Revolução de 1930

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Revolução de 1930

  1. 1. O Fim da República Oligárquica Tenentismo Revolução de 1930
  2. 2. A grande marcha dos tenentes: <ul><li>Com um núcleo fixo de cerca de trezentos militares, mas chegando a ter em diversos momentos mais de 1500 homens, a Coluna Prestes percorreu cerca de 25 mil Km pelo interior do Brasil durante mais de dois anos. </li></ul><ul><li>Nessas andanças, seus integrantes travaram mais de cem combates, sem que nenhum dos lados saísse vencedor. Em fevereiro de 1927, a maior parte da Coluna – 620 combatentes comandados por Prestes – retirou-se para Bolívia. Em março do mesmo ano, um grupo menor – 65 rebeldes chefiados por Siqueira Campos – entrou no Paraguai. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>Em sua marcha pelo Brasil, os tenentes denunciavam a miséria da população e constataram de perto a exploração das camadas populares pelos líderes políticos locais. Assim, firmaram a convicção de que era preciso mudar </li></ul><ul><li>a situação socioeconômica </li></ul><ul><li>do Brasil e substituir </li></ul><ul><li>o governo. </li></ul>
  4. 6. <ul><li>CAVALEIRO DA ESPERANÇA </li></ul><ul><li>Em 1998, a escola de samba Acadêmicos do Rio de Janeiro homenageou Luís Carlos Prestes, com o samba-enredo Luís Carlos Prestes, Cavaleiro da Esperança, por ocasião do centenário de seu nascimento. </li></ul><ul><li>Cem anos nos pampas, que herança! </li></ul><ul><li>Coração Vermelho a palpitar </li></ul><ul><li>Cavaleiro da Esperança </li></ul><ul><li>Luís do Proletário carleando a Nação </li></ul><ul><li>Enfrentou adversários </li></ul><ul><li>Fez do verbo seu canhão (...) </li></ul>
  5. 7. <ul><li>Prestes tornou-se uma figura mítica. Nas cidades passaram a chamá-lo de Cavaleiro da Esperança. Nos anos 1930, ele adotaria os ideiais comunistas, ingressando no Partido Comunista do Brasil (PCB), do qual se tornaria principal líder. </li></ul>
  6. 8. A aliança Liberal <ul><li>Além do descontentamento das classes pobres e médias, setores das elites também questionavam a estrutura política vigente. Com a aproximação das eleições presidenciais de 1/03/1930, esses setores das oligarquias regionais entraram em choque com a hegemonia do Partido Republicano Paulista (PRP) sobre a vida política nacional. Nesse momento, estava no poder o presidente Washington Luís, nascido no Rio de Janeiro, ele fizera sua carreira política em São Paulo, onde havia muitos anos vivia. Era, portanto, um homem do PRP. </li></ul>
  7. 9. <ul><li>De acordo com a política do café com leite, seria a vez de Minas Gerais indicar o candidato oficial a presidente. Mas Washington Luís insistia na candidatura de Júlio Prestes (1882 – 1946) (sem parentesco com Luís Carlos Prestes). O desentendimento entre mineiros e paulistas abriu a brecha para que as oligarquias dissidentes entrassem na disputa eleitoral. </li></ul><ul><li>Ao que parece, Washington Luís indicou Júlio Prestes para que sua política de estabilização financeira não fosse interrompida. </li></ul><ul><li>Descontentes com a decisão de Washington Luís, as lideranças políticas de Minas Gerais uniram-se às do Rio Grande do Sul e às da Paraíba. Formou-se assim a Aliança Liberal, que lançou seus próprios candidatos à eleição presidencial. </li></ul>
  8. 10. <ul><li>Eram eles o governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas (1882- 1954), candidato à presidente, e o governador da Paraíba, João Pessoa (1878 – 1930), candidato à vice-presidente. </li></ul><ul><li>Vargas era um representante da oligarquia gaúcha, mas tinha o apoio de amplos setores do tenentismo, tanto militar quanto civil, e de grupos dissidentes das oligarquias em São Paulo, reunidos em torno do Partido Democrático (1926). Em sua plataforma eleitoral, propunha anistia para rebeldes do tenentismo, o voto secreto (velha reivindicação dos tenentes) e o diálogo com os trabalhadores. </li></ul>
  9. 11. <ul><li>A Aliança Liberal satisfazia as aspirações dos setores opostos ao cafeeiro, ao proclamar que todos os produtos nacionais deveriam ser incentivados, e não somente o café, cujas valorizações prejudicavam financeiramente o país. </li></ul><ul><li>Defendia as liberdades individuais, voto secreto, participação do Poder Judiciário, no processo eleitoral, leis trabalhistas e anistia política. </li></ul>
  10. 12. O “prélio”das armas Perdido o prélio das urnas era preciso passar imediatamente ao prélio das armas. <ul><li>Como vimos, as eleições na Primeira República eram fraudadas. Ocorreu o que era previsível: Júlio Prestes venceu. No entanto, as fraudes ocorreram nos dois lados. </li></ul><ul><li>Um acontecimento inesperado mudou os rumos da história. Em 26/07/1930, João Pessoa foi assassinado no Recife por motivos pessoais. O crime foi habilmente explorado pela imprensa e oposição; tenentes e setores mais jovens das oligarquias dissidentes viram no acontecimento a oportunidade de derrubar Washington Luís pela luta armada. </li></ul>
  11. 13. <ul><li>Assim em 03/10/1930, a revolução explodiu no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e na Paraíba, logo estendendo-se para Pernambuco; avançando no dia 10 para o Rio de Janeiro. </li></ul><ul><li>24/10/1930: Washington Luís foi afastado da presidência pelos chefes militares. Uma junta militar ocupou o governo. </li></ul><ul><li>03/11/1930, tendo chegado ao Rio de Janeiro em meio a aclamações populares, Getúlio Vargas assumiu o poder. </li></ul>
  12. 14. MANIFESTO DA ALIANÇA LIBERAL <ul><li>O Brasil anseia por medidas, não por homens. Os nossos homens de governo, à falta de uma invariável tradição de nível comum, por si só já não se impõem à confiança do povo. A Nação pergunta pelos seus princípios, pelas medidas de governo que pretendem realizar, e indaga ainda qual a corrente partidária que se constituiu em garantia de sua execução. </li></ul>
  13. 15. <ul><li>As medidas que o Brasil de nossos dias reclama são de caráter liberal, encaminham-se inicialmente à plena e definitiva pacificação dos espíritos, para demorar depois na modificação do nosso sistema eleitoral, por forma que lhe possa assistir a certeza de que os seus governantes representam de fato e de direito a sua vontade soberana, única origem legítima de todo poder constituído. </li></ul><ul><li>Por isso, sem dúvida, o povo, que possui o sentido sagrado dos seus direitos e das suas aspirações, deu à nossa aliança política o nome de liberal. Recolhemo-lo como ufania. E certos de que o povo não delibera sem causa justificada, com ele assumimos, nesta hora, o sagrado compromisso de respeitar a sua indicação e de sermos dignos da sua vontade. </li></ul>
  14. 16. <ul><li>Começava um novo período da história política brasileira. A República Velha chegava ao fim. Tinha início o que os vencedores chamaram de República Nova, em oposição à Primeira República, que eles próprios denominaram República Velha. </li></ul><ul><li>O novo governo daria início a mudanças importantes, entre as quais uma nova atitude do Estado em relação aos trabalhadores. </li></ul>
  15. 17. <ul><li>As oligarquias dissidentes optavam pela luta armada, o descontentamento militar ganhava novo alento, as classes médias urbanas insatisfeitas, constituíam um amplo setor de apoio. Nesse momento o setor cafeeiro era atingido pelos primeiros efeitos da crise de 1929 e se distanciava do Governo Federal. </li></ul><ul><li>Portanto, a crise de 1929 contribuiu para o agravamento de contradições internas. </li></ul><ul><li>O setor cafeeiro perdeu sua hegemonia política. </li></ul><ul><li>Nova composição da classe dominante, entretanto, não houve uma ruptura no processo histórico, e sim apenas uma acomodação de interesses e uma atualização de instituições. </li></ul>
  16. 18. Crise de 1929 <ul><li>Repercutiu com maior intensidade no Brasil em 1931, ainda considerando que seus efeitos iniciais já haviam sido sentidos pelo setor cafeeiro. </li></ul><ul><li>Esse fato foi percebido pelos adversários da oligarquia cafeicultora, que nele viram uma oportunidade de derrubá-la. </li></ul><ul><li>O setor cafeeiro e o governo federal estavam distanciados por este ter recusado auxílio no início da crise. </li></ul>
  17. 20. Discurso da posse de Getúlio Vargas após a Revolução de 1930 <ul><li>No fundo e na forma, a Revolução escapou ao exclusivismo de determinadas classes. Nem os elementos civis venceram as classes armadas, nem estas impuseram àqueles o fato consumado. Todas as categorias sociais, de alto a baixo, venceram, sem diferença de idade ou sexo, comungaram em um idêntico pensamento fraterno e dominador: a construção de uma Pátria nova, igualmente acolhedora para grandes e pequenos, aberta à colaboração de todos seus filhos. </li></ul>
  18. 21. <ul><li>O trabalho de reconstrução , que nos espera, não admite medidas contemporizadoras. Implica o reajustamento social e econômico de todos os rumos até aqui seguidos. Não tenhamos medo à verdade. Precisamos, por atos e não por palavras, cimentar a confiança da opinião pública no regime que se inicia. Comecemos por desmontar a máquina do filhotismo parasitário, com toda a sua dependência espúria. </li></ul>
  19. 22. <ul><li>No terreno financeiro e econômico, há toda uma ordem de providências essenciais a executar, desde a restauração do critério público ao fortalecimento das fontes produtoras, abandonadas às suas dificuldades e asfixiadas sob o peso de tributações de exclusiva finalidade fiscal. </li></ul><ul><li>Como vedes, temos vasto campo de ação, cujo, perímetro pode, ainda, alargar-se em mais de um sentido, se nos for permitido desenvolver o máximo em nossas atividades. </li></ul>

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