a vontade objetiva cultural”.
                                                                                              Através desse exercício, interiorizamos os valores culturais de
        Por seu lado as ciências experimentais têm a esfera de sua                    tal maneira que passamos a praticá-los instintivamente, ou seja, sem
competência bem definida. Não há como afirmar o mesmo da                              pensar. Se isso não ocorrer é porque esses valores devem estar
filosofia. As ciências experimentais especializaram-se, consideram                    incompatíveis com a nossa realidade e por isso devem ser
seu objeto desde um ponto de vista parcial e derivado.                                modificados. Nesta situação podem ocorrer crises internas entre os
Definitivamente prescindiram do resto, da totalidade do ser.                          valores vigentes e a transgressão deles.
Renunciaram ter o caráter de objetos totais. Já a filosofia não recorta
                                                                                                              4.6.4.MORAL E ÉTICA         NA    SOCIEDADE
na realidade um pedaço da realidade para estudá-lo, ela sozinha,
                                                                                                              CONTEMPORÂNEA
esquecendo os demais, mas antes tem por objeto a totalidade do ser.
                                                                                              Já na atualidade o conceito de ética se fundiu nestas duas
 CIÊNCIAS EXPERIMENTAIS                              FILOSOFIA
A Botânica estuda as plantas.    E a Filosofia o que estuda? No entender dos          correntes de pensamento:
A Geografia estuda os lugares.   filósofos ela estuda tudo.                                   A ética praxista, em cuja visão o homem tem a capacidade de
A História estuda os fatos.      Aristóteles: “A filosofia estuda as causas últimas   julgar, ele não é totalmente determinado pelas leis da natureza, nem
A Medicina as doenças, etc.      de todas as coisas”.                                 possui uma consciência totalmente livre. O homem tem uma co-
                                 Cícero: “A filosofia é o estudo das causas           responsabilidade frente as suas ações.
                                 humanas e divinas das coisas”.
                                 Descartes: “A filosofia ensina a bem raciocinar”.
                                 Hegel: “A filosofia é o saber absoluto”.
                                 Whitehead: “A função da filosofia é fornecer uma
                                 explicação orgânica do universo”.
100
                                                                                                                                                13
      A idéia do dever surge nesse momento. Com isso, a ética
passa a estabelecer três tipos de conduta; a moral ou ética (baseada
no dever), a imoral ou antiética e a indiferente à moral.                          Coerentes com estas definições, até hoje, os filósofos
                                                                            estudaram todas as coisas. A filosofia é a ciência dos objetos do
                               4.6.2.1.O     QUE        DIFERENCIA          ponto de vista da totalidade, enquanto que as ciências particulares
                               RADICALMENTE A ÉTICA CRISTÃ DA ÉTICA
                               GREGA SÃO DOIS PONTOS:
                                                                            são os setores parciais do ser, províncias recortadas dentro do
                                                                            continente total do ser. A filosofia é a disciplina que considera o seu
      a) O abandono do racionalismo                                         objeto sempre do ponto de vista universal e da totalidade. Enquanto
      A ética cristã abandonou a idéia de que é pela razão que se           que qualquer outra disciplina, que não seja a filosofia, o considera de
alcança a perfeição moral e centrou a busca dessa perfeição no amor         um ponto de vista parcial e derivado. Concluímos então que a filosofia
a Deus e na boa vontade.                                                    estuda tudo.
      b) A emergência da subjetividade
       Acentuando a tendência já esboçada na filosofia de estóicos e            SÃO DUAS AS RAZÕES PELA QUAL A FILOSOFIA SE
epicuristas, a ética cristã tratou a moral do ponto de vista estritamente   DEBRUÇA A ESTUDAR TUDO:
pessoal, como uma relação entre cada indivíduo e Deus, isolando-o                    PRIMEIRA: A filosofia estuda tudo porque todas as coisas,
de sua condição social e atribuindo à subjetividade uma importância         além de poderem ser examinadas a nível científico, podem sê-lo
desconhecida até então.                                                     também a nível filosófico. Assim os homens, os animais, as plantas, a
                        4.6.3.A ÉTICA NA IDADE MODERNA: A ÉTICA             matéria, já estudados por muitas ciências e sob diferentes pontos de
                        ANTROPOCÊNTRICA                                     vista, são suscetíveis também de uma pesquisa filosófica. Com efeito,
                                                                            os cientistas se interrogam sobre a constituição da matéria, pergunta-
        As profundas transformações que o mundo sofre a partir do
                                                                            se o que é a vida, como estão estruturados os animais e os homens,
século XVII com as revoluções religiosas, por meio de Lutero;
                                                                            mas não chegam a enfrentar sérios problemas também referentes ao
científica, com Copérnico e filosófica, com Descartes, imprimem um
                                                                            homem, aos animais, às plantas, à matéria: por exemplo, o que seja
novo pensamento na era Moderna, caracterizada pelo Racionalismo
                                                                            existir.
Cartesiano – agora a razão é o caminho para a verdade, e para
chegar a ela é preciso um discernimento, um método. Em oposição à                  SEGUNDA: A filosofia estuda tudo, porque, enquanto as
fé surge agora o poder exclusivo da razão de discernir, distinguir e        ciências estudam esta ou aquela dimensão da realidade, a filosofia
comparar. Este é um marco na história da humanidade que a partir            tem por objeto o todo, a totalidade, o universo tomado globalmente.
dai acolhe um novo caminho para se chegar ao saber: o saber                        Esta é a característica que distingue a filosofia de qualquer
científico, que se baseia num método e o saber sem método é mítico          outra forma de saber: Ela estuda toda a realidade e procura
ou empírico.                                                                apresentar uma explicação completa e exaustiva de um domínio
        A ética moderna traz à tona o conceito de que os seres              particular da realidade.
humanos devem ser tratados sempre como fim da ação e nunca
como meio para alcançar seus interesses. Essa idéia foi
contundentemente defendida por Immanuel Kant. Ele afirmava que:
“não existe bondade natural. Por natureza somos egoístas,
ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis, ávidos de prazeres que
nunca nos saciam e pelos quais matamos, mentimos, roubamos”.
14                                                                                                                                                        99

                                                                                                                    4.6.1.4.ARISTÓTELES
    DIFERENÇA          RESIDE NO MÉTODO E NO OBJETO DE PESQUISA
                                                                                              Aristóteles subordina sua ética à política, acreditando que na
    FILOSOFIA       É CONSTRUÍDA COM MUITO PENSAMENTO ABSTRATO                 5
                                                                                      monarquia e na aristocracia se encontraria a alta virtude, já que esta
                                                                                      é um privilégio de poucos indivíduos. Também diz que na prática
     CIÊNCIA            EXIGE UM GRANDE ESFORÇO EXPERIMENTAL                          ética, nós somos o que fazemos, ou seja, o Homem é moldado na
                                                                                      medida em que faz escolhas éticas e sofre as influencias dessas
        1.2. O SENSO COMUM E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO                                escolhas.
        Conhecimento Popular ou o senso comum é o modo comum,                                 O Mundo Essencialista é o mundo da contemplação, idéia
corrente e espontâneo de conhecer, que se adquire no trato direto                     compartilhada pelo filósofo grego antigo Aristóteles. No pensamento
com as coisas e os seres humanos: é o saber que preenche nossa                        filosófico dos antigos, os seres humanos aspiram ao bem e à
vida diária e que se possui sem o haver procurado ou estudado, sem                    felicidade, que só podem ser alcançados pela conduta virtuosa. Para
a aplicação de um método e sem se haver refletido sobre algo.                         a ética essencialista o homem era visto como um ser livre, sempre em
Conhecimento adquirido por tradição ao qual acrescentamos os                          busca da perfeição. Esta por sua vez, seria equivalente aos valores
resultados da experiência vivida em coletividade.                                     morais que estariam inscritos na essência do homem. Dessa forma -
        Conhecimento Científico: Ter informação, distinguir,                          para ser ético - o homem deveria entrar em contato com a própria
reconhecer, avaliar, de acordo com o ponto de vista da ciência.                       essência, a fim de alcançar a perfeição.
Conhecimento Científico é um produto resultante da investigação                             CONCLUINDO
científica. Surge da necessidade de:
   • Encontrar soluções para problemas de ordem prática da vida                               Costuma-se resumir a ética dos antigos, ou ética essencialista,
        diária (senso comum).                                                         em três aspectos:
   • Do desejo de fornecer explicações sistemáticas que possam                                1) O agir em conformidade com a razão;
        ser testadas e criticadas através de provas empíricas e da                            2) O agir em conformidade com a Natureza e com o caráter
        discussão intersubjetiva.                                                     natural de cada indivíduo;
                                                                                              3) A união permanente entre ética (a conduta do indivíduo) e
        1.2.1.CIÊNCIA E TECNOLOGIA                                                    política (valores da sociedade). A ética era uma maneira de educar o
       Na língua inglesa: CIÊNCIA=KNOWLEDGE= Ciência produz                           sujeito moral (seu caráter) no intuito de propiciar a harmonia entre o
conhecimento e TECNOLOGIA=KNOW-HOW= Tecnologia produz                                 mesmo e os valores coletivos, sendo ambos virtuosos.
técnica. Tecnologia produz técnica. Ciência produz conhecimento.                                              4.6.2.A ÉTICA NA IDADE MEDIEVAL: A ÉTICA
                                                                                                              CRISTÃ
5
  Aquilo que existe na mente mais do que no mundo externo; o conceptual em                   Com o cristianismo romano, através de S. Tomás de Aquino e
contraste com o objetivo; o geral em contraste com o particular. A abstração indica   Santo Agostinho, incorpora-se a idéia de que a virtude se define a
a atividade com que o intelecto obtém o conhecimento das idéias universais. O         partir da relação com Deus e não com a cidade ou com os outros.
conhecimento se elabora através da ação do intelecto, que tira dos dados da           Deus nesse momento é considerado o único mediador entre os
fantasia o que é fundamental, essencial, negligenciando o que é acidental, peculiar   indivíduos. As duas principais virtudes são a fé e a caridade.
de um fenômeno particular. Assim, por exemplo, do fantasma (imagem) desta cor
(branco, verde etc.) o intelecto tira a idéia de verde.
Através deste cristianismo, se afirma na ética o livre-arbítrio,                2. A sociedade devia de ser reorganizada, sendo o poder confiado
sendo que o primeiro impulso da liberdade dirige-se para o mal                 aos sábios, de modo a evitar que as almas fossem corrompidas pela
(pecado). O homem passa a ser fraco, pecador, dividido entre o bem             maioria, composta por homens ignorantes e dominados pelos instintos ou
e o mal. O auxílio para a melhor conduta é a lei divina.                       paixões.
                                                                                                                                                             15
98
                         4.6.1.ANTIGA GRÉCIA                                          Em relação à Ciência pode-se dizer que a Tecnologia é um
                                                                               passo à frente em direção à Sociedade.
      As teorias éticas gregas, entre o século V e o século IV a.C.
                                                                                      O estudo da interação da radiação com a matéria por Einstein,
são marcadas por dois aspectos fundamentais:
                                                                               o levou a descrever as leis que fundamentam a ação laser. A
      Pólis: A organização política em que os cidadãos vivem -as
                                                                               invenção do primeiro laser artificial muitas décadas depois, também
cidades-estado-, favorecem a sua participação ativa na vida política
                                                                               foi um grande avanço na Ciência. A fabricação de um laser em escala
da sociedade. As teorias éticas apontam para um dado ideal de
                                                                               industrial passou a ser um desafio tecnológico. Hoje, produzir lasers
cidadão e de Sociedade.
                                                                               para aparelhos de CD é dominar uma tecnologia e nada tem a ver
      Cosmos: Algumas destas teorias ético-políticas procuram
                                                                               com Ciência. Dominar Tecnologia não implica em dominar a
igualmente fundamentarem-se em concepções cósmicas.
                                                                               Ciência que originou a técnica.
                                 4.6.1.1.SOFISTAS                                     A ciência e a técnica contribuíram não só para o bem da
        Defendem o relativismo (subjetivismo) de todos os valores.             humanidade, mas também para o mal. Lema: “Descobrir tudo o que
Concepção ética relativista. Afirmavam que não existem normas e                pode ser descoberto. Experimentar tudo aquilo que pode ser
verdades universalmente válidas. Alguns sofistas, como Cálicles ou             experimentado”.
Trasimaco afirmam que o valor supremo de qualquer cidadão era
atingir o prazer supremo. O máximo prazer pressupunha o domínio do                          BEM                                       MAL
poder político. Ora este só estava ao alcance dos mais fortes,                 - Aumento do conforto da            - Aumento da capacidade destrutiva dos
corajosos e hábeis no uso da palavra. A maioria eram fracos ou                 sociedade;                          aparelhos militares;
inábeis, pelo que estavam condenados a serem dominados pelos                   - Aumento da qualidade de vida em   - Impacto ambiental;
mais fortes.                                                                   nível da saúde, higiene, etc.;
                                 4.6.1.2.SÓCRATES (470-399 A.C.)
                                                                               - Previsão e controle sobre os      - Desrespeito pelos direitos humanos em prol
       Defende o caráter eterno de certos valores como o Bem,                  fenômenos através do seu estudo.    do avanço científico;
Virtude, Justiça, Saber. O valor supremo da vida é atingir a perfeição
e tudo deve ser feito em função deste ideal, o qual só pode ser obtido                                             - Utilização de conhecimentos potencialmente
                                                                                                                   benéficos para fins errados.
através do saber. Na vida privada ou na vida pública, todos tinham a
obrigação de se aperfeiçoarem fazendo o Bem, sendo justos. O                          1.2.2.AFINAL, O QUE É O CONHECIMENTO?
homem sábio só pode fazer o bem, sendo as injustiças próprias dos
                                                                                      O objetivo do que segue é construir com o leitor um breve
ignorantes (Intelectualismo Moral).
                                                                               entendimento, através da história, sobre a compreensão das
                                 4.6.1.3.PLATÃO (427-347 A.C.)                 influências de várias teorias do conhecimento estabelecendo
        Defende o valor supremo do Bem. O ideal que todos os homens            parâmetros de avaliação, critérios de verdade, objetivação,
livres deveriam tentar atingir. Para isto acontecesse deveriam ser reunidas,   metodologia e relação sujeito e objeto para os vários modos de
pelo menos duas condições:
                                                                               conhecimentos diante da crise da razão que se instaurou no século
        1. Os homens deviam seguir apenas a razão desprezando os
instintos ou as paixões;                                                       XX e que há de se prolongar neste presente século, através dos
desafios da construção de uma ética normativa compatível com as           as pessoas a darem a luz às verdades que, no entender de Sócrates,
evoluções das descobertas e do conhecimento no campo científico.          traziam dentro de si. O exercício do filosofar, a partir das verdades
                                                                          encontradas, abria caminhos para múltiplas possibilidades de escolha
                                                                          e ação.
16                                                                                                                                                        97

        Começamos por conceituar o conhecimento: Conhecimento é a
relação que se estabelece entre sujeito que conhece ou deseja                            BEM                                        MAL
conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer.
                                                                          - Aumento do conforto da sociedade;    - Aumento da capacidade destrutiva dos
        Na Grécia Antiga temos várias visões e métodos de                                                        aparelhos militares;
                                                                          - Aumento da qualidade de vida em
conhecimento: Sócrates estabelecendo seus métodos: ironia e               nível da saúde, higiene, etc.;         - Impacto ambiental;
maiêutica.
                                                                          - Previsão e controle sobre os         - Desrespeito pelos direitos humanos em
        O surgimento da pólis como a primeira experiência da vida         fenômenos através do seu estudo.       prol do avanço científico;
pública enquanto espaço de debate e deliberação, tornou o campo                                                  - Utilização de conhecimentos
fértil para a fecundação e o florescimento da filosofia. E a figura                                              potencialmente benéficos para fins errados.
emblemática dessa época, que nada escreveu e da qual se fala até
os nossos dias como o modelo de filósofo, foi Sócrates.                           A Internet foi um dos “produtos” da evolução do conhecimento
        Na praça pública, Sócrates interrogava os homens e instigava-     científico que impulsionou em larga escala a aplicação do conceito de
os a refletir sobre si e sobre o mundo. Sócrates foi uma figura           sociedade em rede. Contudo, a dependência deste meio acarreta
misteriosa, que questionava as pessoas que encontrava dizendo             tanto vantagens quanto riscos.
buscar a verdade. Voltando-se para fora e para o público, Sócrates
interroga os atores para saber se eles sabem exatamente porque                      VANTAGENS                               DESVANTAGENS
arriscam suas vidas, a felicidade ou a falta de felicidade (...), assim   - Acesso mais rápido e fácil a todo    - Falta de rigor e segurança da informação.
como a felicidade dos outros. Sócrates é aquele que chega de              tipo de informação.                    - Abuso da liberdade de expressão, que
mansinho e, sem que se espere, lança uma pergunta que faz o sujeito       - Aproximação de povos, culturas.      pode levar a difamação e manipulação
olhar para si e perguntar: afinal, o que faço aqui? É isso o que          - Oportunidade de usufruir de vários   errada de opiniões.
realmente procuro ou desejo?                                              programas      associados     (MSN,
        O que é a ironia socrática? O próprio Sócrates, nos diálogos      Google Eart, etc.).
platônicos, diz que seu destino é investigar, já que a única verdade      - Possibilidade de viver numa
que detém é a certeza de que nada sabe. Interrogava, portanto, para       “sociedade em rede”.
saber e, empenhado nessa tarefa, não raro surpreendia as pessoas
em contradições, resultantes de crenças aceitas de modo dogmático,               4.6.    CARÁTER HISTÓRICO E SOCIAL DA ÉTICA E DA
de pretensas verdades admitidas sem crítica.                                             MORAL
        A ironia tinha que ser acompanhada da maiêutica, isto é, o                As teorias éticas nascem e desenvolvem-se em diferentes
método socrático constituía-se de duas partes: a primeira mostrava os     sociedades como resposta aos problemas resultantes das relações
limites, as falhas, os preconceitos do pensamento comum e a               entre os homens. A moral é uma construção humana. Os sistemas
segunda iniciava no processo de busca da verdadeira sabedoria.            morais se adequam às transformações histórico-sociais e se
Numa situação de conflito e de incertezas o ironista, depois de           fundamentam em valores como o bem a liberdade. Os contextos
realizar o exercício da desconstrução e da negatividade, deve ajudar      históricos são, pois, elementos muito importantes para se perceber as
condições que estiveram na origem de certas problemáticas morais
que ainda hoje permanecem atuais.


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                                                                                               As perguntas de Sócrates não visavam confundir as pessoas e
                  NORMAS MORAIS E NORMAS JURÍDICAS
                                                                                       ridicularizar seu conhecimento das coisas, mas, motivá-las a alcançar
     ASPECTOS COMUNS                    DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS                        um conhecimento mais profundo, não só de si próprias, mas também
                                                                                       dos outros, dos objetos e do mundo que as rodeava, provocando
- Ambas apresentam-se         - As normas morais são cumpridas a partir da             nelas novas idéias. Essa era a sua maneira de filosofar, sua “arte de
como imperativas: devem       convicção pessoal de cada indivíduo enquanto as
ser seguidas por todos;       normas jurídicas devem ser cumpridas sob pena de
                                                                                       partejar”, de ajudar as pessoas a parir, a dar a luz às novas idéias,
- Elas propõem uma            punição do estado em caso de desobediência;              arte que dizia ter aprendido com sua mãe, que ajudava as mulheres a
melhor convivência entre      - A Punição, no campo do direito está prevista na        dar a luz aos seus filhos. A interrogação de Sócrates expunha os
os indivíduos;                legislação, ao passo que, no campo da moral, a           saberes dos sujeitos e, ao mesmo tempo, mostrava o quanto as
- Orientam-se pelos valores   sansão pode variar bastante, pois depende da             pessoas não tinham consciência daquilo que realmente sabiam.
culturais próprios de uma     consciência moral do sujeito que infringe a norma;               Essas atitudes, como dizem os historiadores, fez de Sócrates
determinada sociedade;        - Direito: tudo é permitido que se faça, exceto àquilo   uma figura singular e lhe angariou alguns amigos e muitos inimigos.
- Têm um caráter              que a lei expressamente proíbe. A moral é mais           Embora parecesse neutra e sem um objetivo preciso (Sócrates
histórico: mudam de           ampla: atinge diversos aspectos da vida humana;
                                                                                       parecia não ser partidário de nenhuma das tendências da época e
acordo com as                 - A moral não se reduz a um código formal, o direito
transformações histórico-     sim;                                                     não defendeu explicitamente nenhum regime político), essa atitude
sociais.                      - O direito mantém uma vinculação com o Estado,
                                                                                       questionava poderes instituídos, valores consolidados e, por isso,
                              enquanto a moral não apresenta esta vinculação.          também pedia mudanças.
                                                                                               Com a ironia, ao trazer à tona os limites dos argumentos
                                                                                       comuns, ao mostrar as contradições ocultas na ordem comumente
     •   De todas essas diferenças, talvez uma mereça maior destaque:
                                                                                       aceita, ao revelar, ao abalar as certezas que fundavam o cotidiano,
         a coercibilidade da norma jurídica, que conta com a força e a
                                                                                       Sócrates convida ao filosofar como um processo metódico de
         repressão potencial do Estado (através da ação da justiça e da
                                                                                       elaboração de novos saberes.
         polícia) para ser obedecida pelas pessoas. Já a norma moral
                                                                                               Ao afirmar que também ele nada sabia, queria apenas dizer
         não é sustentada pela coerção do Estado, isso implica que ela
                                                                                       que um novo caminho para chegar-se a uma nova verdade seria
         depende, de certo modo, da aceitação de cada indivíduo para
                                                                                       indispensável. Se ele soubesse esta nova verdade, ele não diria que
         ser cumprida. Por isso a norma moral costuma ser vinculada,
                                                                                       nada sabia, pois apenas sabia o caminho, isto é, o começo do
         por alguns filósofos, a idéia de liberdade.
                                                                                       conhecimento e ele queria saber mais. Sócrates proclama que ele
                   4.5. NOVOS PROBLEMAS DA ÉTICA                                       não sabe nada, e esta é sua maneira de trazer à luz o que ele sabe e
      A ciência e a técnica contribuíram não só para o bem da                          o que já sabiam as pessoas honestas à sua volta, (hora pessoas
humanidade, mas também para o mal. É seu lema: “Descobrir tudo o                       honestas, acreditam saber tudo e é preciso ironizar um pouco delas
que pode ser descoberto. Experimentar tudo aquilo que pode ser                         para confrontá-las entre si e ensinar-lhes que elas só tinham opiniões
experimentado”.                                                                        contraditórias, cuja verdade devia extrair-se do que tivesse verdade)
                                                                                       (LEFEBVRE, 1969, p. 14).
Sócrates, por meio de sua atividade, mostra-nos que o                              4.6.1.3.   TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE
exercício do filosofar é, essencialmente, o exercício do                                             MODERNA
questionamento, da interrogação sobre o sentido do homem e do                A primeira revolução Científica trouxe várias mudanças para o
mundo.                                                                pensamento, dentre as quais podemos destacar a mudança da visão
18                                                                    teocentrista (Deus é o centro do conhecimento), para visão
                                                                      antropocentrista (o homem é o centro do conhecimento). O
       A partir dessa atividade Sócrates enfrentou problemas, foi     racionalismo de René Descartes - O discurso do Método: A máxima
julgado e condenado à morte. Na história, a filosofia questionadora   do cartesianismo "Cogito ergo sun".
incomoda o poder instituído, porque põe em discussão relações e                                                                            95
situações que são tidas como verdadeiras. A filosofia procura a
verdade para além das aparências.
                                                                         •   É uma disciplina teórica com preocupações práticas, a ética
       Platão - Doxa - A ciência é baseada na Opinião.
                                                                             orienta-se pelo desejo de unir o saber ao fazer.
       Aristóteles - Episteme - A ciência é baseada Observação
(Experiência).                                                               4.1.   ÉTICA, MORAL E DIREITO
                  4.6.1.1.   TEORIA    DO    CONHECIMENTO       NA           Ética: conjunto de princípios morais que se devem observar no
                             ANTIGUIDADE                              exercício de uma profissão.
       Podemos perceber que os Filósofos gregos deixaram algumas             Moral: conjunto de regras que trata dos atos humanos, dos
contribuições para a construção da noção de conhecimento:             bons costumes e dos deveres do homem em sociedade e perante os
       a) Estabeleceram a diferença entre conhecimento sensível e     de sua classe.
          conhecimento intelectual.                                          Direito: o que é justo e conforme com a lei e a justiça.
       b) Estabeleceram diferença entre aparência e essência.                A ética, a moral e o direito estão interligados. A ética consiste
       c) Estabeleceram diferença entre opinião e saber.              num conjunto de princípios morais, a moral consiste em conjunto de
       d) Estabeleceram regras da lógica pra se chegar à verdade.     regras, só que a moral atua de uma forma interna, ou seja, só tem um
                                                                      alto valor dentro das pessoas, ela se diferencia de uma pessoa para
                  4.6.1.2.   TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE
                             MÉDIA                                    outra e o direito tem vários significados, ele pode ser aquilo que é
                                                                      justo perante a lei e a justiça, aquilo que você pode reclamar que é
      a) Na Patrística - Temos a tendência da conciliação do          seu.
         pensamento cristão ao pensamento platônico, sendo seu               A ética tem uma relação maior com as profissões. Ela seria
         grande expoente Santo Agostinho.                             como uma regra a ser seguida, um dever que profissional tem com
      b) Na Escolástica - Temos a anexação da Filosofia               aquele que contrata o seu serviço. A partir do momento em que se
         aristotélica ao pensamento cristão, com o estreitamento da   começa a exercer uma profissão, deve-se começar a praticar a ética.
         relação Fé e razão, sendo seu grande expoente São Tomás             A moral e o direito têm a seguinte base: a moral tem efeito
         de Aquino.                                                   dentro da pessoa, ela atua como um valor, aquilo que se aprendeu
      c) Nominalismo - Temos o final do domínio do Pensamento         como certo e o direito tem uma relação com a sociedade, o direito é
         Medieval, com a separação da Filosofia da teologia através   aquilo que a pessoa pode exigir perante seus semelhantes, desde
         do esvaziamento dos conceitos. Sendo seus expoentes          que esteja de acordo com a lei, aquilo imposto pela sociedade.
         Duns Scotto e Guilherme de Oclkam.
4.3.DISTINÇÃO ENTRE MORAL E ÉTICA
                                                                            •   A Ética é uma disciplina teórica sobre uma prática humana,
                                                                                que é o comportamento moral. No entanto as reflexões éticas
                                                                                não se restringem apenas à busca de conhecimento teórico
                                                                                sobre os valores humanos, cuja origem e desenvolvimento
                                                                                levantam questões de caráter sociológico, antropológico,
                                                                                religioso, etc.
                                                                                                                                           19
94
       Ninguém que reflita deixa de mudar, embora a mudança possa
                                                                               O empirismo: John Locke - a experiência; David Hume - a
ser muitas vezes sentida mais na interioridade do que na objetividade
                                                                         Crença. O criticismo kantiano: O conhecimento a priori: Universal e
da vida, nas pequenas do que nas grandes coisas, no que é estrutural
                                                                         necessário. A herança iluminista: A razão.
e não aparente. Nenhuma mudança que se dê sem uma modificação
das estruturas profundas pode ser chamada de revolução. Só idéias                           4.6.1.4. TEORIA      DO        CONHECIMENTO
sólidas, porque fundamentais para a verdade metafísica e ética de                                     CONTEMPORÂNEA: A CRISE DA RAZÃO
nossa existência como espécie, sustentam nosso modo de vida, só
                                                                                 O novo iluminismo de Habermas. A razão crítica precisa:
outras idéias e novos modos de ver o que existe é que podem mudar
                                                                                 a) Fazer a crítica dos limites.
nossa vida.
                                                                                 b) Estabelecer princípios éticos.
                         4.2.2.MORAL                                             c) Vincular construção a raízes sociais.
     •   A palavra moral vem do latim, mos, mor = “costumes” e refere-           A construção do conhecimento fundado sobre o uso crítico da
         se ao conjunto de normas que orientam o comportamento           razão, vinculado a princípios éticos e a raízes sociais é tarefa que
         humano tendo como base os valores próprios de uma               precisa ser retomada a cada momento, sem jamais ter fim.
         comunidade ou cultura.                                                  O assunto é por demais amplo e muito bem discutido por
     •   Conjunto de normas de conduta de uma sociedade.                 vários filósofos. Nossa pretensão foi apensas de trazer uma reflexão
     •   Como as comunidades humanas são distintas entre si, tanto no    através de um esboço sistemático da história do conhecimento.
                                                                                 Deixamos para apreciação através de uma análise analítica e
         espaço quanto no tempo, os valores podem ser distintos de
                                                                         crítica os principais modos de conhecer o mundo e suas formas de
         uma comunidade para outra, o que origina códigos morais
                                                                         abordagens para se chegar ao conhecimento verdadeiro.
         diferentes.
                               4.2.2.1.QUESTÕES FUNDAMENTAIS       DO
                               CAMPO DA MORAL

     •   O que devo fazer para ser justo?
     •   Quais valores devo escolher para guiar minha vida?
     •   Há uma hierarquia de valores que deve ser seguida?
     •   Que tipo de ser humano devo ser nas minhas relações comigo
         mesmo, com meus semelhantes e com a natureza?
     •   Que tipos de atitudes devo praticar como pessoa e como
         cidadão?
observador.
                                                                                            A Ciência          A         Objetividade -       A        Relação "impessoal",
                                                                                                        experimentação   Comprovação      observação       A isenção do
                                                                                                                            de uma                      cientista diante de
                                                                                                                          determinada                  sua pesquisa: O mito
                                                                                                                         tese de modo                    da neutralidade
                                                                                                                            objetivo                        científica.


                                                                                                                                                                        93

                         4.6.1.5.      MODOS DE CONHECER O MUNDO
                                                                                                     1- Ou na omissão, na passividade que é a forma negativa da
Modos de     Critérios de           Objetivação    Metodologia      Relação sujeito-        ação, uma espécie de ação contraditória, ação como não-fazer, pela
Conhecer      verdade                                                   Objeto              qual temos que fazer um certo esforço, no sentido de assumir uma
o Mundo                                                                                     postura de inação. Neste caso, quando vejo o mundo e, por medo ou
 O Mito           A Fé          Dogmatismo -            A                  Relação          por preguiça, ou mesmo por cálculo de vantagens (numa postura
                                Doutrinamento      experiência     Suprapessoal, onde       utilitarista imediata) eu decido “ficar na minha”;
                                e Proselitismo       pessoal          a Revelação do                 2- Ou conforme a ação positiva, a ação propriamente dita,
                                                                         Sagrado se         aquela pela qual temos que escolher, deliberar e responsabilizar-nos.
                                                                    manifesta (revela)
                                                                    sobrenaturalmente
                                                                                            Em ambos os casos, posso agir movido por motivos externos ou
                                                                    ao profano através      internos. Submetido a uma força alheia à minha vontade ou não. A
                                                                  do rito (Dramatização     questão da decisão se torna essencial neste caso, pois é apenas a
                                                                   do mito, ou seja, da     decisão consciente que conseguimos assumir se somos éticos.
                                                                     liturgia religiosa).   Porém, a questão maior é “se podemos assumir o que não sabemos
    A           A razão              A razão        A dialética   Relação transpessoal
                                                                                            que fazemos”. Quem não pensa não sabe o que faz, mas hoje em dia
Filosofia                           discursiva.    (O discurso)   onde a palavra diz as
                                                                   coisas. O mundo se       isto não pode ser desculpa. Pensar, refletir, tornou-se um imperativo
                                                                      manifesta pelos       ético num contexto de vazio do pensamento que leva à banalização
                                                                       fenômenos e é        de todas as coisas.
                                                                     dizível através do              Todas as minhas ações são movidas por pensamentos sejam
                                                                            logos.
                                                                                            eles conscientes ou inconscientes, sejam claros ou obscuros, sejam
O Senso     A cultura ética e       A Tradição     As crenças     Relação interpessoal,
Comum            moral               cultural       silenciosas       onde a ideologia      meus ou não. Se não penso é possível que outrem esteja pensando
                                                   (Ideologias)     estabelecida pelas      no meu lugar e promovendo minhas ações, pois o território dos
                                                                   idéias dominantes e      pensamentos é comum, é compartilhado.
                                                                        pelos poderes                Pensar é outra tarefa urgente. É o modo mais direto de reunião
                                                                       estabelecidos.       entre razão e sensibilidade, entre o raciocínio lógico necessário à
 A Arte        A estética       Esteticismo = A      O gosto         Relação pessoal,
                                  subjetividade                   onde a criatividade e     produção da vida, às ações concretas e os dados que nossa atenção
                                 do artista e do                      a percepção da        e percepção recolhem da realidade na qual estamos inseridos.
                                 contemplador                      realidade do autor e              A rigor não há teoria sem prática, do mesmo modo que não há
                                (observador) da                      a interpretação e      prática sem teoria, pois todo pensamento leva a uma ação ou
                                      arte.                           sensibilidade do      omissão, ao agir ou à inércia. Julgamos mal o pensar que leva à
omissão e à inércia, pois sabemos que não há uma ação consistente        não estamos tão acostumados a pensar que nosso próprio pensar é
sem uma teoria que lhe dê bases seguras de compreensão. Pensar é         ele mesmo uma forma de ação. Por que podemos dizer isso? Porque
o começo da prática.                                                     nossos pensamentos sempre nos levam a agir sob duas formas
        Não há ação coerente sem uma compreensão prévia das              básicas:
circunstâncias onde as coisas precisam ocorrer. O pensamento
reflexivo é aquele que tem o poder de provocar mudanças ao seu
redor.

92                                                                                                                                               21


      Por isso, antes de mais nada, a urgência que se tornou                          4.7.   CIÊNCIA, POLÍTICA, FILOSOFIA E PODER
essencial hoje – e que por isso mesmo, por ser essencial, muitos não       “O homem é um ser que precisa de um chefe. Até os homens que acreditam
percebem – é tratar a ética como uma trabalho da lucidez quanto ao             dominar também precisam de tal chefe; e eles são pouco capazes de se
que estamos fazendo com nosso presente, mas sobretudo, com o que          valerem desta sua chefia, se finalmente é um homem quem deve ser o último
nele se planta e define o rumo futuro. Para isso é preciso renovar                                                                    chefe” (Kant).
nossa capacidade de diálogo e propor um novo projeto de sociedade               4.7.1. O QUE É O PODER
no qual o bem de todos esteja realmente em vista.
                                                                                        Só existe poder na relação com outras pessoas que delegam
                   4.2.CONCEITO E CARACTERÍSTICA                                                               ou deixam o poder na mão de alguém.
                                                                                O poder não é uma substância! Não é tangível, pois não é
                         4.2.1.ÉTICA
                                                                         coisa. Portanto, não é algo que se tem ou não. Poder é exercício. É
     •   A palavra ética vem do grego, “modo de ser”, “comportamento”.   ato. É realização. Daí dizermos que o poder não é um jogo de soma-
     •   O que se pode? O que não se pode? Fundamentado em               zero, mas uma relação assimétrica entre dois atores políticos. Poder
         pressupostos. Estamos sempre diante de posições distintas e     é fazer valer a sua vontade.
         precisamos decidir. “A característica específica do homem em                 4.7.2. OS ELEMENTOS DO PODER
         comparação com os outros animais é que somente ele tem o
         sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e de outras      •   COERÇÃO: obrigar a outros, pela força ou imposição, que
         qualidades morais” (Aristóteles, Política, p. 15).                     façam aquilo que desejamos.
     •   A ética é uma disciplina teórica sobre uma prática humana.         •   INFLUÊNCIA: fazer com que os outros ajam como se fosse
     •   É necessário unir o saber ao fazer (TEORIA + PRÁTICA).                 por vontade própria, por persuasão. Coerção + Influência =
     •   Aplicar o conhecimento sobre o ser para construir aquilo que           Poder.
         deve ser.                                                                    4.7.3. OS RECURSOS DO PODER
                               4.2.1.1.DE COMO A TEORIA É UMA FORMA            Recurso de poder é tudo o que nos dá esta condição ou
                               DE PRÁTICA                                capacidade de dominar. Podemos afirmar, então, que têm mais poder
       Todo conhecimento nasce de um gesto humano pelo querer            aqueles que têm mais recursos. Quanto maiores são os recursos de
saber. Este gesto já é em si mesmo uma atitude. Atitude é um termo       alguém, maior é a sua capacidade de fazer valer a sua vontade. Os
que define uma forma de prática. Teoria e prática, olhar e fazer,        recursos do poder são:
perceber e agir, estão mais próximos do que costumamos pensar. Só           • Econômicos - valores econômicos;
•   Simbólicos - imagem pessoal, cargos à disposição de um                         4.7.7. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA
       político para distribuição entre partidos que o apóiem,                   Mas a dominação política não se exerce somente por meio da
       informação, conhecimento, posição ocupada na organização          influência e do recurso à força... Existe a dominação legítima, isto é,
       social, capital social, etc.;                                     aquela que é fundada no consenso do próprio dominado.
   •   Subjetivos - qualidades pessoais, competência, carisma;                   O poder pode fundamentar-se sobre: medo, promessas, afeto
   •   Coercitivos - poder militar, poder de polícia, censura.           ou ganância. Mas nada é tão permanente e estável quanto a
                                                                         autoridade legítima. Dominação Legítima significa, em essência, que
                                                                         alguém tem o direito de comandar outros, e esses outros têm a
             4.7.4. AS ESTRATÉGIAS DO PODER                              obrigação de obedecer. Existem três tipos de dominação legítima:
                                                                         tradicional, legal-racional e carismática.
       Não basta possuir recursos de poder. É necessária a
estratégia. O recurso depende de estar disponível, de nossa vontade                                                                          91
de usá-lo, de nossa capacidade de usá-lo. Análise do poder: para
averiguar até onde alguém detém o poder, no caso, por exemplo, do
presidente da república é necessário que se tenha presente: os                  Há, neste contexto, quem pense que ser corrupto não exclui a
recursos + estratégias.                                                  ética. E isso não é opinião de ignorantes que não freqüentaram
                                                                         escola alguma, mas de muitos ditos “cultos” e “inteligentes”. Quem
             4.7.5.PODER E AUTORIDADE                                    hoje se preocupa em entender do que se trata? Quem se preocupa
                                                                         em não cair na contradição entre teoria e prática? Em discutir ética
       A estrutura social é composta de uma rede de posições
                                                                         para além dos códigos de ética das profissões pensando-a como
sociais, cada qual vinculada a um certo grau de poder, pois as
                                                                         princípio que deve reger nossas relações?
posições são recursos de poder. Ao poder que emana da posição
                                                                                Exatamente pela falta de compreensão do seu fundamento, do
num grupo ou na sociedade, chamamos de AUTORIDADE.
                                                                         que significa a ética como elemento estrutural para cada um como
             4.7.6.PODER E INFLUÊNCIA                                    pessoa e para a sociedade como um todo, é que perdemos de vista a
                                                                         possibilidade de uma realização da ética. A ética não entra em
       Definiremos influência como a capacidade de um ator A alterar     nossas vidas porque nem bem sabemos o que deveria entrar. Nem
o comportamento de um ator B na direção desejada por A. Algumas          sabemos como. Mas quando perguntamos pela ética, em geral, é
distinções úteis:                                                        pelo “como fazemos para sermos éticos”, que tudo começa. Aí
    • PODER COERÇÃO: é o processo pelo qual a conduta de um              começa também o erro em relação à ética. Pois ético é o que
        ator B é alterada mediante severas sanções aplicadas contra a    ultrapassa o mero uso que podemos fazer da própria ética quando se
        vontade de B.                                                    trata de sobreviver. Ética é o que diz respeito ao modo de nos
    • PODER INFLUÊNCIA: é o processo pelo qual a conduta ou a            comportamos e decidirmos nosso convívio e o modo como
        disposição de agir de um ator B é alterada segundo as            partilhamos valores e a própria liberdade. Ela é o sentido da
        preferências, desejos, expectativas ou intenções de um outro     convivência, mais do que o já tão importante respeito do limite próprio
        ator.                                                            e alheio. Portanto, desde que ela diz respeito à relação entre um “eu”
       A Influência pode se dar ainda de forma manifesta ou de forma     e um “tu”, ela envolve pensar o outro, o seu lugar, sua vida, sua
implícita e poderá ser uma Influência positiva ou influência negativa.   potencialidade, seus direitos, como eu o vejo e como posso defendê-
                                                                         lo.
A Ética permanece, porém, sendo uma palavra vã, que usamos            elaborada que possa sustentar a ação boa e justa - o foco de
a esmo, sem pensar no conteúdo que ela carrega. Ninguém é ético só            qualquer ética desde sempre - é o que está em jogo.
porque quer parecer ético. Ninguém é ético porque discorda do que                     Falta, para isso, entendimento. Ou seja, compreensão de um
se faz contra a ética. Só é ético aquele que enfrenta o limite da             sentido comum na nossa reivindicação pela ética. Falta para se
própria ação, da racionalidade que a sustenta e luta pela construção          chegar a isso, que haja diálogo, ou seja, capacidade de expor e de
de uma sensibilidade que possa dar sentido à felicidade. Mas esta é           ouvir o que a ética pode ser. Clamamos pela ética, mas não sabemos
mais do que satisfação na vida privada. A felicidade de que se trata é        conversar. E para que haja ética é preciso diálogo. E por isso,
a “felicidade política”, ou seja, a vida justa e boa no universo público.     permanecemos num círculo vicioso em que só a inação e a
A ética quando surgiu na antiguidade tinha este ideal. A felicidade na        ignorância triunfam.
vida privada – que hoje também se tornou debate em torno do qual                        Na inanição intelectual em voga, esperamos que os cultos, os
cresce a ignorância - depende disso.                                            intelectuais, os professores, os jornalistas, todos os que constroem a
                                                                                  opinião pública, tragam respostas. Nem estes podem ajudar muito,
                                                                                             pois desconhecem ou evitam a profundidade da questão.

                  4.MORAL E ÉTICA
                                                                                                                                                          23
  “Aquele que era totalmente divino se tornou humano, para que os humanos
                                                   se tornassem divinos”.
  “O verdadeiro humanismo não tem fronteiras, nem o céu lhe impõe limites”.                         4.7.7.1.   A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA TRADICIONAL

                  4.1.O QUE É ÉTICA HOJE?                                            É a dominação em virtude da crença na santidade das
                                                                              ordenações e dos poderes senhoriais de há muito existentes. Ocorre
       A palavra ética aparece em muitos contextos de nossas vidas.           sempre que a relação de domínio esteja fundada na dependência
Falamos sobre ética em tom de clamor por salvação. Cheios de                  pessoal ou na honra estamental, por vínculos de fidelidade e em
esperança, alguns com certa empáfia, exigimos ou reclamamos da                princípios materiais, com ausência de direito formal. Relação de
falta de ética, mas não sabemos exatamente o que queremos dizer               domínio fundada na dependência pessoal.
com isso. Há um desejo de ética, mas mesmo em relação a ele não                      Estrutura puramente patriarcal: servidores recrutados em
conseguimos avançar com ética. Este é nosso primeiro grande                   completa dependência pessoal do senhor, sob a forma patrimonial
problema.                                                                     (escravos, servos, eunucos) ou extra patrimonial (favoritos, plebeus,
       O que falta na abordagem sobre ética é justamente o que nos            parentes). Tipo mais puro: sultanato6.
levaria a sermos éticos. Falta reflexão, falta pensamento crítico, falta
entender “o que é” agir e “como” se deve agir. Com tais perguntas é
que a ética inicia. Para que ela inicie é preciso sair da mera
indignação moral baseada em emoções passageiras, que tantos                   6
                                                                                País governado por um sultão. Poder absoluto do Sultão sobre uma região em
acham magnífico expor, e chegar à reflexão ética. Aqueles que                 determinado período histórico, não estando sujeito a obediência de outro poder.
expõem suas emoções se mostram como pessoas sensíveis,                        Caracteriza-se pela extrema influência política e econômica, ampla riqueza,
bondosas, crêem-se como antecipadamente éticos porque emotivos.               centenas de serviçais pessoais e mordomias infindáveis. Um exemplo clássico é o
Porém, não basta. As emoções em relação à política, à miséria ou à            Império Turco e por associação figurativa podemos usar o termo para definir
violência, passam e tudo continua como antes. A passagem das                  poderes exercidos por países ou seus segmentos que praticam o nepotismo, se
                                                                              beneficiam do poder para obter regalias e privilégios, pouco ou nenhuma
emoções indignadas para a elaboração de uma sensibilidade                     transparecia das despesas e uso político dos cargos e funções públicas. Um
                                                                              exemplo figurativo: o Senado Brasileiro.
4.7.7.2. A     DOMINAÇÃO       LEGÍTIMA    LEGAL-         •     Poder ideológico: que utiliza a posse de certas idéias,
                               RACIONAL                                             valores, doutrinas para influenciar a conduta alheia, induzindo
                                                                                    as pessoas a determinados modos de pensar e agir.
      É a dominação em virtude de estatuto, de tal modo que
                                                                              •     Poder político: que utiliza a posse dos meios de coerção
qualquer direito pode ser criado e modificado mediante um estatuto
                                                                                    social, isto é, o uso da força física considerada legal e
sancionado corretamente quanto à forma. Ocorre sempre que a
                                                                                    autorizada pelo direito vigente na sociedade.
competência de mando esteja fundada sobre regras estatuídas e que
o exercício do direito de domínio seja congruente com o tipo de               •     O que essas três formas de poder têm em comum?
administração legal.                                                              “É que elas contribuem conjuntamente para instituir e manter sociedades de
                                                                                  desiguais divididas em fortes e fracos, com base no poder político; em ricos e
                    4.7.7.3. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA CARISMÁTICA                     pobres, com base no poder econômico; em sábios e ignorantes, com base no
                                                                                  poder ideológico. Genericamente, em superiores e inferiores” 7.
       É a dominação em virtude de devoção afetiva à pessoa do
                                                                                            4.7.9. A CIÊNCIA COMO INSTRUMENTO DO ESTADO
senhor e a seus dotes sobrenaturais (carisma) e, particularmente, a
faculdades mágicas, revelações ou heroísmo, poder intelectual ou de              Na sociedade contemporânea cada vez mais a ciência
oratória. Ocorre sempre que a dominação se dê em função do                demonstra seu poder de sanar problemas. Mas, a mesma ciência que
reconhecimento pessoal e se constitua em dever da comunidade em           sinaliza eficácia nas soluções de problemas é forçada a criar outros,
relação ao líder.                                                         para sua própria sobrevivência, quem sabe?
                                                                                                                                                              89
             4.7.8. AS FORMAS DE PODER
                                                                                  2) Séc. XVIII - a burguesia não se contentava mais em ter
      O poder subordina as pessoas, que lhe dão essa prerrogativa         apenas o poder econômico, queria também o poder político e a
em no intuito de se conseguir viver em harmonia com seus                  monarquia absoluta não conseguiu impedir a expansão capitalista –
semelhantes.                                                              Reis sequiosos de fundos para manter a burocracia e os exércitos
      Vale dizer que o poder somente poderá ser considerado dentro        permanentes.
de uma sociedade e em relação a duas ou mais vontades, sendo que                  3) Séc. XVIII – França – Rei sugere que o clero e a nobreza
uma irá sempre sobressair em relação à outra, submetendo as               paguem impostos – recua – forças sociais emergem resultando em
demais.                                                                   uma crise social e institucional (1788) – instalação dos Estado Gerais
      Há quem diga que não há nenhuma necessidade a existência            (duplicação do número de representantes do Terceiro Estado).
de um poder social que coordene e controle a sociedade.                           Contrato Social de Locke = importante componente teórico
      Embora sejam diferentes as justificativas para tal resistência ao   para os revolucionários burgueses – idéia de indivíduo aliada a de
poder social, pode-se dizer que todos aqueles não aceitam essa            direitos pessoais que provém da natureza como dádiva de Deus –
necessidade seriam todos denominados anarquistas.                         doutrina do direito a resistência (vontade e consentimento)
                    4.7.8.1.   AS TRÊS FORMAS DE PODER SOCIAL                     Liberalismo = doutrina que se foi forjando nas marchas contra
                                                                          o absolutismo e no crescimento do individualismo – constituição –
   •   Poder econômico: que utiliza a posse de certos bens                poder monárquico limitado e um bom grau de liberdade civil e
       socialmente necessários para induzir aqueles que não os            religiosa = Estado Mínimo (garantia de paz e segurança, apenas).
       possuem adotar determinados comportamentos, como, por
       exemplo, realizar determinado trabalho.
                                                                          7
                                                                           BOBBIO, Norberto. Estado, governo, sociedade – para uma teoria geral da
                                                                          política. RJ, Paz e Terra, 1987, p. 83.
1) Moral= liberdade, dignidade e vida. Todo                                               3.5.1.4.ESTADO  E   PROPRIEDADE. O
                   indivíduo deve ser respeitado e ter a liberdade de                                        ESTADO LIBERAL. A DOUTRINA DO
                                                                                                             DIREITO     À   RESISTÊNCIA   E  O
                   buscar sua auto-realização (mobilidade social)                                            INDIVIDUALISMO LIBERAL.
Núcleos            2) Político-Jurídico= consentimento individual,
                   representação, constitucionalismo e soberania               - Estado: Liberal ou Estado-mínimo8. O povo deve escolher a
                   popular.                                             forma de governo e os representantes dos 3 poderes (legislativo,
                   3)    Econômico=       direito   econômicos      e   executivo e federativo).
                   propriedade, individualismo econômico/sistema               - Fundamento originário da propriedade: capacidade de
                   de livre empresa/capitalismo – o mercado se          trabalho.
                   auto-regula. A competição é o termômetro.                   - Doutrina do Direito a resistência: quando o Estado viola
                                                                        deliberada e sistematicamente a propriedade, o povo tem o direito
      CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:
                                                                        legítimo de resistir à opressão. Volta-se ao estado de natureza.
       1) Separação entre Estado e Sociedade Civil mediada pelo                 a)   ESTADO LIBERAL
Direito (ideal de Justiça);
       2) A garantia das liberdades individuais;                                Postura ultra-individualista, assentada no comportamento
       3) A democracia; a origem consensual do Estado, a idéia de       egoísta, concepção individualista e formal da liberdade onde há o
representação e a imposição de um controle hierárquico da produção      direito e não o poder de ser livre.
legislativa através do controle de constitucionalidade.                         ANTECEDENTES HISTÓRICOS:
       4) Estado Mínimo.                                                        1) Séc. XVII - surgiu na Inglaterra (Revolução Inglesa) na luta
                                                                        política que culminou na Revolução Gloriosa de 1688 contra Jaime II
88
                                                                        – objetivos: tolerância religiosa e o governo constitucional. Os Wighs
                                                                        são os ancestrais do liberalismo.
       - Contrato Social: Tem como objetivo evitar os inconvenientes
do estado de natureza, consolidando ainda mais os direitos naturais
que os Homens já possuíam. É baseado no consentimento unânime.                                                                                             25
Com o pacto cria-se um corpo político único, dotado de legislação,
judicatura e da força concentrada da comunidade.
                                                                              A ciência utiliza-se do conhecimento como instrumento para
                                                                        demonstrar a “verdade” e como meio de diminuição das distâncias
                                                                        entre as pessoas, sem falar na redução das doenças que trouxe
                                                                        também à tona a revolução industrial, revelando os segredos da
                                                                        natureza, conquistando, enfim, a liberdade de investigação.
                                                                        8
                                                                           O Estado Liberal apoiava-se nos princípios da liberdade pessoal, do
                                                                        individualismo, da tolerância, da dignidade e da crença na vida. O Estado iria
                                                                        debruçar-se sobre os direitos econômicos, a propriedade privada, o sistema da livre
                                                                        empresa e a economia de mercado livre do controle estatal. O liberalismo se dava
                                                                        mediante a garantia dos direitos políticos (direito ao voto, direito de participar e
                                                                        decidir que tipo de governo eleger e que espécie de política seguir, o consentimento
                                                                        individual, a representação e o governo representativo, o constitucionalismo político,
                                                                        a teoria da separação dos poderes e a soberania popular.
Entretanto, diante de tantas benesses, há também: a miséria                                                                                                        poder intelectual ou de
                                                                                                                                                                           oratória.
trazida pelos avanços científicos que não tem a preocupação de                                      Ocorre        Sempre que a relação de      Sempre que a                Sempre que a
elastecer os benefícios para toda sociedade de forma igual. É meio                                                domínio esteja fundada       competência de mando        dominação se dê em
                                                                                                                  na dependência pessoal       esteja fundada sobre        função do
dicotômico, mas em meio à abundância, existe a miséria, a carência,                                               ou na honra estamental,      regras estatuídas e que     reconhecimento pessoal
doenças que ainda matam os pobres, que não gozam dessa                                                            por vínculos de              o exercício do direito de   e se constitua em dever
                                                                                                                  fidelidade e em              domínio seja congruente     da comunidade em
“maravilha” científica.                                                                                           princípios materiais, com    com o tipo de               relação ao líder.
        Essa relação de ciência e poder traz conseqüências terríveis                                              ausência de direito          administração legal.
                                                                                                                  formal.
para sociedade, a partir do momento que o Estado tem o controle e a                               Quem manda      O senhor.                    A regra estatuída.          O líder ou o herói.
utiliza como instrumento de manipulação para sobrepor a outros                                    Qualidade de    Dignidade tradicional.       Autoridade da posição       Qualidades excepcionais
                                                                                                 quem Domina                                   estatuída.
povos, como aconteceu num período histórico que se utilizaram desse                              Quem Obedece     Os súditos                   Os membros ou               Os discípulos ou
mesmo conhecimento para justificar a superioridade cultural de um                                                                              “cidadãos”                  apóstolos
                                                                                                     Quadro       Servidores (servos)          Funcionários                Seguidor (séqüito)
povo; prevalecendo a idéia etnocêntrica.                                                         Administrativo                                (burocracia)
        Submetendo esse povo dito inferior as suas leis; ferindo o                               Fundamento da    Dependência ou               Competência profissional    Vocação
                                                                                                     Relação      privilégio
espírito democrático do conhecimento que deve pertencer às                                         Natureza da    Relação tradicional          Relação formal              Relação pessoal
pessoas, a sociedade como um todo e não como instrumento de                                          Relação
manipulação de um grupo ou Estado, ou seja, daquele que possui                                      Modelo da     Senhor - servo               Superior - funcionário      Líder – discípulo
                                                                                                     Relação
maior poder aquisitivo.                                                                            Natureza da    Santidade (o sagrado)        Formalidade abstrata        revelação
        Na fala configura-se de forma substancial o poder da ciência,                                Norma
                                                                                                  Conteúdo da     Fidelidade                   Disciplina do serviço       Crença ou fé
que leva uma sociedade inteira a acreditar num conhecimento                                        Obediência
científico que beneficia alguns grupos ou grupo dessa sociedade, que                             Tipo da Ordem    Tradição                     Lei ou estatuto             Sentença
                                                                                                 Tipo mais Puro   Dominação patriarcal         Burocracia                  Apostolado oi missão
se apoderam de argumentos para justificar interesses próprios ou até                                Exemplos      Sultanato, monarquia,        Estado moderno,             Movimentos
mesmo de um governo que se utiliza de meios para justificar seus                                    Históricos    senhor de engenho,           corporações colegiadas,     missionários,
                                                                                                                  família, Estado feudal,      empresa capitalista,        movimentos messiânicos
fins, ficando evidenciado que os interesses “políticos” são numa                                                  brâmanes hindus,             partido político,           movimentos
proporção maior que os interesses científicos, divergindo assim dos                                               mandarins chineses,          sindicato, universidade     revolucionários,
                                                                                                                  Igreja, clérigos budistas,   contemporânea,              populismo (figura do
interesses da sociedade.                                                                                          aristocracias e              administrações por          demagogo), caudilhismo,
                                                                                                                  oligarquias etc.             parlamento, comitês ou      o profeta, Napoleão,
                                                                                                                                               colegiados etc.             Jesus, Péricles, Dalai
                                                                                                                                                                           Lama, direito hereditário
                                                                                                                                                                           de primogenitura etc.




                         TIPOS DE DOMINAÇÃO                                                                                               3.5.1.2.CONTEXTO HISTÓRICO
                  TRADICIONAL              LEGAL-RACIONAL               CARISMÁTICA
   Conceito    Dominação em virtude       Dominação em virtude       Dominação em virtude
                                                                                                      REVOLUÇÃO INGLESA = Limitou o poder do Rei e deu as
               da crença na santidade     de estatuto, de tal modo   de devoção afetiva à       bases para a Revolução Industrial. A Bill of Rights foi assinada em
               das ordenações e dos
               poderes senhoriais de há
                                          que qualquer direito
                                          pode ser criado e
                                                                     pessoa do senhor e a
                                                                     seus dotes sobrenaturais
                                                                                                1689.
               muito existentes.          modificado mediante um     (carisma) e,                     1ª Fase: Revolução Puritana (1640-1649).
                                          estatuto sancionado
                                          corretamente quanto à
                                                                     particularmente, a
                                                                     faculdades mágicas,
                                                                                                      - Conflito entre Coroa e Parlamento; Implantação da República;
                                          forma.                     revelações ou heroísmo,    Execução de Carlos I.
2ª Fase: Restauração (1660-1688).                                      - São independentes, porém interdependentes; Trata-se de
        - Reativou-se o conflito entre a Coroa e o Parlamento Carlos II   assegurar a existência de um poder que seja capaz de
é empossado e o Parlamento se divide entre Tories e Wighs.                contrariar o outro poder. É um problema político, de correlação de
        3ª Fase: Revolução Gloriosa (1688).                               forças e não um problema jurídico-administrativo, de organização de
        - Jaime II é retirado do poder por Guilherme de Orange, seu       funções.
genro. A Revolução Gloriosa assinalou o triunfo do liberalismo político
sobre o absolutismo e, com a aprovação do Bill of Rights em 12689,                         3.5.O     PENSAMENTO                       POLÍTICO
assegurou a supremacia legal do Parlamento sobre a realeza e                               CONTEMPORÂNEO
instituiu na Inglaterra uma monarquia limitada.
        ILUMINISMO – Século das Luzes (XVIII) defende o predomínio                                3.5.1.JOÃO LOCKE: O PRECURSOR DO
da razão sobre a fé e estabelece o progresso como destino da                                      PENSAMENTO POLÍTICO CONTEMPORÂNEO
humanidade.                                                                                             3.5.1.1.BIOGRAFIA DE JOÃO LOCKE
        - Principais obras: Cartas sobre a tolerância, Ensaio sobre o             João Locke nasceu em Wrington, em 1632. Estudou na
entendimento humano e os Dois tratados sobre o governo civil.             Universidade de Oxford filosofia, ciências naturais e medicina. Em
        Empirismo: doutrina segundo a qual todo o conhecimento            1665 foi enviado para Brandenburgo como secretário de legação.
deriva da experiência.                                                    Passou, em seguida, ao serviço de Loed Ashley, futuro conde de
                               3.5.1.3.TEORIA DA   TÁBULA    RASA   DO    Shaftesbury, a quem ficou fiel também nas desgraças políticas. Foi,
                               CONHECIMENTO                               portanto, para a França, onde conheceu as personalidades mais
       A mente é um papel em branco, desprovida de todos os               destacadas da cultura francesa do "grand siècle". Em 1683 refugiou-
caracteres, sem quaisquer idéias e que se supre da experiência. Todo      se na Holanda, aí participando no movimento político que levou ao
nosso conhecimento está fundado na nossa experiência e dela deriva        trono da Inglaterra Guilherme de Orange. De volta à pátria, recusou o
fundamentalmente o próprio conhecimento.                                  cargo de embaixador e dedicou-se inteiramente aos estudos
       É uma crítica à doutrina das idéias inatas, formulada por Platão   filosóficos, morais, políticos. Passou seus últimos anos de vida no
e retomada por Descartes, segundo a qual determinadas idéias,             castelo de Oates (Essex), junto de Sir Francisco Masham. Faleceu
princípios e noções são inerentes ao conhecimento humano e existem        em 1704.
independentemente da experiência.                                                 As suas obras filosóficas mais notáveis são: o Tratado do
       - Natureza Humana: os Homens são bons por natureza.                Governo Civil (1689); o Ensaio sobre o Intelecto Humano (1690); os
- Estado de Natureza: Os Homens são completamente livres e iguais.        Pensamentos sobre a Educação (1693). As fontes principais do
São dotados de Razão e já desfrutavam da propriedade (vida,               pensamento de Locke são: o nominalismo escolástico, cujo centro
liberdade e bens). Era um estágio de relativa paz, concórdia e            famoso era Oxford; o empirismo inglês da época; o racionalismo
harmonia.                                                                 cartesiano e a filosofia de Malebranche.
86


                      B) TEORIA DA SEPARAÇÃO       DOS   PODERES    OU                                                                        27
                         EQÜIPOTÊNCIA

      Executivo = executa as leis.
                                                                                Fica claro, viver num mundo informatizado, onde a informação
      Legislativo = elabora as leis.
                                                                          é central para a interpretação e a ação diante da realidade, significa,
      Judiciário = administra as leis.
nas falas recorrentes, estar a formação dirigida para o aprender a   2. A CIÊNCIA NA IDADE MODERNA
aprender, não mais se justificando a formação para o aprender a
fazer. Isto vai exigir muito mais do sistema educacional, pois o           2.1.   UMA NOVA CONCEPÇÃO DO HOMEM E DO MUNDO
objetivo de uma educação libertária terá que está voltada para a                  2.1.1. O MOVIMENTO DA REFORMA
adequação às necessidades sociais, estimulando a capacidade do
                                                                              MUDANÇAS OU TRANSFORMAÇÕES NO SISTEMA
sujeito, onde deixa de ser espectador e passa a ser protagonizador
                                                                     RELIGIOSO – que provocou a quebra da unidade religiosa européia e
da história, assumindo uma condição de sujeito que se apropria do
                                                                     rompeu com a concepção passiva do homem, entregue unicamente
conhecimento para gerir mudanças.
                                                                     aos desígnios divinos, reconhecendo o trabalho humano como fonte
                                                                     da graça divina e origem legítima da riqueza e da felicidade; também
                                                                     concebeu a razão humana como extensão do poder divino, o que
                                                                     colocava o homem em condições de pensar livremente e
                                                                     responsabilizar-se por seus atos de forma autônoma. A Reforma
                                                                     manifestou uma nova mentalidade associada ao declínio do
                                                                     feudalismo. Assim, a concepção medieval cristã, fundada na
                                                                     infalibilidade papal, deixou de ser aceita. No seu lugar, Lutero propôs
                                                                     a infalibilidade da Bíblia e a salvação pela fé. Calvino identificou a fé
                                                                     cristã com o trabalho, justificando as práticas capitalistas. A Igreja
                                                                     Anglicana reafirmou a autoridade da monarquia absolutista
                                                                     independente do poder papal.
                                                                                  2.1.2. O DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA NATURAL
                                                                             TRANSFORMAÇÕES,          NOVOS       PARADÍGMAS          NOS
                                                                     MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA – que criou novos
                                                                     métodos de investigação científicos, impulsionados pela confiança na
                                                                     razão humana e pelo questionamento da submissão deste aos
                                                                     dogmas do cristianismo; a Igreja Católica, por sua vez, perdia, nesse
                                                                     momento, parte de seu poder de influência sobre os Estados e de
                                                                     dominação sobre o pensamento. Assim, na cultura medieval, a
                                                                     religião era o fundamento do conhecimento; no Renascimento, a
                                                                     ciência ocupou o seu lugar.
                                                                                  2.1.3. A INVENÇÃO DA IMPRENSA
                                                                            MUDANÇAS OU TRANSFORMAÇÕES NO SISTEMA DE
                                                                     COMUNICAÇÃ0 – que possibilitou a impressão dos textos clássicos
                                                                     gregos e romanos, contribuindo para a formação do humanismo. A
                                                                     divulgação de obras científicas, filosóficas e artísticas, que se
                                                                     tornaram a partir de então acessíveis a um número maior de pessoas,
                                                                     propiciou um maior grau de consciência e liberdade de expressão.
                                                                                                                                           85
A idéia foi complementada pela teoria de Rousseau, que                   Todavia, o pacto social não tem por fim conciliar todos os
considerava o contrato social legítimo apenas se a aprovação do         interesses egoístas, mas antes depreender (o que é possível com a
mesmo fosse unânime. Além disso, Rousseau tenta retirar a idéia de      maioria das vozes, nos debates do povo reunido) uma vontade geral.
que os indivíduos são prejudicados com a existência do contrato, pois   Esta última faz abstração dos interesses divergentes e das paixões
esses homens ainda estão participando de seus respectivos direitos.     de cada um para só cuidar do bem comum. Entenda-se bem: "cada
A única mudança é que essa participação deixa de ser individual e       indivíduo pode, como homem, ter uma vontade particular contrária ou
passa a ser coletiva.                                                   dessemelhante da vontade geral que ele tem como cidadão". Por
                       3.4.3.MONTESQUIEU (1689-1755)                    conseguinte, nessa vontade geral descobriremos outra coisa que não
                              3.4.3.1.A TEORIA DA SEPARAÇÃO DOS         o interesse, o desejo de felicidade, etc. Encontraremos aí, no fundo, a
                              PODERES E O SISTEMA DE FREIOS E           regra da consciência, esse juízo inato do bem e do mal que cada um
                              CONTRAPESOS:      AS   CONCEPÇÕES         descobre em si mesmo, quando dissipa seus desejos egoístas "no
                              CLÁSSICAS DE MONTESQUIEU.                 silêncio das paixões".
        - Preocupação Principal = compreender as razões da                     Todos os seres humanos têm direito à liberdade, sobrevivência
decadência das monarquias, os conflitos internos que minaram sua        e de optar por um estilo de vida próprio. A partir do momento em que
estabilidade e também os mecanismos que garantiram por tantos           todos os homens têm esse direito, durante o usufruto deste, ocorrerá
séculos sua estabilidade è noção de moderação (estabilidade);           um grande choque entre os indivíduos, pois um passa a invadir o
        - Montesquieu estuda o passado para entender o presente e       espaço do outro. É frente a esse problema que surge o contrato
formular tendências para o futuro. Ele acredita que novas revoluções    social, que consiste na entrega total dos direitos individuais de todos
democráticas acontecerão e não há no momento nenhum regime              os cidadãos a uma certa pessoa (o soberano), como se este fosse um
político com condições ótimas de estabilidade.                          administrador geral de todos os problemas. Basicamente, 3 filósofos
        Sendo assim, Montesquieu cria uma saída teórica que visa        elaboraram a teoria do contrato social: Thomas Hobbes, John Locke e
dotar a República de estabilidade (noção de moderação).                 Jean-Jacques Rousseau.
                                                                               Thomas Hobbes fundamentou a teoria do contrato social,
             A) TIPOLOGIA DOS GOVERNOS
                                                                        dando a ela o embasamento teórico mínimo, ao passo que John
           Natureza do poder (quem detém o poder)                       Locke aprofundou essa idéia. Um dos pontos mais importantes desse
        - MONARQUIA - um só governa, através de leis fixas e            aprofundamento consiste na teoria de que, mesmo com a entrega dos
instituições;                                                           direitos do homem ao soberano, esses direitos não deixam de existir.
        - REPÚBLICA - governa o povo, no todo ou em parte;              Portanto, se a qualquer momento o absoluto agir de uma forma que
               - DESPOTISMO - governa a vontade de um só.               os indivíduos não considerem justa e coerente estes têm direito de
      Princípio de governo (como o poder é exercido)                    protestar, enquanto que na teoria de Hobbes isto seria incabível.
        - MONARQUIA – honra – regime do presente – instituições;        Locke ainda afirma que o contrato tem de ser constantemente
        - REPÚBLICA – virtude – regime frágil – passado – homens;       renovado, pois os homens que nascem hoje têm direito a discordar do
        - DESPOTISMO – medo – extensão do estado de natureza –          contrato ora feito ontem, de que nem mesmo foi visto ou aprovado por
                       regime do futuro – paixão.                       essas novas pessoas.



84                                                                                                                                          29
30


               2.1.4.O RENASCIMENTO                                                     Na época da morte de Galileu, o terreno estava preparado para
        MUDANÇAS OU TRANSFORMAÇÕES NO MODO DE SER E                              uma verdadeira revolução no pensamento científico. Isaac Newton
VIVER DOS EUROPEUS – em vez de uma supervalorização da fé                        contribuiu bastante para impulsionar essa revolução. Seu trabalho no
cristã, do teocentrismo (Deus como centro), houve uma tendência                  campo da matemática resultou no cálculo integral e diferencial. Seu
social antropocêntrica (homem como centro), ou seja, de valorização              trabalho na astronomia ajudou a definir as leis do movimento e da
da obra humana. Isso levou ao desenvolvimento do racionalismo e                  gravitação universal.
de uma filosofia laica (não-religiosa), que se mostrarão de modo                        Os estudos de óptica de Isaac Newton conduziram ao primeiro
geral otimista em relação à capacidade humana de intervir no mundo,              telescópio reflexivo. Um tema comum a todo o trabalho de Newton
organizar a sociedade e aperfeiçoar a vida humana.                               era uma capacidade quase sobrenatural de desenvolver alguns
                                                                                 conceitos e equações relativamente simples, mas com enorme poder
                         2.1.4.1. DIFERENÇAS    ENTRE O PENSAMENTO               de previsão. Seus sistemas unificados de leis resistiram a séculos de
                                  MEDIEVAL E O RENASCENTISTA                     teste e reflexão e continuam permitindo que cientistas estudem outros
                                                                                 mistérios da física e da astronomia.
   PENSAMENTO MEDIEVAL                 PENSAMENTO RENASCENTISTA
                                                                                        Seria justo dizer que o período coberto pela carreira de Newton
         Teocentrismo                           Antropocentrismo                 marca o começo da ciência moderna. No início do século 19, a
        Verdade = Bíblia             Verdade = experimentação, observação.       ciência estava estabelecida como campo independente e respeitado
                                                                                 de estudos, e o método científico - baseado em testes e
  Vida material sem importância    Vida terrena e material também é importante
                                                                                 observação - estava sendo adotado em todo o mundo. Um exemplo
          Conformismo                         Crença no progresso                clássico de como a ciência evoluiu como esforço colaborativo - que
   Natureza = fonte do pecado      Natureza = beleza, onde o homem se insere.    gera ampliação gradual do conhecimento - pode ser encontrado no
             Ascetismo                             Hedonismo                     desenvolvimento do que hoje designamos como teoria celular.
          Dogmatismo                          Fé diferente da razão              NICOLAU COPÉRNICO               GALILEU GALILEI                ISAAC NEWTON
                                                                                     (1473-1543)                   (1564-1642)                     (1642-1727)
      2.2.     OS PRECURSORES DA CIÊNCIA MODERNA
                                                                                    Combateu a teoria            Aperfeiçoou a luneta      Levou a termo a revolução
       Foram os trabalhos de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei                 geocêntrica (a Terra vista   (telescópio) inventada na      científica iniciada por
que influenciaram fortemente o pensamento de Bacon. Copérnico                        como centro do              Holanda e a utilizou       Galileu, dando origem à
propôs, com base em suas observações, que os planetas do Sistema                        universo).               sistematicamente na             física clássica.
                                                                                                                 observação do céu.
Solar giravam em torno do Sol, e não da Terra. Galileu conseguiu
confirmar uma estrutura centrada no Sol, quando usou um telescópio                    Propôs a teoria         Criou uma nova postura de     O mundo é uma grande
                                                                                       heliocêntrica            investigação científica.      máquina cujas partes
projetado por ele mesmo para obter dados sobre, entre outras coisas,
                                                                                  (demonstrando que a                                        podem ser conhecidas
as luas de Júpiter e as fases de Vênus. A maior contribuição de                  Terra girava em torno do                                   através da observação e
Galileu, porém, pode ter sido seu estudo sistemático do movimento,                 Sol e que este era o                                        da experimentação.
baseado em descrições matemáticas simples.                                       centro do nosso sistema
                                                                                       planetário).
                                                                                                          - O objetivo era prever para prover
3.4.3.2.A TEORIA DO CONTRATO SOCIAL E       si próprio e permaneça tão livre quanto antes; este, o problema
                               AS ORIGENS DA DESIGUALDADE ENTRE            fundamental cuja solução é dada pelo contrato social".
                               OS     HOMENS     EM  JEAN   JACQUES        82
                               ROUSSEAU
        Contemporâneo da Revolução Americana e anterior à                           A partir da criação do Estado, a liberdade do indivíduo fica
Revolução Francesa.                                                        adstrita ao que for permitido pelo soberano. Diz Hobbes, que existem
        Exercício da Soberania pelo povo como condição primeira de         três espécies de governos que ocorrem no Estado, que é a
sua libertação”.                                                           monarquia, aristocracia e democracia.
        - Natureza Humana: “os Homens nascem bons, mas a                            E por último, vale destacar outro fator importante, pois
sociedade os corrompe”.                                                    Hobbes trata de “doenças” que podem acometer o Estado levando-o
        - Estado de Natureza: precedente ao estado social, no qual o       à dissolução. O autor diz que dividir o poder do estado é dissolvê-lo e
Homem, essencialmente bom, só se preocupa com a sua                        sendo este dissolvido, não é mais possível a garantia da paz e
conservação.                                                               segurança do indivíduo. Hobbes considera a soberania a alma do
        - Contrato Social: visa superar obstáculos naturais e garantir a   Leviatã.
liberdade e igualdade, através de um ato de associação → alienação                                 3.4.3.JEAN JACQUES ROUSSEAU (1712-1778)
dos direitos do indivíduo em favor da comunidade → garantir a                                            3.4.3.1.BIOGRAFIA   DE   JEAN   JACQUES
liberdade do estado de natureza em estado civil → “Obedecer a lei                                        ROUSSEAU
que se prescreve é um ato de liberdade”.
        - Estado: funcionário do povo, mero executor da vontade geral.             Rousseau não conheceu a mãe, pois ela morreu no momento
        - A associação dos indivíduos que passa a atuar                    do parto. Foi criado pelo pai, um relojoeiro, até os 10 anos de idade.
soberanamente, sempre em favor do interesse do todo que engloba o          Em 1722, outra tragédia familiar acontece na vida de Rousseau, a
interesse de cada componente, tem uma vontade própria, que é a             morte do pai. Na adolescência foi estudar numa rígida escola
vontade geral.                                                             religiosa. Nesta época estudou muito e desenvolveu grande interesse
        - A Soberania é inalienável e indivisível.                         pela leitura e música.
        - Rousseau não admite a representação ao nível da soberania.               No final da adolescência foi morar em Paris e, na fase adulta,
Para ele, uma vontade não se representa. “No momento em que um             começou a ter contatos com a elite intelectual da cidade. Foi
povo se dá representantes, não é mais livre, não mais existe”. No          convidado por Diderot para escrever alguns verbetes para a
entanto, a representação é um mal necessário e por isso, é preciso         Enciclopédia.
fiscalizar os representantes e trocá-los com freqüência.                           No ano de 1762, Rousseau começou a ser perseguido na
        - O povo só recupera sua liberdade através das Revoluções.         França, pois suas obras foram consideradas uma afronta aos
        A teoria política de Rousseau, exposta no Contrato Social,         costumes morais e religiosos. Refugiou-se na cidade suíça de
aproxima-se bastante, aparentemente ao menos, das idéias dos               Neuchâtel. Em 1765, foi morar na Inglaterra a convide do filósofo
filósofos racionalistas. Nessa obra, Rousseau pesquisa as condições        David Hume.
de um Estado social que fosse legítimo, que não mais corrompesse o                 De volta à França, Rousseau casou-se com Thérèse
homem. O problema que ele coloca recai no de Locke ou de                   Levasseur, no ano de 1767.
d'Holbach: "Encontrar uma forma de associação que defenda e                        Escreveu, além de estudos políticos, romances e ensaios
proteja de toda força comum à pessoa e os bens da cada associado e         sobre educação, religião e literatura. Sua obra principal é Do Contrato
pela qual cada um, unindo-se a todos, não obedeça, porém, senão a          Social. Nesta obra, defende a idéia de que o ser humano nasce bom,
                                                                           porém a sociedade o conduz a degeneração. Afirma também que a
sociedade funciona como um pacto social, onde os indivíduos,                   •   Ídolos da caverna – as falsas noções do ser humano como
organizados em sociedade, concedem alguns direitos ao Estado em                    indivíduo (alusão ao mito da caverna de Platão);
troca de proteção e organização.
      2.3.   BACON, DESCARTES E LOCKE                                     32

             2.3.1. FRANCIS BACON (1561-1626)
                   2.3.1.1.   O MÉTODO EXPERIMENTAL         (INDUTIVO)         •   Ídolos do mercado ou do foro – as falsas noções
                              CONTRA OS ÍDOLOS
                                                                                   provenientes da linguagem e da comunicação; e,
                 “Saber é Poder” e “O homem é aquilo que sabe” (BACON).        •   Ídolos do teatro – as falsas noções provenientes das
        Bacon compreendeu que a pesquisa experimental levaria ao                   concepções filosóficas, científicas e culturais vigentes.
avanço da ciência. Mas antes era preciso desfazer-se das falsas                               2.3.1.2.   AS FALSAS NOÇÕES RESPONSÁVEIS PELO
noções, ou ídolos, pois, conforme afirmou, “as pessoas preferem                                          INSUCESSO DA CIÊNCIA
acreditar naquilo que elas preferem que seja a verdade”. Ele é                   Como já explicitado anteriormente, os ídolos ou as falsas
considerado um dos fundadores do método indutivo de investigação          noções precisam ser superadas. Seriam eles (as) os responsáveis
científica. Ao afirmar que “saber é poder” revela sua firme disposição    pelos insucessos da ciência. Vejamos cada um:
de ânimo de fazer dos conhecimentos científicos um instrumento               • Os ídolos da tribo estão fundados na própria natureza
prático de controle da realidade.                                                humana, na própria tribo ou espécie humana. É falsa a
        Preocupado com a utilização dos conhecimentos científicos na             asserção de que os sentidos do homem são a medida das
vida prática, Bacon manifestava grande entusiasmo pelas conquistas               coisas. Muito ao contrário, todas as percepções, tanto dos
técnicas que se difundiam em seu tempo: a bússola, a pólvora e a                 sentidos como da mente, guardam analogia com a natureza
imprensa. Também revelava sua aversão ao pensamento meramente                    humana e não com o Universo. O intelecto humano é
abstrato, característico da escolástica medieval.                                semelhante a um espelho que reflete desigualmente os raios
        Para Bacon, a ciência deveria valorizar a pesquisa                       das coisas e, dessa forma, as distorce e corrompe.
experimental, tendo em vista proporcionar resultados objetivos para o        • Os ídolos da caverna são os dos homens enquanto
homem. Mas, para isso, era necessário que os cientistas se                       indivíduos. Pois cada um – além das aberrações próprias da
libertassem daquilo que denominava ídolos, isto é, falsas noções,                natureza humana em geral – tem uma caverna ou uma cova
preconceitos e maus hábitos mentais.                                             que intercepta e corrompe a luz da natureza: seja devido à
        Avaliando a situação, Bacon concluiu que o conhecimento                  natureza própria e singular de cada um; seja devido à
pode ser frutífero somente se a tecnologia e a filosofia estiverem               educação ou conversação com os outros; seja pela leitura dos
unidas. Em vez de debater pormenores de matéria e forma, os                      livros pela autoridade daqueles que se respeitam e admiram;
cientistas deviam observar diretamente a natureza, esboçar                       seja pela diferença de impressões, segundo ocorram em ânimo
conclusões e empregar ferramentas práticas para testá-las. Em outras             preocupado e predisposto ou m ânimo equânime e tranqüilo;
palavras, a ciência devia ser baseada na indução e na                            de tal forma que o espírito humano — tal como se acha
experimentação, não na metafísica e na especulação.                              disposto em cada um – é coisa vária, sujeita a múltiplas
        Em sua obra Novum Organum, destaca quatro gêneros de                     perturbações, e até certo ponto sujeita ao acaso. Por isso, bem
ídolos que bloqueiam a mente humana e prejudicam a ciência:                      proclamou Heráclito que os homens buscam em seus
    • Ídolos da tribo – as falsas noções provenientes das próprias               pequenos mundos e não no grande ou universal.
        limitações da natureza da espécie humana;
absolutismo, o poder é uno e indivisível. Esse poder pode ser
                                                                        adquirido pela guerra ou pelo acordo entre os indivíduos.


                                                                  81
                                                                        80
         Deus é entendido pelos religiosos em sentido metafísico e
pelas Escrituras em sentido próprio. Milagre é uma obra de admiração
e deve ser rara, e não ter causa conhecida. O que para um homem                   O fim do Estado é a garantia da paz e da segurança. Por fim
parece ser um milagre pode para outro não parecê-lo.                    trata Hobbes das doenças que podem acometer o Estado, levando-o
         O reino das trevas é uma critica a interpretação usual das     à dissolução. O autor considera o Estado um homem artificial pelo
Sagradas escrituras, onde denuncia uma vã filosofia e tradições         que compara as causas que determinam a dissolução do Estado às
fabulosas. Essa critica encerra a obra. Das trevas espirituais          causas que levam à morte ou à enfermidade do homem natural. Ele
resultantes da ma interpretação das Escrituras. “Além destes poderes    classifica essas doenças em três categorias: as decorrentes de uma
soberanos, divino e humano, sobre os quais até aqui tenho discorrido,   instituição imperfeita, as que derivam do “veneno das doutrinas
há nas Escrituras referência a um outro poder, a saber, o dos           sediciosas” e as que mesmo não apresentando um perigo tão grave
governantes das trevas deste mundo, o reino de Satanás, e a             de dissolução do Estado como as anteriores, são um perigo para a
soberania de Belzebu sobre os demônios, isto é, sobre os fantasmas      manutenção do Estado.
que aparecem no ar, por cuja razão Satanás também é chamado o                     Dentre todas as doenças destaca-se aquela que afirma que
príncipe do poder do ar, e (porque governa nas trevas deste mundo) o    “o poder soberano pode ser dividido”. Hobbes considera a soberania
príncipe deste mundo; e por conseqüência àqueles que estão sob seu      como a alma do Leviatã.
domínio, em oposição aos fiéis (que são os filhos da luz) são                     Sendo o Estado dissolvido em razão de uma das
chamados os filhos das trevas”.                                         enfermidades por ele apresentadas não seria mais possível a garantia
              LEVIATÃ E A RELAÇÃO COM O ESTADO                          da paz e da proteção aos indivíduos que firmaram o pacto social.
         Hobbes defende um Estado absoluto, forte marca em todo o       Voltariam os homens a ter a liberdade de proteger-se através de
corpo de sua obra Leviatã. O papel do Estado como fundamental           qualquer meio que lhe aprouver. No dizer de Hobbes “o soberano (...)
sustentáculo na formação da sociedade civil, serve ate os nossos dias   é a alma publica que dá vida e movimento ao Estado, a qual
como uma referência importante para se pensar o Estado moderno.         expirando os membros deixam de ser governados por ela como a
         Segundo Hobbes, o que daria origem ao Estado, é o fato de      carcaça do homem quando se separa de sua alma posto que é
os homens quererem sair daquelas condições precárias em que             imortal”.
viviam em conseqüência do estado de natureza, fugindo da guerra           PARTE 3 – DO ESTADO CRISTÃO e PARTE 4 – DO REINO DAS
em busca da paz. Assim, é necessário um poder comum, capaz de                                          TREVAS
defender a comunidade, garantindo-lhes a paz e uma segurança                    Aqui a intenção de Hobbes era estabelecer a supremacia em
suficiente. É este Estado que Hobbes define de Leviatã, definindo-o     questões de fé e doutrina. Tem-se nessa parte a noção de Republica
como deus mortal, ao qual devemos nossa paz e defesa.                   Cristã, contrapondo a realeza natural de Deus com o poder do
         O objetivo do Estado é o bem comum entre todos os              soberano emanado e dependente dos pactos sociais. Depois de
indivíduos no qual o poder de seu representante é absoluto,             extrair a “a natureza do homem”, Hobbes prossegue seu discurso
soberano. Com isso percebemos que Hobbes claramente defende o           apoiando-se na palavra natural de Deus. Ele analisa expressões
                                                                        como “vida eterna”, “inferno”, ”salvação”, “mundo futuro”, ”redenção”
assim busca provar a existência de uma Republica que extrapola a                              2.3.1.3.   O MÉTODO INDUTIVO DE INVESTIGAÇÃO
“sociedade civil”. Ao mesmo tempo buscam delimitar o poder                       Para combater os erros provocados pelos ídolos, Francis
eclesiástico, os representantes da palavra de Deus enunciando os           Bacon propôs o método indutivo de investigação, baseado na
Direitos do reino de Deus. “A palavra de Deus, transmitida pelos           observação rigorosa dos fenômenos naturais, que cumpriria as
profetas, é o principio mais importante da política cristã”.               seguintes etapas:
                                                                     33
                                                                           34
      •   Há também os ídolos provenientes, de certa forma, do
          intercurso e da associação recíproca dos indivíduos do gênero         • Observação da natureza para a coleta de informações;
          humano entre si, a que chamamos de ídolos do foro devido              • Organização racional dos dados recolhidos empiricamente;
          ao comércio e consórcio entre os homens. Com efeito, os               • Formulação de explicações gerais (hipóteses) destinadas à
          homens se associam graças ao discurso, e as palavras são                compreensão do fenômeno estudado;
          cunhadas pelo vulgo. E as palavras, impostas de maneira
                                                                              • Comprovação         da      hipótese    formulada   mediante
          imprópria e inepta, bloqueiam espantosamente o intelecto.
                                                                                  experimentações repetidas, em novas circunstâncias.
          Nem as definições, nem as explicações com que os homens
                                                                                  Francis Bacon dizia que “aquele que começa uma investigação
          doutos se munem e se defendem, em certos domínios,
                                                                           repleto de certezas acabará terminando cheio de dúvidas. Mas
          restituem as coisas ao seu lugar. Ao contrário, as palavras
                                                                           aquele que começa com dúvidas poderá terminar com algumas
          forçam o intelecto e o perturbam por completo. E os homens
                                                                           certezas”.
          são, assim, arrastados a inúmeras e inúteis controvérsias e
                                                                           Assim, a grande contribuição de Francis Bacon para a história da
          fantasias.
                                                                           Ciência Moderna foi apresentar o conhecimento científico como
      •   Há, por fim, ídolos que imigram para o espírito dos homens por   resultado de um método de investigação capaz de conciliar a
          meio das diversas doutrinas filosóficas e também pelas regras    observação dos fenômenos, a elaboração racional das hipóteses e a
          viciosas da demonstração. São os ídolos do teatro: por           experimentação controlada para comprovar as conclusões.
          parecer que as filosofias adotadas ou inventadas são outras
          tantas fábulas, produzidas e representadas, que figuram                       2.3.2. RENÉ DESCARTES (1596-1650)
          mundos fictícios e teatrais. Não nos referimos apenas às que
          ora existem ou às filosofias e seitas dos antigos. Inúmeras
                                                                                              2.3.2.1. O   RACIONALISMO DE RENÉ DESCARTES:
                                                                                                         IDÉIAS CLARAS E DISTINTAS – A DÚVIDA
          fábulas do mesmo teor se pode reunir e compor, porque as                                       METÓDICA E O COGITO
          causas dos erros mais diversos são quase sempre as mesmas.
                                                                                                 “Cogito ergo sum” - “Penso, logo existo” (Descartes).
          Ademais, não pensamos apenas nos sistemas filosóficos, na
          sua universalidade, mas também nos numerosos princípios e               Descartes afirmava que, para conhecer a verdade, é preciso,
          axiomas das ciências que entraram em vigor, mercê da             de início, colocar todos os nossos conhecimentos em dúvida. É
          tradição, da credulidade e da negligência. Contudo, falaremos    necessário questionar tudo e analisar, criteriosamente, se existe algo
          de forma mais ampla e precisa de cada gênero de ídolo, para      na realidade de que possamos ter plena certeza.
          que o intelecto humano esteja acautelado9.                              Fazendo uma aplicação metódica da dúvida, o filósofo foi
                                                                           considerando como incertas todas as percepções sensoriais, todas as
                                                                           noções adquiridas sobre os objetos materiais. E prosseguiu assim,
                                                                           colocando cada vez mais em dúvida a existência de tudo que
9
    Bacon, 1988: p.31-33.                                                  constituiu a realidade e o próprio conteúdo dos pensamentos.
Finalmente estabeleceu que a única verdade totalmente livre         quando as pessoas tomam consciência da dimensão do problema, a
de dúvida era a seguinte: meus pensamentos existem. E em                  sociedade já está selecionada entre aqueles que se adaptaram aos
seguida observou que a existência desses pensamentos se confundia         avanços tecnológicos por bem ou por mal e aqueles que estão a
com a essência de sua própria existência como ser pensante. Disso         margem dessa mesma sociedade, excluídas por não saberem lidar
decorreu a célebre conclusão de Descartes: “Cogito ergo sum” -            com essas exigências tecnológicas modernas.
“Penso, logo existo”.


                                                                    79
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       É evidenciado, portanto, no texto ciência e poder, a questão da
ciência e tecnologia como dois fatores imprescindíveis na organização
da sociedade contemporânea. Mas essa mesma ciência está atrelada          Esse poder pode ser adquirido pela força natural ou pela guerra e
à relação de poder, a partir do momento que esse saber científico é       pelo acordo entre os homens, esta dá origem ao Estado Político ou
determinante na tomada de decisão, seja de ordem política ou ética.       Estado por instituição. Hobbes passa à individualização dos poderes
Entretanto, na decisão política, a linguagem comum pode designar de       do soberano, o poder é uno e indivisível, “é a unidade do
acordo ao interesse do poder.                                             representante, e não a unidade do representado, que faz com que a
       Diante do exposto torna-se perceptível à funcionalidade da         pessoa seja una”.
sociedade que potencializa o poder da ciência, a partir do momento                 O poder soberano é indispensável para a garantia da paz
que a racionalidade científica determina o que é científico e o que não   social. Se os homens viviam em guerra justamente em razão da
é científico. Como diz Rubem Alves no seu livro, o que é científico?      inexistência de leis que importassem em limites ao seu direito, é
Onde diz que só é real aquilo que é pescado com a rede da “confraria      indispensável a criação de regras que estabeleçam limites ao direito
do cientista” tudo que foge dessa rede não é ciência; portanto, não é     natural década individuo. Estas regras somente podem ser criadas
real; não foi produzido por um método. Contudo não se pode negar          pelo Estado mediante ação do soberano.
que o conhecimento trazido pela ciência serviu para reduzir                        A partir da criação do Estado a liberdade do individuo fica
distancias, doenças, como também, para compreender melhor a               adstrita ao que for permitido pelo soberano, assim dentre as “ações
natureza. A ciência vista como instrumento para a descoberta da           não previstas pelas leis os homens tem liberdade de fazer o que a
“verdade”.                                                                razão década um sugerir como o mais favorável a seu interesse”. Os
       Mas não se pode atribuir à ciência as mazelas da sociedade         indivíduos não seriam obrigados a pratica de qualquer tipo de ato que
que são conseqüências não da ciência em si, mas do seu mau uso ou         importasse na renuncia ao direito de defesa do próprio corpo, isso
até mesmo da sua má empregabilidade. E na tentativa de validar a          não quer dizer que seria possível ao individuo resistir à força do
idéia de que na ciência tudo vale, vai tomar uma conotação perigosa       Estado, pois agindo assim, o individuo estaria privando o Estado dos
a partir do momento que passa a idéia de que é o homem que está a         meios capazes de proteger a coletividade, pelo que esta ação seria
serviço da ciência e não a ciência a serviço do homem. Como diz           considerada injusta.
Paulo Terra: tudo vale: é tentativa imperfeita de sintetizar a idéia de            Existem três formas de governo ocorrentes no Estado: a
que a adoção exclusiva de procedimentos metodológicos rígidos             monarquia, aristocracia e democracia. A monarquia seria aquela em
limita o progresso do pensamento e de que é imperativa promover a         que uma única pessoa seria a titular do poder soberano, ou seja,
diversidade teórica. Mas o que acontece de forma concreta é um            aquela em que somente uma pessoa representasse a multidão que
determinismo provocado pelo avanço da ciência de tal forma que            aderiu ao pacto social. Para a aristocracia Hobbes entendia o governo
da coletividade exercido por uma assembléia composta de parte do        demonstrações, isto é, algumas razões certas e evidentes” (Discurso
grupo social sendo chamada de oligarquia quando detestada por           do Método, p. 39).
aqueles que com ela estão insatisfeitos.                                      Como se vê, Descartes atribuía grande valor à matemática
         Democracia ou governo popular definiu-a como a soberania       como instrumento de compreensão da realidade, ele próprio foi
nas mãos de uma assembléia de todos os que firmaram o pacto             matemático, criou a geometria analítica.
social. O autor afirma que esta seria a anarquia que em realidade é a
ausência de governo daí não se podendo classificar a anarquia como
uma espécie ou forma de governo.
                                                                  35    36


                                                                                           2.3.2.3.   RACIONALISMO: A CONFIANÇA EXCLUSIVA
       Para Descartes, esse “Penso, logo existo” seria uma verdade                                    NA RAZÃO
absolutamente firme, certa e segura, que, por isso mesmo, deveria
                                                                               O Racionalismo é a doutrina que atribui exclusiva confiança na
ser adota como princípio básico de toda a sua filosofia.
                                                                        razão humana como instrumento capaz de conhecer a verdade.
       O termo pensamento utilizado por Descartes tem um sentido
                                                                        Como afirmou Descartes: “nunca nos devemos deixar persuadir
bastante amplo, abrangendo tudo o que afirmamos, negamos,
                                                                        senão pela evidência de nossa razão”. Para os racionalistas os
sentimos, imaginamos, cremos e sonhamos. Assim, o ser humano
                                                                        sentidos não são confiáveis porque podem nos fornecer ilusão da
era, para ele, uma substância essencialmente pensante. O
                                                                        realidade como, por exemplo, o bastão que, mergulhado na água,
pensamento (consciência) é algo mais certo que a própria matéria
                                                                        parece estar quebrado. Os racionalistas afirmam que os princípios
corporal. Note-se que é a partir do “penso” que ele conclui “logo
                                                                        lógicos fundamentais seriam inatos, isto é, eles já estão na mente do
existo”.
                                                                        homem desde o seu nascimento. Daí porque a razão deve ser
                   2.3.2.2.   O RACIONALISMO: DOUTRINA QUE ATRIBUI      considerada como fonte básica do conhecimento.
                              EXCLUSIVA   CONFIANÇA   NA    RAZÃO
                              HUMANA COMO INSTRUMENTO CAPAZ DE                             2.3.2.4.   O MÉTODO CARTESIANO E HERANÇA DE
                              CONHECER A VERDADE                                                      DESCARTES

       Descartes assumiu uma tendência a valorizar a atividade do             Descartes, em sua obra Discurso do método, elabora regras de
sujeito pensante em relação ao objeto pensado (Tendência                pesquisa dos Fenômenos Naturais comumente designadas como
idealista). Em outras palavras, uma tendência a ressaltar a             MÉTODO ANALÍTICO ou MÉTODO RACIONAL. Destacaremos
prevalência da consciência subjetiva sobre o ser objetivo, e a          quatro regras básicas, consideradas por Descartes capazes de
considerar a matéria como algo apenas conhecível, se é que o é, por     conduzir o espírito na busca de verdade:
dedução do que se sabe da mente.                                           • Dúvida metódica ou Regra da Evidência: não aceitar nada
       Descartes    foi,  portanto,  um    racionalista   convicto.           como verdade enquanto não for conhecido como tal. Só aceitar
Recomendava que desconfiássemos das percepções sensoriais,                    algo como verdadeiro desde que seja absolutamente evidente
responsabilizando-as pelos freqüentes erros do conhecimento                   por sua clareza e distinção. Estas idéias claras e distintas,
humano. Dizia que o verdadeiro conhecimento das coisas externas               Descartes as encontra na sua própria atividade mental
devia ser conseguido através do trabalho lógico da mente. Nesse               independentemente das suas percepções sensoriais externas;
sentido, considerava que, dentre todos os homens que buscaram a
verdade na ciência, “só os matemáticos puderam encontrar algumas
•   Divisibilidade ou Regra da Análise: dividir cada dificuldade     esta assembléia de homens, com a condição de que transfiras a ele
       em quantas partes for possíveis e necessárias para serem         teu direito, autorizando de maneira semelhante todas as suas ações”.
       resolvidas;                                                      Através desse pacto estaria criado o Estado.
   •   Ordenação ou Regra de Síntese: conduzir por ordem os                       Hobbes denomina esse Estado de Leviatã e o define como
       pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais         “deus mortal, ao qual devemos, abaixo do Deus Imortal, nossa paz e
       fáceis de serem conhecidos para subir, gradativamente, ao        defesa”. Sendo o objetivo do Estado o bem comum, manifestado
       conhecimento dos objetos mais complexos;                         através da garantia da paz e da defesa de todos os indivíduos, o
   •   Enumeração ou Regra da Enumeração: realizar verificações         poder se seu representante é absoluto, soberano. Neste ponto já se
       completas e gerais para se ter certeza (absoluta segurança) de   manifesta clara a tendência do autor à defesa do absolutismo, já que
       que nenhum aspecto do problema foi omitido.                      o poder do estado é impassível de limitações ou contrariedades.

                                                                  77    76

A construção do pacto social que deu origem ao Estado Civil, assim      Em decorrência da guerra, sendo cada um governador por sua
Hobbes passa a analisar o Estado. Ele apresenta uma argumentação        própria razão, inexistiriam as noções de justo e injusto, de bem e mal
de uma pessoa artificial como àquela entidade que representa outras     e de propriedade, ”pertence a cada homem só aquilo que ele é capaz
pessoas naturais ou artificiais e é esta a personificação do Estado.    de conseguir, e apenas quando for capaz de conservá-lo”.
          A base da criação do Estado, para o autor, esta na                     E devido a situação vivida no estado de natureza, a vida do
necessidade de se exercer um controle sobre a natureza humana, a        homem seria “solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta” como dito
qual, movida pelo desejo de poder incessante, inviabiliza a vida em     anteriormente, seria “miserável a condição em que o homem
estado de natureza, forçando o homem a procurar saídas, sendo a         realmente se encontra”.
institucionalização do Estado uma decisão racional a qual viabiliza a            O autor faz a diferenciação entre o direito natural e a lei
troca de uma liberdade ilimitada do estado de natureza, por uma         natural. O direito natural seria a liberdade de praticar ou não
liberdade controlada, com segurança existente no estado de              determinada conduta, do que se deduz que o homem tem direito a
sociedade.                                                              todas as coisas, já as leis seria aquela que obrigaria o individuo a
          O Estado surge, na visão de Hobbes, com uma restrição que     praticá-la ou a se omitir.
o homem impõe sobre si mesmo como forma de cessar o estado de                    Dentre as leis naturais, Hobbes identifica a primeira delas: a
guerra de todos contra todos.                                           de que “todo homem deve se esforçar pela paz”, deve “procurar a paz
                        PARTE 2 – DO ESTADO                             e segui-la”, a partir dessa decorre outra lei: “que um homem
          Hobbes trata-se aqui, na segunda parte, sobre “as causas,     concorde, conjuntamente com outros (...) renunciar a seu direito a
geração e definição de um Estado”. Afirma que o fato de os homens       todas as coisas, contentando-se, em relação aos outros homens, com
quererem sair daquelas condições precárias em que viviam em             a mesma liberdade que os outros homens permitem em relação a si
conseqüência do estado da natureza, fugindo da guerra em busca da       mesmo”.
paz, sendo a primeira lei natural, é o que daria origem ao Estado.               Para a teoria hobbesiana, o individuo abre mão de todos os
Seria necessário um poder comum capaz de “defender a comunidade         seus direitos em favor da busca da paz, e não somente de alguns.
(...) garantindo-lhes assim uma segurança suficiente”.                  Isso não quer dizer que o individuo será obrigado a fazer tudo àquilo
          O pacto firmado entre um homem e todos os outros homens       que o poder soberano lhe ordenar. O homem não esta obrigado a
seria expresso da seguinte forma, de acordo com o autor: “cedo e        praticar atos que impliquem em renuncia ou transferência de evitar a
transfiro meu direito de governar a mim mesmo a este homem, ou a        morte, nem tampouco de se acusar sem garantia de perdão.
O acordo firmado entre os indivíduos seria de acordo com                     Para o empirismo todas as nossas idéias são provenientes de
Hobbes, um pacto: a existência de um poder comum superior que,                 nossas percepções sensoriais (visão, audição, tato, paladar, olfato).
através do medo infligido em razão de um poder coercitivo, imponha a           Em outras palavras, ditas por Locke: “nada vem à mente sem ter
todos o seu cumprimento. A existência desse poder seria impossível             passado pelos sentidos”. Para o filósofo quando nascemos nossa
no estado da natureza, eis que nele “todos são iguais e juizes de seus         mente é como um papel em branco, completamente desprovida de
próprios temores”. No Estado Civil ela seria possível, pois com o              idéias. De onde provém, então, o vasto conhecimento de idéias que
poder coercitivo os indivíduos deixariam deter medo de que os outros           existe na mente humana? Da experiência, que resulta da observação
indivíduos descumprissem suas obrigações, inexistindo nulidade do              dos dados sensoriais.
pacto.


                                                                         37    38



        Com seu método da dúvida crítica (dúvida cartesiana),                         John Locke combateu duramente a doutrina que afirmava que
Descartes abalou profundamente o edifício do conhecimento                      o homem possui idéias inatas. Ao contrário de Descartes, defendeu
estabelecido. Sua tentativa, porém, de reconstruir esse edifício não foi       que nossa mente, no instante do nascimento, é como uma tabula
talvez uma obra tão fecunda quanto o efeito demolidor que provocou.            rasa, um papel em branco, sem nenhuma idéia previamente escrita.
Por isso, podemos dizer que Descartes celebrizou-se não                        Retoma, assim, a tese empirista, segundo a qual nada existe mente
propriamente pelas questões que resolveu, mas, sobretudo, pelos                que não tenha sua origem nos sentidos. O filósofo defende que as
problemas que formulou. Problemas que foram herdados pelos                     idéias que possuímos (isto é, todo o conteúdo do processo do
filósofos posteriores.                                                         conhecimento) são adquiridas ao longo da vida mediante o exercício
                                                                               da experiência sensorial e da reflexão.
             2.3.3. JOHN LOCKE (1632-1704)                                         • Experiência sensorial – nossas primeiras idéias, as
                     2.3.3.1. EMPIRISMO:    A   VALORIZAÇÃO   DOS                     sensações, nos vêm à mente através dos sentidos, isto é,
                                SENTIDOS COMO FONTE PRIMORDIAL DO                     quando temos uma experiência sensorial. Essas idéias seriam
                                CONHECIMENTO                                          moldadas pelas qualidades próprias dos objetos externos. Por
     “Quem não quiser se equivocar deve construir sua hipótese, derivada da           sensação Locke entende, por exemplo, as idéias de amarelo,
       experiência sensível sobre um fato, e não supor um fato devido a essa          branco, quente, frio, mole, duro, amargo, doce, etc.
                                                         hipótese” (LOCKE).        • Reflexão – depois, combinando e associando as sensações
       O empirismo, que foi em suas origens apenas um método de                       por um processo de reflexão, a mente desenvolve outra série
investigação científica, acabou por se transformar, com o tempo, em                   de idéias que, segundo Locke, não poderia ser obtida das
uma corrente filosófica de suma importância para o pensamento e a                     coisas externas. Seriam idéias como “a percepção, o
ciência posteriores. Seu primeiro representante foi o inglês Francis                  pensamento, o duvidar, o crer, o raciocinar” (1978: 160).
Bacon, que propôs tal método em seu Novum organum (1620), cujo                        Assim, a reflexão seria nosso “sentido interno”, que se
título era um claro convite à renovação do organum, ou seja, a                 desenvolve quando a mente se debruça sobre si mesma, analisando
metodologia lógica de Aristóteles. Bacon postulava como elementos              suas próprias operações. Das idéias simples, a mente avança em
fundamentais da investigação científica (cfr. p. 30) a observação, a           direção às idéias cada vez mais complexas. Porém, para Locke, de
experimentação e a indução.                                                    qualquer maneira a mente sempre tem “as coisas materiais externas,
como objeto da sensação, e as operações de nossas próprias                inexistia, à época, um poder capaz de manter o respeito de um para
mentes, como objeto de reflexão” (Ibid).                                  com o outro. Sem tal respeito, cada um procurava a satisfação de seu
       Locke admitia que nem todo conhecimento limita-se,                 próprio bem, sofrendo os riscos que esta mesma conduta praticada
exclusivamente, à experiência sensível. Considera, por exemplo, o         pelo seu próximo poderia causar-lhe.
conhecimento matemático válido em termos lógicos, embora não                       As três principais causas para a existência da discórdia entre
tivesse como base a experiência sensível. Nesse sentido, Locke não        os homens seria a competição, quando o ataque de um individuo
era um empirista radical.                                                 sobre o outro buscava o lucro, a desconfiança, cujo bem almejado
                                                                          seria a segurança e a gloria, quando o homem buscaria a reputação.
                                                                          Em razão deste estado de discórdia não haveria paz entre os
                                                                          homens, que estariam em constante estado de guerra.

                                                                    75    74


“As paixões que provocam de maneira mais decisiva as diferenças de        Podemos perceber também que, foram os próprios homens que
talento são, principalmente, o maior ou menor desejo de poder, de         almejaram uma ordem pela garantia da paz, assim, um Estado que
riqueza, de saber e de honra. Todas as quais podem ser reduzidas à        garantisse a paz e segurança dos indivíduos.
primeira, que é o desejo de poder. Porque a riqueza, o saber e a                   Hobbes analisa que é preciso que o homem leia-se a si
honra não são mais do que diferentes formas de poder”.                    mesmo, já que as paixões soam comuns a todos os homens
         Este conceito de maior poder ou de poder superior, é             submetidos às mesmas circunstâncias. São os sentimentos e
importante em razão de que é poder, criado através do contato entre       emoções, que movem o homem a praticar todos os atos que lhe são
os indivíduos, que será capaz de garantir ao individuo tudo aquilo que    possíveis e a sentir todas as emoções ás quais estão sujeitos.
ele anseia que é a paz e a segurança.                                              O autor manifesta-se contrario à teoria das escolas segundo
         Hobbes trata da religião, matéria afeta a todo e qualquer        a qual um corpo tenderia ao movimento pela ausência de vontade de
individuo, ele demonstra que a religião deriva da ordem divina e do       ficar onde estava a para quedar em local que para ele fosse mais
homem também. Neste aspecto os fundadores e legisladores dos              adequado. Hobbes manifesta sua contrariedade aos escolásticos a às
Estados utilizam a religião como forma de manipulação, a fim de           escolas que formavam o pensamento e as opiniões da época, ele,
conquistarem a paz e a obediência civis, “tão fácil os homens serem       contrario ao entendimento aristotélico, defende que um corpo tende a
levados a acreditar em qualquer coisa por aqueles que gozam de            permanecer imóvel ou em movimento ate que uma força atue sobre
credito junto deles, que podem com cuidado e destreza tirar partido       ele.
de seu medo e ignorância”.                                                         Os oito primeiros capítulos de sua obra, o autor conceituou o
         A religiosidade é algo natural do homem, sendo impossível        grande número de paixões humanas e passa, após, a analisar o
deixar de existir religião na humanidade, pois a religião assume papel    poder, principal proposição sobre a natureza humana, definindo-os
importante para que a união do Estado esteja presente, pois evita a       como “os meios de que presentemente dispõe para obter qualquer
guerra civil, que seria a morte do Leviatã, ou seja, a morte do Estado.   visível bem futuro” e o divide em original, que são os meios inatos e
         A partir do capitulo 14, Hobbes explica a condição que se        instrumental que são os meios adquiridos.
encontrava a humanidade antes da existência de qualquer Estado.                    Da compreensão do homem como um ser que deseja o
Ele afirma que o homem vivia em um estado de natureza, sendo que          poder, como uma forma incessante de sobrevivência, Hobbes infere a
neste momento as relações humanas eram embasadas na discórdia,            essência do Estado como uma entidade composta pela soma dos
vários poderes individuais dos homens em sociedade. É nesse                fautor de educação física, mas como o meio para o domínio de si
momento que se da a passagem do estado de natureza para o estado           mesmo.
de sociedade, quando o individual é sobre determinado pelo coletivo.             2.4.   O MÉTODO EXPERIMENTAL
Dentre esses meios, o maior dos poderes humanos é “aquele que é
composto pelos poderes de vários homens, unidos por consentimento                       2.4.1. ELEMENTOS INTRODUTÓRIOS
numa só pessoa, natural ou civil, que tem uso de todos os seus                                2.4.1.1.   O QUE É MÉTODO
poderes na dependência de sua vontade. É o caso do poder de um
                                                                                  A palavra método é de origem grega e significa o conjunto de
Estado”.
                                                                           etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na
                                                                           investigação da verdade.

                                                                     39

                                                                           40
                    2.3.3.2. AS IDÉIAS PEDAGÓGICAS DE JOHN LOCKE
                                                                                              2.4.1.2.   IMPORTÂNCIA DO MÉTODO
        Com respeito à religião, Locke toma uma atitude racionalista
moderada. Admite uma religião natural, exigível também                            O Método pode validar ou invalidar um resultado; confere
politicamente, porquanto fundamentada na razão. E professa a               segurança; é fator de economia no estudo ou na pesquisa; é um
tolerância a respeito das religiões particulares, históricas, positivas.   extraordinário instrumento de trabalho.
        Locke    interessou-se    especialmente       pelos    problemas          A importância do método não exime o pesquisador do seu
pedagógicos, escrevendo os Pensamentos sobre a Educação. Aí                talento e da ética científica: questionamento sobre a quem serve os
afirma a nossa passividade, pois nascemos todos ignorantes e               resultados da pesquisa, reflexão sobre neutralidade e objetividade da
recebemos tudo da experiência; mas, ao mesmo tempo, afirma a               ciência.
nossa parte ativa, enquanto o intelecto constrói a experiência,                               2.4.1.3.   BENEFÍCIOS DO MÉTODO
elaborando as idéias simples.
        Afirma-se que todos nascemos iguais, dotados de razão; mas,              Execução de atividade de forma mais segura, mais econômica
ao mesmo tempo, todos temos temperamentos diferentes, que devem            e mais perfeita. Existem métodos peculiares a cada objetivo: método
ser desenvolvidos de conformidade com o temperamento de cada um.           de ensinar piano, método para ler, para escrever, para resumir, para
Esta educação individual não exclui, mas implica a educação, a             estudar e aprender de fato, de ensinar línguas estrangeiras, etc.
formação social, para ampliar, enriquecer a própria personalidade.                            2.4.1.4.   DIFERENÇA ENTRE MÉTODO E TÉCNICA
Tem muita importância a obra do educador, mas é fundamental a                     MÉTODO: significa o traçado das etapas fundamentais da
colaboração do discípulo, pois se trata da formação do intelecto, da       pesquisa.
razão, que é, necessariamente, autônoma. A formação educacional                   TÉCNICA: significa os diversos procedimentos ou a utilização
consiste, portanto, fundamentalmente, no desenvolvimento do                de diversos recursos peculiares a cada objeto de pesquisa, dentro
intelecto mediante a moral, precisamente pelo fato de que se trata de      das diversas etapas do método;
formar seres conscientes, livres, senhores de si mesmos. Por                      A técnica é a instrumentação específica da ação, é mais
conseguinte, a educação deve ser formativa, desenvolvendo o                instável, obedece ao progresso tecnológico;
intelecto, e não informativa, erudita, mnemônica. Igualmente Locke é
O método é mais geral, mais amplo, menos específico, mais            confiar no próximo e na busca pela gloria, derruba-se os outros pelas
estável.                                                                   costas, já que para Hobbes, os homens são iguais nas capacidades e
             2.4.2. DESENVOLVIMENTO DO MÉTODO                              na expectativa de êxito, nenhuma pessoa ou grupo pode, com
                                                                           segurança reter o poder. Assim, o conflito acontece sempre e “cada
                   2.4.2.1.   GALILEU GALILEI (1564-1642) catedrático de   homem é inimigo de outro homem”.
                              matemática da Universidade de Pisa
                                                                                    Enquanto que cada um se concentra na autodefesa e na
       Método Experimental: emprega-se nos estudos          situados na    conquista, o trabalho produtivo é impossível, pois não existe
faixa intermediária entre as ciências formais e as          ciências da    tranqüilidade para a busca do conhecimento, motivação para construir
natureza.                                                                  ou explorar, não há lugar para as artes, não existe lugar para a
       Ciências físico-químicas: fenômenos da natureza,     passíveis de   sociedade só “medo continuo e perigo de morte violenta”. Assim a
serem matematizados. Exemplo: extensão, massa,               movimento,    vida do homem será “solidária, pobre, sórdida, brutal e curta”.
partícula, elemento, carga elétrica, campo de força, etc.


                                                                      73   72

                                                                                   A obra de Hobbes é, antes demais nada, uma resposta para o
       O Leviatã surgiu do acordo de vontades entre os homens. Em          caos político e social vivido pela sua geração, ou, como querem
sua perspectiva, a melhor forma de governo era a monarquia, sem a          alguns historiadores e cientistas políticos, uma reflexão crítica sobre a
presença de um Parlamento, pois esta iria dividir o poder e seria um       turbulência política vivida pelo Estado na primeira metade do século
estorvo ao Leviatã e levaria a sociedade ao caos.                          XVII D. C.
                        PARTE 1 – DO HOMEM                                         A sua obra mais importante do ponto de vista da Teoria Política
         Hobbes analisa a sociedade, no qual seus componentes              e do Direito é o Leviatã, -que é um monstro bíblico, cruel e invencível,
básicos é o homem e as suas sensações. Ele define as varias                que simboliza para Hobbes o poder do estado absoluto, destacando o
paixões e sentimentos de maneira impessoal e com base em                   símbolo de dois poderes, o civil e o religioso- destacando-se a
princípios científicos. Hobbes tenta desvendar o individuo social, na      segunda parte, onde detalha a sua visão de Estado. Em sua
certeza de que o objetivo era pensar o Estado, que só poderia              introdução, Hobbes compara o Estado a um ser humano artificial, do
acontecer após a compreensão do ser humano e suas relações                 qual nos, humanos naturais o criamos para proteção e defesa. Ele
sociais, o que os move na vida, quais seus desejos, paixões e quais        fala: ‘E a arte vai mais longe ainda, imitando aquela criatura racional,
os recursos que estes utilizam para realizá-los. Os sonhos, a              a mais excelente obra da natureza, o Homem. Porque pela arte é
imaginação, a cadeia de imaginação são fenômenos da estrutura              criado aquele grande Leviatã a que se chama Estado, ou Cidade (em
psíquica do ser humano.                                                    latim Civitas), que não é senão um homem artificial, embora de maior
         Hobbes descreve o homem em seu Estado Natural, como               estatura e força do que o homem natural, para cuja proteção e defesa
egoísta, egocêntrico e inseguro. Ele não conhece leis e não tem            foi projetado. E no qual a soberania é uma alma artificial, pois dá vida
conceito de justiça, ele somente segue suas paixões e desejos              e movimento ao corpo inteiro; os magistrados e outros funcionários
misturados com sugestões de sua razão natural. Onde não existe lei         judiciais ou executivos, juntas artificiais; a recompensa e o castigo
ou governo, os homens naturalmente caem na discórdia. Desde que            (pêlos quais, ligados ao trono da soberania, todas as juntas e
os recursos são limitados, ali haverá competição, que leva ao medo,à       membros são levados a cumprir seu dever) são os nervos, que fazem
inveja e a disputa. Com a desconfiança, perde-se a segurança de            o mesmo no corpo natural; a riqueza e prosperidade de todos os
membros individuais são a força; Salus Populi (a segurança do povo)                        2.4.2.2.   FRANCIS BACON filósofo inglês (1561-1626)
é seu objetivo; os conselheiros, através dos quais todas as coisas que             a) MÉTODO INDUTIVO
necessita saber lhe são sugeridas, são a memória; a justiça e as leis,          - O método empírico (baseado na observação sensorial), é
uma razão e uma vontade artificiais; a concórdia é a saúde; a sedição    empregado em parte das ciências da natureza e as ciências da
é a doença; e a guerra civil é a morte.                                  cultura ou sociais;
                    SÍNTESE DO LIVRO LEVIATÃ                                    - principal procedimento: observação. A indução consiste em
        Thomas Hobbes escreveu seu livro, Leviatã ou matéria, forma      enumerar os enunciados sobre os fenômenos através da observação,
e poder de um Estado eclesiástico ou civil,em 1651, num período de       procurando-se encontrar algo que está sempre presente na
intensa agitação política. Hobbes analisou a essência e a natureza do    ocorrência do fenômeno.
Estado Civil, ao qual, em razão se poderio e de sua força, comparou
ao monstro bíblico, tanto que o denominou de “grande Leviatã”. Para                        2.4.2.3. RENÉ      DESCARTES pensador e filósofo
Hobbes, o Leviatã nada mais é senão um homem artificial, de maior                                     francês (1596 – 1650) – Discurso do Método
estatura e força do que o homem natural, para cuja proteção e defesa           - Racionalista: expõe a idéia fundamental de que é possível
foi projetado.                                                           chegar-se à certeza por intermédio da razão;
                                                                   41
                                                                         42
       Em 1609 – desenvolveu o telescópio. Fez uso científico desse
aparelho, transformando-o em um instrumento para observação                     - O método racional (descartiano) é empregado nas ciências
cuidadosa do céu: passou a existir então, a possibilidade de observar,   formais e parte das ciências da natureza;
de forma mais clara e precisa, os astros já visíveis a olho nu e de             - Método dedutivo: técnica que se fundamenta em esclarecer
passar a ver outros astros e fenômenos até então ocultos à visão e ao    as idéias através de cadeias de raciocínio;
estudo do homem;                                                                - O pensamento é dedutivo: quando, a partir de enunciados
       - Questiona o sistema geocêntrico, pelo qual a terra era o        mais gerais dispostos ordenadamente como premissas de um
centro fixo do universo (Ptolomeu e Aristóteles). Tal sistema assumido   raciocínio, chega a uma conclusão particular ou menos geral.
durante a Idade Média, revestia-se de interpretações religiosas, era,           Exemplo:     Todo homem é mortal (geral)
portanto, a doutrina oficial da Igreja, defendida ciosamente com o                           Pedro é homem
auxílio da Inquisição;                                                                       Pedro é mortal (conclusão particular)
       - Isso implicava o abandono definitivo da idéia de um universo           Função básica do pensamento dedutivo: explicitar ao longo da
estruturado e hierarquicamente ordenado;                                 demonstração aquilo que implicitamente já se encontra no
       - “Mas, meus senhores, afinal, se o homem decifra mal o           antecedente.
movimento das estrelas, pode errar também, quando decifra a bíblia”.            - Método hipotético dedutivo: sua maior característica é a
       - Também afirmava que não se pode conhecer a essência das         construção de teorias e leis;
coisas e que a ciência só se preocupa com as propriedades das                   - Considerado lógico por excelência.
coisas e com fatos observáveis, explicita o método experimental.                - Historicamente relacionado com a experimentação.
       - Descobre o sistema heliocêntrico, o qual contesta a idéia de           - Fundamenta-se na observação.
que a terra é o centro do universo.                                             - Bastante usado no campo das ciências naturais.
       - Galileu é considerado o cientista que inaugura a ciência               - Confunde-se com o método indutivo.
moderna (1624 e 1639) com a obra Diálogo.                                       - Diferença: não se limita à generalização empírica das
                                                                         observações realizadas.
- Pode-se chegar através das observações à construção de                Hobbes é defensor do absolutismo, e sua justificativa para
teorias e leis.                                                         essa forma de governo é estritamente racional, livre de qualquer tipo
       - Método dialético: não envolve apenas questões ideológicas,     de religiosidade e sentimentalismo. Ele criou uma teoria que
investiga-se a realidade pelo estudo de sua ação recíproca.             fundamenta a necessidade de um Estado Soberano como forma de
       - Princípios:                                                    manter a paz civil. É aqui que Hobbes se aproxima de Maquiavel e do
       a) Princípio da unidade e luta dos contrários: (contradição      seu empirismo radical, a partir de um método de pensar
dos fenômenos, unidos organicamente, constituem a indissolúvel          rigorosamente dedutivo. Em sua construção hipotética partiu do
unidade dos opostos);                                                   contrário, ou seja, iniciou sua teoria a partir dos homens convivendo
       b) Princípio da transformação das mudanças quantitativas         sem Estado, para depois justificar a necessidade dele. Esse estágio
em qualitativas: (quantidade e qualidade estão presentes em todos       do convívio humano sem autoridade recebe o nome de estado
os fenômenos e estão inter-relacionados).                               natural. Hobbes alega que o ser humano é egoísta por natureza, e
       Obs.: no processo de desenvolvimento, as mudanças                com essa natureza tenderiam a guerrear entre si, todos contra todos.
quantitativas graduais geram mudanças qualitativas;                     Havendo assim a necessidade de um contrato social que estabeleça
                                                                        a paz, construindo assim uma teoria contratualista de Estado. Os
                                                                        seres humanos, egoísta como são necessitam de um soberano que
                                                                  71    puna aqueles que desobedecerem ao contrato social.
                                                                        70
       Além disso, o Estado surge de um contrato, o que revela o
caráter mercantil, comercial, das relações sociais burguesas. O         Durante a Idade Média a Igreja Católica Apostólica Romana era a
contrato surge a partir de uma visão individualista do homem, pois de   instituição mais forte, ela detinha a maior quantidade de terras da
acordo com essa concepção, o individuo preexiste ao Estado (se não      Europa, monopolizava a educação e a cultura. Apesar de sua função
cronologicamente, pelo menos logicamente), e o pacto visa garantir      social, como cuidar dos pobres, doentes e órfãos, grande parte dos
os interesses dos indivíduos, sua conservação e sua propriedade. Se     membros do clero tinham amantes, filhos, vendiam relíquias
no estado de natureza “não há propriedade, nem domínio, nem             falsificadas e trocavam o perdão por pagamento em dinheiro.
distinção entre o meu e o teu”, no Estado de soberania perfeita a               As principais causas da Reforma Protestante era:
liberdade dos súditos está naquelas coisas que o soberano permitiu,     desenvolvimento do comercio e da burguesia, formação dos Estados
“como a liberdade de comprar e vender, ou de outro modo realizar        Nacionais Absolutistas, Renascimento e crise na Igreja Católica.
contratos mútuos; de cada um escolher sua resistência, sua              Cada pais reagiu de forma diferente à Reforma, conforme a situação
alimentação, sua profissão, e instruir seus filhos conforme achar       social, econômica e política. Os principais líderes do movimento
melhor, e coisas semelhantes”. Portanto, o Estado se reduz à garantia   foram Martinho Lutero, João Calvino e Henrique VIII na Inglaterra.
do conjunto dos interesses particulares.                                        Hobbes foi influenciado por Descartes, Francis Bacon, Galileu
       A importância de Hobbes para o estudo da formação e              Galilei, Tácito e Aristóteles. Sendo influenciador de John Locke,
manutenção do Estado nacional absoluto é indiscutível. Tendo            Spinoza, Montesquieu, Rousseau, Durkheim e Nietzsche.
apenas quatro obras traduzidas para o português: Leviatã, Do                    Durante a segunda fase do desenvolvimento do capitalismo
Cidadão, Da Natureza Humana e Behemoth (ou o Longo Parlamento).         comercial a burguesia repudia o intervencionismo estatal, uma vez
Sendo Leviatã a obra mais importante.                                   que essa classe ascendente agora aspira à economia livre.
      a)   PENSAMENTO POLITICO DE THOMAS HOBBES                                 Para Hobbes o Estado pode ser monárquico, quando
                                                                        constituído por apenas um governante, como pode ser formado por
                                                                        alguns ou muitos, por exemplo, por uma assembléia. O importante é
que, uma vez instituído, o Estado não pode ser contestado: é                     Historicamente falando, o Humanismo é uma expressão
absoluto.                                                                 cultural que, refletindo os pensadores da cultura clássica, grega e
        Além disso, Hobbes parte da constatação de que as disputas        romana, por um lado induz a imitação das formas literárias e artísticas
entre rei e parlamento inglês teriam levado à guerra civil, o que o faz   destes e, de outro propõe a descoberta e assimilação dos teores e
concluir que o poder do soberano deve ser indivisível.                    valores humanos transmitidos por estes padrões. Filosoficamente
        Embora Hobbes defenda o Estado absoluto, e sob esse               pensando, o humanismo menciona o homem como o centro das
aspecto esteja distante dos interesses da burguesia que aspira ao         explicações de todos os seres.
poder e luta contra o absolutismo dos reis, é possível descobrir no              No Humanismo, portanto, não se observava mais aquela
pensamento hobbesiano alguns elementos que denotam os                     adoração e respeito referentes a alguns grandes, mas uma autêntica
interesses burgueses.                                                     reverência pelos Antigos. Os gregos pela sua orientação de beleza,
        A doutrina do direito natural do homem é uma arma apropriada      harmonia, graça, força, ascensão de pensamento; os romanos pela
para ser utilizada contra os direitos tradicionais da classe dominante,   sua coragem, virtude, disciplina, lealdade. Esses se transformaram
ou seja, a nobreza. Da mesma forma, a defesa da representatividade        em mestres, sábios, padrões, símbolos da verdade. Entretanto, isto
baseada no consenso significa a aspiração de que o poder não seja         não evitou que, ao menos os grandes autores, fossem dotados de
privilegiado de classe.                                                   personalidade e criatividade. Os Antigos eram fontes de inspiração,
                                                                          não de reprodução.
                                                                    43    44

                                                                                 Mas todo esse ânimo respectivo à Antiguidade, a capacidade
       c) Princípio da negação da negação: desenvolvimento se             criadora, não aconteceram por acaso. São movimentos incentivados
processa em aspiral, isto é, suas fases repetem-se, mas em nível          por uma força essencial que os excita e dinamiza: a intensa atração e
superior;                                                                 interesse pelo homem. Ao passo que, na Antiguidade, os homens
       Obs.: o método dialético é contrário a todo conhecimento           veneravam e dedicavam sua atenção a Deus, no Renascimento,
rígido, tudo é visto em constante mudança, pois sempre há algo que        estes, sem negá-lo, se dão contam de que têm um espaço neste
nasce e se desenvolve e algo que se agrega e se transforma.               universo, uma personalidade sua, um pensamento e faculdade seus.
       - Há um consenso de maior rigor e exatidão nas ciências            Como se, repentinamente, descobrissem que possuíam mais poder
experimentais que nas ciências humanas;                                   do que tinham em consciência.
       - As ciências experimentais: estudam os fenômenos físicos,                E do homem, espontaneamente, a primeira coisa que causa
regidos por determinismo da natureza, por leis fatais passíveis de        impressão material e moral é o seu corpo. A forma humana
previsão e que podem até ser provocados para serem observados;            transformou-se no objeto preferido da arte.
       - Nas ciências humanas: há maior ou menor liberdade                       Essa atração pelo homem motivou a obra de retratos. Estes
humana, leis mais flexíveis, tratam de fatos humanos, qualitativos, por   eram tão realistas e expressivos que pareciam falar. No entanto, a
isso não admitem avaliação exclusivamente quantitativa.                   veneração pelo homem não se restringiu apenas à adoração, mas
                                                                          também proporcionou a formação, aparecendo assim ilustres
      2.5.   CIÊNCIAS HUMANAS: TENDÊNCIA NATURALISTA E                    educadores, como Vittorino de Feltre e Guarino Verona, e livros sobre
             TENDÊNCIA HUMANISTA                                          a conduta humana, como o Cortesão de Baldassare Castiglione.
       É pela declaração de novas exigências humanas que surge a                 Os homens da Renascença, muito mais do que os de qualquer
intolerância à cultura medieval, assim, o humanismo marca o               época, descobriram que o homem não é um tolo espectador da
nascimento da Idade Moderna.                                              natureza, mas um ser que tem a capacidade de transformar,
aperfeiçoar, recriar. A compostura e o valor do homem se tornaram o             Opondo-se ao modo de vida e pensamento da Idade Média,
estímulo da especulação filosófica e da literatura humanista. Todos     cuja a população concentravam-se nos feudos, submissão aos
enalteciam o homem como a natureza que estabelece a ligação entre       senhores feudais e papa ( Igreja Católica Apostólica Romana) –
o mundo da matéria e o do espírito. Como uma síntese do universo –      teocentrismo – surgiu na Itália algumas cidades-Estados governadas
microcosmo. E, além disso, o homem faz parte do divino e só nele        por famílias de poderosos comerciantes, que mais tarde converteram
atinge a plenitude da perfeição e felicidade. Como dizia Santo Tomás    aos Estados italianos da época moderna. Desenvolveu-se o
que “o homem é o horizonte do universo, microcosmo e imagem de          movimento cultural renascentista, que por sua vez, contribuiu para o
Deus”.                                                                  desenvolvimento de técnicas de navegação. Emerge o Humanismo
       A feição criativa do homem estimulou os humanistas que           nos grandes centos centros econômicos europeus, quebrando os
passaram a modificar intensamente a estimativa do engajamento da        tradicionais valores difundidos pela Igreja Católica.
terra e das atividades temporais. Deste modo, segundo Pico della                Manifestações culturais, como a pintura e a literatura, por
Mirandola, a particularidade do decoro do homem sintetiza-se na idéia   exemplo, passaram a refletir a preocupação com o homem, com os
de que enquanto todos os outros seres têm a natureza definida, que      aspectos concretos da vida humana, do mundo que o cercava,
especifica, condiciona e restringe a sua atividade, o ser humano é a    levando artistas e intelectuais a aprofundar seus conhecimentos.
única criatura que é livre da natureza determinante. O homem é quem     Retomavam-se e aprimoravam-se os valores culturais da Antiguidade
designa a sua natureza. Ele é o agente, projeto de si mesmo.            clássica, grega e romana.
                                                                  69
                                                                        68
       Assim, percebemos que durante a Idade Moderna os principais
acontecimentos foram a Expansão Marítimo-Comercial, o                   1541 - João Calvino consolida seu poder em Genebra.
Renascimento e a Reforma Protestante.                                   1542 - O papa autoriza a reorganização dos tribunais da Inquisição.
       Com base na atividade comercial, a busca pelo lucro envolvia,    1545 - Início do Concílio de Trento. A Igreja Católica reage ao avanço
cada vez mais, não apenas a burguesia em formação, como também          do protestantismo. Os conquistadores espanhóis descobrem minas
os novos Estados nacionais. A aliança entre a burguesia e os novos      de prata em Potosí (Bolívia).
Estados nacionais visava a valorização do comércio, centralização do    1580 - Portugal e seus domínios são anexados à Espanha. A
poder e enfraquecimento da nobreza feudal. Os burgueses forneciam       chamada União Ibérica estende-se até 1640.
capitais necessários para a formação e armamento de um exército         1584 - Fundação da Virgínia, na América do Norte, pelos colonos
nacional e centralização do poder nas mãos de um rei absoluto,          ingleses.
enquanto o rei promovia o desenvolvimento do comércio, atendendo        1588 - A esquadra inglesa vence a Invencível Armada espanhola.
aos interesses da burguesia.                                            Consolida-se a supremacia naval britânica. Nascimento de Thomas
       A expansão marítimo-comercial, no século XV, integrou-se a       Hobbes em Malmesbury, Inglaterra.
esse processo, contando também com a crescente estruturação do          1618 - Inicio da Guerra dos Trinta Anos na França.
absolutismo monárquico – a total centralização de poderes nas mãos      1621 - Fundação da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.
dos monarcas, apoiados pela burguesia mercantil – e também do           1649 - Na Inglaterra, Cromwel, comandando Revolta Puritana,
mercantilismo (metalismo, balança comercial favorável, protecionismo    destrona e executa o rei Carlos I.
e o exclusivismo comercial) – política econômica dos Estados            1651 - O inglês Oliver Cromwell promulga o Ato de Navegação. O
nacionais europeus em busca do enriquecimento e fortalecimento. Os      objetivo é desenvolver a marinha inglesa. Cromwell exerce o poder na
dois países que mais se destacaram foram Espanha e Portugal.            Inglaterra de 1649 a 1658.
1661 - Na França, tem início o reinado de Luís XIV, o Rei Sol, que se                        efeito)                                      interpretado
estende até 1715.                                                                                           Quanto ao modo de inteligibilidade
1679 - Morte de Thomas Hobbes em Hardwick Hall, Inglaterra.
1689 - Revolução Gloriosa, na Inglaterra. Guilherme de Orange                            •   Explicação legal (por leis) e         •      “Compreensão” por tipo
                                                                                             quantitativa (matematizável)                 quantitativo ou modelos ideais
assina Declaração de Direitos.
1715 - Na França, início do reinado de Luís XV que se estende até                        •   Aceitação só do que pode ser          •      Aceitação de pressupostos não
                                                                                             verificado experimentalmente                 verificáveis experimentalmente
1774.                                                                                                                                     (por exemplo, a hipótese do
1748 - O jurista Montesquieu escreve o Espírito das Leis defendendo                      •   Limitação dos métodos das
                                                                                             ciências da natureza                         inconsciente).
a separação funcional dos poderes do Estado em legislativo,                                                                        •      Procura do método próprio das
executivo e judiciário (Iluminismo).                                                                                                      ciências do homem
1762 - O filósofo suíço Rousseau escreve O Contrato Social
                                                                                                                       Quanto à terapia
(Iluminismo).
1769 - James Watt aperfeiçoa a máquina a vapor. Desenvolve-se na                         •   Técnicas retlexológicas que           •      O sintoma é um “símbolo” (é
Inglaterra a Revolução Industrial.                                                           alteram os sintomas                          preciso procurar o que ele
                                                                                                                                          significa)
1776 - Elaboração da declaração de Independência dos Estados
Unidos.
1787 - Proclamação da Constituição dos Estados Unidos.
                                                                               45   46



       Tendência Naturalista                    Tendência Humanista                         Durante a primeira metade do século XVIII, o racionalismo
                                                                                    enciclopedista concentrou a maioria dos seus ataques contra a Igreja.
                Quanto à maneira de perceber o fato psíquico
                                                                                    A partir da segunda metade do mesmo século, a crítica foi dirigida,
   •   Uma coisa (realidade objetiva)       •   Uma consciência (doadora de         sobretudo, contra a organização social e política então dominante. O
   •   Fatos descritos em sua                   sentido)                            objetivo que passou a empolgar os espíritos não foi apenas o de
       aparência sensório-motora            •   Valorização do vivido, dos          demolir a ordem de coisas reinante, mas também o de construir uma
   •   Ênfase na natureza orgânica dos          conteúdos anímicos e espirituais.   sociedade ideal. O meio utilizado não foi mais a razão. A tirania do
       fenômenos psíquicos                  •   O homem é um ser-no-mundo           racionalismo tinha sido superior à tirania da autoridade.
                                                                                            Generalizava-se a crença de que não se podia confiar na
                         Quanto à natureza da percepção                             fidelidade dos sentidos, nem na infalibilidade da razão. E começou a
                                                                                    considerar os sentimentos como as verdadeiras expressões da
   •   Associacionismo                      •   Noção de estrutura (percepção
                                                do todo)                            natureza humana, superiores aos cálculos frios e egoístas da razão e,
   •   Atomismo (sensação, percepção,
                                            •   Totalidade (não é a soma dos
                                                                                    portanto, normas muito mais seguras para a orientação do
       idéia)
                                                elementos)                          pensamento e da conduta.
                                                                                            O movimento cultural da segunda metade do século XVIII,
                   Quanto à explicação do comportamento
                                                                                    baseado na concepção da bondade natural do homem, revestiu-se
   •   Mecanismo (o comportamento se        •   Todo comportamento existe num       dum impulso de simpatia pelas massas populares, enquanto que o
       explica pela relação causa e             contexto que deve ser               anterior resultara na formação de uma aristocracia intelectual.
Voltaire, racionalista, céptico, sarcástico, aristocrata, amante do    1492 - Navegando a serviço da Espanha, o genovês Cristóvão
refinamento e do artificialismo foi o líder do primeiro movimento.     Colombo descobre a América. Início da conquista européia do
Rousseau, sentimental, romântico, otimista, democrata, apologista da   continente americano.
vida em plena natureza, foi o líder do segundo movimento. Mas          1494 - Tratado de Tordesilhas. Espanha e Portugal dividem o Novo
ambos combatiam a ordem social, a disciplina moral e o respeito à      Mundo (América Latina) entre si.
Tradição, à Autoridade e à Igreja.                                     1498 - O navegador português Vasco da Gama atinge a Índia.
        É possível explicar, em termos claros, o que é exatamente a    1500 - Cabral toma posse do Brasil. Início do período pré-colonial
filosofia Humanista moderna. É fácil resumir as idéias básicas         brasileiro que vai até 1530.
sustentadas em comum tanto pelos humanistas seculares como pelos       1513 - O florentino Maquiavel escreve O Príncipe. O navegador
humanistas religiosos.                                                 espanhol Balboa atinge o Oceano Pacífico.
        Essas idéias são as seguintes:                                 1517 - O bispo Lutero revolta-se contra a venda de indulgências.
        1. O Humanismo é uma daquelas filosofias para pessoas que      Início da Reforma Protestante.
pensam por si mesmas. Não existe área do pensamento que um             1519 - O espanhol Cortés inicia a conquista do México. O navegador
humanista tenha receio de desafiar e explorar.                         português Fernão de Magalhães inicia a primeira viagem de
        2. O Humanismo é uma filosofia que se concentra nos meios      circunavegação pelo mundo.
humanos de compreender a realidade. Os humanistas não afirmam          1520 - Lutero é excomungado pelo papa Leão X.
possuir ou ter acesso a um suposto conhecimento transcendental.        1534 - O parlamento inglês confirma a independência da Igreja
                                                                       anglicana.
                                                                  67   1540 - O papa aprova a criação da Ordem dos Jesuítas. A Igreja
                                                                       Católica luta contra os protestantes.
                                3.4.2.2.ABSOLUTISMO E CENTRALIZAÇÃO    66
                                EM THOMAS HOBBES
      b)   CONTEXTO HISTÓRICO                                               • Era visto como um pensador maldito, pois acreditava que:
                                                                            1)O Estado é monstruoso;
Para facilitar e compreender melhor os pensamentos de Thomas                2)O Homem é belicoso;
Hobbes é importante nos situarmos historicamente. Afinal de contas          3)Nega o direito natural a propriedade.
aos mesmo tempo que o indivíduo é representante da coletividades a          • Pai do conceito moderno de Estado:
partir da coerção da sociedade, o indivíduo como ser social, também         1)Idéia de soberania;
reflete e projeta a sociedade.                                              2)O Estado deve regulamentar a vida econômica;
Thomas Hobbes nasceu durante a Idade Moderna (século XV ao                  3)O Estado é representativo.
século XVIII). Logo, citarei os principais fatos históricos que               - Natureza humana = “Os Homens são egoístas, luxuriosos,
influenciaram a época:                                                 agressivos e insaciáveis”.
1453 - Os turcos conquistam Constantinopla, destruindo o que                  - Estado de natureza = “Os Homens viveriam, naturalmente,
restava do Império Bizantino.                                          sem poder e sem organização” → caótico, de guerra de todos contra
1488 - O navegador português Bartolomeu Dias contorna o cabo da        todos, onde “O Homem é o lobo do Homem” → natureza humana vil +
Boa Esperança. Grande marco da navegação pelo Atlântico em             “os Homens são tão iguais que...” + imaginação = generalização da
direção à Ásia.                                                        guerra.
- Contrato Social10 = pacto que firma regras para o convívio                             5. O Humanismo é uma filosofia para o aqui e agora. Os
social → só o fundamento jurídico não basta = sanção. Contrato                           humanistas encaram os valores humanos como tendo sentido apenas
Social = Soberano não assina o contrato social, pois surge devido ao                     no contexto da vida humana, mais do que na promessa de uma
Contrato → A sociedade nasce com o Estado.                                               suposta vida após a morte.
       - Estado = dotado de espada, armado, para forçar os Homens                               6. O Humanismo é uma filosofia de compaixão. A ética
ao respeito → poder pleno e ilimitado.                                                   humanista preocupa-se apenas em atender às necessidades
       - Igualdade x Liberdade                                                           humanas e em responder aos problemas humanos - tanto pelo
       - Medo: Estado de Natureza x Estado?                                              indivíduo como pela sociedade - e não dedica atenção alguma à
                                                                                         satisfação dos desejos de supostas entidades teológicas.
                                                                                                7. O Humanismo é uma filosofia realista. Os humanistas
                                                                                   47    reconhecem a existência de dilemas morais e a necessidade de
                                                                                         cuidadosa consideração sobre as conseqüências imediatas e futuras
                                                                                         na tomada moral de decisões.
       3. O Humanismo é uma filosofia de razão e ciência em busca                               8. O Humanismo está em sintonia com a ciência de hoje. Os
do conhecimento. Portanto, quando se coloca a questão de qual é o                        humanistas reconhecem, portanto, que vivemos em um universo
meio mais válido para se adquirir conhecimento sobre o mundo, os                         natural de grande tamanho e idade, que evoluímos neste planeta no
humanistas rejeitam a fé arbitrária, a autoridade, a revelação e os                      decorrer de um longo período de tempo, que não existe uma
estados alterados de consciência.                                                        evidência premente de uma "alma" dissociável, e que os seres
       4. O Humanismo é uma filosofia de imaginação. Os humanistas                       humanos têm determinadas necessidades inatas que formam
reconhecem      que     sentimentos    intuitivos,  pressentimentos,                     efetivamente a base de qualquer sistema de valores orientado para o
especulação, centelhas de inspiração, emoção, estados alterados de                       homem.
consciência, e até experiência religiosa, embora não válidos como
meios de se adquirir conhecimento, são fontes úteis de idéias que nos                    48
podem levar a novas maneiras de olhar o mundo. Estas idéias, depois
de racionalmente acessadas por sua utilidade, podem em seguida ser                              9. O Humanismo está em sintonia com o pensamento social
postas para funcionar, geralmente como abordagens alternativas para                      esclarecido de nossos dias. Os humanistas são compromissados com
a solução de problemas.                                                                  as liberdades civis, os direitos humanos, a separação entre Igreja e
                                                                                         Estado, a extensão da democracia participativa, não só no governo,
10
  A Ciência Política da era moderna tem, na noção de ‘Contrato Social’, a mais           mas no local de trabalho e na escola, uma expansão da consciência
expressiva fundamentação político-filosófica que explica a criação do Estado – e do      global e permuta de produtos e idéias internacionalmente, e uma
Poder que lhe é inerente, por haverem sido dois conceitos praticamente
indistinguíveis naquele período. Segundo Boaventura de Souza Santos, o
                                                                                         abordagem aberta para a resolução de problemas sociais, uma
“Contratualismo” é conhecido como a doutrina fundadora da racionalidade político-        abordagem que permita a experiência de novas alternativas.
social do Estado na Modernidade, e pode ser considerado metafórico porque seus                  10. O Humanismo está em sintonia com novos avanços
teóricos partem da hipótese de um Estado de Natureza (onde cada autor descreve           tecnológicos. Os humanistas têm boa-vontade em participar de
como entende estes Estados naturais e a natureza dos homens que o compõem) e             descobertas científicas e tecnológicas emergentes, de modo a
abstraem a ocorrência de um Pacto Social que, factualmente, não ocorreu. Este
“Contrato Social” firmaria a sociedade civil, que seria posteriormente diferenciada do
                                                                                         exercerem sua influência moral sobre estas revoluções à medida que
Estado, o qual é considerado uma sociedade política. Assim, o contratualismo             surgem especialmente no interesse de proteger o meio ambiente.
propugna pela idéia de que a sociedade política nasce da vontade expressa dos
homens, sendo, portanto, um ato de vontade livre a adesão ao corpo social.
11. O Humanismo, em suma, é uma filosofia para aqueles que         absolutismo político que sucedeu a supremacia da Igreja medieval. A
amam a vida. Os humanistas assumem responsabilidade por suas              obra foi publicada no ano seguinte, 1651, englobando todo o seu
próprias vidas e apreciam a aventura de participar de novas               pensamento. No final do livro colocou que os súditos tinham o direito
descobertas,    buscar   novo    conhecimento,    explorar  novas         de abandonar o soberano que não mais os podia proteger em favor
possibilidades. Em vez de se satisfazerem com respostas                   de um novo soberano que pudesse fazê-lo. Esta posição foi
préfabricadas para as grandes questões da vida, os humanistas             considerada como ofensa ao herdeiro Carlos II, exilado em Paris
apreciam o caráter aberto de uma busca e a liberdade de descoberta        enquanto a república sucedia a Carlos I na Inglaterra. Hobbes foi
que este proceder traz como sua herança.                                  olhado como oportunista e repudiado pelos exilados de Paris, ao
                                                                          mesmo tempo que o governo francês o tinha sob suspeita devido a
                     MOVIMENTO HUMANISTA
                                                                          seus ataques ao papado. Em fins do mesmo ano de 1651 Hobbes
       “O Movimento Humanista é um conjunto de pessoas de várias          voltou à Inglaterra procurando estar em paz com o novo regime.
idades, credos, raças...” E que hoje se faz presente em mais de 120               Tendo retornado à Inglaterra aos 63 anos Hobbes por mais
países, nos cinco continentes é uma nova sensibilidade que prioriza a     vinte anos manteve sua energia e combatividade, envolvendo-se em
ação de base, a comunicação direta, a prática da não violência e a        várias polêmicas no campo científico e religioso.
não-discriminação. É um novo pensamento porque parte da                   Hobbes morreu em 1679, famoso no exterior, apesar de detestado
necessidade do Ser Humano de superar a dor e o sofrimento. Além           por muitos inimigos na Inglaterra. Sua reputação foi logo superada
de resgatar o melhor de cada cultura e da própria história humana. É      pela de John Lock. Somente no século XVIII seu pensamento ganhou
uma nova ação no mundo porque se baseia nas virtudes de cada ser          nova importância. É hoje considerado um dos grandes pensadores
humano, na força do conjunto, na reciprocidade e na verdadeira            políticos da Inglaterra.
solidariedade. Estamos conformando as bases para uma verdadeira                   É o primeiro contratualista. Era tutor e preceptor. Chegou a
transformação pessoal e social. Construindo a Nação Humana                ensinar matemática para Carlos I em seu exílio na França, durante os
Universal, distante do mito do dinheiro, do pragmatismo e do sem          anos da Revolução.
sentido da época atual.
                                                                    65
                                                                                a)   CARACTERÍSTICAS DO ESTADO MODERNO

       A vida de Hobbes esta ligada a monarquia inglesa, cujas                   1) autonomia e plena soberania do Estado;
intrigas e políticas afetaram sua existência e pensamento político.              2) distinção entre Estado e sociedade civil - ascensão da
       Depois de formado Hobbes foi preceptor do filho de uma família     burguesia;
de prestigio. Com isso viajou a França e a Itália.                               3) identificação absoluta entre o Estado e o monarca è Séc.
       Mas tarde Hobbes se dedicou a vida intelectual, do qual em         XVIII è Rei Luiz XIV afirmava "O Estado sou eu". Estado Medieval =
1629 traduziu a obra de Tucídides – historiador grego analista político   Estado patrimonial.
e moral da guerra do Peloponeso. Partir daí, Hobbes começa a                    b)   ESTADO ABSOLUTO
mostrar suas tendências políticas. Em mais uma de suas viagens,
                                                                                 É primeira expressão do Estado Moderno. É a uma nova forma
Hobbes teve a oportunidade de se encontrar com Galileu e René
                                                                          estatal, baseada na idéia de soberania e que está intrinsecamente
Descartes, cuja ciência e filosofia o impressionavam. Refugiado em
                                                                          relacionada à concentração de todos os poderes nas mãos dos
Paris por temer sua segurança após ter publicado DE CIVE, Hobbes
                                                                          monarcas. Personificação do Estado na figura do rei – Luiz XIV, o rei
escreveu sua obra prima, "O Leviatã"; ou "Matéria, Forma e Poder da
Comunidade Eclesiástica e Civil", um estudo filosófico sobre o
Sol: O Estado sou eu. Estado como propriedade: poder de imperium,                do filósofo grego Aristóteles (384 a 322 a.C), a quem nos referiremos
como direito absoluto do Rei.                                                    adiante é a responsável pela expansão do termo Política.
        Rei = Senhor Feudal: Assegurar a unidade territorial dos                        Esse termo foi utilizado durante muito tempo para designar o
reinos.                                                                          estudo da esfera de atividades humanas que se refere de algum
        Concentração de poder: Autoridade ilimitada pela origem divina           modo às coisas do Estado.
do monarca.                                                                             Já na época moderna, o termo foi sendo substituído
        Jean Bodin = a soberania do monarca era perpétua, originária             paulatinamente por expressões como “ciência do Estado”, “doutrina
e irresponsável.                                                                 do Estado”, “ciência política”, “filosofia política”, etc., porém sempre
        Absolutismo é diferente de tirania, despotismo, ditadura,                indicando a atividade ou conjunto de atividades que, de alguma
totalitarismo, autocracia e autoritarismo.                                       maneira, têm como termo de referência a pólis, ou seja, o Estado.
        Absolutismo x capitalismo = a burguesia “abriu mão” do poder                    De maneira geral, o termo Política pode ser entendido como
político delegando-o ao soberano por razões econômicas.                          forma de atividade humana estreitamente ligada ao poder. Nesse
        Elementos Constitutivos do Estado Moderno: Soberania,                    sentido, a conceituação de Max Weber parece-nos bastante acertada.
Território e Povo.                                                                      Segundo esse autor, Política pode ser entendida como “o
                         3.4.2.THOMAS HOBBES (1588-1679)                         conjunto de esforços feitos com vistas a participar do poder ou a
                                                                                 influenciar a divisão do poder, seja entre Estados, seja no interior de
                                 3.4.2.1.BIOGRAFIA DE THOMAS HOBBES              um único Estado” (Weber, 2005: 56).
       Filosofo e cientista político, Thomas Hobbes nasceu na                           Já o termo poder define-se como uma relação entre dois
Inglaterra em 05 de abril de 1588, vindo a falecer em 04 de dezembro             sujeitos, dos quais um impõe ao outro a própria vontade, lhe
de 1679. Seu pai, um vigário humilde, entregou-lhe ainda criança,                determinando o seu comportamento. Inclui-se nessa conceituação
devido a uma briga na porta de sua igreja, ao irmão que                          tanto o domínio do homem sobre outro homem, como o domínio do
proporcionou-lhe uma boa educação. Estudou na escola da igreja e                 homem sobre a natureza.
depois em uma escola privada, e mais tarde aos 15 anos foi estudar                      O poder político compreende apenas o poder do homem sobre
em Oxford onde consagrou a maior parte do tempo a ler livros de                  o outro homem como, por exemplo, a relação entre governantes e
viagem e estudar cartas e mapas, e onde formou-se em 1608.                       governados, entre soberanos e súditos, entre Estado e cidadãos,
                                                                                 entre autoridade e obediência.

                                                                                 50

      2. O PENSAMENTO POLÍTICO
                  “A desgraça dos que não se interessam por política é serem           Para a teoria política há uma diferença básica entre a política
                              governados pelos que se interessam” (Weffort).     dos antigos e a dos modernos. Os gregos e romanos antigos
  "Política é o processo de formação, distribuição e exercício do poder" (H.D.
                                                        Lasswell e A. Kaplan).
                                                                                 empreendiam uma política voltada para as virtudes, mas não se trata
                                                                                 da idéia de virtude secularizada pelo cristianismo e sim da idéia de
      3.1.   O CONCEITO DE POLÍTICA E PODER POLÍTICO                             que o bem para a sociedade deve estar no centro do discurso político.
        O significado do termo Política advêm de pólis (polítikos), que          A busca pelo interesse próprio, tão comum entre os modernos existia,
significa tudo o que se refere à cidade, ou seja, tudo que é urbano,             mas não fazia parte da fala pública.
civil, público ou mesmo, o que é sociável ou social. A obra “A Política”               A política moderna, tal qual a conhecemos tem inicio por volta
                                                                                 do Século XVI (1500 d.C.) e diferentemente da política antiga passa a
reconhecer e legitimar a busca por vantagens pessoais, dando mais                      1) Visão liberal do Estado, herdeira das concepções medievais de
atenção à questão dos interesses (Ribeiro, 2006).                                         liberdade e realeza como defensora de uma ordem civil a ser
       Mas, modernamente, qual seria o elemento específico do                             usufruída;
poder político? Para Bobbio (2006), o poder político, tem como                         2) Estado como algo repressivo, erguendo-se contra as
diferencial a posse dos instrumentos mediante os quais se exerce a                        aspirações dos súditos explorados, o Estado como problema,
força física. Seu caráter coator é o elemento que o distingue dos                         porque é uma coisa repressiva que precisa ser humanizada.
outros tipos de poder. Mantêm-se aqui, a relação entre fortes e fracos                    (revoluções democráticas)
e/ou entre superiores e inferiores.                                                       A política moderna é, em larga medida, um diálogo entre essas
       É importante ressaltar que embora a possibilidade de recorrer               duas alternativas.
à força seja o elemento que distingue o poder político de outras                          Gramsci afirma que Maquiavel foi o teórico da formação dos
formas de poder, o uso da força deve ser entendido como condição                   Estados modernos. O pensamento de Maquiavel se molda numa Itália
necessária, porém não suficiente para a existência do poder político.              onde havia fracassado a revolução das Comunas (cidade-Estado),
Uma quadrilha de criminosos ou um grupo terrorista apesar de                       num país fragmentado em muitos Estados pequenos, e que está a
fazerem o uso da força, não possuem o poder político, como                         caminho de perder sua independência nacional desde a invasão das
sabemos.                                                                           tropas do rei francês Carlos VIII, em 1494. Maquiavel, refletindo sobre
       O poder político só é conferido aos grupos que detêm o                      a experiência de outros países (Espanha, Inglaterra e, principalmente,
monopólio da posse e do exercício da coação física, e que recebeu                  França), analisa a maneira como se deveria construir na Itália um
esse monopólio a partir de um processo determinado por um contexto                 Estado moderno e unitário, graças à iniciativa do Príncipe.
social específico, como o processo eleitoral, por exemplo.                             • Henrique VIII - Inglaterra - oposição ao papa e separação da
       A compreensão da natureza do poder político nos remete ao                          Igreja Católica.
conceito de Estado e à clássica definição de Max Weber:                                   - Triângulo amoroso: Henrique VIII & Catarina de Aragão & Ana
      “Por Estado se há de entender uma empresa institucional de caráter           Bolena.
      político onde o aparelho administrativo leva avante, em certa medida e com          - Afirmou que o poder absoluto pertence ao Estado, que a
      êxito, a pretensão do monopólio da legítima coerção física, com vistas ao    Soberania estatal é absoluta e não depende de nenhuma outra
      cumprimento das leis” (apud Bobbio, 2007: 956).                              autoridade - Absolutismo. Fundador da Igreja Anglicana.


                                                                              63   62

       - Guerra das Duas Rosas na Inglarerra - Séc. XV.
       - Guerra Civil Inglesa – Séc. XVII.                                                 1498 – Maquiavel passa a exercer um cargo público →
       - Guerra dos Trinta Anos na Alemanha – Séc. XVII.                           Savonarola é deposto → Maquiavel passa a ocupar a Segunda
       O Estado Moderno virou inteiramente de cabeça para baixo a                  Chancelaria.
idéia de política e isso aconteceu em resposta a mudança religiosa.                        1502 a 1512 – esteve a serviço de Sonderine → Maquiavel
Visão liberal do Estado = preocupados acima de tudo com a salvação                 instituiu uma milícia nacional → Sonderine é destronado e os Médicis
acreditavam que o Estado deveria apenas garantir a paz necessária à                voltam ao poder, demitindo Maquiavel.
realização dos projetos individuais.                                                       1512 a 1513 – Escreve “O Príncipe”.
       Duas atitudes contrastantes revelam o ritmo da política                             1527 – Restauração da República.
moderna:
- Natureza Humana = “Os Homens são ingratos, volúveis,                    Porém, o poder político não pode ser tomado única e
simuladores, covardes ante o perigo e ávidos de lucro”.                  exclusivamente a partir de seu elemento característico. Enquanto luta
       - A história é cíclica: é impossível domesticar a natureza        para moldar as decisões que terão impacto sobre a vida da
humana e refrear as paixões do Homem.                                    coletividade, na forma de leis e políticas públicas o exercício do poder
       - Causas da instabilidade e desordem:                             político oscila entre dois pólos: a coerção, ou seja, o uso da força
       1) imutável natureza humana;                                      física ou ameaça desse uso e a legitimidade, ou seja, a idéia de
       2) duas forças opostas: povo x elite – correlação de forças       aceito, consentido que está revestida pela legalidade dos valores
(Principado ou República).                                               prezados pela sociedade.
       - Príncipe = agente de transição – “Há vícios que são virtudes”           Em uma democracia indireta como a brasileira concorda-se
– Deve-se agir certo na hora certa.                                      que o vencedor das eleições tem poder de governar durante um
       - Virtù = verdadeira virilidade e inquestionável coragem.         período de tempo específico. Para manter-se no poder, no entanto,
       - Fortuna = deusa boa, é mulher e quer ser seduzida → possui      esse vencedor pode lançar mão também da coerção, tendo o cuidado
honra, glória, poder e riqueza = significa sorte.                        de jamais desequilibrar os dois pólos que sustentam o poder político.
       - Virtù e Fortuna = “A força do leão e a esperteza da raposa”.          3.2.    O PENSAMENTO POLÍTICO ANTIGO – A POLÍTICA
                              3.4.1.2.FORMAÇÃO E     ESTRUTURA     DO                  NORMATIVA
                              ESTADO MODERNO
                                                                                       3.2.1. PLATÃO E A CIÊNCIA POLÍTICA
        Século XVI (França, Inglaterra e Espanha) = surgimento do
                                                                                "Ele foi o primeiro e talvez o último, a sustentar que o estado deve ser
Estado Moderno (religião no centro da história, determinando a                        governado não pelos mais ricos, os mais ambiciosos ou os mais
história). É necessária a presença de poder político (soberania), povo                                                 astutos, mas pelos mais sábios”.
e território para que se possa falar de Estado.
        Estado Moderno = Estado unitário dotado de poder próprio                Para Platão – Aristocracia – que seria formada num processo
independente de quaisquer outros poderes                                 educacional (a idéia de democracia não aparece).
                                                                                Apelando para o mito da destruição e reconstrução do cosmo,
      c)   POLÍTICA NO ESTADO MODERNO
                                                                         Platão descreveu no seu diálogo "Político", num primeiro momento, a
      Os reinos tendiam a fragmentar-se a se unificar em outros.         Era de Cronos, o tempo, e sua transição para a Era de Zeus, o seu
Monarcas centralizadores adquiriram os poderes concentrados da           filho (quando a Idade de Ouro dos homens esfumara-se nos
soberania, mas alguns usufruíam de grandes privilégios.                  pretéritos).
      Fatos históricos relevantes:
                                                                   51
                                                                         52
       Ainda segundo Weber (2005), a violência não é o único
instrumento utilizado pelo Estado, mas é seu instrumento específico.            A seguir, tratou dos humanos nascidos neste novo período
A relação entre o Estado e a violência é particularmente íntima e para   pós-Paraíso, quando eles perceberam que os tempos eram outros,
nos certificarmos disso basta assistir ao último grande sucesso da       que desaparecera a harmonia que havia outrora entre eles e os
cinematografia nacional: Tropa de Elite.                                 animais, que os bichos não só perderam a fala, como se tornaram
       Agrupamentos políticos os mais diversos, desde sempre,            hostis e ferozes, obrigando os homens a se organizarem em grandes
começando pela família, recorreram à violência física como               grupos, fechados em regimes políticos, para poderem sobreviver à
instrumento normal do poder.                                             crescente selvageria dos tempos de Zeus.
Para Platão, o primeiro e fundamental problema da política é         XVIII, que se pode falar [na verdade, impropriamente] de uma "escola
que todos os homens acreditam-se capacitados para exercê-la, o que         do direito natural". Isto permitiu que muitos reservassem a expressão
lhe parece um grave equívoco, pois ela resulta de uma arte muito           jusnaturalismo para as doutrinas desse período histórico.
especial. Distingue então três tipos de artes:                                     O ideal jusnaturalista do século XVIII teve assim enormes
   • Aquelas que ele chama de auxiliares (que podemos classificar          resultados políticos: foi na doutrina do direito natural que se inspirou,
      como as de ordem técnica, como o artesanato, a marinhagem,           conquanto confluíssem também outros elementos históricos e
      o pastoreio, etc.);                                                  doutrinários, oriundos, sobretudo da tradição constitucionalista inglesa
   • Em seguida vêm as artes produtoras (o plantio, a tecelagem, o         - a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América
      comércio, etc.), e por último;                                       [1776], onde se afirma que todos os homens são possuidores de
   • A arte de saber conduzir os homens, que seria a política              direitos inalienáveis, como o direito à vida, à liberdade e à busca da
      propriamente dita superior a todas as outras.                        felicidade; e é de caráter genuinamente jusnaturalista a Declaração
                                                                           dos Direitos do Homem e do Cidadão [1789] que constituiu um dos
                    3.2.1.1.   A POLÍTICA É TECELAGEM
                                                                           primeiros atos da Revolução Francesa e onde se proclamam
       Para melhor ilustrar o seu ponto de vista, recorre a uma            igualmente como "direitos naturais", dentre outros, a liberdade, a
comparação: a atividade do político, disse ele, assemelha-se à da          igualdade e a propriedade.
tecelagem. Nada mais é do que a arte da vestimenta, o que implica                  A "Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948"
na escolha do tecido, das peças que devem ser costuradas à mão, e          reconhece como núcleo básico dos direitos fundamentais da pessoa
da armação final, pois seu objetivo maior é dar segurança e abrigo,        humana o do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à justiça, à
da mesma forma que um trajo protege das intempéries e assegura os          segurança, à família, à propriedade, ao trabalho, à saúde, à educação
pudores. Por isso, o político deve desenvolver habilidades tais como       e à cidadania.
saber cardar e fiar, porque um dos seus afazeres maiores é conseguir               Já a Constituição brasileira de 1988 em seu artigo 5º afirma
misturar o tecido maior e melhor com o menor e o pior (isto é,             “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
encontrar o equilíbrio entre os fortes e poderosos e os mais fracos e      garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
indefesos).                                                                inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
             3.2.2. ARISTÓTELES E A CIÊNCIA POLÍTICA                       e a propriedade...”.
        Para Aristóteles não há conceito de igualdade universal. A                                 3.4.1.NICOLAU MAQUIAVEL (1469-1527)
política é natural para humanos mais avançados.                                                           3.4.1.1.BIOGRAFIA       DE      NICOLAU
                                                                                                          MAQUIAVEL
                                                                                 1494 – Os Médicis são expulsos de Florença.
                                                                     61
                                                                           60
        Mas uma sociedade tão precária e incerta que se torna                     Desse modo, foram partícipes de uma das mais importantes
conveniente sair dessa situação para fazer surgir uma instituição          revoluções burguesas que já se teve notícia. Hobbes vive a revolução
jurídico-política organizada.                                              de 1640 e Locke vive a Revolução Gloriosa de 1688, que juntas
        Direitos inatos, estado de natureza e contrato social, conquanto   fazem parte do mesmo fenômeno, a Revolução Inglesa.
diversamente entendidos pelos vários escritores, são os conceitos                 Thomas Hobbes, defensor do estado absolutista, introduziu o
característicos do jusnaturalismo moderno; acham-se de tal modo            individualismo radical no pensamento político e estabeleceu as bases
presentes em todas as doutrinas do direito natural dos séculos XVII e      teóricas do conceito moderno de contrato social, que seria
desenvolvido, posteriormente, por Jean-Jacques Rousseau. John           contém a célebre definição aristotélica do homem como "animal
Locke afirmou o caráter natural do direito à vida e à propriedade e     político" (zoon politikon).
defendeu uma divisão de poderes voltada para combater a                         É evidente que a cidade faz parte das coisas naturais, e que o
centralização absolutista.                                              homem é por natureza um animal político. E aquele que por natureza,
       Montesquieu era profundo admirador da Inglaterra liberal que a   e não simplesmente por acidente, se encontra fora da cidade ou é um
Revolução Inglesa construiu. Preocupado com a estabilidade dos          ser degradado ou um ser acima dos homens, segundo Homero (Ilíada
governos e a manutenção do poder cria a teoria da tripartição dos       IX, 63) denuncia, tratando-se de alguém: sem linhagem, sem lei, sem
poderes, claramente influenciado por Maquiavel e Locke. A divisão do    lar.
Estado em três poderes é uma realidade para nós brasileiros que                 Aquele que é naturalmente um marginal ama a guerra, e pode
convivemos com os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.          ser comparado a uma peça fora do jogo. Daí a evidência de que o
       A ascensão econômica da burguesia criou, na segunda metade       homem é um animal político mais ainda que as abelhas ou que
do século XVIII, a necessidade de encontrar fórmulas políticas que      qualquer outro animal gregário. Como dizemos freqüentemente, a
abrangessem as propostas burguesas sobre a configuração da              natureza não faz nada em vão: ora, o homem é o único entre os
sociedade e do estado: participação, igualdade jurídica, liberdades     animais a ter linguagem [logos]. O simples som é uma indicação do
individuais e direito de propriedade. Novas teorias políticas           prazer ou da dor, estando, portanto, presente em outros animais, pois
contribuíram para compor a ideologia da burguesia revolucionária.       a natureza destes consiste em sentir o prazer e a dor e em expressá-
       Rousseau, dessa forma, através da crítica radical do             los. Mas a linguagem tem como objetivo a manifestação do vantajoso
absolutismo político e da desigualdade social se torna um dos           e do desvantajoso, e, portanto, do justo e do injusto. Trata-se de uma
fundadores do pensamento democrático moderno e é personalidade          característica do homem ser ele o único que tem o senso do bom e
que influencia fortemente a Revolução Francesa.                         do mau, do justo e do injusto, bem como de outras noções deste tipo.
       Os contratualistas, de maneira geral, foram influenciados pela   É a associação dos que tem em comum essas noções que constitui a
idéia de um Direito Natural ou Jusnaturalismo, mas procurando o         família e o estado.
fundamento desse direito, assim como da organização social e do
poder político, na própria natureza humana e na vida social.                         3.2.3.OS GREGOS E A POLÍTICA
       Em algumas doutrinas jusnaturalistas modernas, o                         Os gregos se sentiam superiores pela distinção que faziam
individualismo é levado até o ponto de se considerar a própria          entre o seu sistema de governo (democracia) e o despotismo
sociedade como efeito de um contrato entre os indivíduos; o contrato    (tirania) suportado pelos vizinhos orientais (persas e egípcios). A
social se desdobraria assim em dois momentos, pacto de união e          partir do horror que sentiam pela relação de prostração denotada
pacto de sujeição. Mas isto' é mais raro do que comumente se crê,       pelos orientais em relação aos seus senhores, os gregos se
porque, também entre os jusnaturalistas modernos, o estado de           identificavam como ocidentais. Assim, podemos ver que a política
natureza é geralmente representado como uma forma de sociedade.         está no centro de sua civilização.
                                                                  53
                                                                        54
       O texto aristotélico da Política teve uma grande influência no
desenvolvimento da ciência política em nossa tradição e faz parte de            Os aristocratas gregos e romanos estudavam leis, filosofia e a
um conjunto de estudos que inclui o exame de um grande número de        arte da oratória para realizar a vocação política decidida de berço. A
constituições das cidades-estados gregas da época, das quais só         política podia ser a base da educação porque bem cedo se tornara
chegou até nós A Constituição de Atenas. A passagem selecionada
uma atividade consciente que provocava reflexão, gerando soberba        interesse deles, e só então filtrados muito lentamente, ao longo das
literatura.                                                             gerações, para os escalões mais baixos da sociedade. “O eleitor de
        A política, entre os gregos antigos, era uma nova maneira de    hoje, em outras palavras, herda os direitos inicialmente defendidos
pensar, sentir e, acima de tudo, se relacionar com os outros. A única   pelos barões de outrora”.
forma de relação entre seres racionais era a persuasão.                         A essência da política medieval está no fato de que o rei não
        Foram os gregos e os romanos que lançaram os fundamentos        podia governar – ao ponto de não poder executar as funções muito
da nossa concepção de política.                                         limitadas de governo tais como entendidas na época – sem a
                   3.2.3.1.   A DEMOCRACIA ATENIENSE                    cooperação de parceiros. Tinha que consultar os nobres, a Igreja e os
                                                                        representantes ricos das cidades. Assim surgiram os parlamentos.
       A cidade-Estado de Atenas tinha por volta de 300 mil                     A vida na Europa era extremamente violenta, mas o
habitantes. 40 mil eram considerados cidadãos. Havia cerca de 100       cristianismo teve para a vida política uma grande importância, pois
mil escravos e o resto da população era composta por mulheres e         operou uma transformação nos valores humanos. Afirmou a
estrangeiros (metecos). Os 40 mil cidadãos gozavam da mais              igualdade sob os olhos de Deus em cada alma humana e o valor de
absoluta liberdade. Nunca mais um cidadão poderia ser transformado      cada indivíduo está não em sua participação na razão universal, mas
em um escravo por outro ateniense. Todos participavam diretamente       numa personalidade que responde ao desafio do pecado. O
das decisões políticas por meio dos mecanismos da democracia            cristianismo desviou a atenção humana da conquista política e das
(Eclésia e Boulé)                                                       coisas materiais do mundo para o cultivo de uma vida interior.
       A Eclésia ou Assembléia do Povo não podia ser considerada                O Império Romano do Ocidente transformou-se na Igreja
uma instituição, já que se tratava do povo reunido. Todos os cidadãos   Católica Romana, as províncias romanas tornaram-se dioceses, o
atenienses tinham não apenas o direito, mas o dever de assistir às      poder do papa cresceu à medida que o do imperador declinava. Havia
sessões. Porém, nem sempre isso acontecia e apenas uma minoria          uma forte unidade na Igreja, enquanto não havia unidade política.
se ocupava dos negócios da Pólis.
       Nessas sessões, havia uma tribuna da qual os oradores                             3.4.O PENSAMENTO POLÍTICO MODERNO:
dirigiam a palavra aos que se sentavam nas bancadas. A Eclésia                           MAQUIAVEL,    HOBES,    MONTESQUIEU,
contava com 01 presidente e com secretários que eram sorteados                           ROUSSEAU E KARL MARX
diariamente e era composta por 50 cidadãos.                                     A importância de Maquiavel está relacionada à maneira como
       Já a Boulé (Conselho) era composta por 500 cidadãos que          ele passa a ver o Estado. Com sua visão dura e implacável sobre o
eram escolhidos em suas tribos de origem por sorteio. Todos os anos     fenômeno do poder, Maquiavel chocou seus contemporâneos e ainda
novos componentes eram sorteados. Como 500 homens não podiam            hoje provoca o fascínio dos estudantes que se debruçam sobre sua
permanecer em sessão permanentemente, havia um conselho mais            obra.
íntimo, a Pritania, composta por 50 homens, 5 de cada uma das 10                A contribuição dos contratualistas Hobbes, Locke, Montesquieu
tribos e que permaneciam em sessão durante a décima parte do ano.       e Rousseau está intrinsecamente relacionada ao seu contexto
                                                                        histórico e também a idéia dos direitos naturais. Hobbes e Locke
                                                                        viveram em uma Inglaterra que passava por uma guerra civil. Viram o
                                                                  59    poder do rei ser limitado e o Parlamento ser criado.
                                                                        58

      Século XIII – direitos e liberdades eram primeiro elaborados
pela nobreza e os habitantes mais ricos das cidades, comumente no
A Europa como a conhecemos hoje, é o resultado de                         Os cidadãos tinham riqueza, beleza e inteligência diversas,
sucessivas ondas de migração de tribos empurradas para o oeste             mas como cidadãos eram iguais. Os gregos obedeciam
pela pressão de outras à retaguarda. Eram atraídos pela evidente           espontaneamente à lei da sua polis e tinham orgulho disso. Sua
prosperidade e civilização do Império Romano (hunos, godos,                própria identidade estava inseparavelmente ligada à cidade. O pior
visigodos, anglos, francos). Fizeram pressão sobre o Império durante       dos fados era o exílio, uma forma de morte cívica por vezes imposta
séculos, sendo de início absorvidos pela estrutura romana, mas             pela pena do ostracismo a estadistas atenienses cujo poder se
depois rompendo-a e destruindo-a. Esses bárbaros fundaram seus             supunha ameaçar a constituição.
próprios reinos nos capôs e com o tempo foram se convertendo ao                   Entre os gregos encontramos a maioria das condições da
cristianismo. Cada reino tinha um rei e um grupo de magnatas aos           liberdade: uma vida vivida entre iguais, submetida apenas à lei, cada
quais geralmente se concediam terras em troca de lealdade. Essas           um governando e sendo governado. Os gregos foram os primeiros a
concessões de terra logo se tornaram hereditárias.                         criar sociedades com essa forma e foram também os primeiros a
        Há três elementos sobre os quais foi construída a civilização da   investigar essa experiência através da literatura. A política era a
alta Idade Média:                                                          atividade específica dessa novidade chamada “cidadão”.
    1) O amor vital pela liberdade herdado dos próprios bárbaros                  Os gregos são humanistas, mas de um tipo diferente do
        (havia um forte senso moral e o rei era o guardião da lei).        humanismo cristão. Ser humanista para um grego significa que o
        Assim, a política na Idade Média se baseava na relação entre       homem é um animal racional e que o significado da vida humana está
        um rei e seus vassalos mais importantes;                           no exercício da racionalidade. Quando sucumbem as paixões ou ao
    2) A ordem civil tinha que ser construída através do acordo com        orgulho rebaixam-se. Porém, ao deliberar sobre a lei e a política, o
        um grupo de magnatas cujo controle sobre seus próprios             homem encontra a sua mais elevada e pura forma de auto-expressão.
        rendeiros lhes dava uma posição independente. As condições         O que só se poderia desfrutar na vida política da cidade.
        geográficas favoreciam os governos centralizados e despóticos             Uma vez que uns são menos racionais que outros, então são
        e no século XI encontramos um mosaico de principados               também menos humanos (escravos e mulheres). A cidadania estava
        governados por duques e condes, algumas cidades mercantis          circunscrita aos adultos livres do sexo masculino e em algumas
        independentes e o começo de reinos a partir dos quais              cidades nem mesmo a todos eles.
        podemos ver o surgimento das nações-estados da Europa;                    As leis e políticas de uma cidade grega não provinham,
    3) A religião é o mais importante elemento da política medieval.       portanto do palácio de um déspota, mas da discussão entre cidadãos
        Só era possível tornar-se cristão com a adoção de certas           conceitualmente iguais na agora, a praça de mercado que também
        crenças e o cristianismo era uma religião de livro, o que          servia de arena política. Os cidadãos gozavam de igualdade perante
        valorizava a educação e a alfabetização, o que exigiu vasta        a lei e oportunidade igual de falar na assembléia. Numa grande
        reflexão intelectual. O cristianismo acreditava que os humildes    cidade como Atenas, milhares de pessoas deviam comparecer a
        é que estavam mais próximos do espírito amoroso que se             essas reuniões, de modo que os discursantes eram na maioria
        supunha exigido por Deus. Isso incluía as mulheres, que            aristocratas que haviam estudado a arte da oratória ou líderes
        ficaram entusiasmadas com uma fé que pregava a paz e o             destacados que conseguiram angariar um grupo de adeptos. Nas
        amor.                                                              democracias, muitos cargos eram ocupados por sorteio, mas os
                                                                           principais funcionários eram eleitos e provinham comumente de
                                                                           famílias poderosas.
                                                                     55    56
Na atividade política, os homens se dirigiam uns aos outros pelo           Mesmo alterando a constituição a antiga estrutura continuou intacta.
discurso, que é uma habilidade a ser aprendida. Ela requer o domínio       A monarquia que havia sido substituída por dois cônsules que
de idéias, a construção de argumentos, a capacidade de                     detinham em conjunto o imperium da função real, manteve uma forma
compreender a audiência, um reconhecimento das paixões                     de autoridade religiosa chama rex sacrorum. O senado, detentor dos
dominantes da natureza humana e muito mais. Pela primeira vez na           auspicia (símbolos e instrumentos de governo), sustentou a
história, as decisões de interesse público eram tomadas à luz do dia e     continuidade da tradição política romana. Os plebeus tinham pouca
submetidas abertamente à crítica.                                          participação, pois quem governava o Estado eram os patrícios.
        São duas as características essenciais da política grega:          Quando os plebeus deixaram Roma e se estabeleceram em uma
    1) A política estava baseada em unidades territoriais combinadas       colina próxima, os romanos encontraram uma saída constitucional à
        a lealdades tribais ou de clã;                                     crise, criando um foedus, ou seja, um tratado que dava aos plebeus
    2) Após construir a nova constituição, Sólon (VI a.C.) deixou          uma representação própria no governo, os tribunos da plebe. A
        Atenas por 10 anos para que as reformas fossem colocadas           monarquia deu lugar à República e a República deu lugar ao Império.
        em prática por outros (espécie de separação de poderes).           Uma das grandes contribuições dos romanos à política foi a idéia de
        A chave da política, para os gregos, é o fato de que se trata de   auctoritas. Esse termo significava a união da política com a religião
uma conexão de cargos abstratos aos quais correspondem deveres e,          romana, que incluía a veneração de famílias e, portanto dos
em princípio, o trabalho pode ser feito por qualquer funcionário           ancestrais.
competente. Assim, os governantes políticos agem de acordo com os                  Políbio atribuiu o sucesso de Roma ao fato de que não se
deveres que correspondem a seus cargos.                                    podia realmente descrever sua constituição como monárquica ou
                                                                           aristocrática ou democrática, pois continha elementos de todas as
             3.2.4. O LEGADO ROMANO PARA A POLÍTICA                        três. Assim, ela era forte o suficiente para suportar todas as
                                                                           emergências.
       A política grega era baseada na Razão e a romana no amor,                   A fama de Roma em grande parte apoiava-se numa força
no amor pela própria Roma. Os romanos pensavam na sua cidade               moral evidente a todos que com ela lidavam. O castigo após a morte
como uma família e no seu fundador Rômulo como o ancestral                 era a melhor maneira de manter as pessoas virtuosas. Nos tempos
comum de todos.                                                            iniciais predominava o amor pela pátria, mas aos poucos o sucesso e
       Herdamos nossas idéias dos gregos (democracia, tirania,             a riqueza começaram a corromper os romanos, que então caíram sob
polícia, política), mas nossas práticas dos romanos (civilidade,           o domínio de formas despóticas de ordem que antes achavam
cidadão, civilização).                                                     repugnantes.
       Para Dante e Maquiavel os romanos eram um povo que se via
na missão de civilizar o mundo. Roma foi fundada por Rômulo em 753               3.1.   O PENSAMENTO POLÍTICO MEDIEVAL: ESTADO E
a.C., foi governada por reis até 509 a.C., quando Tarquínio, o                          IGREJA
Soberbo, foi expulso por Lúcio Júnio Bruto, líder de uma facção                         3.1.1. O PODER NA IDADE MÉDIA: SUBORDINAÇÃO DA
aristocrática supostamente furioso com o estupro de Lucrecia.                                  POLÍTICA À RELIGIÃO, AUSÊNCIA DE ESTADO
                                                                                               SOBERANO E PODER LOCAL
                                                                                  Na Idade Média, a ordem civil na Europa ocidental foi fruto da
                                                                           brutalidade e da violência e pela primeira vez a religião desempenhou
                                                                           um papel independente.
                                                                     57

Livro segundo ano

  • 1.
    ELABORADO DE ACORDOCOM O REFERENCIAL CURRICULAR ESCOLA ESTADUAL LINO VILLACHÁ DO ENSINO MÉDIO / SED/MS OLÍVIO MANGOLIM VAMOS FILOSOFAR: OLÍVIO MANGOLIM “ENSAIOS DE INTRODUÇÃO À FILOSOFIA” Possui LICENCIATURA PLENA EM FILOSOFIA pela “DE COMO SE DÁ O DESVELAMENTO E A PONTÍFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ (1981) e CURSO INSTITUCIONAL DE TEOLOGIA pelo STUDIUM INTERVENÇÃO NA REALIDADE PELA RAZÃO THEOLOGICUM agregado à PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CIENTÍFICA” CATÓLICA DO PARANÁ (1985). É MESTRE em Educação pela UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO (1999). Atualmente é presidente do INSTITUTO TÉCNICO JURÍDICO CONTEÚDO PARA 2º ANO DO ENSINO MÉDIO E EDUCATIVO. Tem experiência na área de Educação, com ênfase na Área de Concentração: EDUCAÇÃO ESCOLAR e FORMAÇÃO DE PROFESSORES, atuando principalmente nos seguintes temas: a questão indígena e o desenvolvimento regional, Educação Indígena, sociedade e índios. É professor de Filosofia e Sociologia, Geografia e História na Escola Estadual Lino Villachá do Bairro Nova Lima em Campo Grande/MS. olívio-m@hotmail.com ou olivio2009@gmail.com (067) 3354-9265 – (067) 9284-0544 CAMPO GRANDE, ABRIL DE 2010
  • 2.
    A EDUCAÇÃO PARATODOS E TODOS PELA EDUCAÇÃO FILOSOFAR PODE SER USADO COM TRÊS SIGNIFICADOS "Não há mestre que não possa ser aluno” (Baltazar Gracián). DISTINTOS: • Como simples sinônimo de pensar. Doenças ou morte de “Não se transforma o Homem em verdadeiro cidadão com pessoas próximas, decepções, perdas irreparáveis... Fazem- processos educativos repressivos ou de dominação. Nem nos pensar (filosofar) sobre o sentido de nossa vida. tampouco com processos educativos altamente libertadores • Como sinônimo de “saber viver”. Aqui, filosofar é viver com sendo manipulados por pessoas dominadoras e repressivas. sabedoria. O sábio é aquele que se torna um exemplo vivo das Verdadeiros processos educativos que visem a transformação virtudes apreciadas em uma sociedade e é tomado como ponto da sociedade em que vivemos, necessariamente, advirão de de referência para fortalecer o valor das tradições vigentes. É experiências de grupos concretos, onde o processo da nesse sentido que as sabedorias orientais são também construção dessa experiência de verdadeiros cidadãos, seja chamadas “filosofias”. coletivo, tanto na formação dos educadores quanto dos • Como “filosofar propriamente dito”, que teve início da educandos, no caso, o cidadão brasileiro em geral” (Olívio Grécia, em torno dos séculos VI e V a.C. Mangolim). • PARA OS PRIMEIROS FILÓSOFOS: A RAZÃO É O ÚNICO INSTRUMENTO PARA LER E INTERPRETAR A REALIDADE.
  • 3.
    É POSSÍVEL ACREDITARNAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS, E, QUE, A ÉTICA VALE MAIS QUE O CONHECIMENTO SUMÁRIO Ultimamente, tenho concentrado grande parte do meu tempo a ler, um autor, HOWARD GARDNER, pois ele tem se dedicado a estudar como o pensamento se organiza. Para o autor não é admissível que continuemos a medir a inteligência só pelo raciocínio lógico-matemático, geralmente o mais valorizado na escola. Segundo Gardner, há outros tipos de inteligência: musical, espacial, lingüística, interpessoal, intrapessoal, corporal, naturalista e existencial. A APRESENTAÇÃO.......................................................................7 Teoria das Inteligências Múltiplas atraiu a atenção dos professores, o que fez com que ele se aproximasse mais do mundo educacional. INTRODUÇÃO............................................................................8 Hoje, Gardner tem um novo foco de pensamento, organizado no que chama de cinco mentes para o futuro, em que a ética se destaca. “Não 1. A CIÊNCIA............................................................................11 basta ao homem ser inteligente. Mais do que tudo, é preciso ter caráter”, diz, 1.1. ETIMILOGIA DA PALAVRA...........................................................11 citando o filósofo norte-americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882). E 1.1.1. OBJETIVOS DA CIÊNCIA...........................................................11 emenda: “o planeta não vai ser salvo por quem tira notas altas nas provas, 1.1.2. ÁREAS DA CIÊNCIA...................................................................12 mas por aqueles que se importam com ele”. 1.1.3. A CIÊNCIA E FILOSOFIA............................................................12 Além de lecionar na Universidade de Harvard e na Boston School of 1.2. SENSO COMUM E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO..................14 Medicine, ele integra o grupo de pesquisa Good Work Project, que defende 1.2.1. CIÊNCIA E TECNOLOGIA..........................................................14 o comportamento ético. 1.2.2. AFINAL, O QUE É O CONHECIMENTO?...................................15 No que se refere à ética, é necessário imaginar-se com múltiplos papéis: 1.2.2.1. TEORIA DO CONHECIMENTO NA ANTIGUIDADE................18 ser humano, profissional e cidadão do mundo. O que fazemos não afeta 1.2.2.2. TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE MÉDIA.................18 uma rua, mas o planeta. Temos de pensar nos nossos direitos, mas também 1.2.2.3. TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE MODERNA..........18 nas nossas responsabilidades. O mais difícil com relação à ética é fazer a 1.2.2.4. TEORIA DO CONHECIMENTO CONTEMPORÂNEA..............19 1.2.2.5. MODOS DE CONHECER O MUNDO.......................................20 coisa certa mesmo quando essa atitude não atende aos nossos interesses. 1.3. CIÊNCIA, POLÍTICA, FILOSOFIA E PODER.................................21 As pessoas que tem atitudes éticas merecem nosso respeito. O problema é 1.3.1. O QUE É O PODER.....................................................................21 que muitas vezes respeitamos alguém só pelo dinheiro ou pela fama. O 1.3.2. OS ELEMENTOS DO PODER.....................................................21 mundo certamente seria melhor se dirigíssemos nosso respeito às pessoas 1.3.3. OS RECURSOS DO PODER.......................................................21 extremamente éticas. 1.3.4. AS ESTRATÉGIAS DO PODER..................................................21 O bom trabalhador possui excelência técnica, são altamente 1.3.5. PODER E AUTORIDADE............................................................22 disciplinados, engajados e envolvidos e gostam do que fazem. Além disso, 1.3.6. PODER E INFLUÊNCIA...............................................................22 também são éticos. Estão sempre se questionando sobre que atitude tomar, 1.3.7. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA.........................................................22 levando em conta a moral e a responsabilidade e não o que interessa para o 1.3.7.1. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA TRADICIONAL.............................22 bolso deles. O bom cidadão se envolve nas decisões, participa, conhece as 1.3.7.2. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA LEGAL-RACIONAL.....................23 1.3.7.3. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA CARISMÁTICA............................23 regras e as leis: isso é excelência. Por último, não tenta se beneficiar à 1.3.8. AS FORMAS DE PODER............................................................24 custa disso. “Há pessoas bem informadas que só promovem o próprio 1.3.8.1. AS TRÊS FORMAS DE PODER SOCIAL................................24 interesse. O bom cidadão não pergunta o que é bom para ele, mas para o 1.3.9. A CIÊNCIA COMO INSTRUMENTO DO ESTADO......................24 país”.
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    109 2. A CIÊNCIANA IDADE MODERNA......................................28 SILVA, F. L. Teoria do Conhecimento, In: CHAUÍ et al. Primeira Filosofia. São Paulo: Brasiliense,1985. 2.1. UMA NOVA CONCEPÇÃO DO HOMEM E DO MUNDO...............28 SILVA, José Cândido da; SUNG, Jung Mo. Conversando sobre ética 2.1.1. O MOVIMENTO DA REFORMA..................................................28 2.1.2. O DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA NATURAL......................28 e sociedade. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2000. 2.1.3. A INVENÇÃO DA IMPRENSA.....................................................28 STRECK, Lenio Luiz & MORAIS, José Luis Bolzan – Ciência Política 2.1.4. O RENASCIMENTO.....................................................................29 e Teoria Geral do Estado. 2ª edição - Porto Alegre: Livraria do 2.1.4.1. PENSAMENTO MEDIEVAL E RENASCENTISTA...................29 Advogado, 2001. (pág. 163-165) 2.2. OS PRECURSORES DA CIÊNCIA MODERNA.............................29 TELES, Antônio Xavier. Introdução ao estudo de filosofia. 19 ed., SP: 2.3. BACON, DESCARTES E LOCKE..................................................31 2.3.1. FRANCIS BACON.......................................................................31 Ática, 1982. 2.3.1.1. O MÉTODO EXPERIMENTALCONTRA OS ÍDOLOS..............31 TERRA, Paulo. Pequeno Manual do anarquista epistemológico, São 2.3.1.2. AS FALSAS NOÇÕES RESPONSÁVEIS PELO Paulo: Editus, 2000. INSUCESSO DA CIÊNCIA.......................................................32 TIBURI, Márcia. O que é ética hoje? Sem uma discussão lúcida sobre 2.3.1.3. O MÉTODO INDUTIVO DE INVESTIGAÇÃO...........................33 a ética não é possível agir com ética. Publicado no Jornal O Estado 2.3.2. RENÉ DESCARTES....................................................................34 2.3.2.1. O RACIONALISMO DE RENÉ DESCARTES: IDÉIAS de Minas, Domingo, 22 de abril de 2007. CLARAS E DISTINTAS – A DÚVIDA METÓDICA TOBIAS, J.A. Iniciação à filosofia. 8 ed. Presidente Prudente/SP: E O COGITO............................................................................34 Unoeste, 1987. 2.3.2.2. O RACIONALISMO: DOUTRINA QUE ATRIBUI VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 18. ed. Rio de Janeiro: Civilização EXCLUSIVA CONFIANÇA NA RAZÃO HUMANA COMO Brasileira, 1998. INSTRUMENTO CAPAZ DE CONHECER A VERDADE........35 2.3.2.3. RACIONALISMO: A CONFIANÇA EXCLUSIVA NA RAZÃO. .36 _________. Filosofia da Práxis (trad. Luiz Fernando Cardoso). Rio de 2.3.2.4. O MÉTODO CARTESIANO E HERANÇA DE DESCARTES...36 Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. 2.3.3. JOHN LOCKE..............................................................................37 VENOSA, Sílvio de Salvo. Introdução ao Estudo do Direito. São 2.3.3.1. EMPIRISMO: A VALORIZAÇÃO DOS SENTIDOS COMO Paulo: Atlas, 2004. FONTE PRIMORDIAL DO CONHECIMENTO.........................37 VERNANT, J. P. Entre Mito e Política. São Paulo: Editora da 2.3.3.2. AS IDÉIAS PEDAGÓGICAS DE JOHN LOCKE......................39 2.4. O MÉTODO EXPERIMENTAL........................................................39 Universidade de São Paulo, 2001. 2.4.1. ELÉMENTOS INTRODUTÓRIOS................................................39 _________, J. P. Mito e Pensamento entre os gregos. São Paulo: 2.4.1.1. O QUE É MÉTODO...................................................................39 Editora Difusão Européia do Livro, Ed. da Universidade de São Paulo, 2.4.1.2. A IMPORTÂNCIA DO MÉTODO...............................................40 1973. 2.4.1.3. BENEFÍCIOS DO MÉTODO......................................................40 WEBER, Max. Ciência e Política: duas vocações. 13ª edição. São 2.4.1.4. DIFERENÇA DE MÉTODO E TÉCNICA...................................40 2.4.2. DESENVOLVIMENTO DO MÉTODO..........................................40 Paulo: Ed. Cultrix, 2005. 2.4.2.1. GALILEU GALILEI....................................................................40 WEFFORT, Francisco – Os Clássicos da Política. (Vol. 1) SP: Ed. 2.4.2.2. FRANCIS BACON....................................................................41 Ática, 1992. 2.4.2.3. RENÉ DESCARTES.................................................................41 _________, Os Clássicos da Política. (Vol. 1). SP: Ed. Ática, 2000. 2.5. CIÊNCIAS HUMANAS: TENDÊNCIA HUMANISTA E (pág. 113-120); (pág. 245-255). TENDÊNCIA NATURALISTA.......................................................43 ZINGANO, M. Platão e Aristóteles – os caminhos do conhecimento. São Paulo: Editora Odysseus, 2002.
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    108 LOCKE, John. Ensaioacerca do entendimento humano. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Col. Os Pensadores). 3. O PENSAMENTO POLÍTICO...............................................49 LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. SP: Cortez, 1994. 3.1. O CONCEITO DE POLÍTICA E PODER POLÍTICO.......................49 MARITAIN, J. Introdução geral à filosofia. RJ: Agir, 1978. 3.2. O PENSAMENTO POLÍTICO ANTIGO...........................................51 MARX, K.; O 18 Brumário de Luís Bonaparte. Rio de Janeiro: Paz e 3.2.1. PLATÃO E CIÊNCIA POLÍTICA..................................................51 Terra, 1977. 3.2.1.1. A POLÍTICA É TECELAGEM...................................................52 MAYOR, Frederico e FORTI, Augusto. Ciência e Poder, tradução de 3.2.2. ARISTÓTELES E A CIÊNCIA POLÍTICA....................................52 Roberto Leal Ferreira. Papirus, 1998. 3.2.3. OS GREGOS E A POLÍTICA.......................................................53 3.2.3.1. A DEMOCRACIA ATENIENSE.................................................54 MERLEAU-PONTY, M.; Elogio da Filosofia. Lisboa: Guimarães Ed., s/ 3.2.4. O LEGADO ROMANO PARA A POLÍTICA.................................56 d. 3.3. O PENSAMENTO POLÍTICO MÉDIEVAL......................................57 MINOGUE, Kenneth. – Política: uma brevíssima introdução. RJ: Jorge 3.3.1. O PODER NA IDADE MÉDIA......................................................57 Zahar Ed., 1998. 3.4. O PENSAMENTO POLÍTICO MODERNO......................................59 MONDIN, B. Introdução à filosofia. SP: Paulinas, 1981. 3.4.1. NICOLAU MAQUIAVÉL...............................................................61 3.4.1.1. BIOGRAFIA DE NICOLAU MAQUIAVÉL.................................61 MORENTE, M. G. Fundamentos de filosofia. 3 ed. SP: Mestre Jou, 3.4.1.2. FORMAÇÃO E ESTRUTURA DO ESTADO MODERNO.........62 1967. 3.4.2. THOMAS HOBBES......................................................................64 MOSER, P. K.; DWAYNE, H. M.; TROUT, J. D. A Teoria do 3.4.2.1. BIOGRAFIA DE THOMAS HOBBES........................................64 Conhecimento: Uma introdução Temática. São Paulo: Martins Fontes, 3.4.2.2. ABSOLUTISMO E CENTRALIZAÇÃO EM T. HOBBES..........67 2004. 3.4.3. JEAN JACQUES ROUSSEAU....................................................82 3.4.3.1. BIOGRAFIA DE JEAN JACQUES ROUSSEAU......................82 MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro: 3.4.3.2. A TEORIA DO CONTRATO SOCIAL EM ROUSSEAU............83 Âmbito Cultural, 1984. 3.4.4. MONTESQUIEU...........................................................................85 NOGUEIRA, Marco Aurélio. Em defesa da política. 2ª Ed. São Paulo: 3.4.4.1. A TEORIA DA SEPARAÇÃO DOS PODERES........................85 Editora SENAC São Paulo, 2004. 3.5. O PENSAMENTO POLÍTICO CONTEMPORÂNEO.......................86 PLATÃO; Defesa de Sócrates. Pensadores, São Paulo: Abril Cultural, 3.5.1. JOÃO LOCKE: O PRECURSOR.................................................86 3.5.1.1. BIOGRAFIA DE JOÃO LOCKE................................................86 1972. 3.5.1.2. CONTEXTO HISTÓRICO..........................................................87 PLATÃO; República. São Paulo: Abril Cultural, 1972. 3.5.1.3. TEORIA DA TÁBULA RASA DO CONHECIMENTO...............87 PRADO JUNIOR, C. O que é filosofia. SP: Brasiliense, 1983. 3.5.1.4. ESTADO E PROPRIEDADE – O ESTADO LIBERAL..............88 REALE, G; ANTISERI, D. História da Filosofia. Vol. I. São Paulo: Paulus, 1991. REIS, José Carlos. A história entre a filosofia e a ciência. SP: Ática, 1996. RIBEIRO, Renato Janine. A ética na política. São Paulo: Lazuli Editora, 2006. RÓNAI, Paulo. Dicionário universal de citações. RJ: Círculo do Livro, 1985. SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. São Paulo: Cortez, 2003. SCURO, Neto Pedro. Sociologia Ativa e Didática. SP: Saraiva, 2003.
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    107 FAGUNDES, Márcia Botelho. Aprendendo Valores Éticos. Belo 4. MORAL E ÉTICA..................................................................90 Horizonte: Autêntica, 2001. FARIA, M. C. B. Aristóteles: a plenitude do Ser. São Paulo: Moderna, 4.1. O QUE É ÉTICA HOJE?.................................................................90 1994. 4.2. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS...............................................92 FOUREZ, Gerard. A construção das ciências. Tradução, a introdução 4.2.1. ÉTICA...........................................................................................92 à filosofia e à ética da ciência. São Paulo: Ed. UNESP, 1995. 4.2.1.1. DE COMO A TEORIA É UMA FORMA DE PRÁTICA..............92 4.2.2. MORAL........................................................................................94 FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: 4.2.2.1. QUESTÕES FUNDAMENTAIS DO CAMPO DA MORAL........94 Paz e Terra, 1975. 4.3. DISTINÇÃO ENTRE ÉTICA E MORAL..........................................94 GAARDER, J. O Mundo de Sofia: romance da história da filosofia. SP: 4.4. ÉTICA, MORAL E DIREITO............................................................95 Cia das Letras, 2001. 4.5. NOVOS PROBLEMAS DA ÉTICA..................................................96 GALEANO, E. De pernas pro ar - A escola do mundo ao avesso. 4.6. CARÁTER HISTÓRICO E SOCIAL DA ÉTICA E DA MORAL.......97 4.6.1. GRÉCIA ANTIGA.........................................................................98 Porto Alegre: Le PM, 1999. 4.6.1.1. SOFISTAS.................................................................................98 GARDNER, Howard. A nova ciência da mente. São Paulo: USP, 4.6.1.2. SÓCRATES...............................................................................98 1995. 4.6.1.3. PLATÃO....................................................................................98 _________. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: 4.6.1.4. ARISTÓTELES.........................................................................99 Artes Médicas, 1995. 4.6.2. A ÉTICA NA IDADE MEDIEVAL.................................................99 4.6.2.1. O QUE DIFERENCIA A ÉTICA CRISTÃ DA ÉTICA GREGA.100 _________. Fala, mestre! Entrevista: “É difícil fazer o certo se isso 4.6.3. A ÉTICA NA IDADE MODERNA...............................................100 contraria nossos interesses”. NOVA ESCOLA, ANO XXIV, N. 226, 4.6.4. MORAL E ÉTICA NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA........101 OUTUBRO 2009, pp. 38-42. 4.6.4. MORAL E ÉTICA NA POLÍTICA BRASILEIRA.........................102 GRAMSCI, A. Concepção Dialética da História (trad. Carlos Nelson Coutinho). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1991. _________. La città futura. Turim, 11 fev. 1917. CONCLUSÃO..........................................................................104 GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução à Ciência do Direito. Rio de BIBLIOGRAFIA.......................................................................106 Janeiro: Forense, 1972. GUTHRIE, W.K.C. Os Sofistas. São Paulo: Paulus, 1995. HESÍODO, Teogonia: a origem dos deuses. São Paulo: Iluminuras, 2001. HESSEN, J. Teoria do Conhecimento. São Paulo: Martins Fontes, 2003. JASPER, K. Introdução ao pensamento filosófico. 4 ed. SP: Cultrix, 1980. JOLIVET, Régis. Curso de filosofia. 19 ed. RJ: Agir, 1995. LEFEBVRE, H. Introdução à Modernidade. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1969.
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    BIBLIOGRAFIA APRESENTAÇÃO ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. SP: Mestre Jou, 1970. ALVES, Rubem. Entre a ciência e a sapiência, o dilema da educação, “Se não tivermos presente a tradição histórica, seremos como selvagens SP: ed. Loyola, 1999. modernos na selva da cidade" (Jostein Gaarder). ARENDT, Hannah. A Condição humana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1989. O objetivo de elaborarmos esta apostila é colocar às mãos dos ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. 4ª ed. Tradução de Mário da alunos do Ensino Médio o conhecimento dos conteúdos básicos de Gama Kury. Brasília: Editora Universidade de Brasília - UNB, 2001. Filosofia que permita o desenvolvimento do raciocínio lógico, ASSIS, M. de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: aprofundado, sistemático, questionador. Scipione, 1994. Trata-se da disciplina Filosofia e pretende-se apresentar ARAGON, L. O camponês de Paris. Rio de Janeiro: Editora Imago, aqueles aspectos da Filosofia que darão uma contribuição importante 1996. na formação dos estudantes em relação ao pensar, o aprender, o BACHELARD, G. A Formação do espírito científico. Rio de Janeiro: conhecer e o falar. Não se ensina e não se aprende a Filosofia. Contraponto, 1996. Aprende-se a filosofar. Por isso é um convite: vamos filosofar. BACON, Francis. Novum Organum. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, Ensaios porque as atividades do aprender a aprender, do 1988. (Col. Os Pensadores). conhecer como se conhece, do saber como se sabe, serão feitas BLACKBURN, S. Dicionário Oxford de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge coletivamente, reelaborando o conhecimento a partir da contribuição Zahar, 1994. de cada estudante. Introdução, do latim Intus (dentro) Ducere BOBBIO, Norberto. Estado, governo, sociedade – para uma teoria (conduzir), porque coloca os estudantes em contato com a ciência do geral da política. RJ, Paz e Terra, 1987. ser e do pensar. E, finalmente, a Filosofia. O conhecer é obra dos que BOBBIO, Norberto. Política. In: Bobbio, N., Matteucci, N. & Pasquino, pensam, querem e sentem. Na medida em que se vive se filosofa. G. Dicionário de Política. 13º Ed. Brasília: Ed. Universidade de Filosofia é uma atividade do ser humano, é a dinâmica do ser. É a Brasília, 2007. idéia, sangue do meu sangue. Produzir a idéia, o pensamento. Não CAMARGO, Marculino. Fundamentos da ética geral e profissional. 3. ser apenas meros repetidores. Filosofia é ser e pensar. Consegue ed. Petrópolis: Vozes, 1999. viver melhor quem pensa. Portanto, Filosofia é aprendizado do saber CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1997. em proveito do homem. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. História e Grandes A coruja na capa é o símbolo da filosofia, pois consegue Temas. São Paulo: Saraiva, 2006. enxergar o mundo mesmo nas noites mais escuras. A constituição CUNHA, José Auri. O conceito de pessoa na comunidade dialógica física de seu pescoço permite que ela veja tudo a sua volta. Essa de investigação. Transcrição da palestra proferida na Mesa-Redonda seria a pretensão da filosofia, por meio da razão poder ver 'Racionalidade, Ética e Educação', II Encontro Nacional de Educação racionalmente e entender o mundo mesmo nos seus momentos mais para o Pensar. Leia o texto integral em www.cbfc.com.br. (Clique em obscuros. E ainda, procurar enxergá-lo sob os mais diversos ângulos "Biblioteca CBFC" e em "Volume 3"). possíveis. DESCARTES, René. Discurso do Método. 3. ed. São Paulo: Nova Penso logo não me arrependo. Cultural, 1983. (Col. Os Pensadores). Pensar é produzir conhecimento, é ação sobre a realidade circundante. DROZ, G. Os mitos Platônicos. Brasília Editora Universidade de Arrependo por não executar o que penso, por executar diferente do pensado, ou executar sem ter planejado. Brasília, 1997. Recordo-me de ter pensado e isto é conhecimento de fato.
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    105 INTRODUÇÃO A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que “Nada caracteriza melhor o homem do que o fato de pensar” confunde os programas, que destrói os planos mais bem construídos. É a (Aristóteles). matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato Neste primeiro encontro com a ciência chamada FILOSOFIA, heróico (de valor universal) pode gerar, não se deve tanto à iniciativa dos berço de todas as demais ciências, para um grupo de alunos do poucos que atuam, quanto à indiferença de muitos. O que acontece não Ensino Médio, o filósofo ressente-se de duas atitudes: apreensão e acontece tanto porque alguns o queiram, mas porque a massa dos homens abdica de sua vontade, deixa fazer, deixa enrolarem os nós que, estímulo. depois, só a espada poderá cortar; deixa promulgar leis que, depois, só a Apreensivo porque na maioria das vezes se têm a idéia, que a revolta fará anular; deixa subir ao poder homens que, depois, só uma muito vem sendo disseminada, de que a filosofia é coisa de maluco, sublevação poderá derrubar. (...) árida e de nenhuma utilidade para a vida. Sem dúvida a ideologia Os fatos amadurecem na sombra porque mãos, sem qualquer controle a dominante assim a define, porque interessa. É conhecida aquela vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo definição de que “filosofia é uma ciência que com a qual ou sem a com visões restritas, os objetivos imediatos, as ambições e paixões qual o mundo vai permanecer tal e qual”1. Por isso há os que pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens ignora, zombam. Mas como disse Pascal: “Zombar da filosofia já é filosofar”2. porque não se preocupa” (GRAMSCI, Antônio. La città futura. Turim, 1917). Estimulado por buscar na filosofia a razão última das coisas. A atitude filosófica empenha-se em conhecer o mundo para Com sabedoria afirmou o cineasta americano John Huston: “O futuro transformá-lo a fim de restaurar a harmonia e a unidade no do homem não poderá estar dissociado de seu retorno às origens”3. A pensamento e na própria realidade da existência humana. Ter uma grande busca da contemporaneidade é a questão da qualidade. Lá na atitude filosófica quer dizer que estamos utilizando o raciocínio Grécia Antiga encontramos Platão absorto na discussão de como fundamentado e lógico, tendo uma visão crítica e adulta da realidade administrar a Pólis com justiça, buscando sempre com sabedoria o e convicções sustentadas. melhor caminho. Assim a filosofia hoje há que se preocupar com um Em todos os tempos a Filosofia tenta interpretar o mundo e elemento muito importante: o ser humano, aquele que cria e reproduz entender e transformar o homem, isto é, todo tema importante é a qualidade. assunto de preocupação filosófica à procura da verdade. A cada dia que passa é maior a necessidade de que os indivíduos sejam sujeitos de si mesmos conscientes de sua história. Até mesmo o mercado já exige um perfil profissional que supõe uma mão de obra criativa e atuante, e não mais meros executores de tarefas. Nossa preocupação, para além do mercado, é com a formação de um indivíduo crítico e responsável socialmente pelos seus atos. 1 Gregório Marañon (1887-1960), nota à margem de uma de suas obras, Apud. PAULO RÓNAI, Dicionário universal de citações, p. 374. 2 Pensamentos I, 4. 3 Apud Irene Tavares de Sá, Você também faz a história, p. 58.
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    09 CONCLUSÃO A possibilidade da formação deste indivíduo deve ser “Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para viabilizada para o adolescente e o jovem. Ela não se dá atravessar o rio da vida, ninguém exceto tu. Existem, por certo, inúmeras espontaneamente. Uma das formas de viabilizá-la é através do veredas, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te do outro lado processo ensino-aprendizagem das ciências, da filosofia, das artes, e do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa: tu te hipotecarias e te da experiência de vida de cada um. perderias. Existe no mundo um único caminho, por onde só tu podes passar. Para onde leva? Não perguntes, segue-o” (F. Nietzsche). Neste contexto, cabe à Filosofia garantir não só a visão de totalidade da história e do processo do conhecimento, sem negar a A ciência não é uma coleção de fatos e teorias definitivamente necessidade de especialização hoje imposta, mas também estabelecidas, mas um conhecimento racional – porque crítico – desenvolver no educando - junto com outras disciplinas - a sua conjetural, provisório, sempre capaz de ser questionado e corrigido. A capacidade de buscar, através da leitura, da observação, da ciência não é uma representação completa e perfeita de fenômenos percepção de transformações ocorridas a partir da sua própria diretamente observáveis, mas uma reconstrução idealizada e parcial interferência em situações político-econômico-sociais, o melhor da realidade, que explica o visível pelo invisível. caminho historicamente possível para a organização da vida em O cientista não realiza uma observação pura e imparcial dos sociedade. fatos, mas uma observação guiada por hipóteses e teorias. O cientista Desta forma, a disciplina de Filosofia busca fornecer ao não descobre nem verifica hipóteses por procedimentos indutivos, estudante do Ensino Médio o instrumental básico à elaboração de mas inventa conjecturas ousadas, surgida de sua imaginação, que uma reflexão sobre o mundo, e sobre si mesmo no mundo, de forma serão testadas o mais severamente possível, através de tentativas de a possibilitar-lhe a conquista de uma autonomia crescente no seu refutação que façam uso de experimentos controlados. Desse modo, pensar e agir. ele busca teorias cada vez mais amplas, precisas, profundas, de Os trabalhos e atividades serão desenvolvidos a partir de aulas maior grau de corroboração, com maior poder preditivo e talvez, mais expositivas; leituras e pesquisas orientadas; seminários; análise, próximo da verdade. interpretação e discussão de temas atuais; integração com outras Finalmente, a visão de ciências exposta nestas aulas pode e disciplinas; avaliações. Pois como disse Kant: “Não se ensina deve ser criticada. Novos critérios para avaliar hipóteses e teorias Filosofia, ensina-se a filosofar”4. científicas devem (e estão sendo) propostos. É desnecessário dizer Ao longo dos três anos do Ensino Médio, espera-se do que estes critérios, por sua vez, devem também ser criticados, visto estudante: que a ausência de discussão crítica e a aceitação passiva e • Aprender e fixar a leitura interpretativa de textos teóricos; dogmática de um conjunto de idéias e teorias são a não ciência, é • Aprender conceitos, saber relacioná-los entre si e aplicá-los em pseudociência, enfim, a negação do espírito crítico e da racionalidade sua realidade; do homem. • Reconhecer-se como ser produtor de cultura e, portanto, da “Odeio os indiferentes. Como Federico Hebbel, acredito que ‘viver quer história; dizer tomar partido’. Não pode existir os apenas homens, os estranhos à • Compreender a produção do pensamento como enfrentamento cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por dos desafios humanos; isso, odeio os indiferentes. 10 A indiferença é o peso morto da história. É a bola de chumbo para o 4 inovador, é a matéria inerte na qual frequentemente se afogam os citado em "Revista Brasileira de Filosofia" - Volume 16, Página 149, 1966. entusiasmos mais esplendorosos. (...) Disponível em: http://pt.wikiquote.org/wiki/Immanuel_Kant, acessado em 23 de março de 2010 às 14h:01min.
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    Como se nãobastasse isto, o que fora decidido ontem já não o • Compreender o papel da reflexão, em especial, o da filosófica; é mais hoje nem o será amanhã, deixando a opinião pública • Saber construir "universos" históricos de diferentes tempos em completamente desnorteada e perplexa, sem saber a que se ater. seu pensamento sem preconceitos; Por outro lado, a violência sobe em ritmo assustador. No • Situar-se como cidadão no mundo em que vive percebendo o Estado do Rio de Janeiro recentemente assistimos a mais uma seu caráter histórico e a sua dimensão de liberdade; chacina que deixou mortos inúmeros menores, crianças e • Compreender o conhecimento como possibilidade de libertação adolescentes entre os 12 e os 15 anos. Famílias destroçadas, dor, social; luto e lágrimas incessantes por causa de um governo sem ética e • Compreender o pensamento do seu mundo como síntese de uma polícia idem. O povo se cansa e o grande perigo é que ele perca diferentes culturas anteriores e concomitantes a ele; a capacidade de indignar-se. A indignação, embora não esteja • Elaborar criticamente seu próprio pensar a partir de incluída nos moldes das virtudes clássicas, não deixa de ter seu notícias/análises de jornais/revistas e de suas vivências elemento de virtude. É uma escala de valores que é agredida, são concretas. princípios que são pisoteados, é a credibilidade naqueles que deviam Este é o caminho que devemos percorrer. A esperança de ser os guardiões da justiça e do direito e que são, ao contrário, os caminhar nas linhas que traçamos é infinda, esperamos consegui-lo, primeiros a agir contra tudo isso. senão o conseguir na totalidade, ao menos em parte. A ética é a parte da Filosofia que estuda os juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação Olívio Mangolim. do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. A ética, portanto, é o estudo dos valores que regem a conduta humana subjetiva e social. É o parâmetro que temos para julgar as ações que beneficiam ou prejudicam a vida humana neste mundo e nesta sociedade. Parece que neste momento da história do Brasil, nossos políticos perderam completamente seus parâmetros éticos. E a impunidade os ajuda no seu esforço de destruir e lançar ladeira abaixo as referências que fazem a vida humana tolerável e serena e geram orgulho no coração das novas gerações de pertencerem a determinado país. Infelizmente nosso país não tem se esmerado nem se destacado nisso. Pelo contrário, em recente pesquisa feita sobre quais as instituições que mereceriam maior credibilidade no Brasil, os políticos ficaram em último lugar. Por outro lado, é importante que os cidadãos não permaneçam de braços cruzados vendo as coisas acontecerem. Indignar-se é preciso. E, sobretudo precisamos de cidadãos que gritem contra a corrupção que infesta nossas instituições para finalmente poder caminhar em direção a um futuro mais risonho, onde reinem a paz, a justiça e o direito. 103 102
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    1. A CIÊNCIA Em lugar da felicidade pura e simples há a obrigação do dever O SOL NASCERÁ AMANHÃ? Tanto o senso comum como a e a ética fundamenta-se em seguir normas. Trata-se da “Ética da ciência diz que sim... O que diferencia o conhecimento popular do Obediência”. Que impede o Homem de pensar, e descobrir uma nova conhecimento científico? Não é nem pela veracidade, nem pela maneira de se ver, e assim encontrar uma saída em relação ao natureza do objeto conhecido. O que os diferencia é a forma, o conformismo de massa que está na origem da banalidade do mal, do método do “conhecer”... Daí: O SOL NASCERÁ AMANHÃ, para o mecanismo infernal em que estão ausentes o pensamento e a conhecimento popular, porque assim o faz todos os dias. Para a liberdade do agir. ciência, porque sabe que a terra gira completamente em torno do seu Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. O eixo a cada 23 horas e 59 minutos, expondo-a ciclicamente à luz homem, com seu livre arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o solar, o que para observadores humanos em sua superfície se traduz destruindo, ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga no movimento aparente do sol que denominamos “dia”. tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se forma no bem ou no mal neste planeta. 1.1. ETIMOLOGIA DA PALAVRA 4.6.5.MORAL E ÉTICA NA POLÍTICA Etimologia: Ciência vem da palavra latina scientia, que significa BRASILEIRA: UM GRITO DE INDIGNAÇÃO conhecimento. A Ciência é o conhecimento ou um sistema de O dicionário nos define o sentimento de indignação com as conhecimento que abarca verdades gerais ou a operação de leis seguintes palavras: Sentimento de cólera despertado por ação gerais especialmente obtidas e testadas através do MÉTODO indigna; ódio, raiva. Desprezo, repulsa, aversão. Nada parece mais CIENTÍFICO. A ciência se caracteriza pela busca de conhecimento exato do que essas palavras para definirem o sentimento que se sistemático e seguro dos fenômenos do mundo; Um dos objetivos da apossa crescentemente do coração de todos os brasileiros ao ciência é tornar o mundo compreensível; O homem domina a presenciarem cada dia na mídia e na imprensa as notícias sobre os natureza não pela força, mas pela compreensão. níveis intoleráveis a que chegou a falta de ética e a corrupção entre 1.1.1.OBJETIVOS DA CIÊNCIA os nossos políticos. O objetivo da ciência é compreender o universo de um modo É moeda corrente entre nós o fato de vermos representantes cuidadoso, disciplinado. A prova é a condição para a aceitação das parlamentares eleitos com o voto popular legislarem em causa idéias na ciência, e a prova tem de ser empírica (observação empírica própria, para aumentarem os próprios salários e benefícios, enquanto como base da prova). A ciência deve ser entendida como uma discutem dias e meses para aumentar irrisoriamente o salário mínimo. comunidade de estudiosos que verificam o trabalho uns dos outros, Os aumentos de ganhos salariais vêm por sua vez acompanhados de criticam, debatem e, juntos, constroem lentamente um conjunto de atos de nepotismo intoleráveis, quando os políticos em questão conhecimentos. A ciência é uma tentativa de generalizar. A ciência é encontram sinuosos caminhos para incluir nos benefícios e benesses uma tentativa de explicar eventos, ou seja, de dizer por que as coisas dos quais se fazem possuidores parentes e amigos, desperdiçando acontecem, quais são as causas e influências de uma determinada iniquamente o suado dinheiro do povo, que deveria estar sendo classe de eventos na natureza. A ciência é uma tentativa de canalizado para geração de empregos e projetos sociais. desenvolver idéias sobre relações de causa e efeito. Melhoria da qualidade de vida intelectual. Melhoria da qualidade de vida material.
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    12 101 1.1.2.ÁREAS DA CIÊNCIA De acordo com esse pensamento, para nos tornarmos seres • Pura – O desenvolvimento de teorias. morais era necessário nos submetermos ao dever. Essa idéia é • Aplicada – A aplicação de teorias às necessidades humanas. herdada da Idade Média na quais os cristãos difundiram a ideologia • Natural – O estudo da natureza ou mundo natural. Exemplos: de que o homem era incapaz de realizar o bem por si próprio. Por Biologia, Física, Geologia, Química, etc. isso, ele deve obedecer aos princípios divinos, cristalizando assim a • Social – O estudo do comportamento humano e da sociedade. idéia de dever. Kant afirma que se nos deixarmos levar por nossos Exemplos: História, Sociologia, Ciências Políticas, etc. impulsos, apetites, desejos e paixões não teremos autonomia ética, • Biológicas – Estudo do ser humano e dos fenômenos da pois a Natureza nos conduz pelos interesses de tal modo que usamos natureza. Exemplos: Biologia, Medicina, Odontologia, etc. as pessoas e as coisas como instrumentos para o que desejamos. • Exatas – Tem origem na física. Exemplos: Física, Matemática, Não podemos ser escravos do desejo. Computação, etc. No século XIX, Friedrich Hegel traz uma nova perspectiva • Humanas – Estudo social e comportamental do ser humano. complementar e não abordada pelos filósofos da Modernidade. Ele Exemplos: Direito, Filosofia, Letras, etc. apresenta a perspectiva Homem - Cultura e História, sendo que a ética deve ser determinada pelas relações sociais. Como sujeitos 1.1.3.CIÊNCIA E FILOSOFIA históricos culturais, nossa vontade subjetiva deve ser submetida à “A Ciência está estendendo seu poderio a toda Terra. Mas a vontade social, das instituições da sociedade. Desta forma a vida Ciência não pensa. Pois sua marcha e seus métodos são tais ética deve ser “determinada pela harmonia entre vontade subjetiva que ela não pode refletir sobre si mesma” (MARTIN HEIDEGGER). individual e a vontade objetiva cultural”. Através desse exercício, interiorizamos os valores culturais de Por seu lado as ciências experimentais têm a esfera de sua tal maneira que passamos a praticá-los instintivamente, ou seja, sem competência bem definida. Não há como afirmar o mesmo da pensar. Se isso não ocorrer é porque esses valores devem estar filosofia. As ciências experimentais especializaram-se, consideram incompatíveis com a nossa realidade e por isso devem ser seu objeto desde um ponto de vista parcial e derivado. modificados. Nesta situação podem ocorrer crises internas entre os Definitivamente prescindiram do resto, da totalidade do ser. valores vigentes e a transgressão deles. Renunciaram ter o caráter de objetos totais. Já a filosofia não recorta 4.6.4.MORAL E ÉTICA NA SOCIEDADE na realidade um pedaço da realidade para estudá-lo, ela sozinha, CONTEMPORÂNEA esquecendo os demais, mas antes tem por objeto a totalidade do ser. Já na atualidade o conceito de ética se fundiu nestas duas CIÊNCIAS EXPERIMENTAIS FILOSOFIA A Botânica estuda as plantas. E a Filosofia o que estuda? No entender dos correntes de pensamento: A Geografia estuda os lugares. filósofos ela estuda tudo. A ética praxista, em cuja visão o homem tem a capacidade de A História estuda os fatos. Aristóteles: “A filosofia estuda as causas últimas julgar, ele não é totalmente determinado pelas leis da natureza, nem A Medicina as doenças, etc. de todas as coisas”. possui uma consciência totalmente livre. O homem tem uma co- Cícero: “A filosofia é o estudo das causas responsabilidade frente as suas ações. humanas e divinas das coisas”. Descartes: “A filosofia ensina a bem raciocinar”. Hegel: “A filosofia é o saber absoluto”. Whitehead: “A função da filosofia é fornecer uma explicação orgânica do universo”.
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    100 13 A idéia do dever surge nesse momento. Com isso, a ética passa a estabelecer três tipos de conduta; a moral ou ética (baseada no dever), a imoral ou antiética e a indiferente à moral. Coerentes com estas definições, até hoje, os filósofos estudaram todas as coisas. A filosofia é a ciência dos objetos do 4.6.2.1.O QUE DIFERENCIA ponto de vista da totalidade, enquanto que as ciências particulares RADICALMENTE A ÉTICA CRISTÃ DA ÉTICA GREGA SÃO DOIS PONTOS: são os setores parciais do ser, províncias recortadas dentro do continente total do ser. A filosofia é a disciplina que considera o seu a) O abandono do racionalismo objeto sempre do ponto de vista universal e da totalidade. Enquanto A ética cristã abandonou a idéia de que é pela razão que se que qualquer outra disciplina, que não seja a filosofia, o considera de alcança a perfeição moral e centrou a busca dessa perfeição no amor um ponto de vista parcial e derivado. Concluímos então que a filosofia a Deus e na boa vontade. estuda tudo. b) A emergência da subjetividade Acentuando a tendência já esboçada na filosofia de estóicos e SÃO DUAS AS RAZÕES PELA QUAL A FILOSOFIA SE epicuristas, a ética cristã tratou a moral do ponto de vista estritamente DEBRUÇA A ESTUDAR TUDO: pessoal, como uma relação entre cada indivíduo e Deus, isolando-o PRIMEIRA: A filosofia estuda tudo porque todas as coisas, de sua condição social e atribuindo à subjetividade uma importância além de poderem ser examinadas a nível científico, podem sê-lo desconhecida até então. também a nível filosófico. Assim os homens, os animais, as plantas, a 4.6.3.A ÉTICA NA IDADE MODERNA: A ÉTICA matéria, já estudados por muitas ciências e sob diferentes pontos de ANTROPOCÊNTRICA vista, são suscetíveis também de uma pesquisa filosófica. Com efeito, os cientistas se interrogam sobre a constituição da matéria, pergunta- As profundas transformações que o mundo sofre a partir do se o que é a vida, como estão estruturados os animais e os homens, século XVII com as revoluções religiosas, por meio de Lutero; mas não chegam a enfrentar sérios problemas também referentes ao científica, com Copérnico e filosófica, com Descartes, imprimem um homem, aos animais, às plantas, à matéria: por exemplo, o que seja novo pensamento na era Moderna, caracterizada pelo Racionalismo existir. Cartesiano – agora a razão é o caminho para a verdade, e para chegar a ela é preciso um discernimento, um método. Em oposição à SEGUNDA: A filosofia estuda tudo, porque, enquanto as fé surge agora o poder exclusivo da razão de discernir, distinguir e ciências estudam esta ou aquela dimensão da realidade, a filosofia comparar. Este é um marco na história da humanidade que a partir tem por objeto o todo, a totalidade, o universo tomado globalmente. dai acolhe um novo caminho para se chegar ao saber: o saber Esta é a característica que distingue a filosofia de qualquer científico, que se baseia num método e o saber sem método é mítico outra forma de saber: Ela estuda toda a realidade e procura ou empírico. apresentar uma explicação completa e exaustiva de um domínio A ética moderna traz à tona o conceito de que os seres particular da realidade. humanos devem ser tratados sempre como fim da ação e nunca como meio para alcançar seus interesses. Essa idéia foi contundentemente defendida por Immanuel Kant. Ele afirmava que: “não existe bondade natural. Por natureza somos egoístas, ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis, ávidos de prazeres que nunca nos saciam e pelos quais matamos, mentimos, roubamos”.
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    14 99 4.6.1.4.ARISTÓTELES DIFERENÇA RESIDE NO MÉTODO E NO OBJETO DE PESQUISA Aristóteles subordina sua ética à política, acreditando que na FILOSOFIA É CONSTRUÍDA COM MUITO PENSAMENTO ABSTRATO 5 monarquia e na aristocracia se encontraria a alta virtude, já que esta é um privilégio de poucos indivíduos. Também diz que na prática CIÊNCIA EXIGE UM GRANDE ESFORÇO EXPERIMENTAL ética, nós somos o que fazemos, ou seja, o Homem é moldado na medida em que faz escolhas éticas e sofre as influencias dessas 1.2. O SENSO COMUM E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO escolhas. Conhecimento Popular ou o senso comum é o modo comum, O Mundo Essencialista é o mundo da contemplação, idéia corrente e espontâneo de conhecer, que se adquire no trato direto compartilhada pelo filósofo grego antigo Aristóteles. No pensamento com as coisas e os seres humanos: é o saber que preenche nossa filosófico dos antigos, os seres humanos aspiram ao bem e à vida diária e que se possui sem o haver procurado ou estudado, sem felicidade, que só podem ser alcançados pela conduta virtuosa. Para a aplicação de um método e sem se haver refletido sobre algo. a ética essencialista o homem era visto como um ser livre, sempre em Conhecimento adquirido por tradição ao qual acrescentamos os busca da perfeição. Esta por sua vez, seria equivalente aos valores resultados da experiência vivida em coletividade. morais que estariam inscritos na essência do homem. Dessa forma - Conhecimento Científico: Ter informação, distinguir, para ser ético - o homem deveria entrar em contato com a própria reconhecer, avaliar, de acordo com o ponto de vista da ciência. essência, a fim de alcançar a perfeição. Conhecimento Científico é um produto resultante da investigação CONCLUINDO científica. Surge da necessidade de: • Encontrar soluções para problemas de ordem prática da vida Costuma-se resumir a ética dos antigos, ou ética essencialista, diária (senso comum). em três aspectos: • Do desejo de fornecer explicações sistemáticas que possam 1) O agir em conformidade com a razão; ser testadas e criticadas através de provas empíricas e da 2) O agir em conformidade com a Natureza e com o caráter discussão intersubjetiva. natural de cada indivíduo; 3) A união permanente entre ética (a conduta do indivíduo) e 1.2.1.CIÊNCIA E TECNOLOGIA política (valores da sociedade). A ética era uma maneira de educar o Na língua inglesa: CIÊNCIA=KNOWLEDGE= Ciência produz sujeito moral (seu caráter) no intuito de propiciar a harmonia entre o conhecimento e TECNOLOGIA=KNOW-HOW= Tecnologia produz mesmo e os valores coletivos, sendo ambos virtuosos. técnica. Tecnologia produz técnica. Ciência produz conhecimento. 4.6.2.A ÉTICA NA IDADE MEDIEVAL: A ÉTICA CRISTÃ 5 Aquilo que existe na mente mais do que no mundo externo; o conceptual em Com o cristianismo romano, através de S. Tomás de Aquino e contraste com o objetivo; o geral em contraste com o particular. A abstração indica Santo Agostinho, incorpora-se a idéia de que a virtude se define a a atividade com que o intelecto obtém o conhecimento das idéias universais. O partir da relação com Deus e não com a cidade ou com os outros. conhecimento se elabora através da ação do intelecto, que tira dos dados da Deus nesse momento é considerado o único mediador entre os fantasia o que é fundamental, essencial, negligenciando o que é acidental, peculiar indivíduos. As duas principais virtudes são a fé e a caridade. de um fenômeno particular. Assim, por exemplo, do fantasma (imagem) desta cor (branco, verde etc.) o intelecto tira a idéia de verde.
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    Através deste cristianismo,se afirma na ética o livre-arbítrio, 2. A sociedade devia de ser reorganizada, sendo o poder confiado sendo que o primeiro impulso da liberdade dirige-se para o mal aos sábios, de modo a evitar que as almas fossem corrompidas pela (pecado). O homem passa a ser fraco, pecador, dividido entre o bem maioria, composta por homens ignorantes e dominados pelos instintos ou e o mal. O auxílio para a melhor conduta é a lei divina. paixões. 15 98 4.6.1.ANTIGA GRÉCIA Em relação à Ciência pode-se dizer que a Tecnologia é um passo à frente em direção à Sociedade. As teorias éticas gregas, entre o século V e o século IV a.C. O estudo da interação da radiação com a matéria por Einstein, são marcadas por dois aspectos fundamentais: o levou a descrever as leis que fundamentam a ação laser. A Pólis: A organização política em que os cidadãos vivem -as invenção do primeiro laser artificial muitas décadas depois, também cidades-estado-, favorecem a sua participação ativa na vida política foi um grande avanço na Ciência. A fabricação de um laser em escala da sociedade. As teorias éticas apontam para um dado ideal de industrial passou a ser um desafio tecnológico. Hoje, produzir lasers cidadão e de Sociedade. para aparelhos de CD é dominar uma tecnologia e nada tem a ver Cosmos: Algumas destas teorias ético-políticas procuram com Ciência. Dominar Tecnologia não implica em dominar a igualmente fundamentarem-se em concepções cósmicas. Ciência que originou a técnica. 4.6.1.1.SOFISTAS A ciência e a técnica contribuíram não só para o bem da Defendem o relativismo (subjetivismo) de todos os valores. humanidade, mas também para o mal. Lema: “Descobrir tudo o que Concepção ética relativista. Afirmavam que não existem normas e pode ser descoberto. Experimentar tudo aquilo que pode ser verdades universalmente válidas. Alguns sofistas, como Cálicles ou experimentado”. Trasimaco afirmam que o valor supremo de qualquer cidadão era atingir o prazer supremo. O máximo prazer pressupunha o domínio do BEM MAL poder político. Ora este só estava ao alcance dos mais fortes, - Aumento do conforto da - Aumento da capacidade destrutiva dos corajosos e hábeis no uso da palavra. A maioria eram fracos ou sociedade; aparelhos militares; inábeis, pelo que estavam condenados a serem dominados pelos - Aumento da qualidade de vida em - Impacto ambiental; mais fortes. nível da saúde, higiene, etc.; 4.6.1.2.SÓCRATES (470-399 A.C.) - Previsão e controle sobre os - Desrespeito pelos direitos humanos em prol Defende o caráter eterno de certos valores como o Bem, fenômenos através do seu estudo. do avanço científico; Virtude, Justiça, Saber. O valor supremo da vida é atingir a perfeição e tudo deve ser feito em função deste ideal, o qual só pode ser obtido - Utilização de conhecimentos potencialmente benéficos para fins errados. através do saber. Na vida privada ou na vida pública, todos tinham a obrigação de se aperfeiçoarem fazendo o Bem, sendo justos. O 1.2.2.AFINAL, O QUE É O CONHECIMENTO? homem sábio só pode fazer o bem, sendo as injustiças próprias dos O objetivo do que segue é construir com o leitor um breve ignorantes (Intelectualismo Moral). entendimento, através da história, sobre a compreensão das 4.6.1.3.PLATÃO (427-347 A.C.) influências de várias teorias do conhecimento estabelecendo Defende o valor supremo do Bem. O ideal que todos os homens parâmetros de avaliação, critérios de verdade, objetivação, livres deveriam tentar atingir. Para isto acontecesse deveriam ser reunidas, metodologia e relação sujeito e objeto para os vários modos de pelo menos duas condições: conhecimentos diante da crise da razão que se instaurou no século 1. Os homens deviam seguir apenas a razão desprezando os instintos ou as paixões; XX e que há de se prolongar neste presente século, através dos
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    desafios da construçãode uma ética normativa compatível com as as pessoas a darem a luz às verdades que, no entender de Sócrates, evoluções das descobertas e do conhecimento no campo científico. traziam dentro de si. O exercício do filosofar, a partir das verdades encontradas, abria caminhos para múltiplas possibilidades de escolha e ação. 16 97 Começamos por conceituar o conhecimento: Conhecimento é a relação que se estabelece entre sujeito que conhece ou deseja BEM MAL conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer. - Aumento do conforto da sociedade; - Aumento da capacidade destrutiva dos Na Grécia Antiga temos várias visões e métodos de aparelhos militares; - Aumento da qualidade de vida em conhecimento: Sócrates estabelecendo seus métodos: ironia e nível da saúde, higiene, etc.; - Impacto ambiental; maiêutica. - Previsão e controle sobre os - Desrespeito pelos direitos humanos em O surgimento da pólis como a primeira experiência da vida fenômenos através do seu estudo. prol do avanço científico; pública enquanto espaço de debate e deliberação, tornou o campo - Utilização de conhecimentos fértil para a fecundação e o florescimento da filosofia. E a figura potencialmente benéficos para fins errados. emblemática dessa época, que nada escreveu e da qual se fala até os nossos dias como o modelo de filósofo, foi Sócrates. A Internet foi um dos “produtos” da evolução do conhecimento Na praça pública, Sócrates interrogava os homens e instigava- científico que impulsionou em larga escala a aplicação do conceito de os a refletir sobre si e sobre o mundo. Sócrates foi uma figura sociedade em rede. Contudo, a dependência deste meio acarreta misteriosa, que questionava as pessoas que encontrava dizendo tanto vantagens quanto riscos. buscar a verdade. Voltando-se para fora e para o público, Sócrates interroga os atores para saber se eles sabem exatamente porque VANTAGENS DESVANTAGENS arriscam suas vidas, a felicidade ou a falta de felicidade (...), assim - Acesso mais rápido e fácil a todo - Falta de rigor e segurança da informação. como a felicidade dos outros. Sócrates é aquele que chega de tipo de informação. - Abuso da liberdade de expressão, que mansinho e, sem que se espere, lança uma pergunta que faz o sujeito - Aproximação de povos, culturas. pode levar a difamação e manipulação olhar para si e perguntar: afinal, o que faço aqui? É isso o que - Oportunidade de usufruir de vários errada de opiniões. realmente procuro ou desejo? programas associados (MSN, O que é a ironia socrática? O próprio Sócrates, nos diálogos Google Eart, etc.). platônicos, diz que seu destino é investigar, já que a única verdade - Possibilidade de viver numa que detém é a certeza de que nada sabe. Interrogava, portanto, para “sociedade em rede”. saber e, empenhado nessa tarefa, não raro surpreendia as pessoas em contradições, resultantes de crenças aceitas de modo dogmático, 4.6. CARÁTER HISTÓRICO E SOCIAL DA ÉTICA E DA de pretensas verdades admitidas sem crítica. MORAL A ironia tinha que ser acompanhada da maiêutica, isto é, o As teorias éticas nascem e desenvolvem-se em diferentes método socrático constituía-se de duas partes: a primeira mostrava os sociedades como resposta aos problemas resultantes das relações limites, as falhas, os preconceitos do pensamento comum e a entre os homens. A moral é uma construção humana. Os sistemas segunda iniciava no processo de busca da verdadeira sabedoria. morais se adequam às transformações histórico-sociais e se Numa situação de conflito e de incertezas o ironista, depois de fundamentam em valores como o bem a liberdade. Os contextos realizar o exercício da desconstrução e da negatividade, deve ajudar históricos são, pois, elementos muito importantes para se perceber as
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    condições que estiveramna origem de certas problemáticas morais que ainda hoje permanecem atuais. 96 17 As perguntas de Sócrates não visavam confundir as pessoas e NORMAS MORAIS E NORMAS JURÍDICAS ridicularizar seu conhecimento das coisas, mas, motivá-las a alcançar ASPECTOS COMUNS DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS um conhecimento mais profundo, não só de si próprias, mas também dos outros, dos objetos e do mundo que as rodeava, provocando - Ambas apresentam-se - As normas morais são cumpridas a partir da nelas novas idéias. Essa era a sua maneira de filosofar, sua “arte de como imperativas: devem convicção pessoal de cada indivíduo enquanto as ser seguidas por todos; normas jurídicas devem ser cumpridas sob pena de partejar”, de ajudar as pessoas a parir, a dar a luz às novas idéias, - Elas propõem uma punição do estado em caso de desobediência; arte que dizia ter aprendido com sua mãe, que ajudava as mulheres a melhor convivência entre - A Punição, no campo do direito está prevista na dar a luz aos seus filhos. A interrogação de Sócrates expunha os os indivíduos; legislação, ao passo que, no campo da moral, a saberes dos sujeitos e, ao mesmo tempo, mostrava o quanto as - Orientam-se pelos valores sansão pode variar bastante, pois depende da pessoas não tinham consciência daquilo que realmente sabiam. culturais próprios de uma consciência moral do sujeito que infringe a norma; Essas atitudes, como dizem os historiadores, fez de Sócrates determinada sociedade; - Direito: tudo é permitido que se faça, exceto àquilo uma figura singular e lhe angariou alguns amigos e muitos inimigos. - Têm um caráter que a lei expressamente proíbe. A moral é mais Embora parecesse neutra e sem um objetivo preciso (Sócrates histórico: mudam de ampla: atinge diversos aspectos da vida humana; parecia não ser partidário de nenhuma das tendências da época e acordo com as - A moral não se reduz a um código formal, o direito transformações histórico- sim; não defendeu explicitamente nenhum regime político), essa atitude sociais. - O direito mantém uma vinculação com o Estado, questionava poderes instituídos, valores consolidados e, por isso, enquanto a moral não apresenta esta vinculação. também pedia mudanças. Com a ironia, ao trazer à tona os limites dos argumentos comuns, ao mostrar as contradições ocultas na ordem comumente • De todas essas diferenças, talvez uma mereça maior destaque: aceita, ao revelar, ao abalar as certezas que fundavam o cotidiano, a coercibilidade da norma jurídica, que conta com a força e a Sócrates convida ao filosofar como um processo metódico de repressão potencial do Estado (através da ação da justiça e da elaboração de novos saberes. polícia) para ser obedecida pelas pessoas. Já a norma moral Ao afirmar que também ele nada sabia, queria apenas dizer não é sustentada pela coerção do Estado, isso implica que ela que um novo caminho para chegar-se a uma nova verdade seria depende, de certo modo, da aceitação de cada indivíduo para indispensável. Se ele soubesse esta nova verdade, ele não diria que ser cumprida. Por isso a norma moral costuma ser vinculada, nada sabia, pois apenas sabia o caminho, isto é, o começo do por alguns filósofos, a idéia de liberdade. conhecimento e ele queria saber mais. Sócrates proclama que ele 4.5. NOVOS PROBLEMAS DA ÉTICA não sabe nada, e esta é sua maneira de trazer à luz o que ele sabe e A ciência e a técnica contribuíram não só para o bem da o que já sabiam as pessoas honestas à sua volta, (hora pessoas humanidade, mas também para o mal. É seu lema: “Descobrir tudo o honestas, acreditam saber tudo e é preciso ironizar um pouco delas que pode ser descoberto. Experimentar tudo aquilo que pode ser para confrontá-las entre si e ensinar-lhes que elas só tinham opiniões experimentado”. contraditórias, cuja verdade devia extrair-se do que tivesse verdade) (LEFEBVRE, 1969, p. 14).
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    Sócrates, por meiode sua atividade, mostra-nos que o 4.6.1.3. TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE exercício do filosofar é, essencialmente, o exercício do MODERNA questionamento, da interrogação sobre o sentido do homem e do A primeira revolução Científica trouxe várias mudanças para o mundo. pensamento, dentre as quais podemos destacar a mudança da visão 18 teocentrista (Deus é o centro do conhecimento), para visão antropocentrista (o homem é o centro do conhecimento). O A partir dessa atividade Sócrates enfrentou problemas, foi racionalismo de René Descartes - O discurso do Método: A máxima julgado e condenado à morte. Na história, a filosofia questionadora do cartesianismo "Cogito ergo sun". incomoda o poder instituído, porque põe em discussão relações e 95 situações que são tidas como verdadeiras. A filosofia procura a verdade para além das aparências. • É uma disciplina teórica com preocupações práticas, a ética Platão - Doxa - A ciência é baseada na Opinião. orienta-se pelo desejo de unir o saber ao fazer. Aristóteles - Episteme - A ciência é baseada Observação (Experiência). 4.1. ÉTICA, MORAL E DIREITO 4.6.1.1. TEORIA DO CONHECIMENTO NA Ética: conjunto de princípios morais que se devem observar no ANTIGUIDADE exercício de uma profissão. Podemos perceber que os Filósofos gregos deixaram algumas Moral: conjunto de regras que trata dos atos humanos, dos contribuições para a construção da noção de conhecimento: bons costumes e dos deveres do homem em sociedade e perante os a) Estabeleceram a diferença entre conhecimento sensível e de sua classe. conhecimento intelectual. Direito: o que é justo e conforme com a lei e a justiça. b) Estabeleceram diferença entre aparência e essência. A ética, a moral e o direito estão interligados. A ética consiste c) Estabeleceram diferença entre opinião e saber. num conjunto de princípios morais, a moral consiste em conjunto de d) Estabeleceram regras da lógica pra se chegar à verdade. regras, só que a moral atua de uma forma interna, ou seja, só tem um alto valor dentro das pessoas, ela se diferencia de uma pessoa para 4.6.1.2. TEORIA DO CONHECIMENTO NA IDADE MÉDIA outra e o direito tem vários significados, ele pode ser aquilo que é justo perante a lei e a justiça, aquilo que você pode reclamar que é a) Na Patrística - Temos a tendência da conciliação do seu. pensamento cristão ao pensamento platônico, sendo seu A ética tem uma relação maior com as profissões. Ela seria grande expoente Santo Agostinho. como uma regra a ser seguida, um dever que profissional tem com b) Na Escolástica - Temos a anexação da Filosofia aquele que contrata o seu serviço. A partir do momento em que se aristotélica ao pensamento cristão, com o estreitamento da começa a exercer uma profissão, deve-se começar a praticar a ética. relação Fé e razão, sendo seu grande expoente São Tomás A moral e o direito têm a seguinte base: a moral tem efeito de Aquino. dentro da pessoa, ela atua como um valor, aquilo que se aprendeu c) Nominalismo - Temos o final do domínio do Pensamento como certo e o direito tem uma relação com a sociedade, o direito é Medieval, com a separação da Filosofia da teologia através aquilo que a pessoa pode exigir perante seus semelhantes, desde do esvaziamento dos conceitos. Sendo seus expoentes que esteja de acordo com a lei, aquilo imposto pela sociedade. Duns Scotto e Guilherme de Oclkam.
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    4.3.DISTINÇÃO ENTRE MORALE ÉTICA • A Ética é uma disciplina teórica sobre uma prática humana, que é o comportamento moral. No entanto as reflexões éticas não se restringem apenas à busca de conhecimento teórico sobre os valores humanos, cuja origem e desenvolvimento levantam questões de caráter sociológico, antropológico, religioso, etc. 19 94 Ninguém que reflita deixa de mudar, embora a mudança possa O empirismo: John Locke - a experiência; David Hume - a ser muitas vezes sentida mais na interioridade do que na objetividade Crença. O criticismo kantiano: O conhecimento a priori: Universal e da vida, nas pequenas do que nas grandes coisas, no que é estrutural necessário. A herança iluminista: A razão. e não aparente. Nenhuma mudança que se dê sem uma modificação das estruturas profundas pode ser chamada de revolução. Só idéias 4.6.1.4. TEORIA DO CONHECIMENTO sólidas, porque fundamentais para a verdade metafísica e ética de CONTEMPORÂNEA: A CRISE DA RAZÃO nossa existência como espécie, sustentam nosso modo de vida, só O novo iluminismo de Habermas. A razão crítica precisa: outras idéias e novos modos de ver o que existe é que podem mudar a) Fazer a crítica dos limites. nossa vida. b) Estabelecer princípios éticos. 4.2.2.MORAL c) Vincular construção a raízes sociais. • A palavra moral vem do latim, mos, mor = “costumes” e refere- A construção do conhecimento fundado sobre o uso crítico da se ao conjunto de normas que orientam o comportamento razão, vinculado a princípios éticos e a raízes sociais é tarefa que humano tendo como base os valores próprios de uma precisa ser retomada a cada momento, sem jamais ter fim. comunidade ou cultura. O assunto é por demais amplo e muito bem discutido por • Conjunto de normas de conduta de uma sociedade. vários filósofos. Nossa pretensão foi apensas de trazer uma reflexão • Como as comunidades humanas são distintas entre si, tanto no através de um esboço sistemático da história do conhecimento. Deixamos para apreciação através de uma análise analítica e espaço quanto no tempo, os valores podem ser distintos de crítica os principais modos de conhecer o mundo e suas formas de uma comunidade para outra, o que origina códigos morais abordagens para se chegar ao conhecimento verdadeiro. diferentes. 4.2.2.1.QUESTÕES FUNDAMENTAIS DO CAMPO DA MORAL • O que devo fazer para ser justo? • Quais valores devo escolher para guiar minha vida? • Há uma hierarquia de valores que deve ser seguida? • Que tipo de ser humano devo ser nas minhas relações comigo mesmo, com meus semelhantes e com a natureza? • Que tipos de atitudes devo praticar como pessoa e como cidadão?
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    observador. A Ciência A Objetividade - A Relação "impessoal", experimentação Comprovação observação A isenção do de uma cientista diante de determinada sua pesquisa: O mito tese de modo da neutralidade objetivo científica. 93 4.6.1.5. MODOS DE CONHECER O MUNDO 1- Ou na omissão, na passividade que é a forma negativa da Modos de Critérios de Objetivação Metodologia Relação sujeito- ação, uma espécie de ação contraditória, ação como não-fazer, pela Conhecer verdade Objeto qual temos que fazer um certo esforço, no sentido de assumir uma o Mundo postura de inação. Neste caso, quando vejo o mundo e, por medo ou O Mito A Fé Dogmatismo - A Relação por preguiça, ou mesmo por cálculo de vantagens (numa postura Doutrinamento experiência Suprapessoal, onde utilitarista imediata) eu decido “ficar na minha”; e Proselitismo pessoal a Revelação do 2- Ou conforme a ação positiva, a ação propriamente dita, Sagrado se aquela pela qual temos que escolher, deliberar e responsabilizar-nos. manifesta (revela) sobrenaturalmente Em ambos os casos, posso agir movido por motivos externos ou ao profano através internos. Submetido a uma força alheia à minha vontade ou não. A do rito (Dramatização questão da decisão se torna essencial neste caso, pois é apenas a do mito, ou seja, da decisão consciente que conseguimos assumir se somos éticos. liturgia religiosa). Porém, a questão maior é “se podemos assumir o que não sabemos A A razão A razão A dialética Relação transpessoal que fazemos”. Quem não pensa não sabe o que faz, mas hoje em dia Filosofia discursiva. (O discurso) onde a palavra diz as coisas. O mundo se isto não pode ser desculpa. Pensar, refletir, tornou-se um imperativo manifesta pelos ético num contexto de vazio do pensamento que leva à banalização fenômenos e é de todas as coisas. dizível através do Todas as minhas ações são movidas por pensamentos sejam logos. eles conscientes ou inconscientes, sejam claros ou obscuros, sejam O Senso A cultura ética e A Tradição As crenças Relação interpessoal, Comum moral cultural silenciosas onde a ideologia meus ou não. Se não penso é possível que outrem esteja pensando (Ideologias) estabelecida pelas no meu lugar e promovendo minhas ações, pois o território dos idéias dominantes e pensamentos é comum, é compartilhado. pelos poderes Pensar é outra tarefa urgente. É o modo mais direto de reunião estabelecidos. entre razão e sensibilidade, entre o raciocínio lógico necessário à A Arte A estética Esteticismo = A O gosto Relação pessoal, subjetividade onde a criatividade e produção da vida, às ações concretas e os dados que nossa atenção do artista e do a percepção da e percepção recolhem da realidade na qual estamos inseridos. contemplador realidade do autor e A rigor não há teoria sem prática, do mesmo modo que não há (observador) da a interpretação e prática sem teoria, pois todo pensamento leva a uma ação ou arte. sensibilidade do omissão, ao agir ou à inércia. Julgamos mal o pensar que leva à
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    omissão e àinércia, pois sabemos que não há uma ação consistente não estamos tão acostumados a pensar que nosso próprio pensar é sem uma teoria que lhe dê bases seguras de compreensão. Pensar é ele mesmo uma forma de ação. Por que podemos dizer isso? Porque o começo da prática. nossos pensamentos sempre nos levam a agir sob duas formas Não há ação coerente sem uma compreensão prévia das básicas: circunstâncias onde as coisas precisam ocorrer. O pensamento reflexivo é aquele que tem o poder de provocar mudanças ao seu redor. 92 21 Por isso, antes de mais nada, a urgência que se tornou 4.7. CIÊNCIA, POLÍTICA, FILOSOFIA E PODER essencial hoje – e que por isso mesmo, por ser essencial, muitos não “O homem é um ser que precisa de um chefe. Até os homens que acreditam percebem – é tratar a ética como uma trabalho da lucidez quanto ao dominar também precisam de tal chefe; e eles são pouco capazes de se que estamos fazendo com nosso presente, mas sobretudo, com o que valerem desta sua chefia, se finalmente é um homem quem deve ser o último nele se planta e define o rumo futuro. Para isso é preciso renovar chefe” (Kant). nossa capacidade de diálogo e propor um novo projeto de sociedade 4.7.1. O QUE É O PODER no qual o bem de todos esteja realmente em vista. Só existe poder na relação com outras pessoas que delegam 4.2.CONCEITO E CARACTERÍSTICA ou deixam o poder na mão de alguém. O poder não é uma substância! Não é tangível, pois não é 4.2.1.ÉTICA coisa. Portanto, não é algo que se tem ou não. Poder é exercício. É • A palavra ética vem do grego, “modo de ser”, “comportamento”. ato. É realização. Daí dizermos que o poder não é um jogo de soma- • O que se pode? O que não se pode? Fundamentado em zero, mas uma relação assimétrica entre dois atores políticos. Poder pressupostos. Estamos sempre diante de posições distintas e é fazer valer a sua vontade. precisamos decidir. “A característica específica do homem em 4.7.2. OS ELEMENTOS DO PODER comparação com os outros animais é que somente ele tem o sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e de outras • COERÇÃO: obrigar a outros, pela força ou imposição, que qualidades morais” (Aristóteles, Política, p. 15). façam aquilo que desejamos. • A ética é uma disciplina teórica sobre uma prática humana. • INFLUÊNCIA: fazer com que os outros ajam como se fosse • É necessário unir o saber ao fazer (TEORIA + PRÁTICA). por vontade própria, por persuasão. Coerção + Influência = • Aplicar o conhecimento sobre o ser para construir aquilo que Poder. deve ser. 4.7.3. OS RECURSOS DO PODER 4.2.1.1.DE COMO A TEORIA É UMA FORMA Recurso de poder é tudo o que nos dá esta condição ou DE PRÁTICA capacidade de dominar. Podemos afirmar, então, que têm mais poder Todo conhecimento nasce de um gesto humano pelo querer aqueles que têm mais recursos. Quanto maiores são os recursos de saber. Este gesto já é em si mesmo uma atitude. Atitude é um termo alguém, maior é a sua capacidade de fazer valer a sua vontade. Os que define uma forma de prática. Teoria e prática, olhar e fazer, recursos do poder são: perceber e agir, estão mais próximos do que costumamos pensar. Só • Econômicos - valores econômicos;
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    Simbólicos - imagem pessoal, cargos à disposição de um 4.7.7. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA político para distribuição entre partidos que o apóiem, Mas a dominação política não se exerce somente por meio da informação, conhecimento, posição ocupada na organização influência e do recurso à força... Existe a dominação legítima, isto é, social, capital social, etc.; aquela que é fundada no consenso do próprio dominado. • Subjetivos - qualidades pessoais, competência, carisma; O poder pode fundamentar-se sobre: medo, promessas, afeto • Coercitivos - poder militar, poder de polícia, censura. ou ganância. Mas nada é tão permanente e estável quanto a autoridade legítima. Dominação Legítima significa, em essência, que alguém tem o direito de comandar outros, e esses outros têm a 4.7.4. AS ESTRATÉGIAS DO PODER obrigação de obedecer. Existem três tipos de dominação legítima: tradicional, legal-racional e carismática. Não basta possuir recursos de poder. É necessária a estratégia. O recurso depende de estar disponível, de nossa vontade 91 de usá-lo, de nossa capacidade de usá-lo. Análise do poder: para averiguar até onde alguém detém o poder, no caso, por exemplo, do presidente da república é necessário que se tenha presente: os Há, neste contexto, quem pense que ser corrupto não exclui a recursos + estratégias. ética. E isso não é opinião de ignorantes que não freqüentaram escola alguma, mas de muitos ditos “cultos” e “inteligentes”. Quem 4.7.5.PODER E AUTORIDADE hoje se preocupa em entender do que se trata? Quem se preocupa em não cair na contradição entre teoria e prática? Em discutir ética A estrutura social é composta de uma rede de posições para além dos códigos de ética das profissões pensando-a como sociais, cada qual vinculada a um certo grau de poder, pois as princípio que deve reger nossas relações? posições são recursos de poder. Ao poder que emana da posição Exatamente pela falta de compreensão do seu fundamento, do num grupo ou na sociedade, chamamos de AUTORIDADE. que significa a ética como elemento estrutural para cada um como 4.7.6.PODER E INFLUÊNCIA pessoa e para a sociedade como um todo, é que perdemos de vista a possibilidade de uma realização da ética. A ética não entra em Definiremos influência como a capacidade de um ator A alterar nossas vidas porque nem bem sabemos o que deveria entrar. Nem o comportamento de um ator B na direção desejada por A. Algumas sabemos como. Mas quando perguntamos pela ética, em geral, é distinções úteis: pelo “como fazemos para sermos éticos”, que tudo começa. Aí • PODER COERÇÃO: é o processo pelo qual a conduta de um começa também o erro em relação à ética. Pois ético é o que ator B é alterada mediante severas sanções aplicadas contra a ultrapassa o mero uso que podemos fazer da própria ética quando se vontade de B. trata de sobreviver. Ética é o que diz respeito ao modo de nos • PODER INFLUÊNCIA: é o processo pelo qual a conduta ou a comportamos e decidirmos nosso convívio e o modo como disposição de agir de um ator B é alterada segundo as partilhamos valores e a própria liberdade. Ela é o sentido da preferências, desejos, expectativas ou intenções de um outro convivência, mais do que o já tão importante respeito do limite próprio ator. e alheio. Portanto, desde que ela diz respeito à relação entre um “eu” A Influência pode se dar ainda de forma manifesta ou de forma e um “tu”, ela envolve pensar o outro, o seu lugar, sua vida, sua implícita e poderá ser uma Influência positiva ou influência negativa. potencialidade, seus direitos, como eu o vejo e como posso defendê- lo.
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    A Ética permanece,porém, sendo uma palavra vã, que usamos elaborada que possa sustentar a ação boa e justa - o foco de a esmo, sem pensar no conteúdo que ela carrega. Ninguém é ético só qualquer ética desde sempre - é o que está em jogo. porque quer parecer ético. Ninguém é ético porque discorda do que Falta, para isso, entendimento. Ou seja, compreensão de um se faz contra a ética. Só é ético aquele que enfrenta o limite da sentido comum na nossa reivindicação pela ética. Falta para se própria ação, da racionalidade que a sustenta e luta pela construção chegar a isso, que haja diálogo, ou seja, capacidade de expor e de de uma sensibilidade que possa dar sentido à felicidade. Mas esta é ouvir o que a ética pode ser. Clamamos pela ética, mas não sabemos mais do que satisfação na vida privada. A felicidade de que se trata é conversar. E para que haja ética é preciso diálogo. E por isso, a “felicidade política”, ou seja, a vida justa e boa no universo público. permanecemos num círculo vicioso em que só a inação e a A ética quando surgiu na antiguidade tinha este ideal. A felicidade na ignorância triunfam. vida privada – que hoje também se tornou debate em torno do qual Na inanição intelectual em voga, esperamos que os cultos, os cresce a ignorância - depende disso. intelectuais, os professores, os jornalistas, todos os que constroem a opinião pública, tragam respostas. Nem estes podem ajudar muito, pois desconhecem ou evitam a profundidade da questão. 4.MORAL E ÉTICA 23 “Aquele que era totalmente divino se tornou humano, para que os humanos se tornassem divinos”. “O verdadeiro humanismo não tem fronteiras, nem o céu lhe impõe limites”. 4.7.7.1. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA TRADICIONAL 4.1.O QUE É ÉTICA HOJE? É a dominação em virtude da crença na santidade das ordenações e dos poderes senhoriais de há muito existentes. Ocorre A palavra ética aparece em muitos contextos de nossas vidas. sempre que a relação de domínio esteja fundada na dependência Falamos sobre ética em tom de clamor por salvação. Cheios de pessoal ou na honra estamental, por vínculos de fidelidade e em esperança, alguns com certa empáfia, exigimos ou reclamamos da princípios materiais, com ausência de direito formal. Relação de falta de ética, mas não sabemos exatamente o que queremos dizer domínio fundada na dependência pessoal. com isso. Há um desejo de ética, mas mesmo em relação a ele não Estrutura puramente patriarcal: servidores recrutados em conseguimos avançar com ética. Este é nosso primeiro grande completa dependência pessoal do senhor, sob a forma patrimonial problema. (escravos, servos, eunucos) ou extra patrimonial (favoritos, plebeus, O que falta na abordagem sobre ética é justamente o que nos parentes). Tipo mais puro: sultanato6. levaria a sermos éticos. Falta reflexão, falta pensamento crítico, falta entender “o que é” agir e “como” se deve agir. Com tais perguntas é que a ética inicia. Para que ela inicie é preciso sair da mera indignação moral baseada em emoções passageiras, que tantos 6 País governado por um sultão. Poder absoluto do Sultão sobre uma região em acham magnífico expor, e chegar à reflexão ética. Aqueles que determinado período histórico, não estando sujeito a obediência de outro poder. expõem suas emoções se mostram como pessoas sensíveis, Caracteriza-se pela extrema influência política e econômica, ampla riqueza, bondosas, crêem-se como antecipadamente éticos porque emotivos. centenas de serviçais pessoais e mordomias infindáveis. Um exemplo clássico é o Porém, não basta. As emoções em relação à política, à miséria ou à Império Turco e por associação figurativa podemos usar o termo para definir violência, passam e tudo continua como antes. A passagem das poderes exercidos por países ou seus segmentos que praticam o nepotismo, se beneficiam do poder para obter regalias e privilégios, pouco ou nenhuma emoções indignadas para a elaboração de uma sensibilidade transparecia das despesas e uso político dos cargos e funções públicas. Um exemplo figurativo: o Senado Brasileiro.
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    4.7.7.2. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA LEGAL- • Poder ideológico: que utiliza a posse de certas idéias, RACIONAL valores, doutrinas para influenciar a conduta alheia, induzindo as pessoas a determinados modos de pensar e agir. É a dominação em virtude de estatuto, de tal modo que • Poder político: que utiliza a posse dos meios de coerção qualquer direito pode ser criado e modificado mediante um estatuto social, isto é, o uso da força física considerada legal e sancionado corretamente quanto à forma. Ocorre sempre que a autorizada pelo direito vigente na sociedade. competência de mando esteja fundada sobre regras estatuídas e que o exercício do direito de domínio seja congruente com o tipo de • O que essas três formas de poder têm em comum? administração legal. “É que elas contribuem conjuntamente para instituir e manter sociedades de desiguais divididas em fortes e fracos, com base no poder político; em ricos e 4.7.7.3. A DOMINAÇÃO LEGÍTIMA CARISMÁTICA pobres, com base no poder econômico; em sábios e ignorantes, com base no poder ideológico. Genericamente, em superiores e inferiores” 7. É a dominação em virtude de devoção afetiva à pessoa do 4.7.9. A CIÊNCIA COMO INSTRUMENTO DO ESTADO senhor e a seus dotes sobrenaturais (carisma) e, particularmente, a faculdades mágicas, revelações ou heroísmo, poder intelectual ou de Na sociedade contemporânea cada vez mais a ciência oratória. Ocorre sempre que a dominação se dê em função do demonstra seu poder de sanar problemas. Mas, a mesma ciência que reconhecimento pessoal e se constitua em dever da comunidade em sinaliza eficácia nas soluções de problemas é forçada a criar outros, relação ao líder. para sua própria sobrevivência, quem sabe? 89 4.7.8. AS FORMAS DE PODER 2) Séc. XVIII - a burguesia não se contentava mais em ter O poder subordina as pessoas, que lhe dão essa prerrogativa apenas o poder econômico, queria também o poder político e a em no intuito de se conseguir viver em harmonia com seus monarquia absoluta não conseguiu impedir a expansão capitalista – semelhantes. Reis sequiosos de fundos para manter a burocracia e os exércitos Vale dizer que o poder somente poderá ser considerado dentro permanentes. de uma sociedade e em relação a duas ou mais vontades, sendo que 3) Séc. XVIII – França – Rei sugere que o clero e a nobreza uma irá sempre sobressair em relação à outra, submetendo as paguem impostos – recua – forças sociais emergem resultando em demais. uma crise social e institucional (1788) – instalação dos Estado Gerais Há quem diga que não há nenhuma necessidade a existência (duplicação do número de representantes do Terceiro Estado). de um poder social que coordene e controle a sociedade. Contrato Social de Locke = importante componente teórico Embora sejam diferentes as justificativas para tal resistência ao para os revolucionários burgueses – idéia de indivíduo aliada a de poder social, pode-se dizer que todos aqueles não aceitam essa direitos pessoais que provém da natureza como dádiva de Deus – necessidade seriam todos denominados anarquistas. doutrina do direito a resistência (vontade e consentimento) 4.7.8.1. AS TRÊS FORMAS DE PODER SOCIAL Liberalismo = doutrina que se foi forjando nas marchas contra o absolutismo e no crescimento do individualismo – constituição – • Poder econômico: que utiliza a posse de certos bens poder monárquico limitado e um bom grau de liberdade civil e socialmente necessários para induzir aqueles que não os religiosa = Estado Mínimo (garantia de paz e segurança, apenas). possuem adotar determinados comportamentos, como, por exemplo, realizar determinado trabalho. 7 BOBBIO, Norberto. Estado, governo, sociedade – para uma teoria geral da política. RJ, Paz e Terra, 1987, p. 83.
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    1) Moral= liberdade,dignidade e vida. Todo 3.5.1.4.ESTADO E PROPRIEDADE. O indivíduo deve ser respeitado e ter a liberdade de ESTADO LIBERAL. A DOUTRINA DO DIREITO À RESISTÊNCIA E O buscar sua auto-realização (mobilidade social) INDIVIDUALISMO LIBERAL. Núcleos 2) Político-Jurídico= consentimento individual, representação, constitucionalismo e soberania - Estado: Liberal ou Estado-mínimo8. O povo deve escolher a popular. forma de governo e os representantes dos 3 poderes (legislativo, 3) Econômico= direito econômicos e executivo e federativo). propriedade, individualismo econômico/sistema - Fundamento originário da propriedade: capacidade de de livre empresa/capitalismo – o mercado se trabalho. auto-regula. A competição é o termômetro. - Doutrina do Direito a resistência: quando o Estado viola deliberada e sistematicamente a propriedade, o povo tem o direito CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS: legítimo de resistir à opressão. Volta-se ao estado de natureza. 1) Separação entre Estado e Sociedade Civil mediada pelo a) ESTADO LIBERAL Direito (ideal de Justiça); 2) A garantia das liberdades individuais; Postura ultra-individualista, assentada no comportamento 3) A democracia; a origem consensual do Estado, a idéia de egoísta, concepção individualista e formal da liberdade onde há o representação e a imposição de um controle hierárquico da produção direito e não o poder de ser livre. legislativa através do controle de constitucionalidade. ANTECEDENTES HISTÓRICOS: 4) Estado Mínimo. 1) Séc. XVII - surgiu na Inglaterra (Revolução Inglesa) na luta política que culminou na Revolução Gloriosa de 1688 contra Jaime II 88 – objetivos: tolerância religiosa e o governo constitucional. Os Wighs são os ancestrais do liberalismo. - Contrato Social: Tem como objetivo evitar os inconvenientes do estado de natureza, consolidando ainda mais os direitos naturais que os Homens já possuíam. É baseado no consentimento unânime. 25 Com o pacto cria-se um corpo político único, dotado de legislação, judicatura e da força concentrada da comunidade. A ciência utiliza-se do conhecimento como instrumento para demonstrar a “verdade” e como meio de diminuição das distâncias entre as pessoas, sem falar na redução das doenças que trouxe também à tona a revolução industrial, revelando os segredos da natureza, conquistando, enfim, a liberdade de investigação. 8 O Estado Liberal apoiava-se nos princípios da liberdade pessoal, do individualismo, da tolerância, da dignidade e da crença na vida. O Estado iria debruçar-se sobre os direitos econômicos, a propriedade privada, o sistema da livre empresa e a economia de mercado livre do controle estatal. O liberalismo se dava mediante a garantia dos direitos políticos (direito ao voto, direito de participar e decidir que tipo de governo eleger e que espécie de política seguir, o consentimento individual, a representação e o governo representativo, o constitucionalismo político, a teoria da separação dos poderes e a soberania popular.
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    Entretanto, diante detantas benesses, há também: a miséria poder intelectual ou de oratória. trazida pelos avanços científicos que não tem a preocupação de Ocorre Sempre que a relação de Sempre que a Sempre que a elastecer os benefícios para toda sociedade de forma igual. É meio domínio esteja fundada competência de mando dominação se dê em na dependência pessoal esteja fundada sobre função do dicotômico, mas em meio à abundância, existe a miséria, a carência, ou na honra estamental, regras estatuídas e que reconhecimento pessoal doenças que ainda matam os pobres, que não gozam dessa por vínculos de o exercício do direito de e se constitua em dever fidelidade e em domínio seja congruente da comunidade em “maravilha” científica. princípios materiais, com com o tipo de relação ao líder. Essa relação de ciência e poder traz conseqüências terríveis ausência de direito administração legal. formal. para sociedade, a partir do momento que o Estado tem o controle e a Quem manda O senhor. A regra estatuída. O líder ou o herói. utiliza como instrumento de manipulação para sobrepor a outros Qualidade de Dignidade tradicional. Autoridade da posição Qualidades excepcionais quem Domina estatuída. povos, como aconteceu num período histórico que se utilizaram desse Quem Obedece Os súditos Os membros ou Os discípulos ou mesmo conhecimento para justificar a superioridade cultural de um “cidadãos” apóstolos Quadro Servidores (servos) Funcionários Seguidor (séqüito) povo; prevalecendo a idéia etnocêntrica. Administrativo (burocracia) Submetendo esse povo dito inferior as suas leis; ferindo o Fundamento da Dependência ou Competência profissional Vocação Relação privilégio espírito democrático do conhecimento que deve pertencer às Natureza da Relação tradicional Relação formal Relação pessoal pessoas, a sociedade como um todo e não como instrumento de Relação manipulação de um grupo ou Estado, ou seja, daquele que possui Modelo da Senhor - servo Superior - funcionário Líder – discípulo Relação maior poder aquisitivo. Natureza da Santidade (o sagrado) Formalidade abstrata revelação Na fala configura-se de forma substancial o poder da ciência, Norma Conteúdo da Fidelidade Disciplina do serviço Crença ou fé que leva uma sociedade inteira a acreditar num conhecimento Obediência científico que beneficia alguns grupos ou grupo dessa sociedade, que Tipo da Ordem Tradição Lei ou estatuto Sentença Tipo mais Puro Dominação patriarcal Burocracia Apostolado oi missão se apoderam de argumentos para justificar interesses próprios ou até Exemplos Sultanato, monarquia, Estado moderno, Movimentos mesmo de um governo que se utiliza de meios para justificar seus Históricos senhor de engenho, corporações colegiadas, missionários, família, Estado feudal, empresa capitalista, movimentos messiânicos fins, ficando evidenciado que os interesses “políticos” são numa brâmanes hindus, partido político, movimentos proporção maior que os interesses científicos, divergindo assim dos mandarins chineses, sindicato, universidade revolucionários, Igreja, clérigos budistas, contemporânea, populismo (figura do interesses da sociedade. aristocracias e administrações por demagogo), caudilhismo, oligarquias etc. parlamento, comitês ou o profeta, Napoleão, colegiados etc. Jesus, Péricles, Dalai Lama, direito hereditário de primogenitura etc. TIPOS DE DOMINAÇÃO 3.5.1.2.CONTEXTO HISTÓRICO TRADICIONAL LEGAL-RACIONAL CARISMÁTICA Conceito Dominação em virtude Dominação em virtude Dominação em virtude REVOLUÇÃO INGLESA = Limitou o poder do Rei e deu as da crença na santidade de estatuto, de tal modo de devoção afetiva à bases para a Revolução Industrial. A Bill of Rights foi assinada em das ordenações e dos poderes senhoriais de há que qualquer direito pode ser criado e pessoa do senhor e a seus dotes sobrenaturais 1689. muito existentes. modificado mediante um (carisma) e, 1ª Fase: Revolução Puritana (1640-1649). estatuto sancionado corretamente quanto à particularmente, a faculdades mágicas, - Conflito entre Coroa e Parlamento; Implantação da República; forma. revelações ou heroísmo, Execução de Carlos I.
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    2ª Fase: Restauração(1660-1688). - São independentes, porém interdependentes; Trata-se de - Reativou-se o conflito entre a Coroa e o Parlamento Carlos II assegurar a existência de um poder que seja capaz de é empossado e o Parlamento se divide entre Tories e Wighs. contrariar o outro poder. É um problema político, de correlação de 3ª Fase: Revolução Gloriosa (1688). forças e não um problema jurídico-administrativo, de organização de - Jaime II é retirado do poder por Guilherme de Orange, seu funções. genro. A Revolução Gloriosa assinalou o triunfo do liberalismo político sobre o absolutismo e, com a aprovação do Bill of Rights em 12689, 3.5.O PENSAMENTO POLÍTICO assegurou a supremacia legal do Parlamento sobre a realeza e CONTEMPORÂNEO instituiu na Inglaterra uma monarquia limitada. ILUMINISMO – Século das Luzes (XVIII) defende o predomínio 3.5.1.JOÃO LOCKE: O PRECURSOR DO da razão sobre a fé e estabelece o progresso como destino da PENSAMENTO POLÍTICO CONTEMPORÂNEO humanidade. 3.5.1.1.BIOGRAFIA DE JOÃO LOCKE - Principais obras: Cartas sobre a tolerância, Ensaio sobre o João Locke nasceu em Wrington, em 1632. Estudou na entendimento humano e os Dois tratados sobre o governo civil. Universidade de Oxford filosofia, ciências naturais e medicina. Em Empirismo: doutrina segundo a qual todo o conhecimento 1665 foi enviado para Brandenburgo como secretário de legação. deriva da experiência. Passou, em seguida, ao serviço de Loed Ashley, futuro conde de 3.5.1.3.TEORIA DA TÁBULA RASA DO Shaftesbury, a quem ficou fiel também nas desgraças políticas. Foi, CONHECIMENTO portanto, para a França, onde conheceu as personalidades mais A mente é um papel em branco, desprovida de todos os destacadas da cultura francesa do "grand siècle". Em 1683 refugiou- caracteres, sem quaisquer idéias e que se supre da experiência. Todo se na Holanda, aí participando no movimento político que levou ao nosso conhecimento está fundado na nossa experiência e dela deriva trono da Inglaterra Guilherme de Orange. De volta à pátria, recusou o fundamentalmente o próprio conhecimento. cargo de embaixador e dedicou-se inteiramente aos estudos É uma crítica à doutrina das idéias inatas, formulada por Platão filosóficos, morais, políticos. Passou seus últimos anos de vida no e retomada por Descartes, segundo a qual determinadas idéias, castelo de Oates (Essex), junto de Sir Francisco Masham. Faleceu princípios e noções são inerentes ao conhecimento humano e existem em 1704. independentemente da experiência. As suas obras filosóficas mais notáveis são: o Tratado do - Natureza Humana: os Homens são bons por natureza. Governo Civil (1689); o Ensaio sobre o Intelecto Humano (1690); os - Estado de Natureza: Os Homens são completamente livres e iguais. Pensamentos sobre a Educação (1693). As fontes principais do São dotados de Razão e já desfrutavam da propriedade (vida, pensamento de Locke são: o nominalismo escolástico, cujo centro liberdade e bens). Era um estágio de relativa paz, concórdia e famoso era Oxford; o empirismo inglês da época; o racionalismo harmonia. cartesiano e a filosofia de Malebranche. 86 B) TEORIA DA SEPARAÇÃO DOS PODERES OU 27 EQÜIPOTÊNCIA Executivo = executa as leis. Fica claro, viver num mundo informatizado, onde a informação Legislativo = elabora as leis. é central para a interpretação e a ação diante da realidade, significa, Judiciário = administra as leis.
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    nas falas recorrentes,estar a formação dirigida para o aprender a 2. A CIÊNCIA NA IDADE MODERNA aprender, não mais se justificando a formação para o aprender a fazer. Isto vai exigir muito mais do sistema educacional, pois o 2.1. UMA NOVA CONCEPÇÃO DO HOMEM E DO MUNDO objetivo de uma educação libertária terá que está voltada para a 2.1.1. O MOVIMENTO DA REFORMA adequação às necessidades sociais, estimulando a capacidade do MUDANÇAS OU TRANSFORMAÇÕES NO SISTEMA sujeito, onde deixa de ser espectador e passa a ser protagonizador RELIGIOSO – que provocou a quebra da unidade religiosa européia e da história, assumindo uma condição de sujeito que se apropria do rompeu com a concepção passiva do homem, entregue unicamente conhecimento para gerir mudanças. aos desígnios divinos, reconhecendo o trabalho humano como fonte da graça divina e origem legítima da riqueza e da felicidade; também concebeu a razão humana como extensão do poder divino, o que colocava o homem em condições de pensar livremente e responsabilizar-se por seus atos de forma autônoma. A Reforma manifestou uma nova mentalidade associada ao declínio do feudalismo. Assim, a concepção medieval cristã, fundada na infalibilidade papal, deixou de ser aceita. No seu lugar, Lutero propôs a infalibilidade da Bíblia e a salvação pela fé. Calvino identificou a fé cristã com o trabalho, justificando as práticas capitalistas. A Igreja Anglicana reafirmou a autoridade da monarquia absolutista independente do poder papal. 2.1.2. O DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA NATURAL TRANSFORMAÇÕES, NOVOS PARADÍGMAS NOS MÉTODOS DE INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA – que criou novos métodos de investigação científicos, impulsionados pela confiança na razão humana e pelo questionamento da submissão deste aos dogmas do cristianismo; a Igreja Católica, por sua vez, perdia, nesse momento, parte de seu poder de influência sobre os Estados e de dominação sobre o pensamento. Assim, na cultura medieval, a religião era o fundamento do conhecimento; no Renascimento, a ciência ocupou o seu lugar. 2.1.3. A INVENÇÃO DA IMPRENSA MUDANÇAS OU TRANSFORMAÇÕES NO SISTEMA DE COMUNICAÇÃ0 – que possibilitou a impressão dos textos clássicos gregos e romanos, contribuindo para a formação do humanismo. A divulgação de obras científicas, filosóficas e artísticas, que se tornaram a partir de então acessíveis a um número maior de pessoas, propiciou um maior grau de consciência e liberdade de expressão. 85
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    A idéia foicomplementada pela teoria de Rousseau, que Todavia, o pacto social não tem por fim conciliar todos os considerava o contrato social legítimo apenas se a aprovação do interesses egoístas, mas antes depreender (o que é possível com a mesmo fosse unânime. Além disso, Rousseau tenta retirar a idéia de maioria das vozes, nos debates do povo reunido) uma vontade geral. que os indivíduos são prejudicados com a existência do contrato, pois Esta última faz abstração dos interesses divergentes e das paixões esses homens ainda estão participando de seus respectivos direitos. de cada um para só cuidar do bem comum. Entenda-se bem: "cada A única mudança é que essa participação deixa de ser individual e indivíduo pode, como homem, ter uma vontade particular contrária ou passa a ser coletiva. dessemelhante da vontade geral que ele tem como cidadão". Por 3.4.3.MONTESQUIEU (1689-1755) conseguinte, nessa vontade geral descobriremos outra coisa que não 3.4.3.1.A TEORIA DA SEPARAÇÃO DOS o interesse, o desejo de felicidade, etc. Encontraremos aí, no fundo, a PODERES E O SISTEMA DE FREIOS E regra da consciência, esse juízo inato do bem e do mal que cada um CONTRAPESOS: AS CONCEPÇÕES descobre em si mesmo, quando dissipa seus desejos egoístas "no CLÁSSICAS DE MONTESQUIEU. silêncio das paixões". - Preocupação Principal = compreender as razões da Todos os seres humanos têm direito à liberdade, sobrevivência decadência das monarquias, os conflitos internos que minaram sua e de optar por um estilo de vida próprio. A partir do momento em que estabilidade e também os mecanismos que garantiram por tantos todos os homens têm esse direito, durante o usufruto deste, ocorrerá séculos sua estabilidade è noção de moderação (estabilidade); um grande choque entre os indivíduos, pois um passa a invadir o - Montesquieu estuda o passado para entender o presente e espaço do outro. É frente a esse problema que surge o contrato formular tendências para o futuro. Ele acredita que novas revoluções social, que consiste na entrega total dos direitos individuais de todos democráticas acontecerão e não há no momento nenhum regime os cidadãos a uma certa pessoa (o soberano), como se este fosse um político com condições ótimas de estabilidade. administrador geral de todos os problemas. Basicamente, 3 filósofos Sendo assim, Montesquieu cria uma saída teórica que visa elaboraram a teoria do contrato social: Thomas Hobbes, John Locke e dotar a República de estabilidade (noção de moderação). Jean-Jacques Rousseau. Thomas Hobbes fundamentou a teoria do contrato social, A) TIPOLOGIA DOS GOVERNOS dando a ela o embasamento teórico mínimo, ao passo que John Natureza do poder (quem detém o poder) Locke aprofundou essa idéia. Um dos pontos mais importantes desse - MONARQUIA - um só governa, através de leis fixas e aprofundamento consiste na teoria de que, mesmo com a entrega dos instituições; direitos do homem ao soberano, esses direitos não deixam de existir. - REPÚBLICA - governa o povo, no todo ou em parte; Portanto, se a qualquer momento o absoluto agir de uma forma que - DESPOTISMO - governa a vontade de um só. os indivíduos não considerem justa e coerente estes têm direito de Princípio de governo (como o poder é exercido) protestar, enquanto que na teoria de Hobbes isto seria incabível. - MONARQUIA – honra – regime do presente – instituições; Locke ainda afirma que o contrato tem de ser constantemente - REPÚBLICA – virtude – regime frágil – passado – homens; renovado, pois os homens que nascem hoje têm direito a discordar do - DESPOTISMO – medo – extensão do estado de natureza – contrato ora feito ontem, de que nem mesmo foi visto ou aprovado por regime do futuro – paixão. essas novas pessoas. 84 29
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    30 2.1.4.O RENASCIMENTO Na época da morte de Galileu, o terreno estava preparado para MUDANÇAS OU TRANSFORMAÇÕES NO MODO DE SER E uma verdadeira revolução no pensamento científico. Isaac Newton VIVER DOS EUROPEUS – em vez de uma supervalorização da fé contribuiu bastante para impulsionar essa revolução. Seu trabalho no cristã, do teocentrismo (Deus como centro), houve uma tendência campo da matemática resultou no cálculo integral e diferencial. Seu social antropocêntrica (homem como centro), ou seja, de valorização trabalho na astronomia ajudou a definir as leis do movimento e da da obra humana. Isso levou ao desenvolvimento do racionalismo e gravitação universal. de uma filosofia laica (não-religiosa), que se mostrarão de modo Os estudos de óptica de Isaac Newton conduziram ao primeiro geral otimista em relação à capacidade humana de intervir no mundo, telescópio reflexivo. Um tema comum a todo o trabalho de Newton organizar a sociedade e aperfeiçoar a vida humana. era uma capacidade quase sobrenatural de desenvolver alguns conceitos e equações relativamente simples, mas com enorme poder 2.1.4.1. DIFERENÇAS ENTRE O PENSAMENTO de previsão. Seus sistemas unificados de leis resistiram a séculos de MEDIEVAL E O RENASCENTISTA teste e reflexão e continuam permitindo que cientistas estudem outros mistérios da física e da astronomia. PENSAMENTO MEDIEVAL PENSAMENTO RENASCENTISTA Seria justo dizer que o período coberto pela carreira de Newton Teocentrismo Antropocentrismo marca o começo da ciência moderna. No início do século 19, a Verdade = Bíblia Verdade = experimentação, observação. ciência estava estabelecida como campo independente e respeitado de estudos, e o método científico - baseado em testes e Vida material sem importância Vida terrena e material também é importante observação - estava sendo adotado em todo o mundo. Um exemplo Conformismo Crença no progresso clássico de como a ciência evoluiu como esforço colaborativo - que Natureza = fonte do pecado Natureza = beleza, onde o homem se insere. gera ampliação gradual do conhecimento - pode ser encontrado no Ascetismo Hedonismo desenvolvimento do que hoje designamos como teoria celular. Dogmatismo Fé diferente da razão NICOLAU COPÉRNICO GALILEU GALILEI ISAAC NEWTON (1473-1543) (1564-1642) (1642-1727) 2.2. OS PRECURSORES DA CIÊNCIA MODERNA Combateu a teoria Aperfeiçoou a luneta Levou a termo a revolução Foram os trabalhos de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei geocêntrica (a Terra vista (telescópio) inventada na científica iniciada por que influenciaram fortemente o pensamento de Bacon. Copérnico como centro do Holanda e a utilizou Galileu, dando origem à propôs, com base em suas observações, que os planetas do Sistema universo). sistematicamente na física clássica. observação do céu. Solar giravam em torno do Sol, e não da Terra. Galileu conseguiu confirmar uma estrutura centrada no Sol, quando usou um telescópio Propôs a teoria Criou uma nova postura de O mundo é uma grande heliocêntrica investigação científica. máquina cujas partes projetado por ele mesmo para obter dados sobre, entre outras coisas, (demonstrando que a podem ser conhecidas as luas de Júpiter e as fases de Vênus. A maior contribuição de Terra girava em torno do através da observação e Galileu, porém, pode ter sido seu estudo sistemático do movimento, Sol e que este era o da experimentação. baseado em descrições matemáticas simples. centro do nosso sistema planetário). - O objetivo era prever para prover
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    3.4.3.2.A TEORIA DOCONTRATO SOCIAL E si próprio e permaneça tão livre quanto antes; este, o problema AS ORIGENS DA DESIGUALDADE ENTRE fundamental cuja solução é dada pelo contrato social". OS HOMENS EM JEAN JACQUES 82 ROUSSEAU Contemporâneo da Revolução Americana e anterior à A partir da criação do Estado, a liberdade do indivíduo fica Revolução Francesa. adstrita ao que for permitido pelo soberano. Diz Hobbes, que existem Exercício da Soberania pelo povo como condição primeira de três espécies de governos que ocorrem no Estado, que é a sua libertação”. monarquia, aristocracia e democracia. - Natureza Humana: “os Homens nascem bons, mas a E por último, vale destacar outro fator importante, pois sociedade os corrompe”. Hobbes trata de “doenças” que podem acometer o Estado levando-o - Estado de Natureza: precedente ao estado social, no qual o à dissolução. O autor diz que dividir o poder do estado é dissolvê-lo e Homem, essencialmente bom, só se preocupa com a sua sendo este dissolvido, não é mais possível a garantia da paz e conservação. segurança do indivíduo. Hobbes considera a soberania a alma do - Contrato Social: visa superar obstáculos naturais e garantir a Leviatã. liberdade e igualdade, através de um ato de associação → alienação 3.4.3.JEAN JACQUES ROUSSEAU (1712-1778) dos direitos do indivíduo em favor da comunidade → garantir a 3.4.3.1.BIOGRAFIA DE JEAN JACQUES liberdade do estado de natureza em estado civil → “Obedecer a lei ROUSSEAU que se prescreve é um ato de liberdade”. - Estado: funcionário do povo, mero executor da vontade geral. Rousseau não conheceu a mãe, pois ela morreu no momento - A associação dos indivíduos que passa a atuar do parto. Foi criado pelo pai, um relojoeiro, até os 10 anos de idade. soberanamente, sempre em favor do interesse do todo que engloba o Em 1722, outra tragédia familiar acontece na vida de Rousseau, a interesse de cada componente, tem uma vontade própria, que é a morte do pai. Na adolescência foi estudar numa rígida escola vontade geral. religiosa. Nesta época estudou muito e desenvolveu grande interesse - A Soberania é inalienável e indivisível. pela leitura e música. - Rousseau não admite a representação ao nível da soberania. No final da adolescência foi morar em Paris e, na fase adulta, Para ele, uma vontade não se representa. “No momento em que um começou a ter contatos com a elite intelectual da cidade. Foi povo se dá representantes, não é mais livre, não mais existe”. No convidado por Diderot para escrever alguns verbetes para a entanto, a representação é um mal necessário e por isso, é preciso Enciclopédia. fiscalizar os representantes e trocá-los com freqüência. No ano de 1762, Rousseau começou a ser perseguido na - O povo só recupera sua liberdade através das Revoluções. França, pois suas obras foram consideradas uma afronta aos A teoria política de Rousseau, exposta no Contrato Social, costumes morais e religiosos. Refugiou-se na cidade suíça de aproxima-se bastante, aparentemente ao menos, das idéias dos Neuchâtel. Em 1765, foi morar na Inglaterra a convide do filósofo filósofos racionalistas. Nessa obra, Rousseau pesquisa as condições David Hume. de um Estado social que fosse legítimo, que não mais corrompesse o De volta à França, Rousseau casou-se com Thérèse homem. O problema que ele coloca recai no de Locke ou de Levasseur, no ano de 1767. d'Holbach: "Encontrar uma forma de associação que defenda e Escreveu, além de estudos políticos, romances e ensaios proteja de toda força comum à pessoa e os bens da cada associado e sobre educação, religião e literatura. Sua obra principal é Do Contrato pela qual cada um, unindo-se a todos, não obedeça, porém, senão a Social. Nesta obra, defende a idéia de que o ser humano nasce bom, porém a sociedade o conduz a degeneração. Afirma também que a
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    sociedade funciona comoum pacto social, onde os indivíduos, • Ídolos da caverna – as falsas noções do ser humano como organizados em sociedade, concedem alguns direitos ao Estado em indivíduo (alusão ao mito da caverna de Platão); troca de proteção e organização. 2.3. BACON, DESCARTES E LOCKE 32 2.3.1. FRANCIS BACON (1561-1626) 2.3.1.1. O MÉTODO EXPERIMENTAL (INDUTIVO) • Ídolos do mercado ou do foro – as falsas noções CONTRA OS ÍDOLOS provenientes da linguagem e da comunicação; e, “Saber é Poder” e “O homem é aquilo que sabe” (BACON). • Ídolos do teatro – as falsas noções provenientes das Bacon compreendeu que a pesquisa experimental levaria ao concepções filosóficas, científicas e culturais vigentes. avanço da ciência. Mas antes era preciso desfazer-se das falsas 2.3.1.2. AS FALSAS NOÇÕES RESPONSÁVEIS PELO noções, ou ídolos, pois, conforme afirmou, “as pessoas preferem INSUCESSO DA CIÊNCIA acreditar naquilo que elas preferem que seja a verdade”. Ele é Como já explicitado anteriormente, os ídolos ou as falsas considerado um dos fundadores do método indutivo de investigação noções precisam ser superadas. Seriam eles (as) os responsáveis científica. Ao afirmar que “saber é poder” revela sua firme disposição pelos insucessos da ciência. Vejamos cada um: de ânimo de fazer dos conhecimentos científicos um instrumento • Os ídolos da tribo estão fundados na própria natureza prático de controle da realidade. humana, na própria tribo ou espécie humana. É falsa a Preocupado com a utilização dos conhecimentos científicos na asserção de que os sentidos do homem são a medida das vida prática, Bacon manifestava grande entusiasmo pelas conquistas coisas. Muito ao contrário, todas as percepções, tanto dos técnicas que se difundiam em seu tempo: a bússola, a pólvora e a sentidos como da mente, guardam analogia com a natureza imprensa. Também revelava sua aversão ao pensamento meramente humana e não com o Universo. O intelecto humano é abstrato, característico da escolástica medieval. semelhante a um espelho que reflete desigualmente os raios Para Bacon, a ciência deveria valorizar a pesquisa das coisas e, dessa forma, as distorce e corrompe. experimental, tendo em vista proporcionar resultados objetivos para o • Os ídolos da caverna são os dos homens enquanto homem. Mas, para isso, era necessário que os cientistas se indivíduos. Pois cada um – além das aberrações próprias da libertassem daquilo que denominava ídolos, isto é, falsas noções, natureza humana em geral – tem uma caverna ou uma cova preconceitos e maus hábitos mentais. que intercepta e corrompe a luz da natureza: seja devido à Avaliando a situação, Bacon concluiu que o conhecimento natureza própria e singular de cada um; seja devido à pode ser frutífero somente se a tecnologia e a filosofia estiverem educação ou conversação com os outros; seja pela leitura dos unidas. Em vez de debater pormenores de matéria e forma, os livros pela autoridade daqueles que se respeitam e admiram; cientistas deviam observar diretamente a natureza, esboçar seja pela diferença de impressões, segundo ocorram em ânimo conclusões e empregar ferramentas práticas para testá-las. Em outras preocupado e predisposto ou m ânimo equânime e tranqüilo; palavras, a ciência devia ser baseada na indução e na de tal forma que o espírito humano — tal como se acha experimentação, não na metafísica e na especulação. disposto em cada um – é coisa vária, sujeita a múltiplas Em sua obra Novum Organum, destaca quatro gêneros de perturbações, e até certo ponto sujeita ao acaso. Por isso, bem ídolos que bloqueiam a mente humana e prejudicam a ciência: proclamou Heráclito que os homens buscam em seus • Ídolos da tribo – as falsas noções provenientes das próprias pequenos mundos e não no grande ou universal. limitações da natureza da espécie humana;
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    absolutismo, o poderé uno e indivisível. Esse poder pode ser adquirido pela guerra ou pelo acordo entre os indivíduos. 81 80 Deus é entendido pelos religiosos em sentido metafísico e pelas Escrituras em sentido próprio. Milagre é uma obra de admiração e deve ser rara, e não ter causa conhecida. O que para um homem O fim do Estado é a garantia da paz e da segurança. Por fim parece ser um milagre pode para outro não parecê-lo. trata Hobbes das doenças que podem acometer o Estado, levando-o O reino das trevas é uma critica a interpretação usual das à dissolução. O autor considera o Estado um homem artificial pelo Sagradas escrituras, onde denuncia uma vã filosofia e tradições que compara as causas que determinam a dissolução do Estado às fabulosas. Essa critica encerra a obra. Das trevas espirituais causas que levam à morte ou à enfermidade do homem natural. Ele resultantes da ma interpretação das Escrituras. “Além destes poderes classifica essas doenças em três categorias: as decorrentes de uma soberanos, divino e humano, sobre os quais até aqui tenho discorrido, instituição imperfeita, as que derivam do “veneno das doutrinas há nas Escrituras referência a um outro poder, a saber, o dos sediciosas” e as que mesmo não apresentando um perigo tão grave governantes das trevas deste mundo, o reino de Satanás, e a de dissolução do Estado como as anteriores, são um perigo para a soberania de Belzebu sobre os demônios, isto é, sobre os fantasmas manutenção do Estado. que aparecem no ar, por cuja razão Satanás também é chamado o Dentre todas as doenças destaca-se aquela que afirma que príncipe do poder do ar, e (porque governa nas trevas deste mundo) o “o poder soberano pode ser dividido”. Hobbes considera a soberania príncipe deste mundo; e por conseqüência àqueles que estão sob seu como a alma do Leviatã. domínio, em oposição aos fiéis (que são os filhos da luz) são Sendo o Estado dissolvido em razão de uma das chamados os filhos das trevas”. enfermidades por ele apresentadas não seria mais possível a garantia LEVIATÃ E A RELAÇÃO COM O ESTADO da paz e da proteção aos indivíduos que firmaram o pacto social. Hobbes defende um Estado absoluto, forte marca em todo o Voltariam os homens a ter a liberdade de proteger-se através de corpo de sua obra Leviatã. O papel do Estado como fundamental qualquer meio que lhe aprouver. No dizer de Hobbes “o soberano (...) sustentáculo na formação da sociedade civil, serve ate os nossos dias é a alma publica que dá vida e movimento ao Estado, a qual como uma referência importante para se pensar o Estado moderno. expirando os membros deixam de ser governados por ela como a Segundo Hobbes, o que daria origem ao Estado, é o fato de carcaça do homem quando se separa de sua alma posto que é os homens quererem sair daquelas condições precárias em que imortal”. viviam em conseqüência do estado de natureza, fugindo da guerra PARTE 3 – DO ESTADO CRISTÃO e PARTE 4 – DO REINO DAS em busca da paz. Assim, é necessário um poder comum, capaz de TREVAS defender a comunidade, garantindo-lhes a paz e uma segurança Aqui a intenção de Hobbes era estabelecer a supremacia em suficiente. É este Estado que Hobbes define de Leviatã, definindo-o questões de fé e doutrina. Tem-se nessa parte a noção de Republica como deus mortal, ao qual devemos nossa paz e defesa. Cristã, contrapondo a realeza natural de Deus com o poder do O objetivo do Estado é o bem comum entre todos os soberano emanado e dependente dos pactos sociais. Depois de indivíduos no qual o poder de seu representante é absoluto, extrair a “a natureza do homem”, Hobbes prossegue seu discurso soberano. Com isso percebemos que Hobbes claramente defende o apoiando-se na palavra natural de Deus. Ele analisa expressões como “vida eterna”, “inferno”, ”salvação”, “mundo futuro”, ”redenção”
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    assim busca provara existência de uma Republica que extrapola a 2.3.1.3. O MÉTODO INDUTIVO DE INVESTIGAÇÃO “sociedade civil”. Ao mesmo tempo buscam delimitar o poder Para combater os erros provocados pelos ídolos, Francis eclesiástico, os representantes da palavra de Deus enunciando os Bacon propôs o método indutivo de investigação, baseado na Direitos do reino de Deus. “A palavra de Deus, transmitida pelos observação rigorosa dos fenômenos naturais, que cumpriria as profetas, é o principio mais importante da política cristã”. seguintes etapas: 33 34 • Há também os ídolos provenientes, de certa forma, do intercurso e da associação recíproca dos indivíduos do gênero • Observação da natureza para a coleta de informações; humano entre si, a que chamamos de ídolos do foro devido • Organização racional dos dados recolhidos empiricamente; ao comércio e consórcio entre os homens. Com efeito, os • Formulação de explicações gerais (hipóteses) destinadas à homens se associam graças ao discurso, e as palavras são compreensão do fenômeno estudado; cunhadas pelo vulgo. E as palavras, impostas de maneira • Comprovação da hipótese formulada mediante imprópria e inepta, bloqueiam espantosamente o intelecto. experimentações repetidas, em novas circunstâncias. Nem as definições, nem as explicações com que os homens Francis Bacon dizia que “aquele que começa uma investigação doutos se munem e se defendem, em certos domínios, repleto de certezas acabará terminando cheio de dúvidas. Mas restituem as coisas ao seu lugar. Ao contrário, as palavras aquele que começa com dúvidas poderá terminar com algumas forçam o intelecto e o perturbam por completo. E os homens certezas”. são, assim, arrastados a inúmeras e inúteis controvérsias e Assim, a grande contribuição de Francis Bacon para a história da fantasias. Ciência Moderna foi apresentar o conhecimento científico como • Há, por fim, ídolos que imigram para o espírito dos homens por resultado de um método de investigação capaz de conciliar a meio das diversas doutrinas filosóficas e também pelas regras observação dos fenômenos, a elaboração racional das hipóteses e a viciosas da demonstração. São os ídolos do teatro: por experimentação controlada para comprovar as conclusões. parecer que as filosofias adotadas ou inventadas são outras tantas fábulas, produzidas e representadas, que figuram 2.3.2. RENÉ DESCARTES (1596-1650) mundos fictícios e teatrais. Não nos referimos apenas às que ora existem ou às filosofias e seitas dos antigos. Inúmeras 2.3.2.1. O RACIONALISMO DE RENÉ DESCARTES: IDÉIAS CLARAS E DISTINTAS – A DÚVIDA fábulas do mesmo teor se pode reunir e compor, porque as METÓDICA E O COGITO causas dos erros mais diversos são quase sempre as mesmas. “Cogito ergo sum” - “Penso, logo existo” (Descartes). Ademais, não pensamos apenas nos sistemas filosóficos, na sua universalidade, mas também nos numerosos princípios e Descartes afirmava que, para conhecer a verdade, é preciso, axiomas das ciências que entraram em vigor, mercê da de início, colocar todos os nossos conhecimentos em dúvida. É tradição, da credulidade e da negligência. Contudo, falaremos necessário questionar tudo e analisar, criteriosamente, se existe algo de forma mais ampla e precisa de cada gênero de ídolo, para na realidade de que possamos ter plena certeza. que o intelecto humano esteja acautelado9. Fazendo uma aplicação metódica da dúvida, o filósofo foi considerando como incertas todas as percepções sensoriais, todas as noções adquiridas sobre os objetos materiais. E prosseguiu assim, colocando cada vez mais em dúvida a existência de tudo que 9 Bacon, 1988: p.31-33. constituiu a realidade e o próprio conteúdo dos pensamentos.
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    Finalmente estabeleceu quea única verdade totalmente livre quando as pessoas tomam consciência da dimensão do problema, a de dúvida era a seguinte: meus pensamentos existem. E em sociedade já está selecionada entre aqueles que se adaptaram aos seguida observou que a existência desses pensamentos se confundia avanços tecnológicos por bem ou por mal e aqueles que estão a com a essência de sua própria existência como ser pensante. Disso margem dessa mesma sociedade, excluídas por não saberem lidar decorreu a célebre conclusão de Descartes: “Cogito ergo sum” - com essas exigências tecnológicas modernas. “Penso, logo existo”. 79 78 É evidenciado, portanto, no texto ciência e poder, a questão da ciência e tecnologia como dois fatores imprescindíveis na organização da sociedade contemporânea. Mas essa mesma ciência está atrelada Esse poder pode ser adquirido pela força natural ou pela guerra e à relação de poder, a partir do momento que esse saber científico é pelo acordo entre os homens, esta dá origem ao Estado Político ou determinante na tomada de decisão, seja de ordem política ou ética. Estado por instituição. Hobbes passa à individualização dos poderes Entretanto, na decisão política, a linguagem comum pode designar de do soberano, o poder é uno e indivisível, “é a unidade do acordo ao interesse do poder. representante, e não a unidade do representado, que faz com que a Diante do exposto torna-se perceptível à funcionalidade da pessoa seja una”. sociedade que potencializa o poder da ciência, a partir do momento O poder soberano é indispensável para a garantia da paz que a racionalidade científica determina o que é científico e o que não social. Se os homens viviam em guerra justamente em razão da é científico. Como diz Rubem Alves no seu livro, o que é científico? inexistência de leis que importassem em limites ao seu direito, é Onde diz que só é real aquilo que é pescado com a rede da “confraria indispensável a criação de regras que estabeleçam limites ao direito do cientista” tudo que foge dessa rede não é ciência; portanto, não é natural década individuo. Estas regras somente podem ser criadas real; não foi produzido por um método. Contudo não se pode negar pelo Estado mediante ação do soberano. que o conhecimento trazido pela ciência serviu para reduzir A partir da criação do Estado a liberdade do individuo fica distancias, doenças, como também, para compreender melhor a adstrita ao que for permitido pelo soberano, assim dentre as “ações natureza. A ciência vista como instrumento para a descoberta da não previstas pelas leis os homens tem liberdade de fazer o que a “verdade”. razão década um sugerir como o mais favorável a seu interesse”. Os Mas não se pode atribuir à ciência as mazelas da sociedade indivíduos não seriam obrigados a pratica de qualquer tipo de ato que que são conseqüências não da ciência em si, mas do seu mau uso ou importasse na renuncia ao direito de defesa do próprio corpo, isso até mesmo da sua má empregabilidade. E na tentativa de validar a não quer dizer que seria possível ao individuo resistir à força do idéia de que na ciência tudo vale, vai tomar uma conotação perigosa Estado, pois agindo assim, o individuo estaria privando o Estado dos a partir do momento que passa a idéia de que é o homem que está a meios capazes de proteger a coletividade, pelo que esta ação seria serviço da ciência e não a ciência a serviço do homem. Como diz considerada injusta. Paulo Terra: tudo vale: é tentativa imperfeita de sintetizar a idéia de Existem três formas de governo ocorrentes no Estado: a que a adoção exclusiva de procedimentos metodológicos rígidos monarquia, aristocracia e democracia. A monarquia seria aquela em limita o progresso do pensamento e de que é imperativa promover a que uma única pessoa seria a titular do poder soberano, ou seja, diversidade teórica. Mas o que acontece de forma concreta é um aquela em que somente uma pessoa representasse a multidão que determinismo provocado pelo avanço da ciência de tal forma que aderiu ao pacto social. Para a aristocracia Hobbes entendia o governo
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    da coletividade exercidopor uma assembléia composta de parte do demonstrações, isto é, algumas razões certas e evidentes” (Discurso grupo social sendo chamada de oligarquia quando detestada por do Método, p. 39). aqueles que com ela estão insatisfeitos. Como se vê, Descartes atribuía grande valor à matemática Democracia ou governo popular definiu-a como a soberania como instrumento de compreensão da realidade, ele próprio foi nas mãos de uma assembléia de todos os que firmaram o pacto matemático, criou a geometria analítica. social. O autor afirma que esta seria a anarquia que em realidade é a ausência de governo daí não se podendo classificar a anarquia como uma espécie ou forma de governo. 35 36 2.3.2.3. RACIONALISMO: A CONFIANÇA EXCLUSIVA Para Descartes, esse “Penso, logo existo” seria uma verdade NA RAZÃO absolutamente firme, certa e segura, que, por isso mesmo, deveria O Racionalismo é a doutrina que atribui exclusiva confiança na ser adota como princípio básico de toda a sua filosofia. razão humana como instrumento capaz de conhecer a verdade. O termo pensamento utilizado por Descartes tem um sentido Como afirmou Descartes: “nunca nos devemos deixar persuadir bastante amplo, abrangendo tudo o que afirmamos, negamos, senão pela evidência de nossa razão”. Para os racionalistas os sentimos, imaginamos, cremos e sonhamos. Assim, o ser humano sentidos não são confiáveis porque podem nos fornecer ilusão da era, para ele, uma substância essencialmente pensante. O realidade como, por exemplo, o bastão que, mergulhado na água, pensamento (consciência) é algo mais certo que a própria matéria parece estar quebrado. Os racionalistas afirmam que os princípios corporal. Note-se que é a partir do “penso” que ele conclui “logo lógicos fundamentais seriam inatos, isto é, eles já estão na mente do existo”. homem desde o seu nascimento. Daí porque a razão deve ser 2.3.2.2. O RACIONALISMO: DOUTRINA QUE ATRIBUI considerada como fonte básica do conhecimento. EXCLUSIVA CONFIANÇA NA RAZÃO HUMANA COMO INSTRUMENTO CAPAZ DE 2.3.2.4. O MÉTODO CARTESIANO E HERANÇA DE CONHECER A VERDADE DESCARTES Descartes assumiu uma tendência a valorizar a atividade do Descartes, em sua obra Discurso do método, elabora regras de sujeito pensante em relação ao objeto pensado (Tendência pesquisa dos Fenômenos Naturais comumente designadas como idealista). Em outras palavras, uma tendência a ressaltar a MÉTODO ANALÍTICO ou MÉTODO RACIONAL. Destacaremos prevalência da consciência subjetiva sobre o ser objetivo, e a quatro regras básicas, consideradas por Descartes capazes de considerar a matéria como algo apenas conhecível, se é que o é, por conduzir o espírito na busca de verdade: dedução do que se sabe da mente. • Dúvida metódica ou Regra da Evidência: não aceitar nada Descartes foi, portanto, um racionalista convicto. como verdade enquanto não for conhecido como tal. Só aceitar Recomendava que desconfiássemos das percepções sensoriais, algo como verdadeiro desde que seja absolutamente evidente responsabilizando-as pelos freqüentes erros do conhecimento por sua clareza e distinção. Estas idéias claras e distintas, humano. Dizia que o verdadeiro conhecimento das coisas externas Descartes as encontra na sua própria atividade mental devia ser conseguido através do trabalho lógico da mente. Nesse independentemente das suas percepções sensoriais externas; sentido, considerava que, dentre todos os homens que buscaram a verdade na ciência, “só os matemáticos puderam encontrar algumas
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    Divisibilidade ou Regra da Análise: dividir cada dificuldade esta assembléia de homens, com a condição de que transfiras a ele em quantas partes for possíveis e necessárias para serem teu direito, autorizando de maneira semelhante todas as suas ações”. resolvidas; Através desse pacto estaria criado o Estado. • Ordenação ou Regra de Síntese: conduzir por ordem os Hobbes denomina esse Estado de Leviatã e o define como pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais “deus mortal, ao qual devemos, abaixo do Deus Imortal, nossa paz e fáceis de serem conhecidos para subir, gradativamente, ao defesa”. Sendo o objetivo do Estado o bem comum, manifestado conhecimento dos objetos mais complexos; através da garantia da paz e da defesa de todos os indivíduos, o • Enumeração ou Regra da Enumeração: realizar verificações poder se seu representante é absoluto, soberano. Neste ponto já se completas e gerais para se ter certeza (absoluta segurança) de manifesta clara a tendência do autor à defesa do absolutismo, já que que nenhum aspecto do problema foi omitido. o poder do estado é impassível de limitações ou contrariedades. 77 76 A construção do pacto social que deu origem ao Estado Civil, assim Em decorrência da guerra, sendo cada um governador por sua Hobbes passa a analisar o Estado. Ele apresenta uma argumentação própria razão, inexistiriam as noções de justo e injusto, de bem e mal de uma pessoa artificial como àquela entidade que representa outras e de propriedade, ”pertence a cada homem só aquilo que ele é capaz pessoas naturais ou artificiais e é esta a personificação do Estado. de conseguir, e apenas quando for capaz de conservá-lo”. A base da criação do Estado, para o autor, esta na E devido a situação vivida no estado de natureza, a vida do necessidade de se exercer um controle sobre a natureza humana, a homem seria “solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta” como dito qual, movida pelo desejo de poder incessante, inviabiliza a vida em anteriormente, seria “miserável a condição em que o homem estado de natureza, forçando o homem a procurar saídas, sendo a realmente se encontra”. institucionalização do Estado uma decisão racional a qual viabiliza a O autor faz a diferenciação entre o direito natural e a lei troca de uma liberdade ilimitada do estado de natureza, por uma natural. O direito natural seria a liberdade de praticar ou não liberdade controlada, com segurança existente no estado de determinada conduta, do que se deduz que o homem tem direito a sociedade. todas as coisas, já as leis seria aquela que obrigaria o individuo a O Estado surge, na visão de Hobbes, com uma restrição que praticá-la ou a se omitir. o homem impõe sobre si mesmo como forma de cessar o estado de Dentre as leis naturais, Hobbes identifica a primeira delas: a guerra de todos contra todos. de que “todo homem deve se esforçar pela paz”, deve “procurar a paz PARTE 2 – DO ESTADO e segui-la”, a partir dessa decorre outra lei: “que um homem Hobbes trata-se aqui, na segunda parte, sobre “as causas, concorde, conjuntamente com outros (...) renunciar a seu direito a geração e definição de um Estado”. Afirma que o fato de os homens todas as coisas, contentando-se, em relação aos outros homens, com quererem sair daquelas condições precárias em que viviam em a mesma liberdade que os outros homens permitem em relação a si conseqüência do estado da natureza, fugindo da guerra em busca da mesmo”. paz, sendo a primeira lei natural, é o que daria origem ao Estado. Para a teoria hobbesiana, o individuo abre mão de todos os Seria necessário um poder comum capaz de “defender a comunidade seus direitos em favor da busca da paz, e não somente de alguns. (...) garantindo-lhes assim uma segurança suficiente”. Isso não quer dizer que o individuo será obrigado a fazer tudo àquilo O pacto firmado entre um homem e todos os outros homens que o poder soberano lhe ordenar. O homem não esta obrigado a seria expresso da seguinte forma, de acordo com o autor: “cedo e praticar atos que impliquem em renuncia ou transferência de evitar a transfiro meu direito de governar a mim mesmo a este homem, ou a morte, nem tampouco de se acusar sem garantia de perdão.
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    O acordo firmadoentre os indivíduos seria de acordo com Para o empirismo todas as nossas idéias são provenientes de Hobbes, um pacto: a existência de um poder comum superior que, nossas percepções sensoriais (visão, audição, tato, paladar, olfato). através do medo infligido em razão de um poder coercitivo, imponha a Em outras palavras, ditas por Locke: “nada vem à mente sem ter todos o seu cumprimento. A existência desse poder seria impossível passado pelos sentidos”. Para o filósofo quando nascemos nossa no estado da natureza, eis que nele “todos são iguais e juizes de seus mente é como um papel em branco, completamente desprovida de próprios temores”. No Estado Civil ela seria possível, pois com o idéias. De onde provém, então, o vasto conhecimento de idéias que poder coercitivo os indivíduos deixariam deter medo de que os outros existe na mente humana? Da experiência, que resulta da observação indivíduos descumprissem suas obrigações, inexistindo nulidade do dos dados sensoriais. pacto. 37 38 Com seu método da dúvida crítica (dúvida cartesiana), John Locke combateu duramente a doutrina que afirmava que Descartes abalou profundamente o edifício do conhecimento o homem possui idéias inatas. Ao contrário de Descartes, defendeu estabelecido. Sua tentativa, porém, de reconstruir esse edifício não foi que nossa mente, no instante do nascimento, é como uma tabula talvez uma obra tão fecunda quanto o efeito demolidor que provocou. rasa, um papel em branco, sem nenhuma idéia previamente escrita. Por isso, podemos dizer que Descartes celebrizou-se não Retoma, assim, a tese empirista, segundo a qual nada existe mente propriamente pelas questões que resolveu, mas, sobretudo, pelos que não tenha sua origem nos sentidos. O filósofo defende que as problemas que formulou. Problemas que foram herdados pelos idéias que possuímos (isto é, todo o conteúdo do processo do filósofos posteriores. conhecimento) são adquiridas ao longo da vida mediante o exercício da experiência sensorial e da reflexão. 2.3.3. JOHN LOCKE (1632-1704) • Experiência sensorial – nossas primeiras idéias, as 2.3.3.1. EMPIRISMO: A VALORIZAÇÃO DOS sensações, nos vêm à mente através dos sentidos, isto é, SENTIDOS COMO FONTE PRIMORDIAL DO quando temos uma experiência sensorial. Essas idéias seriam CONHECIMENTO moldadas pelas qualidades próprias dos objetos externos. Por “Quem não quiser se equivocar deve construir sua hipótese, derivada da sensação Locke entende, por exemplo, as idéias de amarelo, experiência sensível sobre um fato, e não supor um fato devido a essa branco, quente, frio, mole, duro, amargo, doce, etc. hipótese” (LOCKE). • Reflexão – depois, combinando e associando as sensações O empirismo, que foi em suas origens apenas um método de por um processo de reflexão, a mente desenvolve outra série investigação científica, acabou por se transformar, com o tempo, em de idéias que, segundo Locke, não poderia ser obtida das uma corrente filosófica de suma importância para o pensamento e a coisas externas. Seriam idéias como “a percepção, o ciência posteriores. Seu primeiro representante foi o inglês Francis pensamento, o duvidar, o crer, o raciocinar” (1978: 160). Bacon, que propôs tal método em seu Novum organum (1620), cujo Assim, a reflexão seria nosso “sentido interno”, que se título era um claro convite à renovação do organum, ou seja, a desenvolve quando a mente se debruça sobre si mesma, analisando metodologia lógica de Aristóteles. Bacon postulava como elementos suas próprias operações. Das idéias simples, a mente avança em fundamentais da investigação científica (cfr. p. 30) a observação, a direção às idéias cada vez mais complexas. Porém, para Locke, de experimentação e a indução. qualquer maneira a mente sempre tem “as coisas materiais externas,
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    como objeto dasensação, e as operações de nossas próprias inexistia, à época, um poder capaz de manter o respeito de um para mentes, como objeto de reflexão” (Ibid). com o outro. Sem tal respeito, cada um procurava a satisfação de seu Locke admitia que nem todo conhecimento limita-se, próprio bem, sofrendo os riscos que esta mesma conduta praticada exclusivamente, à experiência sensível. Considera, por exemplo, o pelo seu próximo poderia causar-lhe. conhecimento matemático válido em termos lógicos, embora não As três principais causas para a existência da discórdia entre tivesse como base a experiência sensível. Nesse sentido, Locke não os homens seria a competição, quando o ataque de um individuo era um empirista radical. sobre o outro buscava o lucro, a desconfiança, cujo bem almejado seria a segurança e a gloria, quando o homem buscaria a reputação. Em razão deste estado de discórdia não haveria paz entre os homens, que estariam em constante estado de guerra. 75 74 “As paixões que provocam de maneira mais decisiva as diferenças de Podemos perceber também que, foram os próprios homens que talento são, principalmente, o maior ou menor desejo de poder, de almejaram uma ordem pela garantia da paz, assim, um Estado que riqueza, de saber e de honra. Todas as quais podem ser reduzidas à garantisse a paz e segurança dos indivíduos. primeira, que é o desejo de poder. Porque a riqueza, o saber e a Hobbes analisa que é preciso que o homem leia-se a si honra não são mais do que diferentes formas de poder”. mesmo, já que as paixões soam comuns a todos os homens Este conceito de maior poder ou de poder superior, é submetidos às mesmas circunstâncias. São os sentimentos e importante em razão de que é poder, criado através do contato entre emoções, que movem o homem a praticar todos os atos que lhe são os indivíduos, que será capaz de garantir ao individuo tudo aquilo que possíveis e a sentir todas as emoções ás quais estão sujeitos. ele anseia que é a paz e a segurança. O autor manifesta-se contrario à teoria das escolas segundo Hobbes trata da religião, matéria afeta a todo e qualquer a qual um corpo tenderia ao movimento pela ausência de vontade de individuo, ele demonstra que a religião deriva da ordem divina e do ficar onde estava a para quedar em local que para ele fosse mais homem também. Neste aspecto os fundadores e legisladores dos adequado. Hobbes manifesta sua contrariedade aos escolásticos a às Estados utilizam a religião como forma de manipulação, a fim de escolas que formavam o pensamento e as opiniões da época, ele, conquistarem a paz e a obediência civis, “tão fácil os homens serem contrario ao entendimento aristotélico, defende que um corpo tende a levados a acreditar em qualquer coisa por aqueles que gozam de permanecer imóvel ou em movimento ate que uma força atue sobre credito junto deles, que podem com cuidado e destreza tirar partido ele. de seu medo e ignorância”. Os oito primeiros capítulos de sua obra, o autor conceituou o A religiosidade é algo natural do homem, sendo impossível grande número de paixões humanas e passa, após, a analisar o deixar de existir religião na humanidade, pois a religião assume papel poder, principal proposição sobre a natureza humana, definindo-os importante para que a união do Estado esteja presente, pois evita a como “os meios de que presentemente dispõe para obter qualquer guerra civil, que seria a morte do Leviatã, ou seja, a morte do Estado. visível bem futuro” e o divide em original, que são os meios inatos e A partir do capitulo 14, Hobbes explica a condição que se instrumental que são os meios adquiridos. encontrava a humanidade antes da existência de qualquer Estado. Da compreensão do homem como um ser que deseja o Ele afirma que o homem vivia em um estado de natureza, sendo que poder, como uma forma incessante de sobrevivência, Hobbes infere a neste momento as relações humanas eram embasadas na discórdia, essência do Estado como uma entidade composta pela soma dos
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    vários poderes individuaisdos homens em sociedade. É nesse fautor de educação física, mas como o meio para o domínio de si momento que se da a passagem do estado de natureza para o estado mesmo. de sociedade, quando o individual é sobre determinado pelo coletivo. 2.4. O MÉTODO EXPERIMENTAL Dentre esses meios, o maior dos poderes humanos é “aquele que é composto pelos poderes de vários homens, unidos por consentimento 2.4.1. ELEMENTOS INTRODUTÓRIOS numa só pessoa, natural ou civil, que tem uso de todos os seus 2.4.1.1. O QUE É MÉTODO poderes na dependência de sua vontade. É o caso do poder de um A palavra método é de origem grega e significa o conjunto de Estado”. etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação da verdade. 39 40 2.3.3.2. AS IDÉIAS PEDAGÓGICAS DE JOHN LOCKE 2.4.1.2. IMPORTÂNCIA DO MÉTODO Com respeito à religião, Locke toma uma atitude racionalista moderada. Admite uma religião natural, exigível também O Método pode validar ou invalidar um resultado; confere politicamente, porquanto fundamentada na razão. E professa a segurança; é fator de economia no estudo ou na pesquisa; é um tolerância a respeito das religiões particulares, históricas, positivas. extraordinário instrumento de trabalho. Locke interessou-se especialmente pelos problemas A importância do método não exime o pesquisador do seu pedagógicos, escrevendo os Pensamentos sobre a Educação. Aí talento e da ética científica: questionamento sobre a quem serve os afirma a nossa passividade, pois nascemos todos ignorantes e resultados da pesquisa, reflexão sobre neutralidade e objetividade da recebemos tudo da experiência; mas, ao mesmo tempo, afirma a ciência. nossa parte ativa, enquanto o intelecto constrói a experiência, 2.4.1.3. BENEFÍCIOS DO MÉTODO elaborando as idéias simples. Afirma-se que todos nascemos iguais, dotados de razão; mas, Execução de atividade de forma mais segura, mais econômica ao mesmo tempo, todos temos temperamentos diferentes, que devem e mais perfeita. Existem métodos peculiares a cada objetivo: método ser desenvolvidos de conformidade com o temperamento de cada um. de ensinar piano, método para ler, para escrever, para resumir, para Esta educação individual não exclui, mas implica a educação, a estudar e aprender de fato, de ensinar línguas estrangeiras, etc. formação social, para ampliar, enriquecer a própria personalidade. 2.4.1.4. DIFERENÇA ENTRE MÉTODO E TÉCNICA Tem muita importância a obra do educador, mas é fundamental a MÉTODO: significa o traçado das etapas fundamentais da colaboração do discípulo, pois se trata da formação do intelecto, da pesquisa. razão, que é, necessariamente, autônoma. A formação educacional TÉCNICA: significa os diversos procedimentos ou a utilização consiste, portanto, fundamentalmente, no desenvolvimento do de diversos recursos peculiares a cada objeto de pesquisa, dentro intelecto mediante a moral, precisamente pelo fato de que se trata de das diversas etapas do método; formar seres conscientes, livres, senhores de si mesmos. Por A técnica é a instrumentação específica da ação, é mais conseguinte, a educação deve ser formativa, desenvolvendo o instável, obedece ao progresso tecnológico; intelecto, e não informativa, erudita, mnemônica. Igualmente Locke é
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    O método émais geral, mais amplo, menos específico, mais confiar no próximo e na busca pela gloria, derruba-se os outros pelas estável. costas, já que para Hobbes, os homens são iguais nas capacidades e 2.4.2. DESENVOLVIMENTO DO MÉTODO na expectativa de êxito, nenhuma pessoa ou grupo pode, com segurança reter o poder. Assim, o conflito acontece sempre e “cada 2.4.2.1. GALILEU GALILEI (1564-1642) catedrático de homem é inimigo de outro homem”. matemática da Universidade de Pisa Enquanto que cada um se concentra na autodefesa e na Método Experimental: emprega-se nos estudos situados na conquista, o trabalho produtivo é impossível, pois não existe faixa intermediária entre as ciências formais e as ciências da tranqüilidade para a busca do conhecimento, motivação para construir natureza. ou explorar, não há lugar para as artes, não existe lugar para a Ciências físico-químicas: fenômenos da natureza, passíveis de sociedade só “medo continuo e perigo de morte violenta”. Assim a serem matematizados. Exemplo: extensão, massa, movimento, vida do homem será “solidária, pobre, sórdida, brutal e curta”. partícula, elemento, carga elétrica, campo de força, etc. 73 72 A obra de Hobbes é, antes demais nada, uma resposta para o O Leviatã surgiu do acordo de vontades entre os homens. Em caos político e social vivido pela sua geração, ou, como querem sua perspectiva, a melhor forma de governo era a monarquia, sem a alguns historiadores e cientistas políticos, uma reflexão crítica sobre a presença de um Parlamento, pois esta iria dividir o poder e seria um turbulência política vivida pelo Estado na primeira metade do século estorvo ao Leviatã e levaria a sociedade ao caos. XVII D. C. PARTE 1 – DO HOMEM A sua obra mais importante do ponto de vista da Teoria Política Hobbes analisa a sociedade, no qual seus componentes e do Direito é o Leviatã, -que é um monstro bíblico, cruel e invencível, básicos é o homem e as suas sensações. Ele define as varias que simboliza para Hobbes o poder do estado absoluto, destacando o paixões e sentimentos de maneira impessoal e com base em símbolo de dois poderes, o civil e o religioso- destacando-se a princípios científicos. Hobbes tenta desvendar o individuo social, na segunda parte, onde detalha a sua visão de Estado. Em sua certeza de que o objetivo era pensar o Estado, que só poderia introdução, Hobbes compara o Estado a um ser humano artificial, do acontecer após a compreensão do ser humano e suas relações qual nos, humanos naturais o criamos para proteção e defesa. Ele sociais, o que os move na vida, quais seus desejos, paixões e quais fala: ‘E a arte vai mais longe ainda, imitando aquela criatura racional, os recursos que estes utilizam para realizá-los. Os sonhos, a a mais excelente obra da natureza, o Homem. Porque pela arte é imaginação, a cadeia de imaginação são fenômenos da estrutura criado aquele grande Leviatã a que se chama Estado, ou Cidade (em psíquica do ser humano. latim Civitas), que não é senão um homem artificial, embora de maior Hobbes descreve o homem em seu Estado Natural, como estatura e força do que o homem natural, para cuja proteção e defesa egoísta, egocêntrico e inseguro. Ele não conhece leis e não tem foi projetado. E no qual a soberania é uma alma artificial, pois dá vida conceito de justiça, ele somente segue suas paixões e desejos e movimento ao corpo inteiro; os magistrados e outros funcionários misturados com sugestões de sua razão natural. Onde não existe lei judiciais ou executivos, juntas artificiais; a recompensa e o castigo ou governo, os homens naturalmente caem na discórdia. Desde que (pêlos quais, ligados ao trono da soberania, todas as juntas e os recursos são limitados, ali haverá competição, que leva ao medo,à membros são levados a cumprir seu dever) são os nervos, que fazem inveja e a disputa. Com a desconfiança, perde-se a segurança de o mesmo no corpo natural; a riqueza e prosperidade de todos os
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    membros individuais sãoa força; Salus Populi (a segurança do povo) 2.4.2.2. FRANCIS BACON filósofo inglês (1561-1626) é seu objetivo; os conselheiros, através dos quais todas as coisas que a) MÉTODO INDUTIVO necessita saber lhe são sugeridas, são a memória; a justiça e as leis, - O método empírico (baseado na observação sensorial), é uma razão e uma vontade artificiais; a concórdia é a saúde; a sedição empregado em parte das ciências da natureza e as ciências da é a doença; e a guerra civil é a morte. cultura ou sociais; SÍNTESE DO LIVRO LEVIATÃ - principal procedimento: observação. A indução consiste em Thomas Hobbes escreveu seu livro, Leviatã ou matéria, forma enumerar os enunciados sobre os fenômenos através da observação, e poder de um Estado eclesiástico ou civil,em 1651, num período de procurando-se encontrar algo que está sempre presente na intensa agitação política. Hobbes analisou a essência e a natureza do ocorrência do fenômeno. Estado Civil, ao qual, em razão se poderio e de sua força, comparou ao monstro bíblico, tanto que o denominou de “grande Leviatã”. Para 2.4.2.3. RENÉ DESCARTES pensador e filósofo Hobbes, o Leviatã nada mais é senão um homem artificial, de maior francês (1596 – 1650) – Discurso do Método estatura e força do que o homem natural, para cuja proteção e defesa - Racionalista: expõe a idéia fundamental de que é possível foi projetado. chegar-se à certeza por intermédio da razão; 41 42 Em 1609 – desenvolveu o telescópio. Fez uso científico desse aparelho, transformando-o em um instrumento para observação - O método racional (descartiano) é empregado nas ciências cuidadosa do céu: passou a existir então, a possibilidade de observar, formais e parte das ciências da natureza; de forma mais clara e precisa, os astros já visíveis a olho nu e de - Método dedutivo: técnica que se fundamenta em esclarecer passar a ver outros astros e fenômenos até então ocultos à visão e ao as idéias através de cadeias de raciocínio; estudo do homem; - O pensamento é dedutivo: quando, a partir de enunciados - Questiona o sistema geocêntrico, pelo qual a terra era o mais gerais dispostos ordenadamente como premissas de um centro fixo do universo (Ptolomeu e Aristóteles). Tal sistema assumido raciocínio, chega a uma conclusão particular ou menos geral. durante a Idade Média, revestia-se de interpretações religiosas, era, Exemplo: Todo homem é mortal (geral) portanto, a doutrina oficial da Igreja, defendida ciosamente com o Pedro é homem auxílio da Inquisição; Pedro é mortal (conclusão particular) - Isso implicava o abandono definitivo da idéia de um universo Função básica do pensamento dedutivo: explicitar ao longo da estruturado e hierarquicamente ordenado; demonstração aquilo que implicitamente já se encontra no - “Mas, meus senhores, afinal, se o homem decifra mal o antecedente. movimento das estrelas, pode errar também, quando decifra a bíblia”. - Método hipotético dedutivo: sua maior característica é a - Também afirmava que não se pode conhecer a essência das construção de teorias e leis; coisas e que a ciência só se preocupa com as propriedades das - Considerado lógico por excelência. coisas e com fatos observáveis, explicita o método experimental. - Historicamente relacionado com a experimentação. - Descobre o sistema heliocêntrico, o qual contesta a idéia de - Fundamenta-se na observação. que a terra é o centro do universo. - Bastante usado no campo das ciências naturais. - Galileu é considerado o cientista que inaugura a ciência - Confunde-se com o método indutivo. moderna (1624 e 1639) com a obra Diálogo. - Diferença: não se limita à generalização empírica das observações realizadas.
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    - Pode-se chegaratravés das observações à construção de Hobbes é defensor do absolutismo, e sua justificativa para teorias e leis. essa forma de governo é estritamente racional, livre de qualquer tipo - Método dialético: não envolve apenas questões ideológicas, de religiosidade e sentimentalismo. Ele criou uma teoria que investiga-se a realidade pelo estudo de sua ação recíproca. fundamenta a necessidade de um Estado Soberano como forma de - Princípios: manter a paz civil. É aqui que Hobbes se aproxima de Maquiavel e do a) Princípio da unidade e luta dos contrários: (contradição seu empirismo radical, a partir de um método de pensar dos fenômenos, unidos organicamente, constituem a indissolúvel rigorosamente dedutivo. Em sua construção hipotética partiu do unidade dos opostos); contrário, ou seja, iniciou sua teoria a partir dos homens convivendo b) Princípio da transformação das mudanças quantitativas sem Estado, para depois justificar a necessidade dele. Esse estágio em qualitativas: (quantidade e qualidade estão presentes em todos do convívio humano sem autoridade recebe o nome de estado os fenômenos e estão inter-relacionados). natural. Hobbes alega que o ser humano é egoísta por natureza, e Obs.: no processo de desenvolvimento, as mudanças com essa natureza tenderiam a guerrear entre si, todos contra todos. quantitativas graduais geram mudanças qualitativas; Havendo assim a necessidade de um contrato social que estabeleça a paz, construindo assim uma teoria contratualista de Estado. Os seres humanos, egoísta como são necessitam de um soberano que 71 puna aqueles que desobedecerem ao contrato social. 70 Além disso, o Estado surge de um contrato, o que revela o caráter mercantil, comercial, das relações sociais burguesas. O Durante a Idade Média a Igreja Católica Apostólica Romana era a contrato surge a partir de uma visão individualista do homem, pois de instituição mais forte, ela detinha a maior quantidade de terras da acordo com essa concepção, o individuo preexiste ao Estado (se não Europa, monopolizava a educação e a cultura. Apesar de sua função cronologicamente, pelo menos logicamente), e o pacto visa garantir social, como cuidar dos pobres, doentes e órfãos, grande parte dos os interesses dos indivíduos, sua conservação e sua propriedade. Se membros do clero tinham amantes, filhos, vendiam relíquias no estado de natureza “não há propriedade, nem domínio, nem falsificadas e trocavam o perdão por pagamento em dinheiro. distinção entre o meu e o teu”, no Estado de soberania perfeita a As principais causas da Reforma Protestante era: liberdade dos súditos está naquelas coisas que o soberano permitiu, desenvolvimento do comercio e da burguesia, formação dos Estados “como a liberdade de comprar e vender, ou de outro modo realizar Nacionais Absolutistas, Renascimento e crise na Igreja Católica. contratos mútuos; de cada um escolher sua resistência, sua Cada pais reagiu de forma diferente à Reforma, conforme a situação alimentação, sua profissão, e instruir seus filhos conforme achar social, econômica e política. Os principais líderes do movimento melhor, e coisas semelhantes”. Portanto, o Estado se reduz à garantia foram Martinho Lutero, João Calvino e Henrique VIII na Inglaterra. do conjunto dos interesses particulares. Hobbes foi influenciado por Descartes, Francis Bacon, Galileu A importância de Hobbes para o estudo da formação e Galilei, Tácito e Aristóteles. Sendo influenciador de John Locke, manutenção do Estado nacional absoluto é indiscutível. Tendo Spinoza, Montesquieu, Rousseau, Durkheim e Nietzsche. apenas quatro obras traduzidas para o português: Leviatã, Do Durante a segunda fase do desenvolvimento do capitalismo Cidadão, Da Natureza Humana e Behemoth (ou o Longo Parlamento). comercial a burguesia repudia o intervencionismo estatal, uma vez Sendo Leviatã a obra mais importante. que essa classe ascendente agora aspira à economia livre. a) PENSAMENTO POLITICO DE THOMAS HOBBES Para Hobbes o Estado pode ser monárquico, quando constituído por apenas um governante, como pode ser formado por alguns ou muitos, por exemplo, por uma assembléia. O importante é
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    que, uma vezinstituído, o Estado não pode ser contestado: é Historicamente falando, o Humanismo é uma expressão absoluto. cultural que, refletindo os pensadores da cultura clássica, grega e Além disso, Hobbes parte da constatação de que as disputas romana, por um lado induz a imitação das formas literárias e artísticas entre rei e parlamento inglês teriam levado à guerra civil, o que o faz destes e, de outro propõe a descoberta e assimilação dos teores e concluir que o poder do soberano deve ser indivisível. valores humanos transmitidos por estes padrões. Filosoficamente Embora Hobbes defenda o Estado absoluto, e sob esse pensando, o humanismo menciona o homem como o centro das aspecto esteja distante dos interesses da burguesia que aspira ao explicações de todos os seres. poder e luta contra o absolutismo dos reis, é possível descobrir no No Humanismo, portanto, não se observava mais aquela pensamento hobbesiano alguns elementos que denotam os adoração e respeito referentes a alguns grandes, mas uma autêntica interesses burgueses. reverência pelos Antigos. Os gregos pela sua orientação de beleza, A doutrina do direito natural do homem é uma arma apropriada harmonia, graça, força, ascensão de pensamento; os romanos pela para ser utilizada contra os direitos tradicionais da classe dominante, sua coragem, virtude, disciplina, lealdade. Esses se transformaram ou seja, a nobreza. Da mesma forma, a defesa da representatividade em mestres, sábios, padrões, símbolos da verdade. Entretanto, isto baseada no consenso significa a aspiração de que o poder não seja não evitou que, ao menos os grandes autores, fossem dotados de privilegiado de classe. personalidade e criatividade. Os Antigos eram fontes de inspiração, não de reprodução. 43 44 Mas todo esse ânimo respectivo à Antiguidade, a capacidade c) Princípio da negação da negação: desenvolvimento se criadora, não aconteceram por acaso. São movimentos incentivados processa em aspiral, isto é, suas fases repetem-se, mas em nível por uma força essencial que os excita e dinamiza: a intensa atração e superior; interesse pelo homem. Ao passo que, na Antiguidade, os homens Obs.: o método dialético é contrário a todo conhecimento veneravam e dedicavam sua atenção a Deus, no Renascimento, rígido, tudo é visto em constante mudança, pois sempre há algo que estes, sem negá-lo, se dão contam de que têm um espaço neste nasce e se desenvolve e algo que se agrega e se transforma. universo, uma personalidade sua, um pensamento e faculdade seus. - Há um consenso de maior rigor e exatidão nas ciências Como se, repentinamente, descobrissem que possuíam mais poder experimentais que nas ciências humanas; do que tinham em consciência. - As ciências experimentais: estudam os fenômenos físicos, E do homem, espontaneamente, a primeira coisa que causa regidos por determinismo da natureza, por leis fatais passíveis de impressão material e moral é o seu corpo. A forma humana previsão e que podem até ser provocados para serem observados; transformou-se no objeto preferido da arte. - Nas ciências humanas: há maior ou menor liberdade Essa atração pelo homem motivou a obra de retratos. Estes humana, leis mais flexíveis, tratam de fatos humanos, qualitativos, por eram tão realistas e expressivos que pareciam falar. No entanto, a isso não admitem avaliação exclusivamente quantitativa. veneração pelo homem não se restringiu apenas à adoração, mas também proporcionou a formação, aparecendo assim ilustres 2.5. CIÊNCIAS HUMANAS: TENDÊNCIA NATURALISTA E educadores, como Vittorino de Feltre e Guarino Verona, e livros sobre TENDÊNCIA HUMANISTA a conduta humana, como o Cortesão de Baldassare Castiglione. É pela declaração de novas exigências humanas que surge a Os homens da Renascença, muito mais do que os de qualquer intolerância à cultura medieval, assim, o humanismo marca o época, descobriram que o homem não é um tolo espectador da nascimento da Idade Moderna. natureza, mas um ser que tem a capacidade de transformar,
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    aperfeiçoar, recriar. Acompostura e o valor do homem se tornaram o Opondo-se ao modo de vida e pensamento da Idade Média, estímulo da especulação filosófica e da literatura humanista. Todos cuja a população concentravam-se nos feudos, submissão aos enalteciam o homem como a natureza que estabelece a ligação entre senhores feudais e papa ( Igreja Católica Apostólica Romana) – o mundo da matéria e o do espírito. Como uma síntese do universo – teocentrismo – surgiu na Itália algumas cidades-Estados governadas microcosmo. E, além disso, o homem faz parte do divino e só nele por famílias de poderosos comerciantes, que mais tarde converteram atinge a plenitude da perfeição e felicidade. Como dizia Santo Tomás aos Estados italianos da época moderna. Desenvolveu-se o que “o homem é o horizonte do universo, microcosmo e imagem de movimento cultural renascentista, que por sua vez, contribuiu para o Deus”. desenvolvimento de técnicas de navegação. Emerge o Humanismo A feição criativa do homem estimulou os humanistas que nos grandes centos centros econômicos europeus, quebrando os passaram a modificar intensamente a estimativa do engajamento da tradicionais valores difundidos pela Igreja Católica. terra e das atividades temporais. Deste modo, segundo Pico della Manifestações culturais, como a pintura e a literatura, por Mirandola, a particularidade do decoro do homem sintetiza-se na idéia exemplo, passaram a refletir a preocupação com o homem, com os de que enquanto todos os outros seres têm a natureza definida, que aspectos concretos da vida humana, do mundo que o cercava, especifica, condiciona e restringe a sua atividade, o ser humano é a levando artistas e intelectuais a aprofundar seus conhecimentos. única criatura que é livre da natureza determinante. O homem é quem Retomavam-se e aprimoravam-se os valores culturais da Antiguidade designa a sua natureza. Ele é o agente, projeto de si mesmo. clássica, grega e romana. 69 68 Assim, percebemos que durante a Idade Moderna os principais acontecimentos foram a Expansão Marítimo-Comercial, o 1541 - João Calvino consolida seu poder em Genebra. Renascimento e a Reforma Protestante. 1542 - O papa autoriza a reorganização dos tribunais da Inquisição. Com base na atividade comercial, a busca pelo lucro envolvia, 1545 - Início do Concílio de Trento. A Igreja Católica reage ao avanço cada vez mais, não apenas a burguesia em formação, como também do protestantismo. Os conquistadores espanhóis descobrem minas os novos Estados nacionais. A aliança entre a burguesia e os novos de prata em Potosí (Bolívia). Estados nacionais visava a valorização do comércio, centralização do 1580 - Portugal e seus domínios são anexados à Espanha. A poder e enfraquecimento da nobreza feudal. Os burgueses forneciam chamada União Ibérica estende-se até 1640. capitais necessários para a formação e armamento de um exército 1584 - Fundação da Virgínia, na América do Norte, pelos colonos nacional e centralização do poder nas mãos de um rei absoluto, ingleses. enquanto o rei promovia o desenvolvimento do comércio, atendendo 1588 - A esquadra inglesa vence a Invencível Armada espanhola. aos interesses da burguesia. Consolida-se a supremacia naval britânica. Nascimento de Thomas A expansão marítimo-comercial, no século XV, integrou-se a Hobbes em Malmesbury, Inglaterra. esse processo, contando também com a crescente estruturação do 1618 - Inicio da Guerra dos Trinta Anos na França. absolutismo monárquico – a total centralização de poderes nas mãos 1621 - Fundação da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. dos monarcas, apoiados pela burguesia mercantil – e também do 1649 - Na Inglaterra, Cromwel, comandando Revolta Puritana, mercantilismo (metalismo, balança comercial favorável, protecionismo destrona e executa o rei Carlos I. e o exclusivismo comercial) – política econômica dos Estados 1651 - O inglês Oliver Cromwell promulga o Ato de Navegação. O nacionais europeus em busca do enriquecimento e fortalecimento. Os objetivo é desenvolver a marinha inglesa. Cromwell exerce o poder na dois países que mais se destacaram foram Espanha e Portugal. Inglaterra de 1649 a 1658.
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    1661 - NaFrança, tem início o reinado de Luís XIV, o Rei Sol, que se efeito) interpretado estende até 1715. Quanto ao modo de inteligibilidade 1679 - Morte de Thomas Hobbes em Hardwick Hall, Inglaterra. 1689 - Revolução Gloriosa, na Inglaterra. Guilherme de Orange • Explicação legal (por leis) e • “Compreensão” por tipo quantitativa (matematizável) quantitativo ou modelos ideais assina Declaração de Direitos. 1715 - Na França, início do reinado de Luís XV que se estende até • Aceitação só do que pode ser • Aceitação de pressupostos não verificado experimentalmente verificáveis experimentalmente 1774. (por exemplo, a hipótese do 1748 - O jurista Montesquieu escreve o Espírito das Leis defendendo • Limitação dos métodos das ciências da natureza inconsciente). a separação funcional dos poderes do Estado em legislativo, • Procura do método próprio das executivo e judiciário (Iluminismo). ciências do homem 1762 - O filósofo suíço Rousseau escreve O Contrato Social Quanto à terapia (Iluminismo). 1769 - James Watt aperfeiçoa a máquina a vapor. Desenvolve-se na • Técnicas retlexológicas que • O sintoma é um “símbolo” (é Inglaterra a Revolução Industrial. alteram os sintomas preciso procurar o que ele significa) 1776 - Elaboração da declaração de Independência dos Estados Unidos. 1787 - Proclamação da Constituição dos Estados Unidos. 45 46 Tendência Naturalista Tendência Humanista Durante a primeira metade do século XVIII, o racionalismo enciclopedista concentrou a maioria dos seus ataques contra a Igreja. Quanto à maneira de perceber o fato psíquico A partir da segunda metade do mesmo século, a crítica foi dirigida, • Uma coisa (realidade objetiva) • Uma consciência (doadora de sobretudo, contra a organização social e política então dominante. O • Fatos descritos em sua sentido) objetivo que passou a empolgar os espíritos não foi apenas o de aparência sensório-motora • Valorização do vivido, dos demolir a ordem de coisas reinante, mas também o de construir uma • Ênfase na natureza orgânica dos conteúdos anímicos e espirituais. sociedade ideal. O meio utilizado não foi mais a razão. A tirania do fenômenos psíquicos • O homem é um ser-no-mundo racionalismo tinha sido superior à tirania da autoridade. Generalizava-se a crença de que não se podia confiar na Quanto à natureza da percepção fidelidade dos sentidos, nem na infalibilidade da razão. E começou a considerar os sentimentos como as verdadeiras expressões da • Associacionismo • Noção de estrutura (percepção do todo) natureza humana, superiores aos cálculos frios e egoístas da razão e, • Atomismo (sensação, percepção, • Totalidade (não é a soma dos portanto, normas muito mais seguras para a orientação do idéia) elementos) pensamento e da conduta. O movimento cultural da segunda metade do século XVIII, Quanto à explicação do comportamento baseado na concepção da bondade natural do homem, revestiu-se • Mecanismo (o comportamento se • Todo comportamento existe num dum impulso de simpatia pelas massas populares, enquanto que o explica pela relação causa e contexto que deve ser anterior resultara na formação de uma aristocracia intelectual.
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    Voltaire, racionalista, céptico,sarcástico, aristocrata, amante do 1492 - Navegando a serviço da Espanha, o genovês Cristóvão refinamento e do artificialismo foi o líder do primeiro movimento. Colombo descobre a América. Início da conquista européia do Rousseau, sentimental, romântico, otimista, democrata, apologista da continente americano. vida em plena natureza, foi o líder do segundo movimento. Mas 1494 - Tratado de Tordesilhas. Espanha e Portugal dividem o Novo ambos combatiam a ordem social, a disciplina moral e o respeito à Mundo (América Latina) entre si. Tradição, à Autoridade e à Igreja. 1498 - O navegador português Vasco da Gama atinge a Índia. É possível explicar, em termos claros, o que é exatamente a 1500 - Cabral toma posse do Brasil. Início do período pré-colonial filosofia Humanista moderna. É fácil resumir as idéias básicas brasileiro que vai até 1530. sustentadas em comum tanto pelos humanistas seculares como pelos 1513 - O florentino Maquiavel escreve O Príncipe. O navegador humanistas religiosos. espanhol Balboa atinge o Oceano Pacífico. Essas idéias são as seguintes: 1517 - O bispo Lutero revolta-se contra a venda de indulgências. 1. O Humanismo é uma daquelas filosofias para pessoas que Início da Reforma Protestante. pensam por si mesmas. Não existe área do pensamento que um 1519 - O espanhol Cortés inicia a conquista do México. O navegador humanista tenha receio de desafiar e explorar. português Fernão de Magalhães inicia a primeira viagem de 2. O Humanismo é uma filosofia que se concentra nos meios circunavegação pelo mundo. humanos de compreender a realidade. Os humanistas não afirmam 1520 - Lutero é excomungado pelo papa Leão X. possuir ou ter acesso a um suposto conhecimento transcendental. 1534 - O parlamento inglês confirma a independência da Igreja anglicana. 67 1540 - O papa aprova a criação da Ordem dos Jesuítas. A Igreja Católica luta contra os protestantes. 3.4.2.2.ABSOLUTISMO E CENTRALIZAÇÃO 66 EM THOMAS HOBBES b) CONTEXTO HISTÓRICO • Era visto como um pensador maldito, pois acreditava que: 1)O Estado é monstruoso; Para facilitar e compreender melhor os pensamentos de Thomas 2)O Homem é belicoso; Hobbes é importante nos situarmos historicamente. Afinal de contas 3)Nega o direito natural a propriedade. aos mesmo tempo que o indivíduo é representante da coletividades a • Pai do conceito moderno de Estado: partir da coerção da sociedade, o indivíduo como ser social, também 1)Idéia de soberania; reflete e projeta a sociedade. 2)O Estado deve regulamentar a vida econômica; Thomas Hobbes nasceu durante a Idade Moderna (século XV ao 3)O Estado é representativo. século XVIII). Logo, citarei os principais fatos históricos que - Natureza humana = “Os Homens são egoístas, luxuriosos, influenciaram a época: agressivos e insaciáveis”. 1453 - Os turcos conquistam Constantinopla, destruindo o que - Estado de natureza = “Os Homens viveriam, naturalmente, restava do Império Bizantino. sem poder e sem organização” → caótico, de guerra de todos contra 1488 - O navegador português Bartolomeu Dias contorna o cabo da todos, onde “O Homem é o lobo do Homem” → natureza humana vil + Boa Esperança. Grande marco da navegação pelo Atlântico em “os Homens são tão iguais que...” + imaginação = generalização da direção à Ásia. guerra.
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    - Contrato Social10= pacto que firma regras para o convívio 5. O Humanismo é uma filosofia para o aqui e agora. Os social → só o fundamento jurídico não basta = sanção. Contrato humanistas encaram os valores humanos como tendo sentido apenas Social = Soberano não assina o contrato social, pois surge devido ao no contexto da vida humana, mais do que na promessa de uma Contrato → A sociedade nasce com o Estado. suposta vida após a morte. - Estado = dotado de espada, armado, para forçar os Homens 6. O Humanismo é uma filosofia de compaixão. A ética ao respeito → poder pleno e ilimitado. humanista preocupa-se apenas em atender às necessidades - Igualdade x Liberdade humanas e em responder aos problemas humanos - tanto pelo - Medo: Estado de Natureza x Estado? indivíduo como pela sociedade - e não dedica atenção alguma à satisfação dos desejos de supostas entidades teológicas. 7. O Humanismo é uma filosofia realista. Os humanistas 47 reconhecem a existência de dilemas morais e a necessidade de cuidadosa consideração sobre as conseqüências imediatas e futuras na tomada moral de decisões. 3. O Humanismo é uma filosofia de razão e ciência em busca 8. O Humanismo está em sintonia com a ciência de hoje. Os do conhecimento. Portanto, quando se coloca a questão de qual é o humanistas reconhecem, portanto, que vivemos em um universo meio mais válido para se adquirir conhecimento sobre o mundo, os natural de grande tamanho e idade, que evoluímos neste planeta no humanistas rejeitam a fé arbitrária, a autoridade, a revelação e os decorrer de um longo período de tempo, que não existe uma estados alterados de consciência. evidência premente de uma "alma" dissociável, e que os seres 4. O Humanismo é uma filosofia de imaginação. Os humanistas humanos têm determinadas necessidades inatas que formam reconhecem que sentimentos intuitivos, pressentimentos, efetivamente a base de qualquer sistema de valores orientado para o especulação, centelhas de inspiração, emoção, estados alterados de homem. consciência, e até experiência religiosa, embora não válidos como meios de se adquirir conhecimento, são fontes úteis de idéias que nos 48 podem levar a novas maneiras de olhar o mundo. Estas idéias, depois de racionalmente acessadas por sua utilidade, podem em seguida ser 9. O Humanismo está em sintonia com o pensamento social postas para funcionar, geralmente como abordagens alternativas para esclarecido de nossos dias. Os humanistas são compromissados com a solução de problemas. as liberdades civis, os direitos humanos, a separação entre Igreja e Estado, a extensão da democracia participativa, não só no governo, 10 A Ciência Política da era moderna tem, na noção de ‘Contrato Social’, a mais mas no local de trabalho e na escola, uma expansão da consciência expressiva fundamentação político-filosófica que explica a criação do Estado – e do global e permuta de produtos e idéias internacionalmente, e uma Poder que lhe é inerente, por haverem sido dois conceitos praticamente indistinguíveis naquele período. Segundo Boaventura de Souza Santos, o abordagem aberta para a resolução de problemas sociais, uma “Contratualismo” é conhecido como a doutrina fundadora da racionalidade político- abordagem que permita a experiência de novas alternativas. social do Estado na Modernidade, e pode ser considerado metafórico porque seus 10. O Humanismo está em sintonia com novos avanços teóricos partem da hipótese de um Estado de Natureza (onde cada autor descreve tecnológicos. Os humanistas têm boa-vontade em participar de como entende estes Estados naturais e a natureza dos homens que o compõem) e descobertas científicas e tecnológicas emergentes, de modo a abstraem a ocorrência de um Pacto Social que, factualmente, não ocorreu. Este “Contrato Social” firmaria a sociedade civil, que seria posteriormente diferenciada do exercerem sua influência moral sobre estas revoluções à medida que Estado, o qual é considerado uma sociedade política. Assim, o contratualismo surgem especialmente no interesse de proteger o meio ambiente. propugna pela idéia de que a sociedade política nasce da vontade expressa dos homens, sendo, portanto, um ato de vontade livre a adesão ao corpo social.
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    11. O Humanismo,em suma, é uma filosofia para aqueles que absolutismo político que sucedeu a supremacia da Igreja medieval. A amam a vida. Os humanistas assumem responsabilidade por suas obra foi publicada no ano seguinte, 1651, englobando todo o seu próprias vidas e apreciam a aventura de participar de novas pensamento. No final do livro colocou que os súditos tinham o direito descobertas, buscar novo conhecimento, explorar novas de abandonar o soberano que não mais os podia proteger em favor possibilidades. Em vez de se satisfazerem com respostas de um novo soberano que pudesse fazê-lo. Esta posição foi préfabricadas para as grandes questões da vida, os humanistas considerada como ofensa ao herdeiro Carlos II, exilado em Paris apreciam o caráter aberto de uma busca e a liberdade de descoberta enquanto a república sucedia a Carlos I na Inglaterra. Hobbes foi que este proceder traz como sua herança. olhado como oportunista e repudiado pelos exilados de Paris, ao mesmo tempo que o governo francês o tinha sob suspeita devido a MOVIMENTO HUMANISTA seus ataques ao papado. Em fins do mesmo ano de 1651 Hobbes “O Movimento Humanista é um conjunto de pessoas de várias voltou à Inglaterra procurando estar em paz com o novo regime. idades, credos, raças...” E que hoje se faz presente em mais de 120 Tendo retornado à Inglaterra aos 63 anos Hobbes por mais países, nos cinco continentes é uma nova sensibilidade que prioriza a vinte anos manteve sua energia e combatividade, envolvendo-se em ação de base, a comunicação direta, a prática da não violência e a várias polêmicas no campo científico e religioso. não-discriminação. É um novo pensamento porque parte da Hobbes morreu em 1679, famoso no exterior, apesar de detestado necessidade do Ser Humano de superar a dor e o sofrimento. Além por muitos inimigos na Inglaterra. Sua reputação foi logo superada de resgatar o melhor de cada cultura e da própria história humana. É pela de John Lock. Somente no século XVIII seu pensamento ganhou uma nova ação no mundo porque se baseia nas virtudes de cada ser nova importância. É hoje considerado um dos grandes pensadores humano, na força do conjunto, na reciprocidade e na verdadeira políticos da Inglaterra. solidariedade. Estamos conformando as bases para uma verdadeira É o primeiro contratualista. Era tutor e preceptor. Chegou a transformação pessoal e social. Construindo a Nação Humana ensinar matemática para Carlos I em seu exílio na França, durante os Universal, distante do mito do dinheiro, do pragmatismo e do sem anos da Revolução. sentido da época atual. 65 a) CARACTERÍSTICAS DO ESTADO MODERNO A vida de Hobbes esta ligada a monarquia inglesa, cujas 1) autonomia e plena soberania do Estado; intrigas e políticas afetaram sua existência e pensamento político. 2) distinção entre Estado e sociedade civil - ascensão da Depois de formado Hobbes foi preceptor do filho de uma família burguesia; de prestigio. Com isso viajou a França e a Itália. 3) identificação absoluta entre o Estado e o monarca è Séc. Mas tarde Hobbes se dedicou a vida intelectual, do qual em XVIII è Rei Luiz XIV afirmava "O Estado sou eu". Estado Medieval = 1629 traduziu a obra de Tucídides – historiador grego analista político Estado patrimonial. e moral da guerra do Peloponeso. Partir daí, Hobbes começa a b) ESTADO ABSOLUTO mostrar suas tendências políticas. Em mais uma de suas viagens, É primeira expressão do Estado Moderno. É a uma nova forma Hobbes teve a oportunidade de se encontrar com Galileu e René estatal, baseada na idéia de soberania e que está intrinsecamente Descartes, cuja ciência e filosofia o impressionavam. Refugiado em relacionada à concentração de todos os poderes nas mãos dos Paris por temer sua segurança após ter publicado DE CIVE, Hobbes monarcas. Personificação do Estado na figura do rei – Luiz XIV, o rei escreveu sua obra prima, "O Leviatã"; ou "Matéria, Forma e Poder da Comunidade Eclesiástica e Civil", um estudo filosófico sobre o
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    Sol: O Estadosou eu. Estado como propriedade: poder de imperium, do filósofo grego Aristóteles (384 a 322 a.C), a quem nos referiremos como direito absoluto do Rei. adiante é a responsável pela expansão do termo Política. Rei = Senhor Feudal: Assegurar a unidade territorial dos Esse termo foi utilizado durante muito tempo para designar o reinos. estudo da esfera de atividades humanas que se refere de algum Concentração de poder: Autoridade ilimitada pela origem divina modo às coisas do Estado. do monarca. Já na época moderna, o termo foi sendo substituído Jean Bodin = a soberania do monarca era perpétua, originária paulatinamente por expressões como “ciência do Estado”, “doutrina e irresponsável. do Estado”, “ciência política”, “filosofia política”, etc., porém sempre Absolutismo é diferente de tirania, despotismo, ditadura, indicando a atividade ou conjunto de atividades que, de alguma totalitarismo, autocracia e autoritarismo. maneira, têm como termo de referência a pólis, ou seja, o Estado. Absolutismo x capitalismo = a burguesia “abriu mão” do poder De maneira geral, o termo Política pode ser entendido como político delegando-o ao soberano por razões econômicas. forma de atividade humana estreitamente ligada ao poder. Nesse Elementos Constitutivos do Estado Moderno: Soberania, sentido, a conceituação de Max Weber parece-nos bastante acertada. Território e Povo. Segundo esse autor, Política pode ser entendida como “o 3.4.2.THOMAS HOBBES (1588-1679) conjunto de esforços feitos com vistas a participar do poder ou a influenciar a divisão do poder, seja entre Estados, seja no interior de 3.4.2.1.BIOGRAFIA DE THOMAS HOBBES um único Estado” (Weber, 2005: 56). Filosofo e cientista político, Thomas Hobbes nasceu na Já o termo poder define-se como uma relação entre dois Inglaterra em 05 de abril de 1588, vindo a falecer em 04 de dezembro sujeitos, dos quais um impõe ao outro a própria vontade, lhe de 1679. Seu pai, um vigário humilde, entregou-lhe ainda criança, determinando o seu comportamento. Inclui-se nessa conceituação devido a uma briga na porta de sua igreja, ao irmão que tanto o domínio do homem sobre outro homem, como o domínio do proporcionou-lhe uma boa educação. Estudou na escola da igreja e homem sobre a natureza. depois em uma escola privada, e mais tarde aos 15 anos foi estudar O poder político compreende apenas o poder do homem sobre em Oxford onde consagrou a maior parte do tempo a ler livros de o outro homem como, por exemplo, a relação entre governantes e viagem e estudar cartas e mapas, e onde formou-se em 1608. governados, entre soberanos e súditos, entre Estado e cidadãos, entre autoridade e obediência. 50 2. O PENSAMENTO POLÍTICO “A desgraça dos que não se interessam por política é serem Para a teoria política há uma diferença básica entre a política governados pelos que se interessam” (Weffort). dos antigos e a dos modernos. Os gregos e romanos antigos "Política é o processo de formação, distribuição e exercício do poder" (H.D. Lasswell e A. Kaplan). empreendiam uma política voltada para as virtudes, mas não se trata da idéia de virtude secularizada pelo cristianismo e sim da idéia de 3.1. O CONCEITO DE POLÍTICA E PODER POLÍTICO que o bem para a sociedade deve estar no centro do discurso político. O significado do termo Política advêm de pólis (polítikos), que A busca pelo interesse próprio, tão comum entre os modernos existia, significa tudo o que se refere à cidade, ou seja, tudo que é urbano, mas não fazia parte da fala pública. civil, público ou mesmo, o que é sociável ou social. A obra “A Política” A política moderna, tal qual a conhecemos tem inicio por volta do Século XVI (1500 d.C.) e diferentemente da política antiga passa a
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    reconhecer e legitimara busca por vantagens pessoais, dando mais 1) Visão liberal do Estado, herdeira das concepções medievais de atenção à questão dos interesses (Ribeiro, 2006). liberdade e realeza como defensora de uma ordem civil a ser Mas, modernamente, qual seria o elemento específico do usufruída; poder político? Para Bobbio (2006), o poder político, tem como 2) Estado como algo repressivo, erguendo-se contra as diferencial a posse dos instrumentos mediante os quais se exerce a aspirações dos súditos explorados, o Estado como problema, força física. Seu caráter coator é o elemento que o distingue dos porque é uma coisa repressiva que precisa ser humanizada. outros tipos de poder. Mantêm-se aqui, a relação entre fortes e fracos (revoluções democráticas) e/ou entre superiores e inferiores. A política moderna é, em larga medida, um diálogo entre essas É importante ressaltar que embora a possibilidade de recorrer duas alternativas. à força seja o elemento que distingue o poder político de outras Gramsci afirma que Maquiavel foi o teórico da formação dos formas de poder, o uso da força deve ser entendido como condição Estados modernos. O pensamento de Maquiavel se molda numa Itália necessária, porém não suficiente para a existência do poder político. onde havia fracassado a revolução das Comunas (cidade-Estado), Uma quadrilha de criminosos ou um grupo terrorista apesar de num país fragmentado em muitos Estados pequenos, e que está a fazerem o uso da força, não possuem o poder político, como caminho de perder sua independência nacional desde a invasão das sabemos. tropas do rei francês Carlos VIII, em 1494. Maquiavel, refletindo sobre O poder político só é conferido aos grupos que detêm o a experiência de outros países (Espanha, Inglaterra e, principalmente, monopólio da posse e do exercício da coação física, e que recebeu França), analisa a maneira como se deveria construir na Itália um esse monopólio a partir de um processo determinado por um contexto Estado moderno e unitário, graças à iniciativa do Príncipe. social específico, como o processo eleitoral, por exemplo. • Henrique VIII - Inglaterra - oposição ao papa e separação da A compreensão da natureza do poder político nos remete ao Igreja Católica. conceito de Estado e à clássica definição de Max Weber: - Triângulo amoroso: Henrique VIII & Catarina de Aragão & Ana “Por Estado se há de entender uma empresa institucional de caráter Bolena. político onde o aparelho administrativo leva avante, em certa medida e com - Afirmou que o poder absoluto pertence ao Estado, que a êxito, a pretensão do monopólio da legítima coerção física, com vistas ao Soberania estatal é absoluta e não depende de nenhuma outra cumprimento das leis” (apud Bobbio, 2007: 956). autoridade - Absolutismo. Fundador da Igreja Anglicana. 63 62 - Guerra das Duas Rosas na Inglarerra - Séc. XV. - Guerra Civil Inglesa – Séc. XVII. 1498 – Maquiavel passa a exercer um cargo público → - Guerra dos Trinta Anos na Alemanha – Séc. XVII. Savonarola é deposto → Maquiavel passa a ocupar a Segunda O Estado Moderno virou inteiramente de cabeça para baixo a Chancelaria. idéia de política e isso aconteceu em resposta a mudança religiosa. 1502 a 1512 – esteve a serviço de Sonderine → Maquiavel Visão liberal do Estado = preocupados acima de tudo com a salvação instituiu uma milícia nacional → Sonderine é destronado e os Médicis acreditavam que o Estado deveria apenas garantir a paz necessária à voltam ao poder, demitindo Maquiavel. realização dos projetos individuais. 1512 a 1513 – Escreve “O Príncipe”. Duas atitudes contrastantes revelam o ritmo da política 1527 – Restauração da República. moderna:
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    - Natureza Humana= “Os Homens são ingratos, volúveis, Porém, o poder político não pode ser tomado única e simuladores, covardes ante o perigo e ávidos de lucro”. exclusivamente a partir de seu elemento característico. Enquanto luta - A história é cíclica: é impossível domesticar a natureza para moldar as decisões que terão impacto sobre a vida da humana e refrear as paixões do Homem. coletividade, na forma de leis e políticas públicas o exercício do poder - Causas da instabilidade e desordem: político oscila entre dois pólos: a coerção, ou seja, o uso da força 1) imutável natureza humana; física ou ameaça desse uso e a legitimidade, ou seja, a idéia de 2) duas forças opostas: povo x elite – correlação de forças aceito, consentido que está revestida pela legalidade dos valores (Principado ou República). prezados pela sociedade. - Príncipe = agente de transição – “Há vícios que são virtudes” Em uma democracia indireta como a brasileira concorda-se – Deve-se agir certo na hora certa. que o vencedor das eleições tem poder de governar durante um - Virtù = verdadeira virilidade e inquestionável coragem. período de tempo específico. Para manter-se no poder, no entanto, - Fortuna = deusa boa, é mulher e quer ser seduzida → possui esse vencedor pode lançar mão também da coerção, tendo o cuidado honra, glória, poder e riqueza = significa sorte. de jamais desequilibrar os dois pólos que sustentam o poder político. - Virtù e Fortuna = “A força do leão e a esperteza da raposa”. 3.2. O PENSAMENTO POLÍTICO ANTIGO – A POLÍTICA 3.4.1.2.FORMAÇÃO E ESTRUTURA DO NORMATIVA ESTADO MODERNO 3.2.1. PLATÃO E A CIÊNCIA POLÍTICA Século XVI (França, Inglaterra e Espanha) = surgimento do "Ele foi o primeiro e talvez o último, a sustentar que o estado deve ser Estado Moderno (religião no centro da história, determinando a governado não pelos mais ricos, os mais ambiciosos ou os mais história). É necessária a presença de poder político (soberania), povo astutos, mas pelos mais sábios”. e território para que se possa falar de Estado. Estado Moderno = Estado unitário dotado de poder próprio Para Platão – Aristocracia – que seria formada num processo independente de quaisquer outros poderes educacional (a idéia de democracia não aparece). Apelando para o mito da destruição e reconstrução do cosmo, c) POLÍTICA NO ESTADO MODERNO Platão descreveu no seu diálogo "Político", num primeiro momento, a Os reinos tendiam a fragmentar-se a se unificar em outros. Era de Cronos, o tempo, e sua transição para a Era de Zeus, o seu Monarcas centralizadores adquiriram os poderes concentrados da filho (quando a Idade de Ouro dos homens esfumara-se nos soberania, mas alguns usufruíam de grandes privilégios. pretéritos). Fatos históricos relevantes: 51 52 Ainda segundo Weber (2005), a violência não é o único instrumento utilizado pelo Estado, mas é seu instrumento específico. A seguir, tratou dos humanos nascidos neste novo período A relação entre o Estado e a violência é particularmente íntima e para pós-Paraíso, quando eles perceberam que os tempos eram outros, nos certificarmos disso basta assistir ao último grande sucesso da que desaparecera a harmonia que havia outrora entre eles e os cinematografia nacional: Tropa de Elite. animais, que os bichos não só perderam a fala, como se tornaram Agrupamentos políticos os mais diversos, desde sempre, hostis e ferozes, obrigando os homens a se organizarem em grandes começando pela família, recorreram à violência física como grupos, fechados em regimes políticos, para poderem sobreviver à instrumento normal do poder. crescente selvageria dos tempos de Zeus.
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    Para Platão, oprimeiro e fundamental problema da política é XVIII, que se pode falar [na verdade, impropriamente] de uma "escola que todos os homens acreditam-se capacitados para exercê-la, o que do direito natural". Isto permitiu que muitos reservassem a expressão lhe parece um grave equívoco, pois ela resulta de uma arte muito jusnaturalismo para as doutrinas desse período histórico. especial. Distingue então três tipos de artes: O ideal jusnaturalista do século XVIII teve assim enormes • Aquelas que ele chama de auxiliares (que podemos classificar resultados políticos: foi na doutrina do direito natural que se inspirou, como as de ordem técnica, como o artesanato, a marinhagem, conquanto confluíssem também outros elementos históricos e o pastoreio, etc.); doutrinários, oriundos, sobretudo da tradição constitucionalista inglesa • Em seguida vêm as artes produtoras (o plantio, a tecelagem, o - a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América comércio, etc.), e por último; [1776], onde se afirma que todos os homens são possuidores de • A arte de saber conduzir os homens, que seria a política direitos inalienáveis, como o direito à vida, à liberdade e à busca da propriamente dita superior a todas as outras. felicidade; e é de caráter genuinamente jusnaturalista a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão [1789] que constituiu um dos 3.2.1.1. A POLÍTICA É TECELAGEM primeiros atos da Revolução Francesa e onde se proclamam Para melhor ilustrar o seu ponto de vista, recorre a uma igualmente como "direitos naturais", dentre outros, a liberdade, a comparação: a atividade do político, disse ele, assemelha-se à da igualdade e a propriedade. tecelagem. Nada mais é do que a arte da vestimenta, o que implica A "Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948" na escolha do tecido, das peças que devem ser costuradas à mão, e reconhece como núcleo básico dos direitos fundamentais da pessoa da armação final, pois seu objetivo maior é dar segurança e abrigo, humana o do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à justiça, à da mesma forma que um trajo protege das intempéries e assegura os segurança, à família, à propriedade, ao trabalho, à saúde, à educação pudores. Por isso, o político deve desenvolver habilidades tais como e à cidadania. saber cardar e fiar, porque um dos seus afazeres maiores é conseguir Já a Constituição brasileira de 1988 em seu artigo 5º afirma misturar o tecido maior e melhor com o menor e o pior (isto é, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, encontrar o equilíbrio entre os fortes e poderosos e os mais fracos e garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a indefesos). inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança 3.2.2. ARISTÓTELES E A CIÊNCIA POLÍTICA e a propriedade...”. Para Aristóteles não há conceito de igualdade universal. A 3.4.1.NICOLAU MAQUIAVEL (1469-1527) política é natural para humanos mais avançados. 3.4.1.1.BIOGRAFIA DE NICOLAU MAQUIAVEL 1494 – Os Médicis são expulsos de Florença. 61 60 Mas uma sociedade tão precária e incerta que se torna Desse modo, foram partícipes de uma das mais importantes conveniente sair dessa situação para fazer surgir uma instituição revoluções burguesas que já se teve notícia. Hobbes vive a revolução jurídico-política organizada. de 1640 e Locke vive a Revolução Gloriosa de 1688, que juntas Direitos inatos, estado de natureza e contrato social, conquanto fazem parte do mesmo fenômeno, a Revolução Inglesa. diversamente entendidos pelos vários escritores, são os conceitos Thomas Hobbes, defensor do estado absolutista, introduziu o característicos do jusnaturalismo moderno; acham-se de tal modo individualismo radical no pensamento político e estabeleceu as bases presentes em todas as doutrinas do direito natural dos séculos XVII e teóricas do conceito moderno de contrato social, que seria
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    desenvolvido, posteriormente, porJean-Jacques Rousseau. John contém a célebre definição aristotélica do homem como "animal Locke afirmou o caráter natural do direito à vida e à propriedade e político" (zoon politikon). defendeu uma divisão de poderes voltada para combater a É evidente que a cidade faz parte das coisas naturais, e que o centralização absolutista. homem é por natureza um animal político. E aquele que por natureza, Montesquieu era profundo admirador da Inglaterra liberal que a e não simplesmente por acidente, se encontra fora da cidade ou é um Revolução Inglesa construiu. Preocupado com a estabilidade dos ser degradado ou um ser acima dos homens, segundo Homero (Ilíada governos e a manutenção do poder cria a teoria da tripartição dos IX, 63) denuncia, tratando-se de alguém: sem linhagem, sem lei, sem poderes, claramente influenciado por Maquiavel e Locke. A divisão do lar. Estado em três poderes é uma realidade para nós brasileiros que Aquele que é naturalmente um marginal ama a guerra, e pode convivemos com os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. ser comparado a uma peça fora do jogo. Daí a evidência de que o A ascensão econômica da burguesia criou, na segunda metade homem é um animal político mais ainda que as abelhas ou que do século XVIII, a necessidade de encontrar fórmulas políticas que qualquer outro animal gregário. Como dizemos freqüentemente, a abrangessem as propostas burguesas sobre a configuração da natureza não faz nada em vão: ora, o homem é o único entre os sociedade e do estado: participação, igualdade jurídica, liberdades animais a ter linguagem [logos]. O simples som é uma indicação do individuais e direito de propriedade. Novas teorias políticas prazer ou da dor, estando, portanto, presente em outros animais, pois contribuíram para compor a ideologia da burguesia revolucionária. a natureza destes consiste em sentir o prazer e a dor e em expressá- Rousseau, dessa forma, através da crítica radical do los. Mas a linguagem tem como objetivo a manifestação do vantajoso absolutismo político e da desigualdade social se torna um dos e do desvantajoso, e, portanto, do justo e do injusto. Trata-se de uma fundadores do pensamento democrático moderno e é personalidade característica do homem ser ele o único que tem o senso do bom e que influencia fortemente a Revolução Francesa. do mau, do justo e do injusto, bem como de outras noções deste tipo. Os contratualistas, de maneira geral, foram influenciados pela É a associação dos que tem em comum essas noções que constitui a idéia de um Direito Natural ou Jusnaturalismo, mas procurando o família e o estado. fundamento desse direito, assim como da organização social e do poder político, na própria natureza humana e na vida social. 3.2.3.OS GREGOS E A POLÍTICA Em algumas doutrinas jusnaturalistas modernas, o Os gregos se sentiam superiores pela distinção que faziam individualismo é levado até o ponto de se considerar a própria entre o seu sistema de governo (democracia) e o despotismo sociedade como efeito de um contrato entre os indivíduos; o contrato (tirania) suportado pelos vizinhos orientais (persas e egípcios). A social se desdobraria assim em dois momentos, pacto de união e partir do horror que sentiam pela relação de prostração denotada pacto de sujeição. Mas isto' é mais raro do que comumente se crê, pelos orientais em relação aos seus senhores, os gregos se porque, também entre os jusnaturalistas modernos, o estado de identificavam como ocidentais. Assim, podemos ver que a política natureza é geralmente representado como uma forma de sociedade. está no centro de sua civilização. 53 54 O texto aristotélico da Política teve uma grande influência no desenvolvimento da ciência política em nossa tradição e faz parte de Os aristocratas gregos e romanos estudavam leis, filosofia e a um conjunto de estudos que inclui o exame de um grande número de arte da oratória para realizar a vocação política decidida de berço. A constituições das cidades-estados gregas da época, das quais só política podia ser a base da educação porque bem cedo se tornara chegou até nós A Constituição de Atenas. A passagem selecionada
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    uma atividade conscienteque provocava reflexão, gerando soberba interesse deles, e só então filtrados muito lentamente, ao longo das literatura. gerações, para os escalões mais baixos da sociedade. “O eleitor de A política, entre os gregos antigos, era uma nova maneira de hoje, em outras palavras, herda os direitos inicialmente defendidos pensar, sentir e, acima de tudo, se relacionar com os outros. A única pelos barões de outrora”. forma de relação entre seres racionais era a persuasão. A essência da política medieval está no fato de que o rei não Foram os gregos e os romanos que lançaram os fundamentos podia governar – ao ponto de não poder executar as funções muito da nossa concepção de política. limitadas de governo tais como entendidas na época – sem a 3.2.3.1. A DEMOCRACIA ATENIENSE cooperação de parceiros. Tinha que consultar os nobres, a Igreja e os representantes ricos das cidades. Assim surgiram os parlamentos. A cidade-Estado de Atenas tinha por volta de 300 mil A vida na Europa era extremamente violenta, mas o habitantes. 40 mil eram considerados cidadãos. Havia cerca de 100 cristianismo teve para a vida política uma grande importância, pois mil escravos e o resto da população era composta por mulheres e operou uma transformação nos valores humanos. Afirmou a estrangeiros (metecos). Os 40 mil cidadãos gozavam da mais igualdade sob os olhos de Deus em cada alma humana e o valor de absoluta liberdade. Nunca mais um cidadão poderia ser transformado cada indivíduo está não em sua participação na razão universal, mas em um escravo por outro ateniense. Todos participavam diretamente numa personalidade que responde ao desafio do pecado. O das decisões políticas por meio dos mecanismos da democracia cristianismo desviou a atenção humana da conquista política e das (Eclésia e Boulé) coisas materiais do mundo para o cultivo de uma vida interior. A Eclésia ou Assembléia do Povo não podia ser considerada O Império Romano do Ocidente transformou-se na Igreja uma instituição, já que se tratava do povo reunido. Todos os cidadãos Católica Romana, as províncias romanas tornaram-se dioceses, o atenienses tinham não apenas o direito, mas o dever de assistir às poder do papa cresceu à medida que o do imperador declinava. Havia sessões. Porém, nem sempre isso acontecia e apenas uma minoria uma forte unidade na Igreja, enquanto não havia unidade política. se ocupava dos negócios da Pólis. Nessas sessões, havia uma tribuna da qual os oradores 3.4.O PENSAMENTO POLÍTICO MODERNO: dirigiam a palavra aos que se sentavam nas bancadas. A Eclésia MAQUIAVEL, HOBES, MONTESQUIEU, contava com 01 presidente e com secretários que eram sorteados ROUSSEAU E KARL MARX diariamente e era composta por 50 cidadãos. A importância de Maquiavel está relacionada à maneira como Já a Boulé (Conselho) era composta por 500 cidadãos que ele passa a ver o Estado. Com sua visão dura e implacável sobre o eram escolhidos em suas tribos de origem por sorteio. Todos os anos fenômeno do poder, Maquiavel chocou seus contemporâneos e ainda novos componentes eram sorteados. Como 500 homens não podiam hoje provoca o fascínio dos estudantes que se debruçam sobre sua permanecer em sessão permanentemente, havia um conselho mais obra. íntimo, a Pritania, composta por 50 homens, 5 de cada uma das 10 A contribuição dos contratualistas Hobbes, Locke, Montesquieu tribos e que permaneciam em sessão durante a décima parte do ano. e Rousseau está intrinsecamente relacionada ao seu contexto histórico e também a idéia dos direitos naturais. Hobbes e Locke viveram em uma Inglaterra que passava por uma guerra civil. Viram o 59 poder do rei ser limitado e o Parlamento ser criado. 58 Século XIII – direitos e liberdades eram primeiro elaborados pela nobreza e os habitantes mais ricos das cidades, comumente no
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    A Europa comoa conhecemos hoje, é o resultado de Os cidadãos tinham riqueza, beleza e inteligência diversas, sucessivas ondas de migração de tribos empurradas para o oeste mas como cidadãos eram iguais. Os gregos obedeciam pela pressão de outras à retaguarda. Eram atraídos pela evidente espontaneamente à lei da sua polis e tinham orgulho disso. Sua prosperidade e civilização do Império Romano (hunos, godos, própria identidade estava inseparavelmente ligada à cidade. O pior visigodos, anglos, francos). Fizeram pressão sobre o Império durante dos fados era o exílio, uma forma de morte cívica por vezes imposta séculos, sendo de início absorvidos pela estrutura romana, mas pela pena do ostracismo a estadistas atenienses cujo poder se depois rompendo-a e destruindo-a. Esses bárbaros fundaram seus supunha ameaçar a constituição. próprios reinos nos capôs e com o tempo foram se convertendo ao Entre os gregos encontramos a maioria das condições da cristianismo. Cada reino tinha um rei e um grupo de magnatas aos liberdade: uma vida vivida entre iguais, submetida apenas à lei, cada quais geralmente se concediam terras em troca de lealdade. Essas um governando e sendo governado. Os gregos foram os primeiros a concessões de terra logo se tornaram hereditárias. criar sociedades com essa forma e foram também os primeiros a Há três elementos sobre os quais foi construída a civilização da investigar essa experiência através da literatura. A política era a alta Idade Média: atividade específica dessa novidade chamada “cidadão”. 1) O amor vital pela liberdade herdado dos próprios bárbaros Os gregos são humanistas, mas de um tipo diferente do (havia um forte senso moral e o rei era o guardião da lei). humanismo cristão. Ser humanista para um grego significa que o Assim, a política na Idade Média se baseava na relação entre homem é um animal racional e que o significado da vida humana está um rei e seus vassalos mais importantes; no exercício da racionalidade. Quando sucumbem as paixões ou ao 2) A ordem civil tinha que ser construída através do acordo com orgulho rebaixam-se. Porém, ao deliberar sobre a lei e a política, o um grupo de magnatas cujo controle sobre seus próprios homem encontra a sua mais elevada e pura forma de auto-expressão. rendeiros lhes dava uma posição independente. As condições O que só se poderia desfrutar na vida política da cidade. geográficas favoreciam os governos centralizados e despóticos Uma vez que uns são menos racionais que outros, então são e no século XI encontramos um mosaico de principados também menos humanos (escravos e mulheres). A cidadania estava governados por duques e condes, algumas cidades mercantis circunscrita aos adultos livres do sexo masculino e em algumas independentes e o começo de reinos a partir dos quais cidades nem mesmo a todos eles. podemos ver o surgimento das nações-estados da Europa; As leis e políticas de uma cidade grega não provinham, 3) A religião é o mais importante elemento da política medieval. portanto do palácio de um déspota, mas da discussão entre cidadãos Só era possível tornar-se cristão com a adoção de certas conceitualmente iguais na agora, a praça de mercado que também crenças e o cristianismo era uma religião de livro, o que servia de arena política. Os cidadãos gozavam de igualdade perante valorizava a educação e a alfabetização, o que exigiu vasta a lei e oportunidade igual de falar na assembléia. Numa grande reflexão intelectual. O cristianismo acreditava que os humildes cidade como Atenas, milhares de pessoas deviam comparecer a é que estavam mais próximos do espírito amoroso que se essas reuniões, de modo que os discursantes eram na maioria supunha exigido por Deus. Isso incluía as mulheres, que aristocratas que haviam estudado a arte da oratória ou líderes ficaram entusiasmadas com uma fé que pregava a paz e o destacados que conseguiram angariar um grupo de adeptos. Nas amor. democracias, muitos cargos eram ocupados por sorteio, mas os principais funcionários eram eleitos e provinham comumente de famílias poderosas. 55 56
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    Na atividade política,os homens se dirigiam uns aos outros pelo Mesmo alterando a constituição a antiga estrutura continuou intacta. discurso, que é uma habilidade a ser aprendida. Ela requer o domínio A monarquia que havia sido substituída por dois cônsules que de idéias, a construção de argumentos, a capacidade de detinham em conjunto o imperium da função real, manteve uma forma compreender a audiência, um reconhecimento das paixões de autoridade religiosa chama rex sacrorum. O senado, detentor dos dominantes da natureza humana e muito mais. Pela primeira vez na auspicia (símbolos e instrumentos de governo), sustentou a história, as decisões de interesse público eram tomadas à luz do dia e continuidade da tradição política romana. Os plebeus tinham pouca submetidas abertamente à crítica. participação, pois quem governava o Estado eram os patrícios. São duas as características essenciais da política grega: Quando os plebeus deixaram Roma e se estabeleceram em uma 1) A política estava baseada em unidades territoriais combinadas colina próxima, os romanos encontraram uma saída constitucional à a lealdades tribais ou de clã; crise, criando um foedus, ou seja, um tratado que dava aos plebeus 2) Após construir a nova constituição, Sólon (VI a.C.) deixou uma representação própria no governo, os tribunos da plebe. A Atenas por 10 anos para que as reformas fossem colocadas monarquia deu lugar à República e a República deu lugar ao Império. em prática por outros (espécie de separação de poderes). Uma das grandes contribuições dos romanos à política foi a idéia de A chave da política, para os gregos, é o fato de que se trata de auctoritas. Esse termo significava a união da política com a religião uma conexão de cargos abstratos aos quais correspondem deveres e, romana, que incluía a veneração de famílias e, portanto dos em princípio, o trabalho pode ser feito por qualquer funcionário ancestrais. competente. Assim, os governantes políticos agem de acordo com os Políbio atribuiu o sucesso de Roma ao fato de que não se deveres que correspondem a seus cargos. podia realmente descrever sua constituição como monárquica ou aristocrática ou democrática, pois continha elementos de todas as 3.2.4. O LEGADO ROMANO PARA A POLÍTICA três. Assim, ela era forte o suficiente para suportar todas as emergências. A política grega era baseada na Razão e a romana no amor, A fama de Roma em grande parte apoiava-se numa força no amor pela própria Roma. Os romanos pensavam na sua cidade moral evidente a todos que com ela lidavam. O castigo após a morte como uma família e no seu fundador Rômulo como o ancestral era a melhor maneira de manter as pessoas virtuosas. Nos tempos comum de todos. iniciais predominava o amor pela pátria, mas aos poucos o sucesso e Herdamos nossas idéias dos gregos (democracia, tirania, a riqueza começaram a corromper os romanos, que então caíram sob polícia, política), mas nossas práticas dos romanos (civilidade, o domínio de formas despóticas de ordem que antes achavam cidadão, civilização). repugnantes. Para Dante e Maquiavel os romanos eram um povo que se via na missão de civilizar o mundo. Roma foi fundada por Rômulo em 753 3.1. O PENSAMENTO POLÍTICO MEDIEVAL: ESTADO E a.C., foi governada por reis até 509 a.C., quando Tarquínio, o IGREJA Soberbo, foi expulso por Lúcio Júnio Bruto, líder de uma facção 3.1.1. O PODER NA IDADE MÉDIA: SUBORDINAÇÃO DA aristocrática supostamente furioso com o estupro de Lucrecia. POLÍTICA À RELIGIÃO, AUSÊNCIA DE ESTADO SOBERANO E PODER LOCAL Na Idade Média, a ordem civil na Europa ocidental foi fruto da brutalidade e da violência e pela primeira vez a religião desempenhou um papel independente. 57