• Share
  • Email
  • Embed
  • Like
  • Save
  • Private Content
Diário de Campanha - Garotinho 98
 

Diário de Campanha - Garotinho 98

on

  • 4,070 views

Livro de Hayle Gadelha descrevendo a campanha eleitoral que elegeu Garotinho Governador do Estado do Rio de Janeiro em 1998

Livro de Hayle Gadelha descrevendo a campanha eleitoral que elegeu Garotinho Governador do Estado do Rio de Janeiro em 1998

Statistics

Views

Total Views
4,070
Views on SlideShare
4,061
Embed Views
9

Actions

Likes
2
Downloads
0
Comments
0

2 Embeds 9

http://www.thiagoferrugem.com.br 6
http://static.slidesharecdn.com 3

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

    Diário de Campanha - Garotinho 98 Diário de Campanha - Garotinho 98 Document Transcript

    • DIÁRIO DE CAMPANHA COMO O MELHOR PREFEITO DO BRASIL VIROU GOVERNADOR Hayle Gadelha Rio, 1998
    • Diário de Campanha - Como o melhor Prefeito do Brasil virou Governador Texto, capa, diagramação, editoração eletrônica - Hayle Gadelha Apoio - André Mangabeira Laserfilm - InternAd Gráfica - Deco Do mesmo autor: “Onomatopoemas” (poesia, 1978) “Vale o escrito” (poesia, 1981) “Imagem: questão de vida ou morte para uma cidade” (in “Desenvolvimento Econômico Local” - SERE/SEBRAE/IBAM, 1996) “Arte da Guerra Eleitoral” (marketing eleitoral, 1998)
    • Para Gisele, minha mulher, Maíra, Hayle e Tiago, meus filhos, Hely, minha mãe, Carmem, minha irmã, que, durante a campanha, Ficaram comigo menos tempo. E para os amigos e profissionais que trabalharam comigo, o tempo todo.
    • Hoje é quarta-feira, dia 28 de outubro de 1998. No último domingo, Garotinho foi eleito governador. Na segunda, de manhã, ele foi à Central agradecer os votos e, à noite, teve churrasco comemorativo na produtora do programa eleitoral gratuito (Blue Light). Terça, de manhã, procurei me desintoxicar de campanha política mas, à noite, fui convidado para o culto de agradecimento na Igreja do Pastor Silas Malafaia, na Penha, e para um jantar do PDT no Porcão da Barra. Voltei para o trabalho normal da agência, a InternAd, mas ainda estou me sentindo meio sem rumo, depois desses últimos 4 meses de dedicação integral à Campanha Garotinho Governador-RJ/98. Me sinto como se tivesse trocado os fusos horários. Nesse momento, Garotinho deve estar instalando o Governo de Transição na sede da FIRJAN, e eu resolvi escrever esse Diário de Campanha. Não tenho a menor pretensão de fazer uma análise extensa da Campanha. Seria impossível abranger todos os setores em tão pouco tempo. Fico restrito ao meu setor, Coordenação de Marketing, que tinha a responsabilidade sobre conceituação, criação, arte-finalização e veiculação de material gráfico, supervisão do rádio e da televisão, além do natural acompanhamento das pesquisas. Quero aqui simplesmente mostrar os conceitos básicos que conduziram a campanha de Garotinho e passar algumas impressões do meu dia-a- dia. Acredito que dessa forma, uma espécie de clipping comentado, usando muitas matérias publicadas nos principais jornais, fica mais interessante e mais fácil compreender o desenrolar de uma campanha eleitoral. Quero ainda frisar que Garotinho é, sem dúvida, o principal responsável pelo resultado vitorioso dessa eleição para governador. Garotinho, o político. Garotinho, o comunicador. Garotinho, o evangélico. Garotinho, o homem do povo. Garotinho, o chefe de família. Garotinho, o candidato de garra. Garotinho, o incansável. Garotinho, o vitorioso. Garotinho é o candidato ideal para se ter numa campanha eleitoral. Ao lado de Benedita, ele deu uma canseira nos adversários, principalmente no até então imbatível César Maia. E mostrou a todos que uma campanha limpa, alegre, honesta e barata também pode ser eficiente. Para nós, que lidamos com propaganda e marketing, fica mais fácil fazer um bom trabalho para candidato assim. Mesmo considerando que às vezes ele também atrapalhava... Hayle Gadelha
    • TERÇA, 16 DE JUNHO DE 98: ENTRANDO EM CAMPO COM GAROTINHO. No mesmo dia em que o Brasil Garotinho tivesse material para vencia o Marrocos, Garotinho iniciar sua campanha de rua. me procurou para fazer a sua Não havia pesquisa qualitativa, campanha. Em 94, a pedido da nem tempo para fazer uma, nem JB 19/7/98 Benedita, previsão. (Conhecíamos apenas eu já tinha os números das pesquisas já ajudado na publicadas.) Comecei a redação conversar com os amigos mais dos seus próximos de Garotinho sobre programas ele. Quem ele era, seu O Brasil passou da Copa de Futebol de TV no 2º temperamento, a sua imagem, o para a Copa Eleitoral. turno, e a que fez, o que representava, gente já se conhecia um pouco. sugestões temáticas, etc. Mas eu não conhecia muito bem Conversei rapidamente com o s e u e s t i l o t r a t o r, r i t m o próprio Garotinho, que deu uma alucinante. Ele conversou contribuição importante: rapidamente comigo e disse que lembrou que tinha sido queria definir logo a equipe, escolhido o melhor prefeito do porque, em duas semanas, não Brasil. E ainda me passou uma teria tempo para pensar em mais letra de jingle que ele tentou nada. E acrescentou que queria fazer, que dizia: pôr a campanha na rua no dia 6 de julho (primeiro dia permitido "É GAROTINHO dentro do calendário eleitoral)! QUE EU QUERO Loucura total! Mais loucos PARA SER MEU fomos eu e o Albano (meu sócio GOVERNADOR na InternAd Publicidade), que JÁ PROVOU QUE É aceitamos o desafio... Eu tinha COMPETENTE, acabado de editar meu livro HONESTO E TRABALHADOR. sobre marketing eleitoral ("A GAROTINHO É MUITO BOM Arte da Guerra Eleitoral") e GAROTINHO É BOM DEMAIS estava me preparando para EU VOTO NO GAROTINHO lançá-lo - coisa que não deu para O HOMEM PROMETE fazer. E FAZ." A idéia era criar o tema da campanha, faixas, panfletos e o Estabeleci que teríamos 3 jingle para que no dia 6 de julho opções de tema a seguir: uma
    • centrada nas características políticas, desde 90, é o Antonio pessoais do candidato Mello, mas nunca entreguei o (juventude, temperamento trabalho automaticamente para aguerrido, etc.); outra centrada ele - sempre houve concorrência. na forças que o apoiavam Procurei o Mello e outros me (principalmente Benedita); e procuraram. Passei para todos a uma terceira, nada ideológica, letra do Garotinho, os slogans e centrada nas suas realizações, minhas dúvidas. Basicamente, na sua capacidade eu preferia "O melhor administrativa (a partir de sua prefeito...", mas temia a ousadia escolha como o melhor prefeito disso, porque essa marca de bom do Brasil). Havia também a administrador já estava opção da "Força do Interior", consagrada por César Maia. Era mas que jamais seria utilizada um risco muito grande escolher como tema geral. Escrevi o o campo do adversário para slogan para cada uma dessas iniciar a batalha. No meio dessas opções - respectivamente: "Esse dúvidas, que eu vivia dia e noite, tem a garra do povo", "Garotinho correndo contra o tempo e sem faz. Em nome do povo", "O chance de fazer pesquisa, melhor prefeito do Brasil vai ser Garotinho disse uma frase Governador" (na verdade, uma definitiva: "Se o César Maia frase que eu já tinha utilizado tentar provar que não sou o em um texto de 94). melhor prefeito do Brasil, ele é que vai ficar na O Melhor Prefeito do Brasil defensiva." Foi uma frase puramente Vai Ser Governador. intuitiva, já que pela lógica o César Maia AROTINHO12 GOVERNADOR não faria isso - bastaria que ele apresentasse suas BENEDITA VICE realizações com COLIGAÇÃO MUDA RIO PDT • PT • PSB • PC do B • PCB A primeira faixa competência para Simultaneamente, coloquei a reduzir a pó as nossas equipe da agência para pretensões. Pressionados pelo trabalhar numa logomarca tempo (bendita pressão do (considerando a ponta da letra tempo...), decidimos seguir "G" como seta e que o Robson nesse caminho, aprovado pelo Sousa - um dos Diretores de Arte Garotinho, e produzimos a - solucionou brilhantemente) e primeira faixa de rua. Nesse procurei jinglistas. O meu meio tempo, o Mello me ligou e preferido para campanhas cantou o jingle que tinha criado.
    • Fiquei em êxtase no telefone: Garotinho. Falei: "Estão aqui as estava ouvindo uma obra prima sugestões de jingle. Tem um que do jingle político. Reuni todos os eu recomendo e quero jingles que tinham sido criados apresentar em primeiro lugar." e não tive dúvidas - o do Mello G a ro t i n h o o u v i u , v i b ro u , era o melhor. Principalmente chamou todo mundo pra ouvir e porque ele tinha tido a audácia nem queria ouvir os outros. Eu de transformar o conceito de "o insisti para que todos ouvissem melhor prefeito do Brasil vai ser todos os jingles. Eles ouviram, governador" em refrão mas a decisão - como eu ( t ro c a n d o " s e r " esperava - não para "virar"). O mudou. Alguém Mello me explicou: s u g e r i u "Gadelha, ouvi Neguinho para suas dúvidas, mas cantar (acho que também ouvi com foi o próprio atenção você dizer Garotinho) - e que é preciso estava escolhido o tomar de assalto a melhor jingle Neguinho do Garotinho: sucesso 98. mente do eleitor. E eleitoral de 98, você ainda citou aquele cara (Al um dos melhores de todos os Ries), dizendo que é melhor ser o tempos. Daí em diante, a primeiro do que ser o melhor" correria aumentou, para (explicando a importância de podermos produzir o jingle e sair na frente). Perfeito. Houve fazer cópias a tempo de colocar sintonia total. Peguei os jingles nos carros de som já no dia 6. e fui apresentar para o Faltavam só 4 ou 5 dias... GAROTINHO GOVERNADOR GAROTINHO E BENEDITA NESSA DUPLA BOTO FÉ Refrão: UNIDOS PELO POVO O MELHOR PREFEITO DO BRASIL NA VIRADA DA MARÉ VAI VIRAR GOVERNADOR VOZ DO POVO É VOZ DE DEUS Ô ÔÔÔ Ô GAROTINHO E O POVO JÁ FALOU Ô ÔÔÔ Ô GAROTINHO O MELHOR PREFEITO DO BRASIL VAI VIRAR GOVERNADOR GAROTINHO É COMPETENTE HONESTO E TRABALHADOR (Refrão) O QUE PROMETE, ELE FAZ SUA PALAVRA TEM VALOR GAROTINHO NO GOVERNO ELE TEM RAÇA, TEM GARRA ELE AQUI E LULA LÁ A FORÇA DO INTERIOR UNIDOS PELO POVO O MELHOR PREFEITO DO BRASIL O POVO É QUE VAI GANHAR VAI VIRAR GOVERNADOR ALÔ, MEU RIO QUERIDO BAIXADA E INTERIOR O MELHOR PREFEITO DO BRASIL (Refrão) VAI VIRAR GOVERNADOR
    • 5 DE JULHO CÉSAR MAIA, 34%; GAROTINHO, 32%; LUIZ PAULO, 3%. 6 DE JULHO GAROTINHO INVADE AS RUAS, CÉSAR MAIA FICA EM MADRI. O DIA 13/7/98 ele pregava exatamente o contrário. Em uma reunião do dia 3 de abril de 1998, ele era taxativo: o mais importante é ir para as ruas. Em um seminário de junho de 97 (onde, aliás, se atrapalhava muito), ele deixava claro: "Eleição é como lavoura - semeia-se no corpo-a-corpo e A campanha começou tecnicamente empatada irriga-se na TV Corpo-a-corpo é . Pronto. Em 20 dias a campanha imprescindível, é fundamental, estava na rua. Que loucura! Em é insubstituível". Perguntamos 20 dias, tínhamos sido então: o que será que ele contactados e contratados pelo considera corpo-a-corpo? Garotinho, tínhamos montado Certamente é algo que uma estrutura inicial de desconhece, ou não sabe fazer, JB 6/7/98 campanha, conversado com várias pessoas sobre o candidato, desenvolvido o tema, criado a logomarca, feito lay- outs, preparado o jingle, produzido todo o material e colocado a campanha na rua... Uau! Que é que se podia esperar de uma campanha que começa assim? Simplesmente, a vitória. César Maia não percebeu como se daria a disputa. Considero essa data (6/7/98) um ou considera puro populismo. O divisor de águas. A partir daí, certo é que ele relaxou no estabeleciam-se as estratégias fundamental: ir para a rua principais: Garotinho tomava significa colocar o candidato e conta das ruas, César Maia sua campanha em contato direto viajava para Madri (ou será com o povo, de forma Paris?), lançava factóides e entusiasmada, convincente, aguardava a hora da TV Essa foi . i n t e r a t i v a . Fo i i s s o q u e uma decisão curiosa de César Garotinho fez com sucesso Maia, porque, em todas as absoluto e sem precisar disputar reuniões que fazia há tempos, espaço com ninguém. Mostrou
    • que - como Benedita - é bom de Terra'; outra vez, em Volta Re- rua. O seu carisma, a facilidade donda, num corpo-a-corpo no contato com o povo, a dis- gigantesco que nunca imaginei posição para apertar mãos, que fosse possível naquela abraçar, beijar, sorrir, bater região, um senhor chegou pra papo - tudo isso foi impressio- mim e declarou que igual àquilo nante em toda a campanha. só com o Getúlio Vargas..." Garo- Pezão, prefeito de Piraí que tinho foi de corpo inteiro para as JB 7/7/98 O DIA 9/7/98 César pôs casaco Lacoste, sapato novaiorquino e foi... Para a Europa. Garotinho pegou o trem... acompanhou Garotinho em ruas e, quando César Maia (que muitas andanças, dá o tes- começou a campanha de sapato temunho de dois momentos de alto) percebeu, Garotinho já corpo-a-corpo: "Certa vez, na tinha ocupado a mente do Baixada, impressionado com a eleitor. O melhor prefeito do multidão em torno de Garo- Brasil já estava identificado na tinho, uma senhora falou pra cabeça das pessoas - e é claro que mim que 'Jesus tinha voltado à ia virar governador...
    • ESPERANDO A TV. A campanha mal tinha pela parte financeira. Uma começado e eu já me sentia sem simpatia de pessoa, tempo para pensar. Tinha que transmitindo calma, apesar de fazer muita coisa. E Hiso, viver sob tensão. Mesmo sendo nosso consultor de pesquisas, simpático, deve ter sido muito m e f a l a v a s e m p a r a r, detestado, pelo função que preocupado, que o histórico das tinha. pesquisas apontava uma queda Ana Paula - responsável pela de Garotinho e uma ascensão agenda e, junto com Peninha, de César Maia. Eu respondia pela assessoria de imprensa. O DIA 21/7/98 Extremamente eficiente, sempre ao lado de Garotinho, participando de tudo, a todo instante. Peninha - assessorava Garotinho o tempo todo, fazendo contatos com a imprensa, além de tarefas especiais, como a produção de Começava a vitória na Baixada jornais de campanha e a edição do livro de Garotinho sobre para ele ficar tranqüilo, que a violência e criminalidade no gente ganharia a eleição de Rio. Seu jeito meio nordestino qualquer jeito. de ser agradava todo mundo. Pa rtic ip e i d a s p rime ira s Carlos Augusto (de Campos) - reuniões da Coordenação. Que responsável pela produção de funcionaram muito mais como material e também por reconhecimento das pessoas e mobilização. Vivia para ouvir as idéias de completamente enlouquecido, Garotinho, que falava sem articulando o inarticulável, por p a r a r. N e s s a s p r i m e i r a s falta de recursos financeiros. reuniões, além de Garotinho, Lupi - vice-presidente regional Benedita e Rosinha, do PDT, com papel importante participaram: na articulação interna, na Jonas (de Campos) - relação entre aliados. r e s p o n s á v e l p e l a Fernando William - administração da campanha e responsável pela mobilização
    • na Capital. gráfico, jingle, Serginho (de Campos) - sofreu preparação e como poucos na produção de análise das comícios. Cada vez que pesquisas e Garotinho ligava cancelando montagem da uma participação, ele entrava 12 estrutura de em desespero. GOVERNADOR r á d i o e Pudim (de Campos) - grande AROTINHO t e l e v i s ã o . Galhardetes, adesivos, etc. simpatia, mobilização e Tratava de relações com o Interior. outras coisas também, como Everaldo - responsável pelos tentar apaziguar os ânimos dos contatos evangélicos, que aliados nos mais variados tipos depois contou com o apoio da de questão. Por exemplo, na Kátia. questão dos GAROTINHO Val Carvalho - assessor de n o m e s q u e GOVERNADOR. Benedita. Coordenou a área d e v e r i a m DOAINTERIOR. FORÇA onde ela era responsável pela aparecer nos mobilização. materiais. Ou Boni e Hugo - responsáveis pela na questão área jurídica. Brizola/PDT. Marcão - responsável pelo Ou na questão telemarketing, que nos ajudou das pesquisas: 12 AROTINHO GOVERNADOR muito, tanto para fazer muita gente MUDA RIO • PDT • PT • PSB • PC do B • PCB Cartaz para o Interior cadastramento, enviar vive em pavor, mensagens, quanto para achando que elas são sempre pesquisar, orientando nos manipuladas contra os debates ou nas produções de partidos progressistas e, por rádio e TV. causa disso, nunca deveriam Tito Ryff - coordenador do ter os seus resultados Programa de Governo, sempre divulgados. Foi esse temor que assessorado por Brunet. evitou que apresentássemos Outras pessoas obviamente resultados de pesquisas (que participaram da Coordenação, nos davam mas não consigo me lembrar, UNIDOS mais de 10 principalmente porque depois PELO pontos à de certo tempo deixei de participar das reuniões. POVO. frente!) no primeiro Concentrei-me, nos dois meses programa entre a contratação e o início do de rádio e Horário Eleitoral Gratuito, na T V. ( D o conceituação da campanha, segundo criação e produção de material LULA PRESIDENTE dia em BRIZOLA VICE
    • diante (início da propaganda) a 19 de consegui agosto (início do Horário vencer Eleitoral Gratuito) serviu e s s e principalmente para fixar as O DIA 7/8/98 t e m o r O GLOBO 21/7/98 absurdo. O EXTRA 15/7/98 Claro que a manipulação de pesquisas pode existir. Mas O DIA 15/7/98 JB 21/7/98 O GLOBO 15/7/98 pior do que isso diferenças entre Garotinho e é a paranóia.) César Maia: JB 16/9/98 o candidato das ruas contra o Nessa fase candidato marqueteiro; o de acalmar candidato do povo contra o da aliados, elite; o candidato das alianças contei com contra o candidato das O DIA 22/7/98 O DIA 22/7/98 rupturas; o dos showmícios gospel apoteóticos contra o candidato vaiado por 50 mil O DIA 14/7/98 bom apoio do Jaimão e do pessoas na praça da Apoteose. Ricardo Pascher, do PSB. Eles Garotinho virava notícia com coordenaram a campanha do O DIA 20/7/98 FOLHA 13/8/98 Saturni- no e está- v a m o s sempre trocando visitas-surpresa a delegacias e idéias. hospitais; César Maia virava Mas esse notícia defendendo o uso de período creolina para limpar as de 6 de calçadas com mendigos. j u l h o Quando o Ibope entrou em
    • campo para nova pesquisa, que se daria na televisão. César Maia procurava ganhar Graças a seu melhor desem- destaque atacando Brizola penho, Garotinho saiu da violentamente - enquanto Ga- desvantagem de 2 pontos rotinho tratava de intensificar percentuais (32 x 34) no dia 5 de o uso de telemarketing. julho para uma vantagem de 13 Esse foi um período de pontos (37x24) no dia 21 de conquista e consolidação de agosto (segundo o Ibope). Ou 15 posições. Preparação de pontos (45 x 30), segundo a terrenos, alianças, estoque de pesquisa JB/UFF . armas e munições, formação e Ficou muito mais difícil para treinamento dos exércitos. César Maia cumprir sua Pequenas batalhas, cujas promessa de passar à frente com vitórias garantiriam melhores muitos pontos de vantagem em condições para a batalha maior poucos dias de TV... O SITE NA INTERNET Quando comparei os custos da reais), pensei que alguma coisa produção do site da campanha estava errada. Será que vale a de Fernando Henrique (em pena produzir um site tão caro q u a n t o o d e Fe r n a n d o Henrique? Acho que não. Será que vale a pena um site tão barato quanto o de Garotinho que, obviamente, teria mil e um problemas estruturais? Valeu a pena. O nosso site foi elaborado por Luiz Fernando Gerhard. Mas o domínio "Garotinho" pertencia a uma empresa em São Paulo, e a Uma das telas do nosso site relação Rio/SP ficou complicada. Também tivemos torno de 150 mil reais, segundo dificuldades nas respostas aos e- os jornais) e os custos do site de mails. Mesmo assim, recebemos Garotinho (menos de um mil cerca de 800 correspondências.
    • O OUTDOOR Oficialmente, os outdoors realmente comprasse os 2.800 começariam a ser colocados no pontos, isso significaria, só de dia 16 de julho. Mas logo veiculação, nas 5 quinzenas percebemos duas coisas. A disponíveis, pelo preço médio de primeira, que o TRE não estava tabela, 14 milhões de reais! Mais que o dobro do que eles JB 10/11/98 tinham apresentado como estimativa de custo total de campanha... No final, César Maia se apresentou em cerca de 300 placas, enquanto G a r o t i n h o s ó conseguiu aparecer, durante a metade da primeira quinzena, em apenas 60 placas e, assim mesmo, depois preparado para a operação, já de muita negociação. Ficou que a reunião final para sorteio comprovado o que eu já alertava dos locais para cada candidato há muito tempo: César Maia foi feito no próprio dia 16. Outra investiria forte em outdoors. coisa que percebemos mais Mas, apesar das diferenças de claramente foi a completa falta recursos, nas quinzenas de recursos em nossa campanha. 12 Enquanto os representantes do P F L / P P B 1 PRESIDENTE 3 VICE:BRIZOLA insinuavam que GOVERNADOR queriam adquirir SATURNINO SENADOR - 40 AROTINHO BENEDITA VICE os 2.800 pontos MUDA BRASIL MUDA RIO • PDT • PT • PSB • PC do B • PCB disponíveis, nós Este outdoor deixou claro o apoio a Lula não tínhamos seguintes, conseguimos dinheiro para uma única placa! neutralizar sua força nesse Se a Coligação de César veículo. Nossos primeiros
    • outdoors estavam bons e deram por ninguém. Além disso, eu razoável visibilidade a precisava linkar o seu nome à Garotinho, mas trouxeram imagem, já que Garotinho, nas alguns problemas internos, áreas populares, era mais porque não destacavam os conhecido como radialista ou partidos da Coligação, nem seja, só era conhecido pela voz. B r i z o l a , n e m Lu l a , n e m Colocar muitos nomes Saturnino. Se há culpa nisso, é dificultaria a associação entre o minha. Eu considerava que nome e a imagem, por isso só Garotinho tinha que reinar acrescentei o nome de Benedita. absoluto, para ficar bem O primeiro outdoor resultou em evidente que ele não era tutelado muita chiadeira interna... BENEDITA VICE GOVERNADOR AROTINHO UNIDOS PELO POVO. 12 O segundo outdoor apresenta aliança Garotinho-Benedita
    • A PESQUISA O Hiso tinha sido contratado para dar consultoria em pesquisa. Juntos, convencemos Garotinho que era muito importante fazer imediatamente uma pesquisa qualitativa. O Horário Gratuito estava se aproximando e nós estávamos no escuro, conduzindo a campanha por faro, com piloto automático... Chamamos o Franklin Dias Coelho e o Cláudio Gama para fazer a pesquisa (discussão de grupos). E posso garantir que, com apenas 12 grupos do Rio e da Baixada, obtivemos o nosso principal instrumento de trabalho. Uma pesquisa assim serve para nos indicar "tendências e cenários e, acima de tudo, a relação de interdependência entre os fatores que influenciam decisivamente". Com essa pesquisa na mão, tivemos condições de compreender melhor a nossa situação e a do principal adversário e, com isso, estabelecer a linha mestra dos programas de rádio e televisão. Começamos no dia 20/7 e concluímos dia 29/7. Cada vez que tínhamos um grupo, logo depois Garotinho ligava para saber como tinha sido. Ele é completamente apaixonado por pesquisas, cálculos, etc. (Quando lhe dei um exemplar do meu livro "A Arte da Guerra Eleitoral", ele leu na mesma noite e disse que tinha gostado muito, porque o livro valorizava fazer cálculos antes de qualquer batalha.) E tratava a qualitativa quase como se fosse uma quantitativa, perguntando quantas pessoas dos grupos eram eleitoras de qual candidato, quantas tinham mudado de lado, etc. Percebi que ele utilizava imediatamente as informações, consolidando o seu modo de agir. Eu mesmo usei instantaneamente em um dos textos do material impresso uma frase surgida no primeiro grupo: "Governar é ter amor ao próximo..." Principais conclusões da qualitativa: Garotinho César Maia Sinceridade, é evangélico Falsidade, é marqueteiro Confiança Arrogância Juventude Experiência Campos Rio Obras mais humanas Obras de maquiagem Benedita, povo Zona Sul, elite, não gosta de povo Brizola Traição
    • A pesquisa nos mostrava que só havia rejeição a Garotinho em função de Brizola, enquanto César PE E TR O IB Maia apresentava como pontos negativos falsidade, ut PE /O O 04 IB ut PE arrogância, desequilíbrio, obras de maquiagem e a /O A O 01 LH DA t IB FO e /S TA imagem elitizada. Claro que o César Maia também 25 et PE /S EG HA tinha esses dados, mas, para nossa felicidade, a O 24 IB L FO et /S RJ ATA 18 avaliação que ele fez foi na direção oposta à nossa. US UE t D /N e /S LI 17 PU César Maia partiu para marcar sua diferença com PO et /S X 16 VO relação a Garotinho, usando a rejeição a Brizola. Nós et P /S AS ER 14 .. A. BR t G M sabíamos que seria essa a linha de ação que ele e /S 3/S 1 et FF P E seguiria. Mas nós tínhamos uma avaliação diferente 11 O JB t IB e /S /U sobre a utilização desse recurso. A influência de 11 et PE /S O 10 Brizola era passiva, e não ativa, como imaginou César BR t DA t JB t IB FO FF e /S /U A 04 LH Maia. Ao mesmo tempo em que os grupos de fato e /S TA 03 .. PU A. demonstravam o medo da associação com Brizola, M e AS /S LI 02 PO et havia uma percepção da independência de Garotinho. /S X 02 VO go PE E essa independência crescia à medida que se /A O 31 IB go FF EG /A /U fortalecia o conceito de "melhor prefeito do Brasil". 21 US JB /N go Ago RJ LI / Surgiram frases como "quem é o melhor prefeito do UE 21 PU FO P O /A X A 19 VO LH Brasil não vai deixar ninguém mandar no seu go Ago TA / 17 DA governo", "Garotinho tem personalidade, não é pau PE /A O 13 IB go Ago Ago mandado", "a preocupação de Brizola agora é PE / O 14 IB US E nacional". A aliança com PT/Benedita também P EG / O 07 IB /N T /A contribuiu para marcar a independência. Por tudo RJ KE 04 BR l UE AR M u /J AS isso e pela sabedoria política de Brizola, não nos 30 ul UF ERP /J 28 impressionamos tanto com a linha adotada por César G ul F /J 25 RA IBO JB/ Maia. Nosso medo era na área das realizações. Por ul T PE /J KE 23 AR mais que houvesse rejeições a César Maia, as suas SM ul /J LI 23 PU VO l B PO realizações como prefeito do Rio tinham tido grande u /J X 16 ul PE visibilidade e se transformaram em marca muito /J 16 O IB ul FO P /J A TA ER forte. Comparadas com as obras de Campos (2,8 % do 05 LH G un /J 20 eleitorado), as obras do Rio (43,8 % do eleitorado) DA un E /J AS OP 09 .. IB A. davam de mil em termos de visibilidade. Por outro M un /J 06 BR lado, o fato de JB 19/7/98 un P /J ER 02 G ai FF Campos ficar /M /U LI 29 PU VO i JB O a PE X P /M distante, pouco 27 ai /M visível, tinha O 16 IB ai /M 16 s e u l a d o p o s i t i v o . 60 50 40 30 20 10 0 CÉSAR MAIA GAROTINHO LUIZ PAULO Sempre surgia alguém que havia visitado, Nós adoraríamos ter mais recursos para pesquisa...
    • tinha um parente ou conhecia alguém de Campos. (Nós brincávamos, dizendo que Campos era mais conhecida que a Disneyworld...) E todos falavam das obras de lá com respeito, admiração. As realizações de Campos - mesmo ficando distante (ou talvez por isso) - tinham grandeza. E isso se tornava ainda maior quando se realçava o seu aspecto social, mais humano. Eu sabia o quanto isso era forte, porque vi com meus próprios olhos o carinho e toda a emoção no contato da população campista com Garotinho. Antes mesmo de começar a PERFIL DO FHC campanha, as pessoas gritavam e choravam só REJEIÇÃO I por que tocavam em DO BRIZOLA Garotinho... A A partir dessa pesquisa, PERFIL DO GAROTINHO estabelecemos em D termos definitivos nossa linha: ignorar os ataques de César Maia IMAGEM DE CONFIABILIDADE via Brizola; divulgar ADMINISTRADOR DE GAROTINHO H DA ALIANÇA PT/PDT repetidamente as E realizações de Campos, incluindo depoimentos da população; mostrar propostas concretas G para o Estado; presença PERFIL DO LULA permanente de Benedita F n a r e g i ã o PERFIL DE BENEDITA m e t ro p o l i t a n a , c o m destaque para o Rio; B IMAGEM DE Garotinho na rua (e ADMINISTRADOR DE CÉSAR MAIA trazer esse clima para a C PERFIL DO TV e o rádio); alegria, CÉSAR MAIA alto astral típico das e s q u e r d a s (principalmente o PT); mensagens especiais para o Interior. Como já disse, essa pesquisa foi fundamental. O problema foi que só ficamos nela. Não houve verba para novos grupos - principalmente durante o Horário Gratuito - e ficamos sem retorno para o que fazíamos. Pior: quando você não faz pesquisa, além do problema do vôo cego, surge o problema dos 1001 marqueteiros de plantão voando em torno do candidato e fazendo os comentários mais absurdos. O Garotinho tem parte de culpa nisso - como ele não tinha tempo de assistir os programas, ligava para todo mundo querendo saber a
    • opinião. Na maioria das vezes o cruzamento de opiniões dava um nó na cabeça dele. A sorte é que eu e o Hiso conversávamos diariamente sobre o quadro eleitoral, os programas e as pesquisas. Assim podíamos manter a tranqüilidade e, conse-qüentemente, a coerência, a linha do programa. Mesmo o Hiso, às vezes, ficava nervoso, entrava em pânico, preocupado com o que César Maia poderia fazer. Construía uns cenários pessimistas e eu tinha que usar muitos argumentos para tentar acalmá-lo. (Mas ele só se acalmava de verdade com números positivos...) De qualquer maneira, as leituras que Hiso fazia das pesquisas foram muito importantes para todos nós, inclusive o Garotinho (que não vivia sem elas). Pesquisa pode ajudar, mas pode ser dor de cabeça. Há 50 anos, houve o mais famoso erro de pesquisa, que levou à publicação da vitória de Dewey nos Estados Unidos. O Globo foi um dos jornais que se deixaram levar pelo resultado da pesquisa americana.
    • A TELEVISÃO Foi na televisão que garantimos um programa-piloto com o a vitória, mas foi também a nosso candidato. Havia também grande dificuldade da O GLOBO 20/8/98 campanha. Quando Garotinho me contratou, ele já tinha escolhido a produtora de TV e rádio (Blue Light) e o diretor da TV (Nelson Hoineff, responsável, na época, por JB 20/8/98 a questão dos recursos. Calculo que nosso orçamento de produção era entre 5 e 15 vezes "Documento Especial"; inferior aos orçamentos dos Garotinho tinha assistido e principais adversários. E gostado muito de um programa, finalmente havia a dificuldade mas não conhecia o Nelson). do próprio Nelson - obviamente O GLOBO 10/8/98 uma pessoa que deve ser competente e bem intencionada, mas que não tinha a menor familiaridade com campanha Começava por aí a dificuldade: política e se sentia um peixe fora uma equipe que não se conhecia, d'água. Pior ainda era fazer de sem afinidade, que se reuniu conta para todos - para a pela primeira vez faltando imprensa, principalmente - que menos de um mês para começar estava tudo correndo às mil O FLUMINENSE 21/7/98 o Horário Eleitoral. Enquanto a equipe do César Maia trabalhava para ele há séculos e o Duda Mendonça fazia o mesmo programa há tempos e já m arav ilhas. De ixar v azar trabalhava há um ano para o qualquer problema no programa Lu i z Pa u l o, n ó s n ã o de TV poderia fazer surgir uma conseguíamos nem mesmo fazer onda negativa que prejudicaria
    • muitíssimo a campanha. O carreatas, corpo-a-corpo, etc. BENEDITA ponto positivo nisso tudo foi o A presença de Benedita deve ser bem Juvenil, dono da Blue Light, que aproveitada, com ar bem petista. Mas não esquecer que ela não é candidata. soube manter a calma e a ARTISTAS, POLÍTICOS, ETC. harmonia de sua equipe nos Selecionar depoimentos importantes. momentos mais difíceis. Juvenil Atenção para a proibição de exibir pessoas filiadas a outros partidos. também foi importante por sua COMÍCIOS, CAMINHADAS experiência em produção de Gravar quase tudo e repercutir no programa. AGENDA áudio e vídeo, o que compensou Convocações para os principais tópicos. a escassez de recursos. ADVERSÁRIOS Fiquei preocupado com a Denunciar. Pôr o dedo na ferida. Atacar os pontos fracos. Quadro: Quem prometeu e não situação da TV, mas meu fez perdeu a vez. Rio Verdade. (Apesar do tom, tradicional otimismo me dizia isso se referia muito mais a uma linha de desqualificação do César Maia realizador, que ia dar tudo certo. Enquanto mostrá-lo um obreiro de fachadas. Logo me familiarizava com as pessoas abandonamos esse quadro.) e a produtora, estudava as VINHETAS Trabalho especial. Vinhetas de passagem, pesquisas e começava a abertura, fechamento, sketches. estruturar o programa. Na VOTO ELETRÔNICO Vinheta ensinando a votar. Marcar o 12. época (acho que foi dia 31/7), INSERÇÕES lembro que entreguei para o As inserções fora do programa são Nelson uma espécie de linha importantes. Atenção para as limitações legais quanto à produção. geral do programa: TELEMARKETING LEMBRETES PARA A TELEVISÃO Divulgação do 0800 23 00 12; integração. MÚSICAS GAROTINHO Saber usar música pode dar um toque Deve estar muito presente no programa, mas especial ao programa. isso não quer dizer que ele deve falar o tempo todo. Considerando um programa de 3 ½ SUGESTÕES DE QUADROS minutos, ele não deve falar além de 1 ½ minuto. RIO VERDADE HISTÓRICO Programa de denúncia; falhas do Rio Cidade; Espécie de currículo, meio pessoal, meio Quem prometeu e não fez perdeu a vez; político. Sua trajetória. Família. aposentados. REALIZAÇÕES GAROTINHO FEZ Suas realizações em Campos são A atuação de Garotinho em Campos. fundamentais. Depoimentos. Prêmios. O Principais pontos: melhor prefeito do Brasil. Comparações. Garotinho fez. * Leitinho PROGRAMA DE GOVERNO * Fundação do Menor Divulgar intensamente os 5 ou 7 principais * Ciclovia do trabalhador pontos do programa. Garotinho fará. * Trianon CRIANÇA *Educação, professoras Tratamento especial. Campos. Comparação * Saúde, Banco de Sangue, 4 hospitais com o Rio. * Agricultura CLIP * Desenvolvimento econômico O nosso jingle é muito bom e deve ser * Banco do Povo utilizado com imagens de comícios,
    • GAROTINHO FARÁ (PROPOSTAS PARA O CAMPOS: EDUCAÇÃO ESTADO) GAROTINHO PROGRAMA DE GOVERNO: EDUCAÇÃO * Menos imposto, mais empresas, mais APOIO emprego RIO VERDADE * Banco do Povo ENCERRAMENTO * O 1ºemprego a gente nunca esquece * Educação: mais salário, tempo integral, 5º PROGRAMA (26/8 QUARTA escolas técnicas NOITE///28/8 SEXTA - TARDE) * Cultura: 4 x mais investimento ABERTURA * Transporte: metrô, linha azul, ônibus/vans CAMPOS: CICLOVIA / TRIANON * Saúde: mais salário, médico de família, GAROTINHO Farmácia do Povo PROGRAMA DE GOVERNO: TRANSPORTE * Segurança: Conselho, inteligência, mais / CULTURA salário APOIO RIO VERDADE PROGRAMAS INICIAIS (ESBOÇO) ENCERRAMENTO 1º PROGRAMA (19/8 QUARTA - TARDE) 6º PROGRAMA (28/8 SEXTA NOITE///31/8 ABERTURA SEGUNDA - TARDE) POR QUE GAROTINHO É O MELHOR ABERTURA PREFEITO: FMB, TROFÉU,IBOPE CAMPOS: CIDADE PACÍFICA TRAJETÓRIA POLÍTICA DE GAROTINHO GAROTINHO GAROTINHO / BENEDITA PROGRAMA DE GOVERNO: SEGURANÇA ENCERRAMENTO APOIO RIO VERDADE 2º PROGRAMA (19/8 QUARTA NOITE/21/8 ENCERRAMENTO SEXTA - TARDE) ABERTURA INSERÇÕES CLIP Nos primeiros dias, as inserções serão POR QUE GAROTINHO É O MELHOR utilizadas, basicamente, para divulgar PREFEITO: FMB, TROFÉU,IBOPE realizações, por que Garotinho é o melhor PESQUISAS prefeito do Brasil. Como apoio, CAMPOS: A CIDADE/SAÚDE apresentarão Garotinho falando de suas GAROTINHO propostas. BENEDITA PROGRAMA DE GOVERNO: SAÚDE RIO VERDADE A minha angústia nos primeiros ENCERRAMENTO dias de agosto foi a produção de 3º PROGRAMA (21/8 SEXTA NOITE/24/8 um programa-piloto. Por mais SEGUNDA - TARDE) que tentasse, não conseguia ver ABERTURA um pronto. Eu disse o que eu CLIP REDUZIDO POR QUE GAROTINHO É O MELHOR queria e o Nelson pediu para que PREFEITO: FMB, TROFÉU,IBOPE eu só visse o programa pronto. CAMPOS: LEITINHO, FUNDAÇÃO DO MENOR Mas nada acontecia... Até que GAROTINHO dei um prazo final - acho que foi BENEDITA 14 de agosto. Quando vi o PROGRAMA DE GOVERNO: CRIANÇA RIO VERDADE programa, meu desespero AGENDA aumentou. Era um horror ENCERRAMENTO completo. Era um programa 4º PROGRAMA (24/8 SEGUNDA completamente sem NOITE///26/8 QUARTA - TARDE) personalidade. O próprio Nelson ABERTURA CORPO A CORPO (EVENTO) concordava. Mudamos tudo,
    • começando pelo locutor, que GAROTINHO-BENEDITA" LULA passou a ser o Roberto Canásio COMÍCIO EM NITERÓI, COM LULA, (ótima indicação de Garotinho). BRIZOLA E JORGE ROBERTO COMÍCIO GOSPEL EM NOVA IGUAÇU Resolvemos alterar o ritmo do ENCERRAMENTO programa, saindo da edição lenga-lenga para algo mais No dia 18 de agosto começou o dinâmico. As alterações teriam Horário Eleitoral Gratuito para que estar prontas no dia presidente e deputados federais. seguinte (era um sábado) para Nesse dia, percebemos uma mostrar ao Garotinho. No vantagem de nossos sábado à tarde, para minha adversários: a nossa campanha felicidade (que não tinha para governador não tinha dormido de tanta ansiedade), o ingerência sobre os programas programa estava muito melhor, dos proporcionais. PDT, PT, e à noite o Garotinho viu o piloto PSB, PCdoB e PCB faziam cada e saiu todo contente - sem um deles o seu programa, sem imaginar o que tinha acontecido integração com o de Garotinho. nas últimas 24 horas... Aí ficou O PSB era o que mais se mais fácil montar os outros aproximava (principalmente programas, e o primeiro ficou por causa da campanha do assim: Saturnino), o PDT era o mais complicado, o PT o mais distante 1º PROGRAMA (19/8 QUARTA NOITE/21/8 e o PC do B, como sempre, SEXTA - TARDE) ABERTURA tratando seus proporcionais POR QUE GAROTINHO É O MELHOR quase como majoritários. PREFEITO/REALIZAÇÕES EM CAMPOS (pessoas perguntam o por quê; Enquanto isso, César Maia, resposta: FMB, TROFÉU, IBOPE) ilegalmente, começava seu VINHETA: "O POVO ACREDITA, programa um dia antes, dentro GAROTINHO-BENEDITA" BENEDITA do tempo dos federais. Além PROGRAMA DE GOVERNO disso, ele soube, durante todo o GAROTINHO VAI: REVISAR OS PREÇOS DAS horário gratuito, estar presente PASSAGENS DE ÔNIBUS NA BAIXADA; nos programas de proporcionais REABRIR A FÁBRICA DE ESCOLAS NA e do Roberto Campos. Desse ZONA OESTE; REDUZIR O ICMS PARA ATRAIR MAIS modo, a porradaria contra EMPRESAS E MAIS EMPREGOS; Garotinho foi mais extensa e ABRIR ESCOLAS PROFISSIONALIZANTES; intensa do que imaginávamos. ABRIR 14 AGÊNCIAS DE Isso alterou nosso segundo DESENVOLVIMENTO; programa e o próprio modo de CRIAR CONDIÇÕES PARA QUE OS JOVENS TENHAM O 1º EMPREGO. repeti-lo, que, em vez de ser à VINHETA 12/12 tarde, passou a ser repetido à GAROTINHO BETH CARVALHO noite. (A rigor, nunca repetimos VINHETA: "O POVO ACREDITA, inteiramente um programa.) No
    • segundo programa, Garotinho efeito foi estupendo. Ficou fez um discurso não-previsto do evidente ali quem apelaria para a tipo puxão-de-orelha em César baixaria e quem faria um Maia, onde falou de sua programa limpo. Alguém (acho seriedade, seu respeito ao que foi do JB) me pediu para telespectador, sua família e de sua escrever uma análise do primeiro visão de segurança pública. O dia de programa e escrevi isso: "GANHAMOS! No início de abril, em reunião com sua equipe, Cesar Maia era taxativo: a ação principal de sua campanha seria ir pra rua. Era uma diretriz correta, fundamental. Mas foi exatamente isso o que ele não fez. Ficou completamente fora dos contatos diretos com a massa. (A única tentativa de peso resultou em estrondosa vaia de 50.000 pessoas na Praça da Apoteose...) É sintomático o fato de César Maia estar em Madri no dia 6 de julho, data oficial de início da propaganda eleitoral. Nesse mesmo dia, Garotinho ocupou o Grande Rio, percorrendo toda a região com faixas, jingle, panfletos e comícios. De lá para cá, foi a grande emoção que todo mundo viu, com o nome Garotinho correndo de boca em boca. Enquanto isso, Cesar Maia e Luiz Paulo resolviam apostar na força dos outdoors, do rádio e da televisão. O que se justificava pela dificuldade que esses dois candidatos têm com o corpo-a-corpo eleitoral. Cesar Maia, já ficou evidente, só se sente à vontade sentado ao lado de um computador. E Luiz Paulo ainda não conseguiu se livrar da imagem de Secretário de Obras. A enxurrada de outdoors dos adversários não conseguiu impedir o avanço de Garotinho. Só restava então o Horário Eleitoral, onde o maior tempo que os dois têm e a verba de produção infinitamente superior poderiam contribuir para reverter o quadro. Mas não foi isso que se viu no primeiro confronto direto. No primeiro dia, o programa de Luiz Paulo apresentou a esperada competência em exibir obras, mas não fez dele um candidato a Governador. O programa de Cesar Maia na televisão foi excelente - para a campanha de Garotinho... Destaques para a sua camisa preta, o discurso entediante sobre possíveis realizações e a careta no beijo da criança! A falta de emoção também já era esperada - o que não se esperava era a fragilidade do aspecto racional. A propalada comparação de Garotinho com Brizola no programa de rádio de Cesar Maia foi mais um tiro que saiu pela culatra. O próprio Garotinho dava gargalhadas ouvindo a musiquinha que o comparava a Brizola. Rosinha perguntou: "Por que você está rindo, se ele quer te agredir com isso?" Garotinho respondeu: "É que está engraçado, mesmo. Se eu estou gostando, achando simpático, meu eleitorado vai gostar mais ainda..." Outro destaque no programa de rádio de Cesar Maia foi a intensa repetição do nome de... Garotinho! Já o programa de Garotinho cumpriu plenamente o que foi prometido com dias de antecedência: um programa de alto astral, com muita emoção, com apoios importantes, mostrando as realizações de Garotinho em Campos e apresentando pontos bem precisos de programa de governo. Como foi dito antecipadamente, o programa trouxe para o rádio e a TV a emoção que só Garotinho transmite e o clima alegre e receptivo que ele encontra nas ruas. Resultado do primeiro duelo do Horário Eleitoral: Garotinho 1 x 0." JB 16/8/98 JB 16/8/98 JB 16/8/98
    • INSERÇÕES E m 1 9 7 4 , e m N e w Yo r k , Primeiro turno. entrevistei Jeff Greenfield, ex- Nós tínhamos direito à metade do speech writer de Robert Kennedy tempo do Luiz Paulo e do César e um dos profissionais da Garth & Maia. Mas tínhamos o dobro da Associates, na época um dos agilidade. Quando todo mundo principais nomes em consultoria ainda discutia o que fazer, nós política. Ele defendeu uma chegamos lá (fomos o único a espécie de Horário Eleitoral fazer isso) com a grade de Gratuito, mais ou menos como programação pronta, com todas temos aqui: as inserções de 30". César Maia “P - O que você mudaria no atual insistiu em inserções de 60", o que sistema eleitoral? foi ruim para ele no começo, mas JG - O dinheiro. Sou a favor de por acaso deu certo no final: as t e m p o g r a t u i t o n a T V, emissoras não puderam atender contribuições públicas e perfeitamente a inserção de 60" campanhas menores. Procuraria no começo e com isso ele facilitar o registro eleitoral e acumulou tempo no final. Isso e a também a votação, passando o dia presença nas inserções dos das eleições de terça para deputados estaduais, dos domingo.” deputados federais e do senador Eu também defendo o nosso significaram um grande domínio Horário Eleitoral Gratuito, mas de César Maia na reta final. Nós reconheço que ele tem alguns tínhamos pouco tempo, mas problemas que precisam ser conseguimos massificar o "vote resolvidos. Um dos subprodutos 12". positivos foram as chamadas Segundo turno. "inserções". São programetes com Os tempos eram iguais: 7,5' duração que pode variar de 15" a (depois 15') diários para cada um. 60" e que são apresentados na Iniciamos com agradecimento e programação normal das jingle (para tapar buraco). Depois emissoras de rádio e TV como se massificamos as propostas. No fossem "comerciais". Em final, apoio popular, apoio de campanha política, sabendo usar, personalidades e a Baby Consuelo as inserções podem ter um efeito dando um show de alegria para devastador. No primeiro turno fulminar as inserções macabras desta campanha, nós tivemos de César Maia. Não esquecemos o erros e acertos com as inserções. "vote12". Foi um arraso.
    • O RÁDIO O programa de rádio foi um dos Alexandre na operação do áudio, grandes acertos da nossa mais o Cláudio e a Denise na campanha. Quando fui produção) criou todos os contratado, a Blue Light já tinha programas e ainda fez vários sido escolhida como produtora. textos para o Garotinho (tarefa E a Ana Paula me falou para não quase impossível) e para a me preocupar com a equipe, que Benedita (no 2º turno). Entre os já estava escolhida. Desliguei destaques do programa de rádio um pouco do rádio. Mas logo (além do jingle, claro), estão as depois tive que tomar gozações com o erro de César providências, porque a equipe Maia com relação a Além Paraíba escolhida não pôde trabalhar. (prometeu obras do Rio Cidade Chamamos o Antonio Mello - o para esse município que fica em VEJA-RIO 28/10/98 Minas...), com as "pesquisas" de César Maia (ele botou no ar uma "pesquisa" de rua onde todos os entrevistados dizem que vão votar em Garotinho e são criticados porque não sabem o verdadeiro nome dele!) e com a sátira do "Fascistóides & Fascistóides". Mello mostrou talento trabalhando com baixíssimos recursos. E ainda sacaneava, quando o Garotinho fazia alguma reclamação do tipo: " Fa l e i p o u c o t e m p o n o programa". Mello respondia: "Qual programa? De ontem ou de hoje?" Garotinho: "Ontem". Mello: "Ontem não foi, porque você mesmo ouviu aqui comigo e achou ótimo, com uma presença autor do jingle - para dirigir o muito boa". Garotinho: "Então programa, e ele foi excelente. foi hoje..." Mello: "Deixa de Sozinho (mais o Ademil ou o mentira, Garotinho. Você hoje
    • falou 7 minutos!" Garotinho - É sobre umas fitas... rolava de rir. Na verdade, Mello e - Fita?! Fita é ótimo! A gente eu percebemos logo que pega um trecho daqui, junto com Garotinho não assistia a outro dali... bota uma locutora nenhum programa e mandava as e... informações truncadas que - É a respeito de uma traição... recebia de várias pessoas. - Traição?! Esta é a minha especi- Graças ao talento e ao clima alidade!... Olha, teve um homem harmonioso, fizemos um que me ajudou muito no início da excelente trabalho nos minha carreira. Ele me deu car- programas de rádio, onde gos importantes, acreditou em predominou uma linguagem mim... Sabe o que eu fiz? Traí ele! mais voltada para o Interior. Traí! - Peraí, eu tô reconhecendo essa Uma das várias peças de sucesso: voz. Você não é aquele candidato que... CONVERSA AO TELEFONE - Depende. O que eu sou depende das pesquisas do dia. - Alô. - Ah, mas tem um jeito de eu - Alô. De onde fala? saber: quando você quer tomar - Fascistóides & Fascistóides, um sorvete, você vai na sorvete- bom dia! ria ou no açougue? - É que eu ouvi um boato... - Eu não respondo! Essa pergun- - Boato?! Boato é comigo mesmo, ta é dirigida! meu amigo! Boato, calúnia, - (desliga) intriga...
    • BRIZOLA Sempre admirei Brizola, embora aparecesse! Encerrei essa nunca tenha votado nele discussão no grito - que não é (cheguei a ajudar em algumas exatamente do meu estilo... campanhas e atendi suas contas A questão para mim era a de governo em 85). Sempre o seguinte: os ataques de César O DIA 16/7/98 Maia via Brizola eram inócuos desde que soubéssemos reagir com sabedoria. Se Garotinho partisse para a defesa incondicional de Brizola, estaria acusando o golpe e fazendo o considerei uma grande jogo dele. Se parecesse que sabedoria política e o político JORNA DO COMMERCIO 9/8/98 que melhor soube usar a moderna linguagem da televisão. Nessa campanha, ele parecia ser um perigo, mas acabou sendo um trunfo. Quando encontrei o Juvenil ainda em julho, ele logo me falou estava tentando se livrar do sobre a abertura do programa Brizola, além de também cair no com o hino e a bandeira nacional jogo dele, receberia o repúdio do - a marca do Brizola... Eu lhe e l e i t o r c o m o t r a i d o r. E disse que isso estaria fora do obviamente também não poderia nosso programa. Como ele aparecer como o tutelado, nem conhecia o PDT por dentro, me de Brizola, nem de ninguém. O alertou que isso seria problema. correto foi o que fizemos: deixar Eu respondi que o programa não o César Maia falando sozinho e era do PDT - e sim da Coligação só revidar em casos especiais. O Muda Rio - e que Brizola não era próprio Brizola, sabiamente, candidato a governador, que o compreendeu isso, quando tempo dele era no programa Garotinho, respeitosamente, nacional, como vice do Lula. chamou-o para gravar. "Em time Juvenil entendeu. Mas surgiram que está ganhando não se pessoas do PDT que insistiam no mexe...", ele respondeu. E uso de uma foto de Brizola como ninguém mais tocou nesse cenário quando o Garotinho assunto.
    • A base da estratégia de César Mau). Brizola, entusiasmado Maia era fazer a associação com o andamento da campanha, Brizola=desordem/violência= na única vez em que Garotinho. Ele, César, seria a conversamos, disse: "Vamos ordem. O Bem contra o Mal. pegar todos esses traidores Acontece que ele exagerou na (incluiu outros, não-traidores), dose. Apresentou programas colocar no mesmo saco e lançar tensos, em preto e branco, com na parte mais poluída da Baía de violência, miséria, baixo nível. Guanabara". Ele foi tão esperto Tudo isso - que era para ser que não quis aparecer nem associado a Garotinho - acabou mesmo no seu direito de sendo associado a César Maia. resposta a César Maia. Disse Ele contaminou seu programa, algo assim para o advogado: provou do próprio veneno. "Hugo, você deveria aparecer. Enquanto isso, o programa de Afinal, você já conhece tudo Garotinho era de paz, alegria, sobre o assunto e deveria ir lá, realizações, propostas, apoios. diante das câmeras, responder." Garotinho era o Bom (contra o
    • BENEDITA Benedita é forte, de luta, com eventos esportivos e culturais. grande carisma e uma grande No 1º turno não foi possível liderança na área popular e aproveitar bem Benedita no evangélica. Garotinho percebeu Rádio e na TV por causa dos , como ninguém a importância de tempos reduzidos dos uma aliança com ela. Ele mesmo programas (apenas 3'19"). ficava impressionado com a Apareceu muito rapidamente, popularidade de Benedita, dizendo apenas uma ou duas vibrava com o modo simpático e frases. No segundo turno, ela se entusiasmado com que ela era soltou mais, com mais tempo tratada nas ruas. E Benedita não para expor suas propostas. Foi deixou por menos. Acompanhou na parte gráfica que a aliança o ritmo forte de Garotinho, Garotinho-Benedita foi melhor participou dos comícios gospel apresentada, através de com muito destaque, organizou outdoors, cartazes e panfletos. A seus próprios O DIA 9/10/98 participação de comícios, fez Benedita foi corpo-a-corpo, fundamental subiu vários para evitar uma morros e ainda v a n t a g e m esteve ao lado maior de César de Pitanga na Maia na capital. organização de
    • GAROTINHO Na véspera da eleição do 2º mental, a garra, a ambição (no turno, sábado à tarde, dia bom sentido). Centralizador, 24/10, fui à Torre Rio Sul. O impulsivo, talentoso (escreveu Peninha dormia sentado, duas a maior parte das suas falas, ou três pessoas conversavam quase sempre com bom texto), em outra sala, o Carter (O boa visão política, hábil nas Globo) conversava com João alianças. Seu humor às vezes Paulo (PDT), Serginho passava era o de uma pessoa irascível, de uma sala para outra. Peguei enfezado, cheio de problemas um cafezinho e perguntei pelo estomacais. (Como se alimenta Garotinho à D. Lourdes. mal!) Mas o bom humor estava " Pa r e c e q u e e s t á n u m a presente na maioria das vezes, reunião", ela respondeu. com muitas gargalhadas. Por Ninguém sabia com quem. O exemplo, adorava e se divertia Carter me disse que estava com com o jeito direto de falar do a tarefa de colar no homem. Antonio Mello. No penúltimo ou Abri a porta da sala de reunião último dia de programa, ele e estava lá o Garotinho... estava cheio de pressa, tinha dormindo no sofá! Voltei para que ir correndo para algum conversar com o Carter que me lugar, mas fiz questão que visse disse jamais imaginar uma o quadro que César Maia tinha véspera de eleição tão apresentado na TV, com um tranqüila. Pensou que "garotinho" de fralda encontraria tudo em destruindo um mapa do Estado efervescência. Realmente esse do Rio feito de cubos. Era uma momento de calmaria não coisa meio boba, apesar de bem caracterizava o Garotinho. É produzida. Garotinho morreu verdade que vez ou outra ele de rir, achou divertidíssimo. escapulia para um sono Várias vezes reagiu assim merecido, enquanto todo diante dos ataques de César mundo se perguntava onde Maia. Mostrou na maior parte estaria. Mas a característica do tempo que é uma pessoa de principal de Garotinho é a bem com a vida. É difícil agitação, o movimento derrotar alguém assim. permanente, a agilidade
    • ROSINHA & FAMÍLIA A questão familiar é muito forte em Baixada ficava por conta de Garotinho. Afinal, na casa dele em Rosinha. Quando foi gravar para a Campos moravam cerca de 15 televisão, ela confessou que ainda pessoas. Entre elas 7 filhos (sendo ficava um pouco insegura diante O DIA 3/8/98 3 adotivos) e a mãe de Garotinho (a mãe de Rosinha morreu recente- mente). Uma pessoa convivendo feliz com tantos filhos e parentes, apoiando quem precisa, natural- mente transmite uma face mais humana. E isso foi decisivo no momento inicial da campanha, quando César Maia tentou associá- lo à violência. Disse Garotinho: "Olha, senhor Candidato, eu tenho sete filhos. Você acha que vou querer um ambiente de violência para a minha família? O eleitor precisa de respeito. E o Rio precisa das câmeras, embora seu sonho de paz - para os meus filhos, para os fosse ter um programa igual ao da seus filhos". O tom sincero, acer- Hebe. Não havia motivo para se tou em cheio a população angustia- sentir insegura. Ela gravou tran- da, passando-lhe mais segurança qüilamente, com a maior facilida- quanto ao futuro governador. Mas de, com segurança e transmitindo a família foi importante também paz. em outras circunstâncias. Outro momento importante da Primeiro pelo trabalho da incansá- família foi a gravação de todos na vel Rosinha. Ela comandou shows e casa de Campos. Mais uma vez comícios na Baixada, na maioria mostramos a serenidade de das vezes sem a presença de Rosinha e nos surpreendemos com Garotinho. Com 3 ou 4 comícios os filhos, com discursos bem estru- diários em todo o Estado (princi- turados. Ficamos surpresos princi- palmente Baixada e Zona Oeste), palmente com a filha de 16 anos, Garotinho em muitos deles discur- que pretende se candidatar a vere- sava por telefone. Era muito adora em 2.000. Essa grava-ção da comum vê-lo isolar-se com o celu- família deveria encerrar o Horário lar na mão, andando de um lado Gratuito no 1º turno, mas um direi- pro outro e gesticulando: estava to de resposta impediu que apare- num comício à distância. cesse à noite. Usamos a gravação Enquanto isso, outras pessoas várias vezes no 2º turno. comandavam a galera, sendo que a
    • O MARKETING DA BAIXARIA A baixaria, infelizmente, está americana de 98, quando os incorporada às campanhas polí- republicanos tentaram derrotar ticas. De tal maneira, que virou os democratas usando o escân- regra em manuais de campanha. dalo sexual Clinton-Lewinsky e, É verdade que esse recurso já por causa disso, tiveram uma garantiu votos para muita gen- derrota histórica. E foi o que se viu o tempo todo na cam- panha de César para G o v e r n a d o r. Ele já tinha usado com sucesso cenas de arrastão na praia em 92 para associar Benedita a violência e caos. Usou a mesma coisa - com sucesso - contra Miro, em 96. E usou agora contra Trecho do livro “Manual de Campanha Eleitoral”, de Ronald A. Kuntz (editora Global, 1986) Garotinho. Por que deu te. Mas está cada vez mais arris- certo antes e cado fazer uso de baixaria. A sua não deu agora? Em primeiro divulgação exige uma forma lugar, o eleitor está vacinado, tensa, carregada de suspense, percebe melhor essas jogadas dramática, acusativa. E essa eleitoreiras. Em segundo lugar, forma acaba contaminando nas outras vezes, César Maia não quem a usa. O telespectador- ficou apenas nisso. Mostrou eleitor associa a denúncia (ou a também inteligência, experiên- baixaria) também com o denun- cia, capacidade administrativa e ciante. Foi o que se viu na eleição obras. Em terceiro lugar, ele
    • resistência nos outros anos. Em nesta campanha, César Maia 92, nós, da equipe da Benedita, certamente esperava que JORNAL DO COMMERCIO 18/7/98 éramos mais ingênuos e mais desorganizados. Em 96, Miro fez apenas um arremedo de campa- nha eleitoral. Chico Alencar era o azarão. E Sergio Cabral fez uma campanha pasteurizada (como a do Luiz Paulo, agora). Aliás, gostaria de citar algo inusitado que aconteceu em 92, no segundo turno. Uma pessoa dizendo-se irmão de César Maia (parece que de fato era) entrou na produtora querendo fazer uma série de denúncias contra César Maia. Eram denúncias pesadas. Mas o PT agiu da JB 10/8/98 mesma forma que agiu este ano, quando foi procurado para apoiar denúncias contra ELIO GASPARI, O GLOBO 8/11/98 FHC: preferiu deixar a baixaria de lado. Lendo os trechos a Garotinho respondesse no seguir do livro “Política é mesmo nível, caindo no seu jogo. Ciência”, de César Maia, tenho a Mas Garotinho, quando come- firme convicção de que, se fosse çou o Horário Eleitoral o inverso, as denúncias iriam Gratuito, estava uns 10 ou 13 para o ar de qualquer maneira. pontos na frente. Ou seja, não Quando começou atacando
    • tinha motivo para revide. Atacar programa de César Maia, em quem está atrás é dar valor a ritmo de baixaria, mostrou mora- quem não tem. Por outro lado, dores de Campos acusando O GLOBO 10/8/98 Garotinho. Respondemos pron- tamente com o testemunho de Tânia, moradora de Campos, que declarava que a equipe de César Maia tinha tentado pagar para que ela falasse mal de Garotinho. Pronto: além de ter dado um puxão de orelha em César Maia, Garotinho desquali- ficou as acusações e reduziu-as a não se pode tapar o sol com a simples baixarias. Vindo para peneira. Muitas vezes o eleitor nosso campo, César Maia se exige uma definição de quem dava ainda pior. Na comparação está sendo atacado, caso contrá- entre os depoimentos da popula- rio pode começar a pensar que ção de Campos, ele perdia feio. O ele tem culpa no cartório. Foi aí povo campista simplesmente que César Maia deu mais uma idolatra Garotinho. Não é à toa escorregadela feia. Usou baixa- que Garotinho, na pesquisa de ria tentando desqualificar as avaliação de sua administração TRIBUNA 22/7/98 feita pelo Ibope, em 92, obteve "ruim=0% e péssi- mo=0%". Em outras pala- vras, aprovação total. Na eleição deste ano, com realizações de Garotinho em 88,06 % dos votos válidos de Campos. Além de mostrar que Campos (contra 11,94% de estava na defensiva, fez um ata- César Maia), Garotinho mais que com falhas. Primeiro, foi uma vez tinha apoio avassalador distribuído nas ruas um docu- de sua cidade (César Maia teve mento que forjava uma primeira 53,09% dos votos - contra página do jornal O Globo. A 46,91% de Garotinho - na cidade direção do jornal reagiu imedia- do Rio, um dos três municípios, tamente com editorial prome- num total de 91, em que ven- tendo medidas enérgicas contra ceu). Em seminário sobre mar- os (ir)responsáveis. Garotinho keting eleitoral, César Maia pegou esse gancho e foi para a declarou: "O seu antagônico é TV mostrar a falsificação e pro- atacado só para dar a você niti- testar contra o baixo nível da dez e reforçar sua própria iden- campanha. Simultaneamente, o tidade". O arcabouço teórico
    • estava correto. Mas a prática foi abrir 10 pontos de vantagens desastrosa. Ele não percebeu nos primeiros 5 dias de progra- que estava se contaminando com ma, tornou-se vítima de sua os próprios ataques. Definiu sua própria arapuca. identidade como "rai- O GLOBO 22/10/98 vosa". Como já falei, ele se preparou para uma luta do Bem contra o Mal. Mas o que aconte- ceu foi a luta do Bom contra o Mau - onde ele era o Mau! As suas declarações, o seu programa e as suas aparições na TV cerca- do de cores depressivas inverteram os papéis que ele tinha prepara- do para si mesmo e para Garotinho. César Maia, que garantiu
    • O JURÍDICO É difícil imaginar quem mais encarregados de mobilização? trabalhou nessa campanha. O Ana Paula, eficientíssima na Garotinho, incansável, agenda e (talvez por isso) participando de vários atraindo raiva de tudo quanto é comícios e corpo -a- corpo lado? Peninha, cuidando da diários, correndo todo o Assessoria de Imprensa e do Interior, dando entrevistas, candidato 24 horas por dia? A gravando programas, Equipe de Programa de debatendo, coordenando a Governo? O Banco de Dados? A campanha, fazendo alianças, Equipe de Marketing (claro que etc.? A Rosinha, cuidando da sim...)? É impossível uma família em Campos, do resposta certa, porque todo candidato no Rio, comandando mundo mergulhou de corpo e sozinha a galera da Baixada? alma na campanha. Também Jonas, administrador da não quero dizer que foi a Equipe campanha e responsável pela Jurídica. Mas quero aproveitar dor de cabeça financeira? O o tema para registrar a Carlos Augusto, encarregado trabalheira em que a equipe de providenciar material sem comandada por Antonio Liboni ter dinheiro? Benedita, e Hugo Leal se meteu. César comandando o seu exército? Maia com a linha baixaria deu Everaldo e os evangélicos? muito trabalho à Equipe Serginho, Pudim, Fernando Jurídica, que foi cobrada a todo Wi l l i a m , K á t i a e o u t r o s instante.
    • EVANGÉLICOS Não sei de nenhuma campanha que tenha usado tanto o recurso religioso quanto essa. Mas os evangélicos não foram importantes pela questão religiosa em si. A importância deles foi, na minha opinião, por: O DIA 16/7/98 • avalizar o tom sincero, verdadeiro, do candidato e de toda a campanha; • garantir o tom popular da campanha; • atrair multidões (de 2 a 70 mil pessoas) aos showmícios gospel (com grande apoio de Franscisco Silva); • alegria, vibração, grande entusiasmo. Em função da necessidade de colocar de- poimento de pastores evangélicos, certa vez mudei o programa faltando 20 minutos para entregar na TVE. Os eventos evangélicos sempre atraíram multidões
    • 2º TURNO “Ia votar no César Maia, mas senti uma coisa (com ou sem a vitória de muito forte, uma coisa esquisita na campanha dele. E comecei a sentir uma esperança muito Fernando Henrique), a máquina grande no Garotinho. Virei.” municipal e a maior facilidade Lucília, secretária, 45 anos de transferência dos votos de César para Luiz Paulo. Esse Saímos da nossa central de apu- seria o cenário mais difícil. ração, na Torre Rio Sul, às 4:15h Contra César Maia - como ficou comprovado -, o cenário seria menos hostil, porque ele não conseguiria o apoio das máqui- nas estadual e federal e não poderia contar com a totalidade dos votos de Luiz Paulo. Com o desenrolar da campanha, perce- da manhã do dia 5 de outubro, bemos que dava para ganhar no segunda-feira. Fui pra casa dormir e acordei às Resultado FINAL do Estado do Rio de Janeiro Data : 05/10/1998 Hora : 20:48:03 8:30h. Arrasado. Me sen- tia derrotado. Contava Candidato Votação Válidos Capital Interior 12 GAROTINHO 3.083.441 46,86% 17,07% 29,79% com a vitória no primeiro 25 CESAR MAIA 2.256.815 34,30% 20,39% 13,91% 45 LUIZ PAULO 1.020.765 15,51% 5,32% 10,19% turno e, apesar de 23 LUCIA SOUTO 74.154 1,13% 0,63% 0,50% Garotinho ter tido uma 56 LENINE 43 DALVA LAZARONI 63.154 27.266 0,96% 0,41% 0,53% 0,25% 0,43% 0,17% grande vitória, eu, pesso- 16 CIRO GARCIA 70 ALEXANDRE STODUTO 18.756 11.283 0,29% 0,17% 0,18% 0,08% 0,11% 0,10% almente, sentia que tinha 28 FABIO TENORIO CAVALCANTI 7.684 0,12% 0,06% 0,06% 31 GUEDON 5.128 0,08% 0,02% 0,06% perdido a parada. Quando 27 PAULO FREITAS 4.515 0,07% 0,03% 0,04% iniciamos a campanha, 18 MARIA LUISA 17 VERISSIMO 3.994 3.507 0,06% 0,05% 0,03% 0,02% 0,03% 0,03% contávamos com a vitória Total de votos apurados : 7.953.829 (79,76% de 9.971.830 eleitores) apenas no segundo turno. Total de votos brancos : Total de votos nulos : 345.654 (4,35% de 7.953.829 votos apurados) 1.027.713 (12,92% de 7.953.829 votos apurados) E, assim mesmo, conside- Total de votos válidos: 6.580.462 (82,73% de 7.953.829 votos apurados) rando que seria mais fácil Abstenção : Seções apuradas : 2.017.064 (20,23% de 9.971.830 eleitores) 25.620 (100,00% de 25.620 seções) se enfrentássemos César Maia. Se fosse um segundo turno contra Luiz Paulo, a situa- primeiro turno - que passou a ção poderia se complicar. A aná- existir na cabeça de todos como lise era elementar: ao lado de se fosse a eleição final. O próprio Luiz Paulo, estariam a máquina Garotinho repetia: "Preciso estadual, a máquina federal ganhar no primeiro turno. Vou
    • ter mais tranqüilidade para res cadastrados (9.971.830)! montar o governo e também não Analisando as pesquisas de boca vou precisar correr atrás de de urna, podemos verificar que dinheiro para o segundo turno." elas só erraram de verdade na Estava claro que poderíamos previsão de votos para liquidar a fatura. César Maia Garotinho e Luiz Paulo (e isso errava sem parar, inclusive no obviamente não se deve agrade- seu "ajuste tático" para fazer cer a César Maia...). crescer Luiz Paulo e os "nanicos" Naquela manhã de segunda, (3,33% dos votos válidos) com o talvez pretensiosamente, eu me achava culpado de tudo (outras pessoas pensaram a mesma coisa e tentaram trazer o Duda Mendonça) e pensei em largar a campanha. Demorei a pôr a cabeça no lugar, avaliar melhor o que estava acontecendo e reto- mar a iniciativa do processo. A batalha agora seria sangrenta e não poderíamos fraquejar na hora mais importante. Nós já objetivo de garantir segundo tínhamos derrotado César Maia turno. O que nós não contáva- e poderíamos derrotá-lo nova- mos era com o alto índice de mente. Era só uma questão de 1) abstenção (20,24%!) e de voto conseguir recursos financeiros nulo (12,92% dos votos apura- e 2) agir de cabeça fria, com dos ou 1.027.713 votos - mais do inteligência, sem o passionalis- que o Luiz Paulo!) causado em mo e a incompetência de nosso boa parte pela eleição eletrônica adversário no primeiro turno. BOCA DE URNA IBOPE TRE DIFERENÇA GAROTINHO 50% 46,86 - 3,14% CÉSAR MAIA 34% 34,30 + 0,3% LUIZ PAULO 11% 15,51% + 4,51% OUTROS 5% 3,33% - 1,67% múltipla e também por falha Marquei reunião com Garotinho gravíssima de nossa campanha para o final do dia e fui encon- na boca de urna. Os votos váli- trar o Juvenil para tratarmos dos (6.580.462) corresponde- das alterações na produção do ram a apenas 65,99% dos eleito- programa (que recomeçaria na
    • quinta-feira, dia 8/10!). no ar. Com todo o respeito ao Decidimos para o segundo tur- Duda Mendonça (que alguns no: 1) mudar a direção de TV , teimam em apontar como o gran- colocando o Luiz Henrique (que de derrotado em âmbito nacio- tinha dirigido os proporcionais) nal dessa eleição/98), ele teria para dirigir o Garotinho no enterrado a candidatura. Aliás, Estúdio e contratar alguém para ele foi sincero com Garotinho, dirigir o Garotinho em externas quando alertou que precisou de (Jorge Queiroz, que também um ano trabalhando para mon- dirigiu a Mara Maravilha); 2) tar a campanha de Luiz Paulo. contratar um diretor de fotogra- Até sábado, dia 10/10, ainda fia (Marcelo Brito); 3) colocar houve tentativas de trazer o um editor final; 4) mudar e Duda. Mas tudo morreu ali. ampliar a equipe de repórteres; Talvez por tudo isso o pessoal do 5) alterar profundamente a César Maia tenha especulado direção de arte (talvez esteja aí o que nosso programa, no segun- "dedo do Duda" de que falaram do turno, estava muito melhor depois...). Com relação ao rádio, porque tinha o "dedo do Duda". bastava melhorar as condições Isso virou motivo de piada na para o Mello, contratando uma nossa equipe: quem seria o dedo produtora (Denise). do Duda? Na verdade, eu estava começan- Qual seria a estratégia para o do a assumir uma loucura quase segundo turno? Não tinha a tão grande quanto a que assumi- menor idéia, nem dava tempo mos em junho, no início da cam- para pensar. Primeiro, tinha que panha. Só tínhamos terça e quar- pensar em criar condições para ta para mudar inteiramente a pôr o programa no ar dentro de produção do programa, gravar e 3 dias. Vi todos os programas do entrar no ar na quinta. No pri- primeiro turno, do Garotinho e meiro turno, nosso tempo era de do César Maia. Analisei nossos 3'19" - portanto, a estrutura do erros e acertos. Fiquei impressi- segundo turno, com 10', seria onado como a nossa direção de inteiramente diferente. Ao con- arte estava ruim, sem padrão. trário de César Maia, que, no (Tanto a campanha de Luiz primeiro turno, tinha 5'55" - ou Paulo quanto a de César Maia seja, uma estrutura bem mais foram melhores nisso. próxima. Visualmente, no primeiro turno, Garotinho me perguntou o que a campanha de César Maia só achava de chamar o Duda errou em função da política: Mendonça. Respondi, com carregou no preto & branco, honestidade, que ele não teria usou cores depressivas no candi- condições de colocar o programa dato e fez uma logomarca um
    • pouco agressiva.) A nossa ilumi- nosso programa. A equipe de nação também sempre foi pro- Banco de Dados, eficientíssima, blemática. Garotinho era exce- entregava a todo instante mil e lente em externas, mas nem uma informações sobre César sempre se saía bem no estúdio. Maia e devia ficar frustradíssi- Tínhamos problema com o tem- ma, já que aproveitamos quase po, que era curto e deixava tudo nada. Eu e Garotinho éramos muito comprimido. Mas a linha firmes na idéia de não revidar. A geral estava correta. O nosso única coisa mais forte que colo- programa era mais alegre, mais camos no ar foi o puxão de ore- dinâmico, com propostas, apoio lhas que Garotinho deu no entusiasmado, limpo, sem agres- segundo dia, o depoimento- sões. Já falei sobre a nossa deci- vacina de Tânia, algumas falas são de não bater em ninguém. do povo dizendo que "o outro não Mas devo confessar que tive gosta de pobre", uma rápida dificuldade em manter essa alusão à creolina e mais nada. linha. Diariamente recebia deze- Depois de algum tempo, ficou CLAUDIO PAIVA, JB 22/10/98 mais fácil defender essa linha, porque o outro, quanto mais batia, mais caía nas pesquisas. (Na questão das fitas do segundo turno, por exemplo, nosso tele- marketing registrou que o pró- prio eleitor de César Maia na Zona Sul desa-provou o que ele fez.) No início de setembro, O “garotinho” ganhou força César Maia percebeu que estava nas de telefonemas com denún- cada vez mais passando a ima- cias e sugestões de porradas no gem de arrogante, e mudou seu César Maia. As p ro g r a m a . Fo i pessoas ficavam para uma favela e indignadas com "chorou". Como ele. Mesmo dentro ele usava casaco da equipe havia o Lacoste, logo desejo louco de disseram que dar umas boas eram lágrimas de bordoadas. O crocodilo, mas a Nelson Hoineff, verdade é que por exemplo, era funcionou para louco para fazer o muita gente. seu "Documento Principalmente E s p e c i a l " n o No telemarketing, a desaprovação da baixaria por que eliminou
    • apavorado a classe média, que teria reagido com apoio a César Maia. Não creio nisso. O que aconteceu de fato foi a melhora na qualidade e no posicionamento (dentro do Horário Eleitoral) do programa dele. Tivemos certas perturbações, vontade de bater. Garotinho, Lula, Brizola e Saturnino agitam a Zona Sul César Maia mostrava realizações na área popular, chorava, botava o clima agressivo. Cheguei a gente chorando, emocionava, e pensar: "O que fazer para que ele nós não tínhamos nada de novo. volte a bater no Garotinho?" Certa tarde, o Banco de Dados Coincidiu esse momento com a mandou a denúncia (que tinha posição privilegiada do progra- recebido da imprensa) de um ma dele dentro do rodízio do desabamento do Favela-Bairro, a Horário Eleitoral (que, no pri- menina dos olhos dos programas meiro turno, correspondia aos de César Maia. A nossa reporta- primeiros 5 minutos; depois gem foi lá e as imagens e depoi- disso, a audiência despencava). mentos eram impressionantes. O GLOBO 21/8/98 Pensei: "Acho que está na hora de desmascarar esse Favela-Bairro, desqualificá-lo". Vi que no dia seguinte nosso programa abria o Foi aí que o quadro começou a Horário Eleitoral - ou seja, tería- melhorar para ele. A diferença mos audiência privilegiada. diminuiu e a arrogância come- Liguei para o Garotinho e ele foi çou a desaparecer. O seu eleitor - contra. Insisti. Seria apenas uma que andava acuado, abandonado porrada seca. Ele falou: "Então e sem reconhecer o seu ídolo - faz, mas eu quero ver o programa voltou a dar o ar de sua graça e a antes" (ele chegou a dizer, quando apoiá-lo. Sentimos problemas na viu, que era o nosso melhor pro- nossa campanha, e muita gente, grama). No dia seguinte, a equipe erroneamente, chegou a identi- se sentia de alma lavada, e a ficar a causa com o "Encontro imprensa queria saber se tínha- das Bandeiras", a manifestação mos mudado de vez a linha do das esquerdas com a presença de programa. Expliquei que não - Lula e Brizola na orla da Zona era apenas uma intervenção Sul do Rio. Para esses "analis- cirúrgica... tas", a presença de Lula, Brizola O Garotinho me disse que queria e das bandeiras vermelhas tinha a Mara Maravilha para apresen-
    • tadora no segundo turno. Não contratada, passou a apresentar conhecia a Mara muito bem. Só quadros especiais voltados para sabia que ela tinha sido apresen- crianças ou outras questões de tadora de programa infantil e cunho social. Mauro Silva, de que atuava em shows-gospel Campos, que teve um papel fun- evangélicos. Ela tinha comanda- damental no primeiro turno do vários showmícios do aqui no Rio - voltaria para Garotinho. Achei boa escolha. Campos para renovar as matéri- Mas o Hiso se desesperou. Na opinião dele, seria um desastre. Ela passaria a chamar mais atenção do que o Garotinho e a imprensa cairia de pau em cima da gente. Saímos atrás de outra apresentadora (que só foi apro- vada na véspera do programa ir pro ar) e, para meu desespero, o Garotinho decidiu que ele pró- prio iria apresentar o programa. Jaqueline, a apresentadora, em cenário mondriânico Falei: "Garotinho, eu adoro você, acho você excelente comunica- as. Na véspera do reinício do dor, está se saindo muito bem, Horário Eleitoral, tudo corria mas você não pode fazer isso de bem, exceto por três coisas jeito nenhum. Vai prejudicar o (além, claro, do Caixa-Zero da programa - que agora é de 10 campanha): quem iria fazer a minutos e é diário -, porque você edição final, como conseguir o não vai ter tempo de gravar Garotinho para gravar e discutir direito. Pelo amor de Deus, os programas e, finalmente, esquece isso". Ele não ficou como seriam os programas do muito convencido, mas acabou segundo turno? concordando. (Um problema a O Garotinho ficou muito pertur- menos.) Coloquei o bado nos primeiros dias, por Michelangelo (que trabalha na causa da falta de recursos finan- minha agência, como redator e ceiros. Mas depois se saiu muito diretor de arte) junto com o bem nas gravações. Aguinaga para trabalharem o Para o primeiro programa, pen- visual do programa. Um dia sei como eixo colocar agradeci- depois, o Michelangelo apareceu mento pela vitória e percentuais. todo feliz: ele sabe que adoro Isso serviria para ganhar tempo Mondrian, e tinha encontrado e retomar o clima vitorioso. Para uma solução mondriânica. Mara os programas seguintes, pensei Maravilha, que já tinha sido como foco avançar sobre os elei-
    • tores do Luiz Paulo no primeiro com tudo, tudo o que fez e deixou turno. Eram 1 milhão de votos e de fazer. Vai ser duro competir..." estavam concentrados princi- No dia seguinte, quando viu os palmente na Baixada e em algu- programas, Garotinho ficou mas áreas da Capital, como Zona nervosíssimo. Achou o nosso Oeste e Central/ Leopoldina. fraquíssimo, comparado com o Quanto à edição final, a solução do adversário. Ele estava certo. surgiu com o Fernando Brito, E foi aí que surgiram os "12 que fez um trabalho excepcio- motivos e 1 razão para votar em nal. Sempre tinha ouvido falar Garotinho". Eram as 12 princi- mal dele, como assessor do Brizola. Mas se mostrou uma figura ótima e indispensável no 2º turno. Editamos umas inserções provi- sórias e gravamos o primeiro programa. À noite, toda a equipe ficou aguardando o Horário Eleitoral. O nosso foi o primeiro e estava um bom programa. Passou o do César Maia e eu suei Jaqueline entrevista Garotinho frio - o dele estava bem melhor. Não por causa do "I have a dre- pais propostas de Garotinho am" de Martin Luther King (por mais o seu modo de encarar a questão da segurança. (Quero destacar aqui a forma corretíssi- ma como Garotinho se preparou para tratar a questão da segu- rança. Já em 94 ele demonstrava que essa era uma de suas princi- pais preocupações. Ele procurou assessoria de alto nível, estudou, dedicou-se com afinco ao tema. E mais impressionante era que O DIA 22/10/98 César Maia - que arrotava sabe- doria no assunto - mostrou-se sinal, Garotinho tem um quadro inteiramente despreparado. O com esse texto...) e a trajetória item segurança, quando compa- da política até ... César Maia! rado, deu vantagem folgada a Tudo em preto e branco. O que Garotinho.) Lembro desse pri- me preocupou foram as realiza- meiro dia de Horário Eleitoral ções. Pensei: "Ele agora vai vir como o último dia em que fiquei
    • realmente preocupado. Nem mesmo o apoio de Zito (que contávamos como certo para JB 25/9/98 nós) a César Maia me tirou a certeza da vitória. Do segundo se soltaram mais, ficaram ainda programa em diante César Maia mais dinâmicas; Mara errou grosseiramente. A linha Maravilha deu certo na rua e O GLOBO 21/8/98 realçou as matérias de Campos; a nossa apresentadora de estú- dio emplacou; Garotinho rendeu muito mais dentro da fórmula de chororô, que ele tinha usado com sucesso a partir da metade do primeiro turno, voltou com toda força - ou fraqueza... Com o tempo de 10 minutos, o progra- ma ficou mais arrastado, pare- cia durar uma eternidade. Era um verdadeiro muro das la- mentações. E acentuou a ima- gem de falsida-de. Do nosso lado JORNAL DE HOJE 9/10/98 acontecia exatamente o contrá- rio: o programa ficou mais boni- entrevistas (impossível no pri- to; as matérias, com mais tempo, meiro turno); Benedita apare- ceu com Resultado FINAL do Estado do Rio de Janeiro - 2o Turno t e x t o Data : 25/10/1998 Hora : 20:59:57 m e l h o r, c o m p r o- Candidato Votação Válidos Capital Interior 12 GAROTINHO 4.259.344 57,98% 20,65% 37,33% postas e 25 CESAR MAIA 3.087.117 42,02% 23,38% 18,64% m e l h o r d e s e m p e- Total de votos apurados : 7.702.924 (77,25% de 9.971.830 eleitores) Total de votos brancos : 83.868 (1,09% de 7.702.924 votos apurados) nho dentro Total de votos nulos : 272.595 (3,54% de 7.702.924 votos apurados) Total de votos válidos: 7.346.461 (95,37% de 7.702.924 votos apurados) d e u m tempo mai- Abstenção : 2.268.906 (22,75% de 9.971.830 eleitores) Seções apuradas : 25.620 (100,00% de 25.620 seções) or; as maté- rias de rua ganharam
    • mais empolgação; os apoios aliados, companheiros, simpati- aumentaram; a equipe se inte- zantes, gente ansiosa, morrendo grou muito mais e se tornou de medo de deixar a vitória esca- mais eficiente. Por incrível que par na última hora. Na manhã de pareça, o programa de 10 minu- sexta-feira, dia 23/10, ainda tos sete dias por semana do houve pequenas perturbações. segundo turno ficou mais fácil Tive informações ligeiramente do que o programa de 3'19" três preocupantes sobre pesquisa. dias por semana do primeiro Chamei o Brito e falei só com ele turno. O rádio seguiu tranqüilo, (nem mesmo com Garotinho) com muita música e muita pro- sobre o que fazer em função posta. disso. (Mais tarde veio informa- Chegou o momento JB 18/10/98 ção sensivelmente mais esperado, o dos melhor sobre pesqui- debates. E tanto no sa e respirei alivia- rádio como na TV do.) Depois houve a demos um show. No questão legal sobre o debate da CBN, fomos debate da TV Globo e extremamente ágeis na cheguei a ir à tarde repercussão. Mais do ao TRE (onde encon- que isso, na percepção trei o Noel, do JB, e do que deveria ser outros jornalistas editado. Melhor ainda igualmente ansio- no uso da apresentado- sos) acompanhar a ra para expor os pontos decisão. O problema principais do debate e era o seguinte: 1) vacinar contra a baixa- pela lei, o último dia ria. No debate da TV para debates ou Bandeirantes, usamos entrevistas seria o o debate em medida dia 22 - apenas o menor, partindo para Horário Eleitoral outros assuntos. Afinal, Gratuito poderia ser Garotinho estava em grande apresentado no dia 23; 2) o TSE vantagem e não valia a pena se tinha liberado debates no dia 23; perder em polêmica. Nesse deba- 3) não indo César, haveria ape- te, eles foram mais rápidos na nas uma entrevista com repercussão no rádio. Mas o Garotinho - e entrevista não q u a d r o " Fa s c i s t ó i d e s & estava liberada para o dia 23, o Fascistóides" criado pelo Mello que poderia levar à cassação do superou tudo. Daí em diante foi candidato entrevistado; 4) a só uma questão de administrar a dúvida durante longo tempo no vitória - e conter o stress de TRE era saber se seria possível
    • debate de uma só pessoa; 5) o TRE concluiu que o que ocorreria de fato seria um debate E TR onde um dos debatedores talvez faltasse - e ut /O 58 42 25 isso liberava a participação de Garotinho. PE O Na verdade, a última manifestação de luta IB ut /O 59 41 25 de César Maia foi quando ele inventou a PE O IB história da estratégia militar para justifi- ut car a fuga do debate da TV Globo. O candi- /O 58 42 24 dato que mais utilizou a estratégia da arro- PE O IB gância estava isolado, sem saída. Um dos ut /O 58 42 23 políticos que mais conhecem as leis do F UF marketing político, se atrapalhou com elas. B/ J ut /O 60 40 23 X O V ut /O 58 42 23 RJ UE ut /O 61 39 22 FF /U JB ut /O 57 43 A O DIA 14/10/98 21 LH O AF Um político que chegou a ser surpre- AT D ut endente ao final de uma campanha teve que /O 61 39 20 usar artifícios bobos na tentativa de preser- PE O var a imagem. Teria sido muito melhor para IB ut /O 60 40 19 ele se tivesse perdido de uma vez por todas logo no primeiro turno. X O V ut /O 57 43 16 F UF B/ J ut /O 61 39 A 16 LH O AF AT D ut /O 60 40 15 PE O IB ut /O 56 44 12 70 60 50 40 30 20 10 0 GAROTINHO CÉSAR
    • OS DEBATES Quando desistiu de participar do último debate da TV Globo, 2 dias antes da eleição (2º turno), César Maia - ao contrário do que declarou - não estava se guiando por Napoleão, Nelson ou Rommel. Ele certamen- te estava se guiando por Thomas M. Holbrook e seu "O Efeito dos Debates". Tenho certeza que ele leu e gravou na memória esses trechos. Foi a partir daí que ele avaliou que não era proveitoso debater. Mas houve outros motivos. Ele tes. O PT do Acre usou a imagem sabe que nem sempre vale a pena de um pinto fugindo, quando o participar, mas sabe também que candidato Edmundo Pinto não fugir de debate é negativo. A quis debater. E o próprio eleitor pecha de covarde ou fujão é difí- de César Maia, em nossas pes- cil de carregar. Clinton usou a quisas de julho, declarava que imagem de uma galinha, signifi- "não ir a debate é crime". cando covarde, quando Bush não Acontece que César Maia é fraco quis participar de alguns deba- de debate. Ele se sai bem dando
    • entrevista ou fazendo exposição, ses do Estado no Rio na questão quando o seu lado racional é do petróleo, César Maia se atra- forte. Mas, no calor de um deba- palhou todo e se defendeu dizen- te, o seu lado emocional fala do que estava em viagem na mais alto - e aí ele é um fiasco. Alemanha. Na verdade, a per- Foi por isso que fugiu dos deba- gunta foi imprecisa. César Maia tes no 1º turno, esperando que estava no Congresso votando em os outros candidatos afundas- defesa do interesses do Estado sem (levando Garotinho) num do Rio, já que o PDT tinha fecha- mar de mediocridade. Ao contrá- do questão nesse sentido e ele rio, Garotinho consolidou sua era do PDT... A ausência foi em vantagem. Ele é bom de debate outro momento, e ele não teve (ousado, ágil, bem informado, tranqüilidade para responder perturbador) e, contrariando corretamente (Parece que votou velhas "regras" para candidatos a contragosto...). Sob pressão, que lideram, resolveu participar César Maia (que suava muito e de todos. Hiso me ligava deses- não encarava Garotinho) sacou perado, preocupado com o que uma gravação clandestina (o que César Maia podia armar num é crime!) de uma conversa telefô- debate, e eu tinha que acalmá-lo, nica nada comprome-tedora. E reafirmando que Garotinho era transformou a sua versão desse bom de debate e César Maia fato no grande acontecimento muito fraco. Estava convencido dos dias seguintes. O seu pro- disso e os fatos mostraram que grama de TV deturpou o quanto eu estava certo. Aliás, eu sempre pôde. E tocou num ponto delica- disse que César Maia é melhor do: os palavrões que Garotinho trabalhando a versão do fato do falava na conversa gravada, que o fato em si. O debate que típicos de uma conversa natural houve no 2º turno na rádio CBN entre duas pessoas, poderiam (sexta, dia 16/10) é a melhor afetar sua imagem junto ao prova disso. Ele teve uma parti- público evangélico - afinal ele é cipação fraquíssima. Quando um líder religioso. Felizmente a Garotinho perguntou por que gravação se referia a um ele não estava no Congresso momento anterior à sua conver- votando em defesa dos interes- são. Tivemos sorte também com O DIA 22/10/98 a lentidão de sua equipe em produzir a versão do debate. Nós colocamos no ar nossa versão um dia antes, conse- guindo neutralizar os possí- veis efeitos negativos que viriam pela frente. Nós mos-
    • tramos inclusive os trechos do versão que colocaria no ar no livro de César Maia que se refe- programa do dia seguinte. O rem ao uso de baixarias em cam- cálculo dele era simples: o deba- panha, que funcionou como te da Bandeirantes tem audiên- vacina. cia pequena (teve 8% na média, No debate da TV Bandeirantes com pico de 13%) e o Horário (segunda, dia 19/10), a estraté- Eleitoral chega a ter entre 50% gia de César Maia (proposital ou e 60%. Por isso, ele olhava ape- forçado pelas circunstâncias) nas para a câmera e falava como parecia ser de ir ao debate sem se não existisse mais ninguém participar dele. Tivemos a nosso além dele e do telespectador. E favor, em primeiro lugar, o fato foi com isso (inclusive o suor de nossa equipe jurídica ter debaixo do braço) que ele editou conseguido uma liminar que o seu programa do dia seguinte. impedia a divulgação de supos- Mas nós novamente consegui- JB 20/10/98 mos neutralizar a versão dele e fomos além: em vez de gastar um programa inteiro com versões do debate, reduzimos a sua importância, colocando mais tas fitas gravadas clandestina- propostas no ar. Houve, a favor mente e que prejudicariam Garo- dele, os editoriais do JB contra tinho. Os oficiais de Justiça Garotinho e a pesquisa JB/UFF levaram o documento momentos indicando redução de nossa antes do debate ter início e cri- vantagem. Mas a pesquisa do JB 21/10/98 ou-se um pequeno tumulto na entrada do estúdio. Garo- tinho aproveitou para alfi- netar: "César, os homens estão Ibope, divulgada na quarta, dia aí. Mando entrar?" Ou: " Você 21/10, pelo Jornal Nacional, sabe que cometeu crime, não indicando crescimento da candi- sabe, César?" Ou: "César, é verda- datura Garotinho, eliminou de que você foi funcionário- qualquer esperança de vitória fantasma?" Outro ponto a nosso que ele poderia ter. No debate da favor foi que Garotinho estava TV Globo a situação ainda era particularmente inspirado (sua mais complicada para César imitação de César Maia sonhan- Maia: a audiência do horário era do com Brizola é antológica) e alta (38%) e poderia crescer César Maia só fazia morder os (Garotinho sozinho conseguiu óculos e suava sem parar. César ter 34%); no dia seguinte, não Maia limitava-se a participar do haveria mais o Horário Eleitoral debate pensando unicamente na Gratuito e ele não teria condições
    • ções de forjar suas versões; final- outro, o debate que não houve foi mente havia a questão do tempo - o seu Waterloo. JB 23/10/98 seria impossível ele ter condi- ções de vencer um debate e ter capacidade de reverter as inten- ções de voto (diferença entre 14% e 20%, segundo as pesqui- sas) em apenas 36 horas. Entre ficar com a imagem de covarde e ser massacrado diante de dois milhões de telespectadores- eleitores, ele preferiu a primeira opção. Para atenuar o desgaste, inventou a história de estratégia militar, que estaria agindo de forma surpre- endente, como Napoleão. De um modo ou de TRIBUNA 21/10/98
    • A EQUIPE A minha equipe na InternAd eu reduzidíssima, com recursos conheço bem e são todos de mínimos. valor. A Ana Tavares resolveu Na televisão, a equipe toda se muitos problemas na área de saiu muito bem. Destaque, texto, o Robson solucionou primeiro, para a tranqüilidade e brilhantemente a logomarca do eficiência do Juvenil. Depois Garotinho e o Mickey para o papel importantíssimo de (Michelangelo) foi o principal Mauro Silva. Graças a ele responsável (com o Aguinaga, tivemos ótimo material (alguns da Blue Light) pelo visual do problemas de imagem, mas forte programa de TV no segundo no conteúdo) de Campos. No turno. Acrescentamos primeiro turno, temos muito temporariamente algumas que agradecer o trabalho dele pessoas, como o Felipe Fonseca, aqui no Rio, ajudando a integrar que fez trabalhos lindíssimos, a equipe de jornalistas e a criar como a revista do programa de um clima mais descontraído. No governo. O Albano, meu sócio, segundo turno, destaque maior sofreu na administração da para o Fernando Brito, que agência, principalmente na segurou a edição com unhas, questão dos outdoors. dentes e o Hiran (pau pra toda No rádio, quero destacar mais obra que trabalha como seu uma vez o trabalho do Antonio assessor). A Célia também Mello, que comandou com muito contribuiu muito para manter o talento uma equipe alto astral.
    • Equipe InternAd Direção de estúdio: Luiz Henrique (2º turno) Direção: Albano Alves Filho / Direção de Externas: Jorge Hayle Gadelha Queiroz (2º turno) Redação/Direção de Arte: Diretor de Fotografia: Marcelo Michelangelo Moura, Robson Brito (2º turno) Sousa, Ana Tavares, Felipe Apresentadora externas: Mara Fonseca Maravilha (2º turno) Produção Gráfica: Wellington Apresentadora estúdio: Moreira Araujo Jaqueline Nonato (2º turno) Mídia: Jô Gomes Jornalistas: Célia, Manoel Gois, Estúdio Eletrônico: André Márcio Bueno (2º turno), Beth Mangabeira (2º turno) Atendimento: Ana Villa Bôas, Criação: Michelangelo Moura e Eduardo Hugo Paz Apoio: Patrícia, Bruno, Marco, Repórteres: Ingrid Trouche (1º Gabriela, Ivanete, Tereza, turno), Sérgio Saraiva (1º Rodrigo, Chico Sérgio, Aylton turno), Rita (2º turno), Patrícia Cabral (2º turno), Renato Chapot (2º turno) Equipe Blue Light (Rádio) Edição Final: Fernando Brito (com assistência do Hiran) Direção: Juvenil R. Santos Edição Avid I: Rafael Giboski Direção de Rádio/Criação: Edição Avid II: Igor, Carla Antônio Mello Corte Seco: Japonês Produtores: Cláudio da BetaSP Finalização/Clip: Fábio Fonseca, Denise Costa (2º Muniz turno) Edição Beta 1: Marcos Repórter Campos: Lindamara Edição Beta 2: Ricardo Locutor: Roberto Canásio Locutor: Roberto Canásio Áudio: Ademil Santos Computação Gráfica: Alexandre Trafégo: Diná Meirelles Aguinaga, Leonardo Furtado Proporcionais (Muda Rio) Produtores: Guy Alexandre, Responsável: Osvaldo Reinaldo Cozer (2º turno) Maneschy Prod. de Proporcionais: Elizabeth Brauer Produtores de Mídia: Marcos Equipe Blue Light (TV) Resende (1º turno), Daniele Potengy Direção: Juvenil R. Santos Gerente Técnico: Carlos Donato Direção de TV: Nelson Hoineff Engenheiro: Vinicius (1º turno) Técnico: Paulo Beltrão
    • Câmeras: Ricardo Braga, Músico/Cantor: Ricardo Agnaldo, Casa Blanca, Reinaldo Magno Operadores VT: Wagner, Áudio: Dirce Marcelo, Ronaldo Torquilho, Assistentes de estúdio Russo, Márcio Silva, Alan Menezes (2º Raimundo, João turno), Tony (1º turno), José Seguranças: Laércio Pereira, Jorge (2º turno) Eder Penedo, Francisco Áudio: Roberto Tavares Telefonista: Edalva Cruz Equipamentos/Almoxarife: Luiz Faxineira: Suely de Carvalho Eletricistas: Jonas Fonseca, Secretária: Diná Meirelles Fábio dos Santos Motoristas: César Giannini, Eletricista/Iluminador: Paulo Alberto, Luiz (2º turno) e Coutinho outros Tráfego: Lilian Navarro, Financeiro: Fátima Tininha Jurídico: Raimundo Teleprompter: Maurício Recepção: Janaína Arquivo: Rosane Ferreira, Portaria: Fabiano, João Juliana Lima, Maurício Intérprete Surdo/Mudo: Claudia Belga Proporcionais (Muda Rio) Maquiadores: Marinho Responsável: Osvaldo Kennedy(1º turno), Marília (2º Maneschy turno) Dir. de TV: Luiz Henrique Maestro: Wilson Nunes
    • CONCLUSÃO Hoje é dia 23/11. Em menos de tiças, esquecendo de citar o um mês terminei esse Diário. importante trabalho de Gostaria de ter terminado em algumas pessoas. Há também o um único dia, tal era o desejo de desconheci- JB 20/10/98 passar imediatamente as mento do que minhas sensações sobre a acontecia em AD BUSINESS 11/98 Campanha algumas áreas. Vitoriosa de Mas nem mes- Garotinho mo o candidato Governador tem conhe- RJ/98. A volta cimento de p a r a a t o d o s o s realidade da aspectos de agência e da uma campanha família e eleitoral. amigos me P r o c u r e i impediu isso. E transmitir o máximo que mais: como foi poderia dentro da área em que um trabalho atuei. E espero ter conseguido m u i t o o que me propus no início, que interrompido, acabei tendo que era transmitir os conceitos fazer muitas releituras e isso principais que nortearam a significou atraso, porque eu comunicação da candidatura de sempre queria mudar alguma Garotinho. Espero também que coisa. Teve um O DIA 27/10/98 esse trabalho momento que contribua de desisti de alguma forma revisar e segui para que cada em frente. Essa vez mais se faça, correria, além em marketing da finalização eleitoral, um meio desor- trabalho limpo d e n a d a , para se eleger certamente me s e m p r e custou alguns candidatos erros ou injus- Garotinho volta à Central, carregado nos braços, sérios. para a agradecer a vitória que o povão lhe deu.