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Aula 09_Edgar Morin e a Perspectiva Culturológica

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Para Edgar Morin, o tema da cultura é muito mais complexo e a cultura de massa é muito mais ampla do que aquela imposta pela mídia.
Valores e instituições culturais importantes na vida das pessoas não são totalmente obscurecidos pela atuação da mídia.
A cultura de massa é apresentada como sistema de símbolos, valores, mitos e imagens relacionados tanto à vida cotidiana como ao imaginário coletivo.

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Aula 09_Edgar Morin e a Perspectiva Culturológica

  1. 1. Teorias da Comunicação Perspectiva Culturológica de Edgar Morin Prof. Ms. Elizeu Silva
  2. 2. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Funcionalistas e críticos defendiam a inevitabilidade do poder dos meios de comunicação sobre a audiência. • Portanto, analisavam o fenômeno da comunicação na perspectiva do “antes” e do “depois” da exposição à comunicação, como forma de destacar os efeitos desta.
  3. 3. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Para Edgar Morin, o tema da cultura é muito mais complexo e a cultura de massa é muito mais ampla do que aquela imposta pela mídia. • Valores e instituições culturais importantes na vida das pessoas não são totalmente obscurecidos pela atuação da mídia. Edgar Morin (1921)
  4. 4. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Edgar Morin considera a cultura de massa como sistema de símbolos, valores, mitos e imagens relacionados tanto à vida cotidiana como ao imaginário coletivo.
  5. 5. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Realidades multiculturais presentes na cultura de massa não são autônomas. Ao contrário, podem impregnar-se da cultura nacional, religiosa e/ou humanista. Em contrapartida, podem também ser incorporadas à cultura nacional, religiosa e/ou humanista.
  6. 6. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • No começo do século XX o poder industrial estendeu-se por todo o globo terrestre. Este avanço vai dar origem a uma segunda industrialização: a que se processa nas imagens e nos sonhos, a industrialização do espírito. • A segunda colonização não se processa em sentido horizontal (conquista de territórios), mas vertical – penetrando a alma humana.
  7. 7. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A Indústria Cultural põe em movimento uma Terceira Cultura, oriunda da imprensa, do cinema, do rádio, da televisão, que surge, desenvolve- se, projeta-se, ao lado das culturas clássicas – religiosas ou humanistas –, e nacionais. • A cultura se constitui como um corpo complexo de normas, símbolos, mitos e imagens penetram o indivíduo em sua intimidade, estruturam os instintos, orientam as emoções.
  8. 8. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A cultura nacional, adquirida nos bancos escolares, nos imerge em experiências mítico-vividas do passado, ligando-nos por relações de identificação e projeção aos heróis da pátria, construindo a figura materna da mãe-pátria, a quem devemos amar, e a figura paterna do estado, a quem devemos obedecer.
  9. 9. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A cultura religiosa se baseia na identificação com o deus que salva e com a grande comunidade maternal-paternal que constitui a igreja. • A cultura humanista procura um saber e uma sensibilidade em que os heróis do teatro e do romance, as efusões subjetivas dos poetas e as reflexões dos moralistas desempenham, com mais sutileza, o papel dos heróis das antigas mitologias e de sábios de antigas sociedades.
  10. 10. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A cultura de massa também é uma cultura, constituída de símbolos, mitos e imagens concernentes à vida prática e à vida imaginária, um sistema de projeções e de identificações específicas. • Ela se soma à cultura nacional, à cultura humanista, à cultura religiosa, e entra em concorrência com essas culturas.
  11. 11. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A cultura midiática não encontra a sociedade destituída de referências culturais. Antes, depara-se com outros fatores transcendentais presentes na cultura: religião, folclore, tradições etc.
  12. 12. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A mídia participa da construção da cultura, mas não tem poder absoluto e tampouco é inevitável. Não é a única forma de cultura das sociedades contemporâneas.
  13. 13. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Se bem que ela conquiste [cultura de massa] seu campo de ação corroendo ou reprimindo as outras culturas, a cultura de massa não pode fazer submergir ou desagregar a Religião ou o Estado. (168)
  14. 14. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • As sociedades modernas são policulturais. Focos culturais de naturezas diferentes encontram-se em atividade afrontando-se ou conjugando suas morais, seus mitos, seus modelos. • A cultura de massa integra e se integra ao mesmo tempo, numa realidade policultural. Faz-se conter, controlar, censurar (pela estado, pela igreja) e, simultaneamente, tende a corroer e desagregar as outras culturas.
  15. 15. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Ela [cultura de massa] não é autônoma: pode, ao contrário, embebedar-se da cultura nacional, religiosa ou humanista, e ao mesmo tempo, misturar-se à cultura nacional, religiosa ou humanista. • Embora não seja a única expressão cultural do século XX, constitui-se como a única corrente cultural verdadeiramente maciça e nova deste século. Nascida nos EUA, se aclimatou à Europa e se espalhou por todo o globo.
  16. 16. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Trata-se de uma cultura cosmopolita e planetária. Constitui-se como a primeira cultura verdadeiramente universal da história da humanidade. • A intelectualidade à direita a considera divertimento de hilotas, barbarismo plebeu. Já a crítica marxista a considera como ópio do povo e mistificação deliberada.
  17. 17. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Ambas correntes concordam na crítica à cultura de massa classificando-a como produto cultural intelectualmente pobre, de baixa qualidade estética, sem originalidade (kitsch).
  18. 18. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A Indústria Cultural tem controle da cultura de massa tanto nos regimes autoritários como nos democráticos. No primeiro caso, a produção e a distribuição são controladas pelo estado; no segundo caso, grandes grupos empresariais de mídia controlam a produção e a distribuição dos conteúdos. • Em ambos os casos, atende aos interesses das classes dirigentes – no primeiro caso, legitimando o exercício do poder; no segundo, gerando lucro.
  19. 19. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Para se viabilizar, a Indústria Cultural precisa superar constantemente uma contradição fundamental: por um lado, sua produção se opera por meio da padronização dos conteúdos, em estruturas empresariais burocráticas; por outro precisa sempre oferecer produtos caracterizados pela inventividade e pela individualidade.
  20. 20. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A solução para o dilema está na estrutura do imaginário: o uso de arquétipos que ordenam os sonhos. A Indústria Cultural padroniza temas míticos e romanescos. Regras, convenções, gêneros artísticos impõem estruturas exteriores à obra, enquanto situações-tipo e personagens-tipo fornecem as estruturas internas das obras. A Indústria reduz arquétipos a estereótipos. • A condição é que os produtos resultantes da cadeia de produção sejam e/ou pareçam individualizados.
  21. 21. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Para alcançar a padronização, adota arquétipos (modelos), com os quais constrói estereótipos (padrões pré- concebidos). ARQUÉTIPOS: modelos, tipos, paradigmas;
  22. 22. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN ESTEREÓTIPOS: lugar-comum, sem originalidade, padrão. O conteúdo homogêneo é o lugar-comum onde as classes sociais se encontram.
  23. 23. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A Indústria Cultural, como qualquer sistema industrial, tende sempre ao crescimento e ao consumo massificado. Por isso ela tende ao público universal. • A busca por um público universal impõe a constante busca pelo denominador comum na produção cultural. A variedade no seio de um jornal, um filme, um programa de rádio ou de TV, visa satisfazer todos os interesses e gostos, de modo a obter o máximo de consumo.
  24. 24. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Contudo, essa variedade é uma variedade homogeneizada, obtida segundo normas comuns. Sincretismo é a palavra mais apta para traduzir a tendência a homogeneizar sob um denominador comum a diversidade dos conteúdos. • O cinema sincretiza num mesmo filme temas múltiplos que atendem ao máximo possível de consumidores: num filme de aventura haverá amor e comicidade; num filme de amor haverá aventura e comicidade; num filme cômico haverá amor e aventura.
  25. 25. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A cultura de massa é animada por esse duplo movimento – do imaginário simulando o real e do real pegando as cores do imaginário. • Essa dupla contaminação do real e do imaginário, esse supremo e prodigioso sincretismo, se inscreve na busca do máximo de consumo e dão à cultura de massa um de seus caracteres fundamentais.
  26. 26. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A homogeneização da produção leva à homogeneização do consumo, entre outros aspectos atenuando as barreiras entre as idades. Conteúdos infantis da cultura de massa levam crianças precocemente a temas para consumo de adultos; conteúdos adultos são apresentados numa simplificação que os toma (os espectadores) como crianças.
  27. 27. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN
  28. 28. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Essa homogeneização das idades tende a se fixar numa fase predominante: a idade juvenil. A temática da juventude é um dos elementos fundamentais da nova cultura. • Do ponto de vista das classes sociais, pode-se afirmar que as mass midia também contribuem para a padronização dos gostos e dos interesses, democratizando o consumo dos produtos da Indústria Cultural entre todos os nivelamentos sociais.
  29. 29. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Contudo, a cultura de massa é produto do diálogo entre um prolixo e um mudo – a Indústria Cultural desenvolve as narrações, as histórias e as imagens; o consumidor não responde – a não ser por sinais pavlovianos: o sim ou não, determinando o sucesso ou o fracasso do produto midiático
  30. 30. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • A cultura de massa é produto de uma (complexa) dialética produção- consumo, no centro de uma dialética global que é a da sociedade em sua totalidade. • A cultura de massa pode ser considerada uma imensa ética do lazer. Esta não faz outra coisa se não mobilizar o lazer através dos espetáculos, das competições da televisão e do rádio, da leitura de jornais e revistas.
  31. 31. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • O lazer não é apenas o pano de fundo no qual entram os conteúdos essenciais da vida e no qual a aspiração à felicidade se torna exigência. Ela é [cultura de massa], dessa forma, uma ética cultural.
  32. 32. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • As técnicas da cultura midiática criam uma espécie de espectador puro, destacado fisicamente do espetáculo, reduzido ao estado passivo e voyeur. Tudo está diante de seus olhos, mas ele não pode tocar e nem aderir corporalmente àquilo que contempla. Em compensação, seus olhos estão em toda parte, do camarote das celebridades às sondas exploratórias espaciais.
  33. 33. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN • Assim, participamos de mundos ao alcance da mão, mas fora do alcance da mão. O espetáculo moderno é a maior presença e a maior ausência.
  34. 34. PERSPECTIVA CULTUROLÓGICA DE EDGAR MORIN Bibliografia recomendada MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo. Vol. 1. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011. SANTOS, J. L. O que é cultura. São Paulo, Col. Primeiros Passos, 16ª edição, Ed. Brasiliense, 1996 WOLF, Mauro. Teorias da comunicação. Lisboa, Ed. Presença, 1999

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