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A Tabela 1 facilita a identificação do tipo de inovação e seu correspondente nível deincerteza, sendo esta um referencial ...
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Gerenciamento De Riscos Da InovaçãO Tecnologica

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Gerenciamento De Riscos Da InovaçãO Tecnologica

  1. 1. GERENCIAMENTO DE RISCOS DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA Eliacy Cavalcanti Lélis Mestre em Engenharia de Produção-UFPB Especialista em Educação Superior - UNINOVE Graduanda em Administração – UNICID eliacylelis@ig.com.br 1
  2. 2. Resumo O risco é inerente a qualquer atividade e até a própria vida. Normalmente eleé visto como algo negativo, entretanto, decisões que envolvem risco podem gerar efeitosaltamente positivos se devidamente gerenciados. Este artigo propõe um modo degerenciamento de riscos da inovação tecnológica, para a geração de uma vantagemcompetitiva baseada na minimização ou eliminação de riscos que possam impedir ou reduziro sucesso da inovação tecnológica. Definiu-se um modo de gerenciamento de riscos, onde foiidentificado e avaliado os riscos, suas possibilidades de gerenciamento, construção do mapade riscos e definição do nível de risco que se quer ou se pode assumir e gerenciar. Com basenestes dados, o risco de fracasso da inovação tecnológica pode ser substancialmentereduzido e o sucesso não somente ocorrer, mas gerar vantagem competitiva.Palavras-chave: gerenciamento de riscos, inovação tecnológica, vantagem competitiva. 2
  3. 3. 1. Introdução O risco é intrínseco a tudo e todos. Entretanto, normalmente, o risco é compreendidocomo algo negativo e como um gerador de mudanças, onde em muitos casos, podem serinesperadas e indesejáveis. Mas é possível que decisões que envolvam riscos possam gerar efeitos altamentepositivos. Para isto, é imprescindível o papel do gerenciamento de riscos, que identifica osriscos e administra-os, capacitando a tomada de decisões conscientes diante de um nível derisco que se quer ou se pode assumir (Vanca, 1998, p.20). No contexto das organizações, qualquer decisão está sob algum grau de incerteza.Teixeira (1983, p.61) mostra que estas incertezas são provenientes da manipulação deinformações imperfeitas e projetos com condições futuras. Em certos casos, o empresáriopode avaliar (mesmo subjetivamente) as probabilidades e recompensa para cada curso de açãopossível, definindo quais podem minimizar seu risco. Teixeira também destaca que, em projetos de inovação, esta situação se torna maiscrítica, pois nem sempre é possível a avaliação das probabilidades do evento, diante danatureza das incertezas na inovação. Drucker (1994, p.196) afirma que os inovadores que alcançaram êxito não são“assumidores de risco”, pois eles procuram definir os riscos que têm que incorrer e minimizá-los o quanto for possível. Entretanto, Degen (1989, p.11) acredita que “o empreendedor, pordefinição, tem de assumir riscos, e o seu sucesso está na sua capacidade de conviver com elese sobreviver a eles”. Enfim, embora ambos os autores discordem sobre a questão doempreendedor de sucesso assumir ou não o risco, eles concordam em um ponto fundamental:a necessidade do gerenciamento de riscos da inovação. Este artigo propõe um modo de gerenciamento de riscos da inovação tecnológica, paraa geração de uma vantagem competitiva baseada na minimização ou eliminação de riscos quepossam impedir ou reduzir o sucesso da inovação tecnológica.2. Riscos Empresariais 2.1 Definição da Terminologia Fundamental A terminologia utilizada em qualquer discussão sobre Riscos deve ser bem definida, afim de impedir desvios e vícios de comunicação e compreensão, que podem se adicionar àsdificuldades na resolução de problemas (Hammer apud De Cicco, 1985, p. 9). Tal terminologia deve ser consistente, clara e precisa, refletindo a filosofia e o enfoquesobre Gerência de Riscos adotada neste artigo. Deste modo, De Cicco (1985, passim e 1995,passim) conceitua alguns termos fundamentais, dos quais consideramos:⇒ dano é a gravidade da perda humana, material ou financeira que pode resultar se o controle sobre um risco é perdido.⇒ perigo é uma fonte de dano ou prejuízo potencial, ou uma situação com potencial para provocar dano ou prejuízo.⇒ risco é uma combinação da probabilidade de ocorrência e das conseqüências de um evento perigoso especificado (acidente ou incidente). Tem dois elementos: 1) a probabilidade de um perigo ocorrer; 2) as conseqüências de um evento perigoso.⇒ acidente é um evento não planejado que resulta em morte, doença, lesão, dano ou outra perda.⇒ incidente é um evento não planejado que tem o potencial de levar a um acidente, sendo assim considerado um quase - acidente. 3
  4. 4. ⇒ avaliação de riscos é o processo global de estimar a magnitude de riscos e decidir se o risco é ou não tolerável ou aceitável. 2.2 Classificação dos Riscos A identificação dos riscos potenciais e inerentes a cada atividade numa empresa é umaquestão fundamental, principalmente no início do gerenciamento de riscos. Existem diferentestipos de riscos com características diferenciadas em função do ambiente de atuação daempresa e das suas próprias características operacionais. Novos riscos surgem com novostipos de estruturas corporativas e mudanças na tecnologia da informação (Vanca, 1998, p.21). De Cicco (1985, p. 11-12) afirma que segundo a natureza dos riscos, os “tradicionais”estudiosos da Gerência de Riscos os classificam basicamente em:⇒ riscos especulativos (ou dinâmicos)⇒ riscos puros (ou estáticos) A principal diferença entre essas duas categorias é que os riscos especulativosenvolvem uma possibilidade de ganho ou uma chance de perda; ao passo que os riscos purosenvolvem somente uma chance de perda, não existindo nenhuma possibilidade de ganho ou delucro. Um exemplo clássico que ilustra claramente esta diferença é o do proprietário de umveículo, cujo risco (puro) que está associado a ele é o da perda potencial por colisão. Os riscosespeculativos podem ser divididos em três tipos:1. riscos administrativos - relacionados ao processo de tomada de decisões gerenciais e podemainda ser subdivididos em - riscos de mercado: são fatores que tornam incerta a venda de um determinado produto ou serviço, a um preço suficiente que traga resultados satisfatórios em relação ao capital investido; - riscos financeiros: relativos às incertezas em relação às decisões tomadas sobre a política econômico - financeira da organização; - riscos de produção: tratam questões e incertezas quanto a materiais, equipamentos, mão-de-obra e tecnologia utilizados na fabricação de um produto ou prestação de um serviço.2. riscos políticos - derivam-se de ações emanadas do Governo Federal, Estadual ouMunicipal que possam ameaçar os interesses e objetivos da organização.3. riscos de inovação - referem-se às incertezas decorrentes, normalmente, da introdução(oferta) de novos produtos ou serviços no mercado, e da sua aceitação (demanda) pelosconsumidores. Vanca recomenda a classificação dos riscos por natureza e relevância entre:⇒ riscos estratégicos - estão associados ao modo que uma organização é gerenciada. Está focada nas questões corporativas amplas, tais como fatores competitivos, estrutura organizacional, desenvolvimento de novos produtos, estratégia de formação de preços, etc.⇒ riscos operacionais - referentes à habilidade de uma organização controlar e distribuir seus processos principais de maneira previsível e pontualmente. Está focada na integridade e consistência dos processos diários que suportam o negócio.⇒ riscos de conformidade - relacionados com a habilidade da organização cumprir normas regulatórias legais e exigências fiduciárias.⇒ riscos financeiros - estão ligados à exposição financeira da organização. São observadas as ferramentas relacionadas à Tesouraria e fluxos financeiros, como os relatórios financeiros (internos ou externos), que estão sujeitos a, por exemplo, erros decorrentes de incompetência, falhas em sistemas, furtos ou fraudes. Esta classificação é bem abrangente, considerando questões como normalização eestratégias, presentes em muitas organizações. De modo que as duas classificações citadas se 4
  5. 5. complementam e permitem que adotemos o esquema 1, onde a classificação de Vanca traduzum maior detalhamento e ampliação dos riscos especulativos descritos por De Cicco. Riscos Puros Riscos Especulativos Riscos de Inovação Riscos Administrativos Riscos Políticos Riscos Riscos Riscos de Financeiros Riscos de Mercado Produção Estratégicos Riscos de Riscos Conformidade Operacionais Esquema 1. Classificação de Riscos Empresariais Após a classificação dos riscos, é preciso avaliar cada risco em termos da sua potencialocorrência e dos seus possíveis impactos estratégicos, operacionais, financeiros, etc. Amagnitude do impacto de cada risco precisa ser identificada, para que assim se tenha umadequado grau de controle. Cada risco pode ser classificado como: alto, médio ou baixo e atendência de risco pode ser: estável, crescente ou decrescente.4. Os Riscos e as Incertezas da Inovação Tecnológica “Inovação” é um termo econômico ou social, mais que técnico, que pode mudar orendimento dos recursos. A inovação tecnológica considerada é a mudança que pode alterarou gerar um novo produto, processo ou serviço (Drucker, 1994, p.43-44). Ela pode ser proveniente de tecnologia nacional ou estrangeira. A tecnologiaestrangeiras tem três canais de entrada: importação direta de produtos e serviços, empresassob controle direto de empresa estrangeira e “venda” de sua tecnologia a empresas nacionais.A tecnologia é uma mercadoria que as empresas detentoras do conhecimento utilizam comovantagem econômica (Grynzpan, 1983, p. 477). Desta situação surge o risco da dependênciatecnológica. Freeman (1974) apud Teixeira (1983, p. 61) afirma que as incertezas na inovaçãoindustrial ocorrem em três diferentes âmbitos:⇒ incerteza nos negócios;⇒ incertezas técnicas;⇒ incertezas mercadológicas. Junto com estas incertezas, estão os riscos provenientes das mudanças geradas pelainovação tecnológica. O grau de incerteza varia com o tipo de inovação, de modo que, quantomais radical a inovação, mais arriscado é o projeto que objetiva seu lançamento. 5
  6. 6. A Tabela 1 facilita a identificação do tipo de inovação e seu correspondente nível deincerteza, sendo esta um referencial na etapa inicial do gerenciamento de riscos da inovaçãodescrito posteriormente. Nível de Incerteza Tipo de Inovação1. Verdadeira Incerteza • Pesquisa Básica • Invenção Fundamental2. Muito Alto Grau de Incerteza • Inovação Radical em Produtos • Inovação Radical em Processos (realizada fora da empresa usuária)3. Alto Grau de Incerteza • Inovação Significativa em Produtos • Inovação Radical em Processos (realizada no seio da empresa usuária)4. Moderado Grau de Incerteza • Nova geração de Produtos já Estabelecidos5. Pouca Incerteza • Licenciamento de Inovações • Imitação de Inovações em Produtos • Modificações em Produtos e Processos • Adoção de Processos (na fase inicial do ciclo de vida)6. Pouquíssima Incerteza • Novo Modelo de Produto Estabelecido • Diferenciação de Produtos • Agenciamento de Inovação de Produtos Estabelecidos • Adoção de Processos (em sua fase de “maturidade” do ciclo de vida) • Pequenas Melhorias Técnicas em Produtos e Processos Tabela 1. Inovação conforme o Nível de Incerteza Fonte: Teixeira (1983, p. 63) Mudança é a palavra - chave para qualquer tipo de inovação. A exploração adequadada mudança num produto ou serviço pode conduzir ao sucesso da inovação tecnológica. Na administração empreendedora, Drucker (1994, cap. 2) prescreve que osempreendedores precisam aprender a praticar a inovação sistemática. Ele conceitua a inovaçãosistemática como “a busca deliberada e organizada de mudança, e na análise sistemática dasoportunidades que tais mudanças podem oferecer para a inovação econômica ou social”. Ele considera que a base de conhecimento do empreendimento é um examesistemático das áreas de mudança que tipicamente oferecem oportunidades empreendedoras.Especificamente, a inovação sistemática significa o monitoramento de sete fontes para umaoportunidade inovadora que são sintomas e indicadores de mudanças que já ocorreram ou quepodem ser provocadas. Confiabilidade e Fontes de Oportunidade Inovadora Previsibilidade O inesperado - o sucesso ou o fracasso inesperado ou o MAIOR organização ou de evento externo inesperado. Dentro da um setor A incongruência - entre a realidade como ela é de fato, e a realidade como se presume ser ou como “deveria ser”. A inovação baseada na necessidade do processo. Mudanças na estrutura do setor industrial ou na estrutura do mercado que apanham a todos desprevenidos. Mudanças demográficas (mudanças populacionais). organizaç ão ou do Fora da setor: Mudanças em percepção, disposição e significado. Conhecimento novo, tanto científico como não - científico. MENOR 6
  7. 7. Tabela 2. Magnitude da confiabilidade e previsibilidade conforme a fonte de oportunidade inovadora Estas sete áreas de fontes de oportunidades inovadoras podem ser comparadas a setejanelas, cada uma em um lado diferente do mesmo prédio. Cada janela mostra algumas coisasque também podem ser vistas pelas outras janelas. Mas, a vista do centro de cada uma édistinta e diferente. Este autor delimita os graus de incerteza e riscos, através destas fontes deoportunidade, pela disposição delas numa ordem decrescente de confiabilidade eprevisibilidade (Tabela 2). Esta contribuição auxilia na análise da magnitude do risco, queserá feita posteriormente, onde quanto maior a confiabilidade e a previsibilidade, menor será orisco. Entretanto, as contribuições dos diversos autores nesta área de riscos da inovaçãotecnológica são isoladas. Por isso, definiremos a seguir um roteiro que direciona um modo degerenciamento de riscos da inovação tecnológica.4. A Gerência de Riscos “A Gerência de Riscos é a ciência, a arte e a função que visa a proteção dos recursoshumanos, materiais e financeiros de uma empresa, quer através da eliminação ou redução deseus riscos, quer através do financiamento dos riscos remanescentes, conforme sejaeconomicamente viável” (De Cicco, 1985, p.15). A Gerência de Riscos teve, de fato, seu início nos Estados Unidos e em alguns paísesda Europa, logo após a Segunda Guerra Mundial, por volta de 1950. Os interessados foram osresponsáveis pela segurança das grandes empresas, com o objetivo de reduzir suas despesascom seguros, através do aumento da proteção contra os riscos (De Cicco, 1996, p. 4, vol. 1). Portanto, a Gerência de Riscos tem o fim de reduzir custos da empresa através daprevenção e controle dos riscos, seguindo um conceito básico da Filosofia da Qualidade, que ébuscar resolver os problemas atacando diretamente a causa. Além disso, o risco funciona como uma barreira competitiva. Identificando egerenciando adequadamente os riscos, através de pesquisas e suporte especializados, o riscode não dar certo o empreendimento pode ser substancialmente reduzido, mas gerar grandevantagem competitiva (Esquema 2) (Vanca, 1998, p. 20). Identificação dos objetivos Monitoramento Monitoramento dos Riscos dos Riscos Estabelecimento de Controles Esquema 2. Visão Geral do Processo de Administração de Riscos Fonte: Vanca, 1998, p. 20 Na alocação de recursos para este gerenciamento, no contexto empresarial, os riscosestratégicos são os mais relevantes. Porque envolvem situações que impedem o atingimentodos objetivos corporativos ou a não ocorrência de situações consideradas necessárias para 7
  8. 8. estes objetivos, como por exemplo, o investimento em inovações tecnológicas. Obviamente,os demais riscos tem também relevância e implicações diferenciadas. É importante considerar também que se determinados riscos relevantes não sãototalmente gerenciáveis ou não há recursos para isto, então estes não podem ser assumidos,mesmo que relacionados a operações estratégicas. (Vanca, 1998, p.21)Portanto, as atividadesligadas a este risco estarão comprometidas. “O gerenciamento de riscos deve incluir a identificação do risco potencial, suaprevenção, a detecção quando não possível a prevenção e, ainda, a administração do fatoocorrido, visando a minimização dos impactos negativos e a prevenção da sua repetição”(idem, 1998, p.24). 3.1 Gerenciamento dos Riscos da Inovação Tecnológica O roteiro a seguir sugere um modo de gerenciamento de riscos da inovaçãotecnológica.1º etapa: Identificação dos Riscos 1º passo: Classificar a inovação tecnológica, com base na Tabela 1. 2º passo: Identificar os perigos que possam provocar a inviabilidade da inovação.Como exemplo, considere os seguintes perigos:1. baixas barreiras de entrada de concorrentes na produção desta inovação;2. dependência de componentes ou acessórios com disponibilidade e custo incerto;3. desarticulação entre a oferta e a demanda tecnológica4. desconhecimento da demanda potencial para o novo produto ou serviço;5. desconhecimento de todos os aspectos legais que cercam a inovação;6. desconsideração das tendências de mudanças significativas no setor, tais como a evolução tecnológica;7. efeitos negativos do poder de controle do governo sobre a inovação, através de órgãos reguladores, leis, decretos, etc.8. erro na avaliação da reação dos concorrentes;9. erro na estimativa dos recursos de investimento necessários para a colocação do novo produto ou serviço no mercado;10. erros no gerenciamento da inovação;11. falta ou erros de planejamento da inovação;12. grande intensidade dos efeitos da situação econômica do seu país ou do país receptor da inovação tecnológica;13. ineficiência de marketing e vendas;14. não aceitação dos novos produtos ou serviços pelos clientes;15. posicionamento errado do novo produto ou serviço no mercado - imagem, propaganda, promoção, canais de distribuição e preço;16. setor da inovação em questão em estagnação ou retração;17. subavaliação dos problemas técnicos da inovação tecnológica, devido à insuficientes informações técnicas. 3º passo: Determinar os riscos correspondentes aos perigos que podem afetar ainovação tecnológica em questão, com base no esquema 1. Todos os riscos da inovaçãotecnológica são especulativos, e embora os riscos de inovação estejam diretamenterelacionados com os riscos estratégicos e com os riscos administrativos, pode-se observar queos demais riscos estão intrinsecamente interligados e devem ser considerados. Utilizando o exemplo dos perigos acima citados, os riscos ficariam subdivididos comomostra a Tabela 3. 8
  9. 9. RISCOS PERIGOS de mercado/Estratégicos 3/4/12/13/14/15 Administrativo financeiros 9 s produção/conformidade/operacionai 2/17 s Políticos/Estratégicos 5/7/12 Inovação/Estratégicos 1/6/8/10/11 Tabela 3. Classificação dos Riscos da Inovação Tecnológica 4º passo: Integrar ao planejamento estratégico da empresa as metas para o controle dosriscos identificados que ameaçam a inovação tecnológica em questão.2ª etapa: Avaliação dos Riscos 1º passo: Junto ao grau de incerteza definido anteriormente na 1ª etapa, conforme ainovação tecnológica em questão, se possível, identifique qual ou quais fontes deoportunidade inovadora da Tabela 2 foram utilizadas, para que obter mais uma noção sobre ograu de confiabilidade e previsibilidade. Estas duas informações fornecem elementos quedelineiam a magnitude do risco. 2º passo: Definir o grau de gerenciamento adequado ao risco, tendo como referencial aFigura 1, que descreve quatro graus de magnitude do risco, através da análise de potencial dorisco. 1.Probabilidade e Magnitude Baixas = Risco M baixo (mínimos controles) I A 3 4 M G Alta Alta 2.Probabilidade Alta e Magnitude Baixa = P N A Baixa Alta C I Risco Médio (perdas mais frequentes, mas O T T O U U de baixo impacto) D 1 2 E 3.Probabilidade Baixa e Magnitude Alta = Baixa Baixa Baixa Alta Risco Médio (perdas pouco frequentes, mas de alto impacto) PROBABILIDADE 4.Probabilidade e Magnitude Altas = Risco OU FREQUÊNCIA Alto (perdas freqüentes de alto impacto, requer atenção especial) Figura 1. Análise de Potencial Impacto de Riscos Fonte: Vanca, 1998, p.23 3º passo: Classificar a tendência de cada risco, que pode ser:- Estável - são os riscos mais fáceis de controlar.- Crescente - são os riscos mais perigosos e que podem pôr em risco a inovação tecnológica.- Decrescente - são os riscos que podem ser eliminados e possivelmente, de redução máxima 4º passo: Se possível, quantificar os possíveis impactos, principalmente quando osriscos são estratégicos. Um dos riscos que dependem basicamente da quantificação são osfinanceiros.3ª etapa: Definir as Possibilidades de Gerenciamento O nível de risco que se pode assumir e gerenciar está entrelaçado à estimativa doscustos de gerenciamento dos riscos. Possivelmente, a empresa buscará a utilização mínima derecursos financeiros para a máxima redução de riscos, e este ponto pode levar às seguintespossibilidades: - desconsideração dos riscos baixos; 9
  10. 10. - priorização dos riscos médios mais relevantes; - atenção especial aos riscos crescentes; - atenção redobrada aos riscos altos.4ª etapa: Montar um Mapa de Risco Nesta etapa final, o mapa de risco é um instrumento que concentra as informaçõesreferentes aos riscos e seus agentes geradores, servindo assim como base para discussão, demodo concreto, sobre os riscos referentes à inovação tecnológica em questão. Foi adaptado ao contexto da inovação tecnológica, conforme mostra o esquema 3, ummapa de riscos apresentado por Vanca (1998, p.23), numa visão geral que engloba aestratégia, metodologia e a infra-estrutura. Estratégia Metodologia Infra-Estrutura Objetivos e Controle do Processo: Estratégias Comunicações fre- Análise de Risco: da Inovação Estabelecer e quentes; treinamento; Tecnológica comunicar diretrizes consistência das ações e abordagem consistente Identificação de Potencial de Risco: Riscos: -Identificar os riscos -Estabelecer umpro- Responsabilidade -Priorizar Atividade de cesso consistente Definir claramente as Controle -Integrar com o pla- responsabilidades nejamento estratégico -Adotar o auto-controle Estratégias -Flexibilizar a imple- de Gerenciamento mentação de Riscos: Monitoramento -Estabelecer objetivos Melhoria dos do Desempenho: -Comunicar bases para Controles Estabelecer parâmetros o gerenciamento para riscos críticos e a- ções a tomar se a tole- rância for ultrapassada Esquema 3 (adaptado). Mapeamento de Riscos Fonte: Vanca, 1998, p. 23 5.2 Exemplos de Mecanismos de Redução dos Riscos Segundo Teixeira (1983, p. 61-62), as empresas minimizam as incertezas técnicas(riscos de produção) executando a P&D, provendo adequada capacitação gerencial e métodossofisticados de avaliação e controle de projetos. Já as incertezas mercadológicas (riscos demercado) podem assumir aspectos críticos no caso de lançamentos de novos produtos ouserviços. Entretanto, métodos mais sofisticados de estudos de mercado e avançadas técnicas demarketing podem ajudar a minimizar estas incertezas, mas não no mesmo nível conseguido nocaso das incertezas técnicas. Na redução do risco de mercado proveniente do perigo de desarticulação entre a ofertae a demanda tecnológica, Souza Neto (1983, p. 371-374) propõe um modelo genérico, comomostra a Figura 2. Ele é constituído de núcleos chamados NIT (Núcleos de InovaçãoTecnológica) que possibilitam a transferência, ao setor produtivo, das tecnologias geradas nas 10
  11. 11. instituições de pesquisa e universidades. Basicamente, suas funções seriam localizar asdemandas existentes no setor produtivo, desenvolver o processo de negociação tecnológica eservir de canal de comunicação entre as unidades do sistema de geração e as do sistemaprodutivo nacional. Área de coordenação Sistema Área de tra- Sistema Nacional de Área de Produtivo tamento da Geração de marketing Nacional prop. ind. Tecnologia (Institutos de Empresas P&D e Uni- Área de Públicas e versidades) informática Privadas Figura 2. A Estrutura Básica do Núcleo Fonte: Souza Neto, 1983, p.373 Grynzpan (1983. p. 491) revela a importância da utilização da informação contida nosdocumentos de patentes dos setores envolvidos no desenvolvimento e comércio da tecnologia,que podem diminuir os custos das atividades de P&D e minimizar os riscos dedesconhecimento da informações técnicas sobre determinada inovação.8. Considerações Finais O cenário de riscos e incertezas da inovação tecnológica, demonstra a latentenecessidade do gerenciamento dos riscos, como forma de garantir a sua viabilidade. Naverdade, um alto risco funciona como uma barreira para o inovador, por isso, aquele quegerenciar adequadamente este risco, terá conseguido obter uma vantagem competitiva. Tal gerenciamento, entretanto, não deve e não pode ser isolado. É importante aconsideração de um modelo adequado ao universo de riscos da inovação tecnológica emquestão e da empresa. Este modelo precisa estar inserido no gerenciamento global destainovação tecnológica, acompanhando desde a fonte explorada de oportunidade inovadora, atéa garantia de viabilidade e sustentação no mercado. Birchall at al (1996, p. 6) esclarece que a inovação não é um fim em si degerenciamento. Ela tem como principal objetivo aumentar, ou ao menos aperfeiçoar, osdesempenhos econômicos globais da firma. Ele ressalta que, a maior parte dos modelosteóricos disponíveis sobre gerenciamento da inovação tecnológica consideram o desempenhoinovador, o dinamismo inovador da empresa, com base sobre um conjunto de variáveis“independentes” tais como a tecnologia (inovação de produtos e/ou de procedimentos), apressão da concorrência, os recursos financeiros, a eficácia organizacional e o que é relativo àcultura e à missão. De modo que, desenvolver uma cultura e uma missão na empresa constitui umaestratégia explícita para aumentar e estimular a criatividade interna e os comportamentos detomada de riscos (idem, p.9-10). Consideramos que a gerência de riscos deve estar inserida no gerenciamento dainovação tecnológica, principalmente na fase inicial, que é quando as ações são planejadas e aviabilidade é estudada. Para melhor visualização de um exemplo de como seria esta inserção, 11
  12. 12. foi feita uma adaptação do roteiro de avaliação do potencial de lucro mostrado por Degen(1989, p.65) ao contexto da inovação tecnológica (Esquema 4). ETAPAS FA SES IN ÍC IO D O C IC L O D A IN O V A Ç Ã O P T E C N O L Ó G IC A R 1 .I d e n tif ic a r a o p o r tu n id a d e O C I d e n tific a r o p o r tu n id a d e s U R A R C o le ta r in fo r m a ç õ e s O U T R I d e n tific a r e a v a lia r r is c o s A 2 .D e s e n v o lv e r a in o v a ç ã o O te c n o ló g ic a P M e d id a s p /re d u zir risc o s O R O T U U N F O s r is c o s c r ít ic o s f o r a m NÃO I A a d e q u a d a m e n t e r e s o lv id o s ? D Z A E D R S IM E A A v a lia r o p o te n c ia l d e J lu c r o e c r e s c im e n to I U N S O T V E H á u m a d e m a n d a t e c n o ló g ic a NÃO A S D q u e su s te n te e s te p o te n c ia l? O R S IM A NÃO E s t a in o v a ç ã o é v iá v e l? 3 . I m p le m e n ta r a in o v a ç ã o te c n o ló g ic a S IM O P E R A C IO N A L IZ A Ç Ã O D A IN O V A Ç Ã O T E C N O L Ó G IC A Esquema 4. Pontos de Decisão no gerenciamento de uma Inovação Tecnológica Tal roteiro identifica pontos de decisão no gerenciamento de uma inovaçãotecnológica, indicando quando o inovador deve verificar se o risco assumido para aquelainovação é tolerável, possibilitando a sua viabilidade.8. Referências BibliográficasBIRCHALL, David, CHANARON, Jean-Jacques, SÖDERQUIST, Klas. O gerenciamento da inovação nas pequenas e médias empresas: uma comparação de três regiões na França, Grã-Bretanha e Portugal. Le Cahies du Management Technologique, n.º 16, jan./abr. 1996, p. 5 - 23.DE CICCO, Francesco. Manual sobre sistemas de gestão da segurança e saúde no trabalho. vol 1 e 2. São Paulo: Risk Tecnologia, 1996.DE CICCO, Francesco e FANTAZZINI, Mário Luiz. Os riscos empresariais e a gerência de riscos. Módulo 1 do curso de Gerência de Riscos. São Paulo, 1985.DEGEN, Ronald Jean. O empreendedor: fundamentos da iniciativa empresarial. Colaboração de Álvaro Augusto Araújo Melo. São Paulo: MacGraw-Hill, 1989. 368 p. 12
  13. 13. DRUCKER, Peter F. Inovação e espírito empreendedor: prática e princípios. 4 ed. São Paulo: Pioneira, 1994. 378 p.GRYNSZPAN, Flávio. As atividades de pesquisa e desenvolvimento e a propriedade insdustrial. In: MARCOVITCH, Jacques (coord.). Administração em ciência e tecnologia. São Paulo: Edgard Blücher, 1983. Cap. 19, p. 475 - 500.SOUZA NETO, José Adeodato. Dinamização da transferência vertical de tecnologia: diagnóstico e proposição de uma alternativa. In: MARCOVITCH, Jacques (coord.). Administração em ciência e tecnologia. São Paulo: Edgard Blücher, 1983. Cap. 13, p. 360 - 376.TEIXEIRA, Descartes de Souza. Pesquisa, desenvolvimento experimental e inovação industrial: motivações da empresa privada e incentivos do setor público. In: MARCOVITCH, Jacques (coord.). Administração em ciência e tecnologia. São Paulo: Edgard Blücher, 1983. Cap. 2, p. 45 - 91.VANCA, Paulo Michael. A importância do gerenciamento de riscos do negócio. Brazilian Quality Index - BQI, São Paulo, Quinta Essência Gráfica e Editora Ltda, p.20-26, 1998. 13

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