Sociolingüística [email_address]
Do Formalismo ao Funcionalismo <ul><li>Séculos XVII e XVIII    gramáticas gerais, racionalismo, caráter normativo, língua...
<ul><li>Diversidade lingüística    neogramáticos    mudanças lingüísticas </li></ul><ul><li>Leis fonéticas: forças mecân...
<ul><li>Funcionalismo    a língua em “uso” necessariamente sofreria mudanças. </li></ul><ul><li>Estruturalistas/formalist...
<ul><li>Década de 60    sociolingüística quantitativa ou teoria da variação    inviabilidade em estudar a língua sem con...
<ul><li>Labov (1972): para haver mudanças na língua, é necessário que haja variabilidade  e que as variáveis sejam general...
<ul><li>Sociolingüística explora as relações entre a linguagem e a condição social do falante, membro e representante de u...
A LÍNGUA COMO SISTEMA DIFERENCIADO
<ul><li>O que quer, </li></ul><ul><li>O que pode </li></ul><ul><li>Esta língua? </li></ul><ul><li>Caetano Veloso, Língua. ...
Uma abordagem sistemática das estruturas heterogêneas   <ul><li>Mudança na língua    mudança dos conceitos de vida de uma...
<ul><li>Paul e Saussure: variabilidade e sistematicidade se excluíam mutuamente    identificação de estruturalidade com h...
<ul><li>Na tentativa de romper com a associação entre estruturalidade e homogeneidade, Wienreich, Labov e Herzog (2006) pr...
O testemunho da geografia lingüística <ul><li>Os lingüistas históricos esperavam uma divisão de território em áreas bem de...
<ul><li>Diante da multiplicidade de perfis sociolingüísticos coexistentes, onde é possível traçar a fronteira entre grupos...
<ul><li>Os estudos dialetológicos propriamente ditos iniciam-se num momento da história (século XIX) em que a individualid...
<ul><li>Em todos os casos de isoglossas, os itens são transportados mais por falantes individuais, que se movimentam ao lo...
Línguas e dialetos em contato <ul><li>Calvet (2002): há, no mundo, cerca de 4.000 a 5.000 línguas diferentes distribuídas ...
<ul><li>Para Paul, a mistura entre línguas acontece quando dois indivíduos comunicam-se entre si, cada um com seu idioleto...
<ul><li>Weinreich considerava que as línguas estavam em contato quando usadas por uma pessoa alternadamente, de modo que a...
<ul><li>  Caso de bilingüismo com diglossia  </li></ul><ul><li>  Paraguai </li></ul><ul><li>  Diglossia sem bilingüismo  <...
<ul><li>Como demonstra a história, quase sempre, o futuro da variedade baixa é vir a ser alta, como aconteceu no caso do f...
<ul><li>WLH: contato entre sistemas diferenciados coloca o problema da transferência de formas ou regras de um falante de ...
Sistemas coexistentes   <ul><li>Podem ser chamados de estilos, padrões, gírias, jargões,  old talk , níveis culturais ou v...
<ul><li>M odelo de  sistema ordenadamente heterogêneo     escolha entre alternativas lingüísticas acarreta funções sociai...
Variabilidade dentro do sistema <ul><li>WLH: o caráter heterogêneo dos sistemas é produto de combinações, alternâncias ou ...
<ul><li>Variáveis lingüísticas dentro do sistema </li></ul><ul><li>Língua    complexo de regras ou categorias inter-relac...
 
<ul><li>Pesquisas dialetológicas e sociolingüísticas demonstraram que a realidade lingüística homogênea era ilusão da ling...
<ul><li>De acordo com Bakhtin (1981, p. 291), todas as variedades ou línguas do plurilingüismo podem ser justapostas, pode...
<ul><li>Labov (1972): para haver mudanças na língua, é necessário que haja  variabilidade . É preciso que as variáveis sej...
<ul><li>O interesse pelo estudo da variabilidade na língua começou ganhar força, na lingüística, com as idéias advindas do...
<ul><li>“ O  sistema heterogêneo  é, então, visto como um  conjunto de subsistemas  que se alternam de acordo com o conjun...
<ul><li>WLH: ruptura epistemológica com a análise estritamente estruturalista    mudança no tempo tem relações com a vari...
1.  Fatores condicionantes   <ul><li>Problema das restrições </li></ul><ul><li>Com seus desdobramentos teóricos em fatores...
<ul><li>Fatores estruturais </li></ul><ul><li>Mudança x contexto  lingüístico   </li></ul><ul><li>A determinação do contex...
<ul><li>Fatores extralingüísticos </li></ul><ul><li>Labov (2001): necessidade de se estabelecerem parâmetros tanto de orde...
2. Transição   <ul><li>Como uma língua muda de um estado anterior para um estado subseqüente? Por quais caminhos? </li></u...
<ul><li>Deve-se observar a mudança lingüística como parte de um  continuum.  </li></ul><ul><li>O recurso utilizado por Lab...
3.  Encaixamento   Os variacionistas reconheceram que uma análise estritamente lingüística é insuficiente para dar conta d...
<ul><li>C omo se encaixa no sistema de relações sociais e lingüísticas? </li></ul><ul><li>Por que ela opera no sentido apr...
<ul><li>A partir dessas questões, deve-se começar fazendo uma distinção entre  encaixamento lingüístico  e  encaixamento s...
<ul><li>Os lingüistas desconfiam de qualquer explicação da mudança que deixe de mostrar a influência do ambiente estrutura...
<ul><li>Meillet: a lingüística histórica não teve sucesso em relação aos estudos de mudança porque afirmavam as possibilid...
4. Avaliação   <ul><li>Como os membros de uma determinada comunidade lingüística avaliam a mudança? </li></ul><ul><li>Aval...
<ul><li>Os estágios iniciais da mudança estão abaixo do nível de  consciência social  e os falantes não os percebem.  </li...
5. Implementação   <ul><li>Quais fatores são responsáveis pela implementação da mudança e por que a mudança em um traço es...
<ul><li>” Durante muito tempo, pensou-se que a mudança se desenvolveria de baixo para cima na escala social (lei do menor ...
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

A língua como sistema diferenciado

15,535 views

Published on

A língua como sistema diferenciado

  1. 1. Sociolingüística [email_address]
  2. 2. Do Formalismo ao Funcionalismo <ul><li>Séculos XVII e XVIII  gramáticas gerais, racionalismo, caráter normativo, língua ideal, universal, limpa e pura. </li></ul><ul><li>Hora (2004): a partir do século XIX, foi quebrado o ideal de universalidade da língua  lingüística histórica / gramática comparativa, que valorizava as mudanças da língua. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>Diversidade lingüística  neogramáticos  mudanças lingüísticas </li></ul><ul><li>Leis fonéticas: forças mecânicas que regem a produção de sons e não admitem exceção; </li></ul><ul><li>Analogia é um fenômeno psíquico através do qual os acontecimentos lingüísticos se justificam e que as leis fonéticas não explicam. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Funcionalismo  a língua em “uso” necessariamente sofreria mudanças. </li></ul><ul><li>Estruturalistas/formalistas </li></ul><ul><li>Linguagem = fenômeno mental </li></ul><ul><li>Funcionalistas </li></ul><ul><li>Linguagem = fenômeno social. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Década de 60  sociolingüística quantitativa ou teoria da variação  inviabilidade em estudar a língua sem considerar a comunidade de fala, o uso coletivo, a heterogeneidade e as interferências do contexto social </li></ul><ul><li>(HORA, 2004). </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Labov (1972): para haver mudanças na língua, é necessário que haja variabilidade e que as variáveis sejam generalizadas ao ponto de provocar modificações. </li></ul><ul><li>As variáveis lingüísticas intrínsecas ou estruturais </li></ul><ul><li>As variáveis sociais: sexo, idade, escolaridade, classe, religião e ideologia. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Sociolingüística explora as relações entre a linguagem e a condição social do falante, membro e representante de uma determinada comunidade. </li></ul><ul><li>Preti (1977): variações lingüísticas, o bilingüismo, a língua da minoria e a implantação de um padrão lingüístico. </li></ul>
  8. 8. A LÍNGUA COMO SISTEMA DIFERENCIADO
  9. 9. <ul><li>O que quer, </li></ul><ul><li>O que pode </li></ul><ul><li>Esta língua? </li></ul><ul><li>Caetano Veloso, Língua. In Velô </li></ul><ul><li>Perguntar o que quer e o que pode a língua é como perguntar o que querem e podem os falantes. É incrível como, com algumas dezenas de sons, as pessoas podem construir, em qualquer língua, uma infinidade de expressões que revelam aos outros o que pensam e o que sentem. Isso revela que as todas as línguas têm o mesmo estatuto e a mesma grandeza. </li></ul><ul><li>Pensar na língua em “uso” necessariamente implica pensar em mudanças. </li></ul>
  10. 10. Uma abordagem sistemática das estruturas heterogêneas <ul><li>Mudança na língua  mudança dos conceitos de vida de uma sociedade, mudança das artes, da filosofia e da ciência ... mudança da própria natureza. </li></ul><ul><li>Até a década de 60, não havia preocupação em justificar os processos de variação. As explicações eram mais lingüísticas que sociais, já que os teóricos buscavam respostas dentro da própria estrutura da língua para a mudança, sem investigar os condicionantes. </li></ul><ul><li>Língua = sistema estruturado </li></ul><ul><li>Como funciona tal sistema enquanto a estrutura muda? </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Paul e Saussure: variabilidade e sistematicidade se excluíam mutuamente  identificação de estruturalidade com homogeneidade (teoria lingüística socialmente agnóstica). </li></ul><ul><li>Faraco (2005): mudança gera alterações na configuração estrutural das línguas sem que seja perdido aquilo que se chama de plenitude estrutural e potencial semiótico das línguas. Isso significa dizer que ainda que as línguas estejam em movimento, nunca perdem o caráter sistêmico. </li></ul><ul><li>A língua, ainda que apresente especificidades estruturais, não pode ser considerada uma realidade totalmente autônoma, desligada da vida dos falantes. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>Na tentativa de romper com a associação entre estruturalidade e homogeneidade, Wienreich, Labov e Herzog (2006) propõem um modelo que trata das questões de mudança no sistema, a partir de fatos sociais e com alicerce sobre fundamentos empíricos. </li></ul><ul><li>Eles estabelecem como ponto fundamental de investigação histórica, o fenômeno sob mudança, tanto no contexto estrutural (interno) quanto no contexto social (externo), pois os estudos empíricos revelam a língua como um sistema que muda de acordo com as mudanças na estrutura social. </li></ul>
  13. 13. O testemunho da geografia lingüística <ul><li>Os lingüistas históricos esperavam uma divisão de território em áreas bem delimitadas, em conjuntos hierarquicamente ordenados de línguas, no entanto isso não acontecia como o previsto. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Diante da multiplicidade de perfis sociolingüísticos coexistentes, onde é possível traçar a fronteira entre grupos sociais? </li></ul><ul><li>A dialetologia estrutural sincrônica demarca as áreas dialetais ou isoglossas, que seriam fronteiras geográficas de certa característica lingüística. No entanto, para Weinreich, Labov e Herzog, funciona mais como exercício analítico, mas não explica como a língua se desenvolve. </li></ul>
  15. 15. <ul><li>Os estudos dialetológicos propriamente ditos iniciam-se num momento da história (século XIX) em que a individualidade geográfica de cada região estava resguardada pelo isolamento decorrente da frágil rede de estradas, pela dificuldade de comunicação, ou, ainda, pela inexistência de meios tecnológicos que permitissem a interação à distância entre as diferentes áreas. Se ainda assim era difícil, some-se a isto, a realidade atual, com maior densidade comunicativa, facilitada pelos veículos de comunicação e de transporte. Sendo assim, o que existe na demarcação de isoglossas é um continuum de </li></ul><ul><li>fragmentos sutilmente </li></ul><ul><li>subdivididos. </li></ul><ul><li> </li></ul>
  16. 16. <ul><li>Em todos os casos de isoglossas, os itens são transportados mais por falantes individuais, que se movimentam ao longo de linhas de comércio e trânsito, que por padrões freqüentes entre comunidades vizinhas. </li></ul><ul><li>O problema de explicar a transição geográfica de dialetos é equivalente ao de explicar a transição através do tempo, já que, em ambos os casos, há contato entre falantes de sistemas diferentes. </li></ul>
  17. 17. Línguas e dialetos em contato <ul><li>Calvet (2002): há, no mundo, cerca de 4.000 a 5.000 línguas diferentes distribuídas por volta de 150 países, o que teoricamente representaria 30 línguas por país, se a realidade fosse sistemática. Nesse mundo plurilíngüe, portanto, tanto o indivíduo como a comunidade de fala pode ser o lugar de contato entre as línguas. O resultado desses contatos é um dos objetos de estudo da sociolingüística. </li></ul><ul><li>O contato com outras línguas e com outras realidades sociais, culturais e políticas é uma das principais causas de mudança e de variação, uma causa exterior que provoca alterações internas. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Para Paul, a mistura entre línguas acontece quando dois indivíduos comunicam-se entre si, cada um com seu idioleto capaz de influenciar as imaginações lingüísticas relevantes do ouvinte. </li></ul><ul><li>Bloomfield (1933) acredita que os falantes estão em constante adaptação de seus hábitos de fala aos de seus interlocutores, preservando algumas formas, adotando formas novas, abrindo ou não mãos de outras. Ele considerava a existência de formas arcaicas e inovadoras no mesmo falante  reconhecimento da importância das alternâncias estilísticas no comportamento lingüístico. </li></ul><ul><li>Em 1953, Uriel Weinreich publicou a obra Languages in contact , na qual definia interferência entre as línguas. No entanto ele só fez referência ao individuo bilíngüe e não ao problema das línguas em contato na sociedade de um modo geral. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Weinreich considerava que as línguas estavam em contato quando usadas por uma pessoa alternadamente, de modo que a interferência era individual, mas era capaz de produzir um empréstimo, que por sua vez, era compreendido como um fenômeno coletivo. </li></ul><ul><li>Bilingüismo  individual Empréstimo  social (coletivo) </li></ul><ul><li>Fishman e Ferguson introduzem a noção de diglossia enquanto bilingüismo social, ou seja, enquanto coexistência, numa mesma comunidade, de duas formas lingüísticas funcionalmente distintas: uma variedade alta e uma variedade baixa. Para esses autores, as variedades apresentavam gramáticas divergentes. </li></ul>
  20. 20. <ul><li> Caso de bilingüismo com diglossia </li></ul><ul><li> Paraguai </li></ul><ul><li> Diglossia sem bilingüismo </li></ul><ul><li> Fishman destaca o caso da Rússia Czarista. </li></ul><ul><li>Ao contrário do que acreditavam Fishman e Ferguson, as situações de diglossia e bilingüismo não são tão estáveis e harmoniosas. A mudança proveniente do contato não se resume ao léxico nem a um número restrito de variações gramaticais ou fonéticas. O contato entre línguas pode dar origem ao surgimento de línguas mistas – o sabir ou língua franca, os pidgins e os crioulos. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>Como demonstra a história, quase sempre, o futuro da variedade baixa é vir a ser alta, como aconteceu no caso do francês, do espanhol e do português, em relação ao latim. Ou mesmo ocorre como no caso dos pidgins , que são línguas de contato, criadas, normalmente de forma espontânea, a partir de uma mistura de outras línguas, não havendo, portanto, falantes nativos. Esses pidgins podem se desenvolver e tornar-se línguas crioulas, aprendidas como primeira língua, como aconteceu com os crioulos de Cabo Verde ou da Guiné Bissau. </li></ul>
  22. 22. <ul><li>WLH: contato entre sistemas diferenciados coloca o problema da transferência de formas ou regras de um falante de um sistema para um falante de outro. Rejeitaram o mecanismo simples de transferência entre dois idioletos homogêneos isolados, proposto por Paul, conforme demonstra o esquema baseado na descrição de Lucchesi (2004, p. 200): </li></ul>
  23. 23. Sistemas coexistentes <ul><li>Podem ser chamados de estilos, padrões, gírias, jargões, old talk , níveis culturais ou variedades funcionais. No modelo de sistema diferenciado, essas formas oferecem meios de ser dita a mesma coisa e estão conjuntamente disponíveis. </li></ul><ul><li>Jakobson (1931): a alternância de estilos não compromete a sistematicidade de cada estilo. </li></ul><ul><li>Bloch (1948): idioleto representa apenas uma possibilidade de sistema dentro de uma competência individual. </li></ul><ul><li>Fries e Pike (1949): sistematicidade e variabilidade não são mutuamente excludentes, mas subsistemas concorrentes, ou seja, podem existir simultaneamente e em conflito dentro da fala de determinados indivíduos. </li></ul>
  24. 24. <ul><li>M odelo de sistema ordenadamente heterogêneo  escolha entre alternativas lingüísticas acarreta funções sociais e estilísticas num sistema que muda acompanhando mudanças na estrutura social. </li></ul><ul><li>Mathesius traz a concepção multiestratificada da língua acompanhada de duas noções: </li></ul><ul><li>- distintividade funcional, na qual os estratos (funcionalmente distintos) devem estar em competição e não em complementaridade. </li></ul><ul><li>- disponibilidade conjunta dos estratos, que ocorre quando um determinado grupo alterna num vaivém entre os estratos. </li></ul><ul><li> conceito de empréstimo dialetal  alternância de estilo. </li></ul><ul><li>Tornou-se desnecessária a busca, empreendida por Paul e Bloomfield, por dialetos puros, que sofrem mudança sem interferência. Ou seja, essa concepção justificou o estudo da mudança in vivo, sem a necessidade de recorrer-se ao passado. </li></ul>
  25. 25. Variabilidade dentro do sistema <ul><li>WLH: o caráter heterogêneo dos sistemas é produto de combinações, alternâncias ou mosaicos de subsistemas diferentes, conjuntamente disponíveis. </li></ul><ul><li>Cada subsistema é um corpo coerente e integral de regras do tipo categórico, neogramático ou regular. Falta apenas um aparato teórico que reúna as regras que afirmem as condições para as alternâncias. </li></ul><ul><li>Ao tentar descrever os usos da língua por diferentes subsistemas ou dialetos, como no caso do estudo do Cockney ou inglês jamaicano, realizado por Bailey (1966), observam-se incoerências intrigantes que seriam explicáveis dentro de um modelo de língua diferenciada, incluindo elementos variáveis dentro do próprio sistema. </li></ul>
  26. 26. <ul><li>Variáveis lingüísticas dentro do sistema </li></ul><ul><li>Língua  complexo de regras ou categorias inter-relacionadas que não podem ser misturadas aleatoriamente com regras ou categorias de outro código. </li></ul><ul><li>Para dar conta da variação foi preciso perceber que alguns casos não se comportavam como alternâncias de código, mas como elementos variáveis dentro do sistema controlado por uma única regra – o caso da variável lingüística . </li></ul>
  27. 28. <ul><li>Pesquisas dialetológicas e sociolingüísticas demonstraram que a realidade lingüística homogênea era ilusão da lingüística estruturalista e que toda e qualquer língua é um conjunto heterogêneo de variáveis (FARACO, 2005, p. 31). </li></ul><ul><li>Apesar de o chinês possuir centenas de dialetos, muitos deles incompreensíveis entre si (cantonês, shanghainês, min, pequinês, entre outros), a vantagem é que todos eles são escritos da mesma forma. Com isso, dois chineses de regiões afastadas não conseguem se comunicar oralmente, apenas pela escrita. </li></ul>Não representam um padrão único ou homogêneo, visto que essas línguas podem ser ininteligíveis entre si Português Japonês Italiano Chinês
  28. 29. <ul><li>De acordo com Bakhtin (1981, p. 291), todas as variedades ou línguas do plurilingüismo podem ser justapostas, podem se suplementar mutuamente, se contradizer mutuamente ou ainda se inter-relacionar dialogicamente. </li></ul><ul><li>Do ponto de vista lingüístico, as variedades se equivalem e não podem ser diferenciadas em termos de melhor ou pior, certo ou errado, já que todas são estruturadas, com gramáticas próprias. </li></ul>
  29. 30. <ul><li>Labov (1972): para haver mudanças na língua, é necessário que haja variabilidade . É preciso que as variáveis sejam generalizadas ao ponto de provocar modificações. No entanto, podem existir diversas variantes para uma variável, sem que resultem, necessariamente, em mudança. </li></ul><ul><li>O processo de mudança emerge do contexto heterogêneo , ou seja, quando duas ou mais variedades se confrontam dialeticamente a partir das relações sociais, como demonstram os exemplos abaixo: </li></ul><ul><li>Mudanças fonéticas - alterações na articulação ou pronúncia de segmentos de forma não-distintiva. Ex.:   [  (mudança em progresso). Essa mudança não alterou o número de fonemas porque o /l/ continuou existindo como unidade distintiva, o que demonstra o caráter fonético da modificação. </li></ul><ul><li>Mudanças fonológicas - alterações no número de unidades distintivas ou no sistema de relações entre as unidades, como no caso do surgimento dos fonemas /  / e /  /, na língua portuguesa, em relação ao latim, conforme os exemplos: mana > manha, mala > malha . Nota-se, aqui, o acréscimo de dois fonemas que contrastam com os fonemas /n/ e /l/ do latim. Câmara Jr. destaca que essas mudanças aconteceram de forma lenta, gradual e relativamente regular, assim como no campo da sintaxe, morfologia, semântica e pragmática, mas na fonologia acontecem, normalmente de forma mais lenta e são mais raras. </li></ul>
  30. 31. <ul><li>O interesse pelo estudo da variabilidade na língua começou ganhar força, na lingüística, com as idéias advindas dos teóricos do Circulo Lingüístico de Praga (1911). </li></ul><ul><li>Mathesius: o termo homogeneidade aplicado à língua não era uma qualidade real dos fenômenos examinados, mas uma conseqüência do método empregado. </li></ul><ul><li>Neustupny (1961) reconheceu o caráter complexo das categorias e de elementos marginais e periféricos na mudança lingüística. </li></ul><ul><li>“ Uma variável lingüística tem de ser definida sob condições estritas para que seja parte da estrutura lingüística. De outro modo, se estará simplesmente escancarando a porta para regras em que frequentemente ou às vezes se aplicam”. </li></ul>
  31. 32. <ul><li>“ O sistema heterogêneo é, então, visto como um conjunto de subsistemas que se alternam de acordo com o conjunto de regras co-ocorrentes, enquanto dentro de cada um desses subsistemas podemos encontrar variáveis individuais que co-variam, mas não co-ocorrem estritamente. Cada uma dessas variáveis acabará sendo definida por funções de variáveis independentes extralingüísticas ou lingüísticas, mas essas funções não precisam ser independentes umas das outras.” </li></ul>
  32. 33. <ul><li>WLH: ruptura epistemológica com a análise estritamente estruturalista  mudança no tempo tem relações com a variação sincrônica e que esta está correlacionada com os aspectos da estrutura social e estabelecem como ponto essencial de investigação histórica localizar o fenômeno sob mudança tanto no contexto estrutural (interno) quanto no contexto social (externo), pois, para eles, os estudos empíricos revelam a língua como um sistema que muda em associação com as mudanças na estrutura social. </li></ul><ul><li>A teoria de base empírica deve dar conta de cinco problemas : </li></ul>
  33. 34. 1. Fatores condicionantes <ul><li>Problema das restrições </li></ul><ul><li>Com seus desdobramentos teóricos em fatores de ordem social e de ordem lingüística, ou seja, podem ser de ordem estrutural (interna, lingüística) ou de ordem social (externa, extralingüística). </li></ul><ul><li>Quais são as condições para mudança que ocorrem em dada estrutura? </li></ul>
  34. 35. <ul><li>Fatores estruturais </li></ul><ul><li>Mudança x contexto lingüístico </li></ul><ul><li>A determinação do contexto se dá exclusivamente em termos de estruturas lingüísticas. </li></ul><ul><li>A alusão ao contexto deriva do próprio conceito de variação, ou seja, a opção entre uma forma e outra. Só ocorre a variação quando a língua oferece escolhas ao falante . Se num certo contexto pré-determinado, por exemplo, / o cavalo /, há restrições categóricas para a variação do tipo / cavalo o /, não podemos dizer que há variação, pois o falante não tem escolha. Os contextos lingüísticos e extralingüísticos são os fatores que favorecem o uso de uma forma ou de outra. </li></ul><ul><li>Para a sociolingüística, na forma de base ou estrutura profunda, existe tanto a estrutura subjacente quanto as formas de superfície, ou seja existem as variações incorporadas à competência. </li></ul><ul><li>Exemplo:    ,    </li></ul>
  35. 36. <ul><li>Fatores extralingüísticos </li></ul><ul><li>Labov (2001): necessidade de se estabelecerem parâmetros tanto de ordem estrutural como de ordem não estrutural (sexo, idade, grupo étnico, grupo social, escolaridade, dentre outros). </li></ul><ul><li>Exemplo: As mulheres costumam usar a concordância de acordo com a norma culta, mais do que os homens. Seria este um caso de variação condicionada por fatores extralingüísticos (sexo). </li></ul>
  36. 37. 2. Transição <ul><li>Como uma língua muda de um estado anterior para um estado subseqüente? Por quais caminhos? </li></ul><ul><li>Transição entre duas formas de uma língua em diferentes momentos - análise dos estágios intermediários, que podem ser observados, ou devem ser postulados para essas formas: como um falante aprende uma forma alternante, tempo em que as duas formas co-existem, tempo em que uma das formas prevalece sobre a outra. </li></ul>
  37. 38. <ul><li>Deve-se observar a mudança lingüística como parte de um continuum. </li></ul><ul><li>O recurso utilizado por Labov (1972) para superar a idéia de que só a homogeneidade é estruturada foi o de procurar entrever a mudança em progresso na variação observada na língua num determinado momento, o que ele definiu como o estudo da mudança no tempo aparente. </li></ul><ul><li>Assim, o estudo da mudança na análise sincrônica abre os caminhos para a definitiva superação da dicotomia saussureana entre sincronia e diacronia. </li></ul>
  38. 39. 3. Encaixamento Os variacionistas reconheceram que uma análise estritamente lingüística é insuficiente para dar conta da mudança, sendo necessária a interação desse sistema com a estrutura social da comunidade de fala. O encaixamento da variação das formas em observação na matriz dos concomitantes lingüísticos e extralingüísticos e nos desdobramentos da estrutura social. Contextos lingüísticos que favorecem um determinado tipo de mudança desencadeiam outras mudanças, em possíveis relações em cadeia.
  39. 40. <ul><li>C omo se encaixa no sistema de relações sociais e lingüísticas? </li></ul><ul><li>Por que ela opera no sentido apresentado e não em outro sentido? </li></ul><ul><li>Qual é a hipótese mais provável? </li></ul><ul><li>A lei do menor esforço, a influência do substrato, a herança genética, os condicionamentos culturais, a mudança de geração, a necessidade de preservar o significado das formas (hipótese funcional), a teoria das ondas, a difusão lexical ou outra? </li></ul><ul><li>Ou várias delas agindo simultaneamente? </li></ul>
  40. 41. <ul><li>A partir dessas questões, deve-se começar fazendo uma distinção entre encaixamento lingüístico e encaixamento social : </li></ul><ul><li>O problema do encaixamento diz respeito a um sistema de relação. O lingüístico, por exemplo, é um fenômeno que se encaixa em outro pra língua funcionar. Como, por exemplo, o caso da concordância sujeito-verbo está relacionada à ordem do sujeito e do verbo, porque se o sujeito vier depois do verbo, ele fica menos saliente e propicia a não concordância ( os meninos vieram/ cantaram demais ontem à noite aquele pessoal ). Essa relação acontece com vários fenômenos, por isso se diz encaixar o fenômeno no sistema lingüístico. </li></ul><ul><li>O mesmo sistema de implicação é em relação ao sistema social, por exemplo, as mulheres tendem a utilizar a variante padrão para a sua comunidade, por serem as responsáveis pela educação dos filhos, precisarem se afirmar na profissão. Então, as mulheres tendem a usar a concordância padrão e a ordem canônica da oração, cabe ao sociolingüista tentar ver se essa tendência se confirma ou não. </li></ul>
  41. 42. <ul><li>Os lingüistas desconfiam de qualquer explicação da mudança que deixe de mostrar a influência do ambiente estrutural sobre o traço em questão: o aspecto está encaixado numa matriz lingüística que muda com ele . </li></ul><ul><li>É preciso distinguir o que é uma regra de gramática de uma comunidade e o que é de um idioleto. </li></ul><ul><li>“ A língua é uma instituição com autonomia própria; deve-se determinar, portanto, as condições gerais de desenvolvimento a partir de um ponto de vista puramente lingüístico; [...] mas como a língua é [também] uma instituição social, disso decorre que a lingüística é uma ciência social, e o único elemento variável ao qual se pode apelas a fim de explicar a mudança lingüística é a mudança social, da qual as variações lingüísticas são somente as conseqüências – às vezes imediatas e diretas e, no mais das vezes, mediatas e indiretas”. </li></ul><ul><li>(Meillet, 1906) </li></ul>
  42. 43. <ul><li>Meillet: a lingüística histórica não teve sucesso em relação aos estudos de mudança porque afirmavam as possibilidades e não as necessidades de desenvolvimento. É necessário, ao estudo da mudança, uma análise das condições sociais . </li></ul><ul><li>Kurylovicz (1948) considera a proposta estruturalista, centrada na língua, estritamente, como uma proposta que prefere não se servir de explicações sociais, para evitar um descarrilamento metodológico. </li></ul><ul><li>Fatores sociológicos, solidamente formulados, vêm sendo agora aduzidos para explicar distribuições e mutações em fenômenos lingüísticos, que no ponto de vista estrutural, seriam aleatórios. </li></ul>
  43. 44. 4. Avaliação <ul><li>Como os membros de uma determinada comunidade lingüística avaliam a mudança? </li></ul><ul><li>Avaliação das mudanças em termos de seus possíveis efeitos sobre a estrutura lingüística, sobre a eficiência comunicativa e sobre um amplo conjunto de categorias não representacionais (inclusive interacionais, discursivas e pragmáticas) envolvidas na fala. A teoria da mudança lingüística deve estabelecer empiricamente as correlações subjetivas das várias leis e variáveis na estrutura heterogênea. </li></ul>
  44. 45. <ul><li>Os estágios iniciais da mudança estão abaixo do nível de consciência social e os falantes não os percebem. </li></ul><ul><li>Em estágios posteriores, conforme Labov (1982), desvios estilísticos começam a aparecer, bem como a estratificação social. Sendo assim, o falante avalia positivamente as formas com as quais se identifica dentro do grupo social a que pertence, ou as de um grupo que, para ele, é de prestígio, mas podendo, inconscientemente, produzir formas que julga ter uma avaliação social negativa. </li></ul>
  45. 46. 5. Implementação <ul><li>Quais fatores são responsáveis pela implementação da mudança e por que a mudança em um traço estrutural ocorre em determinada língua em um dado momento, mas não em outra língua com o mesmo traço, ou na mesma língua, em outros momentos? </li></ul><ul><li>Os processos de mudança devem receber estímulos e restrições da </li></ul><ul><li>sociedade e da estrutura da língua. </li></ul>
  46. 47. <ul><li>” Durante muito tempo, pensou-se que a mudança se desenvolveria de baixo para cima na escala social (lei do menor esforço e teoria dos substratos). Por outro lado, a idéia de que a mudança poderia se propagar através da imitação conduz a uma posição diametralmente oposta: a mudança partiria das classes mais altas de maior prestígio social em direção às classes mais baixas”. </li></ul><ul><li>(LUCCHESI, 1998, p. 205) </li></ul><ul><li>Labov (1972) descobriu que o padrão da mudança em progresso era que o grupo mais inovador nos processos de mudança provinha dos grupos sociais intermediários e que, ao contrário das correntes anteriores, que atribuíam ao movimento da mudança uma direção de cima para baixo, ou vice-versa (gráfico retilíneo), a direção da implementação da mudança diagnosticada por Labov delineava um gráfico curvilíneo . </li></ul>

×