Os pais fundadores da etnografia

15,096 views

Published on

Aula sobre os pesquisadores considerados fundadores da antropologia: Boas e Malinowski.

Os pais fundadores da etnografia

  1. 1. Os pais fundadores da etnografia François Laplantine Docente Andreia Regina Moura Mendes
  2. 2. <ul><li>“ (...) a etnografia propriamente dita só começa a existir a partir do momento no qual se percebe que o pesquisador deve ele mesmo efetuar no campo sua própria pesquisa, e que esse trabalho de observação direta é parte integrante da pesquisa”. </li></ul><ul><li>“ (...) a antropologia se torna pela primeira vez uma atividade ao ar livre, levada como diz Malinowski, “ao vivo”, em uma “natureza imensa, virgem e aberta”. </li></ul><ul><li>O trabalho de campo é considerado como a própria fonte de pesquisa. </li></ul>
  3. 3. A antropologia de Franz Boas <ul><li>A crítica ao evolucionismo serviu para a construção da antropologia moderna. </li></ul><ul><li>Boas acredita nas diferenças culturais dentro do relativismo e critica a antropologia universalista, praticada pelos evolucionistas. </li></ul><ul><li>O pensamento de Boas é marcado pelo empirismo e pela descrição. A preocupação com os detalhes etnográficos foi iniciada com este pesquisador. </li></ul><ul><li>Com Boas inicia a transição do difusionismo para o culturalismo. </li></ul><ul><li>As palavras-chave de seu trabalho são: história, língua e cultura. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Franz Boas (1858- 1942). </li></ul><ul><li>“ No campo, ensina Boas, tudo deve ser anotado (...) Tudo deve ser objeto da descrição mais meticulosa, da transcrição mais fiel.” </li></ul><ul><li>“ (...) ele mostrou que um costume só tem significação se for relacionado ao contexto particular no qual se inscreve.” </li></ul><ul><li>“ (...) apenas o antropólogo pode elaborar uma monografia, isto é, dar conta científicamente de uma microsociedade, apreendida em sua totalidade e considerada em sua autonomia teórica.” </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Boas discute os conceitos de raça e a antropologia evolucionista. Defende que os tipos raciais são instáveis, daí a dificuldade em determinar as raças. </li></ul><ul><li>No campo da lingüística e do método, Boas observa a língua e a cultura como meio de pesquisa. Ambas são tão importantes quanto a herança biológica. </li></ul><ul><li>“ (...) ele foi o primeiro a nos mostrar não apenas a importância, mas também a necessidade, para o etnólogo, do acesso à língua da cultura na qual trabalha.” </li></ul><ul><li>Cada língua tem as suas especificidades, o que corresponde a um grupo social particular e tem uma estrutura lógica própria. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Segundo Lévy-Strauss, Boas defende a natureza inconsciente dos fenômenos culturais. </li></ul><ul><li>Para poder estudar as outras esferas da cultura, primeiro precisa-se estudar a língua. Os sistemas simbólicos escapam da consciência. </li></ul><ul><li>A língua é a porta de entrada da cultura. </li></ul><ul><li>Boas busca as causas históricas (lendas)tentando remontar a micro-história. Procura ainda os processos psicológicos para entender como os povos faziam a síntese dos empréstimos culturais. O que faz a especificidade de cada grupo é a síntese original da tradição e dos aportes. Não significa mostrar a herança mas sim, a transformação de elementos exógenos pelo grupo. É a busca pelas lógicas culturais. </li></ul><ul><li>Para Boas, o método comparativo não pode ser aplicado na antropologia. Foi o fundador da etnografia e da antropologia com a pesquisa empírica. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Sobre o desenvolvimento da cultura: </li></ul><ul><li>Existência de leis universais e como as mesmas se aplicam a todas as culturas. </li></ul><ul><li>Causas diferentes que levam a fenômenos similares. </li></ul><ul><li>Ênfase na observação e demonstração de resultados. </li></ul><ul><li>Uso da comparação dentro de uma área limitada, valorizando os contatos entre os grupos: conexões históricas, condições ambientais e aspecto psicológico. </li></ul><ul><li>Novo método: etnográfico/histórico. Descrição individual no tempo e no espaço. </li></ul>
  8. 8. O trabalho de Malinowski <ul><li>Malinowski (1884-1942) mostrou que: “a partir de um único costume, ou mesmo de um único objeto (por exemplo a canoa Trobriandesa) aparentemente muito simples, aparece o perfil do conjunto da sociedade.” </li></ul><ul><li>“ (...) considera que uma sociedade deve ser estudada enquanto uma totalidade, tal como funciona no momento mesmo onde a observamos.” </li></ul><ul><li>“ (...) Malinowski se pergunta o que é uma sociedade dada em si mesma e o que a torna viável para os que a ela pertencem, observando-a no presente através da interação dos aspectos que a constituem”. </li></ul><ul><li>“ (...) a antropologia se torna uma “ciência” da alteridade que vira as costas ao empreendimento evolucionista”. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Malinowski foi aluno de Sir James Frazer. </li></ul><ul><li>Forma a primeira geração de pesquisadores de campo. </li></ul><ul><li>Principais obras: </li></ul><ul><li>Argonautas do Pacífico (1922). </li></ul><ul><li>A vida sexual dos selvagens (1929). </li></ul>
  10. 10. <ul><li>“ A fim de pensar essa coerência interna, Malinowski elabora uma teoria (o funcionalismo) que tira seu modelo das ciências da natureza. </li></ul><ul><li>“ (...) devendo o homem ser estudado através da tripla articulação do social, do psicológico e do biológico.” </li></ul><ul><li>“ (...) Ele procura reviver nele próprio os sentimentos dos outros, fazendo da observação participante uma participação psicológica do pesquisador, que deve “compreender e compartilhar os sentimentos” destes últimos “interiorizando suas reações emotivas”. </li></ul><ul><li>Contribuições: </li></ul><ul><li>Observação Participante. </li></ul><ul><li>Dedicação aos fatos sociais, aparentemente minúsculos. </li></ul><ul><li>Faculdade de restituição da existência. </li></ul><ul><li>Fundador da antropologia audiovisual. </li></ul>
  11. 11. Referência bibliográfica <ul><li>LAPLANTINE, François. Aprender antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2007. </li></ul>

×