Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Curso cetrata gestalt terapia 2013

1,508 views

Published on

  • Be the first to comment

Curso cetrata gestalt terapia 2013

  1. 1. COMPREENDENDO OS TRANSTORNOS ALIMENTARES ATRAVÉS DA GESTALT-TERAPIA Raquel de Vasconcelos Barsi Psicóloga –UNIFOR Formação em gestalt terapia pelo Instituto Gestalt do Ceará Especialista em Psicologia e Práticas de Saúde- UNIFOR “O importante e bonito no mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e dasafinam”. Guimarães Rosa
  2. 2. -Quando se atende uma pessoa não se deve esquecer que ela é única, singular, responsável, consci ente, com formas próprias e relacional - Independente de quantas pessoas com determinado transtorno psiquiátrico sejam atendidas nos consultórios, cada uma delas vai vivenciar seu transtorno de forma particular. Visão de homem para a gestalt- terapia
  3. 3. -O ser humano é visto como um todo e ele é composto por aspectos: físicos, mentais e espirituais -Ele influencia e interage com a sociedade constantemente, modelando-a e sendo modelado através de seus relacionamentos. Visão de homem para a gestalt- terapia Maldonado & Canella, 2003
  4. 4. -Fundamental ver a pessoa no contexto que ela está inserida -Buscar atender a pessoa e não o seu sintoma e sua doença -não receber e atender uma “anoréxica”, mas procurar conhecer esse ser por inteiro que está com o problema, levando em conta tudo o que o cerca para então trabalhar com ele, como um indivíduo completo. Visão de homem para a gestalt- terapia Maldonado & Canella, 2003
  5. 5. -Um ser humano que tem suas questões, sua história de vida, sua relação com o alimento que foi se estabelecendo durante a vida de forma singular. Não é só um ser que sente ou um ser que se alimenta, é um ser que sente e se alimenta. -O psicoterapeuta é preciso ser curioso pelo sujeito, querer saber dele para além do transtorno alimentar Quem sofre de transtornos alimentares?
  6. 6. TRANSTORNOS ALIMENTARES O início dos transtornos alimentares é multifatorial: - fator genético - fator psicológico - fator sóciocultural - fator familiar
  7. 7. -É importante ter o conhecimento teórico de fundo, mas a teoria é apenas uma das formas de se ver este fenômeno, o transtorno alimentar. -Quando vamos para o contato com o nosso cliente é fundamental deixarmos de lado por alguns momentos nosso arcabouço teórico e vermos como é o transtorno alimentar para ele, como é individualmente para cada um. Conhecer os transtornos alimentares
  8. 8. - Suspender os a prioris sobre o que é ou como deveria se apresentar um transtorno alimentar, e compreender esta pessoa a partir da sua própria vivência. Conhecer os transtornos alimentares
  9. 9. - Não se deve considerar nem exclusivamente a doença, nem exclusivamente o emocional, mas considerar o indivíduo como um todo -Não é possível olhar o transtorno isolado do indivíduo, nem o indivíduo isolado de seu meio. -Pessoas com anorexia, bulimia ou TCAP normalmente não apresentam esses comportamentos apenas em relação à comida: relacionam-se dessa forma frente à vida, e aos sentimentos, como um todo.
  10. 10. -Em alguns casos, a pessoa com o transtorno não se considera doente, recusando, portanto, qu alquer tratamento mesmo com o surgimento de comorbidades. Queixa dos pacientes
  11. 11. - É comum pessoas com transtornos alimentares apresentarem postura de defesa, de afastamento com quem querem ajudá-los, resistência no estabelecimento do vínculo, tendo em vista que, como alguns não consideram que têm um problema, não precisam de ajuda. Diferença em atender paciente com transtorno alimentar?
  12. 12. O que há de diferente em atender alguém com transtorno alimentar? -Os objetivos e a forma de trabalho com pessoas que apresentam transtornos alimentares são similares àqueles com pessoas que apresentam qualquer outra queixa. Isso porque, lembramos, em qualquer dessas situações, estamos atendendo à pessoa, e não à “doença” -Tratar alguém com transtorno alimentar é estar consciente de que você deve fazer parte de uma equipe de profissionais e conversar com ela sempre. Confiar na equipe -Incluir a família no processo
  13. 13.  A queixa que a pessoa leva para terapia deve ser considerada e deve ser vista como uma parte do todo  Tudo que se vive é vivido no corpo: as emoções, tristezas, alegrias e dores. As manifestações estão no corpo:  o sorriso, a lágrima, a contração muscular.
  14. 14. Não há experiência psíquica que não seja corporal. O corpo é usado como forma de comunicação, não podendo se separar corpo-mente. Todas as experiências que o corpo vive também estão dentro de uma cultura e os valores desta vão influenciá-lo
  15. 15. O organismo participa de tudo, tendo uma tendência de se auto-regular, de procurar satisfazer suas necessidades de equilíbrio, de buscar o que é melhor para ele naquele momento, com o que ele tem disponível para tal. Quando se considera exclusivamente a queixa, perde-se a oportunidade de ver esse outro lado que, na maioria das vezes, nem a própria pessoa conhece.
  16. 16. AJUSTAMENTO CRIATIVO  “O ser humano tende a se autoregular para melhor se adaptar às suas relações com seu meio circundante. Porém, nem sempre a auto-regulação dá conta de todas as situações, tornando-se necessário que a pessoa faça “algo mais”.”  O ajustamento criativo é esse “algo mais”. É um processo através do qual o indivíduo se relaciona de forma ativa e criativa com o meio na busca da satisfação plena de suas necessidades, ou seja, na busca de equilíbrio. (Mattos, 2000, p.16).
  17. 17. AJUSTAMENTO CRIATIVO  Quem vê um ajustamento criativo fora do contexto não vê sentido naquela decisão, não parece ser a melhor opção, mas certamente foi o melhor que aquele indivíduo conseguiu naquele momento de acordo com a percepção que tinha da situação e com os recursos que possuía.  Considera-se então que toda atitude, comportamento, escolha e construção do indivíduo são uma tentativa de se equilibrar diante de algo que o desequilibra, tendo desta forma uma função na relação que ele estabelece com o meio (Perls, 1997; Mattos, 2000).  Cada um vai construir seu estar no mundo da melhor forma possível, de acordo com suas condições de momento.
  18. 18. SINTOMA- A FUNÇÃO DELE  O sintoma é uma forma de ajustamento criativo.  O padrão de alimentação representa uma escolha e é a melhor que ele está fazendo com os recursos que possui.  Que mensagem é essa que o sintoma está querendo passar, buscar compreender para que a pessoa entenda que lugar ele está ocupando em sua vida  Facilitar para que a pessoa compreenda o significado que a comida tem, qual o lugar que ocupa na vida dela  O que a pessoa está querendo vomitar?  O que é difícil engolir?  O que ela quer rejeitar em sua vida?
  19. 19. SINTOMA/ ADOECIMENTO  O adoecer é uma forma de proteger as pessoas de determinadas situações que seriam insuportáveis. O sintoma protege. É a forma que este consegue se relacionar com o mundo  Contudo, não se pode simplesmente eliminar o sintoma, uma vez que ele é algo que foi desenvolvido pelo organismo. Entender o sentido existencial do sintoma na vida da pessoa para que seja possível trabalhar com os processos que o mantêm (Perls, 1997; Panazzolo, 2002).  Muitas vezes, é o sintoma o único suporte que a pessoa tem e tirá-lo pode deixar a pessoa sem alicerce, o que a levará ao desenvolvimento de novos sintomas. Uma terapia que só foca o sintoma não vê o que a doença apresenta da realidade existencial da pessoa.
  20. 20. Saúde, em Gestalt-terapia, é sinônimo de comportamento livre, espontâneo, criativo e fluido. O que é saúde para a gestalt- terapia
  21. 21. Verificar como a pessoa usa seu transtorno para evitar entrar em contato com seus conteúdos. -A atuação do psicólogo O transtorno funciona como uma forma de evitação, pode livrar a pessoa de um sofrimento maior. Ela prefere contar calorias, ser racional, se pesar, do que lidar com as questões da vida, da sexualidade ou do ser adulto, por exemplo. Não se trata só de retirar o sintoma é preciso investigar.
  22. 22.  O foco fica com os comportamentos – comer, vomitar, ter compulsões, contar calorias – a pessoa se desapropria de questões subjetivas que, muitas vezes, são o cerne do conflito, como o enfrentamento do cotidiano, angústias e ansiedades, sexualidade, etc., usa ndo os esses comportamentos como um muro protetor entre a pessoa e o mundo (Angermann,1998; Teixeira, 2004a, 2004b).
  23. 23. O objetivo de um processo psicoterapêutico é dar condições para que a pessoa se desenvolva aprendendo sobre ela mesma através de seus sintomas e das trocas estabelecidas neste processo. A psicoterapia visa promoção de saúde e deve ser encarada como um processo contínuo de cuidado e conhecimento de si onde se fica mais atentos às necessidades. QUAL É O PAPEL DA PSICOLOGIA?
  24. 24. ATUAÇÃO DA PSICOLOGIA - Estabelecer um vínculo terapêutico - A relação terapêutica é um fator que favorece o processo e o desenvolvimento do paciente - É importante suspender os preconceitos e julgamentos - “Os apelos são pedidos de ajuda que se revelam como a melhor forma escolhida por ele” (Fukumitseu, K, p. 161, 2011)
  25. 25. Ao entrar em contato com o que realmente está acontecendo e o que este sintoma está encobrindo, pode ser possível descobrir novas formas para lidar com a comida, assim como com suas outras relações A pessoa precisa se tornar curiosa por ela mesma.(Angermann, 1998; Teixeira, 2005).
  26. 26. A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO  Levar o sujeito a se despertar, a procurar perceber o que estava sentindo quando teve a crise, buscar compreender o que não comer ou comer demais significa  Respeitar o momento do sujeito, perceber as dificuldades, fragilidade e sofrimento  Acreditar no potencial, na tendência ao crescimento, poder de recuperação e transformação
  27. 27. A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO  Estimular um senso crítico do que foi apreendido, introjetado através dos pais e da mídia, dar voz ao sujeito  Ajudar a pessoa a ter uma fala própria, muitas vezes ela não sabe do que gosta ou o que quer
  28. 28. A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO  Durante o atendimento é importante observar a via corporal, de respiração, linguagem verbal e não verbal  Utilizar outros recursos se necessário (atividades lúdicas como recorte, desenho, etc.)  Sabemos somente aquilo que o paciente quer compartilhar  O psicólogo deve ser um habilidoso frustrador
  29. 29. -Evita privilegiar somente o racional e verbal, e cuida também da linguagem corporal. -Há uma relação intersubjetiva que coloca o sujeito do terapeuta em relação direta com a pessoa do cliente -Há uma ênfase no aqui agora e nos sentimentos - A maioria das pessoas que apresentam esse tipo de transtorno aponta para uma relação limitada ou desconectada com seu próprio corpo e sentimentos. Por que a Gestalt-terapia?
  30. 30. Embora o terapeuta esteja ativo neste processo, a interpretação de eventos, experiências e até mesmo de sonhos é responsabilidade do cliente. -Há espaço para que o cliente se revele, torne-se quem ele realmente é, gastando menos energia em ser quem ele não é - Ajuda-o a aprender a assumir responsabilidade sobre suas ações e escolhas. -Ser capaz de criar metas e reconhecer limites para dar sentido a sua existência. -Ele de forma consciente vai aprender a hierarquizar as suas necessidades e se ajustar criativamente ao meio (Antony & Ribeiro, 2004, p.134). Por que a Gestalt-terapia?
  31. 31. Alguns significados emocionais -Na anorexia nervosa pode haver uma preocupação em perder o corpo infantil -Vazio existencial. -Crescer parece ser ameaçador é uma dificuldade em ingerir e digerir o mundo externo, -Há autoagressividade, restringem ao máximo a alimentação devido ao medo de perder o controle sobre si. -Dificuldade em identificar o que querem, qual o seu desejo e isso gera angústia - Auto-estima é baixa e sempre relacionada ao corpo - Não acreditam que o alimento possa nutri-las e isso é um desafio para os familiares e profissionais
  32. 32. Alguns significados emocionais -Excesso de comida na busca de preencher o vazio existencial e diminuir a angústia. -Na bulimia há uma total ausência de controle sobre seu comportamento e suas emoções. -Vazio, tentativa de preenchimento, excesso de alimento, vazio não preenchido, culpa, nova tentativa de preenchimento- assim é o círculo emocional da bulimia. -Os atos purgativos são uma tentativa de expulsar o que se acredita que vá fazer mal, que assusta. -Comem não por fome e excesso e sim na tentativa de uma sobrevivência emocional “morrem de comer para sentirem-se vivas”. -A comida é um vilão -O que se busca é encontrar-se consigo
  33. 33. Alguns significados emocionais -No momento da compulsão alimentar se engole o mundo sem poder saborear. -O pavor do obeso é tanto de ser excluído que ele se auto-exclui antes que o mundo o faça. -Ele engorda, fica imenso para tentar ocupar o seu lugar. -A camada de gordura protege-o do mundo de sofrimentos psíquicos que ele quer evitar e que imagina ser insuportável. -Há sensação de aprisionamento dentro de seu corpo -Ele por um lado quer se esconder passar despercebido, mas não passa e acaba sentindo-se excluído -A comida assume papel de carinho, refúgio, é uma fome emocional
  34. 34. -Estar doente é um processo e não algo definitivo, como será quando ele melhorar? -Tentar compreender qual é a função do transtorno alimentar para a família
  35. 35. -Incluir a família no tratamento -Realizar encaminhamentos para psicoterapia familiar e individual/ Realizar orientação aos pais. -É comum acontecer dos pais terem sentimento de culpa. -Estimular para que as refeições sejam feitas junto com toda a família pois no momento da refeição há conversas mensagens, se compartilha informações, atividades do cotidiano E a família nesse processo?
  36. 36. A família “Deve-se considerar que apenas compreender o caso, sentir o corpo e as emoções não resolve totalmente o problema, embora faça com que uma solução seja novamente possível. Mas se o ambiente social não acolher a mudança, se o paciente não puder ajustá-lo a si próprio, então poderá novamente voltar ao seu problema” PERLS, 1997
  37. 37.  Bom vínculo com um profissional x Hostilidade com outro profissional  Manipulação  Pactos  Jogar um profissional contra outro  Desqualificar um atendimento em detrimento de outro  Não estabelecer jogo de forças  Oposição ao tratamento – manifestação dos sintomas da doença
  38. 38. Existem cuidados especiais e, de modo geral, pode-se dizer que a meta do trabalho psicoterápico em Gestalt-terapia nos transtornos alimentares é a “conscientização da dinâmica patológica que fomenta estes distúrbios, visando ampliar as possibilidades existenciais do paciente, que no momento se encontram cristalizadas” (Panazzolo, 2002). Considerações finais
  39. 39. -FUKUMITSU, Karina Okajima. Encontros, desencontros e reencontros: processos da apropriação do gestalt terapeuta . In: CARPIGIANI, Berenice (org.) Teorias e técnicas de atendimentos em consultório de Psicologia. São Paulo: Vetor, 2011. - FUKUMITSU, Karina Okajima e ODDONE, Hugo Ramón Barbosa (coord.). Transtornos alimentares: uma visão gestáltica. Campinas: Editora Livro Pleno, 2007. -Nunes, Arlene Leite & Holanda, Adriano. Compreendendo os transtornos alimentares pelos caminhos da Gestalt-terapia. Rev. Da abordagem gestáltica. v.14 n.2 Goiânia dez. 2008. -NUNES, Arlene Leite. Transtornos alimentares na adolescência: depoimentos das adolescentes, gestalt-terapia e pesquisa. Curitiba: Juruá, 2010, -PERLS, HEFFERLINE E GOODMAN, GESTALT -TERAPIA, São Paulo: Summus,1997. -TEIXEIRA, Marcia Junqueira. Fome de Vida: vivências e percepções de mulheres obesas portadoras de transtorno da compulsão alimentar periódica, Dissertação de Mestrado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003. -Silva LM, Santos MA. Construindo pontes: relato de experiência de uma equipe multidisciplinar em transtornos alimentares. Medicina (Ribeirão Preto) 2006; 39 (3): 415-24.
  40. 40. Raquel Barsi Psicóloga- CRP 11/04104 raquelbarsi@yahoo.com.br 9981 5295

×