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FUTURISMO

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FUTURISMO

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FUTURISMO

  1. 1. FUTURISMOFUTURISMO Professora: Cristiane Seibt
  2. 2. No final da primeira década do século XX, surge o movimento artístico de vanguarda internacional, intitulado Movimento Futurista, que desponta por intermédio das mãos do excêntrico poeta, escritor e ativista político italiano Filippo Tommaso Marinetti através da publicação, na primeira página do jornal francês “Le Figaro”, do primeiro (de uma série de muitos outros) Manifesto futurista, em 20 de fevereiro de 1909. FUTURISMO
  3. 3. • O Movimento Futurista tem sua origem na Itália, e a escolha por seu lançamento acontecer em jornal francês teve o propósito de demonstrar sua clara e provocativa intenção de se tornar um movimento internacional no cenário das artes, além de rebater a ideia preconcebida que fazia da França, mais precisamente de Paris, o celeiro mundial dos movimentos vanguardistas de arte
  4. 4. • Num sentido estrito, podemos entender o conceito futurista como a arte que realiza uma crítica radical à produção artística do passado e procura abrir novos caminhos para a expressão estética.
  5. 5. • O Movimento Futurista celebra a era da tecnologia e apresenta em sua essência reflexões e inquietações sobre máquinas e movimento. Não se interessa em retratar o objeto em si, mas em expressar sua forma plástica, bem como a velocidade que é realizada no percurso de seu movimento.
  6. 6. • O Futurismo foi um movimento que, apesar de se iniciar com a intenção de reforma literária, rapidamente alcançou outras disciplinas, como as artes plásticas e a música. Entretanto, será nas artes plásticas e na poesia que encontraremos os resultados mais significativos do movimento.
  7. 7. • Um ano após a publicação do primeiro Manifesto futurista, os pintores Umberto Boccioni, Carlo Carrà, Gino Severini e Luigi Russolo (que também era músico), acompanhados pela valiosa colaboração e influência de Tommaso Marinetti, lançam, em 11 de fevereiro de 1910, o Manifesto dos pintores futuristas, em que criticam as concepções de harmonia e bom gosto e chamam de inúteis os críticos de arte.
  8. 8. • Encadeando o processo, em 11 de abril do mesmo ano é lançado outro manifesto, intitulado Pintura futurista: Manifesto técnico. Entretanto, há que se ressaltar que, embora discursassem sobre pintura, nenhum desses manifestos, nem mesmo o Manifesto técnico, trazia um procedimento técnico real sobre os caminhos que a pintura futurista haveria de percorrer.
  9. 9. • Eram homens repletos de ideologismos, sabiam bem o que desejavam, apenas ainda não haviam encontrado como fazê-lo pictoricamente. Prova disso foram as severas críticas que a revista florentina La Voce proferiu em referência à primeira exposição futurista que aconteceu em Milão, em 1911, e que apresentava temas futuristas tratados de modo bastante tradicional.
  10. 10. • Entretanto, no mesmo ano de 1911, Boccioni, Severini, Carrà e Russolo seguiram em viagem para Paris, onde aconteceu o grande encontro dos pintores futuristas com a produção, ainda desconhecida internacionalmente, dos cubistas Picasso, George Braque e outros tantos nomes, fato que mudaria sobremaneira os rumos da pintura futurista.
  11. 11. • Dessa proximidade com a nova estética cubista veio a certeza sobre muitos aspectos das escolhas no panorama da pintura futurista. Realmente, foi muito produtivo esse encontro, pois, além de trazer aos processos formais futuristas a certeza sobre suas escolhas na linguagem formal pictórica, proporcionou reafirmar suas próprias concepções estéticas.
  12. 12. • Partindo da proposta na qual se crê ser a velocidade o elemento mais característico do mundo moderno, é evidente que, para retratar a velocidade numa tela, foi necessário ao artista assimilar o movimento das figuras, apresentando a superposição dos planos, de modo a proporcionar dinamismo às formas, sendo que esta foi, sem dúvida, a maior contribuição trazida pela prática futurista na pintura.
  13. 13. • Os pintores futuristas apresentavam estilo bastante pessoal e, devido a essa forma heterogênea, suas pinturas não são identificadas como escola estético- filosófica. Não obstante, compartilham o empenho comum pela busca das cenas de velocidade e movimento.
  14. 14. • Apesar de o movimento perder suas forças após a guerra, a bravura e a audácia de suas tendências reformaram a compreensão de um conjunto de ideias que ecoaram através de uma multiplicidade de formas de expressões artísticas, como foi o caso do Concretismo, do Dadá, da moderna tipografia, assim como através do design gráfico pós-moderno.
  15. 15. Características • Velocidade como elemento que melhor expressa o mundo moderno • Valorização do movimento na expressão artística • Procura do dinamismo nas formas • Influências sobre outros movimentos: Concretismo, Dadá, moderna tipografia e design gráfico pós – moderno.
  16. 16. Expoentes nas artes visuais:• • Umberto Boccioni; • Carlo Carrà, • Gino Severini • Luigi Russolo (manifesto dos pintores futuristas).
  17. 17. Carlo Carrà (1881-1966) • Carlo Carrà é conhecido nome da pintura italiana e um dos coautores do Movimento futurista. Sua obra contemplou a pesquisa e a experimentação de diversas tendências artísticas
  18. 18. • Percorreu caminhos e estilos que foram do Realismo ao Divisionismo, acreditou na filosofia estética futurista e trabalhou sob sua luz e sofreu importante influência da pintura cubista.
  19. 19. • No entanto, ao deparar-se com o também pintor Giorgio de Chirico, inclinou sua produção para a pintura metafísica, que é o movimento italiano das artes, considerado como antecessor do Surrealismo.
  20. 20. • Carrà participou das edições da I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1951, e da II e IV edições em 1953 e 1957, respectivamente. Seu trabalho influiu sobre a produção artística italiana da segunda e terceira décadas do século XX.
  21. 21. A Musa Metafísica - 1917 – Carlo Carrà. Óleo sobre tela – 89 x 65 cm – Pinacoteca de Brera, Milão Itália.
  22. 22. • Nessa obra de sua fase metafísica, a figura feminina se apresenta rija, imóvel, ao mesmo tempo em que passa a sensação de que está na iminência de lançar a bola de tênis na direção do observador. Sua cabeça é a de um manequim e, no quadro ao seu lado direito, há um mapa da Grécia, que cria um ponto de interesse, que provavelmente representa a viagem de Ulisses. Em segundo plano, vê-se um cone facetado e colorido, um crucifixo na parede de teto rebaixado, uma segunda tela que parece retratar uma fábrica, enfim, são imagens carregadas de misteriosos simbolismos que confirmam a proposta onírica da pintura metafísica.
  23. 23. Gino Severini (1883-1966) • Gino Severini é mais um importante nome de artista a compor o Movimento Futurista, do qual também é coautor. Nascido numa pequena comuna italiana (o mesmo que município) chamada Cortona, situada na região da Toscana, província de Arezzo na Itália, além de pintor, foi escultor e artista gráfico.
  24. 24. • Descendente de uma modesta família alheia a qualquer manifestação artística, suas chances de se tornar um pintor de renome internacional eram muito remotas. No entanto, Severini, por intermédio de suas atividades artísticas, teve uma vida repleta de emoções no trecho entre Paris e Roma, onde conviveu com grandes nomes da vanguarda artística de sua época, como Picasso, Braque e Modigliani, entre outros.
  25. 25. • Ao longo de sua carreira, seu trabalho recebeu influência de vários estilos artísticos, como o Cubismo e o Divisionismo*, e muito significativa foi a influência das teorias do neo- impressionismo. Observamos em seu trabalho de pintura a busca pela ação e pelo movimento através da utilização de linhas e formas agitadas e fragmentadas que denunciam a influência cubista. • Divisionismo: pontos de cor intensa dispostos sistematicamente em padrões precisos que compõem as figuras, a partir de uma impressão óptica.
  26. 26. • Diferentemente de seus contemporâneos futuristas, Severini demonstrou seu grande interesse pela figura dos corpos em movimento em vez do dinamismo das máquinas. Um traço característico que encontramos recorrentemente em sua produção são as cenas que retratam os cabarés e as imagens de bailarinas.
  27. 27. Comboios blindados em ação 1915 – Gino Severini. Óleo sobre tela, 115,8 x 88,5 cm. Museu de Arte Moderna de Nova York
  28. 28. Umberto Boccioni (1882-1916) • O escultor e pintor italiano Umberto Boccioni (1882-1916) é um importante nome dentro do movimento futurista. No princípio de sua carreira, teve a oportunidade de estudar no ateliê de Giacomo Balla, ocasião em que seu trabalho recebeu a influência do pontilhismo.
  29. 29. • Também realizou estudos na Academia de Belas Artes de Veneza sobre a pintura impressionista e pós-impressionista.
  30. 30. • Tempos mais tarde, vê-se inebriado pela proposta futurista e empenha-se para a concretização de suas manifestações sobre velocidade e movimento, que traduziam as modernidades tecnológicas.
  31. 31. • É autor de obras importantes, como o óleo sobre tela Tumulto na Galeria, que se encontra na Pinacoteca de Brera, Milão, Itália. Produziu também as esculturas Desenvolvimento de uma garrafa no espaço (1912) e formas únicas da continuidade no espaço, que se tornou um ícone do movimento futurista, tradução da revolução vanguardista europeia que modificou os rumos da arte significativamente, logo no início do século XX.
  32. 32. Formas únicas da continuidade no espaço , 1913, Boccioni – Bronze; 116.0 x 85.0 x 38.0 cm
  33. 33. Manifesto Futurista • O Manifesto futurista, ofereceu um discurso apaixonadamente bombástico, em que cada palavra inflamada e agressiva foi cuidadosamente pensada com o propósito de suscitar o espanto e a ira do público acostumado à letargia estética de então. Os futuristas buscavam atenção polemizando, atraindo e provocando controvérsias.
  34. 34. • Com essa intenção, o movimento se aproximou do universo da publicidade com a finalidade de promover sua filosofia artística para o maior número possível de pessoas que se encontravam envolvidas pelas presas de um conservadorismo acadêmico.
  35. 35. • A seguir, fragmento do texto sobre a Fundação e o Manifesto futurista de 1908, que foi publicado na primeira página do jornal francês “Le Figaro”, em 20 de fevereiro de 1909.
  36. 36. • Então, com o vulto coberto pela boa lama das fábricas – empaste de escórias metálicas, de suores inúteis, de fuligens celestes –, contundidos e enfaixados os braços, mas impávidos, ditamos nossas primeiras vontades a todos os homens vivos da terra:
  37. 37. • 1. Queremos cantar o amor do perigo, o hábito da energia e da temeridade. • 2. A coragem, a audácia e a rebelião serão elementos essenciais da nossa poesia. • 3. Até hoje a literatura tem exaltado a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono. Queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, a velocidade, o salto mortal, a bofetada e o murro.
  38. 38. • 4. Afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corrida adornado de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Samotrácia. • 5. Queremos celebrar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada a toda velocidade no circuito de sua própria órbita. • 6. O poeta deve prodigalizar-se com ardor, fausto e munificência, a fim de aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.
  39. 39. • 7. Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem. • 8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade onipresente.
  40. 40. • 9. Queremos glorificar a guerra – única higiene do mundo –, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo da mulher. • 10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de todo tipo, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária
  41. 41. • Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos a maré multicor e polifônica das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor noturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas elétricas: as estações insaciáveis, devoradoras de serpentes fumegantes: as fábricas suspensas das nuvens pelos contorcidos fios de suas fumaças; as pontes semelhantes a ginastas gigantes que transpõem as fumaças, cintilantes ao sol com um fulgor de facas; os navios a vapor aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de amplo peito que se empertigam sobre os trilhos como enormes cavalos de aço refreados por tubos e o voo deslizante dos aeroplanos, cujas hélices se agitam ao vento como bandeiras e parecem aplaudir como uma multidão entusiasta.
  42. 42. • É da Itália que lançamos ao mundo este manifesto de violência arrebatadora e incendiária com o qual fundamos o nosso Futurismo, porque queremos libertar este país de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários. • Há muito tempo a Itália vem sendo um mercado de belchiores. Queremos libertá-la dos incontáveis museus que a cobrem de cemitérios inumeráveis.
  43. 43. • Museus: cemitérios!... Idênticos, realmente, pela sinistra promiscuidade de tantos corpos que não se conhecem. Museus: dormitórios públicos onde se repousa sempre ao lado de seres odiados ou desconhecidos! Museus: absurdos dos matadouros dos pintores e escultores que se trucidam ferozmente a golpes de cores e linhas ao longo de suas paredes! • Que os visitemos em peregrinação uma vez por ano, como se visita o cemitério no dia dos mortos, tudo bem. Que uma vez por ano se desponta uma coroa de flores diante da Gioconda, vá lá. Mas não admitimos passear diariamente pelos museus nossas tristezas, nossa frágil coragem, nossa mórbida inquietude. Por que devemos nos envenenar? Por que devemos apodrecer?
  44. 44. • E que se pode ver num velho quadro senão a fatigante contorção do artista que se empenhou em infringir as insuperáveis barreiras erguidas contra o desejo de exprimir inteiramente o seu sonho?... Admirar um quadro antigo equivale a verter a nossa sensibilidade numa urna funerária, em vez de projetá-la para longe, em violentos arremessos de criação e de ação. • Quereis, pois, desperdiçar todas as vossas melhores forças nessa eterna e inútil admiração do passado, da qual saís fatalmente exaustos, diminuídos e espezinhados?
  45. 45. • Em verdade eu vos digo que a frequentação cotidiana dos museus, das bibliotecas e das academias (cemitérios de esforços vãos, calvários de sonhos crucificados, registros de lances truncados!...) é, para os artistas, tão ruinosa quanto a tutela prolongada dos pais para certos jovens embriagados por serem os prisioneiros, vá lá: o admirável passado é talvez um bálsamo para os seus males, já que para eles o futuro está barrado... Mas nós não queremos saber dele, do passado, nós, jovens e fortes futuristas! • Bem-vindos, pois, os alegres incendiários com seus dedos carbonizados! Ei-los!... Aqui!... Ponham fogo nas estantes das bibliotecas!... Desviem o curso dos canais para inundar os museus!... Oh, a alegria de ver flutuar à deriva, rasgadas e descoradas sobre as águas, as velhas telas gloriosas!... Empunhem as picaretas, os machados, os martelos e destruam sem piedade as cidades
  46. 46. • Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: resta- nos, assim, pelo menos um decênio mais jovens e válidos que nos jogarão no cesto de papéis, como manuscritos inúteis. – Pois é isso que queremos! • Nossos sucessores virão de longe contra nós, de toda parte, dançando a cadência alada dos seus primeiros cantos, estendendo os dedos aduncos de predadores e farejando caninamente, às portas das academias, o bom cheiro das nossas mentes em putrefação, já prometidas às catacumbas das bibliotecas.
  47. 47. • Mas nós não estaremos lá... Por fim eles nos encontrarão – uma noite de inverno – em campo aberto, sob um triste galpão tamborilado por monótona chuva, e nos verão agachados junto aos nossos aeroplanos trepidantes, aquecendo as mãos ao fogo mesquinho proporcionado pelos nossos livros de hoje flamejando sob o voo das nossas imagens. • Eles se amotinarão à nossa volta, ofegantes de angústia e despeito, e todos, exasperados pela nossa soberba, inestancável audácia, se precipitarão para matar-nos, impelidos por um ódio tanto mais implacável quanto seus corações estiverem ébrios de amor e admiração por nós.
  48. 48. • Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: no entanto, temos já esbanjado tesouros, mil tesouros de força, de amor, de audácia, de astúcia e de vontade rude, precipitadamente, delirantemente, sem calcular, sem jamais hesitar, sem jamais repousar, até perder o fôlego... Olhai para nós! Ainda não estamos exaustos! Nossos corações não sentem nenhuma fadiga, porque estão nutridos de fogo, de ódio e de velocidade!... Estais admirados? É lógico, pois não vos recordais sequer de ter vivido! Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas!
  49. 49. • Vós nos opondes objeções?... Basta! Basta! Já as conhecemos... Já entendemos!... Nossa bela e mendaz inteligência nos afirma que somos o resultado e o prolongamento dos nossos ancestrais. – Talvez!... Seja!... Mas que importa? Não queremos entender!... Ai de quem nos repetir essas palavras infames!...
  50. 50. • Cabeça erguida!... • Eretos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas. • CHIPP, H.B. Teorias da arte moderna. Martins Fontes, São Paulo, 1993

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