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Missao Medica Dharma VV Piaui Sociedade Brasileira Infectologia 2017

Missão Médica Dharma VV Piauí 2017

Publicado no Boletim da Sociedade Brasileira Infectologia Dez 2017

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Missao Medica Dharma VV Piaui Sociedade Brasileira Infectologia 2017

  1. 1. O que leva um grupo de pessoas com carreiras profissionais extremamente atribuladas e estressantes doarem o per�odo de f�rias para trabalhar de gra�a, em situa��es de pouco conforto em um lugarejo remoto e perdido do Sert�o do Piau�? A resposta para essa pergunta n�o � racional, e s� um pouco do que vivemos por l� pode tentar explicar essa paix�o por fazer a diferen�a na vida de algu�m. Aeroporto de Petrolina: 27 de novembro de 2017, 16h45- vindos de oito estados diferentes, 30 volunt�rios entre m�dicos, dentistas, enfermeiros, psic�logos, fisioterapeutas e v�rios outros profissionais que n�o trabalhamna�readasa�de(engenheiros,administradores, empres�rios, fot�grafos, jornalistas etc) se re�nem com um misto de empolga��o, alegria e ansiedade. Est� para come�ar a Miss�o M�dica Volunteer Vacations - Dharma ao Sert�o do Nordeste 2017, uma rotina de dez dias de muitos quil�metros rodados, atendendo milhares de pessoas que vivem no semi�rido do Piau�, em pequenas comunidades long�nquas e de muito dif�cil acesso. Bet�nia do Piau� Primeira parada, munic�pio que conta com pouco mais de 6.000habitantes,espalhadospormaisde600km2.Apenas 255 betanhenses (4,2% do total) est�o formalmente empregados, sendo o Programa Bolsa Fam�lia e outros repasses de verbas federais e estaduais a principal fonte de recursos do munic�pio. Saneamento b�sico n�o cobre 0,1% da popula��o, comprometendo de forma importante as taxas de mortalidade infantil e interna��o por diarreia, situa��o que se repetia nos munic�pios que ir�amos visitar. Ap�s mais tr�s horas de muita estrada de terra, nos alojamos em uma escola de ensino fundamental na simp�tica Vila do Mel, pertencente ao munic�pio de Bet�nia, no topo da Serra do In�cio. Na manh� seguinte come�amos o atendimento, composto por Cl�nica M�dica, Pediatria, Ginecologia, Oftalmologia, Odontologia, Psicologia e Fisioterapia. Todas as medica��es prescritas eram fornecidas por farm�cia que montamos no pr�prio local. Havia ainda a distribui��o de �culos de grau, ap�s a avalia��o oftalmol�gica e muito trabalhopedag�gicodeeduca��oemsa�decomapopula��o. As principais patologias atendidas eram da esfera b�sica: hipertens�o arterial, diabetes, cefaleia cr�nica, lombalgias, entre outras. Muitos desses pacientes n�o passavam por atendimento m�dico h� mais de um ou dois anos, e estava em total descontrole cl�nico. Devido � localiza��o do povoado, a farm�cia mais pr�xima fica a quase duas horas de carro ou moto em estrada de terra. Isolamento e pobreza formam um bin�mio tr�gico que vitima os sertanejos daquela regi�o. VOLUNTARIADO: AJUDAR ALGU�M � A MAIOR RECOMPENSA ALEXANDRE NAIME BARBOSA � M�DICO INFECTOLOGISTA E DOCENTE DA UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - CAMPUS DE BOTUCATU/SP 11 EM FOCO
  2. 2. Foice no pesco�o N�o fazia parte do plano atender urg�ncias e emerg�ncias, maselasacontecem.Edaformamaisinusitadanossaequipe foisurpreendida.Est�vamosemumapacatavisitadomiciliar, numa casinha perdida no meio da caatinga atendendo uma nonagen�ria que n�o conseguia se locomover, quando um rapaz sabendo da presen�a dos m�dicos chegou de moto esbaforido pedindo por socorro. A cerca de quinze quil�metros dali, um homem alcoolizado tinha acabado de atacar sua esposa no pesco�o com uma foice. Pegamos a caminhonete 4x4 que nos deslocava por aquelas longas estradas de terra, e aceleramos atr�s da moto por cerca de uns 10 minutos. Ao chegar no local, a cenaquenuncavouesquecer:umamulhervememdire��o ao carro aos trope�os, exibindo um vestido rasgado e o pesco�o aberto jorrando sangue. Pulamos do carro para socorr�-la, eu a estudante de 3� Ano de Medicina Paula e percebemos que a paciente estava completamente alcoolizada, num misto de euforia e desespero c�clicos. O golpe de foice provocou um corte profundo de quinze cent�metros, que atingiu provavelmente a jugular externa e o esternocleidomastoideo. Usamos uma camiseta para estancar o sangramento, fazendo muita press�o manual e colocamos a v�tima no banco de tr�s da camionete, para a remo��o. Enquanto eu e Paula pression�vamos o ferimento e cont�nhamos fisicamente a paciente que estava muito agitada, nossa fisioterapeuta Marlise fazia um verdadeiro rali dos sert�es pelas estradas de terra por quase duas horas at� chegar no Pronto-Socorro mais pr�ximo, na cidade de Bet�nia. L� pudemos fazer um curativo compressivo adequado, e iniciar as medidas para transfer�ncia para um hospital secund�rio, onde a mulher foi operada pela Cirurgia Vascular para corrigir a les�o. Uma semana depois ficamos sabendo que nossa inusitada paciente passeava sem maiores preocupa��es pela feira de s�bado da cidade, o que nos deixou extremamente recompensados. Li��o de vida E o que trouxe de mais valioso do Sert�o? Entender o valor do pequeno gesto. Por mais pontual e moment�neo que nossa a��o tenha sido, por mais que a realidade de mis�ria e fome continue por l�, pudemos fazer a diferen�a na vida daquelas pessoas tratando as doen�as, cuidando de ferimentos, orientando sobre medidas de preven��o e acolhendo quem mais precisa. O brilho nos olhos e o sorriso no rosto dos sertanejos que atendemos nos d�o a garantia de que fizemos a coisa certa e nos impulsiona a voltar em novas miss�es. Foram mais de 2.700 atendimentos volunt�rios e gratuitos para quase 2.000 pessoas carentes em dez dias de miss�o em quatro localidades de tr�s munic�pios do Sert�o do Piau�. Formamos time que permitiu maximizar cada potencial individual gra�as ao cuidado e ao apoio fraternal e espont�neo que surgiu rapidamente no grupo, mesmo nas situa��es mais adversas. Centenas de quil�metros rodados, muitas caixas e equipamentos pesados, sol escaldante, calor, poeira... Falta de �gua e banho por dias se tornaram apenas hist�rias engra�adas, gra�as ao foco e � dedica��o em dar nosso melhor para a gente t�o sofrida e tamb�m t�o querida do Sert�o. VOLUNTARIADO: AJUDAR ALGU�M � A MAIOR RECOMPENSA 12

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