Invasoras

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Invasoras

  1. 1. Tarciso C. C. Leão Walkiria Rejane de Almeida Michele de Leão Tarciso Sá Dechoum Sílvia Renate Ziller Walkiria Rejane de Almeida Michele de Sá Dechoum Sílvia ZillerEspécies Exóticas Invasoras Espécies ExóticasBrasil no Nordeste do Invasoras no Nordeste do BrasilContextualização, Manejo e Políticas Públicas Contextualização, Manejo e Políticas Públicas
  2. 2. Espécies Exóticas Invasoras no Nordeste do Brasil:Contextualização, Manejo e Políticas Públicas 1
  3. 3. CEPAN – Centro de Pesquisas Ambientais do NordesteSeverino Ribeiro PintoDiretor-presidente e Diretor de ProjetosCristiane LucenaDiretora-administrativaRenata TorresGestora-financeira Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental Gisele Bolzani Presidente Geraldo Morceli Bolzani Júnior Vice-Presidente Sílvia Renate Ziller Diretora-executiva2
  4. 4. Tarciso C. C. Leão Walkiria Rejane de Almeida Michele de Sá Dechoum Sílvia Renate Ziller Espécies Exóticas Invasoras no Nordeste do Brasil:Contextualização, Manejo e Políticas Públicas CEPAN Instituto Hórus Recife, 2011 3
  5. 5. REALIZAÇÃOCentro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan)Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação AmbientalREVISÃO TÉCNICADiele LôboSônia Aline RodaREVISÃO ORTOGRÁFICAConsultextoILUSTRAÇÃOPrograma Global de Espécies Invasoras (Gisp)FOTOGRAFIASCréditos nas fotosAPOIOConservação Internacional do BrasilMonsantoAssociação para a Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (Amane) Dados internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Leão, T. C. C.; Almeida, W. R.; Dechoum, M.; Ziller, S. R. Espécies Exóticas Invasoras no Nordeste do Brasil: Contextualização, Manejo e Políticas Públicas / Tarciso C. C. Leão, Walkíria Regina Almeida, Michele Dechoum, Sílvia Renate Ziller – Recife: Cepan, 2011. 99 páginas: il., fig.,tab. ISBN: 978-85-64352-00-1 1. Espécies Exóticas Invasoras. 2. Mata Atlântica – Nordeste – Brasil. 3- Conservação da biodiversidade. 4. Política Ambiental. I. Leão, Tarciso. II Título CDD - 570Para citação bibliográfica, usar a seguinte referência: LEÃO, T. C. C,; ALMEIDA, W. R.; DECHOUM, M.;ZILLER, S. R. 2011. Espécies Exóticas Invasoras no Nordeste do Brasil: Contextualização, Manejo ePolíticas Públicas. Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste e Instituto Hórus deDesenvolvimento e Conservação Ambiental. Recife, PE. 99 p. Esta publicação está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Atribuição-Uso Não Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil.4
  6. 6. SUMÁRIOPARTE UM Contextualização 1. O PROBLEMA DAS ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2. UNIDADES DE CONSERVÃO E ESPÉCIES EXÓTICA INVASORAS . . . . . . . . 15 3. HÁBITATS MAIS AMEAÇADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17PARTE DOIS Espécies Exóticas Invasoras no Nordeste do Brasil 4. SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS NO BRASIL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 5. LISTA DE ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 6. ANIMAIS EXÓTICOS INVASORES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 7. PLANTAS EXÓTICAS INVASORAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52PARTE TRÊS Manejo e Políticas Públicas 8. DIRETRIZES PARA O MANEJO DE ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS EM ÁREAS NATURAIS TERRESTRES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77 9. A CONSTRUÇÃO DE UMA ESTRAGÉGIA ESTADUAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84Referências Bibliográficas ................................................................................................................... 88Anexo ............................................................................................................................. ............................................. 97 5
  7. 7. 6
  8. 8. PARTE UMCONTEXTUALIZAÇÃO
  9. 9. 8
  10. 10. 1. O problema das Espécies Exóticas Invasoras O planeta Terra vive hoje uma das maiores sobreviver no novo hábitat, ela é consideradacrises de perda de biodiversidade já estabelecida. Caso a espécie estabelecidadocumentadas. As previsões dessa perda para a expanda sua distribuição no novo hábitat,próxima década são alarmantes, especialmente ameaçando a biodiversidade nativa, ela passa anos países com alta diversidade (Wilson, 1997). ser considerada uma espécie exótica invasora.Dentre as mais de 47 mil espécies avaliadas Essas definições fornecidas pela CDB sãoquanto ao risco de extinção em escala global, utilizadas como referência para a construção depouco mais de um terço (36%) corre riscos reais bases legais e de políticas públicas pelos paísesde desaparecer caso as ameaças à biodiversidade signatários da Convenção, como o Brasil, e sãonão sejam controladas (CDB, 2010). Entre 1970 adotadas como base pelo Programa Global dee 2006, as populações de animais vertebrados Espécies Invasoras (Gisp). Por meio do Decreto n°diminuíram em média 31% em escala global, e, 2, de 03 de fevereiro de 1994, o Brasilnos trópicos, essa redução foi de 59% (WWF, estabeleceu um compromisso legal com a CDB2008). comprometendo-se a adotar e aplicar, no seu De forma resumida, as principais causas território, as ações e os princípios da Convenção.diretas da perda de biodiversidade são: a No âmbito das espécies exóticas invasoras, issoconversão de hábitats naturais em atividades quer dizer que o País deve “impedir que sejamhumanas, como o avanço da fronteira agrícola; introduzidas e deve controlar ou erradicaras mudanças climáticas; as espécies exóticas espécies exóticas que ameacem ecossistemas,invasoras; a superexploração; e a poluição hábitats ou espécies” (art. 8h da CDB, 1992). A(Millennium Ecosystem Assessment, 2005). mensagem desse artigo foi transposta para a LeiNeste livro, abordaremos o problema das de Crimes Ambientais (art. 61 da Lei Federal n°espécies exóticas invasoras. 9.605/98), que considera crime ambiental a De acordo com as definições adotadas pela disseminação de doenças ou pragas ou espéciesConvenção Internacional sobre Diversidade que possam causar dano à agricultura, àBiológica (CDB, 1992) na 6ª Conferência das pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas.Partes (CDB COP-6, Decisão VI/23, 2002), uma As introduções de espécies podem serespécie é considerada exótica (ou introduzida) voluntárias, quando há alguma intenção de usoquando situada em um local diferente do de sua da espécie para fins específicos; ou involuntária,distribuição natural por causa de introdução quando a introdução ocorre acidentalmente,mediada por ações humanas, de forma como no caso de pragas agrícolas e vetores devoluntária ou involuntária. Se a espécie doenças — vírus e bactérias (CDB COP-6,introduzida consegue se reproduzir e gerar Decisão VI/23, 2002). Frequentemente, adescendentes férteis, com alta probabilidade de introdução voluntária de uma espécie exótica 9
  11. 11. Yuri Yashin, achatina.ru, Bugwood.orgpode levar à introdução acidental de outras escargot sem que houvesse qualquer estudo deespécies a ela associadas, como é o caso de mercado, verificação de experiências análogasparasitas associados aos peixes introduzidos em em outros países ou autorização do órgãoatividades de piscicultura. Tais parasitas, competente. O resultado é que a comercializaçãointroduzidos acidentalmente, podem foi um fracasso, levando ao abandono decomprometer a sanidade ambiental da criadouros e à soltura de caracóis no ambiente.piscicultura e causar novas doenças em Atualmente, o caracol-gigante-africano já ocorreecossistemas naturais. em pelo menos 23 dos 26 estados brasileiros Introduções intencionais de espécies são (Thiengo et al., 2007).motivadas por diversas razões que tangem fins No Brasil, já foram registradas 386 espéciessociais, econômicos e até ambientais. Espécies exóticas invasoras e 11.263 ocorrências deforam e são introduzidas para embelezar praças invasão, de acordo com o banco de dadose jardins, para uso na agropecuária, como nacional de espécies exóticas invasoras (vejaalternativa de renda e subsistência para http://i3n.institutohorus.org.br). Considerandopopulações de baixa renda, para controle apenas as espécies terrestres registradas nessebiológico de pragas e por outras razões. banco de dados, cerca de 70% foram O caracol-gigante-africano (Achatina fulica), introduzidas intencionalmente, quase semprepor exemplo, foi introduzido no Brasil na década por motivação econômica. As principais causasde 1980 como um substituto da criação de dessas introduções são o uso ornamental e a10
  12. 12. criação de animais de estimação, que juntos Em um dos casos mais conhecidos de invasãorepresentam cerca de 40% das introduções biológica no Brasil, a do mexilhão-douradointencionais. (Limnoperna fortunei), a introdução involuntária Alguns dos casos mais graves de invasão ocorreu via água de lastro de navios (Gisp,biológica no Nordeste do Brasil são 2005). O mexilhão-dourado é nativo do sudesteconsequências de introduções voluntárias. Um asiático e foi detectado pela primeira vez nacaso emblemático é o do tucunaré (Cichla América do Sul em 1991, no Rio da Prata, naocellaris) e da tilápia (Oreochromis niloticus) em Argentina. A partir daí, estima-se que em 10rios, lagos e açudes, o que certamente resultou anos a espécie tenha se deslocado cerca de 2.400em diversas extinções locais de espécies, com km aderida a cascos de embarcações e a outrasperda de biodiversidade em escala regional estruturas e equipamentos de navegação, pesca(Rosa e Groth, 2004). Essas introduções foram e mergulho, bem como através da extração e dointensificadas por programas de governo que, transporte de areia das margens dos rios.por meio do Departamento de Obras Contra a No trecho brasileiro do Rio Paraná, oSeca (Dnocs), do Ministério da Integração mexilhão-dourado foi detectado pela primeiraNacional, levaram à introdução de 42 espécies de vez na Usina Hidrelétrica de Itaipu, em abril depeixes e crustáceos em aproximadamente 100 2001, e hoje já se encontra no Pantanal mato-reservatórios de água doce no Nordeste (Gurgel grossense. A espécie atinge densidadese Fernando, 1994; Reaser et al., 2005). populacionais de até 150 mil indivíduos por No ambiente marinho-costeiro, metro quadrado, que resultam em incrustaçõesdiferentemente da tendência geral, a maior parte massivas e obstrução de tubulações e filtros dedas introduções ocorre de modo acidental. Os água de estações de tratamento, indústrias emaiores vetores de introdução involuntária no usinas hidrelétricas, causando graves perdasambiente marinho-costeiro são as águas de econômicas (Gisp, 2005). A Usina Hidrelétrica delastro e a incrustação em cascos de embarcações Itaipu sofreu grandes prejuízos com o mexilhão-que atracam nos portos (Gisp, 2005; Farrapeira dourado, assim como o Departamento Municipalet al., 2007), sobretudo navios com rotas de Águas e Esgotos de Porto Alegre/RS.internacionais. Em Pernambuco, por exemplo, Impactos similares também ocorreram empelo menos 12 espécies exóticas de animais ecossistemas terrestres com a introdução demarinhos foram encontradas nos cascos de espécies de plantas. Na Caatinga da Paraíba, pornavios que atracaram no porto do Recife, e exemplo, há estudos que mostram que a invasãoalgumas foram reconhecidas como invasoras da algaroba (Prosopis juliflora) provoca perda de(Farrapeira et al., 2007). Por meio dessa mesma biodiversidade (Andrade et al., 2008) e podevia, foi introduzida, na zona estuarina do Recife, reduzir a disponibilidade de água. Segundoa espécie exótica Mytilopsis leucophaeta (sururu- Andrade et al. (2008), a invasão por essa espéciebranco), que tem a capacidade de formar diminui drasticamente a riqueza de árvores ecolônias com alta densidade de indivíduos, arbustos nativos e compromete a regeneraçãoinclusive sobre colônias do sururu nativo (Souza natural da vegetação nativa. A espécie éet al., 2005; JRB de Souza, comunicação pessoal). classificada, na África do Sul, como a segunda 11
  13. 13. espécie exótica invasora que mais consome água programa de controle da dengue, dos quais 85%e, portanto, prioritária para controle no país. foram empregados na vigilância e no controle do A disseminação das espécies exóticas mosquito (Braga e Valle, 2007).invasoras vem causando grandes danos Custos originados por espécies exóticaseconômicos (Gisp, 2005). Uma estimativa feita invasoras podem ser claramente observadosem 2005 mostrou que as espécies exóticas quando produtos específicos são afetados. Ainvasoras custam aos Estados Unidos mais de produção do algodão (Gossypium sp.), por120 bilhões de dólares por ano (Pimentel et al., exemplo, cultivado em vários estados do Brasil,2005). Em todo o mundo, as perdas na vem decrescendo nos últimos 15 anos em váriasagricultura são estimadas em até 248 bilhões de partes, principalmente devido à invasão dodólares por ano (Bright, 1999). bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) No Brasil, apesar de ainda haver (Reaser et al., 2005). Esse besouro foi detectadorelativamente pouca informação disponível pela primeira vez em 1983 nos estados de Sãosobre o assunto, as perdas agrícolas anuais Paulo e da Paraíba, a partir de onde a suarelacionadas a algas, ácaros e plantas exóticas dispersão para a maioria das áreas produtorasinvasoras em lavouras estão em torno de 42,6 foi incrivelmente rápida. Em menos de 10 anos,bilhões de dólares (Pimentel et al., 2001). Esse todos os estados brasileiros produtores denúmero tende a subestimar a gravidade do algodão já estavam invadidos (Lukefahr et al.,problema, pois não estão computados impactos 1994).ambientais, extinção de espécies, perda de Espécies exóticas invasoras também causamserviços ambientais, custos de prevenção e impactos aos ecossistemas, uma vez quecontrole e custos derivados de problemas de modificam os ciclos ecológicos naturais, afetandosaúde humana. Para se ter uma ideia, em 2002 o os serviços por eles prestados. A algarobaMinistério da Saúde gastou 1 bilhão de reais no (Prosopis juliflora), introduzida na Caatinga,12
  14. 14. atinge o lençol freático profundo e pode exaurir irradiador de invasões biológicas (Dehnen-reservas vitais de água em ambientes onde esse Schmutz et al., 2007) e pode ser consideradarecurso é escasso (Andrade et al., 2008), o que uma das principais causas de homogeneizaçãotende a prejudicar o funcionamento do biológica em escala global (McKinney, 2006). Aecossistema e reduzir a disponibilidade de água tradição de usar espécies exóticas napara populações humanas e atividades agrícolas. arborização de ruas, praças e parques A disseminação de espécies exóticas desvaloriza a riqueza da biodiversidade dosinvasoras também pode representar problemas municípios e descaracteriza a composiçãoe custos à saúde humana em função da entrada natural, favorecendo o desenvolvimento de umade patógenos e parasitas exóticos. O platelminto cultura cada vez mais distanciada do ambienteSchistosoma mansoni, agente causador da natural circundante. De modo geral, diferentesesquistossomose e provavelmente originário da cidades brasileiras utilizam um conjunto similarÁfrica, foi disseminado pelo mundo e já infectou de espécies exóticas nas arborizações públicas.mais de 80 milhões de pessoas (Morgan et al., Quando são utilizadas árvores exóticas2001), sendo 3 milhões só no Brasil (Who, reconhecidamente invasoras, cujas sementes são1998). Três caracóis de água doce (Biomphalaria dispersas por aves e morcegos, os riscos deglabrata, B. tenagophila e B. straminea) são os invasão e da consequente perda deresponsáveis por sua transmissão no Brasil. Na biodiversidade são maiores.tentativa de controle biológico das populações Em função da grande escala e do aumentodesses caracóis, foi introduzido o caracol-da- dos problemas associados às espécies exóticasmalásia (Melanoides tuberculata), que compete invasoras, a atenção da sociedade global voltadapor alimento com os caracóis hospedeiros e para esse tema vem sendo cada vez maior (vejadevora seus ovos. Entretanto, o caracol-da- CDB, 2010). A experiência internacional mostramalásia é um hospedeiro intermediário de que a estratégia mais eficiente para enfrentar ooutros parasitas, especialmente um trematódeo problema é evitar novas introduções (Ziller et al.,causador da paragonimíase (Paragonimus sp.), 2007), uma vez que, trabalhando-se comque também afeta o homem (Reaser et al., 2005). estratégias de prevenção, os custos são menoresO esforço mundial para tentar conter a gripe e as chances de resolver os problemas sãosuína (AH1N1), que hoje já é considerada uma maiores quando comparadas às estratégias depandemia, é outro exemplo de dispersão de controle pós-invasão. Os custos de controle dedoenças exóticas — só em maio de 2009, o uma espécie exótica invasora são crescentes comgoverno brasileiro disponibilizou 147 milhões de o passar do tempo, e, por vezes, em estágiosreais para ações preventivas. avançados de invasão, torna-se praticamente A introdução de espécies exóticas pode ser impossível a sua erradicação. Por isso, éfacilmente observada nos centros urbanos do importante que governos estaduais e municipaisBrasil, onde, por exemplo, árvores e arbustos reconheçam o quanto antes as ameaças dasexóticos têm sido amplamente utilizados no invasões biológicas nos seus territórios parapaisagismo (Santos et al., 2008). A frequente adotar medidas de prevenção e controle daspresença de espécies exóticas em centros espécies exóticas invasoras, em concordânciaurbanos funciona como um importante centro com a Estratégia Nacional sobre Espécies 13
  15. 15. Exóticas Invasoras (Resolução Conabio n° 5/09) Internacional sobre Diversidade Biológica (CDB,e o compromisso do Brasil com a Convenção 1992).14
  16. 16. 2. Unidades de conservação e Espécies Exóticas Invasoras Segundo o Sistema Nacional de Unidades de a introdução de espécies exóticas em UnidadesConservação (Lei Federal nº 9.985/00), é de Conservação de proteção integral (art. 37), e éproibida a introdução de espécies exóticas em estabelecido que sejam tomadas medidas queUnidades de Conservação (UCs). As Unidades de desestimulem a introdução dessas espécies nasConservação são instituídas legalmente pelo unidades de uso sustentável (art. 38). NasPoder Público para garantir que se faça de regiões Sul e Sudeste, respectivamente, osmaneira adequada a conservação da natureza estados do Paraná e do Espírito Santodentro de limites territoriais definidos (art. 2º, determinaram legalmente que devem serLei do SNUC nº 9.985/00). Portanto, dentro das elaborados planos de controle e erradicação dasUnidades de Conservação, as ameaças à espécies exóticas invasoras nas Unidades debiodiversidade devem ser prevenidas, Conservação estaduais (Portaria IAP nº 192/05 econtroladas e eliminadas. Instrução Normativa nº 3/07). Após a criação de uma Unidade de As Unidades de Conservação de proteçãoConservação, o desafio seguinte é fazer com que integral devem ser consideradas com especialesta contribua efetivamente para a conservação atenção, pois são refúgios naturais que devemda biodiversidade e do ecossistema como um ser salvaguardados em regime de perpetuidade.todo. A invasão por espécies exóticas é A presença de espécies exóticas invasoras nessasconsiderada a primeira causa de perda de áreas é incompatível com a conservação dabiodiversidade em Unidades de Conservação biodiversidade e dos recursos naturais e devem(Gisp, 2005; Ziller e Zalba, 2007); portanto, não é ser objeto de erradicação ou de controleaceitável o não enfrentamento do problema permanente. Invasões biológicas, ao contrário denessas áreas. outras formas de degradação, tendem a crescer De acordo com o art. 31 da lei que estabelece indefinidamente ao longo do tempo, e, devido ào Sistema Nacional de Unidades de Conservação crescente pressão de propágulos existente(Lei Federal nº 9.985/00), é proibida a nessas áreas, assim como à fragmentação e àintrodução de espécies exóticas em Unidades de antropização das áreas no entorno, os cuidadosConservação de proteção integral. A Estratégia devem ser redobrados para impedir a chegadaNacional sobre Espécies Exóticas Invasoras de espécies exóticas invasoras e/ou promover a(Resolução Conabio nº 5/09) reconhece e erradicação destas.enfatiza a necessidade de ações de erradicação, Em Unidades de Conservação de usocontrole e monitoramento de espécies exóticas sustentável, as espécies exóticas utilizadas cominvasoras nas UCs. Em Pernambuco, por meio do fins produtivos devem ser manejadas em regimeSistema Estadual de Unidades de Conservação de contenção e controle para evitar a(Seuc-PE, Lei Estadual nº 13.787/09), é proibida proliferação para fora das áreas destinadas ao 15
  17. 17. cultivo. É importante regulamentar o uso e a invasoras em seu interior, ainda que isso sejaprodução de espécies exóticas nas UCs de uso possível, especialmente no bioma Amazônia.sustentável e nas zonas de amortecimento de Embora a informação não esteja disponível emUCs de proteção integral para evitar que elas maior detalhe, a expressiva ocorrência dessassejam focos permanentes de disseminação de espécies em áreas protegidas indica aespécies exóticas invasoras. Políticas públicas de necessidade de melhorar o nível de informaçãoapoio com visão de desenvolvimento sustentável existente e de tomar atitudes imediatas parae valorização da biodiversidade nativa são estabelecer estratégias de prevenção e controlefundamentais para que essa regulamentação seja dessas espécies. Também é claro que ospossível. problemas decorrentes de invasões biológicas só Sabe-se que, atualmente, grande parte das podem ser tratados de forma eficiente através deUnidades de Conservação no Brasil contém iniciativas governamentais que permitam atingirespécies exóticas invasoras. Vale ressaltar que escala e fazer frente às ameaças, que podem sernão há registro específico de Unidades de globais.Conservação que não possuam espécies exóticas16
  18. 18. 3. Hábitats mais ameaçados A tendência, em todos os hábitats, é de que os ilhas são enormes, e acredita-se que a principalimpactos causados pelas espécies exóticas causa dessas extinções seja as espécies exóticasinvasoras aumentem com o tempo. Entretanto, invasoras (Millennium Ecosystem Assessment,esses impactos são especialmente maiores nas 2005). Nas ilhas, as espécies evoluíram, muitasilhas e nos sistemas de água doce, como rios e vezes, sem predadores e desenvolveram hábitoslagos (Millennium Ecosystem Assessment, extremamente vulneráveis a predadores2005). invasores comuns, como gatos, serpentes e ratos. Geralmente, as espécies nativas das ilhas têm Por exemplo, em Fernando de Noronha havia umpopulações pequenas, distribuição limitada e grande rato endêmico (Noronhomys vespuccii)falta de adaptação a predadores, o que as torna que foi extinto provavelmente por causa damais vulneráveis à extinção por espécies introdução acidental do rato doméstico (Rattusexóticas invasoras do que por espécies de áreas rattus) (Fernandez, 2004). Outro casocontinentais (Vitousek, 1997; Fernandez, 2004). emblemático em Noronha é o da introduçãoPopulações menores, limitadas pela pequena voluntária de 2casais de teiú (Tupinambisárea e disponibilidade de recursos das ilhas, são merianae) na década de 1950. A intenção era denaturalmente mais vulneráveis à extinção. que os lagartos caçassem os ratos, mas elesAssociado ao fato de muitas espécies em ilhas passaram a se alimentar de ovos de aves queserem endêmicas, as taxas de extinção global em nidificam na ilha e ampliaram sua população Michel Metran 17
  19. 19. enormemente (Gisp, 2005). Em 2004, foi Lago Vitória, na África, para desenvolver aestimada uma população de teiús entre 2 mil e 8 indústria pesqueira, teve consequênciasmil indivíduos na ilha principal. O problema da desastrosas para a fauna endêmica do lago eintrodução de predadores em ilhas que possuem para as populações do entorno. Cerca de doisespécies com hábitos especialmente vulneráveis terços das espécies de peixes nativos do lagoà predação, como o hábito de pôr ovos no chão, foram extintos ou ficaram ameaçados defez com que milhares de espécies de aves fossem extinção, e a principal fonte de proteína dasextintas das ilhas com a colonização humana comunidades locais foi eliminada (Ogutu-(Fernandez, 2004). Ohwayo, 1990; Kaufman, 1992). Para a Sistemas de água doce formam hábitats biodiversidade, fato semelhante ocorreu emisolados e com muitos endemismos, várias lagoas no Estado de Minas Gerais, onde foiapresentando vulnerabilidades às invasões documentada uma redução de 50% na riquezabiológicas similares às das ilhas. Em rios e lagos, de peixes nativos após 10 anos da introdução doas espécies exóticas invasoras são apontadas tucunaré (Cichla ocellaris), do apaiaricomo a segunda maior causa da perda de (Astronotus ocellatus) e da piranha-vermelhabiodiversidade (Millennium Ecosystem (Pygocentrus nattereri) (Reaser et al., 2005).Assessment, 2005). As invasões em lagos estãoentre as mais catastróficas. A introduçãovoluntária da perca-do-nilo (Lates niloticus) no18
  20. 20. PARTE DOIS19 ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS NO NORDESTE DO BRASIL
  21. 21. 20
  22. 22. 4. Sistema de informação sobre espécies exóticas invasoras no Brasil O início da coleta e sistematização de informações sobre espécies exóticas invasorasinformações sobre espécies exóticas invasoras no Brasil e disponibiliza os dados para consultano Brasil ocorreu em 2003, por iniciativa do por meio do site www.i3n.institutohorus.org.brInstituto Hórus de Desenvolvimento e ou por consultas via e-mail. A validação ocorreConservação Ambiental e da The Nature por consultas e aporte de especialistas que têmConservancy. Em 2005, com o apoio do acesso à base de dados via site do instituto. EssaMinistério do Meio Ambiente/Probio, a base de dados constituiu a principal referênciaprospecção de dados ganhou abrangência dos registros de espécies contidos neste livro.nacional com a realização do Informe Nacional Após quase uma década de construçãosobre Espécies Exóticas Invasoras, e um banco contínua desse banco de dados brasileiro dede dados foi estruturado com apoio da rede espécies exóticas invasoras, começa a sertemática de espécies exóticas invasoras (I3N) da desenhado um quadro da situação das invasõesRede Interamericana de Informação sobre biológicas em escala nacional, embora ainda nãoBiodiversidade (Iabin). A mesma estrutura de seja possível ter uma dimensão fiel destas parabase de dados está em uso em outros 17 países muitas espécies e regiões. Neste livro,nas Américas, com vistas a facilitar a troca de aproveitamos o avanço e acúmulo deinformações em nível continental. conhecimento no tema para darmos início à Durante a execução do projeto do Informe divulgação para toda a sociedade do problemaNacional sobre Espécies Exóticas Invasoras, a das invasões biológicas na Região Nordeste doprospecção de informações sobre espécies Brasil. As informações contidas nos capítulosexóticas invasoras no Brasil e seus locais de seguintes são especialmente importantes paraocorrência foi realizada por consultores em cada gestores ambientais — seja de Unidades debioma brasileiro e por redes de pesquisadores Conservação, de órgãos ambientais estaduais ouem instituições de ensino e pesquisa. municipais, de empresas, entre outros —, que A primeira validação de resultados foi feita vêm se deparando cada vez mais com aem uma reunião com especialistas promovida problemática das invasões biológicas e quepelo Ministério do Meio Ambiente em outubro precisam de um bom entendimento sobre ode 2005. O Instituto Hórus de Desenvolvimento e assunto para tomar boas decisões nas suas áreasConservação Ambiental continua coletando de atuação. 21
  23. 23. 22
  24. 24. 5. Lista de espécies exóticas invasoras Nos próximos capítulos, serão apresentadas por ocorrerem em pelo menos 3 estados ou porlistas e informações acerca de espécies de terem, pelo menos, 10 registros.animais (Capítulo 6) e de plantas (Capítulo 7) (3) Baixo risco: espécies exóticas que aindaexóticas invasoras, ou potencialmente invasoras, não foram reconhecidas como invasoras nasituadas em 7 estados da Região Nordeste Região ou em outras regiões, ocorrem em menos(Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de 3 estados e têm menos de 10 registros.Grande do Norte e Sergipe). A inclusão de uma As espécies de alto risco são aquelas que jáespécie nessas listas foi feita quando havia estão estabelecidas e já expressam suaregistro de estabelecimento (e, em poucos casos, capacidade de invasão na Região Nordeste. Comoquando havia apenas registro da presença) da nos baseamos em informações muitoespécie exótica em ambiente natural, de acordo simplificadas para fazer essa classificação, écom informações obtidas na base de dados possível que as espécies de médio e baixo riscosnacional de espécies exóticas invasoras e em possam, de fato, apresentar maiores impactos. Adiversas publicações científicas regionais. No intenção de criação da lista com a classificação éentanto, cada espécie apresenta um risco mais a de iniciar um processo de elucidação dodiferenciado de ser invasora e causar impactos problema das invasões no Nordeste do queecológicos, sociais e econômicos. Por isso, cada classificar em definitivo as ameaças. Açõesespécie foi classificada de acordo com o seu risco relacionadas ao manejo dessas espécies devempotencial. Temos ainda poucas informações para ser realizadas com cuidado, baseadas emfazer uma análise de risco precisa, mas já é avaliações prévias mais aprofundadas, nas quaispossível fazer algumas distinções relativas para participem especialistas capazes de orientá-las emelhor orientar os esforços de pesquisa, o referendá-las com base no melhor conhecimentomonitoramento e o manejo. Classificamos as disponível no momento.espécies em 3 categorias de risco: O número de ocorrências registradas ainda é (1) Alto risco: espécies exóticas que pequeno e certamente não reflete a realidadeapresentam reconhecido potencial invasor na das espécies exóticas invasoras no Nordeste. ORegião ou em outras regiões, estão estabelecidas baixo número de registros é um indicativo deem ambientes naturais no Nordeste, ocorrem que pouco se conhece sobre a potencial invasãoem, pelo menos, 3 dos 7 estados estudados e dessas espécies e de que há necessidade de umapresentam, no mínimo, 10 registros. maior esforço de pesquisa e descrição das (2) Médio risco: espécies exóticas que invasões por técnicos e pesquisadores. Embora ooferecem potencial risco por serem reconhecidas número de registros possa subestimar o grau decomo invasoras na Região ou em outras regiões, ameaça de espécies pouco registradas — como consequência de poucos estudos — ou 23
  25. 25. superestimar a ameaça de espécies com Caracterização das Espécies, seções 6.2 e 7.2).relativamente mais registros, esse número deve Dentre as espécies de alto risco, 14 (7 animais eestar relacionado com a frequência de 7 plantas) são abordadas com mais detalhesocorrência real e a percepção da invasão pelos sobre origem, distribuição global, histórico dapesquisadores. introdução, descrição da invasão, características Para cada espécie listada, são fornecidas diferenciais e impactos decorrentes da invasãoinformações básicas de rápido entendimento e (veja Maiores Ameaças, seções 6.3 e 7.3).os potenciais impactos da referida espécie (veja24
  26. 26. 6. Animais exóticos invasores Abaixo estão listadas 69 espécies de animais exóticos invasores ou potencialmente invasoresencontrados em 7 estados da Região Nordeste (Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, RioGrande do Norte e Sergipe), ordenados de acordo com seus respectivos hábitats (água doce, marinho-costeiro e terrestre), suas formas biológicas e seus nomes populares. A lista contém também o riscode invasão (RI) — veja Seção 5 para explicação —, o nome científico, os estados onde foramencontrados registros (Reg.) e o número total de registros considerando todos os 7 estados. 6.1. Lista das espécies de animais Hábitat / Forma biológica / RI* Nome científico AL CE PB PE PI RN SE Reg# Nome popular ÁGUA DOCE 1288 Crustáceos 3 Camarão-gigante-da- Macrobrachium ++ CE SE 2 malásia, pitu rosenbergii Camarão-pintado + Metapenaeus monoceros PB 1 Moluscos 48 Berbigão + Corbicula largillierti CE 1 Berbigão + Corbicula fluminea PB 1 Melanóide +++ Melanoides tuberculatus AL CE PB PE PI RN 26 Physa européia ++ Physella acuta PB 20 Peixes 1235 Apaiari +++ Astronotus ocellatus PB PE RN 180 Bagre-do-canal ++ Ictalurus punctatus CE 2 Beta ++ Betta splendens CE PE 4 Carpa-capim ++ Ctenopharyngodon idella PB 10 Carpa-comum +++ Cyprinus carpio CE PB PE PI RN 222 Guarú ++ Poecilia reticulata PE 1 Matrinchã, piraputanga + Brycon hilarii CE 1 Pescada-branca, corvina, Plagioscion +++ AL PE RN 12 pescada-do-piauí squamosissimus Piranha + Serrasalmus spilopleura RN 1 Piranha-vermelha ++ Pygocentrus nattereri CE PB 11 Tambaqui +++ Colossoma macropomum AL CE PB PE PI RN SE 238 Tamoatá, tamboatá ++ Hoplosternum littorale CE 1 Tilápia ++ Oreochromis macrochir PB 40 Tilápia ++ Oreochromis sp. PB SE 5 Tilápia, tilápia-do-nilo +++ Oreochromis niloticus AL CE PB PE PI RN 244 25
  27. 27. Hábitat / Forma biológica / RI* Nome científico AL CE PB PE PI RN SE Reg# Nome popular Oreochromis Tilápia-de-moçambique ++ PB 34 mossambicus Tricogaster + Trichogaster trichopterus PB 1 Tucunaré ++ Cichla monoculus CE PI RN 4 Tucunaré +++ Cichla ocellaris CE PB PE PI RN 224 Répteis 2 Tartaruga-de-orelha- ++ Trachemys scripta PB PI 2 vermelha MARINHO-COSTEIRO 116 Anêmonas 2 Anêmona + Haliplanella lineata PE 1 Anêmona-do-mar + Aiptasia pallida PE 1 Ascídias 1 Ascídia solitária + Styela plicata PE 1 Crustáceos 101 Camarão-branco-do- +++ Litopenaeus vannamei CE PB PE PI RN 62 pacífico, camarão-cinza Camarão-tigre-gigante ++ Penaeus monodon PE 3 Copépode ++ Temora turbinata PE SE 6 Pseudodiaptomus Copépodo ++ CE RN 11 trihamatus Craca + Amphibalanus reticulatus PE 3 Craca + Amphibalanus subalbidus PE 1 Craca + Conchoderma auritum PE 1 Craca + Conchoderma virgatum PE 1 Craca ++ Megabalanus coccopoma PE 1 Craca ++ Striatobalanus amaryllis PE PI 5 Siri, siri-bidu ++ Charybdis hellerii CE PB PE 7 Medusas 7 Medusa ++ Blackfordia virginica PE 7 Moluscos 3 Mexilhão, ++ Perna perna RN 1 mexilhão marrom Sururu-branco ++ Mytilopsis leucophaeta PE 2 Poliquetas 1 Poliqueta ++ Polydora nuchalis PE 1 TERRESTRE 1435 Anfíbios 6 Rã-touro ++ Lithobates catesbeianus AL PE PI RN 6 Aves 433 Bico-de-lacre +++ Estrilda astrild PE PI SE 21 Pardal +++ Passer domesticus CE PB PE RN SE 396 Periquito-de-encontro- + Brotogeris chiriri PE 1 amarelo Pombo-doméstico +++ Columba livia PE PI 14 Tiriba-pérola + Pyrrhura lepida PE 1 Crustáceos 226
  28. 28. Hábitat / Forma biológica / RI* Nome científico AL CE PB PE PI RN SE Reg# Nome popular Tatuzinho-de-jardim + Agabiformius lentus PE 1 Tatuzinho-de-jardim + Niambia squamata PE 1 Insetos 614 Abelha-africanizada +++ Apis mellifera CE PB PE PI RN 144 Formiga-cabeçuda-urbana ++ Pheidole megacephala PE 1 Mosca, mosca-do-figo ++ Zaprionus indianus PE 4 Mosquito-da-dengue +++ Aedes aegypti PB PI 446 Mosquito-da-dengue +++ Aedes albopictus PE RN 18 Rola-bosta-africano ++ Digitonthophagus gazella PI 1 Mamíferos 364 Cachorro ++ Canis familiaris PE RN 5 Camundongo +++ Mus musculus CE PE RN 172 Gato ++ Felis catus PE 1 Mico-de-cheiro + Saimiri sciureus PE 1 Mico-estrela, sagui-de- ++ Callithrix penicillata PE 1 tufo-preto Mocó ++ Kerodon rupestris PE 1 Rato, ratazana +++ Rattus norvegicus PB PE RN 173 Rato-preto, gabiru +++ Rattus rattus CE PB PE 10 Moluscos 14 Caracol-gigante-africano +++ Achatina fulica AL CE PB PE RN SE 14 Répteis 2 Briba-de-casa, lagartixa + Hemidactylus mabouia PE 1 Teju, teiú ++ Tupinambis merianae PE 1* RI = risco de invasão: + (baixo risco), ++ (médio risco), +++ (alto risco). O detalhamento destas categoriasencontra-se na Lista de Espécies Invasoras, Seção 5.#Reg = número de registros da espécie nos 7 estados 27
  29. 29. 6.2. Caracterização das espécies de animaisÁGUA DOCECrustáceosMacrobrachium rosenbergiiCamarão-gigante-da-malásia ADistribuição natural: Oceano Indo-Pacífico, na Índia eMalásia.Impactos: Como esse camarão é afetado pelo vírus da manchabranca, o escape de indivíduos contaminados para o ambientenatural representa séria ameaça às espécies nativas. Podecausar desequilíbrio nas populações de camarões nativos e Syristreduzir a biodiversidade, visto ser um carnívoro voraz. AObservações: Introduzido em várias partes do mundo paracultivo. No Brasil, sua criação proliferou a partir da década de1980.Referências: Instituto Hórus (2009), Tavares e Mendonça Jr. Martins et al. (2006)(2004).Metapenaeus monocerosCamarão-pintado BDistribuição natural: Oceano Indo-Pacífico.Impactos: Há risco de tornar-se competidor de espéciesnativas de peneídeos no Brasil.Observações: Onívoro. Provavelmente introduzido via águade lastro de navios. Já foi introduzido em vários países do Shawn Liston, AF, Bugwood.orgMediterrâneo.Referências: Instituto Hórus (2009), Tavares e Mendonça Jr.(2004).MoluscosCorbicula largilliertiBerbigão B CDistribuição natural: China, Rios Yangtsé e Kiang.Impactos: Espécies exóticas do gênero Corbicula têm aumentado rapidamente suas densidades populacionaisonde têm sido introduzidas, podendo causar impactos negativos aos moluscos nativos por competição.Observações: Adensa-se mais nas margens dos açudes. Com a chegada de Corbicula fluminea, geralmente aespécie desaparece, pois é competitivamente inferior. É facilmente confundida com Corbicula fluminea.Referências: Instituto Hórus (2009), Mansur et al. (2004).Corbicula flumineaBerbigão CDistribuição natural: Sudeste Asiático.Impactos: Causou diminuição drástica no número de moluscos nativos após sua introdução nos rios Paraná eParanapanema, no Sul-Sudeste do Brasil. Quando introduzido, rapidamente ultrapassa a densidade populacionaldos Corbiculidae nativos e demais espécies de bivalves nativos. Já causou grandes perdas econômicas devido àsua incrustação e consequente entupimento de tubulações de água em usinas hidrelétricas.Observações: Introduzido no Brasil provavelmente via água de lastro de navios. Primeiramente registrado noRio Grande do Sul, na década de 1970. Espécie estabelecida na Europa, Austrália, África e nas Américas do Nortee do Sul.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005), Mansur et al. (2004).28
  30. 30. Melanoides tuberculatusMelanóide, caramujo-da-malásia DDistribuição natural: Nordeste africano e sudeste asiático.Impactos: Altera as comunidades bentônicas nos ambientes que coloniza. É hospedeiro intermediário detrematódeos parasitas de aves e mamíferos, o que pode causar-lhe a morte.Observações: Introduzido em vários lugares do Brasil para controle biológico de caramujos hospedeirosintermediários do Schistosoma mansoni, agente causador da esquistossomose. Espécie reconhecida comoinvasora em diversos estados do Brasil, invasora no Golfo do México e no Caribe.Referências: Instituto Hórus (2009), Fernandez et al. (2003), Reaser et al. (2005), Rocha-Miranda e Martins-Silva (2006).Physella acutaPhysa européiaDistribuição natural: Europa, Mediterrâneo e ÁfricaObservações Provavelmente introduzida via aquaricultura,misturada ao substrato de plantas de aquário. Invasora nosEstados Unidos (Havaí) e em Porto Rico.Referências: Instituto Hórus (2009).Peixes Dennis LAstronotus ocellatusApaiari E DDistribuição natural: Bacia do Rio Amazonas no Peru, naColômbia e no Brasil.Impactos: Predação de espécies nativas, incluindoinvertebrados aquáticos e peixes, provocando redução dabiodiversidade nativa.Observações: Introduzido voluntariamente em diversos lagose açudes do Nordeste na aquicultura. Espécie invasora na André KarwathAustrália, em Porto Rico e nos Estados Unidos (Havaí).Referências: Instituto Hórus (2009), DNOCS (2002). EIctalurus punctatusBagre-do-canal FDistribuição natural: Estados Unidos.Impactos: Comumente, torna-se numericamente dominanteonde é introduzido. Afeta negativamente a comunidade nativade peixes.Observações: Sua produção tem aumentado no Brasil. Sua Animal Diversity Webintrodução para utilização na aquicultura na Nova Zelândianão foi permitida em função de ser uma espécie com alto riscode invasão.Referências: Instituto Hórus (2009), Townsend eWinterbourn (1992), Vitule et al. (2009). FBetta splendensBeta GDistribuição natural: Àsia, na bacia do rio Mekong.Impactos: Espécie agressiva. Pode competir fortemente comoutras espécies nativas de peixes e causar exclusão porcompetição.Observações: Introdução voluntária para utilização naaquicultura. Vendido como peixe ornamental para criação emaquários. Espécie invasora na Venezuela e na Colômbia. WikimediaReferências: Instituto Hórus (2009), Ojasti (2001). G 29
  31. 31. Ctenopharyngodon idellusCarpa-capim HDistribuição natural: Ásia (China e Sibéria oriental). Eric Engbretson, US -FWS, Bugwood.orgImpactos: Competição com espécies nativas, destruição davegetação aquática dos rios e lagos. Porta para disseminaçãode patógenos e parasitas.Observações: Segunda espécie de peixe mundialmente maisproduzida na aquicultura de água doce. Nos países onde foiintroduzida, estabeleceu-se em 42% e causou efeitosecológicos adversos em 3,3%. Invasora na África do Sul.Referências: Instituto Hórus (2009), Casal (2006).Cyprinus carpio HCarpa-comum IDistribuição natural: Ásia Central até o Mar Negro e o rioDanúbio na EuropaImpactos: Tem o hábito de revolver os sedimentos no fundode rios e lagos durante a sua alimentação, causando turbidezexcessiva da água, o que é prejudicial ao bom funcionamentodo ecossistema aquático. Preda larvas e ovos de outros peixes. James Dowling-Healey, ADWA presença de carpas pode resultar na diminuição dadiversidade da fauna nativa por competição e predação.Observações: Introdução voluntária para utilização naaquicultura. Já foi introduzida em pelo menos 121 países.Juntamente com a introdução das carpas, foi introduzidoacidentalmente o parasita Lernaea cyprinacea (Copepoda),causador da lerniose, motivo de grandes prejuízos à Ipiscicultura. É o peixe invasor de água doce que apresentamaior frequência de impactos ecológicos adversos em escalaglobal. Invasora na Guatemala e no México.Referências: Instituto Hórus (2009), Casal (2006).Poecilia reticulataGuarú JDistribuição natural: Venezuela, Barbados, Trindade, nortedo Brasil e Guianas.Impactos: Considerada espécie agressiva em relação à Marrabbio2ictiofauna nativa nos locais invadidos dos Estados Unidos. Temcausado declínio de espécies nativas nos estados de Nevada,Wyoming e Havaí devido à sua alimentação, que tem como Jbase os ovos de espécies de peixes nativos.Observações: Utilizada como uma espécie ornamental devidoà sua cauda colorida. Possui alta resistência a variaçõesambientais. Acredita-se que essa espécie ocorra em diversosrios nos Brejos de Altitude de Pernambuco e da Paraíba.Invasora na África.Referências: Instituto Hórus (2009), Rosa e Groth (2004).Brycon hilarii Sérgio VeludoMatrinchã, piraputanga KDistribuição natural: Rio Paraguai, baixo Rio Paraná (abaixodo Reservatório de Itaipu) e no alto rio Amazonas.Impactos: Não há informação. Pode afetar espécies nativas Kpor competir por espaço e alimento.Observações: Peixe migrador, apreciado pela qualidade dacarne e pela pesca esportiva, além de ser um dos grandesatrativos turísticos de Bonito, no Mato Grosso do Sul, de onde énativo.Referências: Instituto Hórus (2009), Sanches e Galetti (2007).Plagioscion squamosissimusPescada-branca CorvinaDistribuição natural: Venezuela ao Peru e Brasil30
  32. 32. Impactos: Alimenta-se principalmente de camarões e peixes.Observações: Introdução voluntária para utilização na aquicultura. Espécie encontrada em diversos lagos,açudes e rios do Nordeste. Foi introduzida na Bacia do Rio Paraná, havendo trechos nos quais é uma das espéciesde peixe com maior abundância.Referências: Instituto Hórus (2009), Bennemann et al. (2006).Serrasalmus spilopleuraPiranhaDistribuição natural: América do Sul: bacia do rio Guaporé até a Argentina.Observações: Na Lagoa de Extremoz, no Estado do Rio Grande do Norte, alimenta-se principalmente deinsetos.Referências: Instituto Hórus (2009), Raposo e Gurgel (2003), Agostinho (2003).Pygocentrus nattereriPiranha-vermelha LDistribuição natural: Bacias do Amazonas, do Paraguai e do Paraná; e rios da costa no nordeste do BrasilImpactos: Comprovada redução de espécies de peixes em lagos de Minas Gerais após sua introdução, chegandoessa redução a até 50%.Observações: Na Bacia do Rio Doce, onde foi introduzida e causa perda de biodiversidade, é evitada pelospescadores. Invasora nos Estados Unidos e no México.Referências: Instituto Hórus (2009), Reaser et al. (2005), Alves et al. (2007).Colossoma macropomumTambaqui MDistribuição natural: América do Sul, nas bacias do Amazonas e Orinoco.Impactos: Predação e competição com espécies nativas de diversos grupos, provocando redução dabiodiversidade.Observações: Introduzido voluntariamente em diversos lagos e açudes do Nordeste para utilização naaquicultura. Espécie invasora na França e nos Estados Unidos.Referências: Instituto Hórus (2009), DNOCS (2002), Rosa e Groth (2004).Hoplosternum littorale Tanya Dewey, Animal Diversity WebTamboatá, tamoatá NDistribuição natural: América do sul Andina Impactos: Pode reduzir a biodiversidade nativa através dacompetição por recursos. Na Bacia do Rio Doce, em Minas Gerais,o estabelecimento do tamboatá tem sido relacionado à reduçãodo número de espécies de peixes.Observações: É comumente utilizado como isca para a pesca.Referências: Instituto Hórus (2009), Latini et al. (2004). LOreochromis macrochirTilápiaDistribuição natural: Sul da ÁfricaImpactos: Predação de peixes e zooplânctons. Competição comespécies nativas.Observações: Introduzida voluntariamente para a aquicultura.Referências: Instituto Hórus (2009).Oreochromis sp. Tino StraussTilápiaDistribuição natural: ÁfricaImpactos: Similares aos das espécies Oreochromis niloticus e O. Mmossambicus.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005) FFWCCA, Bugwood.orgOreochromis niloticusTilápia, tilápia-do-NiloDistribuição natural: Rios litorâneos de Israel; rio Nilo; baciado lago Chad e rios Niger, Benue, Volta, Gambia e Senegal.Impactos: Espécie onívora que se reproduz precocemente.Essas características resultam na predação de diversas espécies Naquáticas nativas e no seu rápido aumento populacional, comconsequente competição por alimento e espaço. 31
  33. 33. Observações: Introduzida voluntariamente em diversos lagos eaçudes do Nordeste. Invasora na Bélgica, em Burundi, emCamarões, na China, na Costa do Marfim, na Indonésia, emMadagascar, na Austrália, nos Estados Unidos e na Nicarágua.Referências: Instituto Hórus (2009), DNOCS (2002), GISP(2005).Oreochromis mossambicus www.infoagro.go.crTilápia-de-Moçambique ODistribuição natural: Centro-Leste da ÁfricaImpactos: Similares aos da espécie Oreochromis niloticus.Observações: Invasora em Java, na Indonésia, em Singapura, no OJapão, nos Estados Unidos e na Malásia.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005). GM Stolz, US FWS, Bugwood.orgTrichogaster trichopterusTricogasterDistribuição natural: Malásia, Vietnã e TailândiaObservações: Introduzido através do comércio de peixes paraaquário. É um peixe vigoroso, com vida longa e alta taxareprodutiva.Referências: Instituto Hórus (2009). PCichla monoculusTucunaréDistribuição natural: Bacia AmazônicaImpactos: Peixe carnívoro. Ocupa o espaço de outros peixes e preda espécies nativas, incluindo invertebradosaquáticos e peixes. Tem sido responsabilizado pela extinção de peixes em Lagoa Santa, Minas Gerais.Observações: Introduzido voluntariamente em diversos açudes e lagos do Brasil.Referências: Instituto Hórus (2009), Pompeu e Alves (2003).Cichla ocellarisTucunaréDistribuição natural: Bacia Amazônica e Araguaia - TocantinsImpactos: Peixe carnívoro. Ocupa o espaço de outros peixes e preda espécies nativas, incluindo invertebradosaquáticos e peixes. No Panamá, provocou uma redução de 99% nas populações de peixes no Lago Gatún, Canaldo Panamá, além de inúmeras extinções.Observações: Introduzido voluntariamente em diversos lagos e açudes do Nordeste. Reproduz-se tanto emáguas paradas quanto em águas correntes. Espécie invasora no Panamá.Referências: Instituto Hórus (2009), DNOCS (2002), Rosa e Groth (2004), Zaret e Paine (1973).RéptilTrachemys scriptaTartaruga-de-orelha-vermelha PDistribuição natural: Vale do rio Mississipi, nos Estados UnidosImpactos: Ocupação de nichos de outras espécies de tartarugas, competição por alimento e espaço deassoalhamento, predação de espécies nativas.Observações: Introduzida em várias partes do mundo através do comércio de animais para aquário e paraestimação.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005)MARINHO-COSTEIROAnêmonasHaliplanella lineataAnêmonaDistribuição natural: Oceano PacíficoObservações: Foi encontrada em cascos de navios atracados no porto do Recife no ano de 2005.32
  34. 34. Referências: Farrapeira et al. (2007).Aiptasia pallidaAnêmona-do-marDistribuição natural: Oceano Atlântico (sul dos EUA e Caribe).Observações: Foi encontrada em cascos de navios atracados no porto do Recife no ano de 2005.Referências: Farrapeira et al (2007).AscídiaStyela plicataAscídia solitáriaDistribuição natural: Costa leste Estados Unidos.Impactos: Impactos ainda não estudados, mas pode competir com outros organismos por espaço e alimento.Observações: Foi encontrada em cascos de navios atracados no Porto do Recife no ano de 2005.Referências: Instituto Hórus (2009), Farrapeira et al. (2007).CrustáceosLitopenaeus vannameiCamarão-branco-do-pacífico, camarão-cinza QDistribuição natural: Costa oriental do Oceano Pacífico, desde a costa da Califórnia, nos Estados Unidos, até acosta de Tumbes, no Peru.Impacto: Possível transmissor da Síndrome da Necrose Idiopática Muscular (NIM), que representa sério riscopara crustáceos nativos, e potencial portador do vírus da mancha branca.Observações: O sistema de seu cultivo em viveiros tem deteriorado regiões estuarinas e manguezais.Caranguejos do manguezal que recebem as águas dos tanques podem ser contaminados com metais pesados,contaminando também os pescadores e o público que se alimenta deles. Atualmente, o camarão-branco-do-pacífico constitui o essencial da produção brasileira de camarões marinhos cultivados. Também é comercializadocomo isca viva.Referências: Instituto Hórus (2009), Santos e Coelho (2002), Tavares e Mendonça Jr. (2004).Penaeus monodonCamarão-tigre-giganteDistribuição natural: Oceano Indo-PacíficoObservações: Foi utilizado em cultivos na década de 1970, porém substituído pela espécie Litopenaeusvannamei no início dos anos 1980. Está reproduzindo-se e completando todo o seu ciclo biológico em ambientenatural em Pernambuco. Espécie invasora no Mediterrâneo, no Atlântico ocidental, no Vietnã, na Austrália, naTailândia, no Sri Lanka, nas Filipinas, em Moçambique, em Bangladesh, em Taiwan, na Malásia e no Brasil.Referências: Instituto Hórus (2009), Coelho et al. (2001), Santos e Coelho (2002).Temora turbinataCopépodeDistribuição natural: IndeterminadoImpactos: Causa diminuição da população da espécie nativa Temora stylifera.Observações: O primeiro registro no Brasil foi no estuário do Rio Vaza-Barris, em Sergipe, na década de 1990.Pode ter chegado ao Brasil via água de lastro. Atualmente, domina várias áreas costeiras e estuarinas do Brasil.Referências: Instituto Hórus (2009), Cavalcanti et al(2008), Silva et al (2004) QPseudodiaptomus trihamatusCopépodoDistribuição natural: Indo-PacíficoImpactos: Desloca espécies nativas. Transmissor deectoparasitas (protozoários e isópodes) a espécies USDA ARS PU, Bugwood.orgnativas.Observações: Acredita-se que a espécie foiintroduzida acidentalmente junto com um lote docamarão Penaeus monodon trazido das Filipinas, nofinal da década de 1970. Constatada pela primeira vezno Brasil em um viveiro de camarão no Rio Grande doNorte. Por ocasião da despesca, o copépode foi liberadopara as águas costeiras. 33
  35. 35. Referências: Instituto Hórus (2009).Amphibalanus reticulatusCracaDistribuição natural: : Desconhecida.Impactos: Forma incrustações em substratos artificiais, como cascos de navios, plataformas de petróleo eoutros, podendo aumentar os custos de manutenção das estruturas.Observações: No Brasil, foi primeiramente encontrada em Pernambuco no ano 1990, seguido da Bahia em 1993.Em 2005, foi encontrada em cascos de navios atracados no Porto do Recife. Encontrada também ao redor domundo nas latitudes tropicais.Referências: Farrapeira et al. (2007), Neves e Rocha (2008).Amphibalanus subalbidusCracaDistribuição natural: Estados unidos.Observações: Foi encontrada em cascos de navios atracados no porto do Recife no ano de 2005.Referências: Celis et al. (2007), Farrapeira et al. (2007).Conchoderma auritumCracaDistribuição natural: DesconhecidaObservações: Foi encontrada em cascos de navios atracados no porto do Recife no ano de 2005.Referências: Instituto Hórus (2009), Farrapeira et al. (2007).Conchoderma virgatumCracaDistribuição natural: Cosmopolita.Observações: O primeiro registro da espécie no Brasil ocorreu em 2005, no litoral de Pernambuco, quando foiencontrada em cascos de navios atracados no Porto do Recife. É uma das espécies dominantes nos cascos dosnavios.Referências: Farrapeira et al. (2007), Foster e Willan (1979).Megabalanus coccopomaCracaDistribuição natural: Costa Pacífica das Américas (da Califórnia até o Peru).Impactos: Ocupa a mesma faixa que a ocupada pela espécie M. tintinnabulum nos costões rochosos, mas não foiobservada exclusão competitiva. Provavelmente, há competição com outros organismos por espaço. Incrustam-se em cascos de navios, plataformas de petróleo, tubulações de usina, entre outros substratos consolidadosdisponíveis no ambiente marinho. Esses substratos podem ficar totalmente cobertos por cracas, causando acorrosão acelerada dos metais, o aumento no custo de manutenção de embarcações e equipamentos, o aumentodo arrasto de embarcações e, consequentemente, mais gastos com combustíveis.Observações: O primeiro registro no litoral brasileiro foi na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, na década de1970, embora seja sugerido que a colonização da M. coccopoma no litoral do Brasil tenha se dado na década de1940. A rota de dispersão pode ter sido a água de lastro contendo larvas da espécie.Referências: Instituto Hórus (2009).Striatobalanus amaryllisCracaDistribuição natural: Oceano Indo-Pacífico OcidentalImpactos: Compete com outros organismos por espaço. Incrusta-se em cascos de navios, plataformas depetróleo, entre outros substratos consolidados disponíveis no ambiente marinho, podendo deixá-los totalmentecobertos, causando a corrosão dos metais e o aumento no custo de manutenção.Observações: Estabelecida em Pernambuco. Espécie introduzida no Brasil provavelmente via incrustação e/ouágua de lastro. Está no litoral pernambucano desde a década de 1990.Referências: Instituto Hórus (2009), Farrapeira et al. (2007), Farrapeira (2008), Neves et al. (2005).Charybdis helleriiSiri, siri-biduDistribuição natural: Oceano Indo-PacíficoImpactos: Estima-se que, na Baía de Todos os Santos, Estado da Bahia, a espécie C. hellerii já seja maisabundante do que a nativa Callinectes larvatus. Compete com espécies nativas por hábitat e alimento.Observações: Introduzida, provavelmente, através da água de lastro de navios. Invasora nos Estados Unidos, emCuba, na Colômbia, na Venezuela, no México e no Brasil.34
  36. 36. Referências: Instituto Hórus (2009), Coelho e Santos (2003).MedusaBlackfordia virginicaMedusaDistribuição natural: Europa, no mar Negro e no mar CáspioObservações: Medusa muito comum em estuários de várias partes do mundo. Está estabelecida no Brasil há,pelo menos, 40 anos. Encontrada em diversas localidades de Pernambuco, como no estuário da Ilha deItamaracá, nas bacias dos rios Capibaribe e Pina.Referências: Freire et al. (2008), Freire e Pérez (2007), Genzano et al. (2006), Paranaguá (1963).MoluscosCorbicula flumineaBerbigãoDistribuição natural: Sudeste AsiáticoImpactos: A espécie causou diminuição drástica no número de moluscos nativos após sua introdução nos riosParaná e Paranapanema. Quando introduzida, rapidamente ultrapassa a densidade populacional dosCorbiculidae nativos e demais espécies de bivalves nativos. Já causou grandes perdas econômicas devido àincrustação e o consequente entupimento de tubulações de água em usinas hidrelétricas.Observações: Introduzida no Brasil provavelmente via água de lastro. Primeiramente registrada no Rio Grandedo Sul, na década de 1970. Estabelecida na Europa, na Austrália, na África e nas Américas do Norte e do Sul.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005), Mansur et al. (2004).Perna pernaMexilhão, mexilhão marromDistribuição natural: Atlântico Oriental, costa oeste da ÁfricaImpactos: Pode ter causado alterações na estrutura de comunidades nativas brasileiras de costões rochosos nopassado. Incrusta em substratos consolidados naturais (costões rochosos) e artificiais. Cascos de navios eplataformas de petróleo podem ficar completamente cobertos por indivíduos dessa espécie, o que causa acorrosão dos metais e o aumento no custo de manutenção.Observações: Possivelmente, foi introduzida de forma acidental na costa brasileira, entre os séculos XVIII e XIX,pelos navios negreiros, que poderiam apresentar cascos incrustados com indivíduos da espécie. É um dosmaiores mexilhões, podendo atingir 170 milímetros de comprimento. Muito utilizado na alimentação humana.Introduzido também no Caribe, no Golfo do México, na Venezuela e no Mar Mediterrâneo.Referências: Instituto Hórus (2009), Souza et al. (2004).Mytilopsis leucophaetaSururu-brancoDistribuição natural: América do NorteImpactos: Pode causar alterações na estrutura das comunidades nativas de costões rochosos do litoralbrasileiro.Observações: Foi introduzido no Brasil provavelmente via água de lastro, sendo encontrado pela primeira vezem julho de 2004, na região estuarina adjacente ao Porto do Recife, em Pernambuco, incluindo desde a áreaportuária até os rios Tejipió e Capibaribe. Espécie estabelecida em Pernambuco.Referências: Instituto Hórus (2009), Farrapeira et al. (2007), Souza et al. (2005).PoliquetaPolydora nuchalisPoliquetaDistribuição natural: Atlântico Ocidental e Caribe.Observações: Introdução acidental, para utilização na aquicultura, em Salvador, na Bahia, no ano de 1995. Suaintrodução esteve, provavelmente, associada ao cultivo de ostras. Não há estudos que descrevam a situação daespécie no Brasil. Invasora nos Estados Unidos.Referências: Instituto Hórus (2009). 35
  37. 37. TERRESTREAnfíbioLithobates catesbeianusRã-touroDistribuição natural: Porções central e leste dos Estados Unidos e sul do Canadá.Impactos: Compete com anfíbios nativos. As larvas podem ter impacto significativo em algas bentônicas,perturbando a estrutura da comunidade aquática. Adultos são responsáveis por níveis significativos de predaçãode anfíbios nativos e de espécies de cobras e tartarugas. Transmissora de quitridiomicose, doença provocada porum fungo também invasor que já levou à perda de mais de 70 espécies de anfíbios na América do Sul e AméricaCentral em situações de epidemias provocadas pelo aquecimento global.Observações: Introduzida no Brasil no ano de 1935. Seu cultivo despertou grande interesse econômico graças àfacilidade de criação, precocidade de crescimento, resistência a enfermidades e ao interesse pela sua carne.Devido a escapes dos criadouros, são facilmente encontradas em cursos de água que drenam a área doscriadouros, que, em grande parte, são ilegais. Invasora nos Estados Unidos, no Canadá, no México, no Caribe, naGuatemala, na Europa, nas Filipinas, na Ásia e em diversos países da América do Sul.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005), La Marca e Lips (2005), Pounds et al (2006).AvesEstrilda astrildBico-de-lacreDistribuição natural: Sul da ÁfricaImpactos: No Parque Nacional de Brasília, observou-se que o bico-de-lacre ingere as sementes e facilita adispersão de capim-gordura (Melinis minutiflora), espécie exótica invasora nos Cerrados.Observações: Geralmente vista em bandos que podem conter mil indivíduos. É considerada uma das espécies deaves mais numerosas no planeta. Invasora em Portugal, na Espanha e nos Estados Unidos (Havaí).Referências: Instituto Hórus (2009).Passer domesticusPardal RDistribuição natural: Eurásia e norte da ÁfricaImpactos: Desloca espécies nativas em função de competição JJ.Mosesso, NBII, Bugwood.orgpor recursos do ambiente. Tem comportamento agressivo edesloca outras aves que tentam nidificar em seu território.Observações: Introduzido intencionalmente nas Américas.Encontrado em maior abundância em áreas urbanas, suburbanase agrícolas.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005), GISD (2009). QBrotogeris chiriri RPeriquito-de-encontro-amareloReferências: Farias et al. (2008).Columba liviaPombo-doméstico SDistribuição natural: Europa, norte da África e sudoeste daÁsia Lee Karney, US FWS, Bugwood.orgImpactos: Compete com espécies nativas por alimento. Podegerar híbridos com espécies nativas do gênero Columba, Rinclusive com a espécie Columba picazuro. Pode ser vetor dezoonoses, sendo também um problema de saúde pública.Transmissor de ornitose; encefalite; doença de Newcastle, virosecorrente em galinheiros; criptococose; toxoplasmose;intoxicação por salmonela; e diversas outras doenças.Observações: Introdução voluntária. Espécie com preferência Spor áreas próximas a habitações humanas. Invasora em mais de90 países.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005), GISD (2009).36
  38. 38. Pyrrhura lepidaTiriba-pérola TDistribuição natural: Pará e MaranhãoObservações: Há uma população com 12 indivíduosestabelecida no Parque Estadual de Dois Irmãos, no Recife,Pernambuco. É uma espécie oficialmente ameaçada de extinção.Referências: Pereira et al. (2008), Farias et al. (2008).Crustáceos Ciro Albano, Pereira et al. (2008)Agabiformius lentusTatuzinho-de-jardimDistribuição natural: MediterrâneoObservações: Ocorrência em Fernando de Noronha.Referências: Instituto Hórus (2009), Leistikow e Wägele(1999), Lemos de Castro (1971), Souza-Kury (1998). TNiambia squamataTatuzinho-de-jardimDistribuição natural: África do SulObservações: Ocorre em Fernando de Noronha. David Cappaert, Michigan State University, Bugwood.orgReferências: Araújo e Taiti (2007), Instituto Hórus (2009),Souza-Kury (1998).InsetosApis melliferaAbelha-africanizada UDistribuição natural: África, Europa e ÁsiaImpactos: Compete com abelhas nativas por pólen e néctar,levando vantagem sobre estas em função do maior tamanho docorpo e maior raio de voo. Também causa impacto a espécies deaves, pois invade ninhos localizados em ocos de árvores. Podecomprometer a reprodução de espécies nativas e de espécies Ucom importância comercial, como o maracujá, devido àcompetição com espécies nativas de abelhas que polinizam essasplantas.Observações: Presente em praticamente todo o continenteamericano.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005), GISD (2009),Reaser et al. (2005). April Nobile, AntWebPheidole megacephalaFormiga-cabeçuda-urbana VDistribuição natural: ÁfricaImpactos: Desloca invertebrados nativos da comunidade invadida Vpor agressão direta. Em locais onde essa formiga é abundante,ocorre a redução da população de vertebrados. Afeta as plantasdiretamente, através da coleta de semente, ou indiretamente,criando um hábitat favorável a insetos fitófagos, que reduzem aprodutividade da planta.Observações: Estabelecida em Pernambuco. É considerada umapraga doméstica, causando danos a cabos elétricos, telefônicos ede irrigação.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005).Zaprionus indianusMosca, mosca-do-figo WDistribuição natural: África e Índia 37
  39. 39. Impactos: Espécie generalista, o que a torna capaz de colonizar com sucesso substratos utilizados por espéciesnativas. É considerada a praga do figo (Ficus carica), causando danos e reduzindo a produção em até 40% e aexportação em 80%.Observações: Estabelecida em Pernambuco. Desde sua primeira descrição no Brasil, em Santa Isabel, São Paulo,em março de 1999, essa espécie tem se espalhado rapidamente pelo País.Referências: Instituto Hórus (2009), Lima Filho et al. (2008).Aedes aegyptiMosquito-da-dengueDistribuição natural: ÁfricaImpactos: Principal vetor de transmissão do vírus causador da dengue e da febre amarela nos humanos.Observações: Largamente disseminado em ambientes urbanos, tendo sua reprodução facilitada em locais comágua parada. Ampla dispersão pelo mundo.Referências: Instituto Hórus (2009).Aedes albopictusMosquito-da-dengue XDistribuição natural: Sudeste da Ásia, ilhas dos oceanos Índicoe Pacífico, China, Japão e oeste de MadagascarImpactos: Mosquito transmissor de doenças. Ataca, além doshumanos, anfíbios, répteis e aves. Tem um papel importante natransmissão de algumas arboviroses (como a febre amarela). É Gary J. Steckum potencial vetor da dengueObservações: Acredita-se que tenha sido introduzido de formaacidental por meio do comércio marítimo de minério de ferro Wentre o Brasil e o Japão na década de 1980. A espécie éconsiderada uma das 100 piores invasoras do mundo. Invasoranos Estados Unidos, no Caribe e em diversos países da Américado Sul e da Europa.Referências: Albuquerque et al. (2000), Ayres et al. (2002),GISD (2009), Lowe et al.(2000).Digitonthophagus gazellaRola-bosta-africanoDistribuição natural: Regiões tropicais da África, península daArábia, Índia e Sri LankaImpactos: Pode causar danos às populações de besouros nativos Susan Ellis, Bugwood.orge à biodiversidade.Observações: Introduzido no Brasil para fins de controlebiológico de moscas. Foi introduzido também no Havaí, em 1958,na Austrália, em 1968, no Chile e nos Estados Unidos.Referências: Instituto Hórus (2009), Matavelli e Louzada(2008). XMamíferosCanis familiarisCachorroDistribuição natural: Considerada cosmopolita, mas seu ancestral direto, Canis lupus, é originário doHemisfério Norte.Impactos: Causa grande impacto na fauna nativa, sendo predador de mamíferos terrestres, tais como gambás,lobos-guará e tamanduás-mirins. Podem também transmitir doenças à fauna nativa. Predam desovas frescas deChelonia mydas, a tartaruga-verde, no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha.Referências: Instituto Hórus (2009), GISD (2009)38
  40. 40. Mus musculusCamundongo Z YDistribuição natural: Região do Mediterrâneo até a ChinaImpactos: Transmissora de doenças a populações humanas.Considerada espécie-problema na agricultura, causando danos aculturas agrícolas e em estoques de alimentos. Tem causado aextinção de espécies nativas em ecossistemas invadidos,principalmente pela predação de ninhos de aves em ilhasoceânicas.Observações: Considerada uma das 100 piores espécies invasoras Phil Myers, Museum of Zoology, University of Michigando mundo. A distribuição do Mus musculus é mais extensa que ade qualquer outro mamífero. Considerada uma espéciesinantrópica nociva pela legislação brasileira (InstruçãoNormativa nº 141, de 19 de dezembro de 2006) e, observados osdetalhes da legislação vigente, passível de controle semautorização do Ibama.Referências: Instituto Hórus (2009), GISD (2009), IBAMA (2006),Lowe et al.(2000).Felis catusGato AaImpactos: Grande predador da fauna nativa e vetor de doençascomo toxoplasmose e sarcosporidiose, que podem sertransmitidas ao homem. Gatos ferais são considerados Zresponsáveis pela extinção de pelo menos 8 espécies de aves emilhas.Observações: Considerada uma das 100 piores espécies invasorasdo mundo.Referências: Instituto Hórus (2009), GISP (2005), GISD (2009),Lowe et al.(2000). Forest Starr and Kim StarrSaimiri sciureusMico-de-cheiro AbDistribuição natural: Floresta AmazônicaObservações: Introduzido voluntariamente na Reserva Biológicade Saltinho (Tamandaré) há cerca de 25 anos por servidores doantigo Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal (IBDF). AaReferências: Barboza et al. (2004), Instituto Hórus (2008), Falcão(2006)Callithrix penicillataMico-estrela, sagui-de-tufo-pretoDistribuição natural: Espécie nativa do Cerrado em São Paulo,em Minas Gerais, no Tocantins, no Piauí, na Bahia, em Mato Grossodo Sul, em Goiás e no Distrito Federal.Impactos: Compete com a fauna nativa, causando desequilíbrio na David Blankcomunidade local. Pode hibridizar com outras espécies do gênero.Observações: Espécie introduzida acidentalmente no municípiode Floresta, em Pernambuco, tendo produzido híbridos com a Abespécie Callithrix jacchus.Referências: Instituto Hórus (2009), Monteiro da Cruz et al(2002).Kerodon rupestrisMocó AcDistribuição natural: Nordeste brasileiro, na região do semi-áridoImpactos: Alimenta-se de frutos, podendo dispersar sementes emodificar a vegetação. Alimenta-se também de raízes de árvores, Diele Lôbopodendo levá-las à queda, expondo o solo e provocando processoserosivos. AcObservações: Foi introduzido em Fernando de Noronha, emmeados de 1960, pelos militares, para servir de caça aos soldados.É nativo na região do semiárido do Nordeste. 39
  41. 41. Referências: Instituto Horus (2009), Moura-Britto e Patrocínio(2005), Sazima e Haemig (2006).Rattus norvegicusRato, ratazana AdDistribuição natural: Nordeste da ChinaImpactos: Transmissão de doenças a humanos e ataques a ninhosde aves. É agressivo com outras espécies e desloca ratos nativos. WikimediaCausa sérios danos a plantações e propriedades rurais. Principalresponsável pela transmissão da leptospirose. AdObservações: Segundo a Instrução Normativa nº 141, de 19 dedezembro de 2006, é considerada uma espécie sinantrópica nocivae, observados os detalhes da legislação vigente, passível decontrole sem a autorização do Ibama. Encontrada empraticamente todos os locais onde há ocupação humana.Referências: Instituto Hórus (2009), GISD (2009), IBAMA (2006),Pimentel et al. (2000). David G. Robinson, USDA APHIS PPQ, Bugwood.orgRattus rattusRato-de-casa, rato-preto, gabiruDistribuição natural: ÍndiaImpactos: Onívoro, capaz de alimentar-se de uma grandevariedade de plantas e animais nativos. Preda ovos e aves jovens.Frequentemente desloca espécies de ratos nativos, ocupando o seunicho. Provavelmente foi causador da extinção de um grande rato(Noronhomys vespuccii) endêmico do Arquipélago de Fernando deNoronha.Observações: Considerada uma das 100 piores espécies invasorasdo mundo. Adapta-se a praticamente qualquer tipo de ambiente.Tem causado, direta ou indiretamente, a extinção de váriasespécies ao redor do planeta. Considerada uma espécie Aesinantrópica nociva pela legislação brasileira (InstruçãoNormativa nº 141, de 19 de dezembro de 2006).Referências: Amori e Clout (2003), Brandão-Filho (2003), GISD(2009), IBAMA (2006), Moura-Britto e Patrocínio (2005), Pimentelet al. (2000). Postdlf, WikimediaMoluscoAchatina fulica AfCaracol-gigante-africano AeDistribuição natural: África, da África do Sul a Moçambique no sul e do Quênia à Somália ao norte.Impactos: Predador de plantas e competidor por espaço com outras espécies, em função do aumentopopulacional acelerado. A espécie ataca praticamente qualquer lavoura, causando prejuízos econômicos.Também compete com espécies nativas em ambientes florestais. É vetor de 2vermes que transmitem doenças:Angiostrongylus costaricensis, causador da angiostrongilíase abdominal; e Angiostrongylus cantonensis, causadorda angiostrongilíase meningoencefálica humana.Observações: Introduzido no País na década de 1980 para criação alternativa ao escargot. O fracasso dastentativas de comercialização levou os criadores a soltar os caracóis no ambiente. Reproduz-se rapidamente eem grande quantidade. Dispersou-se amplamente, podendo ser encontrado em praticamente todo o Brasil.Invasora nos Estados Unidos, na China, na Martinica, na França, nas Ilhas Maldivas, nas Filipinas e na Austrália.Considerada uma das 100 piores espécies invasoras do mundo.Referências: Instituto Hórus (2009), Fischer et al. (2006), GISD (2009), Lowe et al.(2000).RépteisHemidactylus mabouiaBriba-de-casa, lagartixa AfDistribuição natural: ÁfricaObservações: Foi introduzida acidentalmente no Novo Mundo, tornando-se uma colonizadora de sucesso,amplamente representada no sul da América do Norte, na América Central e na América do Sul. Espécie comumem toda a Região Nordeste do Brasil, porém sempre encontrada em construções ou estruturas de origemhumana. É noturna e alimenta-se de insetos.40

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