Memorial Do Convento

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Memorial Do Convento

  1. 1. Escola EB 2, 3 / Sec. Vieira de Araújo <ul><li>Público-alvo : </li></ul><ul><li>- Alunos de Português - 12.º ano </li></ul><ul><li>Objectivos : </li></ul><ul><li>- Ler a obra Memorial do Convento. </li></ul><ul><li>Aprofundar o conhecimento das categorias da narrativa. </li></ul><ul><li>Conhecer a estrutura </li></ul><ul><li>-Ter uma visão crítica. </li></ul><ul><li>- Compreender a dimensão simbólica/histórica. </li></ul><ul><li>- Conhecer a linguagem e o estilo do autor. </li></ul>
  2. 2. Memorial do Convento
  3. 3. Memorial do Convento , uma das obras maiores de José Saramago, foi publicado em 1982 e é das mais importantes de toda a literatura contemporânea portuguesa. Rosto de uma edição
  4. 4. Natural da Golegã, onde nasceu em1922 Formação escolar: curso da escola técnica Variedade de profissões: serralheiro a funcionário público. Jornalista a escritor Filiação no PCP (posicionamento ideológico) Escritor polígrafo e intelectual polémico Obra literária (romance, teatro, poesia, diário, crónica, tradução,...) Popularidade (Portugal, Espanha, Brasil, Itália …) Atribuição do Prémio Nobel da Literatura (1998) Vive na ilha de Lanzarote, casado com a jornalista Pilar del Rio
  5. 5. <ul><li>- Em Portugal, o interesse pelo passado aparece ligado ao Romantismo. </li></ul><ul><li>O romance de cariz histórico, em Portugal, nasce com Alexandre Herculano. Ao longo do sé. XIX vários autores seguiram-lhe os passos e foram publicados alguns romances. </li></ul><ul><li>Nos fins do séc. XIX e primeiras décadas de XX, privilegia-se o romance biografista. Posteriormente, o romance situa-se entre o histórico tradicional e a metaficção historiográfica, com a sua expressão máxima nas décadas de 80 e 90. </li></ul>Romance Histórico
  6. 6. <ul><li>Memorial do Convento , apesar da recriação do passado, subverte a essência do tradicional romance histórico. O passado é visto numa perspectiva do presente, a cujos factos históricos se permite uma crítica. Esta reflexão crítica nega o dogmatismo da História (o histórico cruza-se com a ficção e o ideológico). </li></ul><ul><li>- Assim, embora não se possa considerar Memorial do Convento um romance histórico, ele relaciona-se com este tipo de texto, dado a sua recriação do passado, pela: </li></ul><ul><li>- referência pormenorizada ao vestuário das personagens. </li></ul><ul><li>- descrição dos espaços físicos. </li></ul><ul><li>- reconstituição de acontecimentos históricos. </li></ul><ul><li>- linguagem das personagens </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Contextualização epocal </li></ul><ul><li>- A acção do romance decorre no reinado de D. JoãoV. </li></ul><ul><li>Filho de D. Pedro II e Maria Sofia, D. João nasceu em Lisboa a 22 de Outubro de 1689. Foi aclamado rei a 1 de Janeiro de 1707 e a 9 de Junho casou com D. Maria Ana de Áustria. Faleceu a 31 de Julho de 1750. </li></ul><ul><li>Quando subiu ao trono, decorria a Guerra de Sucessão de Espanha. Assina-se o tratado de Utreque favorável a Portugal. </li></ul><ul><li>- É o período em que se verificou o maior afluxo de ouro vindo do Brasil. Também os rendimentos do tabaco, do açúcar, pau-brasil e comércio de escravos. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Nas exportações, destaque para o Vinho do Porto e Sal. </li></ul><ul><li>D. João V governou como soberano absoluto, tendo como modelo Luís XIV de França. Esbanjou a riqueza nacional para promover o seu prestígio e manter uma corte dominada pelo luxo. </li></ul><ul><li>O povo vivia de modo miserável. </li></ul><ul><li>A Inquisição marcou o seu reinado. </li></ul><ul><li>O país não dispunha de pessoas preparadas. </li></ul><ul><li>É importante a acção dos estrangeirados, pela implementação de novas ideias, caso de Padre Bartolomeu de Gusmão (inventor da passarola voadora), Luís António Verney (com o Verdadeiro Método de Estudar ). </li></ul><ul><li>- O rei revelou-se sensível às novas ideias e criou a Real Academia Portuguesa de História. </li></ul>
  9. 9. Convento de Mafra – obra que marca o reinado de D. João V
  10. 10. Aqueduto das Águas Livres Terminado no reinado de D. João V
  11. 11. Maria Xavier Francisca Leonor Bárbara
  12. 12. D. José I – futuro rei
  13. 13. “ (…) retiram-se a uma parte D. João V e o inquisidor, e este diz, Aquele que além está é frei António de S. José, a quem falando-lhe eu sobre a tristeza de vossa majestade por lhe não dar filhos a rainha nossa senhora, pedi que encomendasse vossa majestade a Deus para que lhe desse sucessão, e ele me respondeu que vossa majestade terá filhos se quiser, e então perguntei-lhe que queria ele significar com tão obscuras palavras, porquanto é sabido que filhos quer vossa majestade ter, e ele respondeu-me, palavras enfim muito claras, que se vossa majestade prometesse levantar um convento na vila de Mafra, Deus lhe daria sucessão (…)”
  14. 14. <ul><li>-Frei António de S. José diz a D. João V que terá um filho se mandar construir um convento em Mafra. </li></ul><ul><li>O desejo do rei realiza-se: a rainha encontra-se grávida. </li></ul><ul><li>Apresentação de Baltasar Sete-Sóis, mutilado, que se dirige para Lisboa. </li></ul><ul><li>Em dia de auto-de-fé, quando Sebastiana Maria de Jesus é condenada ao degredo para Angola, sua filha, Blimunda, conhece Baltasar. </li></ul><ul><li>O padre Bartolomeu pergunta a Baltasar se o quer ajudar na construção da barcarola, mas, entretanto, Baltasar vai trabalhar para um açougue. </li></ul>Acção Sequências narrativas
  15. 15. <ul><li>-A rainha dá à luz uma menina que se chamará Maria Xavier Francisca Leonor Bárbara. </li></ul><ul><li>-Nasce o segundo filho real, o infante D. Pedro, que morrerá com dois anos de idade. </li></ul><ul><li>-D. João V cumpre a palavra. Vai a Mafra escolher o local onde será erigido o convento. </li></ul><ul><li>Baltasar e Blimunda vão viver para S. Sebastião de Pedreira, para que Baltasar possa trabalhar na passarola do padre Bartolomeu Lourenço. </li></ul><ul><li>O padre parte para a Holanda na esperança de conseguir éter para que a passarola possa voar. Baltasar e Blimunda instalam-se em Mafra na casa dos pais daquele. </li></ul><ul><li>O padre regressa da Holanda, passados três anos, e pede ao casal que volte a Lisboa para continuarem a construção da passarola voadora </li></ul>
  16. 16. -Início da construção do convento. D. João V coloca a primeira pedra dos alicerces (17 de Novembro de 1717). -Bartolomeu de Gusmão regressa de Coimbra com o título de “doutor em cánones” e instala-se em Lisboa na casa de uma viúva. -Em Lisboa assiste-se à epidemia da febre-amarela. -Blimunda adoece. Domenico Scarlatti toca cravo. Ao ouvir a música, Blimunda volta a ter saúde. -A passarola está concluída e pronta para voar. O padre Bartolomeu anuncia a Baltasar e Blimuda que tem de fugir, porque o tribunal do Santo Ofício procura-o. Os três resolvem fugir na máquina voadora. Passam por Mafra e aterram na serra do Barregudo (Monte Junto). O padre tenta incendiar a passarola, é impedido por Baltasar. Entretanto o padre desaparece.
  17. 17. -Baltasar e Blimunda vão viver para Mafra. Baltasar trabalha na construção do convento e , sempre que pode, vai ver a máquina voadora ao Monte Junto. -D. João V diz a João Frederico Ludovice que quer ampliar o convento para duzentos frades e manda recrutar trabalhadores, independentemente da sua vontade, por todo o país. -Cortejo real e casamento dos príncipes portugueses (D. Maria Bárbara e D. José) com os infantes espanhóis (D. Fernando VI e Maria Vitória). -Baltasar vai ver a passarola ao Monte Junto. Quando está dentro dela, inesperadamente, esta sobe no ar. -Blimunda vai à serra do Barregudo procurar Baltasar. -No dia 22 de Outubro de 1730, data de aniversário do rei (41 anos), faz-se a sagração do convento.
  18. 18. -Durante nove anos, Blimunda procura, de terra em terra, Baltasar. Por fim, encontra-o em Lisboa: ardia na fogueira do Santo Ofício, juntamente com outros suplicados, entre os quais António José da Silva, durante a realização de um auto-de-fé. Blimunda
  19. 19. O narrador é geralmente heterodiegético . É uma entidade exterior à história que relata os acontecimentos. Surge na terceira pessoa. NB. Por vezes temos formas verbais na primeira pessoa do plural: “fizemos”, “tomámos” e pronome possessivo “nossos” que remetem para um tipo de narrador homodiegético. Este narrador é uma personagem da história, que revela as suas próprias vivências, mas não se trata da participação na história como protagonista. Assume vozes proféticas, críticas, sapienciais. O Narrador e Focalização da narrativa
  20. 20. <ul><li>Focalização omnisciente : </li></ul><ul><li>o narrador tem um conhecimento absoluto dos eventos, o que lhe permite uma manipulação absoluta das personagens e do tempo o que lhe permite seguir eventos ocorridos em tempos distintos. </li></ul><ul><li>Focalização interna : </li></ul><ul><li>-assenta no ponto de vista e está ao nível de uma das personagens que vive a história. </li></ul><ul><li>Focalização interventiva : </li></ul><ul><li>-surge como comentário valorativo e tem uma função ideológica a propósito dos eventos narrados. </li></ul>Focalização da Narrativa
  21. 21. <ul><li>Omnisciência do Narrador </li></ul>Perspectiva Temporal Passado Presente Futuro Conhecimento Global da História
  22. 22. PERSONAGENS D. João V Representa o poder real absoluto, condena um povo a servir a sua religiosidade fanática e a sua vaidade. Como marido e rei assume o papel de gerar um filho e um convento. Amante dos prazeres, a sua figura é construída através do olhar crítico do narrador: fanático religioso, assiste aos autos-de-fé. Como marido, não tem qualquer sentimento amoroso pela rainha. Megalómano e vaidoso vive dominado pelo luxo e pelo fausto.
  23. 23. D. João V
  24. 24. <ul><li>D. MARIA ANA JOSEFA </li></ul><ul><li>A rainha representa a mulher que só pelo sonho se liberta da sua condição aristocrática para assumir a sua feminilidade. </li></ul><ul><li>Passiva e insatisfeita, vive um casamento baseado na aparência, na sexualidade reprimida e no falso código ético, moral e religioso. </li></ul><ul><li>Na transgressão onírica, sente atracção incestuosa pelo cunhado D. Francisco. </li></ul><ul><li>Na oração e na confissão tem a redenção. </li></ul><ul><li>A infidelidade do marido faz da rainha uma mulher infeliz. </li></ul>
  25. 25. Maria Ana Josefa
  26. 26. <ul><li>É um dos membros do casal protagonista da narrativa. </li></ul><ul><li>Representa a crítica do narrador à desumanidade da guerra (participara na Guerra da Sucessão – 1704/1712. Depois de perder a mão esquerda, é excluído do exército. </li></ul><ul><li>- Enquanto arquétipo da condição humana, é um homem pragmático e simples. Ao construir a passarola, realiza o sonho de Bartolomeu de Gusmão. </li></ul><ul><li>Participa na construção do convento. </li></ul><ul><li>Partilha a existência com Blimunda Sete-Luas. </li></ul><ul><li>- Morre às mãos da Inquisição. </li></ul>Baltasar Sete-Sóis
  27. 27. <ul><li>É o segundo membro do casal protagonista. </li></ul><ul><li>Mulher sensual e inteligente, vive sem regras que a condicionem. </li></ul><ul><li>Dotada de poderes invulgares: “eu posso olhar por dentro das pessoas”. </li></ul><ul><li>Partilha com Baltasar uma vida de amor pleno, de liberdade, sem compromissos e sem culpa. </li></ul><ul><li>Representa o transcendente e a inquietação do ser humano em relação à morte, ao amor, ao pecado, à existência de Deus. </li></ul><ul><li>- Com os seus poderes invulgares, ao visualizar a essência dos que a rodeiam, percepciona a hipocrisia e a mentira dos comportamentos estereotipados, condicionados pelos dogmas. </li></ul>BLIMUNDA SETE-LUAS
  28. 28. Blimunda e Baltasar
  29. 29. <ul><li>Representa as novas ideias. </li></ul><ul><li>Como estrangeirado, é culto, moderno e arejado de ideias, que causam estranheza na inculta sociedade portuguesa. </li></ul><ul><li>Conhecido por “Voador”, juntamente com Baltasar e Blimunda corporizam o sonho e partilham a desgraça (loucura e morte, em Toledo, de Bartolomeu de Gusmão, morte de Baltasar Sete-Sóis no auto-de-fé e solidão de Blimunda. </li></ul>PADRE BARTOLOMEU DE GUSMÃO
  30. 30. Padre Bartolomeu de Gusmão
  31. 31. Passarola Voadora
  32. 32. <ul><li>Italiano, nascido em Nápoles há trinta e cinco anos, é uma figura completa, rosto comprido, boca larga e firme, olhos afastados. </li></ul><ul><li>Tocador de cravo. </li></ul><ul><li>É um artista:”corriam-lhe as mãos sobre o teclado como uma barca florida na corrente”. </li></ul><ul><li>- Representa a arte que, aliada ao sonho, permite a cura de Blimunda e possibilita a conclusão e o voo da passarola. </li></ul>DOMENICO SCARLATTI
  33. 33. Domenico Scarlatti
  34. 34. <ul><li>O povo trabalhador é verdadeiro protagonista do Memorial do Convento . </li></ul><ul><li>Espoliado, rude, violento, o povo atravessa toda a narrativa. Corporizado em Baltasar e Blimunda, estes tipificam a massa colectiva e anónima que construiu o convento. </li></ul><ul><li>Cerca de 40 mil, arrebanhados à força por todo o país, realizam como escravos o sonho megalómano de D. João V. </li></ul><ul><li>Representa a força motriz e a essência de ser português. </li></ul>POVO
  35. 36. CLERO - A crítica subjacente a todo o discurso narrativo enfatiza a hipocrisia e a violência dos representantes do espiritualismo convencional, da religiosidade vazia, baseada em rituais que, ao invés de elevarem o espírito, originam o desregramento, a corrupção e a degradação moral. - Papel do clero na Inquisição, como marca negativa.
  36. 37. Procissão da Quaresma
  37. 38. Em dia de Auto-de-Fé Passarola Voadora
  38. 39. <ul><li>ESPAÇO </li></ul><ul><li>Memorial do Convento apresenta três tipos de espaço: </li></ul><ul><ul><ul><li>o espaço físico. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>o espaço social. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>o espaço psicológico. </li></ul></ul></ul><ul><li>Espaço Físico: </li></ul><ul><li>São dois os espaços físicos nos quais se desenrola a acção: LISBOA e MAFRA. </li></ul>
  39. 40. LISBOA Enquanto macroespaço, integra outros espaços Terreiro do Paço Local onde Baltasar trabalha num açougue, após a sua chegada a Lisboa Rossio Este espaço aparece no início da obra como local onde decorre o auto-de-fé S. Sebastião da Pedreira Espaço relacionado com a passarola do Padre Bartolomeu de Gusmão e com o carácter mítico da máquina voadora
  40. 41. Rossio – Auto-de-fé Gravura do séc. XVIII
  41. 42. <ul><li>- O alto da Vela foi o local escolhido para a construção do convento. </li></ul><ul><li>- Nas imediações da obra, surge a “Ilha da Madeira”, onde começaram por se alojar dez mil trabalhadores, chegando, mais tarde, a quarenta mil. </li></ul><ul><li>Além de Mafra, são referidos os espaços de Pêro Pinheiro, serra do Barregudo, Monte Junto e Torres Vedras. </li></ul><ul><li>Nota : as referências ao Alentejo apresentam um espaço povoado de mendigos e de salteadores. </li></ul>MAFRA É o segundo macroespaço
  42. 43. Vista antiga da povoação MAFRA
  43. 44. Fachada principal Convento de Mafra
  44. 45. Lisboa do séc. XVII
  45. 46. Espaço Social – Lisboa e Mafra O espaço social é construído através do relato de determinados momentos e do percurso de personagens que tipificam um determinado grupo social. Destaque: 1- Procissão da Quaresma – caracterização da cidade de Lisboa; excessos praticados durante o Entrudo; penitência física; a descrição da procissão; as manifestações de fé que tocavam a histeria com os penitentes a autoflagelarem-se. 2- Autos-de-fé (Rossio) – entre os autos-de-fé e as touradas, o povo revela gosto sanguinário e emoções fortes; a assistência feminina preocupa-se com os pormenores fúteis e com os jogos de sedução; a morte dos condenados é motivo de festa.
  46. 47. 3- Tourada (Terreiro do Paço) – os touros são torturados, o público exulta com o espectáculo. 4- Procissão do Corpo de Deus – as procissões caracterizam Lisboa como um espaço caótico, cujo ritual tem um efeito exorcizante. 5- O trabalho no Convento – Mafra simboliza o espaço da servidão desumana a que D. João V sujeitou o seu povo (cerca de 40 mil trabalhadores). 6-A miséria do Alentejo – este espaço associa-se à fome e à miséria.
  47. 48. Espaço Psicológico O espaço psicológico é constituído pelo conjunto de elementos que traduz a interioridade das personagens. Revela-se através dos sonhos e dos pensamentos. Ex.: Sonhos de D. Maria Ana (com infante D. Francisco); de Baltasar quando andava a lavrar o alto da Vela; pensamentos do padre Bartolomeu relativamente ao voo da passarola.
  48. 49. Tempo O fluir do tempo , mais do que através da recorrência a marcos cronológicos específicos, é sugerido pelas transformações sofridas pelas personagens. - a) tempo da história (tempo diegético) - b) tempo do discurso,
  49. 50. a) Tempo Diegético Trata-se do tempo histórico em que decorre a acção. (1711 a 1730) A acção tem início no ano de 1711 : ”S. Francisco andava pelo mundo, precisamente há quinhentos anos, em mil duzentos e onze…” Datas: 1711 – promessa de construção do convento. 1716 – bênção da primeira pedra. 1717 – Baltasar e Blimunda regressam a Lisboa. 1719 – casamentos de D. José e de Maria Bárbara. 1730 – sagração do convento. 1739 – fim da acção, quando Blimunda vê Baltasar a ser queimado.
  50. 51. b) Tempo do Discurso Por tempo do discurso entende-se aquele que se detecta no próprio texto organizado pelo narrador, através da forma como relata os acontecimentos. Pode ser apresentado de forma linear, e ou com recurso a analepses e prolepses.
  51. 52. As analepses explicam acontecimentos passados. Anteriormente ao ano da acção(1711), concretamente em 1624, já os franciscanos expressavam o desejo de possuir um convento em Mafra. As prolepses antecipam acontecimentos. Caso das mortes do sobrinho de Baltasar e do infante D. Pedro, para criticamente estabelecer o contraste dos funerais de um e outro.
  52. 53. <ul><li>Memorial do Convento distingue-se no quadro da literatura nacional não só pela originalidade da tipologia, mas também pela especificidade da sua linguagem. </li></ul><ul><li>O autor utiliza, em maior ou menor grau, o registo de língua familiar e popular, com sentido irónico e crítico ou como forma de traduzir o estatuto social das personagens. </li></ul><ul><li>As principais figuras de estilo: </li></ul><ul><li>- a metáfora </li></ul><ul><li>- a ironia </li></ul><ul><li>- a hipálage </li></ul><ul><li>Registo popular e erudito </li></ul><ul><li>Aforismos </li></ul>Linguagem
  53. 54. <ul><li>Oposições sugeridas por vocábulos antónimos, enfatizada quando há oposições entre classes sociais distintas. </li></ul><ul><li>FORMAS VERBAIS: </li></ul><ul><li>Utilização do gerúndio (para traduzir movimento, duração…). </li></ul><ul><li>Utilização do presente do indicativo (transporta o leitor para o tempo da narrativa). </li></ul><ul><li>Utilização do modo imperativo (como reminiscência da oratória barroca, este modo verbal alia-se à ironia). </li></ul><ul><li>CONSTRUÇÃO FRÁSICA: </li></ul><ul><li>- Frases longas (aproximação ao discurso oral ou tradução do monólogo interior e da celeridade do pensamento). </li></ul>
  54. 55. - Paralelismo de construção . -Utilização do polissíndeto . - Enumeração . - Ausência de sinais gráficos indicadores do diálogo (a fuga à gramática normativa faz com que o texto ganhe fluidez aproximando-o do registo oral). . A vírgula é que separa as falas das personagens . Os pontos de exclamação e interrogação são omissos - Hibridismo discursivo (directo, indirecto e indirecto livre, sem demarcação gráfica (dois pontos + travessão) e lexical (verbos como declarar , perguntar …).
  55. 56. A História, em Memorial do Convento , torna-se matéria simbólica para reflectir sobre o presente, na perspectiva da denúncia e dela extrair uma moralidade que sirva de lição para o futuro Dimensão simbólica das personagens Baltasar Sete-Sóis / Blimunda Sete-Luas Baltasar e Blimunda são personagens heróicas. Regressado da frente de batalha, Baltasar apresenta uma “deformidade física”.
  56. 57. Em termos simbólicos liga-se a Blimunda, também diferente pela sua capacidade de “olhar por dentro das pessoas”. Baltasar, apesar do seu lado negativo e infernal, conclui o seu percurso ascensional e a sua identidade, através do voo. A sua condição de homem simples e pragmático faz dele o demiurgo que cria a passarola da liberdade. Qual Ícaro, ousou aproximar-se do Sol sofrendo a queda que o conduziu à fogueira. A sua união com Blimunda simboliza a completude que os torna imunes ao meio que os rodeia. Simbolizam a dualidade cíclica através da cosmogonia universal (Sete-Sóis / Sete-Luas).
  57. 58. A complementaridade Sol/Lua, dia/noite, luz/sombra enfatiza a alternância do mundo. O Padre Bartolomeu de Gusmão representa o ser fragmentário, dividido entre a religião e a alquimia. À semelhança de Prometeu, pela subversão do religioso, pela alquimia do conhecimento, brinca com o fogo. Simboliza a aspiração humana (voo da passarola), conferindo sacralidade ao acto humano de construir e sonhar Domenico Scarlatti – ligado à música, representa o transcendente. Simboliza a ascensão do homem através da música.
  58. 59. Pela sensibilidade criadora, e pela técnica de execução, liga-se ao mito órfico e contribui para a cura de Blimunda. Partilha o sonho do trio e morrerá, metaforicamente, após o voo da passarola. Elementos simbólicos SETE – Representa a totalidade do universo. Sete é o somatório dos quatro pontos cardeais com a trindade divina. A sua presença no nome de Baltasar e Blimunda tem um significado dual. O par representa a alteridade cíclica, a harmonia cosmogónica NOVE – Representa a gestação, a renovação e o renascimento.
  59. 60. Blimunda procura Baltasar durante nove anos. PASSAROLA – Concebida como a “barca voadora”, simboliza o elo de ligação entre o Céu e a Terra. Remete para a viagem e pelo seu movimento ascensional representa metaforicamente a alma humana que ascende aos céus, numa ânsia de realização e libertação.
  60. 61. <ul><li>Crítica Social </li></ul><ul><li>Ao nível do espaço, do tempo e das personagens, o autor enfatiza a crítica social de modo a retratar a realidade portuguesa do século XVIII, procurando a ponte com as situações políticas de meados do séc. XX. </li></ul><ul><li>Usa: </li></ul><ul><li>A ironia e o sarcasmo </li></ul><ul><li>As reflexões </li></ul><ul><li>Os juízos valorativos (metafísica do autor) </li></ul>
  61. 62. Memorial do Convento : - Como romance histórico (embora fugindo ao esquema clássico), apresenta uma descrição crítica da sociedade portuguesa do início do séc. XVIII. Como romance social , dentro da linha neo-realista, sobressai o operariado oprimido e explorado. Como romance de intervenção , visa a história repressiva portuguesa do século XX. Como romance de espaço , representa uma época onde se cruza o ambiente histórico e os quadros sociais.
  62. 63. Armas de Azinhaga do Ribatejo, terra da naturalidade do autor
  63. 64. Saramago e Pilar del Rio
  64. 65. Com Fidel Castro
  65. 66. Com Yasser Arafat
  66. 67. Em Lanzarote
  67. 68. O Grupo dos Cinco Recebendo o Prémio Nobel das mãos do Rei da Suécia Carlos XVI Gustavo
  68. 69. Diploma do Prémio Nobel
  69. 70. Aclamação na Academia Sueca
  70. 71. Conferência de Imprensa
  71. 72. Doutoramento Honoris Causa
  72. 73. Biblioteca JOSÉ SARAMAGO – Leiria
  73. 74. caricatura
  74. 75. caricatura
  75. 76. caricatura
  76. 77. caricatura
  77. 78. Tradução inglesa do Memorial do Convento
  78. 79. Convento de Mafra (Pormenores e interiores)
  79. 80. Vista do lado Sul
  80. 81. Frontaria da Basílica Gravura séc. XVIII
  81. 82. Gravura antiga
  82. 83. Biblioteca
  83. 84. Fresco
  84. 85. Basílica
  85. 86. Zimbório
  86. 87. Estátuas
  87. 88. Sala
  88. 89. Quarto
  89. 90. Sala da Bênção
  90. 91. Capela
  91. 92. Sala de Jantar
  92. 93. Fresco
  93. 94. Biblioteca
  94. 96. Órgão
  95. 97. Claustro
  96. 98. Fachada Principal
  97. 99. José Maria Araújo Ano de 2007 FIM Bibliografia: In SARAMAGO, José, Memorial do Convento , 39.ª edição, Editorial Caminho In MOREIRA, Vasco, outro, Preparação para o Exame Nacional 2006 , Português – 12 º ano, Porto Editora In JACINTO, Conceição, outro, Análise da obra Memorial do Convento , Porto Editora

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