Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente

12,195 views

Published on

  • Be the first to comment

Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente

  1. 1. Ridendo, castigat moresA rir, critica os costumesGil Vicente (1465 ?-1536 ?)
  2. 2. BiografiaApesar de se considerar que a data mais provável para o seu nascimento tenha sidoem 1466 — hipótese defendida, entre outros, por Queirós Veloso — há ainda quemproponha as datas de 1460 (Braamcamp Freire) ou entre 1470 e 1475 (Brito Rebelo).Frei Pedro de Poiares localizava o seu nascimento em Barcelos, mas as hipóteses deassim ter sido são poucas. Pires de Lima propôs Guimarães para sua terra natal -hipótese essa que estaria de acordo com a identificação do dramaturgo com oourives, já que a cidade de Guimarães foi durante muito tempo berço privilegiadode joalheiros. Lisboa é também muitas vezes defendida como o local certo. Outros,porém, indicam as Beiras para local de nascimento - de facto, verificam-se váriasreferências a esta área geográfica de Portugal, seja na toponímia como pela formade falar das personagens.
  3. 3. BiografiaPresume-se que tenha estudado em Salamanca.O seu primeiro trabalho conhecido, a peça em castelhanoMonólogo do Vaqueiro, foi representada nos aposentos da rainhaD. Maria, consorte de Dom Manuel, para celebrar o nascimentodo príncipe (o futuro D. João III) - sendo esta representaçãoconsiderada como o marco de partida da história do teatroportuguês.Tornou-se, então, responsável pela organização dos eventos palacianos.Perante o interesse de Dona Leonor, que se tornou a sua grande protectora nos anosseguintes, Gil Vicente consolidou a sua presença.Será ele que dirigirá os festejos em honra de Dona Leonor, a terceira mulher de DomManuel, no ano de 1520, um ano antes de passar a servir Dom João III, conseguindo oprestígio do qual se valeria para se permitir a satirizar o clero e a nobreza nas suasobras ou mesmo para se dirigir ao monarca criticando as suas opções. Foi o que fezem 1531, através de uma carta ao rei onde defende os cristãos-novos.Morreu em lugar desconhecido, talvez em 1536 porque é a partir desta data que sedeixa de encontrar qualquer referência ao seu nome nos documentos da época,além de ter deixado de escrever a partir desta data.
  4. 4. Gil Vicente (1465-1536) é geralmente considerado o primeiro grandedramaturgo português, além de poeta de renome.Há quem o identifique com o ourives, autor da Custódia de Belém, mestre dabalança, e com o mestre de Retórica do rei Dom Manuel.Enquanto homem de teatro, parece ter também desempenhado as tarefas demúsico, actor e encenador. É frequentemente considerado, de uma forma geral, o pai do teatroportuguês, ou mesmo do teatro ibérico já que também escreveu emcastelhano.A obra vicentina é tida como reflexo da mudança dos tempos e da passagemda Idade Média para o Renascimento, fazendo-se o balanço de uma épocaonde as hierarquias e a ordem social eram regidas por regras inflexíveis, parauma nova sociedade onde se começa a subverter a ordem instituída, aoquestioná-la. Foi, o principal representante da literatura renascentista portuguesa,anterior a Camões, incorporando elementos populares na sua escrita queinfluenciou, por sua vez, a cultura popular portuguesa.
  5. 5. Época
  6. 6. Auto da Barca do Inferno é uma complexa alegoria dramática de GilVicente, representada pela primeira vez em 1517. É a primeira parte da chamadatrilogia das Barcas (sendo que a segunda e a terceira são respectivamente o Auto daBarca do Purgatório e o Auto da Barca da Glória).Os especialistas classificam-na como moralidade, mesmo que muitas vezes seaproxime da farsa. Ela proporciona uma amostra do que era a sociedade lisboetadas décadas iniciais do século XVI, embora alguns dos assuntos que cobre sejampertinentes na actualidade.Diz-se "Barca do Inferno", porque quase todos os candidatos às duas barcas emcena – a do Inferno, com o seu Diabo, e a da Glória, com o Anjo – seguem naprimeira. De facto, contudo, ela é muito mais o auto do julgamento das almas.Resumo da ObraA peça inicia-se num porto imaginário, onde se encontram asduas barcas, a Barca do Inferno, cuja tripulação é o Diabo e oseu Companheiro, e a Barca da Glória, tendo como tripulaçãoum Anjo na proa.
  7. 7. Estrutura Externa. O auto não tem uma estrutura definida, não estando dividido em actos oucenas;. Conjunto de mini acções paralelas;. Para facilitar a sua leitura divide-se o auto em cenas à maneira clássica, decada vez que entra uma nova personagem.Estrutura Interna. Cada cena divide-se em: - Exposição – breve apresentação da personagem - Conflito – duplo interrogatório feito pelo Diabo e pelo Anjo - Desenlace – sentença proferida pelo Anjo e/ou demónio.
  8. 8. PersonagensAs personagens desta obra são divididas em dois grupos:as personagens alegóricas – Anjo e Diabo , representando respectivamente oBem e o Mal, o Céu e o Inferno. Ao longo de toda a obra estas personagens sãocomo que os «juízes» do julgamento das almas, tendo em conta os seus pecados evida terrenaas personagens – tipo - inserem-se todas as restantes personagens do Auto,nomeadamente o Fidalgo, o Onzeneiro, o Sapateiro, o Parvo (Joane), o Frade, aAlcoviteira, o Judeu, o Corregedor e o Procurador e os Quatro Cavaleiros. Todosmantêm as suas características terrestres, o que as individualiza visual elinguisticamente, sendo quase sempre estas características sinal de corrupção.Fazendo uma análise das personagens, cada uma representa uma classe social, ouuma determinada profissão ou mesmo um credo. À medida que estaspersonagens vão surgindo vemos que todas trazem elementos simbólicos, querepresentam a sua vida terrena e demonstram que não têm qualquerarrependimento dos seus pecados. Os elementos simbólicos de cada personagemsão:
  9. 9. Fidalgo: manto e pajem que transporta uma cadeira. Estes elementos simbolizam a opressãodos mais fracos, a tirania e a presunção.Onzeneiro: bolsão. Este elemento simboliza o apego ao dinheiro, a ambição e a ganância.Sapateiro: avental e moldes. Estes elementos simbolizam a exploração interesseira, da classeburguesa comercial.Parvo: representa simbolicamente, os menos afortunados de inteligência.Frade: Moça e espada. Estes elementos representam a vida mundana do Clero, e a dissoluçãodos seus costumes.Alcoviteira: moças e os cofres. Estes elementos representam a exploração interesseira dosoutros, para seu próprio lucro.Judeu: bode. Este elemento simboliza a religião judaica.Corregedor e Procurador: processos, vara da Justiça e livros. Estes elementos simbolizam amagistratura.Quatro Cavaleiros: cruz de Cristo simboliza a fé dos cavaleiros pela religião católica.
  10. 10. Sátira SocialGil Vicente fez a análise impiedosa das moléstias que corroíam a sociedade emque viveu, não foi para se ficar aí, como nas farsas, mas para propor um caminhodecidido de transformação em relação ao presente.Normalmente classificada como uma moralidade, muitas vezes ela aproxima-se dafarsa; o que indubitavelmente fornece ao leitor/espectador é uma visão, aindaque parcelar, do que era a sociedade portuguesa do século XVI. Apesar de seintitular Auto da Barca do Inferno, ela é mais o auto do julgamento das almas.Ridendo, castigat moresA rir, critica os costumes
  11. 11. HumorSurgem ao longo do auto três tipos de cómico:O cómico de carácter é aquele que é demonstrado pela personalidade dapersonagem, de que é exemplo o Parvo, que devido à sua pobreza deespírito não mede as suas palavras, não podendo ser responsabilizado pelosseus erros.O cómico de situação é o criado à volta de certa situação, de que é bomexemplo a cena do Fidalgo, em que este é gozado pelo Diabo, e o seuorgulho é pisado.O cómico de linguagem é aquele que é proferido por certa personagem, deque são bons exemplos as falas do Diabo.

×