Avaliação dos efeitos de diferentes protocolos de orientação para o controle mecânico do biofilme dentário.

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Com o objetivo de avaliar o significado da conscientização dos pacientes para o controle mecânico do biofilme dentário, foram investigados os efeitos da motivação e da adequação dos recursos de higiene bucal às necessidades de dois grupos de pacientes portadores de doença periodontal. As comparações, entre e dentro dos grupos, consideraram o perfil de controle do biofilme dentário, mensurado através do Índice de Placa de O’Leary. Os resultados mostraram uma melhora significativa na capacidade de controle do biofilme dentário, pela incorporação das escovas interdentais à rotina diária de higiene bucal de todos os investigados.

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Avaliação dos efeitos de diferentes protocolos de orientação para o controle mecânico do biofilme dentário.

  1. 1. PAGE * MERGEFORMAT 1 Avaliação dos efeitos de diferentes protocolos de orientação para o controle mecânico do biofilme dentário. Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes * Paola Fernanda Leal Corraza ** Celso Emílio Tormena Júnior * Luis Rodolfo May Santos *** * Mestre em Diagnóstico Bucal pela Universidade Paulista – São Paulo/Brasil e Docente dos cursos deespecialização em periodontia da ABENO/NAP Odonto – São Paulo/Brasil e da EAP – APCD Pinheiros. ** Mestranda em Odontologia pela São Leopoldo Mandic e docente do curso de graduação em odontologia– disciplina de periodontia - da UNICASTELO – São Paulo/Brasil e da EAP – APCD Pinheiros. *** Especialista em Periodontia pela ABENO/NAP Odonto – São Paulo/Brasil e docente do curso deatualização em periodontia da EAP – APCD Pinheiros/ Brasil. Resumo: Com o objetivo de avaliar o significado da conscientização dos pacientes para o controle mecânicodo biofilme dentário, foram investigados os efeitos da motivação e da adequação dos recursos de higienebucal às necessidades de dois grupos de pacientes portadores de doença periodontal. As comparações,entre e dentro dos grupos, consideraram o perfil de controle do biofilme dentário, mensurado através doÍndice de Placa de O’Leary. Os resultados mostraram uma melhora significativa na capacidade de controledo biofilme dentário, pela incorporação das escovas interdentais à rotina diária de higiene bucal de todos osinvestigados. Unitermos : Biofilme Dentário - Controle Mecânico – Escova Interdental
  2. 2. PAGE * MERGEFORMAT 2 Nota dos autores: A realização desse trabalho contou com o apoio da FNL Comercio de SuprimentosLtda, representante exclusiva dos produtos de higiene bucal suecos TePe® -disponibilizados para odesenvolvimento desse projeto. A íntegra desse conteúdo poderá ser observado nas próximas edições de umimportante periódco científico brasileiro e os direitos de uso desse material são de responsabilidade exclusivados autores
  3. 3. PAGE * MERGEFORMAT 3 Introdução : Apesar dos significativos avanços que conduziram à redução nos índices decárie, a melhora nas condições para o controle da saúde periodontal e ao aumento dasoportunidades para a preservação dos dentes, a odontologia ainda necessita de maisesforços para a exaltação de alguns recursos de higiene bucal fundamentais para apromoção de saúde. Desde a avaliação histórica da gengivite experimental em humanos, as ciênciasda saúde dispõem da real consciência sobre a importância do controle mecânico dobiofilme dentário para a prevenção da cárie, da doença periodontal e dos potenciaisdesequilíbrios oriundos desses comprometimentos1-4. Trata-se de uma questão cultural atribuir à escova dentária comum a capacidadepara a preservação dos dentes e das gengivas. Apesar de histórica, esta é uma questãoque induz a sociedade a uma subvalorização das consequências bucais relacionadas ànegligência no uso dos recursos de higiene dos espaços interdentários. Apontamentosfeitos por alguns autores5-8 evidenciam que os comprometimentos periodontais e aocorrência de lesões cariosas são mais prevalentes nas regiões proximais do que nasfaces livres. A instrução para uma higiene bucal satisfatória deve enfatizar – de forma similar– a escovação tradicional e a higiene dos espaços proximais, com o fio dental e /ouescovas interdentárias, para o devido controle do biofilme dentário e promoção dasaúde9.
  4. 4. PAGE * MERGEFORMAT 4 O termo compliance (ou colaborador), diz respeito a um perfil de contribuição dopaciente, voltado a prática regular dos cuidados bucais orientados e ao cumprimentodos prazos estipulados para as visitas de rotina, destinadas ao controle da progressãodas doenças e à manutenção da dentição em saúde e função10. Os autores10 tiveram a oportunidade de avaliar o nível desta colaboração emum grupo de 505 pacientes - tratados e mantidos - sob o ponto de vista periodontal, porum mínimo de 10 anos. Os resultados mostraram que os colaboradores tiveram umaredução dos sinais clínicos da doença periodontal – caso da profundidade clínica desondagem (PCS), do sangramento à sondagem (IS), do índice de placa (IP) e dasperdas dentárias - quando comparados aos pacientes que não se enquadraram nesteperfil. O nível de ocorrência de colaboração foi avaliado em uma série de outroslevantamentos, representando uma significativa variável de destaque para a obtençãode saúde bucal. A investigação dos hábitos de um grupo de pacientes de uma clínicaprivada, mostrou que a proporção de pacientes colaboradores foi de 32.5% e a de não –colaboradores de 67.5%10,11,12. Em uma dessas análises12, verificaram que 54% dos pacientes dispunhamdo perfil colaborador e que 46% não se encaixaram nesta definição. Apesar de, sob o ponto de vista periodontal, uma completa higiene bucal - acada 48 horas – dispor de potencial para colaborar com a prevenção em periodontia13,outros fatores importantes conduzem à recomendação desta prática, pelo menos, a
  5. 5. PAGE * MERGEFORMAT 5cada 12 horas 9. O mesmo autor9 propõe que a alimentação, a prevenção da cárie, aquantidade e a qualidade de uso dos recursos de higiene bucal e a regularidade napresença de outros hábitos e/ou condições indesejadas, tornam as pessoas mais oumenos susceptíveis para a preservação da saúde dental e periodontal. Todos estesfatores devem ser considerados para a orientação da frequência diária de higiene bucal. Sob o ponto de vista dos cuidados diários, ficou claro que um adulto, comcontornos gengivais e alinhamentos dentários preservados (incluindo a ausência deretrações ou de crescimentos gengivais e com as papilas interdentais preenchendo osespaços entre os dentes) poderia usufruir, tão somente, do uso regular da escovacomum e do fio dental – como ferramentas para o controle mecânico do biofilmedentário 9,14. 15 Para atender à demanda da higiene das faces livres , foi estabelecido queos modelos mais preconizados de escovas comuns tenham cerdas macias ou extra-macias, distribuídas em alturas semelhantes, cabeça de tamanho reduzido, cabeça ehastes situadas em um eixo similar, leveza, impermeabilidade, fácil limpeza, um mínimode 3 fileiras de cerdas com 6 tufos para cada, fácil manuseio, durabilidade, eficácia,custo adequado e visual agradável. Para os autores essa configuração atende aosrequisitos estabelecidos pelas técnicas de escovação mais preconizadas15. A técnica de escovação, prescrita por Bass16, continua representando umadas principais formas cogitadas para a remoção do biofilme dentário das faces livres.Essa técnica proporciona a limpeza das faces vestibulares, linguais e palatinas -
  6. 6. PAGE * MERGEFORMAT 6especialmente na porção cervical – de maneira dirigida para a área do sulco gengival9.Para o cumprimento desta demanda, as cerdas são posicionadas em 45o, no sentido doápice dentário, seguindo-se uma curta vibração horizontal que permita que elaspenetrem no início da região subgengival. Ainda, sob o ponto de vista técnico, uma série de apontamentosdemonstraram as limitações mais comuns para a maior eficácia do controle mecânico9,14,17 . Uma avaliação salientou que a higiene dos espaços dentários era uma práticamenos frequente do que a escovação comum, em um grupo investigado através de 17entrevista . O levantamento destacou que um número próximo a 100% dosconsultados utilizavam a escova comum como ferramenta diária de higiene bucal. Emcontrapartida, a utilização dos recursos para a limpeza dos espaços entre os dentes foiexaltada por 67,5%. Tal constatação reforça a tese de que o controle proximal dobiofilme dentário ainda é pouco valorizado para o cotidiano da população. As escovas comuns são efetivas no controle do biofilme dentário das faceslivres. Ocorre que a gengivite papilar é mais frequente do que a marginal e os sinaisclínicos de doença periodontal são mais perceptíveis nas áreas proximais18. Os autoresressaltaram que o controle do biofilme nos espaços entre dentes, considerando o fiodental como o recurso mais conhecido, ainda é pouco disseminado na rotina dapopulação. As dificuldades avaliadas incluem a baixa compreensão sobre o corretomanuseio deste recurso e o desconforto pelo tempo gasto na prática da limpezaproximal. Por outro lado, a instrução sobre as escovas interdentais mostrou maioraceitação, apesar da clássica indicação deste recurso para situações clínicas que
  7. 7. PAGE * MERGEFORMAT 7envolvam uma maior abertura e/ou perda tecidual (na região da papila gengival), nasáreas proximais18. A limpeza com o fio dental deve ser indicada para as regiões de contatoentre os dentes e nas situações clínicas em que a papila gengival ocupe todo o espaçointerdental. Em todas as outras situações, a utilização das escovas interdentais (decalibre compatível com o espaço interdentário disponível) é de fundamental significadopara a manutenção da saúde dentária e periodontal 9,14. Outro estudo19 avaliou a qualidade do controle mecânico do biofilme dentárioe os seus efeitos clínicos, em 30 pacientes submetidos a três diferentes protocolosdiários de higienização por um período de 90 dias. As técnicas incluíram umaescovação comum, a escovação comum associada ao fio dental e a utilização daescova comum associada à escova interdental. Todos os pacientes alternaram estesdiferentes protocolos, em intervalos de 30 dias, quando eram reavaliados para o índicegengival (GI) e o índice de placa (IP). A conclusão salienta a importância da limpeza proximal para o incrementoda qualidade da higiene bucal e a grande capacidade demonstrada pelas escovasinterdentais em proporcionar resultados relevantes para o controle do biofilme dentário.Figura 1. O fio dental é incapaz de higienizar as áreas de exposição dasconcavidades proximais (a), ao contrário das escovas interdentais (b).
  8. 8. PAGE * MERGEFORMAT 8 Uma avaliação, em especial, destacou que na presença de espaços proximaisoriundos de comprometimentos periodontais, torna-se evidente a superioridade para aindicação das escovas interdentais20. Os autores salientaram que a perda da substânciagengival na região proximal conduz à exposição das porções radiculares à cavidadebucal e, por conseguinte, das concavidades proximais oriundas da anatomia radicularcaracterística da maioria dos dentes da cavidade bucal. Estas cavidades proximais nãopuderam ser alcançadas completamente pelo fio dental, em contraposição ao que severifica com a utilização da escova interdental. A figura 1 (a e b) ilustra a diferença naqualidade do acesso para a limpeza proximal. A comparação, em pacientes sem tratamento e com diagnóstico de periodontitede evolução moderada à severa, sobre a eficácia do fio dental e das escovasinterdentais na redução do IP, do sangramento gengival e da PCS, foi praticada emoutra investigação 21. O tempo total desse estudo foi de seis semanas, prévias ao tratamentoperiodontal clínico. Vinte e seis pacientes (12 mulheres, 14 homens - com médias deidade de 37.4 anos; variando de 27 a 72 anos) foram instruídos a utilizar o fio dental, emum lado da boca e as escovas interdentais, no outro lado, como complementos diáriosda escovação comum. 21 A conclusão da investigação aponta para uma indicação da combinaçãoda escovação manual comum com o uso das escovas interdentais, como ferramentamais eficaz para a remoção do biofilme dentário e incremento na redução na
  9. 9. PAGE * MERGEFORMAT 9profundidade de sondagem– quando comparados ao uso da escova comum e do fiodental. Entretanto as diferenças não foram tão grandes ao ponto de contra – indicar arecomendação do fio dental para a fase do pré - tratamento. Ficou claro que as escovasinterdentais devem ser mais consideradas, em comparação a tradicional indicação dofio dental, para pacientes portadores de periodontites de comprometimentos moderadosa avançados. Outra investigação22 avaliou que as escovas interdentais devem se adaptar – omais intimamente possível - às faces proximais dos dentes. Tal fato possibilita apenetração das cerdas abaixo da margem gengival, desestruturando o biofilme dasáreas subgengivais. Esse estudo citou que as escovas interdentais, quando associadasà escovação tradicional, permitem a remoção de uma maior quantidade de biofilmedentário que a escovação isolada. Os mesmos autores22 notaram que grande parte da literatura aponta que aescovação proximal conduziu a uma diferença significativamente positiva para aredução do IP, para a remissão do sangramento gengival (IS) e para a diminuição daPCS. Também notaram uma maior disposição de uso das escovas interdentais, quandocomparadas ao uso do fio dental, para o controle proximal do biofilme dentário. No entender de outros dois autores23 o manuseio das escovas interdentaiscomeça pela introdução no espaço interdental, acompanhando o perfil da inclinaçãopapilar. A repetição de cinco movimentos, no sentido de vestibular para a lingual,atenderia a necessidade de remoção do biofilme dentário - conforme a figura 2.
  10. 10. PAGE * MERGEFORMAT 10 Figura 2. Paciente utilizando uma escova interdental de calibre compatível Outras avaliações comentaram que a variedade de aberturas dos espaçosproximais e as situações anatômicas associadas à utilização destes recursos (como apresença de aparelhos ortodônticos, próteses, implantes, retrações gengivais e furcas)podem influir na seleção dos diâmetros necessários para o atendimento das demandasfuncionais durante a utilização das escovas interdentais 9, 22 e 23. Segundo os autores22, as escovas interdentais removem mais biofilmedentário do que a escovação comum isolada. Avaliaram uma diferença positiva, graçasao uso das escovas interdentais, na capacidade de controle do IP, na diminuição dosangramento gengival e na profundidade das bolsas periodontais. As diferenças para acapacidade de controle do biofilme dentário foram favoráveis as escovas interdentaisquando comparadas ao fio dental. A investigação da morfologia de 26 tipos diferentes das escovas interdentais– disponibilizadas no mercado consumidor – por meio do microscópio eletrônico devarredura e de uma microanálise quantitativa das cerdas avaliou o perfil dos recursos
  11. 11. PAGE * MERGEFORMAT 11disponibilizados a sociedade24. A avaliação permitiu aos autores diferenciarem o padrãode qualidade e de resistência entre as amostras estudadas o que sugeriu umincremento para a qualidade de configuração destas escovas, tanto sob o ponto de vistade manufatura, como para o incremento na variedade de diâmetros que atendam asdemandas de espaços, maiores e menores, com a mesma eficácia. A consideraçãodestes requisitos é de fundamental importância para a orientação e a seleção dosmelhores recursos de limpeza proximal, destinados a cada paciente. 9,22-23 Alguns autores citaram que uma sequência de escovas interdentais dediferentes diâmetros (variando do menor disponível até o mais amplo), atenderiam asnecessidades da higiene proximal e facilitariam a indicação profissional. Outro estudo salientou que as limitações para o controle do biofilmedentário, em adultos na terceira idade25. Os autores avaliaram a presença do biofilmedentário, a frequência de utilização da escova e do fio dental. O estudo investigou asituação de 65 pacientes atendidos em uma escola de odontologia de São Paulo. Os resultados mostraram que 94% dos investigados apresentaram níveiselevados de acúmulo bacteriano, apesar de afirmarem utilizar alguns dos principaisrecursos disponíveis para a higiene bucal. Os autores consideraram alta a prevalência do biofilme dentário, independenteda utilização da escova comum e do fio dental. A avaliação deixou evidente que aescova comum estava incorporada ao cotidiano da maioria dos investigados e que,apenas, 34% citaram o fio dental como recurso complementar a higiene bucal.
  12. 12. PAGE * MERGEFORMAT 12 A conclusão citou que o grande desafio para o adequado controle do biofilmeenvolveria o desenvolvimento de programas específicos para estes pacientes para amotivação e a adequada orientação sobre os recursos mais eficazes para o controle dobiofilme dentário. Proposição: O objetivo desta investigação clínica é o de comparar a variação dos níveisde acumulo do biofilme dentário (IP), obtidos com a orientação individualizada para umperfil de controle que contemple a escovação comum e a limpeza dos espaçosproximais, em dois grupos de pacientes, inicialmente desprovidos de hábitos e deinstruções adequadas para este intento. Materiais e Métodos: Um total de vinte pacientes, oriundos dos serviços de atendimento clínico deduas escolas de odontologia da cidade de São Paulo, foram avaliados e reavaliadospara o perfil de controle do biofilme dentário, através do Índice de Placa de O’Leary(IP)26. Os vinte investigados foram divididos em grupos, conforme a origem daprocedência clínica. O primeiro grupo foi composto por doze pacientes. Dois delesforam excluídos durante o processo, pois não dispunham de, pelo menos, um quarto dadentição original, o que representou um critério de exclusão para a composição dosgrupos. O segundo grupo foi composto por oito pacientes.
  13. 13. PAGE * MERGEFORMAT 13 Todos os pacientes envolvidos na pesquisa receberam os benefíciosgerados pelos protocolos estabelecidos, de acordo com os preceitos éticos,fundamentados pela confirmação da disponibilidade para compor os grupos, por meiodo preenchimento de um termo de livre consentimento, proposto para esta finalidade eda aceitação, pelo comitê de ética consultado, da metodologia proposta. Os pacientes, de ambos os grupos, eram portadores da doença periodontale demonstraram, ao ínicio, negligência na higiene dos espaços entre dentes. Nocomeço da análise (T0), os participantes foram avaliados quanto ao IP, utilizando-seuma solução de fucsina básica a 0,5%, em propileno glycol, como substânciaevidenciadora do biofilme dentário. Os dados do IP inicial foram registrados emformulários devidamente confeccionados para este estudo. Na sequência, os participantes receberam orientação individual para praticara higiene dentária das faces livres, utilizando a escova comum (modelo SELECT –cerdas macias - TePe(), pela técnica de Bass. Os dois grupos foram instruídos amanterem a rotina de utilização dos dentifrícios e a descartarem quaisquer soluçõescomerciais para bochechos, durante a avaliação, conforme ilustra a figura 3. Figura 3. Escova comum utilizada pela investigação clínica
  14. 14. PAGE * MERGEFORMAT 14 Na instrução inicial, o grupo 1 foi orientado a higienizar as regiões proximais,através do fio dental (modelo Mini Flosser – TePe(), por um período de 30 dias (T1). Notrigésimo dia, incorporou-se a recomendação para as escovas interdentais à rotinadesse grupo (modelo TePe(), de calibre(s) compatível(eis) com as aberturas proximaisavaliadas pelo investigador clínico, conforme ilustra a figura 4. Figura 4. Modelo do fio dental e da variedade de escovas interdentaisdisponibilizadas para o estudo. Esta forma de higiene proximal teve sequência por outros 30 dias, ou até o 60odia do levantamento. As reavaliações do IP, do primeiro grupo, foram praticadas eregistradas, dentro da mesma metodologia utilizada no T0; durante o T1 (30 dias) e no
  15. 15. PAGE * MERGEFORMAT 15T2 (60 dias). No décimo quinto e quadragésimo quinto dias do estudo, os pacientesreceberam um reforço sobre as técnicas propostas, embora desprovidos dequantificações sobre o IP daquele momento. Os resultados aferidos estão disponíveisna tabela 1. Tabela 1. Valores do Índice de Placa (O’Leary) avaliados para o grupo 1 IPPaciente Idade IP inicial Intermediário IP Final No.dentesRAM (fem.) 65 88,80% 70,70% 25% 29ACF (fem.) 62 40,90% 52,20% 11,40% 11RSR (masc.) 66 31,20% 25% 6,20% 28MLB (fem.) 57 47,20% 47,20% 16,70% 18RRH (masc.) 63 84,80% 55,40% 28,30% 23YCS (fem.) 55 53,10% 43,70% 25% 8LRMJ(fem.) 68 85,40% 39,60% 18,70% 12PMS (fem.) 60 52,90% 64,70% 4,40% 17LSV (fem.) 69 77,50% 50% 27,50% 10VSRC (fem.) 51 55% 40% 15% 10Média: 61,6 62% 49% 18% 16,6 O segundo grupo de pacientes recebeu a mesma instrução para o controlemecânico do biofilme dentário das faces livres. A diferença protocolar entre os gruposcorrespondeu à exclusão do fio dental da rotina proposta para o controle mecânicoproximal e a inclusão das escovas interdentais como ferramentas de higiene dosespaços entre dentes.
  16. 16. PAGE * MERGEFORMAT 16 Dessa forma, no T0, todos os pacientes, do segundo grupo, foram avaliadosquanto ao IP e orientados a utilizarem a escova dentária comum e as escovasinterdentais por 30 dias (T1), para a aferição da qualidade da higiene dos espaçosmensurados pelo investigador clínico. Os dados referentes aos registros inicial e final doIP desse outro grupo de pacientes encontram-se na tabela 2. Tabela 2. Valores do Índice de Placa (O’Leary) avaliados para o grupo 2Paciente Idade IP inicial IP Final No. dentesALS(fem.) 44 97% 86% 25MFSC(fem.) 48 83% 45,80% 18CAS(fem.) 57 100% 58,34% 18CGS(fem.) 31 92,50% 65% 30NET(masc.) 56 34,80% 29,40% 23MC(fem.) 39 69,40% 45,40% 27SR(masc.) 50 100% 50% 11SGCO(fem.) 34 79,16% 29,16% 18 Cabe ressaltar que todas as mensurações e registros do IP, nos dois grupos,foram realizadas por um examinador que não interferiu na orientação para o controle dobiofilme dos pacientes investigados. A ilustração da metodologia descrita para este levantamento é apresentadana Figura 5. As informações estatísticas foram interpretadas e analisadas por um outroinvestigador especializado, a fim de avaliar os resultados obtidos pela investigaçãoclínica praticada.
  17. 17. PAGE * MERGEFORMAT 17 Figura 5. Esquema da metodologia aplicada ao estudo. Resultados e Discussão: Os resultados sobre a influência dos protocolos estabelecidos, dentro decada grupo, estão disponíveis na tabela 4. Ao analisá-la, comparando-se os resultadosobtidos, dentro dos grupos, notam-se melhoras significativas no controle do biofilmedentário, variando do tempo inicial ao final, nas investigações de cada um dos grupos. Épossível atribuir esses ganhos de qualidade no controle do IP as medidas de higienebucal propostas, reforçadas e incorporadas pelos investigados.
  18. 18. PAGE * MERGEFORMAT 18 Tabela 4. Comparação das variações do IP nos grupos investigados Variável comparação avaliação variação entre avaliações Indice de Placa (OLeary) (em ptos percentuais) valor - p conclusão a 5% momento inicial (T0) = 1o. Dia ( g1) intermediaria (T1) = 30o. Dia (g1) var int/ini g1 teste de Wilcoxon** media (dp) 61,7% ( 20,68% ) 48,9% ( 13,11% ) -12,8% ( 18,31% ) 0,066 aceita H0 IC95% media 46,9% ; 76,5% 39,5% ; 58,2% -25,9% ; 0,3% 1ºq;mediana;3ºq 45,6% : 54,1% : 84,9% 39,9% : 48,6% : 57,0% -28,0% : -12,2% : 2,8% min ; max 31,2% : 88,8% 25,0% : 70,7% -45,8% : 11,8% teste do sinal (a variação entre duas avaliações é igual a zero) *** valor - p 0,090 conclusão a 5% aceita H0 momento intermediaria (T1) = 30o. Dia (g1) final (T2)= 60o. dia (g1) var int/fin g1 teste de Wilcoxon** media (dp) 48,9% ( 13,11% ) 17,8% ( 8,65% ) -31,0% ( 13,73% ) 0,005 rejeito H0 IC95% media 39,5% ; 58,2% 11,6% ; 24,0% -40,9% ; -21,2% 1ºq;mediana;3ºq 39,9% : 48,6% : 57,0% 10,1% : 17,7% : 25,6% -42,0% : -26,1% : -20,4% min ; max 25,0% : 70,7% 4,4% : 28,3% -60,3% : -18,7% teste do sinal (a variação entre duas avaliações é igual a zero) *** valor - p 0,001 conclusão a 5% rejeito H0 momento inicial (T0)= 1o. Dia ( g1) final (T2)= 30o. Dia ( g1) var ini/fin g1 teste de Wilcoxon** media (dp) 61,7% ( 20,68% ) 17,8% ( 8,65% ) -43,9% ( 15,43% ) 0,005 rejeito H0 IC95% media 46,9% ; 76,5% 11,6% ; 24,0% -54,9% ; -32,8% 1ºq;mediana;3ºq 45,6% : 54,1% : 84,9% 10,1% : 17,7% : 25,6% -58,3% : -44,3% : -29,2% min ; max 31,2% : 88,8% 4,4% : 28,3% -66,7% : -25,0% teste do sinal (a variação entre duas avaliações é igual a zero) *** valor - p 0,001 conclusão a 5% rejeito H0 Variável comparação avaliação variação entre avaliações estatística (em ptos percentuais) valor - p conclusão a 5% momento inicial (T0)= 1o. Dia ( g2) final (T1) = 30o. Dia (g2) var ini/fin g2 teste de Wilcoxon** media (dp) 82,0% ( 21,97% ) 51,1% ( 18,81% ) -30,8% ( 16,86% ) 0,012 rejeito H0 IC95% media 63,6% ; 100,0% 35,4% ; 66,9% -44,9% ; -16,7% 1ºq;mediana;3ºq 71,8% : 87,8% : 99,2% 33,4% : 47,9% : 63,3% -47,9% : -32,4% : -14,2% min ; max 34,8% : 100,0% 29,2% : 86,0% -50,0% : -5,4% teste do sinal (a variação entre duas avaliações é igual a zero) *** valor - p 0,004 conclusão a 5% rejeito H0 Esta constatação foi corroborada por outras investigações, de perfil similar, queobtiveram resultados satisfatórios a partir do estímulo e da adequada orientaçãotécnica, para a utilização dos recursos de higiene bucal – especialmente o fio dental eas escovas interdentais – fundamentais a preservação das estruturas dentárias eperiodontais 19,21,22. É evidente que os recursos de higiene dos espaços proximais sãonegligenciados por grande parte da sociedade, especialmente se comparados a escovacomum. Uma série de estudos considerou os motivos cogitados para a menor 9,10,11,14,18,22,25dedicação no controle interproximal do biofilme dentário . Dentre os
  19. 19. PAGE * MERGEFORMAT 19listados, merecem destaque as dificuldades técnicas no manuseio desses recursos(propagados como complementares)14,25, o custo, o aumento no tempo gasto para aprática da higiene e, principalmente, a desinformação da população sobre a importânciada higiene interdentária para a promoção de saúde – fato também evidenciado pelainvestigação presente 9,14,18,25. A propagação da escovação comum como a “principal ferramenta destinadaao controle do biofilme dentário” conduz a um efeito preventivo dos problemas bucais,embora incompleto para a prevenção de sequelas proximais relevantes e maisfrequentes do que os comprometimentos das faces livres, conforme atestam uma sériede estudos 9,14,22,25. No grupo 1, os resultados mostram que a proposta inicial para a inclusão deuma pormenorizada instrução para o uso da escova comum e do fio dental (T0 à T1) àrotina dos investigados, conduziu a uma visível tendência de melhora no controle dobiofilme dentário, apesar de ainda insatisfatória para efeito da análise estatística. Este fato pode ser explicado pela constatação dos problemas periodontais,nos investigados, que conduziram à perda da papila interdental nos espaços proximaisda maioria dos dentes examinados. Isto corrobora o alcance limitado do fio dental,nestas circusntâncias, embora não exclua a sua importância para a higienização dasáreas de contato entre os dentes 9,14,21,22,23,24. Por outro lado, a inclusão das escovas interdentais na rotina de controlemecânico do biofilme dentário ofereceu significativas mudanças na capacidade decontrole do IP de todos os pacientes investigados.
  20. 20. PAGE * MERGEFORMAT 20 As avaliações dos grupos 1 e 2, salientam níveis estatisticamentesignificativos de melhora na capacidade de controle do IP, para os usuários de escovasinterdentais dos dois grupos. A confirmação desta condição pode ser vista no gráfico 1. Re ao T Re ao T2 (T0 (T0 G2 ão G1 ão du duç ç 1) ) Gráfico 1. Variação do Indice de Placa (IP) nos grupos 1 e 2. A ilustração (constante do gráfico 1), reforça a compreensão sobre a melhora nocontrole do IP com a inclusão de adquadas técnicas de higiene proximal e das faceslivres. Inicialmente, pela tendência demonstrada na associação da escova comum e dofio dental para a prática de duas higienes bucais diárias e, posteriormente, pelasignificativa redução do biofilme, tanto pela incorporação da escova interdental a umarotina de uso da escova comum e do fio dental (conforme observado no grupo 1), comopela substituição do fio dental pelas escovas interdentais para a higiene dos espaçosproximais (conforme observado pelo grupo 2).
  21. 21. PAGE * MERGEFORMAT 21 Cada ponto observado, na gráfico 2, corresponde a um paciente investigadonaquela amostra de grupo. A absoluta presença de pontos, localizados na divisãoinferior dos gráficos, reitera o significado estatístico positivo para a melhora no controledo IP. Tal fato é observado nos gráficos que ilustram o momento da associação dasescovas interdentais na rotina de higiene bucal preconizada para os gruposinvestigados.Gráfico 2. Representação da repercussão das metodologias prescritas para ocontrole do IP nos diferentes momentos dos grupos 1 e 2. Dos investigados que compuseram o primeiro grupo, apenas três pacientesnão aprimoraram a capacidade para o controle do biofilme dentário, quando utilizaram ofio dental associado à escovação comum - pelo período de 30 dias. No mais, todos osoutros pacientes, em todas as fases da avaliação, evoluíram na capacidade de controledo IP.
  22. 22. PAGE * MERGEFORMAT 22 As evidências sobre a melhora na capacidade de controle do biofilmedentário (IP), observadas neste estudo, condizem com as observações de outros 3, 19-protocolos, elaborados para a mesma finalidade, conforme descreveram os autores22 . A comparação das médias do IP – nos momentos finais de cada grupo –mostraram diferenças estatisticamente relevantes para a qualidade do controle dobiofilme dentário em favor do primeiro grupo (17,8% para o GI e 51,1% para o GII).Apesar da significativa melhora, observada dentro de cada um dos grupos, osincrementos obtidos pelo grupo 1 (variação das média do IP de 61,7% para 17,8% -pelo uso instruído da escova comum, das escovas interdentais e do fio dental) foramsuperiores aos do grupo 2 (variação das médias do IP de 82% para 51,1% - pelo usoinstruído da escova comum e das escovas interdentais). É possível cogitar que a maior capacidade para o controle do IP, atribuídaao grupo 1, decorra do maior tempo de convívio para a motivação (G1 = 60 dias e o G2= 30 dias)10 e/ou da associação entre os recursos para a higiene proximal 9,14 (fio dentale escovas interdentais), reforçando a condição para a melhor higiene proximal. Essas justificativas encontraram respaldo nas citações que comentaramsobre a eficácia do fio dental na limpeza das áreas de contato entre dentes e, dasescovas interdentais, na higiene das regiões desprovidas do preenchimento gengivalentre dentes 9,14,18,19,21,22.
  23. 23. PAGE * MERGEFORMAT 23 Conclusão: A avaliação dos dois grupos de pacientes mostrou que a motivação e ainstrução para o controle mecânico do biofilme dentário colaboraram para a redução nacontagem do biofilme dentário (IP) de todos os investigados. Ficou evidente a contribuição das escovas interdentais para a relevânciados resultados obtidos.
  24. 24. PAGE * MERGEFORMAT 24 Referências: 1. LOE H, THEILADE E & JENSEN SB – Experimental gingivitis in man; JPeriodontol.1965;36:177-87. 2. LOE H, ET AL.. Inhibition of experimental caries by plaque prevention. Theeffect of chlorhexidine mouthrinses. Scand J Dent Res. 1972; 80(1):1-9. 3. BAKDASH B Oral hygiene and compliance as risk factors in periodontitis. JPeriodontol. 1994;65(5 Suppl):539-44. 4. FARGE P. Recent findings in the etiopathogenesis of caries. Arch Pediatr.1998;5(10):1140-1144. 5. LÖE H, SILNESS J Periodontal Disease in Pregnancy I. Prevalence andSeverity. Acta Odontologica 1963; 21(6): 533-551 6. ARTUN J. Caries and periodontal reactions associated with long-term use ofdifferent types of bonded lingual retainers. Am J Orthod.1984; 7.YONEYAMA T, OKAMOTO H, LINDHE J, SOCRANSKY S S, HAFFAJEE AD.Probing depth, attachment loss and gingival recession. J Clin Periodontol. 1988; 15(9):581-591. 8. SOUSA SMS, VIEIRA, SMC. Prevalência da cárie severa, em pré-escolares enecessidade de tratamento: projeto piloto. Acesso em:
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