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A materialidade e a afetividade do livro na Era Digital_Alcar 2015

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Apresentação do Alcar 2015

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A materialidade e a afetividade do livro na Era Digital_Alcar 2015

  1. 1. Tauana Jeffman Professora substituta no dep. de Comunicação Social – UFSM Doutoranda em Ciência da Comunicação – UNISINOS Mestre em Comunicação Social – PUCRS Graduada em Publicidade e Propaganda – UNIPAMPA
  2. 2. A materialidade e a afetividade do livro na era digital
  3. 3. Esta reflexão é um fragmento do trabalho: Era (uma vez) digital: Um estudo etnográfico sobre consumo e socialização entre leitores através do Skoob e do YouTube.
  4. 4. Desenvolvido durante a primeira etapa da Análise de Conteúdo, que se intitula “leitura flutuante”, onde se estabelece um primeiro contato com o que será analisado.
  5. 5. O que é um livro?
  6. 6. O livro não é apenas um objeto material. É um objeto simbólico, representando o “repositório de tudo o que foi feito de melhor, pelo homem, nas artes e na ciência” (DEBRAY, 1996, p. 141).
  7. 7. O livro é uma instituição, uma força, uma tecnologia.
  8. 8. É uma “tecnologia suficientemente flexível para adaptar-se aos novos tempos” (BELLEI, 2002, p. 40).
  9. 9. Sua história tem cerca de seis mil anos, iniciada com os textos fixados em tabuletas de argila, que foram sucedidas pelo papiro, pelo pergaminho, pelo códex, pelo impresso e pelo digital, sendo que, estes dois últimos, convivem concomitantemente em nossos dias.
  10. 10. E o futuro do livro?
  11. 11. O futuro do livro é um tanto quanto traumático para a sociedade; pois pode significar o desaparecimento da “própria manifestação material da essência imaterial do humano” (BELLEI, 2002, p. 12).
  12. 12. Mas por quê?
  13. 13. Porque, quando se pensa o livro na era digital, imagina-se apenas o e-book e o hipertexto como protagonistas, como se a evolução tecnológica deixasse-nos apenas os bites e sucumbissem os átomos.
  14. 14. A materialidade e a afetividade do livro estão presentes na era digital.
  15. 15. Os átomos estão presentes.
  16. 16. O e-book e o hipertexto
  17. 17. Na concepção de Bellei (2002, p. 29), o surgimento do computador afetou o livro apenas de duas maneiras: 1> reproduzindo de forma digital os livros impressos e apresentando-os em telas; e 2> modificando o livro de forma radical, transformando-o em hipertexto.
  18. 18. Para Procópio (2010, p. 21), o livro na era digital é sinônimo de livro digital. Ou seja, o livro impresso viverá apenas enquanto os saudosistas resistirem à tecnologia.
  19. 19. Acredita que não há uma ruptura entre o livro impresso e o e-book, mas sim, uma “continuidade natural”, desde o manuscrito até o livro digital.
  20. 20. Chartier (2002, p. 22) constata que a tecnologia digital provoca sim uma ruptura, alterando nossa relação com o livro e a escrita.
  21. 21. Nossa relação com o texto depende tanto de seu conteúdo quanto de seu suporte, e é exatamente esta “ordem dos discursos que se transforma profundamente com a textualidade eletrônica”.
  22. 22. Em outras palavras, as formas que permitem a leitura do texto, ou sua visão e audição, “participam profundamente da construção de seus significados”, pois “o ‘mesmo’ texto, fixado em letras, não é o ‘mesmo’ caso mudem os dispositivos de sua escrita e de sua comunicação” (CHARTIER, 2002, p. 62).
  23. 23. Não acreditamos na morte do livro (tão logo)
  24. 24. Não acreditamos na morte do livro (tão logo) Não acreditamos que livro na era digital seja sinônimo de livro digital.
  25. 25. Não acreditamos na morte do livro (tão logo) Não acreditamos que livro na era digital seja sinônimo de livro digital. Não acreditamos que não há rupturas.
  26. 26. Acreditamos que o livro na era digital é a relação – nem sempre harmoniosa – entre a escrita manuscrita, o impresso e o texto eletrônico (CHARTIER, 2002).
  27. 27. Livro físico x Livro digital
  28. 28. Chartier (1999a, p. 13) nota que o livro eletrônico apresenta uma diferença cultural, para além da diferença tecnológica. Em outras palavras, “a revolução do livro eletrônico é uma revolução nas estruturas do suporte material escrito assim como nas maneiras de ler”.
  29. 29. O livro digital > relação fria e distanciada com o leitor O livro físico > relação mais íntima e afetiva
  30. 30. O consumo de livro físico e o consumo de um livro digital nunca serão o mesmo, porque a experiência de consumo modifica-se profundamente, dependendo de sua plataforma (CHARTIER, 1999a, p. 71).
  31. 31. Por isso, o fim do livro seria o fim da maneira de ler tal qual conhecemos hoje.
  32. 32. O livro é valorizado em nossa época: Não precisa ser acessado, conectado, carregado ou upado. Seu projeto editorial é um prazer visual, segurá-lo em nossas mãos é um deleite.
  33. 33. A materialidade do livro
  34. 34. Nessa relação mais afetiva e íntima que o livro físico estabelece com seu leitor, outros aspectos complementam sua experiência de leitura.
  35. 35. Hardcover
  36. 36. Paperback
  37. 37. Hardback
  38. 38. As marginalias “traduzem uma apropriação pela escrita do livro lido” (CHARTIER, 2002, p. 96).
  39. 39. As marcações também são úteis para a memorização do conteúdo da leitura, pois conforme Johnson (2001, p. 15), “nossa memória visual é muito mais duradoura do que nossa memória textual”.
  40. 40. Os sentidos enriquecem nossa experiência com os livros.
  41. 41. Através da materialidade chegamos à imaterialidade (MILLER, 2013).
  42. 42. Unboxing literário
  43. 43. Lindstrom (2009, p. 55) atribui o comportamento de rebanho aos “neurônios-espelho”, ou seja, “neurônios que se ativam quando uma ação está sendo realizada e quando a mesma ação está sendo observada”.
  44. 44. Lindstrom (2009, p. 56) explica-nos: “é como se ver e fazer fossem a mesma coisa”.
  45. 45. Observar os outros comprando e repetir seu comportamento também é justificado pela dopamina, “uma das substâncias químicas cerebrais ligadas ao prazer”.
  46. 46. Imitação + Prazer = unboxing
  47. 47. “Ai meu Deus, essa sensação é maravilhosa. Abrir uma compra é tipo ... orgasmos. [...] Livros, livros, livros, muitos livros. [...] A Tatiane Feltrin, em um vídeo dela, indicou e eu comprei porque tava barato. [...] Olha isso aqui! O Chamado do Cuco. Calma que eu vou abrir pra vocês. [...] O cheiro disso aqui é maravilhoso [...] Não é uma porcaria não, vou mostrar pra vocês [...] Dá pra ler nas férias, tô feliz”.
  48. 48. Esta experiência relaciona-se também ao sentir, tocar, apreciar. A leitura é enriquecida de outros sentidos, como demostra a narração dos vídeos, que fala-nos sobre cheiros, texturas, brilhos, capas, etc.
  49. 49. Conclusões
  50. 50. Na era digital, o livro físico tem seu espaço, dotado de materialidade e afetividade, possibilitando experiências de leitura e de consumo.
  51. 51. Os livros, dotados de “corpo e presença”, oferecem uma experiência de leitura diferente do que um e-book. Os livros físicos, através de sua materialidade, encaminham-nos à afetividade. Tornam-se amigos, companheiros de uma vida, confidentes de histórias e caminhos para nossa própria subjetividade.
  52. 52. Referências
  53. 53. ARAÚJO, Emanuel. A construção do livro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. BARBOSA, Lívia; CAMPBELL, Colin. Cultura, consumo e identidade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. BARDIN, Lawrence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. BELLEI, Sérgio Luiz Prado. O livro, a literatura e o computador. São Paulo: EDUC; Florianópolis: UFSC, 2002. BERGER, Jonah. Contágio: por que as coisas pegam. Rio de Janeiro: Leya, 2014. BIRKERTS, Sven. The Gutenberg Elegies: The Fate of Reading in an Electronic Age. New York: Farrar straus & giro, 2006. BURGESS, Jean; GREEN, Josua. YouTube e a Revolução Digital: Como o maior fenômeno da cultura participativa transformou a mídia e a sociedade. São Paulo: Aleph, 2009. BUTTER, David. Unboxing de tudo. 2013. Disponível em: <http://davidbutter.tumblr.com/post/67653224214/o-unboxing-de-tudo>. Acesso em: 01 ago. 2014.
  54. 54. CHARTIER, Roger. Práticas da leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 1996. ______. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: Editora UNESP, 1999a. ______. A ordem dos livros: leitores, autores e bibliotecas na Europa entre os séculos XIV e XVIII. Brasília: UnB, 1999b. DARNTON, Robert. História da leitura. In: BURKE, Peter (Org.) A escrita da história: novas perspectivas. São Paulo. UNESP, 1992. DEBRAY, Régis. The book as symbolic object. In: NUNBERG, Geoffrey (org). The future of the book. Califórnia: University of California Press, 1996. ECO, Umberto; CARRIÈRE, Jean-Claude. Não contem com o fim do livro. Rio de Janeiro: Record, 2010. IPROFESIONAL.COM. Lanzan un curioso perfume con olor a libro nuevo. 2012. Disponível em: <http://www.iprofesional.com/notas/140813-Lanzan-un- curioso-perfume-con-olor-a-libro-nuevo>. Acesso em: 05 mai. 2015.
  55. 55. LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: verdade e mentiras sobre por que compramos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. MILLER, Daniel. Trecos, troços e coisas: estudos antropológicos sobre a cultura material. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. PROCÓPIO, Ednei. O livro na era digital: o mercado editorial e as mídias digitais. São Paulo: Giz Editorial, 2010. SCHWALBE, Will. O clube do livro do fim da vida: uma história real sobre perda, celebração e o poder da leitura. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. SILVA, Ezequiel Theodoro da. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura. São Paulo: Cortez, 2011. TAVARES, Ingrid. Cheiro de livro vira perfume cult. Disponível em: <http://revistaglamour.globo.com/Beleza/noticia/2012/07/cheiro-de-livro-vira- perfume-cult.html>. Acesso em: 12 jan. 2015. TAVARES, José Eduardo. UnBoxing: O Consumidor e a Embalagem. 2011. Disponível em: <http://cascadabanana.blogspot.com.br/2011/04/artigos-unboxing.html>. Acesso em: 04 jul. 2014.
  56. 56. Obrigada tauanamwj@hotmail.com

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