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Aula Ônibus 174 - 2015

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Aula ministrada na disciplina Administração de Produtos Editoriais, no curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

Os trechos do filme citados nos slides podem ser acessados nos seguintes links:
Slide 3
‘Ônibus 174’ – 1ª parte (15’) - https://www.youtube.com/watch?v=tq8aWueWEFE

Slide 11
‘Ônibus 174’ – 2ª parte (36’)
Candelária - https://www.youtube.com/watch?v=iajyXsyW9zY
Histórico policial - https://www.youtube.com/watch?v=dMbg03hjQLQ
Morte da mãe - https://www.youtube.com/watch?v=pon5rStMP70
Ação da polícia - https://www.youtube.com/watch?v=XxSp8ucx_cg
Reféns - https://www.youtube.com/watch?v=f-ypneZiBAQ

Slide 21
‘Ônibus 174’ – Final (17’) - https://www.youtube.com/watch?v=qHJflY8SMYI


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Aula Ônibus 174 - 2015

  1. 1. 1 Produção de Documentário Estudo de caso – “Ônibus 174” Prof. Renato Delmanto Agosto 2015
  2. 2. 22 ž  “Ônibus 174” – Parte 1 (10’) ž  Estrutura de documentário ž  “Ônibus 174” – Parte 2 (25’) ž  Fórmula editorial e detalhes da produção ž  “Ônibus 174” – Parte final (10’) Roteiro da aula
  3. 3. 33 Ônibus 174 – 1ª parte (10’) Início do filme
  4. 4. 44 ž  Documentário: ž  Olhar pessoal do documentarista, uma obra autoral ž  Assume sua subjetividade (“interpretação”) ž  Baseado no ponto de vista do autor ž  Parte de premissas próprias e possui estética particular ž  Reportagem de TV: ž  Tenta formular um “retrato completo” do fato ž  Apresenta diferentes pontos de vista – “imparcialidade” ž  Imagens “confirmam” o que é dito pelo jornalista e pelos entrevistados ž  Regras de “noticiabilidade” definem o conteúdo do telejornal Documentário X Reportagem de TV Leonardo COELHO ROCHA, “O caso Ônibus 174: Entre o documentário e o telejornal” (2003)
  5. 5. 55 ž  Bill Nichols define quatro modalidades de representação possíveis no documentário, de acordo com os elementos narrativos: ž  Documentário Expositivo ž  Documentário de Observação ž  Documentário Reflexivo ž  Documentário Interativo O documentário segundo Nichols Bill NICHOLS, “Representing reality: issues and concepts in documentary” (1991)
  6. 6. 66 ž  Bill Nichols define quatro modalidades de representação possíveis no documentário, de acordo com os elementos narrativos: ž  Documentário Expositivo ž  Documentário de Observação ž  Documentário Reflexivo ž  Documentário Interativo O documentário segundo Nichols Bill NICHOLS, “Representing reality: issues and concepts in documentary” (1991) - O texto (em off) é elemento narrativo dominante - A locução fornece uma explicação “didática” para as imagens mostradas na tela - As imagens são evidência irrefutável da narrativa - Esse documentário tem um efeito persuasivo e é utilizado em filmes institucionais e de propaganda
  7. 7. 77 ž  Bill Nichols define quatro modalidades de representação possíveis no documentário, de acordo com os elementos narrativos: ž  Documentário Expositivo ž  Documentário de Observação ž  Documentário Reflexivo ž  Documentário Interativo O documentário segundo Nichols Bill NICHOLS, “Representing reality: issues and concepts in documentary” (1991) - O autor não interfere nos acontecimentos - Não há comentários, entrevistas, legendas ou reconstruções - O som é captado diretamente do ambiente - As pessoas falam entre si e não para a câmara - Revela a experiência vivida e o cotidiano do que se filmou
  8. 8. 88 ž  Bill Nichols define quatro modalidades de representação possíveis no documentário, de acordo com os elementos narrativos: ž  Documentário Expositivo ž  Documentário de Observação ž  Documentário Reflexivo ž  Documentário Interativo O documentário segundo Nichols Bill NICHOLS, “Representing reality: issues and concepts in documentary” (1991) - Documentário procura expor o seu próprio processo de construção - O interesse não está no mundo histórico, mas na forma como o documentário se apresenta ao espectador - Ser reflexivo é estruturar um produto de modo que produtor, processo e filme sejam um todo coerente
  9. 9. 99 ž  Documentário “construído” a partir da interação do autor com as pessoas que participam no filme ž  É sustentado pelas entrevistas, que podem ser apresentadas ao espectador como como diálogos, confissões, monólogos, testemunhos, interrogatórios ž  A voz em off, quando utilizada, nunca é sobreposta às dos entrevistados ž  Ao final, entrevistas refletem o ponto de vista do autor sobre os acontecimentos retratados no filme ž  “Ônibus 174” é um documentário interativo Documentário Interativo (Nichols) Bill NICHOLS, “Representing reality: issues and concepts in documentary” (1991)
  10. 10. 1010 Ônibus 174 – 2ª parte Candelária (5’) Histórico policial (3’) Morte da mãe (4’) Ação policial (6’) Reféns (7’)
  11. 11. 1111 ž  Antes de começar, o documentarista tem uma visão diferente da mídia normal (questiona o “senso comum”) ž  Padilha podia ter optado por contar a história de um policial ou da refém morta (Geísa, a principal vítima) ž  Um lead da época dizia: “Um menino de rua entrou no ônibus, encontrou a assistente social que cuidava de meninos de rua e a matou” ž  “Seria um lead maravilhoso, se fosse verdadeiro” ž  O autor propõe-se a contar a história do sequestro a partir da história do protagonista, Sandro do Nascimento ‘Ônibus 174’: Premissas
  12. 12. 1212 ž  A história do Sandro “é capaz de gerar lições sobre o Estado brasileiro, sobre como se vive no limite da miséria, como um menino de rua é tratado pelas instituições, como ele descamba para a criminalidade” ž  “Ônibus 174” trabalha com dois eixos de história: ž  A cronologia do acontecimento policial ž  A vida do sequestrador ž  “Um eixo explica o outro. À medida que entendo como foi a vida dele, a relação dele com o Estado, entendo quem ele é e por que faz e fala as coisas daquela forma no ônibus” ‘Ônibus 174’: Premissas
  13. 13. 1313 ž  Até então, nenhum veículo (impresso ou TV) tinha falado com a família do Sandro ž  Padilha foi o primeiro a entrevistá-los – a tia e a mãe adotiva, única que esteve presente ao enterro ž  Encontrou a família “numa linha” de um documento judicial sobre Sandro ž  O depoimento de Luiz Eduardo Soares, ex-secretário Nacional de Segurança, ajuda a construir o “roteiro” ž  O ex-secretário defende a tese da “invisibilidade” dos meninos de rua perante a sociedade ‘Ônibus 174’: Premissas
  14. 14. 1414 ž  Imagens de TV: Globo (20h de gravação, com 4 câmeras); Record (4h); Band (40 min.) ž  Imagens da CET-Rio ž  Padilha fez cópias das fitas, assistiu todas as imagens e começou entender o que tinha acontecido no ônibus ž  Acabou “comprando” apenas 50 minutos para usar na edição final do filme (maior custo de toda a produção) ž  Custo de produção: R$ 800 mil ž  Tempo de produção: 1 ano e meio Matéria-prima
  15. 15. 1515 ž  A partir das imagens, Padilha identificou os policiais e as reféns que mais interagiram com o sequestrador ž  Um detetive e um ex-policial buscaram documentos “oficiais” sobre Sandro (elaboraram um dossiê de 187 páginas) ž  Enquanto o detetive e o advogado traçaram um “mapa” da vida do Sandro, a partir dos documentos... ž  ...o editor Felipe Lacerda, co-roteirista do filme, fazia um “mapa” cronológico do sequestro, editando as imagens de TV ž  Com os dois “mapas”, Padilha e Lacerda foram à ilha de edição para montar o material juntos Processo de produção
  16. 16. 1616 ž  Havia uma enorme censura da cúpula de segurança do RJ - enquanto Garotinho foi governador, a polícia não falou ž  Policial do BOPE fala com voz distorcida e rosto coberto ž  Capitão Rodrigo Pimentel aparece na tela pois tinha sido exonerado da Corporação – depois de mostrar no “Fantástico” como deveria ser o tiro do sniper ž  Após eleita, governadora Benedita da Silva autorizou as entrevistas da polícia ž  O capitão André Batista dá entrevista e explica a ação do BOPE e da polícia no episódio Processo de produção
  17. 17. 1717 ž  Narrativa fundamentada nas entrevistas e nas imagens de TV ž  As falas dos entrevistados praticamente “constroem” todo o fio narrativo, sendo umas encadeadas às outras ž  O diretor não identifica os entrevistados; cabe ao espectador decifrar quem são eles ž  Não há narração; a voz em off é usada somente para a leitura de documentos prisionais ou judiciais sobre Sandro ž  Embora o diretor não apareça na tela, sua presença é percebida nos olhares para trás da câmera, durante as entrevistas “Opção estética”
  18. 18. 1818 Ônibus 174 – Epílogo (10’) O cerco final
  19. 19. 1919 Leonardo COELHO ROCHA (UniBH), “O caso Ônibus 174: Entre o documentário e o telejornal” (2003) Gazeta Mercantil, Entrevista com José Padilha (2002) Bill NICHOLS, “Representing reality: issues and concepts in documentary” (1991) PADILHA, José. Ônibus 174 (2002). Referências
  20. 20. 20 Produção de Documentário Prof. Renato Delmanto renato.delmanto@gmail.com Agosto 2015

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