O palhaço verde

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O palhaço verde

  1. 1. Biblioteca/CRE EB Dr. João Rocha - Pai Era uma vez…2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 1
  2. 2. 2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 2
  3. 3. 2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 3
  4. 4. Vou falar-lhes de um...palhaço. Tinha um nariz muito grande e uns olhos que brilhavam como estrelas . . E no peito um coração de ouro – os olhos brilhavam como estrelas porque ele tinha um coração de oiro. E as mãos, quando estavam fora das luvas grandes, eram grandes, isso eram, mas meigas e bonitas. 0 Palhaço era bom. Sonhava muito. Sonhava que no mundo todos deviam ser bons, alegres, bem dispostos. 0 Palhaço não tinha pai nem mãe. Vivia sozinho desde criança. Sozinho com o seu coração de oiro.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 4
  5. 5. Um dia olhou o espelho do seu quarto, era ainda rapazito. Edisse paraa figura que o espelho reflectia: - Tenho tanta graça! E riu. Riu numa gargalhada que parecia a escala de um piano:Dó! Ré!Fá! Sol! Isso, Sol. 0 riso era sol. E os seus olhos estrelas. E o coração deoiro. Riu outra vez para a figura que o espelho reflectia : Dó! Ré! Mi!Fá! Sol! E acrescentou : - V ou fazer rir todos os meninos! E deitou-se a sonhar.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 5
  6. 6. No dia seguinte pegou numas calças velhas, cor de ferrugem. Num casaco de quadrados encarnados e verdes, muito largo, que era tao grande que nele caberiam dois palhaços. E nuns sapatos muito grandes, também, amarelos como as patas de uns patos. E numas luvas enormes, muito brancas. E, por fim - e isso era tao importante! - num macio chapéu verde tenro da cor dos prados antes de as papoulas nascerem como pingos de sangue. Lindo, o nosso Palhaço!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 6
  7. 7. E o Palhaço foi ao circo. Não bateu à porta porque o circo era delona. Bateu as palmas. Chamou. Veio o dono do circo, o Senhor Forças,que tinha uns bigodes muito grandes. - Que quer o menino? - Não sou menino. Sou já um senhor que quer trabalhar. Queroser palhaço para fazer rir as crianças … - Mas o Senhor já trabalhou num circo, alguma vez? Que sabedo seu ofício? - Ser palhaço não é bem um oficio, senhor, peço perdão de lhelembrar tal. Ser palhaço é isto: Dó! Ré! Mi! Fá! Sol! E riu. Riu com todo o seu coração bom que lhe brilhou nasestrelas dos olhos. E o Senhor Forças riu também. - Entre, entre então, que fazia cá falta! 0 nosso Palhaço mudou deterra, foi-se embora ... 2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 7
  8. 8. E o Palhaço entrou. Entrou e riu. Que circo bonito! Dó! Ré! Mi! Fá ! Sol! Era de lona já velha, com muitos remendos, mas bonito. Quem olhasse para aqueles remendos diria: «Isto foi o tempo que passou, já se deram, aqui, muitos espetáculos». Pareciam mesmo dizer: «Já houve aqui muita alegria. Já muitos olhos de meninos brilharam aqui.»2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 8
  9. 9. A um canto, uma rapariga vestida de cor-de-rosa, com uma saiapequenina de muitos folhos, apertava um sapatinho de cetim. A seu lado estava um cavalo branco. -Esta é a Juju -disse o Senhor Forças. - E aquele o seu Cavalinho«Luar». Juju sorriu olhando o Palhaço. E o cavalinho levantou uma patae poisou-a no chão, firme, como quem diz: «Bom dia, Amigo!» Eu disse só que Juju sorriu, mas posso acrescentar que quandoJuju sorriu foi como se dentro do circo nascesse o Sol. Tão lindo osorriso e tanto lhe brilhavam os olhos. «Linda, linda menina! - pensou o Palhaço. - Que seja boatambém ... » E riu: Dó! Ré! Mi! Fá! Sol! Juju riu com um sol maior no riso e no olhar. E depois ficou-se,de repente, muito séria, e continuou a atar o sapatinho.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 9
  10. 10. O Palhaço foi andando guiado pelo Senhor Forças. Conheceu a senhora do Senhor Forças, a Dona Esperancinha, que trazia uma saia amarela muito franzida e um xailezinho, sobre os ombros, amarelo também. - Bom dia, menino - disse ela. - Repara que já é um senhor, Esperancinha. É agora o nosso Palhaço - corrigiu o Senhor Forças, delicadamente. - Seja bem-vindo, Senhor Palhaço, a esta sua casa! - emendou Dona Esperancinha. Dona Esperancinha era gorda com o ar meigo e repousado de ser mãe de muita gente. Assim como certas árvores que dão muita sombra. A própria voz era repousada e meiga também. A seu lado estava um cão castanho e fininho e ela apresentou-o:2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 10
  11. 11. - «Zero», fale ao Senhor Palhaço! E «Zero» ladrou, abanando a cauda: - Béu! Béu! Béu !, como se risse. E o palhaço riu também: Do! Ré! Mi! Fá! Sol! Dona Esperancinha, muito bondosa, ria também, estremecendo e aconchegando o xailezinho de franjas contra o peito, toda inclinada. Igual a uma árvore que um vento manso tocasse.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 11
  12. 12. E o Palhaço foi andando, acompanhado pelo Senhor Forças, até que este parou e disse, contente: - Senhor Palhaço, tem aqui o seu quarto! Venha ver! Era um pequeno espaço, por detrás de um biombo, com uma cama de ferro branca, coberta com uma manta de bocadinhos de chita de muitas cores, todos unidos a ponto miúdo por Dona Esperancinha. - Ih! que lindo! - disse o Palhaço. - Parece um campo de flores!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 12
  13. 13. Que importava ter só aquela cama de chita se para o Palhaço ela era mesmo um campo de flores? Flores que nasceram dos dedos pacientes de Dona Esperancinha para alegrar quem as olhasse. - Ih! que lindo! - repetia o Palhaço. E aquele quarto pareceu-lhe um mundo. Pareceu-lhe e era mesmo: o seu mundo onde se deitaria a sonhar.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 13
  14. 14. Ali deixou a mala - esqueci-me de lhes contar que o Palhaço trazia uma mala cinzenta com fechos amarelos. Nela guardava os retratos do pai e da mãe, o vermelhão para pintar o nariz e a boca e o pó de arroz para as faces. E também um ursinho de pelúcia castanha de quando era menino e o deitava a seu lado para adormecer. Era uma recordação da infância, lembrava-lhe o menino que fora. O urso só tinha um olho, dourado cor de avelã, o outro havia caído e ele nunca mais lhe encontrara um igual. Aquele olho único e dourado parecia dizer-lhe : «Diverte os meninos, Palhaço! Como eu te diverti a ti quando estavas acordado ou quando adormecias à minha beira ... »2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 14
  15. 15. O Palhaço agora não riu ao tirar todas aquelas coisas da mala, mas sorriu: Si! Lá! Sol! Ré! Mi! Ré! Do! E, lembrando-se de quando era menino, era como se escutasse a voz da mãe, do pai, dos pássaros. Das árvores a baloiçarem com o vento. Da chuva nos vidros da janela ou na rua, quando ia para a Escola . .. . Pingo ... ! Pingo ... ! Pingo .. . ! Assim como uma música mansa. A essa lembrança chamam os homens grandes Saudade. Não é tristeza, não. É antes lembrança das coisas lindas e boas. Si ... Lá ... Sol... Fá ... Mi ... Ré ... Dó ...2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 15
  16. 16. Mas o Palhaço depressa quebrou esta espécie de encanto. Bateu as palmas com as luvas muito grandes enfiadas e disse ao Senhor Forças : - Isto é lindo! Tudo isto! E dava uma volta, as sim a bater, como a dizer : «O circo, o meu quarto, o coração do senhor, o de Dona Esperancinha, «Zero», - ah! não esquecer! - E Juju, Juju e o seu cavalo «Luar».2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 16
  17. 17. O Senhor Forças estendeu-lhe a grossa mão cheia de calos de pegar nos halteres e nas cordas. - Muito obrigado, Senhor Palhaço, por achar e dizer que o circo é lindo. Ficamos amigos de hoje em diante! - Ficamos amigos de hoje em diante! - repetiu o Palhaço. E o Senhor Forças apertou-lhe a mão, mesmo por cima da luva, com tanta força que o nariz do Palhaço ficou muito vermelho por baixo do vermelhão. Parecia um morango.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 17
  18. 18. Ah! Como Dona Esperancinha era boa! . Tinha pressa de vir mostrar ao Palhaço a sua menina, a graça daquela família. Tinha dois anos, chamava-se Flor e era mesmo uma flor a abanar com o vento quando caminhava em passinhos miúdos, a fazer tem-tem pelo circo fora. Era a Menina Flor, de olhos azuis e caracóis castanhos dourados da cor das folhas das árvores no Outono, douradas por fios de sol. A Menina Flor ria para o Palhaço, ria muito só por olhar para ele e batia palmas com as mãos brancas, cheias de covinhas rosadas, como só são as mãos dos meninos muito pequenos.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 18
  19. 19. Dona Esperancinha pegou-lhe ao colo e disse-lhe: - Vês, Flor? Este é o Senhor Palhaço! E ela gritou com a sua voz muito fina e clara: - Ó xenhô Palhaxo! Ó xenhô Palhaxo! E o Palhaço perguntou-lhe: - Que quer, Menina Flor? Ela não queria nada, claro está, queria só que ele olhasse para ela como se lhe dissesse: «Estou a qui, sou teu amigo.» Porque a menina, com aquele «Ó xenhô Palhaxo,»! queria dizer o mesmo.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 19
  20. 20. E depois, envergonhada sem saber porquê - os meninos pequenos às vezes são assim -, escondeu a cabecinha dourada no colo da mãe. Talvez tivesse sono. Também as flores se fecham quando querem dormir. E Dona Esperancinha, sorrindo meigamente, pôs o indicador defronte dos lábios estendidos: - Psiu… - E aconchegou mais a menina nos braços.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 20
  21. 21. E o Senhor Forças fez também: Psiu ... E levou o Palhaço para fora do circo, por outra abertura oposta à da entrada que, também, não se podia chamar porta. Via-se mesmo que estava contente por ter olhado a sua mulher e a sua menina. Fora principiava a entardecer. A estrela da tarde muito brilhante já, estremecendo no azul do céu. - Temos de ir jantar para começarmos o espetáculo - disse o Senhor Forças, olhando a noite que nascia. E vieram para dentro e foram jantar.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 21
  22. 22. Todos (menos a Menina Flor que adormecera) se sentaram em volta de uma mesa redonda. No meio estava poisada uma jarra de loiça com uma rosa vermelha. Fosse Primavera ou Inverno, sempre uma flor lhes fazia companhia. Dona Esperancinha ia colhê- la nem que fosse muito longe. Dizia sorrindo: - É dever de todos nós junto do pão poisar a alegria. E compunha a rosa muito fresca com duas lágrimas de orvalho nas pétalas de veludo. E cortava o pão branco e distribuía-o por todos com um sorriso. Quando veio o caldo de hortelã, cheirando muito bem, o Palhaço olhou as caras dos novos amigos e sorriu-lhes deliciado. Como a dizer: «Que bom é ter família !»2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 22
  23. 23. Mas não se podiam demorar muito, pois a hora do espectáculo estava quase a soar. Entretanto chegou o Senhor Fumo, que o Palhaço ainda não conhecia. Vestia uma casaca preta com duas grandes pontas e o cabelo preto brilhava tanto que parecia de vidro. E que compridas eram as suas mãos, compridas e morenas e leves como asas de pombas! O senhor Forças apresentou: - O Senhor Fumo, o prestidigitador. - O Senhor Palhaço - apresentou o Senhor Forças. O Palhaço não riu. Sorriu apenas, levantando-se numa vénia. Ih! Que grande senhor! Si! Lá! Sol! Fá! Ré! Dó!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 23
  24. 24. *** Daquelas mãos iguais a asas de pomba podiam, afinal, sairpombas mansas largando penas, lenços de muitas cores e cigarros aarder. O Palhaço pensou: «Dizem que o Senhor Fumo é um homemfantástico e que saem pombas, lenços e cigarros de suas mãos; oxa1áque do seu coração também se desprenda Bondade». - Quer sentar-se, Senhor Fumo? É servido? - ofereceu DonaEsperancinha.- Não, Dona Esperancinha, muito obrigado. Já jantei. Que vos façamuito bom proveito. Mas, mesmo assim, o Senhor Fumo sentou-se, cruzando asgrandes pernas. No fim, tomou uma chávena de café, pequenina, de loiçaazul, que o Senhor Forças delicadamente 1he ofereceu. E fumou um cigarro muito comprido, a deitar muito fumo -como o seu nome. E, de vez em quando, o1hava Juju como se olhasse oSol. E esta parecia estar muito longe.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 24
  25. 25. - Daqui a pouco tempo temos de começar o espectáculo. Estáquase na hora! - preveniu de repente Juju, olhando muito nervosa o seureloginho de prata. E todos se levantaram. Já começavam a chegar os músicos com calças de riscas azuis ebrancas e casacos amarelos. Cada um trazia um instrumenta debaixo do braço, menos opianista, que, claro está, não podia trazer o piano. O piano, muito negroe brilhante, esperava-o com as teclas em fila, umas de marfim muitobranco, outras mais estreitinhas e pequenas, pretas e recuadas. E opianista podia li poisar as mãos e tocar: Dó! Ré! Mi! Fá! Sol! Um Dó! Ré!Mi! Fá! Sol! que, apesar de muito lindo, não conseguia ser tao alegrecomo a garga1hada do Palhaço.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 25
  26. 26. A música começou a tocar. Tudo ao mesmo tempo! O pianonegro e brilhante. E o violino com um arco como um galho de árvore ao vento apoisar sobre as cordas, numa dança. E o saxofone com um tubo muito comprido e dourado poronde o músico soprava fazendo umas bochechas muito grandes,redondas e vermelhas iguais a maçãs. E um tambor de pele esticada - pam! pam! pam! -, como seviessem muitos cavalos a descer por uma estrada no meio de nuvens depó. Que alegria!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 26
  27. 27. E abriram-se todas as luzes, muito brancas e azuladas, sobre a arena do circo. À porta já Dona Esperancinha começara a vender os bilhetes cor de laranja ou verdes, conforme os lugares. - É entrar! É entrar! Minhas senhoras e meus senhores, as crianças não pagam nada! As crianças não pagam nada! E as crianças entravam pelas mãos dos avós, dos pais, dos tios, dos irmãos, dos amigos. A musica tocava e as luzes eram mais brancas.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 27
  28. 28. E os olhos das crianças eram estrelas, estrelas azuis, negras, castanhas, douradas e verdes, eram estrelas debaixo do céu das cabecinhas loiras e morenas. Oh! Que coisa linda ver entrar as sim as crianças, de mãos dadas, as mãozinhas de pele macia agarradas às mãos grandes das pessoas mais velhas, avós, pais, tios, irmãos, amigos, os olhos como estrelas a olharem o circo cheio de luz. E o palhaço, só de olhar aquelas estrelas - os olhos dos meninos -, tinha o rosto coberto de alegria. Tao lindo! Tao lindo!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 28
  29. 29. Tao lindo ver aqueles meninos todos! Algumas meninas traziam uma boneca ao colo, muito encostadinha ao peito - queriam que as bonecas também vissem o circo, Juju, Dona Esperancinha, o Senhor Forças, o Senhor Fumo e o Palhaço sobretudo o Palhaço, que faria rir aquelas carinhas de pasta, aqueles olhinhos de vidro, muito brilhantes. Tao lindo ver aqueles meninos todos!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 29
  30. 30. E até veio um rapaz muito pobre, com uma camisola muito grande. Trazia um pau com uma batata na ponta. E na batata espetara muitas canas de moinhos. Moinhos que ele andava a vender, certamente. Vinha tão contente e tão sério, ao mesmo tempo, com aqueles moinhos de papel de lustro de muitas cores! Ai! se vissem o nariz deste menino! Lembrava uma batatinha, mais pequena, claro está, do que aquela em que espetara os moinhos, uma batatinha cheia de pintas castanhas. Chamam-se sardas a estas pintas na pele deixadas pelo sol.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 30
  31. 31. E o Palhaço ria, ria ! Iria fazer rir tanto menino ao mesmo tempo, iria torná-los felizes, iria tornar felizes todos, desde os avós aos netos, às bonequinhas de olhos de vidro. Iria fazer rir meninos que vendem moinhos de papel de lustro. Meninos que sorriem como estrelas numa noite sem luar. Que lindo! Que lindo!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 31
  32. 32. Já os meninos, as meninas, as senhoras, os senhores, procuravam todos os seus lugares para se sentarem, com muita pressa, desejosos de ver o espectáculo. De vez em quando ouvia-se pam!. .. , era alguma malinha que uma menina deixava escorregar da mão, ou um sapato deixado cair por alguma criança que ia ao colo. E até se ouviu pam! e uma menina a chorar muito: «Ai a minha bonequinha !» A menina chorava tanto ...2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 32
  33. 33. O espectáculo ia começar. A música parou. Apagaram-se as luzes todas. E, de repente, abriu-se só uma luz, enorme, sobre a pista de madeira. Todos os meninos e quem os acompanhava olhavam aquela luz. Que iriam ver? Viram o Senhor Forças, que apareceu a sorrir com os dentes enormes e muito brilhantes. E falou: - Respeitável público! Queridas crianças! As «queridas crianças» eram as meninas e os meninos que, sentados nos seus lugares, abriam os olhos admirados à espera, à espera. E alguns até abriam a boca, muito distraídos, deslumbrados com a ideia do que iam ver.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 33
  34. 34. - Queridas crianças! - continuou o Senhor Forças. - Hoje vão conhecer o nosso novo Palhaço. Ele é simples, é alegre, é bom. - E chama-se ... Aqui o Senhor Forças atrapalhou-se. Como se chamava o Palhaço? Palhaço não é nome. Todos os palhaços, como todas as pessoas, têm um nome ... - E chama-se ... Mas que falta de lembrança! Porque não lho tinha perguntado? - E chama – se. .. Coitado do Senhor Forças! Mas é tão natural estarmos atrapalhados, sem palavras, por uma distracção ou falta de memória ...2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 34
  35. 35. Entretanto ouviu-se uma gargalhada. Luminosa. Que o riso também pode ter luz. O Palhaço, o nosso Palhaço, viu o Senhor Forças assim a modos que embaraçado e viera a correr em sua ajuda. Chegou a correr da sombra até àquela lua de luz, abraçou o Senhor Forças e gritou para o circo inteiro: - Chamo-me Palhaco Verde! E riu! Dó! Ré! Mi! Fá! Sol! E as meninas e os meninos, isto é, as «queridas crianças» riram, riram, até fecharem as estrelas dos olhos, e começaram a bater as palmas e a gritar: - Palhaço Verde! - Palhaxo Vêdi! - Palaço Vede!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 35
  36. 36. Cada um dizia à sua maneira, com vozinhas finas ou fortes, mas todas luminosas e puras como as gargalhadas do Palhaço. - Palhaço Verde! - Palhaxo Vêdi! - Palaço Vede! O Senhor Palhaço, então, sentiu uma gota morna pela cara abaixo. Uma gota morna e transparente como cristal que lhe derretia o alvaiade e o pô de arroz. Eu não sei se já lhes disse que também se chora de alegria. E foi isso.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 36
  37. 37. Levou os enormes dedos aos lábios pintados de vermelhão e atirou muitos beijos em redor, a todas as meninas, a todos os meninos. E fez o jeito amigo de quem abraça. E os meninos continuaram a gritar e a chamá-lo: - Palhaço Verde! - Palhaxo Vêdi! - Palaço Vede! Que alegria! E a lágrima continuava suspensa no rosto do Palhaço, delicada e brilhante como uma gota de luz .2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 37
  38. 38. O Senhor Forças, então, teve forças para dizer: - Queridas crianças! Deixo-lhes o Senhor Palhaço Verde aqui napista que é o mesmo que vos dizer: - Deixo-lhes um Amigo. E as meninas e os meninos batiam as palmas e olhavam aquelePalhaço alegre e mimoso. E o Palhaço, então, disse-lhes: - Queridas crianças! Amigos! .. . E disse!. .. Disse... Ai quem pode saber o que diz um Palhaço!Um Palhaço que sente a alegria transbordar no coração e que quase nãotem palavras na boca vermelha como um cravo? E o Palhaço dava pulos, cambalhotas ... Dó! Ré! Mi! Fa! Sol! Dó! Ré! Mi! Fa! Sol!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 38
  39. 39. Mas já vinha a entrar Juju sobre o cavalinho «Luar», deslizando delicada, graciosa, como se não pisasse o chão mas um tapete de nuvens macias. E os meninos diziam: «Oh!» com a boca muito aberta e o coração ainda cheio da alegria que lhes deixara o Palhaço; E Juju erguia-se sobre o cavalinho «Luar», levantava os braços muito leves e brancos, movia ora uma, ora outra das suas pernas muito finas cobertas por uma meia de malha de seda cor-de-rosa, terminadas pelos sapatinhos aguçados de cetim. Não era Juju quem ali estava sobre o cavalinho «Luar», mas uma rosa enorme, rosada e branca, que sobre ele se movia como as flores se movem pela manhã quando o vento lhes sopra para as acordar.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 39
  40. 40. E Juju erguia-se, dobrava-se em cima do cavalinho e sorria, sorria ... E o Palhaço, olhando-a, não tinha desejo de sair da pista. Olhava-a tomado de uma estranha alegria, de repente dava pulos, cambalhotas e depois parava para a olhar de novo. E «Luar» agora corria mais. O Palhaço olhava Juju e sentia no peito aquilo que os homens grandes chamam Felicidade. Uma felicidade diferente daquela que sentia quando olhava as queridas crianças.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 40
  41. 41. Sem dizer nada, pensava muitas coisas, num instante só.Pensava que Juju podia ser sua mulher, poisar-lhe uma rosa na mesaredonda onde todos os dias comessem os dois. Que podia estender-lheo pão e sorrir-lhe por detrás do fumo de uma sopa bem feitinha. E, quando ele estivesse triste, poderia agarrar com a mãopequena e branca a sua mão enorme e dar-lhe alegria. Quando o visse contente receberia a sua alegria como umespelho encantado. E ele, Palhaço, saberia amá-la, protegê-la e receber-lhe aslágrimas e os sorrisos como um espelho encantado também. A isto os homens grandes chamam Amor. Talvez até, um dia, Juju o esperasse a ele, Palhaço, com umaMenina Flor ao colo, como Dona Esperancinha. Talvez... Que nos espelhos encantados também há flores.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 41
  42. 42. E Juju continuava a rodar no cavalinho e sorria. Os meninos batiam as palmas e gritavam: - Juju! Juju! Corre «Luar»! Corre «Luar»! E Luar corria, parecia entender aquelas vozes. E o Palhaço clava saltos, caia, levantava-se. Um delírio. O rapaz dos moinhos, distraído, desceu do seu lugar e veio com os moinhos e o narizito cheio de sol ali à pista, devagarinho, para ver melhor.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 42
  43. 43. Mas já entrava o Senhor Forças. Trazia um ferro tendo uma bola enorme em cada ponta. Juju sumia-se com o cavalinho «Luar». E o Senhor Forças gritava: - Queridas crianças! Olhem, queridas crianças! E o braço direito do Senhor Forças começava a ganhar um grande músculo, que subia, subia, e dava a impressão de ficar muito duro. E erguia aquelas bolas, esferas, ou halteres, como se diz menos vulgarmente - com toda a força dos músculos e do seu coração amigo e bom.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 43
  44. 44. E os meninos diziam «Oh»! admirados, admirados. Comopodia haver um braço tao forte!? E quase sem darem porisso, palpavam os músculos dos bracinhos ainda fracos de crianças.Como aqueles bracitos tinham de se tornar fortes! Sabiam - ai! todos sabemos! - que desde meninos temos umtrabalho enorme a cumprir: tornarmos o corpo mais forte, o coraçãotambém. Quem diz o coração diz aquilo que em nós é capaz de sentirtristeza ou alegria, a saudade, a amizade, o amor. E os meninos sabiam isso. Os meninos sabem tanto, tanto e tanto têm sempre deaprender. A comer, a andar, a falar, a ler, a escrever, a contar.Tanta, tanta coisa! Um trabalho tao importante que não pode ser pago comdinheiro mas só com carinho, com alegria. O trabalho de se tornaremfortes de corpo e coração, de se tornarem bons.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 44
  45. 45. Ah! mas já entrava Dona Esperancinha com Zero a seu lado, abanando a cauda e saudando: - Béu! Béu! Béu! E o Senhor Forças poisou de repente as esferas no chão - pam!- e anunciou: - Minha mulher, Esperancinha, e «Zero», o nosso cão! Aquele circo, não tinha outros animais além de «Zero», as pombas, o cavalo «Luar».2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 45
  46. 46. Feras domesticadas, para quê? 0 Senhor Forças e Dona Esperancinha não podiam querê-las no circo. Sabiam que, para domesticá-las, elas teriam de sofrer muito, longe das verdes selvas onde costumam viver. Teriam de sofrer muito para poderem estar defronte dum homem sem o ferirem de morte mesmo que este tivesse uma barra de ferro na mão. Porque as feras têm dentro de si o desejo de fazer sangue, de ferir. Esse desejo é uma força que arrasta os animais, como o leão, o tigre, o lobo, a matarem mesmo quem lhes não faz mal. U ma força que está dentro deles e que lhes diz: «Anda! Fere! Mata!»2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 46
  47. 47. E os animais, que não sabem pensar, não podem dizer ao tal instinto:-não! Assim como certos homens que são capazes de fazer guerra, de serem maus para os outros homens. O que é uma vergonha, afinal. Também os meninos não gostariam de ver, atrás de grades de ferro, um leão meio adormecido que depois se enraivece com a entrada de um homem. Um leão prisioneiro co mo se tivesse culpa de ser um animal feroz, ali num espaço tao pequeno da jaula, cego pelas luzes do circo, soltando urros desesperados.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 47
  48. 48. Não! Dona Esperancinha e o Senhor Forças não querenamtal. Nem os meninos haviam de gostar. Nem sequer queriam ali elefantes embora o elefante possaser, perfeitamente, um animal domesticado capaz de entender ohomem como este o entende a ele. Mas não! Um animal tao grande, gostando de grandes árvores, degrandes rios para tomar banho, das folhas enormes de um matocheiroso e verde, como não havia, ali, de ser infeliz, também? Ali, entre as barras de ferro de uma jaula de circo, onde malpudesse erguer a longa tromba? Se os meninos o vissem em liberdade, na selva! Apesar de grande e pesado, as orelhas têm movimentos deasa, tocando as altas árvores, voltando-se docemente para o céu. E étao feliz! O Senhor Forças e Dona Esperancinha não o quereriam. Nem os meninos haviam de gostar.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 48
  49. 49. *** Mas tínhamos deixado Dona Esperancinha e «Zero» no meio da pista como o Senhor Forças os havia anunciado. Dona Esperancinha segurava um arquinho verde e luminoso como um tronco tenro de árvore enrolado que, na Primavera, estivesse à espera de folhas e de flores. E «Zero» saltava feliz, atravessando o arquinho, com tanto entusiasmo como se, cada vez que o fizesse, o fizesse pela vez primeira. - Salta, «Zero»!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 49
  50. 50. E Dona Esperancinha erguia o arco, a saia franzida estremecia, voam as franjas do xailezinho. - Salta, «Zero»! E «Zero» saltava, feliz. E os meninos batiam as palmas e gritavam. - «Zero», salta! - «Gero», xalta! E «Zero», ao ouvir os meninos, parecia entendê-los todos e ladrava: Béu! Béu! Béu !, como se dissesse: «obrigado! obrigado! obrigado! queridos meninos !» E, de vez em quando, lambia as mãos de Dona Esperancinha.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 50
  51. 51. Mas já vinha a entrar o Senhor Fumo, muito alto com a sua negra casaca e as mãos morenas e finas. E Dona Esperancinha sumia-se com Zero para dentro do circo. ***2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 51
  52. 52. Agora a luz branca e azulada tombava em cheio sobre o Senhor Fumo que armou uma mesa de metal no meio da pista. Muito grave, cheio de mistério, poisou lá caixas e caixinhas de várias cores. Depois arregaçou os punhos da camisa muito para trás. E os meninos estavam todos de olhos poisados naquelas caixas e caixinhas, nas suas mãos morenas e finas que começavam a destapá-las, a mostrá-las vazias pegando-lhes com as pontas do polegar e do indicador e os outros dedos muito afastados. Até as bonecas, ao colo das meninas, pareciam intrigadas.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 52
  53. 53. Vazias?! oh! como podiam estar vazias se de lá saiam lenços de seda fininha, azuis, vermelhos, encarnados, amarelos? Dos lenços até voavam pombas brancas e cinzentas como nuvens espantadas! Vazias?! As mãos do Senhor Fumo elas próprias lembravam pombas de mistério.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 53
  54. 54. O rapaz dos moinhos, cheio de espanto, avançou um pouco mais ainda sobre a pista, esquecido que devia estar sentado no seu lugar. Com a batata enterrada no pau e estrelada de moinhos de tanta cor, assim muito quieto, era como uma daquelas estátuas que estão nos jardins e parecem querer dizer-nos alguma coisa.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 54
  55. 55. O Palhaço agora não podia interromper o Senhor Fumo, que estava a fazer um trabalho tao importante; sentou-se a descansar um pouco ao canto do circo. Olhava o rapaz dos moinhos, olhava aquela criança com alegria, feliz pela felicidade que iluminava aquele rostozinho cheio de pintas do sol. Mas de repente ficou triste e pensou: «Pobre menino! Talvez quando dali saísse e se fosse deitar não tivesse uma cama bem feita nem a mãe a esperá-lo para o adormecer e poisar-lhe na cabeça a mão com meiguice, ou para o ajudar, pela manhã, a vestir aquela camisola grande de mais».2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 55
  56. 56. *** Juju viera sentar-se de manso a seu lado. E perguntou-lhe: - Estás triste, Palhaço? Não gostas de estar aqui? O Palhaço estremeceu e exclamou: - Gosto tanto! - Então ... - continuou Juju - não gostas, talvez, de ver trabalhar o Senhor Fumo ... - Pois gosto, Juju! - Trabalha tao bem, não trabalha, Palhaço? -Pois trabalha, Juju. Juju sorria mais linda agora. Agora, era toda luz na escuridão. - Ainda bem que o dizes, Palhaço. Tu és bom.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 56
  57. 57. Mas o Palhaço sentia o coração apertado, mais pequenino. Vira nos olhos de Juju o tal encanto, aquilo que os homens grandes chamam Amor. E no espelho encantado de Juju estava a imagem do Senhor Fumo e as suas mãos morenas. 0 Palhaço bem o via.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 57
  58. 58. E perguntou com magoa e medo na voz: -Vais casar com ele, Juju? - Vou, Palhaço! Como tu és bom que até adivinhas... V amoscasar na Prima vera! - Que lindo! Casar na Prima vera! ... - repetiu o Palhaço comonum sonho. -Pois é, Palhaço! Nesse dia - e Juju ao falar ainda tinha mais luzno rosto e na voz que cantava - hei-de prender nos meus cabelos umvéu mais branco do que a geada que, pela manhã, cobre os prados.Nesse dia tiro estes sapatinhos de cetim e hei-de pôr uns sapatos desaltos muito altos, para ser da altura de Fumo, o meu Amado. Nessedia «Luar» andara em liberdade pelo meio das ervas e das flores. E Juju era toda luz ao falar do seu espelho encantado. 2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 58
  59. 59. O Palhaço poisou as enormes mãos enfiadas nas luvas sobre o rosto pintado de branco como se as poisasse num campo de neve, como se não quisesse olhar. E repetia docemente por detrás das mãos: - Hás-de ser muito feliz, Juju. Hás-de ser muito feliz, Juju ... Mas esta já o não ouvia. Com graça delicada fora ajudar o Senhor Fumo a fechar a mesa, a guardar as caixas e as caixinhas. Mas isso já o Palhaço não viu porque os seus olhos pintados de roxo iguais a violetas escondidas e magoadas ainda estavam por detrás das mãos. Si! La! Sol... Fá ... Mi ... Ré ... Dó ...2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 59
  60. 60. E o menino dos moinhos aproximava-se mais. Esquecido de que estava a assistir a um espectáculo de circo, de que esse espectáculo estava a acabar. E o Palhaço, como se o sentisse, tirou as enormes mãos do rosto pintado e olhou-o. Levantou-se num pulo. Dó! Ré! Mi! Fá! Sol! Aquele menino, quando saísse do circo, talvez não tivesse quem lhe segurasse a mãozinha áspera e trigueira. Todo ele, Palhaço, seria sol para encher o coração do menino pobre! E o Palhaço saltava e ria! Dó! Ré! Mi! Fa! Sol!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 60
  61. 61. E todos os meninos riam como se soubessem que era precisa a música da sua alegria para encher o coração de alguém. Nunca! Nunca houve um Palhaço tão engraçado. Nunca! O que ele dizia? Sabe-se lá! Sabe-se lá o que diz um Palhaço!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 61
  62. 62. *** Abriam-se já todas as luzes brancas, azuladas, sobre a pista. Como fosse prata que caísse do céu. - Palhaço Verde! - Palaço Vêdi! - Palhaxo Vede! E o Palhaço ria mais com duas lágrimas trementes sobre as estrelas dos olhos que já não eram violetas. O Palhaço não estava a chorar, não estava triste. Não estava não, meninos, agora ria tanto! Dó! Ré! Mi! Fa! Sol! Como podia acabar um espectáculo assim?2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 62
  63. 63. Então o rapaz dos moinhos gritou: - Palhaço! Palhaço! O rapaz dos moinhos falava, ele que estivera mudo, olhando só, até então. Igual a uma estátua. E tirou da batata castanha uma cana de moinho da cor mais linda, como se tirasse uma flor de dentro do coração. E estendeu ao Palhaço essa flor feita de papel e de ternura. Essa flor que todos os homens deviam saber semear.2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 63
  64. 64. Tanta palma! Tanta! Tanto grito: - Palhaço Verde! - Palaço Vêdi! - Palhaxo Vede! E o Palhaço com a mão direita segurou a flor linda que o rapaz dos moinhos lhe estendia. E, então, das estrelas dos olhos caíram lágrimas sobre essa flor que nunca havia de secar, nunca mais2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 64
  65. 65. Passou, depois, a flor para a mão esquerda. E, com a direita, tirou o chapéu verde que, na meia-luz do circo, agora, era de um verde menos tenro, da cor verde dos prados quando as papoulas já nasceram como pingos de sangue. A agradecer. E ria, ria ainda: Dó! Ré! Mi! Fá! Sol!2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 65
  66. 66. FIM2012/2013 BIBLIOTECA/CRE 66

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