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Monografia Walace Peixoto

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Análise econômica da influência da Usiminas na cidade de Ipainga-MG

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Monografia Walace Peixoto

  1. 1. 4 Walace Vinicius Peixoto BatistaAnálise da influência econômica da Usiminas na cidade de Ipatinga: antes e após a privatização Juiz de Fora 2011
  2. 2. 5 Walace Vinícius Peixoto BatistaAnálise da influência econômica da Usiminas na cidade de Ipatinga: antes e após a privatização Monografia apresentada pelo acadêmico Walace Vinícius Peixoto Batista (200605040), como exigência do curso de graduação em Ciências Econômicas da Universidade Federal de Juiz de Fora, sob a orientação do professor Wilson Luiz Rotatori Corrêa. Juiz de Fora 2011
  3. 3. 6 RESUMOO presente estudo examina as consequências econômicas da privatização dasiderúrgica Usiminas sobre o mercado de trabalho e a dinâmica dos setores deatividade econômica da cidade de Ipatinga (MG). A fim de se entender se talprocesso culminou em efeitos negativos ou se os positivos os superaram. Para isso,objetivou mensurar o quadro de empregados dos vários setores de atividadeseconômicas anteriormente e após o processo de privatização. Calculou os saláriosmédios para cada setor e seu comportamento ao longo dos anos. E ainda, analisoua evolução do nível educacional dos trabalhadores da cidade. Segundo as análisesrealizadas, o setor industrial sofreu diminuições do contingente de empregados àépoca da desestatização, entretanto, ao passar dos anos apresentou um progressochegando a números bem superiores aos iniciais. E os demais setoresapresentaram crescimentos no número de funcionários com o passar do tempo. Naabordagem dos salários médios foi observado que em todos os setores houve umaevolução do salário de seus trabalhadores, excetuando-se apenas o industrial, emque ocorreu uma piora nos rendimentos médios. Nos níveis de instrução foi notadauma constante melhoria do nível educacional com aumento das parcelas de melhorgrau educacional. Em suma, em relação ao emprego a economia da cidade superouos níveis anteriores à privatização e seus impactos negativos, já a questão dosalário médio apresentou implicações diferentes em cada setor da economia domunicípio.
  4. 4. 7 SUMÁRIO1 INTRODUÇÂO ........................................................................................................ 82 REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................ 113 METODOLOGIA ................................................................................................... 163.1 BASE DE DADOS .............................................................................................. 163.2 MÉTODO ........................................................................................................... 204 ANÁLISES DOS RESULTADOS .......................................................................... 224.1 ANÁLISE DE EMPREGOS E EMPREGOS POR SETOR ECONÔMICO ........... 224.2 ANÁLISE DE EMPREGOS POR NÍVEL EDUCACIONAL .................................. 304.3 ANÁLISE DE SALÁRIO POR SETOR DE ATIVIDADE ECONÔMICA ................ 345 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 376 REFERÊNCIAS .................................................................................................... 40
  5. 5. 81 INTRODUÇÂO Ipatinga, a 200 quilômetros de Belo Horizonte, surgiu devido à criação daindústria Usiminas. Por causa da necessidade de se criar uma estrutura de moradiapara seus trabalhadores, e em razão das oportunidades oferecidas, ocasionou aaglomeração urbana. O local escolhido era de baixo potencial agrícola, e depequena população com uma produção extrativa incipiente. Foi escolhida por estarem uma região geograficamente favorável à siderurgia, com proximidades àsregiões produtoras de minério de ferro e com transporte para escoamento daprodução. A empresa construiu a infraestrutura dos bairros onde morariam seusempregados e continuou responsável pela dinâmica social e econômica do lugar. Com a privatização em 1991, a participação da siderúrgica na quantidade depostos de trabalho da cidade foi diminuída em função do desligamento detrabalhadores e do aumento da utilização de empregados e empresas terceirizadas,levando a um crescimento do setor de serviços e do comércio na cidade. Issoresultou no fim do antigo modelo de grande empresa estatal de produção fordista,uma vez que tinha uma relação estreita com a cidade tendo como principal funçãoser provedora, mas também beneficiada por isso. A configuração anterior deempresa-mãe de moldes estatais deu lugar uma nova situação mais condizente coma realidade mundial e com a globalização. O considerável enxugamento de postosde trabalho na siderúrgica, devido ao aumento de eficiência e produtividade,diminuição de custos, e automação, provou um impacto na economia ipatinguense(SOUZA; CARVALHO NETO, 2009). A antecedente alta quantidade de empregadosfoi transferida para empresas terceirizadas e prestadoras de serviço a Usiminas, ouque vendiam seus produtos para ela. Porém muitos passaram a ocupar outrasatividades, como no comércio e em bancos. Atualmente, um novo segmento econômico que está assumindo um papel deimportância em Ipatinga: as instituições de ensino superior. Há muito tempo a cidadedispunha de escolas de ensino fundamental e médio de alta qualidade, mas erampoucas as de graduação e pós-graduação. Na medida em que a cidade estárelativamente distante de grandes centros, da inexistência de universidades públicasna região e da alta oferta educacional, havia forte demanda por cursos superiores.Isso fez com que muitas faculdades se instalassem na região. Ao se considerar a
  6. 6. 9teoria econômica, a ascensão do nível educacional gera efeitos positivos irradiadospelo local, como atração de profissionais e estudantes qualificados, aumentando osníveis salariais e a qualidade das atividades e cargos. Possivelmente esse foi uminstrumento para melhorar os setores alternativos à indústria, e ser um plausívelmeio de desenvolver uma a estrutura independente à Usiminas. O presente estudo tem como objetivo analisar os impactos econômicos daempresa Usiminas sobre a cidade de Ipatinga e as implicações decorrentes de suaprivatização, via alterações no número de empregos e renda gerada. Para isso,buscará analisar a dinâmica de emprego no mercado formal a fim de verificar osimpactos do processo de enxugamento da mão-de-obra, devido à privatização daUsiminas, sobre o número de trabalhadores e a massa salarial no município.Especificamente, irá calcular a magnitude das mudanças na quantidade de postosde trabalho na economia de Ipatinga, inferir as mudanças e conseqüências nossalários dos diferentes setores da economia da cidade, comparar as alterações nomercado de trabalho antes e após a privatização da empresa, e ainda, procuraranalisar a dimensão do setor de serviços e comércio, assim como sua relevânciaeconômica. E com isso, analisar se foi criada uma maior diversificação da economia dacidade em relação às atividades e conjunturas apresentadas por sua principalindústria. E, portanto verificar a capacidade dos diversos setores que compõem aeconomia municipal em lidar com as fases negativas para a siderúrgica devido àsoscilações do mercado de aço e dos preços das commodities. O problema de pesquisa pertinente se encontra na questão de se aprivatização da Usiminas prejudicou a economia de Ipatinga ou esta foicompensada, por uma alocação das atividades econômicas para outros setores. Ede tal forma quais foram os impactos do enxugamento de empregos industriais e asdimensões da evolução do salário médio. Procurando avaliar a hipótese de que ocrescimento dos setores de serviço e de empresas prestadoras de serviço à própriaUsiminas ter gerado uma maior dinamização e diversificação da economiaipatinguense. O atual trabalho se faz necessário pela importância de se conhecer aestrutura e as relações econômicas da cidade, podendo ser utilizado como noçãoaos cidadãos e agentes competentes das necessidades e características do
  7. 7. 10mercado de trabalho do município. O estudo se justifica assim, por gerarconhecimento para os agentes econômicos e políticos sobre quais são aspeculiaridades do mercado de trabalho de Ipatinga e os setores que trazem maisbenefícios à economia municipal. O intuito é de se conhecer as características edimensão de cada divisão de atividade econômica, entre elas a indústria, construçãocivil, comércio, serviços e agropecuária, e o nível atual da distribuição entre oscampos de atividades, para se intuir sobre a recente importância da indústria, emuma cidade que foi totalmente dependente da Usiminas. E também pela falta deestudos específicos na cidade, podendo indicar aos potenciais investidores e àiniciativa privada os nichos de mercado atrativos e como se comporta a dinâmicados negócios do local. A partir disso, mostrará a importância de se criar estímulos aocrescimento dessas atividades e políticas públicas favoráveis ao crescimento domunicípio.
  8. 8. 11 2 REVISÃO DE LITERATURA O Município de Ipatinga foi escolhido para construção da empresa Usiminas,por ter as características necessárias a uma siderúrgica. Na época não passava deuma área de produção agrária de subsistência e de extração de carvão vegetal epouco habitada. A empresa teve então que construir, além de seu complexoindustrial, uma estrutura para receber os trabalhadores construtores da usina e,após seu término, toda a base de uma cidade que pudesse abrigar os funcionários eseus familiares (SOUZA; CARVALHO NETO, 2009). Depois disso, continuou a teruma importância irrestrita na vida e na economia da sociedade ipatinguense pordécadas. Essa estrutura, porém, foi modificada com o início da desestatização dasiderúrgica. Como explicita Andrade et al. (2001), na década de 1980, a alta dívidaexterna impedia a política das décadas anteriores de ativa participação do Estado naestrutura produtiva com as empresas estatais e ainda os investimentos em aumentoda produção e da qualidade. O que fez com que as empresas estatais siderúrgicasse encontrassem com alto endividamento, parque industrial defasado, investimentoslimitados e gestão burocrática e política. Tudo isso culminando no processo deprivatização, que levou ao fim da política de proteção e controle de preços, trazendomaior competição ao mercado da siderurgia. Houve geração de benefícios, emprimeiro plano, aumento na produtividade, investimento em tecnologia, redução decustos, melhoria de resultados, entrada no mercado de capitais e administraçãoprofissional, chegando assim, ao nível dos maiores grupos internacionais. Os quais,a propósito já participam de forma marcante no mercado nacional, devido àsatratividades conferidas indústria interna. Ao se avaliar todo o processo de abertura e privatização nacional como umtodo, Moreira e Najberg (1999) concluíram que a abertura comercial diminui oemprego industrial, mas aumenta o emprego na agricultura. Isso leva à indagaçãosobre a possibilidade de Ipatinga ter ficado prejudicada já que dependia muito daindústria e nunca possuiu atividades agrícolas relevantes. Ao se considerar a desestatização nacional em conjunto, e para os diversossetores, Pinheiro (1996) testa as hipóteses teóricas dos efeitos posteriores àprivatização, e conclui que nas empresas, após terem sido privatizadas, cresceu o
  9. 9. 12nível da produção, a lucratividade, eficiência, melhoraram os resultados financeiros(aumento da liquidez, do patrimônio líquido e redução do endividamento), e tiveramaumentos no investimento. Já o fator negativo foi a diminuição no número deempregos. O autor ressalva que mesmo com esses benefícios, para se atingir umaeficiência completa se faz necessário que se prime pela liberalização comercial,além de manter uma estrutura regulatória para que se garanta uma boa competição. Paula (1997) constata que no campo da siderurgia, a privatização foi umadas mais transparentes do mundo, principalmente por ter utilizado o método doleilão. Foi ainda a que concedeu maior desconto para compra de suas ações aosseus funcionários, tendo o intuito de amenizar as opiniões contrárias ao processo. Jáo maior ponto negativo foi ter sido realizada de forma concentrada, acarretando emuma perda do lucro com a valorização das ações da empresa e perder a chance deter tido uma maior segurança quanto ao risco de um momento mais ou menosfavorável à venda. Avaliando as sinergias e transbordamentos entre as regiões brasileiras,Sesso Filho et al. (2006), chegaram ao resultado de que o setor siderúrgico tem omaior valor em efeito transbordamento no sentido resto do Brasil para regiãoSudeste, ou seja, os produtos siderúrgicos apresentam a maior importância emvalores desta região no fornecimento de bens às demais regiões. Já no caso daregião Sul ocorre no sentido contrário, no sentido Sul para as outras regiões asiderurgia apresenta também o maior valor do multiplicador de transbordamento.Logo a ampliação da produção desse setor no Sul causaria um alto efeitomultiplicador no restante do país. Procurando avaliar as implicações da adoção de medidas antidumping e docâmbio flutuante, no setor siderúrgico mineiro e nacional, Firme e Vasconcelos(2009), utilizaram matrizes insumo-produto inter-regional para comparar o setor emquestão do estado de Minas Gerais com o resto do país. Para tal foram calculadosos multiplicadores de produção, que denotam a mudança direta e indireta daprodução total da economia como um todo em razão de uma alteração exógena nademanda final de certo setor. Também os multiplicadores de emprego, que capturamo número de empregos do setor devido à adição de uma unidade de produção nomesmo. E estimaram ainda, os índices de ligação, que mostram os efeitos positivosda produção de um setor tanto sobre os outros compradores quanto sobre os
  10. 10. 13vendedores. Como resultado, mostrou que houve uma queda dos multiplicadores deprodução das siderúrgicas de Minas Gerais, ou seja, diminuiu o poder do setor degerar crescimento no estado, mas o resultado não foi o oposto no resto do país. Notocante ao multiplicador de emprego de Minas Gerais e também dos outros estados,aconteceu uma diminuição, assim, menos pessoas precisariam ser contratadas. Éprovável que isso se deva às políticas de aumento de eficiência e produtividadeadotadas no implemento da privatização. Com isso, percebe-se que essa indústriaestá ficando menos intensiva em mão-de-obra e mais em capital, como se apresentacomumente no mundo. Como conclusões, afirmam que as medidas negativas àexportação não causaram sérios impactos no setor, contudo provavelmente tenhasido o câmbio flutuante que compensou o potencial efeito adverso dasregulamentações do comércio externo. Analisando também os fatores econômicos nos diferentes setores, Chiari eDuarte FIilho (2002), com o auxílio da matriz insumo-produto inter-regional MinasGerais-Resto do Brasil de 1996, estimada pela FIPE/USP e BDMG, estudaram ascaracterísticas da estrutura produtiva do estado de Minas Gerais e suas relaçõescom o Brasil como um todo. Os multiplicadores de produção encontraram que osprincipais setores foram de fabricação de outros produtos metalúrgicos, fabricaçãode aparelhos e equipamentos de material elétrico, e siderurgia. Os setores-chavepara a economia de Minas Gerais foram o siderúrgico e o de fabricação de outrosprodutos metalúrgicos, sendo assim, os de primeira importância para a economia doestado. Usando a mesma matriz insumo-produto citada Domingues e Haddad (2002)realizam um estudo relacionando as exportações de Minas Gerais. Segundo eles, asexportações do estado foram, em 1996, de 6,4 bilhões de reais, ou 9,28% doProduto Regional Bruto mineiro. Dessa quantidade, 67% são concentradas nossetores: extrativa mineral, siderurgia e indústria do café. Importante salientar que30% do total das exportações. Com tais resultados sobre a siderurgia em relação àeconomia mineira, percebe-se o grande valor de tal setor para o mercado. Um dos efeitos da mudança do mercado siderúrgico estatizado para oprivatizado foi o de levar a uma reorganização da composição da indústria. Osprocessos de aquisições acarretam em uma diminuição do número de siderúrgicas,por exemplo, a Usiminas que comprou a Cosipa. Para Gomes, Aidar e Videira(2006), fusões aumentam lucros de toda a indústria, mas será superior para as
  11. 11. 14autoras das compras. Para chegar a esse julgamento, eles compararam a situaçãoda Arcelor com a da Usiminas e concluíram que a primeira, que desempenhou maisaquisições, teve resultados superiores Já em relação à competitividade da siderurgia, Camargos e Paula (1997)discorrem sobre o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento das ex-estatais.Para eles, houve diminuição nos postos de trabalho, assim como nos outros ramosda indústria, porém cresceu a alocação nos departamentos de pesquisa e um houveum drástico crescimento nas despesas em P&D. Mas no geral, manteve-se acondição anterior à privatização: a finalidade da pesquisa em adquirir tecnologias doexterior, se concentrar em desenvolvimento de produtos e não de processos e obaixo vigor em pesquisa. No caso da Usiminas, houve uma diminuição no númerode pesquisadores e funcionários do departamento de P&D, contudo permaneceu amédia dos gastos em pesquisa. Para descobrir os setores de maior peso em efeitos multiplicadores de rendae emprego, Brene et al. (2010), realizaram um estudo estimando a matriz de insumo-produto para o município de São Bento do Sul, Santa Catarina, e seus índiceseconômicos. Calcularam também os geradores de emprego, renda e produto e seustransbordamentos para os diferentes setores da cidade. Outro trabalho que buscou entender as relações entre os ramos de atividadeeconômica foi o de Wiesbusch (2007), acerca da economia do Rio Grande do Sul.Com o objetivo de prover conhecimento para autoridades e público, com fins deorientar a execução de políticas públicas de desenvolvimento econômico. Chegou-se à implicação de que o setor de abate de animais, o de beneficiamento deprodutos vegetais e a indústria de laticínios foram os que tiveram os maiorestransbordamentos de renda para a economia. Os de maior multiplicadores deemprego foram os setores de administração pública e de couro, calçados e peles. Jáos de multiplicadores de valor adicionado que tiveram maior influência foram asáreas de abate de animais, de comércio e de administração pública. Trazendo oconhecimento que a região possui variados setores de importância econômica quepodem ser estimulados e terão forte impacto no crescimento das atividadeseconômicas do local. Com o intuito de realizar um estudo sobre a introdução da indústriasiderúrgica na economia do estado de Espírito Santo e a importância desse setor
  12. 12. 15econômico, Setto, Brasil e Vieira (2005) calcularam as demandas finais poratividade, prepararam as matrizes de insumo-produto da economia do estado,mensuraram os resultados de choques na demanda final sobre a produção e criaçãode empregos, e calcularam os índices de ligação. Pelos resultados, concluíram queo setor siderúrgico pertence aos que geraram os mais fortes impactos na produçãoda economia capixaba. Mas teve baixa importância na questão de criação deempregos, o que pode ser explicado pela siderurgia ser intensiva em capital. Porém,o setor foi um dos que atingiu os maiores índices de ligações. Assim conclui-se queo setor siderúrgico é consideravelmente criador de renda, e ainda muito competenteem induzir efeitos significativos na economia do Espírito Santo. Para um aprofundamento no caso do Vale do Aço, Soares et al. (2004),calculam em seu trabalho que o desemprego de Ipatinga em 2004 foi de 10,9% oude 20,18% ao se utilizar o critério do DIEESE - Departamento Intersindical deEstatística e Estudos Socioeconômicos - que inclui o desemprego oculto portrabalho precário ou desalento, e no Vale do Aço de 11,6% ou 21,7% por tal critério.As taxas de desemprego são apresentadas proporcionalmente entre as cidades deIpatinga, Timóteo e Coronel Fabriciano e em relação ao tamanho da população. Euma parcela considerável, 15,5% dos ocupados trabalha em cidade diferente da quemora, explicado pela proximidade entre essas cidades. O estudo ainda traçou o perfil social dos indivíduos com e sem emprego.Pouco mais da metade (51,8%) dos desempregados está na faixa de renda que vaide 0 à R$ 500,00, e quase a metade (49,5%) destes tem de 18 a 24 anos. Já emrelação aos ocupados, os autores estimaram que praticamente um terço (33,2%) dototal de trabalhadores pertencia à atividade siderúrgica ou metalúrgica, seguida pelosetor comercial e depois pelo de serviços. Os dados atestam a particularidade daregião em ter como base a indústria siderúrgica. Além da Usiminas, em Ipatinga,também existia a siderúrgica Acesita, em Timóteo.
  13. 13. 163 METODOLOGIA3.1 BASE DE DADOS Na realização do presente trabalho foi utilizado o sistema de dados da Rais(Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho e Emprego, quedispõe de informações sócio-econômicas sobre o mercado de trabalho. De acordocom os objetivos deste estudo, focou-se nos números de empregos de diferentessetores econômicos da cidade de Ipatinga – MG, nas quantidades de trabalhadorespor níveis educacionais e nas remunerações recebidas pelos segmentos relevantes.Tais elementos abrangem o período de 1985 a 2010, devido aos dados existentes epor compreender os anos anteriores à privatização, durante esta, e dos anossubseqüentes até os atuais, permitindo, assim, uma análise sobre os diferentesmomentos em relação à estruturação empregatícia da empresa siderúrgica Usiminase as implicações e dinâmicas do restante do mercado. A partir também da Rais foipossível a obtenção da massa salarial dos setores e a apreciação do seucomportamento ao longo do tempo. Os dados consistiam em uma tabela formulada a partir do sistema on-line daRAIS com o conjunto de informações do número de trabalhadores referentes aoGrande Setor de Atividade Econômica do IBGE:INDÚSTRIA: quantidade de trabalhadores da indústria no ano.CONSTRUÇÃO CIVIL: quantidade de trabalhadores do setor da construção civil noanoCOMÉRCIO: quantidade de trabalhadores do comércio em tal ano.SERVIÇOS: quantidade de trabalhadores no setor serviços no ano.AGROPECUÁRIA: soma da quantidade de trabalhadores da agricultura, pecuária,extração vegetal, caça e pesca.OUTROS/IGNORADO: quantidade de trabalhadores que se enquadram em outrosou ignorado.Divisões em relação ao nível de instrução:ANALFABETO: número de trabalhadores Analfabetos
  14. 14. 175A COMPLETO FUNDAMENTAL: número de trabalhadores com 5ª ano Completodo Ensino Fundamental6 A 9 FUNDAMENTAL: número de trabalhadores Do 6ª ao 9ª ano Incompleto doEnsino FundamentalFUNDAMENTAL COMPLETO: E número de trabalhadores com Ensino FundamentalCompletoMÉDIO INCOMPLETO: número de trabalhadores com Ensino Médio IncompletoMÉDIO COMPLETO: número de trabalhadores com Ensino Médio CompletoSUPERIOR INCOMPLETO: número de trabalhadores com Educação SuperiorIncompletaSUPERIOR COMPLETO: número de trabalhadores com Educação SuperiorCompletaMESTRADO: número de trabalhadores com Mestrado CompletoDOUTORADO: número de trabalhadores com Doutorado CompletoIGNORADO: Desconhecido Para os cálculos dos valores dos salários médios por setor, foram utilizados a variável de que apresenta a remuneração de cada atividade econômica e os índices de preços do Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA. Conforme o quadro:REM DEZ (Remuneração de Dezembro em salários mínimos): representando o totalde salários mínimos recebidos pelo conjunto de trabalhadores do setor específicoem dezembro de cada ano.IPCA: Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo do IBGE/SNIPC (InstitutoBrasileiro de Geografia e Estátistica/Sistema Nacional de Índices de Preços aoConsumidor).Salário Mínimo: salários mínimos nominais sancionados, do Ministério do Trabalho eEmprego, MTE.Multiplicador de Unificação Monetária: Conversores de unidade monetária correntepara reais correntes. Fonte: Sistema Gerenciador de Séries temporais do BancoCentral do Brasil.
  15. 15. 18 E ainda para os anos de 2003 ao de 2010 foram utilizados os dados setoriais do Subsetor de atividades econômicas do IBGE (SUBSIBGE), com as variáveis:EXTRAÇÂO MINERAL: quantidade de trabalhadores da atividade Extrativa mineralMINERAL NÃO METÁLICO: quantidade de trabalhadores da Indústria de produtosminerais não-metálicos.INDÚSTRIA METALÚRGICA: quantidade de trabalhadores da Indústria metalúrgica.INDÚSTRIA MECÂNICA: quantidade de trabalhadores da Indústria mecânica.ELETÉTRICA E COMUNICAÇÕES: quantidade de trabalhadores da Indústria domaterial elétrico e de comunicações.MATERIAL TRANSPORTE: quantidade de trabalhadores da Indústria do material detransporte.MADEIRA E MOBILIÁRIO: quantidade de trabalhadores da Indústria da madeira edo mobiliário.PAPEL E GRÁFICA: quantidade de trabalhadores da Indústria do papel, papelão,editorial e gráfica.BORRACHA, FUMO, COURO: quantidade de trabalhadores da Indústria daborracha, fumo, couros, peles, similares, e indústrias diversas.INDÚSTRIA QUÍMICA: quantidade de trabalhadores da Indústria química deprodutos farmacêuticos, veterinários, perfumaria.INDÚSTRIA TÊXTIL: quantidade de trabalhadores da Indústria têxtil do vestuário eartefatos de tecidos.INDÚSTRIA CALÇADOS: quantidade de trabalhadores da Indústria de calçados.ALIMENTOS E BEBIDAS: quantidade de trabalhadores da Indústria de produtosalimentícios, bebidas e álcool etílico.SERVIÇO UTILIDIDADE PÚBLICA: quantidade de trabalhadores em Serviçosindustriais de utilidade pública.CONSTRUÇÃO CIVIL: quantidade de trabalhadores da Construção civil.COMÉRCIO VAREJISTA: quantidade de trabalhadores no comércio varejista.COMÉRCIO ATACADISTA: quantidade de trabalhadores do Comércio atacadista.INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS: quantidade de trabalhadores de Instituições de
  16. 16. 19crédito, seguros e capitalização.ADMINISTRAÇÃO TÉCNICA PROFISSIONAL: quantidade de trabalhadores emCom. e administração de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico...TRANSPORTE E COMUNICAÇÕES: quantidade de trabalhadores em Transportes ecomunicações.ALOJAMENTO COMUNICAÇÕES: quantidade de trabalhadores em Serviços dealojamento, alimentação, reparação, manutenção e redação.MÉDICOS, ODONTOLÓGIOS, VETERINÁRIOS: quantidade de trabalhadores emServiços médicos, odontológicos e veterinários.ENSINO: quantidade de trabalhadores do EnsinoADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: quantidade de trabalhadores da Administração públicadireta e autárquicaAGRICULTURA: quantidade de trabalhadores da Agricultura, silvicultura, criação deanimais e extrativismo vegetal.OUTROS/IGNORADOS: Quantidade em outros ou ignorado.
  17. 17. 20 3.2 MÉTODO Neste estudo, a metodologia de apreciação empregada foi a análisedescritiva, tendo o desígnio de confrontar as suposições da literatura sobre otema com os dados e efeitos comensuráveis. Em virtude da importância de se mensurar as mudanças na média dossalários da força trabalhadora do município, foi elaborada uma tabela com ossalários médios dos setores mais relevantes para o atual estudo, que são:Indústria, Construção Civil, Comércio e Serviços. Para tal, foi usada a variável com as quantias da remuneração recebidaspelos trabalhadores: REM DEZ (Remuneração de Dezembro em saláriosmínimos): representando o total de salários mínimos recebidos pelo conjunto detrabalhadores do setor específico em dezembro de cada ano. Foi preciso, porém, transformar os valores relativos a cada ano para preçosatuais, sendo possível assim comparar o real poder de compra dos salários aolongo do tempo. Assim, a fim de atualizar o salário do ano em questão para valores correntesde dezembro de 2010: : o valor do salário mínimo de cada ano em questão, atualizadopara valores de 2010. : valor nominal do salário mínimo praticado em dezembro do anoem questão. Fonte: site do Ministério do Trabalho e emprego Multiplicador de Unificação Monetária mensal do Banco Central,para o mês de dezembro do ano trabalhado, que consiste em um índice queconverte o valor da moeda corrente para o Real, do Sistema de SériesTemporais do Banco Central.
  18. 18. 21 : Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, relativo ao ano emês base, dezembro de 2010. : Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, do mês dedezembro de cada ano em qual se está abordando. Com o intuito de se calcular uma média salarial para cada setor de interesse,foi utilizada a seguinte equação: : Média salarial de certo setor em valores corrigidos pela inflação. : Soma dos salários mínimos recebidos pelos trabalhadores do setorrelevante em cada ano. : salário mínimo do ano em valores referentes a preços de 2010,resultado da equação anterior (1) de atualização de valores. : número de trabalhadores de cada setor estudado ano em questão.
  19. 19. 224 ANÁLISES DOS RESULTADOS4.1 ANÁLISE DE EMPREGOS E EMPREGOS POR SETOR ECONÔMICO Pela visualização dos dados da tabela 1 de números de empregados porsetor econômico dos anos 1985 ao de 2010, construída a partir dos dados da Rais –Relação Anual de Informações Sociais – do Ministério do Trabalho e Emprego, faz-se possível a análise dos principais grandes setores de atividade econômica:Indústria, Construção Civil, Comércio e Serviços. A partir dos dados dessa tabelanota-se que nos meados da década de 80 era alto o número de empregos no setorindustrial da cidade de Ipatinga, e que com certeza a ampla maioria pertencente àempresa Usiminas. Já do ano 1988 em diante, tem início uma diminuição dessespostos de trabalho, devido à política de aumento de eficiência com as práticas deenxugamento de postos de emprego. Isso porque a empresa estava buscando umaorganização mais moderna comparativamente às outras estatais. E ainda por umanecessidade de adequação prévia para o processo privatizante, que envolvia umamelhora da eficácia, da produtividade e a limitação do contingente de funcionários. Como resultado de tal processo, advém uma drástica diminuição de quasetrês mil funcionários nesse setor do ano de 1987, quando havia 17.082 empregadospassando para 14.290 em 1988. Por outro lado, um aumento tão expressivo quanto,se deu no setor de serviços de 1986 para 1987, apoiando a tese de que antigosfuncionários, algumas vezes aposentados, se reposicionaram como prestadores deserviços e outra boa parcela em empresas terceirizadas atuando na própriaUsiminas. E foram registrados aumentos, apesar de menos expressivos, na seçãodo comércio. A composição percentual dos diversos setores começa a se reformular, coma queda da ampla maioria do emprego na indústria e um crescimento da taxa nocampo de serviços, fazendo com que os dois setores cheguem a níveis próximos departicipação no total de postos de trabalho no começo dos anos 90. Não apenas nacomposição percentual, mas também as quantidades absolutas de empregos setornam um tanto parecidas nesse período. Nos anos seguintes há uma estagnaçãona indústria, conservando o número de empregos que já havia sofrido uma reduçãoem razão da privatização da Usiminas em 1991.
  20. 20. 23Tabela 1 – Número de Empregados por setor no município de Ipatinga INDÚSTRIA CONSTRUÇÃO COMÉRCIO SERVIÇOS AGROPECUÁRIA OUTROS/IGNORADO TOTAL CIVIL 1985 16152 45.53% 4519 12.74% 3047 8.59% 11745 33.11% 5 0.01% 9 0.03% 35477 1986 16733 49.02% 3108 9.10% 3674 10.76% 10527 30.84% 24 0.07% 71 0.21% 34137 1987 17082 44.36% 2817 7.32% 3750 9.74% 14451 37.53% 1 0.00% 405 1.05% 38506 1988 14130 40.51% 1483 4.25% 3885 11.14% 14924 42.79% 0 0.00% 457 1.31% 34879 1989 14290 35.20% 3562 8.77% 4322 10.64% 17866 44.00% 11 0.03% 551 1.36% 40602 1990 13682 37.46% 2683 7.35% 4143 11.34% 14973 40.99% 22 0.06% 1023 2.80% 36526 1991 13833 37.54% 3028 8.22% 4365 11.85% 14121 38.33% 19 0.05% 1479 4.01% 36845 1992 13500 37.56% 2868 7.98% 3739 10.40% 14271 39.71% 30 0.08% 1534 4.27% 35942 1993 13602 34.67% 2702 6.89% 4254 10.84% 14554 37.10% 41 0.10% 4076 10.39% 39229 1994 14565 37.15% 4623 11.79% 4662 11.89% 14853 37.88% 87 0.22% 420 1.07% 39210 1995 14907 37.14% 5071 12.63% 5711 14.23% 14195 35.36% 56 0.14% 201 0.50% 40141 1996 15143 37.20% 4660 11.45% 5808 14.27% 14959 36.75% 93 0.23% 43 0.11% 40706 1997 15875 37.16% 5823 13.63% 6537 15.30% 14385 33.67% 92 0.22% 9 0.02% 42721 1998 15466 35.38% 4933 11.28% 7835 17.92% 15369 35.15% 115 0.26% 1 0.00% 43719 1999 15304 34.06% 5454 12.14% 8177 18.20% 15900 35.39% 98 0.22% 0 0.00% 44933 2000 15143 33.10% 4867 10.64% 8518 18.62% 17073 37.31% 155 0.34% 0 0.00% 45756 2001 15213 31.32% 6675 13.74% 9033 18.60% 17502 36.03% 150 0.31% 0 0.00% 48573 2002 14447 30.44% 4760 10.03% 9740 20.52% 18244 38.44% 271 0.57% 0 0.00% 47462 2003 14888 30.02% 5041 10.16% 10409 20.99% 19091 38.49% 171 0.34% 0 0.00% 49600 2004 15900 29.72% 5717 10.69% 11507 21.51% 20073 37.52% 300 0.56% 0 0.00% 53497 2005 16257 27.97% 8410 14.47% 12529 21.56% 20666 35.56% 256 0.44% 0 0.00% 58118 2006 17996 30.03% 7224 12.06% 12874 21.49% 21170 35.33% 321 1.09% 0 0.00% 59920 2007 19535 30.69% 8414 13.22% 13461 21.15% 21854 34.33% 387 0.61% 0 0.00% 63651 2008 21692 31.81% 9126 13.38% 14618 21.44% 22457 32.93% 299 0.44% 0 0.00% 68192 2009 23421 33.37% 7299 10.40% 15002 21.37% 24048 34.26% 424 0.60% 0 0.00% 70194 2010 26192 32.60% 12061 15.01% 15826 19.70% 25928 32.27% 341 0.42% 0 0.00% 80348FONTE: Elaboração do autor a partir de dados da Rais (2011)FONTE: RAIS - Ministério do Trabalho e Emprego (2011)NOTA: Para o ano de 1999, para o setor INDÚSTRIA, e no ano de 2006 para AGRICULTURA, foi considerada a média dos anos anteriores e posteriores devido aonúmero fornecido pela Rais não ser condizente com o contexto.
  21. 21. 24 Essa constância envolve todos os setores sendo quebrada apenas após oano de 1994, em função da estabilidade econômica gerada com o Plano Real e dofim da tortuosa inflação da década anterior. Juntando a isso o crescimento e amadurecimento da economia domunicípio, foi ocasionada uma retomada no aumento de funcionários no setorindustrial, inédita desde o período do processo de privatização da usina. Além deste,os outros setores também começaram a apresentar razoável crescimento, emespecial o comércio que até então não apresentava um aumento muito abundanteem termos percentuais, mantendo um volume de empregados pouco superior emrelação aos anos anteriores. A partir daí e do ano de 1998 em diante, tem início umconstante crescimento nos postos de trabalho dos vários setores em questão. Após o ano de 2003 inicia-se uma forte e estável evolução do número deempregos em todos os setores de atividades da cidade. Provavelmente em razão docrescimento da economia nacional, com o fortalecimento do mercado interno aliadoa uma conjuntura internacional positiva de também crescimento econômico, como oda China, representando os maiores indicadores de aumento de Produto InternoBruto. Importante notar que o setor que teve o mais intenso progresso foi oindustrial, que pode ser explicado por todo esse ambiente favorável e o alto preçodas commodities, sobretudo o aço e o minério de ferro, produtos da Usiminas. Do ano de 2003 a 2010 os setores de Serviços, Comércio e Construção Civilapresentaram crescimento da ordem de cerca de 5 mil empregados cada um,enquanto o da Indústria proporcionou sozinho um crescimento de praticamente 10mil funcionários ao longo desse mesmos período. Com isso, a Usiminas passou dos16 mil postos de trabalho – o mesmo nível da década de 80 – paraaproximadamente 26 mil, índice muito superior e inédito até então. Desta forma, o montante de funcionários da indústria alcançou um patamarsuperior ao do longínquo período anterior à privatização, como mostrado maisclaramente pelo gráfico 1. Sendo uma evidência de que a cidade e essa atividadeeconômica superaram algumas das potenciais desvantagens da desestatização desua empresa siderúrgica, seu principal agente econômico.
  22. 22. 25 INDÚSTRIA 30000 25000 20000 15000 INDÚSTRIA 10000 5000 0 GRÁFICO 1 - Número de Empregos da Indústria em Ipatinga FONTE: Elaboração do autor a partir de dados da Rais (2011) Devido ao fato de a divisão “Indústria” abranger muitos tipos de atividadesdistintas à da siderúrgico-metalúrgica concernente a Usiminas, pode não ficar muitoexato se foi preponderantemente nesse ramo industrial que houve o crescimentoanteriormente mencionado. Por esse motivo, examinaram-se dados com os númerosde empregados em específicas seções do setor de indústrias. Construindo assim, atabela 2, com um detalhamento mais minucioso das atividades no período daqueleadmirável crescimento do ano de 2003 ao de 2010. Ao ponderar sobre essa tabela,fica evidente que o setor metalúrgico, que inclui a siderurgia e, por conseguinte aprópria Usiminas, é o de superior magnitude e ainda apresenta a maior elevação.Como pode ser visualizado no gráfico 2. Imprescindível ressaltar que o grupo “Indústria Metalúrgica” apresenta umcrescimento de aproximadamente 100% na quantia de trabalhadores ao longodesses sete anos em questão. Ao se comparar a tabela 2 com a tabela 1 é possível notar ainda que aevolução de empregos na particular seção metalúrgica apresentou uma maior taxade crescimento que a do setor Industrial como um todo. Se o conjunto da indústriapercebeu aumento na casa de 75%, individualmente o setor da indústria
  23. 23. 26metalúrgico-siderúrgica atingiu o dobro do número de funcionários em 2010 emrelação aos de 2003. No trabalho de Souza e Carvalho Neto (2009), afirmou-se que osempregados remanescentes dos desligamentos da Usiminas se remanejariam parao setor de serviços, entretanto ao longo dos anos o setor que apresentou maiorcrescimento, tanto em participação ante os demais quanto em números absolutos,foi na verdade o comercial. Tal setor foi por muito tempo bem diminuto comparadoaos principais, industrial e serviços, contudo foi aumentando de forma estávelalcançando um número comparável e aproximadamente próximo a esses setores,culminando de tal modo em uma forte participação na composição do mercado detrabalho. Essa situação e a magnitude da participação dos demais setores pode serobservado no gráfico 3. 30000 IND CALCADOS 25000 IND TEXTIL IND QUIMICA 20000 BOR FUM COUR PAPEL E GRAF 15000 MAD E MOBIL MAT TRANSP ELET E COMUN 10000 IND MECANICA IND METALURG 5000 MIN NAO MET EXTR MINERAL 0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 GRÁFICO 2 - Composição dos Subsetores Industriais FONTE: Elaboração do autor a partir de dados da Rais (2011)
  24. 24. 27 100% 90% 80% 70% OUTROS/IGN 60% AGROPECUÁRIA 50% SERVICOS COMÉRCIO 40% CONSTRUÇÃO CIVIL 30% INDÚSTRIA 20% 10% 0% 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009GRÁFICO 3 - Composição Setorial de EmpregosFONTE: Elaboração do autor a partir de dados da Rais (2011)
  25. 25. 28Tabela 2 - Número de Empregados por Subsetor 2003 - 2010 Subsetor 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 EXTRAÇÃO 62 0.13% 57 0.11% 59 0.10% 67 0.11% 70 0.11% 69 0.10% 64 0.09% 66 0% MINERAL MINERAIS NÃO 137 0.28% 135 0.25% 147 0.25% 226 0.38% 302 0.47% 331 0.49% 312 0.44% 324 0% METÁLICOS INDÚSTRIA 11517 23.22% 12591 23.54% 12713 21.87% 13433 22.42% 15164 23.82% 16715 24.51% 20030 28.54% 22631 28% METALURGICA IND MECANICA 112 0.23% 92 0.17% 76 0.13% 687 1.15% 958 1.51% 1359 1.99% 340 0.48% 364 0% ELÉTRICA E 0 0.00% 0 0.00% 0 0.00% 0 0.00% 0 0.00% 3 0.00% 7 0.01% 9 0% COMUNICAÇOES MATERIAL 27 0.05% 9 0.02% 9 0.02% 12 0.02% 16 0.03% 13 0.02% 18 0.03% 22 0% TRANSPORTE MADEIRA E 380 0.77% 209 0.39% 221 0.38% 216 0.36% 176 0.28% 160 0.23% 162 0.23% 168 0% MOBÍLIA PAPEL E 128 0.26% 174 0.33% 163 0.28% 188 0.31% 209 0.33% 276 0.40% 269 0.38% 256 0% GRÁFICA BORRACHA 181 0.36% 274 0.51% 350 0.60% 284 0.47% 297 0.47% 223 0.33% 227 0.32% 298 0% FUMO COURO INDÚSTRIA 134 0.27% 202 0.38% 235 0.40% 296 0.49% 317 0.50% 327 0.48% 314 0.45% 280 0% QUÍMICA INDÚSTRIA 800 1.61% 885 1.65% 925 1.59% 987 1.65% 891 1.40% 1021 1.50% 939 1.34% 1017 1% TÊXTIL INDÚSTRIA 0 0.00% 0 0.00% 0 0.00% 1 0.00% 8 0.01% 8 0.01% 3 0.00% 5 0% CALÇADOS ALIMENTOS E 746 1.50% 820 1.53% 909 1.56% 1128 1.88% 618 0.97% 682 1.00% 731 1.04% 687 1% BEBIDAS SERVIÇO 664 1.34% 452 0.84% 450 0.77% 471 0.79% 509 0.80% 505 0.74% 5 0.01% 65 0% UTILIDADE PÚBLICA CONSTRUÇÃO 5041 10.16% 5717 10.69% 8410 14.47% 7224 12.06% 8414 13.22% 9126 13.38% 7299 10.40% 12061 15% CIVIL COMÉRCIO 9510 19.17% 10346 19.34% 11403 19.62% 11861 19.79% 12376 19.44% 13517 19.82% 13796 19.65% 14553 18% VAREJO COMÉRCIO 899 1.81% 1161 2.17% 1126 1.94% 1013 1.69% 1085 1.70% 1101 1.61% 1206 1.72% 1273 2% ATACADO INSTITUIÇOES 573 1.16% 496 0.93% 547 0.94% 656 1.09% 743 1.17% 754 1.11% 825 1.18% 897 1% FINANCEIRAS
  26. 26. 29 ADMINISTRAÇÃO 3720 7.50% 3644 6.81% 3751 6.45% 3306 5.52% 3746 5.89% 3744 5.49% 4051 5.77% 4976 6% TÉCNICA PROFISSIONAL TRAN E COMUM 2071 4.18% 1978 3.70% 2099 3.61% 1902 3.17% 1863 2.93% 2122 3.11% 2162 3.08% 2279 3% ALOJAMENTO 4005 8.07% 4169 7.79% 4279 7.36% 4729 7.89% 4697 7.38% 4881 7.16% 5277 7.52% 5526 7% COMUNICAÇÕES MEDICA 2529 5.10% 3385 6.33% 3186 5.48% 3239 5.41% 3522 5.53% 3705 5.43% 3784 5.39% 3849 5% ODONTOLÓGICA VETERINÁRIA ENSINO 1292 2.60% 1342 2.51% 1558 2.68% 1897 3.17% 2163 3.40% 2336 3.43% 2191 3.12% 2603 3% ADMINISTRAÇÃO 4901 9.88% 5059 9.46% 5246 9.03% 5441 9.08% 5120 8.04% 4915 7.21% 5758 8.20% 5798 7% PÚBLICA AGRICULTURA 171 0.34% 300 0.56% 256 0.44% 656 1.09% 387 0.61% 299 0.44% 424 0.60% 341 0% OUTROS/ 0 0.00% 0 0.00% 0 0.00% 0 0.00% 0 0.00% 0 0.00% 0 0.00% 0 0% IGNNORADO TOTAL 49600 53497 58118 59920 63651 68192 70194 80348FONTE: Elaboração do autor a partir de dados da Rais (2011)FONTE: RAIS - Ministério do Trabalho e Emprego (2011)
  27. 27. 30 4.2 ANÁLISE DE EMPREGOS POR NÍVEL EDUCACIONAL Utilizando a tabela 3 e o gráfico 4 da “Quantidade de Trabalhadores porGrupos Educacionais”, composição educacional dos trabalhadores, pode-se inferirque na década de 80 a maior parte da força trabalhadora da cidade era compostapor indivíduos que apresentavam escolaridade apenas até o Ensino Fundamental. Amaioria, por volta de 20%, possuía o quinto ano completo do ensino fundamental.Por volta de 15% tinham apenas até o quinto ano incompleto do ensino fundamental,enquanto outra parcela perto de 15% possuía do sexto ao nono ano do ensinofundamental. 100% 90% IGNORADO 80% DOUTORADO 70% MESTRADO SUP COMP 60% SUP INCOMP 50% MEDIO COMPL MEDIO INCOMP 40% FUND COMPL 30% 6 A 9 FUND 5A CO FUND 20% ATE 5A INC 10% ANALFABETO 0% 86 88 90 92 94 96 98 2000 2002 2004 2006 2008 2010GRÁFICO 4 – Quantidade de Trabalhadores por Grupos EducacionaisFONTE: Elaboração do autor a partir de dados da Rais (2011)
  28. 28. 31 TABELA 3 – Grau de Instrução por setor do município de Ipatinga GRAU ANALFA ATE 5ª 5ª FUNDA 6A9 FUNDA MÉDIO MÉDIO SUPERIOR SUPERIOR MESTRE DOUTOR IGNO TOTALINSTRU BETO INCOMPLETO MENTAL FUNDA MENTAL INCOM COM INCOM COMPLETO RADO ÇÃO COMPLETO MENTAL COMPLETO PLETO PLETO PLETO 1985 1774 4817 6992 6204 4358 3451 2310 248 5213 0 0 110 35477 5.00% 13.58% 19.71% 17.49% 12.28% 9.73% 6.51% 0.70% 14.69% 0.00% 0.00% 0.31% 100% 1986 1774 4817 6992 6204 4358 3451 2310 248 5213 0 0 110 35477 5.00% 13.58% 19.71% 17.49% 12.28% 9.73% 6.51% 0.70% 14.69% 0.00% 0.00% 0.31% 1987 750 5487 8019 6870 4715 2926 3102 257 1637 0 0 374 34137 2.20% 16.07% 23.49% 20.12% 13.81% 8.57% 9.09% 0.75% 4.80% 0.00% 0.00% 1.10% 1988 1074 6010 8677 7251 5209 3109 4164 384 2168 0 0 460 38506 2.79% 15.61% 22.53% 18.83% 13.53% 8.07% 10.81% 1.00% 5.63% 0.00% 0.00% 1.19% 1989 830 5152 7067 6982 4918 2903 4338 368 2121 0 0 200 34879 2.38% 14.77% 20.26% 20.02% 14.10% 8.32% 12.44% 1.06% 6.08% 0.00% 0.00% 0.57% 1990 537 5506 9062 9087 5663 3380 4536 400 2254 0 0 177 40602 1.32% 13.56% 22.32% 22.38% 13.95% 8.32% 11.17% 0.99% 5.55% 0.00% 0.00% 0.44% 1991 367 4449 6864 9682 5053 3020 4459 466 2241 0 0 244 36845 1.00% 12.07% 18.63% 26.28% 13.71% 8.20% 12.10% 1.26% 6.08% 0.00% 0.00% 0.66% 1992 617 3882 6678 8930 4982 3126 4550 450 2448 0 0 279 35942 1.72% 10.80% 18.58% 24.85% 13.86% 8.70% 12.66% 1.25% 6.81% 0.00% 0.00% 0.78% 1993 665 3656 7271 10110 5563 3393 5089 504 2686 0 0 292 39229 1.70% 9.32% 18.53% 25.77% 14.18% 8.65% 12.97% 1.28% 6.85% 0.00% 0.00% 0.74% 1994 672 4282 7305 9650 5472 3320 5348 519 2608 0 0 34 39210 1.71% 10.92% 18.63% 24.61% 13.96% 8.47% 13.64% 1.32% 6.65% 0.00% 0.00% 0.09% 1995 840 5411 6219 9807 5144 3734 5313 654 2779 0 6 110 40141 2.09% 13.48% 15.49% 24.43% 12.81% 9.30% 13.24% 1.63% 6.92% 0.31% 0.01% 0.27% 1996 707 3704 7377 8740 5730 3947 7065 619 2599 0 0 218 40706 1.74% 9.10% 18.12% 21.47% 14.08% 9.70% 17.36% 1.52% 6.38% 0.00% 0.00% 0.54% 1997 676 4185 6507 9656 6169 4283 7649 683 2892 0 0 21 42721 1.58% 9.80% 15.23% 22.60% 14.44% 10.03% 17.90% 1.60% 6.77% 0.00% 0.00% 0.05% 1998 627 3401 4907 10661 6866 5067 8678 729 2769 0 0 14 43719 1.43% 7.78% 11.22% 24.39% 15.70% 11.59% 19.85% 1.67% 6.33% 0.00% 0.00% 0.03% 1999 679 3869 5541 10286 8629 6325 11824 952 3515 0 0 0 51620
  29. 29. 32 1.32% 7.50% 10.73% 19.93% 16.72% 12.25% 22.91% 1.84% 6.81% 0.00% 0.00% 0.00%2000 596 3250 5010 8742 7748 5810 10916 798 2886 0 0 0 45756 1.30% 7.10% 10.95% 19.11% 16.93% 12.70% 23.86% 1.74% 6.31% 0.00% 0.00% 0.00%2001 810 3080 5247 9063 7833 5982 12687 835 3036 0 0 0 48573 1.67% 6.34% 10.80% 18.66% 16.13% 12.32% 26.12% 1.72% 6.25% 0.00% 0.00% 0.00%2002 533 2575 3750 8156 8124 6059 14126 814 3325 0 0 0 47462 1.12% 5.43% 7.90% 17.18% 17.12% 12.77% 29.76% 1.72% 7.01% 0.00% 0.00% 0.00%2003 237 2173 4158 8154 8089 6140 15688 866 4095 0 0 0 49600 0.48% 4.38% 8.38% 16.44% 16.31% 12.38% 31.63% 1.75% 8.26% 0.00% 0.00% 0.00%2004 229 2166 3886 8574 8742 6555 17958 1032 4355 0 0 0 53497 0.43% 4.05% 7.26% 16.03% 16.34% 12.25% 33.57% 1.93% 8.14% 0.00% 0.00% 0.00%2005 265 1862 4578 8004 9977 6859 20550 1168 4855 0 0 0 58118 0.46% 3.20% 7.88% 13.77% 17.17% 11.80% 35.36% 2.01% 8.35% 0.00% 0.00% 0.00%2006 228 1631 3192 8237 10083 7172 22735 1334 5220 85 3 0 59920 0.38% 2.72% 5.33% 13.75% 16.83% 11.97% 37.94% 2.23% 8.71% 0.14% 0.01% 0.00%2007 206 1633 3203 8161 10440 7660 24917 1607 5693 120 11 0 63651 0.32% 2.57% 5.03% 12.82% 16.40% 12.03% 39.15% 2.52% 8.94% 0.19% 0.02% 0.00%2008 232 1568 3259 8031 9778 8001 29318 1733 6115 147 10 0 68192 0.34% 2.30% 4.78% 11.78% 14.34% 11.73% 42.99% 2.54% 8.97% 0.22% 0.01% 0.00%2009 257 1709 2862 6989 9112 8812 31699 1809 6765 154 26 0 70194 0.37% 2.43% 4.08% 9.96% 12.98% 12.55% 45.16% 2.58% 9.64% 0.22% 0.04% 0.00%2010 220 2481 3493 7531 9726 9348 37297 2369 7599 234 50 0 80348 0.27% 3.09% 4.35% 9.37% 12.10% 11.63% 46.42% 2.95% 9.46% 0.29% 0.06% 0.00%FONTE: Elaboração do autor a partir de dados da RAIS – Ministério do Trabalho (2011)
  30. 30. 33 Já do ano de 1991 em diante, começa um aumento e preponderância doconjunto dos trabalhadores com Sexto ano do Ensino Fundamental ao Nono ano,além de um significativo aumento dos funcionários com Ensino Médio completo ecom Ensino Superior completo e incompleto. O levantamento condiz com a teoria deque, com o processo de privatização ocorrido no mesmo ano, a empresa ao semodernizar buscaria funcionários com maior grau educacional e mais preparadospara uma estrutura organizacional mais dinâmica e eficiente. Incluindo ainda aoconjunto de empresas do mercado buscar também uma maior eficiência, dada anova economia aberta ao mercado externo. A partir de então, nota-se uma constante diminuição do número de indivíduoscom os mais baixos graus de instrução, com os grupos de “até o quinto ano doEnsino Fundamental” e “com quinto ano completo do Ensino Fundamental”perdendo cada vez mais sua participação no total. Principalmente na entrada dosanos 2000 cedendo espaço, cada vez mais, aos grupos de “Ensino FundamentalCompleto” e principalmente “Ensino Médio Completo”, além de aumentosconsideráveis nos grupos de nível superior de ensino. Em 2010, o conjunto de “Ensino Médio Completo” abrangia praticamentemetade de toda a população trabalhadora. E, notavelmente, significativa quantidadede indivíduos com títulos de Mestrado e Doutorado que em anos anteriores eramínfimos. Os avanços na escolaridade e nos títulos podem ser explicados pelo avançodo processo educacional nas últimas décadas e pela demanda cada vez maior domercado por trabalhadores com alto grau de especialização.
  31. 31. 34 4.3 ANÁLISE DE SALÁRIO POR SETOR DE ATIVIDADE ECONÔMICA Analisando a tabela 4 e o gráfico 5 dos salários médios per capita dosdiferentes setores da cidade de Ipatinga, é possível ter uma noção global daevolução dos rendimentos ao longo do tempo em cada setor estudado e fazer umacomparação entre estes. O ponto mais aparente é o de que o salário do setor industrial foi sempre omaior entre os quatro grupos em qualquer ano observado, indicando sua importânciacomo maior gerador de receita para o município. Ao contrário do que poderia sugerira literatura sobre a desestatização acerca dos salários, não há um indício dediminuição dos salários globais no setor logo após a privatização. Desde 1986 atéos anos seguintes à Privatização (em 1991) a média dos salários se mantémoscilando em torno dos R$ 3.000,00. À propósito, tal montante representa um valor bem alto ao se comparar comos outros setores da economia, significando quase o triplo do valor do segundo setorde maior salário, o de serviços. Nos anos de maior amplitude entre tais, éaproximadamente seis vezes o do setor de comércio, por exemplo. Assim, constata-se o poder de geração de renda da indústria para a economia local, como era de seesperar pela teoria pertinente ao tema. Porém, a partir de 1996 há um estáveldeclínio no montante dos proveitos do grupo indústria, culminando em grandediferença entre os salários dos anos inicias e finais da amostra, gerando então umarazoável diminuição de sua importância, causada também pelo aumento dosrendimentos dos outros setores. O comércio, que nos anos iniciais remuneravamuito aquém aos demais, passou a crescer sobretudo após 2005, diminuindo essaamplitude ante aos demais grupos. Adotando em conjunto o tema dos salários e o da evolução do número detrabalhadores, conclui-se que houve crescimento na quantidade de pessoasempregadas e que foram gerados aumentos reais nos valores recebidos pelosdiversos setores de atividade econômica, excetuando-se o da indústria. Apesardisso, o resultado final é um tanto quanto dúbio. Já que por outro lado, observa-seque o salário industrial era bem maior que os demais e foi sofrendo aguda contraçãoao longo do tempo. Contrabalanceando de certa forma o efeito positivo do aumentodo número de empregos percebido pelo estudo.
  32. 32. 35 R$ 4,500.00 R$ 4,000.00 R$ 3,500.00 R$ 3,000.00 R$ 2,500.00 INDUSTRIA CONSTR CIVIL R$ 2,000.00 COMERCIO R$ 1,500.00 SERVICOS R$ 1,000.00 R$ 500.00 R$ -GRÁFICO 5 - Salários MédiosFONTE: Elaboração do autor a partir de dados da Rais (2011) Para completar, inicialmente a maior parte do número de empregos se davano setor industrial. Todavia, foi ocorrendo de modo progressivo um deslocamentopara os outros setores, decorrendo em uma configuração em que o setor de serviçosabrange parcelas muito semelhantes de participação. E o comércio e a construçãocivil, parcelas muito mais relevantes do que outrora. O que resulta em uma menorrenda se comparado à suposição de que o aumento absoluto nos números deempregos se desse na mesma estrutura anterior de participação prioritariamenteindustrial, já que superior quantia da população auferiria os maiores salários médios.
  33. 33. 36Tabela 4 - Salário Médio por Setor Ano INDÚSTRIA CONSTRUÇÃO COMÉRCIO SERVIÇOS CIVIL 1985 R$ 3,011.50 R$ 1,162.46 R$ 627.66 R$ 1,158.19 1986 R$ 2,964.95 R$ 887.46 R$ 549.81 R$ 986.59 1987 R$ 2,759.28 R$ 928.96 R$ 507.42 R$ 1,073.45 1988 R$ 4,068.03 R$ 918.99 R$ 573.31 R$ 1,259.10 1989 R$ 3,337.58 R$ 905.55 R$ 615.93 R$ 1,420.67 1990 R$ 2,489.82 R$ 694.32 R$ 450.09 R$ 1,101.51 1991 R$ 4,072.96 R$ 1, 387.13 R$ 608.76 R$ 1,392.46 1992 R$ 2,901.14 R$ 737.67 R$ 420.30 R$ 1,111.86 1993 R$ 2,893.00 R$ 794.28 R$ 453.23 R$ 720.13 1994 R$ 2,978.72 R$ 881.95 R$ 476.71 R$ 1,191.02 1995 R$ 3,153.62 R$ 964.98 R$ 578.72 R$ 1,494.11 1996 R$ 2,669.55 R$ 890.98 R$ 578.01 R$ 1,263.23 1997 R$ 2,433.34 R$ 951.39 R$ 596.49 R$ 1,290.61 1998 R$ 2,227.71 R$ 866.11 R$ 606.80 R$ 1,350.86 1999 R$ 2,349.54 R$ 779.34 R$ 600.03 R$ 1,187.76 2000 R$ 1,929.86 R$ 749.15 R$ 569.58 R$ 1,155.42 2001 R$ 1,857.48 R$ 839.05 R$ 627.98 R$ 1,140.63 2002 R$ 2,133.81 R$ 864.22 R$ 556.62 R$ 1,078.40 2003 R$ 2,135.82 R$ 874.37 R$ 562.84 R$ 1,063.90 2004 R$ 2,622.78 R$ 864.48 R$ 583.87 R$ 1,100.40 2005 R$ 2,129.63 R$ 926.09 R$ 619.47 R$ 1,101.91 2006 R$ 2,462.27 R$ 930.75 R$ 661.58 R$ 1,193.79 2007 R$ 2,362.88 R$ 952.07 R$ 733.14 R$ 1,232.53 2008 R$ 2,655.42 R$ 1,142.16 R$ 747.57 R$ 1,202.02 2009 R$ 2,165.04 R$ 1,148.42 R$ 812.69 R$ 1,307.39 2010 R$ 2,309.32 R$ 1,496.83 R$ 835.54 R$ 1,374.46FONTE: Elaboração do autor a partir de dados da Rais (2011)
  34. 34. 37 5 CONCLUSÃO O atual estudo teve o intuito de agregar conhecimento sobre o universoeconômico da cidade de Ipatinga, em Minas Gerais. Sendo um caso específico, masque pode servir para exemplificar parte de uma tese macroeconômica elaboraenvolvendo diferentes temas. A literatura econômica nos apresenta diversosmodelos e abordagens sobre o tema de empresas estatais e sua antagonistaprivatização com toda a característica competitiva do setor privado. Se por um lado,há toda a discussão sobre a eficiência do Estado-empresário e do monopólionatural, por outro, os efeitos concretos e localizados serão os que realmenteimportarão para ratificar as suposições da teoria. Por tais razões e pelo interesse em se estudar os aspectos da economiaregional. Além disso, o estudo teve a finalidade de entender melhor asconseqüências de tão intensa modificação que representa a desestatização de umagrande empresa de tanta importância para uma cidade de médio porte. Pelas anteriores análises ficou claro que com o plano de privatização daUsiminas, o emprego diminuiu no processo de enxugamento de postos precedente.E após isso, a criação de empregos em seu setor e subsetores ficou estagnada. Noentanto, assim como indicava a literatura consultada, ocorreu um deslocamento donúmero de empregos para outros setores. Foram consideráveis os crescimentos nossetores da construção civil, comércio e serviços. Em especial nos anos seguintes aode 1997, em que o ramo industrial apresentava baixas mudanças enquanto osreferidos setores geraram novas vagas com intensidade. De 2003 em diante, a situação começou a se modificar. Os setores deatividades terciárias continuam a incrementar o número de empregos, porém é aindústria que passa a ter as maiores percentagens de ampliação no quadro defuncionários, apresentando um cenário ainda não exposto pela literatura sobre acidade. E ainda, questionando as publicações que previam apenas contrações noque concerne ao número de trabalhadores da indústria. No que diz respeito ao nível educacional do conjunto de trabalhadores,houve um intenso aperfeiçoamento da força trabalhadora da cidade. Em grandeparte pode ser explicado pela elevação do nível educacional no Brasil, e a cada vez
  35. 35. 38maior exigência do mercado por mão-de-obra qualificada. De qualquer forma, indicaque a economia ipatinguense acompanhou essa evolução educacional. Sendo assimpossivelmente, um indicador de que o supracitado crescimento do montante depostos de trabalho se deu em empregos de, ao menos, nível melhor quesubemprego. Como foi examinado no quesito da remuneração média, ocorreram drásticasvariações no padrão dos valores pecuniários recebidos por todos os setoresestudados; Indústria, Construção Civil, Comércio e Serviços. Especificamente naatividade indústria incidiu uma retração no salário médio, explicado pelo fato de queera típico de uma estatal conceder maiores benefícios que o setor privado. Todavia,salvo este setor, todos os demais apresentaram uma evolução positiva em termosde ganhos monetários em média. Chegando assim a uma conjectura em que um setor, a propósito o de maiorrelevância econômica, aufere uma situação inferior no sentido de benefíciosmonetários para seus funcionários que, no entanto, é contrabalanceada poraumentos em sua extensão de efetivo de trabalhadores. Pesando ainda mais, tantoa ampliação no quesito quantidade de trabalhadores em todos os grandes setoresverificados, como pelos incrementos nas remunerações monetárias desses setores. Agregando o total dos efeitos incididos em Ipatinga, decorrentes do processode privatização e do desenvolvimento sócio-econômico do Brasil, conclui-se que ossetores da cidade, excetuando-se o industrial, atingiram um melhor nível de bem-estar social, ao se levar em conta apenas os elementos examinados. Isso em função de a população prejudicada, que seria dos funcionários daUsiminas nos tempos anteriores a privatização que sofreram contração de seussalários médios, representaria uma menor parcela em relação à totalidade detrabalhadores. Já que um elevado plantel de funcionários foi acrescentado aoquadro da empresa e dos demais setores, e que nesses outros setores, além disso,os empregados tiveram ganhos na média salarial. Culminando assim, em umasuperior situação econômica social do município comparada à fase estatal de suaprincipal empresa. Levando em conta que este estudo enfocou apenas as características domercado de trabalho, seria interessante que futuros trabalhos buscassem mensuraro crescimento do PIB, as mudanças nas quantidades de estabelecimentos de
  36. 36. 39negócios dos vários segmentos e a evolução das arrecadações tributáriasmunicipais. A fim de incluir outros fatores econômicos, aperfeiçoando assim, oentendimento da evolução da economia da cidade. E ainda, para se contextualizar a situação particular do mercado de trabalhoipatinguense, seria importante calcular os salários médios de cada setor em outrascidades ou regiões, tornando possível uma comparação mais abrangente.
  37. 37. 406 REFERÊNCIASANDRADE, M. L. et al. Impactos da Privatização no setor siderúrgico. BNDES,Jan. 2001.BANCO CENTRAL DO BRASIL. Sistema de Gerenciamento de Séries TemporaisFonte: <http://www.bcb.gov.br/?SERIETEMP>BRENE, P. R. A. et al. Estimativa da matriz de insumo-produto do Município de SãoBento do Sul no Estado de Santa Catarina. In: ANPEC SUL, 13, 2010, Porto Alegre.CAMARGOS, S. P., DE PAULA, G.M. Competitividade e privatização: o caso dasiderurgia brasileira. Caderno de Pesquisa em Administração, São Paulo, v.2, n.5,p17-26, 1997.CHIARI, J. R. P., DUARTE FILHO, F.C. Características Estruturais da EconomiaMineira. Cadernos BDMG, n.4. Belo Horizonte, BDMG, 2002.DOMINGUES, E. P., HADDAD, E. A. Matriz Inter-regional de Insumo-produto MinasGerais/Resto do Brasil: Estimação e Extensão para Exportações. In: X Semináriosobre a Economia Mineira, 2002, Diamantina. Anais do X Seminário sobre aEconomia Mineira, 2002.FIRME, V. A. C. VASCONCELOS, C.R. F. O setor siderúrgico nacional: uma análiseinter-regional de insumo produto para período de 1999 a 2002. In: ENCONTRONACIONAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS REGIONAIS EURBANOS (ABER), 38, 2009, São Paulo.GOMES, C; AIDAR. O; VIDEIRA, R. Fusões, aquisições e lucratividade: uma análisedo setor siderúrgico brasileiro. Economia, v. 7, n. 4, p.143-163, 2006.INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE).Índices de Preços ao Consumidor - IPCA e INPC.Fonte: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/ipca-inpc_201109_1.shtm>
  38. 38. 41MOREIRA, M. NAJBERG, S. O Impacto da Abertura Comercial sobre o Emprego:1990-1997. In: GIAMBIAGI, F., MESQUITA, M. A Economia Brasileira nos Anos90. Rio de Janeiro. BNDES. 1999.MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO ( MTE). Rais (Relação Anual deInformações Sociais). Fonte: Portal de Estatísticas - Sistema On-Line Rais/Caged:<http://sgt.caged.gov.br/XOLAPW.dll/pamLoginMTE?lang=0>Salário Mínimo: Fonte: <http://portal.mte.gov.br/sal_min/>MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO (MTE). Emprego e Renda – Saláriomínimo. Fonte: <http://portal.mte.gov.br/sal_min/>PAULA, G. M de. Avaliação do processo de privatização da siderurgia brasileira.Revista de Economia Política, v. 17, n. 2, p. 92-109, 1997.PINHEIRO, A.C. (1996). Impactos Microeconômicos da Privatização. Pesquisa ePlanejamento Econômico, 26 (3): 357-398.SESSO FILHO, U. A. et al . Interações sinérgicas e transbordamento do efeitomultiplicador de produção das grandes regiões do Brasil. Econ. Apl., RibeirãoPreto, v. 10, n. 2, Jun. 2006 .SETTO, G. C.; BRASIL, G. H.; VIEIRA, W. da C. A Inserção do Setor Siderúrgico naEconomia Capixaba: Uma Análise de Insumo-Produto. Revista de Economia eAgronegócio, Viçosa, v. 3, n. 1, p.121-147, 2005.SOARES, D. M. et al. O Desemprego na Região Metropolitana vale do aço. RevistaOn-line Unileste, Coronel Fabriciano, v. 2, jul. 2004.SOUZA, S. de; CARVALHO NETO, A. Reestruturação produtiva, trabalho eestratégias de desenvolvimento local à luz da teoria do novo regionalismo.Cadernos Ebape, Rio de Janeiro, v. 7, n. 2, p.271-293, jun. 2009.WIEBUSCH, F. C. Estrutura Produtiva e Multiplicadores de Insumo-Produto doCOREDE Vale do Taquari. Porto Alegre, 2007. 88 f. Dissertação (Mestrado) - PUC-RS.

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