Abstract       Este trabalho pretende demonstrar como o Turismo tem uma faceta integradora,apoiando-se em várias disciplin...
1 Introdução        Na sociedade contemporânea fenómenos como lazer, mobilidade, território,património, ambiente, sustenta...
cadeira de Seminário, um projecto com carácter anual, onde se realizou numa primeiraparte a abordagem mais teórica, tendo ...
2 Contextualização das Páticas       Num contexto em que falamos de Turismo e Lazer como fundamentais nasociedade contempo...
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“a nível nacional, foi este o primeiro produto de exportação durante largo tempo,constituíndo a par dos cereais, um dos as...
2.1 Turismo em Espaço Rural       É a partir dos anos 70 do século XIX, com a segmentação do turismo face àmotivação dos t...
2.2 Enoturismo e as Rotas de Vinho       Todo o crescimento da humanidade e da sociedade como a conhecemos hojeacontece de...
e proporciona a revitalização das frágeis economias dos espaços rurais. Este apresenta-se como alternativa estratégica a a...
público e privado e os seus actores vão ter para que o Turismo e em especial oEnoturismo, sejam actividades integradoras, ...
Comissões Vitivinícolas e as Regiões de Turismo são as entidades que as regulam,deparando-se as mesmas com alguns problema...
característica de abandono.         Sendo o Turismo um fenómeno com excelentesoportunidades de oferta e com um constante r...
falta de colaboração entre sectores e agentes pode fazer com que a dinamização nãoseja atingida e consequentemente o desen...
3 Caso de Estudo: Melgaço e Vinho Alvarinho       3.1 O Espaço        Sendo que o tema de trabalho é o desenvolvimento em ...
fronteira é fraca, à excepção da linha Guadiana-Salamanca que, por ligar “Portugal àEuropa de além-Pirinéus” (Daveu, 2005)...
efectivamente os recursos, sendo estes naturais, históricos e etnográficos. O Patrimóniode Melgaço é bastante vasto, sendo...
3.2 O Produto        Alvarinho é uma casta branca, autóctone da Sub-Região de Monção e Melgaço,inserida na Região dos Vinh...
sejam diminutas. A precipitação ocorre com maior frequência entre Outubro e Março, oschamados meses húmidos, e com menos f...
organizados e aliados a oferta de Vinho Alvarinho, necessita inevitavelmente de secomplementar com outros produtos da regi...
3.3 Rota do Alvarinho           A Rota do Vinho Alvarinho éstá inserida na Rota dos Vinhos Verdes e édinamizada pela Comis...
3.4 Resultado dos Inquéritos:       Durante o percurso da cadeira de Seminário foi-nos proposto que efectuasse-mosentrevis...
de Enoturismo. Sendo um dos dez produtos estratégicos a ter em consideração na apostado turismo em Portugal, é necessário ...
trabalho, o desenvolvimento da economia, o desenvolvimento do produto como ofertaespecializada e de qualidade e aumentando...
4 Conclusão      Resumindo, turismo é um fenómeno de mobilidade, em constantedesenvolvimento, efeito das mudanças sócio-ec...
concepção de turismo, da qual não tinha conhecimento aprofundado, apercebendo-meda evolução do turismo ao longo dos tempos...
5 Referências BibliográficasAssociação de Produtores de Alvarinho (?) Monção e Melgaço- O Terroir. Alvarinho,aroma de uma ...
Santos, Norberto e Gama, António, coord. (2008) Lazer, Da libertação do tempo àconquista das práticas, Imprensa da Univers...
6 Índice1 Introdução.........................................................pp. 2-32 Contextualização das Práticas..........
7 Lista de Figuras1. Figura 1. - Os Pilares do Enoturismo.............................pp. 92. Figura 2. - Visão Integrada ...
10 Anexos  10.1 Figuras              Figura 2. Visão integrada do Enoturismo             Fonte: Novais e Antunes (2009), a...
10.2 Quadros         Quadro 2. Serviços necessários para o Turismo e Desenvolvimento Endógeno     Quadro 3. Evolução Demog...
Quadro 4. Perfil EnoturistaFonte: PENT: Gastronomia e Vinhos, 2006                  32
10.3 Gráficos        Gráfico 1. Nível de habilitações e População Residente, activa, por sector                           ...
Gráfico 3. Temperatura e Precipitação                     Gráfico 3.1                                       Gráfico 3.23.1...
Gráfico 5. Harmonização de Vinho com Gastronomia            Gráfico 6. Idade dos inquiridos     7                  60%    ...
Gráfico 8. Motivações das Visitas a Portugal                   Praias                Aventura                   Saúde     ...
Gráfico 10. Meios de Promoção/Informação para turistas                         Panfletos informativos                     ...
Gráfico 13. Nível das Exportações de Vinho Alvarinho, por produtor     Oceania                                            ...
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“Desenvolvimento local: Turismo, Melgaço e Vinho Alvarinho, estudo de caso.”

  1. 1. Abstract Este trabalho pretende demonstrar como o Turismo tem uma faceta integradora,apoiando-se em várias disciplinas e actividades para conceber um território comodestino turístico ordenado e com potencialidades a nível local, regional e nacional. Asáreas rurais têm uma imagem denegrida podendo o turismo, assente em bases desustentabilidade e ambiente, vir a alterá-la, revitalizando-a. Estes espaços podem sofreralterações a nível social, económico e cultural, podendo alterar a identidade daspopulações. Pretende-se compreender com este trabalho, se o turismo pode serbenéfico para estas áreas e de que forma. Este texto é o resumo da investigação nacadeira anual de Seminário/Projecto, pretendendo dar a conhecer um território, umproduto e uma prática, aprofundado conhecimentos de disciplinas e temas, recorrendoametodologias teóricas e práticas essenciais para a formação de um bom profissionalligado ao Turismo. Palavras-Chave: Turismo, Desenvolvimento, Mobilidade, Território, Cultura, Vinho, Gastronomia, Enoturismo 1
  2. 2. 1 Introdução Na sociedade contemporânea fenómenos como lazer, mobilidade, território,património, ambiente, sustentabilidade, desenvolvimento e turismo têm sido foco dediversas discussões, a nível social, político e económico. Tendo este trabalho como temao desenvolvimento local em territórios de baixa densidade associado ao Enoturismo, seráde enorme relevância contextualizarmos as práticas do Turismo, do Lazer e daAgricultura, mais específicamente a vitivinicultura. A compreensão destes fenómenos éfundamental para que possamos fazer uma análise mais extensiva sobre o tema,associando os termos e tentando perceber de que forma podem ser influenciados osterritórios em toda a sua dimensão social, económica, política, patrimonial e identitária. O Turismo é um fenómeno que se tem vindo a desenvolver ao longo do século XX,tendo a sua origem, como concepção actual, no Grand Tour dos séculos XVIII e XIX.Apesar de existirem referências anteriores ao Grand Tour, nomeadamente Egipto, Gréciae Roma Antigos, foi através do primeiro que começou realmente a conhecer-se o mundoe a ter-se contacto com outros povos, culturas e civilizações, ou seja, começou a ter-sea percepção de território. A conjunctura política sempre influenciou estes fenómenossociais, pois através das “Revoluções” que o mundo foi sofrendo, alterações a nívelsociológico, económico, político e cultural foram-se demarcando, evoluindo einstituindo. Foi entre os anos 50 e os anos 70 do século XX que se deu o chamado “boomturístico”, que vai dar origem ao(s) turismo(s) que vivemos hoje. Este tornou-se um dossectores mais importantes das sociedades actuais, visto que é uma actividade humana,que prossupõe mobilidade e interação e potencia a transformação de territórios e desociedades. Esta actividade, segundo as Estatísticas de Turismo, é considerada comouma das mais importantes na geração de emprego e rendimentos, representando, hoje,10% do PIB (Produto Interno Bruto) Nacional e empregando cerca de 416 000 indivíduos,isto é, 8,1% dos trabalhadores activos. Podemos afirmar então, que é um sector demáxima importância para as economias nacionais e fomentador de desenvolvimento,especialmente no meio rural, funcionando este como instrumento de criação deoportunidades e da reanimação deste mesmo espaço, que nos interessa nodesdobramento do nosso trabalho. A sedentarização do Homem, há milhares de anos, fez com que este começasse ater uma relação mais profunda com o espaço e com o território. A humanização daspaisagens, visível através da agricultura, fez com que o Homem se fixasse a umterritório, alterando a sua imagem. Esta apropriação do espaço levou a que a Naturezase tornasse mais humanizada e consequentemente aliada do Homem, dando-lhe o queele precisava. A plantação da vinha já vem referenciada desde a pré-história, pelomenos, sendo que a Geórgia (Cáucaso) é considerado o sítio onde se cultivou vinhedopela primeira vez (7000 a.C.), mostrando aqui a relação ancestral entre o homem e estaprática, tendo também a sua relação com a religião muita importância. De facto, ovinho está interligado com as várias religiões, sendo em muitas delas o meio para atingirDeus, utilizado em rituais sagrados como funerais e casamentos, ou representando o seusangue. A verdade é que este, vinho, sempre foi considerado um produto exclusivo àselites e aos abastados, começando apenas na sociedade actual a desvanecer-se essaideia. Assim, a agricultura mostra que o espaço pode servir o homem como meio desubsistência, mas que através deste essa mesma relação se complexifica. Questões comoidentidade, mobilidade, cultura, património e tradição serão também abordadas aolongo do trabalho, por serem intrínsecas a esta ligação entre o Homem e o Espaço. Este trabalho escrito corresponde à fase final da investigação feita ao longo da 2
  3. 3. cadeira de Seminário, um projecto com carácter anual, onde se realizou numa primeiraparte a abordagem mais teórica, tendo especial ênfase na contextualização do espaço edo produto e na segunda parte um contacto maior com a região e com os intervenientesno desenvolvimento desta mesma. No trabalho escrito anteriormente abordei acontextualização do turismo e da prática agrícola da vitivinicultura na culturaportuguesa, descrevendo o ambiente sócio-económico, geomorfológico, histórico ecultural de espaço em questão, Melgaço, sem nunca esquecer nem por de parte todo oseu envolvente. Nesta segunda parte farei um resumo da investigação feita para oprimeiro trabalho, complementando-o e alterando algumas questões que acharpertinentes. As metodologias utilizadas pretendem esclarecer dúvidas e questõesinerentes ao tema e foi crucial, para a compreensão de fenómenos como Turismo,Vitivinicultura, Enoturismo, Desenvolvimento e Sustentabilidade, a leitura de textos,artigos e livros de autores/investigadores importantes na discussão dos temas, ocontacto com os produtores, as associações de desenvolvimento, os municípios e outrosintervenientes no processo, para além da consulta das páginas oficiais dos municípios edas Rotas do Vinho Verde e do Alvarinho. Ao longo do trabalho tentarei ser o maisconcisa, clara e explícita quanto possível. 3
  4. 4. 2 Contextualização das Páticas Num contexto em que falamos de Turismo e Lazer como fundamentais nasociedade contemporânea e consequentemente no desenvolvimento local,especialmente em territórios de baixa densidade, é crucial contextualizar ecompreender as actividades que lhe são atribuídas. As origens do Turismo, do Lazer e dacultura da vinha revelaram-se indissociáveis para esta investigação e funcionaram comoponto de partida na compreensão dos restantes temas e fenómenos. “Turismo é considerado um fenómeno de modernidade, criado pelas civilizaçõesocidentais (...) na vivência da sua capacidade de mobilidade (...)” (Inácio). A questãopremente da mobilidade nas sociedades indica-nos, que apesar de estas seremancestrais, é através da Revolução dos Transportes e das Comunicações que se podeconsiderar a emergência do Turismo como o conhecemos hoje. Revivendo o passado podemos constactar que, desde que se tornou sedentário, oHomem apenas fazia deslocações com fins expansionistas, comerciais e religiosos devidoaos elevados custos destas morosas e difíceis deslocações. A agricultura era o seu meiode subsistência e os seus frutos a moeda de troca nos mercados. A escassez detransportes e a lonjura das distâncias condicionadas pelas fracas redes viáriaspropiciaram a que a quantidade de viagens feitas por esta altura fossem diminutas,depreendendo que apenas os comerciantes e os aristocratas tinham acesso a estasviagens. É com o Renascimento que se inicia um processo de alteração. Esta foi umaépoca em que se pretendia romper com a “escuridão” vivida na Idade Média e é por estaaltura que se recuperam custumes, tradições e hábitos das Culturas da Antiguidade,como festivais e feiras, dando-se ainda especial atenção às artes, criando-se teatrositinerantes e apelando-se ao mecenato para proteger artistas. As viagens pela altura dos Descobrimentos fizeram com que novos produtossurgissem para complementar a alimentação mediterrânica baseada em pão, azeite evinho e modificou a ideia de viagem, pois esta começou a ter um carácter lúdico, isto é,motivada pela curiosidade de conhecer novos povos, novas civilizações, novos lugares.Só mais tarde no século XVIII estas viagens começaram a ter como motivação a instruçãoe o prazer. Surge assim o Grand Tour que vai dar origem às bases do Turismo. O Grand Tour consistia na realização de longas viagens, efectuadas por jovensabastados, pertencentes a elites e à aristocracia, tendo uma duração de dois a trêsanos. Os objectivos destas viagens eram não só educar os jovens para os aspectosgovernativos e diplomáticos, mas também para terem contacto com outros países,outros povos, outras sociedades, demonstrando o carácter cultural para além dopolítico. Como já referi, o carácter onoroso, extensivo e prolongado destas viagensdeterminava que estas constituissem um privilégio para os mais abastados, sendorealizada com a intenção de aumentar a sua influência e o estatuto social. Com as viagens a aumentar, foi necessário adaptar e criar infra-estruturascapazes de satisfazer a procura, desde melhorar alojamentos já existentes comohospedarias e estalagens à criação de hotéis que começaram a popularizar-se por estaaltura. As estradas também foram melhoradas devido á circulação cada vez maisfrequente de malapostas e foram introduzidos barcos a vapor nos principais percursosaquáticos. Foi também por esta altura que surgiram os pacotes turísticos queenglobavam transporte e alojamento nos principais hotéis. A nível económico podemosreferir as notas de câmbio introduzidas por banqueiros nos finais do século XVIII e quepoderiam ser utilizadas em muitos centros Europeus. Podemos então referir que oterritório já começa a ser organizado de forma a que possa existir uma “cultura de 4
  5. 5. viagens”, pois ainda não podemos falar de turismo, apesar de já haver referência a esteem 1907. Analisando o parágrafo podemos então referir já alguns elementos esseciaispara a prática turística que se começam a instituir e a alterar, sendo eles então osequipamentos (infra-estruturas turísticas, equipamentos comerciais e equipamentosrecreativos-desportivos) e as acessibilidades. A Revolução Industrial iniciada em meados do século XIX é portanto umareferência importante a se fazer, pois despoletou uma nova conjunctura nas sociedades.Mudanças foram sentidas a todos os níveis. Com a introdução de máquinas a vaporalterou-se a situação do trabalhador, disponibilizando-se assim mão-de-obra. Ainstalação de indústrias nos meios urbanos maiores e essencialmente litorais levou a queas populações iniciassem um processo de deslocações para esses meios, do rural para ascidades. Este tipo de migração ainda está muito acoplado nas sociedadescontemporâneas e advém daí a explicação para o empobrecimento e abandono do meiorural. As condições destes operários não eram as melhores, vivendo estes em condiçõesprecárias e com um nível de vida muito baixo. Sendo que era visível o aumento daprodutividade nas fábricas, começaram-se a organizar sindicatos de trabalhadores parareinvindicar alguns direitos e após muitas lutas esses mesmos foram conseguidos, pois ospatrões perceberam que se os trabalhadores estivesses contentes o nível deprodutividade aumentava, portanto, as horas de trabalho foram substancialmente sendoreduzidas, de 16 horas por dia para as 8 horas (que ainda hoje se praticam), os saláriosforam aumentados e foram instituidas as férias (mais tarde pagas). Tudo isto levou a queo trabalhador se visse liberto do tempo de trabalho para ter mais tempo para fazeroutras coisas e agora com uma capacidade económica diferente. A sua qualidade de vidamelhora, tal como a esperança média de vida das populações. Procede-se, também, auma “educação” das populações, instituíndo a obrigatoriedade e consequentementediminuíndo o nível de analfabetização e por fim a entrada da mulher no mundoprofissional e a consequente redução da familia nuclear foram elementos chave para ainstitucionalização do Lazer, onde o turismo se insere. A partir daqui a necessidade dohomem de se sentir bem a nível físico e psíquico leva a que este pratique actividadesque levem ao seu bem-estar e ao seu prazer e que cada vez mais se vem sentido.Segundo Santos e Gama (2008), “o lazer (...) directamente relacionado com odesenvolvimento da sociedade de consumo, tornou-se uma das referências damercadorização do tempo e do espaço, através de formas de interacção socioeconómicalideradas tanto por processos de elitização como por processos de democratização, noacesso a bens e serviços que lhe estão associados”. Todas estas evoluções permitiram que certo tipo de actividades deixassem de sereclusivamente da elite. Os lucros provenientes das indústrias e da comercialização dosprodutos permitiu que a burguesia visse aumentada a sua influência e estatuto, podendoassim imitar o comportamento da primeira, demonstrando ainda segregação entreclasses, mas que ao longo dos tempo se vai reduzindo. Aliadas a um capitalismo comforte expressão na sociedade iniciou-se a “cultura de massas” que se vai prolongandoaté aos dias de hoje, mas que se tenta combater como por exemplo no turismo.Pretende-se que o chamado “Turismo de massas” ou de “sol e praia” que se estabelecepor volta da década de 80 do século XX, no sul da Europa e em especial em Portugal,seja apenas uma das ofertas do país, inserindo-se novos conceitos e novo(s) turismo(s),Turismos de Nicho, como é o Enoturismo. O Enoturismo é uma prática recente ligada ao mundo rural e à cultura da vinha. Aagricultura sempre foi uma das formas de subsistência do Homem, retirando da terraprodutos que consumia ou vendia para sobreviver. As uvas são um dos exemplos etambém dos mais antigos, sendo que tem especial importância na cultura portuguesa: 5
  6. 6. “a nível nacional, foi este o primeiro produto de exportação durante largo tempo,constituíndo a par dos cereais, um dos assuntos mais prementes da questão agrárianacional” (Simões, 2006). As videiras e as oliveiras (que surgiram mais tarde) sempre se deram bem emterritórios inóspitos, pobres, pedregosos, onde outras culturas não crescem, sendo quese tornaram essenciais na cultura mediterrânica, tal como os cereais. Estas culturasrevelaram-se fonte de subsistência para vários povos, que aumentaram as suas reservasalimentares, devido em parte a certos “truques” como a adição de água, não só paraenfraquecer, mas também para aumentar as reservas, e assim permitiram umcrescimento efectivo das populações. Estas mesmas culturas fomentaram as trocascomerciais entre os povos, permitindo a troca de experiências e de ideias, havendo uminício de intercâmbio cultural onde se aprendem técnicas e práticas e onde a mobilidadeé, novamente, factor com influência. Podemos acrescentar que é na época dosDescobrimentos que as cepas começaram a ser levadas para as colónias, plantando-sepor lá e muitas vezes servindo as colheitas como moeda de troca de outros produtos deoutras regiões com elevadíssimo valor para os Europeus. É a partir daqui, também, que ovinho é levado para outras partes do mundo, tendo hoje regiões como a América do Sul,uma cultura de vinho bastante reconhecida a nível internacional. Estas trocas eaprendizagens ajudam a que “cidades” se estabeleçam e consequentemente impérioscresçam, constatando-se que existe um cerscimento económico e social progressivo numperíodo onde a prosperidade é reinante. Autores defendem que “os povos da bacia domediterrâneo só suplantaram o seu estado de barbárie quando começaram cultivar aoliveira e a vinha” e “quanto melhor ele [vinho] for, mais procurado é, e mais fomentao seu comércio.” (Inácio, 2006). Mas é a partir da Revolução Industrial que a sociedade inicia uma alteração visívela nível económico, social e político, como já referenciei, sendo também a cultura davinha e a forma como o vinho é produzido alterados. O método tradicional e artesanaldeixa de ser o mais utilizado para dar lugar à maquinização dos processos, ante aescassez de mão-de-obra, que se deslocava para as grandes cidades, para trabalhar naindústria. Isto levou a que existisse um processo de massificação, ou seja, produzir emgrandes quantidades a baixo custo, diminuindo a qualidade dos vinhos. Este grandemovimento social e a massificação da produção de vinho representaram tanto o declíniodos espaços rurais, como da prática agrícola, associada ao vinho, mas os vários tipos deturismo e de lazeres têm contribuído não só para um desenvolvimento pessoal, masessencialmente têm-se mostrado como catalizadores no desenvolvimento dos espaçosonde se integram, proporcionando uma “revitalização” e um “rejuvenescimento” dascomunidades locais, potenciando o desenvolvimento regional e local. 6
  7. 7. 2.1 Turismo em Espaço Rural É a partir dos anos 70 do século XIX, com a segmentação do turismo face àmotivação dos turistas, que se inicia um novo tipo de turismo, apoiado em subsídios eajudas financeiras, que pretende valorizar o património natural e ambiental, tendoenfoque nas regiões periféricas, o Turismo em Espaço Rural. Este tipo de turismo preconiza a gestão dos recursos turísticos, na perspectiva dealcançar resultados económicos, sociais e ambientais duradouros tendo em especialatenção para a utilização dos recursos naturais e culturais, endógenos, com apreocupação de salvaguardar os diversos patrimónios, as paisagens e as populaçõesdesses territórios, sem descurar o usofruto (sustentável) das actividades, tradições ecostumes por parte dos turistas. Também na sua concepção é necessário ter em conta otipo de hospedagem oferecida. Tendo em conta, como o próprio nome indica, que éTurismo feito/usufruido em Espaço Rural, o próprio conceito tem que ver com oterritório onde se insere, com as características arquitéctonicas e identitárias deste, emoposição ao luxo e à verticalidade da hospedagem nas metrópoles. Estas “hospedagens”vêm de encontro ao interesse dos turistas que praticam este tipo de turismo, a vontadede se sentirem próximos à natureza, ao território e às gentes desse mesmo território. A questão da proximidade, do simbólico e do desejado estão sempre presentes,sendo que o rural “convida a sentir o silêncio, os odores e as cores naturais e originais,é uma espécie de última reserva de valores e recursos que se perderam ou sepretendem reencontrar, nomeadamente o ar puro e a água cristalina, biodiversidade,paisagens naturais e culturais de grande beleza e estética apelativa(...)” (Carvalho,2006). Este Turismo em Espaço Rural faz com que a percepção do território também sealtere. O facto de se ajustarem os interesses de turistas e residentes faz com que esteperca parte da sua imagem utilitária, de espaço físico e social de subsistência paraganhar uma imagem mais idealizada de valor de reserva ambiental e cultural para osseus visitantes, essencialmente vindos das grandes cidades, destacando-se este como umespaço de memórias, tradições, cultura, natural. O TER apresenta várias formas e actividades, podendo-se destacar o Turismo deAldeia, Agroturismo, Hotéis Rurais e Enoturismo, definindo-se e conceptualizando-seTER,segundo o Decreto de Lei nº. 169/97, de 4 de Julho, como “ conjunto de actividades eserviços realizados e prestados mediante remuneração, em zonas rurais (ligação tradicionale significativa à agricultura ou ao ambiente e paisagem de carácter vincadamente rural),segundo diversas modalidades de hospedagem, de actividades e serviços complementares deanimação e diversão turística, tendo em vista a oferta de um produto turístico completo ediversificado no espaço rural”1. Os objectivos essenciais do TER prendem-se com a ofertade actividades de animação e diversão para turistas, ocupando os tempos livres destes,contribuindo para a “divulgação das características, produtos e tradições das regiões,designadamente o seu património natural, paisagístico e cultural, os itineráriostemáticos, a gastronomia, o artesanato, o folclore, a caça, a pesca, os jogos e ostransportes tradicionais”. O Turismo em Espaço Rural, pretende no fundo, através das suas diversasactividades turísticas, aproveitar os recursos endógenos e utilizá-los numa perspectivade sustentabilidade, através da sua constante preocupação com a conservação e avalorização dos vários patrimónios apelando à atitude participativa e tratamentopersonalizado dos turistas, numa pequena dimensão da unidade de exploração.1 Retirado de Carvalho, 2006 7
  8. 8. 2.2 Enoturismo e as Rotas de Vinho Todo o crescimento da humanidade e da sociedade como a conhecemos hojeacontece devido a “pontos de ruptura”. Podemos verificar que é através de alterações anível do comportamento do Homem, influenciado pela sua instrução, desejos,necessidades e capacidades, que este vai actuar. Todas as “Revoluções” e Guerras que omundo sofreu foram patenteadas pela alteração do comportamento do Homem e da suanecessidade de obter algo. É a partir destas rupturas, as Guerras e Revoluções, que sedá o ponto de viragem na mentalidade do Homem e isso é verificável em várias alturas,como por exemplo na Idade Média, época de conquistas, que se começam a definirfronteiras e a formar identidades; com os Descobrimentos encontraram-se outroscontinentes, criaram-se novas formas de comércio e revolucionou-se a navegaçãomarítima; a Revolução Francesa vem instituir novos conceitos como Liberdade,Fraternidade e Igualdade; a I Guerra Mundial veio contribuir para a democratização debens e para a afirmação de novas formas de transportes, como o automóvel e o avião; aII Guerra Mundial deu a conhecer novas formas tácticas e políticas recorrendo àcomunicação social e à propaganda para o seu sucesso (Marketing). Todas estasmudanças vieram alterar a sociedade de época para época funcionando no século XXI empleno. A banalização das viagens, das comunicações, dos destinos permite-nos afirmarque vivemos, de facto numa era de liberalização do consumo e de democratização dosbens, sendo que hoje quase tudo é acessível a quase toda a gente. Com todas estas alterações ficou de facto mais fácil a mobilidade das pessoaspara espaços considerados mais atractivos, as chamadas metrópoles, fazendo com queespaços mais interiores e/ou periféricos, rurais, se tornassem espaços de “repulsa” e,logo, espaços menos populosos e enfraquecidos. Face a este processo profundo dedescaracterização e de enfraquecimento dos espaços rurais foram criados programas esubsídios para a actividade agrícola, com maior relevância económica para estesespaços, como é o exemplo a PAC, o FEOGA ou o Programa LEADER. Estes programasforam criados ou reformulados para que a agricultura possa cumprir outras funções paraalém da função tradicional de produzir alimentos e/ou outras matérias primas. Estasnovas funções, como a conservação da paisagem (ambiental) e a contribuição para adiversidade das áreas rurais e para o desenvolvimento territorial (social-territorial)enfatizam a dimensão multifuncional da agricultura e do território rural, reconhecendoa especificidade dos territórios e do seu potencial de recursos, tendo aqui o lazer e osseus diversos modos de utilização especial relevância. O Turismo, um dos tipos de Lazer, apresenta-se como uma solução para estesfenómenos de abandono rural, sendo que este se manifesta segundo os interesses dosturistas, isto é, “contrariando a lógica da oferta massificada e formatada em bandalarga, emergem novos produtos/tipologias em resposta ao facto dos consumidoresserem cada vez mais especializados, exigentes, esclarecidos e predispostos a participarnas actividades turísticas”2. Com a entrada de Portugal na Comunidade Europeia, esteinvestiu na qualidade da produção de vinho, reorganizando o sector institucionalmente,criando novas denominações de origem e apoiando massivamente os investimentos naprodução de vinhos de qualidade. Esta revitalização levou a que se proporcionasse umaarticulação da actividade agrícola, especialmente a vitivinícola com outras actividades esectores, como é exemplo o turismo. O turismo é um factor de desenvolvimento quepossibilita a criação de emprego, a melhoria das infra-estruturas das comunidades locais2 McGettigan citado por Carvalho em 2006 8
  9. 9. e proporciona a revitalização das frágeis economias dos espaços rurais. Este apresenta-se como alternativa estratégica a adoptar para regenerar as sociedades rurais e parapromover o desenvolvimento económico destas áreas face às problemáticas que estasenfrentam nos dias de hoje. O declínio da actividade económica do mundo rural, areestruturação do sector agrícola, a mecanização da produção agrícola, as migraçõespara os grandes centros urbanos, a empregabilidade e a melhoria dos níveis educacionaisdas populações são algumas das preocupações actuais e que em parte o turismo temvindo a desempenhar um papel activo, sendo que este é um catalizador do crescimentoeconómico, melhorando os padrões de vida das populações e dinamizando espaços eregiões menos favorecidos. Estes são pressupostos dos Turismos de Nicho, onde se insereo Enoturismo, também este abrangido pelo Turismo em Espaço Rural. O conceito de Enoturismo é ainda muito recente, sendo que ainda não foitotalmente constituída a sua definição. Mas, segundo as bases de Getz (2000), podemosdefini-lo como sendo um segmento da actividade turística baseado naviagem/deslocação a regiões vitivinícolas motivada pela atracção, interesse eaprendizagem pelos modos, processos e intervenientes na produção e pela tradição ecultura das localidades onde são produzidos, tendo como objectivos o desenvolvimentoda região/destino e a oportunidade de lucros provenientes da venda directa aoconsumidor, tal como reconhecimento do produto e conceitualização da marca3. “All the tourist, leisure and spare time activities dedicated to the discovery andto the cultural and enophile pleasure of the vine, wine and its soil” é a definição queDeloitte4 dá ao enoturismo, sendo representada na figura 1. Figura 1. Os pilares do Enoturismo Fonte: Novais e Antunes (2009), Adaptado de Deloitte (2005) Para além dos produtores é preciso ter também em conta a importância dosequipamentos, das acessibilidades, dos Recursos, isto é, da importância que os sectores3 Segundo Getz (2000) citado por Novais e Antunes (2009) o conceito de Enoturismo engloba três componentes interligadas: Turismo baseado na atracção de uma região vinícola e dos seus produtores; Forma de marketing e de desnvolvimento de um destino/região; Oportunidade de marketing e vendas directas por parte dos produtores de vinho.4 Citado por Novais e Antunes 9
  10. 10. público e privado e os seus actores vão ter para que o Turismo e em especial oEnoturismo, sejam actividades integradoras, revitalizantes e competitivas (figura 2 equadro 2) tendo em vista o contacto directo do turista com as actividades, neste casovitivinícolas, com os produtos resultantes dessas actividades e com todo o patrimóniopaisagístico e arquitectónico relacionado com a cultura da vinha e a produção de vinho. O Enoturismo, sendo um tipo de turismo que se situa fora das áreasmetropolitanas, assume um papel importante no desenvolvimento regional e nocombate às assimetrias regionais, mostrando-se dinamizador na medida em que permitecombater a sazonalidade, através das visitas às vinhas em qualquer altura do ano;diversificar os produtos turísticos oferecidos por cada região; criar postos de trabalho ecaptar novos investimentos para estas regiões mais desfavorecidas. “A viticultura é um dos sectores mais dinâmicos da agricultura portuguesa, sendotambém um dos que melhor se adaptou à concorrência comunitária em resultado daadesão de Portugal às Comunidades Europeias.” (Simões, 2008: 269-279) A tradição mediterrânica sempre esteve ligada à agricultura, e especialmente àcultura do vinho, do pão e do azeite, sendo este um dos sectores de maior importânciaem anos transactos. O facto deste produto, o vinho, ter sido dos primeiros a sercomercializado na Península Ibérica, sempre desempenhou um papel fundamental narelação das explorações agrícolas com o mercado, deixando, hoje em dia de seressencialmente para consumo próprio para passar a comercializar-se a maior parte daprodução de vinho. Portugal na conjuntura Europeia é o quinto maior produtor de vinhoe o décimo maior a nível mundial, detendo uma quota de mercado entre os 3% e os 5%,mantendo também grandes níveis de consumo do mesmo, mantendo-se a preferênciapelos produtos nacionais. Enoturismo pode ser encarado como gerador de emprego, despoletando processosde comercialização/troca e sendo em parte um contributo da produção vinícola para odesenvolvimento rural sustentável das regiões do interior menos desenvolvidas,associado com regiões vitivinícolas que podem ser demarcadas ou não. Em Portugalexistem quarenta e sete regiões vitivinícolas, inserindo-se a Região dos Vinhos Verdes edo Alvarinho numa região D.O.C., isto é, vinhos cuja produção está tradicionalmenteligada a uma região geograficamente delimitada e sujeita a um conjunto de regrasconsignadas em legislação própria (tipos de solos, castas recomendadas e autorizadas,práticas de vinificação, teor alcoolico,...). O Alto Minho e a Região dos Vinhos Verdes é amaior região demarcada de vinhos do país e única produtora deste tipo de vinhos. As Rotas de Vinho são “percursos sinalizados e publicitados através de painéisespeciais que destacam os valores naturais, culturais e ambientais, exploraçõesvitivinícolas, individuais ou associados, abertas ao público, constituíndo instrumentosatravés dos quais os territórios agrícolas e as suas produções podem ser divulgadas,comercializadas e dispostos em forma de oferta turística.” (Novais e Antunes, 2009). Assuas atracções são então de ordem natural (paisagem, espaços rurais, cursos deágua, ...), física (lojas, enotecas, vinhos, adegas, ...), patrimonial, cultural e histórica. As rotas de vinhos nasceram em 1993, através do Programa Dyonisios da UniãoEuropeia, com o intuito de preservar a autenticidade de cada região através dadivulgação do artesanato, património paisagístico, arquitectónico e museológico,gastronomia, combate à desertificação e constrangimento e como solução para adinamização das regiões demarcadas. Estas são instrumentos de promoção do turismovitivinícola proporcionando o contacto estreito com a paisagem e o mundo rural. As 10
  11. 11. Comissões Vitivinícolas e as Regiões de Turismo são as entidades que as regulam,deparando-se as mesmas com alguns problemas ao nível de consolidação enquantoproduto turístico principalmente devido à falta de enquadramento legal, pois aorganização interna e funcionamento das rotas não é uniforme, levando a uma falta deligação/coordenação e pautando pela ausência de estratégias concertadas destinadas àsua promoção. Podemos então concluir que o comportamento do Enoturista depende do atractivodas regiões, dos seus recursos naturais, adegas e outras facilidades turísticas, produção,consumo e exportação do vinho, factor histórico-cultural, localização e acessibilidades,massa crítica, qualidade e reputação dos destinos, sazonalidade, legislação, organizaçãoe marketing, sendo que tem vantagens e desvantagens. Quadro 1. Vantagens e Desvantagens do Enoturismo Fonte: Adaptado de Novais e Antunes (2009) Retiramos daqui, então, que Enoturismo é um Produto Turístico e as Rotas sãoItinerários complementares desse produto, que têm especial importância para odesenvolvimento sócio-económico do território. É cada vez mais visível uma ascensão anível mundial da produção, consumo e área de vinha, surgindo novos países entre osprincipais produtores, como a China, podendo-se afirmar que o Enoturismo é umconceito que tem evoluído mas não está estabilizado. Grosso modo, turismo é considerado um fenómeno de mobilidade, em constantedesenvolvimento, efeito das mudanças sócio-económicas, políticas e culturais dassociedades contemporâneas e que se tem revelado um sector e actividade dinimizadoresde espaços, especialmente os mais “distantes”, remotos e com menos atractividade paraas populações. Estes territórios são a imagem do mundo rural actual, que sofreperturbações a nível demográfico, geográfico e económico, tendo uma imagem 11
  12. 12. característica de abandono. Sendo o Turismo um fenómeno com excelentesoportunidades de oferta e com um constante remodelar de mercados, devido a toda acomplexidade que é o ser humano, assistimos a um fenómeno que comporta todo umenvolvente de práticas, que influencia directa e indirectamente a sociedade. Regiões como o Norte de Portugal, a Região Centro e o Alentejo têm tido enfoqueneste planeamento, sendo que o aproveitamento dos recursos, o melhoramento dasacessibilidades e a criação de infra-estruturas e equipamentos têm sido as principaispreocupações. Agentes e intervenientes (directos ou indirectos) são essenciais nocumprimento destes objectivos. Estes são actores indispensáveis, que com as relaçõesque estabelecem entre si podem fortalecer a imagem da oferta que se pretende,anunciando assim um desenvolvimento e uma evolução no destino em questão. Correspondendo a um dos instrumentos mais prementes do Enoturismo, interessa-nos neste ponto referenciar as Rotas de Vinho. Actualmente em Portugal estãoorganizadas onze rotas de vinhos: Rota dos Vinhos Verde, Rota do Vinho do Porto, Rotadas Vinhas de Cister, Rota do Vinho da Beira Interior, Rota do Vinho do Dão, Rota dovinho da Bairrada, Rota do Vinho do Oeste, Rota do Vinho do Ribatejo, Rota do Vinho deBucelas, Colares e Carcavelos, Rota dos Vinhos da Península de Setúbal e Rota dos Vinhosdo Alentejo (figura 3)5, sendo estas considerandas papel fundamental para odesenvolvimento local, constituíndo instrumentos estruturantes para o turismo epotencialmente criadoras de qualidade de oferta. Podemos definir Rota de Vinho como sendo um percurso/ local organizado emrede, devidamente sinalizado, indicando a sua função de Rota e a sua respectivapublicitação, tendo por base a liagção à cultura e a produção de vinhos de qualidade,podendo ser susceptível de desencadear interesse turístico. A adesão a estas Rotas podeser difícil a prolongada, tendo os produtores que preencher vários requisitos, entre osquais: estar ligado directa ou indirectamente à cultura da vinha e do vinho; os vinhospara venda e prova têm de ser certificados; os aderentes são obrigados a preparar umavisita organizada; as visitas servem para mostrar as instalações, equipamentos edemonstrando as práticas, devendo ser acompanhadas por pessoal especializado oupelos responsáveis pelas instalações; estas devem ser acessíveis a todo o tipo de público,tendo estacionamento adequado e instalações sanitárias de apoio; é ainda requerido queas istalações tenham local próprio para prova e venda de vinho. Como pude perceber pela investigação e pelos próprios inquéritos que fiz, pudedepreender que as rotas de vinho ainda estão longe de ser um produto consolidado. Éfacto que as rotas têm deficiências a nível regulamentar, institucional, organizacional eoperacional, levando a uma descoordenação e diferenciação de conteúdos entre asvárias rotas devido à falta de regulamentação comum que estabeleça princípios,conteúdos e a própria organização base. Como exemplo desta fraca estruturação, comoproduto turístico, temos os horários de funcionamento, o pessoal qualificado (ou não),os espaços, os eventos, entre outros. É muito frequente encontrar caves e outrosespaços encerrados ao público em horário narmal de funcionamento ou pessoal quetrabalha no ramo, mas não tem formação para dar as informações necessárias eadequadas. Podemos concluir que o facto de não haver cooperação entre as diversas rotas,tanto na sua organização e estruturação e o próprio facto de muitos produtores de vinhonão empreenderem um espírito e uma mentalidade empresarial, levam a que as rotasnão tenham sucesso no objectivo pretendido. Por exemplo, ausência de pacotesturísticos e tours, falta de pessoal com conhecimentos sobre vitivinicultura e línguas e a5 Retirado de http://www.infovini.com/pagina.php?codNode=18013 12
  13. 13. falta de colaboração entre sectores e agentes pode fazer com que a dinamização nãoseja atingida e consequentemente o desenvolvimento da região ou da localidade não seconceba. Acresce ainda o facto das Rotas de Vinho serem dinamizadas pelas ComissõesVitivinícolas e pelas Regiões de Turismo que têm muitas vezes interesses antagónicos,devendo estas ser responsáveis pela gestão das respectivas rotas, ajudando naorganização de eventos, animação e divulgação das rotas, desenvolvendo planos decomunicação e investigação. “estas parcerias são vitais para o desenvolvimento doEnoturismo, dado que o vinho em si não conseguirá sustentar o interesse dos turistas”6.6 Getz (2000), citado por Costa e Kastenholz (2009) 13
  14. 14. 3 Caso de Estudo: Melgaço e Vinho Alvarinho 3.1 O Espaço Sendo que o tema de trabalho é o desenvolvimento em territórios de baixadensidade, optei por Melgaço, por nenhuma razão em especial, mas achando curioso ofacto de ser muito pouco conhecido apesar da ligação directa que tem com Espanha.Também a escolha do vinho Alvarinho como tema específico do projecto advém dessefacto. O Alvarinho é considerado um produto de excelência da região, mas com fracadivulgação e com um conhecimento muito reduzido, face a outros vinhos, a nívelnacional. Achei por bem que para além de conhecer melhor esta Região, o meu trabalhopoderia ser utilizado na divulgação tanto desta Região e concelho, como do produto quelhe é associado, o Vinho Alvarinho, sentindo-me em parte realizada, visto que alguns dosmeus colegas da cadeira de Seminário não conheciam de todo este produto. Inserido no distrito de Viana do Castelo, na Região Norte e sub-região Minho-Lima,Melgaço é o concelho mais setentrional de Portugal. O seu território tem 232km² e9.485 habitantes distribuídos pelas suas 18 freguesias, sendo a sua densidadepopulacional de 39,8 hab/km², em 8,8% se encontram abaixo dos 15 anos e 32,5% acimados 65 anos, apresentando-se como um território envelhecido e com taxas de natalidadebaixas. Este concelho é dividido em duas zonas geográficas: a Zona Ribeirinha compostapor uma sucessão de pequenos vales e encostas suaves junto ao Rio Minho, com oscampos cultivados em socalcos e sustentados por muros de pedra ,onde se encontraplantado o vinhedo de Alvarinho. Fazem parte desta zona as freguesias de Alvaredo,Chaviães, Cristoval, Paços, Paderne, Penso, Prado, Remoães, Roussas, São Paio e Vila(Melgaço). A outra é a Zona Montanhosa, que se encontra parcialmente inserida no únicoparque nacional protegido, o Parque Nacional Peneda-Gerês. Aqui podemos encontrarterrenos ideais para a cultura do centeio, da batata e para a criação de porco bísaro,sendo ainda muito propício ao pastoreio de rebanhos ovinos e caprinos. As freguesias quea compõem são Castro Laboreiro, Cousso, Cubalhão, Fiães, Gave, lamas de Mouro eParada do Monte. Esta zona montanhosa oscila entre os 1200 metros e os 1340 metros,situanado-se o seu ponto mais alto no Giestoso, em Castro Laboreiro, com 1335 metros. O município é limitado a Norte e Leste por Espanha, sendo o Rio Minho a linhadivisória, a sudoeste pelo município de Arcos de Valdevez e a Oeste por Monção. O seurelevo está de acordo com o da Meseta Ibérica sendo que a melhor afirmação queencontrei para o descrever foi a de Amorim Girão "um vasto anfiteatro que, da orlamarítima, se eleva gradualmente para o interior”. O Rio Minho insere-se nos rios portugueses/espanhóis em que a sua baciahidrográfica é mais vasta. Nasce na Serra da Meira, na Galiza e constitui, desde o séculoXII, fronteira com esta, sendo que a sua posição raiana sempre foi desfavorável aodesenvolvimento de uma equilibrada organização regional, com eixo fluvial e centradanos estuários estruturando-se porquanto pequenos centros urbanos na foz, utilizando-sedas excelentes qualidades de navegabilidade que a parte inferior deste rio apresenta.Isto representa que este rio, não sendo propício à navegabilidade em toda a suaextensão, tem fraca expressão para a economia, não permitindo fluxos frequentes demercadorias, bens e pessoas. Esta dificuldade também é visivel nos caminhos-de-ferro.Fazendo parte da Península Ibérica e considerados países periféricos em relação àEuropa (politicamente) seria de esperar que houvesse comunicação e entendimento parauma cooperação conjunta no desenvolvimento. A circulação de passageiros através da 14
  15. 15. fronteira é fraca, à excepção da linha Guadiana-Salamanca que, por ligar “Portugal àEuropa de além-Pirinéus” (Daveu, 2005), foi reforçada. Podemos então concluir que, aocontrário do que seria esperado para um desenvolvimento crescente, Portugal eEspanha, economicamente, viram costas, sendo que Espanha representa para o primeiroum obstáculo nas comunicações e ligações com o resto da Europa. O processo de litoralização tem sido bastante crescente em Portugal, afectandogrande parte das regiões, especialmente das mais deprimidas. Um dos atenuantes paraque estas regiões mantenham relações com Espanha e cativem ainda uma populaçãorelativa, é o comércio via rodoviária, feita através dos camiões de TransporteInternaciona Rodoviário (TIR). O projecto TGV entre Lisboa e Madrid poderá ser uma dassoluções para a revitalização de espaços, criação de emprego e ainda na entrada decapital através do turismo, na medida em que facilita o contacto mais activo entre asduas capitais da Península Ibérica permitindo uma deslocação mais rápida de Norte a Suldo País e melhorando acessibilidades. O facto de Melgaço se encontrar na fronteira com Espanha, a questão daemigração sempre esteve presente neste concelho, sendo que é possível observar, desdea década de 60, um decréscimo acentuado da população (Quadro 3). Estes movimentosmostraram ser não só uma característica sócio-económica mas também cultural.Concluíndo que o Rio Minho apresenta, assim uma dupla componente, uma natural euma histórica. Face a estas características podemos afirmar que o concelho de Melgaçodepende do movimento de rendimentos provenientes do exterior tais como a afluênciade turistas, das férias, onde para além deste fluxo, temos o retorno dos emigrantes.Melgaço depende, assim, das remessas enviadas por estes e das pensões dos ex-emigrantes. Sendo o turismo um importante actor no desenvolvimento local e regional,Melgaço tem apostadado na criação de infra-estruturas para o efeito e tem-se mostradointeligente no aproveitamento dos recursos que dispõe. Um dos exemplos é o centro deestágios que recebe equipas de vários locais para a preparação dos atletas, dispondo decampos de jogos, parques de recreio, piscinas, centro de bem-estar com sauna e banhose dispondo ainda de uma relação estreita com a Pousada da Juventude, promovendoactividades e oferecendo descontos especiais para os seus hóspedes. Tem-seproporcionado ainda um crescimento das indústrias alimentar e bebidas, novamentedevido aos recursos que detém, e de empresas ligadas ao turismo como a hotelaria,restauração e animação turística, onde se têm proporcionado ofertas de qualidade. Segundo o PENT, é necessário que os recursos humanos sejam especializados paraque as ofertas de turismo e lazer sejam de qualidade e proporcionem valor para omercado. O que podemos observar no concelho de Melgaço é que a população ainda temníveis de escolaridade baixa e é necessário proceder à profissionalização desses mesmosactivos, visto que a empregabilidade destes, deixou de ser essencialmente no sectorprimário, passando para o terciário, o sector dos serviços e onde o turismo se insere(Gráfico 1). O Turismo tem-se mostrado uma grande valência para os territórios de baixaexpressão densional e a agricultura tem-se associado a esta actividade na expessão deTurismo em Espaço Rural. Sendo o Enoturismo uma dessas actividades o aumento deemprego no sector primário tem evoluído e aumentado (Gráfico 2). O território para ter uma imagem de destino turístico forte necessita de factores-chave, sendo que é necessário que haja um envolvimento activo dos agentes naconfiguração deste objectivo. Para a avaliação do Potencial Turístico do território énecessário termos em conta a quantiddade e a qualidade dos recurso endógenos de quedispõem, as acessibilidades que lhe dão acesso e os equipamentos que detém. Aimportância destes varia, mas é o produto final que vai dar valor ao consumidor/turista,sendo então que os que estão classificados com maior valor para o turista são 15
  16. 16. efectivamente os recursos, sendo estes naturais, históricos e etnográficos. O Patrimóniode Melgaço é bastante vasto, sendo que já existe ocupação neste território desde hámilhares de anos atrás, na pré-história e visível em mamoas e dólmens que aindapermanecem intactos. Outros vestígios que foram deixados e que têm relevanteimportância são as construções românicas, austeras, robustas, com paredes grossas ejanelas minúsculas. Parte integrante do património construído temos os Castelo deMelgaço, erigido no reinado de D. Afonso Henriques, por volta de 1170 e hoje “marca”da freguesia da Vila, da região e de um vinho comercializado numa grande superfíciecomercial. A obra só ficou completa com as muralhas em 1245. Estas foram construídas amando de D. Sancho II a fim de evitar as constantes investidas leonesas. Importânciatem também o foral de 1258, o terceiro, sendo que neste é anunciado uma cessação noimposto para quem cultive vinhas nos seus campos, anunciando já uma importânciadesta cultura não só a nível nacional, mas sobretudo a nível regional. No foral deMonção, concelho que iniciou a cultura do vinho Alvarinho e que se tem associado aMelgaço na sua divulgação podemos ler “…e aquele que fizer uma casa ou honrar a suavinha ou herdade e aí permanecer durante um ano, se depois quiser habitar noutraterra, conserve a sua herdade, onde quer que habite; e, se a quiser vender, venda-a aquem quiser pelo foro da nossa vila.” Sendo o Vinho Alvarinho um produto apreciado por todos, ou quase todos, énecessário falar dos produtos que juntamente com este têm contribuído para que aimagem desta seja cada vez mais forte a nível nacional e além-fronteiras. Falar de Vinhoé inevitavelmente falar de Gastronomia. São temas indissociáveis, havendo sempreumaa dicotomia entre pratos e tipos de vinho, isto é, não pensamos em vinho sem lheassociar um prato específico, para que o prazer da degustação seja sempre de um nívelmáximo, nem pensamos num prato sem instintivamente lhe associar um vinho adequado. 16
  17. 17. 3.2 O Produto Alvarinho é uma casta branca, autóctone da Sub-Região de Monção e Melgaço,inserida na Região dos Vinhos Verdes, e que produz mostos muito ricos em açucares,apresentando um razoável teor de ácidos orgânicos, estando a sua graduação alcoolicasituada entre os 11,5% e os 14%. Os cachos da uva, proveniente da espécie Vitis Vinífera,são muito pequenos, alados e medianamente compacto sendo então que é uma uvapouco produtiva, necessitando de uma grande colheita para ter rendimento. O que édifícil sendo que o território onde esta atinge o máximo das potencialidades é diminuto,havendo em Espanha, nas Rias Baixas, produtores com maior rentabilidade, alindo-se ofacto de que aqui continua a chamar-se Albariño apesar da adição de outras castas,muitas vezes em 50%. Esta tem sido uma questão muito abordada por vários autores.Alvarinho ou Albariño? Qual a origem desta casta? A explicação é difícil e complexa,existindo divergências quanto à sua origem, mas sendo esta oriunda, provavelmente deFrança. Acredita-se que tenham sido os Monges Cistercianos do mosteiro de Armenteira,que trouxeram este tipo de uva para a Península Ibérica, no século XII, quando a suaprodução (Vinho) era feita e até promovida nos mosteiros. Albariño derivaetimologicamente das palavras Alba, que significa braca/o e Riño, que se refere a ao rioReno sendo então Albariño “o branco vindo do Reno”. Este pretendia ser um clone dasuvas Riesling, características da zona da Alsácia, mas que no entanto sofreu mutações einfluência da região. São muitas vezes confundidas com as uvas Petit Manseg, havendorelatos na Austrália de vinhos feitos com uvas Petit Manseg, mas vendidos comoAlbariño/Alvarinho. Alvarinho corresponde à tradução de Albariño, sendo que ambos oslados têm regiões de Denominação de Origem é difícil específicar a qual pertence acasta, se à Sub-Região Monção/Melgaço em Portugal ou se às Rias Baixas, na região dePontevedra, Galiza (Espanha), apesar de Mayson atribuir a casta aos Galegos, devido àsvárias alcunhas atribuídas às uvas e às cepas, incluindo Galego ou Galeguinho. Apesar de ser produzido em várias partes do mundo e da sua D.O. secircunscrever às Rias Baixas, Monção e Melgaço, este é único devido ao relevo e ao climacaracterísticos da Sub-Região Portuguesa. Esta é peculiar devido ao seu microclima, à cadeia montanhosa que a rodeia e aorio que a atravessa. São estas as condições que fazem desta monocasta única, pois énesta região que ela melhor se desenvolve e atinge o seu expoente máximo, sendo que éassim, um dos maiores tesouros de Portugal. O facto de ser recortada pela cadeiamontanhosa do Vale do Minho, a Sub-região de Monção e Melgaço não sofre a típicainfluência Atlântica, o que juntamente com os alinhamentos montanhosos da Serra daGaliza que, bem perto do rio Minho, atingem proporções consideráveis, formam umacintura montanhosa responsável pela existência de um microclima único. Nas RiasBaixas, só a sub-zona El Condado de Tea apresenta condições semelhantes à Sub-regiãode Monção e Melgaço, sendo as outras sub-zonas das Rias Baixas, Val do Salnés, Rosal,Soutomaior e Ribera de Ulla, extremamente expostas à influência Atlântica. Um microclima corresponde às condições climáticas de uma superfície reduzida,caracterizado por variações locais em ambientes naturais e influenciado por factorescomo a cobertura vegetal, o tipo de solo, a temperatura, a humidade, a pluviosidade,radiação e direcção dos ventos. Melgaço apresenta um microclima, sendo que asamplitudes térmicas são moderadas, com Verões e Invernos moderados, situando-se atemperatura numa média de 14,4ºC anuais (Gráfico 3.1). A presença de um conjuntosignificativo de superfícies de água, Rio Minho e principais afluentes, induz umaregulação destas mesmas temperaturas, fazendo com que estas amplitudes térmicas 17
  18. 18. sejam diminutas. A precipitação ocorre com maior frequência entre Outubro e Março, oschamados meses húmidos, e com menos frequência em Julho e Agosto, os meses secos(Gráfico 3.2). Esta casta exige terrenos secos para potenciar a qualidade do vinho, inserindo-seem terrenos de aluvião, em oposição aos terrenos xistosos e graníticos em redor. Apermeabilidade dos terrenos ajuda a que estas culturas se desenvolvam. Esta castacaracteriza-se por ser precoce no abrolhamento e maturação. As folhas das suas cepassão de tamanho pequeno e com forma orbicular. Os seus cachos são pequenos, alados enormalmente duplos, dando origem a bagos de tamanho médio/pequeno e arredondadoscom uma cor verde-amarelada. A sua película é espessa equanto a polpa se mostra molee suculenta. Quanto às grainhas, estas predominam em número de uma por bago, sendode tegumento pouco duro, com tamanho médio. O vinho que se produz destas uvas é um vinho monovarietal, de cor intensa,palha, com reflexos citrinos, aroma intenso, distinto, delicado e complexo em quemarmelo, pêssego, banana, limão, maracujá, líchia, flor de laranjeira, violeta, avelã,noz e mel são os sabores e aromas mais sentidos, podendo ainda haver interferência,casual ou intencional, de pomares e frutos plantados junto a estas vinhas. A produção deste vinho é quase exclusiva de empresas tradicionalmentefamiliares à excepção de vinhos provenientes, por exemplo, da Quinta da Brejoeira, emMonção ou das Quintas de Melgaço, em Melgaço, seguindo a filosofia dos cinco “SS”, ouseja, Solo, Sol, Sofrimento, Sabedoria e Sossego, reflectindo a especial relação do vinhocom o território, sem nunca esquecer quem o produz, novamente fazendo referência àdicotomia Homem/Natureza e à apropriação do espaço por este7. Esta filosofia aclamatambém a importância que os recursos endógenos têm para a região. Sendo esta culturauma cultura de tradição geracional e familiar é de referir a importância que tem para aidentidade regional. O facto de se trabalhar na terra, incesantemente, sempre debaixode sol, este sofrimento é acalentado pelo orgulho na sabedoria da prática. Este orgulhode saber fazer, faz com que se acabe a identificar com o produto, na sua produção emais tarde divulgação e comercialização. O facto de pertencerem a um território quaseesquecido dá-lhes mais força para lutar por aquilo em que acreditam, numa cultura,numa identidade, sendo que os esforços feitos ao longo dos anos lhes têm dadorecompensas. Em Melgaço, o facto de terem conseguido alterar a denominação de Sub-região de Monção para Sub-região de Monção e Melgaço, de terem criado uma confrariado vinho Alvarinho e em conjunto com Monção estarem a divulgar este produto, fruto de“suor, sangue e lágrimas” tem sido motivo de orgulho e identidade. Fortes, Formosos, Fragrantes, Frescos e Frutados é a concepção que se pretendedestes vinhos que devem ser tomados em copo próprio, ou oficial da casta, pedidosexclusivamente pelos seus produtores. Em caso contrário devem ser tomados num copoque lhes permita ter contacto com o ar, sendo os frappé os mais recomendados. Atemperatura aconselhada para os vinhos é de 16ºC aquando o seu processo de produçãoe situada entre os 10ºC e 12ºC aquando a sua prova/degustação. Este deve serarrefecido lentamente para conservar o seu aroma, pelo que deve ser aberto 20 minutosou 30 minutos antes de ser consumido. Como já referi antes a Gastronomia é algo que não se pode separar dos vinhos,como se pode verificar pelas respostas dadas pelos produtores inquiridos no gráfico 5,sendo assim este vinho, considerado como um excelente aperitivo ou para servir compratos de peixes, mariscos, saladas, carnes de aves, queijos e produtos regionais. Sendoa actividade turística formada por um conjunto de factores que necessitam de estar7 Ver-se Gráfico 4, retirado do inquérito feito aos produtores de Alvarinho sobre a quantidade de garrafas produzidas/ vendidas por ano. 18
  19. 19. organizados e aliados a oferta de Vinho Alvarinho, necessita inevitavelmente de secomplementar com outros produtos da região, como é o porco bísaro e a lampreia, oslinhos e as lãs e até mesmo o cão de Castro Laboreiro. Face a um mercado cada vez mais exigente é necessário apresentar uma ofertacompleta, planeada e organizada, para que haja a possibilidade de um desenvolvimentocorrecto, ordenado e real. Para isso é necessário ter em conta o Turismo e como ele épraticado hoje em dia, o mercado e a procura e o próprio território. Tendo emconsideração a motivação das viagens efectuadas pelo mercado, usufruir dos produtostípicos, aprofundar o conhecimento, é necessário compreender que agentes locais,regionais e até nacionais necessitam de trabalhar em conjunto para alcançar umobjectivo, a de promover Portugal, e mais específicamente o vinho e a gastronomiacomo como destinos de turismo, oferecendo qualidade na oferta e excelência nosprodutos. O turismo de Gastronomia e Vinhos gera cerca de 600.000 viagens internacionaisnum ano, sendo que representa 0,25% do total das viagens de lazer realizadas pelosturistas Europeus, sengundo o PENT. O Vinho no século XXI, deixa de ser caracterizadocomo bem de primeira necessidade, de subsistência, para ganhar uma nova imagem, ade elemeto integrante numa cultura do bem-estar, sempre associado ao lazer. As viagensfeitas com motivação de gastronomia e vinhos encontra-se hoje referenciada como umaprocura secundária, sendo que se pode constituir uma oportunidade de diversificação daoferta atraindo apologistas de outros tipos de turismo. Os consumidores deste tipo de turismo são adultos entre os 35 anos e os 60 anos,com um elevado poder de compra, onde a maioria são do sexo masculino com umelevado nível sócio-cultural. Estes já necessitam ter algum conhecimento sobre vinhospara desejarem descobrir novos vinhos e gastronomias ou aprofundarem conhecimentossobre estes. Os alojamentos que utilizam são hotéis de 3 estrelas a 5 estrelas oualojamentos rurais de luxo/charme, sendo que viajam durante todo o ano, maspreferindo a Primavera e o Outuno. Este último por ser época de vindimas é muitoprocurado existindo até na Região Autónoma da Madeira a “Semana das Vindimas” ondeexistem variadas actividades onde os turistas podem participar, incluíndo pisar as uvas.Outro tipo de actividades mais usuais são as degustações, a compra de produtos típicos,a visita a museus e exposições, desfrutar da paisagem, actividades de saúde e bem-estar, entre outros. A estadia normalmente prolonga-se entre três e sete dias e devidoao seu elevado custo de permanência (entre 150€ e 450€) leva a que façam este tipo deviagens uma vez por ano, exceptuando os entusiastas que viajam até cinco vezes por ano(Quadro 4). O turismo de Gastronomia e Vinhos mostra-se assim como um produtoestratégico para a divulgação de Portugal como destino turístico, mostrando todas assuas capacidades e potencialidades. 19
  20. 20. 3.3 Rota do Alvarinho A Rota do Vinho Alvarinho éstá inserida na Rota dos Vinhos Verdes e édinamizada pela Comissão Vitivinícola dos Vinhos Verdes e do Solar Alvarinho, emMelgaço. A rota dispõe de variados aderentes entre os quais as adegas Quinta deSoalheiro, Fontaínha de Melgaço, Casta Boa, Quintas de Melgaço, Quinta da Pigarra,Reguengo de Melgaço e Quinta de Touquinheiras. Todas estas adegas dispõem de umcontacto estreito com os seus visitantes, sendo os produtores os guias nas visitas àsadegas e às vinhas. Através da Rota os produtores têm a vantagem de venderdirectamente aos seus visitantes, maximizando as margens de vendas, promovendo amarca e aumentando o número de potenciais consumidores, alargando os segmentos demercado. Assim podem também angariar novas parcerias e potenciar a fidelização damarca, além de que aparecem novas oportunidades de venda de outros produtos locais,podendo obter novas fontes de rendimento. É também através dos restaurantes Adega do Sossego, Boavista, Foral deMelgaço, Sabino, Chafarix, Panorama e Mira Castro que se divulgam os produtosendógenos e gastronomia típica da região. Cabe ao Solar Alvarinho, casa mãe da rota eCentro de Artesanato ARTES fazer a divulgação dos produtos, valorizar as tradições e aspráticas e dinamizar o território. Parte integrante da Rota são também os Museus eCentros de Interpretação, que no caso são seis, Posto de Turismo, Museu de Cinema deMelgaço-Jean Loup Passek, Núcleo Museológico da Torre de Menagem, NúcleoMuseológico Memória e Fronteira, Porta Lamas de Mouro e Núcleo Museológico de CastroLaboreiro. Como apoio às visitas estão as diferentes infra-estruturas de Hotelaria, desdeTurismo Rural ao Alojamento de Luxo, onde enunciamos a Casa da Granja; AlbergariaBoavista; Monte Prado, Hotel e SPA; Reguengo de Melgaço e Albergaria Mira Castro. Importantes, ainda, na divulgação da Rota e do Território e com impacto parao lazer e bem-estar no espaço estão as Empresas de Animação Turística como aAssociação C.R. Melgaço Radical, DraftZone e Centro de Ecoturismo e Turismo Equestreda Serra do Laboreiro. Estas empresas possuem ainda acordos com instituições eempresas locais, como o Centro de Estágios e Complexo Desportivo e de Lazer do Montede Prado com especial importância, para obtenção de descontos e promoções para osvisitantes e participantes da Rota de forma a fidelizar clientes. 20
  21. 21. 3.4 Resultado dos Inquéritos: Durante o percurso da cadeira de Seminário foi-nos proposto que efectuasse-mosentrevistas ou inquéritos aos vários intervenientes no processo do turismo, tendoescolhido como público-alvo os produtores de Alvarinho, de Monção e Melgaço. Estatarefa mostrou-se bastante difícil sendo que apesar dos vários produtores, associações emunicípios contactados, a amostragem revelou-se ser bastante pequena, devido a faltade disponibilidade para responder aos mesmos. Após vários contactos via email, viatelefone e disponibilização do inquérito online nas páginas oficiais das associações emunicípios nas redes sociais, apenas me foi possível obter dez inquéritos válidos, sendoque foi de preciosa ajuda a lista de produtores com morada, correio electrónico enúmero de telefone que a Associação de Produtores de Alvarinho e o Solar de Alvarinhome disponibilizaram. Foi-me permitido perceber através desta indisponibilidade quemuitos destes produtores não têm emails próprios para a recepção de encomendas e queem termos de marketing e de serviços este será um campo deficitário que poderia vir aser melhorado. A prontidão de resposta e ajuda prestada por estes agentes, leva-me acrer que é de grande interesse para estes, estudo como o meu, podendo ajudá-los numfuturo próximo, entendendo as falhas a serem melhoradas e trabalhando em conjuntopara o fazer. Perante a amostragem recolhida é perceptível que o vinho Alvarinho tem sofridoalterações nos últimos anos, sendo reconhecida como uma marca de qualidade e quepoderá a vir ser competitiva no futuro. Um dos factores é o facto da maioria dosprodutores que me respondeu ter idades compreendidas entre os 26 e os 45 anos (gráfico6), mostrando que poderá vir a ter ideias inovadoras e rejuvenescedoras, sendo que éperceptível que esta região está a apostar nos mais jovens para a produção e divulgaçãodeste vinho. A maioria dos inquiridos é do sexo masculino (90%), quase todos do Distritode Viana do Castelo, havendo apenas uma resposta para a o Distrito do Porto, sendo que70% são de Melgaço, 20% de Monção e 10% de Vila do Conde (Gráfico 7). Quanto à percepção destes face ao Turismo, consegui perceber que hádisparidades quanto à percepção da importância desta actividade na economiaportuguesa, mas sendo a maioria da opinião que o Turismo influencia positivamente asRegiões e que esta actividade pode ser dinamizadora, sendo que as razões maisapontandas se prendem com a criação de emprego e serviços e a consequente fixação depessoas; dinheiro gasto em bens e serviços; divulgação da cultura e tradições epotencialização de investimentos por parte de compradores. Para estes Produtores osmotivos que levam na maioria Espanhóis, Franceses e Ingleses a visitar Portugal têm aver com motivações como sol e calor, as pessoas e povo residentes, praias, visita afamília e amigos, a História e as tradições, descartando a hipótese de ser um destinocaro (gráfico 8). Apresentando uma opção onde poderiam escolher outra motivação quenão estivesse na lista apenas uma pessoa respondeu Enoturismo, dando a noção de queeste tipo de oferta ainda não se encontra estruturada e organizada na sub-região deMonção e Melgaço. O PENT é um instrumento que pode servir as várias áreas do Turismo, comoobjecto de Marketing e de Material de Apoio a Empresários envolvidos no ramo, mas faceao desconhecimento de tal instrumento por parte da maioria dos produtores (90%)poderá ser factor para uma deficiente divulgação da região e do produto em questão,havendo a necessidade destes empresários se manterem a par das exigências demercado quanto ao produto como produto turístico e sabendo-lhe associar as actividadesmais convenientes e inovadoras, segundo as motivações dos turistas, especialmente os 21
  22. 22. de Enoturismo. Sendo um dos dez produtos estratégicos a ter em consideração na apostado turismo em Portugal, é necessário entender se esta harmonização do vinho com agastronomia faz sentido. Esta associação é defendida veemente pelos produtores, sendoque consideram ser produtos indissocíaveis devido a serem um complemento de saborese uma conjugação única, pois a associação um vinho com uma determinada gastronomiairá potencializar determinadas características organolépticas desses mesmos produtos. Arecente harmonização do vinho Alvarinho com o queijo da Serra da Estrela era algo quenão se estava à espera pois, para além de serem de territórios distintos, têmcaracterísticas muito específicas, não se pensando que seria de esperar a harmonizaçãode um vinho verde com um queijo forte em sabor, mas a verdade é que defendem osprodutores serem complementares devido ao ambiente agradável que criam de boca,juntando o facto de alguns Alvarinhos face à sua acidez e aos taninos que contémcombinar com alimentos gordos e de aroma forte. Quanto aos produtos que mais sãoassociados ao vinho Alvarinho é indiscutível a referenciação ao Fumeiro, Marisco ePeixes, havendo produtores que defendem o aproveitamento dos recursos naturais eculturais da região abordando a associação com desportos radicais, artesanato, saúde,passeios de barco e Turismo Rural, sendo esta aposta ainda se encontra num estadoembrionário. Apesar da evolução do vinho Alvarinho no mercado ainda muito trabalho tem queser feito. A nível de acção do sector público e privado muitos esforços têm sido feitos,havendo de facto melhorias na colaboração entre estes. A junção dos Municípios deMonção e Melgaço como sub-região, a criação de associações e confrarias e a divulgaçãode feiras e mostras do produto na região têm feito com que este tipo de vinho tenhacrescido enquanto marca de uma região e produto de qualidade, forte o suficiente paraser competitivo em relação a outros vinhos. Mas esse esforço também depende dosprodutores, tendo estes que apostar na modernização, especialmente a nível dascomunicações e das novas tecnologias, na formação dos seus activos, na animação dasinstalações e na cooperação entre outros sectores, como Restauração e Hotelaria8. Ofacto da maioria das empresas ser de cariz familiar e fazendo parte de uma actividadeparalela à sua actividade profissional paralela, pode prejudicar em parte a imagem doAlvarinho como produto de competitividade, tendo que haver um esforço para integrarestas empresas nas associações e especialmente rotas e actividades a desenvolver 9. Masesta adesão tem que ser também facilitada por parte das organizações competentes,visto que alguns produtores já tentaram entrar para estas, mas devido à burocracia,morosidade e custo dos processos acabaram por não se candidatar ou desistir (gráficos11 e 12). Durante o inquérito foi possível perceber que há algum tempo que estasinscrições estão encerradas e vedadas para produtores que queiram aderir. Sendo a maioria destas empresas/organizações pequenas, recentes e familiares, oseu nível de exportações (gráfico 13), encontram-se muito aquém das vendas de vinhosreconhecidos interncionalmente como o Vinho do Porto ou o Vinho Madeira, mas tambémseria inglório e egoísta pedir-se tal coisa, sendo que é um território não muito vasto eem que a própria casta não é muito produtiva, sendo que os seus bagos são muitopequenos em relação a outras castas. A maioria destas empresas necessitou de ajudapara se instalarem, rcebendo em grande parte subsídios europeus através do FEOGA enecessitando ainda de ajudas, sendo que fizerem investimentos recentemente, face aoaumento da procura, havendo perspectivas de, no futuro serem ainda precisosinvestimentos, face a esta mesma procura, proporcionando assim a criação de postos de8 Ver-se Gráfico 9 e 109 É de referir que apenas um dos inquiridos têm protocolo/acordo com outros membros de rotas, sendo que a colaboração entre empresários e membros de rotas é essencial para o desenvolvimento local. 22
  23. 23. trabalho, o desenvolvimento da economia, o desenvolvimento do produto como ofertaespecializada e de qualidade e aumentando o nível de exportações, que ainda é muitodiminuto (gráfico 4). É ainda importante referir a questão da participação em enventos, sejam elescriando por agentes públicos ou privados, para a divulgação do produto, mostrando aproximidade entre o produtor (não só de vinho mas dos produtos feitos na região) e oconsumidor, angariando assim adeptos e aficcionados, dando mostras do potencial daregião como sendo parte de uma oferta estruturada e organizada. Nesse campo acho queas Feiras do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço e a Feira de Alvarinho de Monção têmsido uma grande aposta por parte dos Municípios, dando a conhecer os produtos,tradições e cultura no próprio território, deixando uma marca e valor acrescentado navisita dos turistas. É de referenciar que os produtores aderem com bastante frequência aestas iniciativas e esta acaba por ser a maneira mais utilizada pelos produtores na vendae divulgação do produto, em paralelo com o contacto directo com os consumidores, navisita às caves, sendo que apenas três dos inquiridos responderam que, à parte destasiniciativas, vendem para hipermercados e Restaurantes. Do total da amostra conseguiperceber que os produtores dão mais importância aos produtos vínicos do que aosprodutos associados, sendo que apenas um dispõe de oferta de Enoturismo (gráfico 14). 23
  24. 24. 4 Conclusão Resumindo, turismo é um fenómeno de mobilidade, em constantedesenvolvimento, efeito das mudanças sócio-económicas, políticas e culturais dassociedades contemporâneas e que se tem revelado um sector e actividade dinimizadoresde espaços, especialmente os mais “distantes”, remotos e com menos atractividade paraas populações. Estes territórios são a imagem do mundo rural actual, que sofreperturbações a nível demográfico, geográfico e económico, tendo uma imagemcaracterística de abandono. Sendo o Turismo um fenómeno com excelentesoportunidades de oferta e com um constante remodelar de mercados, devido a toda acomplexidade que é o ser humano, assistimos a um fenómeno que comporta todo umenvolvente de práticas, que influencia directa e indirectamente a sociedade. O Turismo vê-se neste instante como destino consolidado de “sol e praia”,podendo utilizar os seus recursos endógenos, como o vasto património natural, cultural eimaterial para atrair turistas que pretendem experiências novas e diferenciadas. Asapostas de Portugal têm vindo de encontro ao desenvolvimento de regiões mais remotase que podem ser referência numa oferta especializada e de qualidade. Regiões como o Norte de Portugal, a região Centro e o Alentejo têm tido enfoqueneste planeamento, sendo que o aproveitamento dos recursos, o melhoramento dasacessibilidades e a criação de infra-estruturas e equipamentos têm sido as principaispreocupações. Agentes e intervenientes (directos ou indirectos) são essenciais nocumprimento destes objectivos. Estes são actores indispensáveis, que com a relaçõesque estabelecem entre si podem fortalecer a imagem da oferta que se pretende,anunciando assim um desenvolvimento e uma evolução no destino em questão. A Sub-região de Monção e Melgaço tem mostrado grandes potencialidades quantoà sua oferta tendo produtos de grande qualidade, com elevada categoria eespecialização. Esta região é ainda dotada de excelentes recursos naturais, podendocomplementar o Turismo de Gastronomia e Vinhos com a oferta de actividades deTurismo de Natureza, Turismo Rural ou Turismo de Saúde e Bem-Estar. Apesar dasacessibilidades a nível nacional não serem as melhores, a representatividade que estatem para os consumidores deste tipo de turismo é diminuta não alterando a sua imagemde forma significativa. Os equipamentos desportivos, de saúde e bem-estar, derestauração e de informação que oferece são de grande qualidade, ajudando a que asviagens tenham valor para o consumidor/mercado. Mas, como crítica a elementos quepodem ser facilmente reparados temos as infra-estruturas hoteleiras que se mostramdesapropriadas e pouco desenvolvidas, sem que haja um esforço para uma oferta dentrodos parâmetros da procura; existe ainda a falta de formação de alguns activos peranteas exigências de mercado e a dificiência na comunicação entre produtor/consumidor naperspectiva das novas tecnologias, onde poucos produtores têm página na internet eemail. Este último ponto é crucial, sendo que na sociedade actual e perante o perfil doEnoturista, é essencial o seu desenvolvimento e utilização. O perfil do turista de turismoem espaço rural e de enoturismo, prefere partir à procura de aventura, utilizando estesmeios para se informar e planear a sua viagem, não recorrendo a operadores turísticospara o efeito. Este estudo revelou-se bastante benéfico e esclarecedor quanto a esta nova 24
  25. 25. concepção de turismo, da qual não tinha conhecimento aprofundado, apercebendo-meda evolução do turismo ao longo dos tempos, da oferta deste, em especial doEnoturismo, das suas formas e processos, dos seus intervenientes e actores, tendo sidomuito agradável a leitura teoríca e prática sobre o assunto. Acho ainda importantereferenciar a disponibilidade por parte da Associação de Produtores de Alvarinho, doSolar de Alvarinho e em especial do “Foral de Monção”, mostrando grande interesseneste estudo e agradecendo a amabilidade demonstrada, apesar de todas as dificuldadestécnicas, temporais e presenciais que se impuseram no decorrer desta ivestigação. 25
  26. 26. 5 Referências BibliográficasAssociação de Produtores de Alvarinho (?) Monção e Melgaço- O Terroir. Alvarinho,aroma de uma Região.Cadima Ribeiro, José e outros (2001) O Turismo no Espaço Rural: uma digressão pelotema a pretexto da situação e evolução do fenómeno em Portugal, Núcleo deInvestigação em Políticas Económicas, Universidade do Minho, BragaCadima Ribeiro, José e Cruz Vareiro, Laurentina (Novembro de 2006) A imagem dedestino e o potencial turístico do Vale do Minho (Portugal), XXXII Reúnion de EstudiosRegionales, OurenseCadima Ribeiro, José e Cruz Vareiro, Laurentina (2009) Gestão e Promoção do Minho-Lima enquanto destino turístico: a visão dos operadores turísticos, 15º Congresso daAPDR e 2º Congresso Lusófono de Ciência Regional, Cabo VerdeCardoso, António Maria Ferreira (2002) Turismo, Ambiente e DesenvolvimentoSustentável em áreas rurais, Observatório Medioambiental, Vol. 5, Instituto Politécnicode Viana do CasteloCarvalho, Paulo de (Outubro de 2006) O Turismo nas estratégias de desenvolvimentodo mundo rural português: complemento ou alternativa?, IV Congresso Internacionalde Investigação e Desenvolvimento Sócio-Cultural, Guadalajara (México)Costa, Adriano e Kastenholz, Elisabeth (2009)m O Enoturismo como factor dedesenvolvimento das regiões mais desfavorecidas, 15º Congresso da APDR e 2ºCongresso Lusófono de Ciência Regional, Cabo VerdeDaveau, Suzzane (1995) Portugal Geográfico, 5ª Edição, Edições João Sá da Costa,LisboaInácio, Ana Isabel (2006) O Enoturismo: da tradição à inovação, uma forma dedesenvolvimento rural, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, LisboaMayson, Richard (2003) Os Vinhos e Vinhas de Portugal, tradução portuguesa deOutubro de 2005, Publicações Europa América, Mem MartinsMinistério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas Portugal Rural:Territórios e DinâmicasNovais, Cristina Barroco e Antunes, Joaquim (2009) O contributo do Enoturismo para odesenvolvimento regional: o caso das Rotas dos Vinhos, 15º Congresso da APDR e 2ºCongresso Lusófono de Ciência Regional, Cabo VerdePina, António José da Silva (2009) Contributo do Enoturismo para o desenvolvimentode regiões do interior: o caso da Rota dos Vinhos do Alentejo Universidade Lusófonade Humanidades e Tecnologias, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Lisboa 26
  27. 27. Santos, Norberto e Gama, António, coord. (2008) Lazer, Da libertação do tempo àconquista das práticas, Imprensa da Universidade de Coimbra, pp. 15-16, pp. 209-245Simões, Orlando (2006) A Vinha e o Vinho no Século XX, Celta Editora, OeirasSimões, Orlando (2008) Enoturismo em Portugal: as Rotas de Vinho, Pasos- Revista deTurismo Y Patrimonio Cultural, Vol. 6, nº2, pp. 269-279Turismo de Portugal, i.p. (2006) Plano Estratégico Nacional para o Turismo - 10produtos estratégicos para o desenvolvimento do turismo em Portugal:Gastronomia e Vinhos, Lisboa 27
  28. 28. 6 Índice1 Introdução.........................................................pp. 2-32 Contextualização das Práticas.................................pp. 4-6 2.1 Turismo em Espaço Rural.................................pp. 7 2.2 Enoturismo e as Rotas de Vinho.........................pp. 8-133 Caso de Estudo: Melgaço e Vinho Alvarinho 3.1 O Espaço......................................................pp.14-16 3.2 O Produto.....................................................pp. 17-19 3.3 A Rota do Alvarinho.........................................pp. 20 3.4 Resultado dos Inquéritos..................................pp. 21-234 Conclusão..........................................................pp. 24-255 Referências Bibliográficas......................................pp.26-276 Índice Geral........................................................pp. 287 Lista de Figuras...................................................pp.298 Lista de Quadros..................................................pp.299 Lista de Gráficos..................................................pp.2910 Anexos.............................................................pp.30-38 28
  29. 29. 7 Lista de Figuras1. Figura 1. - Os Pilares do Enoturismo.............................pp. 92. Figura 2. - Visão Integrada do Enoturismo......................pp. 303. Figura 3. - Rotas dos Vinhos.......................................pp. 308 Lista de Quadros1. Quadro 1. - Vantagens e Desvantagens do Enoturismo........pp. 112. Quadro 2. - Serviços necessários para o Turismo e Desenvolvimento Endógeno...............................................................pp. 313. Quadro 3. - Evolução Demográfica de Melgaço.................pp.314. Quadro 4. - Perfil do Enoturista...................................pp.329 Lista de Gráficos1 Gráfico 1. - Nível de habilitações e População Residente, activa, por sector.....................................................................pp. 332 Gráfico 2. - População Residente empregada por sectores de actividade...............................................................pp. 333 Gráfico 3. - Temperatura e Precipitação 3.1 - Temperatura.....................................................pp. 34 3.2 - Precipitação.....................................................pp. 344 Gráfico 4. - Volume de vendas de garrafas de Alvarinho, por ano...................................................................pp.345 Gráfico 5. - Harmonização de Vinho com Gastronomia.........pp. 356 Gráfico 6. - Idade dos inquiridos.....................................pp.357 Gráfico 7. - Naturalidade dos Inquiridos............................pp.358 Gráfico 8. - Motivações das Visitas a Portugal.....................pp.369 Gráfico 9. - Produtos Disponíveis....................................pp.3610 Gráfico 10. - Meios de Promoção/Informação para turistas...pp.3711 Gráfico 11. - Inserção dos Produtores em Associações.........pp.3712 Gráfico 12. - Inserção dos Produtores em Rotas.................pp.3713 Gráfico 13. - Nível das Exportações de Vinho Alvarinho, por produtor - ...........................................................pp.3814 Gráfico 14. - Produtos Comercializados pelos Produtores.....pp.38 29
  30. 30. 10 Anexos 10.1 Figuras Figura 2. Visão integrada do Enoturismo Fonte: Novais e Antunes (2009), adapatado de Dias Figura 3. Rotas dos Vinhos Fonte: http://www.infovini.com/pagina.php?codNode=18013 30
  31. 31. 10.2 Quadros Quadro 2. Serviços necessários para o Turismo e Desenvolvimento Endógeno Quadro 3. Evolução Demográfica População do concelho de Melgaço (1801 – 2004)1801 1849 1900 1930 1960 1981 1991 2001 20045.141 7.960 15.558 15.759 18.211 13.246 11.018 9.996 9.739 Fonte: Wikipédia 31
  32. 32. Quadro 4. Perfil EnoturistaFonte: PENT: Gastronomia e Vinhos, 2006 32
  33. 33. 10.3 Gráficos Gráfico 1. Nível de habilitações e População Residente, activa, por sector Fonte: www.cm-melgaco.pt Gráfico 2. População Residente empregada por sectores de actividadefonte: http://www.cm-melgaco.pt/portal/page/melgaco/portal_municipal/municipio/municipio_dadosestatisticos/municipio_dadosestatisticos_economia 33
  34. 34. Gráfico 3. Temperatura e Precipitação Gráfico 3.1 Gráfico 3.23.1Fonte: http://www.cm-melgaco.pt/portal/page/melgaco/portal_municipal/municipio/municipio_geografia/municipio_geografia_clima3.2Fonte: http://www.cm-melgaco.pt/portal/page/melgaco/portal_municipal/municipio/municipio_geografia/municipio_geografia_precipitacao Gráfico 4. Volume de vendas de garrafas de Alvarinho, por ano 34
  35. 35. Gráfico 5. Harmonização de Vinho com Gastronomia Gráfico 6. Idade dos inquiridos 7 60% 6 5 <25 anos 4 26-45 anos 30% 46-65 anos 3 66-75 anos 2 >75 anos 10% 1 0 nº inquiridos Gráfico 7. Naturalidade dos Inquiridos 8 70% 7 6 5 Melgaço 4 Monção Vila do 3 Conde 20% 2 10% 1 0 nº 35
  36. 36. Gráfico 8. Motivações das Visitas a Portugal Praias Aventura Saúde Lazer Oferta Especializada Sol/CalorGastronomia/Hospitalidade Visita Família/ Amigos Negócios Desconhecido Aprendizagem Destino Barato Destino Caro Povo/Pessoas tranquilidade Tradições História Cultura Paisagem 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Concordo totalmente Concordo em Parte Não concordo nem discordo Discordo em parte Discordo Plenamente Gráfico 9. Produtos Disponíveis Tours de Aprendizagem Visita a Atracções Turísticas Conferências/ Seminários Exposições Degustações (artesanato, enchidos,...) Loja de Produtos Associados Loja de Vinhos Sim Aulas de Gastronomia Não Cursos Enologia Espectáculos Passeios Turísticos Actividades Lazer/Recreativas Restauração Alojamento 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 36
  37. 37. Gráfico 10. Meios de Promoção/Informação para turistas Panfletos informativos Roteiros Material Audiovisual Visitas guiadas Acompanhamento Especializado Sim Provas/Degustações Não Página Internet Revista/ Jornal da Empresa Serviço de Reservas 0 2 4 6 8 10 12Gráfico 11. Inserção dos Produtores Gráfico 12. Inserção dos em associações produtores em Rotas 37
  38. 38. Gráfico 13. Nível das Exportações de Vinho Alvarinho, por produtor Oceania 100% 20% 10% 60% Europa 10% Ásia 100% 10% América Sul 90%América Norte 100% África 100% 10% 20% 10% 60% Nacional 20% 30% 40% 0,00% Regional 10% 20% 20% <25% 10% Local 10% 40% 25%-50% 51%-75% >75% 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Gráfico 14. Produtos Comercializados pelos Produtores Enoturismo 10% 90% Artesanato 20% 80% Pão/ Broa 10% 90% Enchidos 30% 70% Mel/Hidromel 10% 90% Alvarinho Biológico 20% 80% Alvarinho em Carvalho 20% 80% Não Alvarinho Reserva 20% 80% Sim Aguardente 20% 80% Espumante 10% 90% Alvarinho/Loureiro 20% 80% Alvarinho/ Trajadura 50% 50% Alvarinho 100% 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 38

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