Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Associação Nacional de Investigadores Científicos e Tecnológicos (ANICT)

857 views

Published on

A 8 de Janeiro de 2010, a Associação Nacional de Investigadores Científicos e Tecnológicos (ANICT) era formalmente constituída. A recém-formada instituição pretende representar os interesses profissionais dos Investigadores Científicos Doutorados a trabalhar em Portugal e tem já um horizonte de acção muito bem delineado. Promete acção como «parceiro no diálogo entre os Investigadores e o Governo (assim como outras instituições que participam na definição da política de Ciência em Portugal)» e no contributo para a «disseminação do conhecimento científico para o público em geral».

Os representantes da ANICT apontam como assunto mais urgente a criação de «um consenso sobre o que será o mercado de trabalho em Ciência em Portugal». «Gostávamos que um cientista a trabalhar em Portugal soubesse claramente quais as oportunidades presentes e futuras», afirmam numa entrevista exclusiva ao blogue Viver a Ciência, que aqui disponibilizamos na íntegra.

  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

Associação Nacional de Investigadores Científicos e Tecnológicos (ANICT)

  1. 1. con(s)ciência: ANICT quer mais diálogo entre Investigadores e decisores políticos ENTREVISTA COMPLETA P: De que vontade(s) surgiu a Associação Nacional de Investigadores Científicos e Tecnológicos (ANICT)? R: Nos últimos anos, o Governo Português tem feito um forte investimento no Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SCTN), com o objectivo de o tornar mais competitivo a nível internacional. O resultado mais recente deste investimento foi o Programa Compromisso com a Ciência, que possibilitou em dois anos consecutivos (2007 e 2008) a contratação, pelas Universidades Portuguesas e Centros de Investigação, de centenas de investigadores Doutorados a tempo inteiro (Investigadores Auxiliares ‐ IA) em regime de contrato de trabalho a termo certo que se juntaram aos investigadores contratados pelos Laboratórios Associados nos anos anteriores ao Programa Compromisso com a Ciência. O aumento significativo do número de Investigadores em Instituições do SCTN representa um desafio para os Investigadores e para as Instituições de acolhimento. A ideia da criação da ANICT nasceu neste contexto e na sequência de um conjunto de iniciativas levadas a cabo por um grupo de Investigadores Auxiliares da Universidade do Minho, entre as quais um inquérito e a realização do “1º Encontro Nacional dos Investigadores Auxiliares”, a 25 de Maio de 2009, na Universidade do Minho, que contou com a presença de Deputados à Assembleia da República. É difícil explicar porque começou na Universidade do Minho, mas é possível que o facto de uma grande percentagem dos Investigadores contratados por esta Instituição terem vindo de fora do país tivesse aumentado a predisposição para iniciar uma rede. Tendo em conta o sucesso do evento e o interesse demonstrado pelos Deputados presentes foi solicitada uma Audiência Parlamentar com a Comissão Parlamentar para a Educação e Ciência a 8 de Julho de 2009. Posteriormente foi também levada a cabo uma reunião com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Professor Doutor Mariano Gago e com o Presidente da FCT, Professor Doutor João Sentieiro, a 28 de Julho de 2009. Estes dois eventos envolveram vários Investigadores de diferentes Instituições de todo o país e deram alento para a prossecução de novas iniciativas e reflexões. Na verdade, uma das conclusões tiradas do “1º Encontro Nacional dos Investigadores Auxiliares” foi a necessidade de constituir formalmente uma Associação Nacional com a capacidade de funcionar como parceiro de diálogo com o Ministério, o Parlamento, a Fundação para a Ciência e Tecnologia, as Universidades e Centros de Investigação, e também outros possíveis grupos com interesse no futuro da investigação científica em Portugal. Assim, e sumarizando, foram estes pequenos passos e o facto de termos encontrado um conjunto de pessoas que não só tinham vontade em contribuir para a clarificação de um conjunto de tópicos como, na verdade, gostaram de trabalhar juntas, que levou à criação da Associação.
  2. 2. P: Para ocupar algum espaço vazio na sociedade científica portuguesa? R: Por um lado há que referir que já existem algumas organizações que, de alguma forma, desenvolvem actividades com as quais nos identificamos. Assim, em termos de organizações que têm como objectivo representar o grupo profissional dos Investigadores podemos referir: a Organização de Trabalhadores Científicos (OTC) formada em 1979 e os sindicatos do Ensino Superior, como o SNESup ou a Fenprof. No entanto, por um lado, a ANICT não pretende ser um sindicato no sentido estrito do termo, pois quer promover a actividade científica como um todo, por outro, dada a abrangência dos sindicatos já existentes, estes poderão não estar nas melhores condições para representar os interesses mais específicos dos Investigadores. Mais importante ainda, e como princípio fundador, a presente Comissão Instaladora quer que esta Associação seja apartidária e que contribua de forma decisiva para a estabilização do SCTN. Ou seja, queremos estabelecer pontes de contacto com todos os decisores políticos para que se desenvolva um consenso alargado sobre o que deverá ser o papel dos Investigadores no quadro do SCTN. Os Investigadores não podem ver a sua actividade radicalmente alterada por medidas de alcance político de curto e médio prazo. Para que se faça investigação de qualidade é necessário que os cientistas tenham expectativas realistas e possam planear o seu trabalho a longo prazo. Em relação a organizações que fazem divulgação científica (em que a "Viver a Ciência" e a "Ciência Viva" são dois bons exemplos) a ANICT irá concentrar-se em divulgar a ciência feita em Portugal usando a experiência que os seus membros adquiriram de como a ciência é divulgada em outros países e colaborando activamente com todas as organizações que já fazem este trabalho aqui. Temos de fazer algum "trabalho de casa" no que se refere ao estabelecimento de contactos e parcerias. A razão deste esforço é o pensarmos que é muito importante que as pessoas não especializadas olhem para o trabalho dos investigadores como algo que efectiva e potencialmente melhora a sua qualidade de vida. No fundo a ANICT pretende poder representar o grupo profissional dos Investigadores, seguindo os pressupostos que identificamos acima, e promover a Ciência e a actividade científica em geral.
  3. 3. P: Quais os principais objectivos e de que formas os esperam alcançar? R: Na nossa declaração de princípios temos como base os seguintes objectivos: 1) Apoiar e representar os interesses profissionais dos Investigadores Científicos Doutorados que trabalham em Portugal; 2) Agir como parceiro no diálogo entre os Investigadores e o Estado Português, assim como outras instituições que participam na definição da política de Ciência em Portugal; 3) Promover a excelência, autonomia e liberdade na investigação académica em todas as áreas do saber; 4) Contribuir para a divulgação do conhecimento científico para o público em geral. Sintetizando, pensamos que é essencial: (a) clarificar o que poderá/deverá ser um mercado de trabalho para os profissionais de Investigação Científica em Portugal, (b) compreender quais as transformações organizacionais necessárias para que a actividade científica possa ser desenvolvida de forma mais eficiente (e aqui podemos cobrir não só questões contratuais como também de funcionamento interno, como por exemplo, questões administrativas e estrangulamentos burocráticos que dificultam o nosso trabalho), (c) promover a Ciência e a disseminação da actividade científica por forma a contribuir para o desenvolvimento do País. Para atingir estes objectivos, neste momento parece‐nos particularmente importante aumentar o número de sócios da ANICT. Para esse efeito temos desenvolvido esforços na divulgação da ANICT por todo o país, quer em sessões de divulgação em instituições do SCTN quer em divulgação pelos media. P: Quais as próximas iniciativas? De que âmbito? R: Há várias iniciativas que estão a ocorrer em vários pontos do País. Dentro destas iniciativas podemos destacar: 1) Divulgação da ANICT através dos meios de comunicação social e directamente junto das entidades do SCTN 2) Campanha de angariação de sócios através da garantia de condições muito vantajosas para quem se associe nos primeiros meses de actividade. 3) 1º Encontro da Associação Nacional de Investigadores em Ciência e Tecnologia a realizar na Universidade Nova de Lisboa em Maio deste ano. 4) 1ª Assembleia‐geral da ANICT marcada para o dia do 1º Encontro da Associação Nacional de Investigadores em Ciência e Tecnologia 5) Eleições para os órgãos sociais da ANICT a serem realizadas pouco tempo depois da primeira Assembleia‐geral. 6) Arranque de actividades de disseminação da mensagem da ANICT junto de comunidades científicas locais. É natural que ainda este ano surjam outras ideias, mas teremos de esperar pela eleição dos corpos sociais para ver qual será a orientação a ser seguida.
  4. 4. P: Que tipo de público pretende aglomerar? R: Em relação aos associados da ANICT, esta é ainda uma questão em aberto. Tendo em conta a existência de outras organizações que já representam investigadores (por exemplo, a ABIC, que representa os investigadores bolseiros, e associações que representam docentes do Ensino Superior que também fazem investigação), entendemos numa fase inicial limitar o "público‐alvo" da ANICT aos Investigadores Doutorados com contratos de trabalho em instituições do SCTN. No entanto, esta não foi uma decisão fácil e devemos salientar que recebemos vários pedidos de adesão de pessoas que não se enquadram no grupo agora definido. Na Assembleia‐geral a realizar em Maio iremos discutir e aprovar os regulamentos, e portanto este assunto será debatido e votado por todos os associados. Tendo em conta os objectivos ambiciosos que temos para a promoção da Ciência e da actividade científica, iremos desenvolver actividades de interesse para o público em geral. No fundo, claramente teremos de desenvolver contactos com organizações como a "Viver a Ciência" e tentar dinamizar ainda mais a divulgação científica em Portugal. P: O que gostariam que mudasse na sociedade científica portuguesa? E quais seriam as mudanças que, a ocorrerem, davam à ANICT uma sensação de dever cumprido? R: Pensamos que neste momento o assunto mais urgente é criar um consenso sobre o que será o mercado de trabalho em Ciência em Portugal. Assim, gostávamos que um cientista a trabalhar em Portugal soubesse claramente quais as oportunidades presentes e futuras. Esta seria uma mudança fulcral. Este ponto inclui a definição clara do que poderá ser a carreira científica (deveres e direitos) mas também criar mais oportunidades de integração nas organizações com interesse no trabalho de cientistas. Entende a ANICT que a situação actual dos investigadores contratados não corresponde à situação ideal para prossecução de uma actividade de excelência. A definição de regras para a continuidade na actividade de investigação, nomeadamente formas claras de avaliação do desempenho e promoção pelo mérito dos investigadores são neste momento condições essenciais não só para o sucesso do investimento que foi o "Programa Compromisso com a Ciência" mas também para a sustentabilidade de Portugal como um país de excelência em termos de progresso científico. Gostávamos também que as pessoas em Portugal conhecessem e reconhecessem o trabalho dos cientistas a trabalhar em Portugal. Para tal, não só precisamos de divulgar mais o nosso trabalho como também teremos de promover a transferência do saber para a sociedade. É conhecido o tradicional distanciamento entre a actividade de investigação científica que se faz no SCTN e o meio empresarial e produtivo Português. Apesar do esforço que se tem feito nos últimos anos para promoção desta interligação, estamos ainda muito longe em termos de indicadores quando comparados com outros países desenvolvidos. Entende a ANICT ser seu dever
  5. 5. encorajar e promover uma crescente simbiose entre o SCTN e as empresas em Portugal, sendo esta uma das vias de aumento da competitividade do país. Isto assume particular importância no contexto da actual situação económica de Portugal. A integração de investigadores em empresas, promoção da criação de empresas de base tecnológica e a criação de parcerias SCTN‐Empresas deve por estes motivos ser altamente promovida, e julgamos que os investigadores científicos podem ter aqui um papel muito importante. P: Observações finais… R: A ANICT é uma associação cujo mote é a promoção da investigação científica de excelência em Portugal. Estamos reconhecidamente a viver uma época de novos desafios e temos por isso de aproveitar o conhecimento existente nas instituições e nos investigadores que o país soube construir nos últimos anos, de modo a potenciar a sua capacidade para produzir investigação de excelência e assim corresponder aos novos desafios do desenvolvimento, competitividade económica e bem‐estar. Nota: A entrevista aqui disponibilizada foi efectuada via e- mail. As respostas foram devidamente validadas pelos membros da direcção da ANICT, daí que o seu resultado seja mais próximo de uma resposta colectiva e as respostas não surjam em nome individual. Publicado a 24 de Fevereiro no Blogue Viver a Ciência (www.viveraciencia.wordpress.com).

×