Obesidade 02

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Obesidade 02

  1. 1. OBESIDADE Acadêmico Gustavo Gimenes Sieck Ad2009 Disciplina de Bioquímica Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre
  2. 2. Obesidade <ul><li>Conceito : Excesso de gordura corporal, resultando no aumento de peso corpóreo, acima do peso ideal. </li></ul><ul><li>Peso ideal : aquele que maximiza a expectativa de vida do indivíduo. </li></ul>
  3. 3. Visão Histórica... <ul><li>Pré-Industrial </li></ul><ul><li>Obesidade = riqueza/saúde </li></ul><ul><li>Sociedade Industrial </li></ul><ul><li>Obesidade = doença </li></ul>
  4. 4. Dados Epidemiológicos <ul><li>Mundo 1bilhão sobrepeso </li></ul><ul><li>300 milhões obesos </li></ul><ul><li>EUA </li></ul><ul><li>1 / 3 da população adulta </li></ul><ul><li>Obesidade </li></ul><ul><li>¼ das crianças e adolescentes </li></ul><ul><li>causa: 300 mil mortes/ano </li></ul><ul><li>Brasil 40% da pop sobrepeso </li></ul><ul><li>causa : 80 mil mortes/ano </li></ul>
  5. 5. Obesidade no Brasil % populacional Fonte: www.abeso.com.br
  6. 6. Desnutrição x Obesidade Fonte: www.abeso.com.br
  7. 7. Determinação da Obesidade <ul><li>Determinação do Risco de Vida: </li></ul><ul><li>porcentagem de sobrepeso que aumenta a </li></ul><ul><li>morbidade e mortalidade. </li></ul><ul><li>Comparação Visual : </li></ul><ul><li>definição sem base científica – uma pessoa </li></ul><ul><li>parece gorda por determinação estética. </li></ul>
  8. 8. Determinação da Obesidade <ul><li>Excesso de peso: até 20% acima do normal </li></ul><ul><li>Obesidade: maior que 20% do normal </li></ul><ul><li>Peso normal: peso corpóreo associado a menores taxas de morbidade e mortalidade (comparando altura/peso/idade/sexo) </li></ul>
  9. 9. Métodos mais Utilizados <ul><li>Índice de Massa Corpórea (IMC): </li></ul><ul><li>peso (kg) </li></ul><ul><li>altura 2 (m 2 ) </li></ul>obesidade grau III (mórbida) extremo 40 ou mais obesidade grau II muito alto 35-39,9 obesidade grau I alto 30-34,9 sobrepeso moderado 25-29,9 ausente peso saudável 18-24,9 TIPO DE OBESIDADE GRAU DE RISCO IMC(Kg/m 2 )
  10. 10. Métodos mais Utilizados <ul><li>Circunferência da cintura: quantidade absoluta de gordura visceral </li></ul><ul><li>Relação Cintura/Quadril: relaciona a distribuição da gordura (alterações metabólicas) </li></ul>> 102 cm Homem > 89 cm Mulher > 0,8 Mulher > 1,0 Homem
  11. 11. Outros Métodos... <ul><li>Densiometria </li></ul><ul><li>Água Corporal Total </li></ul><ul><li>Potássio Corporal Total </li></ul><ul><li>Captação de Gases Inertes Lipossolúveis </li></ul>Obs.: métodos que utilizam constantes baseadas em dados mínimos, apresentando variações entre indivíduos.
  12. 12. Distribuição de Energia Fonte: 1. NATURE (Nature Insights -Obesity), Vol 404, N° 6778 ( 6 Apr 2000)
  13. 13. <ul><li>OBESIDADE: </li></ul><ul><li>Energia absorvida > Energia despendida </li></ul><ul><li>ROMPE HOMEOSTASIA </li></ul><ul><li>Não funcionamento dos mecanismos de regulação </li></ul>Causa
  14. 14. Causas <ul><li>Secundária </li></ul><ul><li>à desordem primária ( síndromes hipotalâmicas, síndrome de Cushing, hipotireoidismo, hipogonadismo, déficit de hormônio do crescimento, aumento de insulina e tumores pancreáticos produtores de insulina); </li></ul>ao uso de drogas (psicotrópicos, corticóides, antidepressivos tricíclicos, lítio, ciproheptadina, medroxiprogesterona). Sem Distúrbio Prévio (distúrbio nutricional, inatividade física).
  15. 15. Fatores Relacionados
  16. 16. NEUROPEPTÍDEOS E HORMÔNIOS HIPOTALÂMICOS -SINAIS OREXÍGENOS: promovem anabolismo e aumento da ingesta alimentar pela sensação de fome - SINAIS ANOREXÍGENOS: promovem catabolismo e redução da ingesta alimentar pela sensação de saciedade AÇÃO NO SNC -> HIPOTÁLAMO -> SNS
  17. 17. Regulação da Ingesta a Curto Prazo <ul><li>Teoria Glicostática (hipoglicemia -> SNC -> Fome) </li></ul><ul><li>Colecistoquinina (CCK) -> Cél. I do duodeno durante a digestão -> via plexo vagal (leptina gastro-intestinal) -> ↑ saciedade </li></ul><ul><li>Grelina (peptídeo secretado pelo estômago) -> aumenta a ingesta e reduz o catabolismo de gorduras e gasto energético (metabolismo). </li></ul><ul><li>PPY -> intestino delgado e cólon -> inibe a síntese de NPY </li></ul>
  18. 18. ...A Longo Prazo <ul><li>Sistema neuro-humoral altamente integrado que minimiza as flutuações do balanço energético. </li></ul>↑ LEPTINA (T. adiposo) ↑ INSULINA (Pâncreas) SANGUE HIPOTÁLAMO ↓ INGESTA CALÓRICA
  19. 19. Hormônio Insulina <ul><li> SECREÇÃO COM O AUMENTO DO PESO CORPÓREO , no estado basal e em resposta às refeições:  insulina que chega ao SNC  limitação de ganho extra de peso pela inibição da ingesta </li></ul>OBS: deficiência de insulina não induz obesidade  sem insulina o excesso calórico contribui para hiperglicemia e não para aumento de tecido adiposo).
  20. 20. ↑ Ingestão Calórica ↑ INSULINA Inibição LIPASE HORMÔNIO SENSÍVEL ↓ Liberação de AC. GRAXOS TRIACILGLICERÓIS ↑ LIPASE LIPOPROTÉICA ↑ GLICEROL FOSFATO ↑ PESO CORPÓREO ↑ INSULINA Inibição por FEEDBACK da ingestão alimentar
  21. 21. Hormônio Leptina (grego, leptos = magro) <ul><li>Peptídeo sinalizador do estoque energético do organismo – ADIPOSTATO . </li></ul><ul><li>167 aminoácidos, se torna circulante - 146 aa ligado a uma proteína carreadora. </li></ul><ul><li>Síntese: </li></ul><ul><li>TECIDO ADIPOSO </li></ul><ul><li>PLACENTA </li></ul><ul><li>EPITÉLIO INTESTINAL </li></ul><ul><li>Degradação: </li></ul><ul><li>- Rim: 80% da leptina plasmática. Meia vida de 25 min na circulação. </li></ul>
  22. 22. Hormônio Leptina <ul><li>Função: manter a HOMEOSTASIA ENERGÉTICA. Síntese é proporcional à quantidade absoluta de gordura – informando ao SNC estoques energéticos. </li></ul><ul><li>Sinal Aferente ao HIPOTÁLAMO -> redução da ingesta e aumento do gasto energético. </li></ul> no estado alimentado  no estado de jejum <ul><li>em obesos </li></ul><ul><li> na perda de peso </li></ul>
  23. 23. Manutenção da Homeostasia pela Leptina Fonte: 1. NATURE (Nature Insights -Obesity), Vol 404, N° 6778 ( 6 Apr 2000)
  24. 24. INFLUÊNCIA DE FATORES ORGÂNICOS E AMBIENTAIS <ul><li> Insulina e glico-corticóides : + secreção de leptina. </li></ul><ul><li>Agonistas  -adrenérgicos (  AMPc) : - secreção de leptina. </li></ul>Diminuídos Fumo Diminuídos Melatonina Diminuídos Hormônios tireoidianos Diminuídos Hormônio do crescimento (GH) Diminuídos Estimulação adrenérgica Diminuídos Baixas temperaturas Aumentados Citoquinas inflamatórias Aumentados Infecções agudas Aumentados Glicocorticóides Aumentados Insulina Aumentados Superalimentação Aumentados Ganho de peso Diminuídos Jejum Diminuídos Perda de peso NÍVEIS DE LEPTINA SITUAÇÕES
  25. 25. <ul><li>Receptores para leptina: plexo coróide , leptomeninges, hipotálamo (núcleo arqueado, núcleo ventral premamilar, núcleo ventromedial e núcleo paraventricular). (MERCER et al.,1996) </li></ul>DNA Síntese de neuropeptídeos ( POMC,CRH e CART  anorexígenos) Inibição da síntese de NPY e AgRP ( orexígenos) JAK JAK STAT P STAT P STAT STAT P P
  26. 26. Leptina estimula sensibilidade a Insulina Fonte: Lehninger, Albert L., Princípios da Bioquímica
  27. 27.  Resistência à leptina no SNC (=dificuldade de acesso da leptina no SNC). 1)Deficiência nos receptores de transdução de sinal no SNC ou nas respostas hipotalâmicas à leptina; 2) Transportadores na barreira hemato-encefálica: menor eficiência quando em níveis plasmáticos elevados de leptina  NÍVEIS LIQUÓRICOS< NÍVEIS PLASMÁTICOS HIPERFAGIA (mesmo com  níveis de insulina) e REDUÇÃO DO GASTO ENERGÉTICO OBESIDADE SEVERA
  28. 28. OUTROS POSSÍVEIS EFEITOS DA LEPTINA NO METABOLISMO (pela observação em ratos) <ul><li>Supressão da síntese da enzima ACETIL CoA CARBOXILASE da biossíntese de Ác. Graxos  presença de receptores para leptina no tecido adiposo  ação da leptina sem a participação do SNC  AÇÃO PARÁCRINA. </li></ul><ul><li>Aumento da lipólise no tecido adiposo. </li></ul><ul><li>Indução da deleção de adipócitos por apoptose. </li></ul>
  29. 29. <ul><li>EFEITOS DA LEPTINA NO METABOLISMO </li></ul><ul><li>Ação na redução do peso aumentando a termogênese tanto no tecido adiposo marrom quanto no tecido adiposo branco </li></ul>Fonte: Lehninger, Albert L., Princípios da Bioquímica
  30. 30. Hormônio Adiponectina <ul><li>Peptídeo produzido pelos adipócitos </li></ul>Acetil-CoA Carboxilase ADIPONECTINA AMPK + [AMP] ↑ captação de Ác. Graxos e Glicose ↑ β-oxidação Músculo Fígado ↑ glicólise ↓ gliconeogenese ↓ biosíntese de Ác. Graxos
  31. 31. PAPEL DO HIPOTÁLAMO -NÚCLEO VENTROMEDIAL (VMN)= CENTRO DA SACIEDADE (estimulação inibe ingesta de alimento; lesão bilateral causa hiperfagia e obesidade) - NÚCLEO LATERAL (LHA)= CENTRO DA FOME (ativação estimula ingesta, lesão causa hipofagia e redução de peso)  INSULINA E LEPTINA + -
  32. 32. SINAL OREXÍGENO   INGESTA ALIMENTAR  TEC. ADIPOSO  LEPTINA SÍNTESE DE OREXÍGENOS  INGESTA ALIMENTAR + LIPASE LIPOPROTEICA   LIPOGÊNESE  - SN SIMPÁTICO (T. A. Marrom   TERMOGÊNESE; T.A..Branco   LIPÓLISE ANABOLISMO INANIÇÃO
  33. 33.  NEUROPEPTÍDEO Y ( NPY)  MCH ( melanin-concentrating hormone)  AGRP (agouti-related protein)  OREXINAS A E B (HIPOCRETINAS)  PEPTÍDEOS OPIÓIDES ENDÓGENOS (  - endorfina, dinorfina e encefalinas)  GLUTAMATO  GABA (ácido gama-amino-butírico). OREXÍGENOS
  34. 34.  LEPTINA  SN SIMPÁTICO (T.A.Marrom   TERMOGÊNE-SE; T.A.Branco   LIPÓLISE  INGESTA ALIMENTAR  LIPASE LIPOPROTEICA  lipogênese  TECIDO ADIPOSO REFEIÇÃO SÍNTESE DE ANOREXÍGENOS CATABOLISMO SINAIS ANOREXÍGENOS  ANOREXIA
  35. 35. VIA DA MELANOCORTINA ( MSH - Hormônio Estimulador de Melanócito; POMC - Pró-ópio-melanocortina) CHR (Hormônio corticotrófico)  REGULAÇÃO DO EIXO HIPOTÁLAMO-PITUITÁRIO-ADRENAL UROCORTINA CART (Cocaine and amphetamine- regulated transcript) SEROTONINA ANOREXÍGENOS
  36. 36. INTEGRANDO A REGULAÇÃO... Fonte: Lehninger, Albert L., Princípios da Bioquímica
  37. 37. Tecido Adiposo <ul><li>ARMAZENAMENTO do excesso energético -> TRIGLICERÍDEOS </li></ul><ul><li>Produtos da lipólise, GLICEROL E ÁCIDOS GRAXOS LIVRES  combustível para outros tecidos </li></ul><ul><li>Sinalização para sítios locais e distantes do estado energético (LEPTINA) </li></ul><ul><li>Crescimento do adipócito é limitado (10 x volume inicial) -> multiplicação do n° de adipócitos </li></ul><ul><li>Nº de adipócitos não declina com a perda de peso -> predisposição a novo ganho de peso </li></ul>
  38. 38. Distribuição do Tecido Adiposo <ul><li>ANDRÓIDE (forma de maçã) -> gordura concentrada na região central do abdome </li></ul><ul><li>Hipertensão </li></ul><ul><li>Resistência a insulina -> Diabetes tipo 2 </li></ul><ul><li>Dislipidemia </li></ul><ul><li>Doenças coronárias </li></ul><ul><li>GINÓIDE (forma de pera) -> gordura concentrada na região glútea e quadris </li></ul><ul><li>Mais comum em mulheres </li></ul><ul><li>Menor impacto metabólico </li></ul>
  39. 39. ↑ INSULINA ↑ AC. GRAXOS ↑ AC. GRAXOS ↑ VLDL , LDL e GLICOSE Na + e H 2 O Complicações da OBESIDADE SNS Resistina TNF
  40. 40. Complicações da Obesidade Mórbida
  41. 41. Complicações da Obesidade Mórbida <ul><li>- Problemas reprodutivos </li></ul><ul><li>- Problemas digestivos  refluxo gastro-esofágico (esofagite), cálculos biliares, esteatose hepática. </li></ul><ul><li>- Neoplasias: </li></ul><ul><li>Na mulher: câncer de endométrio ( 5,4 vezes ), vesícula biliar ( 3,6 vezes ), colo uterino ( 2,4 vezes ), mama ( 1,5 vezes ). </li></ul><ul><li>No homem: câncer colorretal ( 1,7 vezes ), próstata ( 1,3 vezes ). </li></ul><ul><li>- Problemas psico-socio-econômicos </li></ul>
  42. 42. MÉTODOS ATUAIS DE TRATAMENTO -DIETA -TERAPIA COMPORTAMENTAL -EXERCÍCIOS -DROGAS  Anorexígenos, Catecolaminérgicos, Serotoninérgicos, Termogênicos (efedrina, cafeína, aminofilina), Inibidores da absorção de gorduras (Orlistat) -CIRURGIA
  43. 44. BIBLIOGRAFIA <ul><li>1. NATURE (Nature Insights -Obesity), Vol 404, N° 6778 ( 6 Apr 2000). www. nature .com </li></ul><ul><li>2.Wilson, Foster, Kronenberg, Larsen. WILLIAMS TEXTBOOK OF ENDOCRINOLOGY. 9th Edition, 1998. Sauders Ed. Pg. 1061- 1083. </li></ul><ul><li>3.Champe, Pamela e Harvey, Richard. Lippincott`s Illustrated Reviews: Biochemistry. 3rd Edition, pag. 347-353. </li></ul><ul><li>4. Devlin – Manual da Bioquímica. 4º edição. Editora Edgard Bleicher </li></ul><ul><li>5. Lehninger, Albert L. – Princípios da Bioquímica </li></ul>
  44. 45. BIBLIOGRAFIA <ul><li>SITES: </li></ul><ul><li>1. www. nature .com </li></ul><ul><li>2. www. abeso .com. br </li></ul><ul><li>3. www. abcdasaude .com. br </li></ul><ul><li>4. www. qmc .ufsc. br </li></ul>

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