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Um pouco da história dos explosivos: da pólvora ao Prêmio Nobel de Química

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Um pouco da história dos explosivos: da pólvora ao Prêmio Nobel de Química

  1. 1. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB)Um pouco da história dos explosivos: da pólvora ao PrêmioNobelFlávia Cristina Gomes Catunda de Vasconcelos (PG), Ladjane P. da Silva (PG), MariaAngela Vasconcelos de Almeida (PQ) flaviacrisgomes@hotmail.com1,2 Universidade Federal Rural de Pernambuco – Departamento de Educação¹ e Departamento deQuímica²Palavras-Chave: pólvora, explosivos, Alfred NobelRESUMO: O presente trabalho resgata um pouco a história da origem da pólvora, o seuaperfeiçoamento e suas aplicações até a invenção da dinamite. Trazendo à luz o cientista: AlfredBernhard Nobel, apresentando a sua relação com a criação de explosivos até o surgimento do PrêmioNobel.INTRODUÇÃO Tão importante quanto à descoberta de novos explosivos, os aperfeiçoamentosdos mesmos tiveram contribuições relevantes para a sociedade e desenvolvimento daindústria. A descoberta da pólvora não bastava em si mesma, algo mais eficaz e muitomais seguro precisava ser descoberto, daí o interesse de vários cientistas que sededicarem para esse fim, entre eles, Roger Bacon com a descrição detalhada dapólvora (MAAR, 2008), seguido por Paul Vieille1 na descoberta da pólvora sem fumaça,dando continuidade com Henri Braconnot e Théophile Jules Pelouse com a descobertae preparação da nitrocelulose, composto altamente inflamável (SMULYAN, 2007). Vindo depois disto Ascanio Sobrero com a descoberta da nitroglicerina (NOBELFUNDATION, 2009), composto líquido que explodia com extrema facilidade poraquecimento ou por um simples choque mecânico. Por ser um composto muito instáveltornava-se necessário encontrar uma maneira segura de se manusear e de detonaresse explosivo. Devido a isto, foi que, em 1867, o químico sueco Alfred Bernhard Nobelconseguiu uma forma mais segura de usar a nitroglicerina com a invenção da dinamitetornando-a comercialmente útil. A partir de então, passamos a conhecer as contribuições que Nobel deu para asociedade em relação à produção de explosivos. Porém, diante do uso maléfico destesmateriais, como forma de se “desculpar”, Nobel beneficia o mundo com a doação deseus bens para a entrega de prêmios a favor de pesquisas para o bem da humanidade(NOBEL FUNDATION, 2009).A INVENÇÃO DA PÓLVORA: INÍCIO DA ERA DOS EXPLOSIVOS1 Disponível em http://www.spartacus.schoolnet.co.uk/FWWvieille.htm. Acesso em 21 abr 2010XV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  2. 2. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB) Há controvérsias em relação ao período em que a pólvora tenha sidodescoberta e utilizada. Segundo Mason (1962), a descoberta é atribuída aos mongestaoístas ou alquimistas, que procuravam pelo elixir da imortalidade, na China no finaldo período Thang, século XV, embora armas de fogo estivessem sendo usadas antes,no final do período Sung, século XIII. Sendo, provavelmente, produto de séculos de experimentação alquímica, poisas primeiras referências à pólvora aparecem como avisos em textos de alquimia,provavelmente uma passagem no Zhenyuan miaodao yaolüe, um texto taoísta datadoem meados do ano 800, que adverte para não se misturarem enxofre, rosalgar e salitrecom mel, devido a se obter chamas, resultando na queima de rostos e mãos (KELLY,2004). O salitre, uma das substâncias presentes na pólvora, era conhecido peloschineses desde meados do século I d.C, havendo fortes indícios do uso do salitre eenxofre em medicamentos com diferentes combinações (BUCHANAN, 2006). Osárabes adquiriram conhecimentos no século XIII, quando um sírio, Hasan AL-Rammah,tinha escrito, em língua árabe, receitas de pólvora com instruções de usos diversos:fogos, foguetes, purificação do salitre e as descrições para produção de diferentes tiposde pólvora, usando textos que sugere terem vindo de conhecimentos chineses(MASON, 2004; KELLY, 2004). Hasan al-Rammah incluiu no seu furusiyyah al-wa al-manasib al-harbiyya (OLivro de navegação Militar e de dispositivos engenhosos de Guerra), 107 receitas depólvoras, das quais 22 são para foguetes. Uma média de 17, destas 22 apresentavama composição (75% de nitratos, 9,06% de enxofre e 15,94% de carbono), sendo quaseidêntica a receita ideal relatada (75% de nitrato de potássio, 10% de enxofre, e 15% decarbono) por al-Hassan (2009). Alegando, em seus descritos, que na Batalha de AinJalut em 1260, ocorrida na Índia, viu os Mamluks, soldados escravos que seconverteram ao islamismo, usar explosivos com uso de pólvora, contra os mongóis(AL-HASSAN, 2002). No entanto, Khan (1996) afirma que foram os mongóis queintroduziram a pólvora para o mundo islâmico. De acordo com Johson2, os árabes tinham desenvolvido a primeira everdadeira arma de fogo a arcabuz, um tubo de bambu reforçado com ferro, que eracarregado de pólvora, a qual era inflamada pela inserção de um arame aquecido. ParaMason (1962) a Dinastia Sung já possuía armas de fogo feitas de tubos de bambuutilizadas contra os Tártaros. Para Chase (2003), os árabes só obtiveram armas defogo em meados de 1300, portanto todos os indícios apontam para a origem chinesa.A PÓLVORA CHEGA A EUROPA Mason (1962) relata que a pólvora chega à Mongólia após a invasão da Chinano inicio do século XIII. Os mongóis, alguns anos depois, capturaram munição chinesae, em seguida, invadem a Europa por volta de 1233. Em 1250, o norueguês Konungsskuggsjá menciona, no seu capítulo militar, o uso do "carvão e enxofre", como a melhor2 Johnson, Norman Gardner. "explosive", Encyclopædia Britannica, Chicago:2010 Encyclopædia BritannicaOnline. Acesso em: 21 abr 2010XV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  3. 3. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB)arma para o combate entre navios3. A mistura de carvão e enxofre pode produzir umefeito de queima lenta, mas não são explosivas. Ainda no século XIII, o frei e experimentalista Roger Bacon, versado nasciências que hoje chamaríamos astronomia, química e física, sendo fluente em árabe,obteve informações sobre a pólvora certamente com uma tribo nômade, os sarracenos,que atuavam como intermediários entre o Oriente e o Ocidente (MASON, 1962; LECOUTER; BURRESON, 2006). Em sua espístola, "De Secretis Operibus Artis et Naturae et de NullitateMagiae", datada entre 1248 e 1257, afirma que, se pode, com salitre e outrassubstâncias, compor artificialmente um incêndio que pode ser lançado para longasdistâncias sendo acompanhado por um barulho muito alto, sendo possível destruiruma cidade ou um exército (PARTIGNTON; HALL, 1999). A última parte foiinterpretada como um anagrama que tinha de ser decifrado para revelar as proporçõesdos componentes da pólvora. Após 650 anos de sua construção, o anagrama foidecifrado por um coronel do exército britânico como sendo sete partes de salitre, cincode carvão e cinco de enxofre (LE COUTEUR; BURRESON, 2006; MAAR, 2008). A composição da pólvora de hoje varia um pouco, mas apresenta uma maiorquantidade de salitre que a combinação proposta por Bacon. Podendo ser escritacomo: 4KNO3(S) + 7C(S) + S(S) → 3CO2(g) + 3CO(g) 2N2(g) + K2CO3(S) + K2S(S) Em sua obra Opus Majus de 1267, Bacon descreve os foguetes: “a child’s toy of sound and fire and explosion made in various parts of the world with powder of saltpeter, sulfur and charcoal of hazelwood” (KELLY, 2004; PARTINGTON; HALL, 1999) Algumas das receitas de produção da pólvora presentes no livro De MirabilibusMundi de Albertus Magnus são idênticas às receitas do Liber Ignium, ou livro deIncêndios, atribuído ao grego Marcus, e, de acordo com Partington & Hall (1999), asreceitas podem ter sido tomadas a partir do trabalho de Bacon, e não vice-versa. Uma grande invenção européia foi à introdução de pó de milho, no final doséculo XIV, que aumentou muito a fiabilidade e consistência da pólvora. A principalvantagem da adição do pó era de que a chama se propagaria entre os grânulos,iluminando-os a todos, antes de ocorrer à significativa expansão do gás quando apólvora explode. O tamanho dos grânulos foi diferente para os diferentes tipos de arma. Antes da inclusão do pó de milho, a pólvora foi gradualmente consumida emseus elementos constitutivos e o efeito explosivo era pouco para uma efetiva utilizaçãoem armas (MOLERUS, 1996). O mesmo processo de granulação é utilizado3 "Kings Mirror, Chapter XXXVII: The duties, activities and amusements of the Royal Guardsmen. Disponível em:<http://www.mediumaevum.com/75years/mirror/sec2.html#XXXVII> Acesso em: 21 abr 2010XV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  4. 4. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB)atualmente, na indústria farmacêutica, para assegurar que cada comprimido contenhaa mesma proporção do ingrediente ativo. A pólvora para fins militares foi feita por artesãos militares qualificados, quemais tarde foram chamados firemakers, e que também foram obrigados a fazer fogosde artifício para festas de vitória ou paz. Fogos de artifício foram utilizados paraentretenimento, em uma escala sem precedentes na Europa, sendo mesmo utilizadoem resorts populares e jardins públicos. (MASON, 1962). Na China assim como na Europa, o uso da pólvora em canhões e armas defogo foi atrasado pela dificuldade em se obter tubos de metal suficientementeresistentes que pudessem conter a explosão. Este problema pode ter criado o falsomito de que os chineses usaram a descoberta somente para a manufatura de fogos deartifício. A produção de pólvora nas Ilhas Britânicas parece ter-se iniciado em meadosdo século XIII. Registros mostram que a pólvora estava sendo feita, na Inglaterra em1346, nas Torres de Londres, que eram casas que armazenavam a pólvora em pó. Após o final da I Guerra Mundial, a maioria dos fabricantes britânicos depólvora, foi fundida em uma única empresa, a "Explosives Trades Limited", e grandenúmero de estabelecimentos foram fechados. Esta empresa tornou-se a NobelIndustries Limited, passando por vários outros nomes até o prédio ser demolido por umincêndio em 1932 (NOBEL FUNDATION, 2009). A fábrica de pólvora, Royal Gunpowder Factory, foi danificada por uma minalançada por aviões germânicos em 1941, e não teria mais sido reaberta. Este foiseguido pelo encerramento da seção de pólvora do Royal Ordnance Factory, sendofechada e demolida no final da II Guerra Mundial. Isto deixou o Reino Unido comapenas uma fábrica de pólvora, a ICI Nobel da Ardeer, na Escócia, que encerrou suasatividades em outubro de 1976 (COCROFT, 2000). No final dos anos 1970, início da década de 80, a pólvora era comprada doLeste europeu, especialmente da região da então, Alemanha Oriental e da antigaYugoslávia. Em paralelo a produção e utilização, outros compostos foram produzidos comos diversos tipos de pólvora, surgindo à produção de compostos nitrogenados comoutras substâncias, aumentando a eficácia da explosão e armazenamento.A PÓLVORA "SEM FUMAÇA" Em 1886, Paul Vieille inventou na França a pólvora "sem fumaça" chamada dePoudre B. Feita de nitrocelulose gelatinosa misturada com éter e álcool, a pólvora semXV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  5. 5. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB)fumaça era passada através de rolos para formar finas folhas que eram cortadas comuma guilhotina para formas grãos de tamanhos desejados.4 A pólvora de Vielle foi usada no rifle Lebel e foi adotada pelo exército francêsno final do ano de 1880. Primeiro, porque não havia, praticamente, a formação defumaça quando a arma era disparada e depois porque era muito mais poderosa do quea pólvora negra dando uma precisão de quase 1.000 metros de alcance aos rifles.A NITROCELULOSE Henri Braconnot descobriu em 1832 que o ácido nítrico quando combinado comfibras de madeira, a mistura produziria um leve material combustível explosivo, que elenomeou de xyloïdine.5 Em 1838 começa a era moderna dos explosivos, quando oquímico francês Théophile Jules Pelouse (1807-1867) conseguiu preparar anitrocelulose (Figura 1) que é um composto altamente inflamável formada por celulosenitrada (SMULYAN, 2007). Figura 1. Molécula de nitrocelulose No entanto, Christian Friedrich Schönbein, um químico alemão, descobriu umasolução mais prática de produção, em meados de 1846. Ele estava trabalhando nacozinha de sua casa, em Basiléia, quando derramou acidentalmente uma garrafa deácido nítrico concentrado na mesa da cozinha de sua casa, em seguida pegou oavental de algodão de sua esposa por cima do ácido. Após um tempo, o avental foiretirado e lavado em água fria para remover todos os resíduos de ácido, posteriormentefoi secando próximo ao fogão, havendo um flash, levando a explosão do avental (LECOURTEUR; BURRESON, 2006). Schönbein passou a investigar o caso e descobriu anitrocelulose. Seu método de preparação foi o primeiro a ser largamente imitado - uma partede algodão imerso em quinze partes de igual mistura de ácido sulfúrico e ácido nítrico.Schönbein colaborou com o professor Rudolf Frankfurt Böttger, que havia descoberto oprocesso independente no mesmo ano. Por uma estranha coincidência, houve tambémum terceiro químico, o professor F. J. Otto, que também havia produzido guncotton em1846 e foi o primeiro a publicar o processo, para a decepção de Schönbein e Böttger.4 Disponível em: < http://www.spartacus.schoolnet.co.uk/FWWvieille.htm> Acesso em: 21 abr 20105 Disponível em: < http://www.economicexpert.com/a/Henri:Braconnot.htm > Acesso em: 21 abr 2010XV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  6. 6. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB) O processo utiliza o ácido nítrico para a conversão da celulose e de nitrato decelulose em água: 3HNO3 + C6 H10O5 → C6H7(NO2)3O5 + 3H2O O ácido sulfúrico está presente como um catalisador para a produção de íonsNO2-. A reação é de primeira ordem e os produtos são formados através desubstituição eletrofílica nos centros C-OH da celulose (URBANSKI, 1965).A NITROGLICERINA Em 1847, o químico italiano Ascanio Sobrero (1812-1888) preparou outramolécula nitrada altamente explosiva. Ele estudou os efeitos do ácido nítrico sobreoutros compostos orgânicos. Ao pingar glicerol, também conhecida como glicerina, umdos subprodutos na produção de sabão, numa mistura resfriada de ácidos sulfúricos enítricos, derramando a mistura final em água, Sobrero observou a formação de umacamada oleosa, hoje conhecida como nitroglicerina (LE COURTEUR; BURRESON,2006; SOBRERO, 1847). Como na época, era normal os cientistas experimentarem o que elesproduziam, Sobrerou experimentou o novo composto registrando comentários como:“um traço posto sobre a língua, mas não engolido, provoca uma dor de cabeçaextremamente pulsante e violenta, acompanhada de grande fraqueza nos membros”.(LE COURTEUR; BURRESON, 2006) A nitroglicerina chegou a ser utilizada na medicina em enfermos queapresentavam problemas no coração, especificamente nos que sofriam problemas deangina. Isto se deu ao fato de que as fortes dores de cabeça relatadas por Sobreroenquanto experimentava sua invenção se dava a dilatação dos vasos sanguíneos (LECOURTEUR; BURRESON, 2006; SMULYAN, 2007). Hoje, se sabe que essa dilatação é devido à liberação de moléculas simples deóxido nítrico (NO) no corpo. Foi a pesquisa dessa dilatação sanguínea que se levou afabricação do medicamento Viagra®, direcionado a pessoas que sofrem de disfunçãoerétil. A nitroglicerina também levou prejuízos para quem a produzia. Devido àsubstância ser um líquido que explodia com extrema facilidade por aquecimento ou porum simples choque mecânico, sua aplicação retardou-se por vários anos. Sendotambém muitas vezes transportado na forma congelada, ocasionando várias explosõesno processo de descongelamento, causando mortes e ferimentos de pessoas quetentavam fabricar, estocar e utilizá-la (SMULYAN, 2007). Os produtos formados na explosão da nitroglicerina podem ser representadosna Equação I, a reação libera grande quantidade de gases que se expandemrapidamente e intenso calor.XV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  7. 7. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB) 4C3H3N3O9 (S) → 6N2(g) + 12CO2(g) + 10H2O(g) + O2(g) (Equação I)Comparando-se com a reação de liberação da pólvora (Equação II) se observa umamenor quantidade de produtos gasosos em sua explosão.4KNO3(S) + 7C(S) + S(S) → 3CO2(g) + 3CO(g) 2N2(g) + K2CO3(S) + K2S(S) (Equação II) Este contraste pode ser explicado devido à pólvora produzir seis mil atmosferasde pressão em milésimos de segundo. Em igual quantidade, a nitroglicerina produz 270mil atmosferas de pressão em milionésimos de segundo (LE COURTEUR; BURRESON,2006). A nitroglicerina é muito instável, diferente da pólvora que pode ser manuseadacom relativa segurança. Tornando-se necessário encontrar uma maneira segura demanuseá-la e de detonar esse explosivo. Devido a isto, foi que o químico sueco AlfredBernhard Nobel, em 1867, conseguiu uma forma segura de usar a nitroglicerina,tornando-a comercialmente útil ao inventar a dinamite. É neste momento que AlfredNobel é inserido na história dos explosivos.ALFRED NOBEL E SUA INVENÇÃO EXPLOSIVA Nascido em Estocolmo, no dia 21 de outubro de 1833, Nobel fez seus primeirosestudos em sua cidade natal e na cidade russa de São Petersburgo. Aos 16 anos já eraquímico competente, trabalhando no laboratório de T. Jules Pelouzze. Viajandotambém para a Itália, Alemanha e Estados Unidos, falava fluentemente inglês, francês,alemão e russo, além de sueco. Quando estava em São Petersburgo o pai de Nobel, Immanuel Nobel, em1842, começou a manufaturar e vender explosivos para aplicações comerciais,abertura de túneis e minas, e uso militar, também chegou a iniciar produção denitroglicerina (NOBEL FUNDATION, 2009). Entre 1853 e 1856, a empresa da família entra em falência quando a guerra daCriméia termina, levando militares russos a cancelarem encomendas. Alfred Nobelprocura desesperadamente por novos produtos explosivos. Nikolai N. Zinin lembra aNobel a existência da nitroglicerina, isso permite a Nobel a procura por outros materiaisque pudessem aperfeiçoar o uso da nitroglicerina de forma que as explosõespudessem ser mais bem controladas (LE COURTEUR; BURRESON, 2006; NOBELFUNDATION, 2009). Pouco tempo depois de iniciar seus experimentos com anitroglicerina, Nobel consegue sua primeira patente, tendo a nitroglicerina como umexplosivo industrial, juntamente com um detonador para desencadear sua explosão(NOBEL FUNDATION, 2009). Em setembro de 1864, uma explosão em um de seus laboratórios, emEstocolmo, matou cinco pessoas, dentre eles seu irmão mais novo, Emil Nobel einutilizou seu pai Immanuel (NOBEL FUNDATION, 2009; LE COURTEUR;BURRESON, 2006). A figura 2 apresenta a família Nobel.XV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  8. 8. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB) Figura 2. Família Nobel Mesmo sem desvendar a causa do acidente, as autoridades de Estocolmoproibiram a produção de nitroglicerina. Mesmo assim, Nobel construiu um novolaboratório sobre barcaças ancoradas no lago Mälaren (NOBEL FUNDATION, 2009). Nesse laboratório ele verifica que esse explosivo é estabilizado por adição deuma substância inerte a diatomita, sendo esta mistura patenteada em 1867, comodinamite, na Suécia (NOBEL FUNDATION, 2009).A DINAMITE E SEUS DERIVADOS A dinamite consiste na combinação de um material absorvente (comoserragem), com a função de estabilizador, encharcado em nitroglicerina. Ambos oscomponentes são envolvidos numa camada protetora e conectados a uma cápsula derastilho, sendo também conectada ao detonador, que criará uma pequena explosãoprovocando em seguida a explosão desejada. A dinamite é um explosivo que, emborade potência inferior à nitroglicerina líquida, é de fácil manuseamento e permitedetonações mais suaves e controladas, com maior segurança do que nitroglicerina(DOLAN, 1985). Dois tipos de dinamite foram criados: uma com 75% de nitroglicerina e outracom 64%. A procura foi imediata e cresceu rapidamente, fazendo com que Nobelaumentasse sua produção. Em 1871 Nobel cria a empresa britânica, Dynamite, naEscócia e no Reino Unido. Ao longo dos anos ele fundou fábricas e laboratórios emcerca de 90 lugares em mais de 20 países. Mesmo com grande quantidade de bens,Nobel ainda conseguiu outro invento, a nitroglicerina explosiva. Patenteada em 1876, a incorporação de 7-8% de colódio em nitroglicerinaforma um material gelatinoso, com maior poder explosivo que a dinamite, porque esteaditivo contribui para a explosão, mas é insensível ao choque e à umidade (podendoser usada até debaixo d’água) (BROWN, 1998). Com mais de 40 anos, Alfred Nobel era um homem rico, sem filhos e semesposa. Chegou a anunciar em um jornal que procurava uma senhora de idademadura, versada em línguas e que trabalhasse como secretária e supervisora defamília. Houve uma candidata, a condessa austríaca Bertha Kinsky von und ChinicXV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  9. 9. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB)Tettau (mais tarde von Suttner). Porém, trabalhou um tempo curto com Nobel e decidiuvoltar para a Áustria para casar com o conde Count Arthur von Suttner, mas continuouse comunicando com Nobel através de cartas durante década (NOBEL FUNDATION,2009). Bertha (Figura 3) se tornou uma ativista da paz e crítica quanto à corridaarmamentista. Sem dúvida ela influenciou Nobel quando este, em seu últimotestamento, escreveu que deveria ser constituído, com os seus bens, um fundo queseria distribuído, em prêmios a todos aqueles que tivessem conferido o maior benefíciopara a humanidade (NOBEL FUNDATION, 2009). Figura 3. Bertha von Suttner Os executores de sua vontade eram dois jovens engenheiros, Ragnar Sohlmane Rudolf Lilljequist, que formaram a Fundação Nobel, que cuidava das açõesfinanceiras deixadas por Nobel para este fim e coordenaram os trabalhos quereceberiam o prêmio Nobel (NOBEL FUNDATION, 2009). Alfred Nobel morreu em 1896, quando trabalhava sozinho em sua escrivaninha,em sua casa em San Remo, na Itália.PRÊMIO NOBEL O Prêmio Nobel, desde 1901, homenageia homens e mulheres de todos oscantos do planeta por apresentarem resultados notáveis em física, química, medicina,literatura e paz. Em 1968, o Banco da Suíça, em memória de Nobel, instituiu um prêmiono campo da economia (NOBEL FUNDATION, 2009; LE COURTEUR; BURRESON,2006). A premiação acontece anualmente em duas cidades: Oslo, na Noruega, eEstocolmo, na Suécia, em 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel. A AcademiaReal de Ciências da Suécia é uma das instituições que participam da escolha dospremiados, sendo responsável pelos prêmios de química, física e economia. AAcademia de Literatura da Suécia é responsável pelo prêmio de literatura e, o de paz,por uma comissão de cinco membros nomeada pelo parlamento Norueguês. Cada prêmio consiste em uma importância em dinheiro, estimada por cadainstituição, uma medalha de ouro e um diploma comemorativo.XV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  10. 10. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB) A Fundação Nobel assegura as condições técnicas e financeiras do prêmio,sendo proprietária legal e administradora funcional dos fundos, e providencia asnecessárias conexões entre as diversas instituições. Não intervindo na seleção dospremiados. A decisão final do premiado em cada categoria deve ser concretizada antesdo dia 15 de novembro do mesmo ano em que os comitês iniciaram as diversasconsultas às entidades que propuseram os candidatos (DOLAN, 1985). Os prêmios podem ser compartilhados por vários ganhadores ou declaradosvagos, são outorgados apenas a indivíduos ou, com exceção dos prêmios de literaturae da paz, às equipes científicas representadas pelo cientista que dirigiu o trabalho.Excepcionalmente, o prêmio da paz é concedido a organizações. Pelo regulamento do Prêmio Nobel, os vencedores podem recusar orecebimento da distinção. O cientista russo, Boris Pasternak, não recebeu seu prêmiode química em 1958; Gerhard Domagk, alemão, condecorado com o prêmio de químicaem 1939, foi proibido por Hitler para receber o prêmio, conseguindo fazê-lo em 1947.Um dos casos mais famosos foi do filósofo, escritor e intelectual francês Jean-PaulSartre, que foi contemplado em 1964, mas recusou por não aceitar ser submetido ajulgamentos (NOVA ENCICLOPEDIA BARSA, 2002).COMENTÁRIOS FINAIS Mesmo com poucas abordagens sobre a pólvora e suas aplicações naeducação básica, ressalta-se a importância da divulgação de fatos históricos referentesa materiais que são utilizados pela sociedade. Com um relato histórico da evolução de aplicação da pólvora como explosivo,percebeu-se que as transformações que ocorreram em diferentes povos (chineses,árabes, europeus, dentre outros) estiveram, também, relacionadas às inovações dopoder destrutivo de tal artefato. Apesar de poucos saberem o motivo da criação do prêmio, destacamos aimportância do conhecimento da história da química para a compreensão da escala deevolução de diversos materiais, inclusive a pólvora, que geralmente é associadaapenas aos fogos de artifício ou pequenos explosivos. Porém, foram e na verdade sãograndes e poderosos explosivos com poder de um simples artifício a uma bomba maispotente, com fins que vão de simples aberturas de túneis e poços petrolíferos aeventos bélicos. Almejado por muitos cientistas que buscam inovações nas diversas áreas dasciências e tecnologia, o Prêmio Nobel foi à última vontade realizada de um químico,engenheiro, inventor, fabricante de armamento, inventor da dinamite, o cientista, AlfredNobel. Este, com grande quantidade de bens e dinheiro adquirido proveniente dafabricação dos explosivos, ressentido pela quantidade de pessoas mortas devido aseus inventos, direciona todos os seus bens para pessoas que se preocupam com ahumanidade.XV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  11. 11. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB)REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASAL-HASSAN, Ahmad Y., Gunpowder Composition for Rockets and Cannon in ArabicMilitary Treatises In Thirteenth and Fourteenth Centuries. The History of Science andTechnology in Islam, 2002.Disponivel em: http://www.history-science-technology.com/Articles/articles%202.htm.Acesso em: 21 abr 2010.BROWN, George Inghman. The Big Bang – A History of Explosives. Stroud, UK,1998. 256 p.BUCHANAN, Brenda J., ed. Gunpowder, Explosives and the State: A TechnologicalHistory. Aldershot: Ashgate, ISBN 0754652599, 2006.CHASE, Kenneth. Firearms: A Global History to 1700, Cambridge University Press,ISBN 0521822742, 2003.COCROFT, Wayne. Dangerous Energy: The archaeology of gunpowder andmilitary explosives manufacture, Swindon: English Heritage, ISBN 1-85074-718-0,2000DOLAN, J. E. Molecular Energy - The Development of Explosives, ChemistryBrititian. v. 21 p. 732-737, 1985.KELLY, Jack. Gunpowder: Alchemy, Bombards, & Pyrotechnics: The History ofthe Explosive that Changed the World. Basic Books, ISBN 0465037186, 2004.KHAN, Iqtidar Alam. Coming of Gunpowder to the Islamic World and North India:Spotlight on the Role of the Mongols, Journal of Asian History, Indiana v. 30 p.41–45,1996LE COURTEUR, Penny; BURRESON, Jay. Os Botões de Napoleão: as 17 moléculasque mudaram a história. Rio de Janeiro. Ed. Jorge Zahar, 2006. 343 p.MAAR, Juergen Heinrich. História da química. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008.946 p.MASON, Stephen F. A History of the Science. First Collier Books Edition, ISBN:0020934009, 1962. 638 p.Nobel Foundation Copyright © Nobel Web AB 2009: <http://nobelprize.org/> Acesso em21 abr 2010NOVA ENCICLOPEDIA BARSA. São Paulo: Barsa Planeta Internacional Ltda., 2002.Obra em 18 v.:Il. 6 ed. p. 339-340.XV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010
  12. 12. Divisão de Ensino de Química da Sociedade Brasileira de Química (ED/SBQ) HCInstituto de Química da Universidade de Brasília (IQ/UnB)PARTINGTON, James Riddick; HALL, Bert S. A History of Greek Fire andGunpowder. Baltimore: Johns Hopkins University Press. ISBN 0-8018-5954-9, 1999SOBRERO, Ascanio. Sur plusiers composes detonants produit avec l’acide nitrique etle sucre, la dextrine, la lacitine, la mannite et la glycerine. Comptes Rendus del’Académie des sciences v. 24 p. 247-248, 1847.SMULYAN, Harold. Nitrates, Arterial Function, Wave Reflections and Coronary HeartDisease. Advances in Cardiology. Basel, Karger, vol 44, p. 302–314, 2007.URBANSKI, Tadeusz. Chemistry and Technology of Explosives. Pergamon Press,Oxford, v. 1, p. 20-21, 1965.XV Encontro Nacional de Ensino de Química (XV ENEQ) – Brasília, DF, Brasil – 21 a 24 de julho de 2010

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