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8 sistema reprodutor

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  • 1. Sistema Reprodutor " CADA PARTO É UM PARTO ." (Paul Claudel) Semiologia do Sistema Reprodutor Feminino NEREU CARLOS PRESTES Semiologia da Glândula Mamaria de Éguas, Cadelas e Gatas FRANCISCO LEYDSON F. FEITOSA Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes EDUARDO HARRY BIRGEL Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino ALICIO MARTINS JÚNIOR FRANCISCO LEYDSON F. FEITOSA
  • 2. Semiologia do Sistema ReprodutorFeminino CARLOS PRESTES ILUSTRAÇÕES: Médica Veterinária Diane Hama Sassaki ANATOMIA GERAL BÁSICA O sistema reprodutivo das fêmeas constitui-sc de ovários, ovidutos, cornos e corpo uterino, cerviz, vagina, vestíbulo c vulva. As estruturas internas são sustentadas pelo ligamento largo: mesovário que sustenta o ovário; mesossalpinge que ancora o oviduto e o mesométrio que mantém o útero. Nervos autónomos inervam o ovário, o oviduto e o útero, enquanto as fibras sensitivas e parassimpáticas do nervo pudendo atendem a vagina, vulva e clitóris. Embriologicamente, os duetos de Múller fundem-se na porção caudal para originar o útero, cerviz e a porção anterior do canal vaginal. O oviduto torna-se sinuoso, adqui- rindo epitélio diferenciado e fímbrias pouco antes do nascimento. As medidas dos ovários variam corn a idade, raça, número de partos, estado nutricional e fase do ciclo reprodutivo. Na vaca e na ovelha, têm forma de azeitona; na porca, parecem cachos de uva e, na égua, têm aspecto de rim, contendo a fossa de ovulação. Nas gatas, os ovários têm o tamanho e a forma lembrando um grão de arroz, parcialmente cobertos por uma bursa c, nas cadelas, o tamanho varia na dependên- cia do ciclo estral, localizando-se próximo aos rins, sendo recobertos pela gordura periovárica. Desempenham dupla função, liberando os oócitos e promovendo a estcroidogênese. As tubas ou ovidutos podem ser divididos em quatro segmentos funcionais: as fímbrias, o infundíbulo, a ampola e o istmo, vasculari- zadas por ramos das artérias uterinas e ovarianas. Apresentam funções singulares de conduzir o óvulo e os espermatozóides em direções opostas e, simultaneamente, permitir a fertilização e as primeiras clivagens e conduzir os embriões ao útero. O útero é composto por dois cornos, um corpo curto e uma cerviz, também denominada de colo, com forma, comprimento e diâmetro variáveis de espécie para espécie. As paredes são constituídas por uma mucosa interna, uma camada muscular lisa intermediária e uma sero- sa externa (peritôneo), inervados por ramos simpáticos dos plexos uterino e pélvico. Os vasos sanguíneos são numerosos, espessos e sinuosos, representados principalmente pela artéria uterina média, um ramo da artéria ilíaca interna ou externa que supre o órgão e aumenta muito de diâmetro durante a gestação, permitindo-se palpar e sentir o frémito nos grandes animais gestantes mediante manipulação por via retal.
  • 3. 336 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico O endométrio uterino é revestido por célulasepiteliais com típica função secretória e glândulassinuosas e ramificadas. O volume e a composiçãodo fluido uterino variam durante as fases do cicloreprodutivo e apresentam as funções de permitircondições para a capacitação espermática e forne-cer subsídios nutritivos ao embrião (blastocisto) atéque se complete a implantação/placentação. O útero apresenta ampla capacidade de dis-tenção, permitindo a gestação; contrai-se forte-mente no momento do parto, facilitando a expul-são dos produtos e involui rapidamente no puer-pério, garantindo a depuração do órgão, preparan-do-se para nova prenhez. A cerviz (Quadro 8.1) caracteriza-se pela es-pessa parede ligando o fundo vaginal ao corpo doútero, contendo saliências anelares na vaca e pe-quenos ruminantes, anéis em "saca-rolha" na por-ca, anel único com dobras de mucosa e protrusãona égua e textura firme nas cadelas e gatas. Per-manece firmemente fechada, exceto durante o cio,e apresenta um muco (tampão cervical) que éexpelido pela vagina, constituído de macromolé-culas de mucina de origem epitelial. O espaço vaginal é uma estrutura tubular decomprimento variável, constituída de superfícieepitelial, uma fina camada muscular que lhe per-mite os movimentos de contração e de uma serosa. Figura 8.1 - Ilustração esquemática do aparelho reprodutor daApresenta odor sui generis para cada espécie animal, vaca, vista dorsal. Vulva, vestíbulo e conduto vaginal abertos,é um forte atrativo sexual, lubrificada por secreções permitindo a visualização da cerviz, clitóris e meato urinárioda própria parede vaginal, produtos de glândulas externo.sebáceas e sudoríparas, muco cervical, fluido endo-metrial tubárico e células esfoliativas. Essa capaci-dade de descamação epitelial permite observação etipificação celular características de cada momento SINAIS E/OU SINTOMAShormonal do ciclo estral, na maioria das espécies REVELADORES DE PROBLEMASdomésticas. É o órgão copulatório e via fetal moleno momento do parto, apresentando pH e flora DO SISTEMA REPRODUTORmicrobiológica típica. Na porção ventral do vestí-bulo, abre-se o meato urinário externo. FEMININO O genital feminino exterior é composto pela A fisiopatologia da reprodução dos animais do-vulva, glândulas vestibulares e pelo clitóris. Embo- mésticos é um capítulo muito rico e altamentera não faça parte do aparelho reprodutor, a região estudado. Os sinais e sintomas são exibidos iso-perineal tem enorme importância nos animais do- ladamente ou envolvendo outros sistemas orgâ-mésticos, pois eventuais defeitos de conformação nicos. Deve ser lembrada a estacionalidade re-acarretam posicionamento anómalo da vulva, refle- produtiva dos equídeos e de algumas raças detindo-se no desempenho reprodutivo do animal (Figs. pequenos ruminantes. De forma geral, a refe-8.1 a 8.6). rência do proprietário ou a observação do técni- co detectam as seguintes anormalidades: anestro prolongado, ciclos irregulares, ninfomania, estros Quadro 8.1 - Funções da cerviz. curtos, comportamento masculinizado, defeitos 1. Facilitar o transporte espermático. anatómicos da genitália externa, aumento de vo- 2. Atuar como reservatório de espermatozóides. lume no períneo ou projeções anormais exterio- 3. Agir na seleção de espermatozóides viáveis. rizadas pela vulva, distensão abdominal, dor, con-
  • 4. Semiologia do Sistema Reprodutor Feminino 337 CE a gestação, subinvolução dos sítios placcntários (cães). Outras secreções vaginais incluem corrimento verde escuro (puerpério inicial em cães), secreção marrom fétida (morte com de- OD composição fetal), secreção serossanguinolen- ta, secreção purulenta (infecções), secreção mar- rom ou enegrecida (mumificação fetal). Cuida- do especial deve ser dado às hemorragias via vagina nos grandes animais, decorrentes de varizes vaginais ou lacerações e rupturas extensas dos órgãos genitais. Distúrbios locais e aqueles de ordem metabólica podem influenciar sobre- Vá maneira as manifestações do aparelho reprodutor feminino. Polidipsia e poliúria são sinais mais relatados nos casos de piometra em pequenos animais. O material básico necessário para o exame do -MUE aparelho reprodutor compreende: Luva plástica descartável. Lubrificante (não utilizar óleo vegetal). Água e sabão ou detergente neutro. Papel toalha. Faixa ou plástico para forrar a cauda.Figura 8.2 - Representação do aparelho reprodutor da vaca. CE = Solução fisiológica.corno uterino esquerdo; CD = corno uterino direito; OE = Especulo metálico ou descartável compatível.ovário esquerdo; OD = ovário direito; CO = corpo do útero; C Bandeja metálica estéril.= cerviz; Vá = vagina; Vê = vestíbulo; MUE = meato urinárioexterno; CL = clitóris; Vu = vulva; T = tuba. Pinça de biopsia uterina. Aparelho para coleta de amostra para micro- biológico.trações e esforços expulsivos, crostas aderidas na Escovas para coleta citológica.cauda c períneo, corrimento vaginal sanguino- Lanterna.lento (fazer o diagnóstico diferencial com proestro Meios para transporte e fixação das amostras.e estro em cães), folículo ovariano persistente, Seringas.tumores ovarianos produtores de estrógeno, tu- Pipetas. Álcool.mor venéreo transmissível (cães), cistite, laceraçãovaginal, metrorragia, coagulopatias, corpo estra- Fósforo.nho vaginal, descolamento placentário durante Solução anti-séptica. Sacro Órgão genitalFigura 8.3 - Disposição anatómica do reto e do femininoaparelho reprodutor da vaca em relação aos ossos Fémurrekicos. Vista lateral direita.
  • 5. 338 Semiologia Veterinária: A Arte do DiagnósticoVestíbulo Figura 8.4 - Vista lateral direita e a relação anatómica do aparelho reprodutor da vaca com relação ao reto e bexiga, Vagina Cerviz excluindo-se a representação Corpo Corno uterino óssea. uterino Ovário direito esquerdo Corno uterino direitoFigura 8.5 - Representaçãoesquemática da disposição anatómicado aparelho reprodutor da égua. R =reto; Vê = vestíbulo vaginal; MUE =meato urinário externo; Vá = vagina;C = cerviz; Co = corpo uterino; CD= corno direito; CE = cornoesquerdo; OD = ovário direito; U =uretra; B = bexiga urinária; L =ligamento largo. MUE Figura 8.6 - Representação anatómica do aparelho reprodutor da porca. Observar a sinuosidade dos cornos uterinos e a aparência dos ovários lembrando cacho de uva. CL = clitóris; Vu = vulva; Vê = vestíbulo; MUE = meato urinário externo; Vá = vagina; C = cerviz "em saca rolha"; Co = corpo uterino; CE = corno uterino esquerdo; CD = corno uterino direito; T = tuba; OD = ovário direito; OE = ovário esquerdo. Vu
  • 6. Semiologia do Sistema Reprodutor Feminino 339 Tabela 8.1 - Resumo da sequência do exame clínico do aparelho reprodutor feminino. Identificação ou resenha - Raça, espécie, idade, eventuais particularidades Anamnese - Primípara, plurípara Exame físico - - Condição nutricional Geral - Corrimento - Coloração de mucosas, linfonodos, - Parâmetros vitais: temperatura corporal, frequência cardíaca, frequência respiratória, frequência dos ruídos ruminais - Específico - Distensão e tensão abdominal - Forma e dilatação da vulva - Aumentos de volume, cicatrizes - Exame retal Exames complementares - Dosagem hormonal, exames microbiológicos e sorológicos, exames citológico e histológicoFigura 8.7 - Esquema ilustrativo da disposição anatómica doaparelho reprodutor da porca na cavidade abdominal.Figura 8.8-Vista posterior de égua contida em tronco metálico. Figura 8.9 - Vista posterior de vaca contida em tronco. OObservar a posição do ânus, vulva e hipertrofia de clitóris. animal apresenta prolapso cervicovaginal pós-parto normal.
  • 7. 340 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Figura 8.13 - Útero de cadela com acúmulo de pus piometra.Figura 8.10 - Prolapso parcial de vagina em vaca. Figura 8.14 - Tumor no corpo do útero, provocando bloqueio mecânico do parto.Figura 8.11 - Laceração perineal de 39 grau em égua ocorrida nomomento do parto. Nota-se a entrada do reto. Parte do espaçovaginal e ruptura completa do períneo e esfíncter anal. PROTOCOLO DE EXAME - GINECOLÓGICO E OBSTÉTRICO Identificação. Espécie, raça, nome, número, tatua- gem, registro, idade, peso, eventuais particulari- dades (Tabela 8.1). Anamnese. Pode ser inquiridora ou espontâ- nea, procurando resgatar todo o histórico repro- dutivo do animal. Anotar todas as observações do proprietário, tratador ou responsável e atentar para a alimentação, manejo sanitário, medidas preven- tivas, utilização de drogas medicamentosas e a situação dos outros animais do grupo ou rebanho. Tirar conclusões ou negligenciar alguns aspectos, nesse momento, não é recomendável. Exame geral. Temperatura retal, linfonodos, pele e anexos, mucosas, exame convencional dos gran-Figura 8.12 - Prolapso parcial de útero em cadela pós-parto. des sistemas e da glândula mamaria (inspeção, palpação e eventual análise da secreção). Atentar
  • 8. Semiologia do Sistema Reprodutor Feminino 341 para o estado nutricional e eventuais distúrbios Exame Retal em Grandes Animais circulatórios (edema localizado ou difuso). Exame específico externo. Baseia-se principal- O examinador deve estar convenientementemente na inspeção e na palpação externa. Avaliar trajado com bota, avental ou macacão, luva com-a distensão e a tensão abdominal, sinais de movi- prida e utilizar lubrificante durante a limpeza domentos fetais ou contrações musculares e de tim- reto e manipulação sobre os órgãos internos. Aspanismo. Examinar a região perineal, vulva, cau- unhas devem ser aparadas e os animais devida-da c glândula mamaria, verificando o edema e a mente contidos em troncos, para evitar acidentes.quantidade, qualidade, odor e cor da secreção O conhecimento de anatomia e fisiologia é essen-vaginal. Observar atentamente a posição, forma, cial para o reconhecimento das estruturas, paragrau de dilatação e relaxamento da vulva e liga- diferenciar útero vazio do gestante e a condiçãomentos sacroisquiáticos. Aumentos de volume, normal do estado patológico (Figs. 8.15 e 8.16).cicatrizes, prolapsos e lesões devem ser criterio- Por convenção clássica, a espessura do úterosamente anotados. Inspecionar os ossos pélvicos. da vaca vai de El (l dedo) até EVI, em que é Embora a glândula mamaria mereça um exa- impossível delimitá-lo manualmente.me semiológico especial, a inspeção externa deve Para simetria:se ater ao tamanho, à forma do úbere e dos tetos,pele, coloração e observação de nodosidades. A • S = simétrico (ambos os cornos).palpação auxilia sobremaneira as conclusões. • AS = assimétricos. Exame específico interno. Nos animais em • AS+++ = corno direito maior que o esquerdo.trabalho de parto, o exame obstétrico interno • + AS = corno esquerdo ligeiramente maiorespecífico, quando necessário, deve ser realizado ao oposto.por via vaginal com manipulação direta comluva, nos grandes animais, e pelo toque digital, GI = relaxado.nos pequenos animais, após prévia higienização doperíneo do animal, dos braços do operador e do ma- Gontraçãoterial necessário e sob intensa lubrificação. Nos CII = contratilidade média.pequenos ruminantes e na porca, esse procedi- CHI = fortemente contraído.mento deve ser cuidadoso e sob intensa lubrifi-cação, devido ao seu tamanho e riscos de lacera- A exploração retal deve atingir a cerviz, o úteroções e ruptura uterina (ver Figs. 8.7 a 8.14). e os ovários. A localização ovariana em geral não Observar: apresenta dificuldades e o tamanho do órgão depende da idade, da raça dos animais, da esta- a) vias fetais: abertura e grau de lubrificação; ção do ano (éguas), da fase do ciclo estral e de b) bolsas fetais: ruptura, cor, odor e quantidade eventuais situações patológicas, principalmente dos líquidos; os cistos e os tumores. c) feto: viabilidade, tamanho e apresentação, Fundamentalmente, dedilhando o ovário, busca- posição e atitude. se verificar a presença de folículos, de corpo lúteo ou aumentos de volume anómalos que, aliados a Para um exame ginecológico rotineiro, empre- outros achados, nos auxiliam no diagnóstico.gado fundamentalmente para animais não gestan- Com o advento e uso da ultra-sonografia emtes, sadios ou com problemas reprodutivos e para larga escala, a mensuração do ovário e de cadaanimais prenhes em situações especiais, inclui-se folículo ficou fácil e altamente fidedigna, permi-a palpação via retal para equinos e bovinos, a pal- tindo o estudo do comportamento ovariano, me-pação abdominal para médios e pequenos animais lhorando a acuidade de observação e dos méto-e a vaginoscopia. Nos suínos, ovinos, caprinos egrandes cães ou animais obesos, a manipulação do dos diagnósticos.abdome é difícil, comprometendo, em algumas cir- Para a consistência dos folículos ovarianos,cunstâncias, o diagnóstico. utiliza-se a classificação: Exames complementares como o Raio X, aultra-sonografia, a endoscopia, a dosagem hormo- 1 - sem flutuação;nal, os exames hematológicos e bioquímicos po- 2 — flutuação débil;dem ser ferramentas essenciais. 3 — flutuação média; 4 - folículo maduro; 5 - folículo rompido (ovulação).
  • 9. 342 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico í* Figura 8.15 - Corte esquemático simulando a palpação do trato reprodutivo da vaca por via retal no local correspondente à cerviz.Figura 8.16 - (A) Vista cranio-caudal da palpação cervical davaca por via retal. Essa é a forma deempunhar a cerviz para ainseminação artificial e nos tra-tamentos de infusão uterina. (B)Vista craniocaudal da palpação porvia retal do corno uterino direito.Notar a assimetria entre os cornos,compatível com gestação inicial. Quadro 8.2 - Convenção adotada para tamanho baixo, evitando o ingresso de líquido. Secar a vulva comparativo do ovário de grandes animais. e períneo com papel toalha. Os exames manuais são executados ao parto ou em situações que não E = ervilha N = noz n F = feijão G = ovo de galinha Q-cro" podem ser identificadas visualmente. Nos cães, A = avelã Pa = ovo de pata D utiliza-se o toque digital munido de luva, espe- Q. P = ovo de pomba Ga = ovo de gansa O cialmente para palpar possíveis tumores vaginais. Com o animal devidamente contido, o especulo é introduzido no vestíbulo, afastando-se manualmente os lábios vulvares e, com suaveExame Vaginal movimento circulatório, o tubo é introduzido obedecendo-se à curvatura dorsocranial da vagi- Previamente à vaginoscopia, o técnico deve na. Para as éguas, utiliza-se o especulo tubularrealizar o exame retal, preparar o material neces- ou o tipo Polanski, que permite a visualização desário, promover a bandagem da cauda, dispor o todo o trajeto vaginal. Se necessário, lubrifica-seanimal lateral ou dorsalmente, higienizar o períneo o equipamento com solução fisiológica estéril. Nase lábios vulvares e, eventualmente, nos animais cadelas, especules tubulares metálicos, plásticos,com grande quantidade de pêlo ou lã, aparar o de acrílico ou o tipo bico de pato são empregadosnecessário para permitir um exame limpo, evitan- rotineiramente. Nessa espécie, a visualização dado-se a introdução de material contaminante no cerviz é dificultada ou impossibilitada pelas inú-espaço vaginal. Quando a lavagem for imposta, a meras dobras da mucosa vaginal. As gatas, de formaágua deve ser aspergida sem pressão, de cima para geral, não aceitam os exames vaginais.
  • 10. Semiologia do Sistema Reprodutor Feminino 343 Em poucos segundos, utilizando-se boa ilu- • Grau de umidade - cerviz/vaginaminação, é possível a realização da vaginoscopia, — I = seca.descrevendo-se no prontuário todas as observações. — II = ligeiramente úmida. A presença de fezes caracteriza as fístulas - III = umidade média.retovaginais e lacerações perineais graves; a urina - IV = muito úmida.no fundo vaginal denuncia graves lesões do meato - V = coleção de muco.urinário externo e prega transversa; a presença demuito ar (pneumovagina) significa que a coaptação • Característica do muco - cerviz/vaginados lábios vulvares é imperfeita. Deve-se qualificar - Cl = claro.e quantificar a secreção c atentar para aderências, - Sá = sanguinolento.cicatrizes, defeitos anatómicos, aumentos de volu- — MP = muco purulento.me, forma e posição da cerviz. Alguns animais sen- - P = purulento.tem ligeiro desconforto ao exame pelo ingresso dear na vagina ou abertura exagerada do especulo. Para a vaca, adota-se a seguinte convençãoclássica: Diagnóstico de Gestação O diagnóstico de gestação deve ser realizado • Forma da cerviz o mais prccoccmente possível para orientar o criador, - C = cónica. racionalizar serviços, aumentar a eficiência • R = roseta. reprodutiva e produtiva e adotar procedimentos - E = espalhada. de manejo (ver Figs. 8.17 a 8.20). Com a utilização - P = pendular. da ultra-sonografia é possível detectar a gestação aos 30 dias nos pequenos ruminantes, aos 24 dias • Abertura cervical nos bovinos, aos 12 a 15 dias nas éguas e entre 18 - O = fechada. a 20 dias nos pequenos animais, de maneira - l = abertura mínima. - 2 = diâmetro de lápis. fidedigna. E possível, inclusive, determinar o sexo -3 = 1 dedo. do filhote a partir da visualização do tubérculo genital -4 = 2 dedos. pela ultra-sonografia cm muitas espécies animais, -5 = 3 dedos. em diferentes períodos gestacionais. Devemos lembrar, contudo, que equipamen- • Coloração da mucosa = cerviz/vagina tos não substituem os métodos semiológicos e a - A = anêmica. capacidade profissional do médico veterinário. - B = pálida. A porca é o animal mais difícil para se detec- - C = hiperêmica. tar a gestação manualmente, tanto pela palpação - D-E = vermelho patológico. abdominal quanto pela palpação rctal, quando Corno uterino Corno uterino direito esquerdoFigura 8.17 - (A) Corte esquemático do abdome de cadela, representando adisposição do útero gestante. (B) Útero de cadela compatível com 30 dias degestação. Três vesículas fetais no corno esquerdo e quatro no corno direito. (C)Corte esquemático do corno uterino gestante. Observa-se a disposição dos fetose a placenta do tipo zonária. Corpo uterino Cerviz Placenta
  • 11. zonáriaSecção
  • 12. 344 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Corno uterino Alantocório Saco amniótico Amnio Alantóide Placenta zonária seccionada Cordão umbilical Figura 8.19 - Palpação abdominal do feto de cadela no período médio e final da gestação. Pela suave compressão manual,Figura 8.18 - Cadela em final de gestação colocada em decúbito percebe-se partes do feto e de seus movimentos. Notar alateral para exame. Observar o aumento típico do volume das disposição do feto, dos envoltórios, cordão umbilical eglândulas mamarias e a posição das mãos do examinador placenta zonária.efetuando a palpação abdominal. Posicionamento ideal para aexecução da ausculta do batimento cardíaco do feto e a ultra-sonografia. Fase assintomática: a persistência do corpo lúteo e o não retorno ao cio 21 dias após aapresentar tamanho compatível. O mais forte cobertura ou inseminação induzem a suporindicativo da gestação nessa espécie é o não re- uma gestação.torno ao cio, após a cobertura natural ou insemi- Pequena bolsa inicial: 5a e 6a semanas. Ape-nação artificial. Aparelho ultra-sonográfico adap- nas profissionais experientes conseguem umtável ao braço do operador já está sendo utiliza- diagnóstico seguro nessa fase. Pequena bolsado, aumentando a eficiência diagnostica. Outros característica: 7- e 8a semanas. A presença demétodos são demorados ou antieconômicos. corpo lúteo, assimetria uterina e Para pequenos ruminantes, a palpação do ab-dome é pouco eficaz. Para pequenos animais, dó-ceis, de abdome flácido e sem obesidade, a palpa-ção abdominal em decúbito lateral, utilizando-se asmãos dispostas, uma de cada lado do abdome, per-mite contornar as vesículas fetais a partir de 25 a 30dias da prenhez, com segurança diagnostica. O RaioX é empregado entre 40 e 45 dias, pois a calcifica-ção esquelética permite quantificar o número defilhotes. O ultra-som constitui-se em método alta-mente seguro e pouco invasivo, sendo excelente paraa observação da viabilidade fetal. O uso do estetoscópio possibilita a auscultado batimento cardíaco dos produtos, a qual se ca-racteriza pelo alto ritmo. Para bovinos e equinos, a palpação retal éamplamente utilizada, sendo um método seguro e Figura 8.20 - Peça anatómica do útero de ovelha gestante (70económico no diagnóstico da gestação. Nos bovi- dias). Notar o alantocório que constitui a porção fetal danos, o período de gestação é assim caracterizado: placenta cotiledonária.
  • 13. Semiologia do Sistema Reprodutor Feminino 345 nítida duplicidade de parede permite diagnós- • Fase de descida: 20a e 24a semanas. Devido ao tico eficaz. peso, o útero aloja-se na porção mais baixa Grande bolsa inicial: 9a e 10a semanas. A assi- do abdome. Diagnósticos erróneos podem metria pronunciada, conteúdo flutuante, "pro- acontecer. Tracionar a cerviz e perceber o peso, va de beliscamento positivo" e feto de 7 a palpar o frémito da artéria uterina média. lOcm garantem diagnóstico definitivo. • Fase final: 24- a 40a semanas. A palpação do Grande bolsa característica: 11a a 14§ semana. útero aumentado, placentomas e partes do pro Fase de balão: 14a e 19a semanas. Os placen- duto facilitam o diagnóstico. tomas são claramente palpáveis; percebe-se o pulso da artéria uterina média e o útero com A palpação retal na espécie equina deve ser efe- tamanho de bola de futebol. tuada com extremo cuidado e sob intensa lubrifica-Figura 8.21 - Representação esquemática da evolução da gestação (3, 4, 7 e 9 meses) em vaca. Notar a disposição do útero gravídicoem relação ao rúmen (R). P = placentoma.
  • 14. 346 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticocão, com o braço protegido por luva para evitar lace- Durante o cio, o útero está relaxado e os ováriosrações ou perfurações do intestino (Figs. 8.21 a 8.23). aumentam de volume, devido ao crescimentoO útero da égua tem forma de ípsilon c os ovários folicular. Todo o órgão deve ser examinado comsão maiores que os da vaca e de forma e tamanho a mão disposta "em concha", partindo-se de umvariáveis, na dependência do ciclo ou estacionalidade ovário, corno, corpo, corno e ovário contralateral.reprodutiva. A maioria das raças apresenta atividade Até a 4- ou 5a semana após a cobertura, o diagnós-reprodutiva nos dias longos, de maior luminosidade. tico de gestação manual não é fácil e seguro, a Figura 8.22 - Representação es- quemática da gestação inicial da égua. Observar o aumento de volume de tamanho compatível a uma bola de ténis (E) próximo ao corpo do útero (Co) - aproximadamente 30 dias após a fecundação. CD = corno uterino direito; CE = corno uterino esquerdo; OD = ovário direito; OE = ovário esquerdo; VA = vagina; VÊ = vestíbulo. Figura 8.23 - Corte esquemático ilustrativo da evolução da gestação na égua (120, 210 e 300 dias da prenhez). Notar a disposição do âmnio, alantóide e cordão umbilical e o posicionamento particular adotado pelo feto equino no interior do útero.
  • 15. Semiologia do Sistema Reprodutor Feminino 347 Quadro 8.3 - Duração media da gestação em cultivo e antibiograma do material e por testes animais (em dias). sorológicos, principalmente nos casos de infecções Vacas 273 a 296 graves, não responsivas ao tratamento, episódios Éguas 327 a 357 de abortamento e partos prematuros, visando a saúde Ovelhas 140 a 155 animal e a saúde pública. Para a coleta da amostra, Porcas 111 a 116 é necessário o máximo de assepsia. Existem no Cabras 148 a 156 Cadelas mercado equipamentos reutilizáveis e descartáveis, 60 a 63 Catas 56 a 65 destinados principalmente aos grandes animais, para a coleta dessas amostras, incluindo meios especiais para o transporte até o laboratório. Pode ser colhi- do material de cada segmento do sistema repro-menos que seja confirmada pela ultra-sonografia. dutor feminino.Nas fases iniciais da prenhez, o embrião se mo- O antibiograma indicará a sensibilidade ouvimenta pelos cornos uterinos, tem rápida para- resistência bacteriana ao princípio da droga, fun-da no corpo do útero para implantar-se perma- damentando a terapia a ser imposta.nentemente em um dos cornos, aumentado pro-gressivamente pela presença dos líquidos fetais.Aos 2 a 3 meses, detecta-se uma vesícula do ta-manho de uma "bola de futebol de salão". Aos 4 Exame Citológico e Histológicoa 5 meses, toca-se pelo reto as porções do feto, a A característica descamativa do epitélio vagi-parede do útero é fina, com flutuação c o liga- nal, acompanhando as mudanças hormonais do ciclomento uterino fica tenso, devido ao peso do ór- estral, fizeram do esfregaço vaginal um excelentegão. A partir da metade da gestação, não há maio- complemento diagnóstico. A colpocitologia tornou-res dificuldades para o diagnóstico de gestação se rotineira nos exames ginecológicos dos carnívo-nessa espécie. ros, equinos e bovinos, sendo empregada em menor escala nas outras espécies animais. As células são obtidas com o uso de cotonete, escova ginecológi-EXAMES COMPLEMENTARES ca ou lavado vaginal com auxílio de especulo, depositadas em lâmina (esfregaço), fixadas e cora-Dosagem Hormonal das tricome ou diff-quick® para exame ao micros- cópio óptico. As dosagens hormonais podem ser realizadas As citologias cervical e uterina são utilizadasno soro, no plasma e, em situações especiais, no cm equinos e bovinos. A análise da morfologialeite, urina e fezes, sendo eficientes como método celular, muco, leucócitos e bactérias, auxiliam nocomplementar de diagnóstico de um estado fisio- diagnóstico da fase do ciclo reprodutivo e forne-lógico ou distúrbios cndócrinos. O material cole- cem fortes indícios dos processos inflamatórios etado, devidamente acondicionado, identificado e tumorais.preservado, deverá ser encaminhado a laboratórios Fragmentos de tecido vaginal e uterino po-específicos, obedecendo-se protocolos rígidos de dem ser facilmente obtidos, particularmente nostempo e transporte, a fim de evitar resultados er- grandes animais, com pinça de biopsia específi-róneos. Existem na literatura especializada valo- ca para análise histopatológica, fixados em solu-res de referência para os principais hormônios li- ção de Bouin para transporte ao laboratóriogados à reprodução dos animais domésticos. O processador da amostra. Constitui-se em exameresultado emitido deve sempre ser associado aos complementar mais demorado, porém indispen-achados clínicos para estabelecer as suspeitas diag- sável em determinadas patologias.nosticas e apresentar validade confiável. Atualmente, a citologia aspirativa com agulha fina como método auxiliar de diagnóstico é ampla- mente utilizada. Constitui-se em exame simples e se-Exames Microbiológicos e guro de coleta de amostras em lesões sólidas ou fluidas no corpo do animal, tornando-se um com-Sorológicos plemento ao exame ginecológico. Por ser uma téc- Quando houver suspeita de processo infeccioso nica rápida e de baixo custo, pode ser utilizada durante uma cirurgia, auxiliando o técnico nasou inespecífico, a confirmação deverá ser feita pelo
  • 16. 348 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticocondutas emergenciais, podendo ser executada PRESTES, N.C., LANGONI, H., CORDEIRO, L.A.V. Estudoem estruturas não visíveis, guiando-se a agulha do leite de éguas sadias ou portadoras de mastitecom o ultra-som. assintomática, pelo teste de Whiteside, análise microbio- A amniocentese, rotineiramente empregada lógica e contagem de células somáticas. Braz-ilian Journalna espécie humana para exames bioquímicos, ofVeterinary Research and Animal Science, v.36, n.3, p.2-8, 1999.citogenéticos e análise da viabilidade e maturi- COUT1NIIO DA SILVA, M.A., ALVARENGA, M.A.,dade fetal, não é utilizada em Medicina Veteri- CARNEVALE, E.M. Diagnosis of fungai endometritisnária pela dificuldade de coleta das amostras, em in mares: efficacy of citology, histology and stain.virtude do tamanho, localização anatómica do útero Proceedings ofSocietyfor Theriogenology, San António, Texas,gestante, disposição dos anexos e líquidos fetais USA, p. 171, 2000.e pelo risco do procedimento. ALVARENGA, F.C.L., BICUDO, S.D., PRESTES, N.C. et O aparelho de endoscopia tem sido utilizado ai. Diagnóstico ultra-sonográfico de piometra em cade-em exames ginecológicos, permitindo a visuali- las. Braz. J. Vet. Rés. Anim. Sei., v.32, n.2, p. 105-8, 1995.zação interna da vagina e do útero e, quando in- TONIOLLO, G.H., VICENTE, W.R.R. Manual deserido pela parede abdominal, observa-se a por- obstetrícia veterinária, l.ed., São Paulo: Editora Varela,ção serosa dos órgãos e os ovários. p. 124, 1993. MEIRA, C., FERREIRA, J.C.P., PAPA, F.O. et ai. Study of the estrous cycle in donkeys (Kyuus asinus) using ultrasonography and plasma progesterone concentrations.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Biol. Reprod. Mono., v.l, p.403-10, 1995. MEIRA, C., FERREIRA, J.C.P., PAPA, F.O., HENRY, M.HAFEZ, E.S.E. Anatomia funcional da reprodução femini- Ultrasonographic evaluation of the conceptus from days na. In: HAFEZ, E.S.E. Reprodução Animal. 6.ed., cap.I. 10 of 60 of prcgnancy in Jennies. Theriogenology, v.49, São Paulo: Editora Manolc, p.32-69, 1993. p.1475-82, 1998.GRUNERT, E., GREGORY, R.M. Semiologia do aparelho JANIS, R.M., GONZALEZ, M.S. Contribuição da ultra- genital feminino. In: GRUNERT, E., GREGORY, R.M. sonografia e radiologia na avaliação diagnostica da cavi- Diagnóstico e Terapêutica da Infertilidade na Vaca. l .ed., cap.ll. dade abdominal em pequenos animais. Revista Clínica Porto Alegre: Editora Sulina, p.33-51, 1984. Veterinária, v. 10, p.36-7, 1997.HARVEY, M. Conditions of the non-pregnant fcmale. In: ETTINGER, S.J., FELDMAN, E.C. Textbook ofVeterinary SIMPSOM, G.M., ENGLAND, G.C.W., HARVEY, M. Internai Medicine, 4.ed., v.l. Philadclphia, London, Toronto, Manual of Small Animal Reproduction and Neonatology. Montreal, Sydney, Tokyo. W.B. Saunders Company, 1995. Chapter Four. United Kingdom, British Small Animal 1081p. Vet. Association, 1998, pp.35-51. SARTORI FILHO, R., PRESTES, N.C., COELHO, K. I.ROCHA, N.S., RAHAL, S.G., SCHMITT, E, Dl SANTI, F. Yolk sac remnant in a mini-pony foal. Equine Practice, G.W. Citologia aspirativa por agulha fina como método v.19, n.4, p.24-7, 1997. auxiliar durante a cirurgia. Revista Cães e Gatos, v.98, p.22- PRESTES, N.C., VULCANO, L.C., MAMPR1M, MJ., OBA, 23, 2001. E. Níveis séricos no momento da cobertura de T 3, T4 ePRESTES, N.C., ALVARENGA, M.A., BANDARRA, E.R, progestcrona em cabras da raça Saanen, durante o cio SUZANO, S.M.C., CRUZ, M.L. Tumor ovariano das normal e induzido e de tcstosterona em 12 machos uti- células da granulosa em vaca Simental. Revista de Educação lizados como reprodutores. Vet. e Zoot., São Paulo, v.8, Continuada, v.4, fase.l, p.28-32, 2001. p.15-26, 1996.LOPES, M.D. Técnicas de reprodução assistida em pequenos PRESTES, N.C., LOPES, M.D., BICUDO, S.D. et ai. animais. Revista de Educação Continuada, v.4, fase. l, p.33- Piometra canina: aspectos clínicos, laboratoriais e radio- 9, 2001. lógicos. Semina, v.12, n.l, p.53-6, 1991.PRESTES, N.C., CHALHOUB, M.C.L., LOPES, M.D., SARTORI FILHO, R., PRESTES, N.C., THOMAZINI, TAKAHIRA, R.K. Amniocentesis and biochemical I.A. et ai. Use of fibrin glue derived from snake venom evaluation of amniotic fluid in ewes at 70,100 and 145 days in testicular biopsy of rams. J. Venom. Anim. Toxins, v.4, of prcgnancy. Small Ruminant Research, v.39, p.277-81,2001. p.24-8, 1998.PRESTES, N.C. O parto distócico c as principais emergên- GINTHER, O.J. Equine pregnancy: physical interactions cias obstétricas em equinos. Revista de Educação between the uterus and conceptus. Proceedings of the Continuada, v.3, fasc.2, p.40-6, 2000. annual convention of the american association of equine practitioners. Baltimore, Maryland, v.44, p.73-104, 1998.
  • 17. Semiologia da Glândula Mamaria deÉguas, Cadelas e Gatas •FRANCISCO LEYDSON F. FEITOSA INTRODUÇÃO Os animais que pertencem à classe dos mamíferos são caracterizados pelo corpo basicamente coberto por pêlos c amamentam suas crias pelo uso de estruturas denominadas glândulas mamarias. A capacidade dos mamíferos de alimentar as suas crias por meio da secreção das glându- las mamarias durante a primeira parte da vida após o parto proporci- ona a esses animais a perspectiva da sobrevivência. O desenvolvimento dos dentes coincide com a necessidade de consumir outros alimentos além do leite. Secreção do Leite As funções do organismo são reguladas por dois sistemas de con- trole: o nervoso e o hormonal. Esses dois sistemas são chamados de sistema neuroendócrino. De maneira geral, as respostas rápidas são controladas pelo sistema ner- voso e, as lentas, como o processo de crescimento, reprodução, meta- bolismo, entre outras, são coordenadas pelo sistema endócrino. Exis- te, muitas vezes, uma inter-relação entre os dois sistemas: ora os hor- mônios agem sobre o sistema nervoso, ora o sistema endócrino é es- timulado ou inibido pelos mensageiros químicos liberados pelo siste- ma nervoso. Embora o desenvolvimento da glândula mamaria comece com o início da puberdade, ela se mantém pouco desenvolvida até que ocor- ra a gestação. A secreção de leite frequentemente começa durante a última parte da gestação, em virtude do aumento dos níveis de pro- lactina, e resulta na formação do colostro. O leite é formado nas célu- las mioepiteliais. A lactação, entretanto, não pode ocorrer até que a gestação chegue ao seu final. Um dos hormônios da neuro-hipófisc de interesse primordial na lactação é a ocitocina. A descida do leite em animais sadios deve-se à ação da ocitocina, liberada por via reflexa do lóbulo posterior da hipófise, depois que o estímulo da ordenha ou da mamada tenha sido desencadeado. O estímulo tátil ou da amamenta- ção resulta na transmissão de um impulso nervoso pelo nervo inguinal até a medula espinhal e cerebelo. O hipotálamo determina a liberação
  • 18. 350 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticode ocitocina, que segue por ramos das veias ju- cies quanto à sua aparência e à quantidade rela-gulares até o coração e de lá é levada para todas tiva dos componentes secretados. A cadela temas partes do corpo através da aorta, chegando às quatro a cinco glândulas mamarias em cada ladoglândulas pelas artérias pudendas externas, o que da linha média, que se estendem desde a regiãoestimula a contração das células miocpiteliais que ventral do tórax até a região inguinal. Cada tetaenvolvem os alvéolos e promove o relaxamento pode possuir até 20 aberturas distintas, cada umado esfíncter do orifício das tetas, forçando assim correspondendo a um sistema específico de glân-a ejeção do leite. dulas. De acordo com a sua localização anatómi- Segundo o número de glândulas mamarias, ca, elas são denominadas torácica cranial e cau-os animais domésticos podem ser classificados cm: dal, abdominal cranial e caudal e, por fim, inguinal (Figura 8.24). Cerca da metade das cadelas não • Dimásticos:caprinos, ovinos e equinos (até duas). possui um dos pares da glândula abdominal cra- • P o limas ticos: bovinos (4), carnívoros (6 a 10), nial. As gatas apresentam quatro pares de glân- onívoros (10 a 14). dulas mamarias e a sua nomenclatura é similar à usada para cadelas. As éguas possuem um par de A glândula mamaria, assim como as glându- glândulas mamarias. Cada glândula mamaria é di-las sudoríparas e sebáceas, é uma glândula cutâ- vidida por cápsulas fibroelásticas que originam doisnea. Embora seja basicamente similar em todos ou, ocasionalmente, três lobos mamários. Cada loboos mamíferos, há amplas variações entre as espé- possui uma cisterna e um orifício de teta próprios e separados. Dessa forma, cada teta pode possuir de duas a três aberturas. Antes do exame físico da glândula mamaria, é importante que algumas informações sejam conhe- cidas, tais como espécie, raça, nome, número, ta- tuagem, registro, idade, peso c eventuais particu-Figura 8.24 - Glândulas mamarias em laridades. A anamnese pode ser inquiridora ou es-cadelas. 1 = torácica cranial; 2 = torácica pontânea, procurando resgatar todo o históricocaudal; 3 = abdominal cranial; 4 = reprodutivo do animal. Deve-sc, inicialmente:abdominal caudal; 5 = inguinal. • Perguntar quantos partos a fêmea já teve: - Nulípara: nunca pariu. — Primtpara: um trabalho de parto. - Plurípara: vários trabalhos de parto. • Perguntar se os partos foram normais ou distócicos (parto difícil, laborioso). • Cirurgias anteriores ou exames realizados (ovariectomia, biópsia, por exemplo). • Aparecimento e duração dos sinais clínicos. • Se usa ou usou anticoncepcionais. • Tratamentos realizados e evolução. Exame Físico EspecíficoFigura 8.25 - Neoplasia mamaria em cadelas. O exame físico das glândulas mamarias das cadelas, gatas e éguas inicia-se com a inspeção do paciente, na tentativa de observar a coloração da pele, a presença de lesões, secreções, o número e o tamanho das glândulas mamarias e das tetas. A cor da glândula mamaria varia com a raça da cadela c da gata e depende do número de melanócitos, como também do número, do tama- nho e da disposição dos grânulos de melanina
  • 19. Semiologia da Glândula Mamaria de Éguas, Cadelas e Gatas 351dentro dos melanócitos. A pele da cadela e das armazenado. Tal acúmulo é considerado normalgatas apresenta-se, usualmente, marrom-clara (pale na gestação avançada e na lactação. Durante ata n) mas pode ter manchas acinzentadas ou ene- lactação, na pseudocicsc ou falsa gestação e, àsgrecidas. A pele da glândula mamaria das éguas vezes, logo após o parto, esse acúmulo pode au-é invariavelmente escura. O aumento de volume mentar a ponto das mamas tornarem-se extrema-fisiológico das mamas ocorre geralmente nos ca- mente quentes e sensíveis à palpação. Kgalactorrétasos de gestação avançada, por acúmulo de colos- diz respeito à lactação não associada a prenhez,tro, e é mantido durante a lactação. Causas de au- sendo o indício mais comum de pseudociese.mento anormal de tamanho incluem infecção Ocorre como resultado da secreção aumentada de(mamite), abscessos e neoplasia. Qualquer aumento prolactina, em virtude do declínio da progcstcro-de volume é mais bem avaliado com a realização na sérica associada ao final do diestro. Em felinos, asimultânea da palpação, já que se pode dife- hiperplasia mamaria caracteriza-se por rápido cres-renciar um processo inflamatório e/ou infeccioso cimento anormal de tecido. É mais comum emde um outro neoplásico. A palpação é mais bem gatas jovens e o seu aspecto lembra uma neopla-realizada em cadelas e gatas colocando o animal sia mamaria, sendo necessária uma avaliação his-em decúbito lateral (Fig. 8.26), devendo iniciar- tológica para se fazer o diagnóstico diferencial entrese das glândulas "aparentemente" sadias para as ambas. Na grande maioria das vezes é indolor à"visivelmente" alteradas. Todos os pares de glân- palpação. A mamite ou mastite c o processo infla-dulas devem ser palpados. A palpação da glândula matório da glândula mamaria, em grande parte,mamaria de éguas é feita com o clínico posicio- de origem infecciosa. É caracterizada por aumentonado lateralmente ao animal (a uma certa distân- de volume, elevação da temperatura local e dor acentuada à palpação. A mastite não é comum emcia da mama e, obviamente, dos membros poste- cadelas e gatas; quando ocorre, é provavelmenteriores), com uma das mãos no dorso do animal e como sequela de danos traumáticos prévios. Oestendendo o braço da outra mão na direção da quadro está associado à história de parto recentemama. Por exemplo, se o exame for feito pelo (entre uma e três semanas) e abandono dos filho-lado esquerdo, a mão esquerda é posicionada sobre tes pela mãe. Na maioria das vezes, acomete apenaso dorso, enquanto a mão direita é colocada no flanco uma ou duas glândulas e, com maior frequência,e movimentada lentamente em direção à glân- as de localização abdominal e inguinal, por se-dula mamaria. rem mais produtivas. No entanto, na forma agu- A ausência total de secreção láctea é deno- da, particularmente quando se desenvolve logominada de agalaxia; já a galactostasia é o acúmulo após o parto, é comum observar o comprometi-e cstasc de leite caracterizado por glândulas fir- mento de várias mamas. Os microorganismos maismes, quentes e edemaciadas. O leite é produzi- frequentemente isolados são estreptococos e es-do mais rápido do que pode ser comodamente tafilococos que, na fase aguda, tendem a causar, respectivamente, inflamação supurativa e necro- sante. A avaliação física geral do animal é impor- tante e revelará elevação da temperatura corpo- ral, taquicardia e taquipnéia. A forma crónica pode estar associada a cistos mamários (galactocele) que resultam da obstrução dos duetos acinares. Os processos inflamatórios da glândula mamaria são mais dolorosos ao manuseio que as neoplasias. O leite, ao exame citológico, mostra-se, em geral, purulento ou hemorrágico, com neutrófilos de- generados. O plano diagnóstico também deve incluir cultivo bacteriano e antibiograma do leite alterado. Um outro processo que altera a estrutura da glân- dula mamaria é a neoplasia. De todos os animais domésticos, a cadela é o que apresenta maior inci- dência de tumores. A neoplasia do tecido mamárioFigura 8.26 - Palpação das glândulas mamarias de cadeia. é uma entidade patológica comum em cadelas comIlustração: Médica Veterinária Diane Hama Sassaki
  • 20. 352 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticomais de cinco anos de idade e corresponde, aproxi- inguinais e axilares deve ser considerado para que semadamente, à metade de todos os tumores na ca- possa detectar eventuais metástases. O plano diagnós-dela. Embora sejam menos prevalentes em gatas, tico deve incluir exames radiográficos da região torácicaainda constituem o terceiro tumor mais comum em para verificar se há metástase pulmonar. Ainda exis-felinos. O tamanho é extremamente variável: de tem controvérsias entre os autores consultados sobrealguns milímetros a vários centímetros de diâme- as vantagens e as desvantagens de se proceder a biópsiatro. Em muitos casos, a condição está presente durante cirúrgica ou aspirativa (com agulha fina) para o diag-vários anos como um nódulo pequeno, semelhante nóstico cito e histopatológico na tentativa de elucidara um grão de ervilha, que tende a passar desaperce- o tipo de tumor.bido tanto pelo proprietário como pelo veterinário,até que, de repente, aumenta rapidamente de ta-manho. Esse aumento está, geralmente, associado BIBLIOGRAFIAao estímulo do estro, e o rápido crescimento neo-plásico coincide, muitas vezes, com o desenvolvi- CUNNINGHAM, J.G. Tratado de Fisiologia Veterinária. 2.ed.,mento de lesões metastásicas que se espalham, por Editora Guanabara Koogan, 1999, p.528. HARDY,via linfática, aos nódulos linfáticos locais ou pelo R.M. General physical examination of the caninesistema cardiovascular para fígado e pulmões. A in- patient. Veterinary Clinics of North America: Small Animalcidência de tumores mamários é relativamente baixa Practice. v.ll, n.3, p.453-67, 1981. KELLY, W.R.em cadelas castradas antes da manifestação do pri- Diagnóstico Clínico Veterinário. 3.cd. Rio de Janeiro: Interamericana. 1986. p.364. NELSON, R.W.,meiro cio, mas aumenta progressivamente a partir COUTO, C.G. Fundamentos de Medicinado segundo cio nos animais não operados. Os pro- Interna de Pequenos Animais. Rio de Janeiro: Guanabaraprietários quase sempre identificam os tumores ma- Koogan, p.465-501, 1992. RADOSTITS, O.M., JOEmários nos animais, meses antes de recorrerem aos MAYHEW, I.G., HOUSTON,cuidados veterinários, e geralmente relatam que ti- D.M. Veterinary Clinicai Examination andDiagnosis. W. B.veram dois ou mais cios. O tamanho dos linfonodos Saunders, 2000. p.771.
  • 21. Semiologia da GlândulaMamaria de Ruminantes EDUARDO HARRY BIRGEL INTRODUÇÃ O Em vista da utilização da produção gerada pela glândula mamaria dos ruminantes na alimentação humana, revestem-se os estudos de se- miologia desse órgão de grande interesse clínico e académico. Pois baseados nos resultados do exame clínico do úbere, será tomada uma série de medidas para manutenção da produção e para que a matéria- prima seja adequada para o consumo do leite in natura ou haja elabo- ração de laticínios de excelente qualidade. A participação do médico veterinário especializado em clínica de bovinos, ou seja, dos buiatras, é fundamental e indispensável na ca- deia produtiva de leite c seus produtos manufaturados, desde a pro- dução até o consumo, isto é, do balde das fazendas às mesas dos con- sumidores. Pode-se afirmar, sem medo de erro ou supervalorização da atuação do buiatra, que ele é o elo principal dessa cadeia produtiva, pois tanto os erros como o não-atendimento das recomendações feitas pelo profissional bem formado são, em geral, fontes de irreparáveis perdas económicas, falhas na produção higiénica do leite e produtos lácteos sem a necessária qualidade tecnológica e frequentemente causariam desarranjo no sistema de manejo e criação dos animais produtores de leite. Tais possibilidades tornam necessário o aprimoramento do buiatra, em todas as áreas de sua atuação: o atendimento da criação dos bovi- nos (manejo e alimentação); a saúde animal (clínicas médica e cirúr- gica, como também das doenças infectocontagiosas e parasitárias ou relacionadas à reprodução - ginecologia c obstetrícia). Além do mais, o buiatra deve ter uma formação que permita não só a recuperação da saúde dos bovinos produtores de leite mas, e principalmente, manter a saúde dos animais e o nível de produção do rebanho, pois as medi- das profiláticas de teor clínico-epidcmiológico só podem ser adequa- damente implantadas cm um rebanho após o perfeito diagnóstico dos males que acometem os indivíduos que os constituem. Em contrapar- tida, caso as decisões do clínico veterinário estejam certas, baseadas numa excelente formação profissional, c sendo suas recomendações acatadas pelo pecuarista, com certeza o rebanho terá boa produtivida- de e o plantei será constituído por indivíduos sadios. Nessas considerações iniciais, creio ter ficado claro e explicitado de forma definitiva ser fundamental para a saúde e produção do reba-
  • 22. 354 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticonho a perfeita formação do clínico, que dará aten- sejam obrigados a vender esse produto agrope-dimento à criação e à saúde dos animais; desse cuário primário por valores aviltantes. Além doprofissional exigem-se conhecimentos básicos de mais, os clínicos veterinários, de modo geral, e oanatomia e fisiologia, alicerçando sua formação em buiatra, em particular, devem aperfeiçoar seuClínica Veterinária, com perfeito conhecimento conhecimento numa área à qual geralmente sede suas especializações em medicina veterinária dá pouca importância: a relação custo/benefício.interna e externa, patologia das doenças infecto- Para tanto, esse profissional deve conhecer as des-contagiosas e parasitárias, bem como da reprodu- pesas que comportam as técnicas que utilizará noção. Associam-se a tais especialidades fortes co- diagnóstico (necessidade de saber diagnosticar);nhecimentos de criação, manejo e alimentação saber o custo e a duração dos tratamentos reco-animal. Ressalte-se, por sua significativa impor- mendados (pleno conhecimento das normas te-tância, que todas essas áreas do conhecimento têm rapêuticas e capacidade de prognosticar e avaliarum fundamento ordenador e condutor de atitu- a evolução das doenças); bem como ter plena cons-des e decisões: a Semiologia ou Propedêutica Vete- ciência do valor do animal e de sua produção. Essarinária. Essa ciência, por razões epistemológicas, gama de conhecimentos fundamentais para a boapor si só se define (pró + pedeutica = ensinar an- formação profissional do clínico veterinário, es-tes; e semion + logus = estudo dos sintomas ou ma- pecialmente do buiatra, servirá para demonstrar,nifestações) e, assim, poder-se-ia conceituar Se- de forma incontestável, sua atuação na produçãomiologia como conjunto de conhecimentos ne- animal com produtividade, garantindo o lucro docessários e introdutórios para o ensino de uma pecuarista e demonstrando sua real participaçãociência maior. Por tal razão, a semiologia poderia na melhoria da produtividade dos rebanhos.ser considerada uma ciência pré-profissionalizante Para tanto, o clínico deve se colocar ao ladocujo ensinamento prepararia a formação do vete- do pecuarista, pois as corporações - Laboratóriosrinário para o perfeito treinamento em uma ciên- de Pr odutos Far macêuticos, Cooperativascia maior (considerada sua aplicação e uso na saúde Agropecuárias e Indústrias de Laticínios - sabemanimal), a Clínica Veterinária em suas mais varia- se defender ou possuem equipe de técnicos quedas especializações. consegue manter em seu poder a maior parte da Pelo exposto, fica claro que a semiologia lucratividade. O clínico veterinário deve se posi-veterinária é a ciência e arte do exame clínico dos cionar a respeito e talvez assim se consiga manteranimais doentes ou daqueles que não alcançaram nos Estados mais desenvolvidos cultural, técnicaadequadamente a perspectiva de sua produção, e economicamente uma pecuária leiteira de escoldentro dos limites de seu potencial genético e das — para desativar o sistema adrede preparado paranormas regionais de criação, manejo e alimenta- desestruturação dos excelentes planteis de vacasção. Além do mais, o ensino da semiologia ou leiteiras, ainda criados em regiões periféricas daspropedêutica veterinária teria ainda a função de grandes cidades. Desse modo, poderíamos teralertar ou preparar o buiatra para as demandas da farta oferta de leite integral, estabilizado ousociedade, particularmente das populações rurais homogeneizado e pasteurizado nas própriase dos pecuaristas, relacionando saúde animal com fazendas - leite de excelente qualidade higiénicaos fatorcs económicos, enfatizando a produtivi- e nutritiva - com o tradicional, mas já esquecido,dade e seu custo, como também correlacionando, sabor de leite; ao invés disso, a conjunturade forma direta, saúde e produção animal com económica dominante nos oferece e obrigasaúde pública - atuando no controle das zoonoses consumir um "leite aguado" do qual se tirou tudo,ou na inspeção sanitária e tecnologia de produtos mas que é de longa duração, com sabor que nemlácteos. Assim, ter-se-ia a possibilidade de a in- de leve lembra o sabor e agradável aroma do leitedústria de laticínios oferecer leite higienicamente puro. Leite que, empacotado, viaja mais de milproduzido, o que resultaria em produtos de ex- quilómetros para chegar à mesa do consumidor,celente qualidade. como salienta a propaganda do produto - que No caso específico da produção leiteira, o esquece de dizer o que se perdeu cm termos declínico veterinário com a ideal formação em se- matéria-prima neste percurso. Talvez por isso,miologia deve propugnar para que a produção de como falsa compensação, a esse leite transforma-leite seja consumida pela população com preços do adiciona-se inúmeras e desnecessárias subs-aceitáveis para seu poder aquisitivo, mas não tâncias — vitaminas, minerais, aminoácidos etc. Epermitindo que os criadores de bovinos leiteiros o consumidor, por comodismo, compra esse pró-
  • 23. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 355duto contemptível c, em consequência, são ideais de higiene; b) apenas o leite higiénicodesativados inúmeros laticínios das pequenas e permite a produção de laticínios de excelentemédias cidades, encerrando a atividade de vários qualidade, obedecendo a um adágio profissionalplanteis produtores de leite, com a consequente - "nenhuma tecnologia que manipula ou indus-diminuição da atividade autónoma dos buiatras. trializa produtos de origem animal melhora aAssim, cabe ao clínico a responsabilidade de pro- qualidade da matéria-prima; quando essa técnicapagar e divulgar as qualidades do leite pasteuri- for de excelente nível, apenas não altera a quali-zado e integral, aceitando apenas sua homo- dade e propriedades primitivas do produto"; c) ageneização e ao desejo do consumidor para dimi- criação de ruminantes leiteiros saudáveis e anuir seu teor de gordura. Pois, dessa forma, atuará dedicação dos criadores na produção de leite hi-eficientemente na defesa da saúde pública ao giénico resultam em maior produção e melhoresoferecer e recomendar o consumo de matéria-prima resultados económicos, além de cfetiva partici-fundamental para boa alimentação e nutrição das pação no equacionamento da Saúde Pública.populações, em detrimento de produtos indus- Leite anti-higiênico. Representa a antítese dotrializados e sem as desejadas qualidades. leite que, em condições ideais, deveria ser distri- Por tais razões, associadas à necessidade de buído para ser consumido pelas populações.diferenciar as características fisiológicas do leite, Quanto às suas qualidades, esse tipo de leitedaqueles anormais por condições patológicas es- poderia variar de sofrível a péssimo. Essa gradação,pecíficas da mama ou por razões de produção após avaliação sanitária competente, recomenda-leiteira em condições não higiénicas, iniciaremos rá o uso do produto: consumo, industrialização ouesse capítulo de semiologia da glândula mamaria descarte, por serem inadequadas as duas possibi-diferenciando conceitualmente leite mamitoso do lidades anteriores. Qualquer que seja o nível deleite produzido em condições anti-higiênicas. Pois qualificação do leite anti-higiênico, um fato é in- contestável: ele foi produzido, manipulado e/oudessa diferenciação dependerá, em muitas circuns- industrializado em condições higiênico-sanitáriastâncias, o diagnóstico nosológico da enfermidade inadequadas e indesejáveis. Houve falha na criação,da glândula mamaria. no manejo da ordenha c na conservação pre- liminar do leite c as condições sanitárias do reba- nho deveriam ser reavaliadas por um clínico ve-Características Higiênico- terinário competente.organolépticas do Leite Leite mamitoso. Essa designação serve para caracterizar as amostras de leite obtidas de ani- Para a liberação do leite produzido em planteis mais leiteiros acometidos por uma das formasde bovinos e caprinos para o consumo humano, clínicas de mamites, isto é, no caso particular dasele deverá apresentar características organolépticas considerações desse trabalho, de vacas e cabrassmgeneris e ser gerado, manipulado, manufatura- acometidas por um processo inflamatório dasdo e/ou industrializado, da produção ao consumo, estruturas anatómicas do úbere - todos passíveisem condições higiênico-sanitárias ideais. Dentro de um adequado diagnóstico clínico.desse conceito pode-se afirmar a existência de trêstipos de leite: higiénico, anti-higiênico e mamitoso. Inter-relação entre Leite Leite higiénico. É aquele produzido em condi- Higiénico e Leite Mamitosoções ideais, por vacas e cabras saudáveis, subme-tidas a manejos adequados de criação e alimenta- A correlação entre esses dois tipos de leite éção, bem como com cuidados especiais no siste- imediata, pois o leite mamitoso nunca poderá serma de ordenha e conservação do leite produzido considerado higienicamente produzido. Além do(cuidados higiénicos nos momentos que antece- mais, quando ele é adicionado e misturado a outrasdem e sucedem a ordenha e adequada tecnologia quantidades de leite higiénico, alterará a quali-da ordenha - manual ou mecânica). Pelo expos- dade e a constituição da mistura homogeneizada,to, o conceito de leite higiénico está entre os tornando, na maioria das vezes, esse leite deobjetivos da Saúde Pública e da Produção Eco- mistura inadequado para o consumo in natura ounómica de Alimentos de Origem Animal, pois: a) para a produção de excelentes laticínios. Entre-a população deve receber, para consumo, leite in tanto, apesar da correlação ser imediata, para onatura, produzido e industrializado em condições leite mamitoso, que sempre deve ser considerado
  • 24. 356 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticoum leite não produzido em condições higiénicas tão definitivamente estabelecidos, neste epítomeideais, o leite de produção anti-higiênica nem sem- apresentaremos as dúvidas existentes e faremospre é ou deve ser considerado leite mamitoso. as recomendações consideradas mais pertinentesExistem, como se deduz, diferenças fundamen- para o clínico no exercício de sua profissão.tais, evidentes e facilmente diagnosticáveis por As enfermidades da glândula mamaria sãominucioso exame semiológico entre os dois tipos responsáveis por enormes perdas económicas e,de leite considerados. mesmo não sendo uma das características da ciên- cia brasileira a exatidão das estatísticas vitais, já na década de 1950, Renato Lopes Leão1, presidenteConhecimentos Prévios da Sociedade Paulista de Medicina Veterinária, afirmara que entre 20 e 40% dos efetivos dos re-Necessários para Estudos banhos leiteiros sofriam, constantemente, deSemiológicos da Glândula mamites e que, nos Estados Unidos, essa doença fora considerada inimiga n2 l da produção leiteira.Mamaria Paradoxalmente, a ciência e as técnicas veteriná- O ensino da Semiologia, em geral ou em um rias evoluíram de forma marcante, mas, ainda hoje,órgão ou sistema orgânico específico dos animais do- esses números se repetem e dá-se às mamites omésticos, deve preparar os clínicos veterinários para mesmo destaque. Assim sendo, na evolução daresponderem quatro questões fundamentais (Onde?, postura deste capítulo, ficará claro que as técnicas eO quê?, Por que? e Como?). Os compêndios de Se- manobras de semiotécnica, clínica propedêuticamiologia ou Propedêutica Clínica devem apresen- e patologia médica da glândula mamaria visaram atar, em seus capítulos, um preâmbulo sumarizado e preparar o estudante e o médico veterinário paraobjetivo da anatomia topo-descritiva, da fisiologia que possam dar excelente atendimento às búfalasou fisiopatologia e, quando pertinente, de anato- ou vacas acometidas por uma forma clínica demia patológica - principalmente patologia médica mamite (as demais doenças da mama, apesar dedos temas em questão, detalhando ao final as con- sua importância e significado em patologia e pro-siderações de scmiotécnica e de clínica propedêu- dução animal, serão consideradas fatores etiológi-tica. Assim, as questões preestabelecidas serão ade- cos predisponentes às mamites).quadamente respondidas: Onde examinar?, pela re- A melhor colocação e situação do ensino dacapitulação objetiva de anatomia descritiva e topo- semiologia e/ou patologia da glândula mamaria égráfica; O que examinar*., pelo destaque dos conhe- um assunto que ainda não foi definitivamentecimentos fundamentais da fisiologia nos animais elucidado. Para alguns tratadistas clássicos da Me-sadios e pelas informações de fisiopatologia para ana- dicina Veterinária, comoSisson &Grossman (1953),lisar a função de órgãos ou sistemas comprometidos Lesbories (1955), Leinati (1955) e Fincher (1956),por alguma enfermidade; Por que examinará, o co- o estudo da glândula mamaria far-se-ia em con-nhecimento de patologia médica dos males que afli- junto ou como item anexo aos estudos do apare-gem os animais orientam o clínico - alertado pelo lho genital, quer seja em seus aspectos morfoló-proprietário do paciente sobre a necessidade de ser gicos, fisiológicos, semiológicos e patológicos. Essessubmetido a exame clínico (obedecendo aos mo- autores associaram a glândula mamaria ao apare-dernos conceitos da Semiologia Veterinária, o ani- lho genital feminino, pois sua função estaria in-mal que não alcançar o nível programado de produ- timamente relacionada à gestação e ao parto, es-ção - no caso, de leite, deve ser submetido a tando, ainda, a indução e a manutenção da lacta-elucidativo exame clínico) e; finalmente, Como exa- ção diretamente ligadas aos hormônios da esferaminar., fulcro da Semiologia Veterinária - arte e ciên- sexual. Além do mais, a secreção láctea será uti-cia do exame clínico dos animais. Portanto, esse úl- lizada na alimentação do rebento das matrizes pro-timo item será o objetivo especial deste capítulo. dutoras de leite ou de carne. Outros autores, des- tacando os histologistas, estudam a glândula ma- maria em conjunto, no capítulo sobre "Semiolo- gia da pele"; finalmente, alguns como Kolb (1980),SÚMULA DA MORFOLOGIA DA em seu tratado sobre "Fisiologia Veterinária", deuGLÂNDULA MAMARIA destaque à fisiologia da glândula mamaria, atri- buindo-lhe um capítulo independente e isolado,Apesar de aparentemente se julgar que os estu- como se faz na presente publicação.dos básicos e estáticos da glândula mamaria es-
  • 25. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 357 Mas para Costa & Chaves (1949), o ensino da lado o teto, consequentemente ocorrendo a ere-histologia da glândula mamaria deveria ser incluí- ção do teto, o que facilita a ordenha (ver Fig. 8.29).do no capítulo dedicado ao estudo da pele e ane- Ductus papillarís. O canal do teto é curto exos, em face de sua origem embrionária na crista irregular, mais estreito em sua extremidade dis-mamaria do espessamento epiblástico. Além do tai. O orifício do teto tem inúmeras particulari-mais, destacaram que, segundo conceitos histoló- dades anatómicas que impedem a penetração dasgicos, o órgão, que habitualmente é designado por bactérias na cisterna do teto. O epitélio escamo-glândula mamaria, deveria ser considerado como so de dupla camada do sinus papillarís pode so-um aglomerado de glândulas elementares e não frer estratificações por estresse da ordenha ou porcomo um órgão unitário. Essas glândulas elemen- reação a lesões de diferentes origens, determinandotares, histomorfologicamente, podem ser classifi- o desenvolvimento de tecido fibroso cicatricial,cadas como tubuloacinosas compostas com tipo com projeções para o lume da cisterna, podendosecretório holomerócrino ou apócrino, separadas por até obstruí-la.abundante tecido conjuntivo (ver Figs. 8.27 e 8.28). Sinus lactiferous. A cisterna da glândula mamaria Ressalte-se, entretanto, que outros autores de tem volume de variada magnitude, na dependên-compêndios especialistas em morfofisiologia: cia da constituição racial, podendo ser uma cavi-anatomistas (Sisson & Grossman, 1953), histologistas dade simples e ampla ou subdividir-se por pregas(Maximow & Bloom, 1952, Junqueira & Carnei- e membranas, constituindo, então, múltiplas cavi-ro, 1982) e fisiologistas (Kolb, 1980) consideram a dades. O epitélio de revestimento também é for-estrutura da glândula mamaria como tubuloalveolar. mado por células dispostas em duas camadas. As diferentes estruturas da glândula mama- Na cisterna da glândula, abrem-se entre 8 eria apresentam inúmeras configurações histoló- 12 duetos galactóforos, que provêm do parênqui-gicas que merecem destaque e serão detalhadasa seguir. Tetos. A parede das papilas da glândula mama-ria dos bovinos é delgada e sua epiderme é des-provida de pêlos e de glândulas; entretanto, inter-namente tem um plexo vascular que se preenchede sangue, aumentando a pressão quando estimu- Figura 8.28 - Célula secretora da glândula mamaria: re- presentação esquemática da imagem em microscopia ele-trônica.Figura 8.27 - Estrutura de um ácino da glândula mamaria: 1 = gotículas de gordura com resquícios celulares; 2 = glóbulosrepresentação esquemática. A = artéria; B = célula mioepi-telial; de gordura; 3 = grânulos de proteína; 4 = microvilosidades;C = capilares; D = células secretoras; E = duto galac-tóforo 5 = junções celulares; 6. mitocôndrias; 7 = ribossomos; 8 = retículoterminal; F = fibras musculares; C = duto galactó-foro endoplasmático; 9 = células mioepiteliais; 10 = membrana basal;interlobular. 11 = núcleo celular.
  • 26. 358 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico BC do, nos casos mais graves, observar-se a atrofia e endurecimento da glândula. Na regressão do parênquima glandular pós- lactação, reduz-se o número de alvéolos/ácinos, permanecendo apenas o sistema galactóforo e lóbulos de tecido adiposo. Todavia, algumas es- truturas secretoras permanecem, porém perdem, nessas oportunidades, a capacidade secretora e eventualmente retornam em atividade na próxi- ma lactação, produzindo colostro. Condição nor- mal e fisiológica das vacas leiteiras é a de produ- zirem mais leite na segunda lactação que na pri- meira, pois um maior número de unidades secre- toras entra cm atividade. O potencial máximo de produção láctea será alcançado, em termos médios, f na 5a ou 6a lactação.Figura 8.29 - Esquema do arcabouço da mama. A = lóbulo eácinos glandulares (aumentados); B = veia; C = artéria; D = Anatomia da Glândula Mamarialobos glandulares; E = cortes de ácinos; F = células secretoras; G= membrana basal e vasos sanguíneos; H = células secretoras e A glândula mamaria dos bovinos ainda seráglóbulos de gordura; l e J = capilares; K = circulação sanguínea considerada neste item do capítulo como padrãodo teto. de referência, mencionando especificações em outras espécies animais, se estas se fizerem ne-ma glandular. Esses duetos são mantidos em cessárias. Na escala zoológica, os animais mamíferos,posição pelo tecido conjuntivo que forma o estroma ou seja, aqueles incluídos na classe Mammalia,da glândula, revestidos internamente por epité-lio de dupla camada celular e circundados por difercnciam-se pelo tipo e características de suasmusculatura lisa e tecido conjuntivo elástico sem, glândulas mamarias, órgãos secretores fundamen-entretanto, formar uma estrutura de esfíncter. tais para o desenvolvimento dos recém-nascidos Sistema ácino-lobular ou alvéolo-tubular. O te- em diferentes estágios de maturidade. Nessacido secretor constitui a maior parte do parênquima evolução zoológica, existem variados tipos deglandular, que se divide em lobos, formado por mamas e maneiras dos lactentes mamarem ou se alimentarem da secreção das fêmeas lactantes. Essavários lóbulos. Os duetos interlobulares permeiamo tecido conjuntivo do estroma entre lóbulos glan- variação compreende tanto as glândulas mama-dulares, dando origem aos duetos intralobularcs, rias mais complexas vistas nos mamíferos supe- riores quanto as formas mais primitivas e rudi-que atingem os duetos terminais e os ácinos/al-véolos secretores. Os ácinos, para alguns mentares de glândulas mamarias, descritas nos ma-histologistas ou os alvéolos, segundo outros, apre- míferos da ordem Monotremata, cujos génerossentam apenas uma camada de células cúbicas, Ormthorhynchus e Rquidna (Tachyglossus aculeatus] botam ovos. Esses ovos são colocados numa bol-que se achatam sob a ação do aumento da pres-são do leite secretado. O tecido conjuntivo do sa diferente daquela dos marsupiais, onde um parestroma da glândula entre alvéolos/ácinos contí- de glândulas mamarias com cerca de 120 tubos galactóforos abrem-se, separadamente, na base deguos é frouxo na glândula sadia com lactação emcondições normais. Ressalta-se que, nesse tecido longos pêlos mamários que, umedecidos, alimen-conjuntivo, distribuem-se capilares sanguíneos, tarão os filhotes. Nessa evolução, passa-se porfibras reticulares e células mioepiteliais. Durante formas observadas em animais da subclassea involução da glândula mamaria, na fase pós- Metaterianos, mamíferos desprovidos de placen-lactação, ocorre retração do tecido glandular, sendo ta, onde se destaca a ordem Marsupia/ia, com des- taque à família Didephidae, com animais portado-por isso mais perceptível o estroma glandular nasvacas secas. Nos processos inflamatórios, o estroma res de bolsas (Marsupium). Esses animais nascemreage às ações irritantes com proliferação celular imaturos, mas com vivacidade suficiente para see formação de tecido fibroso cicatricial, poden- transferirem para a bolsa e se fixarem de forma
  • 27. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 359permanente ou não a um par de glândulas ma- mamarias, assim designadas: anteriores e poste-marias ali localizadas. riores direita e esquerda. Nos pequenos ruminan- O grau máximo de evolução c desenvolvimento tes, cabras e ovelhas, o úbere é constituído porda glândula mamaria é observado na ordem duas glândulas mamarias, usualmente designadasMammafía, cujas fêmeas geram seus rebentos no por metades - esquerda ou direita.útero, envoltos por uma placenta verdadeira. Es- Destaque-se que, frequentemente, se obser-ses animais podem ser classificados pelo número vam nas vacas e mais raramente nos demais rumi-de glândulas mamarias cm bimásticos oupo/imásficos, nantes domésticos glândulas mamarias ou tetostendo respectivamente um ou vários pares de glân- supranumerários ou acessórios. As quatro glându-dulas mamarias. Ainda em diferentes espécies de las mamarias das vacas, anatómica e funcionalmenteanimais mamíferos, é característica específica o local independentes, apresentam a separação entree a distribuição das glândulas mamarias: peitorais, quartos contralaterais, formada por lâmina de te-inguinais e na linha abdominotorácica. Tal distri- cido fibroelástico, constituindo o ligamento mé-buição é detalhada na Tabela 8.2. dio do órgão, responsável por sua fixação na linha branca abdominal. Não existe, entretanto, uma es-Anatomia da Glândula Mamaria dos Bovinos trutura anatómica definida separando os quartos anteriores dos posteriores (Figs. 8.29 e 8.36). Para o perfeito estabelecimento de normassemiológicas do exame clínico da glândula ma- Forma e Volume da Glândula Mamariamaria, c necessário, inicialmente, firmar o con-ceito do úbere, como recomendado por Cecililia A glândula mamaria dos animais domésticos(1956): nas vacas (também nas búfalas), o úbere apresenta particularidades anatómicas relaciona-é constituído por quatro glândulas mamarias (dois das à forma e tamanho que dependem de inúme-pares) independentes morfológica e funcionalmen- ros fatores, intrínsecos e extrínsecos, como: es-te, localizadas na região inguinal. Com essa con- pécie e raça animal, idade, constituição individualceituação, ficam claras e bem definidas as roti- e condições de manejo leiteiro, alimentação eneiras denominações que se referem a uma glân- criação, além das condições de sanidade do pró-dula mamaria, chamando-a de "quarto" - o ter- prio órgão. De modo geral, tomando como exem-mo refere-se a um quarto do úbere ou da mama, plo um animal de produção, pode-se dizer queconsiderando-a formada por quatro glândulas nos bovinos o úbere pesa entre 11 e 15 quilogra- Tabela 8.2 - Número e localização das glândulas mamarias em animais domésticos e selvagens.
  • 28. UJ Ol M i/i (í 3 <D 2 Tabela 8.3 - Características anatómicas da glândula mamaria dos animais domésticos. 5Earacterísticas Vaca Búfala Cabra "~~~~ — B|i|ii|i|P||i Porca Cadela Gata j a glândula mamánJH 4 CL O Número de glândulas 4 4 2 2 2 10-12 8-12 8 EU Forma da glândula Hemisférica Hemisférica Cónica Hemisférica Hemisférica Ovóide Ovóide Ovóide «a Forma do teto Cilíndrico Cónico Cónico Cilíndrico Cónico Carnoso Carnoso Carnoso Número de orifícios do teto 1 1 1 1 2 3 5-8 4-7 Número de duetos 5-20 — 6-9 6 — — — — galactóforos na cisterna da glândula Observações Produção Produção Produção Produção para as Cisterna da 2 glândulas Papila da Ausência de económica económica económica crias. Em algumas glândula abdominais e glândula em glândulas de leite de leite de leite regiões, produção dividida. 1-2 inguinais forma de inguinais económica de Produção mais desenvol- mamelão, leite para cria vidas. Produ- possuem ção para cria, auréola como com reflexo da nos primatas sucção (cada leitão tem seu teto para ,,i mamar)
  • 29. l
  • 30. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 363nal, em condições ideais, o órgão deve apresen-tar uma excelente estrutura para sua fixação naparede abdominal (Fig. 8.35). Essa condição é con- Ligamento médiosiderada fundamental para a criação e seleção das (Elástico)vacas leiteiras, pois a frouxidão dessa fixação fazcom que o úbere se aproxime do solo facilitandoa ocorrência de traumatismos (mama pêndula). Entre os ligamentos suspensores da glându-la mamaria dos bovinos, cabe destacar os seguin-tes (Fig. 8.36). Ligamento suspensor lateral da mama (Fig. 8.37).Esse ligamento tem origem no tendão subpélvico,projetando-se para as duas porções laterais do úbere.Nessa distribuição, subdivide-se em duas cama-das: a superficial e a profunda, que se unirão distal-mente ao ligamento médio. A constituição desseligamento é fibrosa. Ligamento lateral (Fibroso) Mama repleta de leite Figura 8.37 - Ligamentos suspensores da glândula mamaria: úbere com pequena quantidade de leite (tetos com posição simétrica e Púbis paralela); úbere repleto de leite (boa extensão do ligamento elástico medial) tetos simétricos com divergência, sem se aproximarem do solo. Ligamento médio. Esse ligamento formado por tecido conjuntivo elástico divide o úbere em duas porções: glândulas anterior e posterior direitas e glândulas mamarias anterior e posterior esquer- das. Esse ligamento se insere na linha branca do abdome e, por sua constituição elástica, permite o abaixamento da glândula mamaria, quando re- pleta de leite, mas por ação contrabalanceada com a dos ligamentos laterais, pouco extensíveis, ocor- re a maior divergência dos tetos, não permitindo suas aproximações do solo. Cordões conjuntivos. Esses cordões se locali- zam na superfície dorsal da mama, fixando-a à parede do abdome. Faseia superficial. Essa estrutura é formada pelo tecido conjuntivo que reveste as glândulas mama- rias e suportam o peso do úbere de forma difusa. Pele. Na realidade, a maior função da pele relaciona-se à proteção do parênquima glandular e à de recepção de estímulos; entretanto, não seFigura 8.36 - Implantação e suspensão da glândula mamaria da pode negar e menosprezar sua ação suspensora evaca. Corte transversal na 4 a vértebra sacral - vista posterior, a = 4- fixadora do úbere.vértebra sacral; b = intestino grosso - reto; c = vagina e vesículaurinária; d = músculo reto interno; e = bainha lateral dotendão subpélvico; f = músculo semimembranoso; g = glândula Estruturas Internas da Glândula Mamariamamaria posterior esquerda; h = bainha medial do tendão As estruturas anatómicas internas da glân-subpélvico. 1 = ligamento la teral da glândula mamaria dula mamaria serão detalhadas considerando-(fibroso); 2 = ligamento medial da glândula mamaria (elástico)(Fig. 8.37). se, como padrão de referência, a vaca, pois a maio-
  • 31. 364 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico ria das considerações se equivale nas várias es- pécies de animais domésticos. Quando houver necessidade, far-se-ão detalhamentos específicos (Figs. 8.38 e 8.39). Ductuspapillaris. O conduto do orifício do tetotem entre 5 e 13mm de comprimento. Seu epité-lio de revestimento é secretor de muco que con-tribui para o perfeito fechamento desse conduto,impedindo a penetração de bactérias para o inte-rior das cavidades da glândula. O diâmetro doconduto papilar é irregular, variando entre 0,40 e0,77mm, sendo esse dueto delineado por um con-junto de fibras musculares lisas, dispostas em sen-tido longitudinal e circundadas por feixes circula-res de músculo estriado, formando um verdadeiroesfíncter, cuja contração determina a hermética Figura 8.39 - Estruturas internas das cavidades da glândulaoclusão do ductus papillaris. Na porção proximal mamaria. (A) 1 = sinusgalactoforous; 2 = divisória das duasdo orifício do teto, que apresenta o maior diâme- cisternas, onde se abrem delicados lóbulos glandulares produtorestro, ocorre o pregueamento do epitélio de revesti- de leite; 3 = anel de Fúrstenberger (às vezes obstruídos por membrana fibrosa); 4 = localização da prega de Fúrstenberger; 5mento interno, formando a prega de Fúrstenberger = ductus papillaris e orifício externo do teto. (B) 5 = Detalheque, supostamente, atuaria como uma válvula, re- do ductus papillaris.forçando o fechamento do orifício. Sinuspapillaris. A cavidade ou cisterna do tetotem capacidade para conter de 30 a 40mL de leite, ou seja, o volume correspondente ao retirado por uma das pressões exercidas durante a ordenha. De modo geral, a forma do teto é cilíndrica, com capa- cidade de creção quando excitado; essa forma modifica-se segundo características da espécie (cónico nos zebuínos), das raças (menores no gado Jersey), da idade (maiores nas vacas mais velhas) e em condições anormais, consequentes a distúrbios constitucionais hereditários ou congénitos e adqui- ridos (tetos carnosos, longos, dilatados, etc.). Apesar do tecido epitelial de revestimento interno da cisterna do teto não formar longas pregas ou verdadeiras bolsas, há possibilidade de se encontrarem cristas epiteliais ou mesmo a formação de membranas, como ocorre em algumas circuns- tâncias na região divisória entre as cisternas do teto e da glândula (sinus galactoforous). A perma- nência dessa membrana impede, por obstrução, a descida do leite e o preenchimento da cisterna do teto. Tal evento é observado na primeira lacta- ção, quando pode ser diagnosticada, devendo então ser rompida, permitindo que a novilha recém- parida seja ordenhada. No espaço de separação das duas cisternas, observa-se a abertura de glândulas mamarias aces-Figura 8.38 - Estruturas anatómicas internas da glândulamamaria de vaca. Corte transversal. 1 = parênquima da glândula sórias, fazendo saliências no epitélio de revesti-mamaria; 2 = sinusgalactoforous;3 = sinuspapillaris; 4 = ductus mento. Nas vacas, essas observações se manifes-papillaris; 5 = seio - sulco intramamário; 6 = ligamento medial tam pela visualização de pequenas elevações do(fibroelástico); 7 = tecido adiposo; 8 = revestimento cutâneo. derma; porém, em vacas, as aberturas dessas glân- dulas acessórias se acompanham de grande quan-
  • 32. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 365 tidade de tecido secretor, podendo ser acometi- quartos direitos e quartos esquerdos. Ao penetra- das por processos inflamatórios infecciosos ou dar rem no úbere, as artérias passam a se denominar origem a cistos de retenção ou mesmo abscessos. artérias mamarias e se dividem em ramos craniais Nos processos inflamatórios do tecido epite- e caudais. Em seguida, esses ramos se subdividemlial de revestimento interno da cisterna do teto, inúmeras vezes, originando vasto sistema capilar,há intensa proliferação e crescimento exuberan- que atinge todas as estruturas anatómicas da glân-te de tecido fíbrocicatricial que, às vezes, atua como dula mamaria. Outra possibilidade de irrigação daválvula, dificultando a ordenha ou forma cordões mama é pela artéria perineal. A parede dos tetos,de espessamento de consistência firme passível de apesar de delgada, apresenta desenvolvido plexoser detectado por palpação (cisternite). vascular, formando anel ao redor do ponto de in- Sinas lactiferous. A denominada cisterna da glân- serção da base do teto na cisterna da glândula.dula ou do leite corresponde à cavidade dilatada, O sistema venoso forma um plexo na baseúnica ou múltipla, localizada acima e em contato do úbere - na faseia entre a glândula e a parededireto com a cavidade do teto. Pode conter entre abdominal, que deverá receber a maior parte do100 e 400mL de leite, na dependência da produção sangue circulante das quatro glândulas. Esse plexoláctea da vaca. Nessa cavidade, desembocam entre se estende anteriormente, dos dois lados nas veias8 e 12 ou, mais raramente, 20 condutos galactóforos, abdominais subcutâneas que emergem do pontoque veiculam o leite produzido nos alvéolos localizado na parede abdominal na base da mama,secretores. A partir da cavidade ou sinus galactoforo, e se dirige anteriormente para penetrar na cavi-os duetos principais se dicotomizam, formando uma dade torácica, em local próximo ao apêndice xi-verdadeira rede de túbulos galactóforos, finalizan- fóide do osso externo, transformando-se na veiado-se os duetos terminais nos alvéolos ou ácinos se- torácica interna para fixar-se na veia cava ante-cretores de leite. A estrutura anatómica dos duetos rior. Esse mesmo plexo circulatório se estende pos-galactoforous principais e secundários dá à glândula teriormente, formando outra via de circulação domamaria uma condição especial de preenchimento sangue venoso do úbere, representado pelas vei-e de reserva de leite produzido entre duas orde- as pudendas externas. Por esses vasos, o maiornhas: a glândula mamaria preenche, inicialmente, volume de sangue circulante do úbere deixa osuas porções dorsais, ou seja, os duetos que se loca- órgão, passando pelo canal inguinal, tendo traje-lizam próximo às unidades secretoras e, finalmen- to paralelo às artérias, convergindo para a veia cavate, as cisternas do teto e da glândula. anterior, pela veia ilíaca externa. Finalmente, o terceiro sistema venoso capaci- tado a circular o sangue venoso do úbere é repre-Circulação Sanguínea da Glândula Mamaria sentado pelas veias perineais. Extraordinariamen- Os bovinos especializados para a produção lei- te, em algumas vacas, é único para as duas metadesteira, para manterem essa produção, devem apre- do úbere. Essa veia se dirige em sentido dorsal e,sentar um sistema vascular desenvolvido e que sobre o ísquio, une-se à veia pudenda interna.permita intensa circulação nas várias porções cons- A distribuição do sistema vascular venoso dotituintes do úbere (Tabela 8.4). Para que uma vaca úbere, havendo um fluxo interno (veia pudendaproduza l litro de leite, deve receber no sistema externa e veia perineal) e outro externo (veia abdo-circulatório da mama aporte de 300 a 400 litros minal superficial), impossibilita a ocorrência dede sangue. Fisiologistas como Scheunert e cols. distúrbios circulatórios quando a vaca lactante se(1942) destacaram que a circulação sanguínea na deita por longo período sobre a mama e a veia abdominal superficial.mama é mais lenta que a observada na glândula Tanto o fluxo de circulação sanguínea como asalivar, sendo no úbere o sistema venoso mais de- pressão sanguínea do sistema vascular do úberesenvolvido que o arterial (50 a 100 vezes); assim, apresentam variações na dependência da ordenhateria pressão sanguínea menor - assemelhando- c da retenção de leite na mama: 1. a ordenha comse àquela dos grandes vasos da base do coração. retirada do leite acumulado, por mecanismo refle- O sangue arterial que irriga a glândula mama- xo, aumenta o fluxo sanguíneo nas glândulas ma-ria emana das artérias do tronco pudendo-epigás- marias; 2. o aumento da pressão intramamária portrico, procedente da artéria femoral. As artérias retenção do leite nas cisternas e duetos galactóforospudendas externas atravessam o anel inguinal e da mama determina aumento da pressão sanguí-cada uma se dirige para um dos lados do úbere - nea do sistema vascular (20 a 40mmHg).
  • 33. 366 Semiologia Veterinária: A Arte do DiagnósticoSistema Linfático do Úbere No ciclo secretor de leite, uma vaca de 550kg de peso vivo, produzindo 30L/dia de leite, com Nas vacas, o sistema linfático centraliza-se nos 3,7g% de gordura, 4,8g% de lactose e 3,3g% delinfonodos retromamários ou inguinais superfi- proteína total, tem uma necessidade energéticaciais, localizados na base dos quartos posteriores de 48.000Kcal* (Kolb, 1980).da mama. Na maioria das vezes são representa- As características físicas e organolépticas dodos por um par de linfonodos, em forma de dis- leite são dadas por sua constituição química. Aco, com cerca de 7cm de diâmetro; raramente, essas cor branca é determinada por pigmentos liposso-unidades são subdivididas em 3 a 7 unidades. À lúveis e a opacidade c uma consequência da pre-medida que aumentam em número, diminuem sença abundante de corpúsculos de gordura, poisem tamanho. Esse sistema linfático nodular dre- ImL de leite possui 2 a 6 bilhões desses corpús-na a linfa de todos os vasos linfáticos aferentes. culos em suspensão, cujo diâmetro varia entre lOs vasos aferentes atravessam o canal inguinal e e 22u, (Schcunert e cols., 1942).chegam ao linfonodo inguinal profundo, mas tam- O leite produzido pelos animais ruminantesbém podem alcançar o linfonodo ilíaco externo. domésticos é rico em proteína, sendo considerado Detalhe que deve ser ressaltado refere-se ao cascinoso, pois a caseína é a proteína predominan-sistema linfático do úbere das éguas, pois nessas te. Em contrapartida, o leite produzido por éguas,fêmeas o sistema é difuso, não se centralizando carnívoros e primatas é considerado globulínico, pre-em linfonodos bem definidos. dominando na secreção a associação lactoalbumina e lactoglobulina. A constituição do leite de animais domésticos, adaptada de Scheunert e cols. (1942),Inervação do Úbere foi delineada nas Tabelas 8.5 a 8.7. Os nervos que inervam as várias estruturas do Desenvolvimento da Glândula Mamaria,úbere são mistos quanto à origem, pois emanam da Instalação e Manutenção da Lactaçãomedula espinal e do sistema simpático. Os nervosespinais emergem da coluna lombar e, por meio do Afora o desenvolvimento embriológico da glân-canal inguinal, darão origem a terminações nervo- dula mamaria a partir da crista mamaria, merece destaque, particularmente para embasamento dossas que inervam tanto a glândula mamaria como a conhecimentos da semiologia, o desenvolvimentopele que as recobre. As fibras do sistema simpático da mama após o nascimento, na instalação da pu-provêm do plexo mesentérico. O sistema de incrvação berdade, durante a gestação e após o parto, bemdo úbere é essencial no reflexo responsável pela como deve-se ressaltar a involução na fase de re-liberação da ocitocina do lóbulo anterior da hipófise pouso de produção da vaca leiteira (vaca seca) e nae, conseqiientemente, pela descida do leite no senilidade. Em qualquer dessas fases, a ação dire-momento da ordenha. Entretanto, não tem qual- ta ou a interação de hormônios é fundamental paraquer influência sobre a produção de leite. o pleno desenvolvimento da glândula mamaria e da secreção láctea. Entre os referidos hormônios merecem desta-Fisiologia da Glândula Mamaria que: estrógenos; progesterona; prolactina ou hormô- nio lactogênico; ocitocina; tiroxina e adrenalina Segundo Kolb (1980), a glândula mamaria é uma (Fig. 8.40).característica específica dos animais da ordemMamma/ia, classificadas, morfologicamente, como Fase Pré-púbereglândulas alvcolares e, funcionalmente, com duas fasessecretórias merócrina-apócrina, apesar de Sarda (1952), Antes da instalação da puberdade, há significante desenvolvimento da mama. Essas manifestações sóem seu compêndio "Elementos de Fisiologia", con-siderar a glândula mamaria como túbulo-acinosa comduas atividades secretoras merócrina e holócrina,considerando o leite uma secreção intracelular ex- * Para produção de 48.000Kcal, exige-se: 30.000Kcalpulsa das células secretoras com pequena quantida- de ácidos graxos voláteis; lO.OOOKcal de compostos fermentados pela microbiota do rume e S.OOOKcalde de material citoplasmático e, praticamente, ne- de constituintes alimentares. A perda de energianhum conteúdo nuclear. A integridade basilar da célula deve-se à formação de gases no rume, nas citadasá mantida durante o ciclo secretor. eondições, equivalente a S.OOOKcal.
  • 34. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 367 Tabela 8.4 - Variação do fluxo sanguíneo na glândula mamaria em diferentes fases da lactação (adaptado de Kolb, 1980). Produção Fluxo sanguíneo da mama Massa da i lactação litros/dia litros/min litros/dia mama (kg) Plena 20 10.000 Seca (14 dias antes do parto) 21 12 30.240 44 33 Pós-parto (14 dias) 17.280 Hipófise grande desenvolvimento do sistema tubular da glândula mamaria. Após 4 meses de gestação, a progesterona elaborada pelo corpo lúteo gestacional passa a ter ação dominante, determinando a for- s Mama .— - mação de lóbulos de tecido alveolar. As forma- Acinos ções primordiais dos alvéolos dilatam-se e pas- Túbulos sam a elaborar uma secreção com grande concen- tração de globulinas. No momento do parto, a vaca estará apta para a produção leiteira e, nos primei-Figura 8.40 - Desenvolvimento da glândula mamaria. CL = ros dias, haverá produção de colostro, contendocorpo lúteo; F = folículo. A ação da progesterona inibe aliberação de prolactina. A ação do estrógeno estimula a as necessárias imunoglobulinas para proteçãoliberação de prolactina. imunológica dos bezerros recém-nascidos. Involução da Glândula Mamaria no Período deserão evidentes com a instalação da função ovaria-na, pois a secreção de estrógenos em níveis míni- Reparação entre Lactaçõesmos - insuficientes para estabelecimento de ciclos Quando a lactação cessa numa vaca não ges-estrais - será suficiente para iniciar o desenvolvi- tante, instala-se um processo de involução glan-mento do sistema de duetos galactóforos no inte- dular: o leite residual é reabsorvido; ocorre redu-rior do tecido conjuntivo e coxim gorduroso. O de- ção do tamanho dos alvéolos que, eventualmen-senvolvimento da glândula mamaria é variável na te, podem desaparecer, permanecendo apenas osdependência de características constitucionais pró- duetos galactóforos e lóbulos de tecido gorduro-prias; porém, nesses casos, o clínico experiente, por so. A próxima gestação resultará na total restau-palpação da glândula imatura, já poderia selecionar ração do sistema túbulo-alveolar, como descritoas futuras excelentes produtoras de leite. anteriormente. Quando o declínio da lactação corresponderDesenvolvimento da Mama na Puberdade a uma vaca gestante, observa-se uma sequência Após a puberdade, haverá ocorrência de cios; de fenómenos fisiológicos: a partir do períodoportanto, ovulações e formação de corpos lúteos. médio de gestação, observa-se gradativo c contí-iniciam-se os ciclos estrais periódicos e intensifi- nuo declínio da lactação; há depressão da ação daca-se a produção e atividade dos hormônios se- prolactina por ação da progesterona; mesmo emxuais: estrógenos e progesterona. Durante o anestro vacas de grande produção leiteira, deve-se favo-juvenil - prc-puberdade, o desenvolvimento da recer a diminuição da produção e secar a vaca,mama foi insignificante. Em seguida, o sistema dando-lhe, no mínimo, 55 a 60 dias de repousoconstituído pelos duetos galactóforos se desen- sem produção láctea.volve por estímulo dos estrógenos e o sistema No sequencial descrito, inúmeros alvéolosalveolar será pouco estimulado pela progestero- podem permanecer durante o período de repou-na secretada pelo corpo lúteo, porém esse hor- so glandular; eles deixam de produzir mas, apósmônio sensibilizará os duetos galactóforos. o parto, estarão aptos a elaborar o colostro e a se- guir leite. Paralelamente, novos alvéolos se for-Desenvolvimento da Mama na Gestação mam e tal fato explicaria o aumento de produção Nos primeiros meses da gestação, o nível de láctea em vacas sadias, progressivamente, até aestrógenos aumenta gradativamente, havendo 5a lactação (aproximadamente, 7 anos de idade).
  • 35. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 367 Tabela 8.4 - Variação do fluxo sanguíneo na glândula mamaria em diferentes fases da lactação (adaptado de Kolb, 1980). Produção Fluxo sanguíneo da mama Massa da Fase da lactação litros/dia litros/min litros/dia mama (kg)Plena 20 — 10.000 —Seca (14 dias antes do parto) 21 30.240 44 Pós-parto (1 4 dias) 12 17.280 33 Hipófise grande desenvolvimento do sistema tubular da glândula mamaria. Após 4 meses de gestação, a progesterona elaborada pelo corpo lúteo gestacional passa a ter ação dominante, determinando a for- Mama mação de lóbulos de tecido alveolar. As forma- ções primordiais dos alvéolos dilatam-se e pas- sam a elaborar uma secreção com grande concen- tração de globulinas. No momento do parto, a vaca estará apta para a produção leiteira e, nos primei-Figura 8.40 - Desenvolvimento da glândula mamaria. CL = ros dias, haverá produção de colostro, contendocorpo lúteo; F = folículo. A ação da progesterona inibe aliberação de prolactina. A ação do estrógeno estimula a as necessárias imunoglobulinas para proteçãoliberação de prolactina. imunológica dos bezerros recém-nascidos. Involução da Glândula Mamaria no Período deserão evidentes com a instalação da função ovaria-na, pois a secreção de estrógenos em níveis míni- Reparação entre Lactaçõesmos - insuficientes para estabelecimento de ciclos Quando a lactação cessa numa vaca não ges-estrais — será suficiente para iniciar o desenvolvi- tante, instala-se um processo de involução glan-mento do sistema de duetos galactóforos no inte- dular: o leite residual é reabsorvido; ocorre redu-rior do tecido conjuntivo e coxim gorduroso. O de- ção do tamanho dos alvéolos que, eventualmen-senvolvimento da glândula mamaria é variável na te, podem desaparecer, permanecendo apenas osdependência de características constitucionais pró- duetos galactóforos e lóbulos de tecido gorduro-prias; porém, nesses casos, o clínico experiente, por so. A próxima gestação resultará na total restau-palpação da glândula imatura, já poderia selecionar ração do sistema túbulo-alveolar, como descritoas futuras excelentes produtoras de leite. anteriormente. Quando o declínio da lactação corresponderDesenvolvimento da Mama na Puberdade a uma vaca gestante, observa-se uma sequência Após a puberdade, haverá ocorrência de cios; de fenómenos fisiológicos: a partir do períodoportanto, ovulações e formação de corpos lúteos. médio de gestação, observa-se gradativo e contí-Iniciam-se os ciclos estrais periódicos e intensifi- nuo declínio da lactação; há depressão da ação daca-se a produção e atividade dos hormônios se- prolactina por ação da progesterona; mesmo emxuais: estrógenos e progesterona. Durante o anestro vacas de grande produção leiteira, deve-se favo-juvenil - pré-puberdade, o desenvolvimento da recer a diminuição da produção e secar a vaca,mama foi insignificante. Em seguida, o sistema dando-lhe, no mínimo, 55 a 60 dias de repousoconstituído pelos duetos galactóforos se desen- sem produção láctea.volve por estímulo dos estrógenos e o sistema No sequencial descrito, inúmeros alvéolosalveolar será pouco estimulado pela progestero- podem permanecer durante o período de repou-na secretada pelo corpo lúteo, porém esse hor- so glandular; eles deixam de produzir mas, apósmônio sensibilizará os duetos galactóforos. o parto, estarão aptos a elaborar o colostro e a se- guir leite. Paralelamente, novos alvéolos se for-Desenvolvimento da Mama na Gestação mam e tal fato explicaria o aumento de produção Nos primeiros meses da gestação, o nível de láctea em vacas sadias, progressivamente, até aestrógenos aumenta gradativamente, havendo 5- lactação (aproximadamente, 7 anos de idade).
  • 36. (j j CA oo in 01 3 o_ o ia S S á náTabela 8.5 Constituição do leite de alguns espécimes de animais domésticos (adaptado deScheunert e cols., 1942).Animais Densidade a 15"C Resíduo Proteína Caseína Lactoalbumi a. o fl) 10Vacas* dos seco g% total g% g% globulina o-Vales das 1,0310Montanhas 1,0327 12,0 12,8 3,30 2,50 0,60 3,20 4,60 0,8 0 0 , 13 6 8 1,0264 a 3,34 2,75 0,70 3,64 4,96 0,7 6 0 , 13 6 8Cabras 9.3 - 14,3 1,0341 3,76 2,00 - 5,90 4, 40 0,85 0 , 10 1 9 2,60 1,16Ovelhas 1,0355 13,3 -25,0 4,30 -6,60 2,20-2,80 4,0 0 - 6,6 0 0,8 0 - 1,2 0 0 , 12 9 7Porcas 1,0412 17,1 -20,5 4,17 0,98 3,90-9,50 3,1 0- 6,10 0,8 0 0 , 07 5 6Éguas 1,0334 a 9.4 - 10,4 5,30- 7,30 1,0450 1, 6 0 - 2, 1 0 0,40- 1,10 6,3 0- 7 ,1 0 0,3 0 - 0,4 8 0,0310Cadelas 1,0340 23,0 9,72 9,26 3,11 0,91 4,91 0,1656Catas 4,15 5,57 5,96 3,33 0,51 18,37 9,08 3,12Colostro das vacas: 74,67% água e 25,33% resíduo seco, sendo 4,04g% de caseína; 13,60g% de lactoalbumina e globulina; 3,6g% d e gordura; 2,67g% de lactose e 1,56g% de cinzas.
  • 37. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 369 Tabela 8.6 - Características físicas do leite de vaca (adaptado de Scheunert e cols., 1942). Peso específico 1027 a 1034 a 15°C Viscosidade* Tensão 1,5 a 4,2 0,7 a entre 1 5 e 20°C superficial Pressão 0,8 considerando água = 1 osmótica Ponto de 7.5 atmosferas pouca oscilação ~ à do sangue congelação índice de 0,56°C menor que a da água refração 1,347 a 1,351 a 40°C Eletrocondutividade 4.5 a 5,8mS a25°C * Nas cabras e nas ovelhas, respectivamente, 2,1-2,5 e 2,4-2,7Instalação e Manutenção da Lactação Lactogênese é o termo utilizado para representar o início ou instalação da lactação. O processo de A glândula mamaria desenvolvida e maturada lactogênese é induzido e conduzido por açã opara a produção leiteira, suficiente para a criação hormonal. Os estrógenos, em sua ação, estimu-de seu bezerro e para produção láctea economi- lam a produção de prolactina (ou hormônio lacto-camente viável, apresenta, após o parto, duas con- gênico), associada às ações de adrcnocorticóides;dições fisiológicas: a lactogênese e a galactopoiese. ao contrário, essa produção é deprimida pela ação Supra-renal Lactogênese GalactopoieseFigura 8.41 - Lactogênese e galactopoiese: ações hormonais determinantes. A progesterona inibe a liberação da prolactina e osestrógenos estimulam essa produção. A prolactina tem ação na instalação da lactação (lactogênese). A somatotrofina garante amanutenção da lactação (galactopoiese).
  • 38. 370 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Tabela 8.7 - Composição proteica do leite de vacas domésticos produtores de leite, causadoras de sé- (adaptado de Kolb, 1980). rios prejuízos económicos para a pecuária leitei- Frações proteicas do leite Valores relativos (%) ra, exige que o clínico veterinário utilize o cabedal de seus conhecimentos de semiologia, capacitando- Alfacaseína 43 a 63 o para a execução de minucioso c completo exa- Betacaseína 19 a 28 me clínico. Para tanto, é necessário estabelecer Gamacaseína 3a7 Alfalactoalbumina 2a5 duas condições preliminares que devem ser se- Betalactoglobulina 7 a 12 guidas e obedecidas, rotineiramente, no exercí- Albumina sérica 0,7 a 1,3 cio diuturno da Clínica Veterinária: o plano de Imunoglobulinas 1,4 a 3,1 exame clínico da glândula mamaria e o domínio da semiotécnica da mama. O plano de exame clínico recomendado no capítulo específico deste compêndio é expostoda progesterona. Assim sendo, no final da gesta- no Quadro 8.4.ção, há predomínio de progesterona e, conseqiien- No transcorrer deste estudo da semiologia datemente, a concentração de prolactina c peque- glândula mamaria, apenas os itens específicos dona. No momento do parto, desencadeia-se uma exame clínico do órgão serão considerados. Ou-complexa interação de controle endócrino, haven- tros, por serem contexto de Semiologia Geral,do, nesse momento, liberação de ocitocina que, foram detalhados em outros capítulos.aluando sobre a glândula mamaria, causaria a des- Identificação do animal.cida do leite. Quadro 8.4 - Plano de exame de glândula Galactopoiese designa a condição de manuten- mamaria.ção da produção de leite, durante o período de Anamnese.lactação. Esta função é conduzida pela ação do Exame físico geral.hormônio hipofisário - a somatotrofina (Tabela Exame da glândula mamaria:8.8 c Figs. 8.40 e Fig. 8.41). - Inspeção. - Palpação. - Exame macroscópico do leite.SEMIOLOGIA DA Exames complementares do leite: - Microscópicos.GLÂNDULA - Bioquímicos.MAMARIA - Microbiológicos.O diagnóstico preciso das enfermidades da glân-dula mamaria, especialmente das formas clínicasde mamite que acometem as espécies de animais Tabela 8.8 - Relações entre hormônios e desenvolvimento e função da glândula mamaria (adaptado de Schalm e cols., 1971). Hormônio Ação no desenvolvimento da Ação na função da mama mama Estrógeno Crescimento dos duetos galactóforos: Estimula a secreção e ação da pro- prepara o tecido mamaria para a ação da lactina Atua na lactogênese progesterona Restringe a ação dos estrógenos Progesterona Estimula a formação e desenvolvimento dos sobre o lóbulo anterior da hipófise alvéolos para produção de prolactina Estimula a produção de leite Prolactina ou hormônio Determina a lactogênese lactogênico Determina a descida do leite Atua Ocitocina sobre o metabolismo geral Impede Tiroxina a ação da ocitocina Adrenalina
  • 39. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 371 Na atividade clínica, o veterinário deve obede- glândula mamaria se caracterizavam por motiva-cer a semiotécnica específica dos órgãos e sistemas ções zootécnicas, económicas ou de saúde públi-orgânicos; no caso da glândula mamaria, recomenda- ca, o momento do exame da mama se estabelece,se as técnicas semiológicas citadas no Quadro 8.5. predominantemente, por condições de sanidade As mencionadas técnicas, além de dominadas, animal:devem ser rotineiramente realizadas em sua ple-nitude quando se quiser ou houver necessidade • Para diagnosticar enfermidades da mama.de estabelecer preciso diagnóstico clínico, princi- • Para estabelecer razão de quebra de produpalmente nas diferentes formas clínicas das mamites ção leiteira.dos ruminantes quando em inúmeras circunstân- • Para avaliar causa de recusa do leite pela incias, além da necessidade de diagnóstico nosológico, dústria de laticínios — leite ácido ou alcalinofor fundamental o diagnóstico etiológico para orien- ou por excesso de cloretos.tar a terapia e estabelecer o prognóstico. • Para estabelecer profilaxia das mamites nos Após a leitura das considerações preliminares, rebanhos.introdutórias ao estudo da semiologia da glândula • Para fazer levantamentos regionais das formamaria, considerou-se este o momento de escla- mas clínicas de mamites, prevalência e senrecer algumas questões previamente apresentadas. sibilidade dos agentes ctiológicos. Por que Examinar a Onde e o que Examinar na Glândula Mamaria Glândula Mamaria • A glândula mamaria possui relação direta com As súmulas de anatomia e de fisiologia da a produção leiteira. glândula mamaria anteriormente apresentadas • A produção leiteira tem estreita relação com deram pleno conhecimento do que é necessário a Saúde Pública. para a formação de um clínico veterinário, dedi- • Nas enfermidades da glândula mamaria há cado ao atendimento de vacas com alterações necessidade de diagnóstico precoce. patológicas ou doenças da glândula mamaria. • As lesões do tecido glandular são irreversíveis. • Além do diagnóstico preciso, deve-se esta • A Semiologia avalia de forma dinâmica a belecer o prognóstico das doenças e realizar anatomia e a fisiologia da mama, consideran o tratamento imediatamente. do suas particularidades, associando-as aos • A glândula mamaria e/ou seus quartos devem conceitos de patologia. ser minuciosamente examinados sempre que • No exame clínico da glândula mamaria, con a produção estabelecida pelo potencial gené sidera-se: tico do animal não for alcançada. - O parênquima glandular; sinusgalactoforous e a pele que reveste essas estruturas. - O teto, sinus et ductus papillaris e o reves Quando Examinar a timento cpitelial interno e externo dessas estruturas. Glândula Mamaria - O leite produzido, caracterizando suas Ao contrário do que se afirmou no item ante- qualidades e alterações. rior, quando as razões que exigiam o exame da Como Examinar a Glândula Mamaria Quadro 8.5 - Semiotécnica do exame da mama. Esse exame é baseado nas técnicas desen- 1. Inspeção direta e indireta do úbere. volvidas para tal finalidade e são assuntos perti- 2. Palpação direta e indireta do úbere. nentes à Semiotécnica, setor da semiologia que 3. Exames complementares do leite: padroniza os métodos de exame clínico e que serão Microscópicos. - detalhados nos itens seguintes deste capítulo. As Bioquímicos. observações serão submetidas à análise dos co- Microbiológicos. nhecimentos fundamentais adquiridos, constituin-
  • 40. 372 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticodo a propedêutica clínica ou a ciência da inter- Identificação do Animal Enfermopretação das manifestações clínicas observadas noexame. Quando necessário, esses aspectos serão Os animais submetidos ao exame clínico nasincluídos nos itens seguintes deste capítulo. fazendas, nos ambulatórios ou nos hospitais ve- Em resumo, examina-se a glândula mamaria terinários devem ter uma ficha clínica, zootécnicausando-se os preceitos da semiologia e obedecen- ou de manejo na qual devem ser registradas asdo-se os princípios de matérias fundamentais. informações pertinentes. Em casos especiais, o clínico veterinário deve ter consigo ou nas pro- priedades o registro pormenorizado de suas ati-Desenvolvimento Preliminar do vidades e recomendações que fizer (Quadro 8.6).Exame Semiológico da GlândulaMamaria Anamnese do Caso Clínico Pelo questionamento do tratador do animal Por razões óbvias, é plenamente reconheci- ou sua explanação espontânea, o clínico veteri-do que as primeiras medidas tomadas para o com- nário faz o levantamento do histórico do enfermopleto exame da glândula mamaria pertencem às ou dos antecedentes mediatos ou imediatos daáreas gerais da semiologia veterinária c, por isso, doença. Nessa avaliação, serão considerados os fatosforam convenientemente tratadas nos capítulos relacionados ao rebanho (anamnese colctiva) comoiniciais deste compêndio. Assim sendo, os 4 itens ini- também aqueles ao indivíduo doente (anamneseciais do plano de exame clínico da glândula ma- individual) (Quadros 8.7 e 8.8).maria podem ser considerados como conhecidos.Por tal razão, esses itens - identificação do animal;anamnese ou histórico do animal enfermo; o Avaliação do Estado Geral do Animal Enfermoexame das funções vitais e a avaliação do estadogeral do paciente serão apresentados em quadros Após o recebimento das informações preli-resumidos. Tal reforço que se faz não visa aper- minares das condições do animal doente, deve-feiçoar o conhecimento do clínico veterinário, mas se fazer sua avaliação preliminar por uma inspe-deixar bem claro que tais informações preliminares ção geral do animal. Essas informações são obti-não devem faltar no levantamento detalhado das das pelo conhecimento de seu desempenho, ati-manifestações apresentadas pelo animal doente.Essa motivação é um dos princípios da semiolo-gia moderna:jamais um diagnóstico nosológico pode Quadro 8.6 - Identificação do animal.ser estabelecido com bases no resultado de um único • Nome, número e/ou registro.exame físico ou de uma prova complementar. Atual- • Espécie, raça.mente, não se aceita a existência de manifestações • Características de pelagem.clínicas ou sintomas patognomônicos, que por si • Sexo.só definiriam uma doença. Ao contrário, o diag- • Idade - peso - uso.nóstico clínico representa a conclusão de um exame • Proprietário - endereço.completo do doente, do sistema ou órgão afetadopela enfermidade. Resulta esse diagnóstico da interpretação detodas as informações conseguidas no desenvolvi- Quadro 8.7 - Anamnese coletiva - pertinente amento do exame clínico e, portanto, um exercí- enfermidades da glândula mamaria.cio mental de um profissional formado para o • Sistema de criação, características do estábulo, tipoexercício dessa função. A necessidade de racioci- e condições de ordenha, normas para secar a vaca.nar sobre o conjunto de sintomas amealhados • Produção leiteira: produção leiteira média dostransforma a semiologia em ciência e o clínico animais e do plantei (por dia e por lactação); ocorveterinário é, entre muitos profissionais que atuam rência de doenças da mama.no campo da pecuária, aquele preparado para fir- • Alimentação: normas características da ração, su-mar o diagnóstico de uma doença animal, estabe- plementação, mineralização, etc.lecer o prognóstico e propor as medidas terapêu- • Condições sanitárias do rebanho.ticas, quer sejam profiláticas ou curativas.
  • 41. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 373 . • i. . i i f i Quadro 8.10 - Exame das funções vitais. Quadro 8.8 - Anamnese individual - referente a animais com alterações da mama. • Frequência e características da respiração pulmonar (1). • Antecedentes distantes: doenças anteriores, decur • Frequência e características dos movimentos do so da última lactação, distúrbios metabólicos, doen rúmen (2). ças infectocontagiosas, etc. • Frequência e características do pulso e/ou batimentos • Antecedentes recentes: produção leiteira (anterior cardíacos (3). e atual), fase da lactação, início e evolução da • Temperatura interna (4). enfermidade, etc. • Apetite (5) e defecação. • Apetite, ruminação e atitudes (estação e locomoção). • Micção. • Tratamentos realizados. (1), (3) e (4) - nas mamites agudas, apostematosas e principal mente flegmonosas há evidente taquipnéia, taquicardia e febre alta, com até 41 °C. (2) e (5) - nas mamites flegmonosas, quando se instala o quadro de toxemiatudes e comportamento em seu ambiente de cria- altera-se a função digestiva, manifesta por hipotonia do rúmen eção (rebanho), se locomovendo ou em posição diminuição do apetite.quadrupedal (ou especialmente em decúbito,quando o animal estiver impossibilitado de seerguer) (Quadro 8.9). EXAME ESPECIFICO DA GLÂNDULA MAMARIAfxame das Funções Vitais O diagnóstico preciso das enfermidades da glân- dula mamaria e, particularmente, das mamites, O perfeito funcionamento de órgãos vitais re- exige que o clínico veterinário utilize todos os seusflete a condição de sanidade de um animal. Em conhecimentos de semiologia, realizando examevárias circunstâncias, enfermidades localizadas em clínico minucioso e completo.órgãos ou sistemas orgânicos determinam altera- O exame clínico da glândula mamaria parações de algumas dessas funções vitais. Isso tam- diagnóstico das mamites comporta a metodolo-bém ocorre nas enfermidades da glândula mamaria, gia a seguir mencionada:principalmente nos casos de mamites flegmonosasou, em outras situações, como enfermidades sis- • Exame físico - inspeção e palpação.témicas que determinam modificações da glân- • Aspecto macroscópico do leite - característidula mamaria, como nos exantemas da mama de cas da secreção láctea.origem alimentar. • Pesquisa de leite mamitoso - avaliação clíni Pelo exposto, torna-se obrigatório, no exame ca de modificações do leite: alcalinidade esemiológico destinado à elucidação de casos clí- celularidade.nicos de doenças da glândula mamaria, o exame • Exame microscópico de leite - contagem edas funções vitais, ressaltando que deve ser feito diferenciação das células somáticas.antes da avaliação do sistema afetado pela enfer- • Exame microbiológico do leite - isolamento de cepas e antibiograma.midade (Quadro 8.10). HABITO C Quadro 8.9 - Avaliação do estado geral de animal acometido por enfermidades da glândula mamaria. o nstituição: edemas da mama; hipertrofia e atrofia nas mamites apostematosas, alterações articulares e das bainhas tendíneas. Temperamento: inquietação - observada em casos de mamite aguda, principalmente nas flegmonosas. Estado de nutrição: emagrecimento em mamites apostematosas crónicas. ATITUDE Em estação: atitude antiálgica nas mamites agudas (deslocamento do centro de gravidade - abdução dos membros posteriores). Em locomoção: anormal - claudicação - mamites agudas. Em decúbito: sobre os quartos sadios; permanente - mamite paralítica.
  • 42. 374 Semiologia Veterinária: A Arte do DiagnósticoExame Físico da Glândula Mamaria • Em locomoção, percebe-se que o animal mo- vimenta-se com os membros posteriores muito O exame físico da mama é feito pelos tradi- afastados evitando balançar o úbere e seucionais métodos da semiologia: inspeção e palpa- choque contra os membros.ção, direta ou indireta, descritos de forma sumá-ria a seguir e no Quadro 8.11. Inspeção Direta do Úbere Ao inspecionar-se o úbere de um animal, reco-Inspeção mcnda-se analisar todas as estruturas anatómicas que o constituem: parênquima glandular, tetos e pele A inspeção é o método de exploração clínica que recobre a mama. Nesse exame, inúmeros aspec-baseado no sentido da visão e por ele se inicia o tos, que podem constituir sintomas das mamites,exame de qualquer órgão ou sistema. No caso devem ser considerados (Figs. 8.42 e 8.43).particular da glândula mamaria, a inspeção é fei-ta, inicialmente, observando-se as atitudes doanimal em posição quadrupedal, em locomoção MODIFICAÇÕES DE FORMA DA GLÂNDULA MAMARIAe, quando possível, em decúbito, para em segui- Essas modificações podem ser consequentesda observar-se o úbere lateralmente, de ambos à alteração do desenvolvimento da glândula, cons-os lados e por trás. tituindo as malformações ou podem ser adquiri- das, determinadas por enfermidades anteriores.Modificação da Atitude DISPOSIÇÃO E SIMETRIA DOS TETOS As mamites agudas, como já foi referido,podem ser processos muito dolorosos, principal- Em vacas sadias e não portadoras de malfor-mente quando todo o úbcre é acometido e, as- mação do úbere, os tetos apresentam-se simétri-sim, o animal assume típicas atitudes antiálgicas. cos, acentuando-se uma divergência quando o úbere estiver repleto de leite, principalmente momen- * Em posição quadrupedal, o animal apresenta tos antes da ordenha. Convergência ou divergên- os membros posteriores em abdução c os cia, na maioria das vezes, c causada por retrações desvia em sentido posterior, modificando o consequentes à cicatrização de lesões do parênquima centro de gravidade do corpo. Dessa forma a glandular ou das cisternas da glândula. glândula mamaria fica livre da compressão exercida pelos membros posteriores. AUMENTO DE VOLUME DA GLÂNDULA MAMARIA • Em decúbito, quando possível, observa-se que o animal evita se deitar sobre a região afetada. Os aumentos podem ser generalizados ou Nos casos graves, como mamites flegmonosas, localizados. Entre os aumentos de volume gene- a vaca demonstra o desconforto causado pela ralizados destacam-se aqueles que atingem todo intensa dor deitando e erguendo-se inúmeras o úbere, como se observa nos edemas pós-parto e repetidas vezes, ou escoiceando a mama. e nos edemas inflamatórios causados por mamites Quadro 8.11 - Exame físico da glândula mamaria: inspeção do úbere. • Forma da porção glandular: alteração de desenvolvimento e da sustentação (mama em escada, mama de cabra, dilatações da cisterna da glândula, mama pêndula). • Forma e cúpula dos tetos: variável na dependência de vários fatores (espécie, raça, idade, fase da lactação). Modificação da forma dos tetos (volumosos, dilatados e assimétricos). • Número de tetos: aumento: politelia - polimastia (pseudofístulas). Diminuição do número de tetos (fusão e agenesia). • Aumento de volume da mama: generalizado - edemas pré e pós-parto ou inflamatórios; localizados e circuns critos - abscesso, cistos, hematomas e neoplasias. • Aumento de volume do teto: constitucional (dilatação); nos processos inflamatórios (telite). • Diminuição de volume mama e tetos: fisiológica (novilhas e vacas secas); patológica (hipoplasia, atrofia). • Lesões cutâneas da mama e tetos: lesões primárias e secundárias da pele (eflorescências cutâneas).
  • 43. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 375Figura 8.42 - Inspeção doúbere: forma da mama,ferimentos do teto e aumentosde volume. (A) ferimento doteto (amputação do tetoposterior); (B) abscesso intra-mamário; (C) cisto ceroso damama; (D) papiloma do teto. D
  • 44. 376 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticoagudas. Os aumentos podem ser generalizados, se, inicialmente, todo o úbere, para a seguir ava-mas atingindo totalmente apenas uma das glân- liar o parênquima de cada um dos quartos da mamadulas mamarias. Os aumentos de volumes locali- e, finalmente, examinar-se os tetos, procurandozados caracterizam-se por serem circunscritos, entre evidenciar o espessamento do tecido epitelial deos quais se menciona, obrigatoriamente, os abs- revestimento interno do sinus papillaris (há evi-cessos, os cistos lácteos ou serosos e hematomas. dente endurecimento, com formação de um cor-Eles têm consistência flutuante e diferenciam- dão espesso nas cisternites), o ductus papillaris ese por punção exploradora, drenando, respecti- sua permeabilidade, além das bordas distais dovamente, pus, leite ou soro lácteo e sanguíneo. sinus lactifer (não há possibilidade da introdução do dedo na cisterna nos casos de galactoforites)AUMENTO DE VOLUME DOS TETOS (Fig. 8.44B). Duas são as circunstâncias que causam aumentode volume dos tetos: dilatação da cisterna do teto Palpação do Parênquima dae os processos inflamatórios de todas as estruturas Glândula Mamariado teto. A primeira é considerada uma malforma- Antes de iniciar a palpação da mama (Quadroção denominada por dilatação do sinus papillaris; a 8.12, Tabela 8.9 e Figs. 8.44A e 8.45), faz-se tentati-segunda é observada nas tclites - inflamação das va para preguear a pele que reveste o parênquimaestruturas do teto, apresentando o teto aspecto glandular; desse modo se avalia a elasticidade daluzidio, sendo extremamente doloroso à palpação. pele e do tecido celular subcutâneo (Figs. 8.46 e 8.47). Em condições normais, é fácil preguear a peleDIMINUIÇÃO DE VOLU ME DA MAMA E/OU DOS TETOS sobre a glândula e, uma vez cessada a pressão, rapidamente a pele volta às suas condições naturais A diminuição de volume do úbere ou da glân- (Fig. 8.46). Nos edemas, quer nos fisiológicos quedula mamaria é ocorrência mais rara, observada atingem a glândula mamaria antes e/ou imediata-em algumas condições fisiológicas como: nas mente após o parto, como nos inflamatórios, não hánovilhas, nas vacas secas há muito tempo e nas possibilidade de preguear-sc a pele e, uma vezvacas velhas. Em condições patológicas, esse fato eliminada a pressão, percebe-se nitidamente umaé observado em atrofia da glândula e/ou dos te- depressão neste local, ocorrendo o que se denominatos, consequente a mamites crónicas. prova àe godé positiva ou cacifo presente (Fig. 8.47). O último fato descrito deve-se à perda de elastici-Palpação dade dos tecidos por sua infiltração com plasma transudado. A consistência da glândula nessas cir- A palpação é o método de exploração clínica cunstâncias é denominada de pastosa. Em seguida,baseado na sensação táctil e na força muscular, aumentando a pressão, palpa-se o parênquima mamárioutilizado para pesquisar a temperatura, sensibili- que, em condições normais, em vaca recém-ordenhadadade c consistência das diferentes estruturas da ou seca, é de consistência firme, sem apresentarglândula mamaria. Nesse órgão se aplica princi- nodulações duras, conseguindo-se palpar apenas gra-palmente a técnica clireta ou imediata, palpando- nulação representada pelos ácinos glandulares. Quadro 8.12 - Exame físico da glândula mamaria: palpação do úbere. Avaliar, temperatura, sensibilidade e consistência. Técnica: palpa-se o úbere, as glândulas individualmente, sinus lactifer, os tetos (sinus papillaris e ductus papillaris). Palpação do parênquima: faz-se o pregueamento cutâneo, se houver presença de cacifo ou prova de godé positiva (edema); verifica-se a consistência (pastosa, firme, dura - com nodulações ou difusa); sensibilidade (processos inflamatórios agudos) - calor (edemas e processos inflamatórios). Notação de Hannover - l, II, III (consistências normais), IV, V (endurecimento de mamites crónicas), VI (processo inflamatório agudo), VII (edema pós-parto). Palpação do teto: flutuante (normal); cordão endurecido (cisternite). Palpação do sinus lactifer- introdução do dedo demonstrando fibrosamento do anel de separação das cavida des causado por processo inflamatório (galactoforites).
  • 45. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 377Figura8.43 -Inspeçaodaglândulamamaria:váriostipos eformasdasglândulase dostetos. (A)mama emescada;(B) mamatipo decabra; (C)mamavolumosaepêndula,comaplicaçãodesustentador doúbere;(D) tetosvolumo-sos(carnudos); (E)tetos comcisternadilatada;(F) mamae tetoscomdilataçõesadquiridas dascavidades.
  • 46. 378 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico A DFigura 8.44 - Palpação da glândula mamaria (demonstração do Prof. Dr. Leonardo Miranda de Araújo). (A) Palpação do parênquima -inicialmente todo parênquima e a seguir as glândulas individualmente; (B) palpação da cisterna da glândula (introdução do dedo nosinus galactoforous); (C) palpação do teto (cisterna) por rolamento; (D) palpação do canal do teto (cúpula e orifício). Tabela 8.9 Classificação dos resultados da palpação da glândula mamaria. Notação de Hannover (Escola Superior de Veterinária).* Notação Observação/manifestação Interpretação SÁ A mama recém-ordenhada apresenta-se firme à pressão com granulação Normal fina. Distendida e tensa antes da ordenha I Nodulação grosseira, dura, mas pequena e localizada Normal II Nodulação grosseira, dura e generalizada, com nódulos localizados de Normal em vacas de pequeno tamanho várias lactações III Nódulos duros de tamanho médio, com distribuição generalizada no Vaca recuperada de mamite parênquima mamário (com tecido cicatricial) ou caso de mamite atual IV Nódulos grandes e duros, confluentes, com endurecimento de lóbulos Mamite em fase de glandulares cronificação V Endurecimento difuso do parênquima glandular - atinge lobos glandulares Mamite crónica VI Edema inflamatório agudo da glândula mamaria, rubor, calor, dor e Mamite aguda Edema tumor, consistência pastosa, além da alteração da função - quebra do leite e congestão Vil Edema fisiológico da mama no pós-parto. O parênquima não pode ser palpado. Pós-parto (fisiológico) Há sinais menos alarmantes, mas assemelhados aos dos processos inflamatórios. Leite sanguinolento* A Escola Superior de Veterinária de Hannover apresenta uma notação para representar os resultados da palpação do parênquimamamário, sendo os resultados anotados em algarismos romanos.
  • 47. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 379Figura 8.45 - Palpação dos lin-fonoclos retromamários (casoclínico de leucose enzoóticados bovinos).Figura 8.46 - (A) Pregueamento dapele, a pele elástica facilmente formapregas; (B) desfeito o pregueamento, apele rapidamente volta à condiçãonormal (elasticidade da pele mantida).
  • 48. 380 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Figura 8.47 - Pregueamento da pele impossibilitado de ser feito - cessada a pressão, permanece uma depressão no local -prova de godé positiva (consistência pastosa - edema). Por palpação direta, utilizando-se o dorso da cisternas cia glândula mamaria, fato que dificulta-mão, avalia-se a temperatura da pele que reveste rá a realização da mencionada manobra (Fig. 8.44B).o órgão: há aumento da temperatura local nosedemas inflamatórios e diminuição nas gangre-nas (mamite flcgmonosa do tipo gangrenoso). Aspecto Macroscópico do Leite - Por esse método de exploração clínica, ava-lia-se também a sensibilidade da mama, que es- Características da Secreçãotará aumentada, em grau variável de intensida- A avaliação do aspecto macroscópico do leitede, nas mamitcs agudas. é feita pela inspeção de jatos de leite ordenha- dos, sobre placa ou bandeja de fundo escuro comoPalpação do Teto também em caneca tclada - de maneira genérica A palpação do teto de uma vaca lactante em a prova é denominada prova do coador. Avaliam-condição normal revela uma consistência flutuante, se também as seguintes características do leite:pela presença de leite osinuspapillaris. Nos casos volume, cor e consistência. Deve, também, des-de telite, observa-se maior tensão do teto, com tacar outras características organolcpticas comomanifesta sensibilidade. O epitélio de revestimento sabor e odor, bem como se observa sobre o fundointerno da cisterna do teto c palpado rolando-se da bandeja escura ou sobre a placa telada a presençao teto entre os dedos polegar, indicador e médio: de grumos ou massas representativas das exsu-nas cisternites ocorre cspessamento do mencio- dações características das mamites catarrais ounado epitélio da cisterna do teto e à palpação tem- outras manifestações sintomáticas das mamites:se a sensação da formação de um cordão endure- leite sanguinolento (congestão mamaria); puscido no interior do teto (Fig. 8.44C e D). (mamite apostematosa); soro sanguíneo e flocos de pseudomembranas (mamite flegmonosa ouPalpação do Sinus Lactifer gangrenosa). Ressalte-sc que a ocorrência de(Cisterna da Glândula) grumos extremamente pequenos só poderá ser detectada pela centrifugação de amostras de leite, Essa palpação é feita procurando introduzir a comprovando-se a sedimentação exagerada deextremidade do dedo indicador no interior da cis- muco e catarro (Quadro 8.13).terna da glândula. Nas mamites crónicas ou agu-das, isso não é possível, pois inúmeros germes, noinício do processo inflamatório, determinam uma Volume de Leite Produzidogalactoforitc intensa, caracterizada por espessamento O volume de leite produzido é variável, de-das pregas de epitélio localizadas entre as duas pendente de muitos fatores. Assim sendo, a dimi-
  • 49. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 381 Técnica: ordenha em caneca de fundo escuro ou telada. Avalia-se: cor, consistência e presença de massas ou grumos e outras alterações. i i i i - Avaliação do aspecto macroscópico do leite de bovinos. Cor do leite: branco característico; amarelo (no colostro, nos animais da raça Jersey, ingestão excessiva decarotenos, presença de algumas bactérias - Pseudomonas spp., M. flavum e Sarcina lutea; contaminação por substâncias químicas e antibióticos - acriflavina e terramicina); vermelho (sangue - coágulos nas hemorragias e homogéneo nas congestões e diáteses hemorrágicas); hemorragias, diáteses hemorrágicas e pelo uso de fenotiazina). Consistência do leite: fluido-viscoso - densidade maior do que 1 (normal); fluido-aquoso (alimentação deficiente e no final da lactação); mucoso (colostro - normal; em condições patológicas nas mamites); caseoso (mamite apostematosa); com grumos (mamite catarral).nuição da produção láctea pode ter várias origens, Consistência do Leite - Considerações Geraisentre as quais destacam-se: alimentares (deficiên-cia ou mudanças das normas alimentares), doen- Em condições normais, o leite de uma vacaças sistémicas ou localizadas (febres, distúrbios di- fora do período puerpcral imediato é uma misturagestivos e, evidentemente, enfermidades da pró- polifásica fluida, onde se encontram em suspen-pria glândula) e excitações psíquicas (dores, nin- são glóbulos de gordura, células somáticas (leucó-fomania). Na maioria dos exemplos citados, há citos e células de descamação), bem como emdiminuição proporcional do leite produzido nas solução aquosa seus constituintes maiores — pro-quatro glândulas do úbere. Em casos de mamite, teínas e glícides e os sais minerais. O leite temisso só ocorre nas formas flegmonosas ou quando, aspecto e viscosidade característicos, sua densida-ocasionalmente, o processo inflamatório infeccio- de é maior que um, variando entre 1,0310 e 1,0327.so acometer, de forma simultânea, todo o úbere. Em condições fisiológicas, específicas c pa-Nos casos em que apenas uma glândula apresenta tológicas, particularmente nas enfermidades damamite, a comparação de sua produção com a obtida glândula mamaria, modificam-se o aspecto e anas demais glândulas sadias demonstra evidente consistência do leite. As seguintes anormali-diminuição, causada pelo processo inflamatório. dades de consistência devem ser destacadasApesar de não ser necessário alertar as pessoas re- (Fig. 8.48):lacionadas com a produção leiteira, é bom ressal-tar que a diminuição da produção leiteira em um • Leite fluido-aquoso: a densidade do leite dimidos quartos ou de toda a mama é um sintoma sig- nui, dando-lhe consistência aquosa, em aninificativo das mamites, pois os processos inflama- mais alimentados com rações de baixo valortórios apresentam cinco sinais fundamentais: tu- nutritivo e algumas vezes no final da lactação.mor, calor, rubor, dor e perda da função (produção • Leite mucoso: em condições fisiológicas, o leide leite no caso da glândula mamaria). te tem sua consistência aumentada, tornan Nas mamites flegmonosas há grande dimi- do-se mais denso, no colostro ou em condinuição de produção leiteira, ocorrendo agalaxia ções patológicas, como enfermidades sistéem até 36 horas. Os grumos formados têm baixa micas ou em algumas formas especiais e inidensidade e flutuam na excreção ordenhada, ciais de mamites.quando a amostra colhida é mantida em repouso; • Leite caseoso: o leite transforma-se numa exrealmente são flóculos e representam liberação creção purulenta homogénea nas mamitesde pseudomembranas formadas durante o processo apostematosas, causadas principalmente peloinflamatório. Arcanobacterium pyogenes (antigamente deno minada Corynebacterium pyogenes ou Actinomyces pyogenes) e algumas cepas de Staphylococcus.Cor da Secreção Láctea • Leite espumoso: em mamites causadas por ger 3 mes com grande atividade fermentativa, como A cor do leite depende de sua constituição e algumas cepas de Rscherichia coli e Aerobactersofre alterações sob influência de inúmeros fato- spp., observa-se produção de leite com exres como: fase da lactação, tipo de alimentação, cesso de espuma; em condições fisiológicas,características do agente bacteriano colonizado na no final da lactação, pode observar-se, duranteglândula e elementos contaminantes. a ordenha, formação excessiva de espuma.
  • 50. 382 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico • Leite sanguinolento: o leite tem aspecto sangui terapias apresentam leite com grumos de pequeno nolento intenso nas mamites flegmonosas que tamanho, em número variável, eliminados durante evoluem para uma gangrena (E. coli, Closteridium todo o processo de ordenha. spp. e Stapkylococcusaureus) a excreção da glân Mamites catarrais que apresentam grumos dula perde sua característica de leite, trans volumosos apenas nos primeiros jatos de uma formando-se em um líquido cor de vinho ou ordenha são consideradas casos clínicos com evo- apresenta essa característica, porém em inten lução mais favorável do que aquelas apresentan- sidade ténue nas alterações congestivas da do quantidade de grumos pequenos durante todo mama causadas principalmente por processos o processo de ordenha. inflamatórios agudos; nos edemas e conges Nas mamites flegmonosas, o tipo de secreção tões fisiológicas pós-parto, pode, de forma pode apresentar as variações a seguir expostas: efémera, se observar leite avermelhado. • Leite com grumos: os grumos ou massas que • Mamites flegmonosas produzidas por cepas aparecem no leite de vacas com mamite são de germes coliformes patogênicos apresen consequentes a precipitação de substâncias tam secreção láctea que rapidamente se trans exsudadas durante a evolução do processo in forma em excreção serosa de cor amarelada, flamatório (os grumos são constituídos prin apresentando grumos em forma de flocos de cipalmente por massas de fibrina, outras pro coloração acinzentada que, por serem de teínas lácteas e células somáticas), constituin menor densidade, flutuam, quando a mostra do-se numa das principais manifestações sin colhida for mantida cm repouso. tomáticas das diferentes formas clínicas de • Nas mamites flegmonosas, produzidas poiSta- mamites. phylococcus aureus, com virulência exarccbada ou Pseudomonas aeruginosa e Yersinia pseudo- tuberculosis, a secreção láctea transforma-se raConsistência do Leite pidamente em excreção serossanguinolenta, com Características do leite segundo o aspecto da secre- reduzida quantidade de grumos densos, evoção observado por inspeção em bandeja de fundo escu- luindo para agalaxia e, frequentemente, pararo (prova da caneca ou da coagem do leite). Como já formas gangrenosas (Tabela 8.10).foi sobejamente destacado, as alterações de con-sistência do leite são manifestações sintomáticasde fundamental importância para o diagnóstico das Composição Química do Leite e suasmamites, quer seja em bovinos, bubalinos, caprinosou ovinos leiteiros. O aspecto e consistência lác- Implicações no Diagnóstico dastea são verificados por inspeção do leite obtido porordenha manual em bandeja com fundo escuro ou Mamitescaneca com placa escura ou telada. Brito Figuei- A constituição química e características físicasredo, eminente especialista da Faculdade de do leite são variáveis em condições fisiológicas, poisMedicina Veterinária da Universidade Federal de dependem das condições individuais ou ineren-Minas Gerais, recomenda que essa prova seja tes aos sistemas de criação e manejo, como tam-denominada de "coação ou coadura do leite". bém das fases da lactação ou ordenha. Além do Nas mamites catarrais, a quantidade e o volu- mais, a secreção láctea sofre modificações caracte-me dos grumos ou massas não são diretamente pro- rísticas de sua constituição química durante a evo-porcionais à gravidade do processo inflamatório ou lução dos processos inflamatórios da glândulaà virulência do agente causador da infecção. Toda- mamaria. Todavia, essa variação deve ser signifi-via, o aspecto e a quantidade de grumos podem cativamente diferente daquelas consideradas fisio-permitir avaliar-se a evolução de uma mamite, prin- lógicas, constituindo, assim, um conjunto de sin-cipalmente nos casos em tratamento; sendo consi- tomas fundamentais para o diagnóstico clínico dessasderada satisfatória a evolução de casos clínicos apre- enfermidades inflamatórias da mama.sentando grumos numerosos e volumosos no leite,que se transformam na evolução do tratamento emsecreção com menor quantidade de grumos de me- Características Físico-químicas do Leitenor tamanho. Fntrctanto, deve ressaltar-se que Reação do leite. O leite apresenta reação anfó-mamites catarrais crónicas e rebeldes às inúmeras tera, isto é, apresenta-se tamponado, principal-
  • 51. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 383 «HM BHHMHMHfiliFigura 8.48 - Características macroscópicas do leite. Inspeção avaliando jatos de leite ordenhado em bandeja de fundo escuroou tamis. (A) Ordenha de leite em bandeja de fundo escuro, mantido o caráter de leite. Observou-se a passagem de grumos oumassas; (B) leite com grumos grandes (mamite catarral); (C) secreção sanguinolenta da glândula mamaria (congestão da mama oumamite flegmonosa); (D) amostras de secreção da glândula mamaria em bandeja do CMT: superior esquerdo - pus homogéneo dasmamites apostematosas por Arcanobacterium pyogenes; superior e inferior direito - colostro; (E) secreção da glândula mamaria -fluido lácteo-sanguinolento, com tecido necrosado (mamites crónicas, em quartos já perdidos).
  • 52. 384 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Tabela 8.10 - Aspecto e consistência da secreção láctea de bovinos, segundo Notação de Hannover.* Notação Observação/manifestação da secreção lá AS Secreção sem alteração - mantém-se o aspecto e característica de leite Normal A Secreção láctea mantém o aspecto de leite, porém é menos viscoso, Final de lactação isto é, aquoso e sem gr umos; na placa com fundo escuro tem Ração deficiente coloração azulada Vaca secando B Secreção láctea com aspecto de leite, menos viscoso (aquoso), azulado com pe quenos grumos Mamite catarral C Secreção láctea com características de leite menos viscoso, com alguns grumos grandes Mamite catarral D Secreção láctea com características de leite conservadas, porém mais fluido e com inúmeros grumos grandes Mamite catarral E Secreção láctea praticamente sem características de leite: • predomínio de flocos de pequena densidade e que flutuam na secreção • predomínio de massas purulentas • Colimastite F A excreção da glândula ma maria não tem qualquer característica • Mamite apostematosa de leite: soro sanguíneo (Sg) e sangue (Ssg) Pus Mamite flegmonosa-gangrenosa (P) Mamite apostematosa* A Escola Superior de Veterinária de Hannover apresenta uma notação para representar as características da secreçãoláctea, sendo os resultados anotados com as seis primeiras letras do alfabeto .mente quando seu pH é ácido. O pH médio do tando os teores de gordura, caseína, lactoalbuminaleite varia entre 6,5 e 6,8, acentuadamcnte ácido e modificações de constituintes em solução, comno colostro (menos que 6,4), menos ácido no final o decréscimo da concentração de lactose e deda lactação e manifestadamente alcalino na potássio, com aumento dos níveis lácteos de só-mamite. Nesse último caso, há aumento da per- dio e cloretos (Quadro 8.14).meabilidade da glândula aos componentes san-guíneos, principalmente aos íons bicarbonato,responsáveis pela elevação do pH, sobrepondo- Pesquisa do Leite Mamitosose mesmo à ação acidificante dos germes fermen-tadores da lactose (Fig. 8.49). Para caracterizar as provas utilizadas rotinei- Composição química do leite. A constituição ramente, durante o exame clínico de animais lei-do leite considerado normal para vacas e cabras, teiros, com a finalidade de estabelecer o diagnós-segundo Schmidt (1971), é apresentada na Ta- tico de mamite, devem ser estabelecidos algunsbela 8.11. conceitos que obedecem as normas da Semiologia No colostro, a composição da secreção sofre Veterinária, tanto em seus aspectos de Semiotécnicaalterações evidentes, aumentando as porções só- como também de Clínica Propedêutica.lidas do leite, isto é, o extrato seco, sendo resul-tante do aumento do teor proteico do leite. No final da lactação, há modificação das ca-racterísticas e da composição do leite: diminui-ção da acidez do leite (pH próximo a 6,8), aumen- Tabela 8.11 - Composição química do leite. Lactantes Colostro Composição Cabra Vaca Vaca Água 88% 87,2% 74,7% Extrato seco 12% 12,8% 25,3% Cordura 3,5% 3,6g% 3,6g% Proteínas 3,1% 3,3g% 1 7,6g% Lactose 4,6% 4,9g% 2,6g% Cinza 0,79% 0,8g% 1 ,6g% Figura 8.49 - Determinação da eletrocondutividade do leite.
  • 53. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 385 Juadro 8.14 - Composição físico-química e celular do leite de vaca. LEITE - MISTURA POLIFÁSICA: gordura e células em suspensão; glicídios, proteínas e sais minerais em solução. pH 6,5 - 6,8, com reação anfótera. Final de lactação - pH tende a neutralidade. Colostro é ácido (pH 6,4); nas mamites o leite é alcalino. VARIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO LEITE pH - alcalino nas mamites. Proteínas - aumento de lactoalbumina e globulinas nas mastites. Lactose - diminui nas mamites. Cloretos - aumenta nas mamites. Celularidade (células somáticas) aumenta nas mamites, principalmente os polimorfos nucleares neutrófilos. Inicialmente, deve-se relembrar os preceitos fato característico, resultante da ação de germes definidores de "leite higiénico" ou "higienicamen- fcrmentadores da lactose, causadores de mamites. te produzido" e "leite mamitoso". Facilmente demonstrado pela deficiência ou ausência de caramelização dessa secreção, o que • Leite higiénico: aquele produzido em condições é observado no leite normal (por isso foi idealiza- ideais de bovinos e caprinos saudáveis, sub da e usada rotineiramente uma prova baseada no metidos a manejos adequados de criação e ali aquecimento de leite aícaJinizado com solução de mentação, bem como com cuidados especiais hidróxido de sódio - a caramelização intensa no sistema de ordenha c conservação do leite demonstraria ser o leite normal). produzido. Cloretos. Nas mamites, há transudação de clo- • Leite mamitoso: essa designação serve para reto de sódio do sangue para o leite, sendo esse cloreto caracterizar as amostras de leite obtidas de responsável pelo sabor salgado do leite mamitoso. animais leiteiros acometidos de uma das for O leite no interior da glândula mamaria deve manter mas clínicas de mamites. a isotonicidade, que nas mamites estará alterada pelo consumo da lactose na fermentação bacteriana, e Neste item, serão consideradas as caracterís- para manter a mesma tensão osmótica da secreção ticas do leite mamitoso - obtido de glândulas ma- láctea há transudação de cloretos para o leite marias acometidas por um processo inflamatório. produzido. Nessas circunstâncias, no leite mamitoso, observa-se diminuição do teor da lactose (consumida na fermentação bacteriana), aumento da taxa lácteaVariações da Composição do Leite Utilizadas no de cloretos (transudação de NaCl, para manter a os-Diagnóstico das Mamites molaridade da secreção) e, consequentemente, há Para caracterização clínica do leite mamitoso, aumento da eletrocondutividade do leite (presença merecem destaque as modificações da composi- de íons de cloro). ção do leite a seguir detalhadas. />//. O potencial hidrogeniônico do leite, que Pesquisa do Leite Mamitosopode ser avaliado por inúmeras técnicas, demonstraque a diminuição da acidez com elevação nomi- Segundo os conceitos de Clínica Propedêuticanal do pH (alcalinidade) caracteriza amostras do e Patologia Médica Veterinária, o leite de glân-leite na maioria das mamites. Tal observação tem dulas mamarias acometidas por processo inflama-grande valor semiológico no diagnóstico desses tório caracteriza-se por modificação do pH (alca-processos inflamatórios. linidade) e aumento do número de células somá- Proteínas. Aumentos da lactoalbumina e lacto- ticas no leite (principalmento leucócitos polimor-globulina ocorrem nas mamites, responsáveis pela fonucleares granulócitos neutrófilos), sendo es-coagulação do leite mamitoso durante seu aque- tes dois fatos associados à diminuição da produ-cimento ou fervura. ção de leite, sintomas evidentes das mamites. Lactose. A diminuição dos teores de lactose As principais provas para demonstração de leiteno leite de animais acometidos por mamite é um mamitoso em animais leiteiros são descritas a seguir.
  • 54. 386 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Avaliação dopH do leite. O pH do leite mami- sitiva, há diminuição do teor de lactose (valorestoso pode ser determinado pelo uso de papéis abaixo de 3g%), não ocorrendo caramelização evi-indicadores, com potenciômetros ou pelo uso de dente, a cor da reação é esmaecida.soluções indicadoras. Avaliação semiquantitativa do número de leucó- No exame clínico de vacas leiteiras, rotineira- citos no leite. As provas que determinam indireta-mente recomenda-se o uso Ac papéis indicadores com mente o número de leucócitos no leite são: a provao azul de bromocresol, que dão boas indicações de da catalase, a prova de White Side e a prova dealcalinidade acima de 7,2, ou avalia-se o pH ao se Schalm c Noorlander (Califórnia Mastitis Test -realizar a prova do GMT, cujo reativo apresenta GMT), relacionadas à presença de ADN - ácidocomo indicador a púrpura de bromocresol que, em desoxirribonucléico celular no leite. Nas vacas epH alcalino, desenvolve cor violeta intensa e, cm nas búfalas, a prova pode ser realizada sem con-pH ácido, a reação torna-se amarelada (Figs. 8.50 testação. Mas, nos caprinos, a secreção apócrinae 8.52). Além do mais, quando oportuno, determi- da glândula mamaria libera, no leite, corpúsculosna-se o pH do leite com potenciômetros (portáteis) citoplasmáticos livres de ADN, que entretanto,ou em aparelhos fixos, quando o leite colhido puder morfologicamente, se assemelham aos leucócitosser examinado no laboratório. em tamanho e forma, dificultando as contagens Determinação da lactose. O teor de lactose lác- das células somáticas do leite por meios de con-tea, como já foi destacado anteriormente, decres- tadores eletrônicos.ce nas mamites, impossibilitando a perfeita cara-melização do leite. Essa prova não é rotineiramente a) Prova de catalaserealizada por ser de difícil interpretação e exigiraquecimento padronizado para sua realização, mas A catalase é uma enzima encontrada ema técnica recomendada é detalhada em seguida. (efusões) fluidos orgânicos de animais c vegetais. A 2mL de leite suspeito adiciona-se ImL de Sua quantidade é pequena no leite, com exceçãohidróxido de sódio a 2,5%; após a homogeneização, para o leite produzido no início e no final da lacta-a mistura é aquecida em fogo fraco (espiriteira com ção. Nas mamites, a ocorrência c concentraçãoálcool) durante 90 segundos. A interpretação do láctea de catalase aumentam de forma evidente,resultado faz-se pelo desenvolvimento de cor: na revelando a existência de maior número de célu-prova negativa há caramclização do leite (a lactose las somáticas nas amostras de leite.do leite, aproximadamente 4,6g% em meio alcali- A determinação da catalase é uma prova queno e quente, carameliza-se) desenvolvendo a mis- não pode ser realizada no estábulo, durante otura coloração rósea - cereja intensa; na prova po- exame clínico, devendo necessariamente ser exe- cutada em laboratório. Tal fato desestimulou seu uso rotineiro no controle das mamites nos reba- nhos de animais leiteiros. A prova está baseada na capacidade da catalase liberar oxigénio mole- cular do peróxido de hidrogénio: 2H2O2 + catalase -» O2 + 2H 2O A prova pode ser realizada em tubos de fer- mentação ou em lâminas. • Prova da catalase em tubos de fermenta - ção de Smith Reativo. Solução stock de água oxigenada com concentração de 30%, que deverá ser mantida em frasco escuro e em refrigerador.Figura 8.50 - Avaliação do pH do leite pelo CMT - recep- A solução de uso é feita no momento da rea-táculos à esquerda, pH ácido do colostro (coloração amarelada)à direita, pH próximo da neutralidade, sendo o inferior normal e o lização da prova, recomendando-se uma soluçãosuperior ligeiramente alcalino. de água oxigenada a 1%.
  • 55. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 387 Técnica. O tubo de fermentação de Smith é Interpretação. O resultado da reação é demons-preenchido com 5mL de uma solução de água trado pela formação de bolhas de gás no interioroxigenada a 1%, à qual se adicionam 15mL de da mistura, facilmente evidenciada ao se colocarleite. O conjunto é incubado durante 3 horas, em a lâmina sobre uma superfície plana escura. Atemperatura variando entre 35 e 37°C. Em seguida, produção de oxigénio molecular caracteriza-se peloa quantidade de gás acumulada na extremidade desprendimento de bolhas de gás, sendo a quan-fechada do rubo de fermentação é avaliada, ex- tidade de gás produzida diretamente proporcio-pressa em termos de volume de gás produzido nal ao número de células somáticas do leite.(Quadro 8.15). Interpretação. A interpretação está perfeitamen- b) Prova de Whitesidete padronizada para leite de vaca. O leite higié-nico desenvolve menos de 10% de gás (produção A prova de Whiteside, que pode ser executadade 2mL de gás). É de destacar-se que o resultado em lâminas ou em tubos de ensaio, foi baseadaserá maior no colostro e no final da lactação, atin- no princípio descrito e aplicado no teste de Donné,gindo, nas mamites, valores iguais ou superiores idealizado por esse médico e microbiologista, noa 40% (produção de 8mL de gás). século XIX, para quantificar pus no sedimento urinário, pois observara que a adição de hidróxi- • Prova da catalase cm lâminas do de potássio ao sedimento urinário contendo pus, tornava a mistura espessa e viscosa (Fig. 8.51). A prova c simples de ser realizada, servindode triagem; por isso, poderia ser realizada no es- • Prova de Whiteside, em tubos de ensaiotábulo, imediatamente após o exame físico daglândula mamaria da vaca leiteira ou no cabril, Essa prova pode ser perfeitamente feita emquando se examinam cabras. amostras de leite de ruminantes leiteiros, no mo- Reativo. Soluçãostock de água oxigenada a 30%; mento do exame clínico desses animais, pois nãosolução de uso, feita no momento de realização exige manipulações complicadas. Foi originalmen-da prova; recomenda-se a solução de água oxige- te introduzida por Whiteside (1939), para o con-nada a 3%, recente. trole de mamites em rebanhos de vaca leiteira. Técnica. Sobre lâmina de vidro lapidado, Reativos. Hidróxido de sódio normal (4%) eusualmente utilizada para microscopia, colocam- solução de bromocresol púrpura (1:300).se 5 gotas de leite, às quais se adicionam 2 gotas Técnica. Em tubo de ensaio contendo 2mLde solução de água oxigenada a 3%, fazendo-se, de solução normal de hidróxido de sódio, adicio-cm seguida, a homogeneização da mistura. nam-se 2 a 3 gotas da solução de bromocresol Quadro 8.15 - Pesquisa de leite mamitoso: determinação do pH e celularidade pela prova da catalase. 1. Avaliação do pH: - potenciômetro papel de azul bromo cresol - alcalinidade (7,2) 2. Avaliação da celularidade - leucócitos (neutrófilos). 2.1. Prova da catalase (2H 2O2 + catalase -> O2 + 2H2O): Em tubo de fermentação Interpretação O2 dispendido células/mL x % mL 103 < 500 < 20 <4 500 a 1.000 20-30 4-6 1.000 a 2.000 30-40 6-8 >2000 > 40 >8 2.2. Prova de Whiteside. 2.3. Prova Schalm Noorlander - CMT.
  • 56. 388 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Prova de Whiteside em lâminas Essa prova para avaliar o número de células somáticas do leite apresenta maior sensibilidade que a anterior e foi modificada por Murphy e Hanson (1941). A prova pode ser realizada cm lâminas ou em placas de vidro lapidado, seme- lhantes às usadas no teste de soro-aglutinação D rápida para diagnóstico de brucelose (placas de Huddleson).Figura 8.51 - Resultados da prova de Whiteside realizada Equipamento e reativo. Placa de vidro comem placa. A = ( ------- ) a mistura mantém-se opaca, sem reticulado quadrado com 4cm de lado e soluçãogrumos; B = (±—) a mistura mantém-se opaca, havendopercepção de partículas finas dispersas ou pequenos grumos normal de hidróxido de sódio, ou seja, solução a 4%.aderidos na parede do tubo; C = (+—) a mistura apresenta Técnica. No reticulado, colocam-se 5 gotas decoágulos - evidentes na homogeneização com bastão, leite, cuja temperatura deve se assemelhar àque-inúmeros grumos de pequeno tamanho aderem-se à parede do la do ambiente. Em seguida adiciona-se l gotatubo; D = (++-) a mistura apresenta coagulação e os coágulos de solução de NaOH a 4%, fazendo-se, duranteacompanham o bastão de homogeneização; massas de grumosaderem-se à parede do tubo; E = (+++) a mistura coagula 20 segundos, homogeneização com bastões de plás-imediatamente e as massas movimentam-se com o uso do tico ou de madeira, espalhando-se a mistura embastão homogeneizador; massas de grandes grumos um círculo com aproximadamente 3cm de diâ-coagulados aderem-se à parede do tubo. metro. Recomenda-se realizar as provas com amos- tras de leite recém-ordenhado. Quando a amostra tiver temperatura maior que a ambiental, reco-púrpura e, a seguir, colocam-se 8 a lOmL de leite menda-se adicionar-se 2 gotas de solução de NaOH(sem espuma); finalmente, homogeneíza-se a a 4%, em vez de l gota.mistura por inversão do tubo de ensaio adequa- Interpretação. O resultado da reação nos casosdamente tampado. de provas positivas demonstram a formação de Interpretação. Os resultados são assim anota massas viscosas que, sob atuação da homogeneizaçãodos: ( ----) para resultado negativo e (±—), (++-) e com bastão, reúnem-se em pequenos grumos bran-(+++), respectivamente, para as provas positivas, cos, dispersos em fluido translúcido, quando ob-em crescendo, segundo a intensidade da reação, servados com iluminação colocada sob a placa decom aumento do número de células somáticas. vidro, as anotações dos resultados se faz da seguinteA positividade da reação c sua intensidade são forma: reação negativa ( ---- ); reação suspeita (±—)demonstradas pelo aparecimento de precipita- e reações positivas, de acordo com suas intensida-dos que se aderem à parede do tubo nos movi- des e característica dos grumos, respectivamente,mentos de inversão do tubo; simultaneamente, em (+—); (++-); (+++-); (++++) (Quadro 8.16).ocorre aumento de viscosidade da mistura. Aleitura deve ser feita imediatamente após a homo- c) Prova de Schalm e Noorlander - Califórniageneização da mistura. Mastitis Test (GMT) Essa prova foi padronizada por Shcalm e Noorlander em 1957, para determinar o número de células somáticas no leite produzido por gru- Quadro 8.16 - Pesquisa de leite mamitoso: determinação da celularidade pela prova de Whiteside. Prova de Whiteside (adaptação da prova de Donné) Reativo: NaOH 4% + Bromocresol púrpura 1:300 Em tubos - 2mL NaOH + 3 gotas Bromocresol púrpura + 8ml_ de leite Cor violeta = alcalinidade Maior viscosidade + grumos = maior celularidade Em lâmina - 1 gota NaOH - 4% + 5 gotas leite -» grumos (+)
  • 57. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 389pôs de vacas (leite de tambor ou tanques) e ava- ma foi padronizado para vacas leiteiras, podendo serliar a higiene da produção, como também esti- plenamente utilizado para búfalas e tem sido, commar a ocorrência e influência da mamite sobre a reservas, utilizado em cabras. Evidentemente, emprodução leiteira dos rebanhos. A prova do CMT cabras utilizam-se apenas dois receptáculos. Os re-baseia-sc nos princípios de reação do ADN nu- sultados obtidos são controversos, pois os caprinosclear com a soda, como já descrito para a prova de têm, em condições fisiológicas, maior número deWhiteside; todavia, os dois autores citados veri- células somáticas que vacas e búfalas.ficaram que a adição de um agente tenso-ativo Técnica. Nos receptáculos da placa, ordenha-melhorava o poder de destruição das células so- se aproximadamente 2mL de leite; a igualdademáticas, tornando as reações mais evidentes. Assim de volume é conseguida inclinando-se a placa 45".sendo, Schaim c Noorlander (1957) associaram à Adiciona-se igual volume do reativo para, a se-soda um agente tenso-ativo amniônico, isto é, o guir, homogeneizar-se a mistura com movimen-alquil-aril sulfonato. Esse detergente atuará tam- tos circulares (atualmente essas placas trazem duasbém sobre os glóbulos de gordura, reduzindo seus marcas elevadas que, quando na referida inclina-volumes e facilitando sua dispersão, permitindo ção, indicam, aproximadamente, os volumes domelhor avaliação das reações. O CMT foi modi- reativo e da mistura total).ficado, no Brasil, por Fernandes, docente do Curso Natureza da reação da prova de Schaim ede Medicina Veterinária da Universidade Fede- Noorlander. O princípio ativo da reação é o ácidoral do Rio Grande do Sul, substituindo o deter - desoxirribonucléico (ADN) liberado do núcleo dasgente por produto comercial de limpeza domés- células somáticas, principalmente dos leucócitos,tica, dando à prova a denominação de Teste de destruídos por ação da soda e do detergenteMamão. amniônico, resultando na gelificação da mistura. Reativos. O reativo de Schaim e Nooríander&vci O pH da reação será demonstrado pelo indicador -a seguinte constituição: hidróxido de sódio 13,5g; púrpura de bromocrezol.púrpura de bromocresol a 0,4g; alquil-aril-sulfonato Interpretação. A avaliação dos resultados po-de sódio l,9g; completando-se o volume com água sitivos na prova CMT c feita pela intensidade daq.s. 3,8L. viscosidade desenvolvida. Da mesma forma, ob- A reação é feita em bandejas especiais conten- servam-se as modificações do pH: coloração vio-do 4 receptáculos, numerados e/ou identificados pelas leta representa pH alcalino (ale = 7,2) amareladaletras: B e A para amostras de leite das glândulas o pH ácido (ac = 5,2), estes dados devem figurar,anterior e posterior esquerdas; D e C para amostras nos resultados da reação, com a avaliação da in-das glândulas anterior e posterior direitas. O siste- tensidade da reação (Fig. 8.50). Tabela 8.12 - Avaliação da prova de Schaim e Noorlander (CMT) em leite de vaca. Prova de Schaim e Noorlander (CMT) Reativo: NaOH 12,5g + púrpura de bromocresol 0,4g + detergente aniônico 1,9g + H.,Oqs 3,8L Prova em bandeja especial (2mL leite + 2ml_ reativo) stimativa do número de células Resultado segund os somáticas por mL e a autores amplitude de variação Até 200.000 (até 25% Ne) ( ---- ) negativo Mistura sem modificação 1 50.000 a 500.000 (30 a 40% de Ne) (±—) traços Mistura com viscosidade fugaz-desaparece com a movimentação 400.000 a 1.500.000 (40 a 60% de Ne) ( H—) levemente positivo Reação demonstrando viscosidade da mistura 800.000 a 5.000.000 (60 a 70% de Ne) (++-) fracamente positivo A homogeinização da mistura demonstra ocor rência de sua gelificação mais de 5.000.000 (70 a 80% de Ne) (+++) fortemente positivo Na mistura, além da gelificação, demonstra -se coagulação com formação de massas gelatinosasNe = leucócitos do tipo polimorfo nuclear neutrófilos.
  • 58. 390 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Figura 8.52 - Esquema da realização da prova de Schalm e Noorlander - CMT. (A) Colheita do leite na bandeja do CMT; (B) inclinação de 45° para igualar os volumes de leite colhido; (C) adição de igual volume de reativo CMT; (D) homogeneização da mistura, verificando-se o aparecimento de sua viscosidade; (E) reação francamente positiva (reação intensa +++). A prova GMT pode ser feita, sem dificulda- sua constituição, particularmente no que se refe-de de interpretação, nas fêmeas de bovinos e re ao número de células somáticas (exuberantebubalinos (Fig. 8.52). Todavia, deve-se destacar quantidade de células epiteliais e de leucócitos).que, nas cabras e ovelhas, há presença, no leite, Assim sendo, os resultados se caracterizam porde corpúsculos citoplasmáticos resultantes do pro- evidente formação de grumos e aumento da vis-cesso apócrino da secreção láctea, bem como a cosidade, quase sempre considerados como for-existência de maior número de células somáticas temente positivos. Tal restrição traz, pelo menos,em condições fisiológicas. Entretanto, os corpús- uma vantagem: o método não permitirá "o diag-culos não reagem com os reagentes utilizados na nóstico de mamitc assintomática". Os especialis-realização dessa prova, pois são desprovidos de tas Mary C. Smith e Uavid M. Sherman, no livroADN. Nesse momento é conveniente fazer-se o "Goat Medicine" (1994), destacaram: "o leite deprimeiro alerta sobre o uso dos métodos semiquan- cabra, naturalmente, tem uma maior quantidadetitativos de avaliação de resultados, por provas que de células epiteliais que o leite de vaca, sendodemonstram qualidades de reações, sem permitir considerado que leite, cujo resultado seja T (traços)sua exata quantificação. Essas são provas que ou l (fracamente positivo) representariam resul-dependem do virtuosismo do examinador, isto é, tados de amostras com até l milhão de célulasrelacionam-se mais com a capacidade do avalia- somáticas por mililitro, não representando moti-dor em diferenciar reações que de sua experiên- vo de preocupação".cia e por isso são dependentes de inúmeros fato- Apesar dos referidos autores utilizarem nores aleatórios. texto do livro a designação mamite assintomática, Os resultados da prova de CMT em caprinos destacaram: "a precariedade do uso do GMT (oue ovinos devem ser interpretados com muito cri- outro teste qualquer), para o diagnóstico da mamitetério em face do tipo de secreção do leite c de assintomática, depende da prevalência da mamite
  • 59. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 391no rebanho; em rebanho submetido a bom manejo Observação: Na avaliação dos resultados dosanitário, o valor de um resultado positivo e de CMT, em amostras de leite de ruminantes obti-insignificante valor diagnóstico". das de glândulas mamarias sadias ou suspeitas, Como foi destacado anteriormente, os resul- demonstrou-se serem inúmeras as circunstânciastados obtidos no leite de pequenos ruminantes em que o aumento da cclularidade do leite nãodevem ser interpretados com atenção, destacan- se deve, seguramente, a processos inflamatóriosdo: o resultado negativo é um bom indício de de origem infecciosa. Sabe-se que há maior nú-ausência do processo inflamatório da mama; os mero de células somáticas quando houver reten-resultados ligeiramente positivos são observados ção de leite entre ordenha, no início c no final dacm animais sadios e podem representar até 1,5 x lactação, nos primeiros e nos últimos jatos de umal O6 células somáticas por mL; os fortemente posi- ordenha, mas sem dúvidas essa ocorrência é pre-tivos indicam, seguramente, uma reação causada dominante nas mamites.por um processo inflamatório da mama e resulta-dos com até 5,0 x K)6 células somáticas por mL. Na avaliação dos resultados da prova de Exame Microscópico do LeiteSchalm e Noorlander devem ser considerados O exame microscópico do leite, com finalida-e destacados alguns detalhes. A maior intensi- de de estabelecer o número de células somáticasdade de reação da prova pode ser observada no por mililitro de leite, bem como para avaliar asfinal da lactação ou durante enfermidades sis- características morfológicas dessas células, neces-témicas. Todavia, nessas circunstâncias, o re- sariamente não é feito em amostras estéreis de leite.sultado é observado no leite obtido em todas Todavia, como esse é um exame semiológico maisas glândulas que constituem o úbere; se hou- complexo, exigindo utilização de laboratório espe-ver resultados diferentes entre as amostras das cial, ele é feito na mesma amostra destinada aosmetades ou dos quartos da mama, há indícios exames microbiológicos, evitando-se assim a ne-evidentes de inflamação no quarto ou metade cessidade de outra colheita de amostra.que apresentar reação mais intensa. Apesar dos resultados de pequeno valor apre- Colheita de Amostras de Leitesentados pelo CMT cm cabras e ovelhas leitei-ras, não se poderia deixar de apresentar, neste As amostras de leite destinadas a examesmomento, o sistema de apreciação dos valores laboratoriais, principalmente para realização dedessas provas delineado por Schalm e cols., 1971, exames bacteriológicos, devem ser colhidas comidealizadores do método, configurando nas Ta- cuidados de assepsia. As normas a seguir descri-belas 8.12, 8.13 e 8.14 a interpretação dos resul- tas são recomendáveis, pois cm buiatria resulta-tados no leite de vacas, cabras c ovelhas. ram em excelentes resultados. Tabela 8.13 - Avaliação da prova de Schalm e Noorlander (CMT) em caprinos (segundo Schalm e cols., 1971). esuitaao segundo os Estimativa do numero de células autores somáticas por mL e a amplitude de variação 60.000 (até 480.000) 270.000 (até 630.000) ( ----- ) ne gat i vo R e a ç ã o se m mod i fi c a ç ã o ( ± — ) t ra ç o s R e a ç ã o c om l í qui d o muc o so na pe ri fe ri a d o re - 6 6 0 . 0 0 0 (2 4 0 . 0 0 0 a 1 . 4 4 0 . 0 0 0 ) c e pt á c ul o (H ---- ) levemente positivo Reação com formaçã o muc o-floc ulenta, se m ten - 2 .4 00. 000 (1 .08 0. 000 a 5 .85 0. 000 ) d ê nc i a a fo r ma r c u me c e nt ra l (+ H —) fracamente positivo R e aç ã o c om for ma ç ã o de gel se mi -lí qui d o, c om ma i s d e 1 0 . 0 0 0 . 0 0 0 movimento em massas e formação de cume central Na notação de resultados por cruzes, recomenda-se sempre deixar claro o número máximo considerado: - = (-); ± = ((+)-); + = (+-); ++ = (++-) e +++ = (+++). Reaçã o c om formaçã o de ma ssa gelati nosa c on ve xa e (+ + +) fortemente positivo pre sa a o fu nd o d o re c e pt á c ul o
  • 60. 392 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Tabela 8.14 - Avaliação da prova de Schalm e Noorlander (CMT) em ovinos (segundo Schalm e cols., 1971). Resultado segundo Avaliação Estimativa do número de células os autores somáticas por mL e a amplitude de variação ( ---- ) negativo Reação sem modificação 30.000 (até 310.000) Reação com líquido mucoso na periferia do re- 200.000 (até 520.000) (±—) traços ceptáculo Reação com formação muco-floculenta, sem ten- 900.000 (200.000 a 2.800.000) (H—) levemente positivo dência a formar cume central Reação com formação de gel semi-Iíquido, com 2.800.000 (1.144.000 a 4.800.000) (+H—) fracamente movimento em massas e formação de cume central Reação com formação de massa gelatinosa con- 9.500.000 (1.250.000 a 1 7.000.000) positivo (+++) fortemente vexa e presa ao fundo do receptáculo positivo Inicialmente, faz-se a assepsia da extremidade te, determinação do pH e realização da prova dedo teto, particularmente do orifício do teto. Com Schalm e Noorlander. Por isso, no momento dachumaço de algodão embebido em álcool a 70%, colheita da amostra, já realizou-se previamentelimpa-se a extremidade do teto para, a seguir, passar o escoamento do leite retido nas cisternas; por-com energia pequenos pedaços de algodão tanto, já houve uma limpeza mecânica do canalembebido na mesma substância inúmeras vezes do orifício do teto.sobre o orifício do teto, recomendando-se a cada A amostra é colhida por ordenha em sentidolimpeza renovar-se o algodão (Fig. 8.53). Entre- horizontal, isto c, mantendo-se o tubo coletor paralelotanto, pelo pequeno tempo de atuação do álcool ao solo, protegendo se a parte estéril da rolha sob aa 70%, a assepsia seria mais mecânica do que por mão que a segura, juntamente com o mencionadoação asséptica. Não se recomenda deixar o teto tubo (Fig. 8.53). Assim, evitar-se-á que pêlos e outrosmolhado com álcool ou o uso de soluções assép- detritos contaminem a rolha ou penetrem, inadver-ticas enérgicas, pois contaminando o leite, essas tidamente, no interior do tubo de colheita, alterandosubstâncias impediriam ou dificultariam o cres- a qualidade semiológica da amostra.cimento bacteriano. Fssa amostra deve ser enviada, imediatamen- O volume de leite a ser colhido varia entre 5 te, ao laboratório, ou refrigerada, podendo ser uti-c lOmL, de acordo com a capacidade do recipien- lizada dentro de 24 horas, sem outros cuidadoste utilizado e as necessidades das provas. Reco- de conservação.mendam-se tubos de centrífuga de vidro, comcapacidade para 15mL, providos de rolha de cor-tiça ou borracha, protegidos por papel manilha e Contagem de Número de Células Somáticasesterilizados em forno Pasteur. É conveniente A contagem de células somáticas do leite, emressaltar que é mais importante colher uma amostra animais ruminantes de uso leiteiro, praticamenterepresentativa que uma amostra volumosa; esse refere-se ao número de leucócitos; mas no casocuidado se aplica, particularmente, para animais particular dos caprinos é conveniente ressaltar querebeldes, quando a ordenha é mais difícil, em face o número de células somáticas é muito grande,das reações e indocilidade do animal. pois aos leucócitos se associam às células de des- Os primeiros jatos de leite, ou seja, o leite camação do tecido epitclial de revestimento in-acumulado nas cisternas do teto, no período en- terno das várias estruturas da glândula mamaria.tre ordenhas, são desprezados, pois apresentam Cabe ressaltar, mais uma vez, a ocorrência dosgrande número de bactérias saprófitas e a orde- corpúsculos citoplasmáticos no leite de vaca,nha previa descontamina o ductuspapillaris. To- partículas assemelhadas em tamanho e forma aosdavia, cabe, mais uma vez, ressaltar que o exa- leucócitos e que dificultam a avaliação qualitati-me da glândula mamaria é um complexo va e quantitativa das contagens de células somá-semiológico no qual se inscrevem inúmeras pro- ticas, principalmente quando a contagem se fazvas, destacando avaliação macroscópica do lei- por contadores eletrônicos de partículas.
  • 61. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 393 Entre os leucócitos observados no leite, pelo tório sofisticado e não deve ser recomendado significado diagnóstico que apresentam, destacam- para contagem de células somáticas do leite de se os polimorfonucleares granulócitos neutrófilos. caprinos. Tal restrição é consequente à Inúmeras foram as técnicas recomendadas para ocorrência das partículas citoplasmáticas noa contagem total das células somáticas do leite, leite de cabra (não existe no leite de vaca),merecendo destaque as expostas no Quadro 8.17. que têm tamanho semelhante ao dos leucó- Método de Trommsdorff. Essa é uma técnica citos e, por isso, as contagens assim determi-baseada na centrifugação e separação das células nadas, apresentam valores que são praticamen-por decantação, com auxílio de centrifugação em te o dobro do número real das células somá-tubos especiais, com capacidade para lOmL de ticas existentes na amostra de leite. Esse tipoleite. A avaliação do número de células é propor- de contagem em leite de vacas aplica-se, prin-cional ao volume do sedimento, medido na por- cipalmente, para avalilar a condição de pro-ção capilar aferida, existente na extremidade desses dução higiénica do leite de consumo e paratubos. A avaliação semiquantitativa é considera- controle clínico-epidemiológico da mamite nosda pouco sensível dando, entretanto, informações rebanhos leiteiros.válidas para o diagnóstico clínico, principalmen- b) Variações do número de células somáticas no leite.te se a coloração do sedimento for amarelada, A contagem padrão de células no leite deverevelando a presença de piócitos e, assim, detec- ser feita em amostras obtidas imediatamen-tando a ocorrência de um processo inflamatório te antes da ordenha normal e seus valores,catarral da glândula mamaria (ver Quadro 8.17). em termos médios, atingem cifras maiores que Método de Prescott e Ereed. Este método de 400.000 células/mL para vacas e de 800.000contagem de células somáticas é feito em esfrega- células/mL para cabras. Observa-se aumentoços de leite corados. Segundo os autores citados, fisiologicamente no início e no final da0,lmL de leite homogeneizado deve ser estendi- lactação (no final da lactação, observa-se au-do sobre uma área de lcmz demarcada em uma mento de macrófagos e células epiteliaislâmina de vidro lapidado, para em seguida ser seco descamadas); sendo também maior o númeroe fixado em álcool metílico e corado com uma de células somáticas, no início c no final dasolução de azul de metileno, ou outro corante celular. ordenha; cm condições patológicas, aumentaAs células são contadas sobre 100 diferentes cam- nas congestões mamarias, na retenção depos microscópicos (utilizando-se objetiva de imer- leite na mama (ordenha mal feita), nos trau-são). Para o número global de células somáticas matismos e principalmente nas mamites. Apor mL de leite, multiplica-se o número de célu- interpretação da contagem de células so-las encontradas em 100 campos por 5.000. Esse fator máticas do leite das vacas somente terá signi-de multiplicação poderá variar na dependência das ficado semiológico para o diagnóstico dos casoscaracterísticas do microscópio utilizado (do fator de mamite se forem utilizados métodos apro-do microscópio) (ver Quadro 8.17). priados - sensíveis e específicos e padroni- Contagem de células somáticas em câmaras zados para serem utilizados nessa espécie dehematimétricas. A contagem das células pode ser animais domésticos, pois o leite da vaca di-feita cm amostras diluídas em líquidos especiais, fere do leite da cabra, principalmente, por serque permitam a fragmentação dos glóbulos de resultante de secreção do tipo apócrino degordura e uma perfeita dispersão das células, em secreção láctea, dando-lhe características pró-câmaras hematimétricas tipo Neubauer modifi- prias. Como citado na literatura consultada:cada ou similares. A técnica assemelha-se à des- "a aplicação em caprinos leiteiros de testes,crita para contagem de hemácias c leucócitos provas e regulamentos, padronizados e de-sanguíneos. senvolvidos para bovinos, frequentemente, levam os criadores e produtores comerciais aContagem em Contadores Automáticos uma situação de pânico, quando interpreta- se o grande número de células contadas como a) Contagem eletrônica. A contagem eletrônica das evidência de sérios problemas de mamite no células somáticas utilizando-se aparelhos como rebanho ou se houver ameaças de sanções eco- o Coulter Counter (contador eletrônico de par- nómicas pelos órgãos de fiscalização da pro- tículas), apesar de facilitar e dar precisão e dução higiénica do leite" (Smith e Sherman sensibilidade à contagem, exige um labora- - 1994).
  • 62. 394 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Quadro 8.17 - Exame macroscópico do leite: contagem de células somáticas. 1) Colheita de amostras • Esterelidade - assepsia - evitar contaminação. 2) Contagem de células somáticas • Método de Trommsdorff - por centrifugação (avaliação do volume do sedimento). • Método de Prescott e Breed - contagem das células em esfregaço de leite corado x fator microscópico. • Contagem em câmaras hematimétricas, contadores eletrônicos e avaliação do ADN do núcleo das células. Mamite catarral por Estafilococus coagulase (-) 700.000-5.OOO.OOOcel/m L Mamite catarral por Estafilococus coagulase (+) 600.000-1 .OOO.OOOccl/mL Mamite catarral por Estreptococus 1.500.000-4.500. OOOcel/mL Pelas razões mencionadas, as determinações do leite de cabra, não há interferência das par- do número de células somáticas no leite uti- tículas citoplasmáticas, oriundas da secreção lizando-se contadores eletrônicos do tipo apócrina de leite, pois as partículas citoplas- CoulterGounterrião são consideradas nem es- máticas são destituídas de ADN. pecíficas ou sensíveis para o diagnóstico de mamites nos caprinos, pois aproximadamen- te um terço dos resultados obtidos em ani- Diferenciação das Células Somáticas do Leite mais sadios foi maior que dois milhões de A diferenciação das células somáticas é feita células por mililitro. sobre esfregaços corados, feitos com leite homo- c) Método "Fossomático" de contagem de células geneizado ou a partir de sedimento da amostra, somáticas no leite. Esse método de determina- após a centrifugação. ção automatizada de contagem celular em flui- dos orgânicos utiliza uma técnica fluorescente Técnica. O esfregaço pode ser feito com a reagindo o leite com um corante que tem amostra utilizada para a contagem total de célu- afinidade específica para o ácido dcsoxirribo- las somáticas ou com sedimento de leite, antes nucléico do núcleo das células, portanto, sen- da realização do exame microbiológico do leite (a sível e específico para determinar essas célu- centrifugação da amostra do leite antes da reali- las. Por isso é recomendado, atualmente, por zação do exame bacteriológico é um método de associações responsáveis pelo controle higié- concentração que facilita o isolamento de bacté- nico do leite. Nesse tipo de contagem, incluem- rias). Nesse último caso, a amostra é centrifugada se as células epiteliais e os leucócitos. No caso durante 10 a 15 minutos com 2.500rpm; despre-A B Figura 8.53 - Colheita de amostras estéreis de leite:A) Assepsia da cúpula e orifício do tetoB) Colheita do leite mantendo o tubo em posição horizontal (evita que pelos e sujidades caiam dentro do tubo)
  • 63. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 395ga-se o tampão de gordura por aquecimento; metida por mamite, observa-se a presença dedespreza-se o sobrenadante, colhendo-se o sedi- grupos de bactérias, tendo então, esse exame, amento com alça de platina estéril, distribuindo-o conotação de bacterioscopia.sobre lâmina lapidada; para finalmente deixar oesfregaço secar e, em seguida, fixá-lo durante 10minutos, em álcool metílico. Exame Microbiológico do Leite Em ambos os casos, a coloração é realizadacom solução aquosa de azul de toluidina a l :2.000, Um dos conceitos fundamentais da semiologiadurante l minuto ou com corante de Rosenfeld e patologia clínica, relacionados às enfermidades(atuação entre 5 e 10 minutos). Em seguida, o das glândulas mamarias, é aquele salientando queesfregaço é lavado, seco c observado em micros- seus diagnósticos devem ser precisos e precoces,copia de campo claro (aumentado em 800 vezes). pois as lesões de tecidos glandulares são irrever- Interpretação. Nos esfregaços, são diferencia- síveis e, mesmo que a evolução leve à cura com-dos os seguintes tipos de leucócitos: polimorfo- pleta, o tecido glandular destruído transforma-senucleares neutrófilos e eosinófilos; mononuclea- em fibroso, deixando de ter capacidade secreto-res linfócitos e monócitos (macrófagos). Além disso, ra. Baseado nesta afirmação, pode-se concluir queencontram-se, no caso do leite de cabras, inúme- as normas utilizadas no exame microbiológico doros corpúsculos citoplasmáticos. No colostro, leite devem ser as básicas dessa ciência, todaviaencontram-se conglomerados de células com ci- submetidas a modificações a fim de poder-se apre-toplasma espumoso, denominadas corpúsculo de sentar o diagnóstico ctiológico e a sensibilidadeNissen. Na contagem diferencial das células so- do agente microbiano causador da mamite aosmáticas do leite de vacas são descritos, ainda, um antibióticos o mais rápido possível, isto é, entregrande número de células epitcliais (descamadas, 36 e 48 horas. As técnicas rotineiras que serão ex-cilíndricas e cúbicas). E, em condições patológi- postas a seguir são adaptadas do sistema de diagnós-cas, descreve-se, ainda, a presença de células tico microbiológico das mamites padronizadas pelogigantes (na tuberculose), eritrócitos e fragmen- laboratório especializado da Clínica Obstétrica ctos de células desintegradas (ver Quadro 8.18). Ginecológica dos Bovinos, da Escola Superior de Nas mamites agudas, predominam os leucó- Veterinária - Hannovcr (ver Quadro 8.19).citos, principalmente os polimorfbnuclcares neu- Colheitas de amostras. As amostras colhidastrófilos. Nas mamites catarrais crónicas, aparecem devem ser representativas do leite produzido pelanos esfregaços, feitos com sedimento, conglome- glândula mamaria, recomendando, para tanto, usarrados de neutrófilos, envolvidos por massas de as normas e cuidados de assepsia recomendadosfibrina. Nas mamites apostematosas, além das anteriormente.massas de fibrina, observa-se uma granulação Preparo de amostra para provas bacteriológicas.escura, dando um aspecto de penteado sobre o Antes da realização das provas, as amostras de-esfregaço. vem ser centrifugadas durante 10 a 15 minutos Destaca-se, ainda, que no esfregaço do leite, 2.500rpm; desprega-se o tampão de gordura pornos casos de amostras colhidas de glândula aco- aquecimento; desprcza-se o sobrenadante; restan- Quadro 8.18 - Exame microscópico do leite: identificação das células somáticas do leite. Diferenciação segundo Schõnberg (1951). 3) Contagem diferencial de células somáticas Técnica: esfregaço —* fixação -» coloração = exame microscópico com imersão (800x) - número médio= 150.000 (20.000 a 500.000) células somáticas por ml_. Diferenciação Polimorfonucleares neutrófilos 50 - 70% Polimorfonucleares eosinófilos O - 3% Mononucleares linfócitos 25 - 35% Mononucleares monócitos 5 - 1 5% Outras células Células epiteliais descamadas; células gigantes (na tuberculose da mama); eritrócitos e corpúsculos de Nissen (corpúsculos colostrais).
  • 64. 396 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Quadro 8.19 - Exame microbiológico do leite, como norma rotineira para complementar o diagnóstico das mamites. • Colheita e preparo da amostra para o exame. • Bacterioscopia - lâmina corada com azul de toluidina ou corante de Rosenfeld. • Isolamento de microorganismos do leite - Plaquear em ágar-sangue. - Semear em caldo glicosado. • Pesquisa de sensibilidade aos antibióticos: antibiograma.do o sedimento, concentrado para a realização dos melhor aproveitamento do material de labo-exames microbiológicos: bacterioscopia; isolamento ratório e que 4 amostras sejam examinadas embacteriológico e avaliação da sensibilidade do apenas uma placa. Após a incubação as placasagente bacteriano, frente a diferentes antibióti- são avaliadas anotando-se a ocorrência e o tipocos e quimioterápicos. de hemólise, características e o tamanho das colónias. Das colónias evidenciadas, pode-sea) Bacterioscopia. O exame microscópico do es- fazer o isolamento do agente bacteriano fregaço do sedimento lácteo, fixado em ál causador da mamite e determinar-se a espécie cool metílico e corado com azul de toluidina do microorganismo isolado (Quadro 8.20). c) ou outro corante celular, utilizado para a ava Características das colónias em ágar-sangue. liação das células somáticas permite a eviden- • Streptococcus: colónias finíssimas, lisas e ciação das bactérias (o uso do corante de brilhantes, associadas a vários tipos de Rosenfeld, como recomendado em hemato hemólise. Staphylococcus aureus - colónias logia, tem apresentado excelentes resultados), pequenas, elevadas, lisas, opacas ou bri pois cora tanto o núcleo como o citoplasma lhantes, descoloridas, com hemólise do das células somáticas. Nesses esfrcgaços, Tipo beta ou associada a hemólise alfa encontram-se, principalmente, estafilococos e delta. e estreptococos, que podem estar distribuí dos entre as células ou serem observados no • Micrococcus: Staphylococcus coagulase ne interior delas, representando então uma fase gativo têm morfologia semelhante a an do processo de fagocitosc. terior podendo apresentar halo de hemóliseb) Isolamento de bactérias do leite. Após a realiza do Tipo beta com l mm de espessura. ção do esfregaço do sedimento lácteo para • Coliformes: colónias de tamanho médio, identificar as células somáticas ou evidenciar opaca, lisa, elevadas com odor de bolor. a presença de bactérias, a alça de platina deve • Arcanobacterium pyogenes (anteriormente ser esterilizada e reutilizada, semeando o Corynebacterium c Actynomices}: colónias sedimento lácteo cm ágar-sangue e, posteri finíssimas e com pequeno halo de hemó ormente, em caldo glicosado. Os meios de lise, crescimento lento, devendo aguardar- cultura são a seguir incubados durante 18 a se mais 48 horas de incubação para obte- 24 horas em estufas mantidas a 37°C. rem-se melhores condições para a leitura No uso rotineiro, as placas de ágar -sangue do resultado. são subdivididas em 4 partes para permitir Quadro 8.20 - Frequência de bactérias patogênicas causadoras de mamite isoladas de amostras de leite de 160 casos clínicos de mamite em vacas leiteiras, criadas na região de Campinas - SP. Staphylococcus spp. 52,4% Streptococcus spp. (agalactiae, dysgalactiae ou uberis) 22,5% Arcanobacterium pyogenes 9,1% Germes coliformes (bacilares) 8,6% Fungos (leveduras) 2,7% Germes indeterminados 4,8%
  • 65. Semiologia da Glândula Mamaria de Ruminantes 397 Destaca-se que o isolamento de microor- cefalosporina, lincomicina, neomicina, canamicina, ganismos do género Mycoplasma exige tetraciclinas, cloranfenicol, gentamicina, olean- meios sólidos ou líquidos especiais. Nos domicina, eritromicina, entre outros). As placas primeiros, crescem formando pequenas para o antibiograma devem ser incubadas a 37°C colónias típicas, comparáveis à forma de durante 12 a 24 horas, fazendo-se a leitura de acordo "ovos fritos" e, antes da realização da prova, com o halo de inibição do crescimento bactcria- devem ser mantidos em meios conserva- no. De acordo com a espessura do halo de inibi- dores (de transportes) adequados. ção e de acordo com a característica de antibióti- d) Aspectos morfológicos das bactérias em esfregaços cos, os resultados são assim expressos: R = resis- lácteos corados pelo Gram. tentes, S = sensíveis e MS = muito sensíveis. • Streptococcus: cocos unidos em cadeia de, A terapia deve ser recomendada de acordo no mínimo 5 elementos arredondados ou com a sensibilidade apresentada pelas cepas de ovais Gram-positivos. germes isolados. Segundo a técnica descrita o • Staphylococcus: cocos unidos em grupos de, tratamento específico pode ser preconizado em no mínimo, 4 elementos arredondados menos de 48 horas. Caso tivesse sido feito o iso- Gram-positivos. • Coliformes: bacilos Gram-ncgativos. lamento do agente, para, a partir de cultura pura, • Arcanobacterium pyogenes: elementos fazer o antibiograma, o resultado demoraria en- pleomorfos, semelhantes a "caracteres chi tre 72 e 96 horas. Essa demora em ter-se a exata neses", podendo formar cadeias Gram- indicação para terapia específica poderia tornar positivas. irreversível a evolução da infecção, impossibili- e) Características do crescimento em caldo glicosado. tando a cura mesmo após uso de medicamentos O crescimento em caldo glicosado pode ser adequados. observado após 18 a 24 horas de incubação a 1 - 37°C. As seguintes características devem ser destacadas: OBSERVAÇÃO FINAL • Staphylococcus: crescimento com turvação sem sedimento. O perfeito diagnóstico das enfermidades da glân- • Streptococcus: crescimento com precipita dula mamaria depende fundamentalmente de ções e formação de grumos e, raramente, minucioso e adequado exame clínico do animal com turvações. enfermo, alicerçado no conhecimento e na prática • Coliformes: crescimento com intensa tur da metodologia técnica e normas da semiologia. vação. Mas deve-se ressaltar que, no exercício rotineiro • Arcanobacterium pyogenes: cresce mal nesse da profissão junto aos animais de produção, o médico meio líquido de cultura. veterinário se submeterá a lento, mas eficaz pro- f) Pesquisa de sensibilidade dos germes causadores cesso de formação, atingindo a maturidade neces- de mamite aos antibióticos. A sensibilidade dos sária para o exercício da clínica veterinária. germes é avaliada por meio de antibiogramas, Com certeza, pode-se afirmar que, no caso podendo ser empregadas várias técnicas; uma específico da semiologia da glândula mamaria, a dessas, realizada em placas de ágar-sangue será utilização do plano de exame clínico apresenta- descrita a seguir. do nesse capítulo, associado à prática das técni- cas recomendadas, o clínico veterinário estará apto A cultura em meio líquido (caldo glicosado) a concluir seu exame clínico consistente e defi-é homogeneizada, e algumas gotas colocadas em nitivo, estabelecendo em todos os casos o exatoplaca com ágar-sangue e homogeneamente dis- diagnóstico nosológico.tribuídas com alça de Drigalsky. Após isso, espe-rar-se alguns minutos, mantendo a placa sobresuperfície nivelada, em posições equidistantes, BIBLIOGRAFIAsão colocados os discos contendo quantidadespadrões de antibióticos. Recomenda utilizarem- ADAMS, H.R, ALLEN, N.N. The values of oxitocin forse antibióticos que sejam facilmente encontrados reducing fluctuations in mi l k and fat yields./. Dairy Sei.,no comércio e tenham indicação para uso intra- v.3.S, p.1117-25, 1952.mamário ou intramuscular (penicilinas, cloxacilina, CECÍLIA, C. A. Enciclopédia de Ia Leche. Madrid: Ed. Espasa- Calpes, 1956.
  • 66. 398 Semiologia Veterinária: A Arte do DiagnósticoCOSTA, A.C., CHAVES, RR. Tratado Elementar de Histolo- Fossomatic por prcdicting half infection. J. Dairy Sei., gia e Anatomia Microscópica. 2v., 2.ed. Lisboa, 1949. v.66, p.2575-9, 1983. ROSENBERGER, G. Exame Clínico FINCHER, M.C;., GIBBONS, W.J., MAYER, K., PARK, S.E. dos Bovinos. Úbere. 2.ed., Diseases ofCattle. American Veterinary Publications, Inc. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.329-41, 1977. Illinois, 1956. GRUNERT, E. Weiblichen SARDA, J.M. Elementos de Fisiologia. 2v. 6.ed. Barcelona:geschechtapparat. In: Editorial Científica Médica, 1952. SCHALM, O.W., ROSENBERGER, G. DieKlinische Untersuchungdes Rindes. CARROL, E.J., JAIN, N.C. BovimMastistis. 3.ed. Berlin: Verlag Paul Parrey, p.472-543, 1990. Philadelphia: Lea & Febiger, 1971. SCI1ALM,O.W.,GRUNERT, E., WEIGT, U. Euterkrankhcitcn. In: AHLERS, NOORLANDER, D.O. Experimcnts and D. et ai. Buiatrik. M. e H. Schaper, Hannover, 1985. observadoras leading to dcvclopmcnt of the CalifornianHEIDRIC, H.J., RENK, W. Diseases oftheMamary Glands of mastitis test. J. Am. Vet. Med. Ass., 130p., 199, 1957 Domestics Animais. Saunders & Co., Philadelphia, 1967. SCHEUNERT, A., TRAUTMANN, A., KRZYWANEK, F.W.JENNES, R. Composition and characteristics of goat milk: Tratado de Fisiologia Veterinária. Barcelona: Ed. Labor, review 1968-1979../. Dairy Sei., v.63, p.1605-30, 1980. 1942. SCHMIDT, G.H. Biologia de Ia Lactaãon.JUNQUEIRA, L.C., CARNEIRO, J. Histologia Básica. S.cd., Zaragoza: Ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1982. KOLB, E. Acribia, 1971. SCHÕNBERG, F, Milchkunde undFisiologia Veterinária. 4.ed., Rio de Janeiro: milch hygiene. Verlag Guanabara Koogan, 1980. LEINATI, L. Compendio di Schaper, Hannover, 1951. In: SCHÕNHERR, W. ManualAnatomia Patológica Dagli Animali Prático de Analisis de Leche. Zaragoza: Editorial Acribia, Domestici. 3.ed. Milão: Ed. Ambrosiana, 1955. 1959. SISSON, S., GROSSMAN, G.RH. Anatomia de losMAXIMOV, A., BOLLOM, W. Tratado de Histologia. 3.ed. Animales Buenos Aires: Editorial Labor, 1952. MURPHY, J.M., Domésticos. 3.ed., Barcelona: Salvai, 1953. SMITH, M.,HANSON, J.J. A modificd Whiteside test SHERMAN, D.M. Mammary gland and milk for thc dctcction of chonic bovine mastitis. Cocnell Vel., production. In: SMITH, M.E., SHERMAN, D.M. Goat 31. p.47, 1941. POUTREL, B., LERONDELLE, C. Medicine. Philadelphia: Lea & Febiger, p.465-94, 1994.Cell content of goat WHITESIDE, W.I I. Observations on a new test for the presencc milk: Califórnia mastitis test, Coultcr counter and of mastitis in milk Can. Pub. Health. J., 30, p.4(>, 1939. Semiologia do Sistema
  • 67. Reprodutor Masculino •ALICIO MARTINS JÚNIOR FRANCISCO LEYDSON F. FEITOSA Inúmeros fatores podem afctar a capacidade reprodutiva, tais como: afecções inerentes ou não ao sistema reprodutor, estado sanitário e nutricional, idade e comportamento sexual. A demanda crescente por animais de genética superior, a disponibilidade de métodos de apro- veitamento do sémen e a facilidade de utilização aumentaram consi- deravclmente a responsabilidade na avaliação andrológica e tratamento dos distúrbios reprodutivos. A fertilidade é uma indicação sensível de saúde geral uma vez que pode ser afetada por qualquer doença pre- sente em outra parte do organismo. Casos de infertilidade assintomá- tica podem somente ser esclarecidos através de minucioso exame fí- sico geral e específico do animal, associado à análise das condições nutricionais, sanitárias e de manejo reprodutivo. REVISÃO ANATÓMICA E FISIOLÓGICA DO SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO O sistema reprodutor masculino é composto por diferentes órgãos, os quais são responsáveis pela produção de hormônios androgêni- cos, espermatozóides e líquido seminal, bem como pelo transporte de sémen durante a ejaculação (Quadro 8.21). As principais estruturas anatómicas e funcionais, como pênis, bolsa testicular, testículos, epi- dídimos, duetos deferentes, ampolas e glândulas sexuais anexas, prós- tata, glândulas vesiculares e bulbouretrais, acham-se distribuídas de acordo com a espécie. A bolsa testicular, presente em todos os animais domésticos, é uma evaginação do períneo composta basicamente por pele, faseia escrotal e uma camada fibroelástica subcutânea e muscular (túnica dartos), fundida ao folheto parietal da túnica vaginal. A pele tem uma epiderme fina e alguns poucos pêlos. A bolsa testicular regula a temperatura testicular por meio de dois mecanismos espe - cializados: l. Resfriamento do sangue arterial antes de entrar no testículo, através da troca de calor com o sangue venoso no plexo pampiniforme, localizado no cordão espermático;
  • 68. 400 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico (Quadro o.21 ~ Principais constitumt Quadro 8.22 - Tempo médio de descida sistema reprodutor masculino. testículos para a bolsa testicular. • Bolsa testicular • Garanhão: 9 a 11 meses de gestação • Testículos • Touro: até 4 meses de gestação • Epidídimos • Carneiro: 80 dias de gestação • Duetos deferentes • Cão: 5 dias após o nascimento • Cordões espermáticos • Gato: 2 a 5 dias após o nascimento • Glândulas prostática, vesiculares e bulbouretrais • Prepúcio e pênis guinal externo, ajuda na migração dos testícu- 2. Movimentação dos testículos pela contração los. A descida, porém, é passiva, pois não existe do músculo cremastérico externo e túnica tecido contrátil no gubernáculo. Na maioria das dartos, retraindo-os parapróximo do corpo, quan- espécies domésticas a passagem dos testículos do a temperatura externa estiver baixa ou pelo através do canal inguinal ocorre por volta de seu relaxamento, deixando-os afastados do corpo, duas semanas após o nascimento, permitindo quando a temperatura estiver elevada. que assumam uma posição definitiva dentro cio escroto. A idade do descenso testicular não está Nos animais domésticos, os testículos estão estabelecida com exatidão nos animaislocalizados na região inguinal ou sub-inguinal, domésticos de companhia. Em cães e gatos édentro da bolsa testicular, portanto, fora da um evento observado após o nascimento e de-cavidade abdominal. Cada testículo se situa pende da raça. Como regra geral, os testículosdentro do processo vaginal, uma extensão sepa- devem ser palpáveis na bolsa testicular, emrada do peritônio que passa pelo canal inguinal. ambas as espécies, no máximo até oito semanasOs anéis inguinais interno e externo permitem de idade. No cão, é raro os testículos descerema passagem do processo vaginal e de seus consti- após 14 semanas e não o fazem após os seis mesestuintes, além de servir como trajeto para impor- de idade. Os espermatozóidcs e o líquido pro-tantes vasos c nervos, os quais irrigam e iner- duzido pelos túbulos seminíferos são transpor-vam os órgãos genitais. Os testículos são os ór- tados até o epidídimo, onde os espermatozói-gãos mais importantes do sistema reprodutor des se concentram e amadurecem. O epidídimo,masculino. Nos mamíferos domésticos, a função adjacente às superfícies dorsal, medial e caudaltesticular normal, sobretudo a espermatogêncsc, do testículo, apresenta três partes distintas: cabeça,depende do mecanismo de termorregulação de- corpo e cauda. A partir da cauda, origina-se o duetosempenhado pelo músculo cremastérico e túnica deferente, o qual irá se ligar à uretra pélvica. Adartos, os quais respondem efetivamente à va- cabeça do epidídimo absorve uma quantidaderiação da temperatura ambiente. Por isso, nos considerável de líquido originado nos túbulosmachos domésticos, os testículos se localizam fora seminíferos, resultando em aumento da concen-da cavidade abdominal, ou seja, na bolsa testi- tração de espermatozóides. A cauda armazenacular, onde a temperatura é cerca de 3 a 4°C menor cerca de 80% das células germinativas maduras.do que a temperatura corporal. Não havendo ejaculação, o principal destino dos Os testículos dos cães são relativamente pe- espermatozóides é a descarga espontânea naquenos e têm seus eixos longitudinais cm sen- uretra e eliminação na urina.tido oblíquo e dorsocaudal. A bolsa testicular No garanhão, os testículos se situam na re-se localiza entre a região inguinal e o ânus, sendo gião pré-púbica, dentro da bolsa testicular, emvisível olhando-se o animal por trás. Em gatos, uma posição praticamente horizontal. A bolsa tes-observa-se uma bolsa testicular ventral ao ânus. ticular é lisa, firme, elástica e de forma globularA descida dos testículos para a bolsa testicular c, como em outras espécies, contém numerosas(Quadro 8.22) é facilitada QQO gubernáculo, um glândulas sudoríparas, as quais contribuem paracordão de tecido mesenquimal, o qual liga o tes- a termorregulação. Os testículos são geralmentetículo e o epidídimo, em desenvolvimento, à assimétricos, sendo o esquerdo, na grande maioriabolsa testicular em formação. A subsequente re- das vezes, maior e mais penduloso do que ogressão, associada ao aumento de volume do direito, além de estar situado mais caudalmentegubernáculo, imediatamente distai ao anel in- ao testículo direito.
  • 69. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 401 A bolsa testícular, no touro, situa-se um pou- abaixo da bolsa testicular, & flexura sigmóide ou oco mais à frente do que no garanhão. É longa e S peniano, que se desfaz durante a ereção, fazendopendulosa. Os testículos são maiores, com aspec- com que o pênis se exteriorize cerca de 30 a 45cmto ovalado e alongado. além do orifício prepucial. O prepúcio c relativa- O pênis apresenta forma cilíndrica em todas mente longo e estreito; contudo, o orifício deveas espécies, estendendo-se, exceto no gato, do arco ser pérvio a dois dedos. A genitália externa dosisquiático até as proximidades do umbigo, na carneiros se assemelha à do touro, com duas di-parede abdominal ventral. Tem como funções ferenças básicas. Os testículos são proporcional-básicas depositar o sémen no trato genital feminino mente maiores e a uretra se projeta além da glandee expelir a urina para o meio exterior. A porção peniana, formando o apêndice vermiforme oulivre do pênis do cão contém o osso peniano, que vermicular da uretra. No bode, a extremidade dose desenvolve após o nascimento, podendo che- pênis é enrolada, sobretudo durante a cópulagar a até 12cm de comprimento nos cães de grande (Quadro 8.23).porte. A glande é relativamente longa, com a parte Além dos espermatozóides, o sémen é com-cranial cilíndrica e extremidade pontiaguda. Cau- posto principalmente de secreções das glândulasdalmente à glande, encontra-se o bulbo da glande sexuais acessórias (próstata, glândulas vesicularesdo pênis, bastante evidente durante a ercção, já e glândulas bulbouretrais), as quais acrescentamque aumenta cerca de duas a três vezes, contri- volume, nutrientes, tampões e outras substâncias,buindo para o "aprisionamento" ou "nó" durante cujas funções ainda permanecem desconhecidas.o coito. Ao cessar o impulso pélvico, o cão Essas secreções são chamadas de plasma ou líquidodesmonta e se volta contra a cadela, com o pênis seminal. A presença, o tamanho e a localizaçãoereto e girado 180° num plano horizontal, perma- dessas glândulas variam consideravelmente comnecendo na vagina até acabar a ereção, a qual pode a espécie. A próstata, por exemplo, é dissemina- da na uretra pélvica de ovinos e caprinos, ao passodemorar de 15 a 30 minutos. O pênis do gato tem que no touro, apresenta uma parte difusa e umuma peculiar orientação, com o seu orifício uretral corpo discreto. A próstata é um órgão compactoapresentando-se caudodorsal, ao passo que a porção no cão c, de fato, é a única glândula acessóriadorsal do pênis se posiciona cranioventralmente. encontrada nessa espécie. A próstata do cão éA porção livre do pênis é cónica, revestida por esférica e lisa, dividida em lobos esquerdo e direito,algumas pequenas papilas ou espículas, desen- envolvendo completamente a uretra. Em gatos,volvendo-sç entre dois e seis meses de idade e a glândula prostática tem uma superfície irregular,que regridem em animais castrados. O prepúcio cobrindo a uretra somente em suas porções dorsaldo cão está, efetivamente, separado da parede e lateral. As ampolas são dilatações que se originamabdominal, mas pode permanecer ligado a ela por nas extremidades distais dos duetos deferentes,uma prega da pele (frênulo persistente). sendo mais pronunciadas no cão c no cavalo. As O pênis do cavalo, quando em repouso, mede glândulas vesiculares são alongadas e relativamen-cerca de 50cm de comprimento; durante a ereção, te grandes nos animais domésticos. As glândulassua extensão aumenta em 50% ou mais. A extre- bulbouretrais ou glândulas de Cowper estãomidade livre da glande peniana, quando expandi- localizadas mais caudalmente, encontrando-seda, é convexa e circundada por uma proeminente em posição imediatamente anterior ao músculoborda (coroa da glande); apresenta uma profundadepressão em sua parte inferior (fossa da glande),onde a uretra se exterioriza cerca de 2cm, poden- Quadro 8.23 - Características anatómicas dos órgãosdo ser sede de lesões, como a habronemíase. Nas ré -oprodutores em algumas espécies domésticas.outras espécies, o referido órgão tem a extremida- Ovina e caprina: próstata difusa e pênis com umde afilada. O prepúcio contém um material espesso apêndice filiforme e flexura sigmóideconhecido como esmegma, que se acumula ao longo Bovina: flexura sigmóidedo pênis. A fossa uretral circunda o processo ure- Equina: pênis extremamente vascular com a uretratral e se comunica dorsalmente com o divertículo protruindo-se alguns centímetros além da glandeuretral sendo, também, um local de acúmulo de peniana Canina: osso peniano e próstata como uma únicaesmegma. glândula acessória O pênis do touro é mais longo e de menor Felina: pênis com presença de espículasdiâmetro do que o do garanhão, formando, logo
  • 70. 402 Semiologia Veterinária: A Arte do DiagnósticoUreter próstata de cães da raça Scottish Terrier é cerca de quatro vezes maior do que a de animais de outras raças com a mesma estatura, levando o clínico, Ampola desconhecedor de tal particularidade, a um diagnóstico equivocado de hiperplasia prostática em um cão sadio. Glândula vesicular ANAMNESE Como as causas de infertilidade podem estar as- sociadas às falhas de manejo, um histórico com- Próstata pleto deve ser obtido, detalhando-se as afecções passadas e/ou atuais, a ocorrência de traumas, vacinações, tratamentos etc. A compra de um reprodutor deve ser acompanhada de certificado de exame andrológico, bem como dos dados do vendedor. O ideal seria estabelecer uma cronologia da vida reprodutiva do animal, desde a puberdade até a fase adulta. Entretanto, nem sempre isso é Tuberosidade isquiática possível, em virtude da venda ou troca do animal e/ou de informações não tão precisas e completas,Figura 8.53 - Glândulas sexuais acessórias do garanhão. principalmente quando se trata de animais de grande porte. Durante a avaliação do reprodutor, algumasisquiocavernoso. No garanhão e ruminantes são perguntas devem ser feitas, como se segue:pequenas e arredondadas. Sua secreção é viscosae combina-se com a secreção das glândulas vesi- Qual a idade do animal? Acompanha certifi- cado de exame andrológico? Foi adquiridoculares durante a ejaculação. recentemente? Quais são os antecedentes do animal? O animal já possui produtos? Como são os filhos do animal? ApresentamIDENTIFICAÇÃO alguma anormalidade? O animal apresentaA idade do animal é um dado importante, já que desejo sexual? Consegue cobrir a fêmea? Aas anormalidades hereditárias e/ou congénitas penetração é completa ou o animal não con-(criptorquidismo, frênulo persistente) podem ser segue expor o pênis totalmente? A retraçãoobservadas nos primeiros dias ou semanas de vida peniana ocorre normalmente? Quantasou mais tarde (hipoplasia testicular). O apareci- fêmeas, em média, o animal já cobriu?mento de tumores testiculares é comum em ani- Qual o índice de prenhe/? Apresentamais idosos, especialmente no cão. Da mesma comportamento anormal (agressivo,forma, a qualidade do sémen e a libido tendem a afeminado...)?diminuir, principalmente nos machos idosos. Como Ocorreu alguma mudança no manejo do animal (alimentação, mudança de tratadoré frequente o aparecimento de outros problemas etc.)?de saúde nos animais mais velhos, a capacidade O animal foi ou está sendo medicado?física e funcional para a reprodução pode, tam- Com o quê? Qual a dosagem? Há quantobém, ser comprometida. A idade também é um tempo?fator crítico para a maturidade sexual. Um Há quanto tempo apresenta o problema?reprodutor equino somente poderá ser conside- Qual a evolução da afecção? Apresentarado sexualmente maduro após cinco anos de idade, dificuldade para se locomover?visto que os testículos ainda continuam a aumentarcm peso e tamanho até essa idade ou mais,implicando em um aumento progressivo naprodução de espermatozóides. A raça do animalé importante para algumas espécies. Assim, a
  • 71. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 403INDÍCIOS DE ANORMALIDADES também nos casos de desequilíbrio hormonal ou atividade sexual excessiva. Indicativo de libidoPRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS reduzida pode ser lentidão ou relutância em co-ENVOLVENDO O SISTEMA pular. A indiferença sexual está relacionada com a rejeição que alguns animais, principalmenteREPRODUTOR MASCULINO garanhões, apresentam frente à fêmea ou deter - minadas companheiras, perdendo todo o desejoInfertilidade sexual na presença delas. Tal comportamento é decorrente, na maioria das vezes, de traumas A infertilidade é definida como a redução tem- psíquicos, em virtude de experiências passadas,porária ou permanente da capacidade de conceber e marcadas por agressões como, coices, mordidasproduzir descendentes viáveis. Pode se manifestar ou simplesmente pelo medo de alguma atitudeà cópula (incapacidade couendi) ou na ausência agressiva da égua. Qualquer ato de insistência dode fertilização (incapacidade generandi). Aavaliação do potencial reprodutivo (avaliação operador, no sentido de forçar o garanhão a montaranclrológica e teste de comportamento sexual) e a égua, será acompanhado por respostas negativasmanejo são importantes para verificar a aptidão e agravará ainda mais a situação. Quando a impo-para a reprodução. O manejo inadequado pode tência e o comportamento sexual forem induzi-levar a um baixo desempenho reprodutivo. A dos pela dor e medo, a condição poderá persistirmaioria dos proprietários de cães e gatos toma mesmo após a diminuição do processo doloroso.medidas para evitar que seus animais procriem. Os cães, por exemplo, podem relutar a montar seOs cruzamentos indesejáveis são notoriamente doenças de disco intervertebral ou articulares es-férteis e a infertilidade é rara em cães e gatos. tiverem presentes. Nesse caso, a causa pode deixarEntretanto, não há dúvidas de que a falha re- de ser física e passar para psicológica. A maioriaprodutiva em determinadas raças caninas é co- dos problemas de origem psicológica é estabele-mum e, geralmente, atribuída ao alto índice de cida pelo próprio homem, como consequência decruzamento consanguíneo praticado nessas es- falhas no manejo. O sucesso das primeiraspécies. O médico veterinário tem acesso bastante experiências sexuais constitui em prc-requisito paralimitado para o diagnóstico de infertilidade em a performance reprodutiva futura. Assim, um machopequenos animais em comparação com bovinos sexualmente inexperiente, independentemente dae equinos, nos quais o sistema reprodutor pode espécie, deve ser exposto primariamente a umaser facilmente examinado por meio de exame fêmea experiente e dócil.físico específico interno (palpação por via retal Aumento do instinto sexual. O aumento do ins-e ultra-sonografia de imagem). tinto sexual, nos machos, denomina-se satiríase e ocorre devido à maior produção de esteróides, principalmente em animais novos, em regime deMudança de superalimentação, ou com animais criptorquídi-Comportamento Sexual cos, resultando em aumento do desejo genésico com a aproximação da fêmea em cio. Indícios de Indiferença sexual. O apetite sexual ou libido libido exacerbada são ereções frequentes, hábitoé controlado por um mecanismo neuroendócri- de montar sobre outros animais da mesma espécieno. ^.puberdade, no macho, representa o momento e/ou de espécie diferente e masturbação. Muitasem que este é capaz de produzir espermato- vezes, esses animais, quando colocados perto dozóides pela primeira vez, em número e qualida- manequim, exacerbam a excitação, saltando so-de suficientes para emprenhar uma fêmea (ver bre o mesmo sem prévia ereção. Tais padrões com-Quadro 8.24). É preciso lembrar que a puberda- portamentais costumam estar associados a animaisde não é sinónimo de maturidade sexual, a qual jovens, a caminho da maturidade sexual. Nos cães,pode ocorrer meses a anos mais tarde, dependendo é frequente o aumento da libido pela irritação dada espécie. Inicialmente, deve-sc diferenciar a au- glande.sência de libido e indiferença sexual. A ausência Agressividade. Alguns reprodutores se tornamda libido é •à falta de interesse ou de estímulo sexu- extremamente agressivos durante as coberturas,al causado por fatores hereditários, ambientais e/ esquecendo-se da função que deveriam desempe-ou patológicos. A redução da libido pode ocorrer nhar e concentrando-se em agredir a sua parceira
  • 72. 404 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Quadro 8.24 - Tempo médio para o inicio da fase do exame é de grande importância, pois puberdade nas diferentes espécies. algumas enfermidades extragenitais, com com- • Equina: 1 8 meses prometimento geral do animal, frequentemente • Bovina: 9 e 10 meses interferem, em maior ou menor grau, na função • Ovina: 6 a 8 meses reprodutiva ou conduzem a uma falsa • Canina: 7 a 11 meses impressão do envolvimento do sistema repro- • Felina: 9 a 10 meses dutor. Por exemplo, nos equinos, os quais normal- mente exteriorizam o pênis durante a micção, a protrusão intermitente do órgão não associa-e, em alguns casos, o operador. Pode ser causado da à micção pode sugerir a presença de um cál-pelo temperamento típico do animal ou por injúrias culo urinário. E aconselhável, portanto, adiar oanteriores. exame específico do sistema reprodutor até que Masturbação. Prática observada em touros, cães a condição geral do animal seja conhecida e resta-e garanhões. O touro procura lançar o membro belecida. As condições corporal e muscularrijo entre as pernas e junto ao peito; o cavalo procura devem ser averiguadas, já que o mau desem-golpear repetidas vezes o pênis contra a parede penho reprodutivo pode estar relacionado às di-abdominal. Os cães geralmente tentam friccionar ficuldades de monta associadas aos quadros deo pênis em algum objeto ou na perna de alguma subnutrição, parasitoses e traumas. Lesões loco-pessoa. motoras usualmente interferem na.performance reprodutiva dos machos, principalmente quan- do localizadas nos membros posteriores. A ob-Ausência ou Falha na servação do animal em repouso e caminhando permite, muitas vezes, identificar alguns pro-Manutenção da Ereção blemas, tais como: laminite, traumas em re- A ereção do pênis está sob controle do siste- gião lombossacral, displasias, artrites, paresiasma nervoso vegetativo. A ausência ou falha na ma- espásticas, problemas nos cascos, nos dígitosnutenção da ereção c um tipo de queixa associa- ou nos coxins plantares, entre outros. Animaisda à indiferença sexual. Se tal indiferença não foi jovens com defeitos de conformação não devem,adquirida em decorrência de determinadas expe- a princípio, ser utilizados como reprodutores.riências passadas, a falta de libido pode ser resul- Animais obesos apresentam maior dificulda-tado de alguma disfunção orgânica ou causa here- de à cobertura. Por outro lado, animais caqué-ditária. Essa anormalidade também é observada ticos, desnutridos, com distúrbios endócrinosem animais com excelente libido, que em decor- ou sob estresse podem ter a qualidade esper-rência de problemas de origem psicológica, tem mática comprometida. Deve-se avaliar, também,a ereção prejudicada. Em equinos com libido normal, os parâmetros vitais dos animais e a coloraçãoa falha na manutenção da ereção pode ocorrer por das mucosas.doenças neuromusculares ou vasculares. Geral-mente, a introdução do pênis é incompleta e,mesmo quando efetiva, haverá falta de movimentoscopulatórios normais. Fazem muitas tentativas fra- EXAME FÍSICOcassadas antes de conseguirem a penetração. Em ESPECÍFICO EXTERNOcães, o osso peniano mantém a rigidez do pênis ea penetração pode ocorrer antes mesmo do pênis Muitos machos ressentem-se à palpação da genitá-ficar ereto. Se o pênis estiver ereto antes da pene- lia externa. Desta forma é indispensável realizartração, não será possível uma penetração total e tal exame com bastante cautela, o qual é facilitado,não ocorrerá o aprisionamento, de fundamental im- e muito, pela contenção adequada do animal,portância para a fecundação. principalmente quando da manipulação de pê- nis, prepúcio, testículos e realização de proce- dimentos complementares: cateterização, exa-EXAME FfSICO GERAL me endoscópico da uretra e ultra-sonográfico dos testículos, entre outros (ver capítulos de con-Após cuidadosa identificação e detalhada anamne- tenção física e medicamentosa dos animais do-se, deve-se realizar o exame físico geral. Essa mésticos).
  • 73. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 405Bolsa Testicular/Testículos/Epidídimos A bolsa testicular é geralmente elástica, lisa,fina, com pouco pêlo e relativamente pendulosa(exceto nos gatos e em baixa temperatura), maspode retrair-se em direção ao corpo durante apalpação, em virtude das contrações voluntáriasdos músculos cremastéricos externos. A inspeção da região escrotal é melhor con-duzida em pequenos animais mantidos em posiçãoquadrupedal, no chão ou em cima de uma mesade superfície não escorregadia; nos bovinos, em Figura 8.54 - Mensuração da circunferência escrotal emum tronco de contenção, examinando-se por trás; touro.lateralmente, em eqiiinos. A pelagem e a pele dabolsa testicular devem ser observadas com relaçãoà cor, infestação parasitária e alterações micóticas.Deve estar livre de escaras, cicatrizes, lesões granu-lomatosas, edemas, fístulas, dermatites e assime-trias graves. A bolsa testicular está comumenteenvolvida em processos traumáticos. O volumeda bolsa testicular pode aumentar quando otestículo está hipertrofiado, com líquido ou emprocessos tumorais. A circunferência escrotal (CE) está corre-lacionada à produção espcrmática e é utilizadapara a seleção de animais. Existe uma correla-ção positiva entre a CE e a concentração espermá-tica, motilidade e normospermia. Os testículose os epidídimos devem ser examinados com base Figura 8.55 - Avaliação da cauda do epididímo.na simetria, tamanho e sinais de inflamação. Aassimetria testicular pode ocorrer como resultadode atrofia ou hipoplasia, nos quais o testículomenor se encontra fibrosado, com o epidídimoproeminente, ou devido ao aumento de volumetesticular, sendo usualmente acompanhado dedor e hipertermia (orquite aguda). Glossário Semiológico: • Espermatocele: distensão do epidídimo com acúmulo de esperma. • Hematocele: extravasamento e acúmulo de san gue na cavidade da túnica vaginal. • Hidrocele: acúmulo de líquido no saco da túnica vaginal. • Monorquidismo: presença de um único testículo Figura 8.56 - Palpação dos cordões espermáticos. no escroto. Chamado, também, de criptorquidismo unilateral. • Orquite: inflamação do(s) testículo(s). É relativamente fácil palpar os testículos e • Orquiocele: tumor ou herniação completa de um epidídimos normais. O exame é realizado pal- testículo. pando-se o testículo individualmente, ao mesmo • Orquiopatia: processo patológico do testículo. tempo em que é imobilizado na bolsa testicular.
  • 74. 406 Semiologia Veterinária: A Arte do DiagnósticoNos ruminantes, o ideal é suspender um testículo Para a avaliação de tamanho, forma, consis-enquanto se examina o outro. Os testículos tência e simetria testicular, é interessante quenormais possuem uma consistência firme, ambos os testículos sejam fixados dentro da res-assemelhando-se a um bíceps semiflexionado. pectiva bolsa, um de cada vez, palpando-se porA pele da bolsa testicular se movimenta livre- trás cada testículo, separadamente, mediante ele-mente sobre eles. O endurecimento testicular é vação de um deles em direção ao cordão testicu-sugestivo de neoplasia ou de orquite crónica, lar. Lembrar que, no caso do garanhão, os testí-constituindo uma provável indicação para biópsia culos, epidídimo e cordão espermático são maisdirigida. Testículos flácidos sugerem, frequen- bem avaliados se o examinador se posicionar aotemente processos degenerativos, disgenesia ou lado do animal. Deve-se, entretanto, levar em contaendocrinopatia. ^capacidade de deslocamento dos que existe uma considerável diferença no tama-testículos é verificada mais facilmente pela nho dos testículos de animais normais da mesmapalpação. A camada peritoneal fornece normal- espécie e, como regra geral, observa-se normal-mente uma superfície escorregadia, a qual mente uma discreta assimetria testicular. Deve-juntamente com a túnica vaginal, torna possível se, também, mensurar a circunferência escrotal,a movimentação dos testículos dentro dos limites o volume testicular e as dimensões testicularesanatómicos da bolsa testicular. Entretanto, o com paquímetro ou fita métrica (Fig. 8.54).testículo normal não deve apresentar deslo- A assimetria acentuada pode ocorrer comocamento excessivo para o canal inguinal. E ne- resultado de uma orquite, hipoplasia unilateral,cessário, também, verificar se ambos os testícu- atrofia (sequela de orquite crónica), ou devido alos estão presentes na bolsa testicular. Ausência algum processo neoplásico. A hipertrofia bilate-do testículo (monorquidismo verdadeiro) ou ral ocorre nos processos inflamatórios dos testí- culos, podendo ou não comprometer os epidídi-retenção dentro da cavidade abdominal (criptor- mos. A palpação simultânea dos testículos revelaráquidismo), ou no canal inguinal, pode dificultar aumento de volume, consistência mais firme,a palpação. Na maioria dos casos de criptorquidia, aumento de temperatura e manifestação de dor.os testículos somente produzem hormônios, A inflamação do escroto provoca um aumentoapresentando um quadro de azoospermia, isto considerável da parede escrotal. A atrofia tes-é, ausência de espermatozóides. ticular c, comumente, encontrada após orquites O criptorquidismo c considerado hereditário; pós-castração ou pós-traumática, secundária àem garanhões, a condição não deve ser conside- torção do funículo espermático ou devida à crip-rada como definitiva até que o animal tenha, pelo torquidia corrigida cirurgicamente. Nesses casos,menos, dois anos de idade. Em cães, o criptor- o testículo geralmente fica sensível e com con-quidismo é o distúrbio mais comum do desen- sistência flácida. O diagnóstico diferencial entrevolvimento sexual, ocorrendo em até 13% dos cães. hipoplasia e degeneração testicular é difícil de serE mais frequente nas raças braquicefálicas, incluin- feito levando-se em consideração apenas osdo Dachshunds, Chow-Chows, Cockers Spaniels aspectos morfológicos. A hipoplasia testicular nãoe Poodles. Porém, não c raro encontrar criptor- é aparente até a puberdade. O testículo hipo-quidismo abdominal em cães portadores de tumor plásico geralmente varia em tamanho, desde umdas células de Sertoli (sertolioma), o qual causa quarto até próximo ao normal. A consistência doalopecia bilateral c feminização. Em gatos, ob- testículo hipoplásico é muito semelhante ao do tes-serva-se maior ocorrência de criptorquidismo em tículo normal.raças puras do que nos mestiços, sugerindo uma O epidídimo deve ser cuidadosamente palpadoorigem genética para essa anormalidade. Diferen- entre o polegar e o dedo indicador, ao longo detemente dos equinos, que manifestam libido acen- seus três segmentos (cabeça, corpo e cauda), paratuada, os gatos com criptorquidismo bilateral ma- verificação da consistência e tamanho. A iden-nifestam pouca ou nenhuma libido. Em equinos, tificação da cauda do epidídimo pode ser facilitadahá uma predominância de criptorquidia unilate- pela localização do ligamento caudal do epidídimo,ral esquerda. Isso é explicável pelo descenso relati- palpado como um nódulo firme (Fig. 8.55). Avamente lento do testículo esquerdo, associado cabeça e o corpo do epidídimo, de maneira geral,ao fechamento contínuo do anel inguinal. Testí- não são estruturas facilmente palpáveis, a não serculos criptorquídicos são mais propensos à em casos de alterações patológicas. A cauda, deneoplasia do que aqueles em posição normal. consistência ligeiramente firme, é bastante evi-
  • 75. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 407dente e pronunciada. Não devem possuir nódu- tecido subcutâneo (abscesso), ao passo que umalos, aumento de temperatura ou dor à palpação. inflamação posterior, próxima à bolsa testicular,Em caso de epididimite aguda, o testículo e o pode indicar um hematoma no pênis, resultanteepidídimo, de forma geral, ficam indistinguí- de lesão durante um acasalamento violento,veis à palpação; nesse caso, o aumento de sen- traumático ou mesmo o desenvolvimento desibilidade e tamanho são sinais importantes. neoplasia. Os "cálculos prepuciais", ocasio- Um segmento do cordão espermático pode nalmente encontrados em cavalos e bois, sãoser examinado pela palpação delicada ao nível concreções sebáceas, impedindo, em algumasda base da bolsa testicular (porção dorsal). Isso situações, a exteriorização normal do pênis e apode ser feito com a mão apertando o cordão micção. O prolapso e a inflamação da mucosa doespermático entre o polegar e os demais dedos orifício prepucial (postite), ocorre mais comu-(Fig 8.56). O cordão espermático contém artéria mente em touros, com maior incidência nas raçase veia espermáticas, na forma de um emaranhado zebuínas, devido ao prepúcio mais longo ede vasos (plexo pampiniforme), dueto deferente, penduloso. No entanto, alguns touros podemtodos envolvidos por membranas serosas, apresentar eversão do prepúcio por um brevemúsculo cremastérico, o qual se encontra inse- período, principalmente durante a micção. Orido na superfície externa das serosas. Entre- edema de prepúcio resultante de traumas podetanto, nem todas essas estruturas são identifi- acarretar fimose ou parafimose.cáveis à palpação. Os dois cordões devem possuir No garanhão, o pênis pode ser exteriorizadotamanho c uniformidade. A simetria entre ambos introduzindo-se a mão enluvada no prepúcio,é de importância clínica, uma vez que os desvios segurando-se o pênis além da glande e aplican-de normalidade são, invariavelmente de signi- do-se, então, uma tração discreta e constante noficado diagnóstico. O mesmo se aplica à con- pênis, sobrepujando, aos poucos, a tensão dossistência, que deve ser firme. Deve-se tentar músculos retratores. O uso de uma égua estimulasentir as várias estruturas do cordão. A presen- a ereção e a lavagem, com água aquecida (morna),ça de dor e tumefações pode indicar abscesso, ajuda a manter o pênis ereto para o exame. Algunshematoma, torção ou hérnia. A varicocele c a animais, no entanto, resistem à manipulação dodilatação local da veia espermática no plexo pênis. A tranqiiilização com xilazina (0,5mg/kg)pampiniforme, sendo, em 50% dos casos, bila- ou acepromazina (0,04 a 0,06mg/kg) torna-se,teral. A torção do cordão espermático pode ocor- muitas vezes, necessária, permitindo que umrer no criptorquidismo, levando ao infarto c à exame mais detalhado e tranquilo seja realizado.necrose dos testículos. Contudo, o uso dos derivados de fenotiazínicos deve ser feito com cautela, já que são apontados como uma das causas de priapismo associado àPrepúcio e Pênis parafimose paralítica em equinos. Para evitar acidentes ou lesões penianas após o relaxamento Um ambiente bem iluminado é essencial para induzido por drogas, deve-se tomar todo o cuidadoa avaliação do pênis e do prepúcio, os quais são e evitar que o cavalo fique solto até que o pênisinspecionados e palpados pelo lado, expondo assim seja totalmente retraído para dentro do prepúcio.o médico veterinário aos coices e outros movimen- O ideal seria a apresentação de uma fêmea no cio,tos defensivos, mesmo quando touros e garanhões o que possibilitaria a observação da ereção e o com-estão adequadamente contidos. Os pequenos ani- portamento sexual do animal. No entanto, às vezes,mais devem ser colocados, de preferência, em essa manobra pode deixar o animal inquieto e nãodecúbito lateral, o que facilita a imobilização e o cooperativo ao exame. Estando o pênis ereto, deve-exame. Deve-se, inicialmente, observar o prepúcio se remover o esmegma antes da realização dapara identificar a ocorrência de edemas, alterações inspeção. O uso de chumaços de algodão embe-congénitas (frênulo peniano persistente), hemor- bidos em água morna ajuda a higienização e a ma-ragias, abscessos e outras lesões, atentando-sc, nutenção da ereção.também, para o grau de abertura do óstio pre- No estado não erétil, a extremidade livre dopucial. A pele do prepúcio deve ser fina, elásti- pênis do touro pode ser detectada quase à alturaca e móvel, sem evidência de inflamação. Uma da porção média, entre a bolsa testicular e o ori-inflamação anterior, próxima ao orifício prepucial fício do prepúcio. No touro, o orifício do prepúcioé. muitas vezes, causada por acúmulo de pus no deve ser pérvio a passagem de dois dedos, não
  • 76. 408 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticosendo possível tocar diretamente a extremidadedo pênis. O pênis dos ruminantes pode serinspecionado, superficialmente, permitindo que oanimal monte em um manequim ou em uma fê-mea no cio. No entanto, para realizar um examecompleto da porção livre do pênis, em toda a suaextensão, pode-se fazer uso do eletroejaculador,cujos estímulos elétricos, de baixa amperagem econtínuos, farão o animal expor o pênis, manten-do-o exposto mediante tração com auxílio de umagaze. O exame do pênis de touros pode ser facili-tado durante a palpação retal, pelo relaxamento domúsculo retrator do pênis, o que permite a exposiçãoparcial do órgão. Às vezes, torna-se necessário o Figura 8.54 - Priapismo em equino.bloqueio do nervo pudendo interno ou o uso detranquilizantes. O pênis do cão pode ser exteriorizado posicio- Quadro 8.25 - Principais anomalias do pênis e donando-se o animal em decúbito lateral e, então, prepúcio.empurrando-se o prepúcio para trás com os de- • Frênulo persistentedos de uma das mãos, enquanto a outra expõe o • Hipospadiamembro. A técnica para exteriorização do pênis • Nódulos, pústulas, granulomas, papilomas, sarcóides,do gato consiste em retrair o prepúcio com os dedos carcinomas, feridas • Fimoseindicador e polegar. Pode-se observar, nos cães, • Postiteuma pequena descarga de secreção, que se encontra • Balaniteretida no prepúcio. Da mesma forma, nos equi- • Balanopostitenos, o pênis deve ser higienizado antes de se ini- • Parafimoseciar a avaliação. Glossário: mais frequentemente nas partes caudais e com menor • Balanite: inflamação da glande peniana. frequência no prepúcio. Pode ser individual ou • Balanopostite: inflamação simultânea da glande múltipla, com poucos milímetros até lOcm de diâ- e da mucosa prepucial. metro e aspecto de couvc-flor. Transmitida durante • Fimose: incapacidade de exteriorização do pênis em o coito, é extremamente invasiva, podendo de- virtude do alongamento ou estenose do prepúcio. senvolver metástases em outros locais, incluindo • Frêmilopersistente: é a permanência anormal de tecido os órgãos viscerais, pele e encéfalo. No entanto, a conjuntivo entre a glande do pênis e prepúcio. metástase não é de ocorrência comum. Outras anor- • Hipospadia: abertura da uretra ventralmente ao pê malidades do prepúcio e do pênis podem ser ob- nis e caudalmente ao orifício urctral normal. servadas durante a avaliação. • Postite: inflamação do prepúcio. Com exceção do frcnulo peniano persistente, Parafimose e Príapismoos distúrbios penianos congénitos são raros (Qua- A parafimose e o priapismo (Fig. 8.54) possuemdro 8.25). Sempre que possível, o pênis deve ser causas diversas e requerem um cuidado especial.palpado em toda a sua extensão prepucial na tenta- A parafimose é uma condição na qual o pênis é im-tiva de detectar tumefações e aderências aos teci- pedido de retrair para a cavidade prepucial. Em cães,dos vizinhos. A palpação do pênis pode revelar fra- ocorre mais frequentemente após a ereção. Por-turas, tumefações e neoplasias, o que torna a exte- tanto, é observada, muitas vezes, após a colheitariorização do pênis ainda mais difícil. Áreas endu- de sémen e, ocasionalmente, após a cópula. Poderecidas e dolorosas, palpadas ao longo da uretra ocorrer em gatos de pelagem longa, quando o pênisprepucial, podem significar periuretrite secundária fica emaranhado nos pêlos prepuciais. Em tourosà estenose uretral. O tumor venéreo transmissível é pode ocorrer como consequência da ruptura espon-a neoplasia mais comum observada no pênis de cães, tânea da túnica albugínea do corpo cavernoso do
  • 77. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 409pênis. O priapismo é a ereção involuntária & perma- Protrusão Insuficiente do Pênisnente do pênis sem que haja manifestação, por partedo animal, de desejo sexual. E visto nas condições Nesse caso, o pênis não entra em contatodolorosas do pênis, tromboembolismo peniano, com a vulva, devido à exteriorização insuficien-traumas medulares, uretrites e paralisia do nervo te. Em geral, ocorre em virtude do desenvolvi-pudendo. Invariavelmente, o pênis exteriorizado mento de um processo inflamatório, com ede-se torna edemaciado cm virtude do aumento da maciação do prepúcio ou aderências com o pênis.pressão hidrostática causado pelo ingurgitamento A lesão primária da mucosa peniana ou prepucialvenoso. Além da lesão provocada pela má circu- pode ser consequência de trauma ou de doençalação, o pênis exposto está sujeito a traumatismo. venérea vesicular. Ocasionalmente, a lesão pri-Na maioria dos casos, a uretra não se encontra mária é uma ruptura da mucosa, em forma decomprometida. A tumefação do pênis também circunferência, na junção do pênis com o prepúcio,pode ser causada por inflamação, porém, em tais após um coito vigoroso. A constrição congénita e acircunstâncias, nem sempre o pênis é deslocado estenose adquirida do orifício prepucial (fimose),para fora do prepúcio. A parafimose de longa du- evitam ou impedem a protrusão do pênis ereto.ração pode resultar em gangrena ou necrose. Não são com segurança através de inspeção e palpação quando o pênis está retraído. Somente durante o acasalamento se pode verificar se aFimose abertura do orifício é adequada. A protrusão ou Na fimosc, o pênis fica retido na cavidade a extrusão do pênis pode ser prejudicada ouprepucial por causa da diminuição congénita ou impedida por malformações, destacando-se a flexão da glande peniana causada por uma fusãoadquirida do orifício prepucial, impedindo a exte- congénita, semelhante a um cordão, entre asriorização do pênis. Muitas vezes a alteração não é membranas mucosas prepucial e peniana (persis-percebida pelo proprietário ou tratador, sendo tência do frênulo). É uma anomalia anatómicaidentificada quando o animal apresenta inconti- de pouca importância, contudo, é um problemanência urinária cm virtude do acúmulo de urina a ser considerado por limitar o grau de exposiçãono prepúcio ou quando demonstra incapacidade do pênis e alterar sua angulação (curvatura ventralem copular. A porção livre do pênis, em potros do pênis ereto), tornando o acasalamento difícilneonatos, encontra-sc, normalmente, aderida à lâ- ou impossível.mina prepucial interna durante as primeiras semanasde vida; a completa separação ocorre entre quatroe seis semanas de idade. A fimose adquirida usual-mente ocorre de forma secundária à postite aguda Fratura do Pênisou crónica ou devido a lesões prepuciais localiza- Essa afecção surge, na maioria dos casos, du-das (abscessos, neoplasias, granulomas). O estreita- rante um empuxo ejaculatório vigoroso. Compre-mento congénito ou adquirido do óstio prepucial ende a ruptura da túnica albugínea com conse-não pode ser avaliado com segurança por meio quente hemorragia do corpo cavernoso, que inundade inspeção e palpação (pela introdução de um o tecido conjuntivo peripeniano, seguido do de-dedo no orifício prepucial), sendo mais satisfatório senvolvimento de hematoma local. Muitas vezes,o relato de incapacidade de exteriorização do pê- coexiste um prolapso de prepúcio em virtude,nis durante a obtenção da anamnese e/ou pela provavelmente, de o hematoma localizado obs-observação do comportamento sexual. truir o fluxo sanguíneo venoso do prepúcio e/ou interferir na inervação vasomotora local, atraindo,Balanopostite então, a atenção do proprietário ou do tratador. A inflamação ou infecção da cavidade prepuciale do pênis é extremamente comum em cães etouros e rara em gatos. Após trauma do pênis ou EXAME FfSICOdo prepúcio, é possível o desenvolvimento de ESPECÍFICO INTERNOinfecções bacterianas secundárias. A balanopostitegeralmente é caracterizada por corrimento pre- Até certo ponto, os órgãos sexuais internos dospucial purulento. Em casos avançados pode pro- machos podem ser examinados pela exploraçãomover adcrências do pênis ao prepúcio. manual ou digital retal. Entretanto, nem sem-
  • 78. 410 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico 3 Quadro 8.26 - Indícios mais comuns do envol- é feita de rotina através da palpação por via retal, vimento prostático em cães. em virtude da maior ocorrência de prostatite, hi- perplasia e neoplasia, quando comparada com • Incontinência urinária equinos, bovinos, ovinos, caprinos e felinos. A lo- • Disquezia e disúria • Hematúria calização precisa varia de acordo com a raça e o tamanho do animal. É bilobada c se localiza, em animais adultos, na entrada da sínfise pélvica. A hipertrofia prostática é comum em animais ido-pré o exame da genitália interna é um procedi- sos não castrados. Muitas ve/.es, a palpação digi-mento fácil, tendo em vista o comportamento tal associada à palpação transabdominal externa,agressivo e não cooperativo de alguns animais. em animais de médio porte c/ou magros, podeA observação de anormalidades como pus, sangue auxiliar na averiguação do tamanho, alteração deou células inflamatórias no sémen é indicação localização e aumento de sensibilidade. Em al-da necessidade da avaliação das várias estrutu- gumas situações, a palpação pode ser facilitada,ras que compõem a genitália masculina interna. suspendendo-se os membros anteriores do ani-Os animais domésticos, com exceção da espécie mal. Raramente, a próstata dilatada se situa com-canina, apresentam normalmente quatro pares pletamente dentro do canal pélvico.de glândulas acessórias, a saber: Cães com cinco anos ou mais são mais pro- pensos a desenvolver hiperplasia prostática sig- 1. Duas glândulas bulbouretrais nificativa e apresentam alterações secundárias 2. Uma próstata 3. Duas ampolas, as quais envolvem cada seg como disquezia, disúria com incontinência uri- mento terminal dos duetos deferentes nária, independentemente de micção e hema- 4. Um par de glândulas vesiculares túria (Quadro 8.26). Outros sinais inespecíficos, como febre, apatia c dor abdominal aguda, estão frequentemente presentes nas infecções bac- terianas e neoplásicas da próstata. A hiperpla-Glândulas Bulbouretrais sia prostática benigna é o distúrbio prostático As glândulas bulbouretrais são estruturas mais comum no cão. A próstata hiperplásica seovóides localizadas cm posição caudodorsal à mostra, à palpação por via retal, aumentada, lisauretra pélvica c estão, quase completamente, e sem reação dolorosa ao toque. A neoplasiacobertas por musculatura estriada, fibrosa no prostática é muito rara em grandes animais etouro e muscular lisa nos outros animais. Como gatos. O adenocarcinoma prostático é a neoplasiadescrito anteriormente, não existem nos cães. mais comum da próstata canina. O formato daSão difíceis de serem palpadas por via retal em glândula é irregular, com consistência mais firmevirtude do espesso revestimento do músculo que o normal. Nesse caso, diferentemente deisquiocavernoso. outros aumentos de volume prostático não nco- plásicos, pode ocorrer uma completa obstrução uretral. A atrofia da próstata é observada em ani-Próstata mais senis, cujo tamanho pode ficar reduzido à A glândula prostática se encontra dorsal à in- metade ou até 25% do tamanho normal, talveztersecção da uretra pélvica e cm posição caudo- por uma diminuição do estímulo androgênico.dorsal cm relação às glândulas vesiculares. Ela se As doenças da próstata são extremamente rarasencontra externamente à uretra pélvica, no colo em gatos.da bexiga. Os cavalos e os ruminantes possuemum corpo prostático em forma de anel, que cir-cunda a próstata. Em bovinos, somente o corpo Quadro 8.27 - Tamanho das glândulas vesicularesda próstata pode ser sentido e apresenta cerca de de equinos e bovinos adultos.l,5cm de largura. Os dois lobos da próstata de • Equinos: 15 a 20cm de comprimento e Sem deequinos são difíceis de serem avaliados pela pal- diâmetro.pação por via retal, sendo mais bem avaliados pela • Bovinos: 10 a 1 5cm de comprimento e 3 a 7cm deultra-sonografia de imagem. A próstata é a maior diâmetro.glândula sexual acessória dos cães e sua avaliação
  • 79. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 411Ampolas ramente são sensíveis à manipulação, exceto nos estágios agudos de doenças. As ampolas contribuem para a ejaculação e A presença de dor à micção (estrangúria), àarmazenam o esperma em suspensão provenien- defecação (disquezia) e/ou a ocorrência de la-te dos testículos e epidídimos; encontram-se pre- minite nos membros posteriores, de touros, podesentes nas porções terminais dos duetos deferen- estar associada à inflamação das glândulas vesi-tes dos equinos, ruminantes, cães e gatos. Porém, culares (vesiculite). Durante o exame por viasua palpação somente é realizada em bovinos e retal, o touro manifesta uma reação dolorosaequinos. São detectadas à palpação por via retal, intensa à palpação das glândulas inflamadas. Namovendo-se a mão cranialmente ao longo da ure- vesiculite crónica, a glândula adquire uma con-tra pélvica até que os dois duetos sejam palpados sistência firme, perde a sua lobulação normal edorsalmente à bexiga. As ampolas se apresentam pode se encontrar aderida às estruturas pélvicas.como um espessamento dos duetos deferentes, A principal causa é a infecção por bactérias docerca de 2 a 4cm, cranialmente à sua bifurcação. género Erucella.O diâmetro das ampolas nos equinos e bovinos écerca de 13mm e 8mm, respectivamente, emmachos totalmente desenvolvidos; durante a ex- Anéis Inguinais Internoscitação, dobram de tamanho, diminuindo após aejaculação. A inflamação é caracterizada por assi- Os anéis inguinais internos são mais comu-metria, aumento em tamanho (espessura do dedo mente examinados cm equinos, através da palpaçãomínimo ou até do polegar), perda de elasticida- por via retal, para determinar a localização dosde, rigidez, superfície irregular e mobilidade res- testículos e estruturas presentes dentro do aneltrita. Essas alterações ocorrem em quadros de in- inguinal, em animais com suspeita de hérnia in-flamação aguda e crónica. A sensibilidade dolorosa guinal e/ou escrotal. Os anéis são palpados cranialé observada somente nos processos agudos. O e ventralmente à borda pélvica de ambos os lados.aumento exagerado das ampolas, devido a um São estruturas em forma de fenda e não devemprocesso inflamatório ou neoplásico, induz ao acú- estar aderidas aos intestinos e/ou outras estruturas.mulo excessivo de secreções glandulares e de Dentro de cada anel inguinal interno está o anelesperma, levando à obstrução parcial ou total dos vaginal, onde a artéria espermática e o duetoduetos e ao desenvolvimento de azoospermia. deferente podem, frequentemente, ser palpados. A abertura do canal inguinal, em equinos, possui cerca de 2 a 3cm de diâmetro. A prevalência de hérnia inguinal adquirida em pacientes equinos,Glândulas Vesiculares com cólica, pode chegar a 10%. As glândulas vesiculares são relativamentefáceis de localizar através da parede do reto,ocupando uma posição ventral. As duas glândulas EXAMES COMPLEMENTARESvesiculares formam uma estrutura em Y, parafrente, e situam-se de cada lado da uretra pélvica.Devem ser comparadas com relação ao tamanho, Biópsia Testicularsimetria, consistência, mobilidade e presença de A biópsia testicular tem sido utilizada emsensibilidade dolorosa. Seu tamanho normal varia associação com a avaliação da qualidade esper-consideravelmente com a idade do animal, sen- mática para o diagnóstico de problemas de ferti-do maiores em animais em reprodução e menores lidade em homens. Essa combinação pode serem animais jovens e/ou castrados (Quadro 8.27).São lobuladas no touro e lisas no garanhão. Os interessante em Medicina Veterinária, tendo emdistúrbios de desenvolvimento embrionário po- vista os parcos e dispendiosos testes existentesdem levar à ausência de ambas as glândulas (raro), para a determinação do perfil hormonal nas di-de apenas uma (mais comum), ou a um desen- ferentes espécies domésticas. A biópsia testicu-volvimento insatisfatório (hipoplasia). À inflama- lar é de particular interesse em casos de asper-ção, as glândulas vesiculares se tornam espessas, mia, pois possibilita o diagnóstico diferencial entrefirmes e com as bordas irregulares, exceto no touro, algumas afecções, tais como: obstrução do epidí-no qual se tornam lisas, na maioria das vezes. Ra- dimo, hipoplasia, degeneração testicular e cessação
  • 80. 412 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticoda espermatogênese. A biópsia pode ser útil no de comprimento para minimizar o trauma noestabelecimento do diagnóstico e prognóstico de testículo e na vascularização. Um fragmentodistúrbios inflamatórios, não inflamatórios e neo- elíptico de tecido é excisado pela túnica e colo-plásicos. Pode ser indicada, também, em animais cado em solução fixadora. Posteriormente, a túnicacriptorquídicos, já que os testículos retidos podem e a pele são suturadas.causar uma disfunção testicular, tornando-sefibrosados e/ou neoplásicos. No entanto, a biópsiade testículo, ou seja, a colheita de amostras de Biópsia por Aspiraçãotecido das gônadas, não é um procedimento de Utilizando-se uma agulha de tamanho apro-rotina e, raramente, realizado devido a possíveis priado, a biópsia pode ser feita com a bolsa tes-complicações. Pode dar origem a distúrbios da ticular fechada ou parcialmente aberta, através daespermatogênese, de longa duração, que, em alguns realização de uma excisão de meio centímetro decasos, tornam-se irreversíveis, como resultado de comprimento na pele, sem atingir o testículo. Êhemorragias praticamente inevitáveis da túnica necessária, nessa técnica, anestesia local, por in-albugínea, altamente vascularizada, e irritação do filtração na pele, com lidocaína ou mepivacaína.parênquima testicular, por ocasião da colheita da Após a assepsia, a agulha é levemente inseridaamostra. Uma simples biópsia unilateral pode levar através da pele, e tecido testicular (biópsias aspi-ao comprometimento da espermatogênese do tes- rativa fechada), ou diretamente dentro do tecidotículo não biópsiado. testicular (biópsia aspirativa aberta). A punção da Os métodos disponíveis incluem biópsias por túnica é quase sempre dolorosa em virtude da exis-excisão ou aspiração, sendo a última utilizada, tência de fibras nervosas sensitivas entre a camadapreferencialmente, por ser pouco invasiva e pro- dérmica e a túnica albugínea. A agulha é acopladavocar menos danos às estruturas testiculares. a uma seringa e feita a sucção à medida que a agulha vai sendo posicionada em diferentes pla- nos do testículo, assegurando uma colheita satis-Biópsia por Excisão fatória de material. O material, uma vez obtido, pode ser imediatamente colocado em uma lâmina Técnica utilizada comumente em pequenos para avaliação histológica ou em solução fixa-animais. Deve-se adotar os procedimentos apro- dora para avaliação histopatológica.priados de contenção para as diferentes espécies.Em pequenos animais, os diferentes procedimen-tos de biópsia devem ser realizados posicionando- MÉTODOS PARA COLHEITAse o paciente em decúbito lateral; nos grandes,mantendo-os em posição quadrupedal, de pre- DE SÉMENferência em tronco de contenção. Toda a área Existem vários métodos para colheita de sémenda bolsa testicular é tricotomizada e preparada nos animais domésticos. Alguns não são maisassepticamente (lavagem de toda a bolsa testi- utilizados devido ao aparecimento de técnicascular com solução degermante e água + solução mais apropriadas; contudo, serão abordados comde iodo-povidona ou similar). É interessante a a finalidade de informação. Convém lembrar quelavagem das porções internas dos membros pos- a escolha do método está condicionada à espécieteriores na região inguinal. Essa preparação do animal, levando-se em consideração, também, ascampo cirúrgico é extremamente importante para condições do animal, docilidade e local, para,evitar a penetração de bactérias no testículo. O então, optar pela técnica a ser empregada. Con-uso de tranquilizantes e a infiltração da pele com dições de segurança para se evitar qualquer pos-anestésicos ou, em última instância, a realização sibilidade de acidente com a(s) pessoa(s) envol-de anestesia geral, dependendo do temperamento vida(s) na colheita e com o animal, devem serdo animal, é indicada para a intervenção cirúrgi- observadas em primeira instância. Para melhorca. O testículo deve ser imobilizado na bolsa tes- compreensão, classificaremos os principais mé-ticular, comprimindo-o na base do escroto e des- todos de colheita, em uso em função do sexo, ouviando-o vcntralmente. Uma incisão é feita ao seja, aplicados ao macho e aplicados à fêmea ouescroto e túnica albugínea, em sua porção ventral. similar. No primeiro caso, temos os seguintesA incisão não deve ser maior que meio centímetro métodos: eletroejaculação, excitação mecânica
  • 81. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 413do pênis, massagem das ampolas dos duetos o eletrodo, já que a resposta está condicionadadeferentes e camisa peniana (codori). ao local excitado, ou seja, excitação mais caudal O primeiro método, um dos mais utilizados, (lombossacral) ou cranial (lombar), respectiva-está disponível para emprego nos ruminantes e mente, promovem a ereção e a ejaculação. Afelinos domésticos e selvagens, enquanto que o estimulação dessas regiões também induz a li-da excitação manual do pênis é comumente em- beração de secreções das glândulas sexuais ane-pregado no cão e no touro. Devido à dificuldade xas. A disposição dos nervos eretores e promo-de fazer o animal responder a esse tipo de mani- tores da ejaculação pode levar à obtenção depulação, é raramente usado no touro. O método sémen com o pênis flácido, semi-ereto, cm ere-da massagem das ampolas pode ser tentado no ção, ereto sem ejaculação ou somente com se-touro e no garanhão quando a colheita do sémen creções das glândulas sexuais. Alguns touros nãoé necessária e não se dispõe de vagina artificial chegam a exteriorizar o pênis, fazendo com queou eletroejaculador, métodos de eleição para es- o sémen flua pelo óstio prepucial. No caso dosas espécies, exceto o último, o qual não deve ser bode e carneiro, torna-se necessário exteriori-utilizado no cavalo. A camisa peniana, em raríssimas zar o pênis e mante-lo assim durante o proce-ocasiões, pode ser utilizada no garanhão, desde dimento de colheita. Para tanto, pode-se utili-que não se disponha de uma vagina artificial c a zar uma gaze passada ao redor do pênis, dei-massagem das ampolas não resulte na colheita do xando a glande livre. Entretanto, antes dasémen. Além disso, o garanhão geralmente relutaem receber esse dispositivo de colheita. Assimcomo o método da massagem das ampolas, essesmétodos fornecem um material pobre, isto é, baixovolume e qualidade seminal questionável,servindo apenas para avaliação rápida, quandonão se tem outra opção e se quer ter uma ideiada "qualidade espermática" do reprodutor, emnível de campo.Eletroejaculação Introduzida na espécie bovina, após os bonsresultados obtidos em ovinos, em 1936, porGunn. Vários modelos estão disponíveis nomercado, consistindo basicamente de uma fonte Figura 8.53 - Equipamento de eletroejaculação para co-de energia e um eletrodo bipolar (Fig. 8.53), lheita de sémen em touro.em tamanho (comprimento e diâmetro) com-patível para bovinos, ovinos, caprinos e felinos.O equipamento pode ser conectado à tomadaou bateria de automóvel, existindo, ainda, aopção de uma bateria recarregável. Embora defácil manuseio, requer habilidade para o uso edeve somente ser utilizado por indivíduos trei-nados e com experiência apropriada (Fig. 8.54).Basicamente, estímulos elétricos de baixa mi-liamperagem são desencadeados a intervalos de3 a 4 segundos, estimulando os centros de ere-ção e ejaculação situados na medula espinal,levando à ejaculação. Estímulos de 200 a 250mAsão aumentados progressivamente até que o ani-mal acabe ejaculando ao atingir 500 a 700mA.Face ao comportamento do animal no momentoda colheita, pode-se adiantar ou retroceder Figura 8.54 - Introdução do eletrodo bipolar, via transretal.
  • 82. 414 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticoexteriorização do pênis, deve-se fazer o animal des e médios animais, deve-se, no mínimo, lavarsentar nos posteriores, o que fará com que a bem a região abdominal, prepúcio e pênis. As-coluna se encurve c ocorra a exteriorização. A sim, em touros, costumamos, primeiramente, in-seguir, deita-se o animal cm decúbito lateral e duzir a micção (Fig. 8.57) c a defecação, apararinicia-se o procedimento através da colocação os pêlos prepuciais (Fig. 8.58) para, em seguida,do eletrodo via transretal. No caso do touro, além proceder à lavagem pela introdução de uma pi-de um brete de contenção adequado (Fig. 8.55), peta pelo óstio do prepúcio (Fig. 8.59). Então,para se evitar lesões ao animal e ao operador, é efetua-se uma primeira lavagem com Quilolnecessário fazer a higienização da região abdo- (anti-séptico), diluído em solução salinaminal (Fig. 8.56) e óstio prepucial. A colheita (1:1.000), cerca de um litro, segurando-sc ode sémen com finalidade de exame andrológico prepúcio com a mão direita e massageando-senão necessita de rigorosa higienização, o mes- o pênis externamente para uma boa higienização;mo não ocorrendo quando se deseja colher a despreza-se esse lavado e novamente infunde-amostra para processamento, ou seja, utilização se um litro de solução salina para remoção dode sémen fresco (i n natura) diluído ou não, sé- excesso do anti-séptico. Após secar o óstio, omen refrigerado ou congelado, o que varia de animal já está apto para o procedimento deacordo com a espécie trabalhada. Em se tratan- colheita. Como desvantagens desse método,do de colheita para processamento, em gran- podemos citar a necessidade de equipamento iFigura 8.55 - Brete de contenção para colheita de sémen Figura 8.57 - Indução da micção antes da colheita decom eletroejaculador. sémen através da eletroejaculação.Figura 8.56- Higienização da região abdominal e prepúcio. Figura 8.58 - Tricotomia dos pêlos do óstio prepucial.
  • 83. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 415e a ocorrência de falsas colheitas (rara), ou seja, Excitação Mecânica do Pêniso animal poderia falhar em ejacular face àinervação da região implicada nos processos de Este método c indicado para colheita de sé-ereção e/ou ejaculação, sendo difícil se obter o men no cão, varrão e, mais raramente, touros desémen nessa condição. Outra desvantagem é a origem zebuína. Consiste na manipulação do corpocolheita de uma amostra menos concentrada, do pênis, levando à ereção e ejaculação. No cão,por ser um sistema aberto de colheita, com o foi primeiramente praticada por Spallanzani,tubo coletor exposto às condições ambientais obtendo descendentes após a primeira inseminação(queda de pêlos, contaminação por urina, poei- artificial em animais de fecundação interna. Tam-ra, entre outros), pode produzir uma amostra bém denominada de masturbação, é o método depobre para certificar a qualidade cspermática. eleição para caninos e suínos. Em se tratando doComo vantagens, podemos mencionar a uti- cão, de preferência colocá-lo na presença de umalização em animais incapacitados para efetuar fêmea no cio ou expô-lo a uma fêmea previamentea monta, devido a problemas nos locomotores preparada, seja pela impregnação da vulva com(articulações, cascos etc.), especialmente nos um swab de muco, de cadela no cio, o qual podeposteriores, a não necessidade de presença de ser mantido congelado, seja pelo emprego áesprayuma fêmea e a utilização em animais bravios contendo ferormônios, não facilmente encontrado(Fig. 8.60). à venda no mercado nacional. A seguir, quando o animal estiver cheirando a região perineal da ca- dela, o operador deve se posicionar ao lado es- querdo do animal e com a mão direita enluvada, exteriorizar o pênis, retraindo o prepúcio para além do bulbo e exercer uma leve pressão para que o animal entre em ereção. Lembrar que o prepúcio deve ser retraído antes que ocorra o ingurgitamento total do pênis. A medida que o animal monta, o bulbo da glande deve ser mantido sob pressão contínua ou intermitente para que a ereção seja mantida. Durante a ejaculação, o cão fará urna rotação do pênis em ângulo de 180°, fazendo com que o membro esquerdo passe por cima do braço do indivíduo que está colhendo o sémen. Essa rotação deixará o pênis direcionado caudalmen-Figura 8.59 - Lavagem do prepúcio e pênis com solução te. Movimentos de intromissão do pênis desen-fisiológica. cadearão a ejaculação. Em cães, pode-se distin- guir 3 frações espermáticas: a primeira, denomi- nada pré-espermática (0,5 a 2mL), cuja secreção provém das glândulas uretrais, serve para "lim- par" a uretra e sua emissão dura cerca de 5 a 30 segundos. A 2- fração (l a 3mL), rica em esper- matozóides, dura de 30 segundos a 3 ou 4 minu- tos. As duas frações são ejaculadas durante e imediatamente após os movimentos de intromis- são. Com o pênis voltado para trás, ocorrerá a eliminação da 3§ fração (5 a 30mL), chamada de prostática, a qual possui coloração amarelada e faz com que o animal continue "engatado" na cadela por 5 a 30 minutos. O volume das frações varia grandemente, também, em decorrência do tama- nho do animal. Em suínos, há necessidade de se adestrar o animal para saltar sobre uma fêmea noFigura 8.60 - Touros da raça Nelore (Fazenda Descalvado, cio ou sobre um manequim fixo (phantori). QphantonAnhembi - SP). é uma armação de ferro, sobre a qual é montada
  • 84. 416 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico trada. O animal deve estar devidamente contido e higienizado, conforme descrito anteriormente. Assim sendo, o técnico deve introduzir a mão através do reto até ultrapassar um pouco o punho, palpar as glândulas vesiculares e iniciar o procedimento de massagem, individualmente. Convém lembrar que essas estruturas variam no aspecto conforme a espécie, sendo lobuladas nos bovinos c lisas nos garanhões. O tempo gasto é variável (2 a 10 minutos), bem como o volume do líquido seminal (3 a lOmL). O tamanho também é variável com o indivíduo. Após aFigura 8.61 - Phanton, utilizado para colheita de sémen massagem para liberação do líquido seminal,em suíno. inicia-se a manipulação das ampolas, uma a uma, no sentido craniocaudal, utilizando-se somente os dedos indicador e polegar. O tempo neces-uma espuma de alta densidade ou similar, coberta sário para se obter o material varia de indivíduopor um couro ou lona resistente (Fig. 8.61). Essa para indivíduo, mas, cm geral, não ultrapassaestrutura é pincelada com secreção de porca no cio 10 minutos, sendo mais comum o gotejamentoperiodicamente e isso faz com que o cachaço salte do sémen logo nos primeiros minutos da colheita.sobre ela simulando uma cópula. Após a monta do O material colhido, desde que boa parte doanimal, o pênis c desviado lateralmente e para baixo, líquido seminal tenha sido eliminado, é rico emexercendo-se uma pressão sobre ele. A extremi- espermatozóides, gotejando por um período dedade da glande deve permanecer livre para que se 2 a 10 minutos ou, mais raramente, em um únicocolha o sémen adequadamente. O procedimento jato quando o material fica retido na uretra. Mo-dura em média 5 a 15 minutos, considerando as vimentos sobre a uretra pélvica auxiliam na eli-três frações eliminadas. Esse método não requer minação do sémen. Cuidados com o animal, noaparelhos, a não ser um recipiente apropriado para que diz respeito à contenção, higienização, entrereceber o sémen, como um tubo aquecido no caso outros, já foram abordados no tópico referentedo cão e uma garrafa térmica para o varrão. Ê des- à elctroejaculação, devendo-se seguir os passostinado a animais devidamente adestrados. mencionados. No entanto, o técnico deve estar com as unhas devidamente aparadas e fazer uso de lubrificante. Esse método é mais recomen-Massagem das Ampolas dos dável para exame andrológico, devido ao fato de o material geralmente apresentar acentuadoDuetos Deferentes grau de contaminação por microorganismos, Também conhecido como método america- urina, pêlos, entre outros.no, foi utilizado pela primeira vez em 1934. Essemétodo é recomendado para bovinos e equinosque não estejam aptos à monta. Serve também Camisa Penianapara se ter uma ideia da qualidade do sémen, Embora já tenha sido utilizada em coelhos,em nível de campo. É interessante manter uma esse método, ainda que raramente empregado, éfêmea no cio perto do animal durante o proce- direcionado para os equídeos, uma vez que a co-dimento. Isso promove uma excitação maior do locação da camisa é facilitada com a exposição doreprodutor. A amostra de sémen, obtida pela pênis e, também, porque o formato do mesmomassagem nas ampolas de Henle e glândulas ve- propicia seu emprego. Sua utilização em equídeossiculares, é lançada na uretra pélvica e posterior- é somente recomendada em casos quando não semente colhida, em gotas, através do óstio pre- dispõe de uma vagina artificial ou no caso de mas-pucial. Antes de se iniciar a massagem nas ampo- sagem das ampolas de Henle não surtir o efeitolas, preconiza-se a massagem das glândulas vesicu- desejável. O animal deve ser dócil, pois o codonlares para se eliminar a maior parte do líquido é colocado com o animal em estado de ereção, oseminal e, assim, colher uma amostra mais concen- que geralmente não é fácil de ser efetuado. Como
  • 85. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 417desvantagens, podemos citar a dificuldade de se dos no procedimento anterior. Após higicnizaçãocolocar e retirar a camisa peniana, sua ruptura da genitália externa da fêmea e do macho, coloca-e/ou queda e, ainda, contaminação por urina. O se uma esponja no fundo vaginal com ajuda dosémen colhido, dependendo da qualidade e especulo. O esperma será parcialmente absorvidovolume, pode ser utilizado para processamento; pela esponja, a qual será, posteriormente, retirada,contudo, o método não c nada prático, além de espremida ou lavada com diluentc apropriado paranão apresentar nenhuma vantagem que torne sua recuperação do material em frasco estéril. Gomoaplicação rotineira. inconvenientes, podemos citar a perda de parte da amostra, a qual ficará retida na esponja e, ainda, provável traumatismo sobre as células espermáti-MÉTODOS PARA COLHEITA cas quando do ato de espremer a esponja.APLICADOS EM FÊMEASCom relação aos principais métodos aplicados à Coletor Vaginalfêmea ou similares, podemos citar: colheita direta-mente da cavidade vaginal ou uterina, esponja Raramente empregado, é indicado quando nãoinserida na cavidade vaginal, coletor vaginal c, o se dispõe de vagina artificial, eletroejacualdor e amais difundido, o método da vagina artificial. Os massagem das ampolas dos duetos deferentes nãotrês primeiros são raramente utilizados e sob con- oferece amostra suficiente. Esse dispositivo podedições extremas, nas quais se deseja apenas ob- ser de borracha, plástico ou vidro e tem sua formaservara "qualidade" do sémen, não servindo para e tamanho condicionados à espécie animal na qualprocessamento. será utilizado. Deve ser inserido imediatamente antes da cópula. Os dispositivos de borracha são mais difíceis de serem colocados, tendo como desvantagens a possibilidade de um maior tempo de contato comColheita da Cavidade o sémen e a saída deste durante a cópula.Vaginal ou Uterina Embora possa ser empregada em bovinos, Vagina Artificialequídeos, caprinos, ovinos e cães, não ofereceamostra de qualidade e, como mencionado, não se De longe, o método de eleição para se co-presta para processamento com finalidade de in- lher sémen na maioria das espécies domésticas.seminação artificial. Nesse caso, deixa-se a fêmea Por meio dessa técnica c possível colher umaser montada e, após a cópula, recolhe-se o sémen amostra espermática semelhante em qualidadedepositado na vagina. Em se tratando da égua, o e volume à ejaculada durante a cópula. O ani-sémen pode ser obtido a partir do útero, já que mal ejaculará em um dispositivo que simula umanessa espécie, parte do ejaculado penetra na cavi- vagina natural, obtendo-se, assim, um sémen com-dade uterina (ejaculação intrauterina). A colheita parável ao método natural. Pode ser utilizado emdo material pode ser realizada por meio de pipeta, bovinos, equídeos, ovinos, caprinos, gatos, cãesseringa acoplada a um equipo de sorotcrapia ou e suínos. Nas duas últimas espécies, não é osimilar. A única vantagem é seu baixo custo, pois método mais utilizado, sendo a técnica da ma-pequena porção do sémen pode ser recuperada, nipulação peniana (masturbação) preconizada.estando ainda misturada às secreções e células das Embora largamente utilizada em ruminantes ereferidas cavidades. Propicia a propagação de equinos, a vagina artificial teve seu primeirodoenças e diminuição da capacidade de fertilização emprego na espécie canina e, a partir daí, dife-dos espermatozóides. rentes modelos foram sendo criados e adapta- dos às outras espécies domésticas, à medida que a inseminação artificial foi ganhando espaço. O sémen é colhido em condições próximas da idealEsponja Inserida na Cavidade Vaginal para posterior análise com finalidade de exame Essa técnica pode ser aplicada nos animais espermático e emprego para processamento,domésticos, exceto no varrão e no gato, embora principalmente para uso de sémen refrigerado enão seja de uso corrente pelos motivos menciona- congelado, na dependência da espécie. À parte
  • 86. 418 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico Figura 8.62 - Fêmea bovina utilizada como manequim para colheita de sémen através de vagina artificial.os diferentes modelos existentes para emprego de cio, acabe aceitando a monta sem maiores pro-nas espécies citadas c as considerações iniciais blemas. Deve-se, entretanto, contê-la adequa-com relação à contenção e higicnização da geni- damente, assim como no caso de manequins vivostália externa, essa técnica permite a utilização para as espécies bovina e equina. Como consi-de manequins fixos (phanton) ou móveis, podendo derado anteriormente, a vagina artificial varia emser utilizada, no caso de colheita de sémen do comprimento, diâmetro e forma de acordo comtouro, uma vaca no cio ou não (Fig. 8.62), um a espécie (Fig. 8.63). Contudo, de modo geral, égarrote ou um touro dócil. Para o garanhão reco- constituída por um tubo rígido de borracha, couromenda-se uma égua no cio ou dócil ou mane- ou metal, o qual é revestido internamente porquim fixo. Para pequenos ruminantes, devido à uma borracha de látex presa nas extremidades.docilidade desses animais, o manequim vivo c o Entre a parede interna da vagina c a borrachamais utilizado, sendo necessário apenas um cur- de látex será colocada água a 45 - 48"C, depen-to período de adaptação para que a fêmea, fora dendo da época do ano (Fig. 8.64). A água, a essa Figura 8.63 - A vagina artificial varia em comprimento, Figura 8.64 - Coloca-se água a 45 - 48°C entre a paredediâmetro e forma de acordo com a espécie. interna da vagina artificial e a borracha de látex.
  • 87. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 419 temperatura, aquece a vagina como um todo, equi- logo o animal ejacule e desmonte, a vagina deve librando-a antes da colheita; à colheita, sua tem- ser posicionada na vertical para se evitar a perda peratura deverá situar-se entre 41 e 43°C (Fig. de sémen. No caso do garanhão, deve-se espe- 8.65). O tempo de colheita varia de espécie para rar que ele retire o pênis da vagina, uma vez que espécie, sendo extremamente rápida nos rumi- nessa espécie o pênis chega a triplicar de volu- nantes (segundos), de média duração nos me ao momento da ejaculação. O tubo coletor equídeos (l a 2 minutos) e longa duração no varrão ou similar deve proteger o sémen de fatores c cão (5 a 20 minutos). No caso do garanhão, externos, como da exposição à luz solar, tempe- devido ao tipo de cópula, na qual o animal friccio- ratura externa, entre outros. Em touros, é acon- na o pênis várias vezes antes de ejacular, há ne- selhável executar duas ou três montas falsas (frus- cessidade de se lubrificar a vagina internamente tradas), isto é, fazer com que o animal salte so- em toda a sua extensão com vaselina neutra, bre o manequim, mas tenha seu pênis desviado geléia KY, lubrificante HR ou similar. A quanti- lateralmente sem apresentar-lhe a vagina. Essa dade de lubrificante não pode ser excessiva, já conduta excita o animal e faz com que a amostra que o pênis do animal deve sentir o contato com seminal fique mais concentrada, pois o animal •í parede interna da vagina artificial. Além disso, eliminará considerável volume de líquido seminal. o lubrificante em excesso, aliado à temperatura, Uma 2- amostra pode ser colhida após um período pode dissolver c acabar contaminando o sémen. de descanso de 20 a 30 minutos. Nos ruminan- A quantidade de água a ser colocada na vagina tes, após colocar a água pode-se, também, insu- artificial depende do modelo, da espécie e, ain- flar ar pela válvula existente na parte externa. da, do animal, variando de 200mL a 2-3L. O Isto faz com que a parede interna da vagina procedimento de colheita é fácil de ser executa- artificial comprima ainda mais a base do pênis, do, com um pouco mais de trabalho no caso do simulando os músculos vulvovaginais. Em se garanhão, devido ao seu comportamento mais tratando de suíno, devido ao fato dessa espécie fogoso. Basicamente, independente da espécie, aceitar facilmente o manequim fixo, a colheita o operador deve posicionar-se ao lado direito do não oferece maiores problemas. Assim que o macho. Assim que o animal saltar sobre o ma- animal efetua a monta, o operador segura a glande nequim, seu pênis deve ser desviado lateralmente exercendo forte pressão, para que o animal com- com a mão esquerda, deixando que o animal faça plete a ereção e torne possível a penetração do a intromissão do membro (pênis) na vagina artificial, a qual deve ser firmemente segurada pênis na vagina. Embora pouco utilizada em com a mão direita. A vagina deve ser mantida em um ângulo de aproximadamente 45° para facilitar a intromissão do pênis (Fig. 8.66). Tão Figura 8.66 - O operador deve se posicionar ao lado di-Figura 8.65 - A temperatura da vagina artificial, à colheita, reito do macho, deixando que o animal faça a intromissãodeve estar entre 41 e 43°C. do pênis na vagina artificial.
  • 88. 420 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnósticosuínos e cães, o procedimento em caninos asse- após a realização de um único exame andrológico.melha-se, de modo geral, ao adotado para os Somente o espermograma não é suficiente parasuínos, lembrando apenas que, em cães, ocorre atestar à integridade morfofuncional do aparelhoa rotação do pênis à ejaculação e, dessa forma, o reprodutor; sendo assim, o histórico da vida re-operador deve acompanhar o movimento exe- produtiva do animal c o exame físico são de sumacutado para viabilizar a colheita. Aqui cabe importância para orientar e concluir sobre a apti-considerar, também, o tamanho do animal; con- dão reprodutiva do animal. Como a produçãotudo, como mencionado, não é o método de elei- espcrmática é contínua, deve-se conhecer e res-ção para essa espécie. Como grande vantagem peitar o período de formação dos espcrmatozói-da vagina artificial, pode-se citar a simulação de des (espcrmatogênese), bem como a época do anouma cópula natural, obtendo-se um ejaculado de e condições sanitárias e nutricionais, às quais es-qualidade. A limitação para seu emprego reside tão submetidos os animais. O método de colheitanos casos de animais bravios, com problemas da amostra de sémen, respeitando o(s) método(s)locomotores (especialmente nos posteriores) e, indicado(s) para as diferentes espécies domésti-mais raramente, em animais que não se adaptam cas, deve ser levado em conta quando da inter-a esse tipo de manejo. Se fosse o método de elei- pretação dos achados. O exame das característi-ção para cães, diferentes tamanhos de vagina se- cas físicas, químicas e microscópicas deve ser rea-riam necessários, face à grande variação de porte lizado sob condições adequadas de temperatura,dos animais dessa espécie. Convém salientar que, tempo de execução, bem como material, equipa-independentemente da espécie e, ainda que um mento, soluções, meios e corantes apropriados.manequim fixo seja adotado, a presença de uma De um modo geral, os exames a serem realizadosfêmea no cio (Fig. 8.67) excita o animal e uma não diferem de espécie para espécie. Logo apósamostra seminal de melhor qualidade, com a colheita, o sémen deve ser encaminhado para ocerteza, será obtida. laboratório o mais rapidamente possível, protegi- do da luminosidade, temperatura externa etc. O laboratório deve, de preferência, ser conjugadoANÁLISE ESPERMÁTICA ao local de colheita e os equipamentos e mate- riais necessários (placa aquecedora, banho-maria,O exame do sémen (espcrmograma) somente pode pipetas, ponteiras, lâminas/lamínulas etc.), paraser considerado confiável se todo o procedimen- manipulação do sémen, acertados para a tempe-to, desde o preparo do animal (higienização), la- ratura desejada (Fig. 8.68). A amostra deve servagem e esterilização dos materiais e um indiví- colocada em banho-maria a 32 - 37°C e mantidaduo capacitado, conhecedor das particularidades ai durante todo o procedimento. Entretanto, antesdas espécies, for levado em consideração. Deve- de se efetuar o exame microscópico, o sémen devese, também, tomar cuidado para não cometer ser avaliado com base nas suas características fí-enganos que comprometam a certificação sobre a sicas e químicas, principalmente físicas. Os exa-capacidade coeundi e/ou generandi do reprodutor, mes de densidade, capacidades respiratória, Figura 8.67 - Manifestação de cio em égua.
  • 89. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 421 Figura 8.68 - O laboratório deve estar conjugado ao local de colheita e os equipa- mentos, necessários para manipulação do sémen, acertados para a temperatura desejada.frutolítica e desidrogenante e pH, devem ser dutor ou devido a alterações patológicas (estcno-desconsiderados e realizados somente sob deter- se, obstrução etc.), nos condutos de ejaculação.minadas condições, ou seja, cm pesquisa, ensino O teste de exaustão, utilizado em casos de sus-ou quando julgado imprescindível por algum mo- peita de disfunção epididimária, reduz sensivel-tivo específico. Esses testes não fazem parte da mente o volume colhido à medida que sucessi-rotina de exames a serem efetuados, não compro- vas ejaculações se sucedem.metendo de maneira alguma o resultado do es-permograma. Descreveremos, a seguir, os suces-sivos testes a serem efetuados, os quais compõem Aspectoo espermograma e que, juntamente com os dadossobre histórico e exame físico específico, já men- .cionados, fornecerão os subsídios necessários para Essa característica proporciona uma rápidase concluir sobre a capacidade reprodutiva do ani- ideia sobre a qualidade da amostra, logo à colheita.mal na data de colheita e de realização do exame. Em ruminantes, a concentração espermática pode ser estimada com base na aparência do sémen, da mesma forma que se tem uma boa ideia daVolume motilidade e vigor dos espermatozóides. De modo geral, varia de cremoso (fino ou denso), leitoso, Apresenta grande variação conforme a espé- soroso e aquoso (ralo). Deve-se levar em contacie, tamanho do animal, época do ano, alimenta- que, em caninos, devido às diferentes fraçõesção, regime e método de colheita, entre outros. colhidas, o aspecto varia, o mesmo não aconte-Assim, pode-se esperar, por exemplo, um maior cendo nos ruminantes e equídeos. Contudo, essevolume quando se colhe o sémen por meio da tipo de avaliação somente fornece uma noção aeletroejaculação em comparação com o método respeito do ejaculado, não podendo em hipóteseda vagina artificial, embora não ocorra, de modo alguma substituir o exame para verificação da con-geral, ficando também na dependência da habi- centração espermática. O aspecto transparentelidade do operador. A época do ano parece estar pode indicar pequena quantidade de espermato-mais relacionada com a qualidade espermática do zóides (oligozoospermia) ou mesmo ausênciaque com o volume. Já diferença marcante pode (azoospermia).ser observada entre um animal em repouso sexuale outro em atividade. Contudo, o volume, dentreas demais características a serem comentadas, não Quadro 8.28 - Volume médio de sémen obtidoé fator limitante para a execução da análise es- em espécies domésticas.permática, podendo ser no caso de aproveitamento Espécie Volume (mL)da amostra para fins de inseminação. O Quadro Bovina 0, 5 - 20 30 - 340 0, 5 - 3 0,2 -8.28 mostra os valores médios limites para as Equina 2,5 2 - 3 5 1 0 0- 5 0 0espécies domésticas em consideração. A ausên- Ovinacia de sémen (aspermia), embora de ocorrência Caprina Caninarara, pode ocorrer após uso excessivo do repro- Suína
  • 90. 422 Semiologia Veterinária: A Arte do DiagnósticoOdor O exame microscópico do sémen requer um indivíduo com larga experiência, uma vez que certos Na maioria das vezes é imperceptível (sui testes realizados ao microscópio são de naturezagenerís); contudo, em casos de contaminação por subjetiva (turbilhonamento, motilidade individualurina, pus e/ou sangue, assume odor caracte- e vigor) necessitando, assim, de longo período derístico. Embora seja um exame de pronta obser- prática laboratorial para se estimar e classificarvação, às vezes, é negligenciado ou esquecido adequadamente a amostra sob análise (Fig. 8.69).por técnicos que atuam em nível de campo. En- Embora equipamento computadorizado específicotretanto, pode indicar problemas existentes na para esse tipo de análise já esteja disponível novias genitourinárias ou na micção ao ato da eja- mercado, sua utilização em rotina não se justifica,culação, fato não raro de acontecer quando se pois a subjetividade do exame ao microscópio, paracolhe sémen por meio de eletroejaculação no as características espermáticas mencionadas, nãotouro e vagina artificial em certos garanhões. A compromete de modo algum a análise da amostra.simples contaminação por urina já torna Além disso, o custo elevado do equipamentodesnecessária a continuidade dos exames, uma somente indica sua aquisição para trabalhos emvez que afeta sobremaneira a viabilidade csper- pesquisa. O exame para se verificar a concentra-mática. Portanto, ainda que desprezado por al- ção espcrmática pode ser feito em câmaraguns, não deve ser abolido do rol de exames a empregada em hematometria ou de maneira maisserem feitos. sofisticada, através de contador de células, espec- trofotômetro, entre outros. Entretanto, convém lembrar que o emprego desses recursos sofistica-Cor dos para contagem de espermatozóides é de uso mais comum nas centrais de colheita de sémen, já De maneira similar aos outros caracteres es- que facilita a execução dos exames, face ao grandepermáticos já mencionados, a cor do sémen varia número de amostras a serem analisadas. A avalia-de espécie para espécie e, ainda, quando alguma ção morfológica das células espermáticas é de sumacondição patológica estiver presente. Contudo, importância para se certificar a capacidadegenerandimesmo dentro da mesma espécie, estará na de- do reprodutor, requerendo um indivíduo capaz dependência de variabilidade de cor de amostras com identificar as diferentes anormalidades (defeitos),diferentes concentrações ou que apresentem, fi- algumas delas de difícil visualização. A ocorrênciasiologicamente, presença de flavinas. Assim, em- de graves e/ou inúmeras anormalidades, dependendobora seja mais comum a cor branca ou branco-pérola do tipo e frequência, pode sugerir o local apresen-para o sémen do touro, alguns animais mostramcoloração amarelo-citrino (atípica), devido à pre-sença da flavina. O sémen do carneiro e do bodegeralmente é branco-pérola ou marfim; o do bodepode apresentar coloração amarelada como des-crito para o touro. Com relação ao garanhão,jumento c cão, de modo geral, predomina a corbranca, indo até a branca-acinzentada, na depen-dência da colheita separada ou não das diferen-tes frações. No caso do garanhão, deve-sc conside-rar, também, a presença da fração gel, a qual deveser desprezada para efeito de análise e/ou pro-cessamento do sémen. Deve-se atentar paracolorações diferentes das citadas, as quais podemindicar processos patológicos ou contaminações.As cores vermelha, esverdeada ou amarelada es-tão relacionadas, respectivamente, com a presençade sangue, pus e urina. A coloração vermelha,variando de tonalidade, pode indicar a ocorrênciade sangue fresco (vermelho-vivo) ou já com de- Figura 8.69 - O exame microscópico do sémen requergradação da hemoglobina (marrom). profissional com prática laboratorial.
  • 91. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 423tando a alteração. Descreveremos a seguir os exa- do aspecto da amostra (cremoso a seroso), de umames microscópicos de rotina, imprescindíveis de a quatro gotas de sémen devem ser colocadas emserem realizados, lembrando que o espcrmograma um tubo de ensaio com cerca de ImL da solução decompreende todos os testes realizados, ou seja, citrato de sódio 2,94% ou similar (solução fisiológi-exames físicos, químicos (quando houver) c mi- ca, ringer com lactato etc.) para pronta avaliação.croscópicos do scmen. Uma gota colocada sobre uma lâmina de microscopia e coberta por uma lamínula c examinada em mi- croscópio óptico comum ou contraste de fase (ideal),Motilidade ao aumento de 200 a 4()()x. Para as espécies domés- ticas mencionadas, a motilidade individual não deve Do ponto de vista genético, a motilidade dos ser inferior a 60-70%, percentual que indica um sa-espermatozóides apresenta repetibilidadc mais tisfatório potencial para a reprodução. Valores de 30baixa que a da circunferência escrotal e da mor- a 59% são considerados questionáveis e abaixo disso,fologia cspermática, sendo menos correlacionada insatisfatórios. Os espermatozóides apresentamcom a fertilidade. Deve ser realizado imediata- movimentos distintos. Contudo, somente movimen-mente após a colheita do sémen. Sofre influên- tos do tipo retilíneo progressivo e circular abertocia dircta do tempo, da temperatura, concentra- devem ser levados cm consideração quando se estimação, contaminação e método de avaliação. É uma a motilidade individual. Outros tipos, como circulardas principais características que se deve consi- fechado, oscilatório e retrógrado, devem ser descon-derar na avaliação da capacidade fecundante do siderados na avaliação de motilidade individual.sémen (capacidade generandí). Embora alta Atentar para o fato de que soluções hipertônicasmotilidade indique uma elevada porcentagem de dificultam a motilidade espermática. O movimen-células vivas, uma amostra apresentando motili- to retilíneo progressivo resulta da rotação do esper-dade menor pode não ser significante se outras matozóide sobre seu próprio eixo e, também, da açãocaracterísticas estiverem normais. O material a ser propulsora da cauda. Os movimentos indesejáveisempregado, isto é, lâmina, lamínula, tubos de en- podem ser oriundos de fatorcs externos, como choquesaio, entre outros, deve estar devidamente limpo térmico e ação de meios hipotônicos, os quaise esterilizado, bem como a uma temperatura ao promovem o encurvamento da cauda, levando aredor de 37°C. Da mesma forma, o banho-maria movimento do tipo circular. Movimentos oscilató-e a placa aquecedora devem estar acertados à mes- rios estão relacionados com amostras envelhecidasma temperatura. Esse procedimento visa evitar o ou demora na execução do exame. A presença dechoque térmico, o qual é extremamente nocivo gota protoplasmática distai está associada com mo-aos espermatozóides. O exame de motilidade vimentos retrógrados. O vigor do movimento está di-compreende a avaliação da motilidade de massa retamente associado com a concentração espermática.(turbilhonamento), motilidade individual e vigor. Amostras com alta porcentagem de motilidadePara o exame de motilidade de massa, aplicado individual apresentam, salvo raríssimas exccções, es-somente aos ruminantes, dentre as espécies abor- permatozóides com vigor atingindo o escore maisdadas, deve-se colocar uma gota de sémen in natura elevado, numa classificação variando de O a 5. Osobre uma lâmina de microscopia e examinar ao menor valor (0) implica numa amostra com ausên-microscópio sob aumento de lOOx. Os turbilhões cia de movimento, enquanto 5 indicaria uma amos-formados, semelhantes às ondas, são graduados tra na qual os espermatozóides exibem enérgicosde l a 4, conforme sua atividade: 4 = turbilhões movimentos progressivos.muito ativos (ondas vigorosas e rápidas); 3 = turbi-lhões ativos (ondas mais lentas); 2 = turbilhões lentos(sem ondas, mas com oscilação); l = ausência de Concentração Espermáticaturbilhões (às vezes, somente tremulante). O exame de motilidade individual apresenta Sem dúvida, é um dos parâmetros espermáti-pequena variação na sua condução, na dependên- cos que apresenta maior variação entre as espé-cia da espécie. Assim, o sémen dos ruminantes, de- cies c, inclusive, no próprio animal. A medida davido à sua alta concentração cspermática, precisa ser circunferência escrotal (CE), como método parapreviamente diluído para que a motilidade indivi- predizer o potencial de produção de espermato-dual possa ser estimada. No caso de cães, às vezes, zóides, é bastante acurado no touro. Sua correla-esse procedimento pode ser necessário. Dependendo ção é altamente significativa com o peso do parên-
  • 92. 424 Semiologia Veterinária: A Arte do Diagnóstico quima testicular. Desde que a heritabilidade do espermatozóides/mm3, o que corresponde a 800 X tamanho do testículo tem sido relatada ser de 106/mL. Se o volume de sémen colhido for de 4mL, moderada a alta (0,45 a 0,75), a seleção baseada na então, o total de espermatozóides será de 3.200 x medida da cireunferência escrotal oferece a IO6 no ejaculado. oportunidade para melhorar a capacidade repro- dutiva. No touro, especialmente, de corte, existe Glossário: alta correlação entre a medida da CE e a idade na • Acinesia: ausência de motilidade qual a fêmea (progénie) alcança a puberdade (0,71 • Aspermia: ausência de ejaculado a 1,07). O Quadro 8.29 mostra os valores limites • Astenospermia: debilidade de movimentação do (médios), nos diferentes animais domésticos. cspermatozóide Para a contagem das células espermáticas deve- • Azoospermia: ausência de espermatozóides nose considerar, em primeiro lugar, o aspecto da ejaculadoamostra, uma vez que sua concentração aparente • Hemospermla: presença de sangue no ejaculadoproporcionará a escolha da diluição a ser emprega- • Necrospermia: ejaculado com a totalidade ou quase todos os espermatozóidcs mortosda. De modo geral, para amostras de sémen de • Oligospermia: pequeno volume de ejaculadoruminantes, adota-sc a diluição de 1:200 ou 1:400; • Oligozoospermia: número baixo de espermatozói-para equídeos, cão e cachaço, diluições variando des no ejaculadoentre 1:25 a 1:100 são praticadas. Quanto maior for • Piospermia: presença de piócitos no ejaculadoa concentração da amostra, maior será a diluição. • Teratospermia: formas tcratológicas do esperma-Como método prático para as diferentes espécies, tozóidepode-se adotar como regra geral a adição de 20u.Lde sémen em 4, 2 ou l mL de solução de citrato desódio ou solução salina (com formol) para se obter, Morfologia Espermáticarespectivamente, diluições de 1:200, 1:100 e 1:50.Isso pode ser feito com uma micropipeta ou pipeta A presença de células espermáticas normaisde Sahli. Pipetas para glóbulos vermelhos ou brancos tem alta correlação com a circunferência escrotal.também podem ser utilizadas. Após montagem da O aparecimento de formas anormais (defeitos) estácâmara hematimétrica e colocação da amostra, deve- diretamente relacionado com fertilidade diminuí-se proceder à contagem conforme adotada em he- da. Em 1934, Langerlof introduziu a contagemmatometria. De modo geral, contam-se cinco qua- diferencial de células para grupos de anormali-drados médios (80 pequenos) e o número de es- dades. A condição morfológica das células esper-permatozóides contados (NEC) deve ser multipli- máticas é uma reflexão da cspermatogênese, a qual,cado pela constante referente àquela diluição, ou se prejudicada, resulta na produção anormal deseja, para diluições de 1:200, 1:100, 1:50 e 1:25, células espermáticas. A associação com baixa fer-multiplica-se, respectivamente, o NEC por, 10.000, tilidade se dará quando a incidência de defeitos5.000, 2.500 e 1.250. O valor obtido mostra o nú- morfológicos sérios, chamados de maiores, exce-mero de espcrmatozóides (NE) por mm3. Para se der o limite estabelecido para cada espécie. En-obter o NE por mL, basta multiplicar por 1.000. tretanto, de modo geral, não se aceita defeitos totaisAssim, por exemplo, se para uma amostra de sémen maiores que 30%. Os chamados defeitos primáriosde touro for adotada a diluição de 1:200 e, à ocorrem nos testículos durante a espcrmatogênesecontagem, forem observados 80 espermatozóides, e são sempre defeitos maiores, afetando seriamen-isso significa que, naquela amostra, existem 800.000 te a fertilidade. Já defeitos que aparecem nos es- permatozóides após a saída dos testículos, são cha- mados de defeitos secundários c são de menor im- portância (defeitos menores). Na realidade, o im- Quadro 8,29 - Concentração espermática em portante é verificar a proporção em que ocorrem. animais domésticos. Embora a maioria dos defeitos secundários não Animal Concentração (mm3) seja tão séria quanto os primários e não afete a Touro 300.000 a 2.000.000 30.000 a 800.000 fertilidade, a menos que presentes em grande Garanhão 2.000.000 a 5.000.000 1.000.000 a Carneiro 5.000.000 60.000 a 300.000 número, alguns defeitos secundários podem ter Bode maior associação com a diminuição da fertilidade Cão que alguns defeitos primários. Por exemplo, caudas acessórias (1a) em comparação com defeito "Dag"
  • 93. Semiologia do Sistema Reprodutor Masculino 425(2a ). Se um defeito de cauda torna uma célula BIBLIOGRAFIAespermática imóvel, então, ela não será capaz dealcançar o ovócito e, assim, será inútil para a fer- ANDRADE, S. L. Fisiologia e Manejo da Reprodução F.quina.tilização. Já um defeito de acrossoma impedirá o Recife: O autor. 1983. 388p.espermatozóide de atravessar a zona pelúcida e ARTHUR, G.H. Reprodução e Obstetrícia Veterinária. 4.ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1979. 573p.defeitos nucleares não promoverão a fertilização BLANC11ARD, T.L, VARNER, D.D., SCIIUMACHER,ou levarão à morte embrionária precoce. Alguns J. Manual of E quine Reproduction. St. Louis: Mosby-Yeargraus de defeitos nucleares são mais sérios (maiores) Book, Inc. 1998. 209p.que defeitos de cauda ou defeitos de acrossoma, CHRIST1ANSEN, I.B.J. Reprodução no Cão e Gato. l.cd.,pois uma célula espermática com um defeito nu- São Paulo: Manolc. 1998. 362 p.clear pode provocar a reação de fertilização e, dessa COLAHAN, P.T., MAYHEW, I.G., MERRITT, A.M.,forma, impedir que um espermatozóide normal fer- MOORE, J.N. Ef/uine Medicine and Surgery. Califórnia:tilize o ovócito. O esfregaço do sémen deve ser American Veterinary Publications LTDA. 4.ed., p.861-preparado imediatamente após a obtenção da 947, 1991. 1860p.amostra. Diferentes corantes e técnicas podem ser CUNNINGHAM, J.G. Tratado de Fisiologia Veterinária. 2.ed.,utilizados, de acordo com a finalidade e a espécie. Editora Guanabara Koogan, 1999. 528p. er literatura especializada sobre o assunto. O exame GUYTON, A.C. Tratado de Fisiologia Médica. Rio de Janei- ro: Guanabara Koogan. 8.ed., 699-719, 1992. 864p.do esfregaço corado não requer microscópio HAFEZ, E.S.E. Reprodução Mimai. 4.cd., São Paulo: Manole.sofisticado. Outro exame, o da câmara úmida, 1988. 720p.também deve ser realizado e, para tal, deve-se colher HARDY, R.M. General physical cxamination of the canineuma pequena amostra, por exemplo, uma gota de patient. Veterinary Clinics of North America: Small Animalsémen, e depositá-la em um recipiente com cerca Practice. v.ll, n.3, p.4.S3-67, 1981.de ImL de solução de citrato de sódio formolado. HERMAN, H.A., M1TCHELL, J.R., DOAK, G.A. The Ar-Esse material, fixado, pode ser guardado em gela- tificial Inseminarion and Embryotransfer ofDairy andBeefdeira para posterior análise. Cerca de 10|lL da Catlle. Danville: Interestate Publishers, Inc. 1994. 517p.amostra fixada deve ser colocada sobre lâmina de KELLY, W.R. Diagnóstico Clínico Veterinário. 3.ed. Rio demicroscopia, com uma lamínula, e analisada ao Janeiro: Interamericana. 1986. 364p.microscópio com contraste de fase, ao aumento de KOBLUK, C.N., AMES, T.R., GEOR, RJ. The Horse: Di- seases and Clinicai Management. Philadelphia: W. B.l.OOOx. Menor aumento ou microscópio de menor Saunders Company, v.2, p.937-72, 1995. 1336p.resolução pode resultar em defeitos não reconhe- McKINNON, A.O., VOSS, J.L. Equine Reproduction. Phila-cidos ou de interpretação errónea, podendo levar delphia: Lea & Febiger, 1993, 1137p.a um falso diagnóstico. O ideal é realizar os dois MIALOT, J.P. Patologia da Reprodução dos Carnívoros Do-exames, ou seja, o da lâmina corada e o da câmara mésticos. Porto Alegre: A hora veterinária, 1988. 160p.úmida, já que algumas alterações aparecem mais MIES FILHO, A. Reprodução dos Animais e Inseminaçãobem definidas em um ou outro tipo de exame. Artificial. 6.ed., Porto Alegre: Sulina. 1987. 750p.As alterações morfológicas do espermatozóide MORROW, D.A. Current Therapy in Theriogenology, Diagnosispodem atingir as diferentes partes que o consti- Treatment and Prevention of Reproductive Diseases in Ani-tuem, ou seja, cabeça (acrossoma e núcleo), colo, mal. Philadelphia: Saunders, 1980. 1287p.peça intermediária e cauda. Não é rara a ocorrência NELSON, R.W., COUTO, C.G. Fundamentos de Medicina Interna de Pequenos Animais. Rio de Janeiro: Guanabarade duas ou mais anormalidades atingindo um Koogan, p.502-30, 1992. 737p.mesmo espermatozóide. O limite aceitável para NOVAKES, D.E. Fertilidade e Obstetrícia em Bovinos. São Paulo:a ocorrência de defeitos menores, maiores e totais Varela. 1991. 139p.varia com a espécie e deve seguir regulamenta- RADOSTITS, O.M., JOE MAYHEW, I.G., HOUSTON,ção oficial quando da análise da amostra e certi- D.M. Veterinary Clinicai Examination and Diagnosis. W.B.ficação da mesma. Alguns defeitos são aceitáveis Saunders, 2000. 771 p.para uma espécie e não para outra. Outros tipos ROSEMBERGER, G., DIRKSEN, G., GRUNDER, H.,de células podem estar presentes no sémen, tais STOBER, M. Exame Clínico dos Bovinos. 3.cd., Rio decomo: células inflamatórias, glóbulos vermelhos, Janeiro: Guanabara Koogan, 1993. 419p.leveduras, medusas, bactérias, entre outras. Para ROSSDALE, P.D., RICKETTS, S.W. Medicina Pratica en ela descrição e interpretação do significado de cada Haras. Buenos Aires: Editorial Hemisfério Sur, 1979.464p. SPEIRS, V.C. Exame Clínico de Equinos. Porto Alegre: Artmed,patologia espermática, aconselha-se consultar li- p.223-36, 1999. 366p.teratura específica.