Proposta técnica búfalo

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Proposta técnica búfalo

  1. 1. MANEJO DE BÚFALOS NA VÁRZEAEm Porto de Moz todas as comunidades da várzea entre o Rio Xingu e Amazonas criam búfalo.Essas comunidades estão distribuídas por rio da seguinte maneira: Rio Aquiqui: São Pedro, Caridade, São Sebastião do Aquiqui. Rio Uiui: Monte Sinai, Santa Luzia, Cuieiras, São Judas Tadeu. Rio Peituru: Miritizal, Cajueiro, Laranjal. Rio Guajará: Três Irmãos, São Jorge, Santo Antonio e outras rio acima. Rio Coati: Maria de Mathias, Vila Nova Bom Jesus, Vila Bom Jesus, Cupari, São João do Cupari. Rio Jaurucu: Juçara, Ariruá, Carmelino, Fazendinha, Ilha Grande, Batata, Irapi, Apeí, Maricota.As comunidades usam dois sistemas principais de manejo de acordo com as condições naturais.Aquelas que estão apenas em áreas de várzea (sem terra-firme) trabalham com o gado emmarombas (currais suspensos) durante a noite e soltos para pastar os capins nativos da várzeadurante o dia. Aquelas que estão em área de transição entre várzea e terra-firme trabalham com ogado na várzea no período de água mais baixa aproveitando os campos naturais e trazem o gadopara pastos plantados na terra-firme na época das cheias quando os pastos naturais são cobertospela água. Nos dois casos a criação depende muito da disponibilidade das pastagens naturais e darusticidade do animal.A criação do búfalo está organizada em núcleos formados por diferentes famílias com relaçõesde parentesco que moram próximas umas das outras. Os animais são criados soltos e não hácerca dividindo as terras entre as diferentes famílias. As áreas entre um criador e outro sãomarcadas por limites naturais como uma árvore, enseada ou igarapé. Nesse sistema as relaçõesfamiliares próximas facilitam o entendimento sobre o uso do espaço comum.A quantidade de animais varia de 10 a 100 animais por família. Poucas famílias têm acima de100 cabeças e existem algumas fazendas com planteis maiores. O búfalo é usado para acomercialização da carne, principalmente dos machos, e para a produção de leite para afabricação de queijo. O gado vendido para carne funciona como uma poupança para as famílias ea produção de queijo serve como uma fonte de renda freqüente.
  2. 2. Os principais desafios das famílias são relacionados à garantia de alimentação adequada para osanimais (em particular na época das cheias quando a água cobre a pastagem nativa), à sanidadeanimal para reduzir as perdas com a mortalidade e à reprodução, em particular considerando aalta taxa de consanguinidade do rebanho. É ainda fundamental a questão da comercialização doqueijo considerando as exigências da vigilância sanitária. Adicionalmente, a criação da ReservaExtrativista Verde Para Sempre em 2004 na área onde as famílias já criavam búfalo acrescentouo desafio para as comunidades construírem uma proposta técnica para a criação de búfalo quegaranta a legitimação e o apoio institucional, em particular do órgão gestor da unidade.ALIMENTAÇÃOÁrea de várzeaNo sistema de criação característico das áreas de várzea, as famílias constroem na margem dosrios sua casa no sistema de palafitas e a maromba (curral suspenso) onde os animais ficam naépoca da cheia. Nesse sistema o principal desafio é garantir alimentação para o gado no períododas cheias, em particular para os bezerros que não conseguem nadar grandes distâncias a procurade pastos. As principais propostas técnicas sendo construídas pelos criadores são:Manejo de pastagens naturais - A proposta das comunidades passa por fazer rotação de áreasentre o período de cheias e de baixa das águas. Para isso algumas famílias já estão construindoduas marombas: uma mais próxima do rio para manter o gado nessa área no período águas baixase outra no fundo da sua propriedade que geralmente é mais alta e menos afetada pela cheia paramanter o gado durante a subida das águas. As famílias que ainda não construíram sua segundamaromba, costumam levar o gado para os tesos, áreas naturalmente mais altas onde o gadoconsegue garantir alimentação por alguns dias.Complementação alimentar - Outro desafio é garantir complementação alimentar em particularpara os animais pequenos e para as vacas no período pré e pós-parto. As principais propostastécnicas sendo construídas pelos criadores são: Fornecimento de capim na maromba - Quase todas as famílias já usam arrancar capim no campo e levar para os bezerros que ficam na maromba durante todo o dia. Nesses casos os criadores buscam áreas de pasto na área de entorno e arrancam as folhas, talos e raízes para distribuir na maromba. Os criadores informam que os talos são preferidos pelos animais pois as folhas normalmente já estão palhadas.
  3. 3. Figura 1 – Área do criador Bena na comunidade São Pedro, no rio Aquiqui. O capim preferidopelos criadores da comunidade é o rabo-de-rato. Geralmente eles fornecem capim aos animaisjovens que nadam menos e têm dificuldades para pasjejar áreas distantes nas cheias e para asvacas e pré e pós-parto. Preparo de área de recreio na ilharga da maromba – Algumas famílias começaram a fazer quadras (piquetes) próximos à maromba para reservar pastos para a época das cheias. Essas áreas servem como fonte de capim a ser fornecido aos animais jovens na maromba ou a ser pastejada por eles com mais facilidade por estarem próximas da maromba.
  4. 4. Figura 2 – Área de recreio no rio Uiui feita com cerca elétrica. Essas áreas são cercadas comflexais (tábuas de madeira) ou mesmo com o uso de cerca elétrica, principalmente durante overão (embora algumas famílias mantenham a cerca elétrica nas cheias subindo o arameconforme sobe a maré). Produção de silagem – A grande maioria dos criadores não considera viável a produção de capineira em plantios separados para a produção de silagem pois toda a área da comunidade alaga uma vez por ano, dificultando o plantio de qualquer cultura. Mas considerando o ciclo curto de algumas culturas como o milho, a fertilidade natural dos solos e o fato de que parte das áreas próximas à maromba não fica coberta de capim, o plantio de milho para silagem parece uma opção a ser testada por criadores interessados. Para os criadores que já têm cerca elétrica, a opção de separar uma área para a produção de silagem parece mais viável.Área de transição entre várzea e terra-firmeNas áreas de transição entre várzea e terra-firme os animais permanecem tradicionalmente porcerca de seis meses em cada ambiente. Os animais ficam na área de várzea durante o período deestiagem das chuvas (de agosto a janeiro) pois os campos naturais propiciam ótimo rendimentode leite, crescimento e engorda, principalmente quando ocorrem as primeiras chuvas e o capimrebrota rapidamente em dezembro. Nas áreas de várzea há predominância das espécies de capimrabo-de-rato (o preferido dos criadores), pomunga, arroz bravo e perimembeca às margens dosrios. Na época das cheias (de fevereiro a julho) os animais são levados para áreas de terra-firme
  5. 5. que são normalmente abertas e formadas com capim brachiarão e quicuio. Quando o criador nãotem pasto formado na terra-firme é comum que ele arrende as pastagens para todo o rebanho.A seguir são apresentadas as principais propostas técnicas para a garantia da alimentação dosanimais no sistema terra-firme:Pastagem de terra-firmeFormação ou reforma de pastos na terra-firme – A abertura de novas áreas normalmente é feitano sistema corte, encoivara e queima. No caso de reforma de áreas o sistema preferido pelosagricultores é esperar o tempo de pousio para a formação da capoeira e proceder com o corte,encoivara e queima. Quanto mais antiga a capoeira, menor será a competição da pastagem complantas invasoras. A alternativa de fazer a aração da terra é limitada pela presença de tocos nasáreas e a dessecação da vegetação secundária é limitada por falta de assessoramento técnico. Ospastos feitos em terra firme são geralmente de brachiarão e, em alguns casos, de quicuio. Juntocom o capim é recomendado plantar leguminosas como estilosante e calopogônio que são fontesimportantes de proteína para os animais e também adubam o solo com nitrogênio, principalnutriente requerido pelas pastagens para seu desenvolvimento.Figura 3. Pasto reformado com quicuio pelo produtor Alexandre no rio Coati. Um dos principaisdesafios dos produtores é manter seus pastos produzindo a longo prazo pois a reforma énormalmente muito dispendiosa em particular se feita em capoeira nova que apresenta muita
  6. 6. competição com plantas invasoras. Nesse caso, a área foi roçada, plantada com mudas de quicuio e roçada outras duas vezes até a formação do pasto. Quadro 1. Características e exigências das principais forrageiras Produção Altura Altura de matéria de de Período de Queda Exigência seca por entrada saída Forma de descanso de Forrageira à Características ha por ano dos dos propagação na época produção adubação (toneladas) animais animais das águas na seca (cm) (cm) 18 Tolerância a baixa fertilidade, bom crescimento sob a Semente eBraquiarinha 30 10 Baixa sombra, boa 28 a 32 dias Alta muda qualidade forrageira e alta produtividade sobre uso intensivo. 20 Fácil estabelecimento, resistência à cigarrinha das pastagens, alta produção de Semente eBraquiarão 40 20 Média 28 a 35 dias Média sementes, boa muda qualidade forrageira, boa cobertura do solo com domínio sobre plantas invasoras. 40 Bom desenvolvimento em solo argilo-arenosos Colonião 70 40 Alta férteis e drenados, Semente e 28 a 35 dias Alta moderada muda resistência a seca e ao fogo e elevados teores de açúcar
  7. 7. (engorda de bovinos). 40 Elevada produção sob adubação intensiva, elevada qualidade, alto valor Semente eMombaça 90 50 Alta alimentício e 28 a 30 dias Alta muda moderada resistência a cigarrinha das pastagens. 30 Possui elevado valor nutritivo e alimentício, elevada resposta a adubação, boa resistência a Semente eTanzânia 70 30 Alta cigarrinhas das 28 a 32 dias Alta muda pastagens, uniformidade de pastejo, boa resposta sob pastejo rotacionado. 12 Boa adaptabilidade a solos úmidos e de baixa fertilidade, alta Semente eQuicuio 35 15 Baixa 28 a 35 dias Média resistência a seca, muda tolerante ao ataque de cigarrinhas. Divisão das quadras (piquetes) - A divisão da área em quadras serve para fazer o rotacionamento do gado para que a forragem tenha tempo de descanso e assim consiga se restabelecer para o próximo ciclo de pastejo. Para que o pasto se recupere é fundamental que o gado entre na altura indicada do capim e seja retirado também na altura indicada, garantindo o período que o pasto precisa para se recuperar (quadro 1). É necessário se observar o formato dos piquetes. O comprimento normal do piquete não pode ultrapassar três vezes o valor da largura.
  8. 8. Os piquetes mais adequados são os quadrados pois possibilitam melhor aproveitamento daforrageira.O quadro a seguir resume a área de pastagem que será necessária para criar diferentes tamanhosde rebanho de acordo com o tipo de pasto.Quadro 2.Pasto Vacas ha Pasto Vacas HáBrachiarão 10 1,1 Brachiarinha 10 1,3 30 3,5 30 4,8 50 6,0 50 6,3Colonião 10 0,6 Mombaça 10 0,6 30 1,8 30 1,7 50 2,8 50 2,8Tanzânia 10 0,8 Quicuio 10 2 30 2,3 30 6 50 4,8 50 10A estimativa do tamanho da área de manejo foi feita dividindo a necessidade de massa seca deforragem por ano pela produção de massa por hectare. Como exemplo, supondo que se necessitaalimentar 10 vacas em pasto de brachiarão, parte-se do princípio de que as vacas consomem 2%de seu peso vivo em matéria seca e o brachiarão tem produção esperada de 20 toneladas deMS/ha por ano. Considerando que as 10 vacas pesam 400 kg cada, elas vão consumir juntas 80quilos de matéria seca por dia. Considerando as perdas com o pastejo (30%) e da estacionalidade(10%) serão necessários 22.857 kg de matéria seca por ano. Essa quantidade poderá ser supridapor 1,1 ha de brachiarão.ÁREA TOTAL = Necessidade de matéria seca por ano = 22857/ 20 = 1,1 Produção esperadaPara se calcular o numero de piquetes é necessário que o agricultor considere:Período de descanso – relaciona-se ao tempo em que o gado não ocupa o piquete e deixa o pastose recuperar para futuramente haver uma nova ocupação. O período de descanso é dependente dealguns fatores como à espécie forrageira, condições de fertilidade do solo e o clima da região.Período de ocupação - O período de ocupação é a época que o gado está pastejando dentro daárea. No caso de rebanhos leiteiros, deve ser de um dia (no máximo dois dias) pois oprolongamento da ocupação causa variação na produção de leite. O gado deve começar aocupação antes de a planta soltar a inflorescência ou apresentar folhas envelhecidas pois nessecaso a planta já se encontra com pouco valor nutritivo.O cálculo do número de piquetes segue a equação:
  9. 9. NÚMERO DE PIQUETES = Período de Descanso +1 Período de OcupaçãoNo exemplo do brachiarão que tem período de descanso de 28 a 35 dias (média de 32 dias)(quadro 1), o resultado é o seguinte se o período de ocupação for de um dia: (32/1) + 1 = 33piquetes.O tamanho do piquete é calculado dividindo-se a área total pelo número de piquetes. No exemplodado, os 1,1 ha devem ser divididos pelos 33 piquetes. Isso resulta em cada piquete com 0,03 ha,ou 300 m². Isso faz com que cada uma das 10 vacas utilize 30 m² por dia.Figura 4. Croqui da propriedadeÁgua e sombra - Também é fundamental pensar os piquetes garantindo o acesso do gado à águaa distâncias curtas. A água em um rebanho leiteiro é de fundamental importância pois o leiteapresenta 87% de água. Para uma vaca que apresenta alta produção é necessário que ela possa teracesso à água de maneira fácil.A demanda de uma vaca é de 80 litros por dia por animal de até500 quilos. Para cada litro de leite produzido a vaca aumenta o consumo de água em cinco litros.Então uma vaca que produzir 10 litros de leite terá que beber os 80 litros mais 50 litros de águatotalizando 130 litros finais de água por dia. As vacas leiteiras são animais preguiçosos, que nãose dispõem a caminhar muito para beber água. Assim, deve-se observar a qualidade das vias deacesso e a distância dos bebedouros. Bebedouros mal localizados e distantes das áreas de manejo
  10. 10. e de descanso certamente prejudicarão a produção de leite em razão do menor número de acessosao ponto de água e da menor quantidade de água consumida durante o dia. Outro pontoimportante é a qualidade da água oferecida aos animais. Se as vacas tiverem acesso a uma fontede água quente, barrenta ou suja, o consumo será afetado. Nesse caso, os animais bebem apenaso mínimo necessário mas não o suficiente para proporcionar produção elevada.Outra coisa que no pastejo rotacionado se tem levado em conta é o bem estar animal poiscomprovadamente quando um animal está em situação de conforto ele produz mais. Dentro dissoé indicada a presença de sombra em alguns pontos dentro do pastejo rotacionado. Geralmente aspastagens têm árvores que podem fornecer sombra. A curto prazo pode-se separar um piqueteque tenha uma árvore de livre acesso só para a sombra permitindo que na hora do sol forte asvacas possam ir para esse piquete que também deve ter uma fonte de água.Uso de cerca elétrica - Para a divisão interna dos piquetes é recomendado o uso de cercaselétricas “alimentadas” com energia solar ou bateria que reduzirá os custos de implantação dospiquetes (se comparados à cerca com arame liso ou farpado), pois o custo com fio elétrico eestacas é menor. Essa é uma novidade para os agricultores. A cerca elétrica possibilita dividir aárea com apenas um fio e trabalhar com estacas a cada 15 metros em média. Para a instalação osseguintes detalhes são importantes: Seguir as recomendações do manual de instruções do aparelho eletrificador – cada eletrificador (aparelho de choque) já indica quantos quilômetros de cerca ele consegue cobrir. Existem eletrificadores disponíveis para funcionar com energia da rede elétrica, com baterias carregadas com energia solar e com pilhas. Na compra do aparelho já é importante ter uma ideia do tamanho da cerca a ser estabelecida e saber a fonte de energia. Aterramento – o eletrificador tem uma saída que deve ser aterrada. A sugestão é conectá- la a duas barras de ferro enterradas no chão em área úmida. Isolar o fio da cerca – um bom isolamento garante a eficiência do sistema. O fio da cerca não deve estar em contato nem com o capim nem com a madeira das estacas. Para o isolamento é possível trabalhar alternativas locais como borracha de pneus velhos para envolver os fios, produtos comerciais como isoladores para pregar nas estacas ou mesmo tubos de plástico de cinco oitavos que podem ser inseridos em furos feitos nas estacas com furadeiras manuais ou elétricas. Para-raios – devem ser instalados para garantir a segurança do sistema e evitar queima do eletrificador.
  11. 11. Figura 5. Instalação da cerca elétrica na propriedade do Sr. Alexandre no rio Uiui. A cercaelétrica facilita a divisão dos piquetes que permite a recuperação da pastagem nas áreas de terra-firme. O sistema é simples e mais barato do que a construção convencional de cercas que usamais estacas e arame.Manejo do gado na terra-firme - O manejo busca garantir que o gado entre no piquete nomomento em que o capim está em seu melhor estágio e saia no momento adequado para permitira recuperação rápida do capim (ver quadro 1). Caso chegue o dia de trocar as vacas de piquete eelas não consumiram toda a área, faz-se o repasse com os animais jovens, mas semprerespeitando a altura de saída da forragem.Para aproveitar o bosteamento dos animais que serve como adubo para o solo, recomenda-setodo dia, antes de retirar os animais das parcelas, ir 15 minutos antes e levantar todos os animais,estimulando que este façam o bosteamento no piquete e não no corredor durante o caminho parao curral de ordenha.A cada inicio de uso da área, também é recomendado a roçagem dos piquetes 1 mês antes decolocar os animais, para que a “palhada” formada pelo tempo de descanso logo, seja cortada eassim o capim “brote” e esteja em boa qualidade para o primeiro pastejo. Caso não seja possívelfazer a roçagem, coloca-se os animais jovens para fazer esse corte. Mas não se deve deixar queesses animais “rapem” o pasto.
  12. 12. Sal mineral – Não é tradição entre os criadores oferecer sal mineral para o rebanho. Mas algunscriadores já começam a usar o sal como fonte complementar de minerais para os animais queestão na terra firme. O recomendado é ter um cocho coberto para se distribuir sal a vontade paraos animais.SANIDADECuidados com os bezerrosÉ muito importante garantir o bom desenvolvimento inicial dos bezerros. Para isso éfundamental que o bezerro mame logo após o parto ingerindo o colostro do leite que éfundamental para seu sistema imunológico.Depois, quando começa a ordenha, é importante deixar leite suficiente para o bezerro mamar. Oscriadores começam a tirar leite a partir do oitavo dia do nascimento dos bezerros, quando o leite“clareia”. Parte pequena dos criadores, para promover o melhor desenvolvimento dos bezerros,começa a tirar leite a partir do vigésimo dia de nascimento dos bezerros. A partir do início daordenha, os produtores passam a apartar as vacas no final do dia prendendo os bezerros noscurrais ou marombas para a ordenha na manhã do dia seguinte. Durante a ordenha e ao longo dodia, os bezerros ficam com as vacas. Em muitos casos os criadores tendem a ordenhar e deixarpouco leite para os bezerros. Nesse caso, como os bezerros não recebem alimentaçãocomplementar, têm baixo desenvolvimento inicial e não se fortalecem o suficiente para suportara época da chuva.
  13. 13. Figura 6. Bezerros do Sr. xxx do rio Peituru na maromba com sinais subnutrição por falta depasto e amamentação. A oferta do colostro nos primeiros dias e leite posteriormente éfundamental para o desenvolvimento inicial dos bezerros uma vez que os criadores não têmrecursos nem tradição de oferecer complementação alimentar. Geralmente a desmama é naturalfeita pela própria vaca a partir do oitavo mês.HigieneA principal questão da sanidade é garantir a higiene no trato com os animais. Como a criação éextensiva, o maior cuidado deve ser tomado para manter as instalações limpas. Os criadores emgeral não investem em instalações e isso pode trazer prejuízos. A seguir são apresentadas asquestões mais importantes para a estrutura e higiene das instalações usadas para o manejo dosanimais (curral nas áreas de terra-firme e maromba nas áreas de várzea).Curral – A função do curral é facilitar o manejo do rebanho, indo da aplicação do medicamentoà ordenha. Embora não seja comum, recomenda-se que o curral tenha piso de cimento. O piso decimento facilita a instalação uma esterqueira para facilitar a limpeza e retirada do esterco quepode ser aproveitado para a adubação. Além de propiciar o bem estar dos animais, a esterqueira éuma prática sanitáira que evita a propagação de doenças.A parte do curral para os animais adultos que ficam pouco tempo não precisa ser coberta, mas aparte destinada aos bezerros que ficam presos geralmente a partir das 16h deve ser coberta.Dentro do próprio curral pode-se fazer uma sala cercada para fazer a ordenha, diminuindo assimos gastos com instalações. A área a ser destinada para a ordenha no curral depende de quantaspessoas fazem a ordenha, mas basicamente se utiliza uma área de 2m x 3m para cada vaca e suacria. Essa área deve ser limpa antes e depois da ordenha.
  14. 14. Figura 6. Curral na propriedade do Sr. Renato na Comunidade São João do Cupari, no rioCupari. O piso de madeira dificulta a retirada do esterco e, particularmente nas épocas maisúmidas, fica com forte odor causado pela urina dos animais acumulada na parte debaixo doassoalho (a alternativa seria piso de cimento com esterqueira). A falta de cobertura aumenta oestresse dos bezerros que são presos no meio da tarde de cada dia para facilitar a ordenha no diaseguinte (a alternativa seria uma cobertura para a parte do curral em que os bezerros ficam presoscom fonte de água).Maromba – A maromba é uma estrutura suspensa feita de madeira para abrigar o gado na épocadas cheias. Para o assoalho é recomendado deixar espaço entre tábuas de 2 cm e usar tábuas de3cm de espessura para facilitar a limpeza. A rampa deve ter as laterais bem cercadas, contendoproteção capaz de evitar que, ao escorregar, o animal coloque pernas para fora e seja pisoteadopelos demais. É muito importante fazer degraus para evitar que fique escorregadia. Sugere-se 2,5m2 por animal para calcular o tamanho da maromba.
  15. 15. Figura 7. Maromba secundária do criador Bena na comunidade São Pedro, no rio Aquiqui. Arampa deve ser o menos inclinada possível para evitar muito esforço durante subidas e decidasde animais.AcidentesOs bubalinos são animais que apresentam alta capacidade de adaptabilidade a ambientes “hostis”para outras espécies de animais domésticos. Mesmo assim, nos campos naturais de várzeas dePorto de Moz, nas marombas ou mesmo em áreas de pastagens de terra-firme são muito comunsacidentes que provocam a morte desses animais.A principal medida para evitar acidentes é amansar os animais adequadamente. Na prática asvacas são amansadas quando têm a primeira cria e o criador começa a fazer a ordenha. Com obezerro mamando, o criador vai tentando tirar o leite. A prática exige principalmente carinho epaciência nos primeiros dias com várias tentativas. O criador não deve ser agressivo com osanimais.A seguir apresentamos um quadro com os principais tipos de acidentes, causas e medidaspreventivas.Quadroxx. Tipos de acidentes mais comuns
  16. 16. TIPOS DE CAUSA/S OCORRÊNCIA MEDIDAS (DICAS DE)ACIDENTES PREVENTIVAS (PREVENÇÃO)Afogamento Transporte por Bezerros durante Evitar aglutinação dos animais ou água de transporte de animais pressionar para que nadem mais animais em em rios, passagem e rápido. Sempre que possível mantê- grandes grupos em campos inundados. los em filas deixando a líder do incluindo grupo guiar os demais. Evitar animais transportar animais por áreas de jovens. boiados sempre que possível, evitar transportar rebanhos com muitos animais.Chifre Enroscamentos Principalmente entre Serragem do chifre cerca de 5cm daengatado dos chifres em vacas com mais de ponta. A idade indicada é para vacas troncos e cinco anos de idade da a partir do quarto ano. O cuidado é raízes de raça murrah ou do evitar corte que provoque árvores cruzamento desta com sangramento e crie condições para a mediterrânea. Esses infecções e bicheira. animais apresentam chifres em forma de um círculo, com pequena abertura na parte interna. Ao esfregá-lo em troncos e raízes de árvores há riscos do animal ficar preso e não conseguir sair. Quando ocorre em regiões alagada pode haver afogamento.Chifrada (e Briga entre Sobretudo entre vacas Serragem dos chifres ou descarte,chifre animais que disputam a quando não se trata de animal deengatados) liderança do rebanho. “baixa” produtividade É muito comum as briga entre vacas ocorrendo o encaixe dos chifres fazendo com os animais fiquem presos uns nos outros.
  17. 17. Quando isso ocorre em áreas alagadas aumenta o risco de morte por afogamento. Outro tipo de ocorrência muito comum é engate do chifre na parte anterior da cocha, em muitos casos o animal morre engatado no outroAcidente em Rompimento Em marombas O cuidado essencial está namarombas da estrutura da construídas durante o construção da estrutura da maromba maramba ou inverno com estruturas de acordo com a quantidade de frestas que frágeis ou com abertura animais desejada. Para o assoalho é permitam a entre tábuas recomendado deixar espaço entre entrada das possibilitando a tábuas de 2 cm e com tábuas de 3cm patas dos entrada dos membros e de espessura, a rampa deve ser animais, derrapagem dos menos inclinada possível para evitar decidas e animais provocando a muito esforço durante subidas e subidas em fratura da bacia decidas de animais e com as laterais rampas mal (cavidade óssea que bem cercadas, contendo proteção construídas, serve de base ao tronco capaz de evitar que, ao escorregar, o assoalho e de ponto de apoio aos animal coloque pernas para fora e escorregadio membros inferiores) seja pisoteado pelos demais. Fazer espécie de degraus para evitar que fique escorregadia.Caso haja a morte de animais é recomendado fazer a queima das carcaças. Na época da cheiarecomenda-se levar as carcaças para as áreas de teso campo e queimar ou enterrar. Não é corretojogar as carcaças no rio para serem levadas pela maré pois isso provoca contaminação das águase doenças nas populações rio abaixo.Calendário profiláticoÉ necessário que o criador siga o calendário profilático que é o cronograma mensal de vacinaçãoe combate a endoparasitas e ectoparasitas.Quadro 3. Calendário profilático
  18. 18. Idade (Dias) Cura de Vermifugação Vacina de Vacina de umbigo Brucelose Clostridiose –1 X715 X30 X60 X90120180 X X XCura de umbigo – Na várzea os criadores não costumam fazer cura de umbigo, sendo raros oscasos de inflamação. Na terra-firme, é mais comum haver complicações e os cuidados com acura do umbigo devem ser redobrados. Tanto na várzea quanto na terra-firme, a cura deve serfeita no primeiro dia de vida do animal com solução de iodo a 10% repetindo esse procedimentoduas vezes ao dia até que o quinto dia ou até que o umbigo fique seco. Caso o umbigo estejagrande ele deve ser cortado ficando a dois dedos do abdômen.Verminoses e ectoparasitas (principalmente piolho) – O fundamental desses tratamentos éaplicar os medicamentos na dose correta, concluir o tratamento iniciado e alternar osmedicamentos para evitar resistência nos animais.Brucelose – A vacinação deve ser feita entre o entre o terceiro e o oitavo mês de vida, sendorecomendado o sexto mês.Clostridiose – A vacina para manqueira deve ser aplicada junto com a vacina de brucelose.Depois deve ser feita anualmente junto com a campanha de vacinação.Aftose – As vacinações para aftose devem ser feitas duas vezes por ano nas campanhas queacontecem em maio e novembro em Porto de Moz. O controle é feito pela Adepará.
  19. 19. REPRODUÇÃOAs comunidades têm rebanho misto com baixa produção de leite (dois litros por vaca por dia emmédia) mas considera que o gado tem ganho de peso relativamente bom. Um dos principaisdesafios é a consanguinidade do rebanho da região que tem a mesma origem. Para superar oproblema há a possibilidade de troca de touros e inseminação artificial.Como as famílias criam os animais soltos (sem áreas individuais separadas) os touros cobrem asvacas de todos os vizinhos sem distinção. Então a troca de touros entre vizinhos não é funcionalpara evitar que os pais cubram as filhas. A alternativa encontrada é a troca de touros entrecomunidades.A inseminação nas áreas onde, pela criação solta e extensiva, não é possível separar as vacas dostouros é difícil de ser implementada. Nas áreas em que os criadores têm pastos separados (emparticular aqueles que têm pastos em terra-firme) há maior possibilidade na medida em que épossível separar as vacas para inseminar com mais facilidade.Monta naturalDe maneira geral, a reprodução ocorre de forma natural, obedecendo ao ciclo natural dereprodução dos animais e sua adaptação ao ambiente. Isso ocorre devido às condições oferecidaspelos ecossistemas (várzea e terra-firme) e pelo modo extensivo como a criação é desenvolvida.Para os criadores que dispõem só de área de várzea, o período de monta ocorre nos primeirosmeses do período seco, isto é, principalmente entre os meses de agosto e setembro com a pariçãoacontecendo entre os meses junho e julho. Nas áreas só de várzea, as crias ocorrem nos durante operíodo das cheias, o que representa riscos iminentes de perda do bezerro e muito trabalho para ocriador. Como não existe terra, o criador fica vigiando o animal nos dias que antecede a pariçãopara, aos primeiros sinais de parto, levá-la à maromba e, assim evitar que o parto ocorra dentrod’água. Esse é um dos períodos de maiores cuidados com a alimentação das vacas para evitar aengorda excessiva, capaz de provocar disfunção (distócicos) durante o parto ou subnutrição quetambém pode ocasionar problemas durante a após o parto.Na faixa de transição entre várzea e terra-firme, a monta ocorre no início do período chuvoso, emprincipalmente entre janeiro e favereiro, ocasionando a parição (pico) em novembro e dezembro.Para a criação na faixa de transição, os partos ocorrem no final do período seco com grandesextensões de terra. Como não há cercas para manejo dos animais, em muitos a vaca pare nasilhas, permanecendo com a cria escondida por até cinco dias antes de juntar ao rebanho. Maisfreqüentemente entre as novilhas de primeira cria (primíparas), há muitos casos de abandono dobezerro recém-nascido que dificilmente é encontrado com vida ou quando encontrado já emestado debilitado morre nos primeiros dias de vida. Alguns criadores adotam construir umcercado próximo do curral para as vacas que estão por parir, evitando assim a perda do bezerro.
  20. 20. Em ambos os ecossistemas as novilhas de primeira cria entram no cio a partir dos dois anos deidade quando atingem cerca de 350kg, próximo ao parto atingem em média 450kg. Parindo,portanto normalmente aos três anos de idade (em média). Uma vaca pare em média dez crias.Predominantemente as raças murrah e mediterrâneo ou o cruzamento entre as duas raças ocupammaior espaço na preferência dos criadores, pela dupla aptidão: carne e leite. Em menor escala sãoencontrados os animais da raça jafarabadi – mesmo apresentando menor produção de leite, essaraça tem crescimento rápido, podendo chegar a 1.000kg na fase adulta.Seleção do touro - Considerando que o processo reprodutivo ocorre através de monta natural, oscriadores têm a preocupação em selecionar o “melhor” animal, para reprodutor, normalmente damesma propriedade. Os critérios de seleção basicamente se restringem ao desenvolvimentocorpóreo do animal. Os machos com crescimento acelerado e que apresentam boa formação dechifres (armados como são definido pelos criadores), ficam reservados para futuros reprodutoresnas propriedades. Quando os criadores têm oportunidade compram touros dos compradores degado que adentram os rios animais de outras propriedades ou trocam entre vizinhos animas comaparências físicas bem desenvolvidas (melhorar a redação).O processo reprodutivo tem importância singular nos resultados econômicos da criação debubalinos relativos à produção de leite e ganho de peso dos animais para abate. Por isso, há quese ter uma atenção especial para este fator. A seguir, dicas simples que podem trazer bonsresultados: a) Troca de touro anualmente – o ideal para a criação com monta natural é a troca anual do touro. Com isso, evita-se a endogamia ou consanguinidade provocada pelo acasalamento entre animais com elevado grau de parentesco (irmã, mãe, filha...). A tendência “natural” é que a filiação entre animais não consangüíneos, com boa produtiva (genética), apresentem índices de produtividade igual ou superior aos pais biológicos. b) Conhecer as origens do touro – a troca do touro dever ser baseada em critério de escolha objetivando melhor produtividade, principalmente de leite. Não basta apenas trocar por trocar. Faz-se necessário que o reprodutor tenha características de um bom reprodutor. Para isso é importante ter informações dos pais – se a mãe tem boa produtividade de leite, se as filhas também apresentam boa produtividade, instinto maternal da mãe (boa criadeira) e, subretudo, se o animal é saudável. Um reprodutor contaminado com a bactéria Brucella abortus, causadora da brucelose, pode contaminar um rebanho não imunizado inteiro, ocasionando em perda da produção provocada por abortos além dos riscos de contaminação humana. c) Selecionar as melhores vacas do plantel – avaliar a frequência de parição, produção de leite, boa criadeira (instinto maternal) e manter as vacas e suas filhas no plantel.
  21. 21. Quadra-maternidade – uma alternativa para evitar que a vaca realize o parto longe dos cuidadosdo dono é o estabelecimento do “piquete-maternidade.” Isto é, uma área cercada com oferta deágua e alimento em abundância e qualidade para os animais ficarem confinados no pré-parto.Isso faz com que o criador acompanhe de perto o parto e o pós-parto do animal evitandoinclusive longas caminhadas do vaqueiro para descobrir o local onde a vaca escondeu a cria oumesmo a perda do bezerro por abandono, ataque de morcego, afogamento em passagens e outrosagentes capazes de provocar a morte de um recém-nascido. A quadra maternidade cumprefunção parecida à área de recreio na ilharga da maromba destinada aos bezerros.Figura 7. Maromba principal do criador Bena na comunidade São Pedro, no rio Aquiqui. Aquadra-maternidade construída próxima à maromba e à casa do criador facilita a cura do umbigo,facilita ao bezerro mamar o colostro nas cinco primeiras horas que é quando a vaca está commaior concentração de anticorpos, facilita auxílio do criador no parto. A vaca entra quando oanimal começa a dar sinais de parto e fica até o bezerro ter cinco dias de vida.Inseminação artificialUma alternativa, embora ainda não testada em Porto de Moz, para “refrescar” o sangue dospequenos rebanhos é a inseminação artificial. Considerando os custos para obtenção de touros delinhagem sanguínea diferente e comprovadamente com bom reprodutor, fica bem mais baratoproduzir animais por inseminação que comprar touros, sendo os mais próximo são da Ilha doMarajó. A inseminação é a forma mais fácil de “introduzir sangue novo” no rebanho da região,visto que quase todo o rebanho da região tem parentesco. Contudo, deve-se ter um
  22. 22. acompanhamento de pessoas com experiência em inseminação podendo ser o próprio vaqueiro eevitar a aquisição de sêmens de animais não adaptados às condições ambientais da região.Além do sêmen do touro, é fundamental a seleção das vacas a serem inseminadas pois a criaherda características do pai e da mãe. Como critérios sugere-se escolher as vacas por produçãodo leite, ganho de peso, ser boa criadeira (evitando vacas que rejeitam ou deixam os filhosescondidos na mata), ter bom temperamento (evitando vacas agressivas, fácil de amansar) e terbom úbere de bicos bem definidos e de fácil ordenha. Do ponto de vista sanitário, é fundamentaltrabalhar apenas com animais imunizados para brucelose.As vacas devem ser inseminadas 12h depois da identificação do cio que é identificado pelainquietação do animal e com as vacas se deixando montar. Como no caso de bubalinos as vacascostumam entrar no cio durante a noite, é mais difícil para o criador identificar o momento exatodo cio. Caso o criador prefira, os veterinários recomendam a inseminação em tempo fixo parabubalinos. Nesse caso o cio é induzido pela aplicação de hormônios e o processo de inseminaçãogeralmente precisa ser acompanhado por um especialista.Para a inseminação é necessário ter: Botijão – O botijão serve para manter o sêmen congelado com nitrogênio que precisa ser reabastecido periodicamente. É normal que os criadores tenham um botijão menor para transportar os sêmens a serem utilizados no dia. Sêmen – O criador pode escolher o sêmen com base nas características do animal que ele quer (tamanho, produção de leite, peso). No Pará o Cebran (Centro de Reprodução Animal) localizado no município de Castanhal comercializa sêmen de bubalinos.Para a inseminação é recomendado se ter um “Jiqui” que deve ser coberto para conforto doprodutor quando for manejar o rebanho (aplicação de vacinas, inseminação) e diminuir o estressedo animal (estresse térmico) quando ali estiver. Sugere-se usar cavaco ou palha para cobrir oJiqui. Telhas de amianto não são recomendadas por aumentar o calor.
  23. 23. Figura 7. Jiqui (brete) na propriedade do Sr. Renato na Comunidade São João do Cupari, no rioCupari usado para a vacinação do rebanho. Se adaptado pode ser usado para facilitar ainseminação.Como a inseminação é feita buscando a melhoria da raça e superar os problemas deconsanguinidade, é recomendado que o criador garanta que os bezerros tenham leite suficientepara mamar o que vai garantir seu desenvolvimento inicial. Alguns criadores recomendam nãotirar o leite das vacas inseminadas buscando a melhoria do plantel para proporcionar que osbezerros atinjam 300 kg já no primeiro ano de vida.PRODUÇÃO DE QUEIJOHigiene na ordenhaA a ordenha é feita nas manhãs manualmente durante o período de lactação da vaca. Há duasformas mais comuns para a ordenha. Na primeira, principalmente entre a terceira semana e osegundo mês de vida do bezerro, o ordenhador faz os procedimento durante a amamentação debezerro. Nesse caso, normalmente o bezerro mama em dois mamilos e o ordenhador retira o leitede dois. Geralmente o bezerro é posto para mamar até descer o leite da vaca, quando começa aordenha. Na segunda forma é adotada quando o bezerro já está mais crescido e já se alimentacom capim (complementarmente), normalmente a partir do terceiro mês do nascimento. Nessecaso o ordenhador prende o bezerro com o uso de uma corda enquanto faz a ordenha. Para essaatividade não foi possível observar cuidados higiênicos convencionais, como a limpeza das mãos
  24. 24. e dos mamilos das vacas. O período mais crítico é no início das chuvas pois as tetas ficam sujasde barro. Nesse período os produtores usam lavar os tetos antes do início da ordenha. O períodode cheia é considerado o mais higiênico pelos produtores pois os tetos estão limpos. Para ahigiene na ordenha duas propostas são fundamentais: No verão (e início das chuvas): 1. levar ogado para a água para banhar antes da ordenha 2. Construir um curral-maromba com torneirapara facilitar a higienização dos tetos. O leite é transportado em recipientes abertos até as“queijarias” onde é feito o processo de produção do queijo.Produção de queijoDepois da ordenha, o leite passa por um crivo para retirar parte das impurezas e fica em repousodurante 24 horas (aproximadamente) em recipiente de plástico até coalhar. Depois é posto emsacas de fibra para o processo de desidratação (retirada do soro). Quando desidratada a coalhadaé misturada ao leite cru até formar uma mistura homogênea. Leva-se ao fogo até formar umamassa elástica. Novamente é posto em peneiras para desidratar o soro. A massa é temperada comsal e levada a um tacho com manteiga de búfalo saturada até fritar. Quando está frito é posto emrecipiente com capacidade para a quantidade produzida (fôrma de plástico com capacidademédia de 1 a 10 kg).A ADEPARÁ impõe restrições à comercialização do queijo fora do município de origem. Comoos produtores de queijo da região não têm nenhum registro, a Agência de Defesa Animal do Pará(ADEPARÁ) proibiu a saída de queijo do município de Porto de Moz. A agência estabeleceuprazo de dois anos, ainda em 2008, para os produtores se regularizarem nos Sistemas deInspeção Sanitária. Até então nem os produtores se regularizaram, nem a ADEPARÁ restringiude uma vez o comércio de queijo.Custos para a rerforma, piqueteamento e cerca elétrica de 3ha e para a reprodução cominseminação artificial Material Finalidade Quantidade Preço V. total unit. (R$) (R$) PREPARO DA ÁREA Roço da capoeira Retirar capoeira para plantio 20,00 1000,00 (outubro) Plantio com mudas Acelerar a formação e evitar 20,00 1000,00 de quicuio ataque de pragas e plantio por semente Transporte das 180,00 mudas
  25. 25. Roço 1 (junho) Roço da capoeira para abrir 30 20,00 600,00 espaço para o desenvolvimento do capim Roço 2 (janeiro) Roço da capoeira para abrir 20 20,00 400,00 espaço para o desenvolvimento do capim CERCA Arame liso flexível Cerca 2.000m 250 500,00 Isoladores Isolamento dos fios 160 unid. 1,00 160,00 Estacas Suporte para os arames 80 unid. 5,00 400,00 Eletrificador (a pilha) Eletrificar arame 1 unid. 100 100,00 Aterramento Condutor de desvio 3 unid. 10,00 30,00 Conectores do Conectar fios 3 unid. 1,00 3,00 aterramento Porteira eletrificada Fechar piquetes 1 unid. 30,00 30 Mão-de-obra Instalação 2 diárias 25,00 50,00 Kit pára-raios Desvio de descarga elétrica 1 unid. 30,00 30,00 Esticador de arame Esticar os arames 10 unid 2,00 20,00 INSEMINAÇÃO Botijão Armazenamento de sêmen Botijão Transporte local de sêmen Sêmen Curso de inseminadorBibliografia –Láu, Hugo Didonet. Manejo Ecosanitário de Búfalos: Princípios, Técnicas e Aplicação. Belém:Embrapa Amazônia Oriental, 2006. 64p.Autores: Claudio Barbosa, Katiele Amorin, Nazaré Batista Barbosa (Rio Coati), Renato Barbosa(Rio Cupari), Benedito xxx (Rio Aquiqui), Gabriel Medina
  26. 26. A1 – S 01 53 013 W 052 38 594A2 – S 01 53 014 W 052 39 011A3 – S 01 53 019 W 052 39 029A 4 – S 01 53 019 W 052 39 041A5 – S 01 53 025 W 052 39 055A 6 – S 01 53 023 W 52 39 068A 7 – S 01 53 014 W 52 39 081A 8 – S 01 52 589 W 052 39 105Ponto 1 – S 01 52 599 W 052 38 596Ponto 2 – S 01 52 582 W 052 39 021Ponto 3 – S 01 52 569 W 052 39 034Ponto 4 – S 01 52 559 W 052 39 047Ponto 5 – S 01 52 548 W 052 39 050Ponto 6 – 01 52 536 W 052 39 057Ponto 7 – S 01 52 531 W 052 39 067Ponto 8 – S 01 52 526 W 052 39 077

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