Piramide novas narrativas

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Pirâmides no jornalismo. Pirâmide invertida, normal e mista. Qualidades do texto jornalístico

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Piramide novas narrativas

  1. 1. F A C U L D A D E D E C O M U N I C A Ç Ã O / U N B 2 0 1 6 Profa Thaïs de Mendonça Jorge 1 As pirâmides
  2. 2. A notícia É o relato de uma série de fatos a partir do fato mais importante. E (o relato) de cada fato, a partir do aspecto mais importante ou interessante. (Lage) Profa Thaïs de Mendonça 2
  3. 3. Notícia – modelo da pirâmide invertida —  Começa do mais importante —  responde às questões do leitor —  é objetiva e concisa —  é dedutiva: do geral ao particular —  tem estrutura fixa em blocos —  tem fecho forte Profa Thaïs de Mendonça 3
  4. 4. Pirâmide invertida Os mercados não resistiram à combinação de temor pela economia dos EUA com a espera pela votação do pacote anticrise na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Em outro dia dramático, as Bolsas de Valores caíram da Ásia à Europa. No epicentro da crise, a Bolsa de Nova York despencou, arrastando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O câmbio superou os R$ 2, em sua maior cotação dos últimos 13 meses. No pior momento do dia, a bolsa chegou a despencar mais de 9%, sem compradores à vista no pregão. Próximo ao horário de fechamento, no entanto, o mercado tomou um pouco de fôlego e recuperou parte das perdas. Profa Thaïs de Mendonça 4
  5. 5. Pirâmide normal Profa Thaïs de Mendonça 5 —  Ordem lógica – conto de fadas. —  Interesse suspenso. Leitor não fica sabendo dos detalhes logo no princípio: tudo é feito para que ele continue a leitura. Fatos em conta-gotas. —  Começa com descrição do ambiente. —  Usa cronologia. —  Adequada a revistas. —  Chave da história no final.
  6. 6. Profa Thaïs de Mendonça 6 Pirâmide normal A força da religiosidade não conteve a ironia dos vizinhos de Alex Oliveira da Silva, 10, que o apelidaram de Capeta por suas estripulias de moleque ribeirinho. Aos dois anos, mal saído das fraldas, Capeta ensaiava as primeiras braçadas nas águas barrentas do rio Cajubinha. Aos cinco, já trepava em palmeiras atrás de açaí. Na região de Muaná, um dos 12 municípios da Ilha de Marajó, ninguém ralha com essas travessuras. Saber nadar é uma habilidade indispensável, uma questão de sobrevivência, assim como subir nas árvores à cata do açaí, alimento básico na dieta marajoara. Natural dos solos ricos em material orgânico da Amazônia, a fruta faz parte do dia-a-dia de ribeirinhos, ilhéus e paraenses. A polpa macerada, in natura ou misturada à farinha de mandioca, acompanha todas as refeições, do café da manhã ao jantar. Para surpresa dos próprios marajoaras, a pequena frutinha da floresta virou moda, há dois anos, em grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente entre os esportistas, por conta de suas propriedades energéticas, e espalhou-se em outras regiões do país.
  7. 7. Profa Thaïs de Mendonça 7 Pirâmide mista Quanto à forma • Pode começar com lide e sublide, chamando para os pontos-chave da história. • Depois disso, relato em ordem cronológica. Quanto ao estilo • Lide clássico nos dois primeiros parágrafos e estilo literário adiante; • Dois primeiros parágrafos livres, com lide no terceiro, fechando a informação nesta parte.
  8. 8. Pirâmide mista Profa Thaïs de Mendonça 8 - É hora. A voz forte de seu Joaquim acorda o filho Dario. São cinco horas em Campo Redondo. Os galos cantam nos quintais, os latidos dos cachorros os acompanham. A neblina se acumula nas partes mais baixas, no fundo dos córregos. Os morros verdes, de vegetação rasteira salpicada pelos pinheiros altos, estão cobertos por uma penugem branca. A geada foi fraca na noite de São João. A cama range, Dario se levanta. Os pés descalços ressoam no soalho de tábuas de madeira. Vai até à cozinha, tira a lata de café enferrujada da prateleira. Do lado de fora, atrás da casa, os pedaços de madeira já estão empilhados, mas a lenha fria demora a pegar fogo. Dario aproxima do fogão o rosto queimado e ruço de friagem, enche as bochechas de ar e sopra as brasas. Em Campo Redondo, quando a barra do dia aponta, tem muita gente que já está em movimento. O frio da noite e da madrugada não modifica a rotina diária dos 300 habitantes desse povoado escondido entre o Morro dos Limpos, o Morro dos Sujos, o do Crioulinho, perto das Agulhas Negras, fundado por um português há tanto tempo que ninguém mais se lembra. A 32 quilômetros de Itamonte, no Sul de Minas Gerais, Campo Redondo é um dos lugares mais frios do Estado. Nos últimos dias, a temperatura atingiu os seis graus, conservando-se em torno de 15 durante o dia – apesar do sol e do céu azul. Em noites de geada forte, entretanto, o ponteiro pode chegar ao zero.
  9. 9. Matéria redonda Profa Thaïs de Mendonça 9 —  Começa e termina com a mesma idéia. —  Lide clássico, estrutura em parágrafos —  Volta-se à idéia inicial para dar conclusão. —  Chave da matéria redonda é o princípio da dedução lógica: do geral para o particular. Lide: idéia inicial 2 parágrafo Fecho: idéia inicial 3 parágrafo 1 parágrafo
  10. 10. Novas/ velhas narrativas Uma jovem bem vestida entrou ontem no departamento de jóias de uma agência de penhores. Apresentou uma cautela amarrotada. Era de uma aliança, empenhada nove meses antes. “Não pretendia voltar aqui para buscá-la”, disse ela. “Não a usava e me considero uma mulher pouco sentimental. Mas meu marido foi convocado e achei que era melhor ficar com a aliança como lembrança, caso ele não volte mais”. (Star, 1918, in Pereira Jr., 2006: 129) O lide - Profa Thaïs de Mendonça 10
  11. 11. Novas/ velhas narrativas Angico, 1938 – Os caçadores de cangaceiros Para despistar, os cangaceiros imitam ruídos e pegadas de bichos e usam falsas solas com o calcanhar no bico. Mas quem sabe, sabe: e um bom rastreador reconhece os rumos do passo humano através dessa moribunda vegetação: pelo que vê, galhinho quebrado ou pedra for a do lugar, e pelo olfato. Os cangaceiros são loucos por perfume. Derramam no corpo litros de perfumes, e essa fraqueza os delata. Perseguindo pegadas e aromas, os rastreadores chegam ao esconderijo do chefe Lampião: e atrás deles, a tropa. Os soldados se aproximam tanto, que escutam Lampião discutindo com sua mulher. Maria Bonita o amaldiçoa, enquanto fuma um cigarro atrás do outro, sentada numa pedra na entrada da gruta, e ele responde tristemente lá do fundo. Os soldados armam as metralhadoras e esperam ordem de disparar. Cai uma garoinha de leve. (Galeano, 1988: 136) O lide - Profa Thaïs de Mendonça 11

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