UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA              VERÔNICA LAGO DE VASCONCELLOSA publicidade dentro da narrativa transmídia...
1                VERÔNICA LAGO DE VASCONCELLOSA publicidade dentro da narrativa transmídia: mini-episódios do             ...
2                       Verônica Lago de VasconcellosA PUBLICIDADE DENTRO DA NARRATIVA TRANSMÍDIA: MINI-EPISÓDIOS DO      ...
3DedicatóriaDedico   este   trabalho   à   minha   família,principalmente meus pais Potiguar e Mary, meuirmão Fábio e meus...
4AgradecimentosAgradeço aos amigos e colegas Rodrigo,Camila, Budu, Gabriela e Daniel, que fizeramda faculdade uma experiên...
5Epígrafe“Blah Blah vampire emergency blah.”Pam – Episódio 10, terceira temporada.True Blood
6                                     RESUMO       A construção da publicidade dentro da narrativa transmidiática (JENKINS...
7                                      ABSTRACT       The construction of advertising within the transmedia storytelling (...
8                                  LISTA DE ILUSTRAÇÕES GERAISFigura 1: Personagens centrais Sookie e Bill...................
9                                                                 SUMÁRIOINTRODUÇÃO .........................................
10                                           INTRODUÇÃO         True Blood1 é um seriado televisivo criado em 2008 pelo ca...
11publicidade é considerada como um desses suportes, e as características dessapublicidade inserida na narrativa transmídi...
12       No segundo capítulo também apresentamos definições sobre o Estudo deCaso, que é a metodologia usada nesse momento...
13CAPÍTULO 1: CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA            O termo convergência, no dicionário Silveira Bueno6, trata de feixes de lu...
14Blood, um produto de entretenimento, sua maior fonte de lucro ainda é a audiênciatelevisiva.        Há também a convergê...
15integrar essa lista dos meios que propagam suas mensagens através de estímulosvisuais, textuais, auditivos, audiovisuais...
16dia, além de possibilitar a edição das imagens gravadas. Mesmo hoje a televisãoainda apresenta muitos programas que não ...
17        Canclini descreve três racionalidades contidas dentro do ato de consumir: aprimeira é a Racionalidade Sociopolít...
18interesses em comum, seja um seriado americano ou um estilo musical. Suascompras são feitas através da internet e as out...
19comunicação. Aqui se determina se a mensagem é direcionada para um receptor(comunicação um-um) ou se fala para todos os ...
20tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências”, aponta Lévy(2003, p. 28). Ninguém é totalmente ign...
21convergência midiática, assim como não sabem e não conseguem estabelecerlimites para participação dos fãs. O mesmo acont...
22        Moreira nos apresenta os pilares das narrativas gerais, tanto do „mundo real‟quanto do mundo ficcional. Joseph C...
23       O engajamento dos fãs com a história é componente indispensável para quea narrativa transmídia funcione, pois os ...
24CAPÍTULO 2: AS PLATAFORMAS DE TRUE BLOOD          True Blood é o nome do seriado televisivo produzido e veiculado pelo c...
25acaba revelando que é um metamorfo10, e suas amigas e colegas de trabalho Arlenee Tara. Arlene era noiva do serial kille...
26descobriam as garotas assassinadas. Assim Jason passou a ser o principal suspeitodas mortes. Para ajudá-lo, Sookie vai à...
27desmascarado Jason é solto da prisão. Arlene vai conversar com Sookie e pedeperdão por todo mal que seu ex-noivo fez. Qu...
28Sociedade do Sol porque realmente queria ver o sol e morrer. Erick tenta convencê-lo a não fazer isso, mas Godric não de...
29Russel. Levado à casa do rei, Bill é recebido por Russel que quer se casar com aRainha de Louisiana, Sophie-Anne, rainha...
30rei. Isso porque Russel e seus lobisomens foram responsáveis pela morte dos pais eirmãos de Erick.          Nos livros, ...
31        Enfim, essas pequenas diferenças no desenrolar da narrativa nos livros e natelevisão já mostram como a recepção ...
32        Como explicaram Médola e Redondo, a internet possibilitou novos fluxoscomunicacionais através de ferramentas na ...
33modificando esse mito, e se o mesmo não tivesse sofrido essas mutações não teriasobrevivido até hoje. Como exemplo, a pr...
34        3.    Retorno dividido em: „recusa do retorno‟, „fuga mágica‟, „resgate comauxílio externo‟, „passagem pelo limi...
35para ela. Como a história ainda segue tanto pelo restante dos livros como pelastemporadas do seriado que ainda virão, es...
36Cast.19 Também outros seriados como: Moonlight, Angel, Buffy – a caça vampiros,The Gates e The Vampire Diaries (que tamb...
37críticos só nomeia a TV aberta como televisão, também usaremos estadenominação neste trabalho.2.3.1 TV aberta       Arli...
38tantas outras mercadorias, diria o pensador alemão Wolfgang Fritz Haug, prometemuito mais do que cumpre” (Idem, 1990, p....
39pode possuir um bloco de esportes, outro de propaganda, outro de telenovela eoutro de propaganda.                       ...
40canal, por exemplo, canal de esportes, de filmes ou de desenhos animados. Aprogramação não possui uma base sólida, cada ...
41programação ditada pelos canais fechados possa influenciar a produção e arecepção da TV aberta.                         ...
42                    Tabela 3 - Comportamento da TV fechada em 2008         Fonte: Associação Brasileira de Televisão por...
43horas diárias. No chamado „horário nobre‟ da televisão brasileira, das 18h à 1h, otempo dedicado a TV fechada concorre c...
44          Dentro da TV por assinatura existem também os canais especializados emprodução e veiculação de seriados e real...
45          Os seriados também se dividem em quatro tipos básicos: sitcom, drama,investigativo e reality shows.26 Sitcom é...
462.4 INTERNET          Todas as novas e mais variadas tecnologias do mundo atual permitiram osucesso da internet, já que,...
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O último e maior trabalho da minha graduação do curso de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda. Monografia sobre o seriado televisivo True Blood e a narrativa transmídia.

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Monografia! Meu trabalho final da graduação

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA VERÔNICA LAGO DE VASCONCELLOSA publicidade dentro da narrativa transmídia: mini-episódios do seriado televisivo True Blood. Santa Maria 2010
  2. 2. 1 VERÔNICA LAGO DE VASCONCELLOSA publicidade dentro da narrativa transmídia: mini-episódios do seriado televisivo True Blood. Trabalho de Conclusão de Curso para a obtenção do grau de Bacharel em Publicidade e Propaganda, Universidade Federal de Santa Maria - Centro de Ciências Sociais e Humanas Curso de Comunicação Social, habilitação Publicidade e Propaganda Orientador: Professor Janderle Rabaiolli Santa Maria 2010
  3. 3. 2 Verônica Lago de VasconcellosA PUBLICIDADE DENTRO DA NARRATIVA TRANSMÍDIA: MINI-EPISÓDIOS DO SERIADO TELEVISIVO TRUE BLOOD.Trabalho de Conclusão de Curso como requisito para obtenção de grau de bacharel em Publicidade e Propaganda Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas Curso de Comunicação Social habilitação Publicidade e Propaganda A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova o Trabalho de Conclusão de Curso _____________________________________ Profº. Janderle Rabaiolli (Presidente/Orientador) _____________________________________ Profa. Dra. Eugênia Maria Mariano da Rocha Barichello (Coordenadora do Mestrado em Comunicação Midiática - UFSM) _____________________________________ Profº. Leandro Stevens Mestrando em Comunicação Midiática - UFSM
  4. 4. 3DedicatóriaDedico este trabalho à minha família,principalmente meus pais Potiguar e Mary, meuirmão Fábio e meus avós, Alba e Renato, eAmélia. Esse trabalho só existe por causa dadedicação dessas pessoas em me ensinar aviver.
  5. 5. 4AgradecimentosAgradeço aos amigos e colegas Rodrigo,Camila, Budu, Gabriela e Daniel, que fizeramda faculdade uma experiência para toda vida.Agradeço às amigas e irmãs de coração Elisa eMarília, por estarem sempre lá nos momentosbons ou ruins.Agradeço ao broto Vini, por aturar minhaTPM.E agradeço ao professor orientador Janderle,pela dedicação e paciência.
  6. 6. 5Epígrafe“Blah Blah vampire emergency blah.”Pam – Episódio 10, terceira temporada.True Blood
  7. 7. 6 RESUMO A construção da publicidade dentro da narrativa transmidiática (JENKINS,2009) do seriado televisivo True Blood é o tema deste trabalho. O objetivo geral dapesquisa é a investigação da influência desse tipo de narrativa na publicidade. Paraisso no primeiro momento são apresentados alguns conceitos pertinentes paraconstrução e investigação da narrativa transmídia. Em seguida, através do estudode caso, os suportes midiáticos de True Blood são mapeados e recebem uma brevedescrição e conceituação. Por fim, através da metodologia comunicativa-discursiva,são determinadas as categorias para análise do corpus, os mini-episódios doseriado, a fim de alcançar o objetivo geral da pesquisa. Foi possível provar aexistência do esquema da narrativa transmidiática na história de True Blood e emsuas plataformas midiáticas; e também a influência e a mudança que esta ocasionouna publicidade do seriado.Palavras-chave: publicidade; narrativa transmídia; convergência; True Blood;seriado.
  8. 8. 7 ABSTRACT The construction of advertising within the transmedia storytelling (JENKINS,2009) of the television series True Blood is the subject of this work. The objective ofthe research is to investigate the influence of this kind of narrative in advertising. Inthe beginning is presented some concepts that are relevant to construction andinvestigation of transmedia storytelling. Then, through case study, supports media ofTrue Blood are mapped and given a brief description and conceptualization. Finally,through the method of communication-discursive, are certain categories for analysisof the corpus, the mini-episodes of the series, in order to achieve the overallobjective of the research. It was possible to prove the existence of the schemetransmedia storytelling in the history of True Blood and in its media platforms; andalso the influence and the change that this scheme provoked in the series‟publicity.……………………………………………Keywords: advertising; transmedia storytelling, convergence, True Blood; series.
  9. 9. 8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES GERAISFigura 1: Personagens centrais Sookie e Bill.............................................................24Figura 2: Personagens Jason e Sam, respectivamente irmão e chefe de Sookie...25Figura 3: Personagens Erick e Pam, donos do bar Fangtasia...................................26Figura 4: Personagens Tara e Arlene, amigas de Sookie..........................................27Figura 5: Personagens Maryann e Godric, da segunda temporada..........................28Figura 6: Personagens Sophie-Anne, Russel e Alcide..............................................29Figura 7: Personagens Lafayette e Jessica...............................................................30Figura 8: Mini-episódio número UM: personagens Pam e Erick................................64Figura 9: Mini-episódio número DOIS: personagens Jessica e Pastor......................65Figura 10: Mini-episódio número TRÊS: personagens Sookie, Lafayette e Tara.....66Figura 11: Mini-episódios número QUATRO: personagem Sam...............................68Figura12: Mini-episódios número CINCO: personagens Joellen e Bil......................69Figura 13: Mini-episódio número SEIS: personagem Jason......................................71Tabela 1: Motivação dos telespectadores para adquirir a TV por assinatura............40Tabela 2: Os assinantes de TV fechada no Brasil.....................................................41Tabela 3: Comportamento da TV fechada no Brasil..................................................42Tabela 4: Tempo dedicado para TV fechada.............................................................43Tabela 5: Níveis de pertinência trabalhados através dos tipos de experiências(modificado pela autora).............................................................................................62Gráfico 1: Concorrência entre TV e internet...............................................................42
  10. 10. 9 SUMÁRIOINTRODUÇÃO .................................................................................................................... 10CAPÍTULO 1: CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA ..................................................................... 13 1.1 CONSUMO DAS MÍDIAS .................................................................................................. 14 1.2 INTERATIVIDADE E PARTICIPAÇÃO ........................................................................... 18 1.3 NARRATIVA TRANSMÍDIA .............................................................................................. 21CAPÍTULO 2: AS PLATAFORMAS DE TRUE BLOOD ...................................................... 24 2.1 A HISTÓRIA DE TRUE BLOOD ............................................................................................ 24 2.2 LIVROS ..................................................................................................................................... 32 2.3 TELEVISÃO .............................................................................................................................. 36 2.3.1 TV aberta ............................................................................................................. 37 2.3.2 TV fechada ou TV por assinatura......................................................................... 39 2.3.3 Seriados ............................................................................................................. 44 2.4 INTERNET ................................................................................................................................ 46 2.5 PUBLICIDADE E PROPAGANDA ........................................................................................ 51CAPÍTULO 3: Os Mini-episódios de TRUE BLOOD ......................................................... 55 3.1 GÊNEROS, SUBGÊNEROS E FORMATOS ...................................................................... 55 3.2 PERCURSO METODOLÓGICO ........................................................................................... 60 3.3 ANÁLISE COMUNICATIVA-DISCURSIVA .......................................................................... 64 3.3.1 Instância Comunicativa ..................................................................................... 64 3.3.2 Instância Discursiva .......................................................................................... 72 3.3.3 Manifestações da narrativa transmídia na publicidade de True Blood .......... 85REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................... 92ANEXOS ............................................................................................................................. 95
  11. 11. 10 INTRODUÇÃO True Blood1 é um seriado televisivo criado em 2008 pelo canal americanoHBO (Home Box Office) que conta a história de vampiros que tentam começar aviver em sociedade. Japoneses inventaram um sangue sintético que pode serproduzido em grande escala, e faz com que os vampiros não precisem mais sealimentar de sangue humano, muito menos morder ou matar humanos. Então essesseres noturnos saem das sombras mostrando que sempre existiram, mas viviam namargem da sociedade. E agora querem ter seus direitos e deveres renovados,inclusive com empresas como hotéis, bancos, companhias aéreas, supermercados erestaurantes especializados para atender esse público que não pode ver a luz dosol. Porém essas não são as únicas criaturas que só acreditávamos existir nashistórias infantis, lobisomens2, metamorfos3 e mênades4 também são apontados nahistória tentando se inserir na sociedade majoritariamente humana. A terceiratemporada do seriado foi exibida nesse ano de 2010 entre 13 de julho e 6 desetembro, sendo que cada temporada possui doze episódios de aproximadamente50 minutos cada. A quarta temporada já está confirmada para o segundo semestrede 2011. O seriado é inspirado numa série de onze livros chamada SouthernVampires5 escritos pela americana Charlaine Harris. A transposição da história doslivros para a televisão já é uma pista sobre o esquema da narrativa transmídia(JENKINS, 2009) no seriado. Segundo esse esquema a história se apresenta emvariadas plataformas midiáticas como, por exemplo, livros, seriados televisivos,histórias em quadrinhos, vídeos para celular ou internet e jogos. Neste trabalho a1 Tradução: Sangue Verdadeiro;2 Lobisomens também são metamorfos, mas que só podem se transformar em lobos;3 Metamorfos são criaturas que aparentam ser humanos mas podem se transformar em qualquer animal quevirem ou que já tenham se transformado seja dia ou seja noite;4 Mênades na mitologia Grega são mulheres adoradoras do culto de Dionísio. Eram conhecidas como selvagense imortais, de quem não se conseguia um raciocínio claro, praticantes de canibalismo;5 Tradução: Vampiros Sulistas
  12. 12. 11publicidade é considerada como um desses suportes, e as características dessapublicidade inserida na narrativa transmídia, e o gosto pessoal pelo seriado TrueBlood são as principais motivações da realização dessa pesquisa. A partir do pressuposto que o seriado televisivo True Blood segue oesquema da narrativa transmídia (JENKINS, 2009) esta pesquisa pretendeinvestigar como a construção desta se manifesta na construção da publicidadedesse mesmo seriado. A investigação das características desse tipo de narrativa,apresentadas por Jenkins (2009) na publicidade é o objetivo geral do trabalho. Paraalcançar esse objetivo também são necessários alguns objetivos específicos quesão: (1) Revisão bibliográfica a fim de documentar conceitos como gênero televisivo,seriado, narrativa transmídia, mito do vampiro e linguagem publicitária. (2) Buscadas características da narrativa transmídia em True Blood. (3) Breve mapeamentodas mídias em que True Blood se manifesta. (4) Análise de uma publicidade doseriado. Todos os materiais pesquisados e coletados foram uma tentativa deobservar quais destes o público brasileiro teria acesso, ou seja, o que já não fossetraduzido ou que não tivesse legendas foi considerado em segundo plano. Porém naera da internet qualquer fã que resolvesse pesquisar sobre o seriado em algumportal de busca iria encontrar muitas informações em inglês. Dentro dascomunidades de fãs, que serão abordadas no segundo capítulo, os materiais sãotraduzidos e legendados por alguns fãs que possuem maior conhecimento na línguainglesa para os outros que não possuem tanto conhecimento na língua tambémpossam comentar. No primeiro capítulo são desenvolvidos os conceitos sobre a narrativatransmídia, interatividade, participação e convergência. Esses quatro conceitos sãoanalisados sob o aspecto mais mercadológico da indústria do entretenimento, quecomo qualquer outra indústria, visa lucro com seus produtos. Esses conceitos sãonecessários para melhor entendimento do lugar onde a narrativa transmídia de TrueBlood se encaixa na vida dos telespectadores. O segundo capítulo começa com um resumo da história dos três primeiroslivros da série da autora Charlaine Harris, porque são eles que inspiraram,respectivamente, a primeira, segunda e terceira temporada do seriado televisivoTrue Blood. Esse resumo pretende situar o leitor dentro do universo ficcional deseriado.
  13. 13. 12 No segundo capítulo também apresentamos definições sobre o Estudo deCaso, que é a metodologia usada nesse momento do trabalho. A partir dessasdefinições são mapeados os suportes midiáticos em que a narrativa de True Bloodacontece, ou seja, livros, seriado televisivo, internet e publicidade. Esses suportesforam escolhidos porque já possuem tradução para o português, seja legalmenteatravés da HBO Brasil, ou ilegalmente através das comunidades de fãs que fazemlegendas. Alguns conceitos e breves descrições desses suportes são apresentadosno segundo capítulo. O terceiro capítulo começa com algumas definições e conceitos de gêneros,subgêneros e formatos, através das obras de autores como Bakhtin (1997), Castro eDuarte (2007). Essas definições são trabalhadas a fim de classificar e entender damelhor maneira possível o corpus de análise que é um produto derivado do gênerotelevisivo. Também nesse capítulo temos o percurso metodológico com asdefinições sobre a metodologia comunicativa-discursiva e a análise do corpus, ouseja, a análise dos mini-episódios de True Blood. Esta pesquisa visa investigar e descobrir novos caminhos para o campopublicitário dentro da indústria do entretenimento, onde tais conceitos podem seexpandir e servir, no futuro, a outros campos e outras pesquisas também.
  14. 14. 13CAPÍTULO 1: CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA O termo convergência, no dicionário Silveira Bueno6, trata de feixes de luzque convergem para um mesmo ponto, sentido este mais comumente aplicado nafísica. Na Comunicação Social convergência pode modificar o modo comoentendemos as mídias, as tecnologias, a cultura e o mercado comercial de produtosmidiáticos. A convergência midiática se refere ao conteúdo de uma narrativa passandopor variadas plataformas midiáticas como, por exemplo, televisão, celular, internet ehistórias em quadrinhos. André Lemos chega a caracterizar a Era da convergênciamidiática. Para o autor A Comunicação Social passou por uma considerável mudança nos últimos anos. Agora, a informação pode circular de forma intensa por diferentes canais, sistemas midiáticos e administrativos. Cria-se um fluxo devedor da participação ativa dos consumidores, que elege a inteligência coletiva como nascente de seu potencial. Na atualidade, os conteúdos de novas e velhas mídias se tornam híbridos, reconfigurando a relação entre as tecnologias, indústria, mercados, gêneros e públicos. Ocorre um cruzamento entre mídias alternativas e de massa que é assistido por múltiplos suportes, caracterizando a era da convergência midiática (A convergência midiática..., 2010). Segundo Jenkins, (2009, p. 377) a convergência midiática se refere “a umasituação em que múltiplos sistemas de mídia coexistem e em que o conteúdo passapor eles fluidamente.” O conteúdo da narrativa do seriado televisivo True Blood nãopassa somente na televisão, também acontece nos livros, na internet, nas históriasem quadrinhos e na publicidade. Cada uma dessas plataformas será analisada emprofundidade no capítulo 2 desse trabalho. Mas a convergência, como já foi dito anteriormente, não acontece só nafísica e nas mídias. Também é possível caracterizar a convergência cultural, fruto daglobalização e da massificação das mídias. É uma nova ordem em que uma culturaglobal, uma união de conteúdos culturais de diversos países, tribos e línguas queconvivem e convergem, operando de acordo com o fluxo do conteúdo das mídias. Ainda é possível caracterizar a convergência corporativa que trabalha comum fluxo comercialmente ditado de conteúdos, visando o lucro das empresasatravés da audiência dos seus produtos de entretenimento. No caso do seriado True6 BUENO, Silveira. Minidicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: FTD, 1996.
  15. 15. 14Blood, um produto de entretenimento, sua maior fonte de lucro ainda é a audiênciatelevisiva. Há também a convergência tecnológica que podemos exemplificar com oscelulares que possibilitam tirar fotos, gravar vídeos, escutar a rádio local, acessar ainternet e assistir a programação da televisão. São diversas funcionalidades queantigamente só podiam ser encontradas separadas em diferentes suportestecnológicos, mas agora aparecem unidas num único aparelho, como um controleremoto universal. O fenômeno é referido por Jenkins (2009) no que ele chama de“falácia da caixa preta”: num futuro próximo todos os conteúdos das mídias irão fluirnum mesmo instrumento, um mesmo controle remoto seja para televisões,computadores, DVDs, sons ou celulares. Mas na verdade a convergência não ocorrenas tecnologias e sim nos conteúdos, envolve mudança na forma de produzir tantoquanto na forma de consumir essa quantidade de mídias. Jenkins (2009, p. 29 – 30) defende que a convergência não é produzidapelas tecnologias, pela cultura ou pelas corporações, e sim pela população, pelaspessoas que buscam novos modos de usar essas tecnologias além de buscar novasinformações nas diferentes mídias fazendo novas interpretações das narrativastransmidiáticas. “A convergência representa uma transformação cultural”, apontaJenkins (2009, p.29) e, a convergência midiática se baseia, principalmente, na buscado público por novos conteúdos e não na criação de novas tecnologias convergentes(2009, p.40 – 44). Nesse primeiro capítulo são abordados os conceitos de consumo midiático,interatividade, participação e narrativa transmídia, que caminham juntos com aconvergência midiática. E o primeiro deles se baseia na procura de conteúdos pelaspessoas nas variadas mídias e o que isso ocasiona: consumo das mídias. Porexemplo: comprar uma revista de história em quadrinhos, assinar um canal pago natelevisão, comprar um livro, assinar um plano banda larga de internet, entre tantosoutros modos em que o fenômeno mercadológico das mídias se apresenta.1.1 CONSUMO DAS MÍDIAS Entende-se como mídias os meios de comunicação de massa, tais comojornal, rádio, televisão (CASTELLS, 2008). Mais recentemente, a internet passou a
  16. 16. 15integrar essa lista dos meios que propagam suas mensagens através de estímulosvisuais, textuais, auditivos, audiovisuais ou todos esses estímulos juntos. Historicamente a criação do alfabeto permitiu a comunicação cumulativa deconhecimento trazendo desenvolvimento para as civilizações. Com odesenvolvimento da prensa e da imprensa surgiram as primeiras formas de mídiausando os estímulos textuais; livros e jornais, que ajudaram na disseminação doalfabeto. Até o surgimento do rádio essas eram as únicas formas de mídias. Onascimento do rádio remeteu nova importância para a comunicação oral e osestímulos auditivos. O meio dividiu as atenções com as mídias anteriores, mas todassouberam achar seus modos de alcançar o público: os jornais trazendo notíciascompletas e as rádios trazendo notícias urgentes além de entretenimento. Surgida na década de 1950, a televisão alcançou seu ápice três décadasapós a Segunda Guerra Mundial, desbancando o rádio do seu posto de mídiacentral. Mas a televisão revolucionou não só as mídias já existentes (fazendo comque se reestruturassem para conseguir um lugar junto do público), mas também porque utiliza todos os estímulos recorrentes das demais mídias. A televisão era, até achegada da internet, a mídia que chegava mais perto de imitar a comunicaçãohumana, permitindo o uso de todos os tipos de estímulos das mídias anteriores -textuais, orais, visuais - integrando a estes os recursos audiovisuais, porém de formapassiva. Assim, a televisão alcançou um grande público em menos tempo que orádio, e fez surgir a cultura dos meios de comunicação de massa. Como apontaCastells (2008, p.422) “[...] a mídia é a expressão de nossa cultura, e nossa culturafunciona principalmente por intermédio dos materiais propiciados pela mídia.” O autor ressalta o significado que as mídias adquiriram na vida da populaçãoglobal, depois do surgimento da televisão: os livros, jornais e as rádios sereorganizaram e definiram novas posições na vida da audiência. Sendo que os livrosficaram responsáveis pelo conhecimento acadêmico e literário. Os jornais pelasnotícias; e as rádios ganharam penetrabilidade e flexibilidade, divulgando notíciaslocais e urgentes, ou se especializando com conteúdo musical. A televisão iniciou suas transmissões ao vivo, com programas e discursosherdados das rádios, cinemas, teatros e circos. As primeiras câmeras nãoapresentavam a qualidade da imagem do cinema e eram incrivelmente pesadas, nãopermitindo muitas movimentações dos atores e dos ângulos e planos televisivos.Com o advento do videoteipe, a televisão passou a exibir programação 24 horas por
  17. 17. 16dia, além de possibilitar a edição das imagens gravadas. Mesmo hoje a televisãoainda apresenta muitos programas que não foram feitos especialmente para a suatela pequena, como filmes cinematográficos e jogos de futebol. Mas misturando aslinguagens e discursos já citados do rádio, cinema, circo e teatro, a TV achou seudiferencial perante as outras mídias: “Para a televisão [...] o entretenimento é asupra-ideologia de todo discurso. Não importa o que seja representado nem seuponto de vista, a presunção abrangente é que a TV está lá para nossa diversão elazer” (CASTELLS, 2008, p.418). Este meio será trabalhado em maior profundidadeno segundo capítulo. A Internet, a primeira mídia a unir todos os estímulos como a televisão, eainda interagir com a audiência, ainda é muito jovem e, como as mídias tradicionais,ainda vai demorar um tempo para definir qual seu principal papel junto da audiência.Enquanto isso utiliza a linguagem dos jornais, livros, rádio e televisão e, muitasvezes, também o conteúdo e o discurso de tais mídias. Já sabíamos o porquê deconsumir os meios de comunicação tradicionais, cada um já tem sua funçãoestabelecida. Mas a internet surge como uma nova forma de consumo das mídiastradicionais ao mesmo tempo em que ela mesma é utilizada de variadas formas.Enquanto a internet ganha seu próprio conteúdo (produzido muitas vezes pelaprópria audiência) as outras mídias vão tendo que se reestruturar, assim comoaconteceu na época do surgimento da televisão. No momento atual, os conteúdosestão se espalhando e algumas vezes se repetindo através das mídias, e aconvergência tecnológica e a internet são dois grandes possibilitadores destaspráticas. Na sociedade contemporânea, o consumo é por vezes associado com açõesemotivas e impulsivas de pessoas comprando produtos que não são de primeiranecessidade e gastando mais dinheiro do que têm disponibilidade. Mas o consumonão existe somente a partir do momento que tiramos dinheiro da carteira eentregamos ao vendedor em alguma loja. Canclini (1996, p.53) define o consumocomo “[...] o conjunto de processos socioculturais em que se realizam a apropriaçãoe os usos dos produtos.” No caso das mídias, sua apropriação também passa peloprocesso de comunicação sendo que a mensagem é o produto disponibilizado, epara que o processo de comunicação se complete é preciso que a linguagemutilizada esteja dentro dos conhecimentos do público.
  18. 18. 17 Canclini descreve três racionalidades contidas dentro do ato de consumir: aprimeira é a Racionalidade Sociopolítica Interativa, resumida pelo autor peloconceito que: “Consumir é participar de um cenário de disputas por aquilo que asociedade produz e pelos modos de usá-lo” (CANCLINI, 1996, p.54). A segunda édescrita como a Racionalidade Simbólica e Estética, conceituada como “A lógica querege a apropriação dos bens enquanto objetos de distinção não é a da satisfação denecessidades, mas sim a da escassez desses bens e da impossibilidade de queoutros os possuam.” (CANCLINI, 1996, p.56). E a última, é a RacionalidadeIntegrativa e Comunicativa de uma sociedade na qual [...] costuma-se ver os comportamentos de consumo como se só servissem para dividir. Mas se os membros de uma sociedade não compartilhassem os sentidos dos bens, se estes só fossem compreensíveis à elite ou à maioria que os utiliza, não serviriam como instrumentos de diferenciação (CANCLINI, 1996, p.56). Com o conceito e as racionalidades do consumo apresentadas por Canclini(1996) e o conceito e os papéis das mídias mencionadas por Castells (2008), estáconstruída a base teórica para estudo do comprador das mídias. Assim como asmídias tradicionais estão adaptando suas formas de produção à convergência deconteúdos, o receptor também precisa aprender novas formas de utilizar tantosconteúdos em convergência. O usuário é ponto central da convergência midiática como já nos apresentouJenkins (2009) e agora Yoram Wind (2003) nomeia o que ele chama de “consumidorcentauro”. Este é definido pelo autor como um comprador híbrido, entre a maneirade utilizar e trabalhar as mídias dos receptores tradicionais, e dosciberconsumidores. A metáfora do centauro, usada pelo autor, representa a cabeçahumana como o consumidor tradicional e o corpo de cavalo como ociberconsumidor. Consumidores tradicionais representam pessoas que dão maior importânciapara as mídias tradicionais como jornal, rádio e televisão; eles não se importam queos modos de utilização desses meios sejam passivos. Interagir em comunidadesfísicas como igreja ou clube é o seu modo de se relacionar com as outras pessoas epassear em shoppings ou ir ao supermercado é o seu modo de consumir. Ciberconsumidores vivem conectados na internet e suas principaisinterações são através de comunidades virtuais que definem as pessoas pelos seus
  19. 19. 18interesses em comum, seja um seriado americano ou um estilo musical. Suascompras são feitas através da internet e as outras mídias servem de conteúdo paraas interações virtuais. O consumidor centauro é a união desses dois extremos aproveitando afacilidade e rapidez da internet para o seu dia-a-dia sem desmerecer o prazer de umpasseio pelo shopping. O que se nota em relação à utilização das mídias é que asações dos consumidores a cada dia parecem ficar mais interativas, com aparticipação individual no processo de construção de mensagens e escolhas. Issoacontece, principalmente, com o ciberconsumidor. Mas os demais consumidores jáestão aprendendo a interagir com a internet e o fluxo de conteúdos, e estãodescobrindo algumas facilidades que essas práticas trazem para sua rotina, semprejudicar o prazer do passeio pelo shopping.1.2 INTERATIVIDADE E PARTICIPAÇÃO Consumir as mídias dentro do fenômeno da convergência midiática que sevive atualmente acarreta em duas práticas: interatividade e participação. Pierre Lévy(1999, p.79) aponta que “o termo „interatividade‟ em geral ressalta a participaçãoativa do beneficiário de uma transação de informação.” Já Manuel Castells (apudJENKINS, 2009, p.398 – 399) define interatividade como “a capacidade do usuáriode manipular e afetar diretamente a experiência da mídia e de se comunicar comoutros por meio dela”. Jenkins, entretanto, prefere separar os conceitos deinteratividade e participação, de modo que “interatividade se refira à manipulaçãodireta das mídias no que concerne à tecnologia, e participação se refira àsinterações sociais e culturais que ocorrem em torno das mídias” (JENKINS, 2009,p.399). Assim, a interatividade é possibilitada pelas tecnologias, como a internet etodos os dispositivos que podem acessar esta como, computadores, celulares,notebooks, mp5, entre outros. Já o termo participação se refere às transformaçõesculturais que a interatividade ocasiona no dia-a-dia das pessoas. Lévy (1999, p.82) ainda reflete sobre graus de interação determinando cincoeixos para medição deste grau, que são: Primeiro: possibilidades de apropriação ede personalização da mensagem recebida, seja qual for a natureza dessamensagem. Nesse eixo são relacionados as formas como as pessoas utilizam einteragem com as mensagens na internet. Segundo eixo: reciprocidade da
  20. 20. 19comunicação. Aqui se determina se a mensagem é direcionada para um receptor(comunicação um-um) ou se fala para todos os receptores (comunicação todos-todos). Terceiro eixo: virtualidade é definida através de um universo de possíveiscalculáveis sobre todas as mensagens que podem ser emitidas por um usuário, porexemplo, programas de edição de texto ou música e bancos de dados. Quarto eixo:implicação da imagem dos participantes nas mensagens. Esse eixo trata amensagem como um ponto de interação e proximidade entre usuários sendo queesses podem controlar diretamente o seu representante na internet, por exemplo,realidades virtuais, RPGs7 ou simuladores de vôo. Quinto eixo: Telepresença estáligada aos dispositivos e ao tempo que cada usuário dedica para ficar conectado nainternet. Medir o grau de interatividade dos públicos pode ajudar na medição daaudiência de produtos do entretenimento que utilizam a internet, a convergênciamidiática e a interatividade como formas de atrair e entreter variados consumidores. A interatividade e a participação sempre existiram de maneira bem maistímida e mais trabalhosa para os consumidores, mas com a ajuda da internet sepopularizaram e viram seus modos de audiência crescer. Ou seja, a hora docafezinho, com os comentários dos programas televisivos exibidos no dia anterior,deixa de ser limitada aos amigos e colegas de trabalho e passa a ser digital,alcançando pessoas em qualquer horário e lugar do planeta (JENKINS, 2009, p.55). A hora do cafezinho digital é o começo das comunidades virtuais dos fãs daindústria do entretenimento. “Fóruns on-line oferecem uma oportunidade para osparticipantes compartilharem conhecimento e opiniões” (JENKINS, 2009, p.56). A crescente interconexão entre a televisão e as novas tecnologias, junto com o atrativo que exercem entre os jovens, converteram os espaços de Internet em verdadeiras extensões dos programas, onde os internautas compartilham e retroalimentam suas interpretações mediante a contínua construção e desconstrução de comunidades interpretativas que se conformam e se deformam com a mesma velocidade com a que sucedem a maior parte dos programas (LACALLE, 2010, p. 90). Essas comunidades e o compartilhamento de conhecimento também sãoestudados por Lévy (2003). O autor reforça a participação dos consumidores noprocesso de produção, culminando no que chama de Inteligência Coletiva. “É umainteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em7 RPG: Role Playing Games, são jogos onde cada participante assume um papel ou personalidade dentro deuma missão do jogo.
  21. 21. 20tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências”, aponta Lévy(2003, p. 28). Ninguém é totalmente ignorante, isso depende somente do contextoem que seus conhecimentos estão sendo usados. Este conceito, da inteligênciacoletiva, se aplica perfeitamente à internet e às comunidades virtuais de fãs, pois éum ambiente onde ninguém sabe de tudo, mas todos sabem alguma coisa e estãodispostos a compartilhar e receber o que cada um tem para dizer. Reconhecer ascompetências válidas dentro dessa variedade de saberes é uma difícil missão para ainteligência coletiva. Um exemplo adequado ao termo são as criações de legendasamadoras nas comunidades de fãs dos episódios baixados ilegalmente de TrueBlood, divulgados poucas horas após o episódio original ser transmitido na HBOamericana. Mesmo com a HBO brasileira transmitindo o seriado com apenasalgumas semanas de atraso em comparação com o canal americano, o downloadilegal e as legendas amadoras continuam em alta porque muitos fãs não assinam ocanal pago. Na terceira temporada de True Blood que terminou dia 12 de setembrode 2010, o episódio final da temporada foi exibido no mesmo dia e no mesmohorário pela HBO americana e a brasileira. A interatividade é uma nova maneira que o consumidor centauro utiliza paraconsumir variados tipos de mídias e conteúdos. Utilizando o exemplo das legendascriadas por fãs já citado acima, algumas pessoas traduzem, outras sincronizam alegenda com o áudio, outras administram o blog ou site e postam as legendas nainternet, enfim, cada pessoa traz o que sabe fazer para as comunidades virtuais defãs. Outro caso de inteligência coletiva são as comunidades criadas em sites derelacionamento como Orkut, Facebook, Flicker, Myspace, que são produzidas pelospróprios fãs para que todos eles, de todas as partes do planeta, se encontrem edivulguem entre si as novidades disseminadas na internet. Este fenômeno, além deusar as práticas da interatividade e participação, também pode ser considerado umtipo de convergência, com conteúdos criados e disseminados pelo próprioreceptor/consumidor. A interatividade ainda não encontrou seu lugar pleno junto com a indústriado entretenimento. No exemplo citado acima, os downloads ilegais pela internetdiminuem o número de assinantes do canal e, conseqüentemente, dificultam aobtenção dos níveis de audiência do seriado, já que só é possível sabermos onúmero de downloads do vídeo ou da legenda por fontes informais de cada site. Asempresas ainda não sabem exatamente como obter lucros substanciais utilizando a
  22. 22. 21convergência midiática, assim como não sabem e não conseguem estabelecerlimites para participação dos fãs. O mesmo acontece com os fãs que pedem maisparticipação, mas também não querem gastar mais dinheiro com isso. Assim se instala um impasse entre as instâncias da produção e da recepção.De um lado a busca pela audiência dos produtores; de outro a procura pelaparticipação ativa, dos consumidores. A Narrativa Transmídia pode aparecer comouma resposta nesse impasse entre produtores e fãs e futuramente servir para maispropósitos além do comercial e do entretenimento.1.3 NARRATIVA TRANSMÍDIA As narrativas no geral fazem parte da necessidade do homem de contarsuas histórias e organizar os eventos que ocorrem na trajetória da sua vida. Oimaginário, que também acompanha as narrativas, é o motor que concretiza arealidade, é uma força que estimula a ação futura do homem.Assim, o homem, a partir da necessidade atávica de organizar os acontecimentos relativos à suatrajetória (coletiva e individual), passa a „editar‟ esses eventos, dando origem então a narrativasorganizadas e posteriormente concretizadas pela linguagem. Dessa maneira, temos a produção dasnarrativas ficcionais (filmes, seriados, telenovelas) e não-ficcionais (notícias, reportagens,documentários) (MOREIRA, 2005, p.19). Segundo Moreira (2005, p.21) existem pilares indispensáveis para formaruma narrativa tradicional, são eles: narrador, personagens, tempo, espaço eacontecimentos. O narrador traz um ponto importante nas narrativas audiovisuais, oponto de vista ou foco narrativo, que “compreende as relações entre o narrador e ouniverso diegético bem como com o leitor (implícito, ideal e empírico) e a históriapropriamente dita” (MOREIRA, 2005, p.23). Universo diegético é um termo derivadoda palavra diegese, [...] conceito da narratologia, dos estudos literários, dramatúrgicos e cinematográficos que diz respeito a dimensão ficcional da narrativa. A diegese é a realidade própria da narrativa („mundo ficcional‟, „vida fictícia‟), à parte da realidade externa de quem lê (o chamado „mundo real‟ ou „vida real‟). O tempo diegético e o espaço diegético são, assim, o tempo e o espaço que decorrem ou existem dentro da trama, com suas particularidades, limites e coerências determinadas pelo autor (Instrumentos de Análise Textual, 2010).
  23. 23. 22 Moreira nos apresenta os pilares das narrativas gerais, tanto do „mundo real‟quanto do mundo ficcional. Joseph Campbell (1995) se aprofunda na análise dasnarrativas ficcionais, mas especificamente sobre o mito universal do herói. O autoraponta acontecimentos que se repetem nas mais variadas histórias, mas que sãoapenas contadas de pontos de vista diferentes. A Jornada do Herói como Campbell(1995) chama, apresenta três seções principais subdivididas em partes. São elas: 1. Partida ou separação dividida em: „chamado da aventura‟, „recusa dochamado‟, „auxílio sobrenatural‟ e „passagem pelo primeiro limiar‟. 2. Iniciação dividida em: „caminho de provação‟, „encontro com a deusa‟,„mulher como tentação‟, „ sintonia com o pai‟, „apoteose‟, e „última benção‟. 3. Retorno dividido em: „recusa do retorno‟, „fuga mágica‟, „resgate comauxílio externo‟, „passagem pelo limiar do retorno‟, „senhor dos dois mundos‟ e„liberdade para viver‟. No segundo capítulo deste trabalho serão apresentados alguns exemplosdessas seções na história dos livros de True Blood, objeto de estudo do presente. Moreira e Campbell demonstram o papel e a importância das narrativasficcionais ou reais na vida da população e mostram que a narrativa transmídia é umaevolução deste fenômeno para os dias atuais. Na narrativa transmídia os conteúdos extrapolam o universo diegético deuma mídia, assim como a história que pode ganhar novos conteúdos para cada novamídia. Jenkins (2009, p.384) criou o conceito de narrativa transmídia definindo-ocomo “histórias que se desenrolam em múltiplas plataformas de mídia, cada umadelas contribuindo de forma distinta para nossa compreensão do universo”. Porexemplo, True Blood é inspirado numa série de 11 livros, mas além das adaptaçõesnecessárias na transposição da narrativa dos livros para a televisão, algunspersonagens ganharam mais importância no seriado. Medir a popularidade dos personagens dentro da audiência é umacaracterística viável na televisão, por isso um personagem que morreu no segundolivro e deveria ter morrido no final da segunda temporada, foi “poupado” justamenteporque a audiência aprecia bastante este personagem. As mudanças no enredo,além das simples adaptações, são consideradas como novos conteúdos passíveisde mais interpretações na compreensão do universo, ou seja, a característicaprincipal da narrativa transmídia na definição de Jenkins citada acima.
  24. 24. 23 O engajamento dos fãs com a história é componente indispensável para quea narrativa transmídia funcione, pois os fãs buscam as informações e os novosconteúdos nas diferentes mídias. Por exemplo, antes do começo da terceiratemporada de True Blood, foram divulgados mini-episódios no site oficial do canalHBO, onde momentos e eventos que aconteceram no intervalo do último episódio dasegunda temporada e o primeiro episódio da terceira temporada foram revelados.Sendo que tais informações não foram apresentadas nos episódios normais de 50minutos exibidos na programação do canal. Para quem não assistiu os mini-episódios o seriado continua passível de entendimento: esses vídeos são somenteinformações extras, mas que não interferem na história principal, dos livros ou doseriado, ou seja, esses vídeos são uma oportunidade para os fãs passarem maistempo com seus personagens favoritos. Esses mini-episódios são o corpus deanálise da presente pesquisa e serão mais bem explicados no terceiro capítulo. Esse tipo de narrativa vem como resposta para os produtores da indústria doentretenimento porque essa busca por novos conteúdos também implica na procurapor novas plataformas midiáticas, sendo que para ter acesso a essas mídias énecessário pagar por isso. Fazer jogos, lançar trilhas sonoras, fazer vídeos e papéisde parede para celulares, sendo que cada um desses suportes é pago, mostra ofoco mercadológico da narrativa transmídia.
  25. 25. 24CAPÍTULO 2: AS PLATAFORMAS DE TRUE BLOOD True Blood é o nome do seriado televisivo produzido e veiculado pelo canalHBO. Ele é inspirado numa série de 11 livros chamados Southern Vampires8, daescritora Charlaine Harris. No Brasil já foram exibidas três temporadas do seriadoassim como foram traduzidos somente os três primeiros livros da série da autora. Oseriado televisivo se apóia na base da história dos livros e os principais personagenssão os mesmos, mas os produtores do seriado já explicaram que a história podetomar rumos diferentes na TV e nos livros. Para ajudar a situar o leitor dentro douniverso fictício de True Blood, resolvemos contar bem resumidamente a história dostrês livros já traduzidos no Brasil. As principais diferenças entre os livros e a TVtambém serão expostas.2.1 A HISTÓRIA DE TRUE BLOOD 9 Figura 1: Personagens centrais Sookie e Bill O primeiro livro trata do começo do romance entre Sookie e Bill, daapresentação do mundo dos vampiros para Sookie e para os leitores, além de trazerum serial killer que tem ódio de vampiros e assassina mulheres que se envolvemcom eles, tentando inclusive, assassinar a personagem principal. Nesse livrotambém conhecemos Jason, irmão de Sookie, que é injustamente acusado de ser oserial killer, o local onde Sookie trabalha, o bar Merlotte‟s, seu chefe Sam, que8 Tradução: Vampiros Sulistas9 Fonte: Disponível em <http://www.fangtasiabrasil.com/2009/07/atencao-as-descricoes-abaixo-contem.html>Acesso em 16 de dezembro de 2010 às 11h05min.
  26. 26. 25acaba revelando que é um metamorfo10, e suas amigas e colegas de trabalho Arlenee Tara. Arlene era noiva do serial killer,mas nem imaginava do que seu noivo eracapaz. E Tara, praticamente mora na casa de Sookie, isto porque sua mãe éalcoólatra e passa a maior parte do tempo bêbada, xingando e batendo na filha. 11 Figura 2: Personagens Jason e Sam, respectivamente irmão e chefe de Sookie. Nos livros, o primo de Tara, Lafayette, que trabalha como cozinheiro no barMerlotte‟s, morre no final do primeiro livro, mas no seriado ele continua vivo porque opersonagem fez muito sucesso com a audiência. Logo no começo do primeiro livro, Sookie, uma garçonete telepata12,conhece o vampiro Bill, no bar chamado Merlotte‟s onde trabalha, e tenta escutar ospensamentos dele, mas não consegue. Como ela sempre conseguiu escutar ospensamentos de todos à sua volta, logo descobre que Bill é um vampiro. Nessemesmo dia, mais tarde, ela ajuda Bill a se livrar de um casal de viciados em sanguede vampiro (usado como droga ele é um poderoso alucinógeno) que tentavamdrenar todo o sangue de Bill. No outro dia Sookie é atacada e espancada pelomesmo casal de viciados em sangue de vampiro. Bill chega para socorrê-la e a fazbeber um pouco de seu sangue que possui um poder de cura muito forte e rápido,mas também faz com que Sookie se sinta atraída pelo vampiro. Enquanto Sookie conhecia Bill, seu irmão Jason, fazia sexo com uma garotadiferente em cada um desses dois dias, e logo depois que ele ia embora,10 Metamorfo: em True Blood são criaturas com aparência humana que podem se transformar em qualqueranimal que enxergarem, qualquer hora.11 Fonte: Disponível em <http://www.fangtasiabrasil.com/2009/07/atencao-as-descricoes-abaixo-contem.html>Acesso em 16 de dezembro de 2010 às 11h09min.12 Telepata: na história de True Blood os telepatas podem escutar o pensamento de outras pessoas e conversarcom elas através do pensamento.
  27. 27. 26descobriam as garotas assassinadas. Assim Jason passou a ser o principal suspeitodas mortes. Para ajudá-lo, Sookie vai à companhia de Bill até um bar de vampiros,chamado Fangtasia, na cidade vizinha, na tentativa de ler os pensamentos dealgumas pessoas e descobrir se as mortes podiam ser obras de um vampiro. Sookienão descobre nada sobre as mortes, mas conversa bastante com Bill e conhecemais sobre as leis e a hierarquia existente entre os vampiros, já que o dono doFangtasia é o vampiro Erick, xerife da área onde Bill mora. Vampiros possuem umconselho maior comandado pelos vampiros mais antigos que definiram algumas leis,depois cada estado possui um rei ou uma rainha e o mesmo é dividido em áreascomandadas por xerifes. Para fazer com que as leis sejam aplicadas existe omagistrado que julga e sentencia a pena de um vampiro que faz algo contra lei. 13 Figura 3: Personagens Erick e Pam, vampiros donos do bar Fangtasia. Depois desse encontro, Sookie começa a pesar prós e contras que umarelação com um vampiro poderia ter. Sua avó, que fora quem criara Sookie e Jasondesde pequenos porque seus pais morreram num acidente de carro, diz que querconhecer Bill e encoraja a neta a ficar junto de Bill apesar dos obstáculos, se elesrealmente se gostarem. Após esse jantar, Sookie cede aos seus desejos e correpara casa de Bill. Com isso, o relacionamento dos dois se torna público, e Sookie setorna um alvo do serial killer com ódio de vampiros. Depois de vários dias deperseguição, com a ajuda de Bill e Sam, Sookie consegue se livrar do serial killer,mas acaba o matando em legítima defesa. Com o verdadeiro assassino13 Fonte: Disponível em <http://trueblood.wikia.com/wiki/Gallery:Eric_Northman> Acesso em 16 de dezembro de2010 às 11h21min.Disponível em <http://trueblood.wikia.com/wiki/Pam> Acesso em 16 de dezembro de 2010 às 11h22min.
  28. 28. 27desmascarado Jason é solto da prisão. Arlene vai conversar com Sookie e pedeperdão por todo mal que seu ex-noivo fez. Quando todos pensavam que as morteshaviam terminado, após uma noite normal de trabalho, Sam, Tara e Sookie saem dobar e encontram um corpo dentro de um carro no estacionamento. O segundo livro começa exatamente de onde o primeiro terminou e aindamostra as reações de Sam, Sookie e Tara ao acharem o corpo e seus depoimentospara a polícia. Nele surge uma nova antagonista, de nome Maryann, uma mênade14. 15 Figura 4: Personagens Tara e Arlene, amigas de Sookie. No segundo livro, Sookie é contratada por Erick para ajudá-lo a encontrar oxerife da área Texas que está desaparecido. Enquanto isso seu irmão Jason sejunta à Sociedade do Sol, uma igreja complemente contra vampiros, inclusivetentando começar uma „guerra‟ com eles. Com os poderes telepáticos de Sookieeles descobrem que o xerife do Texas foi „raptado‟ pela Sociedade do Sol, com ointuito de expô-lo ao sol para sacrificá-lo, e assim, mostrar o poder de Deus presenteno sol. O sacrifício é interrompido graças a Erick, Sookie, Jason e Bill. O xerife do Texas, chamado Godric, é o maker, o criador de Erick. Paravampiros é uma relação de pai e filho. Depois de ser „salvo‟ Godric explica para Erickque já viveu muito tempo, mais de dois mil anos, e que se deixou raptar pela14 Mênade: São mulheres adoradoras do Deus Dionísio que praticam rituais de sacrifício e canibalismo natentativa de encontrar com seu Deus. Com exceção do momento dos rituais, no resto do tempo são criaturasimortais.15 Fonte: Disponível em <http://www.tvfanatic.com/2008/11/true-blood-spoilers-whos-here-to-stay-and-whos-the-murder/> Acesso em 16 de dezembro de 2010 às 12h35min.Disponível em <http://truebloodguide.com/cast-character-bios/arlene-fowler-carrie-preston-2/> Acesso em 16 dedezembro de 2010 às 13h02min.
  29. 29. 28Sociedade do Sol porque realmente queria ver o sol e morrer. Erick tenta convencê-lo a não fazer isso, mas Godric não desiste e convence Erick que é isso que ele quere que é o melhor para ele. Toda essa história se passa no Texas, e quando Jason, Bill e Sookie voltampara Bon Temps, descobrem sua cidade tomada pela bagunça e vandalismo. Tudoisto porque a população está hipnotizada sob comando de Maryann, que desejaencontrar seu Deus e para isso precisa sacrificar uma criatura mágica. E o escolhidoda cidade foi Sam, por ser um metamorfo, que está todo esse tempo se escondendode Maryann. Mas com a ajuda que chegou do Texas, Sam consegue enfrentar amênade e além de salvar sua vida do sacrifício, livra toda a população da cidade dainfluência de Maryann. Nesse momento de luta descobrimos que Sookie não sofre ainfluência da mênade como um humano normal e só vamos descobrir o porquê dissono terceiro livro. 16 Figura 5: Personagens Maryann e Godric, da segunda temporada. O terceiro livro também começa exatamente onde o segundo terminou,quando Bill e Sookie saem para jantar e ele a propõem em casamento, mas ela estáinsegura da sua decisão e pede um tempo para pensar. Nisso ela corre para obanheiro do restaurante e pensa melhor na proposta de Bill e decide aceitá-la.Quando está voltando, alegre com sua decisão, para sua mesa, não encontra Bill,que está sumido, e com os sinais de luta no restaurante, descobre que Bill foiseqüestrado. Sookie então pede ajuda a Erick para encontrar Bill, que foi raptadopor lobisomens que vivem sob as ordens do vampiro rei do estado do Mississipi,16 Fonte: Disponível em <http://www.fangtasiabrasil.com/2009/07/atencao-as-descricoes-abaixo-contem.html>Acesso em 16 de dezembro de 2010 às 12h39min.
  30. 30. 29Russel. Levado à casa do rei, Bill é recebido por Russel que quer se casar com aRainha de Louisiana, Sophie-Anne, rainha do estado onde Bill mora. Para convencera rainha a se casar com ele Russel precisa saber os pontos fracos da rainha atravésde Bill que é seu servo, a fim de chantagear Sophie-Anne até ela se casar com ele. Erick e Alcide, um lobisomem contratado por Erick para ajudar, ajudamSookie a encontrar Bill. Os três conseguem encontrá-lo e fugir de Russel. No terceirolivro descobrimos que Bill na verdade não se encontrou com Sookie ao acaso, eleestava a mando de sua rainha, investigando o que Sookie é. E Bill descobre que elaé uma fada, e, conforme diz a lenda, sangue de fada é viciante para vampiros e quebebendo o sangue de fada um vampiro pode andar no sol sem se queimar. Bill naverdade foi contratado pela sua rainha para encontrar uma fada, criatura emextinção, porque a rainha tem o sonho de andar novamente ao sol, mesmo sendouma vampira. Sookie não é 100% fada, sua família é descendente dessas criaturas,mas mesmo assim ela possui os poderes telepáticos e o sangue diferente dehumanos. 17 Figura 6: Personagens Sophie-Anne, Russel e Alcide. O terceiro livro termina quando Sookie descobre a verdade sobre Bill, eRussel consegue se casar com Sophie-Anne. Nesse meio tempo descobrimos queErick já conhecia Russel desde sua vida humana, e planeja uma vingança contra o17 Fonte: Disponível em <http://true-blood.net/2009/08/06/true-blood-exclusive-first-look-sophie-anne/> Acessoem 16 de dezembro de 2010 às 12h49min.Disponível em <http://www.trueblood-news.com/tag/russell-edgington> Acesso em 16 de dezembro de 2010 às12h40min.Disponível em <http://quizilla.teennick.com/polls/16952284/vampire-eric-or-werewolf-alcide-true-blood> Acessoem 16 de dezembro de 2010 às 12h51min.
  31. 31. 30rei. Isso porque Russel e seus lobisomens foram responsáveis pela morte dos pais eirmãos de Erick. Nos livros, o relacionamento de Bill e Sookie já sofre desde o segundo livro,e o pedido de casamento era somente armação de Bill para não perder Sookie paraninguém. No seriado televisivo o relacionamento dos dois começa como um trabalhopara Bill, mas ele acaba verdadeiramente apaixonado por Sookie, inclusive tentamatar a rainha para que ela não machuque Sookie. Também na televisão, naprimeira temporada, Bill matou um vampiro tentando defender Sookie, e por isso, foijulgado pelo magistrado e sua sentença foi criar um novo vampiro. Na verdade umavampira, Jessica, uma jovem de apenas 17 anos de uma família rígida e religiosa,que sai escondida de casa para ir numa festa e acaba sendo transformada emvampira. Essa personagem não existe nos livros, e no seriado ela explica muitassituações inclusive como „nasce‟ um vampiro. O primo de Tara e amigo de Sookie,Lafayette, que morreu no final do primeiro livro, foi poupado no seriado televisivoporque a audiência demonstrou muito afeto por ele. Na terceira temporada eleganha mais importância porque apresenta um gancho que será a história principaldo quarto livro e da quarta temporada: o aparecimento de bruxos e bruxas em BonTemps. 18 Figura 7: Personagens Lafayette e Jessica.18 Fonte: Disponível em < http://closethedoorplease.wordpress.com/2010/01/03/true-blood-casting-news-lafayette-gets-a-man/> Acesso em 16 de dezembro de 2010 às 12h37min. Disponível em<http://www.tvaudiencia.net/2010/03/10/true-blood-devera-ganhar-versao-para-internet/> Acesso em 16 dedezembro de 2010 às 12h58min.
  32. 32. 31 Enfim, essas pequenas diferenças no desenrolar da narrativa nos livros e natelevisão já mostram como a recepção age de maneiras diferentes em cada mídia. Eos personagens que foram criados ou poupados somente no seriado, sãoconsiderados novos conteúdos da narrativa na televisão, o que nos leva diretamentepara os conceitos de narrativa transmídia e convergência midiática apresentados noprimeiro capítulo. Mas True Blood não acontece somente nos livros e na televisão. Suanarrativa se expande pela internet, pelas histórias em quadrinho e pela publicidade.Nesse capítulo serão detalhadas as várias plataformas midiáticas em que essahistória se apresenta, mostrando conceitos e mapeando essas mídias através doEstudo de Caso. O Estudo de Caso é definido por Yin (2005, p. 32) como uma “investigaçãoempírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vidareal, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estãoclaramente definidos.” Yin também trata da investigação que o estudo de casoproporciona, definindo-a como “estratégia de pesquisa que compreende um métodoque abrange tudo – tratando da lógica de planejamento, das técnicas de coleta dedados e das abordagens específicas à análise dos mesmos” (YIN, 2005, p.33). Essametodologia responde melhor as questões do tipo “como” e “porque” por ter essacaracterística de ser uma estratégia de pesquisa abrangente. Nesse sentido essametodologia servirá para o mapeamento e uma breve descrição dos suportesmidiáticos em que a narrativa de True Blood se apresenta. Citada no primeiro capítulo, a convergência midiática acontece através dofluxo de conteúdos, sejam ficcionais ou reais, através de múltiplas plataformasmidiáticas, como demonstrado acima na narrativa de True Blood entre os livros e atelevisão. A internet é uma grande possibilitadora desse fluxo, seja com um planobanda larga no computador, ou a internet sem fio acessada pelo celular, porexemplo. As lógicas da produção e do consumo de informação e entretenimento nas redes da esfera digital contemplam, entre outros aspectos, a criação de novos espaços de comunicação e socialização. Tal ampliação gera diversas configurações de fluxos comunicacionais e, por conseguinte, os meios estruturados em suportes de base analógica enfrentam, na atualidade, processos de transformação de seus modos de produção, distribuição e consumo (MÉDOLA; REDONDO, 2009, p.146).
  33. 33. 32 Como explicaram Médola e Redondo, a internet possibilitou novos fluxoscomunicacionais através de ferramentas na rede digital, como por exemplo, emsites, blogs, fóruns ou redes sociais. Em função desses novos caminhoscomunicacionais e digitais, os meios analógicos entraram em fase de transição paramelhor se adequar à interatividade e a participação que a sua audiência requisita.Um dos modos de se trabalhar o fluxo de conteúdo é apresentado pela narrativatransmídia, que é a narrativa usada em True Blood. A primeira plataforma dessa narrativa são os livros; a segunda é a televisão;a terceira é a internet. E o quarto suporte, considerado nesse trabalho como umaparte de toda a narrativa, a publicidade.2.2 LIVROS O seriado televisivo True Blood, e os livros que serviram de inspiração paraa produção da série, recorrem ao mito do vampiro para contar a base da suanarrativa. O mito do vampiro surgiu no gênero terror, sendo este tratado como monstroassassino, morador das trevas e da noite. Rita Ribeiro (2009) no seu trabalho sobreos vários mitos urbanos, fala que o mito do vampiro possui um diferencial muitoimportante: o sangue sendo consumido como energia vital. Muitas culturas emdiversos países contam histórias de monstros ou sacerdotes que bebiam sangue embusca da força vital da vida e da morte. Os mitos surgem na tentativa de explicar as dúvidas da humanidade, sejamelas sobre a nossa existência na terra, sobre a vida ou a morte, ou sobre a sombraque se esconde no beco escuro de uma cidade (RIBEIRO, 2009). Em 1897, Bram Stoker publicou a história que tornaria o Conde Drácula, oprimeiro vampiro, um personagem universal. Essa história na verdade foi baseadano Conde Vlad Tepes que viveu na Transilvânia, atual Romênia, e ficou conhecidopela sua crueldade e pelo derramamento de sangue de inimigos e de cristãos.Desde o começo das histórias de vampiros, desde os primeiros contos queapresentavam essas criaturas, vampiros são caracterizados como seres urbanos, eessa característica só cresceu com a transposição da história do livro para atelevisão e cinema. Seguindo a linha histórica, depois da publicação do livro doconde Drácula, Ribeiro (2009) conta ainda como as mudanças na sociedade foram
  34. 34. 33modificando esse mito, e se o mesmo não tivesse sofrido essas mutações não teriasobrevivido até hoje. Como exemplo, a própria característica urbana das históriasque seguiu a crescente urbanização da sociedade. Um grande marco nas mudanças feitas nos mitos em razão de mudanças nasociedade, citado por Ribeiro (2009), ocorreu na época Grande Depressãoamericana, na qual a população não tinha mais interesse de assistir ou ler históriasde terror, já que nas suas próprias vidas a crise econômica deixava muitas pessoasem pânico. Assim, livros e o cinema já não satisfaziam mais criando histórias deterror com monstros distantes da realidade. Então, começaram a surgir dramas enarrativas que buscavam aproximar os leitores e telespectadores das histórias daindústria entretenimento. Vampiros foram perdendo a característica do terror ecomeçaram a ganhar ares sedutores por serem moradores da noite, e tambémganharam características misteriosas e sexuais e não mais de suspense e morte. A evolução do mito do vampiro ocorreu primeiro na literatura se distanciandolentamente do gênero terror passando pelo suspense e drama, até chegar aomomento romantizado dos dias atuais. Joseph Campbell (1995) trata sobre o mito universal do herói. Conclusõesestas trabalhadas em cima de estudos dos símbolos e signos antigos e de psicologiaprofunda. Campbell identifica que todas as histórias consistem em alguns elementosestruturais comuns, encontrados universalmente em mitos, romances e filmes. Elassão modelos de como funciona a mente humana – quais são seus maiores medos,aspirações e questionamentos. Por terem uma relação tão estreita com a psique dohomem, essas histórias são emocionalmente válidas e realistas. As conclusões deCampbell foram mostradas no primeiro capítulo com as fases que todas as históriasapresentam. Aproveitando que a história dos três primeiros livros já foi resumida,vamos relembrar as categorias de Campbell e exemplificar algumas usando anarrativa de Southern Vampires. Relembrando, a Jornada do Herói como Campbell(1995) chama, apresenta três seções principais subdivididas em partes. São elas: 1. Partida ou separação dividida em: „chamado da aventura‟, „recusa dochamado‟, „auxílio sobrenatural‟ e „passagem pelo primeiro limiar‟. 2. Iniciação dividida em: „caminho de provação‟, „encontro com a deusa‟,„mulher como tentação‟, „ sintonia com o pai‟, „apoteose‟, e „última benção‟.
  35. 35. 34 3. Retorno dividido em: „recusa do retorno‟, „fuga mágica‟, „resgate comauxílio externo‟, „passagem pelo limiar do retorno‟, „senhor dos dois mundos‟ e„liberdade para viver‟. No primeiro livro já temos alguns exemplos das seções de Campbell, dentrodo romance entre Sookie e Bill, como o “chamado para aventura”. Quando Sookieconhece Bill ela tenta escutar seus pensamentos, mas não consegue, e isso é ochamado para aventura porque em razão disso que Sookie decide conversar econhecer melhor Bill. À medida que a personagem principal é apresentada aomundo dos vampiros ela “recusa esse chamado” ao encontrar vários obstáculospara sua relação com Bill, como ele só poder sair à noite, se alimentar de sanguehumano e sua capacidade de hipnotizar humanos. Quando Bill deixa Sookie serespancada pelo casal viciado e depois faz com que ela beba seu sangue, acontecea seção “auxílio sobrenatural”. Isso porque o sangue de vampiro causa uma atraçãoforte de Sookie com Bill. A seção, “passagem pelo primeiro limiar” se dá quandoSookie aceita os obstáculos e cede aos seus desejos, correndo até a casa de Bill efazendo sexo com ele. O “caminho da provação” começa quando Sookie vira um alvo para o serialkiller e sofre preconceito dos amigos e conhecidos por namorar um vampiro. Seu“encontro com a deusa” acontece quando ela leva Bill para conhecer sua avó. A avóaceita o namoro dos dois, inclusive incentiva Sookie a superar os obstáculos paraficar com Bill. No final do livro o serial killer persegue Sookie e com a ajuda de Same Bill ela acaba o matando. Esse momento se encaixa na categoria “mulher comotentação” de Campbell, porque faz Sookie perceber que humanos são tão capazesde violência e maldade quanto os vampiros. Ela descobre o cerne da carne,descobre o instinto de sobrevivência dentro dela mesma e num momento dedesespero ela também é capaz de matar. No segundo livro, Sookie é contratada por Erick para ajudá-lo a encontrarseu maker Godric, no Texas. Quando Erick tenta convencer Godric de não encontraro sol - mas não consegue - identificamos a categoria “sintonia com o pai” deCampbell. Erick conversa com seu maker e com a ajuda de Sookie ele aceita adecisão de Godric que queima no sol na companhia dela. Já no terceiro livro, quando Bill conta para Sookie que ela é uma fada temosa categoria „apoteose‟ de Campbell, quando ela descobre o que realmente é,descobre o porquê de seus poderes e ainda descobre que seu noivo havia mentido
  36. 36. 35para ela. Como a história ainda segue tanto pelo restante dos livros como pelastemporadas do seriado que ainda virão, esses foram apenas alguns exemplos deonde as seções de Campbell podem aparecer. Já que True Blood se utiliza do mitodo vampiro, as seções do autor (que são baseadas em diversos mitos) deveriamaparecer nessa narrativa também. A tentativa aqui não era fazer uma análisecompleta dos livros a partir de Campbell, o que daria um trabalho extenso por si só,e sim, explicitar algumas categorias e mostrar como as narrativas realmente seposicionam dentro dessas categorias, usando como exemplo True Blood. Os mitos são narrativas clássicas e também apresentam os pilaresmostrados no primeiro capítulo: narrador, personagens, tempo, espaço eacontecimentos. Na narrativa dos livros de True Blood o narrador é algumas vezesonipresente e em outros momentos é a personagem principal do livro, SookieStackhouse. A história se passa nos dias atuais e começa quando Sookie conhece ovampiro Bill. No momento em que os dois personagens se conhecem já faz doisanos que os vampiros resolveram sair das sombras e revelar sua existência àhumanidade. Esta revelação ocorreu após o descobrimento dos japoneses de comofabricar sangue sintético (com esse sangue os vampiros não precisam mais sealimentar de sangue humano, teoricamente), e a partir daqui passam a abdicar porseus direitos e deveres na sociedade. O seriado True Blood é inspirado nessa série de onze livros escritos porCharlaine Harris, o primeiro volume foi publicado em 2001 e até agora só foramtraduzidos e publicados no Brasil os três primeiros volumes. A literatura é a primeiraplataforma em que True Blood aparece, mas a série de livros não possui esse nome,e sim Southern Vampires, na qual cada livro possui um título único sem ligação umcom o outro, apesar da história realmente ser contada em continuidade pelos livros. A história usa da temática do vampiro sedutor, a última evolução do mito dovampiro. Essas criaturas misteriosas, imortais e moradoras da noite ganharam aresde sedução além da aura de poder que já possuíam, e assim se tornaram os novospríncipes encantados da atualidade. Tanto é, que não só True Blood se utiliza dessatemática nos últimos anos, mas outros livros, seriados e filmes também, tais como:Série Crônicas Vampirescas de Anne Rice, A Hora do Vampiro de Stephen King, 30dias de noite de Steve Niles, e a série House of Night das autoras P.C. Cast e Kristin
  37. 37. 36Cast.19 Também outros seriados como: Moonlight, Angel, Buffy – a caça vampiros,The Gates e The Vampire Diaries (que também é uma série de livros). E tambémalguns filmes como: Entrevista com vampiro, Trilogia Anjos da Noite e Quadrilogia –Crepúsculo. Até duas novelas brasileiras, Vamp e Beijo do Vampiro (produzidas eveiculadas na TV Globo) usaram o mito do vampiro como temática principal.20 Os principais aspectos da comunicação humana como, a necessidade deregistrar fatos contando histórias e a necessidade do imaginário para construção dedesejos e de um plano futuro, constroem uma parceria importante entre audiovisuale literatura. Essa parceria nasce com a finalidade de unir narrativas literárias e aexpressão dramática. Assim a transposição de narrativas literárias para o cinema e atelevisão não se trata apenas de adaptações, mas também a busca pelatransformação de um personagem no papel em algo mais concreto e verossímil nastelas da televisão ou cinema.2.3 TELEVISÃO A televisão é um termo muito abrangente quando considerarmos aquantidade de gêneros e formatos que são veiculados nela. A TV é considerada poralguns críticos uma mídia, por outros uma indústria do entretenimento ou umaestratégia de mercado, tudo ao mesmo tempo. A televisão também é uma mídia demassa e ao mesmo tempo seletiva. A televisão se apropria da linguagem dapublicidade, teatro, rádio, circo, cinema, teatro e literatura para construção da suaprópria. E esses são apenas alguns ângulos possíveis de se enxergar esse termotão plural chamado televisão. Arlindo Machado (2001, p. 16 – 21) aponta trêsconclusões interessantes sobre a televisão: primeiro a TV como fato incontestávelda cultura do nosso tempo. Segundo, para a pesquisa, o que importa não é oproduto, mas o estudo da contextualização da produção e das condições derecepção. E terceiro, a TV é e será aquilo que fizermos dela, ou seja, o quedetermina e influência a produção da televisão é a recepção. Nesse contexto ainda existem as diferenças entre TV aberta e TV fechadasobre as quais tentaremos caracterizar nos tópicos abaixo. Como a maioria dos19 Fonte: Disponível em <http://icultgen.wordpress.com/2010/01/04/top-10-livros-de-vampiros/> Acesso em 20 deoutubro de 2010 às 22h: 0820 Fonte: disponível em <http://www.imdb.com/keyword/vampire/> Acesso em 20 de outubro de 2010 às 22h: 09.
  38. 38. 37críticos só nomeia a TV aberta como televisão, também usaremos estadenominação neste trabalho.2.3.1 TV aberta Arlindo Machado (2001) defende que a abrangência de gêneros quecompõem a programação da televisão, dificulta os estudos sobre a mesma, e issoocasiona ataques de críticos taxando a televisão como mídia inferior. “Ocomportamento da TV é inexplicável para as pessoas condicionadas pelo meioquente do jornal, que vive do conflito de opiniões e não do envolvimento emprofundidade numa situação.” (MCLUHAN, 1996, p.347) Machado (2001) traz uma perspectiva interessante sobre as críticas feitascontra a televisão, sendo que a maioria só considera a televisão como um todo,como mídia das massas, manipuladora do imaginário popular, ou empreendimentomercadológico, sem analisar especificamente nenhum programa ou canal televisivoque trabalhe pela qualidade do roteiro e da programação. A televisão é um termo muito abrangente que tenta abraçar produtosaudiovisuais muito diferenciados e, muitas vezes, programas que não foram feitospara exibição na televisão, como partidas de futebol ou filmes cinematográficos.Existe um preconceito estabelecido pela questão da televisão ser a primeira grandemídia massiva. Ciro Marcondes (1990) nos lembra que não podemos plantar necessidadesnas pessoas, por isso a cultura do espetáculo que rege a programação televisiva éum desejo dos telespectadores de fugir da realidade. Através da televisão aspessoas vivem experiências indiretas, por exemplo, ao invés de sentir amor assiste-se a um filme de romance; ou um programa de encontros; ou uma novela. É o que oautor chama de „vivência de segunda mão‟ ou vivência abstrata. “O fascinante na TVé isso: a tensão entre momentos de fantasia liberada e o restabelecimento doesquema da ordem.” (MARCONDES, 1990, p.40) E como a TV não é feita somente de programas de ficção, seus programasinformativos também seguem a cultura do espetáculo, tão cheios de clichês detristeza e dor nas reportagens, que o telespectador já recebe a notícia neutralizada.Na tentativa de representar sempre um mundo „maquiado‟, neutralizando emoçõesfortes com saídas convencionais, a televisão torna-se cansativa. “A televisão, como
  39. 39. 38tantas outras mercadorias, diria o pensador alemão Wolfgang Fritz Haug, prometemuito mais do que cumpre” (Idem, 1990, p.42). Mas o espetáculo não está somentenos conteúdos também se apresenta na eficácia visual das imagens e da ediçãofeita em cima delas. “No Brasil, Walter Salles Jr. observou que [...] a pirotecnia visuale a aceleração das imagens funcionam como formas de mascarar a pobreza dasidéias” (Idem, 1990, p.44). Marcondes fala que hoje a televisão trabalha com esquemas pré-prontos,por exemplo, certas características físicas que os atores devem possuir parainterpretarem um personagem policial na realização de uma série com este tema.Mesmo nas novelas brasileiras, poucas atrizes negras já ganharam papel deprotagonista, e isso demonstra que o esquema pré-pronto das novelas é umaprotagonista de pele branca. Mcluhan (1996, p.347) aponta o contrário dizendo que:“A TV é um meio que rejeita as personalidades muito delineadas e favorece maisapresentação de processos do que de produtos”. Ou seja, este autor acredita nooposto do esquema pré-pronto para montagem de um programa televisivo. Porém, apartir do momento em que a televisão passou a transmitir programação 24 horas pordia, alguns esquemas precisaram ser montados para rechear todo o horário daprogramação. A tecnologia da televisão nasceu no século XIX, mas ela só ganhou umgrande impulso após a Segunda Guerra Mundial. Ao contrário do cinema, queprecisava imprimir as imagens numa película, a televisão funciona com a traduçãode imagens em sinais elétricos. No cinema o filme é projetado numa sala escura, nagrande tela branca, para ser visto todo de uma vez só. Na televisão a transmissãoocorre através de ondas eletromagnéticas, numa tela pequena, e mesmo sendo atransmissão contínua, o produto televisivo é apresentado em blocos de programaçãoe propagandas. Essas são algumas diferenças entre esses dois meios quetrabalham com produtos audiovisuais, mas os dois começaram a criar suas própriaslinguagens a partir de outros meios como rádio, circo, teatro e literatura. As principais características da audiovisualidade televisiva se encontram narecepção e na fragmentação de seus produtos. A recepção influencia sobre osplanos fechados das telenovelas, em razão da tela pequena, e também trabalhamais com os textos e diálogos, em função de que mais se escuta televisão do quese assiste, ao contrário do cinema. A fragmentação transforma a transmissão dosprogramas em blocos de diferentes conteúdos e linguagens. Um mesmo espaço
  40. 40. 39pode possuir um bloco de esportes, outro de propaganda, outro de telenovela eoutro de propaganda. Os programas televisivos não podem ser pensados como algo único, mas como o resultado de vários cruzamentos de programas televisivos. [...] Conforme a concorrência aumenta, aumenta a fragmentação; acelera-se o ritmo. A tevê vai-se tornando um emaranhado de produtos e programas, onde diferentes linguagens se cruzam, se disputam, se complementam (ROSSINI, 2007, p.173). Nesse sentido Mcluhan (1996, p.349) também comenta que a TV “conseguecombinar liderança política, educação e propaganda de maneira tão hábil que àsvezes é difícil dizer-se onde começa uma e termina outra.” Essa capacidade da televisão de combinar linguagens e discursos não é aúnica característica das narrativas audiovisuais. Diferentemente das narrativasliterárias em que tudo é definido e contado pelo narrador, nas narrativas audiovisuaiso foco passeia por vários contadores. Também no audiovisual o personagem é oque ele faz e não o que ele conta, tudo é mostrado através de imagens e ações, issona literatura é revelado somente pelo narrador. Em algum momento ostelespectadores podem se perguntar afinal quem conta essa história nas narrativasaudiovisuais? Uma câmera universal gira em torno de todos os personagensmostrando suas ações? E o narrador? O narrador é a imagem vista pelo espectadore produzida pelos profissionais que trabalham por trás das câmeras, diretor,iluminista, diretor de fotografia, editor, enfim todos que influenciam e compartilham anarração de uma história audiovisual. (MOREIRA, 2005, p. 29 -31) Mas as narrativas audiovisuais diferem da televisão aberta para a televisãofechada. A TV aberta apresenta as grades de programação sustentadas emtelenovelas, jornais informativos e programas de auditório. A TV aberta atinge asgrandes multidões e por isso apresenta na programação temas gerais, publicidade,bem como ações de merchandising social21 e comercial.2.3.2 TV fechada ou TV por assinatura As narrativas dos programas da TV fechada são especializadas empequenos públicos divididos em canais e temas específicos, um tema para cada21 Segundo Rabaiolli (2008, p. 68) o merchandising social: visa explicar e conscientizar a população sobretemáticas e problemas do cotidiano como cidadania, estatuto do idoso ou da criança e do adolescente, consumode drogas lícitas e ilícitas, falta de acessibilidade para portadores de necessidades especiais, além de apresentarnichos culturais, como o caipira, o cowboy, o baiano e o gaúcho. Não envolve custos para a ação e depende davontade do autor ou da emissora.
  41. 41. 40canal, por exemplo, canal de esportes, de filmes ou de desenhos animados. Aprogramação não possui uma base sólida, cada canal apresenta um horáriodiferenciado, principalmente porque o tempo de exibição de, por exemplo, um jogode futebol ou de um filme é diferente. Para definir sua programação os canaistambém devem seguir as leis sobre os horários de exibição específicos para cadafaixa etária. Como já foi dito anteriormente nesse capítulo, quem define a produçãoda televisão é a recepção, e isso não é diferente na TV por assinatura, essainfluência e também existe aqui. O diferencial da TV fechada está justamente narecepção, seus telespectadores exigem uma televisão de maior qualidade, commaior número de canais e de programas, e estão dispostos a pagar por isso. Natabela 1 podemos acompanhar alguns dados sobre a motivação das pessoas paraadquirir a TV por assinatura. Essa tabela representa a importância da qualidade naprogramação e dos canais específicos para cada tema e público. Um dadointeressante remete ao desejo das pessoas em possuir mais canais de televisão,demonstrando a força do efeito zapping22. Tabela 1 - Motivação dos telespectadores para adquirir a TV por assinatura Fonte: Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA). Mídia Fatos, p.24. A TV fechada demonstrou que é possível fazer uma televisão de qualidade,se especializando na transmissão e produção de programas de acordo com o temade cada canal. Machado (2001, p.198) comenta que o objetivo não deve ser acriação de uma televisão de qualidade que fique isolada, no caso somente para aspessoas que possuem acesso a TV por assinatura, e sim que a qualidade da22 Arlindo Machado (2001) explica que efeito zapping é o “embaralhamento de todos os canais com o controleremoto”, ou seja, é a freqüência alta com que o telespectador costuma trocar de canal, seja por causa dointervalo comercial ou uma queda no ritmo do programa que ele assiste.
  42. 42. 41programação ditada pelos canais fechados possa influenciar a produção e arecepção da TV aberta. A TV por assinatura antecipa tendências, abrindo espaço para diferentes pontos de vista, formando opinião em um novo modelo de comunicação baseado em informação e entretenimento, que influencia os demais meios de comunicação, inclusive a TV aberta (ABTA, 2009, p.2). É importante entender que a TV fechada tem crescido a cada ano no Brasil.Para explicitar o crescimento da TV por assinatura no país, vamos apresentar algunsdados. A tabela número 2 mostra o número de domicílios assinantes da TV fechadano Brasil e algumas características desses consumidores, como a quantidade depessoas que possuem acesso a TV por assinatura no Brasil: 21 milhões. E dessenúmero 78% são das classes sociais mais altas e economicamente mais fortes, A eB. Tabela 2 - Os assinantes de TV fechada no Brasil Fonte: Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA). Mídia Fatos, p.14. A tabela 3 mostra alguns dados sobre o crescimento da verba e do mercadopublicitário aplicado na TV por assinatura no ano de 2008. Um dado interessante é onúmero de anunciantes e agências publicitárias, 41%, que querem aumentar suaverba de investimento na TV fechada. Isso demonstra que a qualidade naprogramação e os canais com temas específicos só tende a atrair mais audiênciatanto da recepção, quanto do mercado de produtos no geral.
  43. 43. 42 Tabela 3 - Comportamento da TV fechada em 2008 Fonte: Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA). Mídia Fatos, p.15. Para explicitar o comentário feito sob a tabela 4, sobre a internet comoconcorrente da televisão, apresentamos o gráfico 1, que demonstra a diferença naaudiência da televisão entre domicílios com e sem internet. Gráfico 1 - Concorrência entre TV e internet Fonte: MÉDOLA; REDONDO, 2009, p.147 A tabela 4 mostra três gráficos sobre o aumento no tempo que as pessoasdedicam para assistir televisão, que, desde o ano de 2004, gira em torno de duas
  44. 44. 43horas diárias. No chamado „horário nobre‟ da televisão brasileira, das 18h à 1h, otempo dedicado a TV fechada concorre com a TV aberta e com a internet. Tabela 4 - Tempo dedicado para TV fechada Fonte: Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA). Mídia Fatos, p.20.
  45. 45. 44 Dentro da TV por assinatura existem também os canais especializados emprodução e veiculação de seriados e reality shows. São canais basicamente deentretenimento, que também produzem e exibem alguns filmes. O canal HBO produze veicula o seriado True Blood, e já tem um público cativo que procura pelasproduções desse canal. Essa fidelização ajuda muito na hora de produzir um novoseriado porque já se conhece o que público pode gostar. A fidelização pelosprodutos ou pelo canal também faz com que a recepção busque mais tempo deinteração com seu seriado favorito.2.3.3 Seriados Segundo o trabalho de Dominato et AL (2009), os seriados possuem origemnos antigos folhetins, romances serializados nos jornais, no qual cada periódicotrazia um capítulo da história. Partindo para o audiovisual, cinemas muito antigos,chamados nickelodeons, muito pequenos e desconfortáveis, faziam com que opúblico não conseguisse assistir duas horas um filme, então cada dia ou semana eraapresentado um capítulo da história. Nesse formato surgiram algumascaracterísticas importantes do seriado que são usadas até hoje como os“cliffhanger”23, “previously”24 e “to be continued”25 Essas são características dogênero seriado, porém foi a evolução da TV fechada que alavancou a produçãodessa obra. Com a baixa nos preços das TVs por assinatura, e a busca por umaprogramação diferenciada da TV aberta, abriu esse leque no grande público, criandopequenos nichos e permitindo a criação de seriados com temas cada vez maisespecíficos. A narrativa seriada, embora pareça redundante, é caracterizada pelaserialidade; “apresentação descontínua e fragmentada do sintagma televisual”(MACHADO, 2001, pg. 83). No caso dos seriados, como True Blood, o enredo énormalmente estruturado sob a forma de capítulos ou episódios exibidos em dias ehorários diferentes, também divididos em blocos menores separados por intervaloscomerciais.23 Cliffhanger é um recurso de roteiro utilizado em ficção, que se caracteriza pela exposição do personagem auma situação limite, precária, tal como um dilema ou o confronto com uma revelação surpreendente.Geralmente, o cliffhanger é utilizado para prender a atenção da audiência e, em casos de séries ou seriados,fazê-la retornar ao filme, na expectativa de testemunhar a conclusão dos acontecimentos. (DUCLÓS, 2010)24 Previously: tradução: anteriormente, no último capitulo. (GUIA, 2010)25 To be continued: tradução: continua no próximo capítulo. (GUIA, 2010)
  46. 46. 45 Os seriados também se dividem em quatro tipos básicos: sitcom, drama,investigativo e reality shows.26 Sitcom é a abreviação da tradução de comédia desituação. Basicamente são histórias engraçadas sobre o cotidiano de pessoascomuns, normalmente se mantêm os mesmos personagens e a cada episódioacontece algo novo, com relação ou não com o episódio anterior. Exemplos:Friends, Seinfeld, The Big Bang Theory e o sitcom brasileiro A Grande Família.Seriados dramáticos contam a história de um ou mais personagens durante toda atemporada, ou seja, a mesma história se desenrola por vários episódios. Algunsexemplos de drama: Dexter, Lost, Grey’s Anatomy, The Vampire Diaries e TrueBlood. Já os seriados investigativos normalmente desvendam um mistério a cadaepisódio, não necessariamente uma investigação policial. Alguns mantêm ospersonagens outros mantêm somente o cenário. Exemplos: House, C.S.I, Law andOrder, e o brasileiro Força Tarefa. Por último, os reality shows, são parecidos comdocumentários que mostram o cotidiano de algumas pessoas. Ou podem ter oformato de um jogo, colocando algumas pessoas numa situação diferente do seudia-a-dia. Exemplos: Big Brother, SuperNanny, Top Chef, The Amazing Race e aversão brasileira de Esquadrão da Moda. Dentro destes quatro tipos básicos, cada seriado ainda possui seu temaprincipal, podendo ser policial, drama familiar, comédia, jurídico, médico, guerra,ficção científica entre outros. O seriado True Blood se encaixa no tipo dramático, e seu tema principal éficção envolvendo vampiros e seres sobrenaturais. Atualmente possui trêstemporadas que somam 36 episódios e a quarta temporada possui previsão deestréia para junho de 2011. Machado (2001) define a TV como aquilo que os telespectadores podem equerem fazer dela, isso porque é a audiência que controla o padrão daprogramação. Essa definição traz de forma muito simplificada a idéia da influênciada recepção e também da convergência para a televisão. A convergência e aretroalimentação entre televisão e internet serão abordadas em profundidade napróxima parte desse capítulo sendo que, “[...] a extensão das narrativas televisivasàs novas tecnologias é considerada um dos principais motores da renovação daficção televisiva” (LACALLE, 2010, p.82).26 Fonte: disponível em <http://bymarina.com.br/2010/07/10/os-tipos-de-seriados/> Acesso em 20 de outubro de2010 às 22h: 34m.
  47. 47. 462.4 INTERNET Todas as novas e mais variadas tecnologias do mundo atual permitiram osucesso da internet, já que, diante de múltiplos aparelhos que podem acessar ainternet sem fio de qualquer lugar “poderemos observar uma mídia <invisível>, porestar em todas as partes, que passa a ser despercebida como tal e podendo assimcriar um novo ambiente de comunicação” (MÉDOLA e REDONDO, 2009, p.149). A rede mundial de computadores, mais conhecida como Internet, é a grandepossibilitadora de conceitos como, interatividade, participação, inteligência coletiva,novos fluxos comunicacionais e narrativa transmídia. Como define Lacalle (2010,p.80) “A internet é um meta-meio interativo e comunitário. Um meio dos meios. [...] Ainternet é o que há de mais próximo da versão do senso comum de „aldeia global‟ deMcLuhan.” Pierre Lévy trabalha com três princípios que regem o crescimento dociberespaço, também chamado de ambiente virtual, que segundo Lacalle (2010,p.80) “situa o usuário em algum ponto eqüidistante entre a intimidade e a extimidadee permite sua integração na inteligência coletiva sem prejuízo de sua identidadeindividual.” Esse mesmo autor também comenta que o desenvolvimento da web nãoé apenas tecnológico, mas também de natureza social. Os três princípios (LEVY,1999, p. 127 -132) são: interconexão, comunidades virtuais e inteligência coletiva. Ainterconexão é o começo de todos os outros princípios. Na cibercultura27 a conexãoé sempre preferível ao isolamento é como se a própria conexão em si fosse um bempossessível para as pessoas. Com o crescimento do número de pessoas e deinformações conectadas o espaço da comunicação sofre transformações, passandoda noção de canal e de rede para uma telepresença generalizada. Todo o espaçoonde existe conexão se torna um canal interativo. As comunidades virtuais sebaseiam no crescimento da interconexão para também se desenvolverem. Uma comunidade virtual é construída sobre as afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, tudo isso independentemente das proximidades geográficas e das filiações institucionais (LÉVY, 1999, p.127).27 Definida por Lévy (1999) como a cultura do virtual e da internet, a cibercultura rege a vida das pessoas queficam conectadas todo o tempo. Sua essência é o conceito de universal sem totalidade, onde cada vez maispessoas estão conectadas e mais informações são jogadas na rede, criando um ciberespaço universal comtantas pessoas e culturas ao mesmo tempo em que as informações se tornam menos totalizáveis.

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