Resumo executivo final

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Resumo executivo final

  1. 1. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO SECRETARIA DE TURISMO – SETUR UNIDADE EXECUTORA ESTADUAL DO PRODETUR – UEE/PEÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DE GUADALUPEResumo Executivo Novembro, 2011
  2. 2. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO FICHA TÉCNICA GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO Governador: Eduardo Henrique Accioly Campos Vice Governador: Joao Lira Neto SECRETARIA DE TURISMO Secretário: Alberto Feitosa Secretário Executivo de Turismo: Marconi Muzzio Diretor Geral do PRODETUR NE: Stélio de Coura Cuentro Superintendente de Meio Ambiente do PRODETUR: Raul Baltazar Perrelli Valença SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE Secretário: Sérgio Xavier Secretário Executivo de Meio Ambiente Hélvio Polito Lopes Filho AGÊNCIA ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE Diretor Presidente: Hélio Gurgel Cavalcanti Diretora de Recursos Florestais e Biodiversidade: Maria Vileide Ataíde de Barros Lins Unidade de Gestão de Unidade de Conservação: Nahum Tabatchnik Setor de Planejamento de Unidades de Conservação: Joselma Maria de Figueirôa Tassiane Novacosque Setor de Administração de Unidades de Conservação: Samanta Della Bella Responsável pela APA de Guadalupe: João Batista de Oliveira Júnior GEOSISTEMAS Engenharia e Planejamento Ltda Coordenação Geral: Eng° Civil Roberto Lemos Muniz Eng° Civil Henrique Pinto Silva Arq. Elaine Fernanda de Souza Coordenação Técnica: Engª Florestal Isabelle Meunier Coordenação de Articulação e Gestão: Arq. Telma Buarque Resp. Técnico Quadro Ambiental-Meio Físico: Geol. Margareth Alheiros Resp. Técnico Quadro Ambiental-Meio Biológico: Biol. Andrea Pinto SilvaResp. Técnico Quadro Ambiental-Meio Socioeconômico: Eng° Civil Bertrand Alencar Cobertura Vegetal: Engª Florestal Isabelle Meunier Fauna/Estudos marinhos e coralinos: Biol. Andrea Pinto Silva Geologia, Geomorfologia, Hidrologia, Clima: Geol. Margareth Alheiros Geog. Natalia Tavares Turismo e Ecoturismo: Geog. Vanice Selva Turism. Clarisse Fraga Cartografia e Geoprocessamento: Engº Gustavo Sobral Assessoria Jurídica: Adv. Fernanda Costa Processo Participativo e Educação Ambiental: Ass. Social Mª Socorro Cavalcanti Psic. Janaina Gabriel Gomes
  3. 3. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOAPRESENTAÇÃOO Plano de Manejo de uma Unidade de Conservação, segundo a Lei n° 9.985, de 18 de julhode 2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, édefinido como o “documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos geraisde uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devempresidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação dasestruturas físicas necessárias à gestão da Unidade.”O Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental de Guadalupe – APA de Guadalupe – éconstituído por quatro Encartes, além de Relatórios de Oficinas e do Zoneamento Ambiental.A produção de Encartes, complementares e com especificidade crescente, atende a lógicaprocessual que permeia a elaboração gradativa, participativa e multidisciplinar de Planos deManejo de Unidades de Conservação, ainda mais necessária quando envolve diferentesatores sociais como aqueles que interagem em uma Área de Proteção Ambiental.Este Resumo Executivo pretende sintetizar em um documento único, de acesso e leiturafáceis, os principais aspectos abordados nesses Encartes e relatórios, de forma a dar umaidéia geral do ambiente e das relações sócio-ambientais observadas no território da APA deGuadalupe e os resultados obtidos na elaboração do seu Zoneamento Ambiental e propostasde Programas de Ação.Recife, novembro de 2011
  4. 4. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO SUMÁRIO1. CONTEXTO LEGAL E REGIONAL 5 AS ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) NO CONTEXTO DOS SISTEMAS1.1. 5 NACIONAL E ESTADUAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO1.2. CRIAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DE GUADALUPE 62. APA DE GUADALUPE: ESPAÇO, PAISAGEM E TERRITÓRIO 92.1. PLANOS E PROGRAMAS REGIONAIS 162.2. ECOSSISTEMAS TERRESTRES 182.2.1. Os Fragmentos Florestais da Floresta Pluvial Atlântica 18 A Zona de Preservação da Vida Silvestre da APA de Guadalupe: O fragmento de2.2.1.1. 21 floresta atlântica protegido na Reserva Biológica de Saltinho Restingas, Praias e Manguezais: O Complexo Costeiro-Estuarino da APA de2.2.2. 23 Guadalupe2.2.3. Formações Savânicas 332.2.4. A Avifauna da APA de Guadalupe 332.3. ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS 372.3.1. Fauna Aquática 372.4. ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE 392.5. DINÂMICA DO TURISMO NA APA DE GUADALUPE 40 Declaração de Significância da APA de Guadalupe 493. ZONEAMENTO DA APA DE GUADALUPE 513.1. ZONEAMENTO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: BASES CONCEITUAIS 513.2. ZONEAMENTO DA APA DE GUADALUPE: ANTECENDENTES 533.3. DEFINIÇÃO DAS ZONAS E SUBZONAS DA APA DE GUADALUPE 55 USOS INCENTIVADOS, TOLERADOS E PROIBIDOS NAS ZONAS E SUBZONAS DA APA3.4. 69 DE GUADALUPE4. PROGRAMAS DE AÇÃO 81 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 87
  5. 5. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO1. CONTEXTO LEGAL E REGIONAL1.1. AS ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) NO CONTEXTO DOS SISTEMAS NACIONALE ESTADUAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO A história da criação de áreas protegidas no Brasil inicia-se formalmente com oCódigo Florestal de 1934, que estabeleceu o marco legal dos parques nacionais (Decreto23.793, de 23 de janeiro de 1934), sendo criado o primeiro parque brasileiro em 1937(Parque Nacional de Itatiaia, no Rio de Janeiro) e, logo a seguir, os Parques Nacionais daSerra dos Órgãos, de Sete Quedas e do Iguaçu, em 1939 (RYLANDS; BRANDON, 2005). Osparques nacionais brasileiros tiveram a clara inspiração no modelo americano, representadopelo Parque Nacional de Yellowstone, criado em 1872 nos estados de Wyoming, Montana eIdaho, nos Estados Unidos. O idealizador das Áreas de Proteção Ambiental (APA) foi Dr. Paulo Nogueira Neto,presidente da SEMA, pautando-se em modelos europeus de proteção de paisagens culturais.Na sua concepção, as APA seriam instrumento adequado para proteção do entorno deunidades de conservação de uso indireto (correspondentes as Unidades de Conservação deProteção Integral, de acordo com a nomenclatura em vigor). Tratava-se, portanto, daprimeira categoria de unidade de conservação de “uso direto” (hoje, compreendida como“de Uso Sustentável”) que permitia a inclusão de áreas particulares, sem necessidade dedesapropriações. Essa condição, no entanto, ensejou uma série de indefinições jurídicas,pois as restrições apresentadas em lei não poderiam ferir o direito de propriedade. As Áreas de Proteção Ambiental foram criadas em todo Brasil e foram recepcionadaspelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), quando instituído pela Lei Nº9985/2000, sendo definidos seus objetivos de manejo, voltados principalmente aodesenvolvimento de atividades sustentáveis, à promoção de melhor qualidade de vida e aoordenamento da ocupação humana. Em 2009, com a aprovação da Lei Estadual Nº 13.787,Pernambuco passou a contar formalmente com um Sistema Estadual de Unidades deConservação (SEUC), no qual se define, em conformidade com o SNUC: 5 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  6. 6. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Art. 15. A Área de Proteção Ambiental – APA é uma área, em geral, extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem estar das populações humanas; tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica e os recursos hídricos, disciplinar o processo de ocupação do solo, preservar paisagens notáveis e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. § 1º A Área de Proteção Ambiental é constituída por terras públicas, privadas, ou ainda públicas e privadas. § 2º Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada localizada em uma Área de Proteção Ambiental. § 3º As condições para a realização de visitação pública nas áreas sobre domínio público serão estabelecidas pelo órgão gestor da unidade. § 4º Nas áreas sob propriedade privada, cabe ao proprietário estabelecer as condições para visitação pública, respeitando-se as definições do Plano de Manejo. Uma das exigências fundamentais do SNUC e do SEUC está voltada para a gestão dasunidades de conservação e diz respeito à necessidade de um Plano de Manejo para cadaárea protegida. O Plano de Manejo é considerado como o guia para a administração da área.Esse plano deve ser elaborado no prazo de cinco anos, a partir da data da criação daunidade.1.2. CRIAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DE GUADALUPE A APA de Guadalupe foi criada pelo Decreto Estadual Nº 19.635, de 13 de março de1997. A APA está situada nos municípios de Sirinhaém, Rio Formoso, Tamandaré e Barreiros,com área de 44.799 ha (quarenta e quatro mil, setecentos e noventa e nove hectares). Dessetotal, um trecho se encontra em área continental - 31.986 ha – e um outro trechoadentrando em três milhas náuticas do Oceano Atlântico - 12.812 ha. A criação da APA teve como objetivo “proteger e conservar os sistemas naturaisessenciais à biodiversidade, especialmente os recursos hídricos, visando a melhoria daqualidade de vida da população local, a proteção dos ecossistemas e o desenvolvimentosustentável” (art. 2º do Decreto Estadual Nº 19.635). O art. 3º do Decreto mencionado determinou: Art. 3º - Para a implantação e gestão da APA de Guadalupe serão adotadas as seguintes providências: 6 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  7. 7. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO I - elaboração do zoneamento ecológico-econômico e plano de gestão, os quais deverão ser concluídos dentro do prazo de 360 dias, contados a partir da data de publicação deste Decreto; II - definição, criação e implantação do sistema de gestão da área; III - divulgação das medidas previstas neste Decreto, objetivando o esclarecimento aos diversos segmentos envolvidos com a APA de Guadalupe e sua finalidades. O Zoneamento da APA de Guadalupe foi estabelecido por meio do Decreto EstadualNº 21.135 de 1998 e seu Plano de Gestão elaborado no mesmo ano. A revisão do Plano deManejo e a Instalação do Conselho Gestor decorrem do Contrato 026/2009, firmado entre oGoverno de Pernambuco, através da Secretaria de Turismo do Estado de Pernambuco-SETUR, e a empresa Geosistemas Engenharia e Planejamento Ltda. No início da década de 1990, governadores dos Estados nordestinos identificaram osetor de turismo como uma das alternativas mais promissoras ao desenvolvimentoeconômico da região. Nesse período, articulou-se a elaboração de um plano de ação efetivopara gerar empregos e divisas, distribuir a renda nacional, promover a proteção ambiental,fornecer subsídio às ações do setor privado no concernente ao planejamento e execução desuas atividades e, por fim, diversificar a oferta turística, que se concentrava nas regiões Sul eSudeste. Dessa forma, o Plano Nacional de Turismo emergiu como um instrumento dedesenvolvimento regional, pretendendo, entre outras ações, dotar o litoral do Nordeste dainfra-estrutura necessária para a implantação de pólos integrados de turismo. OProdetur/NE foi delineado como um programa global de investimentos múltiplos, cujoobjetivo era reforçar a capacidade da Região Nordeste em manter e expandir sua crescenteindústria turística, contribuindo assim para o desenvolvimento sócio-econômico regional.Entre as propostas apresentadas pelos estados destacaram-se o Projeto Costa Dourada, emPernambuco e Alagoas, o Projeto Linha Verde, na Bahia, o Projeto Costa do Sol, na Paraíba, oProjeto Orla, em Sergipe e o Projeto Rota do Sol no Rio Grande do Norte. Pernambuco, na época, apresentou o Projeto Costa Dourada, situado em regiãocarente de investimentos privados e com demanda turística a ser criada, como principalprojeto para financiamento no Estado. Entretanto, após as modificações solicitadas emfunção do custo elevado para implantação e dos sérios impactos ambientais que seriam 7 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  8. 8. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOcausados, foi reduzida sua dimensão territorial, restringindo-o apenas à área do CentroTurístico de Guadalupe. O Centro Turístico de Guadalupe (CT Guadalupe) apresentava superfície total de8.805 ha e 15,5 Km de litoral, que abrangia as praias de Barra de Sirinhaém, Guaiamum,Gamela, Guadalupe, no município de Sirinhaém, e Carneiros, em Tamandaré, além de partedo território do município de Rio Formoso. Ao longo do processo de licenciamento do CT Guadalupe, em resposta às váriasexigências do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), foi criada a Área de Proteção Ambiental(APA) de Guadalupe, no sentido de regular o uso do solo, tanto na área interna do CTGuadalupe, quanto na área de influência indireta, abrangendo um território de 44.799hectares. Entretanto, o objetivo inicial do plano do CT Guadalupe, com fins dedesenvolvimento turístico, setorizando as zonas em áreas hoteleiras, de veraneio ecomerciais, não se concretizou pela dificuldade de captação de investimentos, pela iniciativaprivada, por falta de saneamento básico e abastecimento de água. O Plano deDesenvolvimento Integrado Turismo Sustentável (PDITS) do Estado de Pernambuco, para oPRODETUR/NE II, objetiva complementar e expandir as ações iniciadas pelo PRODETUR I,integrando as iniciativas dos setores público e privado, especialmente no que se refere aosinvestimentos geradores de ocupação produtiva e renda, e preparar e expandir os produtosturísticos regionais, contribuindo para o desenvolvimento sócio-econômico e espacial. Como externalidade positiva do processo, houve a criação da APA de Guadalupe e oestabelecimento de seus instrumentos de gestão, entre os quais merece destaque opresente Plano de Manejo. 8 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  9. 9. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO2. APA DE GUADALUPE: ESPAÇO, PAISAGEM E TERRITÓRIO A APA de Guadalupe está localizada na porção meridional do litoral de Pernambuco,inserida na Mesorregião da Mata Pernambucana, na Zona Costeira, e abrange parte dosmunicípios (área continental e marítima) de Rio Formoso (50,7%), Tamandaré (59,5%),Sirinhaém (16,4%) e Barreiros (9,7%). A área total da APA é de 44.799 ha, sendo 31.986 ha(71,4 %) de área continental e 12.812 ha numa faixa de três milhas náuticas, perfazendo28,6% de área marítima (Figura 1). Figura 1. Localização da APA de Guadalupe, Pernambuco, Brasil Trata-se de um espaço peculiar da Zona Costeira, com grande diversidade geológica,geomorfológica, tectônica, hidrológica e marinha. Inicia-se a oeste com altos topográficosirregulares do embasamento cristalino (Figura 2), passando para relevos mais rebaixados earredondados característicos do ambiente sedimentar e vulcânico predominante, onde seincluem as formações Cabo, Algodoais e Ipojuca (Figura 3); cai, em direção a leste, para umaplanície costeira formada por terraços marinhos antigos em cotas mais elevadas (Figura 4)que é finalmente recortada pela atual linha de costa, onde se encontra a praia atual emanguezais nas áreas dominadas por marés (Figura 5). 9 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  10. 10. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOFigura 2. Aspecto de morro de rocha cristalina de contorno irregular, com matacões, na APA deGuadalupe, PE. Foto: Geosistemas, 2010.Figura 3. Morros arredondados em rochas das Formações Cabo e Ipojuca. Foto: Geosistemas, 2010. 10 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  11. 11. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Figura 4. Terraço Marinho Pleistocênico de posição elevada em relação à praia atual em Sirinhaém, PE. Fonte: Geosistemas, 2010.Figura 5. Manguezal em área dominada por maré em Sirinhaém, PE. Foto: Geosistemas, 2010. 11 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  12. 12. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Com relação à diversidade geotectônica, a área compreende o Maciço PE-AL,formado por rochas graníticas do embasamento cristalino pré-cambriano, em contato defalha com as Formações Cabo e Algodoais da Bacia do Cabo representadas porconglomerados e arcósios formados durante a abertura do oceano Atlântico no CretácioInferior, quando também se deu grande atividade vulcânica. Ao longo da linha de costa, além dos Terraços Marinhos elevados, ocorrem em algunstrechos afloramentos de rochas graníticas do embasamento cristalino e da FormaçãoAlgodoais, formando falésias de praia (Figura 6), contribuindo desse modo para adiversificação das feições e paisagens costeiras. São também encontrados recifes de arenito(beach rocks), alguns capeados por corais, dispostos em linhas paralelas à costa, originadospor areias de praia cimentadas por carbonato de cálcio, que oferecem um substratoimportante ao desenvolvimento de alguns organismos marinhos.Figura 6. Falésia de praia constituída pela Formação Algodoais, Sirinhaém, PE. Fonte: Geosistemas,2010. 12 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  13. 13. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Por estar inserida na Zona da Mata, a APA de Guadalupe apresenta um clima tropicalúmido, com chuvas mais concentradas nos meses de maio, junho e julho, tendo outubro,novembro e dezembro como os mais secos, no período do verão. A precipitação média anualé de 2.200mm e a temperatura média anual é de 25°C . Em decorrência dessas características climáticas e da sua posição costeira, a APAapresenta um sistema fluvial-estuarino exuberante, com recortes costeiros que atribuemgrande beleza cênica ao local. O sistema hídrico é controlado por falhas e fraturas geológicas, determinando oaspecto reticulado da rede hidrográfica com regime fluvial perene, embora apresentemvazões médias reduzidas, intensificadas apenas nos períodos mais chuvosos. Os solos da área, produto das rochas graníticas, sedimentares e vulcânicas, sob ascondições climáticas vigentes, são formados por latossolos (32,51%), argissolos amarelos evermelho amarelos (14,76%), gleissolos (10,13%), neossolos (6,8%) e solos de mangue(5,53%). A Área de Proteção Ambiental de Guadalupe se situa na região de Desenvolvimentoda Mata Sul (RD 10), integrada por 24 municípios (Água Preta, Amaraji, Barreiros, Belém deMaria, Catende, Chã Grande, Cortês, Escada, Gameleira, Jaqueira, Joaquim Nabuco, Maraial,Palmares, Pombos, Primavera, Quipapá, Ribeirão, Rio Formoso, São Benedito do Sul, SãoJosé da Coroa Grande, Sirinhaém, Tamandaré, Vitória de Santo Antão e Xexéu). A Mata Sulocupa uma extensão de 5.208,6 Km2, com mais de 693 mil habitantes (8,2% da população dePernambuco) e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,626. Destacam-se comoatividades econômicas a indústria sucroalcooleira, o turismo e a hortifruticultura. Por outrolado, a APA de Guadalupe sofre influência direta da Região Metropolitana, notadamente daMicrorregião de Suape (Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca), não só devido à proximidadefísica, mas à abrangência dos programas e ações do Complexo Industrial Portuário de Suape. A tradicional produção de cana-de-açúcar desde o início do processo de ocupação doespaço regional da Zona da Mata pernambucana deixou suas marcas na degradação doambiente, especialmente pela devastação das formações originais da Mata Atlântica. Ossolos, considerados como inesgotáveis, foram utilizados sem técnicas de manejo adequadas 13 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  14. 14. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOe o cultivo de uma espécie única contribuiu para a diminuição da biodiversidade regional,completando o quadro de desequilíbrio (SELVA; COUTINHO; FERREIRA, 2001). Comoescreveu Gilberto Freyre: “O empobrecimento do solo, em tantos trechos do Nordeste, por efeito de erosão, não se pode atribuir aos rios, à sua ânsia de correr para o mar levando a gordura da terra, mas principalmente à monocultura. Devastando as matas e utilizando-se do terreno para uma cultura única, a monocultura deixava que as outras riquezas se dissolvessem na água, se perdessem nos rios.” (FREYRE, 1993 p.207). Foi nesse contexto que a Zona da Mata de Pernambuco se firmou como regiãoprodutora de cana-de-açúcar, mas também perdeu parte das suas riquezas naturais enecessita diversificar a sua produção agrícola, industrial e de serviços, ao mesmo tempo emque é reconhecida a necessidade de conservação dos recursos ambientais. Do ponto de vista do turismo, a área de influência da APA de Guadalupe se ampliaconsiderando os fluxos turísticos do município de Ipojuca (Praias de Muro Alto e Porto deGalinhas) e de Maragogi (Alagoas) para a área estuarina do rio Formoso e Praia de Carneiros,em Tamandaré. Assim a APA de Guadalupe é um lugar estratégico para a expansão da função turísticapor estar situada entre dois “centros regionais turísticos” consolidados, Maragogi-Alagoas,ao Sul, e Porto de Galinhas-Pernambuco, ao Norte, tendo recebido, nos últimos anos,investimentos direcionados para infraestrutura local e turística e aumentado o fluxoturístico, notadamente em Carneiros e estuário do Rio Formoso. Quanto às atividades econômicas atuais, observa-se uma dinâmica regional nosdiferentes setores da economia. O setor primário responde através das atividadesagropecuárias, representadas pela produção de cana-de-açúcar integrada à indústria e, emmenor escala, pela produção de mandioca, feijão, frutas e hortaliças e pela pesca. O setorsecundário na região destaca-se com a indústria do açúcar e do álcool produzidos nas usinase pequenas indústrias de alimentos de abastecimento local nas áreas urbanas. O setor dosserviços e comércio nas áreas urbanas é voltado ao atendimento local, com exceção docentro urbano de Barreiros que atente a região, embora tenha sofrido um decréscimosignificativo com a recente cheia do rio Una. 14 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  15. 15. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Os serviços regionais de transportes, bancos, hospitais e clínicas especiais sãopontuais nos centros urbanos e Barreiros é o município que se destaca na oferta destesitens, embora não seja suficiente para a demanda local e da região. Já os serviços turísticosde hospedagem, bebidas, alimentação e de lazer se concentram nas áreas litorâneas e, maisespecificamente, no município de Tamandaré, e, em menor escala, no litoral Sul deSirinhaém, com baixa representação em Rio Formoso. Do ponto de vista da oferta de emprego regional, registra-se o aspecto dasazonalidade quer seja no setor primário, que assenta as bases da economia regional naagroindústria da cana-de-açúcar, que no período de entressafra (março/abril aagosto/setembro) libera mão de obra com a paralisação das atividades produtivas dasusinas, quer seja no setor terciário, com redução do volume de vendas do comércio, reflexoda paralisação das usinas e, no turismo, os períodos da baixa estação, refletindo-se nofechamento de pousadas, hotéis, restaurantes e pequenos comércios. A estrutura fundiária é caracterizada por grande concentração de terras, compequeno número de grandes estabelecimentos agropecuários de grandes dimensões. Essaestrutura fundiária, ditada pela monocultura extensiva voltada para a exportação, é de difícilmodificação e certamente marcou as relações socioeconômicas e as formas de apropriaçãoe uso dos recursos naturais na zona açucareira, mas os projetos de assentamentos dareforma agrária passaram a representar uma nova realidade em Pernambuco, notadamentena Zona da Mata. Os assentamentos rurais representam uma situação recente na questão agráriabrasileira. A partir de 1980 esse processo foi intensificado devido às fortes pressões sociais,mas os resultados foram tímidos e incapazes de modificar a estrutura fundiária. Pesquisasdesenvolvidas na área, por outro lado, informam que a agricultura não se constituiu naprincipal Foto de renda da maioria dos assentados entrevistados, que sobrevivemmajoritariamente da renda proporcionada pelo trabalho em usinas da região ou na cidade, ede programas sociais. Outra questão fundamental merece destaque: as terras desapropriadas e parceladascontinuam subordinadas à lógica das usinas de açúcar e álcool, tendo havido apenas uma 15 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  16. 16. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOrecomposição dos arranjos territoriais e reestruturação na forma de exploração dotrabalhador rural. Sendo assim, a política de reforma agrária pouco tem contribuído para adiversificação de culturas, sendo a cana-de-açúcar a cultura dominante nos assentamentosque, bem ou mal, encontram mercado para esse produto junto às usinas locais.2.1. PLANOS E PROGRAMAS REGIONAIS Considerando os programas e projetos direcionados para a região e as oportunidadesque se delineiam para a área litorânea, destacam-se o direcionamento para o ordenamentodo turismo e o incentivo ao dinamismo econômico regional associado ao discurso dasustentabilidade ambiental, através do Projeto Orla, do Programa de Desenvolvimento doTurismo - Prodetur e o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Zona da Mata -Promata. O Projeto Orla, do Ministério do Meio Ambiente, foi concebido com o objetivo decontribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável, através da identificação ediscussão dos conflitos existentes e da elaboração e implementação de propostas e açõescoordenadas, com base na situação atual, que compatibilizem as políticas ambientais epatrimoniais, no nível federal, estadual e municipal. Embora não esteja ainda estruturado eem funcionamento, a implantação do Projeto Orla trará um impacto positivo na região umavez que, em cada município, deve ser criado um comitê gestor da orla local, que foque oespaço e as ações definidas pelos planos de cada município. O Projeto Orla sugere que esseComitê seja composto por integrantes do grupo de gestores local e de outras instituiçõesintegrantes dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente, que discutem e buscam soluçõespara os problemas e conflitos nos territórios municipais, havendo também um ConselhoGestor Regional para discussões mais abrangentes, ao nível de região. O Programa de Desenvolvimento Sustentável da Zona da Mata - Promata, vem sendoimplantado na região desde 2004. O Promata teve como objetivo principal apoiar odesenvolvimento sustentável da Zona da Mata Pernambucana através de três subprogramasbásicos: melhoramento de serviços básicos, gestão e proteção ambientais e apoio à 16 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  17. 17. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOdiversificação econômica. No contexto do turismo, o objetivo do Promata é estimular o“desenvolvimento do turismo integrado às atividades produtivas locais, à conservaçãoambiental e à valorização do patrimônio cultural, de modo a promover a dinamizaçãoeconômica do território e agregar valor a sociedade local” no tocante aos aspectos sociais,culturais e ambientais da região. Este programa abrange toda a área da APA de Guadalupe com propostas de projetoscapazes de contribuir para a gestão de problemas e conflitos referentes à conservação dosrecursos ambientais por meio dos Planos de Investimento Municipal – PIM, definidos paracada município. Mas a estratégia do Promata de atuar em diferentes frentes encontradificuldades, ora na estrutura organizacional dos municípios, ora nas dificuldades inerentes àmobilização dos atores sociais participantes do programa, ou seja, população, administraçãomunicipal, empresários locais e governo estadual, enquanto fomentador do programa, assimcomo com relação à administração dos prazos de execução e financiamento das atividades. Por sua vez, o Prodetur (Programa de Desenvolvimento do Turismo) se deu em duasfases: Prodetur I e II. Os municípios de Sirinhaém, Rio Formoso e Tamandaré participaram doProdetur I, recebendo investimento de infraestrutura. As ações do Prodetur na regiãopodem trazer inúmeros aspectos positivos além da simples elevação do número de turistas eaumento do número de hotéis. As obras de infraestrutura contribuem para a geração deemprego e renda assim como representam um impacto positivo para a APA de Guadalupe,melhorando as condições de saneamento ambiental, drenagem e ordenamento da orla. Esse impacto positivo sobre a área da APA também se verifica com a elaboração dosplanos diretores municipais e com a revisão do Plano de Manejo da APA, ampliando aspossibilidades de conservação da área com a diversidade de instrumentos de gestão,embora outros instrumentos, como o licenciamento ambiental, se façam necessários tendoem vista a expansão de hotéis e venda de áreas de faixa de praia. Vislumbra-se iminência de ocorrer um novo “boom” imobiliário, a exemplo do queocorreu na década de 80, com implantação de inúmeros empreendimentos hoteleirosvoltados para o segmento de lazer de “sol e praia”, os denominados “resorts”, a maioriaincentivados pelo financiamento público, atraídos pelas isenções fiscais, os baixos custos dos 17 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  18. 18. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOterrenos e da mão-de-obra, como ocorreu em Maragogi-AL e Porto de Galinhas-PE (SOUSA,SELVA, 2009).2.2. ECOSSISTEMAS TERRESTRES As tipologias de vegetação encontradas na APA de Guadalupe correspondem aoschamados ecossistemas atlânticos, com diferentes fisionomias que expressam os efeitos dossolos, do relevo, da precipitação, da dinâmica costeira e história de uso. Como elementomais conspícuo do ambiente, a vegetação reflete essas influências e permite classificaçõesque sintetizam os principais aspectos dos ecossistemas. Nos diagnósticos elaborados comosubsídios para o Plano de Manejo da APA de Guadalupe, a vegetação natural terrestre foidividida em duas grandes unidades fitoecológicas: os fragmentos de floresta ombrófila, emdiferentes estágios sucessionais, e os ecossistemas do complexo costeiro-estuarino,integrados por restingas, manguezais, praias e dunas. Além desses, constituindo o sistemasecundário de vegetação, descrevem-se ainda formações savânicas encontradas na área.2.2.1. OS FRAGMENTOS FLORESTAIS DA FLORESTA PLUVIAL ATLÂNTICA Desde o início do povoamento da Zona da Mata pernambucana, a monocultura dacana-de-açúcar se desenvolveu às custas de grandes desmatamentos. Na evolução doprocesso de produção do açúcar, a passagem dos engenhos bangüês às usinas, no final doséculo XIX e início do XX, correspondeu a um avanço ainda mais intenso sobre as formaçõesflorestais nativas, já que a maior capacidade de produção exigia maior fornecimento decana. Deste período data também o desenvolvimento do transporte ferroviário que não sópromoveu novos desmatamentos para dar lugar às ferrovias como exigiu o fornecimento demadeira para dormentes e para a geração de energia. Os tipos de vegetação florestal integrantes da Mata Atlântica na Zona Litoral-Mata dePernambuco apresentam-se como fragmentos pequenos e isolados, encontrando-seremanescentes correspondentes às seguintes regiões fitoecológicas, sensu IBGE (1992): 18 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  19. 19. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOFloresta Ombrófila das Terras Baixas e Submontana e Floresta Estacional Semidecidual dasTerras Baixas e Submontana. Diferenciam-se as subclasses de formação Ombrófila eEstacional em função do clima (relação pluviometria x temperatura) e da conseqüenteadaptação das plantas ao déficit hídrico dos solos. Já quanto à formação propriamente dita,é determinada pelo tipo de ambiente (forma de relevo) (IBGE, 1992). Na Mata Sul, onde selocalizam os municípios de Sirinhaém, Rio Formoso, Tamandaré e Barreiros, dominavam asflorestas ombrófilas, reduzidas a fragmentos em áreas de acesso mais difícil, onde atopografia impediu o avanço da cana, além das formações pioneiras litorâneas. Os fragmentos florestais encontrados resguardam o que resta de grande diversidadearbórea original, típica das florestas ombrófilas e, mesmo a maioria deles se encontrandoem estágios inicial e médio de sucessão, essa diversidade é expressiva. Inúmeras espéciesarbóreas podem ser observadas como cupiúba (Tapirira guianensis), caboatã-de leite(Thyrsodium schomburgkianum), murici (Byrsonima sericae), lacre (Vismia guianensis),embiriba (Eschweilera ovata), angélica ou banana-de-papagaio (Himatanthusphagedaenicus), sete-cascos (Pera glabrata), pau d’arco roxo (Tabebuia cf. avellanedae),maçaranduba (Manilkara salzmanni), mamajuda (Sloanea obtusifolia), sapucaia (Lecythispisonis), sucupira (Bowdichia virgilliodes), bulandi-de leite (Symphonia globulifera),bulandi-de-jaca (Richeria grandis), ingás (Inga sp), manipueira (Henriettea succosa),praíba (Simarouba amara), mirindiba (Buchenavia capitata), amescla (Protiumhepthaphyllum), caboatã-de-rego (Cupania racemosa), cafezinho (Casearia sp), cocão(Pogonophora schomburgkiana), leiteiro (Pouteria sp), oiti-de-morcego (Saccoglotismattogrossensis), visgueiro (Parkia pendula) entre muitas outras, quase sempre comuns emlevantamentos de formações secundárias da floresta atlântica da Mata Sul pernambucana. As campanhas de campo realizadas para o diagnóstico foram feitas na Mata da Gia,Mata do Porto e Mata de Carneiros (Figura 7). Os três fragmentos se apresentam comoFloresta Ombrófila das Terras Baixas, em estágio médio de sucessão, com visívelestratificação vertical, alturas médias entre 8 e 10m, observando-se indivíduos emergentescom alturas superiores a 15m. 19 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  20. 20. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Figura 7. Estratificação e árvores emergentes vistas da borda na Mata de Carneiros, Tamandaré - PE. Foto: Geosistemas, 2010. Essas matas têm em comum a localização, próxima ao litoral, e a ocorrência deespécies também presentes em restingas. Nas bordas dessas matas, são frequentes pelomenos duas espécies de muricis (Byrsonima spp), jenipapo (Genipa americana), lixeira(Curatella americana), carrasco (Miconia albicans), sabiazeira branca (Miconia minutiflora),purpuna (Myrcia silvativa), sete-cascos (Pera glabrata), lacre (Vismia guianensis). Pau-pombo (Tapirira guianenesis) é comum tanto nas bordas quanto no interior dos fragmentos. Na Mata de Carneiros, o ingá (Inga laurina) é a espécie mais comum nas bordasbaixas. Mirindiba (Buchenavia capitata) e sucupira (Bowdichia virgilioides) alcançam oestrato superior, constituindo-se nas árvores dominantes nesse tipo de formação, ondetambém foram reconhecidas: imbira vermelha (Xylopia sp), caboatã-de-leite (Thyrsodiumschomburgkianum), embiriba (Eschweilera ovata), orelha-de-burro (Clusia nemorosa), vara-de-caju (Cordia sp), oiti-da-praia (Licania tomentosa), sapucarana (Lecythis sp), cauçu(Coccoloba mollis), araçá (Psidium sp), leiteiro (Pouteria sp), amescla (Protium sp), angelim(Andira nitida) e cocão (Pogonophora schomburgkiana). A análise preliminar da distribuição de fragmentos indica algumas prioridadesimportantes para a conservação na APA de Guadalupe. Sendo todos eles protegidos pela Lei 20 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  21. 21. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCONº 11.428/2006, a Lei da Mata Atlântica, localizados, a maioria, na Zona de Amortecimentoda Reserva Biológica de Saltinho e apresentando, muito deles, a função de proteção dosrecursos hídricos, tem o corte e supressão da vegetação vedados pelo Artigo 11 da referidaLei e devem se constituir prioridade para conservação, objeto de monitoramento especial.Entre esses, identificaram-se algumas áreas especiais: - Matas do Engenho São João e Canto Alegre: fragmentos de especial interesse paraa conservação do Rio Ilhetas. - Mata do Engenho Duas Bocas, a oeste da APA, também associado à proteção dosrecursos hídricos e apresentando vegetação de floresta ombrófila submontana, pelas cotasaltidudinais encontradas, que deve ser particularmente estudada. - Matas de Minguito, com alto potencial para se estabelecer a conectividade entre osfragmentos e restauração ambiental de bordas internas, incluindo também áreas de florestasubmontana. - Mata de Carneiros, em bom estado de conservação e com grande potencial parauso em ecoturismo com interpretação da natureza ao longo de trilhas guiadas. - Mata do Pau-Amarelo, reunindo os fragmentos nomeados como Mata do EngenhoMamocabas, em bom estado de conservação, com conectividade natural com a Rebio deSaltinho. - Mata do Porto e da Gia, sujeitas a maiores ameaças, haja vista a localizaçãolitorânea e as pressões constatadas.2.2.1.1. A Zona de Preservação da Vida Silvestre da APA de Guadalupe: O fragmento defloresta atlântica protegido na Reserva Biológica de Saltinho Levantamentos realizados para elaboração do Plano de Manejo de Saltinhoapontaram a ocorrência de 325 espécies vegetais, pertencentes a 80 famílias botânicas e205 gêneros. As leguminosas, de modo geral, se destacaram pela riqueza de espécies tantoarbóreas quanto subarbustivas, ocupando diferentes nichos (dossel, bordas e áreas abertas), 21 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  22. 22. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOenquanto Melastomataceae e Rubiaceae foram particularmente encontradas em áreas desub-bosque das formações florestais. Entre as espécies arbóreas encontradas destacaram-se cupiúba (Tapirira guianensis),ingá de porco (Sclerolobium densiflorum), urucuba (Virola gardneri), visgueiro (Parkiapendula), massaranduba (Manilkara salzmanni), bom-nome (Maytenus rigida), piquiá(Aspidosperma limae), praíba (Simarouba amara), munguba (Eriotheca crenulaticalyx),cabotã-de-leite (Thyrsodium schomburgkianum), sucupira (Bowdichia virgilioides), amesclas(Protium spp.) e mirindiba (Buchenavia capitata) (IBAMA, 2003)1. Além dessas, espéciesexóticas introduzidas como mangueira (Mangifera indica) e jaqueira (Artocarpus integrifolia)foram encontradas no interior da mata, sendo associadas à proximidade de antigashabitações. Camaçari (Caraipa densifolia) foi especialmente abundante na regeneraçãonatural. Destacam-se entre as espécies arbóreas listadas no estudo as presenças de Triplarisgardneriana, Cupania revoluta, Helicostylis tomentosa, Clarisia racemosa, Brosimumdiscolor, Siparuna guianensis, Stryphnodendron pulcherrimum, Plathymenia foliolosa,Pithecolobium pedicelare, Enterolobium contortisiliquum, Guarea trichilioides, Pterocarposviolaceus, Humiria floribunda, Erythroxylum pulcherrimum, Pera ferruginea, Caraipadensifolia, Symphonia globulifera, Cordia trichotoma, Eriotheca gracilipes, Macoubeaguianensis, Aspidosperma discolor, Thyrsodium salzmannianum e Schefflera morototoni,entre outras mais ou menos frequentes nos fragmentos florestais da Mata Sulpernambucana. As famílias Orchidaceae e Bromeliaceae tiveram baixa ocorrência, denotando ocaráter secundário da vegetação. Trabalhos mais recentes como os de Teixeira (2009) e Alencar (2009) contribuempara conhecer uma pouco mais sobre a diversidade e os processos ecológicos que seestabelecem nesse que é um dos mais importantes fragmentos da floresta ombrófilapernambucana. Nos estudos de Teixeira (2009), Tapirira guianensis (cupiúba ou pau-pombo)apresentou-se como a espécie de maior densidade nas parcelas amostrais e entre as outras1 Os nomes vulgares foram alterados para corresponder às denominações localmente conhecidas. 22 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  23. 23. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOmais abundantes é possível destacar Bowdichia virgilioides, Brosimum rubescens, Cupaniasp., Eschweilera ovata, Genipa americana, Helicostylis tomentosa, Henriettea succosa,Lacistema pubescens, Miconia minutiflora, M. prasina, Pachira aquatica, Pogonophoraschomburgkiana, Protium giganteum, P. heptaphyllum, Schefflera morototoni, Simaroubaamara, Sloanea sp., Syzygium jambolanum, Tapirira guianensis, Thyrsodium spruceanum,Virola gardneri e Xylopia frutescens. Por sua vez, Alencar (2009) estudou a regeneração natural estabelecida nos plantiosde Eucalyptus e Pinus e, em ambas as situações foram encontrados índices de diversidadeexpressivos, concluindo que não houve impedimento ao estabelecimento de espéciesnativas no sub-bosque dos plantios. A Reserva Biológica de Saltinho se constitui em importante fonte de propágulo pararestauração das áreas próximas, local privilegiado para estudo da dinâmica e dabiodiversidade da floresta atlântica e fundamental exercício de gestão de áreas protegidasem Pernambuco. A preservação das suas funções e atributos é fundamental para APA e paratoda Zona da Mata pernambucana.2.2.2. RESTINGAS, PRAIAS E MANGUEZAIS: O COMPLEXO COSTEIRO-ESTUARINO DA APA DEGUADALUPE O termo restinga é polissêmico, ou seja, tem vários sentidos: pode designar diversostipos de depósitos litorâneos, como também outras feições costeiras, assim como também éadotado para nomear diversos tipos de vegetação que recobrem essas planícies ou ainda osistema substrato-vegetação como um todo. Como feição do relevo, o termo restinga é empregado como sinônimo de “planíciecosteira” ou “planície litorânea” - planícies formadas por sedimentos terciários equaternários, depositados predominantemente em ambientes marinho, continental outransicional, freqüentemente associadas a desembocaduras de grandes rios e/oureentrâncias na linha de costa, e podem estar intercaladas por falésias e costões rochosos deidade pré-cambriana, sobre os quais se assentam eventualmente seqüências sedimentares e 23 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  24. 24. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOvulcânicas acumuladas em bacias paleozóicas, mesozóicas e cenozóicas (Villwock, 1994citado por SILVA, 1999 ). Em Pernambuco, Andrade-Lima (1960) propôs uma classificação na qual a Zona doLitoral seria integrada por uma grande diversidade de ecossistemas, como praias e dunas,restingas, tabuleiros e manguezais (ANDRADE-LIMA, 1960). Assim, diferenciava os ambientesdas restingas, recobertos por matas ou campos, dos demais tipos de vegetação litorânea. O IBGE (1992), no seu Manual Técnico da Vegetação Brasileira, classifica as restingase os manguezais como Formações Pioneiras (vegetação de primeira ocupação de caráteredáfico, que ocupa terrenos rejuvenescidos pelas seguidas deposições de areias marinhasnas praias e restingas, as aluviões fluviomarinhas nas embocaduras dos rios e os solosribeirinhos aluviais e lacustres). Como integrante dessa grande classe, nomeia de restinga avegetação com influência marinha, incluindo, na sua caracterização, a vegetação de praia,dunas e do “pontal rochoso que deu origem à restinga”, cuja vegetação se diferenciaria das“comunidades arenosas”. Segundo CPRH (n.d.), a restinga mais bem preservada na área da APA de Guadalupeé encontrada nas proximidades do Rio Ariquindá, apresentando fisionomia arbustivaadensada e algumas árvores espaçadas, em especial, cajueiro (Anacardium occidentale) eangelim-da-praia (Andira nitida), ressaltando-se também a frequência de lixeira (Curatellaamericana), cipó-de-fogo (Tetracera breyniana) e murici (Byrsonima gardneriana). Na restinga de Ariquindá domina o fruticeto, fisionomia arbustiva aberta, ocorrendoagrupamentos arbustivos, formando eventualmente moitas, intercaladas por áreas abertas,onde indivíduos arbóreos encontram-se esparsos e vegetação herbácea abundante. Osubstrato é formado basicamente por areias quartzosas, desprovido de serrapilheira. Oestrato herbáceo é expressivo, constituído por espécies como: Chamaecrista ramosa,Cuphea flava, Stigmaphyllom paralias e Borreria verticilata. Os arbustos mais frequentespertencem as espécies Byrsonima gardneriana, Byrsonima sericea, Eugenia perifolia, Psidiumguineensis e Tocoyena brasiliensis e Guapira pernambucensis. Os espécimes arbóreosencontrados, chegando a 10 metros de altura, pertenceram as espécies Pera glabrata, 24 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  25. 25. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOAndira nitida, Manilkara salzmanii, Protium hepthaphyllum, Buchenavia capitata e Ingacapitata, todas intercaladas por arbustos e ervas. Na mesma área do município de Tamandaré, Silva e colaboradores (2008) concluíramque a restinga estudada está assentada sobre um terraço marinho pleistocênico, o qual nãorecebeu, durante a sua formação, influência do Rio Ariquindá que passa ao lado da área. Osolo local foi classificado como Neossolo Quartzarênico Órtico, profundo e essencialmentearenoso, com teor de areia superior a 90% ao longo de todo o perfil. No local foramidentificadas 104 espécies, distribuídas em 88 gêneros e 54 famílias, com maior riqueza dafamília Myrtaceae. A área apresentou três tipos fisionômicos distintos: campo aberto não inundável,fruticeto aberto não inundável e floresta aberta não inundável. As espécies maisrepresentativas do campo não inundável foram Abildgaardia scirpoides, Borreria verticillata,Cuphea flava e Cyperus hermaphroditus, enquanto no fruticeto aberto destacaram-seAbarema cochliacarpos, Byrsonima gardneriana, Byrsonima sericea, Croton sellowii eStigmaphyllon paralias. As espécies mais representativas da floresta não inundável foramAndira nitida, Manilkara salzmannii, Pera glabrata, Protium bahianum e Saccoglotismattogrossensis. Anacardium occidentale foi observado nas três fisionomias e Hancorniaspeciosa, apenas no fruticeto. Não foram encontradas espécies endêmicas, mas espéciesque são oriundas de outros ambientes adjacentes ou até mais distantes, como por exemploPanicum laxum, Polygala violacea, Staelia virgata e Stemodia pratensis, que foram listadaspara ambientes como o cerrado (SILVA et al. 2008). Os levantamentos de campo realizados indicaram a existência de um mosaicovegetacional nessa área, formando um complexo que integra a franja de mangue às margensdo Rio Ariquindá e se estende por áreas com diferentes níveis de antropismo. No que pareceser a transição entre a floresta ombrófila de terras baixas, representada pela Mata dosCarneiros, e a restinga, encontra-se um denso estrato de ingá (Inga sp - LeguminosaeMimosoideae) nas bordas, com coqueiros (Cocos nucifera L. - Arecaceae) dominando oestrato superior, registrando-se a presença de imbaúba (Cecropia sp - Cecropiaceae), lacre 25 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  26. 26. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO(Vismia guianensis) e jenipapo (Genipa americana). Vê-se que se trata de sucessãosecundária recente, estabelecida sob coqueirais sem tratos culturais. Área mais conservadas apresentam estrato arbóreo com massaranduba (Manilkarasalzmannii), caju (Anacardium occidentale), angelim (Andira sp), cupiúba (Tapiriraguianensis) e muita regeneração de lacre (Vismia guianensis). Nas proximidades da áreatambém estudada por Silva e colaboradores (2008), o manguezal se limita com umavegetação arbustiva bastante densa, cujo dossel não ultrapassa os 6,0 m de altura,constituída de Simaba ferruginea, Ouratea sp, Byrsonima sp, Myrsine sp e Protiumbrasiliense. O mangue-de-botão (Conocarpus erectus) viceja na linha de transição entre omanguezal e a restinga (Figura 9).Figura 8 – Ramo florido de Byrsonima sp, coletado nas restingas do Ariquindá, Tamadaré-PE. Materialdepositado no Herbário Sérgio Tavares do Departamento de Ciência Florestal, UFRPE (Foto: ÂngelaMiranda, outubro, 2010). 26 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  27. 27. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOFigura 9. Na linha de transição entre manguezal e restinga, às margens do Rio Ariquindá, Tamandaré– PE, o mangue-de-botão caracteriza as áreas de mangue já assoreadas e a vegetação arbóreo-arbustiva mais densa delimita a área não inundável. (Foto: Isabelle Meunier, outubro, 2010) Nas áreas mais antropizadas, a vegetação é caracterizada pela presença de mangaba(Hancornia speciosa), cajueiros e alguns exemplares remanescentes arbóreos de angelim(Andira sp), enquanto o estrato subarbustivo-herbáceo é composto por espécies ruderais,que evidenciam a história de uso da área, e espécies típicas de restinga. Foram encontradaschumbinho (Lantana camara), Cuphea flava, Borreria verticillata, Urena lobata,Chamaecrista flexuosa, Lagenocarpus cf. rigidus, típica de ambientes de restinga, Solanumagrarium e Waltheria indica. As “restingas do Ariquindá” apresentam elevado potencial paisagístico porresguardarem características das paisagens litorâneas de Pernambuco, com espécies deimportância econômica e cultural para as populações locais, para alimentação e abrigo dafauna silvestre e fornecedoras de sementes para programas de restauração ambiental. Aocupação nessa área deve ser controlada, com manutenção de extensões significativas deáreas livres com vegetação natural, principalmente às margens do rio, onde a área depreservação permanente pode ter seus valores potencializados como área verde urbana,com baixa intervenção. 27 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  28. 28. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO No município de Sirinhaém identificam-se fisionomias que integram elementos derestinga e de apicum (ou salgado), onde foram registradas as espécies Dalbergiaecastaphyllum, Humiria balsamifera, Miconia hirta, Miconia albicans, Coccoloba sp,Chrysobalanus icaco, Guettarda platypoda e Tocoyena formosa. Áreas alagáveis com vegetação herbácea e áreas de apicum (ou salgado) integram omosaico de feições costeiras e estuarinas, juntamente à restinga e aos manguezais do Rio doPassos e Formoso. O termo apicum vem do tupi-guarani e significa “brejo de água salgada àborda do mar ou coroa de areia feita pelo mar”, segundo informação não datada de Crepanie Medeiros. A zona do apicum, segundo Bigarella citado por Scheaffer-Novelli (2006), fazparte da sucessão natural do manguezal para outras comunidades vegetais, sendo resultadoda deposição de areias finas por ocasião da preamar, com elevado grau de salinidade. Ouseja, o apicum integra o ecossistema manguezal e estabelece, muitas vezes, a zona detransição com a restinga. Nesse trecho do município de Sirinhaém, essa complexidade podeser observada e as diversidades específica e ecossistêmica da área colocam-na comoprioridade para ações de proteção e desenvolvimento de pesquisa, já que a conservação e oconhecimento dessa diversidade, bem como dos processos e relações funcionais, sãofundamentais para a garantia da oferta dos serviços ecossistêmicos. Ao longo da área costeira de Guadalupe, com baixo grau de ocupação humana,encontra-se outra expressão da vegetação litorânea incluída na definição mais genérica derestinga. Trata-se de vegetação que recobre pequenas dunas formadas sobre as falésias, apartir da areia retrabalhada pelo vento. Nesse local foram observadas Stigmaphyllonparalias, Ouratea sp, Myrsine sp, Croton sellowii, Manilkara salzmannii, Remirea maritima(Cyperaceae, típica de restinga), Periandra mediterranea, Byrsonima sp e Cereusfernambucensis (Cactacaea). Foi encontrada uma única espécie de orquídea (Vanilla sp). Olocal, além do valor biológico, apresenta grande beleza cênica e oportunidade de uso comomirante (Figuras 10 e 11). 28 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  29. 29. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Figura 10. Terraço marinho retrabalhado pelo vento entre Aver-o-mar e Guadalupe, em Sirinhaém-PE. Foto: Geosistemas, 2010.Figura 11. Cereus fernambucensis (cardo-da-praia) na vegetação costeira de Guadalupe. Foto:Geosistemas, 2010. 29 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  30. 30. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Ainda integrando a formação fitoecológica das restingas, a vegetação de praia seevidencia em vários trechos da área costeira, com destaque para o estuário do Rio Ilhetasonde herbáceas como Ipomoea pes-caprae, Mariscus maritima, Paspalum maritimun,Sporolobus virginicus, Sophora tomentosa, Cuphea flava e Stigmaphylon paralias aparecemsob os coqueirais. Os coqueirais são o elemento mais marcante e estruturador da paisagem nessasáreas antropizadas e, a despeito de se constituírem em monocultivos de espécie introduzida,representam a expressão da paisagem cultural do litoral pernambucano (Figuras 12 e 13),resguardam uma importante diversidade faunística, além de se constituírem em fonte derenda para as populações locais. Figura 12. Coqueirais de Guadalupe, em Sirinhaém – PE. Foto: Geosistemas, 2010. 30 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  31. 31. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Figura 13. Coqueirais na Praia do Porto, Barreiros – PE. Foto: Geosistemas, 2010. Os manguezais ocupam, na APA de Guadalupe, extensas áreas que margeiam asáreas estuarinas dos rios Sirinhaém, Ilhetas, Ariquindá, Formoso e dos Passos. Osmanguezais são ecossistemas costeiros tropicais, cuja cobertura vegetal altamenteespecializada, com alta biomassa e baixa diversidade. Colonizam depósitos sedimentarescom elevada salinidade e altos teores de matéria orgânica. Os bosques de mangue da APA de Guadalupe são constituídos pelas espécies queocorrem em Pernambuco: Rhizophora mangle (mangue-gaiteiro), Laguncularia racemosa(mangue-branco), Avicennia schaueriana (mangue-preto) e Conocarpus erectus (mangue-de-botão), essa encontrada nas áreas menos sujeitas a inundações. A presença da avenca-do-mangue (Achrosticum sp) é algumas vezes observada, assim como de uma “borda” alterada,com espécies exóticas regeneradas sub-espontaneamente, principalmente nas proximidadesde núcleos urbanos. As espécies exóticas mais associadas às bordas de mangue sãocastanhola (Terminalia catappa) e leucena (Leucaena leucocephalla). Os bosques de mangueda APA de Guadalupe estão em diferentes estágios de desenvolvimento e graus deantropismo, com expressão máxima na zona estuarina do Rio Formoso, dos Passos eAriquindá e no estuário do lhetas-Mamocabas (Figuras 14 e 15). 31 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  32. 32. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOFigura 14. Bosque de mangue com predomínio de Rhizophora mangle no estuário do Rio Formoso –PE. Foto: Geosistemas, 2010.Figura 15. Franja de mangue-gaiteiro às margens do Rio Ariquindá, Tamandaré – PE. Foto:Geosistemas, 2010. 32 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  33. 33. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Como é fartamente conhecido, a baixa diversidade vegetal não diminui a importânciadessas áreas que oferecem inúmeros serviços ambientais de extrema importância, seja paraa produtividade dos ecossistemas aquáticos, conservação da fauna silvestre, sustentação dapesca e do extrativismo e proteção da costa, além de se constituir em paisagens de grandebeleza para a prática do turismo.2.2.3. FORMAÇÕES SAVÂNICAS Em certas áreas da APA de Guadalupe observa-se cobertura vegetal de portearbustivo, com fisionomia savânica que pode ser atribuída às intervenções antrópicaspassadas. Apresenta densidade variável com espécies pioneiras e, geralmente, dominânciade lixeira (Curatella americana) e cajueiros (Anacardium accidentale) de pequeno porte ecaule retorcido, e estrato herbáceo constituído por ervas ruderais, notadamente gramínease ciperáceas, imprimindo o aspecto de savana. A intervenção antrópica historicamente estabelecida e os episódios de queimadas,intencionais ou acidentais, levaram a remoção da camada biologicamente ativa do solo,impossibilitando o estabelecimento de regeneração natural expressiva. A ocorrência depoucas espécies e o domínio da C. americana em algumas áreas parecem estar associadosao dessecamento promovido pelo vento, nas encostas, e/ou a baixa fertilidade dos solos.Essas áreas savanizadas, aparentemente de baixo valor biológico, devem ser priorizadas paraestudos sobre os fatores limitantes ao estabelecimento de vegetação mais densa e de maiorporte, e objeto de medidas de reabilitação e restauração.2.2.4. A AVIFAUNA DA APA DE GUADALUPE Na APA de Guadalupe estão catalogadas 187 espécies de aves, pertencentes a 39famílias. Essas 187 espécies registradas, correspondem à cerca de 37% das aves listadaspara o estado de Pernambuco, que possui um total de 498 espécies registradas (Farias et al.2000). 33 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  34. 34. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Do total de espécies que ocorrem na área, dez são endêmicas da região, sendo elaso periquito-rico (Brotogeris tirica), beija-flor-de-costas-violeta (Thalurania watertonii), beija-flor-cinza (Aphanthocroa cirrhochloris), joão-bobo (Nystalus maculatus), chupa-dente-de-máscara (Conopophaga melanops), fruxu (Neopelma pallescens), garrinchão-de-bico-grande(Thryothorus longirostris), sangue-de-boi (Ramphocelus bresilius) e o pintor-verdadeiro(Tangara fastuosa), este último, juntamente com o besouro-de-rabo-branco (Phaethornissuperciliosus), o tatac (Synallaxis infuscata) e o pintassilgo-do-nordeste (Carduelis yarellii)encontram-se na lista das espécies ameaçadas que ocorrem no Brasil (COLLAR et al., 1994). O gavião-carijó (Buteo magnirostris) pode ser observado em diversas áreas na APAde Guadalupe, demonstrando que suas populações não são atingidas pelas atividadeshumanas. Enquanto isso, o gavião-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis) ocorre nasproximidades do rio Una, município de Barreiros, e é uma espécie ameaçada pelacontaminação das águas, de onde provêm seu principal alimento, uma espécie de moluscoconhecido vulgarmente como aruá (Pomacea). Dentre as aves associadas a ambientes aquáticos, destaca-se a presença dosCharadriidae (batuíra-de-bando Charadrius semipalmatus e batuíra-de-coleira Charadriuscollaris) e Scolopacidae (maçarico-branco Calidris alba e o maçarico-pintado Actitismacularia). A maior parte dos Columbidae (pombas e rolinhas), encontradas na APA, vive emregiões campestres e são beneficiadas pelo desmatamento e expansão das culturas (Sick1997), como a rolinha-caldo-de-feijão (Columbina talpacoti) e a fogo-apagou (Scardafellasquammata). As pombas de grande porte (Columba e Leptotila) são importantes naalimentação da população local. Os grandes frugívoros, como os das famílias Psittacidae (periquitos, jandaias),Trogonidae (surucuás) e Ramphastidae (tucanos, araçaris), aves de dieta mais especializada,estiveram representados por poucas espécies. Estas têm função extremamente importante,uma vez que são dispersores de sementes, como as de Anonaceae, Sapotaceae,Chrysobalanaceae, Lauraceae, entre outras (TABARELLI, 2000). 34 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  35. 35. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Um número relativamente elevado (14) de beija-flores (Trochilidae) foi inventariadona APA. Destaca-se a ocorrência do beija-flor-de-costas-violeta (Thalurania watertonii),espécie endêmica da Mata Atlântica nordestina (Pernambuco, Alagoas e Sergipe). Os Formicariidae (papa-formigas, chocas), aves insetívoras da família Passeriformes,são especializados e sensíveis à fragmentação de habitats. Destaca-se Thamnophilusaethiops distans, uma subespécie da choca-lisa (T. aethiops) da região amazônica, queocorre em florestas residuais de Pernambuco e Alagoas. São ainda registradas o papa-taoca(Pyriglena leuconota) e o chupa-dente-de-máscara (Conopophaga melanops), este últimoendêmico da Floresta Atlântica. Na família Furnariidae, destaque especial para o tatac (Synallaxis infuscata), espécierestrita às florestas montanas dos estados de Pernambuco e Alagoas, onde habita as bordasemaranhadas e o sub-bosque denso (SICK, 1997) e está incluída no livro vermelho dasespécies ameaçadas (COLLAR et al., 1994). Os Dendrocolaptidae, arapaçu-liso (Dendrocincla fuliginosa) e o arapaçu-de-bico-amarelo (Xiphorhynchus guttatus) são excelentes bioindicadores para a região, uma vez quesão abundantes nas florestas tropicais, mas tem a população reduzida em matassecundárias empobrecidas. Tyrannidae é uma família bastante numerosa em espécies na APA de Guadalupe e érepresentada por pássaros que ocupam todos os tipos de paisagem e todos os estratos damata. Alguns tiranídeos, como a lavadeira (Fluvicola nengeta) e o bem-te-vi (Pitangussulphuratus), têm suas populações favorecidas pela antropização, como observado noscentros comerciais das cidades de Tamandaré e Barreiros. Já outros representantes dafamília preferem o sub-bosque mais emaranhado das florestas, como a maria-de-olho-branco (Hemitriccus zosterops) e o patinho (Platyrinchus mystaceus). Entre os principais dispersores de sementes de espécies pioneiras estão os Pipridae.Representados pela rendeira (Manacus manacus) e o fruxu (Neopelma pallescens). Esteúltimo até recentemente considerado endêmico do Brasil, foi encontrado por Bates et al.(1992) apud Sick (1997) na Bolívia. 35 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  36. 36. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO A andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer) e andorinha-de-bando (Hirundo rustica),esta última migratória do hemisfério norte, são bons indicadores de poluição (Sick 1997), esua presença na área indica boa qualidade da mesma. A família Emberizidae destaca-se em número de espécies na APA de Guadalupe, comrepresentantes de suas seis sub-famílias. Dentre seus representantes encontram-se osangue-de-boi (Ramphocelus bresilius), endêmica do Brasil oriental, e o pintor-verdadeiro(Tangara fastuosa), restrito ao litoral nordestino da Paraíba, Pernambuco e Alagoas, eameaçado devido à perseguição pelo comércio clandestino, o que é agravado pela suapequena área de distribuição (Sick 1997). Também nesta família estão as aves canoras quesofrem pressão de captura por passarinheiros, como: o guriatã (Euphonia violacea), ocanário-da-terra (Sicalis flaveola), o tiziu (Volatinia jacarina), diversas espécies decoleirinho, bigodinho, papa-capim (Sporophila spp) e o curió (Oryzoborus angolensis). Outra espécie importante é o pintassilgo-do-nordeste (Carduellis yarrellii), apreciadono comércio de aves silvestres, ameaçada, na categoria de vulnerável, pelo fato de sermuito limitada sua área de ocorrência (Sick 1997). Também estão presentes na área representantes da família Cathartidae, urubus-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) e urubus-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), grupo deaves urbanas sensu lato, àquelas que ocorrem em outros ambientes além do urbano e sãobeneficiados pelas alterações ambientais, obtendo aumento dos locais de nidificação e nadisponibilidade de alimento, diminuição do número de competidores e de predadorespotenciais (Argel-de-Oliveira, 1996), principalmente devido aos lixões das cidades deTamandaré e Barreiros, que propiciam alimento e abrigo. Ainda no grupo de aves sensulato, estão o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), o sebito (Coereba flaveola), a curruíra(Troglodytes aedon), o sanhaço (Thraupis sayaca) e o tico-tico (Zonotrichia capensis). A presença das espécies exóticas introduzidas pode ser observada nos centroscomerciais de Tamandaré e Barreiros e nas áreas de praia e coqueiral, sendo elas o pombo-doméstico (Columba livia) e o pardal (Passer domesticus). O registro das espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, bem como a ocorrênciade espécies frugívoras, a exemplo das famílias Trogonidae (surucuás) e Ramphastidae 36 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  37. 37. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO(tucanos e araçaris), e também a presença de formicarídeos (papa-formigas, chocas), quesão excelentes bioindicadores, demonstram que os fragmentos da área da APA deGuadalupe são de extrema importância na conservação da diversidade biológica da área.2.3. ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS2.3.1. FAUNA AQUÁTICA RECIFES Os recifes constituem a base de uma comunidade marinha costeira complexa e degrande valor ecológico, sendo um dos ecossistemas marinhos mais produtivos do mundo,além de formar uma estrutura com funções ecológicas que suportam uma alta diversidadede espécies. Embora restritos geograficamente aos mares tropicais e ocupando apenas 0,1%da superfície terrestre, os recifes de corais têm grandes implicações globais para abiodiversidade marinha (KOHN, 1997). Os recifes de coral possuem grande importância como defesa costeira natural, alémde fonte alimentar e de renda, através do turismo, para as comunidades costeiras. Emassociação aos mangues, os recifes fornecem suporte para a manutenção da intensaatividade pesqueira artesanal nas áreas costeiras. O Brasil possui os únicos recifes de coral do oeste do Atlântico Sul, distribuídos aolongo de sua costa (CASTRO; PIRES, 1999). Entre os recifes do Nordeste do Brasil, destaca-sea área compreendida entre Tamandaré-PE e Paripueira-AL, região que compreende a APA deGuadalupe, uma das poucas áreas onde se desenvolvem inúmeras espécies de corais, alémde apresentar fauna e flora bastante diversa. A fauna de coral dos recifes dessa região éconsiderada mais rica do que ao norte do Brasil. Das 18 espécies de corais pétreos descritaspara a costa brasileira, nove espécies foram observadas nessa costa, permitindo aconstrução de um ecossistema coralíneo bastante complexo (KEMPF, 1970; FERREIRA et al.,1995). Os principais formadores de corais nessa região são as espécies Mussismilia harttii eMontastrea cavernosa (MAIDA; FERREIRA, 1997). 37 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  38. 38. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO A fauna de corais da APA de Guadalupe está representada por 13 espécies,distribuídas em 7 famílias. Destas, seis são consideradas endêmicas do Brasil, sendo cincoespécies de corais escleratíneos e uma de hidrocoral. CARCINOFAUNA Os crustáceos são populares entre o público leigo por conterem espécieseconomicamente importantes no pescado como camarões, caranguejos, lagostas e lagostins.Por ser um grupo extremamente diverso, amplamente distribuído e abundante nos oceanos,os crustáceos apresentam um importante papel ecológico nesse ecossistema. A variedadede hábitos de vida do grupo reflete no seu papel na cadeia alimentar. Dentre os grupos decrustáceos que ocorrem na área da APA de Guadalupe, destaca-se a ocorrência dosCopepoda (41 espécies), Ostracoda (2 espécies), Cirripédia (2 espécies), Stomatopoda (6espécies), Amphipoda (11 espécies), Isopoda (1 espécies), e Decapoda (146 espécies)(COELHO; RAMOS-PORTO, 1995; SILVA, 2003). ICTIOFAUNA Para a região costeira da APA de Guadalupe e Tamandaré, são descritas 103 espéciesde peixes pertencentes a 43 famílias, ocorrendo nas áreas recifais, sendo as espéciesStegastes fuscus e S. variabilis as mais abundantes (FERREIRA et al.1995; FERREIRA et al.,2005). Para a região estuarina inferior da praia de Carneiros (APA de Guadalupe) sãoatualmente listadas 63 espécies distribuídas em 34 famílias, sendo Clupeidae a maisabundante, seguida de Atherinopsidae e Gerreidae (MACÊDO, 2010). Paiva (2009) encontrou78 espécies para toda a região de águas estuarinas rasas do Rio Formoso; um númeroelevado quando comparado a outros estuários do Atlântico oeste tropical. Diversas espéciesde peixes tipicamente recifais, como os da família Acanthuridae, podem ser observados nasregiões estuarinas. Isso ocorre em Tamandaré, devido à proximidade do estuário com asáreas recifais e pela sua função ecológica de berçários costeiros para as fases jovens destasespécies, oferecendo refúgio e alimentação (MACÊDO, 2010). 38 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  39. 39. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO2.4. ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE A APA de Guadalupe abriga áreas prioritárias para conservação da biodiversidade,considerando os diferentes grupos de seres vivos. A Tabela 1 foi organizada sintetizandoinformações do Atlas da Biodiversidade de Pernambuco (PERNAMBUCO, 2002), destacandoas áreas total ou parcialmente incluídas na APA de Guadalupe, classificadas quanto àimportância biológica.Tabela 1. Importância biológica da APA de Guadalupe para a conservação de grupos de seres vivos,segundo o Atlas da Biodiversidade de Pernambuco (PERNAMBUCO, 2002) Grupo Importância biológica Vertebrados Extrema Inverterbrados Extrema Plantas Extrema (ReBio Saltinho e litoral de Tamandaré) Insuficientemente conhecida (Mata de Tamandaré) Algas Insuficientemente conhecida Fungos e líquens Extrema (Litoral Sul) Esse mesmo Atlas da Biodiversidade de Pernambuco aponta a ampliação dasUnidades de Conservação e conexão de remanescentes como medidas necessárias à todaárea da Mata Meridional. Como resultado nas análises, define, dentro dos limites da APA deGuadalupe, três áreas prioritárias para conservação: Saltinho e a baía de Tamandaré, comode extrema importância, e o restante da APA como de importância muito alta. 39 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  40. 40. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO2.5. DINÂMICA DO TURISMO NA APA DE GUADALUPE O turismo na APA de Guadalupe resulta da expansão da função turística nas áreaslitorâneas, produto da busca pelo lazer por parte da população e da canalização deinvestimentos públicos para a expansão da função turística em áreas litorâneas. No conjunto dos quatro municípios contidos na APA, a área abriga paisagens naturaisrepresentadas por praias de relevante beleza cênica – praia dos Carneiros, Mamucabinha,Porto (Figura 16), Tamandaré, Campas, Guadalupe, Gamela (Figura 17)–, extensas barreirasde recifes, grandes áreas de manguezais nas áreas estuarinas dos rios Ariquindá,Ilhetas/Mamucabas, Rio Formoso, Passos, Lemenho e Sirinhaém (Figura 18) e fragmentos deMata Atlântica que representam um vasto potencial e atrativos para a atividade turística(Quadro 1). Do ponto de vista histórico-cultural, a APA oferece atrativos representados porconstruções com arquitetura dos Séculos XVII e XVIII, como igrejas e comunidadestradicionais de pescadores e quilombolas, além construções que remontam importantesmomentos históricos da colonização brasileira representado pelo Reduto do Cruzeiro e peloForte Santo Inácio de Loyola (Figuras 19, 20 e 21). Figura 16. Ilha do Coqueiro na Praia do Porto, entre Tamandaré e Barreiros - PE. 40 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  41. 41. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOFigura 17. Estuário dos Rios Formoso e Grande, entre Rio Formoso e Sirinhaém - PE.Foto: Geosistemas, 2010.Figura 18. A extensa linha de praias nos municípios de Sirinhaém e Tamandaré é um dosmaiores atrativos naturais da APA de Guadalupe. Foto: Geosistemas, 2010. 41 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PEFone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  42. 42. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOQuadro 1. Oferta turística da Área de Proteção Ambiental - APA de GuadalupeOFERTA TURÍSTICANatural Porto, Mamucabas, Boca da Barra, Campas, Tamandaré, Buraco,Praias Pontal do Lira, Dos Carneiros, Pedra, Guadalupe, Gamela e Barra de Sirinhaém. Áreas estuarinas dos rios Ariquindá, Ilhetas/Mamucabas, RioManguezais Formoso, Passos, Lemenho, SirinhaémRecifes Extenso cordão em toda a faixa de praia com piscinas naturaisCachoeiras Bulha D’Água Rios, riachos, canais, lagos, Rios Ilhetas, Mamucabas, Ariquindá, Formoso, Passos, Lemenho,lagoas, caldeirões e banhos SirinhaémReservas Biológicas e outras Reserva Biológica de Santinho e APA Costa dos CoraisUnidades de ConservaçãoMirantes OuteiroHistórico-cultural Igreja de São Pedro (Tamandaré), Matriz de São José e Nossa SenhoraIgrejas seculares do Rosário dos Pretos (Rio Formoso)Fortes e Fortalezas Santo Inácio de Loyola (Tamandaré)Ruínas Igreja de São José (Tamandaré), Forte do Rio FormosoSítios Históricos / Científicos Reduto (Rio Formoso)Comunidades tradicionais Pescadores; QuilombolaFonte: Adaptado do Inventário Turístico do Estado de Pernambuco. Empetur, 2008. Pesquisa direta,março, 2010. 42 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  43. 43. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCOFigura 19. O Cruzeiro do Reduto, em Rio Formoso, marca importante batalhatravada durante a ocupação holandesa em Pernambuco. Foto: Geosistemas, 2010.Figura 20. Igreja de São Benedito, na Praia dos Carneiros, Tamandaré - PE.Foto: Geosistemas, 2010. 43 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PEFone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br
  44. 44. Unidade Executora Estadual do PRODETUR DE PERNAMBUCO Figura 21. Forte Santo Inácio de Loyola, em Tamandaré, - PE. (Foto Geosistemas, 2010). Esse vasto potencial e atrativos turísticos possibilitaram o desenvolvimento depráticas voltadas para formas de turismo como de sol e mar, náutico e ecológico, mas, sem adevida atenção ao ordenamento da atividade e atenção à conservação dos recursosambientais. A área da APA foi palco de investimentos do Prodetur/NE que objetivou promover,em diferentes fases, o desenvolvimento do turismo na região Nordeste, a partir dadisponibilização de infra-estrutura de apoio ao turismo, priorizando ações que mantivesseme expandissem a referida atividade, estimulando a participação da iniciativa privada, com aconseqüente geração de ocupação produtiva e de renda. Apesar das iniciativas do poder público no direcionamento da expansão da atividadeturística, o turismo em Pernambuco tem sido responsável pelo consumo, produção etransformação das paisagens e dos espaços e, de suas condições socioeconômicas, comdestaque para as áreas naturais principalmente de praias. 44 Rua Hermógenes de Morais, 120 - Madalena – CEP 50.610-160 – Recife-PE Fone/Fax: (81) 3445-7033 – CNPJ: 70.073.275/0001-30 – E-mail: geosistemas@ geosistemas.com.br

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