VANESSA MAIA DE CASTROA INFLUÊNCIA DA TELENOVELA BRASILEIRA: UM ESTUDO DE RECEPÇÃO        DA HOMOSSEXUALIDADE EM INSENSATO...
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BANCA EXAMINADORA_______________________________________________          Prof. Ms. Welliton Carlos da Silva              ...
DEDICATÓRIADedico este trabalho ao meu querido avô Genelci Maia (Inmemória), que há dois anos nos deixou com muitasaudade....
AGRADECIMENTOSA Deus, que abençoou meu caminho durante esses quatroanos de trabalho e estudo.A minha mãe Elvira Maia, minh...
SUMÁRIORESUMO ...............................................................................................................
Gráfico 13 ..................................................................................................................
7                                         RESUMOEste trabalho acadêmico apresenta um estudo da influência da telenovela na...
8INTRODUÇÃO        Desde sua invenção no fim da década de 1940 e início da década de 1950, a televisãomudou os hábitos e c...
9cenário, as roupas, o destino final das personagens, etc. Os telespectadores se identificam como enredo e os personagens,...
10havia seis personagens homossexuais: Roni (Leonardo Miggiorin), Eduardo (RodrigoAndrade), Hugo (Marcos Damigo), Xicão (W...
111. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA       Este estudo pretende pesquisar qual a influência da telenovela Insensato Coração noproces...
12do folhetim orientaram a produção da telenovela no mundo moderno. Mas entre o folhetim e atelenovela existiu outro gêner...
13período do romantismo, ganhou reconhecimento literário. Data dessa fase uma característicaque permanece até agora, a sab...
14de 1974 a maio de 1975. Na década de 1980, os homossexuais começam a aparecer com maisintensidade nas telenovelas da Red...
15orientada em função de sua possibilidade de consumo no mercado” (RÜDIGER, 2001, p.138).        Para os estudiosos, a pro...
16Contemporary Cultural Studies (CCCS), que tinha como eixo principal de observação asrelações entre a cultura contemporân...
17       De acordo com Escosteguy, a relação entre marxismo e os Estudos Culturais sedesenvolve através da crítica reducio...
18confrontavam ou se combinavam com os discursos da igreja, da moral e da lei” (LOURO,2009, p. 88).       É nesse contexto...
19       Com o surgimento da AIDS na década de 1980, a visibilidade homossexual foicomprometida. Grupos      de conscienti...
20basicamente de duas dimensões, veiculadas de modo isolado ou combinado, conforme arespectiva compreensão.               ...
212. METODOLOGIA         O objetivo deste trabalho é perceber se existe influência da ficção na realidadebrasileira atravé...
22e desvantagens. Deve ser escolhida a entrevista que mais se adapta à pesquisa proposta. “Épreciso potencializar os aspec...
23por amostragem, onde é preciso atentar as questões como a definição do tamanho da amostrae os procedimentos para sua sel...
24                      irrelevantes ou repetidas neste tipo de pergunta, pois sua eficácia depende                      m...
25                                       QuestionárioEste questionário destina-se a uma pesquisa de cunho acadêmico e visa...
26 6) Após ter assistido à novela, sua opinião mudou com o que se refere à     homossexualidade? ( ) Sim, eu ainda tinha u...
273. ESTUDO QUANTITATIVO       Este trabalho utilizou a metodologia da pesquisa de opinião para chegar ao objetivotraçado....
28       Dos homens entrevistados, 16% assistiram à novela, 40% não assistiram e 44%assistiram a alguns capítulos.Gráfico ...
29       Juntando as respostas de ambos os sexos, 28% do total assistiram à novela, 32% nãoassistiram e 40% assistiram a a...
30       Na segunda pergunta foi questionado ao entrevistado qual tema social retratava a vidados personagens Roni (Leonar...
31      Apesar de alguns dos entrevistados não terem assistido à telenovela Insensato Coração(44%), todos (50) acertaram a...
32       Na terceira questão foi perguntado se o entrevistado acha importante a abordagem detemas polêmicos nas novelas. A...
33      A maioria dos homens, assim como as mulheres, acredita que assuntos polêmicosdevem ser abordados pelas novelas: 80...
34       Do total dos entrevistados, 78% acreditam que a abordagem de assuntos polêmicos nasnovelas é importante; 14% não ...
35       A quarta questão buscou saber se o entrevistado tinha alguma forma de restrição oupreconceito contra homossexuais...
36       Os homens ficaram mais divididos ao responderem à quarta questão: 44% admitiramter alguma forma de restrição ou p...
37      Do total dos entrevistados 22% têm alguma forma de restrição ou preconceito contrahomossexuais e 78% não têm nada ...
38       A quinta pergunta questionou se os entrevistados concordavam com a forma com queos personagens homossexuais foram...
39      Os homens entrevistados ficaram mais divididos com a forma com que os personagensforam inseridos na novela: 56% re...
40       Analisando o total de entrevistados, 72% acreditam que o autor aproximou oespectador da realidade dos homossexuai...
41       Na sexta questão foi perguntado se após assistir a novela, a opinião do entrevistadomudou com o que se refere à h...
42       Dos entrevistados do sexo masculino, 4% responderam que a opinião mudou aoassistir a novela, pois ainda tinha cer...
43      Do total de entrevistados, 2% respondeu que sua opinião mudou ao assistir a novela,pois ainda tinham certo preconc...
44       Na sétima e última pergunta foi questionado se para o entrevistado a novela InsensatoCoração ajudou a diminuir o ...
45       Dos homens entrevistados, 28% responderam que sim, a novela ajudou a diminuir opreconceito contra homossexuais e ...
46       No total de entrevistados, de ambos os sexos, 26% acham que a novela ajudou adiminuir o preconceito contra homoss...
47CONSIDERAÇÕES FINAIS       Buscou-se neste trabalho entender a influência da telenovela no processo de aceitaçãodas rela...
48       Na teoria crítica da Indústria Cultural, a cultura é vista como mercadoria e existe umaestandardização, ou seja, ...
49Culturais atribuem à cultura um papel que não é meramente reflexivo nem residual em relaçãoàs determinações da esfera ec...
50REFERÊNCIASANDRADE, Roberta Manoela Barros de. Realidade e ficção nas telenovelas. IN: O fascíniode Scherazade - Os usos...
51Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas. Brasília:Ministério da Educação, Secretaria de Educa...
52Memória                    Globo.                   Disponível                   em:http://memoriaglobo.globo.com/Memori...
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A INFLUÊNCIA DA TELENOVELA BRASILEIRA: UM ESTUDO DE RECEPÇÃO DA HOMOSSEXUALIDADE EM INSENSATO CORAÇÃO

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Monografia apresentada à Banca Examinadora do Curso de Jornalismo da Faculdade Araguaia, como requisito parcial para a obtenção do título de Jornalista, sob a orientação do Professor Ms. Welliton Carlos da Silva.

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A INFLUÊNCIA DA TELENOVELA BRASILEIRA: UM ESTUDO DE RECEPÇÃO DA HOMOSSEXUALIDADE EM INSENSATO CORAÇÃO

  1. 1. VANESSA MAIA DE CASTROA INFLUÊNCIA DA TELENOVELA BRASILEIRA: UM ESTUDO DE RECEPÇÃO DA HOMOSSEXUALIDADE EM INSENSATO CORAÇÃO FACULDADE ARAGUAIA GOIÂNIA / 2011
  2. 2. VANESSA MAIA DE CASTROA INFLUÊNCIA DA TELENOVELA BRASILEIRA: UM ESTUDO DE RECEPÇÃO DA HOMOSSEXUALIDADE EM INSENSATO CORAÇÃO Monografia apresentada à Banca Examinadora do Curso de Jornalismo da Faculdade Araguaia, como requisito parcial para a obtenção do título de Jornalista, sob a orientação do Professor Ms. Welliton Carlos da Silva. FACULDADE ARAGUAIA GOIÂNIA / 2011
  3. 3. BANCA EXAMINADORA_______________________________________________ Prof. Ms. Welliton Carlos da Silva - Orientador -_______________________________________________ Prof. Fran Rodrigues - Professora convidada - Nota: 10 Data: 15/12/11
  4. 4. DEDICATÓRIADedico este trabalho ao meu querido avô Genelci Maia (Inmemória), que há dois anos nos deixou com muitasaudade. Um grande homem, pai, avô e bisavô.
  5. 5. AGRADECIMENTOSA Deus, que abençoou meu caminho durante esses quatroanos de trabalho e estudo.A minha mãe Elvira Maia, minha avó Sebastiana Maia eminha irmã Carina Mundim, grandes mulheres em quesempre me espelhei.Ao meu pai Rubens Castro, que apesar da distância,sempre esteve e está ao meu lado.Ao meu professor e orientador Welliton Carlos, queacompanhou a elaboração deste trabalho.Aos meus grandes amigos Rebeca Morais e Rafael Vaz,que sempre estiveram presentes durante essa caminhada etenho a certeza de que sempre estarão em todos osmomentos da minha vida.A todos meus professores, colegas de sala, e funcionáriosda faculdade, em especial a colega Rachel Araújo,representante da turma, sempre dedicada.
  6. 6. SUMÁRIORESUMO ..................................................................................................................................7INTRODUÇÃO ........................................................................................................................8CAPÍTULO 11. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................................111.1 Dos folhetins à telenovela ..................................................................................................111.1.1 Folhetim ..........................................................................................................................111.1.2 Radionovela ....................................................................................................................121.1.3 Telenovela .......................................................................................................................121.2 Indústria Cultural ...............................................................................................................141.3 Estudos Culturais ...............................................................................................................151.4 Homossexualidade .............................................................................................................171.5 Homofobia .........................................................................................................................19CAPÍTULO 22. METODOLOGIA ................................................................................................................21Questionário .............................................................................................................................25CAPÍTULO 33. ESTUDO QUANTITATIVO................................................................................................27Gráfico 1 ..................................................................................................................................27Gráfico 2 ..................................................................................................................................28Gráfico 3 ..................................................................................................................................29Gráfico 4 ..................................................................................................................................31Gráfico 5 ..................................................................................................................................32Gráfico 6 ..................................................................................................................................33Gráfico 7 ..................................................................................................................................34Gráfico 8 ..................................................................................................................................35Gráfico 9 ..................................................................................................................................36Gráfico 10 ................................................................................................................................37Gráfico 11 ................................................................................................................................38Gráfico 12 ................................................................................................................................39
  7. 7. Gráfico 13 ................................................................................................................................40Gráfico 14 ................................................................................................................................41Gráfico 15 ................................................................................................................................42Gráfico 16 ................................................................................................................................43Gráfico 17 ................................................................................................................................44Gráfico 18 ................................................................................................................................45Gráfico 19 ................................................................................................................................46CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................47REFERÊNCIAS .....................................................................................................................50ANEXOS .................................................................................................................................53
  8. 8. 7 RESUMOEste trabalho acadêmico apresenta um estudo da influência da telenovela na realidadebrasileira. Como objeto de pesquisa, foi utilizada a telenovela Insensato Coração (2011), queabordou o tema homossexualidade e homofobia. Os principais objetivos eram entender oprocesso de aceitação das relações homoafetivas através da abordagem da telenovela ediscutir a importância da mesma, como elemento cultural na sociedade. Foi realizada umarevisão bibliográfica sobre telenovela, homossexualidade, homofobia e as teorias IndústriaCultural e Estudos Culturais, fundamentais para perceber a função da telenovela na realidadedos telespectadores. Foi utilizada a pesquisa de opinião como metodologia, onde se produziuum estudo quantitativo com base nas respostas dos questionários respondidos.Palavras-chave: Comunicação, telenovela, influência, homossexualidade, homofobia.
  9. 9. 8INTRODUÇÃO Desde sua invenção no fim da década de 1940 e início da década de 1950, a televisãomudou os hábitos e costumes das pessoas. Trabalha com o espetáculo e desempenha trêsfunções: informar, educar e entreter. Porém, com sua popularização, as duas funçõesprimordiais da TV foram superadas pela função de entreter. Na busca de ampliar o mercado eatingir o maior público possível, o seu principal caminho tem sido o da ficção, com ateledramaturgia e seus formatos telenovela, minissérie e seriado. Neste trabalho será discutidoparticularmente o formato telenovela. Este estudo propõe discutir qual a influência da telenovela sob a realidade brasileira eapresentar qual é a repercussão social dos temas abordados na ficção. Como objeto de estudo,será utilizado o tema homofobia, tratado pelos autores Ricardo Linhares e Gilberto Braga natelenovela Insensato Coração, transmitida no horário nobre1 da emissora de TV Rede Globoem 2011. Pretende-se estudar qual a influência da telenovela no processo de aceitação dasrelações homoafetivas e discutir a importância da mesma, como elemento cultural nasociedade. A telenovela é uma história de ficção, contada por meio de imagens televisivas comdiálogo e ação, elaborada e exibida diariamente nas diferentes emissoras de televisão. Éapresentada em capítulos, com grupos de personagens que se relacionam interna eexternamente em diferentes lugares. Atualmente tem duração média de 160 capítulos comcerca de 45 minutos cada. Para Roberta Andrade, a telenovela é uma dramatização e representação da vidacotidiana, com todos seus problemas, conflitos, resoluções e comportamentos. A narrativa queconta “como a vida é” atua como um fator que minimiza a distância entre personagem etelespectador, criando a ilusão de uma história “real”. A realidade apresentada coincide com arealidade social das pessoas (ANDRADE, 2003, p.58). A telenovela evoluiu conforme a modernização e as transformações sociais. Tornou-se um hábito na vida do brasileiro sentar-se em frente à televisão após o jantar para assistir àtelenovela e, no dia seguinte, debater no trabalho ou na escola sobre a atuação dos atores, o1 Horário nobre pode ser definido como um bloco de programação exibido quando a audiência é maior. A maiorparte do faturamento das emissoras vem dessas faixas horárias, que representa em torno de 80% do lucro totalanual das redes de televisão. No Brasil, considera-se como o horário nobre toda a programação que está entre as18 e 00 horas, podendo se estender até as 01 hora, tendo como "pico" o horário entre 20 e 23 horas, horário emque são exibidos programas como telenovelas, telejornais e reality-shows.
  10. 10. 9cenário, as roupas, o destino final das personagens, etc. Os telespectadores se identificam como enredo e os personagens, que encenam experiências da vida real. As telenovelas contemporâneas abordam temas sociais polêmicos e mesclam ficçãocom questões reais da sociedade brasileira. Assuntos como homossexualidade, corrupção,drogas, violência contra mulher, contra o idoso, alcoolismo, dentre outros, são interpretados ediscutidos pelos personagens. Alguns temas mobilizaram campanhas nacionais, como o das crianças desaparecidas -trabalhado na novela Explode Coração (1995-1996), da autora Glória Perez. Na época, foidivulgada e debatida a questão em programas de rádio e TV e em matérias de jornais erevistas. Segundo o Dicionário da TV Globo (2003, p. 236), “graças à exibição dedepoimentos de mães e de fotos de filhos desaparecidos na novela, mais de 60 crianças foramencontradas”. Em 2000, supõe-se que aumentou-se o número de doações de sangue, de órgãos ecadastramentos de doadores de medula óssea graças à repercussão da novela Laços deFamília, do autor Manuel Carlos, que retratou o tema através da personagem Camila(Carolina Dieckmann), portadora de leucemia. A atriz rapou o cabelo para gravar uma dascenas, o que causou grande impacto na sociedade e levou o Instituto Nacional de Câncer(Inca), que registrava dez novos cadastramentos por mês, a receber 149 nas semanas seguintesao término do folhetim. Outra telenovela, também do autor Manuel Carlos, que abordou temas polêmicos foiMulheres Apaixonadas (2003). As cenas mobilizaram a sociedade, sendo retratada a violênciadoméstica contra a mulher, enfocada através da personagem Raquel (Helena Ranaldi),frequentemente espancada pelo marido Marcos (Dan Stulbach). “Com a denúncia feita pelapersonagem à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), a delegacia do centro doRio de Janeiro registrou um aumento de mais de 40% nos registros de casos de violência 2doméstica sofrido por mulheres” . O autor trabalhou também o desarmamento. Apersonagem Fernanda (Vanessa Gerbelli) morreu ao levar uma bala perdida. Cenas demanifestações reais aconteceram na telenovela, cerca de 40 mil pessoas reuniram-se naAvenida Atlântica, no Rio de Janeiro, no movimento Brasil sem armas, para pressionar aaprovação do Estatuto do Desarmamento no Congresso Nacional. A telenovela Insensato Coração exibida de 17 de janeiro a 20 de agosto de 2011abordou um tema que vem ganhando destaque na teledramaturgia, a homofobia. Na trama2 Memória Globo - http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273 230093,00.html
  11. 11. 10havia seis personagens homossexuais: Roni (Leonardo Miggiorin), Eduardo (RodrigoAndrade), Hugo (Marcos Damigo), Xicão (Wendell Bendelack) e Gilvan (Miguel Roncato),que, no decorrer dos capítulos, passaram por vários tipos de preconceito e violência. Umdeles, Gilvan (Miguel Roncato), espancado até a morte por pitboys3. A telenovela trouxecenas e diálogos em que se expõe a realidade social de perseguição, discriminação,preconceito e violência contra os homossexuais. A violência contra o homossexual acontece evidentemente fora da teledramaturgia.Em São João da Boa Vista, São Paulo, o dia 15 de julho de 2011 ficou marcado para um pai(42 anos) e seu filho (18 anos). Eles assistiam abraçados a um show na ExposiçãoAgropecuária Industrial e Comercial (EAPIC), quando um grupo de jovens se aproximouquestionando se os dois eram homossexuais. O pai explicou que o jovem era seu filho e obando foi embora. Mas após 5 minutos, voltou e começou a agredir os dois. O pai teve ametade da orelha decepada após a agressão e o filho teve ferimentos leves 4. Esse foi apenasum dos casos reais que aconteceu recentemente no Brasil. O número de homossexuais cresce no país. São 19 milhões, segundo estimativa degrupos ativistas. Cresce também a intolerância, de acordo com o Grupo Gay da Bahia (GGB).A cada dois dias, um homossexual é morto no país vítima do preconceito. O Brasil é o paíscom o maior número de crimes contra homossexuais do mundo, 260 mortes em 2010 5. O principal objetivo deste trabalho, portanto, é perceber se existe influência da ficçãona realidade brasileira através dos temas abordados em telenovelas e de que forma os mesmossão repercutidos na sociedade. Foi escolhida a telenovela Insensato Coração por ter sidoexibida no horário nobre da Rede Globo e por ser a que tratou de um assunto polêmico.3 Pitboy- pit vem do cão feroz pitbull e boy significa rapaz, em inglês. Pitboy é um estereótipo ligado aindivíduos do sexo masculino, de grande porte físico e que habitualmente se envolvem em brigas.4 Folha.com http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/945603-pai-e-filho-sao-agredidos-apos-serem-confundidos-com-casal-gay.shtml5 Grupo Gay da Bahiahttp://www.ggb.org.br/Assassinatos%20de%20homossexuais%20no%20Brasil%20relatorio%20geral%20completo.html
  12. 12. 111. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Este estudo pretende pesquisar qual a influência da telenovela Insensato Coração noprocesso de aceitação das relações homoafetivas. Para este intento busca-se encontrarreferencial teórico e definições do que já foi produzido na literatura específica sobre osseguintes temas: telenovela, homofobia, homossexualidade e as teorias indústria cultural eestudos culturais, fundamentais para percebermos e interpretarmos a função da telenovela narealidade das pessoas.1.1 Dos folhetins às telenovelas1.1.1 Folhetim O folhetim teve origem na França, em 1836, com o principal objetivo de entreter osleitores dos jornais. A história permitia que várias camadas sociais tivessem acesso àliteratura. A princípio vinha no rodapé, sendo produzido em fatias. Tratava-se de uma formade ficção de entretenimento, com histórias do cotidiano das classes baixas e ricas que, aolerem as narrativas, se identificavam com as personagens. O suspense, gerado pela história emfatias que continuava no dia seguinte, servia para manter o leitor curioso e instigá-lo aacompanhar o desfecho da trama (FIGUEIREDO, 2003, p. 25-26). O gênero chegou ao Brasil no final de 1838, onde alcançou a mesma repercussãopositiva que tivera em seu país de origem. Porém, ao contrário da França, no Brasil ashistórias eram restritas à elite dominante, não atingindo a população analfabeta. Aqui ainda sevivia numa sociedade colonial e escravocrata. No início, grande parte dos folhetins no Brasileram traduções de publicações da França, com exceções como O Guarani, de José deAlencar, e outros escritos de Machado de Assis ou de Joaquim Manuel Macedo. Meyer estrutura o folhetim da seguinte forma: Corte sistemático para criar suspense no leitor; simplificação na caracterização dos personagens; maniqueísmo explícito na descrição da personalidade dos personagens (mocinho X vilão); busca de recursos estilísticos para prender o leitor; o herói sempre vingador ou purificador; sempre há uma jovem pura deflorada pelos homens do mal. (MEYER apud ROCHA, 2009, p. 33). O folhetim funcionava como um teatro móvel que ia a busca de seu espectador. Porisso, ele foi muito importante para a vendagem do jornal e vice-versa. O conteúdo e a forma
  13. 13. 12do folhetim orientaram a produção da telenovela no mundo moderno. Mas entre o folhetim e atelenovela existiu outro gênero também importante no processo de construção da telenovela eque ganhou popularidade no século XX, a radionovela.1.1.2 Radionovela A radionovela chegou ao Brasil em 1941 na Rádio Nacional, em um momento deexpansão da indústria e da modernidade. O produto resulta da interação entre o folhetim doséculo XIX, da Europa, a soap opera dos Estados Unidos6 e as experiências melodramáticasradiofônicas de Cuba7. O rádio, como meio de comunicação de massa, teve um papelfundamental na vida do brasileiro, pela música, informação do seu noticiário, publicidade oumesmo pelas fantasias dos melodramas das radionovelas. Colocou o cidadão em contato comos fatos sócio-culturais e político-econômicos do País e do mundo. A radionovela introduzida no Brasil teve grande audiência. Segundo Rocha, além doparadigma impresso, soube aproveitar o suporte da sonoridade. Vozes variadas e expressivas fizeram o público parar diante do aparelho de rádio. Eram sempre melodramáticas, causavam emoção, e depois da veiculação eram publicadas em capítulos, como nos folhetins (ROCHA, 2009, p. 35). A partir de meados do século XX, com o surgimento da televisão, a época de ouro dorádio começa a declinar e o mesmo teve de se adaptar às mudanças, modificando sua grade deprogramação, voltando-se para as especificidades regionais.1.1.3 Telenovela A palavra novela vem do latim novellus, novella, novellum, que significa “novo”. NaIdade Média, passou a ser enredo, entrecho; vem daí a narrativa enovelada, trançada, quedurante muito tempo ficou identificada com o fantástico e o inverossímil e, somente no6 Os Estados Unidos exploraram sobremaneira a irradiação de histórias seriadas no rádio. No início ocupavamquinze minutos na grade da programação, mas com o sucesso das soap operas (narrativas que tinham opatrocínio de empresas de sabão) esse tempo foi expandido. A diferença entre o folhetim e o soap operas é que oprimeiro se organiza em sequências de capítulos dando pequenos indícios sobre o final da história enquanto queo segundo tem um núcleo que se desenrola de maneira indefinida, sem vislumbrar um final. (FIGUEIREDO,2003, p. 30).7 Cuba importou o gênero soap operas dos Estados Unidos e, com o apoio comercial da Colgate-Palmolive e daProcter & Gamble, Havana passou a exportar pequenos livretos sobre radionovela para toda a América Latina. Ahistória em capítulos atingiu o meio termo entre o conto e o romance. (FIGUEIREDO, 2003, p. 31).
  14. 14. 13período do romantismo, ganhou reconhecimento literário. Data dessa fase uma característicaque permanece até agora, a saber: a sua extensão, decorrente da repetição. “Enquanto aradionovela é baseada essencialmente na oralidade, a telenovela amplia seu alcance derecepção pela imagem, transformando o ouvinte brasileiro em telespectador” (FIGUEIREDO,2003, p. 34). Ainda sem ser reconhecida como novela, a primeira narrativa seriada pela televisão noBrasil nasceu na década de 50: Sua vida me pertence. Foi ao ar em dezembro de 1951, pelaTV Tupi, escrita por Walter Foster, que também interpretava o herói da história. Foramexibidos 20 capítulos da novela, duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras, comduração de vinte minutos. Mas com o seu sucesso, a produção procurou um formato quepermanecesse diariamente, no mesmo horário (FIGUEIREDO, 2003, p. 34-35). Com a preocupação em se fazer uma produção ficcional com a cara do Brasil, no finaldos anos 60, Bráulio Pedroso escreveu Beto Rockefeller, exibida na TV Tupi (1968). Atelenovela foi tida como um marco das novas produções. Ela apresentava particularidades docotidiano da vida do brasileiro. Desde então, a telenovela passou a ser exibida diariamente, desegunda a sábado, em diferentes horários: novela das seis, das sete, das oito, tradicionalmenteidentificadas, principalmente, na programação da Rede Globo (FIGUEIREDO, 2003, p. 36). Os anos 1970 foram um marco para a telenovela, que dialoga com o telespectadorsobre o seu cotidiano, trazendo os problemas dos enlaces e desenlaces dos heróis da novela,bem como os conflitos familiares entre pais e filhos, os dramas da gravidez indesejada, dasdrogas, do sexo, do racismo. Segundo Figueiredo, a telenovela, ao penetrar o cotidiano do telespectador nas suaspráticas culturais, estabelece relações estreitas e contínuas com seu público, pois as narrativassão construídas a partir do espaço em que os indivíduos produzem sua história, seu cotidiano.A telenovela brasileira procura incluir no seu texto os fatos mais significativos para asociedade, tomando para si não só o papel informativo do jornal, mas também ointerpretativo, uma vez que julga o fato através da (re)ação de suas personagens. “Atelenovela envolve um grupo grande de personagens e de tramas paralelas, com cenários esituações diferentes” (FIGUEIREDO, 2003, p. 67). Desde a década de 1980, a homossexualidade vem ganhando destaque nas telenovelascom trajetória de liberalização das representações de homossexuais de maneira tímida, umcomeço difícil, devido à censura moral e aos costumes tradicionais da sociedade brasileira. De acordo com Peret (apud COLLING, p. 08), a primeira novela da Rede Globo aabordar o tema homossexualidade foi Rebu, do autor Bráulio Pedroso, exibida de novembro
  15. 15. 14de 1974 a maio de 1975. Na década de 1980, os homossexuais começam a aparecer com maisintensidade nas telenovelas da Rede Globo e provocaram, sempre, muita polêmica. GilbertoBraga, com Vale Tudo (Rede Globo, exibida de 20/05/88 a 7/01/89) ampliou a questãolevando alguns telespectadores a criticarem as novelas nacionais. Em Marrom Glacê (RedeGlobo, exibida de 06/08/79 a 10/03/80), Cassiano Gabus tratou da relação homossexual entreos garçons, protagonistas da novela 8. Nos anos 1990, a homossexualidade feminina esteve presente na novela Torre deBabel (Rede Globo, exibida de 25/04/98 a 26/01/99), de Silvio de Abreu, com as personagensde Cristiane Torloni e Silvia Pfeiffer, gerando polêmica entre os telespectadores, querejeitaram o tema, abordado em horário nobre pela primeira vez. O fato levou aodesaparecimento prematuro das personagens, através de um acidente9. Anos depois, em 2003, a homossexualidade voltou a ocupar espaço na mídia, nanovela Mulheres Apaixonadas, de Manuel Carlos, que teve um casal de estudantes lésbicasinterpretado por Aline Morais e Paula Picarelli. Na trama, o romance provocou a ira dafamília e de alguns estudantes da fictícia Escola Ribeiro Alves (ERA). Fora das telas, umapesquisa encomendada pela Rede Globo comprovou a simpatia do público pelas personagens,desde que não houvesse cenas de beijo10.1.2 Indústria Cultural A Escola de Frankfurt surge no início da década de 1920, sendo caracterizada por umgrupo de pensadores e cientistas sociais alemães criadores da pesquisa crítica. Entre osprincipais estão Theodor Adorno, Max Horkheimer, Erich Fromm e Hebert Marcuse. A teoriacrítica criada por eles é baseada em concepções marxistas não ortodoxas que encaram a mídiacomo instrumento de influência e manipulação social capitalista. O conceito Indústria Cultural foi utilizado pela primeira vez por Adorno e Horkheimerna Dialética do Iluminismo11 e refere-se à conversão da cultura em mercadoria, ao processode subordinação da consciência à racionalidade capitalista, ocorrido nas primeiras décadas doséculo XX. A obra de arte perde seu caráter artístico e passa a ter um aspecto capitalista deconsumo. “Uma prática social através da qual a produção cultural e intelectual passa a ser8 http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-224151,00.html.9 http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-235476,00.html10 http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-230093,00.html11 Texto iniciado em 1942 e publicado em 1947.
  16. 16. 15orientada em função de sua possibilidade de consumo no mercado” (RÜDIGER, 2001, p.138). Para os estudiosos, a produção estética integra-se à produção mercantil em geral epermite o surgimento da ideia de que o que somos depende dos bens que podemos comprar edos modelos de conduta veiculados pelos meios de comunicação. A família e a escola, depoisda religião, perdem sua influência socializadora para as empresas de comunicação. “Ocapitalismo rompeu os limites da economia e penetrou no campo da formação da consciênciaconvertendo os bens culturais em mercadoria” (RÜDIGER, 2001, p. 139). Em termos tecnológicos, o mercado de massas impõe estandardização e organização.Os gostos do público e suas necessidades impõem estereótipos e baixa qualidade. Neste círculo de manipulação e de necessidade que dela deriva, que a unidade do sistema se reduz cada vez mais. Aquilo que a Indústria Cultural oferece de continuamente novo não é mais do que a representação, sob formas sempre diferentes, de algo que é sempre igual; a mudança oculta um esqueleto, no qual muda tão pouco como no próprio conceito de lucro, desde que este adquiriu o predomínio sobre a cultura (HORKHEIMER; ADORNO apud WOLF, 1999, p. 85). Após a Revolução Industrial12, várias transformações ocorreram na Europa e nomundo. As novas descobertas científicas, o avanço tecnológico e, principalmente, a dimensãoeconômica fez com que o capitalismo se fortalecesse. A lei do mercado passou a reger asociedade. E, na corrida pelo “ter”, nasce o individualismo, que, segundo Adorno, é o fruto detoda essa Indústria Cultural.1.3 Estudos Culturais Os Estudos Culturais surgiram na Inglaterra, no final dos anos 1950, a partir de trêsobras identificadas como fonte para essa teoria: The Uses of Literacy (1957), de RichardHoggart; Culture and Society (1958), de Raymond Williams e The Making of the EnglishWorking-class (1963), de E.P.Thompson. Em 1964, Hoggart fundou o Centre for12 A Revolução Industrial aconteceu na Inglaterra na segunda metade do século XVIII e encerrou a transiçãoentre feudalismo e capitalismo, a fase de acumulação primitiva de capitais e de preponderância do capitalmercantil sobre a produção. Completou ainda o movimento da revolução burguesa iniciada na Inglaterra noséculo XVII (http://www.culturabrasil.org/revolucaoindustrial.htm).
  17. 17. 16Contemporary Cultural Studies (CCCS), que tinha como eixo principal de observação asrelações entre a cultura contemporânea e a sociedade em suas formas culturais. O trabalho de Hoggart inaugura a ideia de que no âmbito popular não existe apenassubmissão, mas também resistência. O autor foca nos materiais culturais da cultura popular edos meios de comunicação, valorizando o que antes era desprezado pelos estudos acadêmicos.Através da cultura orgânica da classe trabalhadora inglesa da época, utilizou a metodologiaqualitativa (ESCOSTEGUY, 2001, p. 153). Williams contribuiu com a teoria de que a cultura é uma categoria-chave que conecta aanálise literária com a investigação social, através de um olhar diferenciado sobre a histórialiterária. Em sua obra The Long Revolution (1961) é intensificado o debate sobre o impactocultural dos meios massivos, mostrando um certo pessimismo em relação a cultura popular eaos próprios meios de comunicação (ESCOSTEGUY, 2001, p. 153). Em suas obras, E.P.Thompson influencia, de certa forma, o desenvolvimento dahistória social britânica de dentro da tradição marxista. Para o autor, cultura era uma redevivida de práticas e relações que constituíam a vida cotidiana e o papel do indivíduo estavaem primeiro plano. Mas resistia ao entendimento de cultura como uma forma de vida global.Ele a entendia enquanto um enfrentamento entre modos de vida diferentes (ESCOSTEGUY,2001, p. 153). De 1968 a 1979, Stuart Hall, outro membro de importante participação para aformação dos Estudos Culturais, substituiu Hoggart na direção do CCCS e incentivou odesenvolvimento da investigação de práticas de resistência de subculturas e de análises demeios massivos, identificando seu papel central na direção da sociedade (ESCOSTEGUY,2001, p. 154). Segundo Agger, O grupo do CCCS amplia o conceito de cultura para que sejam incluídos dois temas adicionais. Primeiro: a cultura não é uma entidade monolítica ou homogênea, mas, ao contrário, manifesta-se de maneira diferenciada em qualquer formação social ou época histórica. Segundo: a cultura não significa simplesmente sabedoria recebida ou experiência passiva, mas um grande número de intervenções ativas que podem tanto mudar a história quanto transmitir o passado (AGGER apud ESCOSTEGUY, 2001, p. 156). O grupo de pesquisadores que caracterizou essa tradição analisa as práticas culturaissimultaneamente como formas materiais e simbólicas. Para eles a criação cultural se situa noespaço social e econômico, dentro do qual a atividade criativa é condicionada.
  18. 18. 17 De acordo com Escosteguy, a relação entre marxismo e os Estudos Culturais sedesenvolve através da crítica reducionista e economista daquela perspectiva, resultando nacontestação do modelo base-superestrutura. A perspectiva marxista contribuiu para a teoria nosentido de compreender a cultura na sua “autonomia relativa”. Ela não é dependente dasrelações econômicas, nem seu reflexo, mas tem influência e sofre consequências das relaçõespolítico-econômicas (ESCOSTEGUY, 2001, p. 156). De acordo com Schwarz, os princípios que se constituem em pilares do projeto dosEstudos Culturais são: A identificação explícita das culturas vividas como um projeto distinto de estudo, o reconhecimento da autonomia e complexidade das formas simbólicas em si mesmas; a crença de que as classes populares possuíam suas próprias formas culturais, dignas de nome, recusando todas as denúncias, por parte da chamada alta cultura, do barbarismo das camadas sociais mais baixas; e a insistência em que o estudo da cultura não poderia ser confinado a uma disciplina única, mas era necessariamente inter, ou mesmo antidisciplinar (SCHWARZ apud ESCOSTEGUY, 2001, p. 158).1.4 Homossexualidade Até o início do século XIX as sociedades ocidentais tinham um modelo sexual quehierarquizava os sujeitos ao longo de um único eixo, cujo vértice era o masculino. Entendia-seque os corpos de mulheres e de homens diferiam em “graus” de perfeição; as mulheres tinham“dentro de seu corpo” o mesmo órgão genital que os homens tinham externamente. Em outraspalavras, afirmava-se, cientificamente, que “as mulheres eram essencialmente homens, nosquais uma falta de calor vital – de perfeição – havia resultado na retenção, interna, deestruturas que nos machos eram visíveis” (LAQUEUR apud LOURO, 2009, p. 87). Segundo Louro, a substituição desse modelo (de um único sexo) pelo modelo de doissexos opostos (que é o modelo que até hoje prevalece) não foi um processo simples nemlinear. Essa transformação de ordem epistemológica – e também política – se deu junto comtodo um conjunto de transformações, e, por um largo tempo, houve embate e disputa entreesses modelos sexuais (LOURO, 2009, p. 87). Ao final do século XIX nascia a sexologia. Inventavam-se tipos sexuais, decidia-se oque era normal ou patológico e esses tipos passavam a ser hierarquizados. Buscava-seconhecer, explicar, identificar e também classificar, dividir, regrar e disciplinar a sexualidade.“Tais discursos, carregados da autoridade da ciência, gozavam do estatuto de verdade e se
  19. 19. 18confrontavam ou se combinavam com os discursos da igreja, da moral e da lei” (LOURO,2009, p. 88). É nesse contexto que surge o homossexual e a homossexualidade. Conceituado porLouro como “práticas afetivas e sexuais exercidas entre pessoas de mesmo sexo (que sempreexistiram em todas as sociedades)” (LOURO, 2009, p. 89). Segundo a autora, ahomossexualidade ganhava uma nova conotação, não seria mais compreendida, como eramaté então, como um acidente, um pecado eventual, um erro ou uma falta a que qualquer umpoderia incorrer, pelo menos potencialmente. O homossexual não era simplesmente umsujeito qualquer que caiu em pecado, ele se constituía num sujeito de outra espécie. Para estetipo de sujeito, haveria que inventar e pôr em execução toda uma sequência de ações:punitivas ou recuperadoras, de reclusão ou de regeneração, de ordem jurídica, religiosa oueducativa. A partir do século XX, a homossexualidade passou a ser reconhecida e estigmatizadapela sociedade, considerada um desvio da normalidade sexual, sendo condenada e combatidapor instituições da sociedade, tais como a igreja, a justiça, a ciência, a família e o Estado.Muitos homossexuais foram internados, presos ou submetidos a tratamentos médicos epsicológicos com práticas duvidosas. Alguns contestaram e se arriscaram a viver a pluralidadesexual na marginalidade, na fronteira de questionamento social e moral das práticas e dossentidos que lhes eram atribuídos (TONON, 2005, p. 106). Louro afirma que: A homossexualidade, discursivamente produzida, transforma-se em questão social relevante. A disputa centra-se fundamentalmente em seu significado moral. Enquanto alguns assinalam o caráter desviante, a anormalidade ou a inferioridade do homossexual, outros proclamam sua normalidade e naturalidade – mas todos parecem estar de acordo que se trata de um ‘tipo’ humano distinto (LOURO apud TONON, 2005, p. 107). A partir da década de 1970, a sociedade ocidental passou por profundastransformações culturais, políticas e sociais, devido a movimentos de liberdade sexual e domovimento feminista iniciaram-se discussões acerca de posturas identitárias e representaçõessociais de gênero, de sexualidade, raciais e étnicas que passaram a ser questionadas. Operíodo caracterizou pela afirmação da identidade homossexual, quando o questionamentosobre a autoridade da família tradicional patriarcal deu a oportunidade para gays e lésbicasfazerem a opção por identidades sexuais plurais que não àquelas rigidamente segmentadasentre o feminino e o masculino, de acordo com preferências sexuais, não apenas como sujeitobiológico (TONON, 2005, p. 107).
  20. 20. 19 Com o surgimento da AIDS na década de 1980, a visibilidade homossexual foicomprometida. Grupos de conscientização e movimentos homossexuais aderiramsimpatizantes da militância, criando redes de solidariedade. Mas, segundo Tonon, opreconceito, a homofobia e a intolerância aos homossexuais cresceram, “em meio aosmembros desses grupos, entendeu-se que assim como a AIDS, a homossexualidade tambémera contagiosa e, que, portanto, as orientações sexuais plurais deveriam ser desprezadas,recriminadas e excluídas da sociedade” (TONON, 2005, p. 110). Em 1985, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o homossexualismo dacategoria de “transtorno sexual ou desvio” do artigo 302 do Código Internacional de Doenças(CID), passando-o ao capítulo “Dos sintomas decorrentes de circunstâncias psicossociais”. Eem sua última revisão, de 1995, o sufixo “ismo”, que significa doença, foi substituído pelosufixo “dade”, que carrega o sentido de modo de ser.1.5 Homofobia Homofobia é a discriminação e o preconceito contra homossexuais, que se manifestade várias maneiras, com ações de violência verbal e física, e em alguns casos extremos,podem levar até a morte. A palavra é de origem grega, Homo quer dizer “o mesmo” ephobikos quer dizer “ter medo de/e ou aversão a”. Rios define preconceito e discriminação: Por preconceito, designam-se as percepções mentais negativas em face de indivíduos e de grupos socialmente inferiorizados, bem como as representações sociais conectadas a tais percepções. Já o termo discriminação designa a materialização, no plano concreto das relações sociais, de atitudes arbitrárias, comissivas ou omissivas, relacionadas ao preconceito, que produzem violação de direitos dos indivíduos e dos grupos (RIOS, 2009, p. 54). O termo homofobia ganhou foros acadêmicos pela primeira vez em 1972, pelopsicólogo estadunidense George Weinberg, em seu livro A Sociedade e o HomossexualSaudável. Ele procurou identificar os traços da “personalidade homofóbica”, correspondendoa uma condensação da expressão “homosexualphobia” (YOUNG-BRUEHL apud RIOS,2009, p. 60). Segundo Rios, homofobia é a “modalidade de preconceito e de discriminaçãodirecionada contra homossexuais” (RIOS, 2009, p. 59). Para ele, as definições valem-se
  21. 21. 20basicamente de duas dimensões, veiculadas de modo isolado ou combinado, conforme arespectiva compreensão. Enquanto umas salientam a dinâmica subjetiva desencadeadora da homofobia (medo, aversão e ódio, resultando em desprezo pelos homossexuais), outras sublinham as raízes sociais, culturais e políticas desta manifestação discriminatória, dada a institucionalização da heterossexualidade como norma, com o consequente vilipêndio de outras manifestações da sexualidade humana (RIOS, 2009, p. 60). Neste último sentido, o termo “heterossexismo” é apontado como mais adequado,disputando a preferência com o termo “homofobia”, para designar a discriminaçãoexperimentada por homossexuais e por todos aqueles que desafiam a heterossexualidadecomo parâmetro de normalidade em nossas sociedades (RIOS, 2009, p. 60).
  22. 22. 212. METODOLOGIA O objetivo deste trabalho é perceber se existe influência da ficção na realidadebrasileira através dos temas abordados em telenovelas e de que forma os mesmos sãorepercutidos na sociedade. Busca-se entender o processo de aceitação das relaçõeshomoafetivas através da abordagem da telenovela e discutir a importância da mesma, comoelemento cultural na sociedade. Como objeto de estudo foi escolhido a telenovela InsensatoCoração, que tratou o tema homofobia. A metodologia escolhida para chegar ao objetivotraçado foi a pesquisa de opinião, um método de investigação científica para a maioria doscampos de conhecimento, inclusive para a Comunicação Social. A pesquisa de opinião como método quantitativo possibilita a coleta de grandequantidade de dados, originados de vasto número de entrevistados. Novelli destaca aspectospositivos e negativos no que se refere ao método da pesquisa de opinião, dentre os positivosestão: A possibilidade de que a investigação do problema ocorra em ambientes reais, sem a necessidade de se lançar mão de recursos de laboratório; a viabilidade de realização de análises estatísticas de variáveis como dados sociodemográficos, de atitude, dentre outras; a quase inexistência de barreiras geográficas para a realização das entrevistas e o baixo custo de aplicação ao se considerar a quantidade de informações recolhidas (NOVELLI, 2009, p. 164). Dentre os aspectos negativos a autora destaca a possibilidade de interferência, e atécerta manipulação do pesquisador no desenrolar da entrevista, que pode se dar pela máformulação da pergunta, ordenação confusa das questões ou constrangimento ocasionado aoentrevistado pela presença do entrevistador. Para uso correto dessa metodologia, Novelliafirma que é preciso estar ciente desses aspectos negativos e buscar, por meio de rigorosoplanejamento e apoio estatístico, corrigir antecipadamente os eventuais problemas(NOVELLI, 2009, p. 164-165). É importante a definição de um plano detalhado das etapas que envolverão arealização da pesquisa de opinião. Devem-se identificar as estratégias a serem adotadas, a fimde que os objetivos sejam alcançados. “O planejamento visa assegurar níveis de consistênciainterna ao processo, a fim de possibilitar o alcance dos objetivos pretendidos e evitarincoerências que possam comprometer os resultados obtidos” (NOVELLI, 2009, p. 165). A técnica de coleta de dados na pesquisa de opinião pode ser por entrevista pessoal,por telefone ou correio. Cada um desses métodos possui características que trazem vantagens
  23. 23. 22e desvantagens. Deve ser escolhida a entrevista que mais se adapta à pesquisa proposta. “Épreciso potencializar os aspectos positivos e neutralizar os efeitos negativos” (NOVELLI,2009, p. 165). Na entrevista pessoal existe a possibilidade de explicação de perguntas complexas euso de recursos visuais para auxiliar a resposta; a entrevista pode ser mais longa; existesegurança de que as instruções de preenchimento do questionário serão observadas e o índicede resposta é elevado, pois é difícil que a entrevista seja interrompida antes de chegar ao final.Dentre os aspectos negativos da entrevista pessoal, pode ser destacado o alto custo; maiortempo de aplicação; o entrevistador pode introduzir algum viés na entrevista, mesmo semquerer ou demonstrar qualquer reação ao invés de se manter neutro (NOVELLI, 2009, p.166). Dos aspectos positivos no método de entrevista por telefone destaca-se o menor custoem relação às entrevistas pessoais; a rapidez na aplicação dos questionários; a facilidade nagestão da aplicação das entrevistas; o entrevistado sente que o anonimato é preservado, o queestimula o aumento do índice de respostas. Dentre os aspectos negativos está a limitação daamostra à população que possui telefone; a entrevista pode ser interrompida se o entrevistadodesligar o telefone e a impossibilidade de uso de recursos visuais, o que limita a formação doquestionário (NOVELLI, 2009, p. 166). Na entrevista por correio os pontos positivos são o baixo custo pela falta decontratação e treinamento de entrevistadores; o uso de recursos visuais para complementaçãodas respostas; a inexistência do viés do entrevistador; o entrevistado pode responder quandofor mais conveniente e a entrevista garante que sua resposta seja anônima, pois não há contatocom qualquer entrevistador. Dos aspectos negativos existe a insegurança quanto à existênciade cooperação entre entrevistado e pesquisador; o índice de respostas é abaixo do dos outrosmétodos; as dúvidas com relação ao questionário não pode ser esclarecida; o prazo para asrespostas é maior e existe a impossibilidade de garantir que a pessoa selecionada na amostraseja a mesma que respondeu ao questionário (NOVELLI, 2009, p. 167). Para a realização da pesquisa de opinião é preciso reunir o maior número possível deinformações disponíveis sobre o assunto ou a percepção do tema trabalhado. É importante aidentificação do universo da pesquisa, o conjunto de pessoas que possuem característicascomuns e captam algum grau de informação sobre o tema a ser explorado. Após essaidentificação, é preciso decidir se a pesquisa irá englobar a totalidade de seus componentes,um censo, ou se irá englobar apenas parte desse universo, caracterizando-se como pesquisa
  24. 24. 23por amostragem, onde é preciso atentar as questões como a definição do tamanho da amostrae os procedimentos para sua seleção dentro do universo (NOVELLI, 2009, p. 167-168). De acordo com Novelli, a amostra de uma pesquisa pode ser selecionada de formaprobabilística ou não probabilística. Na primeira, todas as pessoas que fazem parte douniverso da pesquisa têm a mesma chance de serem selecionadas para participar dasentrevistas. A amostra não probabilística é selecionada de acordo com critérios deintencionalidade e conveniência (NOVELLI, 2009, p. 168). O questionário deve ser elaborado com um texto introdutório, que varia de acordo como método de coleta selecionado. A introdução serve para esclarecer ao entrevistado quais ospropósitos da pesquisa e busca sua cooperação nas respostas. Deve haver a indicação de que oentrevistado foi escolhido por pertencer a determinado grupo, que sua participação éimportante e sua opinião valorizada, deve informar que as respostas são confidenciais eanônimas e conter uma solicitação de autorização para prosseguir a entrevista (NOVELLI,2009, p. 169-170). Segundo Novelli, as perguntas do questionário devem seguir uma sequência lógica deencadeamento de raciocínio. No início deve haver questões relacionadas ao tema da pesquisae fáceis de serem respondidas. “As primeiras perguntas têm a função de criar motivação einteresse pelo questionário e fazer o entrevistado começar a refletir sobre o assunto”(NOVELLI, 2009, p. 170). Após as perguntas introdutórias, o questionário deve começar a aprofundar asinformações solicitadas ao entrevistado, aumentando o grau de complexidade de acordo como problema da pesquisa e os objetivos pretendidos. É preciso ter cuidado para não tornar aentrevista monótona. O final do questionário é formado por categorias de temas maisdelicados e pelo conjunto de perguntas de caráter sociodemográfico, como faixa etária,escolaridade, sexo, etc. As perguntas do questionário podem ser abertas ou fechadas. Se a pergunta for aberta,o próprio entrevistado pode formular livremente sua resposta, que será registrada noquestionário em forma de texto. Nas perguntas fechadas, o entrevistado irá selecionar uma oumais opções dentre uma lista prévia de respostas que será apresentada. As duas formaspossuem vantagens e desvantagens. As questões abertas possibilitam conhecer de forma mais profunda e espontânea a opinião do entrevistado sobre o assunto abordado, permitindo variedade maior de respostas. No entanto, perguntas abertas devem ser usadas com muita cautela nos questionários. É frequente a obtenção de respostas
  25. 25. 24 irrelevantes ou repetidas neste tipo de pergunta, pois sua eficácia depende muito da capacidade comunicativa do entrevistado, que pode não saber expressar exatamente qual sua opinião sobre o tema (NOVELLI, 2009, p. 172). As perguntas fechadas apresentam uma lista de opções de respostas. Caso oentrevistado não compreenda de imediato a pergunta, a seleção de respostas pode colaborarcom seu entendimento. Elas permitem a pré-codificação, o que facilita a digitação e asrespostas na base de dados. Dos aspectos considerados negativos pode-se destacar o fato deque a lista de respostas apresentada ao entrevistado pode não corresponder a totalidade dasalternativas possíveis. “Uma forma de minimizar tal efeito é apresentar, no final da lista derespostas, a alternativa “outros” seguida de um campo para anotação da resposta indicada”(NOVELLI, 2009, p. 173). Na elaboração da redação de perguntas do questionário, devem ser observados algunsaspectos claros e objetivos. A linguagem das perguntas deve adaptar-se ao vocabulário dossujeitos da amostra. E o uso de perguntas longas e complexas deve ser evitado, para facilitar oentendimento do entrevistado. A partir dos dados obtidos com o questionário se inicia oprocesso de análise de resultado, que deve ser fundamentada estatisticamente, para que aspessoas sejam avaliadas a partir da sua significância, com medidas de tendência central,correlação entre variáveis e outras possibilidades (NOVELLI, 2009, p. 177-178). A aplicação do questionário desta pesquisa de opinião será feita com base na técnicade coleta de dados por meio da entrevista pessoal. O estudo irá englobar a técnica de pesquisapor amostragem e selecionada de forma não probabilística. Foram selecionados 50entrevistados de ambos os sexos com idade entre 18 e 40 anos, originários da cidade deGoiânia. Foram distribuídos questionários para 25 mulheres e 25 homens, com sete perguntasfechadas e uma lista prévia de opções de respostas.
  26. 26. 25 QuestionárioEste questionário destina-se a uma pesquisa de cunho acadêmico e visa perceber se existeinfluência dos temas abordados nas novelas na realidade social. Para responder as questões,foram escolhidas pessoas entre 18 e 40 anos. Sua participação é muito importante para esteestudo e sua opinião valorizada. O questionário deve ser respondido com sinceridade, suasrespostas são confidenciais e não poderão ser identificadas após o preenchimento. Esta é umapesquisa acadêmica sem fins comerciais. 1) Você assistiu à novela Insensato Coração exibida na Rede Globo de 17 de janeiro a 19 de agosto de 2011? ( ) Sim ( ) Não ( ) Alguns capítulos 2) Qual tema social retratava a vida dos personagens Roni (Leonardo Miggiorin), Eduardo (Rodrigo Andrade), Hugo (Marcos Damigo), Xicão (Wendell Bendelack) e Gilvan (Miguel Roncato)? (Veja as fotos anexadas ao questionário) ( ) Alcoolismo ( ) Homossexualidade ( ) Violência contra a mulher ( ) Drogas 3) Você acha importante que as novelas abordem assuntos polêmicos? ( ) Sim, com a abordagem dos temas polêmicos abre-se um espaço para que a sociedade discuta a questão. ( ) Não, novelas foram feitas para entreter o público e temas sociais não devem ser misturados na trama. ( ) Outros ________________________________________________________ 4) Você tem alguma forma de restrição ou preconceito contra homossexuais? ( ) Sim. ( ) Não. 5) Você concorda com a forma com que os personagens foram inseridos na trama? ( ) Sim , o autor aproximou o espectador da realidade dos homossexuais da vida real. ( ) Não, o autor distanciou o espectador da realidade dos homossexuais da vida real.
  27. 27. 26 6) Após ter assistido à novela, sua opinião mudou com o que se refere à homossexualidade? ( ) Sim, eu ainda tinha um certo preconceito com relação aos homossexuais. ( ) Minha opinião continua a mesma, nunca tive preconceito com homossexuais. ( ) Minha opinião continua a mesma, sou contra homossexuais. 7) Para você, a novela Insensato Coração ajudou a diminuir o preconceito contra homossexuais? ( ) Sim ( )Não Fotos dos personagens:Roni (Leonardo Miggiorin) Eduardo (Rodrigo Andrade) Hugo (Marcos Damigo) Xicão (Wendell Bendelack) Gilvan (Miguel Roncato)
  28. 28. 273. ESTUDO QUANTITATIVO Este trabalho utilizou a metodologia da pesquisa de opinião para chegar ao objetivotraçado. Para entender o processo de aceitação das relações homoafetivas através datelenovela, foi realizada a técnica de coleta de dados com a aplicação de um questionário. Oestudo englobou a técnica de pesquisa por amostragem. Foram escolhidos entrevistados deGoiânia entre 18 e 40 anos de ambos os sexos. A seleção foi feita de forma não-probabilística,de acordo com critérios de intencionalidade e conveniência. O questionário teve seteperguntas fechadas, com uma lista de opções de resposta. Ao total foram aplicados 50questionários, sendo 25 para pessoas de sexo feminino e 25 para pessoas do sexo masculino. Na primeira questão foi perguntado se o entrevistado assistiu à novela InsensatoCoração. Das mulheres, 40% responderam que sim, assistiram à novela; 24% não assistiram e36% responderam que assistiram a alguns capítulos.Gráfico 1 (Mulheres):
  29. 29. 28 Dos homens entrevistados, 16% assistiram à novela, 40% não assistiram e 44%assistiram a alguns capítulos.Gráfico 2 (Homens):
  30. 30. 29 Juntando as respostas de ambos os sexos, 28% do total assistiram à novela, 32% nãoassistiram e 40% assistiram a alguns capítulos.Gráfico 3 (Mulheres e homens):
  31. 31. 30 Na segunda pergunta foi questionado ao entrevistado qual tema social retratava a vidados personagens Roni (Leonardo Miggiorin), Eduardo (Rodrigo Andrade), Hugo (MarcosDamigo), Xicão (Wendell Bendelack) e Gilvan (Miguel Roncato). Ao final do questionáriofoi anexada uma foto de cada um dos personagens citados, para que os entrevistados serecordassem dos atores. Roni (Leonardo Miggiorin) Eduardo (Rodrigo Andrade) Hugo (Marcos Damigo) Xicão (Wendell Bendelack) Gilvan (Miguel Roncato)
  32. 32. 31 Apesar de alguns dos entrevistados não terem assistido à telenovela Insensato Coração(44%), todos (50) acertaram a questão número 2 ao marcar a alternativa “homossexualidade”.O que comprova que souberam do tema através de outro meio de comunicação ou até mesmopor ouvir comentários de pessoas que assistiram à novela.Gráfico 4 (Mulheres e homens):
  33. 33. 32 Na terceira questão foi perguntado se o entrevistado acha importante a abordagem detemas polêmicos nas novelas. A maioria das mulheres entrevistadas acredita que, com aabordagem dos temas polêmicos, abre-se um espaço para que a sociedade discuta a questão:76% responderam “sim”, 12% responderam “não”, elas acreditam que as novelas foram feitaspara entreter o público e temas sociais não devem ser misturados na trama e 12% marcaram aopção “outros”.Gráfico 5 (Mulheres):
  34. 34. 33 A maioria dos homens, assim como as mulheres, acredita que assuntos polêmicosdevem ser abordados pelas novelas: 80% responderam “sim”, 16% responderam “não”, 4%marcaram a opção “outros”.Gráfico 6 (Homens):
  35. 35. 34 Do total dos entrevistados, 78% acreditam que a abordagem de assuntos polêmicos nasnovelas é importante; 14% não acham a abordagem importante e 8% escolheram a opção“outros”.Gráfico 7 (Mulheres e homens):
  36. 36. 35 A quarta questão buscou saber se o entrevistado tinha alguma forma de restrição oupreconceito contra homossexuais. Todas as 25 mulheres entrevistadas (100%) responderamque não têm restrição ou preconceito.Gráfico 8 (Mulheres):
  37. 37. 36 Os homens ficaram mais divididos ao responderem à quarta questão: 44% admitiramter alguma forma de restrição ou preconceito contra homossexuais e marcaram a opção “sim”,enquanto 56% responderam que não.Gráfico 9 (Homens):
  38. 38. 37 Do total dos entrevistados 22% têm alguma forma de restrição ou preconceito contrahomossexuais e 78% não têm nada contra homossexuais.Gráfico 10 (Mulheres e homens):
  39. 39. 38 A quinta pergunta questionou se os entrevistados concordavam com a forma com queos personagens homossexuais foram inseridos na trama, 88% das mulheres concordaram e12% discordaram.Gráfico 11 (Mulheres):
  40. 40. 39 Os homens entrevistados ficaram mais divididos com a forma com que os personagensforam inseridos na novela: 56% responderam “sim” e 44% responderam “não”.Gráfico 12 (Homens):
  41. 41. 40 Analisando o total de entrevistados, 72% acreditam que o autor aproximou oespectador da realidade dos homossexuais. Eles concordam com a forma com que ospersonagens foram inseridos na trama e 28% acham que o autor distanciou o espectador darealidade dos homossexuais da vida real.Gráfico 13 (Mulheres e homens):
  42. 42. 41 Na sexta questão foi perguntado se após assistir a novela, a opinião do entrevistadomudou com o que se refere à homossexualidade. 100% das mulheres entrevistadasresponderam a alternativa “Minha opinião continua a mesma, nunca tive preconceito comhomossexuais”.Gráfico 14 (Mulheres):
  43. 43. 42 Dos entrevistados do sexo masculino, 4% responderam que a opinião mudou aoassistir a novela, pois ainda tinha certo preconceito contra homossexuais, 68% mantiveram aopinião, nunca tiveram preconceito, 28% mantiveram a opinião e afirmaram ser contrahomossexuais.Gráfico 15 (Homens):
  44. 44. 43 Do total de entrevistados, 2% respondeu que sua opinião mudou ao assistir a novela,pois ainda tinham certo preconceito com homossexuais; 84% mantiveram a opinião, nuncativeram preconceito; 14% mantiveram a opinião, são contra homossexuais.Gráfico 16 (Mulheres e homens):
  45. 45. 44 Na sétima e última pergunta foi questionado se para o entrevistado a novela InsensatoCoração ajudou a diminuir o preconceito contra homossexuais. 76% das mulheresresponderam que não acreditam que a novela ajudou na diminuição do preconceito e 24%acham que sim, que ajudou.Gráfico 17 (Mulheres):
  46. 46. 45 Dos homens entrevistados, 28% responderam que sim, a novela ajudou a diminuir opreconceito contra homossexuais e 72% não acreditam que a novela ajudou na diminuição dopreconceito.Gráfico 18 (Homens):
  47. 47. 46 No total de entrevistados, de ambos os sexos, 26% acham que a novela ajudou adiminuir o preconceito contra homossexuais e 74% acreditam que a novela não ajudou nadiminuição do preconceito.Gráfico 19 (Mulheres e homens):
  48. 48. 47CONSIDERAÇÕES FINAIS Buscou-se neste trabalho entender a influência da telenovela no processo de aceitaçãodas relações homoafetivas e discutir a importância da mesma, como elemento cultural nasociedade. Com base no estudo quantitativo realizado no capítulo anterior, a telenovela não semostrou eficiente na diminuição do preconceito contra homossexuais. Do total deentrevistados, apenas 2% mudou de opinião após assistir a novela (Questão 6). Essa pequenaparcela tinha preconceito contra homossexuais e deixou de ter. Quando foi questionado se a novela Insensato Coração ajudou a diminuir opreconceito contra homossexuais (Questão 7), 74% dos entrevistados responderam “não”.Desta maneira, não se pode afirmar que houve influência da telenovela no processo deaceitação das relações homoafetivas. O conteúdo modificou muito pouco a realidade (2%).Mas a maioria dos entrevistados acredita na importância de assuntos polêmicos seremabordados em novelas: 78 % esperam que assim abre-se espaço para a sociedade discutir aquestão. O autor levantou um assunto polêmico. Todos os entrevistados (50) souberamresponder qual era. Ao serem questionados que tema associava os personagens Roni(Leonardo Miggiorin), Eduardo (Rodrigo Andrade), Hugo (Marcos Damigo), Xicão (WendellBendelack) e Gilvan (Miguel Roncato), a totalidade marcou a opção “homossexualidade”. Amaioria concordou com a forma que os personagens foram inseridos na trama (72%), mas otema serviu somente para entretenimento do público e discussão da mídia. A telenovela é um dos principais produtos da cultura popular da televisão brasileira epertence a um universo de discussão e introdução de hábitos e valores. O formato dateledramaturgia influencia e é influenciado pelos telespectadores, que participam ativamenteno processo de recepção. Eles questionam e discutem os assuntos apresentados na trama,muitas vezes até interferem em determinado percurso de um personagem ou no desenrolar doscapítulos. Nesse sentido, a novela deve ser vista como parte da experiência cultural dacoletividade. De acordo com Figueiredo, ao penetrar o cotidiano do telespectador, a telenovelaestabelece relações estreitas e contínuas com seu público. Segundo o autor, o formato dateledramaturgia brasileira procura incluir no seu texto fatos mais significativos para asociedade, tomando para si não só o papel informativo do jornal, mas também ointerpretativo, uma vez que julga o fato através da (re)ação de suas personagens.
  49. 49. 48 Na teoria crítica da Indústria Cultural, a cultura é vista como mercadoria e existe umaestandardização, ou seja, uma padronização de comportamentos, não de modificação. Apesardos resultados obtidos através do questionário, percebe-se na telenovela a aplicação depressupostos teóricos dos Estudos Culturais, que apontam possibilidades de transformação. Aperspectiva dos Estudos Culturais segundo Wolf, tem como foco analisar uma formaespecífica de processo social, que dá contornos e sentido à realidade (WOLF, 2005, p. 102).Por esta visão de mundo, existe estreita relação entre a cultura contemporânea, a popular e asociedade em suas formas culturais. Esta pesquisa não comprovou a influência da telenovela no processo de aceitação dasrelações homoafetivas. As concepções dos entrevistados sobre o tema não foram modificadasem detrimento da representação na telenovela. Porém, a telenovela Insensato Coração pôdeoferecer elementos para discussão do tema homossexualidade. Portanto, a telenovela é provocadora de debates e favorece a incorporação, apropriaçãoe adaptação de novas demandas culturais e sociais. No caso específico deste trabalho, suscitouo assunto homossexualidade. Embora a conscientização seja um processo lento, a telenovelacontribui para que a cultura esteja em constante movimento de produção, reprodução etransformação, assim como sugere o modelo teórico proposto pelos Estudos Culturais. Percebe-se, desta forma, que a novela exerce o poder de informar e entreter. Porém,esta espécie de entretenimento não influi na mudança de hábitos de pessoas que tenhampreconceitos arraigados. Do ponto de vista teórico da comunicação de massa, a novela é umamodalidade que deve ser avaliada de forma multifacetada. Se por um lado ela insere temasnovos, demonstrando certa liberdade em sua fórmula cultural, por outro lado o efeito émínimo no sentido de gerar novos comportamentos. A telenovela Insensato Coração não foi efetiva como instrumento de cidadania, nãoserviu para emancipar as pessoas e modificá-las para uma visão que tende a liberdade eigualdade. Ela não é inclusiva, o que atesta a Indústria Cultural. A novela fracassou ao tentardiminuir o preconceito. E este é o paradoxo encontrado por esta pesquisa: ela nega efeito damanipulação, mas não se estandardiza por completo. Enfim, não muda comportamentos, masinsere uma nova temática para se pensar coletivamente. O efeito da novela não é hipodérmico. A Indústria Cultural adota o mesmo modelo demanipulação da bullet theory, onde os efeitos dos meios de comunicação são limitados. O fatodos autores de telenovelas buscarem assuntos populares se encaixa na teoria dos EstudosCulturais, que, ao contrário da teoria da Indústria Cultural, acredita na emancipação e que nãoexiste plena manipulação dos meios de comunicação. De acordo com Wolf, os Estudos
  50. 50. 49Culturais atribuem à cultura um papel que não é meramente reflexivo nem residual em relaçãoàs determinações da esfera econômica (WOLF, 2005, p. 103). Pode-se concluir que pressupostos teóricos da Indústria Cultural e dos EstudosCulturais se encaixam na telenovela. Talvez um modelo de interpretação ideal para atelenovela seja a teoria da Agenda Setting, que nega a manipulação como efeitocomunicacional, mas diz ser função da mídia selecionar o que devemos discutir e debater.Enfim, no que pensar e não como pensar.
  51. 51. 50REFERÊNCIASANDRADE, Roberta Manoela Barros de. Realidade e ficção nas telenovelas. IN: O fascíniode Scherazade - Os usos sociais da telenovela. São Paulo: Annablume, 2003.COLLING, Leandro. Personagens homossexuais nas telenovelas da rede Globo:criminosos afetados e heterossexualizados. Disponível em:http://www.cult.ufba.br/arquivos/textoGenero.pdf Acesso em: 12 set. 2011.ESCOSTEGUY, Ana Carolina. Os Estudos Culturais. IN: HOHLFELDT, Antonio;MARTINO, Luiz; FRANÇA, Vera Veiga (Orgs). Teorias da Comunicação – Conceitos,Escolas e Tendências. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.FIGUEIREDO, Ana Maria. A história da teledramaturgia e sua repercussão nateledramaturgia brasileira. IN: Teledramaturgia brasileira: arte ou espetáculo? São Paulo:Paulus, 2003._______. Os formatos da teledramaturgia. IN: Teledramaturgia brasileira: arte ouespetáculo? São Paulo: Paulus, 2003._______. Teledramaturgia nacional: as minisséries e os seriados. IN: Teledramaturgiabrasileira: arte ou espetáculo? São Paulo: Paulus, 2003.LOURO, Guacira L. Heteronormatividade e homofobia. IN: JUNQUEIRA, Rogério D.(Org.). Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nasescolas. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetizaçãoe Diversidade, UNESCO, 2009. Disponível em:http://www.abglt.org.br/docs/diversidade_sexual_na_educacao.pdf Acesso em: 03 set. 2011.NOVELLI, Ana Lucia. Pesquisa de opinião. IN: DUARTE; Jorge e BARROS, Antônio (Org).Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. São Paulo: Atlas, 2009.RIOS, Roger R. Homofobia na Perspectiva dos Direitos Humanos e no Contexto dos Estudossobre Preconceito e Discriminação. IN: JUNQUEIRA, Rogério D. (Org.). Diversidade
  52. 52. 51Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas. Brasília:Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade,UNESCO, 2009. Disponível em:http://www.abglt.org.br/docs/diversidade_sexual_na_educacao.pdf Acesso em: 03 set. 2011.ROCHA, Marlúcia Mendes. Telenovela: técnicas de criação do popular e do massivo.2009. 109f. tese (Doutorado em Comunicação e Semiótica) – Pontifica Universidade Católicade São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica. 2009.RÜDIGER, Francisco. A Escola de Frankfurt. IN: MARTINO, Luiz C (Org.). Teorias daComunicação – Conceitos, Escolas e Tendências. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.TONON, Joseana Burguez. Recepção de telenovelas: identidade e representação dahomossexualidade. Um estudo de caso da novela “Mulheres Apaixonadas”. 2005. 179f.Tese (Mestrado em Arquitetura, Artes e Comunicação) – Universidade Estadual Paulista(UNESP), Programa de Pós-Graduação em Comunicação Midiática. 2005.WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 1999.______. Teorias das Comunicações de Massa. Lisboa: Presença, 2005.Revolução Industrial. Disponível em: http://www.culturabrasil.org/revolucaoindustrial.htmAcesso em: 18 ago. 2011.Pai e filho são agredidos após serem confundidos com casal gay. Disponível em:http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/945603-pai-e-filho-sao-agredidos-apos-serem-confundidos-com-casal-gay.shtml Acesso em: 20 ago. 2011MOTT, Luiz; ALMEIDA, Cláudio; CERQUEIRA, Marcelo. Epidemia do ódio 260homossexuais foram assassinados no Brasil em 2010. Disponível em:http://www.ggb.org.br/Assassinatos%20de%20homossexuais%20no%20Brasil%20relatorio%20geral%20completo.html Acesso em: 29 ago. 2011.
  53. 53. 52Memória Globo. Disponível em:http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-224151,00.htmlAcesso em: 20 ago. 2011._______. Disponível em: http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-230093,00.html Acesso em: 20 ago. 2011.Projeto memória das organizações Globo (Brazil). Dicionário da TV Globo: Programas dedramaturgia & entretenimento. Jorge Zahar, 2003.
  54. 54. 53ANEXOS

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