A ConstruçãO Da InsegurançA Psp

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Intervenção do intendente Fiães Fernandes em seminário sobre media e polícia, ISCSPI,27-06-08.

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  • A ConstruçãO Da InsegurançA Psp

    1. 1. <ul><ul><li>Luís Fiães Fernandes </li></ul></ul><ul><ul><li>26 de Junho 2008 </li></ul></ul>A Construção da (In)Segurança Seminário Internacional A Polícia e os Media. A comunicação da (in)segurança Polícia de Segurança Pública
    2. 2. Fontes de insegurança Factores “ mutagénicos” ( a t ecnologia, a escassez de recursos naturais, a demografia, o urbanismo, ….) Tradicionais “ Novas”
    3. 3. Um exemplo: o impacto do terrorismo internacional na vida dos portugueses (Fonte: Transatlantic Trends )
    4. 4. Insegurança ou medo do crime? Seminário Internacional A Polícia e os Media. A comunicação da (in)segurança Polícia de Segurança Pública
    5. 5. A insegurança <ul><li>O sentimento de insegurança surge associado a um clima generalizado de ansiedade cuja origem assenta no complexo resultante da agregação de efeitos emergentes diversos e na perda de confiança na capacidade do Estado garantir a segurança. </li></ul><ul><li>(LOURENÇO, Nelson; LISBOA, Manuel, Violência, criminalidade e sentimento de insegurança , Separata da revista «Textos», n° 2, 1991-92/1992-93, Centro de Estudos Judiciais) </li></ul>
    6. 6. O “ medo do crime ” <ul><li>O medo do crime pode ser perspectivado como um sistema de leitura da realidade envolvente, exterior aos acontecimentos que lhe deram origem, assente numa lógica situacional na avaliação do risco e que se manifesta em comportamentos pragmáticos de protecção. (LOURENÇO, Nelson; LISBOA, Manuel, Violência, criminalidade e sentimento de insegurança , Separata da revista «Textos», n° 2, 1991-92/1992-93, Centro de Estudos Judiciais p. 57-58). </li></ul><ul><li>O medo do crime é conceptualizado como um processo interpretativo face à realidade criminal, construído e sustentado através da adopção de um discurso que magnifica o risco criminal e a vulnerabilidade face a ele. É através do discurso que se produzem significados sobre o crime e a desordem, não se imitando a espelhar uma realidade externa, nem a exprimir o mundo interior dos sujeitos receosos. (MACHADO, Carla, Crime e insegurança. Discursos do medo, imagens do outro , Editorial Notícias, Lisboa, 2004, pp. 129 e 277)‏ </li></ul>
    7. 7. A insegurança Medo do crime Recessão económica Epidemias Escassez de alimentos Alterações climáticas Outros factores
    8. 8. Como explicar o medo do crime ? <ul><li>Tese securitarista? </li></ul><ul><li>Tese construtivista? </li></ul>
    9. 9. O risco percepcionado e o risco objectivo Risco Objectivo Risco Percepcionado Adaptado de Warr, M. (2000). Fear of Crime in the United States: Avenues for Research and Policy. (pp. 463 – 464) In D. Duffee (Ed.), Criminal Justice 2000. Volume Four: Measurement and Analysis of Crime and Justice (National Institute of Justice). Washington, D.C.: Department of Justice.
    10. 10. Relação probabilidade de ocorrência/risco percepcionado Probabilidade de ocorrência de determinado evento + - - + Risco percepcionado Atentado terrorista Acidente automóvel
    11. 11. A construção da (in)segurança <ul><li>Notícias e ficção concentram-se nos crimes violentos e graves (a proporção dos tipos de crime representados é o inverso das estatísticas oficiais). Normalmente são relatadas as notícias de crimes que são especialmente violentos, raros ou espectaculares; </li></ul><ul><li>O risco criminal apresentado é qualitativa e quantitativamente mais grave do que o decorrente das estatísticas oficiais; </li></ul><ul><li>As notícias são – a maioria das vezes - apresentadas sem qualquer contexto ou enquadramento analítico; </li></ul><ul><li>São realçadas as vulnerabilidades percepcionadas e não a verdadeira vitimação, exagerando os riscos potenciais de modo a tocar as ansiedades e medos do público; </li></ul><ul><li>Com frequência são apresentados estereótipos de criminosos violentos prontos a atacar indiscriminadamente; </li></ul>REINER, Robert, Media made criminality: the representation of crime in the mass media in MAGUIRE, M., MORGAN, R., REINER, R. (Ed.), The Oxford Handbook of Criminology , 4th, Oxford University Press, 2007, p. 315 e JEWKES, Yvonne, Media and crime , Sage Publications, London, 2004.
    12. 12. A construção da (in)segurança <ul><li>A natureza aleatória dos crimes, em que qualquer “pessoa normal” pode ser vítima, cria a percepção de que as ruas, o bairro ou determinada cidade é insegura; </li></ul><ul><li>A violência serve o fim de apresentar incidentes dramáticos de forma o mais gráfica possível. </li></ul><ul><li>Os OCS podem determinar a mudança de percepções e de sensibilidades levando a flutuações no número de crimes denunciados (por exemplo, a pedofilia ou a violência doméstica); </li></ul><ul><li>Podem levar a processos de mimetismo ou provocar a decisão em criminosos indecisos . </li></ul>REINER, Robert, Media made criminality: the representation of crime in the mass media in MAGUIRE, M., MORGAN, R., REINER, R. (Ed.), The Oxford Handbook of Criminology , 4th, Oxford University Press, 2007, p. 315 e JEWKES, Yvonne, Media and crime , Sage Publications, London, 2004.
    13. 13. A construção da (in)segurança <ul><li>A forma como os media relatam certos crimes contribuem para que os mesmos funcionem como ” signal crimes ”, isto é, crimes que, pela forma como são interpretados pela audiência, funcionam como um sinal de aviso sobre os riscos existentes na sociedade. </li></ul><ul><li>Certos crimes – em resultado da forma como são construídos pelos media – pela utilização de técnicas representativas e retóricas particulares no seu relato – são interpretados pela audiência como sinais de aviso sobre o risco de vitimação. Nesta perspectiva, os indivíduos interpretam e definem determinados incidentes criminais como indicadores do risco existente. </li></ul><ul><li>A polícia ao ceder aos media fotos, efectuar conferências de imprensa, etc, contribui activamente para a forma como o crime será lembrado publicamente. </li></ul><ul><li>Em certas situações conjunturais os ” signal crimes ” podem levar o público à exigência de mais segurança e de penas mais graves para os criminosos. </li></ul>INNES, Martin, Crime as Signal, Crime as a Memory , Journal for Crime, Conflict and the Media , vol.1 (2), 2004, pp.15 - 22.
    14. 14. O discurso securitário Percepção Discurso securitário Medidas de excepção As medidas “ normais” são desadequadas Reforço de Legitimidade
    15. 15. Obrigado

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