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SOCIEDADE BRASILEIRA DE MÉDICOS ESCRITORES
SOBRAMES - SP
Diretoria Gestão 2003/2004
Cargos Eletivos
Presidente: Luiz Gio...
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O homem a inventou faz muito tempo e ao usá-la para gravar seu pensamento,
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Sociedade Brasileira de Médicos Escritores
SOBRAMES-SP
A Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, Regional do Estado ...
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INDICEINDICEINDICEINDICEINDICE
Alcione Alcântara Gonçalves 9Alcione Alcântara Gonçalves 9Alcione Alcântara Gonçalves 9Al...
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Lição de amor
“Não semeies vento para não colheres tempestade”! A máxima, agora relembrada, nos faz
parar para meditarmo...
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Prelibar o amor
Num mundo sem graça,
A desgraça que rola,
A mola da vida,
Na ida pra lida,
Da vida diária.
No aro da ro...
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A chama
Uma chama pequenina, de uma vela a bruxulear,
Reluzindo branda e fina, rompe as trevas e a alumiar,
Nos despert...
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doces resíduos de rio
pele macia de abiu
onde deságuo meu cio
tátil - senso que sentiu.
Ei...ei - vêm abalroando, vigil...
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AlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandão
O tempo-ser, mais – val...
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Faz-de-conta
Estaríamos em algum ponto entre os leves passos de equilibristas e a solidez das rochas,
cheios de arte e ...
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Alitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da SilvaAlitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da SilvaAlitta Guimarães Costa Reis Rib...
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Professora - ...
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O poeta
O poeta nunca está inteiro:
desfaço-me aos pedaços
em cada verso que faço.
E, se acabar a tinta do tinteiro,
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Carlos Augusto Ferreira GalvãoCarlos Augusto Ferreira GalvãoCarlos Augusto Ferreira GalvãoCarlos Augusto Ferreira Galvã...
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DagobertodeOliveiraDagobertodeOliveiraDagobertodeOliveiraDagobertodeOliveiraDagobertodeOliveira
Sant’Ana e SouzaSant’An...
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Todos os negócios
Ócio.
Nego o ócio
Quando me falam de negócio.
Mas nêgo, o ócio
É negócio!
Quando negocio, nêgo
Nego o...
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EnriqueFelixVisillacEnriqueFelixVisillacEnriqueFelixVisillacEnriqueFelixVisillacEnriqueFelixVisillac
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Enrique Felix VisillacEnrique Felix VisillacEnrique Felix VisillacEnrique Felix VisillacEnrique Felix Visillac
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O revólver
Éramos meninos quando meu pai houve por bem, fazer uma ampliação da Farmácia e,
conseqüentemente, de nossa c...
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EvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCampos
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Flerts NebóFlerts NebóFlerts NebóFlerts NebóFlerts Nebó
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fariseus, os escribas eram celebres pela hipocrisia, orgulho e oposição a Cristo. Havia, contudo caracteres
nobres e si...
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Algo novo, mas que é muito velho
O berço da civilização, fala ao mundo ainda hoje desde a profundeza dos milênios já tr...
Anais   VII Jornada - 2005
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Anais VII Jornada - 2005

  1. 1. 1 VII JornadaVII JornadaVII JornadaVII JornadaVII Jornada Médico-literáriaPaulistaMédico-literáriaPaulistaMédico-literáriaPaulistaMédico-literáriaPaulistaMédico-literáriaPaulista Campos do Jordão - São Paulo - BrasilCampos do Jordão - São Paulo - BrasilCampos do Jordão - São Paulo - BrasilCampos do Jordão - São Paulo - BrasilCampos do Jordão - São Paulo - Brasil 25a28desetembrode200325a28desetembrode200325a28desetembrode200325a28desetembrode200325a28desetembrode2003 Anais SociedadeBrasileiradeMédicosEscritores SOBRAMES - SP
  2. 2. 2 SOCIEDADE BRASILEIRA DE MÉDICOS ESCRITORES SOBRAMES - SP Diretoria Gestão 2003/2004 Cargos Eletivos Presidente: Luiz Giovani Vice-presidente: Milton Maretti Primeiro secretário: Karin Schmidt Rodrigues Massaro Segundo secretário: Flerts Nebó Primeiro tesoureiro: Arlete M. M. Giovani Segundo tesoureiro: Marcos Gimenes Salun Conselho Fiscal Efetivos: Carlos Augusto Ferreira Galvão Madalena J. G. M. Nebó Aldo Miletto Suplentes: Sérgio Perazzo José Jucovsky Manlio M. M. Napoli A VII Jornada Médico-literária Paulista é uma realização da SOBRAMES - SP - Sociedade Brasileira de Médicos Escritores Regional do Estado de São Paulo Sede: Rua Alves Guimarães, 251 - CEP 05410-000 - São Paulo - SP Telefax: (0xx11) 3062.9887 Todos os direitos desta edição reservados à SOBRAMES-SP Copyright 2003 © dos Autores A Comissão Organizadora da VII Jornada Médico-literária Paulista foi composta por todos os integrantes da atual diretoria e por inúmeros colaboradores
  3. 3. 3 O homem a inventou faz muito tempo e ao usá-la para gravar seu pensamento, acrescenta nos caracteres que a compõe, sinais tão singulares quanto os da impressão digital. Mesmo em caracteres primitivos como nos manuscritos do Mar Morto, se pode saber exatamente quantas pessoas os escreveram e o que escreveram há milênios, isto porque têm “letras” diferentes e de características próprias, como explicam os técnicos tradutores. Aescrita é assim, soberba perante o tempo. O homem, esta carne que mal resiste ao século em que nasce e passa rápido na história do cosmo, permanece imortal, posto que grava o que pensa no que denominou de literatura, a arte das letras. A SOBRAMES SP procura imortalizar nas páginas seguintes, os pensamentos em letras, com os quais seus associados edificaram a VII JORNADA MÉDICO-LITERÁRIA PAULISTA. Aqui o leitor perceberá que as diferenças, longe de estarem nos formatos das letras, estão nos estilos e sensibilidades, como matizes que cintilam em um feixe de cristais. Campos do Jordão, setembro de 2003 Luiz Giovani Presidente da SOBRAMES-SP Sociedade Brasileira de Médicos Escritores
  4. 4. 4 Sociedade Brasileira de Médicos Escritores SOBRAMES-SP A Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, Regional do Estado de São Paulo, foi fundada em 16 de setembro de 1988 e congrega mais de cem membros titulares, acadêmicos, colaboradores, eméritos, honorários ebeneméritos. Em 1989 surgiu a idéia de se reunir os colegas ao redor de uma mesa de pizza, como acontecera por ocasião da fundação da entidade. A reunião mensal tornou-se uma tradição e foi intitulada “Pizza Literária”, e é realizada em uma pizzaria de São Paulo, com uma freqüência que costuma beirar quarenta pessoas. Nesta, além de se saborear uma deliciosa pizza e bater papo com os amigos, tem-se a oportunidade de ouvir os trabalhos dos colegas e também apresentar os seus, se quiser. Tem-se, também, a possibilidade de encontrar colegas de outras especialidades e formados nas mais diversas faculdades, além de sócios não médicos das mais variadas profissões. A cada dois anos a Regional de São Paulo promove uma Jornada Médico-literária. Estas se realizaram em cidades do interior paulista: Jundiaí, Bragança Paulista, Santos, Campos do Jordão, Águas de São Pedro e Botucatu. Em 2003, está realizando a VII Jornada, novamente na cidade de Campos do Jordão. Como existem regionais da SOBRAMES em muitos estados brasileiros, nos anos pares é realizado um Congresso Nacional da SOBRAMES. Em 1994 e 1998, este ocorreu em São Paulo, organizado por nossa regional. O último Congresso Nacional se realizou em Belo Horizonte / MG, com expressiva participação da delegação da SOBRAMES-SP. Desde 1992 a SOBRAMES-SP publica um informativo mensal chamado “O Bandeirante” que é distribuído aos membros. Por vários anos publicou o suplemento literário, as “Páginas Sobrâmicas”, trazendo trabalhos dos sócios da Regional de São Paulo. À partir de 2001 a publicação ganhou o título de “Suplemento Literário”, e continua sendo publicado mensalmente. Além disso, a Sociedade já editou sete coletâneas com trabalhos dos membros, a primeira publicada em 1990, com o título de “Por um Lugar ao Sol”. Seguiram-se “A Pizza Literária” (1993), “A Pizza Literária - segunda fornada” (1995), “Criação” (1996), “A Pizza Literária - quinta fornada” (1998), “A Pizza Literária - sexta fornada” (2000) e “A Pizza Literária – sétima fornada” (2002). Em 1999, editou-se a “I Antologia Paulista”, contendo todos os trabalhos das “Páginas Sobrâmicas” nos seus dois primeiros anos de publicação (abril 1997 a março de 1999). Em 2000 foi publicada a II Antologia Paulista, desta vez com trabalhos inéditos dos sócios. Em 2001 publicou-se a III Antologia Paulista, com trabalhos literários publicados de abril de 1999 a março de 2001 no Suplemento Literário. Por ocasião desta Jornada Literária de Campos do Jordão, a SOBRAMES-SP lança o quarto volume dessa série de antologias. Em 1997, foi instituído o Concurso para A Melhor Poesia do Ano, Prêmio “Bernardo de Oliveira Martins” e, a partir de 1999, o Concurso para AMelhor Prosa doAno, Prêmio “Flerts Nebó”, dos quais participam todos os membros da SOBRAMES-SP que apresentam seu trabalhos nas Pizzas Literárias. A Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, regional do Estado de São Paulo, orgulha-se de contar em suas fileiras com escritores talentosos, muitos deles com livros individuais publicados, e a grande maioria com participações em coletâneas e antologias. Todos têm como maior ponto em comum o diletantismo e o amor pelasletras.
  5. 5. 5 INDICEINDICEINDICEINDICEINDICE Alcione Alcântara Gonçalves 9Alcione Alcântara Gonçalves 9Alcione Alcântara Gonçalves 9Alcione Alcântara Gonçalves 9Alcione Alcântara Gonçalves 9 Lição deAmor / O homem imortal / Prelibar o amor / Percepções Aldo Miletto 11Aldo Miletto 11Aldo Miletto 11Aldo Miletto 11Aldo Miletto 11 A chama / Semana Santa Aline de Mello Brandão 12Aline de Mello Brandão 12Aline de Mello Brandão 12Aline de Mello Brandão 12Aline de Mello Brandão 12 Abaúna Alitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da Silva 14Alitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da Silva 14Alitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da Silva 14Alitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da Silva 14Alitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da Silva 14 Sugurando Proteu: uma proposta educativa com superdotados / Faz-de-conta / Em casa / Do azul e dos sonhos Anita Aparecida de Souza 16Anita Aparecida de Souza 16Anita Aparecida de Souza 16Anita Aparecida de Souza 16Anita Aparecida de Souza 16 A jardineira florida versus cerca elétrica / O boi Guindaste / Geometrizando / O poeta Arlete Mazzini Miranda Giovani 19Arlete Mazzini Miranda Giovani 19Arlete Mazzini Miranda Giovani 19Arlete Mazzini Miranda Giovani 19Arlete Mazzini Miranda Giovani 19 A peste / O que é ser enfermeira? Carlos Augusto Ferreira Galvão 20Carlos Augusto Ferreira Galvão 20Carlos Augusto Ferreira Galvão 20Carlos Augusto Ferreira Galvão 20Carlos Augusto Ferreira Galvão 20 A batalha do trem Dagoberto de Oliveira Sant’Ana e Souza 21Dagoberto de Oliveira Sant’Ana e Souza 21Dagoberto de Oliveira Sant’Ana e Souza 21Dagoberto de Oliveira Sant’Ana e Souza 21Dagoberto de Oliveira Sant’Ana e Souza 21 O astronauta / São Jorge do meu povo / Todos os negócios / Epitáfio Enrique Félix Visillac 23Enrique Félix Visillac 23Enrique Félix Visillac 23Enrique Félix Visillac 23Enrique Félix Visillac 23 El valor del silencio / Las paredes testigos Evanil Pires de Campos 25Evanil Pires de Campos 25Evanil Pires de Campos 25Evanil Pires de Campos 25Evanil Pires de Campos 25 Tio Jeca / O revólver / Recordar / Intuição e percepção Flerts Nebó 28Flerts Nebó 28Flerts Nebó 28Flerts Nebó 28Flerts Nebó 28 As classes dos judeus no tempo de Jesus / Algo novo, mas que é muito velho Helio Begliomini 31Helio Begliomini 31Helio Begliomini 31Helio Begliomini 31Helio Begliomini 31 Voluntariado / Origem da história da literatura / Aida Lúcia / Se eu não puder Hélio José Déstro 34Hélio José Déstro 34Hélio José Déstro 34Hélio José Déstro 34Hélio José Déstro 34 Frases paranão esquecer jamais / O dom divino do sorriso / Lavanderia do futuro / São Paulo, coração- 450 anos Jacyra da Costa Funfas 38Jacyra da Costa Funfas 38Jacyra da Costa Funfas 38Jacyra da Costa Funfas 38Jacyra da Costa Funfas 38 O concurso / Um instante no passado / O campo e a cidade / Saudade José de Souza Meirelles 40José de Souza Meirelles 40José de Souza Meirelles 40José de Souza Meirelles 40José de Souza Meirelles 40 O galã José Rodrigues Louzã 42José Rodrigues Louzã 42José Rodrigues Louzã 42José Rodrigues Louzã 42José Rodrigues Louzã 42 Misha - a nossa gata / Uma visita de Papai-Noel / Suinã Josyanne Rita de Arruda Franco 45Josyanne Rita de Arruda Franco 45Josyanne Rita de Arruda Franco 45Josyanne Rita de Arruda Franco 45Josyanne Rita de Arruda Franco 45 Fato/Regresso / Estrelitta Karin Schmidt Rodrigues Massaro 47Karin Schmidt Rodrigues Massaro 47Karin Schmidt Rodrigues Massaro 47Karin Schmidt Rodrigues Massaro 47Karin Schmidt Rodrigues Massaro 47 Erosão do peito / Sangue quente Luis Papagno 48Luis Papagno 48Luis Papagno 48Luis Papagno 48Luis Papagno 48 Crisis / Ironía Luiz Giovani 51Luiz Giovani 51Luiz Giovani 51Luiz Giovani 51Luiz Giovani 51 Além da vida Luiz Gondin de Araújo Lins 52Luiz Gondin de Araújo Lins 52Luiz Gondin de Araújo Lins 52Luiz Gondin de Araújo Lins 52Luiz Gondin de Araújo Lins 52 Machista / Emoções / Resgates / Se alguém souber...
  6. 6. 6 Luiz Jorge Ferreira 54Luiz Jorge Ferreira 54Luiz Jorge Ferreira 54Luiz Jorge Ferreira 54Luiz Jorge Ferreira 54 Ei, chefia! - Tim Lopes / Apelo I Manlio Mario Marco Napoli 55Manlio Mario Marco Napoli 55Manlio Mario Marco Napoli 55Manlio Mario Marco Napoli 55Manlio Mario Marco Napoli 55 O alfaiate / Meu pai e os jesuitas Marcos Gimenes Salun 57Marcos Gimenes Salun 57Marcos Gimenes Salun 57Marcos Gimenes Salun 57Marcos Gimenes Salun 57 Fiapos / Poema para qualquer absurdo / Tribunal / Um vôo a mais Marcos Roberto dos Santos Ramasco 59Marcos Roberto dos Santos Ramasco 59Marcos Roberto dos Santos Ramasco 59Marcos Roberto dos Santos Ramasco 59Marcos Roberto dos Santos Ramasco 59 Assunção / Bom dia, filho! / Primeira vez / Vida da Felicidade Maria Julia Pereira de Moraes Prieto Peres 61Maria Julia Pereira de Moraes Prieto Peres 61Maria Julia Pereira de Moraes Prieto Peres 61Maria Julia Pereira de Moraes Prieto Peres 61Maria Julia Pereira de Moraes Prieto Peres 61 Vazio paradoxal Maria Virgínia Bosco 62Maria Virgínia Bosco 62Maria Virgínia Bosco 62Maria Virgínia Bosco 62Maria Virgínia Bosco 62 Metáfora / Ossos do ofício / Cartas de amor / Grafite Maria Zulcides Déstro 64Maria Zulcides Déstro 64Maria Zulcides Déstro 64Maria Zulcides Déstro 64Maria Zulcides Déstro 64 Uma menina diferente - Manuela / Convite irrecusável / Depoimento - na delegacia da mulher / A busca do tempo perdido Mario Edgar Hidalgo 67Mario Edgar Hidalgo 67Mario Edgar Hidalgo 67Mario Edgar Hidalgo 67Mario Edgar Hidalgo 67 Sin darme cuenta / Viente variables / Labios mios / Sin palabras Mélida Velasco Cassanello 69Mélida Velasco Cassanello 69Mélida Velasco Cassanello 69Mélida Velasco Cassanello 69Mélida Velasco Cassanello 69 Querido pai / Feliz aniversário, CarlosAlberto / Beijos, só beijos /Amor sublime Milton Maretti 71Milton Maretti 71Milton Maretti 71Milton Maretti 71Milton Maretti 71 Um caso tenebroso / O homem que ensinava a viver Paulo Expedito Rodarte de Abreu 73Paulo Expedito Rodarte de Abreu 73Paulo Expedito Rodarte de Abreu 73Paulo Expedito Rodarte de Abreu 73Paulo Expedito Rodarte de Abreu 73 Mais fácil entender as vacas / O dote Renato Passos 75Renato Passos 75Renato Passos 75Renato Passos 75Renato Passos 75 Dona Jael / Acontecimento / A paz / A pluma Rodolpho Civile 78Rodolpho Civile 78Rodolpho Civile 78Rodolpho Civile 78Rodolpho Civile 78 Pavana para uma rolinha morta / Agonia e morte de um hotel três estrêlas - o Danúbio Ronaldo Vieira de Aguiar 80Ronaldo Vieira de Aguiar 80Ronaldo Vieira de Aguiar 80Ronaldo Vieira de Aguiar 80Ronaldo Vieira de Aguiar 80 O mais belo Tomás Cavallero 81Tomás Cavallero 81Tomás Cavallero 81Tomás Cavallero 81Tomás Cavallero 81 Vidas paralelas / Ilusión / Soneto VII / Soneto XVIII Victor José Fryc 82Victor José Fryc 82Victor José Fryc 82Victor José Fryc 82Victor José Fryc 82 El vecino / El comprador del libro /Agonizan las hojas / Diario... diario Walter Whitton Harris 88Walter Whitton Harris 88Walter Whitton Harris 88Walter Whitton Harris 88Walter Whitton Harris 88 Quem anda do lado errado? O sorriso / Se / Lábios William Moffitt Harris 91William Moffitt Harris 91William Moffitt Harris 91William Moffitt Harris 91William Moffitt Harris 91 O antitabagista / Prescrição precisa Wilma Lúcia da Silva Moraes 93Wilma Lúcia da Silva Moraes 93Wilma Lúcia da Silva Moraes 93Wilma Lúcia da Silva Moraes 93Wilma Lúcia da Silva Moraes 93 Caixa de Pandora / Nossos contrastes Zilda Cormack 94Zilda Cormack 94Zilda Cormack 94Zilda Cormack 94Zilda Cormack 94 Sara... cura? Ou saracura? / O perfume / Em que? / Compu-mento
  7. 7. 7 VII JornadaVII JornadaVII JornadaVII JornadaVII Jornada Médico-literáriaPaulistaMédico-literáriaPaulistaMédico-literáriaPaulistaMédico-literáriaPaulistaMédico-literáriaPaulista Obras LiteráriasObras LiteráriasObras LiteráriasObras LiteráriasObras Literárias
  8. 8. 8
  9. 9. 9 Lição de amor “Não semeies vento para não colheres tempestade”! A máxima, agora relembrada, nos faz parar para meditarmos. Aindulgência divina, é sempre benéfica para quem dela sabe aproveitar. Para isto, é preciso obedecer aos cânones das pregações cristãs onde deveremos beber a sabedoria e os ensinamentos do MESSIAS. Procure, amigo, conhecer melhor a você próprio, retirando a venda que lhe cega, que lhe incomoda e está lhe impedindo de sentir melhor os defeitos que são próprios do ser humano. Não fiques jogando pedra no seu próximo, sem antes proteger a sua vidraça, pois, estas pedras voltarão contra ti, ferindo- o e ameaçando o seu bem estar. É mais fácil ver e constatar o defeito dos outros que reconhecer os nossos. Buscamos sempre justificar as nossas ações, gestos e atitudes por mais bizarras e agressivas que sejam. É a defesa do “EU”, mecanismo psicológico que usamos para evitarmos sofrimento.Acontece que, muitas vezes, precisamos sofrer um pouco, ao reconhecer o nosso erro, para não deixar as nossas imperfeições crescerem, agigantarem-se, evitando, deste modo, maiores dificuldades no futuro. Evitemos espalhar a discórdia, o mal estar, a mentira, o opróbrio, a desconfiança, o adultério, as frustrações e o mal e estaremos preparando um ambiente agradável e acolhedor onde reinará o AMOR, a compreensão e o bom relacionamento entre os povos. Preparemos a nossa morada com muito carinho, pois ela é e será o local onde descansaremos, onde encontraremos os nossos familiares, os nossos amigos e onde desfrutaremos de bem-aventurança. Então, prepare-a amigo! Não se esqueça: se queres confôrto e bem estar, contribua para isto já, não deixando para amanhã o que podes fazer hoje. Se queres dormir num leito limpo e perfumado, não dissemine poeira no ar, nem odores desagradáveis, porque você também será uma das vítimas. Como vês, de nada adianta atirarmos pedra no telhado dos outros, sem antes protegermos o nosso; e só o faremos, quando deixarmos de agredir a quem quer que seja, sem justificativa plausível. Vamos doar AMOR sem esperar qualquer recompensa! E, se assim o fizeres, tendes a certeza que colherás mais AMOR! AlcioneAlcântaraGonçalvesAlcioneAlcântaraGonçalvesAlcioneAlcântaraGonçalvesAlcioneAlcântaraGonçalvesAlcioneAlcântaraGonçalves Médico psiquiatra - Tupã - São PauloMédico psiquiatra - Tupã - São PauloMédico psiquiatra - Tupã - São PauloMédico psiquiatra - Tupã - São PauloMédico psiquiatra - Tupã - São Paulo O homem imortal Certa vez, um JOVEM irrequieto, em plena adolescência, buscava encontrar respostas para suas indagações, para suas dúvidas, para suas incertezas e passou horas a fio pensando e imaginando coisas, buscando respostas para os seus pensamentos que lhe angustiavam. Como sempre, determinadas pessoas quando abordadas por esses jovens, não lhes dão a devida atenção, o que lhes deixam mais ansiosos, aumentando cada vez mais as suas dúvidas e a desconfiança em tudo que lhes cerca. Assim, surge a revolta no seu interior, incapazes que são de entender todo o mecanismo cósmico que procura desvendar. Não se contentam com respostas evasivas, porque buscam explicações plausíveis e convincentes. Não aceitam explicações vãs e sem conteúdo científico, pois sabem que a Lei de Newton pode ser comprovada através da FÍSICA, assim como a força centrífuga explica e serve de parâmetro para os construtores de rodovias, ensinando-os através da FÍSICA, a impedir acidentes automobilísticos. Sabem que através da QUÍMICA podem explicar a existência da água, este líquido preciosíssimo para nossas vidas, formada pela junção de dois átomos de Hidrogênio com um átomo de Oxigênio; isto para não falarmos na desintegração atômica, que nos deixou uma amarga lembrança, quando do seu “mau” uso em HIROSHIMA e NAGASAKI, produzindo centenas de milhares de vítimas em conseqüência dos efeitos danosos, deletérios e mortais da fissão nuclear. Também sabem que a BIOLOGIA nos explica a Reprodução dos seres vivos, - através da FECUNDAÇÃO SEXUADA e ASSEXUADA - destacando-se entre eles o HOMEM, por ser dotado de inteligência; sem querermos entrar, aqui, na discussão da existência ou não de outros seres inteligentes. Também sabem, por outro lado, que LAVOISIER, através de sua “LEI”, explicou as transformações e mudanças naturais, que encontram objetivos e utilidades em tudo que existe em nosso derredor, enunciando-a assim: “Em a Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Mas, o jovem continua a pensar e a se indagar: A FÍSICA me explica as reações atômicas, entre outras; a QUÍMICA pode me explicar a ação dos Fármacos e da Adrenalina modificando as minhas EMOÇÕES; a BIOLOGIA nos ensina desde o nascimento, o desenvolvimento, o crescimento até a morte dos seres vivos. Mas, o que me explica a “VIDA” em si?! e o que a ANIMA?
  10. 10. 10 Prelibar o amor Num mundo sem graça, A desgraça que rola, A mola da vida, Na ida pra lida, Da vida diária. No aro da roda, Que rola nas ruas, Na tua procura, Pelo afeto que cura, As agruras diárias. Semeias sempre o bem! Mesmo que não tenha um vintém, Porque além de fazeres o bem, Não tem o sabor do desdém, Que da luta de classes provém. Na busca da graça, Na roça da vida, Burilas o homem, Que não tem comida, À procura do amor pela vida! A roda viva que rola, Os prazeres e anelos da vida, Nem sempre chega aos convivas, Para cada um prelibar, O gosto singelo e humano de AMAR! AlcioneAlcântaraGonçalvesAlcioneAlcântaraGonçalvesAlcioneAlcântaraGonçalvesAlcioneAlcântaraGonçalvesAlcioneAlcântaraGonçalves Percepções Das entranhas de onde viemos, Não podíamos visualizar, O ambiente morno e aquoso, Que se mantinha sem se alterar, Para assim nos proporcionar, Um grande sentimento de bem estar. Com os sentidos da visão, Que não se podia acionar, Pois mantínhamos as pálpebras cerradas, Para proteger o globo ocular Diante do líquido amniótico Que poderia lhe afetar. Neste mar salgado e quente Envolvido por uma bolsa plangente Que foi denominada placenta Com forma esférica Como o globo terrestre A mãe terra da gente Com os sentidos da audição Sabíamos que podíamos contar Pois o som se propaga na água Que penetrando no conduto auditivo Atinge o tímpano e o labirinto Levando ao córtex a comunicação. Do olfato não tenho certeza Se poderia ser acionado Com os pulmões colabados A sábia natureza impedia A água que nos envolvia Pelas narinas pudesse ter penetrado. Com o sentido da gustação, Também fica uma interrogação; As papilas gustativas como pontos de captação, Contidas e distribuídas na língua Só poderiam saborear água salgada Gerando assim: gosto ou desgosto? Mas com o sentido do tato Concentrados nas pontas dos dedos E também espalhados pela superfície corpórea São todos pontos de captação De frio, dor e calor Que o sistema nervoso central transforma em percepção. Aqui entram os Psiquiatras, Psicólogos, Parapsicólogos e Neuro-fisiologistas, tentando explicar o funcionamento cerebral como o centro das EMOÇÕES, do PRAZER, da DOR, da ANGÚSTIA, das FOBIAS, da ALEGRIA e DEPRESSÕES. Mas, não lhe satisfaz ainda, porque faltam explicações para o ”PRINCÍPIO VITAL”, que só se consegue explicar através da FÉ, naquilo que poderemos chamar de “ESPÍRITO”, de “ALMA”, que nos ANIMA, que nos VIVIFICA E NÃO MORRE JAMAIS! Esta chama de Luz que existe dentro de cada um de nós é perpétua, não morre, não se estiola, não fenece e, por isso, devemos cuidar bem dela, pois as conseqüências dos nossos atos, recairão sobre ela, alegrando-a ou fazendo-a sofrer. O JOVEM, finalmente, imbuído desta FÉ, chegou a conclusão de que o HOMEM É IMORTAL!.
  11. 11. 11 A chama Uma chama pequenina, de uma vela a bruxulear, Reluzindo branda e fina, rompe as trevas e a alumiar, Nos desperta, na surdina, silenciosa, o meditar, Pois, com ela, se ilumina, na consciência, o meu pensar!... Na verdade, ela é uma vida, na sua essência, elementar E, calada assim, convida, com prudência, a nos cuidar, Pra levarmos de vencida, com seguro bem estar, A batalha, em que aguerridas, nossas mãos hão de lutar!... Como a chama, a própria vida, que sustenta o nosso ser, De repente, mal se inflama, queima em brasa um bem querer, Destroçando o que se emana, de um sadio e bom viver, E por terra se esparrama... Como a lama faz sofrer... Ou qual brasa, que se inflama, que incendeia, que arruina Os afetos, mais profundos, que em desgraça, já os deforma No amor posse, que semeia ciumes, ódios e assassina, Bate,matae,nacadeia,numinfernosetransforma!... Mas por outro lado a vida, com amor, bem clara e bela, Como o lume de uma vela, feita só pra iluminar, Também clama bons cuidados, pois que é chama, como aquela, E bem pode, descuidada, por um sopro se apagar!... Aldo MilettoAldo MilettoAldo MilettoAldo MilettoAldo Miletto Médico psiquiatra - São Paulo - SPMédico psiquiatra - São Paulo - SPMédico psiquiatra - São Paulo - SPMédico psiquiatra - São Paulo - SPMédico psiquiatra - São Paulo - SP Semana Santa (Meditação) Bendita seja a terra umedecida, [ A VIDA ] Que distraído, andando ao léu, amasso, [ VIVENDO ] Sujando-me o sapato e, na medida, [ TROPEÇANDO ] Fixando a forma feita de meu passo! [ SENDO ] É nela que se esconde, recolhida, [ BUSCANDO ] Embora disfarçada, no pedaço, [ REVENDO ] A base elementar de minha vida, [ FIANDO ] Com que Deus Pai me fez e pôs no espaço!... [ CRENDO ] Se, quando a piso, sujo o meu calçado, [ CONTRITO ] Com água e escova o mal fica sanado!... [ PENITENTE ] O que não devo me olvidar, sem dó, [ DE PÉ, PORÉM ] È que sou feito por Divino intento [ FOI DITO ] E um dia me verei, no firmamento, [ HUMILDEMENTE ] Do Céu, se Deus quiser,...na terra,...em pó!... [ COM FÉ!...AMÉM.]
  12. 12. 12 doces resíduos de rio pele macia de abiu onde deságuo meu cio tátil - senso que sentiu. Ei...ei - vêm abalroando, vigilenga da lembrança Ei...ei - vêm desatracando,Tupana na contradança Braço - abraço - igarapés beijo e boca: igarités percorrendo nossas almas: líquen, laca, a nossa fé. Vozes, cantos, nossas armas com perfume de Guiné de laranja-alaranjado que nem cor de guaraná. Flanco do ser, minha estrela deste céu embandeirado quero o momento preciso no meu verso encadeado. Ei...ei–vêm,umdeuseumrionavegandoessamanhã Ei...ei–vêm,yaúpácaboclo,cheirodeervaetucumã Não seja o pé indeciso, seja no barro, fincado no amor feito de terra, barro escuro - esverdeado. Frutas, folhas, flores, sabem Rios, canoas, índios, ouvem o cantar desafogado humana - e - ardentemente: alfabeto alfazemado ybura nalma da gente remo e rumo, o conclamado de cantar independente. Ei...ei–vêm,nódoasdechuvasviajandopelosrios Ei...ei–vêmcolheitasfartas,aguadouros,pingosfrios Mente aberta, afeto humano trazem o bem da pessoa. Arte, cultura e beleza são da vida o que é ameno, chuva, trovão ou garoa são forças da natureza. Nesta vida o que-fazer quando a estrada é longa reta a contar do seu viver sua sina e sua meta: flechada no coração, maré de arrebentação. Ei...ei–vêm,passadaslevesfluindoporsobreover Ei...ei–vêm,brisastãobreves,sonos-sonhosdeaquecer Sem pressa, feita a cantiga, alma na palma da mão resguarda mirada antiga, olhar de contemplação. Muita luta e sofrimento, Muito, o visto, na labuta. Vale o ser ficar atento, aprimorar-se, de fato. AlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandão Médica neurologista - Belém - ParáMédica neurologista - Belém - ParáMédica neurologista - Belém - ParáMédica neurologista - Belém - ParáMédica neurologista - Belém - Pará Abaúna* Ei... ei - vêm, o rio - deus, yarií dentro de mim... Ei... ei - vêm, canto e anauês, plumagens de curumim. Cama e dobra desaguada, afolhada de capim. Orvalho de madrugada, borboletas de marfim. Casa-e-selva escancarada, sulamericanas vozes feito êxtases, velozes na floresta encantadeira. Chão de gumes de tocheiros, chora o látex grisalho. Chão de chãos, a Brasileira antiqüíssimo sudário. Ei...ei-vêm,umrioeumdeus,cantandodentrodemim... Ei... ei - vêm, mato, ybatés, tambores, adofiês... Cinqüenta- e- cinco - abaúnas, mestres de mato e boiúnas, Água-Mãe de alimpaduras, viajante nas lonjuras. No lilás de teus altares, ondas, rios, marés, funduras, fêmeas - asas , trazem os mares nas retinas das graúnas. Selva e luas desatadas, galopando nos vermelhos das clareiras indomadas, chão de farpas, teus artelhos. Ei...ei - vêm um rio e um deus, plantando dentro de mim Ei...ei – vêm, vazando a voz, o grito do curumim Da mãe-dágua, a aijulata Amazônia - ama da mata. Abadia almejada erguendo murutucús Pálpebra semi-queimada Argüindo uirapurús: luz de luzes, penumbradas, convocando ybicatú. Mastigo o grão, arrebento o azul – grávido, criança. Usado o mordido ungüento, andyroba da lembrança. Ei... ei - vêm floresta e um deus, gritando através de mim Ei...ei - vêm o aviso aceso, nesse cantar no sem-fim Volteando canto e dança: a estrada, o brejo, a mata, o suor, sorriso, a trança, o voar, a veia, a meta, onde a sílaba encalha a paixão desatrapalha. Onde vem macio, desnudo: coito de mel e veludo
  13. 13. 13 AlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandãoAlinedeMelloBrandão O tempo-ser, mais – valia, faz-se escrita, filho e cria o parto da viva letra é a vida que soletra. Ei...ei – vêm, sílabas soltas silvando o sonoro tom Ei...ei – vêm, selva de selvas verdejando vento bom Alma larga, gratidão boca aberta, voz lançada, que a vida não seja em vão no barro onde fui criada. Canto – norte, harmonia de remos, na travessia água escura e cintilante, pleno sol de meio – dia. Meia – noite, a lua acesa encanta e traz nostalgia. Vontade de amar é reza. Ventre em prece é maresia. Ei...ei, vêm, ergue teus braços, segura meu coração Ei...ei, vêm, negra na raça, sou índia nesta nação Belém do Pará, és vida da floresta, aldeamento, preservas tualma altiva, cabano, teu pensamento. És portal de minha pátria cantiga de encantamento. Teu cocar: acangatar foi doado por Maíra açoiaba, o teu manto tecido no parauara colorido deste canto de ave marajoara. Ei...ei–vêm,O RioeDeus,colhendodentrodemim Ei...ei – vêm, canto yari, auroras e adofiês Nada, nada é para sempre tudo, tudo é para breve nada levo do que tenho sou só mulher que se atreve, na lonjura donde eu venho, de tirar a vestimenta imposta por quem não tenta, andar nua na floresta mergulhar num afluente, ser humana, sem aresta riqueza do ser vivente fortuna é lua nascente. Ei...ei, vêm, praia de rio banhando dentro do ser Ei...ei, vêm, proa e canoa, navegando o amanhecer Cantoria feito a palma seda fêmea, no lamento. Trago a rama engatilhada gasto a munição que tenho rama em poesia, armada nas barrancas donde eu venho sei dos bilros dos açoites refincados nestas terras sei do hálito das noites índia antiga – velhas guelras. Sei do rio em deus, nas águas , abaúna, flecha e guerra. Ei... ei - vêm, ybura índia, boiando dentro de mim Ei...ei-vêm,nessasenchentes,meurio,começoefim* ••••• Abaúna:índiosderaçapura,quenãosemiscigenarambiológicaeculturalmente.NoBrasil,atualmentesãoraros, emboraalgumastribosremanescentesvivamtotalmenteisoladas. Anauê ou inauê: o mesmo a ti, resposta que se dá a qualquer saudação. Yarií:osantepassados. Ybaté:oalto,ocume. Adofiê:pequenaflautadetaquaracombocaldemadeira(doiorubá). Curumî ou curumim: menino. Aijulata:peçadepanoemqueosíndiosseenrolam,espéciedetanga,julata. Andyroba:frutodaandirobeira,plantamedicinaldeondeseextraiumsumoamargo. Abiu:frutodoabiueiro. Tupana: o mesmo que Tupã = aquele que faz o ser. Yaúpá:útero. Tucumã:frutoda tucumanzeira. Ybura:jorrodágua. Ybycatú:terraboa. Fonte: Bueno, Silveira, Vocabulário Tupi – Guarani, 1998, Éfeta Ed. SP.
  14. 14. 14 Faz-de-conta Estaríamos em algum ponto entre os leves passos de equilibristas e a solidez das rochas, cheios de arte e sabedoria. Ficaríamos lado a lado, talvez dizendo tolices, talvez não. No silêncio prenhe de verdades, tocaríamos até nossas almas. Riríamos muito, muito mesmo, até que os olhos, brilhando, nos lembrassem estrelas. Repentinamente sérios, talvez disséssemos, solenemente, o que já sabíamos. Transgressores, alheios a tudo, o tempo resvalaria manso por sobre nossos ombros, desvelando mistérios. Haveria vertigem de abismos, leveza de vôo, prazer de mergulho. Seríamos mais sensuais do que quaisquer outros no planeta, incandescentes, amando no sentido mais assustador do termo. Corpos-orquestra, afinadíssimos, verteriam sinfonias. Desejo maestro, inúmeras possibilidades, nenhuma limitação, tudo devastando, mas construindo o inesperado. Vergados, gemendo como feras, explodiríamos como vulcões. Depois, ficaríamos em silêncio. Poderosos, serenos como deuses. Em casa Tomo a sopa de sobras com vinho tinto. Tenho na mão uma flor, rosa vermelha. Faz frio. Está tudo quieto. O velho agasalho me conforta. O gato mia, querendo abrir a porta. O cachorro também reclama porafeto. Foi um dia bom, doce e completo. AlittaGuimarãesdaCostaAlittaGuimarãesdaCostaAlittaGuimarãesdaCostaAlittaGuimarãesdaCostaAlittaGuimarãesdaCosta ReisRibeirodaSilvaReisRibeirodaSilvaReisRibeirodaSilvaReisRibeirodaSilvaReisRibeirodaSilva Médica psiquiatra - São Lourenço - Minas GeraisMédica psiquiatra - São Lourenço - Minas GeraisMédica psiquiatra - São Lourenço - Minas GeraisMédica psiquiatra - São Lourenço - Minas GeraisMédica psiquiatra - São Lourenço - Minas Gerais Do azul e dos sonhos Quando acordou, os seios cheios de sol, sonhava com aflições, perdas e dores. E devia ser assim, todas as noites, pois, pela manhã, o rosto já dizia. Sem queixas, sem remédio, sem compaixão, para onde correr, contra o que lutar? Para imaginar, tinha o resto do dia... sabia do risco de ir muito fundo. Fechou os olhos e se ajeitou na cama. De repente, entrou no azul profundo. Tudo ficou profundamente azul. E do azul teceu-se uma paz completa, inventando o amor em doce regaço, pura música, em ouro, em cristais... puro prazer de barco livre do cais, ocupando todo o tempo e todo o espaço. Por ironia, acordou. Sonhos malvados! Emergiu bruscamente do mundo azul, aterrissou em seus lençóis amassados, retornou de chofre àquela manhã absurdamente real e luminosa. O sol já ardia um pouco em sua pele. O azul bonito, cheirando a infinito, se esvaíra. Por ter criado contraste, o sonho fora mais cruel que os outros. Teria todo dia para lembrar que havia perdido o que era seu, de direito: paz profunda e amor perfeito.
  15. 15. 15 Alitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da SilvaAlitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da SilvaAlitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da SilvaAlitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da SilvaAlitta Guimarães Costa Reis Ribeiro da Silva Segurando Proteu: uma proposta educativa com superdotados Eles sabem mais que nós. E esta é uma constatação que precisa ser feita, em nome da honestidade. Esses nossos alunos espontâneos, com alto nível de curiosidade e desempenho, cheios de energia e talento, expõem nossas falhas e fraquezas, mostram o quanto estão inseridos no mundo moderno e pós-moderno, como dominam a tecnologia da informação. Quanto a nós, professores, não bastam as conferências, os cursos, as reuniões, os grupos que compartilham experiências: continuamos perplexos e maravilhados, porque eles são brilhantes. Nós, e outros educadores, filósofos, cientistas, poetas... todos os que refletem sobre a questão da(s) inteligência(s). O assunto “vende” bem. Há quem se proponha a desenvolver a inteligência alheia, há quem critique o excessivo interesse sobre o tema. O século XX foi pródigo em publicações deste tipo. Sabemos que “a escola há de mover-se por razões morais para não perder sua essência e espírito” (Escudero, 2000). Portanto, a educação dos superdotados reverte-se de grande importância. A informação traz poder. Como será exercido esse poder ? Para que será exercido? Um distanciamento crítico faz-se necessário. O próprio nome (superdotado) não satisfaz. Parece privilegiar a pessoa, e daí à segregação e ao preconceito é um passo apenas. Por outro lado, a própria natureza parece privilegiar a diversidade, em nome da sobrevivência. A única garantia parece repousar na conduta ética e moral, e aí está o desafio educacional mais importante para esses alunos, para quem tudo parece tão fácil. Muitos receberam em seus lares a base desta educação moral e a aceitaram. Outros não. E a literatura é farta em apontar casos de superdotados que ficaram na marginalidade ou que simplesmente fracassaram na escola e no meio social. Muitos são bem educados e evidentemente talentosos, mas não escaparam da mediocridade e até mesmo da deriva social. Ensinar a esses alunos a persistirem, mesmo nas dificuldades, exercita sua auto-determinação e vontade, faz com que se importem com os outros, e pode ajudá-los a se situarem no eixo moral que irá mudar positivamente suas vidas. E como podemos fazer isto? Mostrando-lhes o quanto nós somos determinados e persistentes. Segurando Proteu. Proteu, na mitologia grega era uma divindade marinha, guardião dos rebanhos de Posídon, que detinha o conhecimento do passado, do presente e do futuro (dom da profecia) e também o dom da metamorfose. Mas o único meio de se ter acesso à sua sabedoria era surpreendê-lo e segurá-lo fortemente. Proteu metamorfoseava-se sucessivamente em várias coisas, como: leão, javali, pantera, árvore, serpente, fogo, água corrente, mas, se continuava a ser contido, retornava à forma original e respondia a qualquer pergunta que lhe fosse feita. As pessoas cujo funcionamento intelectual está significativamente acima da média, parecem precisar desta contenção simbólica, para que possam mostrar todo seu potencial. Se pudermos suportar seus aspectos assustadores e imprevisíveis, suas mudanças de motivação e humor, podemos ensinar-lhes perseverança, tolerância, respeito, solidariedade, fazendo do aparente conflito uma ferramenta pedagógica. Essa diretriz atende ao atual posicionamento educativo intercultural, à educação personalizada e humanista, às exigências do mundo agitado e complexo em que vivemos, com seu pluralismo étnico, lingüístico, religioso, econômico e de gênero, em que a inteligência não é uma coisa única nem suficiente.
  16. 16. 16 AnitaAparecidadeSouzaAnitaAparecidadeSouzaAnitaAparecidadeSouzaAnitaAparecidadeSouzaAnitaAparecidadeSouza Professora - Belo Horizonte - Minas GeraisProfessora - Belo Horizonte - Minas GeraisProfessora - Belo Horizonte - Minas GeraisProfessora - Belo Horizonte - Minas GeraisProfessora - Belo Horizonte - Minas Gerais OboiGuindaste João Paulo era um menino pobre, filho de Sr. João e de D. Paula. Era o mais velho de uma numerosa prole de oito. Com sete irmãos, precisava trabalhar para ajudar ao pai no sustento da casa. Moravam mais ou menos próximos de uma grande fazenda - a fazenda do coronel Bento Lira. Certa tarde de domingo, quando Coronel Bento Lira passeava com a família na sua D 20, encontrou-se, na estrada, com o pai de João Paulo, que vinha em sentido contrário, com uma enxada nas costas; apesar de ser dia de descanso. Admirado com o esforço do homem, parou sua camionete para dar um dedinho de conversa com o pai do rapaz, que aproveitou para lhe perguntar se não estava precisando de um homem na fazenda, para qualquer mandado ou serviço. Coronel Bento Lira coçou o bigode, já pensando: “Se puxou ao pai, deve ser trabalhador”. – Interrogou: – Quantos anos ele tem? - Vai fazer dezessete. - Respondeu aliviado, sentindo que o coronel começara a se interessar em lhe empregar o filho. – Mande ele lá falar comigo. – E despediram-se. Animado, o pai de João Paulo segui seu caminho. No dia seguinte, bem cedo, João Paulo foi ter-se com o coronel Bento Lira na expectativa de conseguir o emprego. Depois de entrevistado pelo coronel, este decidiu que o rapaz começaria seu trabalho naquela mesma manhã. Limparia os estábulos, varreria o terreiro, cortaria capim para o gado que fica confinado - por razões especiais e convenientes -, levaria recados aos vizinhos, quando necessário, pois não havia telefone naquela região. Entusiasmado, o rapaz passou a desempenhar suas funções da melhor maneira que podia. No confinamento havia um bezerro isolado, doente. De coração bondoso, o rapaz afeiçou-se a ele. Tratava-o com carinho, punha a comida e água perto dele, alisava-o, conversava com ele. Dizia: “Você vai ficar bom! Vai sarar, crescer ficar bonito, vamos ser amigos”. Os dias foram passando e o pobre bezerro não se levantava para nada. Continuava fraco, magro, triste. Até que numa manhã o coronel disse a João Paulo. Eu vou até à cidade. Quando eu sair, leve este bezerro até a beira do ribeirão, sacrifica-o e jogue-o no rio, antes que ele contamine o resto do gado. O rapaz sentiu uma dor no coração, pois já gostava muito daquele bezerro, mas ao mesmo tempo precisava cumprir as ordens do patrão. Ficou parado em silêncio, pensando no que fazer. O coronel montou seu cavalo e rumou para a cidade. João Paulo enrolou o bezerro num pedaço de lona e o levou para a casa de seu pai. Chegando lá explicou o acontecido e pediu a seu pai que o deixasse cuidar do bezerro escondido do patrão. O pai, que era um homem sensível, e conhecia os sentimentos do filho sabia que desde pequeno ele desejou ter um bezerrinho que este nunca lhe pôde dar. Coçou a cabeça dizendo: “Óia que ele pode adiscubri e manda ocê imbora... Nóis tem que escondê ele bem escundido lá nos fundo. Põe ele lá: vou cortar umas foia de bananeira e fazer uma cubertinha prele”. Feliz, o rapaz deixou o bezerro com o pai e voltou para os seus afazeres. À tardinha, quando o coronel voltou, foi verificar se o bezerro não estava mais no estábulo. Mas felizmente não perguntou nada ao rapaz sobre o assunto. Todos os dias, o rapaz ganhava três litros de leite do coronel para levar para a família. Ia para casa correndo levar o leite para sua mãe preparar um mingau para o seu bezerro e regressava à fazenda contente e aliviado por ter alimentado o bezerrinho doente. Quando voltava do trabalho ficava brincando com o bezerrinho, conversando com ele, encorajando-o. Dizia sempre: “Você vai sarar, vai ficar bom. Vamos ser grandes amigos!”. Quando João Paulo recebeu o seu primeiro ordenado, entregou-o a seu pai dizendo: “Compra um pacote de ração para o bezerro o resto sinhô pode ficar”. O Pai atendeu seu pedido. Bem cuidado, recebendo alimentação balanceada, carinho e amor o bezerro foi ficando cada vez mais forte e bonito. Foi crescendo engordando e, para a alegria de todos, começou a andar pelo terreiro e comer talos de couve, cascas de mandioca que encontrava caídos no quintal. Em poucos meses já estava pastando. Com o tempo, transformou-se num belo touro. Tudo aconteceu sem que o coronel descobrisse. Numa tarde de sábado, estava o coronel sentado na varanda quando chegou um cavaleiro apressado lhe dizendo: “Coronel, a sua camionete está virada na estrada. Capotou e prendeu as pernas do seu filho no barranco. Coronelsinho está com as duas pernas presas debaixo da camionete”. O coronel, mal acabou de ouvir, saltou na garupa do cavaleiro e se dirigiram para o local do acidente. João Paulo, que havia escutado a conversa, lembrou-se do seu touro orgulhosamente. Rápido, pegou umas cordas e laços na fazenda e correu para casa. Pegou o touro e levou até o lugar do acidente, onde todos
  17. 17. 17 O poeta O poeta nunca está inteiro: desfaço-me aos pedaços em cada verso que faço. E, se acabar a tinta do tinteiro, escrevo a lápis num papel qualquer, porque o que o poeta quer é deixar transbordar o que sente sangrando o peito e rasgando a mente. O poeta fala do esplendor de um novo e belo amor, fala da tristeza e da nostalgia, do desabrochar de uma flor, da alegria de um novo dia, e até da dor de sua alma vazia, do encanto de um novo encontro, da realidade e da fantasia, da saudade, e da paixão. Na verdade, o poeta é um tonto, capaz de rasgar o coração para criar sua poesia. Anita Aparecida de SouzaAnita Aparecida de SouzaAnita Aparecida de SouzaAnita Aparecida de SouzaAnita Aparecida de Souza estavam apavorados e sem saber o que fazer. Atrelou o touro à camionete e puxou-a no sentido contrário conseguindo desvirá-la e libertar as pernas do filho do patrão. Feliz e, ao mesmo tempo, surpreso, o coronel perguntou: “Onde você arranjou este boi, João?”. - Sinhô se alembra daquele bezerrinho doente que o sinhô mandou eu matar e jogar no rio? É ele. Este boi que acaba de salvar seu fio é aquele que sinhô mandou eu matar. O coronel franziu a testa, tomou o filho nos braços em silêncio, foi levá-lo ao hospital. João Paulo permaneceu no local por algum tempo alisando o seu valente touro que nesse dia recebeu o nome de Boi Guindaste. Geometrizando Pus meus sonhos num triângulo, um anjo em cada ângulo, um círculo em volta para dar voltas, para girar, girar... Fiz a esfera rolar no losango do teu olhar. No retângulo quatro paralelas e, dentro delas, caminhei pra te encontrar. Nos meus sonhos de triângulo isósceles eu fui a mesóclise, a perpendicular, a mediatriz que fiz rolar, num giro completo, buscando afeto. E produzi um cone, escrevi, nele, o teu nome, ali guardei a espiral da ilusão e, em círculos concêntricos, te dei meu coração. Jardineira florida versus cerca elétrica Foi-se o tempo em que as janelas das casas exibiam, orgulhosas, suas jardineiras floridas, alegres, onde as flores pareciam sorrir para os vizinhos e, balançadas pela brisa, faziam-lhe coloridos acenos ou conversavam com as irmãs-flores do jardim da casa da frente. E, com freqüência, as moradoras destas casas apareciam nas sacadas ou nos jardins se cumprimentando e se informando sobre as noticias do dia anterior. O noticiário verbal, de pequeno alcance, a quase total tranqüilidade. Nas cadeiras das varandas, o bate papo de fins de tarde, na companhia de verdes samambaias. Lugar onde muitos negócios eram realizados pelos senhores, onde mãos de muitas donzelas eram pedidas. Como era bonito ver aqueles sorrisos róseos de alegria! Mas, dessa beleza e tranqüilidade, hoje, só restam saudades. E que saudades! Os tempos são outros. As noticias são dadas agora por grandes emissoras de televisão, os negócios, realizados pelos telefones celulares e Internet, e as moças, estas ficam noivas no Mac Donald. Adeus romantismo de outrora! Hoje, quando passo de ônibus pelas ruas da Capital, escondendo a bolsa, com medo de assalto, vou olhando as poucas casas que ainda restam, sufocadas e assombreadas pelos edifícios, na vã esperança de ver uma jardineira, uma sacada florida, um jardim. Deparo, constrangida, com grades, enormes cadeados segurando (?) os portões.
  18. 18. 18 Anita Aparecida de SouzaAnita Aparecida de SouzaAnita Aparecida de SouzaAnita Aparecida de SouzaAnita Aparecida de Souza As flores das jardineiras foram substituídas por enormes cacos de vidro e, nas sacadas e muros, chuços de ferro! Os jardins, desolados, desnudos... As senhoras e os respeitáveis senhores já não podem mais cultivar suas flores. Não se vêem, não se falam quase. Saindo-se à sacada, pode-se receber bala perdida: podar as plantas do jardim é correr o risco de um seqüestro; bater papo na varanda é expor-se a assalto à mão armada. As varandas pertencem, agora, a ferozes cães de guarda, muitos deles gerados e criados para assassinarem – como temos sido informados pela mídia. Nas fachadas das casas e dos prédios, cercas elétricas e as placas de aviso das seguradoras: ‘Perigo! 1.500W’. E nós da terceira idade, fragilizados por tantas razões que nos acompanham ao longo da vida, sem a habilidade para dirigirmos o nosso carro – mesmo que blindado – ou ainda, sem recursos para manter um motorista particular à nossa disposição para nos levar ao médico, ao dentista, ao advogado, ao banco – sobre tudo – ou visitarmos nossos filhos, que já não têm mais tempo para nos visitar, ficamos, forçosamente, prisioneiros em nossas próprias casas, tendo por carcereiro permanente o medo. E o medo é um carcereiro muito dispendioso e perverso, pois ele traja a farda do pânico – doença dos dias modernos – criado pela violência. Este carcereiro usa, também, as armas da depressão, que nos faz sentir tristes, sem ânimo, desestimulados a executarmos nossas tarefas mais corriqueiras. E, na situação em que vive a maioria dos idosos na atualidade, morando sozinhos, sem o aconchego e a companhia dos filhos, a depressão torna a vida insuportável, porque ela nos tira o ânimo para levantarmos da cama, tomar banho, preparar nossa alimentação e nos alimentar. Às vezes, quando podemos comprar o Prosak, que o gerontologista ou psiquiatra nos receita, conseguimos dar uma prosa com Deus, pois, vitimados pela depressão, costumamos não querer conversa nem com Ele. Nestas amistosas conversas com Deus, ele, bondosamente, nos aconselha a entrar num curso de línguas, de hidroginástica, a conviver com outras pessoas da nossa faixa etária, sair para dançar. Dançar! Sair à rua à noite? Só se for carregando um lampião para clarear mais e puxando um cão de guarda para fazer nossa segurança. Mas, aí, vai ficar ridículo. Vão dizer que estamos caducando. Enquanto nossos governantes não pararem de improvisar tanto, com tão pouco acerto, enquanto grande parte deles, não se ocupar tanto com a corrupção e reconhecer que as drogas são o câncer moral que está destruído a juventude brasileira e não providenciarem, urgentemente, campanhas maciças de educação, reeducação e combate às drogas, e também punições mais severas do que as atuais para os criminosos reincidentes, com substituição das cadeias comuns por penitenciárias agrícolas; alfabetização, cursos profissionalizantes gratuitos para detentos; enquanto pelo menos o curso fundamental não for gratuito e obrigatório – inclusive, dentro das penitenciárias – e não houver ensino médio profissionalizante que atenda a realidade do país; enquanto não se criarem cursos técnicos gratuitos e obrigatórios nas comunidades carentes, em faixas etárias compatíveis, qualificando e reciclando a mão de obra, adaptando-a às novas e modernas tecnologias, não se conscientizar o povo da necessidade de se fazer controle de natalidade e melhor preparação das mulheres para com o exercício da maternidade; não houver melhor aproveitamento dos alimentos, estendendo-se as informações às comunidades das periferias e dos morros – que vão fazendo o cerco das cidades; enquanto não tratarem da saúde, melhorando os postos de atendimento; enquanto não nos fornecerem policiais mais bem preparados, melhor equipados, mais bem remunerados e em maior número nas ruas, resta-nos unirmo-nos em orações permanentes, em nosso enclausuramento, para que Deus nos proteja a todos e para que nossos filhos e netos tenham um Brasil mais ameno. QUEM SABE AÍ AS JARDINEIRAS FLORIDAS VOLTEM ÀS SACADAS DAS CASAS E NOS POSSAM FALAR DA ALEGRIA?
  19. 19. 19 ArleteMirandaMazziniGiovaniArleteMirandaMazziniGiovaniArleteMirandaMazziniGiovaniArleteMirandaMazziniGiovaniArleteMirandaMazziniGiovani Enfermeira - São Paulo - SPEnfermeira - São Paulo - SPEnfermeira - São Paulo - SPEnfermeira - São Paulo - SPEnfermeira - São Paulo - SP A Peste Desde a época da Universidade, o tema sobre doenças infecto-contagiosas me interessa muito. Antes da escolha da profissão, raramente fazia uma visita a pacientes internados em Hospitais, pois esta era uma decisão da família. Meu pai dizia: “Hospital é lugar para doentes, visitas a gente faz em casa”. Ouvia palavras como contágio, contaminação, perigo, isolamento, quarentena... Logo nos primeiros contatos com o Hospital, já como estudante, observava que havia maneiras de lidar com os pacientes, equipamentos e utensílios e que ofereciam proteção.Gostava de ler sobre o assunto e alguns pontos que aconteceram há muitos anos vale a pena contar a vocês, vários deles até bizarros. Os avanços sobre a compreensão das infecções começaram para valer em 1348, quando a chamada Peste Negra, assolou a Europa. E era o que se podia chamar mesmo de peste, pois em apenas dois anos matou 1/4 da população do continente. Pouco se sabia sobre o assunto e a peste era considerada um castigo divino ou do próprio diabo, quem sabe... Logo o Papa Clemente VI tentou ajudar. Convocou todos para pedir clemência em Roma.Acredita-se que dos muitos que atenderam ao seu pedido, a cada dez, nove morriam pelo caminho. Então, dos que conseguiram chegar, o Papa ninguém viu. Este preferiu ficar escondido, com medo do contágio. O medo era tanto que nem mesmo o “tchauzinho “de longe ele tentou. A peste se espalhou pelo mundo inteiro e já desconfiavam do papel sinistro que os ratos desempenhavam na transmissão da doença. Assim, todo navio que chegava da Oriente, os passageiros ficavam retidos na embarcação durante 40 dias, por causa da possibilidade dos porões esconderem passageiros clandestinos: os temíveis ratos. Passado o período, se ninguém tivesse a peste, o capitão hasteava a bandeira branca: pronto, estava instituída a paz, quer dizer, a Quarentena. O bacilo da peste, ao infectar o organismo humano, se aloja nas células dos gânglios linfáticos que, com o avançar da doença, vão formando as ínguas ou bubões: daí o nome de peste bubônica. A contaminação se fazia através da bactéria presente nas secreções do nariz. Observando tudo isto, o médico francês Charles Delorme sugeriu vestimentas especiais, para serem usadas durante a peste. Mas, não imaginem um belo avental branco, alvíssimo. Era de tecido escuro e o médico deveria usar uma máscara em forma de bico e que continha substâncias aromáticas na ponta. Era costume da época, em torno do ano 1600, lancetar os bubões dos doentes. Na ocasião, os médicos tinham muita habilidade com as lâminas e o medo da doença era tanto que eles utilizavam facas que podiam chegar a 1,80 metro. É brincadeira!! O que é ser enfermeira? Freqüentemente pergunto a mim mesma o que é ser enfermeira e o que gostaria que fosse dito em alguma comemoração em que fosse lembrada. Deixo aqui com vocês a resposta. Se vocês estiverem ao meu lado nesta comemoração, lembrem-se de que não quero uma longa comemoração e nem mesmo um longo discurso. Digam-me para não falar muito, para não dizer que tenho trezentos certificados de cursos e congressos realizados. Isso não é importante. Para não dizer que fiz curso universitário e tenho trabalhos publicados. Isso também não é importante. Para não dizer o lugar onde estudei. Para não dizer o cargo que ocupo. O local onde trabalho. Os anos trabalhados. Eu gostaria, sim, que alguém mencionasse aquele dia em que tentei dar o melhor de mim a serviço dos pacientes,razãomaiordeminhaprofissão;emquetenteidesempenhar,damelhormaneira,tudoqueaprendieque continuamente aprendo; em que procurei amenizar a dor, colaborar para a recuperação da saúde, dar um novo ajuste na condição de vida daqueles que, um dia, a sorte por um instante esqueceu; em que tentei ser honesta nas minhas atividades e caminhar na busca da assistência ideal, apesar dos tropeços; em que tentei aliviar a dor da internaçãoedoafastamentodosfamiliaresdaquelesparaquemomundopassouaserumleitodehospital;emque tentei enxugar uma lágrima e arrancar um sorriso de rostos tão sofridos; em que tentei distribuir otimismo, descontração, sorrisos, esperança, carinho e sobretudo profissionalismo a seres tão humanos quanto eu. Sim, se quiserem dizer algo, digam que fui implacável defensora da justiça, dos direitos e dos deveres de todos e, sobretudo, da paz. Da paz do espírito, do dever cumprido e da missão realizada. Todas as outras coisas, triviais,nãotêmimportância. Não quero deixar para trás nenhuma homenagem póstuma, nenhum busto, nenhuma placa e nenhum nome de rua. Só quero deixar uma vida profissional de dedicação e realizações, sempre caminhando adiante. Passaraimagemdequeserenfermeiraé,sobretudo,sergente,possuiralma,terdefeitosevirtudes.Seráquealgum diatodosolharãoparaaenfermeiraeenxergarãoqueelatemtambémumaalma,ama,sofre,respira,alimenta-se, émãe,éesposa,namorada,filha...enãoapenasorobôinfalívelque,seerra,nãotemcompetênciae,seacerta,não fez nada mais do que a obrigação? Ela é responsável por tudo, está no hospital 24 horas, mas será sempre uma sombra nos resultados. Portanto,serenfermeiraé,antesdetudo,sergente.
  20. 20. 20 Carlos Augusto Ferreira GalvãoCarlos Augusto Ferreira GalvãoCarlos Augusto Ferreira GalvãoCarlos Augusto Ferreira GalvãoCarlos Augusto Ferreira Galvão Médico psiquiatra - São Paulo - SPMédico psiquiatra - São Paulo - SPMédico psiquiatra - São Paulo - SPMédico psiquiatra - São Paulo - SPMédico psiquiatra - São Paulo - SP Abatalha do trem A mais sangrenta batalha da Cabanagem O Cenário parecia saído do mais avernal dos pesadelos. Acima pairava uma estranha nuvem circunvolucionando sem sair do lugar como se Boitatá, a cobra grande, tivesse acordado de seu sono nalgum canto do inferno e, em estado gasoso com seus anéis transformados em nimbos plúmbeos, tivesse vindo observar divertida, tantos filhos de Deus se matando. Vez em quando raios rasgavam os ares, sobressaindo da penumbra do temporal que se aproximava, anunciado muito antes pelo calor forte. Embaixo daquela danação dos céus, a morte preparava suas cestas para uma grande colheita. Tomei posição no telhado do casarão de Claudete de onde tinha uma visão panorâmica do local, mas que ficava numa distância prudente. Com minha luneta comecei a observar o desenrolar dos acontecimentos. Os cabanos, numerosos como grãos de areia, já tinham dominado todos os pontos fortificados legalistas nas proximidades do Arsenal de Guerra e já possuíam muitos prisioneiros. Pelo menos um terço da tropa rebelde tomava posição em torno do fortim, ocupado por soldados de elite e de comando bastante experiente nas artes bélicas. Num momento Angelim, em seu cavalo, baixou o mastro e deu o sinal. Seus soldados em urros que até chegaram a mim, arremessaram-se a correr como uma matilha ensandecida, subindo a suave colina em cujo topo se situava a fortaleza. Atiradores de Angelim, postados em cima dos prédios vizinhos, procuravam acertar as janelas dos pavimentos superiores e a massa cabana, no pé da muralha, procurava chegar nas janelas escalando as paredes. Trovões pareciam mostrar para todos que o Diabo estava gostando do espetáculo. Quase confundidas com estes trovões, formidáveis explosões aconteceram entre as forças cabanas que cercavam o prédio, distribuindo o pesadelo entre eles pois voava pedaços de gente para todos os lados. Os legalistas estavam jogando granadas de fragmentação das janelas superiores. Eu já tinha ouvido falar daquela moderna arma e agora, trêmulo e horrorizado em cima de um telhado, via o poder de destruição e morte que continha naquelas esferas negras. Sem se intimidar com os petardos, logo novas ondas de cabanos vinham substituir os despedaçados para, pouco depois, seguirem o mesmo destino. Ao longe meu rapaz preparava seus homens para entrar em ação. Ele corria na frente empunhando sua espada e gritava animando seu pelotão que o acompanhava berrando e exalando ferocidade. Com o coração disparado, a boca seca e o pensamento cheio de orações a todos os santos que lembrava, acompanhei meu filho em sua destemida carreira. Vi nitidamente a mancha vermelha se espalhando em seu peito nos dois passos desgovernados que antecederam sua pesada queda, da forma que desmorona um gigante. Desesperado, por um momento esqueci que estava em cima de um telhado e, apressado para chegar ao meu cavalo, quase caí de uma grande altura provocando um grito numa puta que tomava banho nua no alpendre abaixo, indiferente aos estrondos infernais. O animal empinava nas patas traseiras em relinchantes e assustados protestos, querendo recusar a minha ordem para que fosse em frente, mas com vigorosas esporadas em suas ancas, o fazia avançar rapidamente em direção ao que o assustava: as explosões. Frenético e de braços dados com a angústia, gritava seu nome e o procurava, pedindo ao Criador a dádiva de sua vida. Já estava em alcance de fogo e ainda não o tinha achado, pois a perder de vista não havia um único corpo inteiro, apenas pedaços de troncos, cabeças, e sangue, muito sangue que voava de junto da fortificação lá de cima, donde também vinham gritos e gemidos dos que estavam sendo dilacerados. Ao longe, vozes berravam animando todos a lutar em nome do Brasil e do Pará, naquela atmosfera que cheirava a pólvora queimada e sangue. (Trecho do romance “A Terra de Tupã” – Expressão e Arte Editora – 2003 - Carlos Augusto Ferreira Galvão)
  21. 21. 21 DagobertodeOliveiraDagobertodeOliveiraDagobertodeOliveiraDagobertodeOliveiraDagobertodeOliveira Sant’Ana e SouzaSant’Ana e SouzaSant’Ana e SouzaSant’Ana e SouzaSant’Ana e Souza Médico - Salvador - BahiaMédico - Salvador - BahiaMédico - Salvador - BahiaMédico - Salvador - BahiaMédico - Salvador - Bahia O astronauta João nasceu na Terra. A bem dizer, na lua. Cheia. Sua mãe sentiu as dores quando atravessava a praça. Nada a demoveu dali, até que berrasse o rebento. Aprimeira luz foi um mosaico trêmulo, feito de luz pálida, de folhas e de vento. Depois vieram outras e muitas outras. Mas, só uma realmente lhe iluminou: a luz da Lua. A clara luz da Lua. A enigmática luz da Lua. Começou insidiosa por lamber-lhe a pele, aos poucos invadiu-lhe os olhos e finalmente penetrou-lhe os sonhos, bem fundos, bem fundos, até onde os sonhos por não ter mais o que sonhar, sonham loucuras. João menino cresceu tropeçando na Lua. Arrebatado no vai-vem do fole das suas fases, na ilusão dos seus “mares”, nos cinzas das suas “montanhas”. Um pequeno lunático! Galileu caipira, adolesceu de olhos grudados no céu, alheado os 27 dias do mês lunar, a espreitar eclipses e adivinhar elípticas. Com ajuda, aprendeu áreas e distancias, conheceu limites e velocidades e terminou por entrecruzar todos os traços da bola. A lua. Tinha-a na palma da mão e então, certa noite, lhe deu ganas de ter a palma da mão nela. A lua. O fogo da idéia viajou a jato as suas veias, orbitou acima das suas dúvidas e gravitou em torno do seu bom-senso, antes de aterrissar na idéia louca de construir um foguete. Foguetes, cálculos, projetos, querosenes e gasolinas, fuçou todas as tecnologias cósmicas. Escarafunchou bibliotecas, esquadrinhou planetários, escaneou os céus noite e dia. Gerou uma idéia, pariu um projeto, criou um monstro de latas e tubos e apelidou-se astronauta. Sua equipe assentou a geringonça no cocuruto de um morrote, o mais alto, o mais perto do céu e ultimou os procedimentos. Consultou meteorologias e horóscopos. Equacionou luas e marés. Definiu data, precisou hora.Despediu- se das gentes. Era véspera. Estavam ali, numa cisma muda, os dois se encarando, como dois abismos, numa mão dupla de dúvidas e questionamentos, João e a Lua, num doloroso plenilúnio. Era dia. Era hora. Apequena multidão viu entrar naquele estranho gafanhoto metálico um escafandrista do espaço, que acenava convicto da sua pretensa proeza. No zero de uma contagem regressiva, zoou um apito fino que logo ficou rouco e ainda mais rouco e finalmente todos puderam assistir, atônitos, a uma estrondosa explosão em meio a uma imensa bola de fogo e fumaça, que se viu e ouviu à distância. Ninguém nunca encontrou a caixa preta da sua ilusão, nenhum jornal noticiou a sua esfumaçada esperança ou nenhum amigo jamais lhe identificou um traço de loucura diferente do próprio. Foi um verdadeiro astronauta ............ São Jorge do meu povo Círculo de luz alva furando a noite escura. Lua cheia. Cheia da desesperança deste povo mais que povo, sofrido, pisado, mirrado, violentado, moído, traído, descompreendido. Lua cheia de ódio, de fome, de peste, de tudo o que é ruim. Gorda, pálida, flutuando à toa na louça do espaço, esta lua mais que lua, estampa na cara virada pro Sol , um S. Jorge cavaleiro e sua lança e um vencido dragão. O lume que desce do céu clareia um país: imenso remanso de um futuro eternamente prometido e nunca vindo. Sua cara, já feia, não olha mais para frente, faz careta no espelho do horizonte, convexo, e se assusta com sua própria metáfora distorcida. Valei-me S. Jorge, valei-me!! Padroeiro, poderoso, herói do povo, último redentor, traz na face e no gesto a dignidade que seu povo já esqueceu.
  22. 22. 22 Todos os negócios Ócio. Nego o ócio Quando me falam de negócio. Mas nêgo, o ócio É negócio! Quando negocio, nêgo Nego o cio: Antes, negocio Com negociantes . E se negaceio, nêga, Sei-o. Se nêgo nega cio, Nêga nega seio E ceia E outros negócios. Epitáfio Quando a carne de vez descer à terra E a ânima liberar-se para sempre nos éteres, Tudo e nada restará neste imenso intervalo, Do que fui e do que não fui. Gravem indelevelmente na pesada pedra Tudo o que de mim deveria ter sido dito E ficou perdido, Nos tortuosos caminhos da garganta: Para que se exprimam todos os amores, Para que sublimem todos os venenos, Para que dispersem todas as angústias. Esculpam na realidade dura do granito Tudo o que pude sonhar e nunca fiz; Digam que da música fui amante, E da palavra operário; Demonstrem que fui inconstante, Na mera constância; Imprimam na plástica argila, Meu absoluto entusiasmo, Quiçá pouco divino, Pela leviandade das paixões; Exponham a todos minha pretensa calma, Com latência vulcânica; Lembrem que por vezes fui Ardoroso amante, Perdidamente enamorado; Afirmem que às vezes fui duro, Mas também pude ser doce; Recortem no branco mármore Que se tanto não ousei, Tampouco fui covarde: Nunca temi o novo; Dagoberto de Oliveira Sant’Ana e SouzaDagoberto de Oliveira Sant’Ana e SouzaDagoberto de Oliveira Sant’Ana e SouzaDagoberto de Oliveira Sant’Ana e SouzaDagoberto de Oliveira Sant’Ana e Souza Teimoso D. Quixote tupiniquim perdido do Sancho Pança, lança em riste, insiste todo santo dia, toda santa noite, toda santa lua, todo santo dragão, o que seu povo fatigado já não insiste. Onde os profetas desta terra promitente? Onde os milagrosos desígnios? Onde o radiante futuro? Chuva de balas sobre suas cidades, chuva de desmandos sob os seus governos. Um mar de miséria afoga os seus povos, um mar de corrupção salva os seus algozes!?! Façam-se ofertas de livros à mancheia e mande o povo pensar.. - Fale, meu santo, uma palavra mágica, uma simpatia! - Diga, meu rei, com sua palavra santa, um desafogo pra essa ziquizira! Aonde suas gentes precisam de santo canonizado? Santo cassado lhe é mais próprio, cassados que são de sua cidadania. - Ogunhê meu Ogum, valente cavaleiro das planícies capadócias, protetor das virgens raparigas; - Oquê-arô meu Oxossi, salve nossas ariscas moçoilas, caças prenhes da miséria e da ignorância. Santo importado, com versão em inglês e português d’além mar. Meu S. Jorge de carteirinha universal! Onde houver exploração, opressão, submissão.Onde houver guerra, onde houver dragão. Lá estará, guerreiro, justiceiro, um Jorge cavaleiro azul de ronda, um santo soldado, um menino destemido, armado até os dentes da coragem dos heróis. Redivivo Lampião de uma catinga injusta. Pródigo Beato de um já desperançoso sertão. Já dizia minha avó, mascando um pauzinho de fumo, de cima da sua sabedoria nativa: - Só acredito em S. Jorge sem o dragão e com o cavalo com as quatro patas no chão” !! - E tem mais, rebatia meu avô : - “Só acredito em santo de madeira”!! Perdoai, meu branco, eles não sabem o que dizem !!!?!! Mas, não esqueçam de deixar bem claro E em destaque Apenas uma verdade insofismável, E que sobre mim todos saibam: “Aqui jaz um homem Que gostava de comer cebola”
  23. 23. 23 EnriqueFelixVisillacEnriqueFelixVisillacEnriqueFelixVisillacEnriqueFelixVisillacEnriqueFelixVisillac Médico Pediatra - Buenos Aires - ArgentinaMédico Pediatra - Buenos Aires - ArgentinaMédico Pediatra - Buenos Aires - ArgentinaMédico Pediatra - Buenos Aires - ArgentinaMédico Pediatra - Buenos Aires - Argentina El valor del silencio He caminado largo rato por las arboladas calles de un barrio que parece no ser el mío. Como si fuese un extranjero, he mirado las casas y los hermosos frentes que las adornan. Las personas que pasan a mi lado me parecen diferentes a las que transitan por mi barrio. Como un extranjero las he mirado con sana curiosidad y esto lo digo porque ninguna de ellas me ha despertado sentimientos de envidia, celos o una irracional irritación. Era una contemplación “aséptica”, que me hacía feliz. A medida que avanzaba por esas calles arboladas, sentía una sensación de bienestar que crecía como si alguien insuflara serenidad a mi espíritu atribulado. Al llegar a una esquina, que debería ser la más céntrica del barrio, divisé un edificio gris con dos puertas también grises. En su parte superior, como si estuviesen dibujadas, dos manchas blancas y simétricas rompían la monotonía de su color plomizo. Mientras las miraba escuché un murmullo de voces lejanas que se fueron acercando y aumentando de intensidad hasta transformarse en una vocinglería intolerable, que rompió el hechizo de aquel barrio arbolado. Todo cambió ante mis ojos que se negaban a creer lo que veían. Los árboles me parecieron raquíticos, su frondoso follaje casi había desaparecido, las escasas hojas que le quedaban, habían perdido su brillo, y su color ya no era verde. Un amarillo desteñido lo había reemplazado. Los frentes que orlaban las casas eran simples y estaban sucios y en nada se asemejaban a lujosas mansiones. La casa gris era sólo gris. Mientras miraba este fenómeno, las voces que de murmullo se habían convertido en gritos, algunos de un volumen insufrible, estaban muy cerca de mí. De pronto me vi rodeado de un grupo de personas que se peleaban con fruición, y se blasfemaban con una agresividad propia de los vecinos de mi barrio.Al verlos, me encolericé a la par de ellos, y sin meditarlo me mezclé entre los revoltosos y participe de la pelea. Algunos suspendían sus gritos para mirarme como si fuese lo que era: un extraño. Sin darme cuenta me había involucrado en una lucha sin tener la menor idea de por qué se había originado. De pronto, entre las caras sudorosas que se insultaban y denunciaban las intimidades más íntimas sin el menor pudor, me encontré con un par de caras conocidas, que por la furia estaban desfiguradas. ¡Sí! esa gorda no era otra que Rosa, nada más que enojada. A Rosa nadie la podía imaginar sin su sonrisa, que de tanto exhibirla parecía una idiota. Nadie puede ser tan feliz como para tener una sonrisa perenne. Mi sorpresa fue mayor aún, cuando a un hombre de unos cincuenta años que se insultaba con gran frenesí con una mujer mayor que él, lo reconocí: era el sodero. El sodero más pacífico que yo había conocido. Era tan caballero que cuando otro sodero le quitaba un cliente, lo felicitaba. Verlo furioso contra esa mujer, incluso con amenazas que excedían lo verbal, lo habían transformado en un hombre agresivo. Cuando me reconoció, aumentó su cólera y en algún momento, me pareció, que amagó con pegarme. Así como me había metido a pelear sin motivos, me retiré del campo de batalla por un motivo esencial: mi rechazo a la insensatez. Me fui alejando con lentitud. A medida que tomaba distancia del campo de batalla, me daba vuelta para observar el triste espectáculo que daban esas figuras que formaban parte de una tragedia innecesaria, que se difuminaban por la distancia perdiendo fuerza y nitidez. Habría caminado unos doscientos metros cuando el silencio regresó al barrio. Era un silencio que paradójicamente decía y cambiaba muchas cosas. Protegido por él recomencé a mirar el barrio que me había deslumbrado. Para mi sorpresa el edificio gris y sus simétricas zonas blancas, habían recobrado su hermosura. Lo mismo me pasó con los árboles que lucían sus frondosos follajes verdes como si alguien los hubiese repintado, y para aumentar mi asombro, los frentes habían recuperado su belleza. Caminé hacia la calle y me senté en el cordón de la vereda. Extasiado miré el paisaje, ya no como un extranjero, sino como un hombre amante de la belleza que otorga a las cosas la paz y el silencio oportuno. Poco después me dispuse con gran expectativa regresar a mi barrio. Pero no pude, porque nunca me había alejado de él.
  24. 24. 24 Enrique Felix VisillacEnrique Felix VisillacEnrique Felix VisillacEnrique Felix VisillacEnrique Felix Visillac Las paredes testigos Las paredes que me rodean han sido testigo de momentos que quisiera revivir y momentos que desearía pero no puedo olvidar. Las paredes son silenciosas y en su acendrado mutismo transmiten un silencio murmurante. Las he mirado cuando la nostalgia mellaba mis sentimientos y en su rugosa superficie he encontrado respuestas que tal vez las palabras no me podían dar. Las paredes que me rodean no están desnudas, están orladas por cuadros y láminas. Una de ellas se oculta tras una biblioteca y otra se ha engalanado con las lujosas puertas de un placard. No sé el motivo, pero cuando tengo que reflexionar sobre cosas importantes, miro las paredes del cuarto, en el que también sueño con cosas que quizás nunca alcanzaré. Pero imaginar cosas que parecen imposibles es el principio en el que han abrevado las conquistas importantes, aquellas que se dan de tanto en tanto pero cuando se dan te demuestran que la realidad imaginada se ha transformado en una realidad tangible. Las paredes que yo miraba mientras elucubraba y alimentaba mis fantasías me han ayudado con su respetuoso silencio en mis momentos de dudas y fatiga. De ahí que quedan grabadas en mi cerebro pequeños signos y anfractuosidades que de ella se desprenden y que son la esencia de la pared testigo. Cuando pasan los años y la vejez comienza a asomarse en el horizonte de tus días, no como el majestuoso sol del amanecer, sino como un signo inequívoco del ocaso, se presenta en toda su magnitud la nostalgia. Muchas de las cosas que nos provocan nostalgia, son irrepetibles. Tan irrepetibles como la vida misma, que tozudamente avanza hacia ese horizonte que ahora se antoja desconocido. Mis paredes son trasmisoras de recuerdos con cada uno sus signos o anfractuosidades me permiten revivir los acontecimientos pasados con más realismo. Es así como rememoro aquel día que mirando esa pequeña figura formada por dos irregularidades enfrentadas, me rendí ante la mirada de unos ojos negros o goce con la sonrisa de mi hijo, o disfrute con la alegría, para mi muchas veces inexplicable de mi perro. Todo es parte de la vida que es generosa con algunos pocos y mezquina con la mayoría. Las paredes de mi cuarto, donde sueño y pienso y además escribo suelen trasmitirme con su silencio el valor de las cosas cotidianas. Las que alimentan el destino.
  25. 25. 25 EvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCampos Médico infectologista - Botucatu - SPMédico infectologista - Botucatu - SPMédico infectologista - Botucatu - SPMédico infectologista - Botucatu - SPMédico infectologista - Botucatu - SP Tio Jeca Ao citá-lo, percorreu meu pensamento as profundezas de minha reminescente memória atada à minha infância. José era tio de meu pai, irmão de meu avô, e havia nascido em Laranjal Paulista, a exemplo de grande parte da família. Lembro-me, ainda, a história do Jeca Tatu de Monteiro Lobato, pela mesma origem cabocla. Nasceram e cresceram no sítio e desenvolveram-se na mais pura e amiga natureza. O Jeca tornou-se símbolo do matuto que, desenvolveu o amarelão ou opilação. Este subjugou-o, por longo período, e tornou-o indolente e debilitado. Curou-se e venceu, porém, essa é uma outra história. Conhecia Tio Jeca desde menino e muitas lendas corriam sobre ele. Suas artes e artimanhas eram cantadas e divulgadas. Surpresas e inovações eram construídas e imaginadas. Portanto, surpreendia-nos habitualmente. Meu pai queria-lhe muito e recebia-o cordial em nossa casa. Tinha o respeito e a amizade carinhosa do sobrinho. Convivia em nosso lar e nele passava, ao dirigir-se, diariamente à Fazenda Boa Esperança que, carinhosamente, administrava. Desse modo, freqüentava nossa casa e subia a escada da entrada principal a largos passos, a fim de surpreender-nos e divertir-se com as brincadeiras que, diariamente, criava ou improvisava. Assustava-nos, muitas vezes, e se divertia com a nossa susceptibilidade à pilhéria ou com nosso temor de sua mente provocativa e instigadora que afluía sobre nós. Sua grande estatura, seu porte austero, seu sorriso franco e brincalhão em um olhar sério e acolhedor cativava-nos diante de um semblante amigo e sincero. Seus longos braços e suas pernas magras e compridas, hoje, lembram-me Dom Quixote em sua face afilada e desenvolta. Era homem honesto e trabalhador que dirigia, de maneira exemplar, a propriedade rural. O trajeto da Fazenda era, obrigatoriamente, a passagem pela rua principal do Bairro onde vivia seu sobrinho Pedrinho, farmacêutico, e sua família. Parava e descia, cumprimentavam-se, conversavam, trocavam idéias fraternas e amigáveis.Algumas vezes subia, tomava um café conosco e, a seguir, continuava sua jornada matinal em direção à fazenda. As crianças admiravam-no e, ao mesmo tempo, o temiam pelas suas ações surpreendentes e momentâneas deliberadas. Certa vez, pegou-nos de surpresa e, sorrateiramente, colocou-nos em sua baratinha (Rocinante) de quatro portas e levou-nos para o ponto mais alto da vila em sentido da estrada que levava à fazenda. Nesse ponto, estacionou e simulou prender-nos, porém, permitiu que assustados corrêssemos, apressadamente, de volta para casa. Em outra ocasião, recolheu-nos carinhosamente em sua baratinha e levou-nos à fazenda. Dessa maneira, iríamos passear e conhecer melhor a propriedade . Pela manhã fomos ver, em detalhe, o extenso e belo pomar que lá existia. Árvores frutíferas abundantes e de aroma melífluo preenchiam o amplo quintal. Ainda, cedo foi à cozinha a fim de recomendar e sugerir o tipo de almoço a ser oferecido, aos filhos do sobrinho. No entanto, houve por bem, dirigir-se à cozinha e preparou, de arte própria, alguns pratos típicos e preferidos de nossa família. Assim, torresmos fritos à pururuca, virado de feijão, couve picada e gostosamente temperada, bistecas de porco, tenras e frescas, saborosamente preparadas, laranjas picadas, além de outros deliciosos quitutes apetitosos, por nós, apreciados. Após um descanso, para bem assentar essa fausta e gulosa refeição, fomos olhar e compreender o mecanismo de tratamento, varredura, separação e de estoques das sacas de café. Assistimos, também, a separação dos bezerros e das novilhas das mães leiteiras e a colocação das vacas em uma pastagem próxima para facilitar o seu recolhimento e a ordenha na madrugada do dia seguinte. À tarde felizes e vislumbrados regressamos para o nosso querido lar, onde nossos pais, carinhosamente, nos aguardavam. Portanto, Tio Jeca, sempre viveu e sobreviveu em minha inesquecível infância. Seu carinho e amizade demonstrados ao seu sobrinho, soube atingir nossa alma e nosso ser infantil. Essa imagem sobrevive em meu íntimo e esse pequeno conto permitiu revelar a pureza de sentimento que aprendi a desenvolver no seio dessa família cuja benção divina concedeu-me nascer e viver. O trajeto da vida ensina desvendar e a florescer em nossa mente as percepções, que afloram, educam e enobrecem nossa breve existência.
  26. 26. 26 O revólver Éramos meninos quando meu pai houve por bem, fazer uma ampliação da Farmácia e, conseqüentemente, de nossa casa assobradada. Reuniu para esse serviço as pessoas de sua inteira confiança, posto que tal obra seria minuciosa e demorada. Convocou alguns senhores, bons e eficientes pedreiros, a saber: Torelli,Antenor e outros. Iniciaram o serviço que seria longo e exaustivo, visto que levaria um extenso período de atividade. A reforma e ampliação desejadas corriam tranqüilas e diárias. Nós habitualmente, ao ir e vir pela casa, curiosamente, observávamos o trabalho desses laboriosos contratados. Tudo transcorria em perfeita ordem.A nossa curiosidade dava asas à imaginação e as múltiplas aventuras ocorriam, pelo interior da casa, em plena reforma. Algumas vezes os pedreiros nos advertiam e outras tantas pediam o auxilio de meus pais para acalmar o excesso de algazarra vivida pelos garotos durante suas horas de trabalho. Assunto resolvido, éramos ordeiramente levados e orientados para permanecer em livre brincadeira no grande quintal. Dessa maneira, postos em liberdade em nosso território infantil criávamos outras brincadeiras e artimanhas que alimentavam nossa fértil imaginação. Nossa irmã, Eni, freqüentemente, nos acompanhava e, também, sabia elaborar e aprontar as suas sutis e engenhosas artes. Porém, um certo dia vendo os trabalhadores entretidos e absorvidos em seu, cotidiano, afazeres, acabei descobrindo em lugar oculto, muito apropriado, um revolver, Colt Cavalinho, calibre 38 cano curto, e automaticamente peguei-o. No entanto, como garoto, pouco sabia manuseá-lo. Brinquei com o revólver, solitariamente, e, a seguir, empunhando-o saí a andar, dirigindo-me até a área da reforma do Sobrado.Apesar de conhecer a arma era uma criança e, como tal poderia cometer uma imprudência ou dispará-la numa ação bem infantil. Os trabalhadores ao perceberem e vendo a presença de um revólver em minha mão, assustaram-se e isso permitiu, portanto, imaginar o que poderia ocorrer; imediatamente o desespero e a aflição os atingiu. Os que estavam em uma escada, dela, rapidamente, pularam e correram em fuga, certos de que, um ou outro fosse à procura de meu pai. Aqueles que se achavam nos andaimes, nada puderam fazer e neles permaneceram atentos e temerosos. Alguns tremiam, outros se escondiam dentro do possível ou imaginado. No entanto, mantiveram-se apreensivos quanto à minha possível atitude. Poderia atirar? Eis a questão! Afinal era uma criança de posse uma arma perigosa. Poderia a arma disparar? Acionar, tolamente, o gatilho? Eis o perigo, eis uma situação complicada! Estavam presos, acuados e aflitos. E, ainda, retidos pela própria posição que ocupavam. Era esperar e apelar pela sorte. Intuição e percepção A intuição clara e nobre da percepção Revela-se casta e pura na imaginação No olhar desnudo desvenda pia visão Plena no íntimo busca astuta sensação. O pensamento clama n’ alma a leveza Especula no âmago da sábia natureza Na reflexão consulta asserção suposta A ideação no perceber fica algemada. A hipótese se realiza na razão ativa Nela nutre toda matéria pesquisada Abre-se na indução senso aguerrido. Primoroso sentido cogita todo nutrido O pensar se deita na visão intuitiva O saber nasce na sapiência perceptiva. Recordar Recordar é o pio e nobre ato de amor Nele o pensamento pródigo e ciente Ao fluir libera e irmana o inconsciente No sonho nossa alma acende o fervor. A idéia vaga solitária na intenção O real devaneia solto na imaginação O porvir se imbrica pleno no presente E o devir se insere no fato eminente O ideal sonha e descobre a ima dor O ser floresce e procria sua imagem A alma escuta e vive íntima visagem. A suposição suplica e aguça a intuição O agir concilia o supor na vera dedução O pensar no existir elogia a conclusão. EvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCampos
  27. 27. 27 EvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCamposEvanilPiresdeCampos Nesse ínterim, algum desesperado e mais criterioso servidor já havia visto e alcançado meu pai, pedindo, à ele, socorro. Ele cauteloso e carinhoso, dirigiu-se a mim e, paternalmente, pediu-me que lhe entregasse o revólver. Obedeci-o e imediatamente, devolvi-lhe a arma, pois, não tinha intenção de usá-la, e sim, apenas, peguei-a pelo prazer de tê-la na mão. Meu pai, soube entender meu gesto infantil mas, aproveitou a ocasião para ensinar-me sobre o uso adequado, preciso e, eventualmente, necessário dessa sedutora arma de fogo. Era e é uma arma cuja finalidade precípua é a proteção humana. Jamais deveria ser utilizada para matar ou lesar um animal ou um ser humano. Essas pessoas citadas, algumas delas já faleceram, inclusive meu estimado pai, mas os, atualmente vivos procuram, ainda hoje, recordar esse incidente e, alegremente, brincam, apesar de revelar o temor e a apreensão sentida no passado frente ao episódio, duramente vivido. Sorrimos ao lembrar esse fato e felizes ficamos por sobreviver a uma grande atribulação e a uma perigosa aventura. Os homens, habitualmente, apreciaram as armas e, inicialmente utilizaram as pedras para o abate de animais e nas brigas tribais; sendo, gradualmente, modificadas na disputa de bens, região, posse ou lutas bélicas pelo poder e pela soberania: Verbi gratia - As Guerras: a) Tróia - sedução, poder e misticismo se confundem; b) Alexandre Magno- a hegemonia; c) As duas grandes Guerras Mundiais e os Estados Unidos, recentemente, revelaram que a religião, a força, o poder, o interesse, o racismo e o menosprezo à vida são predominantes. Portanto, a arma foi aprimorada e deixou de ser, apenas, um utensílio de caça e de sobrevivência da espécie humana na natureza. Os obstáculos, as lições, as tribulações e as dificuldades presentes na infância servem para nos mostrar e nos ensinar o modo de enfrentar as diferentes situações adversas criadas pelo ser humano na senda da nossa vida.
  28. 28. 28 Flerts NebóFlerts NebóFlerts NebóFlerts NebóFlerts Nebó Médico reumatologista - São Paulo - SPMédico reumatologista - São Paulo - SPMédico reumatologista - São Paulo - SPMédico reumatologista - São Paulo - SPMédico reumatologista - São Paulo - SP As Classes dos Judeus no tempo de Jesus Por vezes ao lermos algum livro ou trabalho relacionado ao tempo de Cristo, principalmente entre os anos 30 e 33 do Reinado de Augusto, que foi quando Cristo fez suas pregações, nos deparamos com termos que nos levam a uma pequena confusão sobre a constituição dos que mandavam na Palestina, independente do domínio romano que era a voz suprema na época. Desse modo encontramos os Doutores, os Fariseus, os Escribas, os Saduceus, os Essênios e o Sinédrio e, naturalmente, podermos fazer uma pequena confusão. É por isso que escrevemos esta cônica. Doutores da Lei Funcionavam em referência às Escrituras Sagradas. A PIEDADE judaica consistia, principalmente na observância material dos preceitos da Lei e de suas múltiplas interpretações, pelas quais a vida ficava minuciosamente regrada. A Lei era o grande dom de Deus dos israelitas, pois por meio dela podiam conhecer sua Vontade e andar em seus caminhos, confiantes numa recompensa justa. O AMOR a Lei eram a essência da Piedade. Isto requeria uma classe de homens especializados no estudo apurado da Lei, para interpretá-la para o povo. Temos notícias de eruditos que exerciam este oficio a partir do tempo de Esdras e Neemias. No começo prestaram grandes serviços ao povo a quem falavam com elevação em várias ocasiões. Mas a partir da época dos MACABEUS caíram num formalismo estreito e aniquilaram o espírito da Lei, contra o que Jesus combateu energicamente, advertindo o povo claramente. São estes Doutores da Lei os ESCRIBAS, mencionados com tanta freqüência nos Evangelhos. Com eles entreteve-se Jesus em longas palestras, quando se deixou ficar em Jerusalém, aos 12 anos, segundo o que se encontra no evangelho de Lucas. Durante a vida pública, repreendeu-os severamente e desmascarou-lhes a hipocrisia. Avisou-os Jesus, embora pudessem ser ouvidos, porque tinham a doutrina verdadeira, não deveriam, entretanto, serem imitados porque suas vidas não estavam de acordo com a doutrina. Silenciou-os por ocasião das armadilhas que lhe pregaram (as Moedas de César, p.ex.). Pelo seu cego apego à tradição e às falsas idéias sobre o seu reino messiânico, quando J.C. procurou corrigí-los, recusaram-se a aceitar os sinais de sua missão, tais como os milagres e profecias, que nele se cumpriram, etc. e iniciaram a luta para destruí-lo, conseguindo por fim prende- lo e entregá-lo a Poncius Pilatus . Fariseus Membros de uma seita ou escola religiosa entre os judeus, sendo em cerca de 6.000 no tempo de Jesus. Nascida no tempo da conquista grega da Palestina, para imunizar os judeus das contaminações de religiões estranhas, para o que insistiam na completa separação (fariseu – quer dizer “Aquele que está separado, dos gentios). Requeriam uma estreita observância das ESCRITURAS e das tradições rabínicas, dentre o emaranhado das prescrições e interpretações farisaicas sobre a Lei, recebiam maior ênfase: a pureza das cerimônias e o pagamento das taxas religiosas. Havia certo fatalismo na doutrina dos fariseus, conquanto sustentassem a Ressurreição e a Vida futura. No tempo de Cristo, seu zelo primitivo degenerara em fanatismo e hipocrisia. Encabeçaram a oposição a Cristo que lhes condenava a hipocrisia. Seu orgulho e complacência em si mesmos, foram objeto da parábola do PUBLICANO e o FARISEU . Nem todos, eram maus; Nicodemus, Gamaliel eram fariseus. Inicialmente quiseram aceitar a J.C. como o Messias, mas quando viram que para isso tinham de corrigir umas tantas opiniões tradicionais, como a maneira de observar o sábado e outras mais, preferiram rejeitar a Jesus apesar das provas estupendas que o Mestre deu de sua missão divina. Escribas Indivíduo pertencente à classe culta entre os judeus e que no tempo de JESUS era considerada autoridade oficial de interpretação e tradição da Lei. Quem quer que fizesse os estudos com sucesso, tornava-se escriba aos 30 anos, recebendo então a imposição das mãos com a entrega de uma lâmina escrita e uma chave. Com toda a probabilidade podemos distinguir várias classes de escribas. 1- Doutores ou Rabinos – que mantinham escolas e ensinavam no Templo 2- Legisperitos ou Advogados – que nos tribunais, discutiam os pontos da Lei Judaica 3- Juizes – que se sentavam no Sinédrio Nacional ou nos Tribunais locais, como membros da Corte Judiciária Enquanto a função dos sacerdotes era ritual, a dos escribas era doutrinária. Eram interpretes das ESCRITURAS mas J.C. os condenou pelos pesados acréscimos feitos à Lei Divina. Ensinavam citando aos célebres escritores do passado. No tempo do Cristo as principais escolas entre os escribas eram as do liberal Hillel e a do sério Shammai. Em geral os escribas se opunham aos Saduceus e apoiavam os fariseus. Como os
  29. 29. 29 fariseus, os escribas eram celebres pela hipocrisia, orgulho e oposição a Cristo. Havia, contudo caracteres nobres e sinceros entre eles, especialmente Nicodemus e Gamaliel. Saduceus Seita religiosa dos judeus. Eram menos numerosos que seus rivais os Fariseus. Mas muito influentes em razão dos muitos nobres ricos que pertenciam as suas fileiras. Mantinham-se fora das tradições e sempre rejeitavam as verdades ensinadas nos Livros Sagrados. Insistiam no LIVRE ARBÍTRIO, mas negavam a Imortalidade da Alma e a Ressurreição do Corpo, bem como a existência os Anjos. Poderíamos chamá-los de MATERIALISTAS daqueles tempos e o que é mais incrível, é o fato de até sacerdotes terem pertencido a essa seita. Foram acusados por João Batista e pelo próprio Cristo. Embora menos ferrenhos que os Fariseus, em sua oposição a Cristo também buscaram apanhá-lo em ciladas e por seus representantes tomaram parte na condenação de Jesus no Sinédrio. Também se opuseram fortemente à primitiva igreja porque os Apóstolos pregavam a Ressurreição de Jesus Cristo. Sinedrio ou Senedrin Era o CONSELHO NACIONAL ou local onde, entre os judeus dotados de autoridade, se reunia para julgar casos eclesiásticos ou civis. O Sinédrio Nacional, ou Grande Conselho dos Judeus. Se encontrava estabelecido em Jerusalém, comumente no Templo, mas às vezes na casa do Sumo Sacerdote. Por regra Geral era presidido pelo próprio Sumo Sacerdote. Compunha-se de 72 membros, representando, igualmente os três grupos: SACERDOTES, ESCRIBAS E ANCIÕES. Os 24 Sacerdotes eram escolhidos de cada uma das 24 Classes Sacerdotais. Este Conselho tomava conhecimento dos casos graves da doutrina, de jurisprudência ou de caráter administrativo que afetavam a religião e a Nação Judaica. AAssembléia se colocava em semi-círculo com o Presidente no centro e todos voltados para o Santuário, como a lembrar que a Justiça deveria ser observada. Os romanos reconheciam os direitos do Sinédrio e os Litores, assistiam as reuniões para executar as ordens dos juizes. No entanto, a Pena de Morte, no tempo de Jesus, estava reservada à autoridade romana. Os Tribunais locais subordinados ao Supremo Sinédrio se encontravam nas diferentes cidades da Palestina e seus membros variavam de 3 a 23, de acordo com o tamanho ou a população masculina do lugar. O “juízo” provavelmente se refere a um destes tribunais inferiores. Essênios Associação religiosa no judaísmo palestinense, no tempo de Cristo; era uma espécie de ordem monarcal com tendências nitidamente ascéticas. Dados sobre eles se encontram principalmente em Filo e Flávio José; também em Plínio e alguns Santos Padres. Eles são mencionados, mas não na Bíblia, nem na tradição judaica oficial; possivelmente uma vez na Mixná. Seu significado corresponde, provavelmente, ao plural aramaico: Os santos piedosos, ou os calados. Ao que parece viviam apenas na Palestina, sobretudo nas proximidades do Mar Morto. Flávio José menciona-os pela primeira vez sob Jônatan, o Macabeu, e parece que existiam ainda quando ele, escrevia sobre a “Guerra Judaica” depois da queda de Jerusalém. Praticavam a pobreza pessoal e o celibato (mas havia também uma espécie de ordem terceira para os casados) viviam em obediência a superiores, escolhidos por eles mesmos, não se dedicavam ao comércio nem às armas, mas proviam seu próprio sustento pelo trabalho manual, sobretudo pela agricultura. Características de suas práticas religiosas são: abluções rituais, veneração a Moisés e dos anjos, uma oração matinal ao sol, observância rigorosa do sábado, abstinham-se do culto no templo de Jerusalém e de sacrifício de animais. Só depois de longo tempo de provação o candidato era admitido, por um juramento, nos círculos dos Essênios. Sua doutrina concorda em geral com a dos fariseus, porém tinham noção fatalista da providência e pregavam sobre a alma uma doutrina secreta reservada aos iniciados. Embora os elementos principais do instituto possam, portanto, ser chamados judaicos, houve também, indubitavelmente, influências estranhas bastantefortes. De fato as tendências espirituais dos Essênios sempre foram alheias à corrente principal do judaísmo oficial. Sobre a questão se a comunidade, cujos manuscritos foram achados em Qumrân, era composta de Essênios, ainda não se chegou à certeza. Anciões NoAntigo Testamento, diz: – Enquanto os israelitas viviam organizados em tribos, a autoridade ficava nas mãos dos chefes das tribo, clãs e famílias. Geralmente eram homens de certa idade, os anciões. Embora todos os chefes de família tivessem, em principio, direitos iguais, na realidade os chefes das famílias mais poderosas exerciam a autoridade na tribo. É por isso que desde cedo o nome de ancião se refere mais a dignidade do que à idade. Os anciões de Israel ou de uma tribo, formavam sua nobreza. Em tempo de guerra eles chefiavam os seus súditos e em tempo de paz exerciam a jurisdição; como, porém não tinham poder de impor as suas sentenças com força, a sua autoridade era mais moral do que efetiva. Flerts NebóFlerts NebóFlerts NebóFlerts NebóFlerts Nebó
  30. 30. 30 Algo novo, mas que é muito velho O berço da civilização, fala ao mundo ainda hoje desde a profundeza dos milênios já transcorridos até estes nossos dias e vemos que acaba de ser descoberto o elo perdido do chamado Homo Sapiens. Vemos que os atuais mísseis, gastos pelos americanos, apoiados em mentiras, bombardeando a terra onde foi inventada a escrita e a Roda! É sobre esses chamados Pilares da Civilização que vou falar um pouco. Essa terra, que a irrigação, tornou produtiva, permitiu que o homem, pela primeira vez superasse o nível da mera subsistência, dando-lhe lazer para pensar e recursos para se desenvolver, de forma criteriosa. Foram os sumérios que idearam o primeiro veículo de rodas, o código de leis escritas, o legislativo e o governo por cidadãos eleitos. E um poema sumeriano fez a primeira alusão a uma idade de ouro, que ainda hoje inspira os sonho dos homens. Mais do que qualquer invenção humana, foi a escrita que tornou possível a civilização. Quando os simples desenhos ruprestes cederam lugar aos sinais cuneiformes dos sumerianos e estes, por sua vez foram substituídos pela escrita alfabética, o homem conquistou um poder crescente de acumular e transmitir o que aprendera. A sociedade recebeu a história e tornou-se viável a sistematização dos conhecimentos humanos. Até o século XV a escrita permaneceu como uma arte de uma pequena minoria. Foi preservada durante a Idade Média, sobretudo pelos monges que floreavam seus escritos com iluminurias. É a partir de 1440, com a invenção da imprensa que foi possibilitada a divulgação de obras escritas e com um grande surto de publicações. Podemos dizer que já no inicio do século passado existiam jornais imprimindo um milhão de exemplares. Em 1960 surgiu uma nova modalidade de impressão com os computadores, que veio capacitar ao homem a registrar mais conhecimentos do que sequer poderiam sonhar os velhos escribas da Suméria. Vejam, na história que lhes vou contar de dois ancestrais mesopotâmicos de nossos velhos conhecidos de hoje, Noé e Jô. O conto assim o narra: “Houve um tempo em que Enlil, o mais poderoso dos deuses, se desgostou da humanidade e decidiu mandar uma inundação da qual nenhum vivente pudesse escapar. Mas a sentença pareceu demasiadamente rigorosa a Ea, um outro deus, que num sonho avisou a Utnapishtim, o mortal de sua predileção, e ele construiu um barco para seu uso e dentro dele colocou sua família e as sementes de todas as criaturas vivas... a bicharada dos campos e todos os artesãos. O barco resistiu à tempestade, que se desencadeou por seis dias e seis noites. No sétimo dia, quando as águas baixaram, ele desembarcou e fez saírem seus passageiros, homens e animais. Então grato por ter sido salvo, apresentou uma oferenda aos deuses, que censuraram a Enlil pela sua decisão impiedosa. Enlil num ato de expiação, conferiu o dom da imortalidade a Utnapishtim e a sua devotada esposa.” Encontramos entre as histórias da Suméria a seguinte: “Na Suméria figura a história do homem de nome desconhecido, rico. Judicioso e afortunado com a família e os amigos, que um dia se encontrou sozinho e enfermo por motivos que ele não era capaz de entender. Cercado de torturadores, fez uma súplica ao seu deus tutelar que o observava dede o alto. O homem lastimando sua sorte exclama: –Minha palavra honrada tornou-se mentira... Uma doença maligna cobre meu corpo... Deus meu... por quanto tempo me abandonarás e me deixarás sem proteção?” A história deste Jô sumeriano tem um desfecho feliz, porque o deus lhe ouviu as preces e fez que as provações terminassem tão rapidamente como tinham começado. Porém as questões fundamentais do sofrimento humano e da justiça divina – formuladas pelo sumeriano e ainda com maior pungência pelo seu descendente bíblico – ainda nos desafiam. Vejam que o que encontramos na Bíblia nada mais é que duas velhas histórias: a do Noé e sua arca e de Jô e suas doenças. Nada de novo sobre a Terra, e sabemos disso graças a invenção da escrita originária da desaparecida Suméria, que os americanos agora desejam, no maior roubo de toda a história da humanidade, ficar com seu petróleo e suas “armas de destruição total”... Conversa nova sobre tema velho... Flerts NebóFlerts NebóFlerts NebóFlerts NebóFlerts Nebó A organização tribal, baseada sobretudo no parentesco prevaleceu até depois da conquista de Canaã e mesmo depois do cativeiro. Contudo a vida cotidiana era determinada pela organização local. Por isso tornava-os cada vez mais importantes no papel dos anciões da cidade, isto é dos habitantes mais notáveis. A aristocracia urbana foi tomando o lugar da tribal. Com a instituição da realeza e a tendência dos reis para um governo mais centralizado diminuiu a autoridade dos anciões, mas assim mesmo os reis sempre levavam em conta a sua opinião e não poucas vezes eram seus conselheiros. O seu direito principal consistia em poder admitir novos membros na comunidade religiosa e em excomungar.

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