Educação no campo 3

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Educação no campo 3

  1. 1. NÚCLEO DE TECNOLOGIA PARA A EDUCAÇÃOCURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO DO CAMPOEDUCAÇÃO DO CAMPO: UMA PERSPECTIVA INOVADORA DECONHECIMENTOArtigo apresentado ao curso de Especialização em Educação do Campo UniversidadeEstadual do Maranhão-UEMANET como um dos pré-requisitos para a obtenção de notana disciplina Princípios Norteadores das práticas Pedagógicas em Educação do Campo,sob orientação da Professora Heloísa Cardoso Varão Santos.CAXIAS – MA2010EDUCAÇÃO DO CAMPO: UMA PERSPECTIVA INOVADORA DECONHECIMENTOGirlane Maria Carvalho CameloResumo O presente trabalho aborda de maneira sintética a questão da Educação do Campo,tendo como foco as interrelações entre família, escola e sociedade, onde se procurafazer uma análise sobre como vem se dando o processo de Educação do Campo noBrasil, situando geograficamente o município de São João do Sóter – Maranhão, aondea Educação do Campo vem sendo desenvolvido por meio da Casa Familiar Rural.Dentro dessa linha de pensamento vale lembrar as mudanças reais na sociedade, nocampo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, aterra, a educação, a saúde, estão intimamente ligadas à forma como tratamos os povosdo campo, que devem ser a mola propulsora do desenvolvimento sustentável. Esteestudo baseia-se em pesquisas bibliográficas, análises da Proposta Curricular da CasaFamiliar Rural “Vivendo a Esperança”, bem como fruto da vivencia de uma das Autoras1 deste artigo que atuaram no ano de 2007-2008 como monitora na Casa FamiliarRural” Vivendo a Esperança” localizada na MA 0127, Povoado Pedras, município deSão João do Sóter, região do Leste Maranhense.Palavras-Chaves: educação do campo, pedagogia da alternância, casa familiar rural,produçãoAbstractThis paper addresses the issue in a summary way of the Field of Education, focusing onthe interrelationships between family, school and society, which seeks to analyze howthe process has been going on Rural Education in Brazil, placing the countygeographically São João do Soter - Maranhão, where the Field of Education has beendeveloped through the Rural Family House. Within this line of thought is worthremembering the real changes in society, the field of economics, human relations,property, right to work, land, education, health, are intimately linked to how people treatthe field which should be the driving force of sustainable development. This study isbased on literature searches, analysis of the Curriculum Proposal Rural Family House"Living Hope" as well as fruit of the experience of one of the Authors of this article onewho acted in the year 2007-2008 as monitors in the Rural Family House " Living Hope"located in MA 0127, Stone Town, São João do Soter, the Eastern region of Maranhão.Key Words: rural education, pedagogy of alternation, family rural, production
  2. 2. ____________________________Pós- Graduanda em Educação do Campo UEMANET. Professora da Rede PúblicaMunicipal de Caxias. Graduada História pela UEMA (Universidade Estadual doMaranhão).1-INTRODUÇÃOA finalidade de qualquer ação educativa deve ser a produção de novos conhecimentosque aumentem a consciência e a capacidade de iniciativa transformadora dos gruposcom os quais trabalhamos.A concepção de educação que vem sendo empregada pela cultura dominante e elitista,não contribui de forma satisfatória para combater o analfabetismo, elevar a escolaridadedos sujeitos, sua cultura e seu padrão de vida. O não oferecimento de educação docampo com qualidade que responda ás particularidades do campo é sem dúvida, umadas maiores dívidas históricas para com as populações do campo.Parece-me que é urgente pesquisar as desigualdades históricas sofridas pelos povos docampo. Desigualdades econômicas, sociais e para nós desigualdades educativas,escolares. Sabemos como o pertencimento social, indígena, racial, do campo é decisivonessas históricas desigualdades. Há uma dívida histórica, mas há também uma dívida deconhecimento dessa dívida histórica. E esse parece que seria um dos pontos quedemanda pesquisas. Pesquisar essa dívida histórica (ARROYO; 2006, p.104).Pensando nesta situação de exploração do trabalhador e nas condições que oportunizamuma educação conscientizadora, Paulo Freire (2007) nos possibilita observar o sistemaeducacional da sociedade brasileira, dentro do processo de mudança, quando identifica aeducação como elemento fundamental para o sujeito do campo ou da cidade. Econsidera como necessidade primordial dessa mudança, a leitura de mundo com osujeito que aprende, mas que também ensina. Ele desenvolveu uma metodologia deensino para a alfabetização e conscientização do trabalhador do campo que partia dessaleitura de mundo. Uma iniciativa surgida na década de 50, que continua presente naação educativa de muitos professores do campo e da cidade.Mas a incorporação de sua cultura nos currículos escolares se processa por aspectos queenvolvem desde políticas públicas para a educação como também, a aproximação doprofessor com o aluno e sua realidade por meio de situações problematizadoras.2- BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DO CAMPOCom relação à trajetória da Educação do Campo divide-se em quatro períodos: Noprimeiro existem contradições sociais como: fome, miséria, exploração, exclusão,regime escravocrata e oligarquias, especialmente no campo. Em 1930 surge o ruralismopedagógico cujo objetivo era fixar o homem no campo.A idéia de construção do Plano Nacional de Educação surge desde 1932, com o"Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova", quando se buscava a modernização dopaís pela modernização da educação. O Manifesto além de convocar a organização daeducação em âmbito nacional, ainda propunha um programa que se configurava comoum sistema nacional de educação, em que a racionalidade científica (escolanovismo)permearia o âmbito educacional até 1962.Esse paradigma de educação e ideologização tem sustentado o capitalismo einfluenciado o pensamento humano de diversas gerações, consolidando a supremacia de
  3. 3. um poder dominante, pela via de submissão, presente em diferentes espaços no qual aescola – lugar do saber/conhecimento sistematizado - é um destes.Em 2002, foi aprovada a Resolução CNE/CEB Nº. 01 de 03 de abril; as DiretrizesOperacionais da Educação do Campo; consolida um importante marco para a história daeducação brasileira e em especial para a educação do campo. Todavia, a lentidão fazcom que as políticas de direito não alcance proporções significativas e se efetivemconcretamente na escola do campo de toda sociedade brasileira.As políticas de educação rural/campo não são referencias relevantesconstitucionalmente na historicidade da educação brasileira e até 1988 a expressãoevidenciada nos textos constitucionais caracteriza o termo rural e adquire outrosignificado a partir 2002 com aprovação da Resolução CNE/CEB Nº. 01 de 03 de abril;as Diretrizes Operacionais da Educação do Campo;A proposta é pensar a educação do campo como processo de construção de um projetode educação dos trabalhadores do campo gestado desde o ponto de vista doscamponeses e da trajetória de lutas de suas organizações (IBDEM, p. 13).Na elaboração da proposta pedagógica para a educação do campo precisamos levar emconsideração os dispositivos previstos na Lei de Diretrizes e bases da Educação LDB9.394/96 e também das Diretrizes operacionais para a Educação do campo (ResoluçãoNº 1 de 03 de abril de 2002), na perspectiva de garantir a identidade das comunidadesrurais. Neste sentido para elaboração da Proposta Pedagógica precisamos seguiralgumas orientações como: Levantamento do número de famílias que residem nalocalidade, ou seja, o levantamento da realidade; Registro da situação e socializaçãocom a comunidade por meio de seminários;Elaboração dos objetivos da Propostaconsiderando a realidade local;Respeito a diversidade na elaboração do currículo;Encontros periódicos;Apresentação da proposta; Proposta Pedagógica deve responderaos anseios e necessidades da comunidade.Partindo do principio de que a Educação do Campo é um Direito, e esse direito precisaser respeitado de fato e de direito. Sabemos que todos os atores envolvidos no processoda educação do campo tem suas peculiaridades e precisam ser respeitados em suadignidade. A Educação do Campo é de fundamental importância para a economia e oavanço do desenvolvimento sustentável.3- A PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIAEstá é uma alternativa metodológica de formação profissional agrícola de nível técnicopara jovens, inicialmente do sexo masculino, filhos de camponeses que perderam ointeresse pelo ensino regular porque este se distanciava totalmente da vida e do trabalhocamponês, mas até dos anos 1960 a Pedagogia da Alternância era usada apenas pelaCFRs que já estavam consolidadas e eram reconhecidas pela sociedade, esta desperta ointeresse de estado, que tentar associar formação profissional – do ensino técnico denível médio e superior – o estágio remunerado por meio do que tem sido chamado deparceria com empresas, suscitando tanto o ,apoio quanto críticas por parte de algunspesquisadores.A mesma prepara adequadamente os jovens para enfrentarem suas realidades detrabalho agrícola e florestal. Estes são levados a diversos locais de estágio durante 3anos,e a se adaptar a diferentes contextos e a práticas diversas, então eles chegam aomercado de trabalho com uma vantagem extraem relação aos jovens que estudaram demaneira tradicional. De acordo com NOSELLA (1977) e PESSOTTI (1978), aalternância consiste em repetir o tempo de formação do jovem em período de vivênciana escola e na família. Esse ritmo alternado rege toa à estrutura da escola e a busca a
  4. 4. conciliação entre a escola e a vida não permitindo ao jovem desligar-se de sua família e,por conseguinte, do meio rural. (p. 37).A Pedagogia da Alternância começa a expandir-se na França no ensino regular comouma forma de resolver problemas de evasão e reprovação dos jovens das camadaspopulares, somente na década de 80 do século XX é que o emprego da alternânciacomeça a generalizar-se sendo adotada na formação profissional nos cursos técnicos denível médio e superior, esta acontecem em períodos alternados de escola e de estágioremunerado nas empresas.No Brasil, esta vem despertando o interesse dos pesquisadores desde o final dos anos1970, e as primeiras experiências de formação por alternâncias, foi no estado de EspíritoSanto, região do sudeste brasileiro, com a denominação de Escolas Familiares Agrícolas(EFAs), no final dos anos 60. Já nos anos 80, no estado de Alagoas, regiões nordestesbrasileiras, sem nenhuma vinculação com o movimento das EFAs, foram criadas asCasas Familiares Rurais (CFRs). Atualmente existe em nossa sociedade, a presença deoito diferentes Centros de Formação por Alternância que, no conjunto somam mais de250 experiências educativas no território nacional. Estas se destacam como os Centrosmais antigos e mais expressivos que diretamente, influenciaram a implatanção dosoutros, devido à própria necessidade dos educandos permanecerem no campo, conformeafirma a autora:“O objetivo básico dos processos educativos deve ser, coerentemente o de fomentar acompreensão crítica da realidade e a ação participativa para transformá-la em função danecessidade de todos” (FLEURI 2001 pg.58). A mesma pode apontar para uma relaçãotrabalho educação e comunidade, de um novo tipo, tendo como base a cooperação e aautogestão, podendo significar também uma forma de controle das tensões sociais, ouseja, dentro da Pedagogia da Alternância a práxis será a reflexão do oprimido sobre oseu mundo e a reação transformadora deste contra a realidade encontrada. Para quepráxis aconteça, é fundamental que o indivíduo seja levado a tomar consciência de suarealidade para em seguida refletir sobre ela e finalmente transformá-la.3.1- A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA CASA FAMILIAR RURAL DE SÃO JOÃODO SÓTERA concepção de educação da Casa Familiar Rural Vivendo a esperança visa contribuiratravés da Pedagogia da Alternância para o desenvolvimento sócio econômico, culturale educacional dos jovens rurais, suas famílias e comunidades. Para isso desenvolve umaproposta educacional que procura respeitar as peculiaridades regionais e locais,valorizando o modo de vida do meio rural, seus costumes, e suas complexidade.Há prática de um currículo integrado na medida, em que ocorre uma integração entreensino e prática profissional, a integração ensino-trabalho-comunidade.Os instrumentos pedagógicos representam uma das características da Pedagogia daAlternância, ou seja, esta possui um dispositivo pedagógico com ferramenta específicas,com o plano de estudo que é uma ferramenta de trabalho que o jovem leva da CFR, combase no plano de formação para a propriedade, o mesmo permite estabelecer o diálogocom sua família e levantar a sua realidade, portanto o PDE é o início da alternância omesmo ocorre em três momentos: na casa familiar, na propriedade e na casa familiarrural.A Tutoria é uma das ferramentas importantes que contribuir com o processo deformação integral, através dela os educando são preparados para as estadias em casa eno meio sócio profissional, ela se estende ao longo de toda sessão escolar, em que o
  5. 5. monitor acompanha o educando nos aspectos de relacionamento na casa, na família ecomunidade.Colocação em Comum consiste em apresentar os dados e registrar no quadro, elaborar otexto da realidade. È uma atividade chave no processo de formação, esta darpossibilidade de elaborar, síntese e obter algumas respostas levantadas pelos jovens,orientando as atividades de alternância como visita de estudo e aquisição de novosconhecimentos.Textos Definitivo, os jovens fazem uma redação em conjunto com os monitores, de umamaneira progressiva, sendo que os textos devem ser de boa qualidade.Caderno de Alternância, possibilita a troca de informações entre as famílias e osmonitores relatando as atividades desenvolvidas pelos jovens, este e um elo entrefamília e monitor, onde se registra a evolução do jovem durante os três anos que ficamna casa Familiar Rural.Cadernos da Realidade ou da Propriedade, onde o jovem registra e anota as reflexões, osestudos e aprofundamentos. São atividades livres e mais leves, realizadas sempre ànoite, consiste em palestras e testemunhos de pessoas externas (agricultores,professores, médicos, religiosos, agrônomos e veterinários). Também são trabalhadasatividades lúdicas e culturais comunicações, jornais, estes permitem a valorização derecursos humanos locais a intensificação de intercâmbio, solidariedade de pessoas decomunidade junto a CFR.São realizadas Intervenções Externas, como palestras, seminários e debates sobredeterminados temas para a complementação e aprofundamento dos estudos. Ondeparticipam pais e mães de estudantes, lideranças diversas, profissionais, convidados adarem um testemunho, fazer uma palestra, um seminário, um curso, um dia de campo.As intervenções externas são sempre ligadas ao tema do Plano de Estudo, sendo que asmesmas são muitas vezes as comunicações de um saber fazer, de uma vivência, de umaprática concreta que vem complementar o aprofundamento teórico do Plano de Estudo.A pedagogia da Alternância desenvolve-se um currículo integrado que correspondente aorganização institucional que articula dinamicamente trabalho e ensino, prática e teoriaensino e comunidade na qual permitem:Uma efetiva integração entre ensino e prática profissional; A real integração entreprática e teoria e teoria e o imediato teste de prática; integração ensino trabalhocomunidade implicando uma imediata contribuição para esta última; busca de soluçõesespecíficas e originais para diferentes situações;Integração professsor-aluno nainvestigação e busca de esclarecimento e proposta, bem como adaptação a cadarealidade local e aos padrões culturais próprios de uma determinada estrutura social.De acordo com a pesquisa realizada hoje mais do que nunca há uma necessidade de seretomar o exercício de experiência no campo do associativismo, do cooperativismo, daação comunitária. Daí a necessidade que se forme nas crianças jovens e adultas noespírito que valorize o trabalho e o emprego no meio rural dentro de uma ótica dedesenvolvimento sustentável, mediante práticas educativas centrada na escola, tanto pormeio de educação formal, como pelo o exercício de práticas agropecuárias querealimente o processo educativo e ajudando na profissionalização de crianças jovens eadultos.3.2-A EXPERIÊNCIA COMO EDUCADOR NA CASA FAMILIAR RURAL DE SÃOJOÃO DO SÓTER E REFLEXÃO SOBRE A SITUAÇÃO NO MARANHÃOA Casa Familiar Rural “Vivendo a esperança” iniciou sua atividade no dia 18 de janeirode 2001, sendo que a aula inaugural aconteceu no dia 20 de marco de 2001, esta
  6. 6. começou com 60 jovens dividido em duas turmas, e o ano de 2004, formaram-se 20jovens destes 13 ingressaram na escola Agrotécnica de Codó-Maranhão e 3 no colégioagrícola de Teresina-Piauí. Tem com nove anos de funcionamento, localiza-se em áreade assentamento do INCRA, Pedra-Mocambo na MA-0127, atendendo 92 alunos detrinta comunidades município de São João do Sóter, Caxias e Codó do estado domaranhão. Com relação ao funcionamento da escola os alunos freqüentam quinze diasnesta e quinze dias na comunidade, sendo acompanhada pelos educadores e técnico, aescola possui: horta comunitária, refeitório, geladeira, auditório e apenas umcomputador na escola, mas na mesma localidade tem uma escola onde tem várioscomputadores e estes terão acesso a pesquisas na internet. A mesma funciona comdivisão de tarefas e preparação da alimentação que ainda é de forma rudimentar e ásvinte e duas hora todos os alunos irá dormir, o que se observou também foi que a cargahorária inclui a visita na comunidade. A Proposta Curricular da CFR “Vivendo a Esperança tem uma ligação intrínseca comprodução agrícola e escola na medida em que inclui em sua proposta temas geradorestais como: Família, movimentos culturais locais, cidadania, meio ambiente, solo,introdução a zootecnia, culturais anuais, arroz, feijão e mandioca, profissões,administração, planejamento rural, forma alternativas de produção na agriculturafamiliar, empreendedorismo, piscicultura, elaboração de projetos agropecuários. Issosignifica dizer que os alunos estão o tempo inteiro vivenciando a teoria e a prática.Partindo da pesquisa, análise da Proposta Curricular da CFR “Vivendo a Esperança” eda vivencia, podemos destacar alguns entraves que dificultam o exercício efetivo daPedagogia da Alternância: a infra-estrutura é péssima, transportes, alimentação, ocalendário escolar não é adequado com a realidade, há professores que não sãoespecializados na área que atuam. Havendo assim um abandono da agricultura familiar,por essa razão as periferias da cidade estão mais inchadas o Maranhão está deixando deser rural e se tornando mais urbano.Infelizmente o Maranhão é um dos estados que menos investe na agricultura familiarem todo o País. Para o ano de 2010, o atual governo determinou um corte de 50% noorçamento do setor agrícola. O que prejudica ainda mais escolas Familiares Agrícolas eas Casas Familiares Rurais, para quem só foram destinados R$ 35 mil este ano. ComoMonitora da Casa Familiar Rural de São João do Sóter, espero que as Políticas Públicaspossam de fato favorecer a atuação de cada educador. Pois o projeto é muito rico e defato contribui para a formação de nossos jovens, mas a formação deve ocorrer como jáexplicitando anteriormente em três momentos: na Casa Familiar, na propriedade e nacasa familiar, mas para que isso ocorra os monitores precisam acompanhar os jovens emsuas comunidades e infelizmente não há estrutura para isso.CONSIDERAÇÕES FINAISVale ressaltar que de acordo com a análise feita da proposta curricular da Casa FamiliarRural Vivendo a Esperança”, houve uma conexão entre a pedagogia da alternância, namedida a em que os alunos têm períodos alternados na escola comunidade. Sendo quese estimula nos alunos na memorização passiva de dados e sim a investigação ecompreensão dos problemas, a construção de seu próprio conhecimento através daparticipação ativa neste processo, havendo ainda o resgate da cultura local como formade valorização e preservação da mesma.
  7. 7. No currículo formal a educação escolar se constitui basicamente de um processoinstitucional de transmissão de conhecimento e de inclusão de valores socialmenteaceitos. As disciplinas que compõem o currículo são campos de conhecimentosespecíficos delimitados e estanques, que devem ser esgotados por professores e alunosem prazos convencionados estabelecidos de um semestre ou um ano, e estes setores seclassificam em disciplinas científicas, técnicas ou aplicadas, ás vezes as primeirasdisciplinas antecedem as segunda e as atividades práticas se realizam em laboratório ouespaços educativos onde se reproduzem simultaneamente, os problemas da realidade.A investigação, aqui descrita, parte do pressuposto de que a aquisição do conhecimentocognitivo está diretamente ligada ao autoconhecimento e desenvolvimento emocionaldo educando passando pelo conhecimento de mundo e das relações interpessoais. Nestesentido, Partindo do exposto acima se pressupõem que a pedagogia da alternância temuma relação intrínseca com a educação libertadora que parte da idéia de que o sujeitotem voz e vez para interferir nos rumos que ação conjunta vai assumindo.Portanto, oque propomos é algo que vem atender de fato as necessidades dos alunos campesinos,pois o estado e municípios têm obrigação além de pagar os professores devem equiparadequadamente às escolas, melhorar a formação dos professores, investirem emtransportes, alimentação, materiais didáticos, pois a própria LDB 9.394/96 destacam emseu artigo 28: Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas deensino promoverão as adaptações necessárias quantas as suas peculiaridades da vidarural e de cada região.Para que haja uma proposta de qualidade é necessário favoreceruma aprendizagem significativa para os alunos, em que valorizar a história de vida dosmesmos de suas culturas, crenças, e valores fazendo um regaste destes. Ajudando assima desenvolver o potencial das crianças rurais e habilidades que lhe ajude a viver melhore produzir com eficiência no meio rural garantindo assim o respeito à identidadecultural do aluno, apropriação e produção de conhecimentos significativos para oeducando, na perspectivas de compreensão crítica e transformação da realidade social.REFERÊNCIASCARTA MAIOR, fórum Mundial sobre a reforma Agrária: Valência, 2000 p.50-51Casa Familiar Rural “Vivendo a Esperança, P. A. Pedras Mocambo, Povoado Pedras,São do Sóter.DAVINI, M. C, ET alii (orgs) Currículo Integrado. Consultoria á OPAS, Brasília 1983.Diretrizes Operacionais para a Educação Básica na Escola Campo (Resolução nºCNB/CEB nº 1 de 3 de abril de 2002FLEURI, R. M. Educar para que? Contra o autoritarismo da relação pedagógica naescola 9º Ed. São Paulo: Cortez, 2001.FREIRE, P. Pedagogia da autonomia – Saberes necessários à prática educativa. SãoPaulo: Paz e Terra, 2004.FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. SãoPaulo: UNESP, 2000.
  8. 8. LAVAL, C. A escola não é uma empresa: o neoliberalismo em ataque ao ensinopúblico. Londrina: Planta, 2004.NOSELLA, P. Uma nova educação para o meio rural: sistematização e problematizaçãoda experiência educacional das Escolas da Família Agrícola do Movimento deEducação Promocional do Espírito Santo. São Paulo: 1977 204 p. Dissertação(Mestrado). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 1977.Plano Nacional de Educação e no Parecer CNE/CEB 36/2001 PESSOTTI, A L. Escolada Família Agrícola: uma Alternativa para o ensino rural, Rio de Janeiro l978, 194 p.Dissertação do Mestrado Fundação Getúlio Vargas- IESAE, 1978.REVISTA PEDAGÓGICA COTIDIANA RESSIGNIFICADO, v2, n 3, 2008 p-57, SãoLuis.http//www.uema.br/www.uemanet.uema.br

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