Metáfora e metonímia

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Metáfora e metonímia

  1. 1. O processamento metonímico/ metafóricoà luz da teoria do caos/complexidade Vera Menezes (UFMG/CNPq)
  2. 2. Alguns conceitos• conceitos da teoria caos/complexidade: – auto-organização – emergência – fractal• meme• compressão• descompressão fractal
  3. 3. Complexidade• “um sistema no qual uma rede ampla de componentes sem um controle central e como regras de operação simples dão origem a comportamento coletivo complexo, processamento de informação sofisticado, e adaptação via aprendizagem ou evolução”.• “um sistema que exibe comportamentos não triviais, auto-organizados e emergentes”. Mitchell (2009, p. 13).
  4. 4. Auto-organização• “a auto-organização é a capacidade apresentada por alguns sistemas de criar padrões de comportamentos não previsíveis, descentralizados” (Wikipédia)
  5. 5. Emergência• A ordem que emerge do caos ou da desordem, sendo essa nova ordem mais complexa do que o estado anterior.
  6. 6. Fractal• Mandelbrot (1977, p. 1) cunhou a palavra fractal a partir do adjetivo latino fractus, cujo verbo correspondente – frangere – significa quebrar, criar fragmentos irregulares. Ele afirma que os padrões da natureza são fragmentados e exibem diferentes níveis de complexidade. Essas formas têm também propriedade de escala, pois suas irregularidades ou fragmentações são semelhantes em todas as escalas
  7. 7. Mandelbrot (1977, p.34)• Embora os mapas desenhados em escala diferentes difiram em detalhes específicos, eles têm as mesmas características gerais. Em uma aproximação grosseira, os detalhes maiores e menores das linhas costeiras são geometricamente idênticos exceto pela escala.
  8. 8. Recursividade• Mandelbrot optou pelo termo cascata para nomear o mecanismo de geração de formas autosemelhantes, onde cada escala, ou nível de detalhamento, cria detalhes menores do que os dos estados precedentes.
  9. 9. A representação fractal da figura podeservir também para representar osistema gerador da linguagem a partirde frases. Assim, no primeiro triânguloteríamos um período simples (SN F SV )que se agrega a outro no segundo eassim por diante, fazendo emergirperíodoscompostos, parágrafos, texto, textos, discursos.
  10. 10. A figura seria também adequada para arepresentar o processo triádico darecursividade da semiose peirciana:qualidade, relação/reação, interpretaçãoou o signo, seu objeto e seuinterpretante, sendo este último oimpusionador da cadeia gerativa designificado, pois ao realizar o processode interpretação, gera outro signo, eassim por diante. O interpretante é, pois,elemento essencial na formação dacadeia semiótica, pois é ele quem fazemergir o signo. Essa ideia de circulaçãonos remete a outro conceito, o de meme.
  11. 11. MEME• Memes são melodias, ideias, um bordão, roupa da moda, formas de se fazer potes ou construir arcos. Assim como os genes se propagam de um corpo a outro via esperma ou óvulos, da mesma forma os memes se propagam de cérebro em cérebro em um processo que pode ser chamado, em sentido amplo, de imitação. Se o cientista ouve, ou lê sobre, uma boa ideia, ele a repassa aos colegas e estudantes e a menciona em seus artigos e palestras. Se a ideia pega, ela pode se propagar. (DAWKINS, 1976, p.192)
  12. 12. Compressão na linguística cognitiva • “um fenômeno na integração conceitual que permite que os seres humanos controlem simultaneamente cadeias difusas de raciocínio lógico para compreender o sentido global dessas cadeias” Fauconnier e Turner (2000, p, 283)
  13. 13. Fauconnier e Turner (2002, p.119) explicam:A princípio, a rede de integração conceitualcontém suas compressões e descompressões.Tipicamente em uso e processamento, apenaspartes da rede estão disponíveis e o resto temque ser construído dinamicamente. Em algunscasos, a descompressão será o caminhoprincipal da construção e, em outros, será acompressão. Mas na maioria dos casos, noprocessamento ou reconhecimento de umadescoberta cientifica ou de uma criaçãoartística, haverá um pouco de cada.
  14. 14. As compressões acontecem em escalasdiferentes
  15. 15. Compressão fractal de imagens “A compressão fractal baseia-se no facto de que qualquer imagem natural contém redundância afim, que por sua vez pode ser eliminada, resultando numa compressão da imagem”. A técnica consiste em eliminar as redundâncias, isto é, os componentes de alta frequência (GALABOV, 2003; KOMINEK, 2011).
  16. 16. Metáfora e metonímia na perspectiva cognitiva “Um mecanismo cognitivo onde um domínio experiencial é parcialmente mapeado em um domínio experiencial diferente, de tal forma que o segundo domínio seja parcialmente entendido em termos de outro”. (BARCELONA, 2003, p.3)
  17. 17. METONÍMIA“Um processo cognitivo noqual uma entidadeconceitual, o veículo, provêacesso mental a outraentidade conceitual, oalvo, dentro de um mesmomodelo cognitivo” Radden eKövecses (2007, p.336)
  18. 18. • A metáfora é uma operação interdomínios e a metonímia é uma operação intradomínio• Goossens (2003, p. 350) cunha o tema metaftonímia (metaphtonymy) para se referir à interação entre os dois fenômenos.• “Eu devia morder minha língua” Língua como metonímia (eu devia me calar) Metáfora: um pedido de desculpas por ter dito algo inapropriado.
  19. 19. Em todo processamentometafórico, temos encaixado umprocessamento metonímico, poisquando domínios conceituais sãointegrados, nãohá, necessariamente, uma integraçãoentre todos os elementos dosdomínios fonte e alvo, mas sim deelementos mapeados dentro de cadadomínio. Assim, teríamos, viarecursão, uma série de mapeamentosmetonímicos de cuja interação emergea metáfora. (PAIVA, 2010)
  20. 20. Várias metonímias podem ser mobilizadaspara se criar uma metáfora, via compressão. Efeito da morte Rosto encoberto desconhecido Mortalha/ Ferramenta batina para colheita presentes arma nos rituais da morte Compressão fractal
  21. 21. A metonímia é umaparte que contém otodo, pois ao seracionada edescompactada sechega ao todo.
  22. 22. A metonímia é um processamentosemelhante à compressão fractal deimagens. Quando se produz umametonímia, eliminam-se asredundâncias e mapeia-se dentrodesse domínio um elemento que, aomesmo tempo que remete ao todo deseu próprio domínio pode também serprojetado em um outro domínio paraproduzir um novo sentido, umametáfora.
  23. 23. Cada leitor/interpretante ao efetuar adescompressão das integraçõesconceituais projetadas por esse textomultimodal faz emergir cadeias semióticasdiversas, dependendo das interaçõesentre os memes de suas redesconceituais. O texto se auto-organiza, mesmo que o interpretante nãoefetue a integração com SãoSebastião, pois as flechas funcionamcomo metonímias que remetemfractalmente ao conceito de martírio emdiferentes escalas, gerando cadeiassemióticas diferentes, mas apesar dadiversidade se unifica na produção de
  24. 24. O processamento metonímico emetafórico são elementosconstituintes da complexidadedos processos cognitivos.Ambas configuram nossospensamentos, a forma comopercebemos o mundo, e asdiversas formas de linguagemverbal e não verbal, ouseja, todo o sistema semióticoda comunicação humana.
  25. 25. Na motivação de metonímias emetáforas estão os memes, queviainterpretante, sofrem, recursivamente, compressões fractais, perdemredundâncias e viaprocessamento metonímicosofrem realces de aspectos quemotivarão as metáforas, como é ocaso das flechas que são a basemetonímica na construção dametáfora multimodal do martírio.
  26. 26. Ao interpretar o texto da capa darevista Veja, efetuei descompressõescognitivas propiciadas pelo texto eminteração com os propiciamentos(affordances) de meu próprio sistemacognitivo, o que implica tambémrestrições que impedem a emergênciade outros sentidos que poderiam sergerados por outros interpretantes.
  27. 27. A rede de memes que fazem parte demeu sistemacognitivo, certamente, difere de outrosinterpretantes, o que limita meu espaçosemiótico às minhas experiências.Tenho, pois, consciência de que ossentidos que emergiram neste texto sãofruto de operações cognitivas que sãocomuns a todos os seres humanos, masque também são únicas em função dospropiciamentos e das restrições própriosdas experiências de cada um de nós.

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