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402                             A CONSTlIVI<;AO DA SOClEDADE                                                              ...
r   404                            A CONSTlTUlc;:10 DA SOCIEDADE                         A TEORlA DA ESTRUTURAc;:10       ...
406                              A COXSTITUI9AO DA SOC/EDADE                        A TEORlA DA ESTRUTURA<;jO             ...
408                            .A. CONSTI1UI<;AO D.A. SOOED.A.DE      .A. TEOl/l.A. DA. ESTRUTUJUl;io                     ...
410                                A COXSTITUI!;iO DA SOCIEDADE                                         A TEORIA DA. ESTRU...
"   412                               A CONSTlTUl<;AO DA SOClEDADE                                       A TEORJA DA ESTRU...
.4CONSTITUI9AOD.4S0aEDAD~,                     r    4,14    ~da social evidentemente ~ que as ~iencias sociais f;" c1, ~q~...
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08. giddens, anthony. a constituição da sociedade

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08. giddens, anthony. a constituição da sociedade

  1. 1. ,,- .I ~ " CC V U,J( 1./0 c fiCtL , , A CONSTITUI<;Ab ! I S DA SOCIEDADE ; Anthony Giddens 1 , i O.2J iI J - J a A, ". i::> T[;ldu~o ALVARO CABRAL ,J Martins FontesI sao Paulo 2003 _ _ 1 . . £
  2. 2. -~-----~,.~~~==--~~~~-~~~~~~- ~ .- I, 3 9 4 A CONS111UI(:AO DA SOCIEDADE A TEORIA. DA ESTRlJTUIU.(:AO 395 dores sociais devem estar atentos para os modos como os dados lie empirica observa96es relatadas e teorias a elas associadas. quantitativos slio produzidos. Pois, diferentemente do movi- Como SChutz e muitos outros enfatizanun corretaInente, 0 ca- mento do men:Urio dentro de urn temlometro, os dados sociais niter critico cia cifulcia social nesse sentido afasta-se normal- nunca sao apenas urn "indicador"de urn fenomeno independen- mente, de uma forma deveras abrupta, das crencas e teorias em temente dado, mas -.~mpre, ao mesmo tempo, exemplificam {,v> uso incorporadas a conduta da vida social cotidiana Todos os aquilo de que "tratam"- isto e, processos de vida social. :cr , -,(.7 < (}, ~ . atores sociais, e possivel dizer-se com co~o, slio te6ricos so- ciais que a1teram suas teorias a luz de suas experiencias e sao *-0 -<~ receptivos a informa~o que chega, a qual pode ser por eles Conhecimento mutUo versus senso comum 0";;: SU" adquirida ao fazerem isso. A teoria social nao e, em absoluto, a A)> Q>6 provincia especial e isolada de pensadores academicos. En- E6bvio que apesquisa empirica falta um fundamento 16- ~Q h S . ~/ tretanto, os atores leigos estiio em geral preocupados, sobretudo, gico se ela niio gerar novos conhecimentos antes inexistentes ,;:," ~ .J com a I!tilidade pra!J:_a~:"(!!lb~citn~tl.to"(jue eles aplicam ou inacessiveis. Como todos os atores sociais vivem em con- Y ,, r em suas atividades cotidianas, e pode haver caraCleristicas basi- textos situados no interior de periodos mais vastos de tempo- - cas da organiza~ao institucional da sociedade (incluindo a ideo- espa~o, 0 que e novidade para alguns desses atores nao e para .f> o::" Jogia, mas mo limitadas a eta) que restrinjam ou distor~am 0 outros - incluindo, entre esses oUlros, os cientistas sociais. E, G l"; .. " que consideram ser conhecimento. evidentemente, nessas "lacunas de informa~o" que a pesquisa v~ ~" E certamente 6bvio que 0 "modelo revelador" da ciencia etnognifica tem sua importiincia especifica. Num sentido am- natural nao p.:>de ser diretamente transferido para as ciencias so- plo do termo, esse genfTO de pesquisa e expIanat6rio, porquanto ciais. As crencas ditadas pelo senso comum acerca do mundo serve para esclarecer enigmas apresentados quando individuos ,.r , natural slio corrigiveis aluz das descobertas das ciencias natu- de urn cenano cultural se encontram com os de um outro que, c"""G rais. Nao lui grandes dificuldades 16gicas para se entender 0 que em alguns aspectos, e·muito diferente. A pergunta "Por que e .s;:yV . esta acontecendo em tais circunstaocias, embora possa haver que eles atuam (pensam) como atuam (pensam)?" e um convite _ArJR, barreiras sociais ao acolhimento de ideias cientificas". Quer para ingressar num milieu culturalmente estranho eICompreen- 1Jl dizer, as crencas leigas estiio sujeitas a co~ao, na medida em de-I2JPara os que ja se encontram dentro desse mmeu, como que isso e necessario, pela entrada de novas teorias e observa- Winch e muitos outros assinalaram, essa miciativa pode nada .~ ~oes cientificas. Conforme enfatizei, as "descobertas" das cien- ter de inerentemente esclarecedor. Entretanto, muito da pesqui- . .."~ cias sociais mo s50 necessariamente novas para aqueles aos x. sa social, em termos do material empirico que gera e das inter- v; ( ~ " quais elas dizem respeito. . ,I" preta~es te6ricas a ela possivelmente vinculadas, tern conota- . ";.,,, }l • --r-"J As questi3es envolvidas aqui tornaram-se bastante nebulo- S·C~. ¢es criticas para as crencas sustentadas pelos agentes sociais. f~ v~ sas em conseqiiencia dos avan~os e recuos entre as formula~oes " ~, ::.:- , I Para investigar 0 que poderiam ser tais conota~, devemos con- ,( r9 _. },}" objetivistas e interpretativas da ciencia social. As primeiras fo- .". . ,I I }J" _ ,.-., I: siderar a questiio seguinte: em que sentido as ciencias sociais revelam novos conhecimentos e como tais conhecimentos pode- a ();Y <: • .. " .• : da aspropensas sociais. ISlOmodele revelador de cren~asdesinibi- ram ciencias a aplicar 0 e, consideraram as forma ditadas ,,. , , I rao ligar-se a critica da falsa cren~? Essas ouestoes sao com- :--- , pelo senso comum e envolvidas na vida social corrigiveis sem I plexas, e mo tentarei tratar aqui seniio de alguns de seus aspectos. ~. problemas, em fun~ao do esclarecimento que as ciencias sociais I Os esfo~s cruciais das ciencias sociais, como os da cien- <, _:,i podem fomecer. Entretanto, aqueles que sao influenciados pela I cia natural, estiio estreitamente ligados aEdcqua~ao 16g1ca c , : hermeneutica e pela filosofia da linguagem ordinaria estabe!e- , c rl.- qvl [I, C,Cc ; Ii ,A- i,Oo.r I " j 1:1 -~ .. ~.ii·_·L~iUC ...... " .. , ..
  3. 3. 41 396 A CONSTlTUI(:lO DA SOCIEDADE A TEORlA DA ESTRUTlJRA(:lO ceram poderosas obj~ a esse ponto de vista rudimentar. As cren~ ditadas pelo sensa comum, tal como foram incorporadas - que nlio fica ta06~~ 0 fato de que 0 ~ito peIa~lJi~: ,~,. dade da cren98 COnstitui uma parte necessaria de tolki;o tIaba-"" < ao usa da Iinguagem e aaeao CQtidianos, nao podem ser trata- Iho etnografico nas ciencias sociais.· Os ataquescoridU2i<1oi!" das como meros impedimentos para uma caracteriza,lio valida por aqueles influenciados pela fenomenologia e pela Ctnometo- ou veridica da vida social. Pois nlio podemos absolutamente des- • dologia contra as con~ mais ortodoxas de ciencla: sOcialI crever a atividade social sem conhecer 0 que seus atores consti- tiveram, sem duvida, consider.vel importlincia na elucidaciio dai! tuintes sabem, tanto discursiva quanta tacitamente. 0 empiris- mo e 0 objetivismo simplesmente suprimem toda a questlio gera,lio de descri,OeS sociais atraves do conhecimento mutu di natureza do conhecimentJUnUll!.o. Mas, ao falarem sobie "sensa comurn" ou termos equivalentes de modo difuso, eles nlio se- pararam analiticamente a questao metodol6gica da questao cri- que observadores sociol6gicos e membros leigos da sociedad tica. Ao fazer a distineao entre conhecimento mUtuo e senso tern em comurn". 0 problema consiste em que, tendo chegado comum, e meu intuito reservar 0 segundo conceito para referlr- a essa conclusao, aqueles que advogam formas interpretativas da asme cren98s proposicionais implicitas na conduta das ativida- ciencia social acham dificil ou impossivel manter aquela agu- e des cotidianas. A distineao predominantemente analitica; quer deza critica na qual 0 tipo oposto de tradi,3o corretamente in- dizer, 0 senso comurn e conhecimento mutuo tratado como sistiu ao justapor ciencia social e senso comum. As tarefas da cren,a falivel, nlio como conhecimento. Entretanto, nem todo CienCla social parecem, pois, limitadas precisamente iI etnogra- (.."}-Q conhecimento mutuo pode expressar-se como creII98 proposi- fia - ao esfof90 hermeneutico da "fuslio de horizontes"<I. Uma u~ cional- =98 em que se trata de certos estados de coisas e MO tal paralisia da vontade critica e logicamente tao insatisfat6ri: . / , . ,-,. " de outros. Alem disso, nem todas essas cren,as podem ser dis- quanto 0 usa desordenado do modele revelador. 7 ~ CL;~C ~ ", ~ursivamente formuiadas por aqueles que as alimentam. Uma saida para esse impasse pode ser encontrada se dis- ,-,,C IJ. . I, ;. r;<" Distinguir entre conhecimentn mutuo e sensa comurn MO tinguirmos 0 conhecimento mutuo do "sensa comurn"". 0 pri- - , J " ,subentende que urn e outro sejam fases de estudo de fiicil sepa_ meiro refere-se ao necessario respeito que 0 analista social deve - , , raeao na pesquisa social. Em primeiro lugar, a linguagem des- critiva usada por observadores sociol6gicos e sempre mais ou / ter pela autenticidade da cren98 ou pela entree hermeneutica na descrieao da vida social. "Necessario" tern, na frase acima, for- menos diferente da usada por atores sociais leigos. Aintrodu- 98 l6gica A raziio por que, caracteristicamente, faz mais sentido ,lio da terminologia cientifica social pode (mas nlio necessa- ~, falar de "conhecimento", em vez de "cren98", quando se fala riamente) por em duvida cren,as discursivamente formuladas do modo como os atores descobrem seu caminho nos contextos - (011, quando ligadas nurn conjunto, "teorias em uso") que os da vida social, esta em que a geraeao de descri,oes requer a pa- ... (~ " atores sustentam. Quando as descri,Oes contestadas ja sao em- rentetizaeao do ceticismo". As cren,as, taticas e discursivas, , ., . ;-, pregadas pelos agentes estudados, qualquer outra apresentada tern de ser tratadas como "conheciment~" quando 0 observadQI,- , ,r0 por observadores, mesmo usando categorias de atores, e direta- esta atuan.do no plano metodol6gico de caracteriza,lio da a,li~ v mente critica de outras tenninologias existentes que poderiam o conheclIIlento mutuo, encarado com 0 modo necessario de ter sido usadas, 0 que de uma perspectiva e urn "movimento de obter acesso ao "objeto de estudo" da ciencia social, nlio e cor- liberta,lio" podera ser urna "organiza,lio terrorista" de uma e rigivel i1luz de suas descobertas; pelo contrario, a condi,lio ontra. A escolha de urn termo em vez de outro implica, claro, e para se estar apto a apresentar "descobertas". uma postura definida por parte do observador. E menos ime- E devido ao fato de 0 conhecimento mutuo ser predomi- diatamente evidente que a escolha de um termo rnais "neutro" nantemente tacito - conduzido no nivel da consciencia pratica . ~ . tambem den uncia uma postura; seu usa indica ter sido assumi- ," ~ ,~"-.; ""(--- ....--: . !)J 1/ 0r- It
  4. 4. ;::;aWl xc. ** . . _.~- - --~--/(~,~~.biZ /~k4: .?98 ::::::::::~:~Oa:~:~~~li~e~~~jn~:~~ :;"~. A CONSTlTUlcAO DA SOC/EDADE cia pelo observador uma dist3ncia critica em rela9iio aos con- .ceitos usados pelos atores diretamente envolvidos. q~ente fimdamentadas. Mas essas impli~ sao especial- .i ;-"Em qualquer si~ de pesquisa pode haver cren~ acei- mente IDIjlOrtantes quando as cren~ em questio sao incorpo- Jas por participantes que se chocam tanto com as defendidas radas as raziies dos atores sociais para fazer 0 que fazem. pelo observador que este expressa sen distanciamento critico de- Apenas algumas das cre.~~as que os atores possuem ou profes- les, mesmo num estudo, sob todos os demais aspectos, pur..men- sam sao parte das raziies por eles apresentadas para sua condu- te emogritfico. Urn antropelogo nao sentin 0 menor receio em ta. Quando estas sao submetiaas it critica, it luz das afuma~iies afrrmar: "Os X obtem suas safras procedendo it semeadura em ou descobertas da ciencia social, 0 observador social esta pro- todos os outonos~, na medida em que e urn conhecimento mutuo curando demonstrar que elas nao sao boas. entre ele e os membros da cultura X que a semeadura numa A identifica~o das raziies dos agentes eslit normalmente epoea apropriada do ano produzira uma determinacla safra. Mas ligada, de modo~probJe11laS hermeneuticos criados esse mesmo antropologo podeni dizer. "Os X acreditam que sua pela gera~o de"eonhecimen!o. !1~.t!5..sendo assim, cumpre dis- dan93 ritual provocani chuva~, indicando a existencia de urna di- ~ ... if tinguir 0 que chamarei de "criterios de credibilidade~ dos "cri- yergencia entre 0 que ele e os membras da cultura X acreditam :J ,-{ terios de validade~ peninentes it critica de raziies como boas ser as condi9iies necessitrias para a ocorrencia de chuva". " raziies. Os criterios de credibilidade referem-se aos de carater vJ Os exemplos mencionados no panigrafo acima indicam .vA> I~ hermeneutico usados para indicar como a apreensao das raziies que ate mesmo a pesquisa social puramente emognifica - isto }-9 rJ I I dos atores elucida exatamente 0 que eles estio fazendo it luz e, ~ pesquisa que respeita a meta 1imitada da reportagem des- i ,~ dessas razOes. Os critenos de validade refe~os de eviden- critiva - e propensa a ter um momento critico. Embora nilo com- cia fatual e entendimentv teorico empregados pelas ciencias prometa a distin9iio logica entre conhecimento mutuo e senso sociais na avalia~o de raziies como boas raziies. Considere-se comum, isso significa especificar mais diretamente 0 que eslit , 0 caso famoso da:s-~s-ve;"elhas, muito discutldo na litera- envolvido nesse momento critico, que em outros tipos de pes- tura antropologica. Os Bororo do Brasil Central dizem: "Nos quisa e geralmentc desenvolvido de modo mais direto. somos araras vermelhas: Debatida por Von den Steinen, Dur- Devo enfatizar neste ponto as dimens6es modestas da dis- kheim e Mauss, entre outros, essa afirma9ao pareceu a muitos cussao q::e se segue. Analisar logicameme 0 que eslit envolvi- absurda ou henlieneuticamente impenetritveL A questio foi, do na acurnula~o de conhecimento mutuo e na critica da eren- porem, recentemente tratada por um antrop6logo que !eVe a opor<- ~a ditada pelo senso comurn suscita questiies de epistemologia tunidade de reinvestigar 0 assunto na fonte, entre os Bororo". que nilo caberia discutir aqui exaustivamente. As ideias que de- Ele apurou que: a declara~ao e feita unicamente pelos homens; senvolverei na sequencia pretendem fomecer apenas urn delinea- as mulheres Bororo tendem a conservar araras vermelhas como mento geral, 0 qual pressupiie ~COnCeP9aO epistemologi~ seus anirnais de estima~ao; em vitrios aspectos, na sociedade defmida sem a levar ao detalhamento. Quero afIrnlar a existen- Bororo, os homens sao peculiarmente dependentes das mulhe- cia de dois sentidos em que a ciencia social e importante para a res; e 0 contato com os espiritos e feito por homens e araras critica das cren9as leigas interpretadas como senso comurn (0 vermelhas independentemente das mulheres. Parece plausivel que inelui a critica da ideologia, mas nao the confere prioridade inferir que "Nos somos araras vermelhas~ e urr.~ ceclara~o na especial). As atividades criticas em que os cientistas sociais se qual os homens comentam ironicamente sua divida para com envolvem, enquanto micleo de tudo 0 que fazem, trazem impJi· as mulheres e, ao mesmo tempo, afinnam su~erio­ ca~iies para as cren~as alimentadas pelos agentes, na medida em ridade espiritual diante delas. A investiga~a<> das raziies para a -......... -._-"-~ :W.fRh.UiKf,w o ",
  5. 5. --I 400 .A. CONSI1TUlt;AO D.A. SOClED.A.DE A TEORhI DA ESTRUTURAt;AO 401 I dec~ ser.teila ajuda a esclarecer a natureza desla.·A in- vesti~ileciiterios de credibilidade; com reIa~oa cren~ I / r;: . convincente (motivacional) na medida em que existe uma ra- z1io para a ~o. Quando ela informa sobre um segmento ou discursiVanlen1 fonnnladas, de qualqiler modo, depende quase aspecto de condula em rela~o ao mundo natural, mostrar que e sempre do .esclarecimeWo dos seguintes itens: quem as expres- faIsa levar.i 0 agente (ceteris paribus) a mudar seu comporta- • sa;:em que cin:unstancias, em que estilo discursivo (descri~o ) ) mento em quaisquer aspectos pertinentes. Se isso nao aconte- • literal; metafora,·ironia etc.) e com que motivos. . ce, a suposi9ilo e de que: otitras considera90es estiio preponde- A ava1ia~o decriterios de validade e govemada exclusi- (~ rando no espirito do agente; as imp1ica90es da falsidade da vamente pela conjun~o das criticas uintema" e "externa" ge- cren9a sao mal-interpretadas; ou 0 ator nao aceita, de fato, que rada pela ciencia sociaJ.. Quer dizer, os criterios de validade sao a falsidade tenha sido provada de forma convincente. Ora, sao os de critica intema que considero serem substancialmente cons- as cren9as sociais, nilo as relacionadas com a natureza, os ele- titutivos ·do que a ciencia social e. 0 principal papel desta no 0J": .mentos constitutivos daquilo de que elas tratam. Segue-se dai tocante it critica do senso comum esti na avalia~o de razoes r_1Iv /" i que a critica da falsa cren9a (ceteris paribus) e uma interven- como boas razOes em termos do conhecimento simplesmente rao prtitica na sociedade, urn fenomeno politico numa acep9ao inacessivel a agentes leigos ou inte;:prelado por estes de modo arnpla do termo.. diferente do formulado nas melalinguagens da teoria social. Como esse exarne da cren9a se relaciona com a assen;ao Nao vejo nenhuma base para duvidar de que os padrOes de cri- de que todos os atores competentes nao s6 sabem 0 que estao ticil intema nas ciencias sociais transfcrem-se diretamente para fazendo (sob uma descri9ao ou outra), mas devem faze-Io para acritica extema neste aspecto. Trala-se de uma afirma~o pe- a vida socialter 0 carater que tern? A pergunta podera ser mais rempt6ria, e e particularmente nesta conjuntura que se pressu- bern respondida por referencia a um exemplo concreto. Con- pOe um ponto de vista epistemol6gico especifico. Presume-se, sidere-se votar numa situa9ao de "uma pessoa, um voto". Tal e en presumo, ser possivel demonstrar que algumas arrrma90es pratica envolve claramente todos os eleitores potenciais saben- de cren~ sao falsas e outras verdadeiras, embora 0 que signifi- CP do 0 que e urn "voto", que s6 podem votar uma Unica vez e em ca "demonstrar", neste caSo, precise ser examinado com a mes- ,_,_.~. seu nome pessoal etc. Somente quando os participantes sabem ma minuciosidade quanto "falso" e "verdadeiro". Presume-se, , v· essas coisas, e atuarn de modo apropriado, podemos dizer que. e en presumo, que a critica interua - os exames criticos a que existe, realrnente, 0 sistema "uma pessoa, urn voto". Ate que·- os cientislas sociais submetem suas ideias e pretensas desco- ponto poder-se-a validamente dizer que esse fenomeno existe, bertas - einerente ao que a ciencia social e como esfor90 cole- se apenas uma certa propor9ao de pessoas tiver pleno conheci- tivo. Pretendo COrrer 0 risco de cair no desfavor dos filosofica- mento de que os conceitos pertinentes sao um problema her- . mente sofisticados afIrmando, sem mais delongas,que·susten- . meneutico? Dizer que os alore, "devem" saber de sua a9ao to a validade de lais pressuposi90es. Num diferente contexto, para que a VOta9ilo exista e especificar 0 que conta como des- porem, seria cIaramente necessario defender lais asser90es em cri9ilo valida da atividade. Entretanto, sem duvida, algumas pes- considenivel delalhe. soas envolvidas poderao ignorar 0 significado de votar ou to- Penso que e possivel demonstrar a existencia de uma rela- dos os procedimentos incluidos numa vota9ao, bern como a ~o nao-contingente entre provar a falsidade de uma cren98 e as influencia de seu ato no resultado da vota9ao. Generalizando, implica,.oes pniticas para a transforma~o da a9ao vinculada a poderiarnos dizer que quaisquer individuos podem cometer erros ela". Criticar uma eren9a significa (logicarnente) criticar qual- com rela9ao as coisas envolvidas em qualquer aspecto de qual- quer atividade ou pralica levada a efeito em fun9ao dela, e e quer conven9ilo social. Mas nao se pode estar equivocado a maior ~·d(.. ~.0 ,,_ -... " ::0 T:. 1-; . . ~~~"._--
  6. 6. 402 A CONSTlIVI<;AO DA SOClEDADE 403 / parte do tempo sobre 0 que se faz, sem sec visto como incom- esta se refere) pode; de fato, estar intimamente Iigado. A petente por outros atores sociais; e Dio existe urn 56 aspecto de ?::, If"J maioria das "leis" on g~ mais conhecidas da qualquer conven~o sobre 0 qual a maioria dos agentes possa Economia neocl3ssica e constituida, poder-se-ia pensar, por estar errada a maiorparte do tempo. Devemos, e claro, reconhe- .., . enunciados cujo conhecimento nio alterara em nada as cir- cer outras possibilidades. Agentes posicic.ados em alguns seto- i0, cunstilncias com queSe relacionam. Isto e, depende de pa- res de uma sociedade poderiio ignorar completamente os acon- ,( I , drOes de motivayilo e raciocinio, por parte de agentes leigos, tecimentos de outros; atores poderiio acreditar que os resulta- ·1 que muito improvavelmente se alterariio, nlio impona 0 quan- dos de suas atiidades sao diferentes dos mostrados realmente; . ,> . (: to essas general~s se tomem familiares. Mas 0 desen- ,j , , e a redescri~ao de urn contexto de a~ao nos conceitos da cien- volvimento da ciencia econamica desempenhou urn pa pel ~, cia social podeni representar as ocomncias de maneiras diver- C na criaylio das pr6prias condiyiies em que se mantem as sas daquelas com que 0 agente eslli familiarizado. generalizayOes em questilo, promovendo uma postura previ- Podemos supor, repetindo, que 0 novo conhecimento desen- dente em rela~o il expansao do capital etc. - fenomeno que f" volvido nas ciencias sociais tera, habitualmente, implicayoes , .~ discutirei mais adiante. l..vv/ transformacionais imediatas para 0 mundo social existente. 3) Quando 0 novo conhecimento ou informaylio e usado para ~ (- be . M a.>vqueeco rtoporcetenspantCb? Em que condi ~oes sera di&? - 1880 . lerente. us. . .<,.~. - ,_ .f j" r [ ,~,( ,,:_::- f manter as circunstilncias existentes. Isso, obviamome, pode vI. ;/o acontecer ate mesmo quando as teorias ou descobertas en- 0~.( " . ,- ..1- volvidas, se utilizadas de determinada maneira, modificam Y v .-" "= I) Mais obviamente, quando as circunstancias descritas ou anae o que descrevem. A apropria,?o seletiva de material cienti- /./J /,...- lisadas tratarn de eentos passados e se relacionam com c6n- fico social pelos poderosos, por exemplo, desvia esse mate- ./ diyiies sociais que ja nao vigoram. No caso em que se pense rial para fIns muito diferentes daqueles que poderiam ser que isso permite, uma vez mais, uma distinyfu> nitida entre servidos se ele fosse mais amplamente difundido. hist6ria e ciencia social, sublinhe-se que ate estudos pura- 4) Quando aqueles que procuram aplicar 0 novo conhecimento mente etoograficos de culturas mortas podem muito bern ser nao estilo em situa~o de 0 fazer de modo efetivo. Eevidente II tratados como esclarecedores de circunst8.ncias atuais, muitas que isso constitui, com freqiiencia, urna qaestilo de acesso aos vezes pelos proprios contrastes que revelam. Sem duvida, recurscs necessarios para alterar urn conjunto exh-rente qe !. Dio podemos dizer, em principio, que 0 conhecimento acer- circunstancias. Mas e preciso sublinhar tambem que a possi- ca de situa~Oes nao mais existentes e irrelevante para outros bilidade de arti~~.res. 5~cursivamente e, geralmente, distribuida de modo imetri uma sociedade. Os que estilo contextos nos quais esse conhecimento poderia servir de base de urn modo transformativo. A influencia do "cesarismo" - nos escalOes inferiores --- - aa sociedade provavelmente teriio na politica francesa do seculo XIX, satirizada por Marx, e vanas lirnitayOes em suas capacidades de formular discursi- urn bom exemplo. vamente sens interesses, sobretudo os de mais longo prazo. 2) Quando a conduta em questilo depende de motivos e razoes Eles tern menos probabilidades do que os que se encontram que nao sao alterados por nova informayilo tomada acessi- "1 em posiy6es superiores de transcender 0 carater situado - no vel. Neste caso, as rela~oes envolvidas podem ser muito mais tempo e no espa~o - de suas atividades. Isso pode ser devido complicadas do que parece il primeira vista. 0 que parece a oportunidades educacionais inferiores, pelo carater mais ser dois conjuntos de fenamenos independentes (por exem- confmado de sens tipicas milieux de a,30 (nos 1ermos de plo, 0 enunciado de uma generaliza~ao e as atividades a que Gouldner, eles tern mais probabilidades de ser ··locais" do ,---._--- . n~l I v,,/ -..-,. 0{ r ,it ) iT"j/: ..... .1. IL ," i" I ;" "" ,j·d f- i.·;
  7. 7. r 404 A CONSTlTUlc;:10 DA SOCIEDADE A TEORlA DA ESTRUTURAc;:10 405 que cosmopolitas) ou ainda porque os que ocupam posi90es dia-a-<lia seja cronicamente levada a cabo de.modo.deIiberado.. superiores simplesmente dispiiem de uma gama muito maior Eno estudo das conseqiiencias impremeditadas da:ll9io;~o . de informa9io acessivel. Tambem e improvavel que os dos enfatizei com freqiiencia, que serio encontradas algumas tare- escaliies inferiores teobam acesso a urn discurso coerente e fas mais caraeteristicas das ciencias sociais. E taInbetD aique conceptualmente refmado em cujos termos seus interesses • se localiza a preocupa9io maior dos cientistassociaisinclina- possam ser Iigados as condi90es de sua realiza9ao. dos para 0 objetivismo e a sociologia estrutural. Aqueles que 5) Quando 0 que e r;ivindicado comoconhecimento ~esul~ ser, ,.s~. falam dos objetivos explanat6rios das ciencias sociais como em parte, fal..o. E bastante 6bvlO, por cerlo, que nao eXlste a " vinculados adescoberta.de leis nao Irocedem assim quando os convergencia necessaria entre a validade de ideias ou obser- resultados sao mais ou menos completamente premeditados. va90es produzidas nas ciencias sociais e sua apropria9ao por Assim, por exemplo, os motoristas pararn regularmente, quan_ atores leigos. Varias possibilidades derivam disso, incluindo do acende 0 vermelho no semaforo, e arrancam de novo, quando aquela mediante a qual pontos de vista originalmente falsos acende 0 verde. Mas ninguem sugere que parar nos sinais de podem tomar-se verdadeiros como resultado de sua propa- transito pode ser representado como urna lei de conduta social ga9ao (a realiza9ao de algo como simples efeito de sua pro- humana. As leis ai envolvidas sao de uma especie juridica. Os fetiza9ao). Nao se segue inevitavelmente que a ad09ao de motoristas sahem para que sao as luzes vermelhas, como se pre-il conclusoes nulas seja inconseqiiente a respeito da conduta sume que eles devem reagir segundo os c6digos de comportamen-rI que pretendem descrever. 6) Quando 0 novo conhecimento e trivial ou desinteressante para os atores aos quais faz referencia. Este caso e algo mais sig- to no trfutsito, e quando param no vermelho ou seguem com 0 verde sabem 0 que estiio fazendoe fazem-no intencionalmente. o fato de tais exempIos nao serem mencionados como leis,I nificativo do que poderia parecer, por causa das diferen9as que podem existir entre as preocupa90es de atores leigos e as de observadores sociais. Nas palavras de Schutz, as con- veniencias dos cientistas sociais nao sao necessariamente as muito embora 0 comportarnento envolvido seja muito regular, indica que 0 problema das leis em ciencia social esta muito li- gado as conseqiiencias impremeditadas, condi95es nao-reco- mesmas dos atores cujo comportarnento procuram explicar. nhecidas e coer9io. 7) Quando a forma do conhecimento ou da informa9ao gerada Por "leis" os soci610gos estruturais entendem usualmente inibe sua r.:aliza9io ou esconde certas maneinls pelas quais leis universais do tipo que se pensa existir nas ciencias nata- poderia ser concretizada. 0 mais importan!e caso em ques- rais. Ora, nao faltam os debates sobre se essas leis existem ou Ilio e, de longe, 0 da reifica9ao. Mas as possiveis implica- , "J nao, de fato, na ciencia natural e, se existem, qual e seu status 90es que isso suscita tambem sao complexas. 0 discurso rei- l6gico. Mas suponhamos sua exisrencia e admitamos a inter- ficado produzido nas ciencias sociais pode ter efeitos dife- preta9io corrente de sua forma l6gica. As leis universais esta- rentes quando 0 discurso de atores sociais leigos tambem e belecem que quando quer que um conjunto de condi90es, espe- coisificado ou nao. cificadas de urn modo defmido, seja encontrado, havera tam- / bern um segundo conjunto de condi90es onde 0 primeiro da .):~ origem ao segundo. Nem todas as declara90es causais, e claro, Generaliza90es em ciencia social j, .,; sao leis, bem como nem todas as rela90es causalS podem ser ,V ,:.subordinadas a leis (conhecidas). Assim tambem, nem todos os A vida social, em muitos aspectos, nao e urn produto in- ~ enu;;ciactos de uma forma universal 0 sao. Hempel cia urn exem-I ,,~ tencional de seus atores constituintes. embora a conduta no plo: "Todos os corpos que consistem em ourO puro tern umai ~-if • r ••. -,.
  8. 8. 406 A COXSTITUI9AO DA SOC/EDADE A TEORlA DA ESTRUTURA<;jO 407 nl8ssademenos« 100 mil quilogramas." Nao existe urn so atores, no contexto de uma "trama" de conseqiiencias premedi- - C8S"(1-conhecido-em que essa almna~o niio se sustenta, mas, a tadas e impremeditadas de a~o. podemos facilmente perceber . meilOsqul:fosse descoberto algum mecanismo causal para ex- por que tais generalizacOes niio rem uma forma uni·ersal. 0 pjlearpor que isso di:ve ser assim, isso nao seria provavelmente contetido da cognoscitividade dos agentes, a questao de como se cOnSiderailO~cremplode wna lei". Ha leis universais nas "situa" e de qual e a validade do contetido p:oposicional desse . cienciassociais? Se niio M, enta~ por que tantos adeptos da So- conhecimento - tudo isso influenciar3 as circunstfulcias em que ciologiiestnrtural colocaram tipicamente todos os seus trunfos essas generalizayoes subsistem. ne~sa explica~? A resposta evidente a primeira pergunta e Correndo uma vez mais 0 risco de desconcertar 0 leilor de nao. Na ciencia natllraI ou, pelo menos, em algumas de suas mentalidade mais filosofica, proponho simplesmente declarar principais areas, ha muitos exemplos de leis que parecem obe- que as razoes sao causas, aceitando que isso implica. sem duvi- deCer ao tipo de lei universal. Na ciencia social- e eu incluiria da, uma explica~o niio-humana de causalidade. Em termos mais tintoa economia quanta a sociologia neste julgamento - nao adequados, usando a terminologia por mim introduzida: a ra- M urn sO eandidato que possa ser apresentado de forma indis- cionaliza~o da ayao esra causalmenle implicada. de maneira cutive! como exemplo dessa lei no dominio da conduta social cr6nica, na continuayao das ayoes do dia-a-dia". Por outras pa- hliiilaiia;Como argumentei nurn outro trabalho", as ciencias lavras, ela e urn elemento importante na gama de poderes cau- sociais niio sao retardatarias em comparayao com a ciencia na- sais que urn individuo, enquanto agente social, apresenta. Isso .tinaL Ald6ia de que, com novas pesquisas, essas leis acabariio porque fazer algo por determinadas raz6es significa aplicar uma pOr ser deScobertas e, na melhor das hipoteses, profundamente compreensao do que "e requerido" num dado conjunlo de cir- iniplausiveL . cunstiincias, de maneira a dar forma a qualquer coisa que seja Se elas niio existem, e nunca exis,idio, na ciencia social, feita nessas circunstiineias. Ter razOes para fazer alguma coisa e por que que tantos supuseram que esta devesse empenhar-se nao e 0 mesmo que fazer alguma coisa por certas raz6es, e e por realizar essa quimera? Sem dlivida, em grande parte devi- .7- essa diferen9a que eria 0 impacto causal da raeionaliza~o da a do ascendeucia das ItIosofias ellpiristas da ciencia natural " ayao. As razoes sao causas de atividades que 0 indiiduo "faz sobre as ciencias sociais. Mas isso certamente nao e tudo. Aqui S" ,r. acontecer" como caraeteristica inerente a ele ser urn aJ?:ente. Mas tambem se implica a suposi~o de que 0 tinico conhecimento como a monitorayao reflexiva da ayao IS limitada.- conforrne proveitoso acerca de atores ou instituiyoes sociais de interesse tenho freqiientemente insistido, existem fatores causais influen- das ciencias sociais e aquele que esses atores nao possuem eles ciando a ayao sem atuar atraves de sua racionaliza9ao. Segue- proprios. Disso vern a inclina~o para reduzir a urn minimo 0 co- se do que foi anteriormente dito que esses fatores sao de dois nhecimento imputado a atores, ampliando assim 0 ambito de tipos: influencias inconscientes e influencias que afetam as cir- operayao de mecanismos causais que ltm seus efeitos indepen- cunstiincias da ayao, em cujo ambito os individuos levam a dentemente das raz6es dos individuos para fazer 0 que fazem. efeito sua conduta. Ora, se esse tipo de ponto de vista nao e viavel, em bases que exa- Essas segundas influencias sao, de longe, as mais impor- minei em cerlO detalhe ao longo deste livro, teremos de rever a tanles para fms de analise social, mas, como "circunstancias da natureza das leis em ciencia social. 0 fato de nela nao existirem ayao" e urna expressao muito generica, ela precisa ser expIica- leis universais conhecidas niio e apenas uma casualidade. Se e da em certo detalhe. Toda a9ao ocorre em contextos que, para correto dizer, conforme argumentei, que os mecanismos causais qualquer ator, incluem muitos elementos que este nao ajudou a f1~:; generalizayOes cientificas sociais depcndcl11 das razoes dos produzir nem possui qualquer controle significalio sobre cles_•
  9. 9. 408 .A. CONSTI1UI<;AO D.A. SOOED.A.DE .A. TEOl/l.A. DA. ESTRUTUJUl;io 409Essas caracteristicas facilitadoras e coen:ivas dos contextos de gnem sugerira ser isso a expressao de uma lei universal; naoayio inclnem fenomenos materiais e sociais. Com relac;ao aos obstante, trata-se de uma generalizac;ao potencia!mente escla-fenomenos soc.ais, e preciso salientar que 0 que para um indi- recedora. A reIac;ao causal que ela pressupOe depende dilS tiposvlduo e um aspecto controlavel do milieu social, para outros de tornada de decisao especificadas por Gambetta. Mas, comopode ser algo q.::e "acontece" em vez de algo que se "faz acon- assinala esse autor, se os pais ou as crian<;as (de qualquer dastecer". Muitas das caracteristicas mais delicadamente sutis, classes) chegam a conhecer a generalizac;ao, poderao incorpo-bem como as intelectualmente mais desafiadoras, da analise ra-Ia em sua avalia<;ao da pr6pria situa<;ao que ela descreve e,social derivam disso. ,Ora, e possivel admitir que todas as gene- portanto, em principio, enfraquece-la.raliza<;oes abstratas nas ciencias sociais sao, explicita ou impli- Podemos dizer, como muitos outros ja 0 fizeram., que ascilamente, enunciados causais. Mas, como me preocupei em generaliza<;oes nas ciencias sociais sao de carater ~bist6rico"enfatizar ao longo deste livro, importa muitissimo saber que desde que tenharnos em mente os muitos sentidos assurnido~tipo de rela96es causais esm envolvido. Quer dizer, as situa<;oes por esse tenno. Nesta conotac;ao particular, significa apenas queem que os participantes "fazem acontecer" um resultado regn- as circunstancias nas quais as generaliza<;oes se sUStentam saolarizado diferem substancialmente daquelas em que esse resul- temporal e espacialmente circunscritas, na medida em que de-tado "acontece" de um modo nao pretendido por nenhurn parti- pendem de combina<;oes defmidas de conseqiiencias premedi-cipante. Como 0 conhecimento dos agentes sobre as condi<;oes tadas e impremeditadas da ac;ao. Sendo esse 0 caso, sera Hcitoque influenciam a generaI:iza<;ao e causalmente pertinente a chamar de "leis" as generaliza<;oes nas ciencias sociais? Issoela, essas condi96es podem ser alteradas por mudan<;as nesse depende inteiramente do rigor com que se deseje interpretar 0conhecimento. A profecia auto-realizadora e um, mas apenas termo. Em mfuha opiniao, como na ciencia natural a "lei" tendeurn, exemplo desse fenomeno. a estar associada aesfera das rela<;(ies invariantes, mesmo no caso Cabe aqui uma advertencia. Existem sempre condi<;Oes- daquelas que nao sao universais na forma, e preferivel nao usar 0limite para os efeitos de leis na ciencia natural. Mas elas nao termo nesse campo do conhecimento. Em todo caso, eirnportan-afelam a relac;ao causal invariante que esta no micleo das tare- te evitar a implicac;ao dos defensores da sociologia estrutural defas explicativas pelas quais pode ser feita referencia a·Iei. No que as "leis" somente sao encontradas quando conseqiiencias im-caso de generaliza<;Oes em ciencia social, os mecanismos cau- premeditadas estiio envolvidas de modo significativo com rela-sais sao inerentemente instaveis, e 0 grau de instabilidade de- c;ao a determinada serie de fen6menos. Por outras pala-..rns, aspende de ate que ponto os seres aos quais a generalizac;ao se re- generaliza<;(ies sobre a conduta social humana podem refletirfere sao suscetiveis de apresentar modelos. padronizados de diretamente maxirnas de a<;ao deliberadamente aplicadas porraciocinio, de forma a produzir tipos-padrao de conseqiiencias agentes. Como sublir Jei neste capitulo, are que ponto isso e vali- ..impremeditadas. Considere-se 0 tipo de generaliza<;ao sugeri- do em qualquer conjunto especificado de circunstancias tern dedo pelo estudo de Gambetta: "Quanto mais avan9ada estiver urna .., ser urna das principais tarefas da pesquisa social.crian<;a da classe operaria num sistema educacional, menores /Sao as probabilidades de que ela desista de estudar, em compa-ra<;ao com crian<;as de outras classes sociais." Neste caso, as As conota,oes pr:iticas daciencia SOci~~i conseqiiencias impremeditadas apontavam para a forma<;ao de As ciencias sociais, diferentemente da ciencia natural, es- r(urn padrao estatistico, 0 resultado de urn agregado de decisoes de individuos separados no tempo e no espa<;o. Creio que nin- tao mevlt3vc!mente em uJ; ida;, numa ,r.cla.c.ao sujelto-sujelto" ,_ -j--;. r ~ - • ~. n, IX, "VI "r·,..... D . vv. "UC--< NAJo0 ~vv () -.. "- G~0 l {_CC ,,--t1""-
  10. 10. 410 A COXSTITUI!;iO DA SOCIEDADE A TEORIA DA. ESTRUTUl/A{:io 411com aquilo de que se ocupam. As teorias e descobertas das o que se segue e uma form~o tipica de tal ponto deciencias naturais est30 sep=das do universo de objetos e even- vista, de urn autor que, ali:is, est:i mnito longe de serum segui_tos a qne dizem respeito. Isso assegura que a rela~ao entre ~{)­ dor de Comte: . . nhecimento cientifico e 0 mundo objetal pennanece sendouma rela~o "tecnologica", na qual 0 conhecimento acumul, .:0 Como cientistas sociais, compartilhamos com lDdas as pes-e "aplicado" a urn conjunto independentemente constituido de soas I3Z03velmente educadas do mundo de uma compreensiofenomenos. Mas na ciencia social a situa,ao e diferente. Como ~,tO. ": . geral e pertuIbadora de que, em nosso campo de estudo, 0 pro-disse Charles Taylor: "Embora a teoria da ciencia natural tam- . ,X" .x:- gresso e muito mais leoto do que n~ ciencias nannais. Sao asbern lrailsfonne a pcitica, a pcitica que ela transfonna nao e . <.:" descobertas e invenl6es deslas U1timas que est30 provocando irresistiveis mud3n~ radicais na sociedade, enquanto as nos-aquilo de que a teoOO se ocupa. [... J Pensamos nela como urna .. .;;- ,. sas, ate agorn, fotaIn muito mais pobres em conseqiiencias. Hi emaplica~o da teoria." Nas ciencias sociais, "a pratica e 0 obje- >< ~v propaga~o urna insidiosa ansiedade acerea do perigoso biatoto da teoria. Nesse dominio, a teoria transforrna 0 seu proprio . < ",~" inerente a esse contraste. Enquanto 0 poder do bomem sobre aobjeto"". As implica,Oes disso sao muito consideraveis e tern a -C~ ., natureza esta aumentando depressa e, na verdade, acelerandover com 0 modo como avaliamos as realiza,oes das ciencias rapidiunente, 0 controle do bomem sobre a sociedade, 0 que sig-sociais, assim como seu impacto pcitico sobre 0 mundo social. nifica, em primeiro lugar, sobre as suas pr6prias arilUdes e insti- Se aceirassemos 0 ponto de vista daqueles que supiiem que l.neoes, est:i ficando muito para tnIs. Em parte, pelo menos, issoas ciencias sociais devem Set imita,oes das ciencias naturais, deve-se ao rnais lento ritrno no avan90 de nosso conhecimento sobre 0 homem e sua sociedade, 0 conhecimento que deve sernao ha duvida de quP. 0 ponto de vista anterior deveria ser con- traduzido em acao para a reforma social. 51siderado urn fracasso. A ciencia social nao apareceu no cenaP,)com os tipos de lei precisa encontrada nas areas mais refmadas Aprimeira vista, rnida parece mais obvio que 0 fato de 0da ciencia natural e, por razoes a que ja aludi, tampouco 0 farli impacto transformativo das ciencias naturais ter sido incompa-no futuro. Em face das circunstiincias, pareceria que 0 tim da r a v e l m : s e 0 das ciencias sociais. A ciencia natu-aspira~o de criar uma "ciencia natural da sociedade" marca 0 ral tem eus pat1di , suas descobertas merecedoras de con-tim da ideia de que as ciencias sociais poderao afetar"seu mun- cordancia ,0 conhecimento de alta generalidade ex-do", 0 mundo social, no mesmo grau em que as ciel1cias natu-rais inf1uenciaram 0 "delas", Durante gera~s, aqueles que vJpresso com precisao matemaiica. Nela, os "fundado~s" sao f-..J; esquecidos ou olhados como os originadores de idCias que sOpropuseram sociologias naturalistas flZeram-no com base na no- / _. possuem urn interesse arqueologico. A fusao de ciencia e tP.O-~o de que a ciencia social necessita "alcan,ar" a ciencia natu- G. (C nologia gerou formas de transforma,ao material na mais ex-ral, intelectual e praticamente. Por outras palavras, sustenta-se , " traordiruiria das escalas. Por outro lado, a ciencia social esm, aoque esta ultima superou comprovadamente a primeira em ter- (~ ,,;-~ que parece, cronicamente dilacerada por divergencias e. anta-mos de suas realizayOes intelectuais e, portanto, de suas conse- cAl " - "-, gonismos, incapaz de esquecer seus "fundadores", cujos escri-qiiencias pciticas. 0 problema consiste, para as ciencias so- V (.. .;J.", tos sao considerados de importiincia permanente. Os goyemosciais, em recuperar 0 terreno perdido, a fim de aplicarem suas r.i~ r: de hoje poderao ocasionalmente olhar para ela como fonte.dedescobertas ao controle dos eventos no mundo social, de urn J ri. informa~o para decisoes politicas; mas isso parece ser deeon-modo paralelo. 0 programa de Comte fundamentou-se nesse tipo seqiiencia trivial e marginal quando comparado com 0 impaetode criterio e dai em diante nunca mais deixou de ser sistemati- global da ciencia naturaL 0 maior prestigio social de que estacamente reiterado, de uma forma ou de outra. ultima desfruta, em comparaao com as ciencias sociais. esta em
  11. 11. " 412 A CONSTlTUl<;AO DA SOClEDADE A TEORJA DA ESTRUTUlU<;AO 413 plena concon:IAneia com suas realiza90es e infiuencia material ~ , ao seu dominio e por outros que se lhes op3em. As conseqiien- muito diferentes. ;f.- Yv OJ CA C. cias praticas de panfietos como os de Maquiavel slio susced- Mas estara correta essa n09iio convencional da ciencia so- ~-tj,~.J /~ veis de ser tortuosas e ramiticadas. Estlio muito longe da situa- 9ao na qual as descobertas das ciencias sociais slio cotejadas e cD ;. yr,:, , cial como a rela9io inferior? Pode-se dizer, pelo menos, que se torna ?tuito menos iacil ~enti-la se considerannos 0 signifi- ,j; ~~) avaliadas numa .,:·era (a "critica intema" de especialistas pro-I a+(·t;,,"- cado rut?UPla hermeneuti~. As ciencias sociais, repetimos, nao fissionais) e simplesmente "aplicadas" numa outra (0 mundo estao isoladas de "8eu mundo" do modo como as cieneias natu- " da a9ao pratica). Mas elas slio mais tipicas do destino do co- rais estao do "delas". Isso certamente compromete a realiza9ao / H:Ec1"·:::f[~ecimento cientifico-social do que 0 ultimo caso descrito. de urn corpus distiIito de conhecimento do tipo procurado por Ora, a questao de saber se e justiticado chamar Maquiavel aqueles que adotam a ciencia natural como modelo. Entre- de "cientista social" poderia ser discutida com base em que tanto, ao mesmo tempo, significa que as eiencias soeiais parti- seus escrilOs precedem a era na qual se tomou sistematizada a cipam da propria constitui9iio de "seu mundo" de urn modo -+ . reflexao sabre a !1atureza das instituic;1ies sociais. Suponhamos, que e vedado aeieneia natural. Q a.. J;slY <,(}(-f ~ porem, que examinemos 0 peciodo mais"ecente, que com- Considere-se 0 seguinte: + 0 , preende as,Mcadas fmais do seculo XVIII e a parte inicial do ~I ~ V:.~, CJ " 0( /J-. s<culo XI.X: Foi a epoca, poder-se-ia argumentar. em aue co- Quando um homem se lorna principe por concessao do :el;-; rNJ--J~ me9011 apesquisa empirica detalhada das ...<J!l_~iies__iociais. povo, ele deve manter-se seu amigo, 0 que e muito ficil, pois Alguns consideraram 0 periodo a primeira fase em que as ciencias este deseja apenas nao ser oprimido. Mas quem se tomar princi- sociais receberam uma base comprobatoria que podia com09ar pe contra a opiniao popular, por concessao dos grandes, deve, a assemelhai-se a Ga ciencia natural. Entretanto, 0 impressio- antes de mais, procurar conquistar 0 povo. Ser-lhe-a. fiJ.cil isso, nante e que as teenicas de pesquisa desenvolvidas, e os "dados" desde que 50 tenha ocupado em protege-Io. E, como os homens, quando recebem beneficios de quem 56 esperavam 0 mal, se r gerados, tomaram-se imediatamente parte significativa da so- ohrigam mais para com 0 benfeitor, toma-se 0 povo logo mais c1v~ ~ ciedade para cuja analise elas foram usadas. A abundancia de seu amigo do que se 0 principe livesse sido levado ao poder por estatisticas oficiais e sintoma e resultado material desse pro- vontade sua," cesso. ?lI?spleta foi possibilita<!a pelo uso de metodos sist~: maticos de pesauisa social. 0 desenvolvimento desses meiodos o teorema de Maquiavel nao e apenas uma observa9ao e inseparael dos novos modos de controle administrativo pos- sobre 0 poder e 0 apoio popular em politica. Pretende ser e foi , . ~ ~ : jO sibilitados pela coleta de estatisticas oticiais. Uma vez estabe- aceito como urna contribui9ao para 0 mecanismo de govemo. Ne.. ce--, lecidas, estas ultimas propiciaram, por sua vez, novos tipos de Pode-se afinnar sem exagero que a pratica de govemo nunca ~ (Ie ( },p analise social- por exemplo, a pesquisa de padr1ies demografi- mais foi a mcsma depois que os escritos de Maquiavel se toma- , .. cos, criminalidade, divorcio, suicidio etc. Entretanto, a literatu- ram conhecidos. Sua influencia nao e facil de descrever. "Ma- ra sobre esses topicos foi, por seu tumo, reincorporada aprati- quiavelico" tomou-se urn tenno pejorativo em parte por razoes ca dos interessados na produ9ao das estatisticas pertinentes. A que nAo tern muito a ver com 0 conteudo do que Maquiavel literatura sobre suicidio, por exemplo, e largamente lida por JUI- realmente escreveu - por exemplo, devido ao suposto compor- zes de insrru,ao, funcionilrios judiciais e ""tros, inclusive aque- tamento de govemantes que dao sua interpreta9ao pessoal ao les que pensam em cometer ou cometem atos suicidas". que ele teve a dizer. Principios que podem ser aplicados por o desenolvimento de metalinguagens teoricas e a espe- principes tambem 0 padem por aqueles que estao submetidos cializa,ao exigida pelo estudo intensivo de arcas especificas da _._-_._~- .... ~
  12. 12. .4CONSTITUI9AOD.4S0aEDAD~, r 4,14 ~da social evidentemente ~ que as ~iencias sociais f;" c1, ~q~ naOB<: tomem totalmente.fundidas com seu "obJeto de estudo".)o ,:., c ~" ;,",. 1;> (Uj{ .4 TEORLtD.4£STRUTUlUt;:AO 415 dos textos. Na Inglate~ pensava-se geraImente que 0 autor t"" - fosse um manancial de ~~, antes de a primeira Ira- e Mas,uma vez que se apreende como complexa, Intima e con- " , ., IW ~ !-t h, du~o inglesa de 0 p:incipe set publicada em 1640. tlnua a aosoci::~o entre anaIistas sociais "profissionais" e lei- .1. /. ), f 4) 0 tipo de discurso uSado por Maquiavel em seus escritos foi gos, fica 1aciI perceberpor que 0 profunda impaCIO da ciencia or e tv. . 6 um elemento ou aspecto de mudan~ fundamentais nas or- • social sobre a constitui~o de sociedades modemas permanece dens juridica e constitucional de Estados modernos, Pensar oculto amo. As "descobertas" da ciencia social, se realmente I sobre "politica" de um modo particular e substantivamente sao interessantes, niio lGdem permanecer enquanto tais por mui- novo era essencial para aquilo que a "politica" se tomou". to tempo; de fato, qiJanto mais esclarecedoras elas forem, mais 5) Urn govemante que se pensasse ser um seguidor de Maquia- provavelmente serao incorporadas a a9ao e se tomarao, desse vel, e tentasse govemar de acordo com preceitos maquiave- modo, principios familiares da vida social. !islas, talvez achasse mais dificil aplica-Ios do que um outro " As teorias e descobertas das ciencias naturais estao n u m a 0. I .. : que nao fosse conhecido como taL Por exemplo, os sMitos rela~o "tecnoI6gica" com seu "objeto de estudo". Ou seja, a C -{}J.. A A..C> 0.," ". de um govemante, que conhe9am 0 preceito de que urn povo informa~o que geram terr. significado pratico enquanto "rneio" tende a ser particularmente receptivo a favores concedidos aplicado para alterar um rnundo de objetos e acontzcirnentos -+ r " por alguem que ele esperava ser urn opressor. poderao des- auwnomo e indepencientemente dado. Mas as ciencias sociais ~ )~A/J:i. COnIl3f justamente desses favores. MO est1io somente numa rela9ao "tecnoI6gica" com seu "obje- 0) Maquiavel estava perfeitamente ciente da maiona dos pontos to de estudo", e sua incorpora~o na a~o leiga e apenas rnargi- :l . /. r acima e adverti ,. licitamente sobre algumas de suas impli- ~~aI6gica". Muitas permutas possiveis de conhe- ~ ca90es errrtfPrlncipe. rtanto, muitos desses pontos toma- . n decorrem disso. Para demonstrar ser esse 0 caso, (. y;7~, ramose plexcs na medida em que a pr6pria poderiamo tomar ao exemplo das observa90es de Maquta- vel sobre a natureza da politica. Os t6piros seguintes .ao possi- l rJ " u 1 ,,; 1-:: .---.... ~onsclencla deles passou a fazer parte da atlvldade politlca. .00......, t veis envolvimentos e ramifica9Cies dos escritos de Maquiavel: VV.o; j Mas por que as formula90es de Maquiavel devem perma- j . (!-. I necer significativas hoje, e ser seriamente discutidas como per- I) Maquiavel pode, numa parte substancial, ter dado apenas l -EN . Q.!.f$:JVo tinentes as sociedades existentes, se foram absoi"idas, de va- uma certa forma de expressao ao que muitos govemantes, e Ji riad~s maneiras, nessas sociedades? Por que os que trabalham sem dlivida outras pessoas tambem, ja sabiam - talvez ate C, nas ciencias sociais niio podem esquecer seus "fundadores", soubessem algumas dessas coisas discursivamente, embora" como os cientistas naturais fizeram? A resposta poderia ter a seja improvavel que tenham sido capazes de expre.sa-las ver precisamente com 0 carater constitutivo das ideias que urn tiio incisivamente quanta 0 autor. I pensador como Maquiavel formula e representa. Maquiavel 2) 0 fate de Maquiavel ter escrito esses textos introduziu urn fomece-nos os meios de ponderada refl~ sobr~~s e novo fator, assim que eles se tornaram acessiveis, 0 qual niio pdticas que se tomaram parte da natureza ~U do existia antes quando as mesmas coisas eram conhecidas, se poder politico etc., em sociedades modemas. Ao estudar seus eram. escritos, obtem-se urna perCep9ao do que ha de distinto no Es- 3) "Maquiavelico" tomou-se urn termo pejorativo entre aque- tado modemo, porque ele escreveu num periodo relativamente les que ouviam falar das ideias assumidas por Maquiavel inicial de seu .desenvolyimento. Tambem nao ha duvida de que sem ter necessarialllente urn conhecimento em primeira mao uesvenda ou d3. uma forma discursiva especifica a principios -- ( . ~ / J...:.i- ,. ~"" ;.., , (B-v..:: 1..)...../-0 O(jj:::. .~, C/ / . -I Co(O,--r-v{
  13. 13. 416 A CONS17TUI<;:AO DA SOCIEDADE A TEORlA DA ESTRUTUlU.<;:AO 417 de governo que tern. apli~o muito generalizada em Estados de va-se muito menos com relaylio a teorias e.descobe.tlas..que rem todos os generos. Entretanto, a principal razlio pela qual seus o mflximo a oferecer em termos de seu"!Jor reveladllr. Esta escritos 030 tern "data" e que eles constituem uma sene de re- constitui grande parte da razio pela qual poderia parecer que as flex5es (estilisticamente brilhantes) sobre fenomenos que aju- ciencias sociais fornecetn muito menos informaylio de valor daram a constituir. Sao formull<;Oes de modos de pensamento para os criadores de diretrizespoliticas do que as ciencias natu- e aylio pertinentes as sociedades modernas, nao s6 em suas ori- rais. As ciencias sociais apDiam-se necessariamente em muilo gens, mas tambem em sua forma orgauizacional mais perma- do que ja e conhecido dos membros das sociedades que elas nente. Vma teoria arcaica da ciencia natural nlio traz urn inte- investigam, e fomecem teorias, conceitos e conclusOes que se- resse particular, uma vez que outras melhores tenham surgido. As rno reintroduzidos no mundo que descrevem. Os "hiatos" que teorias que se tornam parte de seu "objeto de estudo" (embora, podem aparecer entre 0 aparelho conceptual do especialista e talvez, em outros aspectos, resistindo a tal incorpora~ao) retem as descobertas das ciencias sociais, por urn lado, e as praricas necessariamente urna importfulcia que as teorias arqueol6gicas inteligentes incorporadas Ii vida social, por outro, sao muito da ciencia natural nao possuem. menos clams do que na ciencia natural. Encaradas de urn ponto Promover 0 carater cririco da ciencia social significa favo- de vista "tecnologico", as conttibui~oes pniticas das ciencias so- reeer uma percejlao conceptual desenvolvida das conota~oes ciais parecem ser, e sao, resttitas. Entretanto, vistas em termos pniticas de seu proprio discurso. 0 falo de as ciencias sociais . de sua infiltraylio no mundo que analisam, as ramifica~Oespni- ticas das ciencias sociais foram, e sao, deveras profundas. estarem profundamente implicadas naquilo com que se ocu- pam sugere urn papel basico para a hist6ria das ideias. Assim, por exemplo, os estudos de Skinner a respeito do surgimento de j) ( vJj - I:) S. ~.f (")cf;P formas modernas de discurso no Estado pDs-medieval demons- tram como estas se tomaram consritutivas daquilo que 0 Es- tado e". Ao provar que a natureza do Estado moderno pressu- poe urn coletivo de cidadlios que sabe 0 que e e como funciona esse Estado, Skinner ajuda-nos a ver como e especifica e dis- tintiva essa forma de Estado e como ela esta entretecida com as mudan~ discursivas que passaram a fazer parte das pniticas sociais leigas. As ciencias sociais 030 podem fomecer conhecimento (re- levante) que possa ser "contido", pronto para estimular inter- ven~s sociais apropriadas quando necessario. Na ciencia na- tural, os critenos comprobatorios envolvidos na decisao entre teorias e hipDteses estlio (em principio e usualmente tambem na pnitica, com exce~Oes tais como 0 Lysenkoismo) nas maos de seus especialistas profissionais. Eles podem prosseguir com a latefa de filtrar provas e formular teorias sem interrup~ao do mundo a que as provas e teonas se referem. Mas nas ciencias sociais essa situaylio nao se observa - ou, mais exatamente, obser-IMillRidMnmM ,,x.. .

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