O Contexto do ContestadoLUIZ ALVES                              Página 1
O Contexto do Contestado                           Prefácio         Foram inúmeras as causas que acenderam o estopim quele...
O Contexto do Contestado         Em meio a todo esse caos da república, em 1893 o almiranteCustódio de Melo revolta-se ten...
O Contexto do Contestado          Na época da construção, chegam uma autoridade dogoverno, representante do grupo Farquhar...
O Contexto do Contestado         Caros leitores, com quem os emigrantes iriam reclamar? Ogrupo Farquhar já estava construi...
O Contexto do Contestadoexplodisse em suas mãos, pois os escravos libertos não eramconfiáveis para a realização do serviço...
O Contexto do Contestadorevolta entre os pequenos fazendeiros e comerciantes, ocasionadospelo desleixo de ambos os governo...
O Contexto do ContestadoJoão Maria D’Agostin que peregrinou seis anos após a RevoluçãoFarroupilha, entre os anos de 1851 a...
O Contexto do Contestadoacreditavam ser o monge João Maria, julgavam que era a encarnaçãodo santo profeta.          Aprove...
O Contexto do Contestadoda nação” ou “Todo político não tem cérebro porque depois de eleitoesquecem as propostas de campan...
O Contexto do Contestado                         A PaisagemEncravada em zona temperadaNuma área mais fria do paísÀs vezes ...
O Contexto do Contestado                         PovoamentoNesta terra do índio BrasileiroKaigang, Xocleng e até GuaraniCo...
O Contexto do Contestado               O Homem do ContestadoQuando procuramos a origemDo homem do contestadoEmbrenhado em ...
O Contexto do ContestadoNa capelinha guardava a imagem do Santo para proteçãoEste é o Caboclo que em nosso sertão vivia.LU...
O Contexto do Contestado                          Os MongesEm seus ensinamentosOs Monges pregavamDar bom tratamentoA todos...
O Contexto do ContestadoPois assim eles pretendiamVoltar para casa curados e sãos.Vários Monges apareceramCá pra banda do ...
O Contexto do ContestadoÉ muito impressionante dizer que Monge José MariaFoi soldado do exercito e até praça da policiaNo ...
O Contexto do Contestado        Os Monges Segundo os SertanejosVejam só o que cantavamOs trovadores em seus versosAssim el...
O Contexto do ContestadoBaitá migo, pai i sinhôJuão Maria iera siu nomiIeli andavá nesti munduIensinava todus sier homê.Pi...
O Contexto do ContestadoPru lugá tuaquarucú.Carecemú é di chéfiQui sirá Zé MariaEli tudu ciertaráNão demorá bastanti dia.B...
O Contexto do Contestado       Os Monges na Visão dos CoronéisAgora leia esses versosEncomendados pelos CoronéisPara conta...
O Contexto do ContestadoSe soma de muitos fatosPor isso é consideradoUm santo, por esses matos.Mas em vez outro apareceO s...
O Contexto do ContestadoEra um mundo de forasteiroEstão aqui já acampadoAlbuquerque o intendenteDiz que esta preocupado.LU...
O Contexto do Contestado                   Monge José MariaJosé Maria quem diriaPassa a ser vitimaDa última, mas cruelTira...
O Contexto do ContestadoQue fugindo também se fazUm povo viver feliz.Assim manda comparsaConfabular com o mongePedindo que...
O Contexto do Contestado                              A FugaPelos sertões desta terraOnde todos se abrigavamExistiam negoc...
O Contexto do ContestadoNa certeza de encontrarUm lugar santo pra ficar.Mas de repenteUm mensageiro traz noticiaDa chegada...
O Contexto do Contestado                    Causas da GuerraVamos enumerar as causas desta guerraFixação de limites intere...
O Contexto do ContestadoO exército com aviões, canhões e artilhariaMas mesmo assim, o exército várias vezes se deu mal.LUI...
O Contexto do Contestado                      A Guerra SantaNesta guerra santaPredita pelo Monge e profetaA fé, então era ...
O Contexto do ContestadoQue traga o exército encantadoE seja deles o santo guerreiro.Foi logo se formandoA grande confrari...
O Contexto do ContestadoFracassou o missionárioQue tentou dissuadir o povoDo seu costume diárioDesrespeitando o emissárioM...
O Contexto do ContestadoMas em véspera da guerraManoel com naturalidadeComo chefe e senhor da terraAchando não ser maldade...
O Contexto do Contestado                          Maria RosaA jovem Maria RosaEra alegre e independenteNão sabendo ler, er...
O Contexto do ContestadoPecado do homemFé em desatinoProva o que se temA gula no destino.Foste AfroditeHeras do apocalipse...
O Contexto do Contestado                      A Santa ReligiãoPra ser soldado de José MariaTinha que ser purificadoDessa f...
O Contexto do ContestadoSeguia no recôndito sertãoEm nome do Monge José Maria.A religião era muito simplesDe grande e real...
O Contexto do Contestado                 Festejos de TradiçãoFiéis a sua tradiçãoTodavia aconteciam os festejosOnde felize...
O Contexto do ContestadoSão Sebastião, um caboclo padroeiroEm toda a campanha do contestado.LUIZ ALVES                    ...
O Contexto do Contestado             O Intendente do HolocaustoAumentando a fé na ressurreiçãoE do monge José MariaEm Curi...
O Contexto do ContestadoComo folhas ao ventoNada mais trásApaga a mancha na terraE revive os errantes do século.Coronel in...
O Contexto do Contestado                  Ataque a TaquaruçúPra atacar TaquaruçúVários planos esboçadosAtacariam do norte ...
O Contexto do ContestadoGritam os vitoriososLamentam os derrotadosPorque caiu o Taquaruçú.LUIZ ALVES                      ...
O Contexto do Contestado               Incêndio de CuritibanosEm 26 de setembroUm grupo de bandoleiroViajando o dia inteir...
O Contexto do ContestadoA vila sobressaltadaLevando tudo que puderam.A felicidade era tantaQue partiram em disparadaVingar...
O Contexto do Contestado                  Reduto Santa MariaPor ordem de AdeodatoMudou-se o acampamentoPorém ele com pouco...
O Contexto do ContestadoDizimando o acampamentoProvocando grande matança.LUIZ ALVES                                Página 47
O Contexto do Contestado                Combate de CaraguatáApós a grande vitóriaHouve muita euforiaTodos contavam históri...
O Contexto do ContestadoEla sempre garbosaIndicava a direção.Em busca de paz e harmoniaO sertanejo caminhavaDe noite e tam...
O Contexto do Contestado                        A RendiçãoA frente de tanta penúriaFaltando alimentos e muniçãoSobrando so...
O Contexto do Contestado                Reduto Rio das AntasReduto Rio das AntasLindo lugarejoAs terras eram tantasNas mão...
O Contexto do ContestadoFazendo-os fugirPerdendo muita gente.Assim o estrangeiroAnimado pela vingançaTira do pobre posseir...
O Contexto do Contestado                         Os AssaltosCuritibanosIncendiadaSalseiroOcupada.IracemaTomadaComo se foss...
O Contexto do ContestadoOuve-se gritos por todo ladoComeça o ataque na escuridãoAgindo de modo desordenadoMataram todos a ...
O Contexto do Contestado                 Reduto de TimbózinhoNo vale de TimbózinhoVivia o caboclo sozinhoDefendendo os seu...
O Contexto do Contestado                  A Vila de CanoinhasParte de Canoinhas o comandante RibeiroCom a tropa bem prepar...
O Contexto do ContestadoRecolhendo a cacalhadaQue os Jagunços foram deixando.Canoinhas é atacadaPor Jagunços furiososMuita...
O Contexto do Contestado                   A Serraria LumberPra trabalhar na ferroviaTrouxeram gente de todo lugarO Perciv...
O Contexto do ContestadoPercival o caboclo expulsouPra que ali montasseUma serraria em terras que ganhou.Por isso vejam as...
O Contexto do Contestado                     Chacina do IguaçuOs piquetes de vaqueanosDo coronel SetembrinoProcuraram impe...
O Contexto do ContestadoÉ fatos vergonhososAtos dramáticosO tratamento de outroraQue foi dado aos fanáticosNa célebre dego...
O Contexto do Contestado                   Capitão PotyguaraEm União da VitóriaEstabeleceu um quartel generalInicia-se out...
O Contexto do ContestadoPor inúmeros Jagunços com suas armariasDeixando o general apavorado.E saindo pela velha taperaSold...
O Contexto do Contestado                   Coronel AdeodatoApós a morte de FranciscoTraidor do movimentoSurge além do Cori...
O Contexto do ContestadoSoltando grande gemidoSemi vivo foi queimado.Cumprindo o que sonhouAdeodato novo chefe foi aclamad...
O Contexto do ContestadoJá com comida na mesaFoi por eles reconhecidoSendo pego de surpresaDesarmado e detido.Entregue as ...
O Contexto do ContestadoO homem que marcariaO triste fim da guerra santa.Dessa forma desapareceuO grande e valente chefãoM...
O Contexto do Contestado                         Pânico GeralDepois de Calmon atacadaE destruída São JoãoA noticia é espal...
O Contexto do ContestadoDa morte do capitãoQue a todos enterneceu.Depois dessa matançaO pânico foi geralA população em sua...
O Contexto do Contestado                 A Queima das EstaçõesDo reduto de CaçadorParte homens bem armadoCom tom ameaçador...
O Contexto do Contestado                       Os BombeirosNa guerra do contestadoPara ter o fato certeiroEscolhiam homem ...
O Contexto do Contestado              Os Doze Pares de FrançaLivro de cabeceira de José MariaOs doze pares de FrançaO cami...
O Contexto do ContestadoLevaria um povo em desatinoGuerrear contra uma naçãoO império republicanoTrouxe a injustiçaHolocau...
O Contexto do Contestado                  As Visões de EuzébioOs Jagunços a Taquaruçú voltamEsperando a chegada de José Ma...
O Contexto do ContestadoPelo tempo em carne vivaApocalipse do mundo.LUIZ ALVES                                Página 75
O Contexto do ContestadoO Espião Henrique Wolland - AlemãozinhoNo palácio da repúblicaO ministro da guerraUm espião é esco...
O Contexto do ContestadoDepois fugiu como coriscoDeixando sangue na terraAo final da guerra.LUIZ ALVES                    ...
O Contexto do Contestado                    Soldados do SéculoTudo começa por EuzébioEra um fanático temerárioElias foi ch...
O Contexto do ContestadoSó em seu orgulhoFazer um infernoEm toda terra do contestado.LUIZ ALVES                           ...
O Contexto do Contestado             Os Corruptos da RepúblicaTudo começa pelo coronel AlbuquerqueQue sentiu o seu poder a...
O Contexto do ContestadoAos errantes do século.Felippe derruba Vidal RamosAlia-se a Carlos Cavalcânti do ParanáHermes, pre...
O Contexto do Contestado                        MonarquiaCongregados numa irmandadeOs caboclos do sertãoSonhavam com liber...
O Contexto do Contestado    Governador Coronel Felippe SchimidtO governador FelippeEnvia tropas para o combatePra acabar c...
O Contexto do ContestadoE exterminar os rebeldes fanáticos.LUIZ ALVES                                  Página 84
O Contexto do Contestado    Governador Afonso Alves de CamargoNo contexto entre Paraná e Santa CatarinaNão se procurou uma...
O Contexto do ContestadoPra acabar com a revolução.LUIZ ALVES                                 Página 86
O Contexto do Contestado                 Capitão Matos CostaO capitão peregrinava o sertãoComo caixeiro viajanteEra um hom...
O Contexto do ContestadoFoi morto pelo chefãoContrariado pelo acontecidoE que deixou todos sentido.O que os caboclos não s...
O Contexto do Contestado             A Força Aérea no ContestadoO exército e o presidenteContrataram um piloto AlemãoUm co...
O Contexto do Contestado               Holocausto nos RedutosAs forças estaduais e federaisTrituram a fragilidade dos Jagu...
O Contexto do ContestadoPraças dos dois exércitosE também de diversos inocente.Com a guerra ganhou os parlamentaresO presi...
O Contexto do Contestado                  General SetembrinoSetembrino - general republicanoTrouxe o inferno em CanudosMat...
O Contexto do ContestadoConrado Glober, Tapera e PinheirosReinchart, Irani, Timbó e FerreirosEnvergonhando a nação.General...
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O Contexto do Contestado                       O Líder EliasElias era juiz de pazFoi comandante da guerraLevou respeito ao...
O Contexto do Contestado                       O Líder AleixoChefe dos pares de FrançaTambém comandou redutoFez fama a dis...
O Contexto do Contestado                       O Líder AlonsoAlonso era temerárioMedo não tinha em seu dicionárioRebelde p...
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O Contexto do ContestadoBenedito não temia nadaDevoto do divinoLogrou a vidaAtrasou o destinoE velho morreuLevando consigo...
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O Contexto do ContestadoDo bandoleiro do contestado.LUIZ ALVES                                 Página 103
O Contexto do Contestado       O Comerciante Jagunço PraxedesQuando o intendente decidiu atacarMandou avisar a irmandadeSe...
O Contexto do ContestadoQue não tinha nenhum contra ataqueE a vila foi incendiadaPapéis foram queimadosRevolta anunciadaNa...
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O livro Contexto do Contestado é um resgate histórico a base de rima e verso (poesia), do conflito armado acorrido entre os anos de 1912 a 1916 entre os Estados do Paraná e Santa Catarina.

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  1. 1. O Contexto do ContestadoLUIZ ALVES Página 1
  2. 2. O Contexto do Contestado Prefácio Foram inúmeras as causas que acenderam o estopim quelevou a “Guerra do Século, o famoso contexto do contestado. Após aqueda da monarquia, o país estava completamente falido e semnenhum recurso financeiro, porque os Imperadores sempre adotaramo regime Feudalista que enforcava mortalmente o panorama deigualdade social, levando os menos favorecidos a terem somente umaopção, trabalhar como escravos com uma mínima bonificação mensalaos protegidos do regime imperialista”. A “lei do ventre livre” foi a primeira grande derrota dossenhores de engenho, que tiraria de suas mãos o filete de ouro, afutura mão-de-obra produtiva. Em 1888 a princesa Isabel legaliza a“lei Áurea”, abolindo todo e qualquer regime de escravidão. O quelevou os senhores de engenho ao completo desespero, econsecutivamente ao princípio de sua falência econômica, privando-osdos luxos nos salões da corte imperial. Pois, a partir daquelemomento humanitário histórico, teriam de pagar por seus serviçosbraçais, não obrigá-los a trabalhar e nem colocá-los no tronco paraserem açoitados. E na calada da noite em 1889, os parlamentares, políticosprovincianos, empresários e comerciantes, ministros e os marechaisdas forças armadas compram dos Estados Unidos da América umregime republicano corrompido, corrupto e capitalista, que levariatoda a população brasileira a mais completa miséria social eeconômica. A monarquia cai e toma posse o poder republicano.Parlamentares, ministros e os marechais julgavam ter em suas mãosum país rico e próspero, mas encontram um país em completa falênciaeconômica e social. E, outra vez compram dos Estados Unidos daAmérica a idéia de venda de títulos coronelistas aos senhores deengenhos, visando economicamente tirá-los desse buraco sem fim.LUIZ ALVES Página 2
  3. 3. O Contexto do Contestado Em meio a todo esse caos da república, em 1893 o almiranteCustódio de Melo revolta-se tendo sob o seu comando vários naviosde guerra ancorados em pontos estratégicos do Rio de Janeiro.Convoca todos os poderes na época a lutar por novas eleiçõesrepublicanas, sob a ameaça de detonar os seus canhões contra tudo etodos. A revolta armada força o Presidente Marechal FlorianoPeixoto e parlamentares, a convocarem eleições urgentemente,contendo no ambiente à podridão da manipulação de conveniência e ocheiro podre da corrupção. Os Estados Unidos fazem a sua parte no acordo, faltandosomente o poder republicano fazer agora a sua parte. Nesse momentohistórico se inicia o maior de todos os pecados capitais: Empresaspúblicas e empresas privadas que comandavam a economia sãovendidas aos empresários americanos. O país, que já estava naufragado na completa misériaeconômica e social, acaba se transformando praticamente numasucata ambulante e quase sem nenhum valor comercial. Osempresários americanos como sempre, são filantrópicos ehumanitários com o resto do mundo, assim como as nuvens degafanhotos são com as plantações, firmam um contrato com o poderrepublicano na construção de uma ferrovia do estado de São Paulo aoestado do Rio Grande do Sul, cobrando a simples bagatela de vintecontos de réis por quilômetro construído, depois reajustado porquarenta contos de réis, além de terem a posse de quinze quilômetrosem ambos os lados da ferrovia, onde poderiam explorar todos osrecursos naturais e povoar com emigrantes europeus. Só que o governo republicano brasileiro se esquece que,dentro dos limites da ferrovia construída, e nesses trinta quilômetros,já moravam famílias que herdaram as propriedades de seusantepassados, pela própria lei natural e verdadeira eram os donos, nãoprecisando de nenhum papel para provar que aquelas terras eramsuas.LUIZ ALVES Página 3
  4. 4. O Contexto do Contestado Na época da construção, chegam uma autoridade dogoverno, representante do grupo Farquhar e os seus pistoleiros,dizendo que a terra onde nasceu o seu bisavô, seu avô, seu pai, ele etodos os seus filhos não era mais sua, porque tinham comprado dogoverno e teria de sair das terras, porque já tinham vendido aosemigrantes estrangeiros. Caros leitores imaginem só como fica a cabeça de umsimples caboclo, nascido e criado no sertão brasileiro. Com todacerteza, deixaria qualquer um que não tem sangue de barata, furioso eperderia a sua própria razão e até poderia levar o acontecimento àsúltimas conseqüências. E foi o que realmente aconteceu,desencadeando a “Guerra do Século”. Veremos agora o outro lado da questão, a emigração deeuropeus no sul do país. O grupo Farquhar tinha feito um negócio daChina, cria na Europa uma grande propaganda enganosa na venda deacres de terra num país de futuro. Os acres são comercializados apeso de ouro aos emigrantes, sendo que já estavam desanimados coma crise e a guerra em seu continente, havendo diversas nações falidasou a beira da falência social e econômica. Os emigrantes chegam ao sul do país em banheirasflutuantes, que o grupo chamava-o de navio, viajando na mesmasituação deplorável dos navios negreiros que trouxeram escravos docontinente africano. E quando os emigrantes chegam ao sul do país,dão de cara com a dura realidade, vendo à sua frente uma terrapraticamente despida de recursos naturais, logicamente com um solode grande riqueza em recursos agropecuários. Mas mesmo assim, eram terras brutas, que com certezateriam muito trabalho para deixá-la igual à terra dos sonhos. E nodecorrer de sua árdua batalha diária, em tornar a terra produtiva,surgem caboclos revoltados, dizendo que aquela propriedade era suae a queriam de volta, e que se fosse preciso iriam até as últimasconseqüências.LUIZ ALVES Página 4
  5. 5. O Contexto do Contestado Caros leitores, com quem os emigrantes iriam reclamar? Ogrupo Farquhar já estava construindo a ferrovia Madeira Mamoré noAmazonas, tiram e levam centenas de cargas de madeiras nobres emnavios para o continente europeu e americano e que os seus legítimosproprietários se contentem com o osso que lhes deixaram. Iriamreclamar com o poder republicano na época? Sendo que osparlamentares e políticos provincianos estavam mais preocupados emgastarem a sua fortuna com a alta sociedade parisiense, com o statusde novos milionários. Reclamar com o Presidente da Republica naépoca? O mesmo estava mais preocupado em saber qual cobra seria aque lhe morderia primeiro, porque as tentativas de golpes de estadoeram uma constante. O presidente tinha uma nação falida em suas mãos, mesmoassim a concorrência era enorme. Como se não bastassem osparlamentares boicota o seu governo, ainda um conjunto deempresários brasileiros, europeus e americanos patrocinaramrevoluções centralizadas, visando desestabilizar o atual governo. Isso sem contar com a rivalidade entre os marechais ealmirantes nas forças armadas brasileira. Naquela época o nosso paísenfrentava um verdadeiro caos interno, transformando-se numa “torrede babel” e tendo em seu poder uma grande “caixa de pandora”. O contrato do governo republicano com o grupo Farquharconsta que, o contratante forneceria toda mão-de-obra bruta naconstrução da ferrovia e para o desmatamento, nos estados de SãoPaulo até o Rio Grande do Sul. Os cargos administrativos ficariam com os empresáriosamericanos, além de pagar vinte e após quarenta contos de réis,cedendo o direito de explorar o transporte na linha férrea por vinteanos, tendo exclusividade e direito na renovação do contrato. Como no Brasil existia pouca mão-de-obra bruta, devida sertarefa dos escravos libertos e o governo não querer que essa bombaLUIZ ALVES Página 5
  6. 6. O Contexto do Contestadoexplodisse em suas mãos, pois os escravos libertos não eramconfiáveis para a realização do serviço. A opção que lhe restou, foi fechar um acordo com marginaisda sociedade de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e osjagunços de Conselheiro na guerra de Canudos, garantindo-lhes queseriam postos em liberdade se cumprissem a sua parte. Mas ao final da ferrovia, deixam um terço jogado a suaprópria sorte e na completa miséria num sertão desconhecido,enquanto os parlamentares, republicanos e o grupo Farquhar saemtransportando muitos baús abarrotados de ouro. A opção que restou a esses miseráveis, excluídos dasociedade foi adaptar-se nessa terra estranha, trabalhar para osemigrantes europeus ou servir de jagunços a algum coronel. Aosdemais, restou ir para a terra que vertia leite e mel, melhor dizendo, oArraial de Bom Jesus do Taquaruçú. Um dos principais pivôs no conflito do século foi o coronelAlbuquerque - intendente da vila de Curitibanos. O coronel era umforte comerciante e dono de terras, possuindo uma fortuna bastanteconsiderável. Era um homem que tinha ambição pelo poderprovinciano e também um temperamento violento, se fossecontrariado. Era portador de uma mania obsessiva em perseguiçãopolítica, julgando que os seus adversários políticos queriam lhe tomaro poder. E para complicar mais a situação o coronel era presidente dacâmara dos deputados, vice-governador e compadre do coronelFelippe Schimidt. Se o coronel fosse pelo menos um pouco inteligentee se estivesse preocupado com a miséria social da vila, com todacerteza não teria acontecido o conflito no contestado. Os coronéis Felippe Schimidt e Vidal Ramos, governadoresde Santa Catarina, também tiveram uma expressiva participação nosassassinatos dos errantes do século, por terem enviado tropas desoldados estaduais para exterminar, a até então fanática irmandadepacífica. Outro ponto crucial foi à cobrança tributária, que gerou maisLUIZ ALVES Página 6
  7. 7. O Contexto do Contestadorevolta entre os pequenos fazendeiros e comerciantes, ocasionadospelo desleixo de ambos os governos na demarcação de limites entreos dois estados sulistas. À frente dessa ociosidade dos governosparanaense e catarinense, acaba se transformado numa terra deninguém, onde os pequenos fazendeiros e comerciantes teriam depagar os seus impostos duas vezes. Outros governantes que acenderam o estopim da revoltaforam os Dr. Afonso Alves de Camargo e Carlos Cavalcânti doParaná, que também ficaram ociosos com a demarcação de limitesentre os estados, devido não cobrar dos parlamentares e do presidenteda república uma solução definitiva para o problema. E para alterar mais o fato conflituoso, Dr. Afonso prestavaserviços de assistência jurídica ao grupo Farquhar, causa principal narevolta dos caboclos no contestado. O governador Afonso trabalhavapelos seus próprios interesses e particulares, ficando ocioso com acrescente miséria social no sertão, empurrando os sertanejosexcluídos da sociedade corrupta e capitalista, a uma guerra impossívelde vencer. Em suas visões, nem que para isso os cordeiros levassem ocaso até as últimas conseqüências, foi o que de fato aconteceu, aguerra do século. A onipresença da Igreja Católica Apostólica Romana nossertões da área contestada foi outro motivo muito marcante queagravou o conflito. O santo, Frei Rogério, fez com toda certeza, a suaparte como apóstolo de Cristo, mas uma simples andorinha sozinhanão faz verão diante da imensidão do sertão catarinense. Levariavários anos para o santo padre visitar os mais distantes vilarejos e opovo ficaria exposto e à mercê de diversas superstições e de mitosespirituais, que dominavam a crendice popular do humilde caboclo. Como toda a população do contestado encontrava-seesquecida pela Igreja Católica, há muito tempo, se entregam àscrendices populares diante de sua fragilidade espiritual. Nessemomento entram os benzedores e curandeiros, principia com o mongeLUIZ ALVES Página 7
  8. 8. O Contexto do ContestadoJoão Maria D’Agostin que peregrinou seis anos após a RevoluçãoFarroupilha, entre os anos de 1851 a 1856. O monge era uma pessoamuito inteligente, receitava poções e chás naturais, aconselhava ohumilde sertanejo e também fazia previsões. O santo monge segundosos depoimentos na época foi em direção à Sorocaba no estado de SãoPaulo, após nada mais consta de concreto. Devido ao abandono da região do rio Iguaçu até os camposde Palmas, o ditador paraguaio Francisco Solano Lópes decideinvadir e tomar o território em Novembro de 1864, visandopresentear uma cortesã alemã que conheceu em Paris, inclusivepossuir um eixo de ligação com o Oceano Atlântico, facilitando ocomércio da nação emergente. O conflito se estende até Novembro de 1870, com a mortede Solano Lópes. Vários oficiais do alto comando, anos mais tardeviriam a proclamar a república no Brasil. Evitando novas invasõesestrangeiras, povoam a região com emigrantes europeus,simpatizantes e familiares de políticos, inclusive centenas de oficiais esoldados que participaram na Guerra do Paraguai. Outro fatoimportante, nesse conflito foi os milhares de escravos negros, com apromessa de ganhar a sua liberdade. Nos anos de 1893 a 1895, acontece a Revolução Federalista,nascida no Rio Grande do Sul, tendo como objetivo de derrubar omarechal Floriano Peixoto da presidência da república, também quedestituísse do cargo o presidente do estado Júlio de Castilhos,concedendo-lhes o sagrado direito político e financeiro na província,além de estar aliado ao saudosismo Monárquico. Aparece na área contestada o monge de nome AtanásMarcaff, muito idêntico ao monge João Maria, o qual os sertanejosacreditavam ser o mesmo santo. O monge Atanás também era muitointeligente, benzia, receitava poções e chás naturais, aconselhava efazia muitas previsões aos sertanejos. Os mais sépticos que nãoLUIZ ALVES Página 8
  9. 9. O Contexto do Contestadoacreditavam ser o monge João Maria, julgavam que era a encarnaçãodo santo profeta. Aproveitando as peregrinações dos monges: João MariaD’Agostin e Atanás Marcaff, ou João Maria de Jesus na área doconflito, inesperadamente surge Miguel Lucena Boaventura, vulgoJosé Maria, intitulando-se irmão do santo profeta, mas na realidadeera um benzedor místico vindo da vila de Campos Novos. José Mariaera mais um visionário e fanático com as idéias monarquistas erevolucionárias, tinha um pouco de instrução intelectual, sabia usar aspalavras ao que lhe convinha, conforme os seus revolucionáriospensamentos. Sendo assim, incentivou o coração doentio e místicoque os desesperançados sertanejos tinham, desencadeando a guerrado contestado. O José Maria foi um mal necessário no instante e quemarcou o tempo de um povo esquecido pela Igreja e pelo poderrepublicano. A notícia da construção da ferrovia percorreu os quatroscantos do país, sendo um colírio para os olhos de grileiros de terra ecoronéis inescrupulosos. Como se não bastassem às ameaças intimidatórias de pistoleiros do grupo Farquhar, surgem diversos grileirospatrocinados por inúmeros coronéis, que os ameaçavam de morte senão deixassem as suas propriedades. E após, vendiam a um preçoinsignificante ao grupo Farquhar, com isso aumentando a tensão nocontestado. A miséria social na área contestada levava a populaçãomenos favorecida a um mar de sacrifícios diários, assim como todosos matutos caboclos do sertão. Muitos perderam a posse de terras, eainda os republicanos queriam tirar também a sua dignidade, como serhumano. Pois na longa história do Brasil, todos os seus governantesolhavam sempre as suas ambições e gula pelo poder, e naquela épocanão iria ser diferente da atual. Certos estavam os ditados populares antigos: “Todos ospolíticos são cegos porque nunca vêem as necessidades e os anseiosLUIZ ALVES Página 9
  10. 10. O Contexto do Contestadoda nação” ou “Todo político não tem cérebro porque depois de eleitoesquecem as propostas de campanha e quem os elegeu”. O sertanejonão tinha nenhuma perspectiva melhor de vida, porque osgovernantes não lhes davam essa opção, tendo somente a escolha emsobreviverem as suas vidas miseráveis no presente que tinham àfrente. Caros amigos, as causas da guerra do contestado forammuitas, mas esse acontecimento histórico deixou inúmeras seqüelasque até nos dias de hoje nos apavora, mediante tanta injustiça sofridapor esse povo do sertão, com a sua humildade intelectual, suasimplicidade de vida que não continha quase nenhuma ambição. Ameu ver, meus amigos, os eternos causadores da guerra docontestado montaram a mentira do século ao resto do país, forçandoos jagunços a lutar por seus direitos violentados, construindo umagrande armadilha para eles em seus mínimos detalhes, jogando-os nadescrença popular por mais de noventa anos. Meus amigos, para que vocês tenham uma explícita idéia dosfatos, a imprensa dos Estados Unidos e os países da Europa derammuitas manchetes em seus jornais, como uma injustiça imperdoável aoque se estava fazendo com o povo humilde do sertão. Eram políticoscorruptos e empresários desumanos que jogavam na lama overdadeiro sentimento humano. Uns poucos historiadores sãomerecedores de créditos, se esforçaram ao máximo para reverter àsituação, e hoje o Brasil e todo o mundo conhecem a história queanteriormente era: “Os errantes do século” e agora conhecida como:“Os injustiçados do século”.LUIZ ALVES Página 10
  11. 11. O Contexto do Contestado A PaisagemEncravada em zona temperadaNuma área mais fria do paísÀs vezes com muita geadaLugar de um povo contente e feliz.É nessa amada terraCom muita plantaçãoQue vimos planaltos e serrasE todo tipo de criação.Aqui aparecem os serras acimaIdentificando seus habitantesQue vivem o seu gostoso climaEm afazeres diários e constantes.Dando o visual a paisagemVê-se de tudo nessa regiãoCampos limpos, sujos e pastagemPinheiros, imbuías e muita vegetação.Foi nesse rico terrenoHoje quase todo devastadoVendidos pelo antigo governoQue se deu o contestado.LUIZ ALVES Página 11
  12. 12. O Contexto do Contestado PovoamentoNesta terra do índio BrasileiroKaigang, Xocleng e até GuaraniConquistado pelo estrangeiroComo terra de ninguém, chegam aqui.Vinha gente de todo ladoPortugueses, espanhóis e bandeirantesNão só para achar caminho para o gadoMas também, escravizar o índio errante.E neste vai e vem, o gado levandoVão aparecendo grandes pousadasAs vilas vão se formandoNestas incansáveis caminhadas.Nestes ranchos e tropeirosCaminhavam todos os anosOs incontáveis aventureirosDe onde surgiu Curitibanos.Nesta grande caminhadaQue começa e nunca acabaSegue a enorme manadaPara as feiras de Sorocaba.LUIZ ALVES Página 12
  13. 13. O Contexto do Contestado O Homem do ContestadoQuando procuramos a origemDo homem do contestadoEmbrenhado em mata virgemO Caboclo é encontrado.Proletário do campo, roça e sertãoLá estava o Sertanejo, Caipira acanhadoLento ao pensar e falar, afeito em superstiçãoCorajoso, instintivo e violento, leal e honrado.O rosto queimado, pele pardacenta e trabalhadorNão enjeitava empreitada, era caçador e mateiroCriador, peão, agregado, soldado e até lenhadorAmava sua família, vivia sempre faceiro.Um bom trago de cachaça e um cigarro de palhaGostava de exibir-se e mostrar sua valentiaNa cintura um bom revolver, faca e até navalhaContar mentiras em suas façanhas, bem que ele sabia.Morava num rancho tosco, sujo e enegrecidoCoberto com taboinhas e sem nenhuma divisãoPor tudo o que lhe fazia, ficava logo agradecidoEra hospitaleiro, nunca faltava café e chimarrão.Amante de música campeira dançava chote e vanerãoMístico e religioso, eterno devoto de João MariaLUIZ ALVES Página 13
  14. 14. O Contexto do ContestadoNa capelinha guardava a imagem do Santo para proteçãoEste é o Caboclo que em nosso sertão vivia.LUIZ ALVES Página 14
  15. 15. O Contexto do Contestado Os MongesEm seus ensinamentosOs Monges pregavamDar bom tratamentoA todos que ali chegavam.Sempre com muita purezaTratar bem o próximo e animaisTer muito amor á naturezaPara ela ser farta demais.Cultivar a terra com carinhoPreservar a pureza das águasPara matar a sede no caminhoEvitando dores e futuras mágoas.A doutrina era moralistaPregada ao povo do sertãoEvitar todo mal, fantasma ou realistaQue prejudicava o coração.Com grande simplicidadeEm muitas caminhadas que fizeramEnchiam-se de felicidadeA todos que com ele tiveram.Todos os que os seguiamPediam curas e bênçãosLUIZ ALVES Página 15
  16. 16. O Contexto do ContestadoPois assim eles pretendiamVoltar para casa curados e sãos.Vários Monges apareceramCá pra banda do sertãoTodos eles padeceramCom o povo deste rincão.O primeiro João MariaProfeta e curandeiroNos lugares onde dormiaO povo erguia um cruzeiro.O segundo João MariaProfeta e milagrosoNos lugares onde dormiaO povo erguia um cruzeiro.Outro era José MariaQue pregava liberdadeCurava todos com sua magiaPropagava sempre a igualdade.Para entender a históriaDo santo monge José MariaÉ bom refrescar a memóriaA rebeldia que dele surgia.Fotografias do Monge faziamNão importa os donosPois nem fotógrafos existiamEm toda a região de Curitibanos.LUIZ ALVES Página 16
  17. 17. O Contexto do ContestadoÉ muito impressionante dizer que Monge José MariaFoi soldado do exercito e até praça da policiaNo entanto ninguém provava nada aquilo que diziaTentando desmoralizá-lo pondo em tudo malícia.O governo não sabendo como explicarO descaso sofrido pelo povo deste sertãoTenta impingir falsa moralidade até no falarDo Monge que só agia sem ódio no coração.Assim os Coronéis tinham motivo de sobraNo desempenho desta grande disputaTer o governo compromisso prá cumprir a manobraEm afastar de suas terras, Sertanejos em luta.Tudo não passava de tramaPara continuar no poderJustificando assim a famaDe nunca lutar pra perder.Mesmo o povo estando longeSem escola e nem hospitalBuscava o santo MongeA cura para o seu mal.LUIZ ALVES Página 17
  18. 18. O Contexto do Contestado Os Monges Segundo os SertanejosVejam só o que cantavamOs trovadores em seus versosAssim eles contavamNão existia Monges perversos.Maraviá queli feizInda tão pra si contáInscrevi eim deiz livruMemo sim, não caberá.Eli é um santu cá Du campuMio padinho São Juão MariaFaiz cura, faiz rezaCum palavrá qui lumiá.Beim pur oje só cantemúEim lovô a Juão MariaEli é um santu cá di fiestaPadruerô da famía.Veio u mundu Juão MariaCaminhô nossu sirtãoJudá nóis na vidaI fazendu a devuçãoInsinô nóis tê rispeituI zelá da criaçãou.LUIZ ALVES Página 18
  19. 19. O Contexto do ContestadoBaitá migo, pai i sinhôJuão Maria iera siu nomiIeli andavá nesti munduIensinava todus sier homê.Pisava nossu carreroSó faziá quiera bãoIera santu, bão veínhoTinhá bastanti curaçãou.Pur sumbrero, só carrigavaUm simpre barretinhuIé qui tudá sua furtunáIera um simpre bastãozinhu.Juão Maria cuandu campavaDu fuguinhu qui cindiaU povu qui rudiávaTuda cinza recoíá.Eli tê bunitu nomiQui si chamá Zé MariaTudu mundu tá piensandu.Traiz pur nomi Zé MariaPrimu irmão di Juão MariaChega genti, vorta gentiDuma grandi romariá.Lá vêim eli maxandinhúNum cavalu sanhaçúSua andança é mudáLUIZ ALVES Página 19
  20. 20. O Contexto do ContestadoPru lugá tuaquarucú.Carecemú é di chéfiQui sirá Zé MariaEli tudu ciertaráNão demorá bastanti dia.Beim purissu, titicá quieru, titicá ispéruVô mimbora, vô cumpri a miá sinaProcurá otras terá qui tão livriÀ lonjura cá di Santa Catarina.Zé Maria não era tolúEra homê já di caluTê u pelu xamuscaduNão fací imbascá-lúTumô rumu pra vitá-lú.LUIZ ALVES Página 20
  21. 21. O Contexto do Contestado Os Monges na Visão dos CoronéisAgora leia esses versosEncomendados pelos CoronéisPara contar outra históriaE mostrar que eram perversosOs Monges que aqui tiveram.Somente assim justificavamAs próprias safadezasComprados, os capangas cantavamOs seus versos, sem grandezas.Foi assim que descreveramCom mentiras descabidasA vida que aqui tiveramOs Monges em suas lidas.O primeiro era o caciqueO grande São João MariaSaia de qualquer lugarLá noutro lugarQuando juntava genteO povo fanatizandoDe crenças ele enchia.O Monge era um finórioUm homem de muitos tatusA fama que aqui deixouLUIZ ALVES Página 21
  22. 22. O Contexto do ContestadoSe soma de muitos fatosPor isso é consideradoUm santo, por esses matos.Mas em vez outro apareceO senhor José MariaEspalhando que era irmãoDo profeta João MariaO povo saiu correndoComo vaca atrás da cria.Entocou-se em TaquaruçúLogo fez um fanatismoEle, três virgens e dezenas de famíliasFundam um comunismoQue daí, foi o começoDo famoso Jaguncismo.Muito logo encrespouNossa grande autoridadeJá saiu reunindo forçasAcampando na cidadeIntendente AlbuquerqueEra contra a irmandade.Para voltar a monarquiaEra mais o que berravam!Nossas leis republicanasEra o que mais desprezavamO governo e os funcionáriosEra quem eles odiavam.LUIZ ALVES Página 22
  23. 23. O Contexto do ContestadoEra um mundo de forasteiroEstão aqui já acampadoAlbuquerque o intendenteDiz que esta preocupado.LUIZ ALVES Página 23
  24. 24. O Contexto do Contestado Monge José MariaJosé Maria quem diriaPassa a ser vitimaDa última, mas cruelTirania do coronel.O famoso intendentePensando ser prudenteTelegrafa ao PresidenteDizendo ter vindo de longeUm tal de santo mongeQue andava pelas cercaniasChamado José Maria.Dizendo ser farsanteUm viajante erranteMonge aventureiroQue neste chão brasileiroPrega a todos monarquiaE com certeza sempre dizia.É preciso eliminarO seu poder no sertãoPois passa a dominarReunir grande multidão.O monge que prega a pazChama o povo e lhe dizLUIZ ALVES Página 24
  25. 25. O Contexto do ContestadoQue fugindo também se fazUm povo viver feliz.Assim manda comparsaConfabular com o mongePedindo que se desfaçaO ajuntamento e vá pra longe.Evitando uma guerraIrá pra outro lugarAonde todos tenham terraSem ser preciso lutar.Assim o grande profetaParte logo daliAcompanhado, se projetaPros campos de Irani.LUIZ ALVES Página 25
  26. 26. O Contexto do Contestado A FugaPelos sertões desta terraOnde todos se abrigavamExistiam negociatasSubindo e descendo a serra.Os governos só queriamRepartir os seus quinhõesNão importando o resultadoDo conflito já esboçadoCom as balas dos canhões.De repente: o entreveroPra banda do interiorO intendente só queriaPor fim ao seu desesperoMandando o povo partirLá pros lados de Irani.O Monge que tudo sabiaCurava e até benziaDizia ao povo tementeQue seria lugar tenenteNo combate inconseqüenteQue logo ali chegaria.Lá foram os mais valentesFugindo do intendenteLUIZ ALVES Página 26
  27. 27. O Contexto do ContestadoNa certeza de encontrarUm lugar santo pra ficar.Mas de repenteUm mensageiro traz noticiaDa chegada tão urgenteDo batalhão de policiaPra guerra começar.Em campos de IraniO entrevero aconteceuO Paraná que vinha prenderOs caboclos acampadosAcabou por conhecera morte de seus soldados.Depois da luta acabadaPartiram em retiradaLevando seu chefe e guiaEnquanto caboclos choravamA morte de José Maria.LUIZ ALVES Página 27
  28. 28. O Contexto do Contestado Causas da GuerraVamos enumerar as causas desta guerraFixação de limites interestaduaisAcirrada disputa pela posse de terraE exploração de riquezas naturais.Por causo disso todos se apresentaramPeões, lavradores, posseiros, fazendeirosPor um pedaço de terra eles lutaramParecendo um bando de aventureiros.Não esquecendo o messianismoQue resultou de diversas razõesAssim nascia no sertão o fanatismoQue se espalhou por todos os rincões.É muito interessante se pensarQue o caboclo no sertão vivia...Vivia em paz sempre a cantarEnquanto a tropa atrás dele corria.Não se pode entender o fatoDizer que houve guerra de caboclosOs soldados enfiados no matoEnfrentando um bando de loucos.Vejam a grande e tremenda covardiaOs caboclos lutam com canivetes e espadas de pauLUIZ ALVES Página 28
  29. 29. O Contexto do ContestadoO exército com aviões, canhões e artilhariaMas mesmo assim, o exército várias vezes se deu mal.LUIZ ALVES Página 29
  30. 30. O Contexto do Contestado A Guerra SantaNesta guerra santaPredita pelo Monge e profetaA fé, então era tantaO povo a guerra decreta.No sertão corria boatosDa volta de João MariaE o povo todo dizia:É bom aguardar os fatos.Ergueu-se em TaquaruçúA grande cidade santaDe um povo seminuApesar da fome, ainda canta.No final da grande contendaOs fanáticos se espalharamLevando junto com sua tendaAmigos e parentes que restaram.Já em terras CatarinensesCresce a crença na ressurreiçãoE todos se preparamEsperando uma nova visão.E lá em Perdizes grandesTodos rezavam ao padroeiroLUIZ ALVES Página 30
  31. 31. O Contexto do ContestadoQue traga o exército encantadoE seja deles o santo guerreiro.Foi logo se formandoA grande confrariaE o povo sempre rezandopela volta de José Maria.Durante todas as tardesFormam-se os quadros santosOnde todos unidosEm rezas e muitos cantosGritavam com grande zumbidosViva! Viva a monarquia!E também o santo José Maria.Mas neste sertão agitadoPraxedes - o delatorTraindo o povo coitadoVai correndo ao intendenteE pede que seja telegrafadoPrá o senhor governador.Não satisfeito se empenhaEm levar Frei RogérioPede que este venhaDesfazer o grande mistério.Mas o povo cada vez mais crenteNão desiste do seu intentoE por esta razão muito genteAdere ao movimento.LUIZ ALVES Página 31
  32. 32. O Contexto do ContestadoFracassou o missionárioQue tentou dissuadir o povoDo seu costume diárioDesrespeitando o emissárioManoel, o chefe novoConsiderando-o adversárioChamou-o de cachorro e corvo.Não entendendo aquela históriaO Frei pergunta angustiado:Euzébio por que estás aqui?Por São Sebastião, o rei da glória.Após a partida do FreiAvisos chegam a cidade santaDizendo que tropas legaisVinham impor nova leiOnde todos seriam iguais.Diante do fato contadoManoel faz previsão:O Monge com exército encantadoVem salvar os sertanejosE cumprir sua missão.Estavam todos preparadosEsperando para começarO entrevero anunciadoEntre eles e os soldadosE vitória então cantar.LUIZ ALVES Página 32
  33. 33. O Contexto do ContestadoMas em véspera da guerraManoel com naturalidadeComo chefe e senhor da terraAchando não ser maldadeQueria com as virgens dormir.Diante da imoralidadeLevou uma surra de varaPerdendo a santidadeE com vergonha na caraTratou de logo sumir.LUIZ ALVES Página 33
  34. 34. O Contexto do Contestado Maria RosaA jovem Maria RosaEra alegre e independenteNão sabendo ler, era prosaNos momentos importantesEstava sempre à frente.Gostava de animaisDominava toda a genteNas procissões matinaisIa com a bandeira importante.Levando a grande bandeiraGuiava o povo tementeNas lutas pela clareiraPra a vitória daquela gente.Como chefe e visionáriaComandava o povo guerreiroDando ordem diáriaCom ajuda de conselheiros.Como juíza do povoOrdenava o que fazerSe chegasse algum caminhoTinha que ficar ou desaparecer.Fêmea do divinoLUIZ ALVES Página 34
  35. 35. O Contexto do ContestadoPecado do homemFé em desatinoProva o que se temA gula no destino.Foste AfroditeHeras do apocalipseA quem acrediteLançou seus olhos de linceLutando contra o injustoMatando e morrendo a todo custo.Foste à tentação no sertãoO pecado do divinoDominava homens sem razãoGuerreiros e jagunçoImpondo no redutoLeis e obediênciasCaboclos matutosFeras sem temênciasNa guerra do século.LUIZ ALVES Página 35
  36. 36. O Contexto do Contestado A Santa ReligiãoPra ser soldado de José MariaTinha que ser purificadoDessa forma ele até podiaPedir graças e ser perdoado.Dentro do acampamentoPrecisava ter nome de santoPara escapar do tormentoParticipava das rezas e do canto.O respeito á família era prática usualQuem desrespeitasse uma mulherOnde os usos de rígida moralPerderia a vida como a lei ali requer.Quem a lei desobedecesseSofreria penalidade bem visívelReceberia logo que o chefe ordenasseSete varadas com vara flexível.Todos os moradores de longeQue contrários se faziamAs idéias pregadas pelo MongeSuas propriedades perderiam.Este era o tipo de religiãoQue o sertanejo em sua rebeldiaLUIZ ALVES Página 36
  37. 37. O Contexto do ContestadoSeguia no recôndito sertãoEm nome do Monge José Maria.A religião era muito simplesDe grande e real belezaAmar e entender a DeusPor obra da natureza.Esse era o ensinamentoDo Monge João Mariaum homem de bom conselhoE de grande sabedoria.Porém a doutrina do MongeDa guerra ficou ausenteOlho furava olhoDente arrancava dente.A doutrina de João MariaFoi posta logo de ladoNa guerra não há perdãoE nada é toleradoNão serve pra guerreiroE menos pra soldado.LUIZ ALVES Página 37
  38. 38. O Contexto do Contestado Festejos de TradiçãoFiéis a sua tradiçãoTodavia aconteciam os festejosOnde felizes e sem coraçãoVibravam os sertanejos.De festas mais caseirasEstava a de Santo AntônioOnde as moças casamenteirasBuscavam o matrimônio.E como se não bastasseAs fogueiras de São JoãoPara que melhor ficasseNão faltava música e quentão.A do divino era a mais empolganteOnde se elegia o novo imperadorFato para festa muito importanteTer mo próximo ano continuar.Em roda de prosa, versos e trovasSão Pedro e São Paulo também relembramTodos se punham á provaSubir no pau de sebo e prêmios ganhar.Não esquecendo o santo guerreiroSendo por todos o mais veneradoLUIZ ALVES Página 38
  39. 39. O Contexto do ContestadoSão Sebastião, um caboclo padroeiroEm toda a campanha do contestado.LUIZ ALVES Página 39
  40. 40. O Contexto do Contestado O Intendente do HolocaustoAumentando a fé na ressurreiçãoE do monge José MariaEm Curitibanos decresciaA fama do intendentePois enquanto a noite caiaFoi pego nas cercaniasCom a mulher de um comerciante.Levando um tiro do caixeiroO intendente correuApesar de não ser certeiroO político estremeceuE na vila então ficouJurando ser mentiraO fato que aconteceu.Assim o CoronelDesmentindo o seu papelDe amante enternecidoAlém de novo adversárioO intendente atrevidoVoltou-se contra o vigárioPara ver-se bem sucedido.Coronel do holocaustoDestruiu e matou a pazLevando caboclos a guerraLUIZ ALVES Página 40
  41. 41. O Contexto do ContestadoComo folhas ao ventoNada mais trásApaga a mancha na terraE revive os errantes do século.Coronel incoerenteSer sem consciênciaFaz o mal sem tenênciaO rosto da morteRetrato do infernoDe tudo o que senteRaiz do eterno.LUIZ ALVES Página 41
  42. 42. O Contexto do Contestado Ataque a TaquaruçúPra atacar TaquaruçúVários planos esboçadosAtacariam do norte e do sulOs sertanejos por todos os lados.Mas os caboclos bem armadosNa mata escondidosEsperavam os soldadosPra serem bem sucedidos.Matutos saiam de todo ladoCopa de árvores, fundo da mataDentro do banhadoGritavam como feraE sem muito entreveroOs soldados em desesperoFogem em grande alaridoE outra vez...O reduto não foi invadido.Sendo atacado novamentePor tropas do coronel DinarteQue por dias manteve o bombardeioDestruindo casas, velhos, mulheres e criançasFogo igual ao demônioPondo em fuga os jagunçosIndo pra outro redutoLUIZ ALVES Página 42
  43. 43. O Contexto do ContestadoGritam os vitoriososLamentam os derrotadosPorque caiu o Taquaruçú.LUIZ ALVES Página 43
  44. 44. O Contexto do Contestado Incêndio de CuritibanosEm 26 de setembroUm grupo de bandoleiroViajando o dia inteiroDa vila se aproximou.As vésperas do ataque finalDa vila todos fugiramUns foram pra BlumenauOutros em Lages surgiram.Apenas o delegadoA vila defendiaPorém sendo cercadoAs pressas também fugia.A vila quase vaziaFoi pelos Jagunços tomadaDando viva a monarquiaIniciaram a grande queimada.Destruíram a intendênciaE a casa do CoronelSem nenhuma resistênciaQueimaram vendas e papel.Depois da grande queimadaOs Jagunços abandonaramLUIZ ALVES Página 44
  45. 45. O Contexto do ContestadoA vila sobressaltadaLevando tudo que puderam.A felicidade era tantaQue partiram em disparadaVingaram a cidade santaPela intendência arrasada.LUIZ ALVES Página 45
  46. 46. O Contexto do Contestado Reduto Santa MariaPor ordem de AdeodatoMudou-se o acampamentoPorém ele com pouco tatoDeu novo rumo ao movimento.Neste novo redutoCom paz e calmariaFicaria o matutoNo lugar de santa Maria.Neste lugar sagradoVeio gente de toda terraPra o acampamento armadoNas íngremes ladeiras da serra.Naquele vale famosoUm povoado surgiuGuiado por chefe ardilosoSua lei a risca seguiu.No meio deste sertãoLevantou-se grande cruzeiroE a igreja de São SebastiãoSeu santo guerreiro.No meio do ajuntamentoApareceu muita doençaLUIZ ALVES Página 46
  47. 47. O Contexto do ContestadoDizimando o acampamentoProvocando grande matança.LUIZ ALVES Página 47
  48. 48. O Contexto do Contestado Combate de CaraguatáApós a grande vitóriaHouve muita euforiaTodos contavam históriaDas lutas naquele dia.Com a confiança no redutoE o sertanejo radianteComeça a cobrar tributoAté do fazendeiro mais distante.Fazendas são assaltadasMuita gente assustadaFazendeiros maltratadosOu simplesmente fuzilados.O pânico enche toda regiãoFamílias fogem pra cercaniasHavia muita inquietaçãoNas serras, campos e pradarias.De repente a noticiaUma mudança repentinaNovo ataque da policiaMudaria aquela sina.A virgem Maria RosaPuxava a procissãoLUIZ ALVES Página 48
  49. 49. O Contexto do ContestadoEla sempre garbosaIndicava a direção.Em busca de paz e harmoniaO sertanejo caminhavaDe noite e também de diaParecendo que nunca chegava.Em fila sempre andavamVelhos, jovens e criançasEnquanto isso cantavamRenovando as esperanças.Sempre tocando cargueiroLá se foi o sertanejoNum cortejo faceiroPra o esperado lugarejo.As ordens dadas eram francasFormar uma nova cidadePor banda de Pedras BrancasUm lugar de felicidade.Nova vila se percebeEntre colinas e matagalDe palha cada casebreTendo uma praça central.LUIZ ALVES Página 49
  50. 50. O Contexto do Contestado A RendiçãoA frente de tanta penúriaFaltando alimentos e muniçãoSobrando sofrimentos e angustiaE começa haver a rendição.De Campos Novos ao SerritoOs fanáticos caminhavamDe todos ouviam-se os gritos:Que os Jagunços se entregavam.Apesar da debandaEntregando-se ao SetembrinoToda gente era tratadaCom descaso e sem destino.Alguns eram libertosOutros aprisionadosMuitos não se sabe o certoEram na mata assassinados.LUIZ ALVES Página 50
  51. 51. O Contexto do Contestado Reduto Rio das AntasReduto Rio das AntasLindo lugarejoAs terras eram tantasNas mãos do sertanejo.Com a vinda do estrangeiroDo lugar colônia fizeramExpulsaram o fazendeiroAntigos donos que eram.O caboclo expolidoPelo Americano malvadoDe sua terra foi enxotadoComo se fosse um cão danado.Porém um belo diaIncomodado estavaO caboclo então queriaA terra que habitava.Avisados os novos colonosPra sua terra abandonarPois os seus antigos donosNelas voltariam habitar.Conseguindo resistirAo ataque do piqueteLUIZ ALVES Página 51
  52. 52. O Contexto do ContestadoFazendo-os fugirPerdendo muita gente.Assim o estrangeiroAnimado pela vingançaTira do pobre posseiroA sua última esperança.Armando uma fogueiraQueimaram sobre grimpaOs corpos em fileiraComo se fosse uma limpa.LUIZ ALVES Página 52
  53. 53. O Contexto do Contestado Os AssaltosCuritibanosIncendiadaSalseiroOcupada.IracemaTomadaComo se fosse um poemaTambém MoemaFoi saqueada.O pessoal do AleixoOcupou o SalseiroSem apetrechoCorrendo riscoAssaltou Corisco.A ordem dada era invadirA fazenda do seu JoãoNão deixar nada e nem discutirMatar a todos sem perdão.Arrebanhar a bicharadaQueimar a casa e o galpãoNão deixar rastos e nem nadaLevar tudo para o sertão.LUIZ ALVES Página 53
  54. 54. O Contexto do ContestadoOuve-se gritos por todo ladoComeça o ataque na escuridãoAgindo de modo desordenadoMataram todos a fio de facão.LUIZ ALVES Página 54
  55. 55. O Contexto do Contestado Reduto de TimbózinhoNo vale de TimbózinhoVivia o caboclo sozinhoDefendendo os seus ervaisDos Coronéis, seus rivais.Desta forma apareceNovo reduto no sertãoE logo fazem preceEm São Sebastião.No reduto de São SebastiãoFaziam formas e se agrupavamMenina, moço e anciãoDeste modo todos rezavamPedindo benção e proteção.Os governos dos estadosNão sabendo o que fazerFicavam todos paradosVendo os fatos acontecer.Nesta grande disputaO governo paranaenseAcirra a sua lutaPela terra catarinense.LUIZ ALVES Página 55
  56. 56. O Contexto do Contestado A Vila de CanoinhasParte de Canoinhas o comandante RibeiroCom a tropa bem preparadaPra tomar a guarda de SalseiroAssaltando de repente a Jagunçada.Finalmente vitoriosa a tropa adormeceuOs Jagunços resistiram na guarda dos FreitasCom linha telefônica a tropa guarneceuMas a sorte e certeza de todos foram desfeitas.As linhas foram cortadasA base da coluna ameaçadaDesavenças nas tropas eram notadasPois sabiam que a sorte estava selada.Os matutos agora invademCanoinhas e vizinhançaOs soldados os repelemEvitando a grande vingança.Os Jagunços atacam acampamentoCom os soldados em desesperoA confusão se torna tormentoDe todos no entrevero.A tropa em retiradaPelo reduto vão passandoLUIZ ALVES Página 56
  57. 57. O Contexto do ContestadoRecolhendo a cacalhadaQue os Jagunços foram deixando.Canoinhas é atacadaPor Jagunços furiososMuita gente ficou apavoradaDá-se lugar aos vitoriosos.Os defensores apressadosNo local abandonam tudoOs fanáticos muito animadosDeixam ferido o Papudo.LUIZ ALVES Página 57
  58. 58. O Contexto do Contestado A Serraria LumberPra trabalhar na ferroviaTrouxeram gente de todo lugarO Percival a todos ofereciamuita riqueza e terra para morar.De São Paulo veio muita genteMinas Gerais, norte e nordesteE até do Rio de janeiroPra colocar todo o dormentePassavam o dia inteiro.Depois da arrumaçãoComeça os trilhos assentarRasgando o grande sertãoE o caboclo não tendo onde morar.Mas a Lumber, além da linhaComeçou a mata virgem devastarPor contrato que então tinhaOs pinhais começou a serrar.Não satisfeitos com a devastaçãoPercival promete colonizarAs terras do grande sertãoPra estrangeiros de além mar.Como se isso não bastasseLUIZ ALVES Página 58
  59. 59. O Contexto do ContestadoPercival o caboclo expulsouPra que ali montasseUma serraria em terras que ganhou.Por isso vejam as conseqüênciasDe cada ato ali praticadoE por não terem consciênciaProvocaram o caboclo do contestado.LUIZ ALVES Página 59
  60. 60. O Contexto do Contestado Chacina do IguaçuOs piquetes de vaqueanosDo coronel SetembrinoProcuraram impedirPermitir...Que munição e alimentosE também armamentosChegassem ao seu destino.Homens sem sorteSão aprisionadosE numa barca forteSão assassinados.Mas Saturnino envergonhadoChorando diz a SetembrinoQue foi um desalmadoNo grande massacreFeito naquele ataqueNas margens do Iguaçu.E assim contandoParece uma mentiraMas não foi uma ilusãoPor terem matadoOs matutos caipirasE ainda ficaram sem punição.LUIZ ALVES Página 60
  61. 61. O Contexto do ContestadoÉ fatos vergonhososAtos dramáticosO tratamento de outroraQue foi dado aos fanáticosNa célebre degolaDo Rio Iguaçu.LUIZ ALVES Página 61
  62. 62. O Contexto do Contestado Capitão PotyguaraEm União da VitóriaEstabeleceu um quartel generalInicia-se outra históriaA por fim todo mal.O general Setembrino previaVárias frentes atacarO reduto de santa MariaE todos os que na redondeza achar.Em Canoinhas se organizouUm grande destacamentoPotyguara se deslocouCom todos os soldados armados.Era chefe desapiedado e temerárioPois todo Jagunço aprisionadoSeria tratado como adversárioRecebendo o castigo combinado.No reduto de Caçador e Santa MariaPotyguara e seus soldadosPôs fogo em toda casariaFazendo presos e os mortos sepultados.No reduto de Santa MariaPotyguara foi entrincheiradoLUIZ ALVES Página 62
  63. 63. O Contexto do ContestadoPor inúmeros Jagunços com suas armariasDeixando o general apavorado.E saindo pela velha taperaSoldados ajuda foram buscarDepois de muita esperaA coluna sul começa chegar.Agora fortalecidosPotyguara e seus soldadosCriam coragem e ficam enfurecidosComeçam lutar por todos os lados.Após a luta terminadaA noticia se espalhaNa vitória das forças armadasContra os fanáticos que restaram.Assim exterminaramDesta terra os rebeldes posseirosE quase de graça distribuíramA mesma ao estrangeiro.LUIZ ALVES Página 63
  64. 64. O Contexto do Contestado Coronel AdeodatoApós a morte de FranciscoTraidor do movimentoSurge além do CoriscoOutros chefes de acampamento.Enquanto tudo se definiaLá pra banda de São FranciscoAdeodato ainda resistiaEm chefiar os redutos.Depois de haver consultadoOs amigos de outroraE ainda ter sonhadoQue ele tocava agora.Havendo uma revoltaNo reduto de CaçadorElias impõe derrotaAos vacilantes com horror.Francisco Alonso atrevidoCombatendo em Rio das AntasNum entrevero indevidoAtracou-se em retrancas.Sendo gravemente feridoPelos seus inimigos capturadosLUIZ ALVES Página 64
  65. 65. O Contexto do ContestadoSoltando grande gemidoSemi vivo foi queimado.Cumprindo o que sonhouAdeodato novo chefe foi aclamadoCom a revolta que se desencadeouO reduto de Caçador é ensangüentado.Dessa forma o acampamentoQue era antes fanatismoTornou-se um movimentoDe puro e simples banditismo.Adeodato assassinavaAté mesmo os companheirosAssim ele dominavaO seu povo com entreveros.Após de muito lutarO exército exterminouCom os Jagunços do lugarMas Adeodato escapou.Depois de tanto fazerLá no mato se escondiaJá não tendo o que comerArrimo agora ele pedia.Disfarçado de mendigoMorto de fome e cansadoNos Thibes pediu abrigoPara não se sentir ameaçado.LUIZ ALVES Página 65
  66. 66. O Contexto do ContestadoJá com comida na mesaFoi por eles reconhecidoSendo pego de surpresaDesarmado e detido.Entregue as autoridadesQue marcaram o seu destinoCondenado em várias cidadesEra o fim de um assassino.Na prisão em pobre celaComo célebre prisioneiroLudibriou a sentinelaE o pobre do carcereiro.Só que o matuto Adeodato não sabiaDa ordem vinda da capitalViver mais ele não mereciaTinha de retornar a seu império infernalSer condenado por todo seu malTormento que ele conhecia.Para fugir da penitenciariaApossou-se de um fuzil descarregadoE numa armadilha caiuEm sua fúria sanguináriaPelo diretor foi alvejadoE do peito a sua vida saiu.Levado para a enfermariaMorreu esse sacripantaLUIZ ALVES Página 66
  67. 67. O Contexto do ContestadoO homem que marcariaO triste fim da guerra santa.Dessa forma desapareceuO grande e valente chefãoMas muito cruelQue a história descreveuComo último Jagunço do sertão.LUIZ ALVES Página 67
  68. 68. O Contexto do Contestado Pânico GeralDepois de Calmon atacadaE destruída São JoãoA noticia é espalhadaDo ataque na estação.Geral é a confusãoTodos fogem a lamentarSoldados saem da composiçãoProntos para atacar.Da mata saem os fanáticosTrava-se um tiroteioE como se fossem lunáticosO trem se parte ao meio.Matos Costa fica sozinhoCom um punhado de soldadosE no meio do caminhoForam todos atacados.O capitão fica feridoOs soldados assassinadosOuvindo-se grande gemidoAlguns fogem apavorados.E no meio da confusãoA noticia então correuLUIZ ALVES Página 68
  69. 69. O Contexto do ContestadoDa morte do capitãoQue a todos enterneceu.Depois dessa matançaO pânico foi geralA população em sua andançaForam dormir no matagal.LUIZ ALVES Página 69
  70. 70. O Contexto do Contestado A Queima das EstaçõesDo reduto de CaçadorParte homens bem armadoCom tom ameaçadorPara acabar com os safados.Calmon foi atacadaNo inicio de setembroA Lumber incendiadaDisso eu bem me lembro.Poupadas só mulheres e criançasArrasada toda a estaçãoRevistaram as vizinhançasDepois partiram para São João.Matavam todos que encontraramInclusive os conserveirosContra o governo protestaramExigindo terras para os brasileiros.No trem da inspeçãoA população procurou fugirCom medo da invasãoPois não tinha como resistir.LUIZ ALVES Página 70
  71. 71. O Contexto do Contestado Os BombeirosNa guerra do contestadoPara ter o fato certeiroEscolhiam homem adestradoPara servir como bombeiro.Ele tinha que espionarOs acampamentos inimigosPra depois entregarOs planos aos seus amigos.Passando por vendilhãoEm tudo prestava atençãoPois como bom espiãoPassava aos chefes as instruções.Até o general SetembrinoFoi muitas vezes enganadoNão conhecendo seu tinoTeve seus planos roubados.Assim o sertanejoEm sua simplicidadeFicava no lugarejoEm plena liberdade.LUIZ ALVES Página 71
  72. 72. O Contexto do Contestado Os Doze Pares de FrançaLivro de cabeceira de José MariaOs doze pares de FrançaO caminho era que sentiaNão importa a matançaEra o que o povo dizia.Escolhiam os matutos valentesCriaram uma tropa de eliteQue abriam frentesA tiros, facões e sangueBuscam a liberdadeRazão da verdadeTornar uma realidadeA saudosa monarquia.Em tempos difíceisRoubavam para matar a fome do redutoSoldados quase invencíveisDiziam todo o exércitoContinha sentimento de respeitoMas nunca de medoPorque aprenderam vencer a derrotaLutar contra os valentesBravamente com unhas e dentes.Quem diria que Carlos MagnoFaria um livro de revoluçãoLUIZ ALVES Página 72
  73. 73. O Contexto do ContestadoLevaria um povo em desatinoGuerrear contra uma naçãoO império republicanoTrouxe a injustiçaHolocausto plenoUma eterna sentença.Os valentes matutoSe diziam guerreiros de São SebastiãoO exército encantadoTendo Deus no coraçãoE foram os errantes do séculoDrama de uma geraçãoQue pôs fogo no sertãoBuscando liberdadeA paz na realidade.LUIZ ALVES Página 73
  74. 74. O Contexto do Contestado As Visões de EuzébioOs Jagunços a Taquaruçú voltamEsperando a chegada de José MariaQue desceria montado num cavalo brancoTrás o exército encantado no ventoRealizando o que desconheciaCom guerreiros que retornamDerrotar o dragãoEssa lei de cãoQue tiravam suas terrasOnde sua paz se enterra.Constroem o reduto da morteNo centro uma cruz pra dar sorteTerra onde as crianças nunca ficaria velhoE o velho nunca morriaFazem orações de flagelos e autoflagelosImpõe leis, cantam em versosQue outra vez Deus nasceriaE a paz retornaria.E novamente Euzébio se preparavaLutar contra a repúblicaFazer valer seus direitosA liberdade dos fanáticosGuerra violentaContexto do contestadoNação injustaLUIZ ALVES Página 74
  75. 75. O Contexto do ContestadoPelo tempo em carne vivaApocalipse do mundo.LUIZ ALVES Página 75
  76. 76. O Contexto do ContestadoO Espião Henrique Wolland - AlemãozinhoNo palácio da repúblicaO ministro da guerraUm espião é escolhidoNão podia ser brasileiroTinha de ser estrangeiro.E na maior mentira do séculoA escolha foi AlemãozinhoQue se infiltrou na JagunçadaQue dominava a área contestada.Logo de inicio recebeu confiançaPor não ter nenhuma temençaFoi cavaleiro dos pares de FrançaDepois promovido chefe de um redutoFez fama por sangue frioUm sanguinárioQue vendeu a JagunçadaE toda a luta contestada.Soldado revolucionárioViveu um risco temerárioTraiu gente simples do sertãoMostrando todos os redutosHenrique sem coraçãoEntregou pedaço de uma razãoComo beijo de Judas em CristoLUIZ ALVES Página 76
  77. 77. O Contexto do ContestadoDepois fugiu como coriscoDeixando sangue na terraAo final da guerra.LUIZ ALVES Página 77
  78. 78. O Contexto do Contestado Soldados do SéculoTudo começa por EuzébioEra um fanático temerárioElias foi chefe dos pares de FrançaCaboclo sem nenhuma temençaBenevenuto mulato baianoTinha temperamento violentoFizeram história no contestado.Também tinha Conrado GloberFranco atirador de primeiraReligioso tendo um deverAjudar salvar a irmandadeOutro era Aleixo que é catarinenseCaboclo experiente e valenteChico Alonso, Antônio TavaresIrmãos Sampaio, Bonifácio papudoPaulino Pereira, soldados do sertãoFizeram a guerra do século.Outro foi CarneirinhoCastelhanoIgnácio Vieira, Salvador VieiraJucá Ruivo, Gregório de LimaBeata Maria RosaE o flagelo de DeusQue parecia o próprio DiaboNunca pensava nos seusLUIZ ALVES Página 78
  79. 79. O Contexto do ContestadoSó em seu orgulhoFazer um infernoEm toda terra do contestado.LUIZ ALVES Página 79
  80. 80. O Contexto do Contestado Os Corruptos da RepúblicaTudo começa pelo coronel AlbuquerqueQue sentiu o seu poder ameaçadoDetonou a guerra pra todo ladoMassacrando os matutos do sertãoFez verter sangue em nosso chão.O advogado do diabo Deocleciano MartyrAcendeu o resto do estopimE na capital se portou como mártirDo genocídio sem fimFoi outro que se vendeu ao PercivalPorque era um governante sem moralQue desencadeou todo esse mal.A república estava falidaVendia títulos de coronéisPara não ver destruídaMantinham quartéisFaziam revoluçõesA injustiça no sertãoDando terra dos caboclosAos ladrões de todos os temposColocam fogo num pedaço da naçãoSem nenhuma emoçãoImpõem leisFazem papéisCriando a revoltaLUIZ ALVES Página 80
  81. 81. O Contexto do ContestadoAos errantes do século.Felippe derruba Vidal RamosAlia-se a Carlos Cavalcânti do ParanáHermes, presidente do holocaustoTrás ao sul nova CanudosA Cabanada do ParáOs ministros da guerraMancham a nossa terra.Corruptos republicanosTecem um inferno no sertãoTrucidam os fanáticosCom fogos e trovãoDragão do infernoLágrimas de vaqueanosSangue de soldadosVida miserávelAto abominávelVergonha do mundo.LUIZ ALVES Página 81
  82. 82. O Contexto do Contestado MonarquiaCongregados numa irmandadeOs caboclos do sertãoSonhavam com liberdadeE com muita paz no coração.O que os caboclos queriamObedecer a santa religiãoSó assim eles teriamProteção de São Sebastião.Quando falam em monarquiaFalam da lei lá do céuPois o povo todo queriaDa farsa tirar o véu.Dentro desta ideologiaDefendiam os seus ideaisPois cheios de nostalgiaQueriam agora todos iguais.Quando defendiam monarquiaPensavam no seu grande reiO santo José MariaDefender de toda lei.LUIZ ALVES Página 82
  83. 83. O Contexto do Contestado Governador Coronel Felippe SchimidtO governador FelippeEnvia tropas para o combatePra acabar com o levantePrender ou matar os rebeldesExtinguir toda verdade.O intendente da vila de CuritibanosFicou contente ao ver as tropasDe imediato deu ordens: trucidar os fanáticosE trazer as suas cabeças.Ao chegar em TaquaruçúOs matutos combateram como valentesSaindo do pântano, atrás de arvoresA até mesmo do topo das arvoresOs sobreviventes fogemPerdendo toda a coragemFindando o combate de Taquaruçú.Com a derrota o intendenteComunicou ao governador FelippeQue o ataque foi um desastrePoucos sobreviveram.De imediato telegrafou para o Rio de JaneiroPedindo pra deslocar um regimentoPra varrer os redutos JagunçoLUIZ ALVES Página 83
  84. 84. O Contexto do ContestadoE exterminar os rebeldes fanáticos.LUIZ ALVES Página 84
  85. 85. O Contexto do Contestado Governador Afonso Alves de CamargoNo contexto entre Paraná e Santa CatarinaNão se procurou uma soluçãoGerou muita injustiçaCriando muita confusão.José Maria e os JagunçosFogem da represaria do intendenteIndo para o IraniHavendo lá o conflitoCom sangue e morteFato igual nunca vi.O governador Carlos e Afonso que era advogadoEmpregado do grupo FarguharJulgando que foi invadidoMandou tropas para guerrearNão deixou o caboclo nem sonhar.Houve um entrevero violentoMuitos foram mortos sem razãoe Afonso não expressou nenhum sentimentoPorque não agiu com o coraçãoSomente por ambição.Com a triste derrotaTelegrafou pra capital da naçãoQuerendo logo uma respostaLUIZ ALVES Página 85
  86. 86. O Contexto do ContestadoPra acabar com a revolução.LUIZ ALVES Página 86
  87. 87. O Contexto do Contestado Capitão Matos CostaO capitão peregrinava o sertãoComo caixeiro viajanteEra um homem de visãoE muito inteligente.Também era um naturalistaContra o desmatamentoSimpatizante do sertanejoAchava uma injustiçaA guerra do contestado.Filosofou o capitão aos amigosPra que o governo desse mais atenção aos sertanejosAlimentos invés de muniçãoInvés de ameaçar dar mais instruçãoJustiça invés de violênciaViver em democraciaEssa era sua filosofia.Denunciou os falsáriosSendo vitima de uma armadilhaEra capitão temerárioComo igual não havia.Venuto e seu bandoCom medo matou o capitãoE por esse feito históricoLUIZ ALVES Página 87
  88. 88. O Contexto do ContestadoFoi morto pelo chefãoContrariado pelo acontecidoE que deixou todos sentido.O que os caboclos não sabiamQue tinham matado a sua esperançaSomente os seus sonhos revelariamFoi morto por vingançaFato que muito lamentariam.LUIZ ALVES Página 88
  89. 89. O Contexto do Contestado A Força Aérea no ContestadoO exército e o presidenteContrataram um piloto AlemãoUm coronel e um espiãoUm fingia ser viajanteO outro especialista em infiltraçãoque embrenharam no sertão.O avião sobrevoava as matasA procura de redutoO piloto traçava o mapaEntregando os matutosQue só queriam viver em paz.Muito poucos redutos foram vistosQuase não justificou a açãoPois o avião bateu contra pinheirosMatando o alemãoFoi outro que morreu sem razão.O fato histórico acontecido no sertãoFoi a primeira vez no mundoQue usaram um aviãoComo um pássaro de reconhecimentoInjustiçando um povo matreiroQue levou o entreveroA sua completa dizimação.LUIZ ALVES Página 89
  90. 90. O Contexto do Contestado Holocausto nos RedutosAs forças estaduais e federaisTrituram a fragilidade dos JagunçosPondo fogo nos carrascaisQueimando com grimpa os mortos.Nessa guerra desumanaNão existia lei e ordemSua cabeça era cortadaIsto é que escondem.Foi caindo reduto após redutoSeus habitantes sacrificadosFicando somente o lutoE a injustiça de tantos.Coronel Setembrino diziaJagunço bom era Jagunço mortoEra o ódio que conduziaA guerra do contestado.Foi um genocídio violentoOnde todos perderam a razãoE toda força do sentimentoDa alma e de seu coração.O chão dos redutosForam manchados de sangueLUIZ ALVES Página 90
  91. 91. O Contexto do ContestadoPraças dos dois exércitosE também de diversos inocente.Com a guerra ganhou os parlamentaresO presidente e o grupo FarguharRestou morte aos familiaresDo caboclo que pensou ganharA guerra dos errantesRevolução de rebelde.LUIZ ALVES Página 91
  92. 92. O Contexto do Contestado General SetembrinoSetembrino - general republicanoTrouxe o inferno em CanudosMatando a justiçaInjustiça de uma raçaQue queriam viver em pazSem nenhuma misériaMas o império não trásO alimento da almaTão pouco a igualdade social.Por ordens do ministro da guerraChegou com suas tropas nessa terraSufocar uma revoluçãoSangrar o coração de outra naçãoFanáticos igual CanudosLá ConselheiroAqui José MariaE se tornou o carrasco dos mundosQueimou guerreirosQue lutavam por que desconhecia.General do império e republicanoTrouxe morte, trouxe lutoDestruiu Taquaruçú, CaraguatáAleixo, Santo Antônio, TamanduáPoço Preto, Raiz da Serra e ButiáCoruja, perdizes, Traição e CemitérioLUIZ ALVES Página 92
  93. 93. O Contexto do ContestadoConrado Glober, Tapera e PinheirosReinchart, Irani, Timbó e FerreirosEnvergonhando a nação.General de ferroDestruiu, matou e prendeuJagunço nos redutosGeneral de ferroApesar de tudo reconheceuA injustiça dos matutosO pecado dos corruptosExtermínio no contestado.General de ferroMinistro da guerraConhecia o erro republicanoQue cortou nossa terraVendendo ao estrangeiroO pouco de dignidadeA mentira da verdadeNa guerra do século.LUIZ ALVES Página 93
  94. 94. O Contexto do Contestado Tenente - Coronel DinarteO tenente - coronel DinarteCom 750 homens, 150 cargueirosDuas seções de metralhadoras, artilhariaUm esquadrão de cavalaria andava na frenteE Taquaruçú foi atacadoDestruído por canhões de artilharia.Os jagunços resistiram quatro diasDia e noite sem temençaJogaram milhares de granadasEstraçalhando velhos, mulheres e criançasOs homens tiveram de fugiremPra não morrerem.Coronel Dinarte incendiou o sertãoCom o sabor de vitóriaO fel da inglóriaQueimando-os com grimpasCadáveres e o sertãoMadrugada chuvosaGenocídio da razão.Coronel Dinarte confidenciou aos governantesNão queria combater patrícios ignorantesQue viviam em desesperosPor causo dos traficantes de provínciasCoronéis ambiciososLUIZ ALVES Página 94
  95. 95. O Contexto do ContestadoSindicato de incoerênciasTrouxe o pecadoTodo esse mundo erradoO extermínio no sertão.LUIZ ALVES Página 95
  96. 96. O Contexto do Contestado Coronel CapitulinoCoronel Capitulino atacou CaraguatáEnfrentou a fúria jagunçaSendo um enorme nó para desataTendo de recuar como táticaE avançar atacandoMas os caboclos viam gritandoNão temendo a morte.O combate no vai e vem danadoOra vencendo e ora perdendoOrdens desesperadasGritarias medonhasTiveram de recuar novamente.O coronel ordenou retiradaQuando surgiu o nevoeiroSentiu a derrotaO fogo de entreveroRecuar pra não morrerConhecer e desconhecerA força do fanático.O coronel e sua tropa dois dias depoisDerrotados chegam a serrariaMais uma vez os republicanosOuviram gritos de vitóriaQue tremia todo o sertão contestado.LUIZ ALVES Página 96
  97. 97. O Contexto do Contestado O Líder EliasElias era juiz de pazFoi comandante da guerraLevou respeito aos carrascaisRebeldia não se enterraSomente faz uma revolução.Em Taquaruçú ganhou e perdeuCaraguatá tambémSanta Maria se perdeuNão levando um vintémSomente a sua valentiaQue parte do sertão desconhecia.Foi chefe dos pares de FrançaTambém líder interinoPois guerreiro não descansaPronto pra qualquer entrevero.Cansado de lutarDecidiu ir pro Rio GrandeNão querendo ficarE no meio do caminho tentou atirarFoi morto por vaqueanos de Chico RuivoTragédia do destinoDe um homem que foi grande.LUIZ ALVES Página 97
  98. 98. O Contexto do Contestado O Líder AleixoChefe dos pares de FrançaTambém comandou redutoFez fama a distânciaImpôs ao mundo republicanoQue não era cordeiroUm leão com certezaPor causo de sua destreza.Combateu em TaquaruçúOnde ganhou e perdeuIgual em CaraguatáVenceu e perdeuFoi para Santa MariaDevoto de João MariaPôs fogo no sertão.O líder AleixoSua valentia era de cair o queixoMas foi morto por AdeodatoCom medo de rebeliãoAleixo matuto valenteAgia com o coraçãoMorreu de forma covarde.LUIZ ALVES Página 98
  99. 99. O Contexto do Contestado O Líder AlonsoAlonso era temerárioMedo não tinha em seu dicionárioRebelde por naturezaValente com certezaFez um pouco da revolução.Foi chefe de redutoTambém guerreiro matutoMatou muitos soldadosMuitos foram os seus entreverosEm que a fama permaneceu.Nas batalhas sem éticas iniciaisDitou tantos finaisMuitas venceuOutras perdeuAlonso era um valente.Mas como todos erramAlonso atacou a fazendaNão se sabe quantos eramE quando viu a luta perdidaTentou fugir, foi morto por AdeodatoEntão degolaram e cortaram o corpo inteiroDessa forma morreu AlonsoLíder do contestado.LUIZ ALVES Página 99
  100. 100. O Contexto do Contestado O Guerreiro BeneditoQuando era moço caiu no mundoFoi empregado da ferroviaTropeiro e vaqueiroQuase nada temiaEra o lema de BeneditoUm matuto nunca igual vistoFez história no sertão.Ajudou seu pai tirar o santo PadreDas mãos dos fanáticosE levou até a vila de CuritibanosOnde deixou entreguePediu uma rezaDevoto se entregaE volta ao redutoVendo o seu próprio lutoFogo do contestado.Foi guerreiro em muitos redutosTambém meio líder entre os jagunçosApós fugiu de Santa MariaLevando quarentaEscapando da fome até então desconheciaTambém da peste negraFugiu o guerreiroNasceu o matuto.LUIZ ALVES Página 100
  101. 101. O Contexto do ContestadoBenedito não temia nadaDevoto do divinoLogrou a vidaAtrasou o destinoE velho morreuLevando consigoA fé que viveuValentia que conheceuMorreu BeneditoJagunço e guerreiroDo contexto do contestado.LUIZ ALVES Página 101
  102. 102. O Contexto do Contestado O Líder CastelhanoCastelhano impôs pavorMentiroso e violentoMas não era mentorSomente guerreiroNos entreveros do sertão.Castelhano dizia filho de SaraivaEncarava combate em campo abertoBandoleiro de nascimentoGostava de corridas em coxilhaContrariava os lideresE se aventurava no sertão.Se julgando invencívelAtacou grandes cidadesAchando tudo possívelNos vales da morte.Decidiu atacar LagesEnfrentou piquetesO seu grupo fugiuDeixando sozinhoE Castelhano sentiuA dor em ter as orelhas cortadasEnviadas pra capitalMorto e jogado num formigueiroFinal...LUIZ ALVES Página 102
  103. 103. O Contexto do ContestadoDo bandoleiro do contestado.LUIZ ALVES Página 103
  104. 104. O Contexto do Contestado O Comerciante Jagunço PraxedesQuando o intendente decidiu atacarMandou avisar a irmandadeSendo um simpatizanteMas se cuidava ao redorDos amigos do intendente.Devoto de João MariaAmigo de José MariaTambém de EuzébioNão era um visionárioMas um jagunço comerciante.O coronel soube do carregamentoA guarda apreendeu as armasQuerendo de voltaTudo que tinham tomadoPor ordem do intendente.O coronel se indignouE Praxedes mandou matarO mundo jagunço se revoltouO intendente queriam também matar.O coronel Albuquerque soube do ataqueFugiu pra outra cidadeCovarde de verdadeDeixou o coronel marcos na intendênciaLUIZ ALVES Página 104
  105. 105. O Contexto do ContestadoQue não tinha nenhum contra ataqueE a vila foi incendiadaPapéis foram queimadosRevolta anunciadaNa guerra do século.LUIZ ALVES Página 105
  106. 106. O Contexto do Contestado O Poder do Grupo FarquharPercival capitalistaComprou a revoluçãoVendeu terraExplorou a naturezaConstruiu a ferroviaCriando ódio no sertão.Montou várias serrariasNavios foram carregadosCom madeiras dos carrascaisFormam um legadoHumilhando o sertão.Percival comprou a naçãoDe corruptos da repúblicaVendeu a floresta do sertãoEmigrou com povo da EuropaExpulsando os caboclos das terrasEntão a paz se enterraRevoltando o contestadoA raiz do contextoRebeldes do século.LUIZ ALVES Página 106
  107. 107. O Contexto do Contestado Chica Pelega do TaquaruçúEla foi guerreiraPerdeu quase tudo na guerraSua infância, seu sonho de criançaLutou sem temença, com esperançaFoi virgem guerreiraUma mulher de verdadeForça da liberdade.Chica do sertãoVéu de sangueRebelde de coraçãoFera em batalhaOnça que rugeOferecendo mortalha.Chica... Menina moçaFoi mulher inocenteUma líder, a esperançaMuitos dizem que você morreuMas não morreuPorque você vive em cada mulherTalvez de forma diferenteMas sempre... Uma menina moçaGuerreira de uma raça.Chica... Guerreira santaSua valentia era tantaLUIZ ALVES Página 107
  108. 108. O Contexto do ContestadoFez história nos carrascaisSendo contra a república dos injustosEra o temor em confrontos nos matagaisTemida até pelos jagunços.LUIZ ALVES Página 108
  109. 109. O Contexto do Contestado Os Presidentes da RepúblicaTudo começou com marechal DeodoroFloriano PeixotoQue derrubam o impérioE sem mistérioVendem os sonhos de uma nação.Depois veio Prudente de MoraesQue leva miseráveis aos carrascaisSacrifica aos milharesViva ambição de dólaresVazão da razão.O próximo, Campos SalesSeguido por Rodrigues AlvesProsseguem à injustiçaNão conseguem vetarDeputados e senadoresFio da revolta começaIncendiando o sertão.Segue por Afonso PenaNilo PeçanhaHermes da FonsecaProtetor dos coronéisPôs soldados em quartéisMassacrando o fanático.LUIZ ALVES Página 109
  110. 110. O Contexto do ContestadoE por fim, Venceslau BrásUm estranho no ninhoDecide findar a revoltaEnvia o general de ferroQue trás o holocausto no contestado .LUIZ ALVES Página 110
  111. 111. O Contexto do Contestado Epílogo Amigos leitores, os Jagunços do sertão contestado nãotiveram nenhuma atitude social humanitária dos governantes daépoca, empurraram sem piedade a uma guerra que era impossível devencer, tirando dos mesmos o mais importante do sentimentohumano, a perspectiva melhor de vida, ou a esperança em dar umavida decente a seus filhos e a seus netos. O sistema republicano foicriado diante de muitas falhas na revolução francesa, deixou a naçãopolvorosa num caos político e numa terra de ninguém, onde todosqueriam mandar e ninguém fazia nada pelos anseios da população. Décadas depois implantado pelos Estados Unidos da Américacom uns ajustes e poucas melhoras, mesmo assim continua sendo umsistema de inúmeros pecados capitais, que sufocava qualquer grito deliberdade democrática, ainda permanecendo o preconceito social,racial e religioso, contendo leis autoritárias e completamente injustascom toda uma sociedade carente ou menos favorecida. Meus amigos, esse foi o poder que o sistema republicanobrasileiro comprou a preço de muitas vidas e por uma verdadeira minade ouro, um sistema que privilegia os ricos ou milionários e deixandoos demais na mais completa miséria. Os caboclos dos sertões catarinenses e paranaenses perderampraticamente tudo o que herdaram de seus antepassados, e para teremum pouco de esperança acreditam em suas crendices populares numaforça superior, e dela criaram fantasias e fanatizam outro mundo,conforme os seus sonhos. E desse sonho fazem a sua razão de viver,nem que isso os levasse a morte, foi o que aconteceu na realidade. A guerra dos Canudos, acontecido anteriormente era provareal da injustiça social do poder republicano, pois denegriu aLUIZ ALVES Página 111
  112. 112. O Contexto do Contestadodemocracia e um completo genocídio humano. Como em Canudostinha Antônio Conselheiro, aqui no contestado tivemos José Maria.Com esse episódio histórico os senhores da república não aprenderama lição, e tornaram a fazer no sul do País. Como disse o capitãoMatos Costa: Que o problema do contestado, poderia ser resolvidocom um pouco de boa vontade dos governantes. Alimento em vez demunição, instrução em vez de ameaças e justiça em vez de violência. Caros leitores, somente para ter uma idéia da armadilha doséculo, contra a irmandade de São Sebastião, utilizam pela primeiravez na história da humanidade a aviação militar para reconhecimentode reduto dos fanáticos, tendo um coronel Alemão como pilotorevolucionário. A história prova que na melhor das hipóteses, aguerra já tinha vencedor, mesmo antes de seu princípio. Oshistoriadores chamam a guerra do contestado, que no real everdadeiro chamo a guerra dos injustiçados do século.N.A: O livro possui License Creative Commons.Org.LUIZ ALVES Página 112

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