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A sociedade no Antigo Regime

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A sociedade no Antigo Regime

  1. 1. A SOCIEDADE NO ANTIGO REGIME Une terre, des hommes, França: Magnard
  2. 2. O Antigo Regime é a época que corresponde à Idade Moderna, desde o século XVI ao final do século XVIII. • Economicamente: corresponde ao desenvolvimento do capitalismo comercial • Socialmente: caracteriza-se pela existência de uma sociedade de ordens ou estados, estratificada e hierarquizada, marcada por grandes desigualdades. • Politicamente: destacam-se as monarquias absolutas de direito divino. 1. Contextualização
  3. 3. No topo [segundo o Traité des Ordres et Simples Dignités, de Charles Loyseau de 1610] está a ordem eclesiástica, o clero, porquanto de direito os Ministros de Deus devem conservar a primeira posição de honra. Em seguida, a nobreza, seja antiga gentileza e imemorável proveniente das antigas raças, seja a nobreza de dignidade proveniente dos ofícios ou dos domínios senhoriais que conferem os mesmos privilégios. Por fim, o Terceiro Estado, que abrange o resto do povo. […] Cada uma das ordens principais tem a sua hierarquia descendente. Cada ordem tem a sua marca particular, isto é, os seus símbolos sociais […]. Prerrogativas de honra, o título e a posição, os antenomes cuja hierarquia é precisa e […] surpreendente. […] Enfim, cada ordem deve manter-se na sua posição. Pierre Chaunu, A Civilização da Europa Clássica, vol. I, Editorial Estampa, Lisboa, 2ª ed., 2009, pp. 296-298. Apresente as características da sociedade europeia entre os séculos XVI e XVIII 2. A sociedade do Antigo Regime
  4. 4. Características a) Sociedade de ordens ou estados, tripartida, constituída por 3 grupos sociais; Primeiro estado clero Segundo estado nobreza Terceiro estado  O estatuto de cada ordem assentava no nascimento e nas funções sociais que desempenhavam;  Cada ordem revela distinções de honra de acordo com o estatuto que lhe é inerente;
  5. 5. CLERO Características gerais Funções Privilégios Constituído por elementos de todas as ordens sociais; - Está dividido em: Alto clero (filhos segundos da nobreza que se tornavam cardeais, arcebispos, bispos…); - Proteger todas as ordens sociais; - Exercer cargos na administração, na corte e no ensino; - Isenção de impostos e da prestação do serviço militar; - Regime jurídico próprio: Foro eclesiástico (regido pelo Direito Canónico); - Direito de conceder asilo aos fugitivos; - Isenção de franquear as suas casas com soldados do rei; b) Sociedade estratificada e hierarquizada; Cada ordem apresenta diferentes categorias no seu interior;
  6. 6. CLERO Características gerais Baixo clero (párocos e frades oriundos da população rural); - Sobrevive de rendas, dos “dízimos” e das doações; - Possui grandes propriedades rurais; Símbolos que o identificam: A mitraO báculo
  7. 7. NOBREZA Características gerais Funções Privilégios - Prestígio alcançado pela antiguidade da linhagem e pela proximidade em relação ao rei; - Sobrevive das rendas, dos impostos que cobra e das pensões régias; - Possui grandes propriedades rurais; - Grupo muito heterogéneo; - Ocupa os mais altos cargos na administração e no exército, além de cargos públicos merecedores de títulos (burguesia enobrecida, administrativa ou de toga); - Isenção de impostos (exceto em caso de guerra); - Regime jurídico próprio;
  8. 8. HETEROGENEIDADE DA NOBREZA Quanto ao nascimento/origem Nobreza de sangue - A mais antiga, herdou o título e condição social dos seus antepassados; - Divide-se em vários graus hierárquicos (o mais alto ocupado pelos duques e pares do reino que convivem na corte mais perto do rei); Nobreza de toga - De origem burguesa, recebeu títulos por mérito ou exercício de cargos públicos (inicialmente não era bem vista pela velha aristocracia, mas acabará por se unir a esta através do casamento);
  9. 9. HETEROGENEIDADE DA NOBREZA Quanto ao local onde vive Nobreza rural - Senhorial, fundiária, de solar; - Respeitada localmente; - Depende dos rendimentos do senhorio que possui; Nobreza cortesã - Reside na Corte (urbana); - Depende das pensões e subsídios do rei; -Vive luxuosamente; Quanto à atividade Nobreza de espada - Exerce funções militares e administrativas; Nobreza mercantil - Empreendedora, exerce a atividade mercantil ou financeira;
  10. 10. Símbolos que identificam a nobreza: A espada A armadura Embora cada “subgrupo” apresentasse características diferentes, todos tinham o mesmo estatuto legal.
  11. 11. TERCEIRO ESTADO Características gerais Funções Privilégios - Ordem heterogénea e hierarquizada que vive do seu trabalho; - A maioria (cerca de 80%) dedicava-se à agricultura; -Trabalhar para pagar os impostos que asseguram a sobrevivência das ordens privilegiadas; - Não tem; Símbolos que identificam oTerceiro Estado: A pá O moio de trigo
  12. 12. A DIVERSIDADE DASCONDIÇÕES DOTERCEIRO ESTADO Na cidade No campo Noutros locais Alta burguesia: - mercantil – mercadores e financeiros, armadores… - letrada: profissionais liberais e funcionários; Agricultores: - em terra própria; - em terra de outros; - sem fixação a uma terra (jornaleiros); Pescadores, mineiros, marinheiros, assalariados não qualificados; Média e pequena burguesia: - artesãos (mestres e oficiais); - pequenos comerciantes e lojistas; Burguesia rural: - artesãos, pequenos comerciantes, lojistas;
  13. 13. A DIVERSIDADE DASCONDIÇÕES DOTERCEIRO ESTADO Na cidade No campo Serviçais e assalariados não qualificados; - Mendigos e vagabundos; Serviçais e assalariados não qualificados; - Mendigos e vagabundos;
  14. 14. c) Sociedade com alguma mobilidade social
  15. 15. Ao longo do Antigo Regime a mobilidade social era possível, mas reduzida. Lentamente, o Terceiro Estado conseguiu ascender socialmente. As vias de mobilidade ascendente da burguesia eram, de uma forma geral: - O casamento com filhas da velha nobreza; - Os lucros do grande comércio (o dinheiro); - A dedicação aos cargos do Estado.
  16. 16. Em regiões como a Inglaterra e a Holanda as estruturas sociais foram mais dinâmicas. Esta última deu origem à Nobreza de Toga e os burgueses “premiados” acabaram por adotar comportamentos elitistas e atitudes ostensivas.
  17. 17. Lagnet-Guérard, O nobre e o camponês ou a ‘aranha e a mosca’, século XVII.
  18. 18. O nobre [privilegiado] e o camponês [não privilegiado] Quais as personagens representadas na gravura?
  19. 19. Quais os atributos que distinguem o nobre com um estatuto superior?
  20. 20. Quais os atributos que identificam o camponês com um estatuto de dependência em relação ao nobre?
  21. 21. Quais os elementos que levam o observador a descobrir, de imediato, a quem se refere ? • a representação das personagens: • os chapéus • o vestuário • o olhar • o cabelo • as mãos • a postura das figuras; • as características físicas e de expressão (psicológicas).
  22. 22. Para ser mais explícito o autor usou legendas que ajudam o observador a refletir sobre o tema representado A aranha na sua teia limita-se na armadilha (nobre) a capturar o produto do trabalho do camponês A gravura revela uma representação exagerada dos elementos com o intuito de fazer uma crítica social. A mosca voa (trabalha) É preciso pagar e aceitar O nobre é a aranha e o camponês a mosca Quanto mais o diabo tem, mais ele quer Quanto mais se tem, mais se quer ter! Este pobre traz tudo, milho, frutas, dinheiro, verduras! Este grande senhor sentado, está preste a tudo receber! Nem sequer quer dar a doçura de um olhar A todos os senhores todas as honras Magro como um galgo (cão)
  23. 23. É representada a desigualdade entre as ordens sociais através da dependência manifestada entre o camponês e o nobre. O nobre: • Pertencia à segunda ordem social privilegiada. • Está sentado numa cadeira: o na mão tem um bastão, à maneira de cetro, que simboliza o seu poder e a sua autoridade; o o seu vestuário é colorido e cuidado; o o seu olhar é indiferente; o limita-se a controlar o que lhe é devido e apresentado pelo camponês.
  24. 24. O camponês: • Pertencia à terceira ordem social, não privilegiada (Terceiro Estado ou povo). • É representado de pé: na mão tem uma bolsa com as moedas do imposto; na outra, tem um cesto com legumes, para além de um saco de milho (tributos em géneros). • Debaixo do braço tem o chapéu, pois não podia tê-lo na cabeça, em frente do senhor e apresenta-se semicurvado. • O seu vestuário é mais simples; parece amedrontado; pode ser comparado ao galgo magro, pois o cão simboliza a obediência e a fidelidade.

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