Palestra Multiculturalismo Madalena

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Palestra Multiculturalismo Madalena

  1. 1. Multiculturalismo:problemas teóricos Diferenças e discriminação
  2. 2. Multiculturalismo : problemas teóricos. <ul><li>Sob o argumento da negação das analises globalizantes , o tema do multiculturalismo, abandonam as analises no campo econômico e político , desprovendo a produção teórica de categorias sociológicas e políticas. </li></ul><ul><li>O Tema das diferenças , das heterotopias e das micro -políticas presentes em várias das abordagens multiculturais , possuem origem teórica mais geral no chamado campo pós-moderno, e não necessariamente se articulam diretamente com todas as abordagem possíveis e existentes do multiculturalismo. </li></ul><ul><li>No artigo intitulado “multiculturalismo – Identidade- Cultura –Raça” John Willinsky Wllinsky vai buscar a origem histórica da abordagem multicultural na política de identidade construída por Simone Weil através de um texto intitulado “O enraizamento” publicado em 1952, no qual a autora defende a necessidade de partir das &quot;raízes&quot; para aprender a conhecer as qualidades éticas da categoria da identidade. Segundo o autor, esta teoria nada tem de pós- moderna uma vez que relaciona o movimento de expansão capitalista e imperialista com a exclusão e negação das identidades culturais étnicas e raciais . As contribuições de Simone weil contrapõem-se neste sentido também , às políticas de identidade que buscam reconciliar o individualismo liberal com os direitos coletivos, através de abordagens meramente compensatórias. </li></ul>
  3. 3. Multiculturalismo : problemas teóricos <ul><li>A chamada condição pós-moderna é reveladora da heterogeneidade e da incompatibilização consensual qualquer que seja. È o fim dos princípios de igualdade formulados no período moderno . </li></ul><ul><li>A falência de todas as teorias sociológicas, políticas e filosóficas, inclusive as que produziram por dentro da modernidade a critica da própria modernidade , trouxe também a falência na crença em projetos coletivos de transformação social. </li></ul>
  4. 4. Multiculturalismo: problemas teóricos <ul><li>Lyotard (1989) declara a condição pós -moderna como aquela que no campo político retira qualquer concepção de totalidade ,desvalidando categorias de analise tais como: sociedade , identidade nacional,classes sociais, modo de produção etc. </li></ul><ul><li>Conceitos totalizantes, explicações e saídas gerais são tão inconsistentes como a inconsistência das saídas para as heterogeneidades da realidade. </li></ul><ul><li>Sob o pretexto de que a modernidade se constituiu em um movimento único e hegemônico no qual a idéia de projetos emancipatorios e de luta pela igualdade não passaram de meta- narrativas, esta tendência pós-moderna acaba por indicar os princípios das alteridades e das diferenças como os que determinariam a política na pós- modernidade . </li></ul>
  5. 5. Multiculturalismo: problemas teóricos <ul><li>Ao declarar o fim das Meta – narrativas sociológicas e políticas, o principio da igualdade foi desmascarado como um falso princípio, próprio de uma época que se convenceu da possibilidade de uma organização racional da sociedade ou de sua transformação através da ação política na busca da construção de sociedades mais justas, com igualdade econômica e política. </li></ul><ul><li>Para Lyotard (1993) a condição pós- moderna revela um mundo do dissenso “o consenso se tornou um valor antiquado e suspeito” (p.100) buscar qualquer unidade na diversidade ou qualquer política de construção coletiva entre os diferentes é em ultima analise anular as diferenças ou buscar a submissão de uma diferença pelas outras. </li></ul>
  6. 6. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>Algumas correntes dos movimentos sociais acatam de maneira contundente tanto em seus discursos como na pratica esta máxima de Lyotard. Para estas correntes , principalmente presentes no movimento negro no Brasil,a introdução em seus movimentos de categorias aglutinadoras tais como , a de classe social ou de nacionalidade , visam enfraquecer a questão racial e portanto a luta contra o racismo. </li></ul><ul><li>Este discurso ideológico da impossibilidade do consenso é analisada por Frederic Jameson (1994) como um discurso típico do capitalismo em sua última mutação sistêmica. </li></ul><ul><li>Para ele ,enquanto o capitalismo necessitou, para se consolidar e se reproduzir, de formas de solidariedade e coesão coletivas, isto foi incentivado no âmbito teórico e cultural . </li></ul>
  7. 7. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>O que Jameson (1994) revela, é que o capitalismo em sua mutação sistêmica, agora transforma , por meio da cultura e do conhecimento, o jogo das diferenças em um novo tipo de identidade.O capital multinacional elabora o jogo da heterotopia , da impossibilidade da generalização conceitual, da impossibilidade de qualquer projeto coletivo, como um paradigma ideológico dominante bastante útil. </li></ul><ul><li>Ao perderem os parâmetros de analise teóricas progressistas deixaram de admitir que as diferenças se transformam em desigualdades em determinadas tipos de sociedade. </li></ul><ul><li>O Problema não esta nas diferenças, o problema esta em que ser diferente não quer dizer ser necessariamente discriminado e tratado como desigual, a transformação das diferenças em desigualdades é produto sócio - histórico, e tem raiz social determinada. </li></ul>
  8. 8. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>Ao negar as contribuições das teorias políticas de caráter progressista, a introdução das questões do multiculturalismo e dos movimentos sociais na educação perdem a força, e se transformam no contrario ao que pretendem, ou seja , em um discurso ideológico de manutenção não das diferenças, mas das desigualdades. </li></ul><ul><li>A negação da grande política e a supervalorização das micro-políticas tem também orientado varias correntes que atuam nos movimentos sociais ocasionando uma pulverização de sua ação. </li></ul>
  9. 9. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>Colocam na decisão pessoal e subjetiva, no simples apelo à consciência das diferenças o principal instrumento da luta contra a discriminação- não que a consciência não seja importante neste caso- mas o problema é que ,sem uma concepção política mais conseqüente que analise as raízes das desigualdades de toda ordem,o apelo à consciência por si só é insuficiente, ou como diria K. Marx, a consciência social reproduz e continuará reproduzindo cada vez mais a discriminação real existente na sociedade até porque - não é a consciência que determina o ser , mas o ser que determina em ultima analise a consciência- e enquanto o ser social produzir exclusão e desigualdades,muitas das diferenças, tão típicas da constituição humana, se transformarão em desigualdades. </li></ul>
  10. 10. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>A consciência adquire conteúdo político quando se transforma em força material , quando de consciência individual se transforma em ação coletiva e política contra a sociedade discriminadora e excludente. </li></ul><ul><li>Durante o desenvolvimento da modernidade foi o modo de produção capitalista, tanto na sua forma colonialista como imperialista, que se tornou hegemônico e provocou a hegemonização cultural e a submissão de povos e culturas. O capitalismo em seu desenvolvimento cria relações de submissão econômicas, políticas e culturais . </li></ul><ul><li>Na atualidade é o mercado mundial e a globalização capitalista quem promove a dissolução das identidades e das diferenças e é quem produz todos os dias a hegemonização cultural e todos os tipos de exclusão e discriminação , das mais “tradicionais” às mais novas. </li></ul>
  11. 11. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>A luta contra a hegemonização cultural não é uma luta que se resolve apenas pelo apelo do respeito das diferenças, pelas micro- políticas e pelo abandono sob qualquer pretexto de categorias sociológicas e políticas e históricas ,ao contrario, a luta pelo respeito às diferenças para ser conseqüente tem que fazer uma analise critica da realidade social , saber identificar o Carter ideológico dos diferentes discursos e além disso,saber que na base da exclusão cultural ou de qualquer outra ordem existem interesses do capital e portanto de classes. </li></ul>
  12. 12. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>A concepção pós-moderna desmonta a concepção de sujeito na sua relação mais coletiva , articulada , que possui como base concepções de caráter articulador e totalizante, de fundamento histórico e político coletivo. </li></ul><ul><li>A “nova “ concepção de sujeito cunha-se no fragmento e no indivíduo como sujeito de uma história fragmentada, desarticulada e individual. </li></ul><ul><li>Essa nova concepção de sujeito tem, por detrás de si, uma nova concepção de social que é entendido como um conjunto de particularidades desarticuladas. </li></ul>
  13. 13. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>O problema não se encontra em evidenciar que existem no tecido social esferas diferenciadas daquelas determinadas apenas pelas classes sociais. Isso seria negar que existem particularidades que, principalmente hoje, as lutas sociais evidenciam com força.No entanto, o que o pensamento pós-moderno procura desmontar é a idéia de que estes particularismos são articulados e não são autodeterminantes e que são produzidos pela lógica atual do capital. </li></ul>
  14. 14. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>Por fim , podemos até dizer que a influencia pós-moderna nas produções teóricas sobre multiculturalismo correm o sério risco de se desproverem de lógica,atualmente como demonstra Hall(2006) o desenvolvimento da corrente pós – moderna tem colocado em xeque a existência das identidades, e sem este conceito , qualquer movimento multicultural perde o sentido. </li></ul><ul><li>Atualmente encontramos acoplado ao discurso das diferenças irreconciliáveis , outro tipo de discurso, trata-se do diagnóstico do fim das identidades. </li></ul>
  15. 15. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>Hall (2006) ao trabalhar com o conceito de identidade na pós- modernidade revela que o sujeito , previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, esta se tornando fragmentado, composto,não só de uma , mas de varias identidades, algumas das vezes até contraditórias ou não resolvidas “O Próprio processo de identificação , através do qual nos projetamos em nossas identidades culturais , tornou-se mais provisório, variável e problemático” ( p.12). </li></ul><ul><li>A pós- modernidade é reveladora não somente das diferenças , mas da fragmentação dos indivíduos em diferenças. </li></ul>
  16. 16. Multiculturalismo:problemas teóricos <ul><li>Para ele a pós- modernidade é reveladora de múltiplas identidades em um único sujeito , deixando de existir uma identificação automática “a identidade muda de acordo com a forma como o sujeito é interpelado ou representado, a identificação não é automática , mas pode ser ganhada ou perdida.Ela tronou-se politizada.Esse processo é, às vezes, descrito como constituindo uma mudança de uma política de identidade (de classe)por exemplo, para uma política da diferença “(P.21) </li></ul>
  17. 17. As diferenças e a discriminação <ul><li>A superação da alienação exige organização política e ideológica independente. </li></ul><ul><li>A substituição revolucionária do poder político. </li></ul><ul><li>A transformação do modo de produção e a superação das formas de sociabilidade atualmente dominantes. </li></ul>
  18. 18. Opressão de classe e de dominação da mulher. <ul><li>Marx e Engels derrubaram os pilares da tese fatalista da base material da opressão da mulher. </li></ul><ul><li>Atribuíram a questão da opressão da mulher e as relações sociais entre homens e mulheres na sociedade de classes, estatuto teórico. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>1846 – A ideologia alemã </li></ul><ul><li>“ a primeira divisão do trabalho é aquela existente entre homem e a mulher para a procriação.E agora eu posso acrescentar : a primeira oposição de classe coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher no casamento conjugal e a primeira opressão de classe com a opressão do sexo feminino pelo sexo masculino” </li></ul>
  20. 20. <ul><li>A dominação da mulher está ligada à exploração de classes, ao surgimento da propriedade privada,do Estado. </li></ul><ul><li>A dominação da mulher no entanto não se restringe a existência das classes. </li></ul><ul><li>Ela assume historicamente todos os elementos que envolvem a objetivação e subjetivação. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>A emancipação da mulher é a mais longa das lutas – devido características que assume e à longa duração e à generalidade da discriminação a emancipação feminina vai além da revolução econômica e política, demandando mudanças de valores e hábitos arraigados em todas as classes sociais . </li></ul>
  22. 22. Racismo – discriminação. <ul><li>A ascensão da burguesia em escala mundial esta fundada no saque e no extermínio dos povos e na afirmação da supremacia branca sobre as outras raças que compõem a humanidade. </li></ul><ul><li>Eurocentrismo – supremacia da cultura. </li></ul><ul><li>O racismo moderno é inerente ao capitalismo – mas também ultrapassa a superação do capitalismo, porque o racismo não é apenas econômico e social assume também elementos da moral e da ética e da estética. </li></ul>
  23. 23. <ul><li>Do ponto de vista econômico é um meio também de desvalorização da força de trabalho. </li></ul><ul><li>Do ponto de vista político é um artifício para dividir os trabalhadores e facilitar a dominação, desvaloriza a enorme e extraordinária experiência da luta e de vida dos povos negros e de outros povos. </li></ul>
  24. 24. <ul><li>Do ponto de vista ideológico é um recurso de descaracterização e de afetar a moral e a auto estima de parte significativa da população e afastar a possibilidade de luta unitária contra a opressão. </li></ul><ul><li>O racismo é parte integrante da ideologia burguesa dominantes e se dissemina de forma sutil e aberta por diferentes segmentos da sociedade. </li></ul>
  25. 25. <ul><li>A luta contra o racismo passa pela valorização de sua contribuição à vida econômica, social, política e culturas da humanidade em geral e de cada país em particular. </li></ul><ul><li>È preciso distinguir diferença de desigualdade. </li></ul><ul><li>Os homens não são iguais- o falso principio de igualdade </li></ul><ul><li>discriminação, desigualdade e racismo. </li></ul><ul><li>A relação entre o geral e o específico nesta formulação serve tanto para a luta feminista como também para a luta contra o racismo. </li></ul>
  26. 26. Referencias bibliográficas <ul><li>HALL , Stuart . A identidade cultural na pós-modernidade/Stuart Hall , tradução Tomaz Thadeu da Silva , Guacira Lopes Louro-11 ed., Rio de Janeiro, DP&A,2006. </li></ul><ul><li>JAMESON, Frederic. Espaço e imagem -Teorias do pós-moderno e outros ensaios. São Paulo,Editora da UFRJ , 1994. </li></ul><ul><li>LYOTARD, Jean- François. Condição Pós – moderna . 2ª ed.,Lisboa,Gradiva , 1989. </li></ul><ul><li>______. O pós-moderno explicado às crianças .2ª Ed.,Lisboa, Publicações Don Quixote,1993. </li></ul><ul><li>WILLINSKY, John. Multiculturalismo – Identidade -Cultura-Raça.Tradução : Maria Lucia Mendes Gomes e Vera L. Visockis Macedo.São Paulo, Caderno de Pesquisa /Fundação Carlos Chagas n117 , 2002. </li></ul>

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