Mito 4 o esposo é o sacerdote do lar

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É bíblico o conceito de que o homem é o sacerdote do lar?
Interpretação bíblica do papel e condição da mulher, desmitificando Efésios 5:23 a 28 e outros textos bíblicos. Esse é o tema 4 de Série DERRUBANDO MITOS. Vale a pena ler!

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  • @Patricia Cielo Quanto ao texto "O Sacerdocio no Lar do Pr. Luciano, quero dizer que ele repete o mesmo discurso da cultura machista. Ele desconsidera os ensinamentos de Cristo de igualdade, de "sacerdocio real", "nação santa", "povo adquirido por Deus", do qual as mulheres fazem parte igualmente. Ele se esquece que "já não há escravo nem livre, nem homem nem mulher, nem grego nem judeu, mas todos vós são um em Cristo Jesus." Gálatas 3:28 Esse pastor interpreta a Bíblia com as lentes do machismo, tão impregnado na cultura e lamentavelmente em muitas igrejas. Que triste!
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  • @Patricia Cielo, Este texto não se apoia "nas condutas desvirtuadas dos homens machistas". Alias, as mulheres podem ser bastante machistas também. Esse texto se apoia em uma interpretação correta dos textos bíblicos. A Bíblia foi escrita em seu contexto histórico-cultural e isso transparece a cada palavra. A mensagem bíblica, apesar de seu contexto machista e discriminatorio, é de igualdade sempre, mas os exemplos são reflexo da época. Nem todos os versículos da Bíblia são entendidos de forma literal. Paulo usa exemplos de fatos conhecidos para explicar conceitos ainda não de todo entendidos. Aplicar esses textos ao pé da letra, hoje, é desconhecer a forma honesta de estudar e entender a Bíblia. É um erro craso de hermenêutica. É querer transformar a consequência do pecado em mandato divino. O homem não deve ser o "cabeça"! Cristo veio a terra e nos ensinou a servir. Ensinou que cada ser humano toma suas decisões e será responsabilizado por elas. Se o homem é o "cabeça", ele decide tudo, então a mulher não escolhe seus caminhos? Isso seria desconsiderar que Cristo é o cabeça de TODO ser humano. O homem não pode tomar o lugar de Cristo, isso é pecado.
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  • O texto "Mito 4 o esposo é o sacerdote do lar" é bem intencionado, mas apoia-se nas condutas desvirtuadas dos homens machistas para justificar que o homem não deve ser o cabeça.
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  • Recomendo a leitura do lúcido texto "O Sacerdócio no Lar" do Pr. Luciano P. Subirá - http://orvalho.com/imprimir.php?pagina=estudo&id=30
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Mito 4 o esposo é o sacerdote do lar

  1. 1. O esposo é o sacerdote do lar Dr. Miguel Ángel Núñez Miguelanp30@gmail.com Traduzido por: T. P. B. Leal 887 Série: Derrubando Mitos Mito 4
  2. 2. Um desafio: •Pegue sua concordância ou qualquer Bíblia eletrônica e procure a frase: “O ESPOSO SACERDOTE DO LAR”. •Acho que a maioria das pessoas vai ficar muito surpresa porque isso não aparece em nenhum texto da Bíblia.
  3. 3. A contradição • Nos ufanamos de que cremos no lema da Reforma: Sola Scriptura. A Bíblia e somente a Bíblia. • Entretanto, defendemos ideias que não estão na Bíblia, e o fazemos com veemência e convicção, como se estivessem. • Existem práticas e conceitos que simplesmente não são bíblicos. Este é um deles.
  4. 4. A contradição • A maioria dos grupos cristãos sustenta que só aceitam o que é bíblico, nada mais. • A pergunta é: por que aceitam esta ideia se não tem justificativa na Bíblia? • Este conceito se converteu no enfoque central no que diz respeito a relação de casais na maioria dos grupos cristãos.
  5. 5. O Efeito •Muitos cristãos honestos, querem seguir os princípios bíblicos. •Entretanto, esta postura leva a conflitos precisamente quando começam a usar como padrão de vida, um conceito que não aparece na Escritura. •Dessa forma, surgem mitos e atitudes que não podemos sustentar biblicamente, porque pertencem ao campo da tradição.
  6. 6. O PATRIARCADO E SEUS EFEITOS A raíz de muitos males
  7. 7. O patriarcado e seus efeitos •Os patriarcas já não existem mais, mas seu pensamento continua vigente de maneira plena. •Muitos homens creem, honestamente, que eles são os que devem CONTROLAR a sua esposa e filhos. •Infantilizam a suas esposas, tratando- as, não como iguais, mas como filhas (de fato, alguns esposos, chamam dessa forma a suas esposas).
  8. 8. O patriarcado e seus efeitos • Muitos homens pensam que como eles são “sacerdotes do lar”, não tem porque escutar o conselho da esposa. • Não permitem que a opinião de sua esposa atente contra sua “liderança”, “divinamente imposta”. • Instala-se assim, em muitos lares, uma espécie de “autoritarismo sagrado”.
  9. 9. O patriarcado e seus efeitos •A perspectiva patriarcal é rígida, aonde o marido é visto no papel de “chefe” de família (assim se chama na maioria dos países latinos) e em provedor de tempo completo. •Supõe-se que o marido, tem maior capacidade “espiritual” que a esposa. •A mulher não tem outra alternativa que aceitar seu papel “inferior” e subordinar- se à liderança “espiritual” autoritária de seu esposo.
  10. 10. EFÉSIOS 5:23-28 A suposta base bíblica para a liderança masculina
  11. 11. O marido como “cabeça” •A “base bíblica” que sustenta muito dessa atitude é a leitura distorcida das palavras de Paulo aos cristãos de Éfeso. •Lamentavelmente, como em muitas “análises” de textos, não se considera nem o contexto textual nem o cultural, ou seja, lê-se literalmente, sem dar-se ao trabalho de tratar de compreender o sentido original da expressão.
  12. 12. • Paulo escreveu estas palavras mais ou menos no ano 60. • Nessa época, a situação das mulheres era muito precária (tal como continua sendo em alguns lugares até hoje). • As mulheres não tinham direitos individuais. • Eram consideradas propriedade de seus pais e depois de seus esposos. • Os homens consideravam a esposa como uma ignorante (era evidente, não era permitido às mulheres que estudassem). • Os maridos tinham direito de vida e morte sobre a vida de suas esposas. O marido como “cabeça”
  13. 13. O marido como “cabeça” • Na maioria das sociedades do Novo Testamento, incluindo o povo judeu, o modelo familiar tinha mais ou menos, as seguintes características: • O homem devia “governar sua casa”. • Sua esposa devia estar encerrada na casa ou propriedade da familia, fazendo todos os trabalhos necessários. • A mulher existia para entregar satisfação sexual ao marido e parir todos os filhos que fossem necessários para serem obreiros na lavoura. • Se uma mulher morresse no parto, imediatamente o marido buscava outra para que suas necessidades pudessem ser supridas. • Se uma mulher não satisfazia sexualmente ao marido, em seguida este podia casar-se com outra. • Os homens batiam nas suas esposas, e isso era visto como parte do papel de “educá-la”.
  14. 14. • A historiadora Ruth Tucker descreve a forma com que os gregos (aos quais Paulo escreve) viam a sua esposa. • “A lei ateniense de todos os tempos enxergava a mulher como uma verdadeira criança, com o status legal de um menor, comparada com seu esposo” (Ruth Tucker y Walter Liefeld, Daughter of the Church: Women and Ministry from New Testament Times to Present (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1987), 54. • Nesse contexto, não existiam leis contra o abuso, e se era abandonada, não havia nenhum sistema de proteção social. O marido como “cabeça”
  15. 15. O marido como “cabeça” •Entretanto, nesse contexto, Paulo oferece um modelo familiar revolucionário. •Disse a eles claramente: “Maridos, amai a vossas mulheres”. •Provavelmente essa frase não signifique muito para os dias de hoje, mas, naquele contexto, onde os animais tinham um valor relativamente superior ao das mulheres, era uma frase revolucionária.
  16. 16. • Ainda mais, Paulo põe um parâmetro mais revolucionário, quando diz que os maridos devem amar a sua esposa “como a seu próprio corpo” (v. 28). • Ao dizer isso dessa maneira, coloca a mulher em uma situação de igualdade com o homem, o que também era revolucionário para aquela época. • No capítulo 4:17, inicia a argumentação, pedindo a esses homens, de origem pagã, que tratem a suas esposas de maneira diferente de como fazem “os outros gentios”. O marido como “cabeça”
  17. 17. O marido como “cabeça” •Agora Paulo vai à medula do sexismo grego e diz que eles devem amar a esposa “assim como Cristo amou a igreja”. •Isso significa dar um caráter totalmente diferente às mulheres cristãs. •Coerdeiras da graça, tal como os homens, e igualmente dignas da morte do Salvador.
  18. 18. • É evidente que Paulo está contradizendo a filosofia de seu tempo que considerava a mulher como um ser inferior. • Está dizendo a esses homens que vieram do paganismo: Em Cristo, os casamentos são diferentes dos de seus vizinhos que não são crentes. • Os maridos cristãos: • Não batem na esposa. • Não governam como déspotas. • Não ameaçam com divórcio para manipular. • Tratam a suas esposas com dignidade e respeito, assim como Cristo trata a sua igreja. O marido como “cabeça”
  19. 19. O marido como “cabeça” •O modelo para entender o que significam esses versículos é Cristo. •Seu amor, Sua entrega, Seu sacrificio, Sua bondade, Seu respeito… são o paradigma para os homens. •Quando em seus lares não procedem assim, não são dignos representantes de Cristo.
  20. 20. • Nessa argumentação, o problema é o sentido que se da para a expressão “cabeça”. • Lamentavelmente, a maioria das vezes que se lê essa expressão, a partir da conotação secular, onde cabeça é: • O que manda. • O que dita as ordens. • O que subordina. • O que marca o caminho. O marido como “cabeça”
  21. 21. O marido como “cabeça” •Paulo fala a cristãos, portanto, não está apresentando um modelo secular. •Efésios 5 não trata sobre hierarquia. De fato, a maioria pula e nem sequer menciona Efésios 5:21, quando o convite é para estar “submetidos”, um ao outro. •Como essa ideia é revolucionária para os homens gregos, então, Paulo dá uma larga explicação colocando a Cristo como modelo.
  22. 22. • Cabeça na mentalidade grega não tem o sentido de autoridade (a expressão grega para isso é outra). • Na verdade a ideia é de interdependência. • A cabeça não pode existir sem o corpo, nem o corpo sem a cabeça. • No pensamento grego, a cabeça está vinculada a ideia de entrega e sacrifício, ideia que Paulo apresenta ao mencionar o que Cristo fez pela igreja. O marido como “cabeça”
  23. 23. O marido como “cabeça” •Cristo humilhou-se para salvar-nos. •Ele está dizendo a esses homens, orgulhosos de serem homens, que devem humilhar-se e tratar a sua esposa como uma igual. •Que devem deixar de ser déspotas e compartilhar a autoridade com elas. •Que devem amá-las, até estar dispostos ao sacrifício, como Jesus fez com sua igreja.
  24. 24. • Este conceito é totalmente alheio a maridos cristãos que impõem um autoritarismo “benéfico”, mas que não deixa de ser autoritarismo. • Está contra o critério de mulheres infantilizadas e subordinadas. • Vai em contra da ideia de que homem é o “todo-poderoso” na vida de sua esposa infantilizada. O marido como “cabeça”
  25. 25. CRISTO O ÚNICO SACERDOTE Ninguém pode suplantar o papel sacerdotal de Cristo
  26. 26. Cristo o único sacerdote •A Bíblia é muito clara: “POIS HÁ UM SÓ DEUS, E UM SÓ MEDIADOR ENTRE DEUS E OS HOMENS: JESUS CRISTO” (1 Timóteo 2:5). •Usar a expressão “sacerdote” e supor que o marido é o sacerdote da esposa, é colocar um mediador diferente para a mulher, e isso é heresia.
  27. 27. • Crer que o homem é o representante da mulher diante de Deus é colocar-se no lugar de Jesus. • Nenhuma mulher necessita de um mediador, diante de Deus, que seja humano. • Só Cristo é mediador, porque é nosso único sacerdote diante de Deus, que intercede por cada um de nós: Homens e mulheres. Cristo o único sacerdote
  28. 28. Cristo o único sacerdote •Os sacerdotes do Velho Testamento, representavam simbolicamente a Cristo (Hebreus 8:1). •Uma vez que Cristo veio, e nEle um novo pacto, o sacerdócio acabou. •Agora, neste novo pacto, Cristo, e somente Cristo é nosso sacerdote.
  29. 29. • No novo pacto, inaugurado por Cristo, não necessitamos outro humano como sacerdote. • A isso se conhece, nas palavras de Lutero, como “o sacerdócio universal de todos os crentes”, baseado nas palavras de 1 Pedro 2: 5, 9. • Nessas passagens, não existe referência a nenhum gênero. Todos os cristãos – homens e mulheres - estão sob o mesmo pacto. Cristo o único sacerdote
  30. 30. Cristo o único sacerdote •Nesse novo pacto, o marido não está autorizado a ser “consciência” de sua esposa. •O marido não é o “guia” de sua esposa. •O marido não é o “representante” de sua esposa diante de Deus.
  31. 31. SUBMISSÃO E SUJEIÇÃO? “A cereja do bolo”
  32. 32. • Muitos homens cristãos, defendendo o modelo autoritário, convidam a esposa a ser “submissa” e a “submeter-se” a sua liderança. • Entretanto, esquecem que Paulo chama a ambos, homens e mulheres, à “submissão mútua” em Cristo (Efésios 5:21). • É ilógico utilizar um versículo, sem utilizar os outros. Submissão e sujeição?
  33. 33. Submissão e sujeição? •Muitos maridos cristãos extraem a ideia de submissão da expressão “sujeitar-se” que usa Paulo. •Mas, essa expressão em grego, não significa submissão. •A expressão significa “manter-se unido”.
  34. 34. • A razão de utilizar esta expressão, é porque muitas mulheres gregas abandonavam o marido, precisamente pelo trato que recebiam. • Muitas mulheres que se convertiam ao cristianismo, abandonavam o esposo, acreditando que separadas poderiam servir melhor ao Senhor. Submissão e sujeição?
  35. 35. Submissão e sujeição? •Em duas ocasiões a Bíblia se pronuncia a respeito dessa situação. •Paulo, em I Coríntios 7:13-14, convida as mulheres cristãs a manter-se ao lado de seus esposos não cristãos, o máximo possível, com a intenção de influenciá-los. •Pedro, com e mesma preocupação, convida as mulheres a permanecer unidas a seus maridos para que dessa forma, eles possam ser influenciados positivamente. (I Pedro 3:1-2).
  36. 36. • Em que momento da história as mulheres cristãs chamadas para a liberdade em Cristo, foram obrigadas a se converterem em subordinadas de um ser humano? • Em que momento, as mulheres cristãs, tiveram que renunciar ao sacerdócio universal de todos os crentes, para aceitar o sacerdócio de um homem? Submissão e sujeição?
  37. 37. Submissão e sujeição? •Muitas mulheres cristãs, que não conheceram outro modelo de relação matrimonial, permanecem em relacionamentos abusivos. •Transformam esta submissão em idolatria, idolatrando a seu marido. •Procuram “agradar a seu esposo”, mais do que “agradar a Deus”. •Muitas mulheres querendo ser cristãs, equivocadamente, têm dado a seus esposos um lugar que só corresponde a Deus.
  38. 38. CONCLUSÃO Viver debaixo da supremacia de Cristo
  39. 39. • A tarefa de ser guia espiritual da família é de ambos, homem e mulher. • Nunca Deus colocaria a um homem em uma posição inadequada. • Confundir o papel sacerdotal do Velho Testamento, e entregá-lo a um homem, na atualidade, é não estar de acordo com o novo pacto. Conclusão
  40. 40. Conclusão •O autoritarismo “benéfico” de muitos homens cristãos, o único que tem provocado é validar a infantilização das mulheres. •Deus chamou a homens e mulheres ao sacerdócio universal de todos os crentes. •Deus quer lares, famílias e casais, aonde Ele seja o líder máximo.
  41. 41. No último tema dessa série será dada toda a bibliografia utilizada. Bibliografia
  42. 42. O esposo é “o sacerdote do lar” Dr. Miguel Ángel Núñez miguelanp30@gmail.com Traduzido por: T. P. B. Leal Série : Derrubando Mitos Mito 4

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