Desafios para aproximação das bibliotecas públicas com a comunidade

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Desafios para aproximação das bibliotecas públicas com a comunidade

  1. 1. Desafios para aproximação das bibliotecas públicas com a comunidade 2º. Encontro Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo: ações de leitura, bibliotecas e comunidades Elisa Machado Escola de Biblioteconomia Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro São Paulo, 15 de abril de 2010.
  2. 2. Desafios para aproximação das bibliotecas públicas com a comunidade  A realidade da Biblioteca Pública e da Biblioteca Comunitária.  Síntese das discussões:  O que vivenciamos.  Os desafios que identificamos.  Caminhos possíveis. 2
  3. 3. Desafios para aproximação das bibliotecas públicas com a comunidade  Antes buscávamos um mundo perfeito onde nada deveria estar fora do lugar e os valores e princípios fundamentais estavam pautados na segurança, no equilíbrio, na ordem, na regulamentação e no Estado.  Hoje, nossa vida está marcada pelo desequilíbrio, aceleração, desregulamentação e privatização. Esta marcada também pelo rompimento da linearidade do pensamento e da ação.  Podemos dizer que a sociedade vive uma era de permanente pressão, em que a flexibilidade, a fluidez e a dinamicidade são palavras de ordem, os níveis de segurança são mínimos e os fluxos de informação seguem caminhos de extrema complexidade. 3
  4. 4. Desafios para aproximação das bibliotecas públicas com a comunidade No caso da biblioteca, espaço tradicionalmente estático, percebemos conceitos e técnicas seculares caírem por água abaixo em função dessas mudanças. Como lidar com essa realidade? 4
  5. 5. A realidade da Biblioteca Pública no Brasil  No Brasil temos menos de 1 biblioteca por município. Caracarí é um dos municípios brasileiros que não tem biblioteca pública.  No estado de São Paulo, dos 645 municípios 44 não possuem biblioteca pública.  A cidade de Curitiba tem 26.000 habitantes por biblioteca enquanto Manaus tem 1.680.000 habitantes por biblioteca.  No Brasil, a maioria das bibliotecas públicas encontram-se desatualizada, sem infra-estrutura adequada e com número insuficiente de pessoal para atender as demandas informacionais da população. 5
  6. 6. A realidade da Biblioteca Pública no Brasil É de se estranhar que enquanto na Europa e nos EUA as bibliotecas ganham a cada dia mais importância, no Brasil continuamos lamentando a situação das nossas bibliotecas públicas. 6
  7. 7. A realidade da Biblioteca Pública na cidade de São Paulo  Histórica diferença em relação ao país.  Possui um dos maiores Sistemas Municipais de Bibliotecas na América Latina: 107 bibliotecas espalhadas por grande parte da cidade.  Diretrizes e investimentos contínuos.  O SMB-SP é referência no país em relação:  Pessoal  Acervo  Tratamento técnico  Infra-estrutura  Ação cultural 7
  8. 8. A realidade da Biblioteca Pública na cidade de São Paulo No entanto....  Ainda assim ficamos com aproximadamente 102.000 habitantes por biblioteca.  Apesar dos esforços e investimentos, apesar de termos uma grande rede espalhada pela cidade, sabemos que o número ainda é insuficiente para atender a demanda de toda a população paulistana. 8
  9. 9. Nesse contexto... ... surgem as bibliotecas comunitárias. [...] surgem cheias de energia, iniciativas de constituição de espaços de leitura e acesso ao livro, denominados por seus idealizadores como bibliotecas comunitárias, ligadas ou não a organizações comunitárias, articuladas ou não a outras instâncias, respondendo a uma necessidade percebida por um grupo e alavancada pelo esforço coletivo da própria comunidade. (ALMEIDA, MACHADO, 2006) 9
  10. 10. Para entender a biblioteca comunitária  Levantamento de 350 experiências – 2006/2007  Sudeste/Norte/Nordeste/Centro-Oeste/Sul.  A maioria localizada em zonas rurais, pequenos municípios – áreas consideradas de exclusão.  33,42 % zonas urbanas, 66,57 % zonas rurais/pequenos municípios.  BC Ler é Preciso da Coopamare; de Copacabana; Paulo Coelho; Criança Esperança.  Seleção de 29 experiências  Motivos;  Atores principais;  Participação, articulação e sustentabilidade;  Estrutura e organização; 10
  11. 11. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil 1. BVL de Macapá – Macapá/AP 16. BVL da Comunidade Boca da Mata – 2. BC Maria das Neves Prado – Nova Soure/BA Pacaraima/RR 3. BC T Bone – Brasília/DF 17. BVL da Comunidade Santa Rosa – 4. BVL da Comunidade Santa Tereza – Pacaraima/RR Mirinzal/MA 18. BC Zumaluma – Embu/SP 5. BC Poços de Caldas – Poços de Caldas/MG 19. B Confraria dos Parceiros de Guararema – 6. BVL da Comunidade de Bengui – Belém/PA Guararema/SP 7. BC Ler é Preciso de Magé – Magé/RJ 20. BC Prof. Waldir de Souza Lima – Itu/SP 8. BC Ler é Preciso Diuner Mello – Paraty/RJ 21. B Solidária – São José dos Campos/SP 9. BC Emmanuel – Rio de Janeiro/RJ 22. BC Casulo – São Paulo/SP 10. BC do Espaço Criança Esperança – Rio de 23. BC Cultura Jovem – São Paulo/SP Janeiro/RJ 24. BC dos Garis – São Paulo/SP 11. BC Ler é Preciso de Copacabana – Rio de 25. BC de Heliópolis – São Paulo/SP Janeiro/RJ 26. BC Ler é Preciso da Coopamare – São 12. BC Paulo Coelho – Rio de Janeiro/RJ Paulo/SP 13. BC Paulo Freire – Rio de Janeiro/RJ 27. BC Livro-Pra-Quê-Tê-Quero – São Paulo/SP 14. BC Tobias Barreto – Rio de Janeiro/RJ 28. BC Prestes Maia – São Paulo/SP 15. BVL da Comunidade de Caracaraí – 29. BC Solano Trindade – São Paulo/SP Caracaraí/RR 11
  12. 12. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil: resultados  Motivos  Carência de bibliotecas públicas e escolares e conseqüente dificuldade de acesso à leitura e ao livro.  Necessidade de melhorar os níveis de leitura, educação e cultura de um determinado grupo.  Consciência da sua posição no espaço social e luta para transformar a estrutura estabelecida. 12
  13. 13. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil: resultados  Atores  Cidadãos comuns, grupos de jovens, organizações da sociedade civil;  Das 29 experiências:  7 surgiram a partir de iniciativas individuais (professor, pedreiro, açougueiro, catador de lixo, fazendeiro, bibliotecário, ex-seminarista);  15 a partir da ação de agentes coletivos externos à comunidade (Associação Vaga Lume; Instituto Ecofuturo; Instituto de Cidadania Empresarial e etc.);  7 de agentes coletivos internos à comunidade (movimentos sociais: MST, Posses, grupos de jovens). 13
  14. 14. BC Tobias Barreto - (RJ) 14
  15. 15. BC T Bone – Brasília (DF) 15
  16. 16. BC Maria das Neves Prado – São José do Paiaiá (BA) 16
  17. 17. BC Poços de Caldas - MG 17
  18. 18. BC de Heliópolis - SP 18
  19. 19. BC de Heliópolis - SP 19
  20. 20. BVL da Comunidade de Santa Tereza – Mirinzal (MA) 20
  21. 21. BC Ler é Preciso da Coopamare – São Paulo (SP) 21
  22. 22. BC Solano Trindade – São Paulo (SP) 22
  23. 23. BC Zumaluma – Embu (SP) 23
  24. 24. Nas periferias das zonas urbanas...  os jovens aparecem como os protagonistas centrais. Por meio de seu engajamento nas questões culturais e educacionais, os jovens demonstram que têm muito a ensinar com suas redes sociais, práticas inovadoras e regras de convivência.  Para os jovens as bibliotecas são espaços de resistência.  As experiências lideradas por jovens são evidentemente mais abertas à ação participativa do que as experiências capitaneadas por ações individuais ou por entidades do Terceiro Setor. 24
  25. 25. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil: resultados  Participação  Diferentes formas de ação:  participação como meio x participação como fim.  Diferentes formas de entender a participação;  Das 29 experiências 14 evidenciam maior nível de participação;  Quanto mais forte o sentimento de comunidade, mais natural é o processo participativo. 25
  26. 26. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil: resultados Quando os integrantes da comunidade de Taquari, no município de Ponte Alta do Tocantins, souberam que a escola local seria transferida para outra comunidade, foram para a porta da escola e disseram: “a escola pode ir, mas a biblioteca é da comunidade”. E assim preservaram o acervo junto à comunidade e criaram um espaço para ela na casa de um morador local. (Joana Arari, Equipe Vaga Lume) 26
  27. 27. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil: resultados  Articulação e sustentabilidade  São as articulações que garantem a sustentabilidade;  Diferenças entre o poder de articulação de um agente individual e de um agente coletivo.  Biblioteca dos Garis x Biblioteca do Casulo  Biblioteca Solidária x Bibliotecas Vaga Lume  Agentes individuais lançando mão do conjunto de relações que possui para viabilizar o projeto que se transformou numa ação coletiva.  Poços de Caldas  Heliópolis  Paiaiá 27
  28. 28. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil: resultados  Desafios  Tráfico  Polícia  Sustentabilidade  Arrecadações, bingos e festas  Associações, OSCIPs  Projeto de Valorização de Iniciativas Culturais de São Paulo (SP) - VAI.  Ponto de Leitura – Mais Cultura/Minc  Ação Cultural  Saraus de leitura  Oficinas de rima, MC, grafite, dança, teatro, alfabetização de adultos e etc.  Produção e exibição de vídeos. 28
  29. 29. 29
  30. 30. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil: resultados  Muitas delas são o resultado de programas idealizados por organizações do Terceiro Setor, que contam com a aprovação da Lei de Incentivo à Cultura, ou seja, são espaços criados com dinheiro obtido por meio de isenção fiscal. Dinheiro público administrado com autorização, mas sem a participação do Estado.  Parece-nos que a situação das poucas bibliotecas públicas e escolares no país geram o que Oliveira (1999, p. 57) chama de “desnecessidade do público”. Faz com que a elite empresarial, que se vê politicamente auto-suficiente em relação a um Estado burocrático e ineficaz, apresente seus projetos de responsabilidade social voltados para a criação de bibliotecas comunitárias como respostas ao problema. 30
  31. 31. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil: resultados URGÊNCIA Regulamentação = Políticas Públicas para as Bibliotecas 31
  32. 32. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil: considerações Políticas públicas: princípios básicos  o respeito à diversidade, à pluralidade cultural e às redes de sociabilidade locais;  o respeito e valorização das estratégias criativas, complexas e heterogêneas das comunidades;  o respeito e a valorização do espaço público;  o estímulo à participação como processo;  a construção de sinergia entre ações e projetos;  a valorização às políticas locais. 32
  33. 33. Desafios para aproximação das bibliotecas públicas com a comunidade  O Brasil precisa do envolvimento da sociedade para superar as situações de desvantagem, em relação à cultura e à educação.  O Estado não dá conta sozinho.  A luta pela ampliação do número de bibliotecas e pela melhoria dos serviços também exige a mobilização da sociedade.  Daí a necessidade de criar espaços para o diálogo. 33
  34. 34. Desafios para aproximação das bibliotecas públicas com a comunidade Rede Brasil de Bibliotecas Comunitárias http://rbbconexoes.ning.com/  objetivos: reunir e compartilhar informações sobre as práticas empregadas na formação e disponibilização de acervos locais, especialmente voltados para grupos em desvantagem social; discutir e refletir sobre os princípios que regem a gestão autônoma desses espaços; estabelecer vínculos e criar articulações entre os diversos agentes e esferas envolvidas nesse processo; e estimular a participação da sociedade no processo de construção de políticas públicas de qualidade para a área de bibliotecas no Brasil. 34
  35. 35. 35
  36. 36. Referências ALMEIDA, Maria Christina Barbosa; MACHADO, Elisa Campos. Biblioteca comunitária em pauta. In: ENCONTROS COM A BIBLIOTECA, 2006, São Paulo. Bibliotecas comunitárias e populares: diálogo com a universidade, São Paulo: Itaú Cultural, 2006. Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2405> Acesso em: 04 jan. 2007. BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas. Relatório anual. [2006?]. Disponível em: <http://catalogos.bn.br/snbp/> Acessado em: 02/03/2007. CULTURA em números: anuário de estatísticas culturais 2009. Brasília: Minc, 2009. MACHADO, Elisa Campos. Bibliotecas comunitárias como prática social no Brasil. São Paulo: Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, 2008. [Tese de doutorado – Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo]. OLIVEIRA, Francisco de. Privatização do público, destituição da fala e anulação da política: o totalitarismo neoliberal. In: OLIVERIA, Francisco; PAOLI, Maria Célia (Org.). Os sentidos da democracia: políticas do dissenso e hegemonia global. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 55-82. 38
  37. 37. Desafios para aproximação das bibliotecas públicas com a comunidade Obrigada!!! Elisa Machado emachado2005@gmail.com 39

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