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  1. 1. In: ENCONTRO DE ESTUDOS ORGANIZACIONAIS, 2., 2002, Recife. Anais... Recife: Observatório da Realidade Organizacional : PROPAD/UFPE : ANPAD, 2002. 1 CD. Programas Preventivos de Saúde: Mudança de Hábito Individual e Novo Espaço de Regulação Conjunta Rosana Aquery de Moraes Abreu Serafim Firmo de Souza Ferraz Resumo O patrocínio de programas de prevenção contra as lesões por esforços repetitivos / doenças osteomusculares relacionados ao trabalho (LER-DORT), por constituírem fenômeno relativamente recente e insuficientemente regulado, propiciam espaço para mudanças atitudinais individuais e de melhoria do relacionamento entre colaboradores e organizações pela via do aprimoramento da qualidade de vida no trabalho. O presente estudo pretende mapear motivações individuais favoráveis e contra a participação da pessoa nesses programas, com o objetivo de aprimorá-los como instrumento de gestão de recursos humanos. INTRODUÇÃO – Entre 19 e 23 de junho de 2001, o Instituto Datafolhai ouviu 1072 trabalhadores paulistanos dos setores comercial, industrial, de serviços e da construção civil, sobre condições de trabalho em geral e incidência de sintomas passíveis de revelar existência ou riscos de desenvolvimento de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). O diagnóstico revelado pela pesquisa impressiona pela dimensão que o fenômeno parece assumir nos ambientes de trabalho (escritórios e fábricas) e fora deles. A pesquisa informa que 14% dos trabalhadores paulistanos dos referidos setores mencionam algum sintoma relacionado às LER-DORT e que 310.000 trabalhadores (4% da população da cidade de São Paulo) já possuem diagnóstico da doença. Paradoxalmente, o fenômeno não é tratado em nenhum manual de gestão de recursos humanos pesquisado (Chiavenato, Milsovich/Boudreau) seja nos capítulos relativos a Higiene, Segurança, Saúde Ocupacional ou Qualidade de Vida no Trabalho. Mesmo o PCMSO - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (Norma Reguladora NR-7 do Ministério do Trabalho (Portaria 24, de 29.12.94) é omisso sobre as LER-DORT. A literatura mais completa sobre o assunto foi disponibilizada pelo Ministério da Saúde e não pelo Ministério do Trabalho. As LER-DORT vem adentrando nas organizações brasileiras pela via das suas áreas jurídicas. Face à escassa jurisprudência e a inexistência de políticas corporativas ou governamentais de prevenção, as demandas trabalhistas se avolumam. As empresas se recusam a revelar cifras para não incentivar demandas. Mas os valores envolvidos podem ser facilmente estimados, considerando a inabilitação para o trabalho pelo remanescente da vida produtiva do trabalhador. Começa a interessar aos dirigentes de empresa pelo passivo trabalhista potencial que se avoluma. Por a doença projetar os seus efeitos além das fronteiras corporativas, avançando sobre as qualificações dos trabalhadores, porque em muitos casos fica a pessoa inutilizada permanentemente para atividades laborais, muitas vezes relacionadas com a moderna organização e ambiência do trabalho. A dimensão pecuniária das demandas trabalhistas, na verdade, deverá ser o principal motivador para o investimento de empresas em programas continuados de saúde e ergonomia. O economista José Pastoreii estimou o custo com acidentes e doenças relacionados ao trabalho, entre tratamento, afastamento do profissional e encargos administrativos, em R$ 20 bilhões. Comentando a mesma pesquisa, o Ministro José Serra, da Saúde, afirmou que a LER-
  2. 2. DORT representa de “80 a 90% dessas doenças”, com forte impacto no orçamento do Ministério que ocupa. Ocorre que as LER-DORT atingem profissionais na faixa etária de maior produtividade, entre 30 e 40 anos, sendo as mulheres mais atingidas. Os danos à pessoa, às famílias e sobre os orçamentos da Previdência e Saúde são, portanto, evidentes. Por isto, os encaminhamentos que incluam programas de requalificação profissional interessam tanto a empresas como a sindicatos e governos. Artigos em revistas de negócios (Exame) ou de saúde (Movimento) começam a relatar ações isoladas de empresas contra a LER-DORT. Mas as iniciativas são ainda relativamente raras. Relatos de experiências e dos seus desdobramentos são praticamente inexistentes. As metodologias utilizadas costumam ser classificadas pelo caráter exótico de objetivos e práticas e, quase sempre, não legitimadas pelos hábitos culturais de parte preponderante dos acometidos. Referência a modismo da “turma do RH” são freqüentemente mencionados pelos profissionais em campo. O presente artigo relata uma experiência de prevenção à doença em um Banco, pois são os bancários os profissionais mais acometidos pelas LER-DORT (64,9% dos casos, segundo Pastores; 26,2% dos funcionários do Banco do Brasil apresenta algum sintoma), ao lado de metalúrgicos, digitadores, secretárias, jornalistas e operadores de telemarketing. A pesquisa não foi realizada na perspectiva do médico do trabalho, mas sim de uma psicóloga e de um administrador de empresa. Por essa razão, o texto privilegia uma perspectiva de ator, não o processo em si mesmo ou os procedimentos e jargões da medicina do trabalho. O entendimento da tecnologia utilizada pelo Programa Ação e Saúde – Ginástica Laboral será explicada, na busca da apreensão de opiniões e motivações dos usuários do programa de prevenção. O estudo, portanto, privilegia elementos atitudinais relativos atribuída à prevenção. A inspiração para o trabalho partiu da tentativa de entendermos porque um contingente de colaboradores se recusava a participar do Programa de Ginástica Laboral. Chamou-nos a atenção, em particular, algumas poucas ocorrências de trabalhadores que se abrigavam em sanitários e salas fechadas, ausentavam-se do ambiente de trabalho, durante as atividades rotineiras de prevenção. CARACTERIZAÇÃO DAS LER-DORT – A imagem do corpo humano é naturalmente associada ao movimento. A limitação do movimento do corpo como fator de produtividade é produto da revolução industrial e, em especial, do Taylorismo e de todas as abordagens por ele influenciadas. A urbanização acelerada e a tecnologia de transportes e comunicação também contribuíram fortemente para essa mudança de perspectiva. O sedentarismo, hoje, é aspecto importante do estilo de vida moderno. Mas é por meio do avanço científico e tecnológico, da eletrônica em especial, que a incidência das LER-DORT se transformam em calamidade mundial. Os escritórios em geral e os Bancos em particular caracterizam a modernidade dos espaços de trabalho, onde, em geral, para cada colaborador, há uma estação de trabalho. Diante desta, a pessoal passa a maior parte da jornada de trabalho. A relação homem-máquina é apresentada como indicador de modernidade e de competitividade de empresa. À limitação do movimento que caracteriza o moderno espaço de trabalho costuma ser agregadas as deficiências ergonômicas de mobiliário e da ambiência em geral. A isto agrega-se , além de má postura, para caracterizar o conjunto de patologias que se abrigam sob a denominação LER-DORT, dentre as mais conhecidas se incluem a tenossinovite, a tendinite, a bursite, a epicondilite a e síndrome do túnel do carpo. As primeiras referências às LER-DORT são muito antigas, quando serviam para caracterizar doenças como “mal dos escribas”, “mal dos pianistas” e “mal de tecelões”. Hoje, caracterizado como fenômeno mundial, surge em proporção direta à modernização do estilo
  3. 3. de vida, onde, na dimensão profissional, potencializa-se o acumulo de atribuições, as pressões pela produtividade intra e extra-organização, pode ser também denominada, atualmente, de “epidemia dos escritórios”. Costuma atingir com maior freqüência os membros superiores, a coluna e o pescoço dos profissionais expostos a movimentos que se repetem em padrões pouco variados e prolongados. O corpo reage ao seu modo, impactado pela rigidez de pescoço e ombros, dores na região lombar, tensão muscular e enrijecimento de articulações. O primeiro sinal da patologia costuma ser uma dorzinha, aparentemente inofensiva e não ameaçadora à execução do trabalho. Na progressão, o incômodo se intensifica e a dor se reproduz por dedos, punhos, ombros, costas e outros pontos distantes do ponto de origem da dor.. Acomete músculos, fáscias musculares, vasos sanguíneos, tegumentos, tendões, ligamentos, articulações e nervos. Diante do incômodo, o sujeito contribui para o agravamento do quadro, respondendo à por meio de um maior comprometimento da postura e retração de tendões que conduz ao enrijecimento de articulações e, no limite, da musculatura do rosto. AÇÃO PREVENTIVA E CONSCIENTIZAÇÃO – A solução dos problemas humanos e organizacionais decorrentes das LER-DORT não pode ser obtida, que não pela ação conjunto de trabalhadores e suas representações, empresas e instituições governamentais. As práticas de gestão de recursos humanos precisam evoluir no campo da qualidade de vida e da flexibilidade do trabalho, sob novas bases de negociação, a partir da regulação conjunta entre empregados e empregadores. As vantagens mútuas podem ser aferidas a partir da informação cotejada por Maria Jose O’Neilliii, segundo a qual as empresas dispendem R$ 89.000,00 somente no primeiro ano de afastamento de um funcionário lesionado. O afastamento do trabalho pelas LER-DORT são, não raro prolongadas, tempo suficiente para promover a perda de empregabilidade do profissional, de renda mensal e da não participação em eventos de requalificação e terapias complementares para garantir a recuperação promovidos pelas empresas. O combate às L.E.R.-DORT, portanto, requer mudanças na organização do trabalho, redistribuição de poderes e enriquecimento de tarefas ou mesmo do domínio de processos de trabalho, em lugar de atividades, necessidade da polivalência profissiona. As formas flexíveis de trabalho são muito mais favoráveis às abordagens prevencionistas, porque nelas a composição coletiva ganha maior relevância. Adicionalmente, a motivação e a satisfação no trabalho são comprovadamente mais intensos, com os ganhos proporcionados pelo ambiente de trabalho saudável e participativo. As iniciativas no sentido da promoção de uma nova ambiência no trabalho precedem às destinadas ao trabalho de prevenção e controle das LER-DORT. As áreas de recursos humanos contam hoje com um vasto portfólio de alternativas para obter engajamento, satisfação e qualidade de vida. Muitas empresas promovem ações de energização e convivialidade, integração e desenvolvimento de equipes, ginástica, Tai Chi Chuan, yoga, caminhadas no campo, etc. Programas específicos para as patologias aqui tratadas, são menos comuns. Falta à ações acima integração e foco na prevenção às LER-DORT. A estratégia adotada pelo BBNN é o Programa Ação e Saúde, lançado pela empresa em dezembro de 1998 para promover a saúde e a qualidade de vida do seu corpo de colaboradores para promover um ambiente mais saudável e produtivo. Seu objetivo é proporcionar informações, serviços e práticas educacionais que contribuam para a prevenção de doenças do trabalho e a disseminação de atitudes e ações favoráveis à formação de um estilo de vida mais saudável. Integram o Programa seis subprojetos: saúde ocupacional, ludos, saúde corporal, times de aprendizagem e alimentação saudável.O ação preventiva das LER-DORT é a ginástica laboral. A ela estão associados os exames médicos periódicos do PCMSO e conjunto de
  4. 4. programas preventivos como antitabagismo, drogas e álcool, campanhas de vacinação, atividades lúdicas e Tai Chi Chuan. Aos programas de controle de peso e alimentação saudável junta-se alternativas variadas de ações de desenvolvimento e integração de equipes de alta performance. A ginástica laboral é também conhecida por ginástica de pausa ou ginástica laboral compensatória. Ela é mais indicada para situações em que se lida com a repetição de movimentos, no caso pelo uso intensivo de microcomputadores. Consiste na prática de exercícios que são realizados no próprio local de trabalho, atuando de forma preventiva e terapêutica, sem levar o trabalhador ao cansaço. De curta duração, trabalhar preferencialmente com exercícios de alongamento e compensação das estruturas musculares envolvidas nas tarefas operacionais diárias. A ginástica laboral pode ser feita de três modos distintos: • Prepatória ou de aquecimento – realizada antes da jornada de trabalho, com duração aproximada de dez a quinze minutos, no próprio local de trabalho, aquecendo os grupos musculares que serão mais solicitados nas tarefas; • Compensatória – realizada durante a jornada de trabalho, provoca uma pausa ativa, compensando posturas inadequadas e esforços repetitivos de baixa intensidade exigidos pela função operacional. Tem a duração aproximada de dez a quinze minutos e é indicada para funções que exigem movimentos repetitivos, necessidade de concentração prolongada, constante atendimento ao público externo e cargos de responsabilidade e tomadas de decisão. • Relaxamento – realizada após o expediente, tem como objetivo principal recuperar o trabalhador do desgaste sofrido no decorrer do expediente. São feitos alongamentos para evitar o acúmulo de ácido lático e prevenir lesões. Os principais objetivos da ginástica laboral são: • prevenir a fadiga muscular; • diminuir o número de acidentes de trabalho por falha humana; • corrigir vícios posturais; • prevenir doenças por traumas acumulativos; • promover a sociabilização; • melhorar a condição física geral; • promover o autocondicionamento orgânico; • diminuir o absenteísmo e procura ambulatorial; • aumentar o ânimo e disposição para o trabalho, melhorando assim as condições de qualidade de vida do trabalhador e da empresa; • proporcionar consciência corporal; • aumentar a auto-estima do trabalhador; • melhorar a produção quantitativa e qualitativamente. A ginástica laboral, neste caso, precede ao próprio programa guarda-chuva de saúde ocupacional da empresa, tendo se transformado, finalmente, no seu subprojeto saúde ocupacional. O Programa de ginástica laboral, implantado desde outubro/98 nas unidades do Banco em Fortaleza, compreendeu, inicialmente, somente os órgãos da Direção Geral, sendo depois estendida às agências localizadas na região metropolitana de Fortaleza. A ginástica praticada é do tipo compensatória ou de pausa e é praticada durante o expediente com o auxílio de facilitadores que se deslocam para as unidades em horários pré-estabelecidos. O público-alvo da ginástica são os funcionários, bolsistas e contratados, que dão uma pausa de aproximadamente quinze minutos no trabalho para participar das atividades
  5. 5. de alongamento. Compõe-se, inicialmente, de uma sessão vivencial de conscientização e de autoconhecimento de cerca de 90 minutos, dirigida por facilitar qualificado. Em seguida, séries de 10 minutos são repassados duas vezes por semana para a equipe no próprio local de trabalho. Decorridos quase 03 anos da sua implantação, a ginástica laboral, a despeito dos seus benefícios, tem encontrado alguns focos de resistência. Conforme entrevistas feitas com as facilitadoras do Programa, nos locais onde há maior aceitação a adesão chega, no máximo, a 50% da lotação, enquanto que, em algumas áreas, a adesão é inexpressiva, chegando algumas vezes a não ocorrer atividade por falta de participantes. Em outras áreas, a ginástica foi suspensa pela absoluta falta de adesão e mobilização. Segundo relato das facilitadoras, as pessoas não atendiam ao convite, especialmente nas áreas de tecnologia e financeira. O controle de freqüência é feito por meio de listas mensais. Nos momentos de maior adesão, em meados de 2000, cerca de 700 colaboradores chegaram a participar do Programa de Ginástica Laboral, de um contingente de 1500 colaboradores (funcionários, bolsistas e contratados, na Região Metropolitana de Fortaleza. Em 2000, a empresa completou a fase de conscientização, onde os exercícios, em tese, seriam apropriados pelo conjunto de colaboradores envolvidos no Programa. Nesse contexto, o programa “paradinha produtiva” daria suporte aos colabordores, por meio de software implantado em ambiente de rede. A cada duas horas, conforme prescrição médica, o software alerta o funcionário para a necessidade de interromper o trabalho e exercitar rotina prescrita para o seu caso em particular. A partir da implantação do software, a freqüência da prática da ginástica laboral com a presença da facilitadora foi reduzida de duas para uma vez por semana. Considerando a situação atual do Programa de ginástica laboral no BBNN, este estudo propõe-se a efetuar uma pesquisa acerca dos motivos que levam contingente importantes de funcionários do Banco a não participar do programa de ginástica laboral, investigando os motivos da sua participação ou não-participação no programa, tanto com a presença de facilitadoras como pela fórmula mediada por computador, de modo a 79% 76% 74% 63% DIMINUIÇÃO DE TENSÃO MUSCULAR PREVENÇÃO DE LER/DORT MAIS DISPOSIÇÃO ALÍVIO DE SINTOMAS PRÁTICA DE EXERCÍCIOS ENTROSAMENTO ENTRE EQUIPE 58% OUTRAS 53% 3% permitir campanhas mais eficazes. Com esse objetivo, foram realizadas entrevistas com profissionais de recursos humanos/Saúde Ocupacional, coordenadores do Programa, com as facilitadoras responsáveis pela prática da ginástica nas áreas e com a sua coordenadora, proprietária da empresa contratada pelo Banco para ministrar a ginástica laboral. O instrumento utilizado para a pesquisa foi um questionário misto, composto de 8 questões objetivas (fechadas) e perguntas abertas, além de espaço para sugestões. As perguntas comportavam, em geral, mais de uma escolha. A pesquisa foi aplicada em 06 ambientes da Direção Geral do Banco e em 02 agências da região metropolitana de Fortaleza no período entre 15/05 e 10/06/2001. A amostra foi composta de 75 pessoas (5% do total), escolhidas aleatoriamente nos ambientes visitados.
  6. 6. Foram distribuídos 100 questionários, dos quais 75 foram devolvidos. A aplicação da pesquisa ocorreu em dois turnos em cada local, de forma a contemplar pessoas que trabalham pela manhã e à tarde. A pesquisa poderia ter sido feita virtualmente, através da Intranet, o que certamente facilitaria bastante no momento da tabulação dos dados, mas optou-se pela entrevista individual, onde os objetivos da pesquisa eram explicitados para promover a efetiva 46% 25% melhoria do Programa. 29% 18 - 29 ANOS 30 - 40 ANOS MAIS DE 40 Conforme resultado obtido na tabulação dos dados, a maioria dos que responderam (66,6%) é formada por funcionários, seguida por contratados (26,6%) e bolsistas (6,6%), sendo a maior parte do sexo feminino (54,6%). Com relação à idade, os resultados mostraram a seguinte distribuição: grande parte dos pesquisados está entre 30 e 40 anos (46%), seguida por pessoas entre 18 e 29 anos (29%) e pessoas acima de 40 anos (25%). Da amostra pesquisada, 51% afirmam praticar a ginástica laboral, enquanto que 49% afirmam não praticar. Dentre os 51% que afirmaram praticar regularmente a ginástica laboral, apresentam-se como mais motivadores os seguintes aspectos: • 79% dos pesquisados afirmaram se sentirem mais relaxados após a prática da ginástica laboral, com diminuição da tensão muscular; • 76% das pessoas afirmaram que , ao praticar a laboral, desejam prevenir o surgimento de dores e lesões advindas de esforços repetitivos (L.E.R/D.O.R.T.); • 74%, considera benéfica a pausa durante o expediente. Sentem-se mais dispostos após a ginástica laboral; • 63% dos pesquisados, há o alivio de sintomas como dormência nas mãos, dores leves nos punhos e articulações e sensação de peso nos braços e punhos após praticar a ginástica laboral; • 58% das respostas, as pessoas afirmaram que praticam a laboral porque gostam de praticar exercícios físicos; • 53% dos que responderam a pesquisa acham que a prática da laboral gera um maior entrosamento entre a equipe, melhorando as condições de trabalho; • 3% dos pesquisados alegavam outros motivos, sendo a descontração apontada como um deles. Dentre os entre os 49% que afirmaram não praticar a ginástica laboral: • 46% dos entrevistados afirmaram que não se sentem à vontade em praticar exercícios no ambiente de trabalho; • 46% alegam não ter tempo por conta de atividades de trabalho (reuniões, trabalhos urgentes, atendimento a clientes internos e externos); • 41% apontou outros motivos para a não-participação na laboral, como a prática de outras atividades físicas extra empresa., tipo de atividade física e
  7. 7. incompatibilidade de horários e também a inexistência da ginástica laboral no seu 46% 46% 41% OUTROS MOTIVOS FALTA DE TEMPO ambiente de trabalho; 22% 19% 14% 11% 8% ATRAPALHA AS ATIVIDADES TEM VERGONHA • 22% alegou que a ginástica atrapalha o andamento das suas atividades; • 19% considera o horário da ginástica laboral inadequado; • 14% pensa que a ginástica laboral só funciona em perídos de 10 minutos. • 11% alega não gostar de 0ercícios físicos; • 8% das pessoas responderam que têm vergonha dos colegas. A rejeição aos exercícios pela web é ainda mais pronuciada. 71٪ afirma que não pratica ou nunca praticaram a ginástica laboral utilizando o software instalado no computador, enquanto que 29% afirma que pratica ou já praticou em algum momento a ginástica utilizando o software. Daqueles que afirmaram não utilizar o software, temos: • 47% afirmou não se sentirem motivados a se exercitar sozinhas; • 36% declarou constragimentos em exercitar-se enquanto colegas trabalham; • 26% alegarou não ter o software instalado no seu computador; • 25% receiam praticar os exercícios de forma inadequada sem o acompanhamento da facilitadora; • 19% relacionou outros motivos para a não-adesão à ginástica laboral, com predominância para aqueles que afirmaram achar o software frio, pouco motivador, monótono, embaraçoso. Há, ainda, os que afirmam ter usado o software uma vez e ficado com alguma dor que foi atribuída à prática incorreta dos exercícios. Quanto às questões abertas, relativas a sugestões predomínio de indicações relativas aumento na freqüência das sessões, a presença das facilitadoras , seguida pela sugestões para que a ginástica seja realizada em local separado do local de trabalho. De acordo com as respostas obtidas a partir da aplicação do questionário, pudemos obter algumas sinalizações acerca da motivação das pessoas em relação à prática da ginástica laboral: • Das pessoas que afirmaram praticar a ginástica laboral, a maioria o faz consciente de seus benefícios preventivos e do alivio proporcionado diante da sintomatologia ligadas às L.E.R./D.O.R.T. ;
  8. 8. • a motivação alegada gira, predominantemente, em torno da diminuição do stress e tensão muscular e da prevenção das lesões advindas dos esforços repetitivos. Ressalte-se nesses argumentos a importância da conscientização do corpo funcional acerca dos benefícios que podem resultar da prática da ginástica laboral e da necessidade e eficácia do trabalho preventivo. • Dentre as pessoas que afirmaram não praticar a ginástica laboral, os motivos mais alegados são falta de tempo e concorrência com outras atividades. No momento da chegada das facilitadoras da ginástica laboral. Esse argumento revelou-se particularmente justificado em dois call centers, onde as peculiaridades do serviço impedem a adesão de 100% das pessoas, simultaneamente. Nas duas centrais, há demanda declarada pelo aumento do número semanal de sessões da ginástica laboral c com a facilitadora, assim como há também a demanda por exercícios específicos para o tipo de trabalho exercido em centrais de atendimento telefônico. • Paralelamente, uma outra parte das respostas aponta em direção a um certo incômodo em praticar a ginástica dentro do ambiente de trabalho. Algumas pessoas chegam a nomear esse mal-estar, afirmando que sentem vergonha em se exercitar e que o fato de nem todos participarem acaba por propiciar a existência de uma platéia, que constrange aqueles que estão participando e que se sentem observados. • Várias pessoas sugeriram a prática da ginástica em local reservado e não no ambiente de trabalho, inclusive ao ar livre, ampliação do período da ginástica laboral em período superior a 10 minutos por insuficiência; criação de local único, onde facilitadores se revezariam em; criação de sala de ginástica aparelhada com 47% 36% 26% NÃO ME SINTO MOTIVADO SINTO-ME CONSTRANGIDO NÃO TENHO O SOFTWARE equipamentos de musculação etc. 25% 19% MEDO DE FAZER ERRADO OUTROS MOTIVOS • Finalmente, recolhemos descontentamentos por não ocorrer mais a ginástica laboral nas suas dependência. Algumas dessas sugestões denotam o desconhecimento das pessoas acerca do que é a ginástica laboral e da sua característica fundamental que é a de ser praticada no próprio local de trabalho e por curtos períodos. A partir da análise de algumas respostas é possível perceber que há uma certa “confusão“ entre os objetivos da ginástica laboral e os da ginástica comum, uma vez que várias pessoas alegaram não praticar a ginástica laboral em virtude de já
  9. 9. praticarem exercícios como musculação, natação etc; ao mesmo tempo em que outras sugeriram a criação de centros de ginástica com equipamentos para os funcionários. A inadequação do horário foi outro motivo alegado, algumas respostas apontando para o fato da facilitadora chegar no horário de pico, o que impossibilita a adesão do funcionário, enquanto que outras respostas relativas ao horário abordavam a questão do desencontro entre o seu turno de trabalho e o horário em que é praticada a ginástica laboral. Com relação à ginástica laboral praticada com o auxílio do computador, apenas 29% dos pesquisados praticam ou já praticaram em algum momento. A maioria das respostas aponta para a falta de motivação em se exercitar sozinho, seguidas pelo constrangimento em se exercitar sozinho enquanto os outros colegas estão todos trabalhando. Algumas respostas denotam um certo receio na prática dos exercícios sem o acompanhamento da facilitadora, tendo sido relatado, inclusive, casos de pessoas que fizeram os exercícios e em seguida apresentaram alguma dor que foi atribuída à prática do exercício de forma inadequada. Em várias respostas, as pessoas fazem alusão ao fato de não se sentirem motivadas a fazer exercício com uma máquina. Algumas colocam textualmente que o computador é monótono, frio, não fala e não alivia o stress. As respostas deixam transparecer a resistência das pessoas à essa prática porque não associam a ginástica feita através do computador a um momento de relaxamento. Como a ginástica é feita sentada no mesmo local e em frente ao computador, para muitos, é como se não houvesse a pausa e continuassem trabalhando. Há também aqueles que alegam não ter o software instalado no seu computador, os que dizem ter tido algum tipo de problema com a instalação e ainda os que afirmam desconhecer a existência do software. Dentre as sugestões para o Programa de Ginástica Laboral recebidas, registramos um expressivo número de pedidos para que a ginástica volte a ocorrer duas ou mais vezes na semana com a presença da facilitadora, contra apenas uma sugestão para a extinção do Programa. CONCLUSÃO - Com base nos resultados já relatados, obtidos a partir da amostra pesquisada, entendemos que dois são os motivos principais para a falta de adesão à prática da ginástica laboral. O primeiro deles é a falta de conscientização acerca da necessidade de prevenir o surgimento das doenças relacionadas ao trabalho (L.E.R./D.O.R.T.) . Por trás desse motivo está o desconhecimento acerca das repercussões devastadoras que podem advir desse tipo de doença, que impossibilita o indivíduo fisicamente não só para o trabalho como para as atividades mais corriqueiras do dia-a-dia, isso sem falar na dimensão psicológica que acompanha toda essa série de impossibilidades. O segundo motivo, acanhamento. As pessoas demonstram receio à exposição pública. Vergonha, timidez, constrangimento, são algumas das palavras usadas nas respostas dos questionários para nomear o mal-estar de fazer a ginástica com alguns, enquanto outros observam, mesmo em se tratando de veteranos companheiros de trabalho. A alta incidência de não participação no programa de prevenção às LER-DORT reproduz, entretando, característica genérica da população do BBNN acima de 30 anos, o sedentarismo. Os exames de saúde anuais revelam altas incidências na empresa, fazendo-nos propor a intensificação das atividades de conscientização e esclarecimento acerca dos benefícios da ginástica laboral, abordando: • informações sobre as L.E.R./D.O.R.T., suas conseqüências e a importância da prevenção;
  10. 10. • compartilhar o entendimento da relação entre a idade e a incidência das L.E.R./DORT; • explicar a diferenciação entre a ginástica laboral e a ginástica tradicional; • demonstrar a eficácia das fórmulas baseadas na prevenção da L.E.R./D.O.R.T.; • Envolver na campanha todas as áreas do Banco e a CIPA, com envio de folders sobre temas especiais. • Veicular, sistematicamente, mensagens do Programa de Saúde Ocupacional, esclarecendo relação os efeitos sobre a L.E.R-DORT da prática da ginástica laboral, em seus fundamentos de prevenção • Divulgar os resultados obtidos (bem-estar, menor incidência de doenças etc). • Celebrar parceria com outras instituições, inclusive de saúde para promoção do tema.. • Inserir a questão nos eventos de capacitação da empresa e momentos presenciais de encontro de gestores. Há, sem dúvida, uma infinidade de soluções tópicas, potencialmente capazes de aumentar em diferentes graus a freqüência e participações nos programas preventivos de combate às L.E.R./DORT, se o principal argumento, o da prevenção, parece ser amplamente compartilhado pelo conjunto de atores que se interessam pelo assunto. Não há quem discorde da premissa de que a estratégia de prevenção atende a todos os interesses em jogo e promove menor sofrimento, menor custo de oportunidade e que, adicionalmente, garante a maior satisfação para todos os atores, inclusive os profissionais de saúde. Embora estejamos tratando de um programa bem concebido do ponto de vista técnico, outras condições, a priori classificadas como capitais, a exemplo das interfaces gráficas e o emprego da tecnologia web, as dinâmicas de grupo inovadoras, a flexibilidade da prestação dos serviço e horários, são, na verdade acessórias. O programa, adicionalmente, pelo seu caráter pioneiro e inovador é motivo de orgulho para a empresa. A competência técnica dos facilitadores foi raramente questionada, sendo, pelo contrário, freqüentemente convidados para animar workshops em diferentes pontos e situações na empresa e fora dela, inclusive em vídeo conferência. A versão eletrônica do Programa sempre foi compreendida com acessória ou recurso auxiliar que permitia o Programa de Ginástica Laboral atingir a pontos de venda mais distantes, onde inexistiam facilitadores qualificados. Da pesquisa emerge, entretanto, dois fatores certamente não tópicos, mas estruturantes, na tentativa de explicar a baixa popularidade do programa de prevenção às L.E.R./DORT no BBNN. Em primeiro lugar o aspecto cultural e socializante relacionado com o sedentarismo. Mesmo trainees recém contratados sucumbem rapidamente a esse traço cultural da organização e ao sobrepeso característico dos colaboradores da empresa. A prática da ginástica laboral, na nossa opinião, apenas potencializa o problema, pois, por definição, não objetiva o controle do peso corpóreo. Mas, em contrapartida, o sobrepeso torna mais penosa a realização dos exercícios da ginástica laboral. Nesse sentido, a ginástica laboral é fonte de stress e de sofrimento psíquico. As justificativas atinentes à não participação, denotam, antes de tudo, defensividade e a não priorização, afinal o investimento não supera 15 minutos semanais investidos em prevenção. São justamente as prioridades que serve de elemento de ligação para caracterizar o segundo fator acima mencionado. Em todo o nosso estudo, há um grande ausente. As lideranças da empresa, os dirigentes locais que deixam de assumir o seu papel de mobilizadores para a ação e que beneficia pessoas e os resultados da organização. O programa de ginástica laboral emerge da pesquisa como projeto das áreas médicas e de recursos humanos. São raros os dirigentes que dão exemplo e participam dos trabalhos juntamente com as suas equipes, transmitindo senso de propriedade. O investimento em prevenção só costuma
  11. 11. ser realizado quando assumido pela Sede, sendo, em conseqüência, gratuito para a Unidade. Para que a questão assuma nível mais estratégico e adentre na órbita de interesse das lideranças e dirigentes, entendemos importante a definição de indicadores de performance que levem em consideração a variável saúde, passível de atrair engajamentos e compromissos. Se os efeitos serão promissores apenas no longo prazo do ponto de vista da prevenção, estaremos de imediato contribuindo para consolidar a imagem do BBNN como uma organização preocupadas com o bem-estar e qualidade de vida dos seus funcionários. BIBLIOGRAFIA BERTHERAT, Thérèse. O corpo tem suas razões: antiginástica e consciência de si / Tradução Estela dos Santos Abreu. 16 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995. CASAGRANDE, Mônica Feliciano. Ginástica laboral nas empresas. Pesquisa Prêmio Fitness 2000. São Paulo, 2000. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organização. Rio de Janeiro: Campus,1999. MARTINS, Caroline Oliveira. Ginástica Laboral do Escritório. São Paulo: Fontoura, 2001. MILKOVICH, Georg T. BOUDREAU, John W. Administração de recursos humanos. São Paulo: Atlas, 2000. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Lesões por esforços repetitivos (LER) /Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) Série A Normas e Manuais Técnicos, no 104. Brasília: Fevereiro 2001. MINISTÉRIO DA SAÚDE. LER/DORT Dilemas, polêmicas e dúvidas. Série A Normas e Manuais Técnicos, no 103. Brasília: Fevereiro 2001. MINISTÉRIO DA SAÚDE. LER/DORT Diagnóstico, tratamento, reabilitação, prevenção e fisiopatologia das LER/DORT. Série A Normas e Manuais Técnicos, no 105. Brasília: Fevereiro 2001. OLIVEIRA, João Ricado G. A prática da ginástica laboral. São Paulo: Sprint, 2002. POLITO, Eliane. BERGAMASCHI, Elaine. Ginástica laboral. São Paulo: Sprint. 2002. DURAND, Marina. Doença Ocupacional: psicanálise e relação de trabalho. São Paulo: Escuta. 2000. i - Instituto Nacional de Prevenção as LER/DORT. Relatório disponível na Internet http://www.uol.com.br/prevler/ ii Folha de São Paulo, 03 de maio de 2000, Caderno Dinheiro. iii Instituto Nacional de Prevenção às LER/DORT – Site na internet http://www.uol.com.br/prevler/

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