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O Laboratório da Paisagem, núcleo
do Departamento de Arquitetura e
Urbanismo da UFPE, desenvolve
atividades de pesquisa, ensino e
projeto no ãmbito da conservação
da paisagem, dos jardins históricos
l' dos espaços públicos. Reúne
professores, arquitetos e alunos de
graduação e do Programa de Pós-
graduação em Desenvolvimento
Urbano (MDU) da LffPE e integra
rede nacional de pesquisa sobre
"Sistema de Espaços Livres" e
"Jardins de Burle Marx'; esta
também no âmbito internacional.
Lançou sua primeira publicação.
"Espaços Livres do Rccik''. cm 2000,
cm parceria com a Prefeitura do
Recife. Em 2001, iniciou os estudos
sobre os jardins do paisagista,
culminando no restauro de três deles
entre 2003 t' 2008. Posteriormente,
publicou "Os jardins de Burle
Marx no Recife" (2009), cartilha
em comemor<H;üo ao cenlt'núrio
desse artista; "Jardins l listóricos
Brasileiros l' Ivkxicanos" (2009);
"Parque e Paisagem: um olhar
sobre o Recili:" (2010) e "Jardins do
Rl'<ife: uma histúria do paisagismo
no Brasil, 1872-1937" (2010).
JARDINS DE BURLE MARX
NO NORDESTE DO BRASIL
••
JARDINS DE BURLE MARX
NO NORDESTE DO BRASIL
Ana Rita Sá Carneiro
Aline de Figueirôa Silva
Joelmir Marques da Silva
ORGANIZADORES
Editora ~
UniversltáriWUFPE
RECIFE 1 2013
/11IH 1•ld1ulc l'~Mrol d~ 11tr1111111l>l1<.0
ltcllor 1'1111 , A11l,le1 llrn<llcir(I de l'rcila• Dour,1do.
Vice ltcllor 1111f. Sllvio Romero Marques.
J)lrctora do fülllorn UfPE: Prof• Maria josé de Matos Luna.
ComlssAo F.dlt<>rial
Presidente: Prof• Maria José de Matos Luna.
T itularca: Ana Maria de Barros, Alberto Galvão de Moura f ilho, Alice Mirian Happ Boúer, Antonio Motta,
Helena Lúcia Augusto Chaves, Liana Cristina da Costa Cirne Lins, Ricardo Bastos Cavalcante Prudêncio,
Rogélia Hcrculan<> Pinto, Rogério Luiz Covaleski, Sônia Souza Melo Cavalcanti de Albuquerque, Vera Lúcia
Menezes Lima.
Suplentes: Alexsandro da Silva, Arnaldo Manoel Pereira Carneiro, Edigleide Maria Figueiroa Barretto,
Eduardo Antônio Guimarães Tavares, Ester Calland de Souza Rosa, Gemido Antônio Simões Galindo,
Maria do Carmo de Barros Pimentel, Marlos de Barros Pessoa, Raul da Mota Silveira Neto, Silvia Helena
l.ima Schwambom, Suzana Cavani Rosas.
Editores Executivos: Afon so Henrique Sobreira de O liveira e Suzana Cavani Rosas.
Capa: Bruno Faria e Lúcia Veras.
Projeto gráfico: lldembergue Leite.
Revisão do texto: Aline de Figueirôa Silva e Maríza Pontes.
Revisão botânica: foelmir Marques da Silva.
Tradução: Aline de Fígueirôa Silva.
Revisão da tradução: James Dubeux Raffety.
Impressão e acabamento: Editora Universitária da UFPE.

Catalogação na fonte
Bibliotecária Kalina Ligia França da Silva, CRB4-1408
f37 Jardins de Burle Mau no Nordeste do Brasil I Ana Rita Sá Carneiro, Aline
Realização
Lnboratório
dopelaagom
"' ,.
de Figueirôa Silva, Joelmír Marques da Silva. Organi1.adores. - Recife :
Ed. Universitária da UFPE, 2013.
251 p. : íl,
Vários autores.
Inclui referências bibliográficas.
ISBN 978-85-415·0224-5 (broch.)
1. Marx, Roberto Burle, 1909-1994. 2. Arquitetura paisagblica - Brasil,
Nordeste. 3. Jardins históricos - Brasil, Ncrdestc. 4. Jardm; Projetos -
Brasil, Nordeste. I. Sá Carneiro, Ana Rita (Org.). li. Silva, Aline de Figueirôa
(Org.). III. Silva, Joelmir Marques da (Org.). IV. Titulo.
712 CDD (23.ed.) UFPE (BC20 13-065)
Apoio
mBURLE MARX & CIA LTDA
---
- u ·
=<~ u
-= --= x== i..a
EDITORA ASSOCIADA Ã
llMAIUO
7
t)
11
37
57
89
107
Prefácio
Prcfacc
Snnia lk1·j1111111
Introduio
lntroduct ion
Ana Rita s,Carneiro
Aline de Figucirôn Silva
Joelmir Marques <la Silva
Praça Arlnr Oscar no Recife:
a modernidade no Jardim de Burle Marx
Fátima Maria Alves da Silva Mafra
O Jardim da Capela da Jaqueira:
um monumento preservado por Burle Marx no Recife
Ana Rita Sá Carneiro
Aline de Figueirôa Silva
Joelmir Marques da Silva
Burle Marx em Salvador:
o_Jardim do Terreiro de Jesus
Paulo Costa Kali!
Um Jardim de Burle Marx em João Pessoa:
Residência Cassiano Ribeiro Coutinho
Heignne Jardim
Paula Dieb
l '.17
159
187

-,
213
241
247
l'nládo dos Leões:
11111 Jurdim de Burle Marx em São Luís
Barbara [rene Wasinski Prado
Jardins de Burle Marx
para o Theatro José de Alencar em Fortaleza
Ricardo Figueiredo Bezerra
Pernanda Cláudia Lacerda Rocha
Temístocles Anastácio de Oliveira
Antônio Sérgio Farias Castro
Burle Marx em Teresina:
a Praça Monumento Da Costa e Silva
Wilza Gomes Reis Lopes
Karenina Cardoso Matos
José Hamilton Lopes Leal Júnior
Roseli Farias Melo de Barros
Jardins de Burle Marx em Natal
Paulo José Lisboa Nobre
Marizo Vitor Pereira
Isaías da Silva Ribeiro
Apêndice: Projetos de Burle Marx no Nordeste
Os Autores
<~rn110 ci<lranjera amante dei Brasil, los nombres del Terrero
ili• lc'~úi. cn Salvador, dei Jardín del Palacio de los Leones en São
l 1d11 o t•I Jardín del Teatro Alencar en Fortaleza -para mencionar
11111 s1
1
1lo a Lres de los ejemplos estudiados en este volurnen- son
p.1rndlgmMicos del patrimonio cultural del país con rango
1111111dial, y por ello algunos están incluidos en la lista del
11
.11 rimonio de la Humanidad de la UNESCO como componentes
1I<' l l'lll ros históricos de valor singular y universal.
C:omo turista frecuente que ha gozado de varias visitas a esos
l11g.1rcs, me pregunto por qué razón nunca me informaron que
cslos sitios únicos tan visitados habían contado, en su desarrollo,
1011 intcrvenciones de Roberto Burle Marx.
Como profesional dei paisaje, considero a este brillante
hrnsile.õo el mayor paisajista dei siglo XX en el mundo occidentaly
lamento que todavía no haya logrado la trascendencia que su obra
lllt:rcce, debido sobre todo al desconocimiento cabal y científico
de ésta, aún en círculos profesionales.
Como colega, celebro y aplaudo la labor que desde hace afíos
llcvaadelante el grupodei Laboratoriodei Paisajede la Universidad
Jhleral de Pernambuco con el trabajo líder y pionero de la Dra.
Ana Rita Sá Carneiro y sus cada día más y más integrantes -hoy
ya son 20 especialistas- que se han propuesto develar los orígenes
y estados actuales de las obras de Burle Marx en el Nordeste del
Brasil.
/nr,lins ele Burle Marx no Nordeste do Brasil 7
Como leuora, dcbo dcjar constancia dei placcr que me han
producido eslos textos y sus imágenes pues, además de su aporte
científico, han sido amenos e ilustrativos. El inventario total de
los jardines de Burle Marx, así como su restauración, es una
tarea ineludible y perentoria. Ha sido iniciado por Ana Rita en
2005 y de forma más que humilde. Su enorme capacidad, tesón
y compromiso a través de los anos están produciendo sus frutos,
cada vez más grandes y sabrosos.
Espero que el círculo (tanto de ejemplos como de geografias
y de participantes) se siga ampliando y que en un futuro no muy
lejano contemos con un más que necesario corpus de esos oasis
de naturaleza creados a lo largo de su existencia por un artista sin
igual que han ayudado en tanto a mejorar la calidad de vida de
infinitas personas, en su país natal, en Argentina, en Venezuela,
en Estados Unidos y en otros sitios.
Coronaría de modo supremo esta ardua tarea la nominación
por parte de la UNESCO de un "itinerario de los jardines de Burle
Marx': Y... como la vida profesional de Burle Marx nació en
Pernambuco... no <ludo de que esa iniciativa y esa tarea también
se llevarán a cabo en esa región y por el extraordinario equipo
que hoy presenta este libra imprescindible para la historia de los
jardines del mundo.
Dra. Sonia Berjman.
Miembro de Honor.
o
Comité Científico Internacional Paisajes Culturales.
International Council of Monuments and Sites.
Buenos Aires, enero de 2013.
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
/s a foreigner who laves Brazil, the namcs of Jesus Yard in
S.ilvador, Lions Palace Garden in São Luís, and José de Alencar
'lheatcr Garden in Fortaleza, mentioning only three garckns
studicd in this edition, are paradigmatic of the cultural herilagc
oi" this world-ranging country. That is why some of them are
included on the list of the World Heritage Sites of UNESCO as
historie centers with outstanding universal value.
As a usual tourist who has enjoyed many visits to the cit ícs
mcntioned above, 1 ask myself why I was never told that Lhosc
wideJyvisited places had counted on Roberto Burle Marx's design.
As a landscape professional, I consider this brilliant Brazilían
Lhe greatest landscape designer ofthe 2Qth century in the western
world. I regret thathis workhas notachieved theacknowledgement
[t deserves due to the lack of a broad scientific knowledge, even Ln
professional circles.
As a colleague, 1 celebrate and acclaim the labor that thc
researchers ofthe Landscape Laboratory ofthe Federal University
of Pernambuco have developed for years under the leadership
and the pioneer work of Professor Ana Rita Sá Carneiro and her
collaborators. Today, there are twenty specialists that aim to revcal
the origins and the current situation of Burle Marx's gardens ín
the northeast region ofBrazil.
As a reader, 1must leave evident the pleasure1felt through 1hc
reading ofthose texts and their images since they are pleasant and
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil ')
/
J
illuslni llve, in addition lo thcir scicnli ítc conlribution. 'lhe whole
invenlory orBurle Marx's gardens as well as their restoration is an
unavoidable and urgent task. Although the process started in 2005
by Ana Rita in a very humble way, her great capacity, tenacity, and
rnmmitment throughout the years are now bearing richer fruits
from her labor.
1 hope the circle of examples, geographies, and participants
continues its growth and that in the near future we can count on
more than simply the necessary corpus of those oases created by
an incomparable artist who helped improve the quality of life of
many people in his native country, Argentina, Venezuela, United
States of America, and other places.
The nomination of an "Itinerary of Burle Marx's gardens" by
UNESCO would crown this hard work in a supreme way. And...
as Burle Marx's professional life started in Pernambuco... I have
no doubt this initiative and task will also be carried out in that
region by the extraordinary team who presents now such an
essential book to garden history in the world.
10
Dra. Sonia Berjman.
Honor Member.
International Scientific Committee ofCultural Landscapes.
International Council oíMonuments and Sites.
Buenos Aires, January, 2013.
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
<) Nordeste brasileiro é um a região diversificada, que abrange
dn111l11ios llorístico-vegetacionais representados pela Floresta
AI ln111ica e ecossistemas associados (restinga e manguezal), pela
•nntinga e pelo cerrado, bem como uma pluralidade de traços
llllmanos e culturais, porém historicamente associada à seca e à
l1adição, entre outros enunciados forjados pelas mais diferentes
l'Slralégias políticas, institucionais e intelectuais.
Por ter a maior extensão de caatinga, sua paisagem, nas
representações predominantes, transmite aridez pelas formas
duras, mas que adquire, como num passe de mágica, um aspecto
viçoso e verdejante após uma chuva esperada.
Nessa região de fortes contrastes, o paisagista Roberto Burle
Marx (1909-1994) realizou seus primeiros jardins públicos,
plantando os princípios do paisagismo moderno brasileiro,
contemplando as paisagens nordestinas do interior - algumas
experiências por ele denominadas de verdadeiro espetáculo
e configurando paisagens urbanas. Disse Burle Marx em
pronunciamento no "Seminário de Tropicologia" de 1985, a
convite de Gilberto Freyre:
Se meu conhecimento a respeito de plantas é muito
maior, se passei a denunciar, com todas as minhas forças,
os crimes contra a natureza, se viajei sistematicamente
pelo interior do País coletando plantas potencialmente
utilizáveis em jardins, se organizei uma das mais
jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 11
1
J
l111portanll'S cok~oc~ dt.: plan1as cm nosso l'als, nao Lenho
dliviJas que cm Pernambuco começou Ludo.1
A partir de 1935, Burle Marx realizou seus primeiros projetos
110 Recife, dirigindo o Setor de Parques e Jardins da Diretoria de
A rquilctura e Construção do Governo do Estado de Pernambuco.
Dada a proximidade, no final da década de 1930, iniciou projetos
cm João Pessoa e, em seguida, na cidade de Salvador, nos anos
1940. Atuou em Fortaleza e em São Luís no final dos anos 1960 e
cm Teresina, Maceió e Natal na década de 1970.
Se o Recife está na origem de sua atividade paisagística,
também cristalizou o debate propulsor da presente coletânea,
por ocasião do Encontro Regional "Paisagem na história:
jardins e Burle Marx no Norte e Nordeste': que ocorreu em
junho de 2007 e reuniu pesquisadores, técnicos e profissionais
liberais predominantemente oriundos das capitais dos estados
nordestinos, havendo ausência de representação nortista.2
A
produção científica do evento está compilada nos anais do
Encontro, que abrange comunicações sobre a obra de Burle Marx
na Bahia, no Ceará, no Maranhão, em Pernambuco, no Piauí e
no Rio Grande do Norte, ausentando-se os estados de Alagoas,
Paraíba e Sergipe.3
Ainda em 2007, como resultado do Encontro, foi formalizado
no Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de
1 MARX, Roberto Burle. Minha experiência em Pernambuco. ln: MIRANDA, Maria do Carmo
Tavares de (Org.). A11ais do Seminário de Tropicologia "l lomem, Terra e Trópico~ Recife:
Massangana, 1992, p. 73.
2 Evento promovido pelo Laboratório da Paisagem/UFPE e coordenado pelas professoras Ana
Ilita Sá Carneiro e Vera Mayrinck.
' ENCONTRO REG IONAL PAISAGEM NA HrSTÓRJ/: JAllDJNS E BURLE MARX NO
NORTE E NORDESTE, l, 2007, Recife. Anais... Recife: UFPE; Olinda: CECI. 2007. 1 CD-ROM.
12 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
l lt•141•11volvl11w11lo C:k11tllirn L' 'l't·rnológlrn (CNPq) o grupo
d1 r1tl11do ")nnlins de Burle Marx·~ liderado pelo Laboratório
ilu l'l" ""HL'lll do lkpart;1111cnlo de /rquilctura e Urbanismo da
I
l J11IH 1...1d:1<.k Federal de Pernambuco (UFPE) e pelo Laboratório
ill' 1 tudos cm Arquitetura e Urhanismo (LEAU) da Universidade
11•d1'1.il do Ceará (UFC).
1ksdc então, uma sondagem realizada pelo grupo aponta a
q1111111 llirnção e a distribuição dos projetos elaborados por Burle
M11rx 11:1 região Nordeste e a sua predominância em Pernambuco,
1 11111 111l total de 58, entre 1935e1990. Na Bahia, estão registrados
, 111rojclos. No Ceará, 19, até o ano de 1994, seguido pelo estado
d.1 l'.1raíba, com 13 projetos. E, finalmente, os estados que tiveram
11111.1produção mais reduzida: Rio Grande do Norte, com quatro,
1· Piauí, Maranhão e Alagoas, cada um com três projetos.
<) Nordeste brasileiro sempre esteve na trajetória de Burle
Marx, seja no início de sua carreira, criando ou reformando
divl'rsas praças no Recife, de 1935 a 1937, seja ao final de sua
111tcnsa vida profissional, quando concebeu, entre 1992 e 1994,
11111 de seus últimos projetos, o Jardim Botânico de Fortaleza,
porém não executado. Ou, ainda, com a construção póstuma do
1.1rdim interno da Oficina Cerâmica Francisco Brennand (atual
Praça Burle Marx), projetado em 1984 e inaugurado em 1994, ano
t•m que o paisagista faleceu.
A lista de projetos apresentada no Apêndice sumariza o que
está registrado em publicações sobre o paisagista4
e indicado pelo
l ~scritório Burle Marx & Cia. Ltda. No entanto, está atualizada
l' l11 relação à sua quantidade, entre planos, estudos preliminares e
,1 MOITA, Flávio. Roberto Burle Marx e a nova visão d<t paisagem. São Paulo: Nobel, 1983;
l.EENHARDT, Jacques (Org.). Nos jardins de Burle Marx. São Paulo: Perspectiva, 2000.
J.ll'lli ns de Burle Marx no Nordeste do Brasil 13
Ii
prnjt•tos l'XL'Clltivos, c, sempre que possível, contém informações
sobre dalas e se foram implemenlados, posto que decorre do
l'Sforço de pesquisa empreendido pelo grupo.
Dianle de um significativo número de projetos na região
aproximadamente 124 -, não seria possível abranger toda a
produção de Burle Marx no Nordeste num livro desta natureza,
que não se propõe a ser um panorama. Por outro lado, procurou-
sc alcançar a maior extensão possível dessa geografia, na medida
cm que comparecem no livro sete dos nove atuais estados
nordestinos, todos existentes à época de cada um dos projetos
esludados (Mapa 1).
Mapa 1. Região Nordeste do Brasil, onde Burle Marx desenvolveu cerca
<k 124 projetos, desenho de Juan David Strada Rincón, 2013. Fonte:
l,;1horatório da Paisagem/UFPE.
14 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
1 ~""'''' 
l ,.,, 1 ,,,

1 1111.,1 ·- ••~'L "',
Nt•'itt•M'11lido, .u1~t·n t 11111 Sl' d.1prt'SL'tll t• t0ktn11ea os e:-i l ado~
ili !11·1gqH'. Sl'lll rt·gistrns da passagem de Burle Marx, e de
l111tº•'"· onde o paisagista deixou ao menos três obras - os jardins
1111 l1
.1111uo do Governador (1974), da Residência Emílio Maya
1 11111%1 ( 1976) e do Ministério da Fazenda (1979) - que, espera-se,
1 111~~11111 ser aglutinados ao grupo na medida de sua consolidação.
Alguns autores aprofundaram o conteúdo apresentado no
1°111 011lrn de 2007, consolidando o estágio atual de suas pesquisas.
1 h 1t1 os preferiram investigar um jardim específico que promovesse
11111 dl·bale, por exemplo, sobre o patrimônio moderno.
A seleção dos jardins, ainda que tenha privilegiado uma
pt·quena amostra, em comparação com o amplo conjunto de
pr oposlas elaboradas para as capitais estudadas, revela o arco
dt· atuação de Burle Marx, já conhecido na sua obra e agora
dt•monstrado na geografia do Nordeste do Brasil. E contempla
dikrcntes esferas, escalas, objetos e paisagens: projetos públicos,
d.1 praça ao parque, e privados, no âmbito residencial ou
inslilucional, projetos inteiramente novos ou reformas de jardins
preexistentes, lúdicos, solenes, domésticos e palacianos.
O Recife abre a coletânea, não apenas por ter sediado o
i:.ncontro que deu origem ao grupo, mas também por ser o berço
dn obra paisagística de Burle Marx e ter a maior representatividade
de projetos em termos numéricos. A capital pernambucana reúne,
.1inda, o maior número de pesquisadores e trabalhos sobre a
obra de Burle Marx no Nordeste do Brasil, levados a cabo pelo
l.aboratório da Paisagem/UFPE, cuja produção científica pêrfaz
mais de uma década. A seguir, sucedem-se os projetos nas outras
capitais nordestinas em ordem cronológica. No Recife, são
/.1rdi11s de Burle Marx no Nordeste do Brasil
/I
lrntados clols jardins rclalivos a pcdodos dislinlos da presença do
paisagista em Pernambuco.
Em 1936, a concepção da Praça Artur Oscar valorizou sua
condição de espaço público numa área comercial da cidade, tendo
um piso de lajes locais rejuntadas com grama e um canteiro central
de plantas herbáceas e arbustivas, em sua maioria da restinga.
Nesse jardim, Burle Marx quis dar notoriedade ao arranjo e
distribuição de plantas com texturas e colorações variadas para
ser apreciado pelos recifenses e viajantes que chegavam pelo
porto. Por tais características, é o passo que antecede a definição
do traçado do Jardim do Ministério da Educação e Saúde no Rio
de Janeiro.
Nas intervenções pelas quais passou a Praça Artur Oscar,
espécies vegetais e elementos do mobiliário foram acrescidos,
desconsiderando o projeto de Burle Marx. Hoje, a praça guarda
de sua concepção original apenas a cortina de vegetação arbórea
que a circunda.
O Jardim da Capela da Jaqueira, concebido por volta de 1951,
é trazido a público num dos únicos, se não no primeiro estudo
monográfico que lhe foi inteiramente dedicado. A pedido da
então Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(DPHAN), Burle Marx elaborou um projeto paisagístico para o
entorno da Capela de Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira,
essencialmente composto de plantas herbáceas das mais variadas
tonalidades de cores e palmeiras-reais (Roystonea regia), com
vistas à preservação do monumento.
A proposta ainda abarcou uma significativa área para a
recreação da população, com campo de esportes, brinquedos
e substantiva cobertura vegetal arbórea. Esse trecho do projeto,
16 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
11111.! 1 qw• p1·ovuv(.•lml'lll(1
11: o rt:alll'.ndo, lnaugun1vt u11111 11ovt1
1 11111t'I'~110 de pan.Jtic públlco J1U cidade do Rccifo em um t1 trea jt
111lll:iiHla pnrn pnllicas esportivas, impulsionando o alL1al Parque
.1
tl11Jnqlldrn, hoje bastante frequentado pelos recifenses.
() t•stw.lo dessa obra aponta a envergadura do projeto à época,
('ti programa inovador e a associação a uma edificação histórica
lt11lih1.:at iva para a cidade, considerando o valor simbólico
11.1 rnpcla e do parque que lhes foi imputado pela população
1111.1lmcnte, sobretudo pelos moradores do entorno do bairro da
J11qt1eira.
Em Salvador, o Terreiro de Jesus foi selecionado entre as obras
dl· l)urle Marx na Bahia por sua localização no sítio histórico,
dd'ronte ao Colégio e à Capela dos Jesuítas, por ser o primeiro
t•spaço público projetado pelo paisagista na cidade, pelo seu
desenho inovador e por sua repercussão àépoca.
No século 19, o terreiro era o centro de comunicação da cidade
t dispunha de um chafariz em bronze para abastecimento d'água.
O projeto de Burle Marx, idealizado a partir de 1948, explorou a
potencialidade do espaço para o convívio do público, em que o
chafariz como ponto focal relacionava-se com um único canteiro
ílorido, ao passo que o coreto móvel preservava a visibi~idade para
o conjunto religioso. A manutenção do chafariz e os materiais de
revestimento do piso, como a pedra portuguesa, os seixos e as
conchas da região, reforçavam o caráter do sítio histórico.
Hoje, o Terreiro de Jesus encontra-se descaracteriza~o face à
substituição de espécies vegetais, bancos e materiais construtivos,
mas é ocupado por grupos de capoeira, vendedores ambulantes e
baianas de acarajé.
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 'l 7
(
O capítulo sobre João Pessoa elege como objeto de estudo o
Jardim da Residência Cassiano Ribeiro Coutinho, de 1957, devido
à riqueza do projeto paisagístico, considerando sua extensão,
diversidade florística, presença de elementos escultóricos e
zoneamento prevendo diferentes usos. Mas também, por se tratar,
juntamente com a edificação na qual está inserido, de um bem
tombado corno patrimônio paraibano. Do projeto participaram
Fernando Tábora, Julio Cesar Pessolani, John Stoddart e Maurício
Monte, que mantiveram sociedade com Burle Marx até 1965.
A vegetação existente no terreno foimantida,sugerindo linhas
do traçado e contrastes entre espécies arbustivas e herbáceas.
Monólitos e bancos de granito, seixos e pedras portuguesas,
espelhos d'água, gaiolas e playground indicam a diversidade
de materiais, usos e recintos do jardim. Destacam-se, ainda, a
indicação de 73 espécies vegetais e a previsão de um horto, no
fundo do lote, para a produção e reposição de plantas.
A residência, projetada pelo arquiteto Acácio Gil Borsoi,
constitui a primeira obra moderna de João Pessoa reconhecida
oficialmente como patrimôniohistórico e artístico da Paraíba. Um
símbolo da modernidade pessoense que, em meados do século 20,
passou a modificar a paisagem e o cotidiano da cidade.
No texto de São Luís, oJardim do Palácio dos Leões foi o objeto
do estudo porque seus usos, derivados de colonização variada,
culminaram num jardim brasileiro segundo projeto paisagístico
de Burle Marx, iniciado em 1968 e retomado em 1973. Como um
espaço simbólico da administração política e mirante da história
maranhense, esse jardim cristaliza a passagem do tempo e as
transformações sociais, culturais e econômicas experimentadas
pela capital São Luís em quatrocentos anos.
18 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
ll11tl1• Mnl'x 11H111kvc tis palmeiras Imperiais (lfoysto11ca
11/1•1r111•11), ~·xis lL' lll<.'s ao menos desde a década d.e 1950, criou
, 1 11 11;10~ dgua e lanqucs para plantas aqu<lticas. Também utilizou
ltllllJ 11~1~·s de malcriais inertes (seixos de cor clara, pisos em pedra
l i!i':-1 L l't'11micas) e ele vegetais (com cores e alturas diferentes).
Nn l id11dc de Fortaleza, os Jardins do Theatro José de Alencar
1 ..1i1n .1ssociaclos ao caráter público e à importância histórica
, 111 q11ltetô11ica dessa tradicional casa de espetáculos. Teatro e
1111 dl11s sílo catalisadores da vida social e cultural fortalezense,
M1•11do visitados por moradores e turistas. Num lapso de quase 20
111111."1, l'lll rc 1973 e 1990, os jardins foram objeto de dois projetos
li11·,1 ~1 1 1t c distintos, elaborados pelo Escritório Burle Marx & Cia.
11d.1.
No projeto de 1973, assinado também pelos arquitetos
l l,11 uyoshi Ono e José Tabacow, um grande espelho d'água com
1111w fonlc luminosa domina toda a composição, abrigando várias
1"q ,él,:ics de plantas aquáticas. No de 1990, em parceria com
11.11 uyoshi Ono e Leonardo de Almeida, uma extensa superfície
1 11t11 desenho regular valoriza a edificação do teatro.
Até então, o primeiro projeto encontrava-se ausente da
história escrita sobre a cidade e oculto na oralidade dos que o
vivenciaram. O texto sinaliza, portanto, a relevância do estudo
para Ltma futura restauração dos jardins.
No artigo de Teresina, a escolha recaiu sobre a Praça
Momunento Da Costa e Silva por se tratar do único espaço público
projetado por Burle Marx na cidade, entre 1975 e 1976, tendo
1·m mente a importância das praças como locais de integração e
l11zcr da comunidade. Mais uma obra concebida em parceria com
J.11.l l11s de Burle Marx no Nordeste do Brasil 19
(
1
 o arquiteto Acácio Gil Borsoi, que projetou o monumento cm
homenagem ao "poeta das águas': Antonio Francisco da Costa e
Silva.
O desenho marcante do espelho d'água, de linhas irregulares,
parece lançar um diálogo com as águas do Rio Parnaíba, ao passo
que a carnaúba (Copernicia prunifera), símbolo dos estados
do Piauí e do Ceará, tem presença destacada no projeto. A
descaracterização da concepção originalestá relacionada àretirada
de espécies vegetais especificadas por Burle Marx, bem como
ao plantio de novas espécies. O traçado foi pouco modificado,
permanecendo quase inalterado, enquanto caminhos com piso de
concreto foram acrescidos seguindo as linhas de desejo existentes.
Em Natal, são conhecidos quatro jardins projetados por Burle
Marx, nenhum dos quais foi executado. Até o presente momento,
estão mais documentados o Parque das Dunas - Via Costeira,
jardim à beira-mar cujas especificações botânicas e detalhamento
são desconhecidos, e o Pátio Interno da Biblioteca Central da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), de
1976. Este projeto teve a colaboração dos arquitetos Haruyoshi
Ono e José Tabacow e foi enfatizado no último capítulo, uma vez
que estão disponíveis os detalhes construtivos e a especificação
botânica.
A configuração projetual permite a observação tanto do
pavimento inferior quanto do superior, de modo que o jardim
se apresenta a partir de diferentes perspectivas. Destacam-se as
"esculturas de xaxim" ou esculturas vegetais de espécies herbáceas
da flora tropical, tanto pela variedade de cores, como pelas
diferenças de altura dos volumes criados, ao passo que canteiros
20 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
1111111d1111•• t· st·ixos 1oludos sao elementos do rep1.•rt<'>rio do
I' 11 H~l ~lu .
) 1111h111.1 degcndo um jardim especifico como objeto deestudo,
llu.1111 .111ton:~ o relacionaram com outros projetos de Burle Marx
111111up1 Íll Lida<lc ou em diferentes locais, na tentativa de articu lt-
111 11011 p1 lndpios de concepção do paisagista, estratégia ulilizadu
d1 111mlo manifesto em Pernambuco, na Bahia, na Paraíba e no
Uh1 e;1nndc do Norte.
( :c11110 resultado de um grupo de pesquisa constituído hó
1 1111 o .1nos e do trabalho acumulado pelos autores em estudos e
I''li11 icnçê>esanteriores,os textos, emseuconjunto, compartilharnos
.q1,11inlcs procedimentos metodológicos: levantamento de fontes
1lt>l 11 mentais - plantas, desenhos, fotos, jornais, ofícios, pareceres
, visitas e observações em campo, entrevistas, identificação da
't'gl'l ação original e/ou atual, recurso às simulações e confrontação
e·11t1 e os dados, consubstanciando a análise de cada projeto.
Consideradas as diferenças temporais entre os projetos, a
1 ondição de terem sido realizados (parcial ou totalmente) ou não
11nplantados, o estágio de pesquisa em cada estado e a diversidade
ou a escassez de registros, os artigos perseguiram uma estrutura
g<:ral comum, procurando relatar a origem de cada jardim, sua
1l·alização, transformações e perspectivas atuais relativas à sua
I'rcservação.
Este livro deve-se ainda ao apoio de muitas instituições e
pessoas, a quem os organizadores dirigem seus agradecimentos:
;1 Sonia Berjman, pelo constante incentivo ao estudo da obra
de Burle Marx e por assinar o prefácio; ao Escritório Burle
Marx & Cia. Ltda., no Rio de Janeiro, especialmente Haruyoshi
e Isabela Ono, pelas fotos, plantas e informações gentilmente
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 21
cedidas; ao CNPq e demais agtncias de fomento, pelo suporte
financeiro em diferentes períodos desde a constituição do
grupo; à Superintendência do IPHAN em Pernambuco, pela
disponibilização da documentação oficial do Jardim da Capela da
Jaqueira; aos bolsistas fuan David Strada Rincón e Luísa Acioli
dos Santos e à Profa Lúcia Veras do Laboratório da Paisagem/
UFPE; a todos os estudantes, profissionais, técnicos e gestores
que contribuíram com a produção dos artigos através da cessão
de documentos, relatos e auxílio nos levantamentos de campo e
arquivo em cada estado do Nordeste.
Além do esforço de documentar a obra de Burle Marx no
Nordeste do Brasil, os autores não renunciaram à questão da
preservação, ao buscarem registrar o estado atual dos jardins e
ventilarem ora sua restauração, ora a realização dos projetos não
implantados.
Os jardins de Burle Marx aqui retratados guardam uma
profunda relação com a paisagem natural e seus ecossistemas
específicos, como a restinga, o manguezal, a caatinga e o cerrado,
e com a paisagem urbana de cidades consolidadas, marcada por
monumentos coloniais, barrocos, neoclássicos e ecléticos.
Ora nasceram da relação com a cidade tradicional, como a
Praça Artur Oscar, no Recife, e o Terreiro de Jesus, em Salvador, ou
em complementaridade a monumentos arquitetônicos já alçados
à condição de patrimônio pelos órgãos oficiais de preservação, a
exemplo dos jardins da Capela da Jaqueira, no Recife, do Palácio
dos Leões, em São Luís, e do Theatro José de Alencar, em Fortaleza.
Ora surgiram a partir da própria invenção do monumento
moderno, seja na criação arquitetônica, como no caso dos jardins
da Biblioteca Central da UFRN, em Natal, e da Residência
22 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
1 1Nlll 111n l~ll1t•l10 C o 11li11ho , .'111 )mio l't:-;:-oa, scj:111<1 dclini~·ao do
r I''''•" 111h.1110, ,1 t•xcmplo da !'raça Monumcnlo Da Costa e Silva,
1 111 ' l'1{11·-.i11,1, l'~l <.:s dois últimos através da parceria com o mestre
1
1 '" 1~1 1 iil Bor~oi.
A prn1,ósito, Burle Marx elaborou projetos paisagísticos
11u111 ,., l'di ficaçõcs palacianas onde funciona a administração
d11 g11vl'r11 0 de Pernambuco (Palácio do Campo das Princesas,
H1•1111·, i.'111 1936), da Paraíba (Palácio da Redenção, João Pessoa,
1•111 1t) 9), elo Maranhão (Palácio dos Leões, São Luís, em 1968
1• 1'r/ !), do Piauí (Palácio de Karnak, Teresina, em 1972) e de
1 l.1goas (Palácio Marechal Floriano Peixoto, em 1974).
l'or seu interesse ecológico e histórico, os jardins de Burle
M.11 x na região Nordeste devem ser conduzidos à condição
1k 111onumentos vivos, conforme os dispositivos e instituições
prl'scrvacionistas em nível nacional e mundial.
O conhecimento sobre sua obra consubstancia o
<"11frcntamento de dois desafios imputados à cidade e à sociedade
l onlemporâneas: o condicionamento ecológico global e a
preservação do patrimônio histórico local, cujo debate este livro
se propõe a fomentar.
Ana Rita Sá Carneiro.
Aline de Figueirôa Silva.
Joelmir Marques da Silva.
Organizadores.
Recife, janeiro de 2013.
jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 2:1
I
í1
INTltODUCTlON
The northeast of Brazil is a region that consists of different
ecosystems as well as a plurality of human and cultural features.
However, it is historically associated to the dry season and to
traditional knowledge among other concepts shaped by different
political, institutional, and intellectual strategies.
Dueto thelargeextension ofdrysoilandxerophyticvegetation,
its landscape usually passes on the idea of aridity through its
hard shapes, which acquire a lush and green appearance after an
awaited rain as ifit were magic.
ln that region ofsuch strong contrasts, the landscape designer
Roberto Burle Marx (1909-1994) made his first public gardens
by planting the principies of the Brazilian Modem Movement
based on the inland northeastern landscapes - an experience he
described as a true sight - and shaping urban landscapes. Invited
by the great anthropologist Gilberto Freyre, Burle Marx gave a
speech in the Tropicology Seminar in 1985 and said:
If my knowledge on plants is much bigger, if I started
denunciating with my whole strength the crimes against
nature, if I systematically travelled through the inland of
Brazil collecting plants potentially useful to gardens, if I
organized one ofthe most important plant collections of
our country, 1am sure it all started in Pernambuco.
From 1935, Burle Marx made his first projects in Recife when
he directed the Section of Parks and Gardens of the Board of
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
An.hitt l.lurc and Co11structio11 of Lhe (;ovcrnmcnl of Lhe SLatc
of' Pernambuco. Duc Lo Lhe proximily, al tbe end of thc J930s be
starlcd dcsigning gardens in João Pessoa and then in Salvador ln
lhe 1940s. He worked in Fortaleza and São Luís during the late
l960s and in Teresina, Maceió, and Natal in the 1970s.
The city ofRecife also boosted the debate that brought about
Lhis book as it hosted the Seminar "Landscape in history:gardens
and Burle Marx in the north and northeast of Brazil" in 2007.
'111e event brought together researchers, technicians of Recife's
City Council, and self-employed professionals, who mainly carne
from the northeastern states, missing northern participants. The
presented papers were compiled in the annals of the seminar,
edited by Professors Ana Rita Sá Carneiro and Vera Mayrinck.
Some of them <leal with the work of Burle Marx in the states of
Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, and Rio Grande do
Norte, missing the states ofAlagoas, Paraíba, and Sergipe.
As a result ofthe seminar, the study group "Gardens ofBurle
Marx" was registered at the Directory of Research Groups of the
National Council of Scientific and Technological Development
in 2007 under the leadership of the Landscape Laboratory of the
Federal University of Pernambuco, coordinated by Professor Ana
Rita Sá Carneiro, and the Laboratory of Studies on Architecture
and Urbanism of the Federal University of Ceará, coordinated by
Professor Ricardo Figueiredo Bezerra.
Since then, a survey made by the team showed the quantity
and distribution of the projects developed by Burle Marx in the
northeast of Brazil and its predominance in Pernambuco, where
he designed fifty-eight gardens between 1935 and 1990. He
conceived twenty-one projects in Bahia, nineteen in Ceará from
26 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
1•Jc.H 111 l'J'J1I, a11d thi tll'Cll ln P.1rulb.1. ln Rio Crandc do Nmk,
tl 1c•tt• ;ll'l· four projc<.I~ dcsigncd by hitn and nine in thc slalcs or
l'l.11tf; Maranhfo, and /lagoas, Lhrcc in each.
·(hc northcast region ofBrazil was parl ofthe wbole trajcclory
ui Bu rlc Marx whether at the beginning ofhis career ar at the end
oi his intense professional life. Firstly, he created or redesigned
111any squares in Recife from 1935 to 1937. ln the early 1990s,
lil' conceived one of his last projects, the Botanical Garden of
i:ortaleza, which was not built. Also in Recife, the Francisco
Brcnnand Ceramic Factory Garden (currently known as Burle
Marx Square) was a posthumous tribute. It had been designed in
1984 but was opened in 1994, the year the great landscape artist
passed away.
The list of projects presented in the Appendix points out the
gardens conceived by Burle Marx in the northeast of Brazil, in
accordance with the main publications on his work and the official
information given by the Burle Marx & Co. Office. However,
the collaborative effort has updated it with regard to the total
quantity ofprojects in that region, about 124, which include both
preliminary studies and detailed studies, their dates and whether
they were built or not.
Thus, it would not be possible to include all these gardens
in this edition, which is not supposed to be a panorama but an
effort of combining an overview of Burle Marx's work with the
monographic approach. This book tried to reach the biggcst
extension ofthe current nine northeastern states as possible sincc
it encampasses seven ofthem. The state ofSergipe is omitted from
the study because the information available at present suggcst:-.
that Burle Marx has never been there. Alagoas is also omittcd
jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 'J.7
although he left at least three gardens thcrc, whicb may hopcfully
be added to the study as time goes by and the group solidifies.
Some authors deepened the content presented in the seminar
in 2007 and consolidated the current stage of their research
whereas others preferred to look into specific gardens in order to
discuss the modem heritage.
On one hand, the gardens chosen by the authors surely
compose a small sample in comparison to the wide set ofproposals
conceived by Burle Marx in the northeast of Brazil. On the other
hand, they reveal the largeness ofhis work, alreadyknown in other
places and now shown in the northeastern states. They also consist
of public and private projects, residential and institutional ones,
new gardens or others that were redesigned, whether domestic,
playful, solemn or palatial with different features and scales.
The city of Recife begins this edition due to four reasons.
Firstly, it represents the origin of Burle Marx's work. Secondly, it
hosted the seminar that brought about the study group "Gardens
ofBurle Marx'~ Thirdly,the majorityofhis projects in the northeast
region ofBrazil are located there. Fourthly, it counts on the greatest
nurnber ofstudies in this region that have been carried out by the
researchers of the Landscape Laboratory since 2001. Then, the
gardens ofthe other cities are chronologically presented.
ln 1936, the creation of the Artur Oscar Square emphasized
its character as a public space in Recife's historie downtown.
Its floor comprised of local stone slabs was connected by grass
with a central flower-bed with herbaceous and shrubby plants,
mostly from the coastal ecosystem. Burle Marx highlighted the
set and distribution of plants with different colors and textures
to be enjoyed by the local population and the travelers dueto the
28 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
p1oxl111l1y lo lhe lrn1bnr. 'lhc.·sc reatures fon:wc.·1111hc.· l11yo111 oi llw
wrll known gardcn of thc Ministry of Educaliou nnd 1ln dlh ln
lli!1 de Janeiro.
1
Ovcr Lhe lasl dccades, some actions changcd Burk Mllrx's
dc.•sign of Lhe Artur Oscar Square concerning thc layoul, lhe.·
original plantspeciesandtheurban fumiture. Today,a pcrimctricnl
t.urluin of trees is ali that remains ofhis original proposal.
'Jhc Jaqueira Chapei Garden is the target of thc sccond
chaptcr, which is the first monographic study on this mallcr.
ln 1951, Burle Marx designed a garden in the surroundings of
Lhe Our Lady of the lmmaculate Conception Chapei in Lhe so
called district of Jaqueira requested by the National Historie and
Artistic Heritage Direction. The garden was mainly composed by
herbaceous colored plants and palm trees aiming to preserve Lhe
religious historie monument.
The proposal included an area for leisure with sports ficld,
playground equipment, and a great amount of trees, but it was
not probably built. ln spite of that, it embodied new concepls
regarding the design of public parks in Recife and boosted lhe
Jaqueira Park, which is widely used by the population currenlly.
ln fact, the park was built in a large lot already used for sports
activities and was opened in 1985.
The study of this project shows its relevance due to its
innovative design proposal and its relationship with a hislori<..
monument at the time as well as the current symbolic va]ue of thc
chapel and the park assigned by the neighboring population.
ln Salvador, the Jesus Yard was chosen as a case sludy
among other Burle Marx's gardens in Bahia because it is lhe fil'st
public space designed by him as well as its innovative laym11 a111l
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
1:011sl rucl ion materiais, ils localion in lhe historie downtown,
righl in fronl of lhe Jesuits Chapei, and aJso in consideration of
lhe discussion it motivated at the time.
ln lhe 191" century, the garden was the center of the social
lifc and its popularity increased when a bronze fountain was built
lo supply water. From 1948 to 1950, Burle Marx emphasized its
polential as a public space by creating a single flower-bed and
a moveable bandstand to ensure the visibility of the religious
monument.
The preservation of the fountain and the use of local surface
materials, such as pebble stones and shells, highlighted the
character ofthe historie site. Today, the garden is mischaracterized
as the original plant species, benches, and construction materials
were replaced, but it continues to be used by popular performers,
sellers, and residents.
The fourth chapter looks at the Cassiano Ribeiro Coutinho
Residence Garden in João Pessoa as a case study due to the
richness ofthe design concerning its extension, zoning, sculptural
elements, and the diversity ofthe vegetation. The study also takes
into account the importance of the residence and the garden as
part of the modem heritage in the state of Paraíba. Both are a
symbol ofthe local modernity and became landmarks in the mid-
201" century.
The residence was designed by the Brazilian architect Acácio
Gil Borsoi whereas Burle Marx's team involved in the garden
design included Fernando Tábora, Julio Cesar Pessolani, John
Stoddart, and Maurício Monte.
They made use of the original vegetation on the lot since it
suggcsted footpaths and contrasts between the shrubby species
30 Jard ins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
111.t 1IH· la·rh;1H·ous 01ws ,111d l ll'lll cd a nursery i11 order lo prodL1ce
111.I H'pln((.' thc planls. Monolilhs anti granilc bcnchcs, pcbblc
1,101H1
<>, waler mirrors, cagcs, playground equipmcnt,and 73 plant
I
'•l'l'l H'S indicalc thc diversity of materiais, uses, and features ofthe
g.utkn.
'Ihc fiflh essay <leais with the Lions Palace Garden in São Luís
ht'l ause il is a result ofa multicultural colonization andit embodies
the social, cultural, and economic changes that the city underwent
during four centuries. The palace and its garden have hosted the
ild 111 inistration of the government of the state ofMaranhão since
l hcy were built.
Dueto the significance ofthe garden, Burle Marx was invited
lo redesign it in 1968 but only conduded the project in 1973.
l lc kept the palm trees supposedly remaining from the 1950s
and added water mirrors, and ponds for herbaceous plants. ln
addition, he exploited contrasting materials, like white pebble
stones and ceramic slabs, and vegetation with different colors and
heights.
ln Fortaleza, the José de Alencar Theater is among the main
cultural assets ofthe early201
1i centuryin Brazil dueto its historical
and architectural importance. The building and its garden are
rooted in the social and culturallife of the city andareoften visited
by residents and tourists. The garden was conceived in 1973 and
redesigned in 1990 by Burle Marx and his partners.
ln the first project, Burle Marx, Haruyoshi Ono, and José
Tabacow created a monumental water mirrar With a luminous
fountain for aquatic plants. In the second project, also developed
by Leonardo de Almeida, the sobriety of the design highlighted
the vegetation and the edectic features of the building through
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 31
an orthogonal tloor, cuncrctc bcnchcs, and abscncc of sculptural
clcmcnls.
1he first design was unknown in the historical literature of
the city and was kept alive in the memories of those people who
visited the theater in the l970s. Therefore, this study is relevant to
discuss the garden restoration in the future.
The Da Costa e Silva Monument Square was the only public
space designed by Burle Marx in Teresina. It was built to honor
the poet Antonio Francisco da Costa e Silva, known as the "water
poet': as a result of the partnership with the architect Acácio Gil
Borsoi from 1975 to 1976. lts main attributes show a deep respect
to the natural resources because the irregular layout ofthe water
mirrar dialogues with the Paraíba River and the carnauba palm
tree is the symbol of the local ecosystem.
Today, the original vegetation is mischaracterized because
new species replaced those specified by Burle Marx but the layout
remains almost unchanged, except for the addition of concrete
footpaths in response to new uses.
ln the city of Natal, Burle Marx developed four projects but
nane of them were built. At present, there is documentation
available concerning the Sand Dunes Park - Coastal Route and
the UFRN Central Library Garden, which is the main subject of
the last chapter.
ln 1976, Burle Marx and his partners, architects Haruyoshi
Ono and José Tabacow, designed a garden for the Central Library
of the Federal University of Rio Grande do Norte, which was a
two-floor modem building.
The plant sculptures made by herbaceous species of the
lropical flora showed a variety ofcolors, textures, and heights that
32 Jardins de Burle Ma rx no Nordeste do Brasil
11111ld ht· upprc.·dakd lro111 both i11kr1or and ~n1 pl!rior lloors. 'lhe
Ir nwil11r layoul oi' thc !lowcr-bcds and thc pchblc stoncs are parl
111 11111 k Marx's design principies alrcady experienced in many
11llll'; g.mlens.
·1hus, cach author chose a specific garden as a case study but
1á11nl il lo other projects in order to broaden the understanding
011 Burle Marx's artistic and botanical background. That was
,, methodological strategy mainly used by the authors from
P(:rnambuco, Bahia, Paraíba, and Rio Grande do Norte based on
thcir prcvious publications.
Moreover, the researchers followed these methodological
slcps: documental survey (by collecting historical sources such as
pictures, drawings, newspapers, and reports, among others), field
survey, interviews, botanical survey regarding the original and
the current plant species, the use of hypothetical sketches, and
comparison ofthe bibliography with the field and archive data.
They also dealt with some specificities concerning the gardens
in the northeastern states. Firstly, the chronological difference
among the projects. Secondly, the current research stage in each
state. Thirdly, the diversity or unavailability of primary sources
and information. Finally, some gardens were only partially built
whereas others were not.
Thisbookisdueto the support ofmanyinstitutionsand people,
to whom the editors are grateful: Sonia Berjman, for signing the
preface; the Burle Marx & Co. Office in Rio de Janeiro, specially
the architects Haruyoshi and Isabela Ono for the photos, drawings
and information ldndly donated; the National Council ofScientific
and Technological Development and other local sponsors, for thc
financial support; the National Historie and Artistic Herilagc
Jardins de Burle 'Marx no Nordeste do Brasil
Institute, which owns the official documcnlalion of thc Jaquc.:ira
Chapel Garden; the seholars Luísa Acioli dos Santos and Juan
David Strada Rincón and Professor Lúcia Veras of the Landscape
Laboratory of the Federal University of Pernambuco; all the
students who eoped with the field survey and the data eollection;
__ _/ the professionals and the technicians who were interviewed and
contributed for the production of the articles.
Besides the effort of documenting Burle Marx's work in the
northeast of Brazil, the authors dealt with its preservation by
registering the current stage of the gardens and discussing their
restoration or the development of the non-built projects. Burle
Marx's gardens dialogue with the natural landscape and its specific
ecosystems as well as the historie urban landscape eharacterized
by colonial, baroque, neoclassical, and eclectic monuments.
In other words, Burle Marx's gardens dialogue with the
traditional urban fabric in the Artur Oscar Square in Recife and
the Jesus Yard in Salvador and the historie buildings such as the
Jaqueira Chapel in Recife, the Lions Palace in São Luís, and the
José de Alencar Theater in Fortaleza. Or, in contrast, they shape
the idea ofmodem heritage itselfwhether related to the Cassiano
Ribeiro Coutinho Residence in João Pessoa and the UFRN Central
Library in Natal or in the Da Costa e Silva Monument Square in
Teresina.
In addition, Burle Marx redesigned the gardens ofthe palatial
buildings of the government of Pernambuco (Princesses Field
Palace, Recife, 1936), Paraíba (Redemption Palace, João Pessoa,
1939), Maranhão (Lions Palace, São Luís, between 1968 and 1973),
Piauí (Karnak Palace, Teresina, 1972) and Alagoas (Marechal
Floriano Peixoto Palace, 1974).
34 jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
1>11t•1o Ihdr crnlogkal and historiu1l signlfiL ;111l L lh1 rk M.11 x's
H•ll d1·11s i11 lhe northc.:asl rc.:gion oí Brazil :-;hould bc a..:knowkdgl·tl
Ili l1:v111g monumcnls in accordancc wilh Lhe worl<lwidc hcrilag1.•
11w;1l.11 ions, chartcrs, and institulions.
'Ihc knowledge on thcm embodies Lhe discussion on l wo
ll' llll iremcnts of thc conlemporary society, that is, thc global
1·~ ological management and the local historie preservation, which
1li is book highlights.
Ana Rita Sá Carneiro.
Aline de Figueirôa Silva.
Joelmir Marques da Silva.
Editors.
Recife, January, 2013.
Jardins de 13urle Marx no Nordeste do Brasil
j
l'IVÇJ ARTUR OSCJlt NO RECIFE:
/MODERNIDADE NO JARDIM DE BURLE MARX
11,11l111ü M;tria Alves da Silva Mafra
Introdução
A Praça Artur Oscar localiza-se no Bairro do Recife, centro
histórico da cidade, resultado de aterros de áreas alagadas. Ainda
110 século 19, era uma área descampada, onde existia o Arco do
Bom Jesus, que demarcava a entrada da antiga cidade (BRAGA,
2000) e estava localizado no fim da Rua do Bom Jesus ou Rua dos
Judeus. No entorno e aproveitando o material de sua demolição,
ocorrida em 10 de maio de 1850 (ARLEGO, 1987), foi erguida
a Torre do Arsenal da Marinha, atual Torre Malakoff, que,
juntamente com o casario, dá forma ao espaço da praça (SILVA,
2010).
A sua construção se deveu à comemoração do término da
Guerra do Paraguai (1865-1870), pois lá se formou o Batalhão dos
Voluntários da Pátria e, por esse motivo, recebeu o nome inicial de
Praça dos Voluntários da Pátria. Anos mais tarde, foi renomeada
de Praça Artur Oscar para homenagear o general Artur Oscar
Andrade Guimarães, que derrotou o movimento revolucionário
de Canudos (1893-1897), como ressaltam Braga (2000) e Silva
(2010). Contudo, dada a presença do edifício do Arsenal da
Marinha, a praça passou a ser também conhecida como Praça do
Arsenal da Marinha.
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil :n
O Bairro do Recife, no inicio <lo século 20, passou por unrn
gra nde reforma urbana, cujo objetivo foi modernizar o centro,
implantando melhorias de infraestrutura. Por ocasião das obras
de reaparelhamento do porto, modificaram-se o traçado urbano e
/
o casario existente. As obras foram iniciadas em 1909 e só foram
concluídas em 1926 (ZANCHETI; LACERDA e MARINHO,
1998).
A reforma do Bairro do Recife contribuiu para a valorização
dos edifícioselotes einstalação de grandescompanhias financeiras,
firmas de comércio exportador e importador, escritórios, bancos
e confeitarias (MOREIRA apud SILVA, 2005). A foto a seguir
captura esse momento de transformação (Fig. 1).
Apesar de não mostrar a praça por inteiro, a figura notifica um
desenho de influência francesa e revela a presença de um obelisco.
Chamado de Monumento Sete de Setembro, foi, segundo Silva
Fig. 1. Praça Artur Oscar, provavelmente durante as obras de reforma do Bairro do
Recife, início do século 20. Edifício do Arsenal da Marinha à esquerda e, ao centro, em
obras, o edifício da firma Western Telegraph. Fonte: Fundação Joaquim Nabuco.
38 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
()O1O), l11n11gurado no governo de Sigismundo Gonçalves ( l904-
1'>0H).110 mesmo tempo cm que a praça foi ajardinada.
1·:m outras fotografias verificou-se que a vegetação implantada
1
1111·nl'IL'rizava-sc por uma cobertura arbustiva, como a taioba
(Alomsia sp.), e rasteira, compondo os canteiros, e por uma
1 orti11n de árvores, a exemplo do oiti-da-praia (Licania tomentosa)
1· do coração-de-negro (Terminalia catappa), amplamente usadas
1rn ;1rborização da época, contornando o espaço.
O aspecto inicial de área de campina foi substituído no início
do século 20 por um projeto com traçado retilíneo, apresentando
caminhos axiais que dividiam a praça em quatro canteiros de
forma triangular, conduzindo os transeuntes para o centro, onde
estava localizado o obelisco.
É possível dizer que a Praça Artur Oscar, nas primeiras
décadas daquele século, encerrava em seu aspecto físico um
projetar que tinha corno horizonte os espaços públicos europeus
e a prática de erguer neles monumentos em homenagem a heróis
e feitos nacionais.
Década de 1930: o moderno na Praça Artur Oscar
No início dos anos 1930, a cidade passou por novas
transformações e, perseguindo o objetivo de modernização do
Recife, o governador Carlos de Lima Cavalcanti (1935-1937) criou
a Diretoria de Arquitetura e Construção da Secretaria de Viação
e Obras Públicas. Sua equipe multidisciplinar era composta por
engenheiros, urbanistas e arquitetos, além do artista Roberto Burle
Marx, que assumiu a chefia do Setor de Parques e Jardins, tendo,
entre suas atrlbuições, a reforma de praças, largos e projetos para
nov9s)ardins.
Dentre os jardins concebidos pelo paisagista figuravam o da
Praça de Casa Forte e o da Praça Euclides da Cunha ou Cactário
da Madalena, além do jardim da Praça Artur Oscar. Pesquisas
e estudos realizados pelo Laboratório da Paisagem/UFPE em
torno da obra paisagística inicial de Roberto Burle Marx revelam
que os três projetos guardam entre si princípios de composição
semelhantes, pontuados ao longo do texto.
Para o paisagista, o jardim deveria semear a alma brasileira e,
assim, cumpriria um papel na história da humanidade. O crítico
de arte Mário Pedrosa revela no texto "A arquitetura paisagística
no Brasil" a preferência pelos "jardins já inscritos nos livros" e
comenta que as flores nativas eram ignoradas e tidas "como mato
brabo" (PEDROSA e AMARAL, 1981, pp. 281-283). Para figurar
nos jardins era preciso observar "uma hierarquia vegetal segundo
as origens das flores e plantas" (PEDROSA e AMARAL, 1981, p.
282). Em seguida, depois de tecer considerações sobre a herança
portuguesa do medo de florestas, observa a originalidade do
jovem paisagista:
Foi então que chegou Burle Marx(...) e acabou com todos
os preconceitos. (...) as plantas nacionais plebeias, como,
por exemplo, os crótons nativos de que temos mais de uma
dúzia de variedades, nos tons mais belos e transparentes,
obtiveram carta de entrada nos novos jardins (PEDROSA
e AMARAL, 1981, p. 283).
Retirando as plantas nativas do ostracismo, Burle Marx
projeta seus três primeiros jardins públicos, destinando, a cada
um, espécies de diferentes regiões fitogeográficas. O jardim
40 Jardins de Burle Marx no l'ordeste do Brasil
d11 l'r.1~.1 At tur Osc.1r ll'V{' 11111 rndtc1 mais i111 i111is111 • nhdgo11
l''ll1't'•1 ll-11 lornb, cm sua maioria da restinga, enqunnlo o J11nllni dn
11
111•I Lu~ lides da Cunha acolheu espécies da caatinga. Casn Jt'orh'
1
lc vi· .1 missao de abrigar a flora de diferenlcs regiões nacionais
i: i11lt•rn,1donais: as plantas aquáticas das íloreslas tropicais,
lm l11i11do espécies da Mata Atlântica, da Floresta Amazônico l'
C'X(11 it as.
Seguindo os ensinamentos da arquitetura moderna, o
poisagista declara que as praças ou os jardins, como foram
designados à época, destinavam-se a cumprir funções na cidade:
proporcionar higiene, educação e arte. Os espaços públicos
L 11mpriam a função higienizadora, pois, quando bem arborizados,
ofereciam sombra para o descanso e o lazer e amenizavam as
alias temperaturas, à medida que equilibravam com sua massa
arbórea a relação entre área construída e espaços vegetados. As
novas espécies vegetais introduzidas nestes três jardins tinham a
finalidade de informar à população sobre a riqueza e diversidade
e.la flora brasileira, cumprindo a função educativa.
Relatos colhidos nos jornais de época indicavam que o uso
da vegetação nos espaços urbanos era feito de forma tímida e
homogênea. Os relatos fazem referência, também, ao uso dos
espaços públicosparaa colocação de monumentos comemorativos
e bustos em homenagem aos heróis da pátria brasileira.
Tratando o jardim como obra de arte, Burle Marx ofereceu
à sociedade a possibilidade de apreciá-los, por justaposição de
diferentes espécies vegetais, cores, texturas, contrastes, além de
introduzir obras do escultor Celso Antônio.
As esculturas especificadas para compor os espaços foram
obras projetadas dentro do tema de cadajardim e não introdu:dd<is
Jardins de Burle ;v1arx no Nordeste do Brasil
para homenagear um feito histórico ou retratar um herói (SILVA,
2010). Assim, para o lago central da Praça de Casa Forte, dedicado
às espécies aquáticas tropicais, Burle Marx especificou uma índia
a se banhar num espelho d'água com ninfeias (Ninphaea sp.) e
a vitória-régia (Victoria amazonica) e, para a Praça Euclides da
Cunha, com vegetação da caatinga, indicou a escultura de um
-hómem de tanga, que retratava um tipo nordestino.
Os princípios de higiene, educação e arte considerados por
Burle Marx ao projetar os jardins eram oriundos do pensamento
que regia a arquitetura moderna (de cunho racionalista e
funcionalista) da escola corbusiana, ao passo que o resgate da
identidade provinha do movimento de arte moderna nacional,
deflagrado com a Semana de Arte Moderna de 1922. O artista
moderno no Brasil tinha um papel "prometeico" de difundir a
consciência de nação, tendo como mote a identidade brasileira
(GONÇALVES, 2007, pp. 17-32), que era cunhada considerando-
se as culturas indígena e africana, além da europeia.
Burle Marx e os intelectuais da época abraçaram essa causa
e, por isso, a flora autóctone e as esculturas de tipos humanos
brasileiros tiveram lugar de destaque nas praças e jardins,
resgatando e valorizando as origens nacionais.
A Praça Artur Oscar, dada a sua localização, funcionava
como uma espécie de antessala para os viajantes que chegavam
ao Recife pelo porto. Em 1936, Burle Marx recebeu do prefeito
João Pereira Borges (1934-1937) a solicitação para reformá-la e
projetou um espaço de convivência e contemplação, estruturado
com uma cortina de vegetação arbórea de grande porte nas
bordas, cujo objetivo era criar sombra, sob as quais dispôs bancos
para descanso (SILVA, 2005).
42 Jardins d e Burle Marx n o Nordeste d o Brasil
1lru gi .1ntk piso pl.1110 de lajol,1s l'l'ju111.1dus urn1 gr1111111
M' t'"ilt·1Hli;1 por loda a úrea da prnça, parn tjUC ns pt'SM>.1.,
p11d)L's1w111 circular livremente (SlLVJ, 2005). A grande lhca
.1ht·
1
1'l.I, tlclimila<la somente pela cortina de <Írvorcs da pcriforln,
I'' 0111ovt•u a integração de todo o entorno (Pigs. 2 a '1). Para o
l l'lll ro, lh1rlc Marx projetou um grande canteiro circular com
10 111et ros <le diâmetro, destinado a abrigar espécies vegetais de
diversos estratos (Figs. 2 a 4).
Fig. 2. Praça Artur Oscar, 19 de junho de 1942, foto
de JCRC (José Césio Rigueira Costa). Fonte: Museu da
Cidade do Recife.
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
I
/
Analisando os desenhos de Burle Marx (Figs. 4 e 5) e seus
pronunciamentos publicados nos jornais "Diario da Manhã" e
"Diario da Tarde", é possível afirmar que o paisagista adotou os
mesmos princípios de composição que embasaram os projetos
das praças de Casa Forte e Euclides da Cunha (SILVA, 2005;
MAFRA, 2007). Os espaços dos três jardins são circundados por
uma cortina de vegetação de porte arbóreo e o centro ocupado
com vegetação arbustiva e rasteira.
Comessestrês projetos, Burle Marxproporcionou à população
a oportunidade de vivenciar sensações antes desconhecidas
perante arranjos vegetais. Houve quem reprovasse e quem
aplaudisse. Causou espanto e admiração a ousadia de um artista
que, vendo mais longe, propôs uma mudança no paisagismo
brasileiro, dando ênfase àvegetação autóctone.
44
Fig. 3. Praça Artur Oscar, detalhe do canteiro central
com as árvores do entorno, foto de Alexandre Berzin.
Fonte: Museu da Cidade do Recife.
jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
Apt•s,11 dt' lh11 ll· M.11 x l11dil.1r a vcgl'hl,IO pa1.1 oi. jardl11i.; cll•
e'.1s.1 Fo1 lc e ll1didcs da e:unha, 11ao h; registros da wgl·l.t110
l'~u1lhida para a Praça Artur Oscar. Contudo, segundo Jodml1
I
Silv.11
, biólogo e pesquisador e.lo Laboratório da Paisagcm/UFl'E,
unn base no desenho em perspectiva deixado pelo paisagista l '
cm algumas fotografias, foi possível verificar que Burle M.11 x
LOIKcnlrou esforços na implantação do canteiro cenlral, ao passo
que, para o perímetro externo do jardim, ele aproveitou as árvort•,-.
existentes, acrescentando outras de mesma tipologia.
Fig. 4. Desenho de Burle Marx para a Praça Artur Oscar, 1935.
Fonte: Escritório Burle Marx & Cia. Ltda.
No canteiro da Praça Artur Oscar, Burle Marx empregou
espécies "arbustivas e herbáceas que faziam parte do ambiente
da restinga e/ou suportavam a salinidade do ar'', destaca Jocl111i1
l Entrevista realizada em 8 de maio de 2012.
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
)
Sllv.1. E esdnn:cc oindu que, diante dos deLalhcs cfo n10rfologi<1
t'xterna da vegetação, muito bem detalhada nos seus <lcscnbos,
se pode alcançar "a classificação taxonômica dos espécimes" que
compuseram o canteiro central (Tabela 1). Complementando a
análise, Joelmir Silva diz que a vegetação proposta pelo paisagista
Lhama mais atenção pela:
Morfologia externa das folhas (dos mais variados tons
de verde), dos caules e das inflorescências. As flores
destacavam-se na composição por se apresentarem
formando pendões e não pela diversidade de cores, onde
havia a predominância do branco.
Para o pesquisador, "a vegetação se assemelha a de dois outros
projetos do paisagista análogos à Praça Artur Oscar, o jardim da
Praça Dezessete e o do Largo das Cinco Pontas", localizados na
mesma área da cidade.
Tabela 1: Composição florística da Praça Artur Oscar
identificada a partir do desenho de Burle Marx, 1935.
Nome científico Nome popular
Jgave attenuata Salm-Dyck Agave-dragão
!loe barbadensis Mill. Aloe
!loe vera (L.) Burm. f. Aloe-vera
Caladium sp. Caládio
Cfusiafiuminensis Planch. & Triana Clúsia
Sansevieria trifasciata Prain Espada-de-são-jorge
Yucca elephantipes var. ghiesbreghtii Molon Yuca
l'onte: )oelrnir Marques da Silva, 2012.
Jardins d e [{urle Marx no Nordeste do Brasil
<>11 dl'Sl'l1hos ddxt11Jo11 1m1 Hul'le Marx indicam que o Lrnçado
dn Pr.1~·a /rllir Oscar é o passo que antecede a elaboração de
11111 l!os 111ais rcpresenlali.vos projetos do paisagista, o Jardim
do Ministério da Educação e Saúde (MES), no final da década
d1.• 1930 (MAFRA, 2007). Tal constatação pode ser percebida ao
Sl' observarem cuidadosa e paralelamente as Figuras 5 e 6. Na
Pigura 5, as hachuras indicando o arranjo das espécies vegetais do
canteiro central projetado para a Praça Artur Oscar se espraiam
e ganham o espaço no jardim suspenso do MES, como mostra a
Figura 6.
Ressalta-se que a atuação de Burle Marx no Recife promove
uma reflexão sobre os princípios que regem a criação de um
jardim e o contexto artístico nacional e internacional que influem
e
Fig. 5. Canteiro central da Praça Artur Oscar (hachura). Fonte: Mafra,
2007, a partir do projeto original de Burle Marx pertencente ao
Escritório Burle Marx & Cia. Ltda.
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
Fig. 6. Jardim do MES, atual Palácio Gustavo Capancma. O visitante
anda entre os arranjos de plantas, dispostos em canteiros de formato
ameboide. Fonte: Flcming, 1996.
na manifestação paisagística. Ele também dá início a uma
sistematização de procedimentos para a criação e manutenção
de jardins urbanos. O projeto da Praça de Casa Forte deixa
isso bem claro, à medida que traz a relação das plantas a serem
utilizadas, cortes do perfil da vegetação e detalhes arquitetônicos
dos canteiros e espelhos d'água.
Além da sistematização de procedimentos, Burle Marx
instituiu outra prática, que Dourado (2009, p. 208) aponta como a
mais árdua: a coleta de espécies vegetais nas regiões próximas, já
que "os viveiristas não se interessavam por essas plantas': Apesar
de tantos avanços, o jardim da Praça Artur Oscar, concluído em
1936, se manteve somente até o final da década seguinte. Em 1948,
a Marinha Brasileira homenageou o seu patrono retirando toda a
vegetação do canteiro central e colocando em seu lugar o busto
do almirante Joaquim Marques Lisboa (Fig. 7), o Marquês de
Tamandaré, herói da Guerra do Paraguai (BRAGA, 2000).
48 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
Fig. 7. Praça Artur Oscar, 1951. À esquerda, em segundo plano, vê-se o
busto do almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês deTamandaré.
Fonte: Museu da Cidade do Recife.
Da década de 1960 aos dias atuais
Como foi dito anteriormente, a reforma do Bairro do Recife,
realizada no início do século 20, trouxe comércio e serviços
voltados para consumidores de alto poder aquisitivo, práticas que
não se consolidaram. Ao mesmo tempo, as atividades do porto e
a população de trabalhadores ligados à carga e descarga geravam
demanda de comércio e serviços para o consumo de baixo poder
aquisitivo.
As atividades portuárias se consolidaram na década de 1960
com a construção de grandes armazéns, do terminal açucareiro
e do parque de tancagem. À época, ruas foram incorporadas ao
pátio de manobra dos caminhões e trens. O bairro perdeu prestígio
jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
e imóveis ociosos foram ocu.pados por cortiços, prnslfbu los e
bares. Na década de 1970, repartições públicas se instalaram
numa área de aterro que foi destinada a um parque metropolitano
(ZANCHETI, LACERDA e MARINHO, 1998).
No ano de 1975, a Praça Artur Oscar, palco de tantas
comemorações, encontrava-se abandonada. A área que Burle
Marx havia destinado ao convívio e à contemplação quatro décadas
atrás era ocupada pelos automóveis, servindo de estacionamento
para funcionários de órgãos militares das imediações. Os bancos
desenhados pelo paisagista, que emolduravam os troncos das
árvores, foram retirados e o canteiro central, ponto focal da
composição e ocupado em 1948 com o busto do Marquês de
Tamandaré, servia de abrigo para cachorros. Ante tal degradação,
o espaço foi reformado pela Prefeitura do Recife na gestão de
Augusto Lucena (1971-1975), que instalou, em 1973, a Empresa
de Urbanização do Recife (URB).
Em 1975, com o objetivo de reparar a praça, a Prefeitura
Municipal realizou uma intervenção. Um dos elementos do
projeto foi um grande banco de concreto, que circundava toda a
praça coma intenção de impediro acesso de automóveis.2
Partindo
do banco, em aclive, criou-se uma área gramada, com grade,
que elevou a cota de todo o interior da praça. No canteiro com
vegetação de restinga, projetado por Burle Marx, foi colocado um
piso de pedra e foram plantadas palmeiras-imperiais (Roystonea
oleracea), dispostas em círculo, delimitando uma área destinada
ao estar que poderia ser alcançada por um único acesso.
2 Relato obtido em entrevista realizada em 6 de março de 2012 com a arquiteta Inês
Mendonça de Oliveira.
50 far<lins de Burle Marx no Nordeste do Brasil

A.~ p.illlll'irns iinpt•r111111 lm.1111 l'Srnlhidus porqlll', l'l11 s111
l.1M' .u.lulta, se dcsl;1tari;im pelo l ontrnste com a allul'll tl.1
v{w·1 a ~ ao arbórea já existente e con!Cririam ao espaço aspet lo dt•
1111po11ência, à semelhança de outros jardins da cidade.
Além das palmeiras, foi criado um bosque de casua1 i11;1s
((:a....wir;na littorea) com mudas de grande porte, encontradas
l' lll abundância na sementeira da Prefeitura. A vegctaçüo do
perímetro, composta por oiti-da-praia (Licania tome11losr1) l'
coração-de-negro (Terminalia catappa), foi recuperada e arranjos
de primavera (Bougainvillea spectabilis) complementavam o
projeto, conferindo cor ao conjunto.
Com esta configuração que visou ocupar o interior da pra,a
com gramados e outras espécies, a integração visual e física do
entorno, presente no projeto de Burle Marx, foi alterada. 1~ o
centro, apesar de ser marcado por palmeiras-imperiais e expor
o busto do Marquês de Tamandaré, deixou de ser o ponto de
convergência dos transeuntes, à medida que os percursos e os
espaços de convívio foram concentrados ao longo do perímetro.
Desde a década de 1980, a praça é palco de eventos musicais
e festas populares, principalmente durante o carnaval, sendo
frequentada nos finais de semana p or causa do funcionamento da
feira de artesanato da Rua do Bom Jesus. Em 1988, foi acrescenlado
um acesso ao centro e ao longo do perímetro dispuseram se
bancos de estilo veneziano e jarros acompanhando a linha ck
palmeiras-imperiais (Fig. 8).
No início da década de 1990, foi elaborado o Plano de
Revitalização do Bairro do Recife, que teve como meta principal
"aumentar a oferta de serviços de interesse turístico" com o apoio
do Governo do Estado de Pernambuco (ZANCHETI, LACERI )/
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 51
e MARINHO, 1998). Desde enlão, cm períodos de pouca ou
muita efervescência, bares, restaurantes e equipamentos culturais
foram aos poucos instalados no bairro.
Fig. 8. Praça Artur Oscar, planta baixa do projeto de intervenção, 1988.
Fonte: Acervo de Inês Mendonça de Oliveira.
Entre 2001 e 2002, durante a primeira gestão do prefeito João
Paulo Lima e Silva (2001-2004), investiu-se na instalação de fontes
ou esguichos em alguns espaços públicos da cidade: o Açude de
Apipucos, a Praça Dr. Lula Cabral de Melo ou do Parnamirim, a
Praça Parque Amorim e também a Praça Artur Oscar. O modelo
escolhido para a Praça Artur Oscar ocupou a área central e,
por suas características de forma, altura e diâmetro, acabou
eliminando a área de convívio criada em 1988 com os ajustes ao
projeto de 1975. Com a colocação da fonte, o busto do Marquês
52 Jard ins de Bu rle Marx no Nordeste do Brasil
ili• T11111.1111l11rt· f(1i ~il-s lorndo pnrn um dos rn11los tio nn111111do 1
p1• 111~· 11 di:<.;ltltJll<.'.
Considerações finais
No in ício do século 20, por ocasião das reformas e mdhorius
j,•11as no Bairro do Recife, a Praça Artur Oscar, palco de
1ll 0111l'cimentos ehomenagens,foi ajardinada e seu projeto seguiu
os moldes de jardins europeus.
/ mudança ocorreu com a chegada de Burle Marx ao Recife.o.
qm•inovou defendendo a relevânciado jardim e do seupapel como
l':-.paço público, com o propósito de difundir a origem brasileira
l'lll ações atreladas a um contexto de efervescência cultural. 1,
.li nda, chamou atenção para o uso, sistematizou procedimentos
de elaboração e conservação de espaços vegetados. Contudo,
o projeto implantado em 1975 procurou atuar no controle cio
uso do espaço público e as questões levantadas por Burle Marx,
desconhecidas, não foram resgatadas à época.
A trajetória da Praça Artur Oscar está diretamente ligada :'t
história da arte do paisagismo no Brasil. Com a atuação de Burle
Marx no Recife, os ideais modernistas de retorno às origens e
afirmação da identidade nacional foram elaborados e revelados
por meio dos jardins. Num gesto de ousadia e compromisso com
valores da época, Burle Marx expôs à sociedade os variados lipos,
formas, cores e texturas dos vegetais. As plantas, principalmcnll'
as autóctones, assumiram lugar de destaque e figuravam como
elemento principal dos jardins. E a modernidade do jardim
brasileiro iniciou-se com a criação das praças de Casa Forte l'
Euclides da Cunha, juntamente com a Praça Artur Oscar.
Jardins de Burle Marx no Nordeste d o Brasil
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54 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
/f:11·:aclcclmc11los
l ·1111d 11c_~w Jonquim Nabuco (l;UNDAJ) e Museu da Cidade do Recife.
l1mli11s de Burle Marx: no Nordeste do Brasil
- -...........
OJAIU>IM OI CAPEI.A DA JAQUEIRA:
IJMMONUMENTO PRESERVADO
PO1 BURLE MARX NO RECIFE
J11.i Rita Sá Carneiro
lllru· de Figueirôa Silva
Jo1•l111ir Marques da Silva
Introdução
O Jardim da Capela da Jaqueira é um jardim de contemplação
de um monumento arquitetônico1, atualmente localizado dentro
de um parque urbano, portanto, ligado às necessidades recreativas
dos usuários. Na década de 1950,a Capela da Jaqueira encontrava-
se em estado de abandono e deterioração, motivo pelo qual a
então Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(DPHAN), hoje IPHAN2
, solicitou ao paisagista Roberto Burle
Marx um projeto para a construção de um jardim no entorno do
pequeno templo, de modo a preservá-lo e valorizá-lo.
Sua implantação ocorreu provavelmente em 1953, em uma
área de 14.000 m
2
, conforme a planta baixa do projeto original.
1 A Capela ou Igreja de Nossa Sen hora da Conceição da Jaqueira é um monumento nacional,
segundo inscrição nº 160 no Livro de Tombo das Belas Artes, folha 28, em 7 de julho de 1938,
do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
2 Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), d e L937 a 1946; Diretoria do
Patrin1ônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), de 1946 a 1970; Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), de 1970 a 1979; Secretaria do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional (SPHAN), de 1979 a 1990; Instituto Brasileiro do Patrimônio Culturnl
(IBPC), de 1990 a 1994; Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional {IPHAN), 11
partir de 1994 (PESSÔA. 2004, p. 11).
Jardins de Burle M arx no Nordeste do Brasil
Mas, hoje, encontra-se inserido no Parque da JaqLtcira, que, ao
todo, dispõe de 70.000 m2
e está localizado no bairro homônimo,
na zona norte do Recife.
O projeto de Burle Marx concretizou o que foi almejado
pelo arquiteto Lúcio Costa em 1951, à época chefe da Divisão de
Estudos e Tomb~ntos (DET) da DPHAN, isto é, a utilização
da vegetação para enaltecer a capela. Já em 1956, este projeto
foi mencionado pelo historiador Henrique Mindlin como obra
relevante da arquitetura moderna no Brasil. Na década de 1980,
compareceu em Motta (1983, p. 84), ao afirmar que "a simplicidade
de um jardim transformou um terreno baldio em local aprazível",
e, segundo Laurence Fleming (1996), foi um dos mais gratificantes
projetos para o paisagista.
Embora referido na bibliografia especializada como "Garden
for Jaqueira Chapei" (MINDLIN, 1956), "Garden of Jaquera
Chapei" (BARDI, 1964), ''Adro ajardinado da Capela da Conceição
da Jaqueira" (GONÇALVES, 1997) ou "Praça Nossa Senhora da
Conceição da Jaqueira" (LEENHARDT, 2000), o projeto assinado
por Burle Marx compreende um jardim no entorno da capela
e um extenso parque para a recreação da população do Recife.3
Àquela época, a capital pernambucana ultrapassava meio milhão
de habitantes e dispunha unicamente do Parque 13 de Maio,
planejado desde o século 19 e apenas concretizado em 1939.
O projeto de Burle Marx para a Jaqueira é possivelmente um
dos primeiros parques urbanos projetados segundo princípios
do modernismo brasileiro, inaugurando uma nova concepção
3 O projeto de Burle Marx, intitulado Jardim paraa Capela da )aqueira, em escala 1:200,
pertence ao acervo da Superintendência do IPHAN em Pernambuco, com sede no
Recife.
58 fardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
de• p.ll'<llll' púhlko nn eid.HIL· do Recife cm uma :n•a ljllC j~ c1 a
ui il1z,1da para campeonatos de futebol e, portanlo, propensa às
p1 .t itas recreativas. Esta proposta adquire relevo na história do
I
p<ll!-.ilgismo de Pernambuco e do Nordeste por contemplar um
novo programa de recreação urbana na perspectiva dos usuários
do espaço verde e público e, ao mesmo tempo, um jardim
umtcmplativo de dimensões modestas visando à preservação de
um monumento colonial.
Por volta de 1936, como chefe do Setor de Parques e Jardins
do Departamento de Arquitetura e Urbanismo do Governo de
Pernambuco, Burle Marx já havia projetado a reforma da Praça
Pinto Damaso, no bairro da Várzea, prevendo "uma grande área
pavimentada, um coreto, um pergolado, um lago central com
fonte, dois playgrounds (parques infantis), arborização e bancos
de granito sem encosto, com o aproveitamento de árvores e
palmeiras já crescidas" (SILVA, 2010, pp. 192-193). Este projeto,
caso tivesse sido realizado, teria dotado o tradicional subúrbio
da Várzea de um dos primeiros jardins públicos com área para
recreação infantil no Recife.
Tais preocupações recuam à década de 1920, quando o
Governo de Pernambuco desenvolveu, em 1923, um amplo
projeto, não implantado, para o Parque 13 de Maio no Recife, com
área para prática de esportes, recreação infantil, quadra de tênis e
rinque de patinação (SÁ CARNEIRO, 2010, pp. 90-92). O Parque
13 de Maio, inaugurado em 1939, privilegiou fontes nos lagos e
espaços de contemplação.
A implantação de playgrounds ou parques infantis em praças
e colégios do Recife sinaliza a ênfase na recreação infantil durante
a gestão de Pelópidas Silveira, que chefiou a Prefeitura do Recife
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 59
enlrc 1955 e 1959 (PONTUAL, 2001). A propósito, no furnl da
década de 1950, dois projetos paisagísticos foram concebidos
por Roberto Burle Marx a convite do prefeito Pelópidas Silveira:
a Praça Ministro Salgado Filho (1957) - jardim de entrada da
estação de passageiros do Aeroporto dos Guararapes - e a Praça
Faria Neves (1958), no bairro suburbano de Dois Irmãos.
Neste sentido, embora não tenha sido inteiramente
implantado, o projeto de Burle Marx para o entorno da Capela
da Jaqueira cristaliza demandas sociais pretéritas e vincula-
se a realizações futuras. Por um lado, representa a retomada
de princípios paisagísticos moldados desde meados da década
de 1930. E, por outro, em razão do seu caráter contemplativo e
recreativo, antecipa-se a práticas urbanísticas do final da década
de 1950 na história da cidade do Recife. Articula dois períodos
significativos da produção de jardins públicos em Pernambuco e,
apesar dos lapsos temporais, coloca-se como uma mediação da
atuação do paisagista na capital pernambucana.
Aorigem do jardim
As origens do bairro da Jaqueira remontam ao século 17,
quando, em 1633, suas terras foram palco de um combate entre
as forças comandadas por Felipe Camarão e os holandeses, na
sua tentativa frustrada de tomar o Forte do Arraial do Bom Jesus,
em Casa Amarela. Em 1766, o capitão Henrique Martins, então
proprietário do sítio, construiu uma capela sob a invocação de
Nossa Senhora da Conceição de Ponte d'Uchôa (SÁ CARNEIRO
e MESQUITA, 2000). Seu nome foi mudado pela população, que
60 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
pw;i;ou ,, lhl' chamar de C<1pt:lt1 de Nossa Senhora da Conceição da
)111111t•irn cm alusão às frondosas árvores que a circundavam.
Antes de ser jardim e, posteriormente, parque, esse espaço
~ 0tllit·c..eu um período de abandono que ameaçou a permanência
d.t capela. Durante vários anos, sediou o Campeonato
11<.·rnambucano de Futebol e a Feira do Comércio e Indústria de
Pernambuco (FECIN), um dos maiores eventos anuais da cidade
(SÁ CARNEIRO e MESQUITA, 2000).
A capela está entre os primeiros tombamentos efetuados pelo
então SPHAN em 1938, quando da seleção dos monumentos que
iriam compor os bens do patrimônio histórico e artístico nacional,
condição imputada a cidades remanescentes do período colonial e
a diversas edificações de cunho religioso, priorizadas, sobretudo,
por seu valor artístico.
Nadécadade 1940,a capelafoialvodesaquesearrombamentos,
como sinaliza a correspondência entre o diretor geral da DPHAN,
Rodrigo Melo Franco de Andrade, e o engenheiro Ayrton
Carvalho, então chefe do 1° Distrito da instituição. Consta no
Ofício nº 122/51, expedido pelo chefe do 1° Distrito em 22 de
maio de 1951 e intitulado "Ainda sobre o assunto da Jaqueira":
Snr. Diretor Geral, encaminhamos a Va. Sa., anexo ao
presente, um recorte do "Diário da Noite'; reportagem
do jornalista Dias da Silva, sobre o saque da Capela da
Jaqueira. Queremos comunicar ainda que conseguimos
com o nosso amigo Edgar Amorim, agora à frente
da Diretoria de Obras Municipais fosse efetuada a
capinagem em tôrno da Capela, o que está sendo
realizado. Outrossim, temos a promessa, do referido
Diretor de Obras, da execução do ajardinamento da
área circundante, na condição da DPHAN projetar e
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil <> l
executar o j.1rdirn. Nl·st.1oporl11111dildl', 111for111.111H>s, 1•,(,
sendo feito o plano de ajardinamento pdo t'Sludantc dl·
arquitetura Adricn Kiss, ora entre nós e que se mosl'"
interessado pelo assunto. Logo esteja concluido o projeto.
teremos a satisfação de encaminhá-lo a Va. Sa., para o
devido julgamento, antes de entregá-lo à Municipalidade
para a sua realização. Atenciosamente, Ayrton Carvalho,
Chefe do 1° Distº. da D.P.H.A.N.
Portanto, em 1951, devido aos atos de vandalismo praticados
contra a Capela da Jaqueira, a DPHAN decidiu implantar um
jardim em seu entorno, que, conforme entendimentos mantidos
com a Municipalidade, seria projetado e executado pela Diretoria
~- -- de Patrimônio. Como relata o referido ofício, o estudante de
arquitetura Adrien Kiss estava desenvolvendo um projeto
paisagístico a título de colaboração com a DPHAN.
Foi localizada no acervo da Superintendência do IPHAN
em Pernambuco uma planta, em escala 1:200, denominada
''.Ajardinamento em torno da Capela da Taqueira': sem data e
assinatura. É bastante provável que esse projeto seja de autoria
do estudante de arquitetura Adrien Kiss, segundo confrontação
com a correspondência interna da DPHAN de 1951. Através do
Ofício nº 137/51, de 7 de junho de 1951, remetido a Rodrigo
Melo Franco de Andrade, Ayrton Carvalho submete o projeto do
estudante Adrien Kiss à apreciação superior.
62
Com o nosso Of. nº 122/Sl, de 22/05/51,comunicávamos
a Va. Sa. que havíamos tido a promessa da Diretoria de
Obras Municipais do Recife, de fazer o ajardinamento
das áreas circundantes da Igreja de N. Sa. da Conceição
das Barreiras (sic), caso nos comprometêssemos a
projetar e executar o jardim. Aproveitando a estada no
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
llt ,1 11111do1·~t11d,111(1• d1 ,11q11lkl111.1 Jd iltll li'.'•' n 'il i!
i111l' H'%t' dt' t<>l,lhCll ,11 tOll0,10 110 .l'llll(O, IOll li'fllillHl h
qul' hn''M' o prOJl'lo de ·•J.11d111.1111l'11l11 q111· 111 .1 1 (,111111
1l·nwt;:ndo ,1 essa l)ircc,ao <;l'1,il, P•ll a ljlll' .,1111 .1, '"'~
~t·cçocs téuiicas o meretido estudo l' rt'll"h<l, dq1111s, 1111
nao, a aprovaçao exigida. () referido prn1cto (• 11111111111>"º
e poderá servir-nos bem. Caso aprovado, cr11..cl.111·1110'
de novo os cnlcndimcnlos da (sic) Diretoria de Olir.1
Municipais, para a sua breve execução. Üsle J>isl1110,
nesta oportunidade,sente-se obrigado a elogiar o l'spfr ito
de trabalho e de colaboração do Snr. Adricn, a cuja lw;1
vontade e capacidade profissional, devemos o Lr;1l;ill10
técnico agora remetido. Sem outro assunto no rnomcnlo,
aguardando a deliberação superior sôbre o assunto.
firmamo-nos. Anexo: l Projeto de ajardinamcnlo d.1
area em tôrno da Capela da Jaqueira, no Rccifr. 1'1·
Atenciosamente, Ayrton Carvalho, Chefe <lo 1° Disl". d.1
D.P.H.A.N.
Apesar de seu destacado espírito de cooperação, o projeto de
ajardinamento do estudante Adrien Kiss não foi aprovado. Por
isso, na Informação nº 124, de 22 de junho de 1951, o arquit:clo
José Souza Reis, chefe da Secção de Projetos, sugeriu uma consulta
ao paisagista Roberto Burle Marx e submeteu seu curto parecer
ao responsável pela Diretoria de Conservação e Restauro (DCR),
Renato Soeiro, que, por sua vez, o encaminhou ao arquiteto Lúcio
Costa, o qual emitiu o seguinte juízo:
Capela da Jaqueira (ajardinamento): Estou inteiramenll'
de acôrdo com o parecer do arquiteto José Souza Rci11.
1° Porque a intenção de compor um jardim elahor;1do
segundo os principias pictoricos e plasticos apliLadm
com exito à jardinagem pelo pintor Roberto Burle Mnr x,
resultou apenas, no caso em apreço, em manifcsta,.10
Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
de falso modernismo, ou seja, 110 arrcrncdo, sem prl'vlo
aprendizado e assimilação das leis que dão si.:nlido c
coerência formal, da artepaizagistica tal comopassou aser
compreendida e praticada depois da fecunda intervenção
do pintor Burle Marx, que pode ser considerado, sem
favor, o Le Notre do século XX. Ora, é indispensável o
artista identificar-se, primeiro, com a técnica de compor
dos pintores e escultores da velha-guarda contemporanea,
para então poder aplicar com proveito a lição desses
mestres ao material vivo de flora, sem o que se perderá
no emaranhado de curvas e contra-curvas artificiais,
dispostas arbitrariamente e destituídas de unidade
plastica e significação. 2° Porque semelhante concepção,
visando de preferência a composição de conjuntos de
sentido deliberadamente ornamental, não se deve aplicar
no caso, senão na forma parcial ou complementar, com
a finalidade de guarnecer determinadas partes da area
interessada, tais, por exemplo, o oitão desaigetado da
capela e a sua empena posterior, ou de um modo geral,
algunsdossetoresdo amploperímetro ajardinado; nomais
deveria prevalecer o proposito de agrupar arborisaçâo de
porte, disposta com naturalidade e visando sabiamente
a criação de zonas densas de sombra, entremeadas de
areas peneiradas de luz e clareiras de sol, sobre chão de
terra-batida com gramado contínuo - grama para pisar
- com bancos simples de encosto resguardados ou não,
conforme o caso, por vegetação de menor porte e variada
floração. Lucio Costa.
É possívelperceberasensibilidade deLúcioCostainterpretando
o projeto em questão como um simples traçado artificial sem
expressão artística, comparado à precisão dos "princípios
pictóricos e plásticos" que o artista Burle Marx já incorporava
na arte do paisagismo. O arquitelo descreveu como deveria ser o
64 Jnrdi11s de Burle Marx no Nordeste do Brasil
I'' 11lt'lo 11111'1 l'SSL' Ju1 dl111 , 1111 ~111.11 n Yl'gl'in~·i o n:ssnl1:1ria 11 11411111.iN
vl'ltm•1' 11 l11·hmi:.wçüo dl..' porlc L'SLal"ill  lisposln com 1rnl11rn lld11tk':
111j ~t·jo, 1)rivi lcgíando zonas de sombra e luz sobre um grnm11do
11;111f1H10. Sua scnsibilldade é tamanha que menciona dctnllH's
111 Nt' 1·dcrir aos bancos de encosto tendo ao lado "vcgclaç:10 dL'
111t'1H>1 porte e variada floração''. A tais observações Burle Marx
p.1n'í. L' ler respondido com seu projeto. Após emissão do pal'L'U'I'
dt• Lúcio Costa, Rodrigo Melo Franco de Andrade expôs a Ayrton
<:.1rvalho no Ofício nº 917/51, de 29 de junho de 1951, que:
Embora sensibilizado com a desinteressad;i e rll1lVl'I
colaboração do Sr. Adrien Kiss, deliberei arquivnr o
referido projeto e solicitar um substitutivo ao paisagisl.1
Roberto Burle Marx, de acôrdo com o pronuncialllL'lllo
daquelas Divisões. Atenciosos cumprimentos. Rodrigo
M. F. de Andrade. Diretor.
Portanto, é provável que o desenvolvimento do projeto
de Roberto Burle Marx tenha ocorrido em 1951, apesar da
divergência de datas apontadas por alguns autores, como Mindlin
(1956) e Bardi (1964), que sugerem o ano de 1954, e Motta (1983),
Gonçalves (1997) e Leenhardt (2000), que indicam 1951. As obras
de execução, segundo o Ofício nº 113/53, de 12 de junho de 1953,
leriam ocorrido nesse ano.
Temos a grata satisfação de comunicar a Va. Sa. que 11
Municipalidade do Recife já deu início aos trabalh o~ tk
ajardinamento do terreno circundante da Capelh1 hn da
Jaqueira, nesta Capital. O projeto de ajardinamento é de
autoria de Roberto Burle Max (sic), que, a pedido dcss:1
Diretoria o elaborou. Permita-nos Va. Sa. afirmar-lhe qut·
fazemos essa comunicação com muita alegria, pelo foto dt·
vermos, agora, quase concretizada, velha aspiração Mslt'
Jardins de Burle 1.farx no Nordeste do Brasil
____/
Distrito, qual scj<1 a d1: cons1:rvar mui~ vigliíd11 e llll'lhul'
protegida, dos seus inimigoscriminosos, a lincl:i CapcJi11 llll.
Sem outro assunto, firmamo-nos, atenciosamente, Ayrlo11
Carvalho, Chefe do 1° Distº. da D.PH.A.N.
Considerando a escassez de registros documentais, é difícil
indicar até que ponto este projeto, mais mencionado do que
suficientemente estudado, foi executado, bem como afirmar com
precisão o ano de conclusão das obras.4
A iconografia disponível
mostra o banco ondulado, as palmeiras-reais (Roystonea regia)
indicadas no projeto eas árvores existentes atendendo à orientação
do paisagista.
O governador de Pernambuco entre 12 de dezembro de 1952
e 31 de janeiro de 1955, Etelvino Lins de Albuquerque, destacou,
na seção "Parques e Jardins" do discurso de encerramento de sua
administração, a criação da "Praça da Jaqueirá: referindo-se ao
jardim no entorno da capela:
Cujo interêsse e importância artística e histórica são de
todos conhecidos. O jardim da Jaqueira, cujo projeto foi
uma gentileza do famoso arquiteto Burle Marx, através do
engenheiro Airton Carvalho, do serviço do Patrimônio
Artístico e Histórico Nacional, aí está, valorizando 0
antigo e pitoresco templo, admirado de todos, louvado pela
originalidade de seu desenho e apreciado pelo equilíbrio
de seus elementos intrigantes, desde as massas de árvores
aos originais bancos ali construídos (LINS, 1955, p. 134).
4 Foram consultados os jornais "Diario de Pernambuco" (fevereiro a maio de 1953 e
setem~ro a outubro de 1953) e "Jornal do Commercio" (agosto a outubro de 1953),
mas nao foram encontrados registros sobre o projeto nem referência à inauguração
da obra.
66 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
) 10·0Jolo de Hurlc Marx
A t•x 1wrl~t1dt1 <.k Burle Marx no Recife, de J935 <1 1937, foi
d1•1l~1v,1 par:1 a criação do jardim artístico moderno como um
1111v11 gw•to que parte da paisagem existente. Esse gesto vem <fr
1111.11 u1 iosidaclc no campo da botânica, escolhendo a planta como
111l1h 1p:ll elemento e ponto de partida do projeto paisagístico l'
ldrntlfinmclo aquelas mais representativas das regiões Norte e
Noi <kste elo Brasil. Assim, ele expressou essa primeira fase d.e sua
111rrc.·ira. Sua atuação no Recife o levou a elaborar projetos para o
vl1.i11ho estado da Paraíba, ao mesmo tempo em que se fixava no
11.in de Janeiro.
Em 1940,após o projeto do Jardim do Ministério da Educação
,. Saúde, elaborou os jardins do complexo da Pampulha em Belo
1lorizonte, à beira de um lago artificial, unindo uma capela com
painéis de Portinari, um iate clube, um cassino e um restaurante,
concebidos pelo arquiteto Oscar Niemeyer (FLEMING, 1996). De
uma paisagem de características físicas especiais nasceram jardins
coloridos de formas curvas e irregulares, permeados por espécies
arbóreas nativas para emoldurar a arquitetura moderna.
É um período, portanto, de grande efusão na criação de
jardins, no propósito de trazer o embelezamento, o saneamento e
a recreação urbana. Por essa época, Burle Marx preparava-se para
formalizar a sociedade com os arquitetos John Stoddart, Fernando
Tábora, Maurício Monte e Julio Cesar Pessolani em Caracas.
No início da década de 1950, a Capela de Nossa Senhora da
Conceição da Jaqueira, situada numa área bastante arborizada,
quase margeando o Rio Capibaribe, encontrava-se em estado de
conservação precário, praticamente inativa e pouco valorizada
Jardins de B LLrle Marx no Nordeste do Bras il 67
na paisagem. O espaço livre que se cslcndia além do seu entorno
compreendia aproximadamente 70.000 m2
, era utilizado para a
prática de futebol, contendo mais de um campo instalado pelos
próprios frequentadores, e sediava feiras e campeonatos.
O projeto "Jardim para a Capela da Jaqueira': elaborado por
Burle Marx, não contém data e corresponde à planta baixa com a
lista de vegetação que seria utilizada e alegenda de umplayground,
detalhes construtivos do banco e da rampa de concreto (Fig. 1).
A intenção principal de Burle Marx foi focar o monumento
histórico em primeiro plano e oferecer equipamentos para
/ atividades recreativas, que, juntos, foram denominados pelo
próprio paisagista de playground, revelando o caráter esportivo
do local. Na sua concepção, as duas partes propostas estão
interligadas por um banco de concreto com curvas regulares como
uma serpentina, que se apresenta logo após a superfície gramada
de caráter contemplativo. O banco ondulado se relaciona com o
desenho barroco dacapela, combinado com o plantio de vegetação
arbórea. Flávio Motta {1983) assim se reporta à integração entre a
intervenção de Burle Marx e o monumento colonial:
Junto a um exemplar significativo da arquitetura religiosa
brasileira do século XVIII, um grande banco, de moderno
despojamento, sem ornato, de cor, material e textura
semelhante à igreja, desenha sobre o gramado, com novas
grandezas, a sinuosidade comum a um passado barroco
(MOTTA, 1983, p. 84).
O mesmo desenho de banco também aparece logo a seguir
no projeto marcadamente regular da Praça da Independência
(1955) em João Pessoa. As curvas do banco ainda são mantidas
68 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
N
©
Fig. 1. Jardim paraa Capela da Jaqueira, projeto de Roberto Burle Marx,
Esc. 1:200, cerca de 1951, digitalizado a partir do original pertencente
ao IPHAN-PE. desenho de Luísa Acioli dos Santos, 2013. Segundo a
legenda: A- capela;B - Adro; C - banco; D - voleibol; E- basquetebol; F
- barra e paralela; G - pórtico (escadas e cordas); H - escada horizontal;
I - armação de tubos; J- tubos coloridos de concreto; K- escorregador;
L - caixa de areia; M - gramado para jogos coletivos; N - plataforma-
rampa; O - trave de equilíbrio; P - placas coloridas de concreto; Q
monólitos. Fonte: Laboratório da Paisagem/UFPE.
Jardins de Burle Marx no Nordeste d o Brasil
nos projetos da Praça Salgado Filho (1957) e <la Pra~·a de Dois
Irmãos (1958) no Recife.
Tendo como moldura fileiras de palmeiras-reais (Roystoneo
regia), a capela se impõe sobre um amplo gramado onde ficam
assentados mais dois bancos de concreto, um de cada lado,
além de dois indivíduos de mulungu (Erythrina glauca), que
provavelmente já existiam. Junto ao banco ondulado intercalado
por sete abricós-de-macaco (Couroupita guianensis), segundo
sua indicação, as palmeiras-reais arrematam o espaço dedicado
à capela, acentuando sua imponência e sobriedade. Pedras
irregulares definem um acesso ao monumento, interligando-o ao
banco mais próximo.
Canteiros de espécies herbáceas e arbustivas, como, por
__/ exemplo, espada-de-iansã (Tradescantia discolor), vedélia (Wedelia
paludosa var. vialis), sino-amarelo (Allamanda nobilis) e nuvem
(Plumbago capensis), com flores e folhagem de cores marcantes,
embelezam um dos lados de cada banco de concreto.
A ideia do paisagista parece antever o destino daquele espaço
livre, que, em 1985, adquiriu a condição de parque urbano com
área ampliada. A quadra de esportes e os tipos de brinquedos
foram sugeridos em reposta à função recreativa como oferta do
poder público a uma população urbana crescente e praticamente
desprovida de tais recursos.
A área do playground, como ele se refere, corresponde a cerca
de um terço do terreno e compreende espaços para a prática de
voleibol e basquetebol por grupos de jovens e adultos. As barras
e paralelas, a trave de equilíbrio e os tubos servem para exercícios
físicos e brincadeiras das crianças, além da rampa para exercitar
o equilíbrio sobre uma superfície de areia. O escorregador sugere
70 Jard ins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
,......
1 ~ lll 1
1'1
111111.1 .1( 1vld.1dc.· '-'o gl'll1 n.1do pnl'n jogmi (.:olel lvos, po1 su11 Vl''I., 111 111
111111m 11su;l'ios parti a rcaliza·üo de pnHlcas mais dc.•sc:o11111dd ui
('Ili~~· J.). ( )bscrva se que várias atividades podem ser dcs '1wolvld,1'l
; p.11t1r dos di(ercnlcs tipos c.lc mobiliário de modo a ongrt•g,11
u111 l'Xprcssivo e diversificado público.
S;IO equipamentos típicos de um pequeno parque dt•
v11l11hança, proposto pela primeira vez como conjunto t'
1l'l.1livnmente à escala da cidade. Pela leitura do projeto, a intcnç, o
loi proporcionar um espaço recreativo para a população, Lendo
1 omo foco a contemplação do monumento, e oferecer atividadcH
para as crianças e jovens permanecerem desfrutando o cspn ~·o
llvre e vegetado.
D
N
GJ
(bE Gr-L--f
Fig. 2. Jardim para a Capela da Jaqueira, detalhe do projeto de Roberto Buril· M111 ~ .
Esc. 1:200, cerca de 1951, digitalizado a partir do original pertencente ao IPI l/N 1111
,
desenho de Luísa Acioli dos Santos, 2013. Fonte: Laboratório da Paisagem/VFPll,,
jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 7 1
Carneiro silva jardins de burle marx nordeste
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  • 1.
  • 2. O Laboratório da Paisagem, núcleo do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, desenvolve atividades de pesquisa, ensino e projeto no ãmbito da conservação da paisagem, dos jardins históricos l' dos espaços públicos. Reúne professores, arquitetos e alunos de graduação e do Programa de Pós- graduação em Desenvolvimento Urbano (MDU) da LffPE e integra rede nacional de pesquisa sobre "Sistema de Espaços Livres" e "Jardins de Burle Marx'; esta também no âmbito internacional. Lançou sua primeira publicação. "Espaços Livres do Rccik''. cm 2000, cm parceria com a Prefeitura do Recife. Em 2001, iniciou os estudos sobre os jardins do paisagista, culminando no restauro de três deles entre 2003 t' 2008. Posteriormente, publicou "Os jardins de Burle Marx no Recife" (2009), cartilha em comemor<H;üo ao cenlt'núrio desse artista; "Jardins l listóricos Brasileiros l' Ivkxicanos" (2009); "Parque e Paisagem: um olhar sobre o Recili:" (2010) e "Jardins do Rl'<ife: uma histúria do paisagismo no Brasil, 1872-1937" (2010). JARDINS DE BURLE MARX NO NORDESTE DO BRASIL
  • 3. •• JARDINS DE BURLE MARX NO NORDESTE DO BRASIL Ana Rita Sá Carneiro Aline de Figueirôa Silva Joelmir Marques da Silva ORGANIZADORES Editora ~ UniversltáriWUFPE RECIFE 1 2013
  • 4. /11IH 1•ld1ulc l'~Mrol d~ 11tr1111111l>l1<.0 ltcllor 1'1111 , A11l,le1 llrn<llcir(I de l'rcila• Dour,1do. Vice ltcllor 1111f. Sllvio Romero Marques. J)lrctora do fülllorn UfPE: Prof• Maria josé de Matos Luna. ComlssAo F.dlt<>rial Presidente: Prof• Maria José de Matos Luna. T itularca: Ana Maria de Barros, Alberto Galvão de Moura f ilho, Alice Mirian Happ Boúer, Antonio Motta, Helena Lúcia Augusto Chaves, Liana Cristina da Costa Cirne Lins, Ricardo Bastos Cavalcante Prudêncio, Rogélia Hcrculan<> Pinto, Rogério Luiz Covaleski, Sônia Souza Melo Cavalcanti de Albuquerque, Vera Lúcia Menezes Lima. Suplentes: Alexsandro da Silva, Arnaldo Manoel Pereira Carneiro, Edigleide Maria Figueiroa Barretto, Eduardo Antônio Guimarães Tavares, Ester Calland de Souza Rosa, Gemido Antônio Simões Galindo, Maria do Carmo de Barros Pimentel, Marlos de Barros Pessoa, Raul da Mota Silveira Neto, Silvia Helena l.ima Schwambom, Suzana Cavani Rosas. Editores Executivos: Afon so Henrique Sobreira de O liveira e Suzana Cavani Rosas. Capa: Bruno Faria e Lúcia Veras. Projeto gráfico: lldembergue Leite. Revisão do texto: Aline de Figueirôa Silva e Maríza Pontes. Revisão botânica: foelmir Marques da Silva. Tradução: Aline de Fígueirôa Silva. Revisão da tradução: James Dubeux Raffety. Impressão e acabamento: Editora Universitária da UFPE. Catalogação na fonte Bibliotecária Kalina Ligia França da Silva, CRB4-1408 f37 Jardins de Burle Mau no Nordeste do Brasil I Ana Rita Sá Carneiro, Aline Realização Lnboratório dopelaagom "' ,. de Figueirôa Silva, Joelmír Marques da Silva. Organi1.adores. - Recife : Ed. Universitária da UFPE, 2013. 251 p. : íl, Vários autores. Inclui referências bibliográficas. ISBN 978-85-415·0224-5 (broch.) 1. Marx, Roberto Burle, 1909-1994. 2. Arquitetura paisagblica - Brasil, Nordeste. 3. Jardins históricos - Brasil, Ncrdestc. 4. Jardm; Projetos - Brasil, Nordeste. I. Sá Carneiro, Ana Rita (Org.). li. Silva, Aline de Figueirôa (Org.). III. Silva, Joelmir Marques da (Org.). IV. Titulo. 712 CDD (23.ed.) UFPE (BC20 13-065) Apoio mBURLE MARX & CIA LTDA --- - u · =<~ u -= --= x== i..a EDITORA ASSOCIADA Ã llMAIUO 7 t) 11 37 57 89 107 Prefácio Prcfacc Snnia lk1·j1111111 Introduio lntroduct ion Ana Rita s,Carneiro Aline de Figucirôn Silva Joelmir Marques <la Silva Praça Arlnr Oscar no Recife: a modernidade no Jardim de Burle Marx Fátima Maria Alves da Silva Mafra O Jardim da Capela da Jaqueira: um monumento preservado por Burle Marx no Recife Ana Rita Sá Carneiro Aline de Figueirôa Silva Joelmir Marques da Silva Burle Marx em Salvador: o_Jardim do Terreiro de Jesus Paulo Costa Kali! Um Jardim de Burle Marx em João Pessoa: Residência Cassiano Ribeiro Coutinho Heignne Jardim Paula Dieb
  • 5. l '.17 159 187 -, 213 241 247 l'nládo dos Leões: 11111 Jurdim de Burle Marx em São Luís Barbara [rene Wasinski Prado Jardins de Burle Marx para o Theatro José de Alencar em Fortaleza Ricardo Figueiredo Bezerra Pernanda Cláudia Lacerda Rocha Temístocles Anastácio de Oliveira Antônio Sérgio Farias Castro Burle Marx em Teresina: a Praça Monumento Da Costa e Silva Wilza Gomes Reis Lopes Karenina Cardoso Matos José Hamilton Lopes Leal Júnior Roseli Farias Melo de Barros Jardins de Burle Marx em Natal Paulo José Lisboa Nobre Marizo Vitor Pereira Isaías da Silva Ribeiro Apêndice: Projetos de Burle Marx no Nordeste Os Autores <~rn110 ci<lranjera amante dei Brasil, los nombres del Terrero ili• lc'~úi. cn Salvador, dei Jardín del Palacio de los Leones en São l 1d11 o t•I Jardín del Teatro Alencar en Fortaleza -para mencionar 11111 s1 1 1lo a Lres de los ejemplos estudiados en este volurnen- son p.1rndlgmMicos del patrimonio cultural del país con rango 1111111dial, y por ello algunos están incluidos en la lista del 11 .11 rimonio de la Humanidad de la UNESCO como componentes 1I<' l l'lll ros históricos de valor singular y universal. C:omo turista frecuente que ha gozado de varias visitas a esos l11g.1rcs, me pregunto por qué razón nunca me informaron que cslos sitios únicos tan visitados habían contado, en su desarrollo, 1011 intcrvenciones de Roberto Burle Marx. Como profesional dei paisaje, considero a este brillante hrnsile.õo el mayor paisajista dei siglo XX en el mundo occidentaly lamento que todavía no haya logrado la trascendencia que su obra lllt:rcce, debido sobre todo al desconocimiento cabal y científico de ésta, aún en círculos profesionales. Como colega, celebro y aplaudo la labor que desde hace afíos llcvaadelante el grupodei Laboratoriodei Paisajede la Universidad Jhleral de Pernambuco con el trabajo líder y pionero de la Dra. Ana Rita Sá Carneiro y sus cada día más y más integrantes -hoy ya son 20 especialistas- que se han propuesto develar los orígenes y estados actuales de las obras de Burle Marx en el Nordeste del Brasil. /nr,lins ele Burle Marx no Nordeste do Brasil 7
  • 6. Como leuora, dcbo dcjar constancia dei placcr que me han producido eslos textos y sus imágenes pues, además de su aporte científico, han sido amenos e ilustrativos. El inventario total de los jardines de Burle Marx, así como su restauración, es una tarea ineludible y perentoria. Ha sido iniciado por Ana Rita en 2005 y de forma más que humilde. Su enorme capacidad, tesón y compromiso a través de los anos están produciendo sus frutos, cada vez más grandes y sabrosos. Espero que el círculo (tanto de ejemplos como de geografias y de participantes) se siga ampliando y que en un futuro no muy lejano contemos con un más que necesario corpus de esos oasis de naturaleza creados a lo largo de su existencia por un artista sin igual que han ayudado en tanto a mejorar la calidad de vida de infinitas personas, en su país natal, en Argentina, en Venezuela, en Estados Unidos y en otros sitios. Coronaría de modo supremo esta ardua tarea la nominación por parte de la UNESCO de un "itinerario de los jardines de Burle Marx': Y... como la vida profesional de Burle Marx nació en Pernambuco... no <ludo de que esa iniciativa y esa tarea también se llevarán a cabo en esa región y por el extraordinario equipo que hoy presenta este libra imprescindible para la historia de los jardines del mundo. Dra. Sonia Berjman. Miembro de Honor. o Comité Científico Internacional Paisajes Culturales. International Council of Monuments and Sites. Buenos Aires, enero de 2013. Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil /s a foreigner who laves Brazil, the namcs of Jesus Yard in S.ilvador, Lions Palace Garden in São Luís, and José de Alencar 'lheatcr Garden in Fortaleza, mentioning only three garckns studicd in this edition, are paradigmatic of the cultural herilagc oi" this world-ranging country. That is why some of them are included on the list of the World Heritage Sites of UNESCO as historie centers with outstanding universal value. As a usual tourist who has enjoyed many visits to the cit ícs mcntioned above, 1 ask myself why I was never told that Lhosc wideJyvisited places had counted on Roberto Burle Marx's design. As a landscape professional, I consider this brilliant Brazilían Lhe greatest landscape designer ofthe 2Qth century in the western world. I regret thathis workhas notachieved theacknowledgement [t deserves due to the lack of a broad scientific knowledge, even Ln professional circles. As a colleague, 1 celebrate and acclaim the labor that thc researchers ofthe Landscape Laboratory ofthe Federal University of Pernambuco have developed for years under the leadership and the pioneer work of Professor Ana Rita Sá Carneiro and her collaborators. Today, there are twenty specialists that aim to revcal the origins and the current situation of Burle Marx's gardens ín the northeast region ofBrazil. As a reader, 1must leave evident the pleasure1felt through 1hc reading ofthose texts and their images since they are pleasant and Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil ')
  • 7. / J illuslni llve, in addition lo thcir scicnli ítc conlribution. 'lhe whole invenlory orBurle Marx's gardens as well as their restoration is an unavoidable and urgent task. Although the process started in 2005 by Ana Rita in a very humble way, her great capacity, tenacity, and rnmmitment throughout the years are now bearing richer fruits from her labor. 1 hope the circle of examples, geographies, and participants continues its growth and that in the near future we can count on more than simply the necessary corpus of those oases created by an incomparable artist who helped improve the quality of life of many people in his native country, Argentina, Venezuela, United States of America, and other places. The nomination of an "Itinerary of Burle Marx's gardens" by UNESCO would crown this hard work in a supreme way. And... as Burle Marx's professional life started in Pernambuco... I have no doubt this initiative and task will also be carried out in that region by the extraordinary team who presents now such an essential book to garden history in the world. 10 Dra. Sonia Berjman. Honor Member. International Scientific Committee ofCultural Landscapes. International Council oíMonuments and Sites. Buenos Aires, January, 2013. Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil <) Nordeste brasileiro é um a região diversificada, que abrange dn111l11ios llorístico-vegetacionais representados pela Floresta AI ln111ica e ecossistemas associados (restinga e manguezal), pela •nntinga e pelo cerrado, bem como uma pluralidade de traços llllmanos e culturais, porém historicamente associada à seca e à l1adição, entre outros enunciados forjados pelas mais diferentes l'Slralégias políticas, institucionais e intelectuais. Por ter a maior extensão de caatinga, sua paisagem, nas representações predominantes, transmite aridez pelas formas duras, mas que adquire, como num passe de mágica, um aspecto viçoso e verdejante após uma chuva esperada. Nessa região de fortes contrastes, o paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) realizou seus primeiros jardins públicos, plantando os princípios do paisagismo moderno brasileiro, contemplando as paisagens nordestinas do interior - algumas experiências por ele denominadas de verdadeiro espetáculo e configurando paisagens urbanas. Disse Burle Marx em pronunciamento no "Seminário de Tropicologia" de 1985, a convite de Gilberto Freyre: Se meu conhecimento a respeito de plantas é muito maior, se passei a denunciar, com todas as minhas forças, os crimes contra a natureza, se viajei sistematicamente pelo interior do País coletando plantas potencialmente utilizáveis em jardins, se organizei uma das mais jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 11
  • 8. 1 J l111portanll'S cok~oc~ dt.: plan1as cm nosso l'als, nao Lenho dliviJas que cm Pernambuco começou Ludo.1 A partir de 1935, Burle Marx realizou seus primeiros projetos 110 Recife, dirigindo o Setor de Parques e Jardins da Diretoria de A rquilctura e Construção do Governo do Estado de Pernambuco. Dada a proximidade, no final da década de 1930, iniciou projetos cm João Pessoa e, em seguida, na cidade de Salvador, nos anos 1940. Atuou em Fortaleza e em São Luís no final dos anos 1960 e cm Teresina, Maceió e Natal na década de 1970. Se o Recife está na origem de sua atividade paisagística, também cristalizou o debate propulsor da presente coletânea, por ocasião do Encontro Regional "Paisagem na história: jardins e Burle Marx no Norte e Nordeste': que ocorreu em junho de 2007 e reuniu pesquisadores, técnicos e profissionais liberais predominantemente oriundos das capitais dos estados nordestinos, havendo ausência de representação nortista.2 A produção científica do evento está compilada nos anais do Encontro, que abrange comunicações sobre a obra de Burle Marx na Bahia, no Ceará, no Maranhão, em Pernambuco, no Piauí e no Rio Grande do Norte, ausentando-se os estados de Alagoas, Paraíba e Sergipe.3 Ainda em 2007, como resultado do Encontro, foi formalizado no Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de 1 MARX, Roberto Burle. Minha experiência em Pernambuco. ln: MIRANDA, Maria do Carmo Tavares de (Org.). A11ais do Seminário de Tropicologia "l lomem, Terra e Trópico~ Recife: Massangana, 1992, p. 73. 2 Evento promovido pelo Laboratório da Paisagem/UFPE e coordenado pelas professoras Ana Ilita Sá Carneiro e Vera Mayrinck. ' ENCONTRO REG IONAL PAISAGEM NA HrSTÓRJ/: JAllDJNS E BURLE MARX NO NORTE E NORDESTE, l, 2007, Recife. Anais... Recife: UFPE; Olinda: CECI. 2007. 1 CD-ROM. 12 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil l lt•141•11volvl11w11lo C:k11tllirn L' 'l't·rnológlrn (CNPq) o grupo d1 r1tl11do ")nnlins de Burle Marx·~ liderado pelo Laboratório ilu l'l" ""HL'lll do lkpart;1111cnlo de /rquilctura e Urbanismo da I l J11IH 1...1d:1<.k Federal de Pernambuco (UFPE) e pelo Laboratório ill' 1 tudos cm Arquitetura e Urhanismo (LEAU) da Universidade 11•d1'1.il do Ceará (UFC). 1ksdc então, uma sondagem realizada pelo grupo aponta a q1111111 llirnção e a distribuição dos projetos elaborados por Burle M11rx 11:1 região Nordeste e a sua predominância em Pernambuco, 1 11111 111l total de 58, entre 1935e1990. Na Bahia, estão registrados , 111rojclos. No Ceará, 19, até o ano de 1994, seguido pelo estado d.1 l'.1raíba, com 13 projetos. E, finalmente, os estados que tiveram 11111.1produção mais reduzida: Rio Grande do Norte, com quatro, 1· Piauí, Maranhão e Alagoas, cada um com três projetos. <) Nordeste brasileiro sempre esteve na trajetória de Burle Marx, seja no início de sua carreira, criando ou reformando divl'rsas praças no Recife, de 1935 a 1937, seja ao final de sua 111tcnsa vida profissional, quando concebeu, entre 1992 e 1994, 11111 de seus últimos projetos, o Jardim Botânico de Fortaleza, porém não executado. Ou, ainda, com a construção póstuma do 1.1rdim interno da Oficina Cerâmica Francisco Brennand (atual Praça Burle Marx), projetado em 1984 e inaugurado em 1994, ano t•m que o paisagista faleceu. A lista de projetos apresentada no Apêndice sumariza o que está registrado em publicações sobre o paisagista4 e indicado pelo l ~scritório Burle Marx & Cia. Ltda. No entanto, está atualizada l' l11 relação à sua quantidade, entre planos, estudos preliminares e ,1 MOITA, Flávio. Roberto Burle Marx e a nova visão d<t paisagem. São Paulo: Nobel, 1983; l.EENHARDT, Jacques (Org.). Nos jardins de Burle Marx. São Paulo: Perspectiva, 2000. J.ll'lli ns de Burle Marx no Nordeste do Brasil 13
  • 9. Ii prnjt•tos l'XL'Clltivos, c, sempre que possível, contém informações sobre dalas e se foram implemenlados, posto que decorre do l'Sforço de pesquisa empreendido pelo grupo. Dianle de um significativo número de projetos na região aproximadamente 124 -, não seria possível abranger toda a produção de Burle Marx no Nordeste num livro desta natureza, que não se propõe a ser um panorama. Por outro lado, procurou- sc alcançar a maior extensão possível dessa geografia, na medida cm que comparecem no livro sete dos nove atuais estados nordestinos, todos existentes à época de cada um dos projetos esludados (Mapa 1). Mapa 1. Região Nordeste do Brasil, onde Burle Marx desenvolveu cerca <k 124 projetos, desenho de Juan David Strada Rincón, 2013. Fonte: l,;1horatório da Paisagem/UFPE. 14 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 1 ~""'''' l ,.,, 1 ,,, 1 1111.,1 ·- ••~'L "', Nt•'itt•M'11lido, .u1~t·n t 11111 Sl' d.1prt'SL'tll t• t0ktn11ea os e:-i l ado~ ili !11·1gqH'. Sl'lll rt·gistrns da passagem de Burle Marx, e de l111tº•'"· onde o paisagista deixou ao menos três obras - os jardins 1111 l1 .1111uo do Governador (1974), da Residência Emílio Maya 1 11111%1 ( 1976) e do Ministério da Fazenda (1979) - que, espera-se, 1 111~~11111 ser aglutinados ao grupo na medida de sua consolidação. Alguns autores aprofundaram o conteúdo apresentado no 1°111 011lrn de 2007, consolidando o estágio atual de suas pesquisas. 1 h 1t1 os preferiram investigar um jardim específico que promovesse 11111 dl·bale, por exemplo, sobre o patrimônio moderno. A seleção dos jardins, ainda que tenha privilegiado uma pt·quena amostra, em comparação com o amplo conjunto de pr oposlas elaboradas para as capitais estudadas, revela o arco dt· atuação de Burle Marx, já conhecido na sua obra e agora dt•monstrado na geografia do Nordeste do Brasil. E contempla dikrcntes esferas, escalas, objetos e paisagens: projetos públicos, d.1 praça ao parque, e privados, no âmbito residencial ou inslilucional, projetos inteiramente novos ou reformas de jardins preexistentes, lúdicos, solenes, domésticos e palacianos. O Recife abre a coletânea, não apenas por ter sediado o i:.ncontro que deu origem ao grupo, mas também por ser o berço dn obra paisagística de Burle Marx e ter a maior representatividade de projetos em termos numéricos. A capital pernambucana reúne, .1inda, o maior número de pesquisadores e trabalhos sobre a obra de Burle Marx no Nordeste do Brasil, levados a cabo pelo l.aboratório da Paisagem/UFPE, cuja produção científica pêrfaz mais de uma década. A seguir, sucedem-se os projetos nas outras capitais nordestinas em ordem cronológica. No Recife, são /.1rdi11s de Burle Marx no Nordeste do Brasil
  • 10. /I lrntados clols jardins rclalivos a pcdodos dislinlos da presença do paisagista em Pernambuco. Em 1936, a concepção da Praça Artur Oscar valorizou sua condição de espaço público numa área comercial da cidade, tendo um piso de lajes locais rejuntadas com grama e um canteiro central de plantas herbáceas e arbustivas, em sua maioria da restinga. Nesse jardim, Burle Marx quis dar notoriedade ao arranjo e distribuição de plantas com texturas e colorações variadas para ser apreciado pelos recifenses e viajantes que chegavam pelo porto. Por tais características, é o passo que antecede a definição do traçado do Jardim do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro. Nas intervenções pelas quais passou a Praça Artur Oscar, espécies vegetais e elementos do mobiliário foram acrescidos, desconsiderando o projeto de Burle Marx. Hoje, a praça guarda de sua concepção original apenas a cortina de vegetação arbórea que a circunda. O Jardim da Capela da Jaqueira, concebido por volta de 1951, é trazido a público num dos únicos, se não no primeiro estudo monográfico que lhe foi inteiramente dedicado. A pedido da então Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), Burle Marx elaborou um projeto paisagístico para o entorno da Capela de Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira, essencialmente composto de plantas herbáceas das mais variadas tonalidades de cores e palmeiras-reais (Roystonea regia), com vistas à preservação do monumento. A proposta ainda abarcou uma significativa área para a recreação da população, com campo de esportes, brinquedos e substantiva cobertura vegetal arbórea. Esse trecho do projeto, 16 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 11111.! 1 qw• p1·ovuv(.•lml'lll(1 11: o rt:alll'.ndo, lnaugun1vt u11111 11ovt1 1 11111t'I'~110 de pan.Jtic públlco J1U cidade do Rccifo em um t1 trea jt 111lll:iiHla pnrn pnllicas esportivas, impulsionando o alL1al Parque .1 tl11Jnqlldrn, hoje bastante frequentado pelos recifenses. () t•stw.lo dessa obra aponta a envergadura do projeto à época, ('ti programa inovador e a associação a uma edificação histórica lt11lih1.:at iva para a cidade, considerando o valor simbólico 11.1 rnpcla e do parque que lhes foi imputado pela população 1111.1lmcnte, sobretudo pelos moradores do entorno do bairro da J11qt1eira. Em Salvador, o Terreiro de Jesus foi selecionado entre as obras dl· l)urle Marx na Bahia por sua localização no sítio histórico, dd'ronte ao Colégio e à Capela dos Jesuítas, por ser o primeiro t•spaço público projetado pelo paisagista na cidade, pelo seu desenho inovador e por sua repercussão àépoca. No século 19, o terreiro era o centro de comunicação da cidade t dispunha de um chafariz em bronze para abastecimento d'água. O projeto de Burle Marx, idealizado a partir de 1948, explorou a potencialidade do espaço para o convívio do público, em que o chafariz como ponto focal relacionava-se com um único canteiro ílorido, ao passo que o coreto móvel preservava a visibi~idade para o conjunto religioso. A manutenção do chafariz e os materiais de revestimento do piso, como a pedra portuguesa, os seixos e as conchas da região, reforçavam o caráter do sítio histórico. Hoje, o Terreiro de Jesus encontra-se descaracteriza~o face à substituição de espécies vegetais, bancos e materiais construtivos, mas é ocupado por grupos de capoeira, vendedores ambulantes e baianas de acarajé. Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 'l 7
  • 11. ( O capítulo sobre João Pessoa elege como objeto de estudo o Jardim da Residência Cassiano Ribeiro Coutinho, de 1957, devido à riqueza do projeto paisagístico, considerando sua extensão, diversidade florística, presença de elementos escultóricos e zoneamento prevendo diferentes usos. Mas também, por se tratar, juntamente com a edificação na qual está inserido, de um bem tombado corno patrimônio paraibano. Do projeto participaram Fernando Tábora, Julio Cesar Pessolani, John Stoddart e Maurício Monte, que mantiveram sociedade com Burle Marx até 1965. A vegetação existente no terreno foimantida,sugerindo linhas do traçado e contrastes entre espécies arbustivas e herbáceas. Monólitos e bancos de granito, seixos e pedras portuguesas, espelhos d'água, gaiolas e playground indicam a diversidade de materiais, usos e recintos do jardim. Destacam-se, ainda, a indicação de 73 espécies vegetais e a previsão de um horto, no fundo do lote, para a produção e reposição de plantas. A residência, projetada pelo arquiteto Acácio Gil Borsoi, constitui a primeira obra moderna de João Pessoa reconhecida oficialmente como patrimôniohistórico e artístico da Paraíba. Um símbolo da modernidade pessoense que, em meados do século 20, passou a modificar a paisagem e o cotidiano da cidade. No texto de São Luís, oJardim do Palácio dos Leões foi o objeto do estudo porque seus usos, derivados de colonização variada, culminaram num jardim brasileiro segundo projeto paisagístico de Burle Marx, iniciado em 1968 e retomado em 1973. Como um espaço simbólico da administração política e mirante da história maranhense, esse jardim cristaliza a passagem do tempo e as transformações sociais, culturais e econômicas experimentadas pela capital São Luís em quatrocentos anos. 18 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil ll11tl1• Mnl'x 11H111kvc tis palmeiras Imperiais (lfoysto11ca 11/1•1r111•11), ~·xis lL' lll<.'s ao menos desde a década d.e 1950, criou , 1 11 11;10~ dgua e lanqucs para plantas aqu<lticas. Também utilizou ltllllJ 11~1~·s de malcriais inertes (seixos de cor clara, pisos em pedra l i!i':-1 L l't'11micas) e ele vegetais (com cores e alturas diferentes). Nn l id11dc de Fortaleza, os Jardins do Theatro José de Alencar 1 ..1i1n .1ssociaclos ao caráter público e à importância histórica , 111 q11ltetô11ica dessa tradicional casa de espetáculos. Teatro e 1111 dl11s sílo catalisadores da vida social e cultural fortalezense, M1•11do visitados por moradores e turistas. Num lapso de quase 20 111111."1, l'lll rc 1973 e 1990, os jardins foram objeto de dois projetos li11·,1 ~1 1 1t c distintos, elaborados pelo Escritório Burle Marx & Cia. 11d.1. No projeto de 1973, assinado também pelos arquitetos l l,11 uyoshi Ono e José Tabacow, um grande espelho d'água com 1111w fonlc luminosa domina toda a composição, abrigando várias 1"q ,él,:ics de plantas aquáticas. No de 1990, em parceria com 11.11 uyoshi Ono e Leonardo de Almeida, uma extensa superfície 1 11t11 desenho regular valoriza a edificação do teatro. Até então, o primeiro projeto encontrava-se ausente da história escrita sobre a cidade e oculto na oralidade dos que o vivenciaram. O texto sinaliza, portanto, a relevância do estudo para Ltma futura restauração dos jardins. No artigo de Teresina, a escolha recaiu sobre a Praça Momunento Da Costa e Silva por se tratar do único espaço público projetado por Burle Marx na cidade, entre 1975 e 1976, tendo 1·m mente a importância das praças como locais de integração e l11zcr da comunidade. Mais uma obra concebida em parceria com J.11.l l11s de Burle Marx no Nordeste do Brasil 19
  • 12. ( 1 o arquiteto Acácio Gil Borsoi, que projetou o monumento cm homenagem ao "poeta das águas': Antonio Francisco da Costa e Silva. O desenho marcante do espelho d'água, de linhas irregulares, parece lançar um diálogo com as águas do Rio Parnaíba, ao passo que a carnaúba (Copernicia prunifera), símbolo dos estados do Piauí e do Ceará, tem presença destacada no projeto. A descaracterização da concepção originalestá relacionada àretirada de espécies vegetais especificadas por Burle Marx, bem como ao plantio de novas espécies. O traçado foi pouco modificado, permanecendo quase inalterado, enquanto caminhos com piso de concreto foram acrescidos seguindo as linhas de desejo existentes. Em Natal, são conhecidos quatro jardins projetados por Burle Marx, nenhum dos quais foi executado. Até o presente momento, estão mais documentados o Parque das Dunas - Via Costeira, jardim à beira-mar cujas especificações botânicas e detalhamento são desconhecidos, e o Pátio Interno da Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), de 1976. Este projeto teve a colaboração dos arquitetos Haruyoshi Ono e José Tabacow e foi enfatizado no último capítulo, uma vez que estão disponíveis os detalhes construtivos e a especificação botânica. A configuração projetual permite a observação tanto do pavimento inferior quanto do superior, de modo que o jardim se apresenta a partir de diferentes perspectivas. Destacam-se as "esculturas de xaxim" ou esculturas vegetais de espécies herbáceas da flora tropical, tanto pela variedade de cores, como pelas diferenças de altura dos volumes criados, ao passo que canteiros 20 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 1111111d1111•• t· st·ixos 1oludos sao elementos do rep1.•rt<'>rio do I' 11 H~l ~lu . ) 1111h111.1 degcndo um jardim especifico como objeto deestudo, llu.1111 .111ton:~ o relacionaram com outros projetos de Burle Marx 111111up1 Íll Lida<lc ou em diferentes locais, na tentativa de articu lt- 111 11011 p1 lndpios de concepção do paisagista, estratégia ulilizadu d1 111mlo manifesto em Pernambuco, na Bahia, na Paraíba e no Uh1 e;1nndc do Norte. ( :c11110 resultado de um grupo de pesquisa constituído hó 1 1111 o .1nos e do trabalho acumulado pelos autores em estudos e I''li11 icnçê>esanteriores,os textos, emseuconjunto, compartilharnos .q1,11inlcs procedimentos metodológicos: levantamento de fontes 1lt>l 11 mentais - plantas, desenhos, fotos, jornais, ofícios, pareceres , visitas e observações em campo, entrevistas, identificação da 't'gl'l ação original e/ou atual, recurso às simulações e confrontação e·11t1 e os dados, consubstanciando a análise de cada projeto. Consideradas as diferenças temporais entre os projetos, a 1 ondição de terem sido realizados (parcial ou totalmente) ou não 11nplantados, o estágio de pesquisa em cada estado e a diversidade ou a escassez de registros, os artigos perseguiram uma estrutura g<:ral comum, procurando relatar a origem de cada jardim, sua 1l·alização, transformações e perspectivas atuais relativas à sua I'rcservação. Este livro deve-se ainda ao apoio de muitas instituições e pessoas, a quem os organizadores dirigem seus agradecimentos: ;1 Sonia Berjman, pelo constante incentivo ao estudo da obra de Burle Marx e por assinar o prefácio; ao Escritório Burle Marx & Cia. Ltda., no Rio de Janeiro, especialmente Haruyoshi e Isabela Ono, pelas fotos, plantas e informações gentilmente Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 21
  • 13. cedidas; ao CNPq e demais agtncias de fomento, pelo suporte financeiro em diferentes períodos desde a constituição do grupo; à Superintendência do IPHAN em Pernambuco, pela disponibilização da documentação oficial do Jardim da Capela da Jaqueira; aos bolsistas fuan David Strada Rincón e Luísa Acioli dos Santos e à Profa Lúcia Veras do Laboratório da Paisagem/ UFPE; a todos os estudantes, profissionais, técnicos e gestores que contribuíram com a produção dos artigos através da cessão de documentos, relatos e auxílio nos levantamentos de campo e arquivo em cada estado do Nordeste. Além do esforço de documentar a obra de Burle Marx no Nordeste do Brasil, os autores não renunciaram à questão da preservação, ao buscarem registrar o estado atual dos jardins e ventilarem ora sua restauração, ora a realização dos projetos não implantados. Os jardins de Burle Marx aqui retratados guardam uma profunda relação com a paisagem natural e seus ecossistemas específicos, como a restinga, o manguezal, a caatinga e o cerrado, e com a paisagem urbana de cidades consolidadas, marcada por monumentos coloniais, barrocos, neoclássicos e ecléticos. Ora nasceram da relação com a cidade tradicional, como a Praça Artur Oscar, no Recife, e o Terreiro de Jesus, em Salvador, ou em complementaridade a monumentos arquitetônicos já alçados à condição de patrimônio pelos órgãos oficiais de preservação, a exemplo dos jardins da Capela da Jaqueira, no Recife, do Palácio dos Leões, em São Luís, e do Theatro José de Alencar, em Fortaleza. Ora surgiram a partir da própria invenção do monumento moderno, seja na criação arquitetônica, como no caso dos jardins da Biblioteca Central da UFRN, em Natal, e da Residência 22 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 1 1Nlll 111n l~ll1t•l10 C o 11li11ho , .'111 )mio l't:-;:-oa, scj:111<1 dclini~·ao do r I''''•" 111h.1110, ,1 t•xcmplo da !'raça Monumcnlo Da Costa e Silva, 1 111 ' l'1{11·-.i11,1, l'~l <.:s dois últimos através da parceria com o mestre 1 1 '" 1~1 1 iil Bor~oi. A prn1,ósito, Burle Marx elaborou projetos paisagísticos 11u111 ,., l'di ficaçõcs palacianas onde funciona a administração d11 g11vl'r11 0 de Pernambuco (Palácio do Campo das Princesas, H1•1111·, i.'111 1936), da Paraíba (Palácio da Redenção, João Pessoa, 1•111 1t) 9), elo Maranhão (Palácio dos Leões, São Luís, em 1968 1• 1'r/ !), do Piauí (Palácio de Karnak, Teresina, em 1972) e de 1 l.1goas (Palácio Marechal Floriano Peixoto, em 1974). l'or seu interesse ecológico e histórico, os jardins de Burle M.11 x na região Nordeste devem ser conduzidos à condição 1k 111onumentos vivos, conforme os dispositivos e instituições prl'scrvacionistas em nível nacional e mundial. O conhecimento sobre sua obra consubstancia o <"11frcntamento de dois desafios imputados à cidade e à sociedade l onlemporâneas: o condicionamento ecológico global e a preservação do patrimônio histórico local, cujo debate este livro se propõe a fomentar. Ana Rita Sá Carneiro. Aline de Figueirôa Silva. Joelmir Marques da Silva. Organizadores. Recife, janeiro de 2013. jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 2:1
  • 14. I í1 INTltODUCTlON The northeast of Brazil is a region that consists of different ecosystems as well as a plurality of human and cultural features. However, it is historically associated to the dry season and to traditional knowledge among other concepts shaped by different political, institutional, and intellectual strategies. Dueto thelargeextension ofdrysoilandxerophyticvegetation, its landscape usually passes on the idea of aridity through its hard shapes, which acquire a lush and green appearance after an awaited rain as ifit were magic. ln that region ofsuch strong contrasts, the landscape designer Roberto Burle Marx (1909-1994) made his first public gardens by planting the principies of the Brazilian Modem Movement based on the inland northeastern landscapes - an experience he described as a true sight - and shaping urban landscapes. Invited by the great anthropologist Gilberto Freyre, Burle Marx gave a speech in the Tropicology Seminar in 1985 and said: If my knowledge on plants is much bigger, if I started denunciating with my whole strength the crimes against nature, if I systematically travelled through the inland of Brazil collecting plants potentially useful to gardens, if I organized one ofthe most important plant collections of our country, 1am sure it all started in Pernambuco. From 1935, Burle Marx made his first projects in Recife when he directed the Section of Parks and Gardens of the Board of Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
  • 15. An.hitt l.lurc and Co11structio11 of Lhe (;ovcrnmcnl of Lhe SLatc of' Pernambuco. Duc Lo Lhe proximily, al tbe end of thc J930s be starlcd dcsigning gardens in João Pessoa and then in Salvador ln lhe 1940s. He worked in Fortaleza and São Luís during the late l960s and in Teresina, Maceió, and Natal in the 1970s. The city ofRecife also boosted the debate that brought about Lhis book as it hosted the Seminar "Landscape in history:gardens and Burle Marx in the north and northeast of Brazil" in 2007. '111e event brought together researchers, technicians of Recife's City Council, and self-employed professionals, who mainly carne from the northeastern states, missing northern participants. The presented papers were compiled in the annals of the seminar, edited by Professors Ana Rita Sá Carneiro and Vera Mayrinck. Some of them <leal with the work of Burle Marx in the states of Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí, and Rio Grande do Norte, missing the states ofAlagoas, Paraíba, and Sergipe. As a result ofthe seminar, the study group "Gardens ofBurle Marx" was registered at the Directory of Research Groups of the National Council of Scientific and Technological Development in 2007 under the leadership of the Landscape Laboratory of the Federal University of Pernambuco, coordinated by Professor Ana Rita Sá Carneiro, and the Laboratory of Studies on Architecture and Urbanism of the Federal University of Ceará, coordinated by Professor Ricardo Figueiredo Bezerra. Since then, a survey made by the team showed the quantity and distribution of the projects developed by Burle Marx in the northeast of Brazil and its predominance in Pernambuco, where he designed fifty-eight gardens between 1935 and 1990. He conceived twenty-one projects in Bahia, nineteen in Ceará from 26 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 1•Jc.H 111 l'J'J1I, a11d thi tll'Cll ln P.1rulb.1. ln Rio Crandc do Nmk, tl 1c•tt• ;ll'l· four projc<.I~ dcsigncd by hitn and nine in thc slalcs or l'l.11tf; Maranhfo, and /lagoas, Lhrcc in each. ·(hc northcast region ofBrazil was parl ofthe wbole trajcclory ui Bu rlc Marx whether at the beginning ofhis career ar at the end oi his intense professional life. Firstly, he created or redesigned 111any squares in Recife from 1935 to 1937. ln the early 1990s, lil' conceived one of his last projects, the Botanical Garden of i:ortaleza, which was not built. Also in Recife, the Francisco Brcnnand Ceramic Factory Garden (currently known as Burle Marx Square) was a posthumous tribute. It had been designed in 1984 but was opened in 1994, the year the great landscape artist passed away. The list of projects presented in the Appendix points out the gardens conceived by Burle Marx in the northeast of Brazil, in accordance with the main publications on his work and the official information given by the Burle Marx & Co. Office. However, the collaborative effort has updated it with regard to the total quantity ofprojects in that region, about 124, which include both preliminary studies and detailed studies, their dates and whether they were built or not. Thus, it would not be possible to include all these gardens in this edition, which is not supposed to be a panorama but an effort of combining an overview of Burle Marx's work with the monographic approach. This book tried to reach the biggcst extension ofthe current nine northeastern states as possible sincc it encampasses seven ofthem. The state ofSergipe is omitted from the study because the information available at present suggcst:-. that Burle Marx has never been there. Alagoas is also omittcd jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 'J.7
  • 16. although he left at least three gardens thcrc, whicb may hopcfully be added to the study as time goes by and the group solidifies. Some authors deepened the content presented in the seminar in 2007 and consolidated the current stage of their research whereas others preferred to look into specific gardens in order to discuss the modem heritage. On one hand, the gardens chosen by the authors surely compose a small sample in comparison to the wide set ofproposals conceived by Burle Marx in the northeast of Brazil. On the other hand, they reveal the largeness ofhis work, alreadyknown in other places and now shown in the northeastern states. They also consist of public and private projects, residential and institutional ones, new gardens or others that were redesigned, whether domestic, playful, solemn or palatial with different features and scales. The city of Recife begins this edition due to four reasons. Firstly, it represents the origin of Burle Marx's work. Secondly, it hosted the seminar that brought about the study group "Gardens ofBurle Marx'~ Thirdly,the majorityofhis projects in the northeast region ofBrazil are located there. Fourthly, it counts on the greatest nurnber ofstudies in this region that have been carried out by the researchers of the Landscape Laboratory since 2001. Then, the gardens ofthe other cities are chronologically presented. ln 1936, the creation of the Artur Oscar Square emphasized its character as a public space in Recife's historie downtown. Its floor comprised of local stone slabs was connected by grass with a central flower-bed with herbaceous and shrubby plants, mostly from the coastal ecosystem. Burle Marx highlighted the set and distribution of plants with different colors and textures to be enjoyed by the local population and the travelers dueto the 28 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil p1oxl111l1y lo lhe lrn1bnr. 'lhc.·sc reatures fon:wc.·1111hc.· l11yo111 oi llw wrll known gardcn of thc Ministry of Educaliou nnd 1ln dlh ln lli!1 de Janeiro. 1 Ovcr Lhe lasl dccades, some actions changcd Burk Mllrx's dc.•sign of Lhe Artur Oscar Square concerning thc layoul, lhe.· original plantspeciesandtheurban fumiture. Today,a pcrimctricnl t.urluin of trees is ali that remains ofhis original proposal. 'Jhc Jaqueira Chapei Garden is the target of thc sccond chaptcr, which is the first monographic study on this mallcr. ln 1951, Burle Marx designed a garden in the surroundings of Lhe Our Lady of the lmmaculate Conception Chapei in Lhe so called district of Jaqueira requested by the National Historie and Artistic Heritage Direction. The garden was mainly composed by herbaceous colored plants and palm trees aiming to preserve Lhe religious historie monument. The proposal included an area for leisure with sports ficld, playground equipment, and a great amount of trees, but it was not probably built. ln spite of that, it embodied new concepls regarding the design of public parks in Recife and boosted lhe Jaqueira Park, which is widely used by the population currenlly. ln fact, the park was built in a large lot already used for sports activities and was opened in 1985. The study of this project shows its relevance due to its innovative design proposal and its relationship with a hislori<.. monument at the time as well as the current symbolic va]ue of thc chapel and the park assigned by the neighboring population. ln Salvador, the Jesus Yard was chosen as a case sludy among other Burle Marx's gardens in Bahia because it is lhe fil'st public space designed by him as well as its innovative laym11 a111l Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
  • 17. 1:011sl rucl ion materiais, ils localion in lhe historie downtown, righl in fronl of lhe Jesuits Chapei, and aJso in consideration of lhe discussion it motivated at the time. ln lhe 191" century, the garden was the center of the social lifc and its popularity increased when a bronze fountain was built lo supply water. From 1948 to 1950, Burle Marx emphasized its polential as a public space by creating a single flower-bed and a moveable bandstand to ensure the visibility of the religious monument. The preservation of the fountain and the use of local surface materials, such as pebble stones and shells, highlighted the character ofthe historie site. Today, the garden is mischaracterized as the original plant species, benches, and construction materials were replaced, but it continues to be used by popular performers, sellers, and residents. The fourth chapter looks at the Cassiano Ribeiro Coutinho Residence Garden in João Pessoa as a case study due to the richness ofthe design concerning its extension, zoning, sculptural elements, and the diversity ofthe vegetation. The study also takes into account the importance of the residence and the garden as part of the modem heritage in the state of Paraíba. Both are a symbol ofthe local modernity and became landmarks in the mid- 201" century. The residence was designed by the Brazilian architect Acácio Gil Borsoi whereas Burle Marx's team involved in the garden design included Fernando Tábora, Julio Cesar Pessolani, John Stoddart, and Maurício Monte. They made use of the original vegetation on the lot since it suggcsted footpaths and contrasts between the shrubby species 30 Jard ins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 111.t 1IH· la·rh;1H·ous 01ws ,111d l ll'lll cd a nursery i11 order lo prodL1ce 111.I H'pln((.' thc planls. Monolilhs anti granilc bcnchcs, pcbblc 1,101H1 <>, waler mirrors, cagcs, playground equipmcnt,and 73 plant I '•l'l'l H'S indicalc thc diversity of materiais, uses, and features ofthe g.utkn. 'Ihc fiflh essay <leais with the Lions Palace Garden in São Luís ht'l ause il is a result ofa multicultural colonization andit embodies the social, cultural, and economic changes that the city underwent during four centuries. The palace and its garden have hosted the ild 111 inistration of the government of the state ofMaranhão since l hcy were built. Dueto the significance ofthe garden, Burle Marx was invited lo redesign it in 1968 but only conduded the project in 1973. l lc kept the palm trees supposedly remaining from the 1950s and added water mirrors, and ponds for herbaceous plants. ln addition, he exploited contrasting materials, like white pebble stones and ceramic slabs, and vegetation with different colors and heights. ln Fortaleza, the José de Alencar Theater is among the main cultural assets ofthe early201 1i centuryin Brazil dueto its historical and architectural importance. The building and its garden are rooted in the social and culturallife of the city andareoften visited by residents and tourists. The garden was conceived in 1973 and redesigned in 1990 by Burle Marx and his partners. ln the first project, Burle Marx, Haruyoshi Ono, and José Tabacow created a monumental water mirrar With a luminous fountain for aquatic plants. In the second project, also developed by Leonardo de Almeida, the sobriety of the design highlighted the vegetation and the edectic features of the building through Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 31
  • 18. an orthogonal tloor, cuncrctc bcnchcs, and abscncc of sculptural clcmcnls. 1he first design was unknown in the historical literature of the city and was kept alive in the memories of those people who visited the theater in the l970s. Therefore, this study is relevant to discuss the garden restoration in the future. The Da Costa e Silva Monument Square was the only public space designed by Burle Marx in Teresina. It was built to honor the poet Antonio Francisco da Costa e Silva, known as the "water poet': as a result of the partnership with the architect Acácio Gil Borsoi from 1975 to 1976. lts main attributes show a deep respect to the natural resources because the irregular layout ofthe water mirrar dialogues with the Paraíba River and the carnauba palm tree is the symbol of the local ecosystem. Today, the original vegetation is mischaracterized because new species replaced those specified by Burle Marx but the layout remains almost unchanged, except for the addition of concrete footpaths in response to new uses. ln the city of Natal, Burle Marx developed four projects but nane of them were built. At present, there is documentation available concerning the Sand Dunes Park - Coastal Route and the UFRN Central Library Garden, which is the main subject of the last chapter. ln 1976, Burle Marx and his partners, architects Haruyoshi Ono and José Tabacow, designed a garden for the Central Library of the Federal University of Rio Grande do Norte, which was a two-floor modem building. The plant sculptures made by herbaceous species of the lropical flora showed a variety ofcolors, textures, and heights that 32 Jardins de Burle Ma rx no Nordeste do Brasil 11111ld ht· upprc.·dakd lro111 both i11kr1or and ~n1 pl!rior lloors. 'lhe Ir nwil11r layoul oi' thc !lowcr-bcds and thc pchblc stoncs are parl 111 11111 k Marx's design principies alrcady experienced in many 11llll'; g.mlens. ·1hus, cach author chose a specific garden as a case study but 1á11nl il lo other projects in order to broaden the understanding 011 Burle Marx's artistic and botanical background. That was ,, methodological strategy mainly used by the authors from P(:rnambuco, Bahia, Paraíba, and Rio Grande do Norte based on thcir prcvious publications. Moreover, the researchers followed these methodological slcps: documental survey (by collecting historical sources such as pictures, drawings, newspapers, and reports, among others), field survey, interviews, botanical survey regarding the original and the current plant species, the use of hypothetical sketches, and comparison ofthe bibliography with the field and archive data. They also dealt with some specificities concerning the gardens in the northeastern states. Firstly, the chronological difference among the projects. Secondly, the current research stage in each state. Thirdly, the diversity or unavailability of primary sources and information. Finally, some gardens were only partially built whereas others were not. Thisbookisdueto the support ofmanyinstitutionsand people, to whom the editors are grateful: Sonia Berjman, for signing the preface; the Burle Marx & Co. Office in Rio de Janeiro, specially the architects Haruyoshi and Isabela Ono for the photos, drawings and information ldndly donated; the National Council ofScientific and Technological Development and other local sponsors, for thc financial support; the National Historie and Artistic Herilagc Jardins de Burle 'Marx no Nordeste do Brasil
  • 19. Institute, which owns the official documcnlalion of thc Jaquc.:ira Chapel Garden; the seholars Luísa Acioli dos Santos and Juan David Strada Rincón and Professor Lúcia Veras of the Landscape Laboratory of the Federal University of Pernambuco; all the students who eoped with the field survey and the data eollection; __ _/ the professionals and the technicians who were interviewed and contributed for the production of the articles. Besides the effort of documenting Burle Marx's work in the northeast of Brazil, the authors dealt with its preservation by registering the current stage of the gardens and discussing their restoration or the development of the non-built projects. Burle Marx's gardens dialogue with the natural landscape and its specific ecosystems as well as the historie urban landscape eharacterized by colonial, baroque, neoclassical, and eclectic monuments. In other words, Burle Marx's gardens dialogue with the traditional urban fabric in the Artur Oscar Square in Recife and the Jesus Yard in Salvador and the historie buildings such as the Jaqueira Chapel in Recife, the Lions Palace in São Luís, and the José de Alencar Theater in Fortaleza. Or, in contrast, they shape the idea ofmodem heritage itselfwhether related to the Cassiano Ribeiro Coutinho Residence in João Pessoa and the UFRN Central Library in Natal or in the Da Costa e Silva Monument Square in Teresina. In addition, Burle Marx redesigned the gardens ofthe palatial buildings of the government of Pernambuco (Princesses Field Palace, Recife, 1936), Paraíba (Redemption Palace, João Pessoa, 1939), Maranhão (Lions Palace, São Luís, between 1968 and 1973), Piauí (Karnak Palace, Teresina, 1972) and Alagoas (Marechal Floriano Peixoto Palace, 1974). 34 jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 1>11t•1o Ihdr crnlogkal and historiu1l signlfiL ;111l L lh1 rk M.11 x's H•ll d1·11s i11 lhe northc.:asl rc.:gion oí Brazil :-;hould bc a..:knowkdgl·tl Ili l1:v111g monumcnls in accordancc wilh Lhe worl<lwidc hcrilag1.• 11w;1l.11 ions, chartcrs, and institulions. 'Ihc knowledge on thcm embodies Lhe discussion on l wo ll' llll iremcnts of thc conlemporary society, that is, thc global 1·~ ological management and the local historie preservation, which 1li is book highlights. Ana Rita Sá Carneiro. Aline de Figueirôa Silva. Joelmir Marques da Silva. Editors. Recife, January, 2013. Jardins de 13urle Marx no Nordeste do Brasil
  • 20. j l'IVÇJ ARTUR OSCJlt NO RECIFE: /MODERNIDADE NO JARDIM DE BURLE MARX 11,11l111ü M;tria Alves da Silva Mafra Introdução A Praça Artur Oscar localiza-se no Bairro do Recife, centro histórico da cidade, resultado de aterros de áreas alagadas. Ainda 110 século 19, era uma área descampada, onde existia o Arco do Bom Jesus, que demarcava a entrada da antiga cidade (BRAGA, 2000) e estava localizado no fim da Rua do Bom Jesus ou Rua dos Judeus. No entorno e aproveitando o material de sua demolição, ocorrida em 10 de maio de 1850 (ARLEGO, 1987), foi erguida a Torre do Arsenal da Marinha, atual Torre Malakoff, que, juntamente com o casario, dá forma ao espaço da praça (SILVA, 2010). A sua construção se deveu à comemoração do término da Guerra do Paraguai (1865-1870), pois lá se formou o Batalhão dos Voluntários da Pátria e, por esse motivo, recebeu o nome inicial de Praça dos Voluntários da Pátria. Anos mais tarde, foi renomeada de Praça Artur Oscar para homenagear o general Artur Oscar Andrade Guimarães, que derrotou o movimento revolucionário de Canudos (1893-1897), como ressaltam Braga (2000) e Silva (2010). Contudo, dada a presença do edifício do Arsenal da Marinha, a praça passou a ser também conhecida como Praça do Arsenal da Marinha. Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil :n
  • 21. O Bairro do Recife, no inicio <lo século 20, passou por unrn gra nde reforma urbana, cujo objetivo foi modernizar o centro, implantando melhorias de infraestrutura. Por ocasião das obras de reaparelhamento do porto, modificaram-se o traçado urbano e / o casario existente. As obras foram iniciadas em 1909 e só foram concluídas em 1926 (ZANCHETI; LACERDA e MARINHO, 1998). A reforma do Bairro do Recife contribuiu para a valorização dos edifícioselotes einstalação de grandescompanhias financeiras, firmas de comércio exportador e importador, escritórios, bancos e confeitarias (MOREIRA apud SILVA, 2005). A foto a seguir captura esse momento de transformação (Fig. 1). Apesar de não mostrar a praça por inteiro, a figura notifica um desenho de influência francesa e revela a presença de um obelisco. Chamado de Monumento Sete de Setembro, foi, segundo Silva Fig. 1. Praça Artur Oscar, provavelmente durante as obras de reforma do Bairro do Recife, início do século 20. Edifício do Arsenal da Marinha à esquerda e, ao centro, em obras, o edifício da firma Western Telegraph. Fonte: Fundação Joaquim Nabuco. 38 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil ()O1O), l11n11gurado no governo de Sigismundo Gonçalves ( l904- 1'>0H).110 mesmo tempo cm que a praça foi ajardinada. 1·:m outras fotografias verificou-se que a vegetação implantada 1 1111·nl'IL'rizava-sc por uma cobertura arbustiva, como a taioba (Alomsia sp.), e rasteira, compondo os canteiros, e por uma 1 orti11n de árvores, a exemplo do oiti-da-praia (Licania tomentosa) 1· do coração-de-negro (Terminalia catappa), amplamente usadas 1rn ;1rborização da época, contornando o espaço. O aspecto inicial de área de campina foi substituído no início do século 20 por um projeto com traçado retilíneo, apresentando caminhos axiais que dividiam a praça em quatro canteiros de forma triangular, conduzindo os transeuntes para o centro, onde estava localizado o obelisco. É possível dizer que a Praça Artur Oscar, nas primeiras décadas daquele século, encerrava em seu aspecto físico um projetar que tinha corno horizonte os espaços públicos europeus e a prática de erguer neles monumentos em homenagem a heróis e feitos nacionais. Década de 1930: o moderno na Praça Artur Oscar No início dos anos 1930, a cidade passou por novas transformações e, perseguindo o objetivo de modernização do Recife, o governador Carlos de Lima Cavalcanti (1935-1937) criou a Diretoria de Arquitetura e Construção da Secretaria de Viação e Obras Públicas. Sua equipe multidisciplinar era composta por engenheiros, urbanistas e arquitetos, além do artista Roberto Burle Marx, que assumiu a chefia do Setor de Parques e Jardins, tendo,
  • 22. entre suas atrlbuições, a reforma de praças, largos e projetos para nov9s)ardins. Dentre os jardins concebidos pelo paisagista figuravam o da Praça de Casa Forte e o da Praça Euclides da Cunha ou Cactário da Madalena, além do jardim da Praça Artur Oscar. Pesquisas e estudos realizados pelo Laboratório da Paisagem/UFPE em torno da obra paisagística inicial de Roberto Burle Marx revelam que os três projetos guardam entre si princípios de composição semelhantes, pontuados ao longo do texto. Para o paisagista, o jardim deveria semear a alma brasileira e, assim, cumpriria um papel na história da humanidade. O crítico de arte Mário Pedrosa revela no texto "A arquitetura paisagística no Brasil" a preferência pelos "jardins já inscritos nos livros" e comenta que as flores nativas eram ignoradas e tidas "como mato brabo" (PEDROSA e AMARAL, 1981, pp. 281-283). Para figurar nos jardins era preciso observar "uma hierarquia vegetal segundo as origens das flores e plantas" (PEDROSA e AMARAL, 1981, p. 282). Em seguida, depois de tecer considerações sobre a herança portuguesa do medo de florestas, observa a originalidade do jovem paisagista: Foi então que chegou Burle Marx(...) e acabou com todos os preconceitos. (...) as plantas nacionais plebeias, como, por exemplo, os crótons nativos de que temos mais de uma dúzia de variedades, nos tons mais belos e transparentes, obtiveram carta de entrada nos novos jardins (PEDROSA e AMARAL, 1981, p. 283). Retirando as plantas nativas do ostracismo, Burle Marx projeta seus três primeiros jardins públicos, destinando, a cada um, espécies de diferentes regiões fitogeográficas. O jardim 40 Jardins de Burle Marx no l'ordeste do Brasil d11 l'r.1~.1 At tur Osc.1r ll'V{' 11111 rndtc1 mais i111 i111is111 • nhdgo11 l''ll1't'•1 ll-11 lornb, cm sua maioria da restinga, enqunnlo o J11nllni dn 11 111•I Lu~ lides da Cunha acolheu espécies da caatinga. Casn Jt'orh' 1 lc vi· .1 missao de abrigar a flora de diferenlcs regiões nacionais i: i11lt•rn,1donais: as plantas aquáticas das íloreslas tropicais, lm l11i11do espécies da Mata Atlântica, da Floresta Amazônico l' C'X(11 it as. Seguindo os ensinamentos da arquitetura moderna, o poisagista declara que as praças ou os jardins, como foram designados à época, destinavam-se a cumprir funções na cidade: proporcionar higiene, educação e arte. Os espaços públicos L 11mpriam a função higienizadora, pois, quando bem arborizados, ofereciam sombra para o descanso e o lazer e amenizavam as alias temperaturas, à medida que equilibravam com sua massa arbórea a relação entre área construída e espaços vegetados. As novas espécies vegetais introduzidas nestes três jardins tinham a finalidade de informar à população sobre a riqueza e diversidade e.la flora brasileira, cumprindo a função educativa. Relatos colhidos nos jornais de época indicavam que o uso da vegetação nos espaços urbanos era feito de forma tímida e homogênea. Os relatos fazem referência, também, ao uso dos espaços públicosparaa colocação de monumentos comemorativos e bustos em homenagem aos heróis da pátria brasileira. Tratando o jardim como obra de arte, Burle Marx ofereceu à sociedade a possibilidade de apreciá-los, por justaposição de diferentes espécies vegetais, cores, texturas, contrastes, além de introduzir obras do escultor Celso Antônio. As esculturas especificadas para compor os espaços foram obras projetadas dentro do tema de cadajardim e não introdu:dd<is Jardins de Burle ;v1arx no Nordeste do Brasil
  • 23. para homenagear um feito histórico ou retratar um herói (SILVA, 2010). Assim, para o lago central da Praça de Casa Forte, dedicado às espécies aquáticas tropicais, Burle Marx especificou uma índia a se banhar num espelho d'água com ninfeias (Ninphaea sp.) e a vitória-régia (Victoria amazonica) e, para a Praça Euclides da Cunha, com vegetação da caatinga, indicou a escultura de um -hómem de tanga, que retratava um tipo nordestino. Os princípios de higiene, educação e arte considerados por Burle Marx ao projetar os jardins eram oriundos do pensamento que regia a arquitetura moderna (de cunho racionalista e funcionalista) da escola corbusiana, ao passo que o resgate da identidade provinha do movimento de arte moderna nacional, deflagrado com a Semana de Arte Moderna de 1922. O artista moderno no Brasil tinha um papel "prometeico" de difundir a consciência de nação, tendo como mote a identidade brasileira (GONÇALVES, 2007, pp. 17-32), que era cunhada considerando- se as culturas indígena e africana, além da europeia. Burle Marx e os intelectuais da época abraçaram essa causa e, por isso, a flora autóctone e as esculturas de tipos humanos brasileiros tiveram lugar de destaque nas praças e jardins, resgatando e valorizando as origens nacionais. A Praça Artur Oscar, dada a sua localização, funcionava como uma espécie de antessala para os viajantes que chegavam ao Recife pelo porto. Em 1936, Burle Marx recebeu do prefeito João Pereira Borges (1934-1937) a solicitação para reformá-la e projetou um espaço de convivência e contemplação, estruturado com uma cortina de vegetação arbórea de grande porte nas bordas, cujo objetivo era criar sombra, sob as quais dispôs bancos para descanso (SILVA, 2005). 42 Jardins d e Burle Marx n o Nordeste d o Brasil 1lru gi .1ntk piso pl.1110 de lajol,1s l'l'ju111.1dus urn1 gr1111111 M' t'"ilt·1Hli;1 por loda a úrea da prnça, parn tjUC ns pt'SM>.1., p11d)L's1w111 circular livremente (SlLVJ, 2005). A grande lhca .1ht· 1 1'l.I, tlclimila<la somente pela cortina de <Írvorcs da pcriforln, I'' 0111ovt•u a integração de todo o entorno (Pigs. 2 a '1). Para o l l'lll ro, lh1rlc Marx projetou um grande canteiro circular com 10 111et ros <le diâmetro, destinado a abrigar espécies vegetais de diversos estratos (Figs. 2 a 4). Fig. 2. Praça Artur Oscar, 19 de junho de 1942, foto de JCRC (José Césio Rigueira Costa). Fonte: Museu da Cidade do Recife. Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
  • 24. I / Analisando os desenhos de Burle Marx (Figs. 4 e 5) e seus pronunciamentos publicados nos jornais "Diario da Manhã" e "Diario da Tarde", é possível afirmar que o paisagista adotou os mesmos princípios de composição que embasaram os projetos das praças de Casa Forte e Euclides da Cunha (SILVA, 2005; MAFRA, 2007). Os espaços dos três jardins são circundados por uma cortina de vegetação de porte arbóreo e o centro ocupado com vegetação arbustiva e rasteira. Comessestrês projetos, Burle Marxproporcionou à população a oportunidade de vivenciar sensações antes desconhecidas perante arranjos vegetais. Houve quem reprovasse e quem aplaudisse. Causou espanto e admiração a ousadia de um artista que, vendo mais longe, propôs uma mudança no paisagismo brasileiro, dando ênfase àvegetação autóctone. 44 Fig. 3. Praça Artur Oscar, detalhe do canteiro central com as árvores do entorno, foto de Alexandre Berzin. Fonte: Museu da Cidade do Recife. jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil Apt•s,11 dt' lh11 ll· M.11 x l11dil.1r a vcgl'hl,IO pa1.1 oi. jardl11i.; cll• e'.1s.1 Fo1 lc e ll1didcs da e:unha, 11ao h; registros da wgl·l.t110 l'~u1lhida para a Praça Artur Oscar. Contudo, segundo Jodml1 I Silv.11 , biólogo e pesquisador e.lo Laboratório da Paisagcm/UFl'E, unn base no desenho em perspectiva deixado pelo paisagista l ' cm algumas fotografias, foi possível verificar que Burle M.11 x LOIKcnlrou esforços na implantação do canteiro cenlral, ao passo que, para o perímetro externo do jardim, ele aproveitou as árvort•,-. existentes, acrescentando outras de mesma tipologia. Fig. 4. Desenho de Burle Marx para a Praça Artur Oscar, 1935. Fonte: Escritório Burle Marx & Cia. Ltda. No canteiro da Praça Artur Oscar, Burle Marx empregou espécies "arbustivas e herbáceas que faziam parte do ambiente da restinga e/ou suportavam a salinidade do ar'', destaca Jocl111i1 l Entrevista realizada em 8 de maio de 2012. Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
  • 25. ) Sllv.1. E esdnn:cc oindu que, diante dos deLalhcs cfo n10rfologi<1 t'xterna da vegetação, muito bem detalhada nos seus <lcscnbos, se pode alcançar "a classificação taxonômica dos espécimes" que compuseram o canteiro central (Tabela 1). Complementando a análise, Joelmir Silva diz que a vegetação proposta pelo paisagista Lhama mais atenção pela: Morfologia externa das folhas (dos mais variados tons de verde), dos caules e das inflorescências. As flores destacavam-se na composição por se apresentarem formando pendões e não pela diversidade de cores, onde havia a predominância do branco. Para o pesquisador, "a vegetação se assemelha a de dois outros projetos do paisagista análogos à Praça Artur Oscar, o jardim da Praça Dezessete e o do Largo das Cinco Pontas", localizados na mesma área da cidade. Tabela 1: Composição florística da Praça Artur Oscar identificada a partir do desenho de Burle Marx, 1935. Nome científico Nome popular Jgave attenuata Salm-Dyck Agave-dragão !loe barbadensis Mill. Aloe !loe vera (L.) Burm. f. Aloe-vera Caladium sp. Caládio Cfusiafiuminensis Planch. & Triana Clúsia Sansevieria trifasciata Prain Espada-de-são-jorge Yucca elephantipes var. ghiesbreghtii Molon Yuca l'onte: )oelrnir Marques da Silva, 2012. Jardins d e [{urle Marx no Nordeste do Brasil <>11 dl'Sl'l1hos ddxt11Jo11 1m1 Hul'le Marx indicam que o Lrnçado dn Pr.1~·a /rllir Oscar é o passo que antecede a elaboração de 11111 l!os 111ais rcpresenlali.vos projetos do paisagista, o Jardim do Ministério da Educação e Saúde (MES), no final da década d1.• 1930 (MAFRA, 2007). Tal constatação pode ser percebida ao Sl' observarem cuidadosa e paralelamente as Figuras 5 e 6. Na Pigura 5, as hachuras indicando o arranjo das espécies vegetais do canteiro central projetado para a Praça Artur Oscar se espraiam e ganham o espaço no jardim suspenso do MES, como mostra a Figura 6. Ressalta-se que a atuação de Burle Marx no Recife promove uma reflexão sobre os princípios que regem a criação de um jardim e o contexto artístico nacional e internacional que influem e Fig. 5. Canteiro central da Praça Artur Oscar (hachura). Fonte: Mafra, 2007, a partir do projeto original de Burle Marx pertencente ao Escritório Burle Marx & Cia. Ltda. Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
  • 26. Fig. 6. Jardim do MES, atual Palácio Gustavo Capancma. O visitante anda entre os arranjos de plantas, dispostos em canteiros de formato ameboide. Fonte: Flcming, 1996. na manifestação paisagística. Ele também dá início a uma sistematização de procedimentos para a criação e manutenção de jardins urbanos. O projeto da Praça de Casa Forte deixa isso bem claro, à medida que traz a relação das plantas a serem utilizadas, cortes do perfil da vegetação e detalhes arquitetônicos dos canteiros e espelhos d'água. Além da sistematização de procedimentos, Burle Marx instituiu outra prática, que Dourado (2009, p. 208) aponta como a mais árdua: a coleta de espécies vegetais nas regiões próximas, já que "os viveiristas não se interessavam por essas plantas': Apesar de tantos avanços, o jardim da Praça Artur Oscar, concluído em 1936, se manteve somente até o final da década seguinte. Em 1948, a Marinha Brasileira homenageou o seu patrono retirando toda a vegetação do canteiro central e colocando em seu lugar o busto do almirante Joaquim Marques Lisboa (Fig. 7), o Marquês de Tamandaré, herói da Guerra do Paraguai (BRAGA, 2000). 48 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil Fig. 7. Praça Artur Oscar, 1951. À esquerda, em segundo plano, vê-se o busto do almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês deTamandaré. Fonte: Museu da Cidade do Recife. Da década de 1960 aos dias atuais Como foi dito anteriormente, a reforma do Bairro do Recife, realizada no início do século 20, trouxe comércio e serviços voltados para consumidores de alto poder aquisitivo, práticas que não se consolidaram. Ao mesmo tempo, as atividades do porto e a população de trabalhadores ligados à carga e descarga geravam demanda de comércio e serviços para o consumo de baixo poder aquisitivo. As atividades portuárias se consolidaram na década de 1960 com a construção de grandes armazéns, do terminal açucareiro e do parque de tancagem. À época, ruas foram incorporadas ao pátio de manobra dos caminhões e trens. O bairro perdeu prestígio jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
  • 27. e imóveis ociosos foram ocu.pados por cortiços, prnslfbu los e bares. Na década de 1970, repartições públicas se instalaram numa área de aterro que foi destinada a um parque metropolitano (ZANCHETI, LACERDA e MARINHO, 1998). No ano de 1975, a Praça Artur Oscar, palco de tantas comemorações, encontrava-se abandonada. A área que Burle Marx havia destinado ao convívio e à contemplação quatro décadas atrás era ocupada pelos automóveis, servindo de estacionamento para funcionários de órgãos militares das imediações. Os bancos desenhados pelo paisagista, que emolduravam os troncos das árvores, foram retirados e o canteiro central, ponto focal da composição e ocupado em 1948 com o busto do Marquês de Tamandaré, servia de abrigo para cachorros. Ante tal degradação, o espaço foi reformado pela Prefeitura do Recife na gestão de Augusto Lucena (1971-1975), que instalou, em 1973, a Empresa de Urbanização do Recife (URB). Em 1975, com o objetivo de reparar a praça, a Prefeitura Municipal realizou uma intervenção. Um dos elementos do projeto foi um grande banco de concreto, que circundava toda a praça coma intenção de impediro acesso de automóveis.2 Partindo do banco, em aclive, criou-se uma área gramada, com grade, que elevou a cota de todo o interior da praça. No canteiro com vegetação de restinga, projetado por Burle Marx, foi colocado um piso de pedra e foram plantadas palmeiras-imperiais (Roystonea oleracea), dispostas em círculo, delimitando uma área destinada ao estar que poderia ser alcançada por um único acesso. 2 Relato obtido em entrevista realizada em 6 de março de 2012 com a arquiteta Inês Mendonça de Oliveira. 50 far<lins de Burle Marx no Nordeste do Brasil A.~ p.illlll'irns iinpt•r111111 lm.1111 l'Srnlhidus porqlll', l'l11 s111 l.1M' .u.lulta, se dcsl;1tari;im pelo l ontrnste com a allul'll tl.1 v{w·1 a ~ ao arbórea já existente e con!Cririam ao espaço aspet lo dt• 1111po11ência, à semelhança de outros jardins da cidade. Além das palmeiras, foi criado um bosque de casua1 i11;1s ((:a....wir;na littorea) com mudas de grande porte, encontradas l' lll abundância na sementeira da Prefeitura. A vegctaçüo do perímetro, composta por oiti-da-praia (Licania tome11losr1) l' coração-de-negro (Terminalia catappa), foi recuperada e arranjos de primavera (Bougainvillea spectabilis) complementavam o projeto, conferindo cor ao conjunto. Com esta configuração que visou ocupar o interior da pra,a com gramados e outras espécies, a integração visual e física do entorno, presente no projeto de Burle Marx, foi alterada. 1~ o centro, apesar de ser marcado por palmeiras-imperiais e expor o busto do Marquês de Tamandaré, deixou de ser o ponto de convergência dos transeuntes, à medida que os percursos e os espaços de convívio foram concentrados ao longo do perímetro. Desde a década de 1980, a praça é palco de eventos musicais e festas populares, principalmente durante o carnaval, sendo frequentada nos finais de semana p or causa do funcionamento da feira de artesanato da Rua do Bom Jesus. Em 1988, foi acrescenlado um acesso ao centro e ao longo do perímetro dispuseram se bancos de estilo veneziano e jarros acompanhando a linha ck palmeiras-imperiais (Fig. 8). No início da década de 1990, foi elaborado o Plano de Revitalização do Bairro do Recife, que teve como meta principal "aumentar a oferta de serviços de interesse turístico" com o apoio do Governo do Estado de Pernambuco (ZANCHETI, LACERI )/ Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 51
  • 28. e MARINHO, 1998). Desde enlão, cm períodos de pouca ou muita efervescência, bares, restaurantes e equipamentos culturais foram aos poucos instalados no bairro. Fig. 8. Praça Artur Oscar, planta baixa do projeto de intervenção, 1988. Fonte: Acervo de Inês Mendonça de Oliveira. Entre 2001 e 2002, durante a primeira gestão do prefeito João Paulo Lima e Silva (2001-2004), investiu-se na instalação de fontes ou esguichos em alguns espaços públicos da cidade: o Açude de Apipucos, a Praça Dr. Lula Cabral de Melo ou do Parnamirim, a Praça Parque Amorim e também a Praça Artur Oscar. O modelo escolhido para a Praça Artur Oscar ocupou a área central e, por suas características de forma, altura e diâmetro, acabou eliminando a área de convívio criada em 1988 com os ajustes ao projeto de 1975. Com a colocação da fonte, o busto do Marquês 52 Jard ins de Bu rle Marx no Nordeste do Brasil ili• T11111.1111l11rt· f(1i ~il-s lorndo pnrn um dos rn11los tio nn111111do 1 p1• 111~· 11 di:<.;ltltJll<.'. Considerações finais No in ício do século 20, por ocasião das reformas e mdhorius j,•11as no Bairro do Recife, a Praça Artur Oscar, palco de 1ll 0111l'cimentos ehomenagens,foi ajardinada e seu projeto seguiu os moldes de jardins europeus. / mudança ocorreu com a chegada de Burle Marx ao Recife.o. qm•inovou defendendo a relevânciado jardim e do seupapel como l':-.paço público, com o propósito de difundir a origem brasileira l'lll ações atreladas a um contexto de efervescência cultural. 1, .li nda, chamou atenção para o uso, sistematizou procedimentos de elaboração e conservação de espaços vegetados. Contudo, o projeto implantado em 1975 procurou atuar no controle cio uso do espaço público e as questões levantadas por Burle Marx, desconhecidas, não foram resgatadas à época. A trajetória da Praça Artur Oscar está diretamente ligada :'t história da arte do paisagismo no Brasil. Com a atuação de Burle Marx no Recife, os ideais modernistas de retorno às origens e afirmação da identidade nacional foram elaborados e revelados por meio dos jardins. Num gesto de ousadia e compromisso com valores da época, Burle Marx expôs à sociedade os variados lipos, formas, cores e texturas dos vegetais. As plantas, principalmcnll' as autóctones, assumiram lugar de destaque e figuravam como elemento principal dos jardins. E a modernidade do jardim brasileiro iniciou-se com a criação das praças de Casa Forte l' Euclides da Cunha, juntamente com a Praça Artur Oscar. Jardins de Burle Marx no Nordeste d o Brasil
  • 29. Bibliografia e Fontes Docmnentais / llLECO, Eclvaldo. Recife: um álbum de família. Recife: Edições l·:dlflcantcs, 1987. 11~/(;A, João Batista Meira. Trilhas do Recife: guia turístico, histórico e rnltural. Recife, 2000. ,. l>IA RIO DA MANÍ-IÃ. O jardim da Casa Forte, 22 mai. 1935. l>lAIUO DA TARDE. Jardins eparques do Recife, 14 mar. 1935. 1>OURADO, Guilherme Onofre Mazza. Modernidade verde: jardins de Burle Marx. São Paulo: Senac; Edusp, 2009. PLEMING, Laurence. Roberto Burle Marx: um retrato. Rio de Janeiro: Editora Index, 1996. GONÇALVES, Lisbeth Rebollo (Org.). Arte e Paisagem: a estética de Roberto Burle Marx. São Paulo: Museu de Arte Contemporânea da USP, 1997. MAFRA, Fátima Maria Alves da Silva. Natureza organizada é obra de arte: Roberto Burle Marx em Recife. 2007. 108 f. Dissertação (Mestrado cm Desenvolvimento Urbano), Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2007. PEDROSA, Mário; AMARAL, Aracy Abreu (Org.). Dos murais de Portinari aos espaços de Brasília. São Paulo: Perspectiva, 1981. SILVA, Aline de Figueirôa. Jardins do Recife: uma história do paisagismo no Brasil (1872-1937). Recife: CEPE, 2010. SILVA, Aline de Figueirôa. Os princípios artísticos do traçado dos jardins de Burle Marx no Recife. ln: PONTUAL,Virgínia; SÁ CARNEIRO, Ana Rita (Org.). História e Paisagem: ensaios urbanísticos do Recife e de São Luís. Recife: Bagaço, 2005. p. 173-201. ZANCHETI, Sílvio Mendes; LACERDA, Norma; MARINHO, Geraldo. Hevitalização do Bairro do Recife: plano, regulação e avaliação. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 1998. 54 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil /f:11·:aclcclmc11los l ·1111d 11c_~w Jonquim Nabuco (l;UNDAJ) e Museu da Cidade do Recife. l1mli11s de Burle Marx: no Nordeste do Brasil
  • 30. - -........... OJAIU>IM OI CAPEI.A DA JAQUEIRA: IJMMONUMENTO PRESERVADO PO1 BURLE MARX NO RECIFE J11.i Rita Sá Carneiro lllru· de Figueirôa Silva Jo1•l111ir Marques da Silva Introdução O Jardim da Capela da Jaqueira é um jardim de contemplação de um monumento arquitetônico1, atualmente localizado dentro de um parque urbano, portanto, ligado às necessidades recreativas dos usuários. Na década de 1950,a Capela da Jaqueira encontrava- se em estado de abandono e deterioração, motivo pelo qual a então Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), hoje IPHAN2 , solicitou ao paisagista Roberto Burle Marx um projeto para a construção de um jardim no entorno do pequeno templo, de modo a preservá-lo e valorizá-lo. Sua implantação ocorreu provavelmente em 1953, em uma área de 14.000 m 2 , conforme a planta baixa do projeto original. 1 A Capela ou Igreja de Nossa Sen hora da Conceição da Jaqueira é um monumento nacional, segundo inscrição nº 160 no Livro de Tombo das Belas Artes, folha 28, em 7 de julho de 1938, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). 2 Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), d e L937 a 1946; Diretoria do Patrin1ônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), de 1946 a 1970; Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), de 1970 a 1979; Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), de 1979 a 1990; Instituto Brasileiro do Patrimônio Culturnl (IBPC), de 1990 a 1994; Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional {IPHAN), 11 partir de 1994 (PESSÔA. 2004, p. 11). Jardins de Burle M arx no Nordeste do Brasil
  • 31. Mas, hoje, encontra-se inserido no Parque da JaqLtcira, que, ao todo, dispõe de 70.000 m2 e está localizado no bairro homônimo, na zona norte do Recife. O projeto de Burle Marx concretizou o que foi almejado pelo arquiteto Lúcio Costa em 1951, à época chefe da Divisão de Estudos e Tomb~ntos (DET) da DPHAN, isto é, a utilização da vegetação para enaltecer a capela. Já em 1956, este projeto foi mencionado pelo historiador Henrique Mindlin como obra relevante da arquitetura moderna no Brasil. Na década de 1980, compareceu em Motta (1983, p. 84), ao afirmar que "a simplicidade de um jardim transformou um terreno baldio em local aprazível", e, segundo Laurence Fleming (1996), foi um dos mais gratificantes projetos para o paisagista. Embora referido na bibliografia especializada como "Garden for Jaqueira Chapei" (MINDLIN, 1956), "Garden of Jaquera Chapei" (BARDI, 1964), ''Adro ajardinado da Capela da Conceição da Jaqueira" (GONÇALVES, 1997) ou "Praça Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira" (LEENHARDT, 2000), o projeto assinado por Burle Marx compreende um jardim no entorno da capela e um extenso parque para a recreação da população do Recife.3 Àquela época, a capital pernambucana ultrapassava meio milhão de habitantes e dispunha unicamente do Parque 13 de Maio, planejado desde o século 19 e apenas concretizado em 1939. O projeto de Burle Marx para a Jaqueira é possivelmente um dos primeiros parques urbanos projetados segundo princípios do modernismo brasileiro, inaugurando uma nova concepção 3 O projeto de Burle Marx, intitulado Jardim paraa Capela da )aqueira, em escala 1:200, pertence ao acervo da Superintendência do IPHAN em Pernambuco, com sede no Recife. 58 fardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil de• p.ll'<llll' púhlko nn eid.HIL· do Recife cm uma :n•a ljllC j~ c1 a ui il1z,1da para campeonatos de futebol e, portanlo, propensa às p1 .t itas recreativas. Esta proposta adquire relevo na história do I p<ll!-.ilgismo de Pernambuco e do Nordeste por contemplar um novo programa de recreação urbana na perspectiva dos usuários do espaço verde e público e, ao mesmo tempo, um jardim umtcmplativo de dimensões modestas visando à preservação de um monumento colonial. Por volta de 1936, como chefe do Setor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo do Governo de Pernambuco, Burle Marx já havia projetado a reforma da Praça Pinto Damaso, no bairro da Várzea, prevendo "uma grande área pavimentada, um coreto, um pergolado, um lago central com fonte, dois playgrounds (parques infantis), arborização e bancos de granito sem encosto, com o aproveitamento de árvores e palmeiras já crescidas" (SILVA, 2010, pp. 192-193). Este projeto, caso tivesse sido realizado, teria dotado o tradicional subúrbio da Várzea de um dos primeiros jardins públicos com área para recreação infantil no Recife. Tais preocupações recuam à década de 1920, quando o Governo de Pernambuco desenvolveu, em 1923, um amplo projeto, não implantado, para o Parque 13 de Maio no Recife, com área para prática de esportes, recreação infantil, quadra de tênis e rinque de patinação (SÁ CARNEIRO, 2010, pp. 90-92). O Parque 13 de Maio, inaugurado em 1939, privilegiou fontes nos lagos e espaços de contemplação. A implantação de playgrounds ou parques infantis em praças e colégios do Recife sinaliza a ênfase na recreação infantil durante a gestão de Pelópidas Silveira, que chefiou a Prefeitura do Recife Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 59
  • 32. enlrc 1955 e 1959 (PONTUAL, 2001). A propósito, no furnl da década de 1950, dois projetos paisagísticos foram concebidos por Roberto Burle Marx a convite do prefeito Pelópidas Silveira: a Praça Ministro Salgado Filho (1957) - jardim de entrada da estação de passageiros do Aeroporto dos Guararapes - e a Praça Faria Neves (1958), no bairro suburbano de Dois Irmãos. Neste sentido, embora não tenha sido inteiramente implantado, o projeto de Burle Marx para o entorno da Capela da Jaqueira cristaliza demandas sociais pretéritas e vincula- se a realizações futuras. Por um lado, representa a retomada de princípios paisagísticos moldados desde meados da década de 1930. E, por outro, em razão do seu caráter contemplativo e recreativo, antecipa-se a práticas urbanísticas do final da década de 1950 na história da cidade do Recife. Articula dois períodos significativos da produção de jardins públicos em Pernambuco e, apesar dos lapsos temporais, coloca-se como uma mediação da atuação do paisagista na capital pernambucana. Aorigem do jardim As origens do bairro da Jaqueira remontam ao século 17, quando, em 1633, suas terras foram palco de um combate entre as forças comandadas por Felipe Camarão e os holandeses, na sua tentativa frustrada de tomar o Forte do Arraial do Bom Jesus, em Casa Amarela. Em 1766, o capitão Henrique Martins, então proprietário do sítio, construiu uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição de Ponte d'Uchôa (SÁ CARNEIRO e MESQUITA, 2000). Seu nome foi mudado pela população, que 60 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil pw;i;ou ,, lhl' chamar de C<1pt:lt1 de Nossa Senhora da Conceição da )111111t•irn cm alusão às frondosas árvores que a circundavam. Antes de ser jardim e, posteriormente, parque, esse espaço ~ 0tllit·c..eu um período de abandono que ameaçou a permanência d.t capela. Durante vários anos, sediou o Campeonato 11<.·rnambucano de Futebol e a Feira do Comércio e Indústria de Pernambuco (FECIN), um dos maiores eventos anuais da cidade (SÁ CARNEIRO e MESQUITA, 2000). A capela está entre os primeiros tombamentos efetuados pelo então SPHAN em 1938, quando da seleção dos monumentos que iriam compor os bens do patrimônio histórico e artístico nacional, condição imputada a cidades remanescentes do período colonial e a diversas edificações de cunho religioso, priorizadas, sobretudo, por seu valor artístico. Nadécadade 1940,a capelafoialvodesaquesearrombamentos, como sinaliza a correspondência entre o diretor geral da DPHAN, Rodrigo Melo Franco de Andrade, e o engenheiro Ayrton Carvalho, então chefe do 1° Distrito da instituição. Consta no Ofício nº 122/51, expedido pelo chefe do 1° Distrito em 22 de maio de 1951 e intitulado "Ainda sobre o assunto da Jaqueira": Snr. Diretor Geral, encaminhamos a Va. Sa., anexo ao presente, um recorte do "Diário da Noite'; reportagem do jornalista Dias da Silva, sobre o saque da Capela da Jaqueira. Queremos comunicar ainda que conseguimos com o nosso amigo Edgar Amorim, agora à frente da Diretoria de Obras Municipais fosse efetuada a capinagem em tôrno da Capela, o que está sendo realizado. Outrossim, temos a promessa, do referido Diretor de Obras, da execução do ajardinamento da área circundante, na condição da DPHAN projetar e Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil <> l
  • 33. executar o j.1rdirn. Nl·st.1oporl11111dildl', 111for111.111H>s, 1•,(, sendo feito o plano de ajardinamento pdo t'Sludantc dl· arquitetura Adricn Kiss, ora entre nós e que se mosl'" interessado pelo assunto. Logo esteja concluido o projeto. teremos a satisfação de encaminhá-lo a Va. Sa., para o devido julgamento, antes de entregá-lo à Municipalidade para a sua realização. Atenciosamente, Ayrton Carvalho, Chefe do 1° Distº. da D.P.H.A.N. Portanto, em 1951, devido aos atos de vandalismo praticados contra a Capela da Jaqueira, a DPHAN decidiu implantar um jardim em seu entorno, que, conforme entendimentos mantidos com a Municipalidade, seria projetado e executado pela Diretoria ~- -- de Patrimônio. Como relata o referido ofício, o estudante de arquitetura Adrien Kiss estava desenvolvendo um projeto paisagístico a título de colaboração com a DPHAN. Foi localizada no acervo da Superintendência do IPHAN em Pernambuco uma planta, em escala 1:200, denominada ''.Ajardinamento em torno da Capela da Taqueira': sem data e assinatura. É bastante provável que esse projeto seja de autoria do estudante de arquitetura Adrien Kiss, segundo confrontação com a correspondência interna da DPHAN de 1951. Através do Ofício nº 137/51, de 7 de junho de 1951, remetido a Rodrigo Melo Franco de Andrade, Ayrton Carvalho submete o projeto do estudante Adrien Kiss à apreciação superior. 62 Com o nosso Of. nº 122/Sl, de 22/05/51,comunicávamos a Va. Sa. que havíamos tido a promessa da Diretoria de Obras Municipais do Recife, de fazer o ajardinamento das áreas circundantes da Igreja de N. Sa. da Conceição das Barreiras (sic), caso nos comprometêssemos a projetar e executar o jardim. Aproveitando a estada no Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil llt ,1 11111do1·~t11d,111(1• d1 ,11q11lkl111.1 Jd iltll li'.'•' n 'il i! i111l' H'%t' dt' t<>l,lhCll ,11 tOll0,10 110 .l'llll(O, IOll li'fllillHl h qul' hn''M' o prOJl'lo de ·•J.11d111.1111l'11l11 q111· 111 .1 1 (,111111 1l·nwt;:ndo ,1 essa l)ircc,ao <;l'1,il, P•ll a ljlll' .,1111 .1, '"'~ ~t·cçocs téuiicas o meretido estudo l' rt'll"h<l, dq1111s, 1111 nao, a aprovaçao exigida. () referido prn1cto (• 11111111111>"º e poderá servir-nos bem. Caso aprovado, cr11..cl.111·1110' de novo os cnlcndimcnlos da (sic) Diretoria de Olir.1 Municipais, para a sua breve execução. Üsle J>isl1110, nesta oportunidade,sente-se obrigado a elogiar o l'spfr ito de trabalho e de colaboração do Snr. Adricn, a cuja lw;1 vontade e capacidade profissional, devemos o Lr;1l;ill10 técnico agora remetido. Sem outro assunto no rnomcnlo, aguardando a deliberação superior sôbre o assunto. firmamo-nos. Anexo: l Projeto de ajardinamcnlo d.1 area em tôrno da Capela da Jaqueira, no Rccifr. 1'1· Atenciosamente, Ayrton Carvalho, Chefe <lo 1° Disl". d.1 D.P.H.A.N. Apesar de seu destacado espírito de cooperação, o projeto de ajardinamento do estudante Adrien Kiss não foi aprovado. Por isso, na Informação nº 124, de 22 de junho de 1951, o arquit:clo José Souza Reis, chefe da Secção de Projetos, sugeriu uma consulta ao paisagista Roberto Burle Marx e submeteu seu curto parecer ao responsável pela Diretoria de Conservação e Restauro (DCR), Renato Soeiro, que, por sua vez, o encaminhou ao arquiteto Lúcio Costa, o qual emitiu o seguinte juízo: Capela da Jaqueira (ajardinamento): Estou inteiramenll' de acôrdo com o parecer do arquiteto José Souza Rci11. 1° Porque a intenção de compor um jardim elahor;1do segundo os principias pictoricos e plasticos apliLadm com exito à jardinagem pelo pintor Roberto Burle Mnr x, resultou apenas, no caso em apreço, em manifcsta,.10 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil
  • 34. de falso modernismo, ou seja, 110 arrcrncdo, sem prl'vlo aprendizado e assimilação das leis que dão si.:nlido c coerência formal, da artepaizagistica tal comopassou aser compreendida e praticada depois da fecunda intervenção do pintor Burle Marx, que pode ser considerado, sem favor, o Le Notre do século XX. Ora, é indispensável o artista identificar-se, primeiro, com a técnica de compor dos pintores e escultores da velha-guarda contemporanea, para então poder aplicar com proveito a lição desses mestres ao material vivo de flora, sem o que se perderá no emaranhado de curvas e contra-curvas artificiais, dispostas arbitrariamente e destituídas de unidade plastica e significação. 2° Porque semelhante concepção, visando de preferência a composição de conjuntos de sentido deliberadamente ornamental, não se deve aplicar no caso, senão na forma parcial ou complementar, com a finalidade de guarnecer determinadas partes da area interessada, tais, por exemplo, o oitão desaigetado da capela e a sua empena posterior, ou de um modo geral, algunsdossetoresdo amploperímetro ajardinado; nomais deveria prevalecer o proposito de agrupar arborisaçâo de porte, disposta com naturalidade e visando sabiamente a criação de zonas densas de sombra, entremeadas de areas peneiradas de luz e clareiras de sol, sobre chão de terra-batida com gramado contínuo - grama para pisar - com bancos simples de encosto resguardados ou não, conforme o caso, por vegetação de menor porte e variada floração. Lucio Costa. É possívelperceberasensibilidade deLúcioCostainterpretando o projeto em questão como um simples traçado artificial sem expressão artística, comparado à precisão dos "princípios pictóricos e plásticos" que o artista Burle Marx já incorporava na arte do paisagismo. O arquitelo descreveu como deveria ser o 64 Jnrdi11s de Burle Marx no Nordeste do Brasil I'' 11lt'lo 11111'1 l'SSL' Ju1 dl111 , 1111 ~111.11 n Yl'gl'in~·i o n:ssnl1:1ria 11 11411111.iN vl'ltm•1' 11 l11·hmi:.wçüo dl..' porlc L'SLal"ill lisposln com 1rnl11rn lld11tk': 111j ~t·jo, 1)rivi lcgíando zonas de sombra e luz sobre um grnm11do 11;111f1H10. Sua scnsibilldade é tamanha que menciona dctnllH's 111 Nt' 1·dcrir aos bancos de encosto tendo ao lado "vcgclaç:10 dL' 111t'1H>1 porte e variada floração''. A tais observações Burle Marx p.1n'í. L' ler respondido com seu projeto. Após emissão do pal'L'U'I' dt• Lúcio Costa, Rodrigo Melo Franco de Andrade expôs a Ayrton <:.1rvalho no Ofício nº 917/51, de 29 de junho de 1951, que: Embora sensibilizado com a desinteressad;i e rll1lVl'I colaboração do Sr. Adrien Kiss, deliberei arquivnr o referido projeto e solicitar um substitutivo ao paisagisl.1 Roberto Burle Marx, de acôrdo com o pronuncialllL'lllo daquelas Divisões. Atenciosos cumprimentos. Rodrigo M. F. de Andrade. Diretor. Portanto, é provável que o desenvolvimento do projeto de Roberto Burle Marx tenha ocorrido em 1951, apesar da divergência de datas apontadas por alguns autores, como Mindlin (1956) e Bardi (1964), que sugerem o ano de 1954, e Motta (1983), Gonçalves (1997) e Leenhardt (2000), que indicam 1951. As obras de execução, segundo o Ofício nº 113/53, de 12 de junho de 1953, leriam ocorrido nesse ano. Temos a grata satisfação de comunicar a Va. Sa. que 11 Municipalidade do Recife já deu início aos trabalh o~ tk ajardinamento do terreno circundante da Capelh1 hn da Jaqueira, nesta Capital. O projeto de ajardinamento é de autoria de Roberto Burle Max (sic), que, a pedido dcss:1 Diretoria o elaborou. Permita-nos Va. Sa. afirmar-lhe qut· fazemos essa comunicação com muita alegria, pelo foto dt· vermos, agora, quase concretizada, velha aspiração Mslt' Jardins de Burle 1.farx no Nordeste do Brasil
  • 35. ____/ Distrito, qual scj<1 a d1: cons1:rvar mui~ vigliíd11 e llll'lhul' protegida, dos seus inimigoscriminosos, a lincl:i CapcJi11 llll. Sem outro assunto, firmamo-nos, atenciosamente, Ayrlo11 Carvalho, Chefe do 1° Distº. da D.PH.A.N. Considerando a escassez de registros documentais, é difícil indicar até que ponto este projeto, mais mencionado do que suficientemente estudado, foi executado, bem como afirmar com precisão o ano de conclusão das obras.4 A iconografia disponível mostra o banco ondulado, as palmeiras-reais (Roystonea regia) indicadas no projeto eas árvores existentes atendendo à orientação do paisagista. O governador de Pernambuco entre 12 de dezembro de 1952 e 31 de janeiro de 1955, Etelvino Lins de Albuquerque, destacou, na seção "Parques e Jardins" do discurso de encerramento de sua administração, a criação da "Praça da Jaqueirá: referindo-se ao jardim no entorno da capela: Cujo interêsse e importância artística e histórica são de todos conhecidos. O jardim da Jaqueira, cujo projeto foi uma gentileza do famoso arquiteto Burle Marx, através do engenheiro Airton Carvalho, do serviço do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, aí está, valorizando 0 antigo e pitoresco templo, admirado de todos, louvado pela originalidade de seu desenho e apreciado pelo equilíbrio de seus elementos intrigantes, desde as massas de árvores aos originais bancos ali construídos (LINS, 1955, p. 134). 4 Foram consultados os jornais "Diario de Pernambuco" (fevereiro a maio de 1953 e setem~ro a outubro de 1953) e "Jornal do Commercio" (agosto a outubro de 1953), mas nao foram encontrados registros sobre o projeto nem referência à inauguração da obra. 66 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil ) 10·0Jolo de Hurlc Marx A t•x 1wrl~t1dt1 <.k Burle Marx no Recife, de J935 <1 1937, foi d1•1l~1v,1 par:1 a criação do jardim artístico moderno como um 1111v11 gw•to que parte da paisagem existente. Esse gesto vem <fr 1111.11 u1 iosidaclc no campo da botânica, escolhendo a planta como 111l1h 1p:ll elemento e ponto de partida do projeto paisagístico l' ldrntlfinmclo aquelas mais representativas das regiões Norte e Noi <kste elo Brasil. Assim, ele expressou essa primeira fase d.e sua 111rrc.·ira. Sua atuação no Recife o levou a elaborar projetos para o vl1.i11ho estado da Paraíba, ao mesmo tempo em que se fixava no 11.in de Janeiro. Em 1940,após o projeto do Jardim do Ministério da Educação ,. Saúde, elaborou os jardins do complexo da Pampulha em Belo 1lorizonte, à beira de um lago artificial, unindo uma capela com painéis de Portinari, um iate clube, um cassino e um restaurante, concebidos pelo arquiteto Oscar Niemeyer (FLEMING, 1996). De uma paisagem de características físicas especiais nasceram jardins coloridos de formas curvas e irregulares, permeados por espécies arbóreas nativas para emoldurar a arquitetura moderna. É um período, portanto, de grande efusão na criação de jardins, no propósito de trazer o embelezamento, o saneamento e a recreação urbana. Por essa época, Burle Marx preparava-se para formalizar a sociedade com os arquitetos John Stoddart, Fernando Tábora, Maurício Monte e Julio Cesar Pessolani em Caracas. No início da década de 1950, a Capela de Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira, situada numa área bastante arborizada, quase margeando o Rio Capibaribe, encontrava-se em estado de conservação precário, praticamente inativa e pouco valorizada Jardins de B LLrle Marx no Nordeste do Bras il 67
  • 36. na paisagem. O espaço livre que se cslcndia além do seu entorno compreendia aproximadamente 70.000 m2 , era utilizado para a prática de futebol, contendo mais de um campo instalado pelos próprios frequentadores, e sediava feiras e campeonatos. O projeto "Jardim para a Capela da Jaqueira': elaborado por Burle Marx, não contém data e corresponde à planta baixa com a lista de vegetação que seria utilizada e alegenda de umplayground, detalhes construtivos do banco e da rampa de concreto (Fig. 1). A intenção principal de Burle Marx foi focar o monumento histórico em primeiro plano e oferecer equipamentos para / atividades recreativas, que, juntos, foram denominados pelo próprio paisagista de playground, revelando o caráter esportivo do local. Na sua concepção, as duas partes propostas estão interligadas por um banco de concreto com curvas regulares como uma serpentina, que se apresenta logo após a superfície gramada de caráter contemplativo. O banco ondulado se relaciona com o desenho barroco dacapela, combinado com o plantio de vegetação arbórea. Flávio Motta {1983) assim se reporta à integração entre a intervenção de Burle Marx e o monumento colonial: Junto a um exemplar significativo da arquitetura religiosa brasileira do século XVIII, um grande banco, de moderno despojamento, sem ornato, de cor, material e textura semelhante à igreja, desenha sobre o gramado, com novas grandezas, a sinuosidade comum a um passado barroco (MOTTA, 1983, p. 84). O mesmo desenho de banco também aparece logo a seguir no projeto marcadamente regular da Praça da Independência (1955) em João Pessoa. As curvas do banco ainda são mantidas 68 Jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil N © Fig. 1. Jardim paraa Capela da Jaqueira, projeto de Roberto Burle Marx, Esc. 1:200, cerca de 1951, digitalizado a partir do original pertencente ao IPHAN-PE. desenho de Luísa Acioli dos Santos, 2013. Segundo a legenda: A- capela;B - Adro; C - banco; D - voleibol; E- basquetebol; F - barra e paralela; G - pórtico (escadas e cordas); H - escada horizontal; I - armação de tubos; J- tubos coloridos de concreto; K- escorregador; L - caixa de areia; M - gramado para jogos coletivos; N - plataforma- rampa; O - trave de equilíbrio; P - placas coloridas de concreto; Q monólitos. Fonte: Laboratório da Paisagem/UFPE. Jardins de Burle Marx no Nordeste d o Brasil
  • 37. nos projetos da Praça Salgado Filho (1957) e <la Pra~·a de Dois Irmãos (1958) no Recife. Tendo como moldura fileiras de palmeiras-reais (Roystoneo regia), a capela se impõe sobre um amplo gramado onde ficam assentados mais dois bancos de concreto, um de cada lado, além de dois indivíduos de mulungu (Erythrina glauca), que provavelmente já existiam. Junto ao banco ondulado intercalado por sete abricós-de-macaco (Couroupita guianensis), segundo sua indicação, as palmeiras-reais arrematam o espaço dedicado à capela, acentuando sua imponência e sobriedade. Pedras irregulares definem um acesso ao monumento, interligando-o ao banco mais próximo. Canteiros de espécies herbáceas e arbustivas, como, por __/ exemplo, espada-de-iansã (Tradescantia discolor), vedélia (Wedelia paludosa var. vialis), sino-amarelo (Allamanda nobilis) e nuvem (Plumbago capensis), com flores e folhagem de cores marcantes, embelezam um dos lados de cada banco de concreto. A ideia do paisagista parece antever o destino daquele espaço livre, que, em 1985, adquiriu a condição de parque urbano com área ampliada. A quadra de esportes e os tipos de brinquedos foram sugeridos em reposta à função recreativa como oferta do poder público a uma população urbana crescente e praticamente desprovida de tais recursos. A área do playground, como ele se refere, corresponde a cerca de um terço do terreno e compreende espaços para a prática de voleibol e basquetebol por grupos de jovens e adultos. As barras e paralelas, a trave de equilíbrio e os tubos servem para exercícios físicos e brincadeiras das crianças, além da rampa para exercitar o equilíbrio sobre uma superfície de areia. O escorregador sugere 70 Jard ins de Burle Marx no Nordeste do Brasil ,...... 1 ~ lll 1 1'1 111111.1 .1( 1vld.1dc.· '-'o gl'll1 n.1do pnl'n jogmi (.:olel lvos, po1 su11 Vl''I., 111 111 111111m 11su;l'ios parti a rcaliza·üo de pnHlcas mais dc.•sc:o11111dd ui ('Ili~~· J.). ( )bscrva se que várias atividades podem ser dcs '1wolvld,1'l ; p.11t1r dos di(ercnlcs tipos c.lc mobiliário de modo a ongrt•g,11 u111 l'Xprcssivo e diversificado público. S;IO equipamentos típicos de um pequeno parque dt• v11l11hança, proposto pela primeira vez como conjunto t' 1l'l.1livnmente à escala da cidade. Pela leitura do projeto, a intcnç, o loi proporcionar um espaço recreativo para a população, Lendo 1 omo foco a contemplação do monumento, e oferecer atividadcH para as crianças e jovens permanecerem desfrutando o cspn ~·o llvre e vegetado. D N GJ (bE Gr-L--f Fig. 2. Jardim para a Capela da Jaqueira, detalhe do projeto de Roberto Buril· M111 ~ . Esc. 1:200, cerca de 1951, digitalizado a partir do original pertencente ao IPI l/N 1111 , desenho de Luísa Acioli dos Santos, 2013. Fonte: Laboratório da Paisagem/VFPll,, jardins de Burle Marx no Nordeste do Brasil 7 1