Economia em exercícios – apresentação

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Economia em exercícios – apresentação

  1. 1. CURSO DE ECONOMIA EM EXERCÍCIOS - APRESENTAÇÃOMeu nome é Hélio Socolik. Formei-me em Economia na Universidade Federal do Riode Janeiro e fiz o curso de Mestrado na Fundação Getúlio Vargas. Comecei a dar aulasquando o dono de um curso preparatório para concursos, no final da década de 70,convidou-me a dar aulas de Estatística. Eu gostava muito de números e senti-me bemna matéria. Ocorre que eu também gostava muito e queria dar aulas de Economia, maso curso já tinha um professor. Eu, algumas vezes, assistia às suas aulas e procuravaaprender com ele. Mas vejam como é o destino. Um dia, o professor, que era meucolega da Receita Federal, transferiu-se de Brasília e eu me ofereci para dar aulas emseu lugar. Até hoje dou aulas de vários ramos da Economia, embora tenha também dadoaulas de Matemática Financeira.Mais tarde passei a lecionar em faculdades, onde o ambiente é mais calmo. Tive muitasalegrias nesse período, e me recordo de muitas homenagens que recebi por ocasião dasformaturas dos alunos, até que voltei a dar aulas em preparação para concursos. Umadas gratificações que se ganha nesse caso é tomar conhecimento de ex-alunos queingressam em determinado órgão público. Na própria Receita Federal verifiquei isso emgrande número, e a vinculação com eles se torna mais estreita.Como os exercícios são partes integrante dos cursos, e senti uma carência dedisponibilidade de questões para complementar os textos, resolvi colecionar as muitasprovas de concursos, atividade em que fui bastante ajudado por colegas e alunos.Publiquei dois livros, cada um com questões de Macro e de Microeconomia.Atualmente estou preparando livros com questões comentadas.Sou professor de Micro e Macroconomia e já lecionei Economia do Setor Público,tendo, como já mencionei, lecionado anteriormente Estatística e Matemática Financeiraem faculdades e em cursos preparatórios para concursos. Auditor-Fiscal da ReceitaFederal aposentado, gosto de escrever artigos na área econômica e colabororegularmente para publicações de órgãos de classe.Neste curso sou responsável pela área de Macroeconomia. Pretendo basicamentecolocar questões, de concursos anteriores e de minha autoria, cujo teor mais seaproximem do que a ESAF costuma exigir para aferição dos candidatos. Com base nasquestões, procurarei colocar um texto teórico, revisando os assuntos em que se baseia aquestão.A Economia é considerada por alguns autores como uma ciência “lúgubre” (muitosjovens hoje ignoram essa palavra, pois é pouco usada), porque trata de assuntos áridos,como o conflito entre a escassez de recursos e a quantidade ilimitada de necessidades edesejos. E muitos alunos dizem não gostar de Economia. Muitos dizem que têmdificuldade com números e gráficos. Outros salientam que ela é muito teórica e poucoprática. Uma aluna me disse certa vez, e até hoje acho uma observação muitointeressante: “A Economia obriga a pensar!”. E é isso mesmo. Raciocina-se muito emEconomia. E com o auxílio da Matemática, vamos descobrindo suas leis e os princípiosque a tornam a ciência básica da vida, pois trata justamente de nossa sobrevivênciafísica.Bem, passemos à aula demonstrativa de Macroeconomia.
  2. 2. AULA DEMONSTRATIVA1. Introdução à Macroeconomia. Conceitos macroeconômicos básicos. Formas demensuração do Produto e da Renda nacional. Produto nominal e produto real.1.1. IntroduçãoPara se estudar a teoria macroeconômica com melhor aproveitamento é necessárioantes conhecer-se os conceitos básicos a respeito dos tópicos que dominam essa teoria,como o Produto Interno Bruto, o nível geral de preços e a inflação, o desemprego, oque é taxa de juros, o investimento e a poupança, a diferença entre capital einvestimento, a diferença entre o PIB nominal e o PIB real, o que são variáveisestoque e variáveis fluxo, e a diferença entre produto efetivo e produto potencial.Antes de falar propriamente na Macroeconomia, devemos falar de Economia, a ciênciamãe. Vejamos o seguinte conceito: “A Economia é a ciência que estuda as formas docomportamento humano, resultantes da relação existente entre as ilimitadasnecessidades a satisfazer e os recursos que, embora escassos, se prestam a usosalternativos.” Esse conceito, devido a Lionel Robbins, mostra-nos que existe umconflito natural entre as necessidades, ilimitadas, e os recursos, limitados, ao qual oseconomistas dão o nome de “lei da escassez”.Agora podemos introduzir a Macroeconomia. A teoria econômica pode ser dividida emdois grandes ramos: a Microeconomia e a Macroeconomia. A etmologia dessas palavrasjá ajudam a perceber a diferença básica entre as suas áreas de atuação: enquanto aMicroeconomia estuda as partes (“micro quer dizer pequeno), a Macroeconomia estudao todo (“macro” quer dizer grande). A Macroeconomia é aplicada no estudo dasrelações entre os chamados agregados econômicos, como a renda, o emprego, os níveisgerais de preços, o déficit público, a produção nacional. Ela se ocupa com a economiacomo um todo, buscando respostas para a determinação de cada uma dessas variáveisglobais.Se a Microeconomia estuda a determinação do preço de determinada mercadoria ou aremuneração de determinado fator de produção, a Macroeconomia estuda o índice geralde preços e a determinação da renda nacional. Enquanto a Microeconomia consideradadas certas variáveis, como o produto nacional, a Macroeconomia estuda as causas quefazem variar esse produto; enquanto a Macroeconomia considera como dado o nível dedistribuição da renda, a Microeconomia estuda as causas e as variações nessadistribuição; enquanto a Microeconomia considera dada a quantidade de recursos daeconomia e ocupa-se com a sua melhor alocação, a Macroeconomia ocupa-se com oestudo de como é gerado e como pode aumentar o nível global de recursos daeconomia.Qual dos dois ramos é mais importante? Certamente que ambos são igualmente muitoimportantes, pois ao enfocarem a economia de ângulos diferentes, complementam-se eajudam estudiosos e pesquisadores a entenderem melhor a complexidade do mundoeconômico.A figura, a seguir, ajuda a apresentar os principais agregados da economia: 2
  3. 3. Remuneração dos fatores (Renda) Serviços dos fatores de produção FAMÍLIAS EMPRESAS Produção dos bens (Produto) Pagamentos pelos bens (Despesa)A figura mostra os fluxos físicos (ou reais) e financeiros (ou monetários) entre asunidades familiares e as unidades produtoras. Temos dois circuitos: o internomostra os fluxos reais de fornecimento dos serviços dos fatores, como trabalho, capitale tecnologia, e a produção dos bens; e o circuito externo mostra os fluxos financeirosda remuneração dos fatores e dos pagamentos pelos bens, ou entre a Renda e a Despesa. PRODUTO = RENDA = DESPESAVejamos a seguinte questão:(Economista da CODEVASF, 2003) Os enunciados abaixo são formas de secaracterizar a macroeconomia em sentido amplo, exceto a que informa que a (na)macroeconomia:a) trata do comportamento da economia como um todo;b) abrange o comportamento econômico e as políticas que afetam o consumo e oinvestimento;c) abrange o câmbio, a balança comercial e as políticas fiscal e monetária;d) lida com o comportamento de unidades econômicas individuais, tais como famílias efirmas;e) o nível agregado de renda ou dos gastos está entre as variáveis-chave a seremestudadas.Comentário: como se pode observar, os itens a, b, c e e tratam de variáveis agregadas,isto é, que abrangem a economia como um todo, e por isso são estudadas naMacroeconomia, como são o consumo, o investimento, o câmbio, a balança comercial eas políticas fiscal e monetária. Enquanto isso, cabe à Microeconomia o estudoindividual das famílias e das firmas.Gabarito: d.1.2. O Produto Interno BrutoO primeiro agregado importante é o Produto Interno Bruto - PIB, definido como ovalor de todos os bens (mercadorias e serviços) finais produzidos em um país, emum determinado período, geralmente um ano.A Macroeconomia estuda a determinação do PIB e os fatores que explicam o seu nívele o ritmo de crescimento. Por exemplo, o Brasil, em 2004, apresentou um PIB de cerca 3
  4. 4. de R$ 1.716 bilhões, com um crescimento real de 4,9% em relação ao ano anterior. Nosúltimos anos o nosso país tem apresentado períodos de crescimento ora mais e oramenos rápidos, como se observa abaixo: Crescimento real do PIB Período Variação do PIB Período Variação do PIB (%) (%) 1963 0,36 1997 3,27 1964 3,58 1998 0,13 1968 a 1973 11,0 1999 0,79 1974 a 1979 6,8 2000 4,36 1980 a 1993 1,6 2001 1,31 1994 5,85 2002 1,93 1995 4,22 2003 0,54 1996 2,66 2004 4,90Fonte: IBGEO que explica tamanha variação nos índices de crescimento do PIB? Este é um dosprincipais assuntos da Macroeconomia. O PIB é considerado a melhor medida dedesempenho de uma economia, pois mostra o esforço e a capacidade que possui umpaís de oferecer uma certa quantidade de bens à sua população. A comparação entre osPIB de diversos países permite classificá-los em mais e menos desenvolvidos. Masdeve-se ficar atento para alguns problemas que envolvem essa medição. Vamosexaminá-los:a) sendo o PIB um valor, e portanto influenciado pelos preços dos bens, estes têm queestar equilibrados, no sentido de não sofrerem distorções, como estar artificialmentealtos, em virtude da existência de setores oligopolizados, remunerações controladas peloGoverno e entidades sindicais e tarifas controladas;b) o PIB não considera o aspecto qualitativo da produção, isto é, o que e quanto éproduzido. Por exemplo, a produção bélica pode valer mais do que a produção detratores; a produção de remédios superar a produção de legumes;c) o PIB é subestimado quando existem produtos não transacionados no mercado,como a produção e o consumo dentro de uma fazenda, o trabalho das donas de casa, oaluguel das casas ocupadas pelos próprios donos;d) fazem parte do PIB produtos que geram custos sociais nem sempre considerados,como a poluição do ar, o ruído, a contaminação das águas etc. Esses produtossuperestimam o valor do PIB, porque de seu valor deveriam ser deduzidos osrespectivos custos sociais.Vejamos agora uma questão de concurso abaixo:(Analista de Finanças e Controle Federal, 1994) O produto nacional bruto é o valorde mercado dea) Todas as transações em uma economia durante o período de um ano.b) Todos os bens e serviços transacionados em uma economia durante o período de umano. 4
  5. 5. c) Todos os bens finais e serviços produzidos em uma economia durante o período deum ano.d) Todos os bens finais e serviços produzidos e transformados em uma economiadurante o período de um ano.Comentário: é preciso atenção, inicialmente, para o fato de que a questão menciona oproduto nacional bruto (PNB), e não o produto interno bruto (PIB). Existe umadiferença entre eles, que é estudada no item do programa a seguir, embora tenhamaspectos comuns. Nessa questão a diferença não é levada em consideração.a) Não fazem parte do PIB “todas as transações” ocorridas em uma economia duranteo ano, pois a palavra transação pode englobar operações econômicas e não econômicas.b) Não fazem parte do PIB “todos os bens e serviços transacionados”, pois muitastransações referem-se apenas a troca de ativos, como compra e venda de imóveis, deações, etc., que nada acrescentam de riqueza, apenas mudam a sua propriedade, bemcomo empréstimos e doações.c) Fazem parte do PIB somente os bens finais, isto é, aqueles produzidos e colocados àdisposição da sociedade, como o extrato de tomate, de cujo valor são deduzidos oscustos das matérias primas. Os tomates que foram utilizados na fabricação do extratonão são considerados bens finais, pois foram transformados e a sua inclusão redundariana chamada “dupla contagem”. É incluída a produção do tomate e outros insumoscolocados à disposição do consumidor nos supermercados e nas feiras livres, bem comoaqueles que a fábrica de extrato não utilizou e conservou em seus estoques.d) Não fazem parte do PIB os bens “transformados” justamente porque estes já sãoincluídos nos bens finais.Gabarito: c.Vejamos agora esta questão:Assinale a alternativa incorreta:a) O valor do Produto Interno Bruto é muitas vezes superestimado, se admitirmos quemuitos bens são produzidos sem ser considerado o custo social envolvido em suaprodução.b) O valor do Produto Interno Bruto é muitas vezes subestimado ao não considerar astransações fora do mercado e não monetárias.c) Se duas economias possuem a mesma renda real per capita, o nível de bem estar émaior naquela em que o nível de preços é menor.d) A avaliação do bem estar econômico da população de um país deve levar em conta ovalor de sua renda per capita associado ao seu nível de concentração de renda.e) A renda per capita é calculada dividindo-se o valor do Produto Nacional Bruto pelapopulação economicamente ativa.Comentário: 5
  6. 6. a) Já foi abordado no texto que os chamados custos sociais da produção, tais como apoluição do ar e a contaminação dos rios pelas atividades produtivas, se nãoconsideradas no seu cálculo, tendem a superestimar o valor do PIB.b) Muitas transações econômicas são realizadas fora do mercado e, portanto, semserem registradas, como as trocas e o autoconsumo, mas podem ser estimadas. Mesmoassim, se se considerar que boa parte delas escapa de seu registro, há realmente umasubestimação do PIB.c) O PIB per capita é uma medida de bem estar de um país, resultante da divisão doPIB pela sua população total. É como se o valor do PIB fosse igualmente dividido pelapopulação, mas esse indicador esconde o grau de desigualdade de renda. Mesmoassim, pode-se comparar o bem estar entre países diferentes através da comparaçãodesses valores. No caso de igualdade, deve-se recorrer a outros indicadores, como ocusto de vida.d) Como a renda per capita não revela por si só o grau de concentração da renda,pode-se agregar àqueles valores algum índice que meça a desigualdade.e) Como já salientado no item c, a renda per capita é resultante da divisão do PIB pelasua população total. A população economicamente ativa é apenas uma parte depopulação total.Gabarito: e.1.3. O Nível Geral de PreçosEm vez de se preocupar com os preços de cada produto ou remuneração de fator, aMacroeconomia estuda o comportamento geral dos preços da economia. O ÍndiceGeral de Preços mede o nível médio dos preços, em comparação com um determinadoperíodo base. O crescimento de preços de um período para outro denomina-se taxa deinflação. As causas e as conseqüências da inflação são estudadas pela teoriamacroeconômica. Considere-se a seguinte tabela: Período Taxa de Inflação Índice de preços 1 - 100 2 5% 105 3 8% 113,4O Brasil tem na inflação um dos seus problemas mais importantes, que somente foiminimizado com o Plano Real de 1994. Eis algumas taxas verificadas nos últimos anos,segundo o Índice Geral de Preços - IGP: Inflação no Brasil Ano Inflação (%) Ano Inflação (%) 1963 81,3 1995 14,78 1964 91,9 1997 7,48 1967 24,3 1998 1,70 6
  7. 7. 1973 15,5 1999 4,86 1980 110,24 2000 5,97 1985 235,11 2001 7,67 1988 1.037,56 2002 12,53 1990 1.476,71 2003 9,30 1993 2.708,17 2004 7,60 Fonte: Fundação Getúlio VargasNo Brasil, há diversos índices de inflação, conforme o órgão que os apura e os critériosde cálculo: Índice Órgão Nº de Período de Região de salários- abrangência abrangência mínimos (dias do mês) IGP-DI FGV 1 a 33 1 a 30 12 RM IGP-M FGV 1 a 33 22 a 21 Rio e São Paulo IPC FIPE 1 a 20 1 a 30 São Paulo INPC IBGE 1a8 1 a 30 11 RM IPCA IBGE 1 a 40 1 a 30 11 RM IPCA-E IBGE 1 a 40 21 a 20 11 RM ICV DIEESE sem limite 1 a 30 São Paulo ICVM Ordem dos 6 a 33 1 a 30 São Paulo Economistas de São PauloO IGP- Índice geral de Preços é resultante da média ponderada de três índices: IPA(Índice de Preços no Atacado), com peso de 60%, IPC (Índice de Preços aoConsumidor), com peso de 30%, e INCC (Índice Nacional da Construção Civil), com10%. (Economista da Petrobrás, 2001) Julgue o item a seguir.- As variações observadas nos índices de preço ao consumidor tendem a superestimar ainflação não somente porque as melhorias na qualidade dos produtos são subestimadas,mas também pelo fato de esses índices não considerarem o efeito substituição.Comentário: o índice de preço reflete as variações de preços dos produtos, mas podemocorrer situações em que os índices não refletem variações efetivas de preços. Umadelas é que a evolução de preços de um produto nem sempre leva em consideração asalterações em sua qualidade. Se a qualidade, por exemplo, aumenta, pode ocorrer umaumento de preço que não significa necessariamente inflação. Outra situação é que oconsumidor, ao se deparar com um aumento de preço de um determinado produto,exerce seu direito de substituí-lo por outro agora relativamente mais barato, fenômenoconhecido como efeito substituição. Esses dois fatores fazem com que o índice deinflação seja superestimado, isto é, torna-se maior do que é efetivamente. Gabarito:Verdadeiro.(Consultor Legislativo do Senado Federal, 2002) Julgue o item seguinte: 7
  8. 8. “Os aumentos dos preços dos produtos importados, quando geram redução do consumodessas mercadorias, contribuem para aumentar o viés de substituição associado àmensuração dos índices de custo de vida.”Comentário: segundo a teoria microeconômica, uma variação no preço de um bemprovoca os efeitos renda e substituição. O efeito renda faz o consumidor tornar-semais rico ou mais pobre. O efeito substituição é responsável pela substituição dos benscujos preços aumentaram pelos agora relativamente mais baratos. Nesse caso, aparticipação dos produtos mais caros diminui e se essa quantidade consumida menornão for considerada, os índices de custo de vida ficarão superestimados.Gabarito: Verdadeiro.Esse aspecto de substituição dos bens mais caros pelos mais baratos também foi objetoda questão abaixo: (Analista Legislativo da Câmara dos Deputados, 2002) Julgue o item seguinte: “OÍndice de Preços ao Consumidor (IPC) tende a superestimar o impacto dadesvalorização do real sobre a alta do custo de vida porque esse índice não leva emconta o fato de que os consumidores substituem os produtos importados, cujos preçosaumentaram, por produtos domésticos, relativamente mais baratos.”Gabarito: verdadeiro.1.4. O desempregoO desemprego constitui-se hoje no maior problema macroeconômico. A taxa dedesemprego é definida como a relação entre a população desempregada e a populaçãoeconomicamente ativa. Taxa de desemprego = População desempregada / População economicamenteativaVejamos alguns conceitos:- População Produtiva (ou em idade ativa, aquela em idade de trabalhar): abrange aspessoas entre os 14 e os 65 anos de idade.- População Dependente (aquela fora da idade de trabalho): abrange as pessoas demenos de 14 e de mais de 65 anos.- População Economicamente Ativa (é a que está voltada para o mercado de trabalho):abrange a população produtiva, menos os estudantes e os domésticos não remunerados,como as donas de casa, os deficientes e os que cumprem pena.- População Ocupada (a que está efetivamente empregada): abrange a populaçãoeconomicamente ativa, menos os desempregados.- Parcela de Ocupação: é a relação percentual entre a população ocupada e a populaçãototal.A figura, abaixo, mostra cada uma das partes da população de um país, definidas acima. 8
  9. 9. população dependente estudantes e domésticos desempregados população ocupadaOs economistas consideram que há uma relação inversa entre o desemprego e ocrescimento do produto. Assim, se a produção cresce, o desemprego cai e se aprodução cai, o desemprego aumenta. Existe a chamada lei de OKUN (devida aoeconomista Arthur Okun), pela qual cada 3 pontos percentuais de crescimento do PIB,acima de um piso natural de 4%, resultaria em diminuição de 1% na taxa dedesemprego.Aproveitando um exemplo numérico apresentado por Dornbusch, suponhamos que umaeconomia tenha uma meta de diminuir sua taxa de desemprego de 7,5 para 5%, numperíodo de 4 anos. Sabendo-se que essa economia necessita crescer anualmente nomínimo 4%, qual a taxa de crescimento requerida do PIB em cada um dos próximos 4anos? Cálculo: 4% + (7,5% - 5%) .3 = 5,88% 4As estatísticas sobre desemprego, no Brasil, são divergentes. Elas são medidas peloInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e pelo Departamento Intersindicalde Estatística e Estudos Sócioeconômicos- DIEESE. A razão da divergência está nadiferença de metodologia de pesquisa empregada. Dentre as principais diferenças, tem-se:a) O IBGE, por recomendações da Organização Internacional do Trabalho- OIT, medeapenas o desemprego aberto, que abrange as pessoas sem ocupação e sem rendimento,que procuraram trabalho efetivamente nos trinta dias anteriores à pesquisa, e nãotenham trabalhado nos últimos sete dias. A pesquisa abrange as regiões metropolitanasde São Paulo, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador;b) O DIEESE amplia para 12 meses o período de procura de trabalho e incorporaaqueles que estão procurando emprego mas exercem alguma atividade irregular e combaixa jornada de trabalho (“trabalho precário”);c) O DIEESE incorpora aqueles que não procuraram emprego nos últimos 30 dias mas ofizeram no último ano (desemprego oculto por desalento). Para o IBGE essas pessoassão enquadradas como inativas e excluídas da população economicamente ativa;d) As pessoas que exercem atividades não remuneradas em organizações beneficentes eque não procuram trabalho são consideradas ocupadas pelo IBGE e inativas peloDIEESE; 9
  10. 10. e) As crianças de 10 a 14 anos são incluídas na População em Idade Ativa peloDIEESE, e não incluídas pelo IBGE.Observe a questão a seguir:1- (Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do MPOG, 2002) Arelação entre crescimento e variações na taxa de desemprego é conhecida como:a) Lei de Wagnerb) Lei de Okunc) Lei de Walrasd) Lei de Saye) Lei de GreshamComentário: A teoria econômica incorpora uma série de princípios descobertos pelapesquisa e revelados pela observação, que são denominados de leis pela suaimportância.A lei de Wagner é estudada em Finanças Públicas, e está associada à observação de queo crescimento da renda de um país provoca crescimento mais do que proporcional nasdespesas públicas, fenômeno causado pela demanda crescente de serviços públicospela população.A Lei de Okun, que se refere ao desemprego, é resultado da constatação de que umaredução de 1% na taxa de desemprego estaria associada a um aumento na produção decerca de 3%.A lei de Walras é estudada em Microeconomia e diz respeito às condições e aomecanismo que leva ao equilíbrio geral de uma economia, quando os agentesconsumidores e produtores, depois de encontrarem seus níveis de equilíbrio específico,tendem a encontrar um nível de equilíbrio simultaneamente nos dois mercados.A lei de Say é um enunciado macroeconômico clássico que garante que a oferta gerasua própria procura, fato que explicaria a situação de inexistência de desemprego nolongo prazo.A lei de Gresham é um princípio estudado em Teoria Monetária, e diz que a moedamá, ou seja, a considerada de menor valor, expulsa a moeda boa de circulação, pois osdetentores preferem reter a moeda de maior valor e utilizar somente a má para astransações.Gabarito: b.O estudo do desemprego está associado aos conceitos de produto efetivo e produtopotencial.Produto potencial é o valor do produto que resultaria da utilização de todos os recursosde que uma economia dispõe. Esses recursos são a sua população economicamenteativa, o estoque de todo seu capital, os recursos naturais etc. Produto efetivo é o valordo produto que resulta da efetiva utilização de recursos da economia, que pode serrealizada no todo ou em parte. 10
  11. 11. O gráfico ao lado mostra a curva depossibilidades de produção da economia. YA curva determina o máximo que pode serproduzido de dois bens, X e Y. No ponto A,por exemplo, são produzidas as quantidades Y1 AX1 e Y1, dada a limitação de recursos disponíveis.Esse é o produto potencial.Se a economia, no entanto, está produzindo Y2 Bno ponto B, com as quantidades X2 e Y2, ela nãoutiliza todos os recursos de que dispõe. Esse é oproduto efetivo da economia. 0 X2 X1 XA diferença entre o produto potencial e o produto efetivo denomina-se hiato deproduto. Esse hiato corresponde a desemprego de recursos. Hiato de produto = produto potencial – produto efetivoPor que o produto efetivo é normalmente menor do que o produto potencial? Amacroeconomia estuda as causas dessa diferença.O gráfico ao lado mostra como evoluemo produto potencial (PP) e o produto efetivo (PE)ao longo do tempo. Ambos tendem a crescer, PPmas de forma diferente. O produto potencial PEevolui como uma linha reta, e o seu crescimentodepende do crescimento da população, do estoquede capital e da tecnologia. Enquanto isso, o produtoefetivo, embora também tenda a crescer ao longodo tempo, o faz de modo menos regular. 0 tEnquanto a evolução do produto potencial está ligado a fatores estruturais daeconomia, e portanto sujeito a modificações que ocorrem a um prazo mais longo, oproduto efetivo é determinado por fatores conjunturais, que ocorrem no curto prazo.Quando a produção efetiva é menor do que a potencial, diz-se que há capacidadeprodutiva ociosa.A tendência normal de um país é de crescer de acordo com a sua capacidade produtiva,isto é, conforme crescem a sua população, o estoque de capital e a tecnologia. O produtoefetivo, no entanto, está sujeito a instabilidades, causadas principalmente por:a) política econômica do governo;b) estímulos positivos ou negativos dos agentes econômicos (situação política,expectativas otimistas ou positivas etc);c) eventos fortuitos (clima, guerras, convulsões sociais etc). 11
  12. 12. A conjuntura econômica determina a maior ou menor expansão do produto, e inclusivea sua diminuição. Os estudiosos do comportamento do produto costumam dizer que aeconomia atua em ciclos, os chamados ciclos econômicos, que apresentam uma certaregularidade, e as seguintes etapas:a) recessão: diminuição mais suave da produção e do emprego. Costuma-se identificaruma recessão quando o produto cai por dois trimestres consecutivos.b) depressão: aprofundamento da recessão, isto é, a queda da atividade diminui a níveisbem mais baixos.c) recuperação: retomada do aumento da atividade. Há um crescimento em relação aosníveis imediatamente anteriores.d) prosperidade: aumento das taxas de crescimento do produto e do emprego.A economia sempre apresenta problemas. Se a recessão e a depressão vêmacompanhadas de desemprego, a recuperação e a prosperidade trazem consigo osaumentos de preços, isto é, a inflação. Esses problemas são estudados através da teoriamacroeconômica.Outras questões:2- (Provão, 1999) O hiato de produto, que é a diferença entre o produto potencial e oefetivo, é negativo quando a economia:a) está em recessão. b) está em depressão.c) inicia seu processo de recuperação. d) atinge o pleno emprego.e) supera o produto de pleno emprego.Comentário: o produto potencial de uma economia é o valor dos bens e serviços queessa economia pode produzir em cada ano se utilizar todos os recursos de que dispõesob a forma de trabalho, capital e recursos naturais. Esse conceito leva em conta queexiste uma certa taxa de desemprego, denominada “natural” ou estrutural, que defineum produto considerado de pleno emprego. Enquanto isso, o produto efetivo é o valorproduzido de acordo com as decisões das empresas produtoras, e que depende de fatorescomo a demanda agregada. A diferença entre o produto potencial e o produto efetivo,denominado hiato de produto, se positivo, representa uma perda de produto e uma nãoutilização de todos os recursos de que a economia dispõe. Esse hiato também pode sernegativo, pois uma economia pode ultrapassar o seu potencial quando a taxa dedesemprego fica momentaneamente abaixo de seu nível natural, em razão de situaçõesde demanda que pressionam a oferta agregada da economia.Gabarito e.3- (Consultor Legislativo do Senado Federal, 2002) Julgue os itens a seguir:a) A taxa natural de desemprego é aquela que prevalece quando a economia estáproduzindo ao nível de seu produto potencial. 12
  13. 13. Comentário: cada economia tem a sua taxa natural de desemprego, definida comoaquela que prevalece a longo prazo em razão de fatores estruturais de sua economia,embora possa variar para mais ou para menos no curto prazo. Essa taxa corresponde aoproduto potencial da economia, mesmo que seja uma taxa diferente de zero. Aexplicação para essa taxa natural está em quarto fatores: o desemprego friccional,constituído pela parcela da força de trabalho que está saindo de um emprego e sedirigindo a um outro; a legislação salarial, que pode fixar níveis mínimos de saláriosque inibam uma maior procura de trabalhadores por parte das empresas; os níveis deseguro desemprego, que podem desestimular a maior oferta de trabalho por parte dostrabalhadores; e os encargos salariais, que oneram a folha de pagamento das empresas.Gabarito: Verdadeiro.b) De acordo com a Lei de OKUN, se a taxa de desemprego aumentar em 4%, o produtonacional bruto (PNB), em termos reais, será reduzido na mesma proporção.Comentário: a Lei de Okun é uma relação aritmética entre variação no desemprego evariação no PIB. Parte-se do suposto que quando um país cresce, aumentando aprodução, certamente que o número de trabalhadores desocupados cai e essa lei é oresultado do trabalho estatístico que chegou à relação entre essas taxas. No livro doprof. Dornbusch, essa relação é de 3 por 1, isto é, para cada diminuição no emprego de1% a economia tem de crescer 3%. No livro do prof. Mankiw, a variação do PIB real éigual à expressão: 3% - 2 x taxa de desemprego. Um exemplo: para uma diminuiçãode 1% na taxa de desemprego, tem-se que a variação necessária do PIB real é de: 3% - 2x (-1) = 5%. Isto é, para o desemprego cair em 1%, a economia tem que crescer 5%.Gabarito: Falso.4- (Analista de Orçamento Federal, 1997) Quando uma economia não estátrabalhando na sua curva de possibilidades de produçãoa) há perfeita flexibilidade dos preços;b) o progresso tecnológico é neutro;c) o custo de oportunidade de aumentar a produção é nulo;d) a oferta de fatores de produção é inelástica;e) deve fechar-se ao comércio exterior.Comentário: A curva de possibilidades de produção é uma representação gráfica daslimitações de uma economia em termos de quantidade de recursos de que dispõe paraproduzir. Observe o gráfico da curva, que mostramos anteriormente. Se uma economiaproduz sobre a curva, como no ponto A, produz em seu potencial, ou seja, paraproduzir mais do bem X tem de produzir menos do bem Y, e vice-versa. Qualqueraumento de produção gera, portanto, um custo de oportunidade, definido como a percade produção correspondente à utilização dos recursos em outra atividade. Mas se aeconomia não está sobre a curva, como no ponto B, qualquer aumento de produção podeser realizado sem o sacrifício do outro bem, pois há recursos ociosos. Nesse caso, diz-se que o custo de oportunidade é nulo.Gabarito c.5- (Analista de Controle Externo do Tribunal de Contas do DF, 2002) A escolha emsituação de escassez, as interações entre o governo e os mercados privados, bem como 13
  14. 14. as questões ligadas ao meio ambiente, são pontos relevantes para a análise dosfenômenos econômicos. A esse respeito, julgue o item a seguir.“Políticas de incentivos fiscais que estimulam o crescimento da poupança contribuempara deslocar, para cima e para a direita, a fronteira de possibilidades de produção daeconomia. .”Comentário: a fronteira de possibilidades de produção é, como o nome diz, opotencial produtivo de uma economia, ou seja, o máximo que uma economia podeproduzir dada a quantidade de recursos disponíveis. Esses recursos são físicos e nãofinanceiros, ou seja, constitui-se da quantidade de trabalho, recursos naturais, capital,tecnologia e a capacidade empresarial do país. Certamente que o crescimento dapoupança pode concorrer para uma expansão da capacidade produtiva, na medida emque esses recursos desviados do consumo forem aplicados, por exemplo, em produçãode novos equipamentos, inovações tecnológicas e aperfeiçoamento da mão de obra.Gabarito: Verdadeiro. YO crescimento da poupançafaz deslocar a curva depossibilidades de produçãopara a direita. X1.5. PIB Nominal e PIB RealO PIB é uma medida do desempenho e do bem-estar econômico de uma nação. Ele éigual ao somatório dos valores de todos os bens produzidos em determinado período.Denomina-se PIB nominal, o valor do PIB a preços correntes, isto é, do próprio ano, ePIB real, o valor do PIB aos preços relativos a outro ano. O PIB real é também definidocomo o PIB a preços constantes, pois é utilizado para se fazer uma comparação dedesempenho, sem a influência da variação de preços ocorrida entre os anos. Vamos aum exemplo: Quantidade (ton) Preços (R$/kg) Ano carne feijão carne feijão 1 20 30 1,00 0,50 2 25 32 1,20 0,70Cálculos dos PIB nominais (em R$1.000,00): Ano 1 = Σ p1.q1 = 20 x 1,00 + 30 x 0,50 = 20 + 15 = 35 Ano 2 = Σ p2.q2 = 25 x 1,20 + 32 x 0,70 = 30 + 22,4 = 52,4Considerando-se o ano 1 como base, o índice do PIB nominal do ano 2 é igual a Σp2.q2 / Σ p1.q1 = 52,4 / 35 = 1,4971 14
  15. 15. Variação do PIB nominal: ( Σ p2.q2 / Σ p1.q1 ) – 1 = (52,4 / 35) –1 = 0,4971 = 49,71%.Como se pode observar, o crescimento nominal considera as variações das quantidadese dos preços. Para medir a variação do bem-estar econômico do ano 1 para o ano 2,devemos ignorar a evolução dos preços. Calculemos, então, o PIB de cada anoconsiderando os preços constantes do ano 1, ou seja, os PIB reais. Cálculos dos PIB reais (em R$1.000,00): Ano 1 = Σ p1.q1 = 35 Ano 2 = Σ p1.q2 = 25 x 1,00 + 32 x 0,50 = 25 + 16 = 41Considerando-se o ano 1 como base, o índice do PIB real do ano 2 é igual a Σp1.q2 / Σ p1.q1 = 41 / 35 = 1,1714Esse índice é conhecido como índice de quantidade de LASPEYRES.Variação do PIB real: ( Σ p1.q2 / Σ p1.q1 ) – 1 = (41 / 35) – 1 = 0,1714 = 17,14%.Tem-se que: Índice nominal = Índice real x Índice de preçosDaí que: Índice de preços = Índice nominal / Índice realEntão, o índice de preços é igual a: 1,4971 / 1,1714 = 1,2780E a variação de preços é: 1,2780 – 1 = 0,2780 ou 27,8%Esse índice de preços também é denominado de Deflator Implícito de Preços, ecorresponde ao índice de preços de PAASCHE. Ano PIB Deflator do PIB nominal Real Índice variação (%) 1 35 35 1,00 - 2 52,4 41 1,278 27,8Voltando à igualdade ”Índice nominal = Índice real x Índice de preços“, tem-se queÍndice real = Índice nominal / Índice de preços, isto é, pode-se calcular a variação realou de quantidade da economia, dividindo-se o índice nominal pelo índice de preços.Isso significa deflacionar-se um valor. Consideremos a seguinte tabela: Anos PIB Variação Variação dos preços Índice de PIB real nominal Nominal (%) preços (%) Anual acumulada acumulado valor ∆ (%) 1 150 - - - 1,00 150 - 2 165 10 8 8 1,08 152,8 1,9 3 198 20 22 31,76 1,3176 150,3 - 1,6 4 227,7 15 12 47,57 1,4757 154,3 2,7 5 239,08 5 10 62,33 1,6233 147,3 - 4,5Observações: 15
  16. 16. a) O cálculo da coluna de “Variação Nominal” resulta da variação do PIB nominal decada ano em relação ao ano anterior. Por exemplo, a variação nominal de 1996 emrelação a 1995 é igual a (198 / 165 ) – 1 = 0,20 ou 20%.b) A coluna do PIB real é obtida dividindo-se o PIB nominal de cada ano pelorespectivo índice acumulado de preços. Nesse caso, deflaciona-se cada valor do PIBnominal a fim de que os preços permaneçam constantes ao ano de 1994. Por exemplo, oPIB real referente a 1998 é igual a 239,08 / 1,6233 = 147,3.c) A coluna de variação do PIB real deve ser comparada com a do PIB nominal. Nessecaso, verifica-se, por exemplo, que nos anos 3 e 5, apesar de crescimentos nominaispositivos, os crescimentos reais foram negativos. A explicação para essa diferença estánas variações de preços, que foram superiores às variações do PIB nominal em cada umdesses anos.Algumas questões:1- ( Economista da Petrobrás Distribuidora, 1997) Considere uma economia comapenas dois produtos finais A e B e analise as informações de vendas em bilhões dereais e preços para estes produtos, para dois anos, que estão no quadro abaixo: Ano Quantidade do Preço do bem A Quantidade do Preço do bem B bem A bem B 1 200 10 1.000 6 2 1.500 2 1.500 10Sendo assim, a variação percentual do PIB real, entre os anos 1 e 2, utilizando o ano 1como base, é de:a) 115% b) 125% c) 200% d) 225% e) 300%Comentário: Pode-se calcular a variação do PIB em termos nominais ou reais. Avariação nominal é a preços correntes, enquanto que a variação real considera os preçosconstantes para que se conheça a variação da produção em termos físicos, que dá aefetiva dimensão do esforço realizado no ano. O PIB é igual ao somatório dos valoresdos bens produzidos em cada ano. Assim, tem-se:Cálculo do PIB nominal de cada ano: ano 1: Σ p1.q1 = 200 x 10 + 1.000 x 6 =8.000; ano 2: Σ p2.q2 = 1.500 x 2 + 1.500 x 10 = 18.000. A variação em termosnominais é igual a : (18.000 / 8.000) = 2,25 ou 125%.Cálculo do PIB real de cada ano (consideramos constantes os preços do ano1): ano 1:Σ p1.q1 = 200 x 10 + 1.000 x 6 = 8.000; ano 2: Σ p1.q2 = 1.500 x 10 + 1.500 x 6 =24.000; a variação em termos reais é igual a : (24.000 / 8.000) = 3,00 ou 200%.Gabarito: c.2- (Auditor-Fiscal da Receita Federal, 2000) Considere uma economia hipotética queproduza apenas 3 bens finais: arroz, feijão e carne, cujos preços (em unidadesmonetárias) e quantidades (em unidades físicas), para os períodos 1 e 2, encontram-sena tabela a seguir: 16
  17. 17. período arroz feijão carne preços quant. preços quant. preços quant. 1 2,20 10 3,00 13 8,00 13 2 2,30 11 3,50 14 15,00 8Considerando que a inflação utilizada para o cálculo do produto real agregado dessaeconomia foi de 59,79% entre os dois períodos, podemos afirmar quea) o produto nominal cresceu 17,76%, enquanto o produto real cresceu apenas 2,26%.b) o produto nominal cresceu 12,32%, ao passo que não houve alteração no produtoreal.c) o produto nominal cresceu 17,76%, enquanto o produto real caiu 26,26%.d) o produto nominal cresceu 15,15%, enquanto o produto real caiu 42,03%.e) o produto nominal cresceu 15,15%, enquanto o produto real caiu 59,79%.Comentário: o produto nominal é igual à soma dos valores da produção de cada umdos itens (arroz, feijão e carne) do ano, aos preços correntes, isto é, do mesmo ano.Assim, tem-se que o produto no período 1 é igual a: Σ p1.q1 = 2,20 x 10 + 3,00 x 13 +8,00 x 13 = 165; e o produto nominal do período 2 é igual a: Σ p2.q2 = 2,30 x 11 + 3,50x 14 + 15,00 x 8 = 194,30. Assim, o crescimento nominal é igual a 194,30 / 165 =1,1776 ou 17,76%. Enquanto isso, vimos acima na teoria que o índice de variaçãonominal é igual ao índice da quantidade (ou real) vezes o índice de preços.Substituindo-se, tem-se: 1,1776 = índice real x 1,5979, donde índice real = 0,7370, ouseja, uma queda real de 26,30%.Gabarito: c.3- (Auditor-Fiscal da Receita Federal, 2002) Suponha uma economia hipotética queproduza apenas 2 bens finais A e B. Considere a tabela a seguir: Ano Bem A Bem B preço quantidade preço quantidade 1 2,00 10 3,50 15 2 2,50 12 4,83 10Com base nessas informações e utilizando-se do índice de preços de Laspeyres, écorreto afirmar que, entre os períodos 1 e 2,a) o produto nominal apresentou uma variação positiva de 8% e o produto real nãoapresentou variação.b) o produto nominal apresentou uma variação positiva de 12% e o produto real umavariação negativa de 19,65%, aproximadamente.c) o produto nominal apresentou uma variação positiva de 8% e o produto real umavariação negativa de 8,33%, aproximadamente. .d) o produto nominal apresentou uma variação positiva de 8% e o produto real umavariação positiva de 2,5%.e) o produto nominal apresentou uma variação positiva de 8% e o produto real umavariação negativa de 19,65%, aproximadamente. 17
  18. 18. Comentário: o produto nominal, em cada ano, é calculado somando-se os valoresproduzidos de cada produto, A e B, multiplicando-se preços e quantidades. Assim, oproduto nominal em cada um dos anos é igual a: ano 1 = Σ p1.q1 = 2,00 x 10 + 3,50 x 15= 72,50; ano 2 = Σ p2.q2 = 2,50 x 12 + 4,83 x 10 = 78,30. A variação nominal é igual a(78,30 / 72,50) – 1 = 8%.Para se calcular a variação do produto real, determina-se o produto real do ano 2,mantendo-se os preços do ano 1, conforme o índice de preços de Laspeyres: 2,00 x 12 +3,50 x 10 = 59. O produto real do ano 2 foi, portanto, inferior ao produto nominal doano 2, o que significa ter havido uma queda real no produto, que é igual a (59 / 72,50) –1 = - 19,62%. Opção e.1.6. O produto ou renda per capitaQuanto maior o valor do produto, maior deve ser o desempenho de uma economia e,portanto, maior deve ser o seu bem-estar. Mas a população normalmente também estácrescendo, de tal maneira que é preciso verificar se está havendo um aumento efetivode bem-estar para cada um dos componentes da sociedade. Nesse caso, utiliza-se comoindicador o produto (ou renda) per capita.PIB per capita = PIB real / PopulaçãoVejamos a seguinte tabela: Ano PIB real População PIB per capita $ milhões variação Mil variação $ variação habit. 1 150 - 200 - 750 - 2 162 8% 210 5% 771,4 2,9% 3 167 3% 220,5 5% 757,4 -1,8%O quadro mostra que, apesar de a economia ter crescido em termos reais de 8% no ano2, o crescimento da renda per capita foi de apenas 2,9%, em virtude de o crescimentopopulacional ter sido de 5%. Já no ano 3 a renda per capita cai, pois o PIB realaumentou menos (3%) do que a população.A renda per capita é o padrão mais usado para medir o desenvolvimento econômico deuma nação. Mas assim como a mensuração do PIB tem aspectos que devem serconsiderados, a renda per capita deve servir com as mesmas precauções, dentre as quaisdestacam-se:- o grau de desigualdade na distribuição da renda;- a taxa de analfabetismo;- a expectativa de vida;- o grau médio de instrução.O PIB no Brasil em 2004 foi calculado em cerca de R$ R$ 1.716 bilhões. Dada apopulação de 190 milhões de habitantes, a renda per capita foi de cerca de R$ 9.031.1.7. Estoques e fluxos 18
  19. 19. Denomina-se variável “fluxo” aquela que é medida por período de tempo. Comoexemplos, tem-se a produção de aço por ano, a produção de batata por mês, o númerode automóveis que estacionam em um shopping por hora, a vazão de um rio por minutoetc. Enquanto isso, denomina-se variável estoque aquela que é medida num ponto dotempo. Como exemplos, tem-se o estoque de soja nos armazéns governamentais, asreservas de divisas de um país, o número de carros estacionados em determinadomomento em um shopping, o número de alunos que está neste momento assistindo auma aula etc.Existem relações importantes entre diversos fluxos e estoques na economia. Vamos aalguns exemplos:- Investimento e Capital: a despesa de investimentos é um fluxo que concorre para oaumento do estoque de capital. A despesa com novas máquinas, a construção de novosprédios, fábricas e estradas fazem com que o estoque ou o patrimônio de um paísaumente. Fazendo K o estoque atual de capital e I o fluxo de investimento emdeterminado período, tem-se: K = K –1 + Ionde K –1 é o estoque de capital do período anterior. A expressão indica que o estoquede capital do período corrente é igual a de capital do período anterior, mais o fluxo deinvestimento corrente. Como o capital sofre um processo de desgaste ou obsolescência,conhecido como depreciação (d), tem-se que: K = K –1 + I – donde I é o investimento bruto e I – d o investimento líquido.Pode-se fazer: K - K –1 = I – d onde a variação do estoque de capital é igual ao investimento líquido. - Patrimônio e poupança: W – W –1 = S onde a variação do estoque patrimonial ou patrimônio (W) é igual ao fluxo de poupança (S). - Reservas Internacionais e saldo do balanço de pagamentos: RI – RI –1 = SBP, onde a variação dos estoques ou das reservas internacionais do país (RI) é igual ao saldo do balanço de pagamentos (SBP). 19
  20. 20. - Dívida e déficit público: DIV PUB – DIV PUB –1 = DEF PUB onde a variação da dívida pública (DIV PUB) é igual ao déficit público (DEF PUB). Algumas questões:1- (Analista do Banco Central do Brasil, 1998) Na teoria econômica, muitas vezes éoportuno classificar as variáveis como sendo do tipo “estoque“ ou “fluxo”. Tomandocomo caso os conceitos de dívida e déficit público, pode-se dizer quea) A dívida pública pode ser considerada como uma variável do tipo “fluxo”, enquantoo déficit público pode ser considerado como uma variável do tipo “estoque“.b) A dívida pública pode ser considerada como uma variável do tipo “estoque“,enquanto o déficit público pode ser considerado como uma variável do tipo “fluxo”.c) Tanto a dívida pública quanto o déficit público são variáveis “fluxo”.d) Tanto a dívida pública quanto o déficit público são variáveis “estoque“.e) Dependendo do enfoque, tanto o déficit quanto a dívida pública podem serconsiderados variáveis “estoque“ ou variáveis “fluxo”.Comentário: as variáveis econômicas são do tipo "estoque", quando medidas numponto do tempo, ou do tipo "fluxo", quando medidas em um período de tempo. Porexemplo, o número de trabalhadores em uma empresa, a quantidade de máquinas, adívida de empréstimos perante os bancos, o valor dos ativos em geral, são variáveis"estoque". Enquanto isso, o número de trabalhadores que ingressaram em uma empresaem uma determinada semana, o valor dos equipamentos depreciados em um mês, oslucros gerados em um semestre etc., são variáveis "fluxo". Nesse sentido, como odéficit público é medido em um período de tempo é do tipo "fluxo" e a dívida pública,avaliada em determinado momento do tempo e resultante da acumulação desses déficits,é do tipo "estoque".Gabarito: b.2- (Auditor-Fiscal da Receita Federal, 2000) Pode-se dividir as variáveismacroeconômicas em duas categorias: variáveis “estoque” e variáveis “fluxo”. Assim,podemos afirmar quea) a renda agregada, o investimento agregado, o consumo agregado e o déficitorçamentário são variáveis “fluxo”, ao passo que a dívida do governo e a quantidade decapital na economia são variáveis “estoque”.b) a renda agregada, o investimento agregado, o consumo agregado e o déficitorçamentário são variáveis “estoque”, ao passo que a dívida do governo e a quantidadede capital na economia são variáveis “fluxo”.c) a renda agregada, o investimento agregado, o consumo agregado e a dívida públicasão variáveis “fluxo”, ao passo que o déficit orçamentário e a quantidade de capital naeconomia são variáveis “estoque”.d) o investimento agregado, o consumo agregado e a dívida pública são variáveis“fluxo”, ao passo que a renda agregada, o déficit orçamentário e a quantidade de capitalna economia são variáveis “estoque”.e) a renda agregada e o déficit orçamentário são variáveis “fluxo”, ao passo que oconsumo agregado, o investimento agregado, a dívida pública e a quantidade de capitalna economia são variáveis “estoque”.Comentário: as variáveis econômicas podem ser classificadas em variáveis fluxo(quando são medidas em um período de tempo) e em variáveis estoque (quando são 20
  21. 21. medidas em determinado ponto do tempo. A renda, o investimento, o consumo e odéficit são medidos em um determinado período, por exemplo um mês (variáveis fluxo).Enquanto isso, a dívida do governo e a quantidade de capital são medidas emdeterminado ponto do tempo (variáveis estoque).Gabarito a.Bons estudos. 21

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