O PROJETO LITERÁRIO   DO ARCADISMO
ILUMINISMOFrança S XVII------Apogeu: s. XVIII/ Século das luzesDomínio da razão sobre a visão teocêntrica.+ iluminar as tr...
ARCADISMOLiteratura do séc. XVIII ––Setecentismo ou              NeoclassicismoDomínio histórico no Brasil:   1768 : “Obr...
Ordem e convencionalismoHavia, na Grécia Antiga, uma  parte central do Peloponeso  denominada Arcádia.        De  relevo  ...
Nicolau Poussin (1594-1665): Et in Arcadia ego
A idealização da vida no campo   A    estética  desenvolvida    nessas academias de poetas    passou a ser chamada    Arc...
O pastoralismoUm dos aspectos maisartificiais da estética árcadeé o fato de os poetas e desuas musas seremidentificados co...
O bucolismoO adjetivo bucólico faz referência a tudo aquilo que é  relativo a pastores e seus rebanhos, à vida e aos  cost...
Linguagem: simplicidade acima de tudoO     Arcadismo adota como missão combater a    artificialidade verbal dos poetas bar...
Retomada dos lemas latinos:• fugere urbem:           fuga da cidade; afirmação das   qualidades da vida no campo.• locus a...
A OBRA POÉTICA                                                                                   ÉPICA               LÍRIC...
CLÁUDIO MANUEL DA COSTA Influência de Petrarca e Camões (sonetos); Resíduos cultistas : (transição Barroco/Arcadismo); ...
“Destes penhascos fez a natureza”Destes penhascos fez a naturezaO berço em que nasci: oh! quem cuidaraQue entre penhas tão...
TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA Elementos não-convencionais:– representação direta da natureza mineira, e não clássica;– lirismo pes...
1ª. Parte“MARÍLIA DE DIRCEU ”   - Valorização da figura da mulher                       amada;                       - A n...
Os teus olhos espalham luz divina,A quem a luz do Sol em vão se atreve:Papoula, ou rosa delicada, e fina,Te cobre as faces...
   Pastoralismo e bucolismo : entendimento de que felicidade    e beleza decorrem da vida no campo;   Convencionalismo: ...
   Tomás Antônio Gonzaga – satírico   Obra: “CARTAS CHILENAS”   Forma e conteúdo:       * Treze cartas anônimas       *...
O INDIANISMO DE BASÍLIO DA GAMA E SANTA              RITA DURÃOBASÍLIO DA GAMA                   SANTA RITA DURÃO         ...
BASÍLIO DA GAMA   Poema épico: “O URAGUAI”   Tema central: a história das tropas luso-    espanholas enviadas à região d...
Personagens:- General Gomes Freire de Andrade (chefe  português);- Catâneo (chefe das tropas espanholas);- Cacambo (chefe ...
Este lugar delicioso e triste,                Deixou cravados no vizinho tronco.Cansada de viver, tinha escolhido         ...
SANTA RITA DURÃO   CARAMURU – A glorificação do colonizador    branco.   Personagens: - Diogo Álvares Correia           ...
Características de “Caramuru”:   Tradicionalismo épico: duros trabalhos dum heróis,   contato entre gentes diversas, vis...
XXXVIIIBárbaro (a bela diz), tigre e não homemPorém o tigre, por cruel que brame,Acha forças amor que enfim o domem;Só a t...
O Arcadismo e a Inconfidência MineiraA descoberta do ouro nas Minas Gerais deslocou para o sudeste o desenvolvimento   urb...
Vila Rica (atual Ouro Preto)1              2
Libertas quae sera tamen                                proclamar a RepúblicaObjetivos dos inconfidentes                  ...
O fim dos inconfidentes   Ouvidor em Vila Rica,        Cláudio Manuel da Costa   Foi preso e deportado para             ...
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  1. 1. O PROJETO LITERÁRIO DO ARCADISMO
  2. 2. ILUMINISMOFrança S XVII------Apogeu: s. XVIII/ Século das luzesDomínio da razão sobre a visão teocêntrica.+ iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade .+ as crenças religiosas e o misticismo bloqueavam a evolução do homem.Deus estava na natureza+ John Locke: conhecimento através de empirismo.+ Voltaire: liberdade do pensamento+ Jacques Rousseau: estado democrático/igualdade. . (Contrato Social)+ Montesquieu:Divisão do poder em Ex./Leg./ Jud.+ Diderot: “A Enciclopédia”
  3. 3. ARCADISMOLiteratura do séc. XVIII ––Setecentismo ou NeoclassicismoDomínio histórico no Brasil: 1768 : “Obras”, de Cláudio Manuel da Costa 1836 : “Suspiros poéticos e Saudades”, de Gonçalves de Magalhães
  4. 4. Ordem e convencionalismoHavia, na Grécia Antiga, uma parte central do Peloponeso denominada Arcádia. De relevo montanhoso, essa região era habitada por pastores e vista como um lugar especial, quase mítico, em que os habitantes associavam o trabalho à poesia, cantando o paraíso rústico em que viviam. No século XVIII, o termo Arcádia passou a identificar as academias ou agremiações de poetas que se reuniam para restaurar o estilo dos poetas clássico- renascentistas, com o objetivo declarado de combater o rebuscamento barroco.
  5. 5. Nicolau Poussin (1594-1665): Et in Arcadia ego
  6. 6. A idealização da vida no campo A estética desenvolvida nessas academias de poetas passou a ser chamada Arcadismo. Tinha como característica principal a idealização da vida no campo. O desejo de seguir as regras da poesia clássica fez com que essa estética também fosse conhecida como Neoclassicismo.
  7. 7. O pastoralismoUm dos aspectos maisartificiais da estética árcadeé o fato de os poetas e desuas musas seremidentificados como pastorese pastoras . Sou pastor, não te nego; os meus montados São esses, que aí vês; vivo contente Ao trazer entre a selva florescente A doce companhia dos meus gados; ( Soneto IV - Cláudio Manuel da Costa)
  8. 8. O bucolismoO adjetivo bucólico faz referência a tudo aquilo que é relativo a pastores e seus rebanhos, à vida e aos costumes do campo.Marília de Dirceu: Lira XIII Num sítio ameno, Cheio de rosas De Brancos lírios, Murtas viçosas, Dos seus amores Na companhia, Dirceu passava Alegre o dia. (Tomás Antônio Gonzaga)
  9. 9. Linguagem: simplicidade acima de tudoO Arcadismo adota como missão combater a artificialidade verbal dos poetas barrocos. Por isso, elege a simplicidade como norma para a criação literária .Enquanto pasta alegre o manso gado,Minha bela Marília, nos sentemosÀ sombra deste cedro levantado.Um pouco meditemosNa regular beleza,Que em tudo quanto vive nos descobreA sábia Natureza (Tomás Antônio Gonzaga)
  10. 10. Retomada dos lemas latinos:• fugere urbem: fuga da cidade; afirmação das qualidades da vida no campo.• locus amoenus: valorização das coisascotidianas, simples, focalizadas pela razão e pelobom senso• aurea mediocritas:caracterização de umlugar ameno, onde os amantes se encontram paradesfrutar dos prazeres da natureza.• carpe diem: cantar o dia; trata dapassagem do tempo como algo que traz a velhice, a fragilidade e a morte, tornando imperativo aproveitar o momento presente de modo intenso.• inutilia truncat: eliminação dos excessos, evitando qualquer uso mais elaborado da linguagem.
  11. 11. A OBRA POÉTICA ÉPICA LÍRICA SATÍRICA “ As cartas chilenas” Basílio da Gama e Silvio Alvarenga, Claudio da Costa Tomás Antônio Gonzaga Santa Rita DurãoReproduzem as formas e Refletem a insatisfação dos habitantes da colôniatemas do Neoclassicismo em relação à administração “Uraguai” e “Caramuru”europeu portuguesa e aos seus agentes Introdução ao indi como tema liter ganhando o índ papel de guerreir ação, tomado c Personagem
  12. 12. CLÁUDIO MANUEL DA COSTA Influência de Petrarca e Camões (sonetos); Resíduos cultistas : (transição Barroco/Arcadismo); Fixação pelo cenário rochoso de Minas (“a imaginação da pedra”); Conflito interior: provocado pelo contrasteentre o rústico mineiro e a vivência intelectual esocial na Europa ; Ambiguidade: “nativismo” X “colonialismo”; Platonismo amoroso: Nise é a musa freqüente; Temática: o amante infeliz; o contraste rústico X civilizado; a tristeza da mudança das coisas em relação à permanência dos sentimentos
  13. 13. “Destes penhascos fez a natureza”Destes penhascos fez a naturezaO berço em que nasci: oh! quem cuidaraQue entre penhas tão duras se criaraUma alma terna, um peito sem dureza!Amor, que vence os tigres, por empresaTomou logo render-me; ele declaraContra meu coração guerra tão raraQue não me foi bastante a fortaleza.Por mais que eu mesmo conhecesse o danoA que dava ocasião minha brandura,Nunca pude fugir ao cego engano;Vós que ostentais a condição mais dura,Temei, penhas, temei: que Amor tiranoOnde há mais resistência mais se apura. Cláudio Manuel da Costa
  14. 14. TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA Elementos não-convencionais:– representação direta da natureza mineira, e não clássica;– lirismo pessoal (depressivo) decalcado da biografia, massem exageros .Obra lírica: “MARÍLIA DE DIRCEU” Eu vi o meu semblante numa fonte, Dos anos inda não está cortado;Eu, Marília, não sou algum vaqueiro, Os Pastores, que habitam este monte,Que viva de guardar alheio gado, Respeitam o poder do meu cajado.De tosco trato, de expressões grosseiro, Com tal destreza toco a sanfoninha,Dos frios gelos e dos sóis queimado. Que inveja até me tem o próprioTenho próprio casal e nele assisto; Alceste:Dá-me vinho, legume, fruta, azeite; Ao som dela concerto a voz celesteDas brancas ovelhinhas tiro o leite, Nem canto letra que não seja minha.E mais as finas lãs, de que visto. Graças, Marília bela,Graças, Marília bela, Graças à minha estrela! ...Graças à minha estrela!•
  15. 15. 1ª. Parte“MARÍLIA DE DIRCEU ” - Valorização da figura da mulher amada; - A natureza é o cenário perfeito para o idílio; - Declaração de Dirceu a Marília; - Dirceu assume-se como pastor; -Sonhos de felicidade futura. 2ª parte - Escrita no cárcere pelo inconfidente; - Substitui-se o locus amoenus pelo locus horrendus; - Pré-Romantismo: melancolia, saudade, depressão
  16. 16. Os teus olhos espalham luz divina,A quem a luz do Sol em vão se atreve:Papoula, ou rosa delicada, e fina,Te cobre as faces, que são cor de neve.Os teus cabelos são uns fios d’ouro;Teu lindo corpo bálsamos vapora.Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,Para glória de Amor igual tesouro.Graças, Marília bela,Graças à minha Estrela! (...)Os seus compridos cabelos,Que sobre as costas ondeiam,São que os de Apolo mais belos;Mas de loura cor não são.Têm a cor da negra noite;E com o branco do rostoFazem, Marília, um compostoDa mais formosa união.
  17. 17.  Pastoralismo e bucolismo : entendimento de que felicidade e beleza decorrem da vida no campo; Convencionalismo: pseudônimos árcades (Tomás = Dirceu; Maria Dorotéia Joaquina = Marília) Texto monologal: Marília é vocativo, pretexto para o autor falar de si mesmo Otimismo e narcisismo: satisfação com o próprio destino,autovalorização, exaltação à sensibilidade artística e alusão à virilidade; Ideal burguês de vida : afirmação da privilegiada situação econômica e da posse da terra; Simplicidade: predomínio da ordem da frase, sem muitas figuras. Realismo descritivo: captação da rusticidade da paisagem e da vida da Colônia. Amor serôdio: valorização do “carpe diem” devido à consciência da fugacidade do tempo.
  18. 18.  Tomás Antônio Gonzaga – satírico Obra: “CARTAS CHILENAS” Forma e conteúdo: * Treze cartas anônimas * Decassílabos brancos * Critilo (Gonzaga) escreve a seu amigo Doroteu (Cláudio M. da Costa), criticando os atos do governador do“Chile”, Fanfarrão Minésio , (o governador de Minas Gerais, Luís da Cunha
  19. 19. O INDIANISMO DE BASÍLIO DA GAMA E SANTA RITA DURÃOBASÍLIO DA GAMA SANTA RITA DURÃO INDIANISMOGlorificação do homem Glorificação do índio que natural que enfrenta se converte à religião do os representantes dominador luso e o auxiliada civilização européia . na conquista da terra
  20. 20. BASÍLIO DA GAMA Poema épico: “O URAGUAI” Tema central: a história das tropas luso- espanholas enviadas à região das missões jesuíticas para desalojar os índios e jesuítas (após o Tratado de Madri ) e subseqüente destruição de São Miguel. O poema é a narração da luta pela posse da terra, travada em 1757 e foi dedicado ao irmão do Marquês de Pombal.
  21. 21. Personagens:- General Gomes Freire de Andrade (chefe português);- Catâneo (chefe das tropas espanholas);- Cacambo (chefe indígena);- Cepé (guerreiro índio);- Balda (jesuíta administrador de Sete Povos das Missões);- Caitutu (guerreiro indígena, irmão de Lindóia);- Lindóia (esposa de cacambo);- Tanajura (indígena feiticeira).
  22. 22. Este lugar delicioso e triste, Deixou cravados no vizinho tronco.Cansada de viver, tinha escolhido Açouta o campo coa ligeira caudaPara morrer a mísera Lindóia. O irado monstro, e em tortuosos girosLá reclinada, como que dormia, Se enrosca no cipreste, e verte envoltoNa branda relva e nas mimosas flores, Em negro sangue o lívido veneno.Tinha a face na mão, e a mão no tronco Leva nos braços a infeliz LindóiaDe um fúnebre cipreste, que espalhava O desgraçado irmão, que ao despertá-laMelancólica sombra. Mais de perto Conhece, com que dor! no frio rostoDescobrem que se enrola no seu corpo Os sinais do veneno, e vê feridoVerde serpente, e lhe passeia, e cinge Pelo dente sutil o brando peito.Pescoço e braços, e lhe lambe o seio. Os olhos, em que Amor reinava, um dia,Fogem de a ver assim, sobressaltados, Cheios de morte; e muda aquela línguaE param cheios de temor ao longe; Que ao surdo vento e aos ecos tantas vezesE nem se atrevem a chamá-la, e temem Contou a larga história de seus males.Que desperte assustada, e irrite o monstro, Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,E fuja, e apresse no fugir a morte. E rompe em profundíssimos suspiros,Porém o destro Caitutu, que treme Lendo na testa da fronteira grutaDo perigo da irmã, sem mais demora De sua mão já trêmula gravadoDobrou as pontas do arco, e quis três vezes O alheio crime e a voluntária morte.Soltar o tiro, e vacilou três vezes E por todas as partes repetidoEntre a ira e o temor. Enfim sacode O suspirado nome de Cacambo.O arco e faz voar a aguda seta, Inda conserva o pálido semblanteQue toca o peito de Lindóia, e fere Um não sei quê de magoado e triste,A serpente na testa, e a boca e os dentes Que os corações mais duros enternece Tanto era bela no seu rosto a morte!
  23. 23. SANTA RITA DURÃO CARAMURU – A glorificação do colonizador branco. Personagens: - Diogo Álvares Correia - Paraguaçú - Moema
  24. 24. Características de “Caramuru”: Tradicionalismo épico: duros trabalhos dum heróis, contato entre gentes diversas, visão duma seqüência histórica (uma “brasilíada”!); Referência: a fatos históricos desde o Descobrimento até a época do autor; Destaque ao teor informativo e descritivo: louvação da terra, dos costumes, dos ritos indígenas... Inspiração religiosa: louva a colonização como empresa religiosa desinteressada (objetivo :catequese!); Desprezo: à visão laica e civil – a qual se observa em
  25. 25. XXXVIIIBárbaro (a bela diz), tigre e não homemPorém o tigre, por cruel que brame,Acha forças amor que enfim o domem;Só a ti não domou, por mais que eu te ame.Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem,Como não consumis aquele infame?Mas pagar tanto amor com tédio e asco...Ah! que corisco és tu... raio... penhasco!XXXIXBem puderes, cruel, ter sido esquivo,Quando eu a fé rendia ao teu engano;Nem me ofenderas a escutar-me altivo,Que é favor, dado a tempo, um desengano;Porém, deixando o coração cativoCom fazer-te a meus rogos sempre humano,Fugiste-me, traidor, e desta sortePaga meu fino amor tão crua morte?
  26. 26. O Arcadismo e a Inconfidência MineiraA descoberta do ouro nas Minas Gerais deslocou para o sudeste o desenvolvimento urbano brasileiro no século XVIII. A produção cultural, acontecia principalmente na Bahia e em Pernambuco, passa a se concentrar na cidade de Vila Rica (atual Ouro Preto), a mais próspera da região. A opressão administrativa portuguesa, o declínio da produção do ouro, a convivência com as idéias liberais de Rousseau, Montesquieu, John Locke e a revolução na América do Norte principais fatoresmovimento revolucionário em Vila Rica.
  27. 27. Vila Rica (atual Ouro Preto)1 2
  28. 28. Libertas quae sera tamen proclamar a RepúblicaObjetivos dos inconfidentes tornar o Brasil independente de Portugal.A bandeira escolhida estampariao lema dos inconfidentes, extraídode um verso de Virgílio: Libertas quae sera tamen(liberdade ainda que tardia).
  29. 29. O fim dos inconfidentes Ouvidor em Vila Rica, Cláudio Manuel da Costa Foi preso e deportado para Foi denunciado e preso. Moçambique, onde falece, Enforcou-se, em 1789, na em 1810. celda da prisão em que aguardava julgamento,Tomás Antônio Gonçaga localizada na Casa dos Contos.

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