Apostila toxicologia básica

10,962 views

Published on

0 Comments
2 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
10,962
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
3
Actions
Shares
0
Downloads
380
Comments
0
Likes
2
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Apostila toxicologia básica

  1. 1. 1
  2. 2. GOVERNO DO ESTADO DA BAHIASECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA – SESABApostila de Toxicologia BásicaApostila de Toxicologia BásicaREALIZAÇÃOCentro de Informações Antiveneno da Bahia – CIAVEAUTORESDaisy Schwab RodriguesDaniel Santos RebouçasAna Maria Souza TelesJucelino Nery da Conceição FilhoCesar Roberto Rocha GuimarãesOsvaldo Aurélio Magalhães de SantanaGustavo Mustafa TanajuraSoraya Carneiro Carvalho RigoCOLABORAÇÃOSonia Helena Jesus dos SantosÍ N D I C ECapítulo Assunto PáginaI Introdução à Toxicologia 3II Atendimento Inicial ao Intoxicado Agudo 11III Condutas de Enfermagem nas Intoxicações Agudas 16IV Antídotos 22V O Laboratório nas Intoxicações 29VI Intoxicações por Domissanitários e Raticidas 31VII Intoxicações por Pesticidas 34VIII Intoxicações por Medicamentos 37IX Intoxicações por Plantas 40X Ofidismo 43XI Escorpionismo 51XII Araneísmo 53XIII Acidentes Causados por Outros Animais 56XIV Bibliografia 61XV Plantas – fotos coloridas 64XVI Animais Peçonhentos – fotos coloridas 66XVII Acidentes – fotos coloridas 68XVIII Animais Marinhos – fotos coloridas 70Salvador – BahiaAgosto de 20092
  3. 3. INTRODUÇÃO À TOXICOLOGIAO Centro de Informações Antiveneno – CIAVE foi inaugurado em agosto de 1980 pela Secretaria da Saúde doEstado da Bahia - SESAB, sendo o segundo implantado pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas - SNITF (hoje SINITOX), dos 37 Centros atualmente existentes no país.Único na Bahia, o CIAVE é o Centro de Referência Estadual em Toxicologia. Está ligado à SESAB através daSuperintendência de Atenção Integral à Saúde - SAIS, ao SINITOX (Fiocruz) e à Gerência Geral deToxicologia - GGTOX da ANVISA, como membro da Rede Nacional de Centros de Informação e AssistênciaToxicológica – RENACIAT.ATIVIDADES DESENVOLVIDAS Normatização, regulação e controle de atividades ligadas à Toxicologia em todo o Estado da Bahia. Orientação toxicológica para prevenção, diagnóstico e tratamento de intoxicações exógenas para serviçosde saúde públicos e privados, assim como à população em geral, em plantões permanentes 24 horas. Orientação toxicológica para prevenção, diagnóstico e tratamento de intoxicações exógenas em pacientesveterinários. Atendimento médico de urgência e acompanhamento de pacientes intoxicados. Identificação, investigação e prevenção dos riscos tóxicos em todos os níveis, visando o controle destesriscos nas comunidades, através dos Programas de Toxicovigilância. Capacitação de recursos humanos em Toxicologia para profissionais, estudantes e demais agentes desaúde em todo o Estado, através do seu Núcleo de Estudos e Pesquisas - NESPEC. Divulgação dos riscos tóxicos e medidas preventivas de intoxicação, com a elaboração e distribuição defolhetos, cartazes, cartilhas, etc. através do NESPEC. Descentralização e apoio à rede estadual de saúde nas atividades ligadas à Toxicologia. Consulta e acompanhamento psicológico de pacientes com distúrbios de conduta, especialmentetentativas de suicídio. Prevenção e acompanhamento ambulatorial de pacientes com depressão, através do seu Núcleo de Estudoe Prevenção ao Suicídio – NEPS, para a rede pública de saúde. Realização de análises toxicológicas de urgência em pacientes atendidos pelo CIAVE e demais unidadesda rede pública de saúde. Manutenção de banco de antídotos específicos e utilização destes em pacientes intoxicados atendidos peloCIAVE e outras unidades de saúde pública. Coordenação do Programa Nacional de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos no Estado daBahia e distribuição de soros para as Diretorias Regionais de Saúde. Manutenção do Laboratório de Animais Peçonhentos e do Jardim de Plantas Tóxicas para fins didáticos,auxílio diagnóstico e orientação à população.REQUISITOS ESSENCIAIS PARA FUNCIONAMENTO DOS CENTROS ANTIVENENO:Profissionais experientesPlantões permanentes de 24 horasBancos de dados toxicológicos completosCONCEITOS BÁSICOSToxicologia é a ciência que estuda a natureza e o mecanismo das lesões tóxicas nos organismos vivosexpostos aos venenos. Segundo definição de Casarett: “Toxicologia é a ciência que define os limites desegurança dos agentes químicos, entendendo-se como segurança a probabilidade de uma substância nãoproduzir danos em condições especiais”.Veneno é toda substância que incorporada ao organismo vivo, produz por sua natureza, sem atuarmecanicamente, e em determinadas concentrações, alterações da fisico-química celular, transitórias oudefinitivas, incompatíveis com a saúde ou a vida.Paracelso, no século XVI já estabelecia o aforismo básico: “Todas as coisas são venenosas, é a dose quetransforma algo em veneno”.Intoxicação Exógena ou Envenenamento: É o resultado da contaminação de um ser vivo por um produtoquímico, excluindo reações imunológicas tais como alergias e infecções.Para que haja a ocorrência do envenenamento são necessários três fatores: substância, vítima em potencial esituação desfavorável.Toxicidade é a capacidade de uma substância produzir efeitos prejudiciais ao organismo vivo.3
  4. 4. FASES DA TOXICOLOGIAA Toxicologia tem sido caracterizada através dos séculos por circunstâncias que podem situá-la em três fases:a) Descoberta dos tóxicos na natureza: alimentos, plantas e animais;b) Fins primitivos e homicidas: arsênico, cianeto, estricnina, etc;c) Toxicologia Moderna: Intoxicações profissionais, alimentares, iatrogênicas, etc.CIÊNCIAS DA TOXICOLOGIAA Toxicologia busca o conhecimento das manifestações produzidas pelos venenos no organismo e tudo que serelaciona aos mesmos. Por suas variadas áreas de interesse é uma ciência multidisciplinar, pois é integrada porvárias ciências:• Química Toxicológica: Estrutura Química e Identificação dos Tóxicos.• Toxicologia Farmacológica: Efeitos Biológicos e Mecanismos de Ação.• Toxicologia Clínica: Sintomatologia, Diagnóstico e Terapêutica.• Toxicologia Ocupacional: Prevenção, Higiene do Trabalho.• Toxicologia Forense: Implicações de Ordem Legal e Social.• Epidemiologia das Intoxicações.• Toxicologia Ambiental.• Toxicologia dos Alimentos.Estas ciências interessam, portanto, aos profissionais de várias áreas: médicos, sanitaristas, farmacêuticos,ecologistas, veterinários, biólogos, psicólogos, etc., cada um visualizando o veneno por uma determinadaótica.PROGRAMAS DE TOXICOVIGILANCIACentros Antiveneno têm como missão e responsabilidade o controle, a prevenção, o diagnóstico e o tratamentodas intoxicações exógenas, e para isto devem desenvolver ações de toxicovigilância permanentes.AÇÕES DE TOXICOVIGILÂNCIA1. Identificação de problemas: estudos epidemiológicos, avaliação de riscos;2. Medidas de controle dos produtos: proibição, restrição, uso controlado;3. Desenvolvimento de ações conjuntas com órgãos de Saúde, Vigilância e Meio Ambiente públicos eprivados, Justiça, Órgãos de Classe, etc.;4. Capacitação de profissionais em Toxicologia;5. Conscientização da população: campanhas educativas, divulgação das medidas de prevenção e controle.EPIDEMIOLOGIA DAS INTOXICAÇÕESOs produtos químicos são indispensáveis para o desenvolvimento das atividades do homem, à prevenção ecura das doenças e ao aumento da produtividade agrícola. Entretanto, o uso inadequado e abusivo tem causadoefeitos adversos à saúde humana e à integridade do meio ambiente, ocasionando acidentes individuais,coletivos e de grandes proporções: as catástrofes químicas.A ocorrência de envenenamentos é um grave problema de saúde pública em todos os países do mundo, tendoduplicado nos últimos 10 anos, devido principalmente à grande quantidade de produtos químicos lançados,anualmente, no mercado para consumo das populações.Nos países desenvolvidos pode atingir a 2% da população e naqueles em desenvolvimento a 3%. Os EstadosUnidos estimam a ocorrência anual de 4 milhões de exposições tóxicas, sendo registrados cerca de 2 milhões,50% em menores de 5 anos. No Brasil, as estimativas são de 3 milhões de intoxicações anuais, a maioria semregistro devido à subnotificação e às dificuldades de diagnóstico. As estatísticas variam em função dospadrões culturais, sociais e econômicos. Nos países desenvolvidos há maior ocorrência de intoxicações porprodutos químicos e medicamentos e nos países em desenvolvimento, além desses agentes, por animaispeçonhentos, plantas venenosas e pesticidas agrícolas. O Brasil, sendo um grande pólo industrial tem elevadopercentual de intoxicações por produtos químicos em todas as fases: fabricação, manipulação, transporte, edescarte. É grande consumidor de medicamentos sendo estas intoxicações provocadas por automedicação,4
  5. 5. superdosagens, iatrogenias, acidentes e tentativas de suicídio. Nosso país é também grande consumidor depesticidas, e estas intoxicações ocorrem devido ao uso excessivo e indiscriminado destes produtos,desconhecimento dos trabalhadores rurais dos perigos dos mesmos, falta de equipamento de proteçãoindividual (EPI) e principalmente pelo uso doméstico de pesticidas de elevado potencial tóxico, fabricadosexclusivamente para fins agrícolas.Há também elevada ocorrência de acidentes por animais peçonhentos representando para alguns estados doBrasil o maior percentual de envenenamentos registrados.ALGUNS GRUPOS DE AGENTES QUE CAUSAM INTOXICAÇÕES E SUAS CARACTERÍSTICASMedicamentos: Tipo mais freqüente de intoxicação em todo o mundo, inclusive no Brasil. Ocorrefrequentemente em crianças e em tentativas de suicídio.Domissanitários: Produtos de composição e toxicidade variada, responsável por muitos envenenamentos.Alguns são produzidos ilegalmente por “fábricas de fundo de quintal”, e comercializados de “porta em porta”.Geralmente tem maior concentração, causando envenenamentos com maior freqüência e de maior gravidadeque os fabricados legalmente.Inseticidas de uso Doméstico: São pouco tóxicos quando usados de forma adequada. Podem causar alergias eenvenenamento, principalmente em pessoas sensíveis. A desinsetização em ambientes domiciliar, comercial,hospitalar, etc., por pessoa ou “empresa” não capacitada pode provocar envenenamento nos aplicadores,moradores, animais domésticos, trabalha-dores e principalmente em pessoas internadas, ao se utilizaremprodutos tóxicos nestes ambientes.Pesticidas de Uso Agrícola: São as principais causas de registro de óbitos no Brasil, principalmente pelo usoinadequado e nas tentativas de suicídio.Raticidas: No Brasil, só estão autorizados os raticidas à base de anticoagulantes cumarínicos. São grânulos ouiscas, pouco tóxicos e mais eficazes que os clandestinos, porque matam o rato, eliminam as colônias. Autilização de produtos altamente tóxicos, proibidos para o uso doméstico tem provocado envenenamentosgraves e óbitos.Animais Peçonhentos: Constitui o grupo de maior número de casos registrados em nosso Estado. Isto se devea alguns fatores. A Bahia é um Estado com extensa área rural, onde a ocorrência de acidentes por animais égrande. Além de registrar os casos de atendimento direto e telefônico que realiza como Centro de ReferênciaEstadual em Toxicologia, o CIAVE é o órgão estadual responsável pelo Programa Nacional de Controle deAcidentes por Animais Peçonhentos do Ministério da Saúde, recebendo das Unidades de Saúde de todo oEstado, as notificações dos casos de acidentes por animais peçonhentos, através do Sistema de Informação deAgravos de Notificação (SINAN), uma vez que são de notificação obrigatória, conforme portaria nº 1.234 de29/07/2004.Número de acidentes por animais peçonhentos notificados ao CIAVE através do SINAN.Verifique outros dados epidemiológicos a seguir.5Ano de Ocorrência Nº de Casos2000 5.6142001 6.5102002 7.4032003 8.2052004 8.4072005 9.9512006 8.4942007 7.4132008 9.854Fonte: SESAB/CIAVE-BA/SINAN
  6. 6. ESTATÍSTICAS DE INTOXICAÇÕES EXÓGENASBRASIL – FIOCRUZ - SinitoxFigura 1 - Casos Registrados de Intoxicação Humana, de Intoxicação Animal e de Solicitação de Informaçãopor Grupo do Agente Tóxico. Brasil, 2007.BAHIA: Atendimentos Registrados pelo CIAVE - BAHIAFigura 2 – Nº de Atendimentos segundo Ano de Ocorrência – Bahia 1995 – 2008601.0002.0003.0004.0005.0006.0007.0008.000Atendimentos 4.973 5.221 4.421 4.793 5.078 6.122 7.176 7.464 7.125 6.946 6.844 6.930 7.065 7.1331995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
  7. 7. Figura 3 - Casos Registrados de Intoxicação Humana, de Intoxicação Animal e deSolicitação de Informação por Grupo do Agente Tóxico. CIAVE – Bahia, 2007._____Vítima_____ Solicit. de T o t a lAgente Humana Animal Informação Nº %Medicamentos 1.526 2 6 1.534 21,71Agrotóxicos/Uso Agrícola 192 4 3 199 2,82Agrotóxicos/Uso Doméstico 157 4 1 162 2,29Produtos Veterinários 103 1 104 1,47Raticidas 654 39 2 695 9,84Domissanitários 379 1 380 5,38Cosméticos 64 64 0,91Prod. Químicos Industriais 470 16 6 492 6,96Metais 17 1 1 19 0,27Drogas de Abuso 115 1 116 1,64Plantas 135 3 1 139 1,97Alimentos 25 25 0,35An. Peçonhentos/Serpentes 910 17 19 946 13,39An. Peçonhentos/Aranhas 124 8 132 1,87An. Peçonhentos/Escorpiões 820 2 17 839 11,88Outros animais peç./venenosos 207 2 7 216 3,06Animais não Peçonhentos 658 2 25 685 9,70Desconhecido 261 5 2 268 3,79Outro 46 2 2 50 0,71T o t a l 6.863 101 101 7.065 100,00Fonte: SESAB / CIAVE-BAHIAFigura 4 - Casos Registrados de Intoxicação Humana. Circunstâncias mais freqüentes.CIAVE – Bahia, 2007.7Fonte: SESAB/CIAVE-BahiaFonte: SESAB/CIAVE-BahiaAcidente Individual58%Tentativa de Suicídio22%Abuso1%Uso Terapêutico1%Ignorada4%Acidente Coletivo2%Erro deAdm inistração2%Auto-Medicação1%Outras2%Ocupacional7%
  8. 8. Figura 5 - Casos Registrados de Intoxicação Humana, segundo Faixa Etária e Sexo.CIAVE – Bahia, 2007.Figura 6 – Intoxicações Humanas – Número de Óbitos segundo Grupo do Agente.CIAVE – Bahia, 2007.Figura 7 – Percentual de Óbitos segundo Grupo de Agentes. CIAVE – Bahia, 20078Faixa EtáriaSexo TotalMasculino Feminino Ignorado Nº %<1 ano 52 38 5 95 1,41 a 4 anos 657 506 1 1.164 17,05 a 9 anos 319 216 535 7,810 a 14 anos 265 248 513 7,515 a 19 anos 297 381 1 679 9,920 a 29 anos 791 750 3 1.544 22,530 a 39 anos 438 445 1 884 12,940 a 49 anos 354 296 650 9,550 a 59 anos 212 183 2 397 5,860 a 69 anos 130 82 212 3,170 a 79 anos 55 43 98 1,480 anos ou + 25 22 47 0,7Ignorada 24 19 2 45 0,7Total 3.619 3.229 15 6.863 100,0% 52,7 47,1 0,2 100,0Fonte: SESAB / CIAVE-BAHIAFonte: SESAB/CIAVE-BahiaSerpentes10%Medicam entos8%Escorpiões11%Agrotóxicos / UsoAgrícola18%Raticidas39%Aranhas3%Ignorado3%Outros Anim aisPeçonhentos2%Agrotóxicos / UsoDom éstico1%Produtos Quím icosIndustriais3%Drogas de Abuso1%Plantas1%Fonte: SESAB/CIAVE-Bahia33159873332111RaticidasAgrotóxicos / Uso AgrícolaEscorpiõesSerpentesMedicamentosIgnoradoAranhasProdutos Químicos IndustriaisOutros Animais PeçonhentosDrogas de AbusoAgrotóxicos / Uso DomésticoPlantas
  9. 9. Programa Nacional de Controle de Acidentes por Animais PeçonhentosNotificações via SINAN – Estado da BahiaFigura 8 – Casos Notificados, segundo Ano e Tipo de Animal. Bahia 1995 - 2008.Figura 9 – Nº de Casos segundo Evolução e Tipo de Animal. Bahia, 2003 – 2008.901.0002.0003.0004.0005.0006.0007.0008.0009.00010.000Serpentes 1.679 1.487 2.016 1.723 1.843 3.350 5.130 5.978 5.408 3.499 2.558 2.065 2.243 2.728Escorpiões 856 912 981 1.131 2.345 6.146 7.292 8.951 7.920 5.758 6.123 4.321 4.989 6.899Aranhas 34 26 19 28 78 120 145 165 266 193 146 157 183 2271995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008010.00020.00030.00040.00050.00060.000Cura Óbito Outra IGN TotalCura 13.213 906 29.786 775 542 840 46.062Óbito 93 2 92 5 2 4 198Outra 4 0 2 0 0 1 7IGN 1.960 114 2.005 97 56 4.561 8.793Total 15.270 1.022 31.885 877 600 5.406 55.060Serpente Aranha Escorpião Abelha Outros IGN Total
  10. 10. Figura 10 – Número de casos segundo Diretoria Regional de Saúde (DIRES) eAno de Ocorrência. Bahia, 2003 - 2006.DIRES Ano do AcidenteNº e Município Sede 2003 2004 2005 2006 TOTAL20 - Vitória da Conquista 805 923 1.143 730 3.60113 - Jequié 792 960 1.013 772 3.53724 - Caetité 840 616 1.010 903 3.36918 - Itaberaba 451 449 706 615 2.22126 - Santa Maria da Vitória 413 424 555 506 1.89802 - Feira de Santana 322 428 486 429 1.66507 - Itabuna 487 443 394 319 1.64325 - Barreiras 309 452 460 319 1.54029 - Amargosa 285 335 410 373 1.40327 - Seabra 245 264 383 320 1.21214 - Itapetinga 334 263 289 301 1.18719 - Brumado 194 274 303 273 1.04415 - Juazeiro 192 165 266 321 94409 - Teixeira de Freitas 233 259 237 205 93403 - Alagoinhas 234 241 222 200 89721 - Irecê 195 173 251 268 88723 - Boquira 183 178 207 207 77508 - Eunápolis 191 190 173 172 72606 - Ilhéus 316 185 120 93 71417 - Mundo Novo 144 149 173 219 68516 - Jacobina 144 173 179 164 66004 - Sto. Antônio de Jesus 160 194 145 136 63505 - Gandu 162 149 195 127 63330 - Guanambi 209 132 143 131 61501 - Salvador * 107 129 96 68 40012 - Serrinha 69 90 114 108 38131 - Cruz das Almas 13 38 129 76 25622 - Ibotirama 59 52 46 65 22228 - Senhor do Bonfim 45 39 55 36 17511 - Cícero Dantas 40 32 19 15 10610 - Paulo Afonso 32 8 29 23 92Total 8.205 8.407 9.951 8.494 35.057Fonte: SESAB/CIAVE-BA/SINANFigura 11 – Número de Ampolas Notificadas, segundo o Tipo de Soro Antipeçonhento. Bahia,2003 - 2006.TIPO DE SORO NºSoro Antibotrópico 54.271Soro Antiescorpiônico 21.827Soro Anticrotálico 4.842Soro Antibotrópico-Laquético 1.227Soro Antibotrópico-Crotálico 798Soro Antiaracnídico 650Soro Antielapídico 447Outros/Ignorado 192Total 84.254Fonte: SESAB/CIAVE-BA/SINAN10Fonte: SESAB/CIAVE-BA/SINAN
  11. 11. ABORDAGEM INICIAL AO INTOXICADO AGUDOA Toxicologia como ciência que estuda a natureza e o mecanismo das lesões tóxicas nos organismos expostosaos venenos, tem nos seus primórdios a descoberta dos tóxicos na natureza, representados pelos alimentosnocivos e animais venenosos. Posteriormente, ampliou-se o conhecimento e o desenvolvimento dos venenoscom finalidades punitivas e homicidas, principalmente no período da Idade Média. Desta fase adveio oconceito errôneo de que somente algumas das substân-cias são venenosas como por exemplo o cianeto, oarsênico e o ácido sulfúrico. Como conseqüência disto, há até os dias atuais um enorme descaso em relação aopotencial de causar envenenamento da grande maioria das substâncias, plantas e mesmo animais. Atualmente,a Toxicologia tem se desenvolvido em várias áreas do conhecimento humano, adquirindo novascaracterísticas, com implicações de natureza social, profissional, ambiental, etc.Neste contexto, semelhante ao que ocorreu em outras áreas da ciência, em todo o mundo houveprogressivamente a necessidade da criação de Centros Especializados que pudessem armazenar edisponibilizar informações sobre os agentes tóxicos em geral, assim como capacitar pessoal, visandouniversalizar os procedimentos que permitissem diagnosticar e tratar de forma eficaz, eficiente e em localmais próximo possível de onde tenha ocorrido o envenenamento, visando diminuir a ocorrência de casosgraves e óbitos, combatendo também a “Iatrogenia Antitóxica”, tão comum entre nós.De uma maneira geral, o atendimento a uma pessoa intoxicada representa um momento diferenciado numaUnidade de Saúde, especialmente em situações agudas. Independentemente da origem e do agente causador, oenvenenamento agudo costuma estar acompanhado de intensa carga emotiva não só dos pacientes,acompanhantes e familiares, mas também da equipe de saúde.Toda essa “pressão” recai principalmente sobre o médico - emergencista, que se vê aflito pela falta deinformação sobre o agente responsável pela intoxicação, aliada ao seu pouco conhecimento básico sobreToxicologia, as substâncias tóxicas, seus efeitos no organismo, diagnóstico, terapêutica , etc.ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS•Intoxicação exógena ou envenenamento: Cientificamente os dois termos significam a mesma coisa: é oresultado da contaminação de um ser vivo por uma substância química, excluindo as reações imunológicas,como alergias, e infecções. Para que ocorra um envenenamento são necessários três fatores: substância, vítimaem potencial e situação desfavorável.•Veneno: É toda substância que incorporada ao organismo vivo, por sua natureza, sem atuar mecanicamente eem determinadas concentrações, produz alterações transitórias ou definitivas da físico-química celularincompatíveis com a saúde ou com a vida.•Toxicidade: Capacidade que uma substância tem de produzir efeitos prejudiciais ao organismo vivo. Fatoresque interferem na toxicidade: dose, via de contato, distribuição no tempo, fatores relativos às substâncias(composição química, quantidade e concentração, duração de exposição, solubilidade, estado de dispersão,etc) e fatores relativos ao organismo (idade, sexo, gravidez, idiossincrasia, hábito, tolerância, etc.)•Grupos de alto risco: Crianças menores de 05 anos, idosos, alguns trabalhadores, deficientes e doentesmentais, analfabetos, portadores de doenças agudas ou crônicas e os animais.•Agentes: GruposClassificação utilizada pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-farmacológicas (SINITOX):Medicamentos, Agrotóxicos (Agrícola/Doméstico), Produtos Veterinários, Raticidas, Domissanitários,Cosméticos, Produtos Químicos Industriais, Metais, Drogas de Abuso, Plantas, Alimentos, Serpentes,Aranhas, Escorpiões, Outros Animais Peçonhentos, Animais Não Peçonhentos e Outros Agentes. Apesar dagrande variedade de agentes tóxicos, alguns grupos são responsáveis pela maioria dos casos.Historicamente, em todo o mundo, os medicamentos são as substâncias mais envolvidas em intoxicações(25%). No Brasil, segundo o SINITOX, os acidentes por animais peçonhentos ocupam o 2º lugar em nº decasos (20%), seguidos dos raticidas, domissanitários, agrotóxicos e produtos químicos em geral. Menosfreqüentes são os registros de intoxicações por plantas, drogas de abuso, cosméticos e produtos veterinários.Apesar desta distribuição, alguns agentes tóxicos merecem destaque, seja por suas característicastoxicológicas ou principalmente pelo potencial de causar lesões graves, irreversíveis ou mesmo o óbito. Sãoexemplos: os raticidas clandestinos, os gases tóxicos, as substâncias cáusticas, os derivados de petróleo, asmúltiplas picadas por abelhas e vespas, dentre outras. O maior número de óbitos tem sido causado pelosagrotóxicos, raticidas, medicamentos e animais peçonhentos.11
  12. 12. •Etiologia das intoxicações - alguns exemplos:1. Acidental: medicamentos e domissanitários em crianças. Animais peçonhentos em adultos;2. Iatrogênica: alergias, superdosagem -AAS, xaropes;3. Ocupacional: animais peçonhentos, agrotóxicos, produtos industriais;4. Suicida: medicamentos, agrotóxicos, raticidas;5. Violência: homicídios e maus tratos;6. Endêmica – água, ar e alimentos: metais, poeiras, resíduos;7. Social: Toxicomanias: tabaco, álcool, maconha, cocaína, crack;8. Genética: falhas genéticas, déficits enzimáticos;9. Esportivas: doping;10.Ambiental: gases e vapores industriais, transporte de cargas químicas, contaminações da água e alimentos.•DiagnósticoPara o diagnóstico de envenenamento existem em geral três hipóteses:1. Exposição a um veneno conhecido;2. Exposição a alguma substância desconhecida que pode ser veneno;3. Agravo de causa desconhecida, onde o envenenamento deve ser considerado para o diagnósticodiferencial;Nas três situações, o diagnóstico baseia-se em:a) Investigação: história da exposição e manifestações, roupas, recipientes, possível exposição;b) Informações: manifestação inesperada de doença, passagem brusca de estado de saúde para intensosdistúrbios;c) Relacionar quadros obscuros: ambiente, situações, profissões;d) Aparecimento simultâneo em várias pessoas;e) Achados clínicos de envenenamento;f) Amostras: conteúdo gástrico, urina e sangue.Escala de REED, para estado de consciência - Mais adequada que a de Glasgow para casos de intoxicação:GRAU ACHADOS CLÍNICOS0 Acordado, responde a perguntas1 Comatoso, reflexos intactos, retira o membro ao estimulo doloroso.2Comatoso, reflexos intactos, não retira membro ao estímulo doloroso, sem depressãorespiratória ou circulatória.3 Comatoso, reflexos ausentes, sem depressão respiratória ou circulatória.4 Reflexos ausentes, com depressão respiratória ou circulatória•Diagnóstico laboratorial:Os exames laboratoriais são importantes no atendimento a um paciente intoxicado. Os principais objetivossão: afastar ou confirmar uma intoxicação, avaliar o grau de agressão que o agente tóxico está causando noorganismo e auxiliar na avaliação do tratamento. Eles fornecem importantes subsídios para um diagnóstico eacompanhamento mais seguros destes pacientes. Vale ressaltar que nem sempre estes exames sãoimprescindíveis para o diagnóstico e/ou tomada de decisão. Podemos classificá-los assim: 1.Análises Clínicas:a) Gerais: hemograma, glicemia, eletrólitos, uréia, creatinina, bilirrubinas, CPK, aminotransferases,hemogasometria arterial, sumário de urina, etc. b) Específicas: tempo de protrombina, tempo de coagulação,ferro sérico, etc. 2.Análises Toxicológicas: análise do agente químico propriamente dito e/ou de seus produtosde biotransformação. A existência de um Centro de Referência em Toxicologia com recursos laboratoriais dáum suporte melhor ao atendimento de pacientes intoxicados. As solicitações de exames de triagem (screening)toxicológicos não devem ser feitas de forma indiscriminada, pois tem um alto custo e pouco valor prático. Éimportante que o médico indique a sua suspeita diagnóstica, dose ingerida, tempo decorrido entre a exposiçãoe o atendimento, sinais e sintomas, uso de antídotos ou outros medicamentos.Nos casos mais complexos, é importante que haja um contato direto com o analista, para que se possa concluirqual a amostra que melhor represente a biodisponibilidade, a eliminação ou o efeito do toxicante noorganismo, a técnica a ser utilizada e quais análises a serem realizadas permitindo a obtenção de resultadoscom maior agilidade. Nas intoxicações agudas, o sangue (soro e plasma) e a urina são as amostras maisusadas; líquido de lavagem gástrica, vômitos, restos de alimentos e medicamentos encontrados junto ao12
  13. 13. paciente também são importantes. A urina é empregada como amostra de escolha tanto para o controle dadopagem quanto para o da dependência a drogas.•Algumas manifestações em intoxicações◊ Taquicardia: atropina, anfetamina, corante, antidepressivos tricíclicos;◊ Bradicardia: digitálicos, beta-bloqueadores, espirradeira, barbitúricos;◊ Hipertermia: anfetaminas, atropina e AAS;◊ Hipotermia: barbitúricos, sedativos e insulina;◊ Hiperventilação: salicilatos e teofilina;◊ Depressão respiratória: morfina, barbitúricos, antidepressivos e sedativos, álcool;◊ Hipertensão: anfetaminas e fenciclidina;◊ Hipotensão: barbitúricos antidepressivos, sais de ferro e teofilina;◊ Rubor da pele - atropina, plantas tóxicas;◊ Midríase - atropina e anfetaminas;◊ Miose: orgnofosforados e carbamatos, pilocarpina, .fenotiazínicos;◊ Hemorragia oral: anticoagulantes, sais de ferro, acidentes ofídicos;◊ Delírios e alucinações:anfetaminas, atropina, salicilatos, plantas, álcool, cocaína, maconha◊ Distúrbios Visuais - metanol, ofídismo;◊ Convulsão: organoclorados, anti-histaminicos, estricnina, cianetos, anfetaminas, nicotina.•Etapas básicas na atenção ao intoxicado agudo:1) Avaliação do estado geral do paciente - sinais vitais2) Anamnese cuidadosa - Verificar se o paciente apresenta distúrbios que representem risco de morteiminente e procurar corrigi-los: Respiratórios: obstrução das vias aéreas, apnéia, frequência respiratória,estertores; Cardiocirculatórios: TA, frequência e ritmo; Neurológicos: escala de REED;Bioquímicos/metabólicos; Sanguíneas.3) Estabelecimento do diagnóstico;4) Procedimentos terapêuticos - Diminuir a exposição do organismo ao tóxico (Descontaminação),aumentar a excreção do tóxico já absorvido (diurese forçada, exsanguíneo-transfusão, diálise peritoneale hemodiálise) utilizar antídotos e antagonistas (tabela), além do tratamento de suporte, sintomático edas complicações.PRINCIPAIS SÍNDROMES TOXICOLÓGICASNome Quadro Clínico CausasAnti-colinérgicaBoca seca, pele seca, ruborfacial, midríase, íleo paralítico,desorientação, hipertermia,retenção urináriaAnti-histamínicos, atropina, escopola-mina, antidepressi-vos tricíclicos, ve-getais beladonadas e outros.Colinérgica Lacrimejamento, sia-lorréia,miose, sudore-se, broncorréia,incon-tinências, vômitos,bradicardia, tremores.Carbamatos, fosforados, fisostigminae alguns cogumelos.Simpatico-miméticaAnsiedade, vômitos,taquicardia, tremores,convulsão, midríase, sudorese.Cocaína, teofilina, anfetamina,pseudo-efedrina.Extra-piramidalCoréia, atetose, hiper-reflexia,hipertonia, trismo, opistótono,rigidez, tremores.Haloperidol, fenotiazínicos.Narcótica Depressão respirató-ria, coma,miose, bradicardia,hipotermiaHeroína, codeína, propoxifeno.Hipnótico-sedativaConfusão, estupor, depressãorespiratória, delirium, letargia,disartria, hipotermia.Benzodiazepínicos,anticonvulsivantes, antipsicóticos,barbitúricos, etanol, fentanil,13
  14. 14. opiáceos.•Cuidados gerais imediatos:1. Procurar identificar o veneno - Toxinas conhecidas em prováveis quantidade e concentração –Epidemiologia;2. Verificar a via de penetração (cutânea, inalatória, ocular, oral, parenteral, etc);3. Verificar o tempo de exposição e o decorrido;4. Guardar qualquer tipo de material para posterior análise: comprimidos, embalagem de produtos, garrafas,seringas, plantas, vômitos, etc;5. Interrogar sobre sintomas prévios apresentados6. Interrogar sobre medidas tomadas: vômitos, diluição com água ou leite, etc;7. Interrogar sobre condições clínicas prévias;8. Verificar lesões de boca (queimaduras/manchas indicam ingestão de comprimidos ou químicos);9. Verificar sinais de injeções em músculos e veias (Toxicomanias);10. Retirar o paciente transportando-o do local;11. Retirar as roupas contaminadas e lavar abundantemente na contaminação dérmica protegendo-se comluvas impermeáveis;12. Nunca provocar vômitos em crianças menores de 2 anos, grávidas no 3º trimestre, paciente inconscienteou que tenha ingerido substâncias corrosivas ou derivados de petróleo;13. Provocar vômitos ou realizar lavagem gástrica até 4 horas. Em alguns casos, até 24 horas: salicilatos,tricíclicos e barbitúricos;14. Observar instruções para venenos específicos;15. Atenção especial às drogas de efeito retardado: Tempo máximo dos primeiros sintomas: Paracetamol-36dias, Rícino-4d, Salicilatos-12 d, Tálio-4 d, Metalaldeído-48 h, Paraquat-48 h, Metanol - 48 h, Arsina-24 h,Cogumelos - 12 h, Vapores de Metais - 8 h, EtilenoGlicol - 06 h.PRODUTOS DE BAIXA TOXICIDADE - NÃO EXIGEM TRATAMENTO◊ Canetas esferográficas;◊ Lápis , giz, massa de modelar◊ Sabão em pedra◊ Brinquedos de Banheira◊ Xampu - espuma de banho◊ Pintura para olhos - batom◊ Loção e creme para mãos ou para barba◊ Sachê, Pasta de dentes◊ Velas, Aditivos para aquários◊ Bateria (seca)TRATAMENTO DE URGÊNCIA - C O N C O M I T A N T E M E N T E142) CONTRA O VENENO:a) Descontaminação gasosa- Ventilação e Assistência respiratória.b) Descontaminação cutâneo-mucosa- Lavagem prolongada – banho, Mudança de roupas e Antídotoslocais.c) Descontaminação digestivaEsvaziamento Gástrico: Vômitos e Lavagem Gástrica, CarvãoAtivado e Laxantes.d) AntídotosPor competição (B.A.L.), por quelação (E.D.T.A.) e Enzimologia.e) Eliminação do TóxicoDiurese forçada, Quelantes, Alcalinização ou acidificação do meiointerno.Exsanguíneo-transfusão, diálise peritoneal e hemodiálise- Condições:(1) Quando o veneno não reconhece tratamento específico e é muitotóxico.(2) Quando o enfermo se agrava - hemólise, hipercalemia, uremia,cianose, icterícia.(3) Quando o tóxico é dialisável.1) A FAVOR DO ENFERMO:a) ImediatoReanimação das funçõesvegetativas, choque, apnéia efibrilação ventricular;b) Mediato- Busca de possíveiscomplicações: metabólicas,infecciosas, funcionais.- Profilaxia integral (estudo domeio interno)- Proteção antecipada segundo aação do veneno (nefrotóxico,hepatotóxico, etc.)- Abstenção de iatrogeniaantitóxica.c) Tardio- Reabilitação- Psicoterapia- Clínica Geral.12◊ Tinta (azul, preta, vermelha)◊ Jornal◊ Desumificadores◊ Graxa de sapato (ocasionalmente anilina)◊ Superfície de riscos de caixa de fósforos◊ Edulcorantes (sacarina, ciclamato)◊ Anéis de borracha para dentição◊ Termômetro (Mercúrio)◊ Detergentes aniônicos◊ Maioria das plantas - folhas e flores
  15. 15. Alguns antídotos e antagonistas e principais intoxicações em que são usados:Antídoto/antagonista Agente tóxicoÁlcool Absoluto Metanol e EtilenoglicolAtropina Organofosforado e CarbamatoAzul de Metileno a 2% MetahemoglobinizantesBiperideno Fenotiazínicos, e ButirofenonasCarvão Ativado Várias substânciasDesferoxamina FerroDimercaprol (BAL) Arsênico, Chumbo e MercúrioEDTA Cálcico Chumbo e UrânioFlumazenil Benzodiazepínicosn-Acetilcisteína Acetaminofen (Paracetamol)Produtos que exigem tratamento, se ingeridos em grande quantidade:◊ Loção após barba, suavizantes corporais, colônia, desodorantes, spray para cabelo, tintura para cabelo,tônico para cabelo, Água de Toalete, bronzeadores, amaciadores de tecidos, marcadores indeléveis efósforos (mais de 20 fósforo de madeira ou 2 caixas de papel);ESVAZIAMENTO GÁSTRICO - Emese e Lavagem GástricaNa literatura consultada, persistem as controvérsias quanto ao melhor método de esvaziamento gástrico,levando-se em conta a variedade de situações encontradas nos envenenamentos por ingestão, principalmenteem relação ao tempo decorrido máximo para realização das medidas, tipo de agentes envolvidos, eficácia eriscos das principais técnicas, etc.Habitualmente, no ambiente hospitalar realizamos a LAVAGEM GÁSTRICA: Até 4 horas da ingestão.Maior tempo em alguns casos.Contra-Indicações (relativas): Crianças com menos de 2 anos, Vítima inconsciente, Vítima em convulsão,Ingestão de substâncias cáusticas, Ingestão de derivados de petróleo.Volume Total. Recém-Nascido: 500 ml, Lactentes: 2 a 3 litros, Pré-Escolares: 4 a 5 litros,Escolares: 5 a 6 litros. Adultos: 6 a 10 litros.Solução utilizada: Soro Fisiológico a 0,9%. Volume por Vez: Crianças: 5ml/Kg e Adultos: 250ml.CARVÃO ATIVADOIndicações: Descontaminação gastrintestinal de agente tóxico com ação prolongada, re-secreção gástrica oucom circulação entero-hepática (doses múltiplas)Mecanismo de ação: Adsorção da maioria das substâncias. Restrições: Não são adsorvidos - Ácidos,álcalis, álcoois, metais, derivados de petróleo, sulfato ferroso, ácido bórico, lítio, cianeto e malathion.Contra-indicações (algumas relativas): Em recém-nascidos, gestantes ou pacientes muito debilitados, naingestão de corrosivos, pacientes com cirurgia abdominal recente e diminuição da motilidade intestinal e noscasos de necessidade de administração de antídotos por via oral (Ex. N-acetilcisteína)Efeitos adversos e complicações: Vômitos, aspiração, constipação, abrasão ocular, obstrução intestinal eInfecção Respiratória.Doses: Crianças: 1g/Kg/dose – Adulto: 30g/dose. Diluição: Adultos – SF a 0,9% ou água - 250ml.Crianças: SF a 0,9% - 5 a 8 ml/Kg. Via: Sonda Nasogástrica ou Oral.Número de doses: Única (maioria dos agentes) ou Múltipla (12, 24, 72h). A 1ª dose logo após a lavagemgástrica. Subsequentes, de 4/4 horas até 12h e depois de 6/6 h até 72 h, se necessário.Algumas substâncias em que está indicado o uso de carvão em doses múltiplas: Carbamatos-Chumbinho (12h)e benzodiazepínicos (24h). Outros podem usar até 72h: Ácido valpróico, amiodarona, amitriptilina, atrazine,carbamazepina, ciclosporina, cloroquina, clorpromazina, clorpropamida, dapsona, digitálicos, diltiazen,disopiramida, dotiepina, doxepin, etanol, fenilbutazona, fenitoína, fenobarbital, gentamicina, imipramina,meprobamato, metotrexate, nadolol, nortriptilina, organofosforados, piroxican, plantas contendo glicosídeoscardiotóxicos, porfirinas, propoxifeno, proscilaridin, qunidina, quinina, salicilatos, sotalol, teofilina evancomicina, dentre outros.LAXANTES SALINOS - Nos casos em que se fará uso de carvão ativado por mais de 12 horas, associa-seuma dose de Sulfato de Sódio ou de Magnésio diluído em 100 a 200ml de SF ou água, VO ou via SNG, após a15
  16. 16. primeira dose diária do Carvão. Doses: Crianças 7g e Adultos 15g. Recomenda-se atenção para a ocorrênciade distúrbios hidro-eletrolíticos.CONDUTAS DE ENFERMAGEM NAS INTOXICAÇÕES AGUDASAs intoxicações exógenas são responsáveis por uma parcela importante dos atendimentos realizados nosserviços de emergência. Na Bahia, um número cada vez maior de pessoas procura esses serviços, vítimas deenvenenamentos agudos causados por variados grupos de agentes tóxicos. Em 1990, o Centro de InformaçõesAntiveneno – CIAVE registrou 2.326 casos de intoxicação humana. Em 2006, este número foi de 6.670 casos.A tabela a seguir mostra esses números por grupo do agente:Os Animais Peçonhentos são responsáveis pelo maior percentual de casos registrados. Estão incluídas nestegrupo as serpentes perigosas, principalmente as do gênero Bothrops, os escorpiões, as aranhas peçonhentas, asabelhas, vespas e outros animais peçonhentos ou venenosos. Em segundo lugar está o grupo dosMedicamentos, sendo mais freqüentes as intoxicações por benzodiazepínicos, fenobarbital, carbamazepina ehaloperidol.Os Raticidas vêm assumindo posição crescente nas estatísticas do CIAVE, particularmente nos últimos anos.Esses envenenamentos, na sua maioria, são causados por produtos convencionalmente chamados de “raticidasclandestinos”, fabricados ilegalmente a partir de vários agrotóxicos e outros produtos químicos que, nomercado informal, recebem nomes populares como “Chumbinho”, “Mil Gatos”, “Última Ceia”, “Pingo deOuro”, dentre outros, e são responsáveis por muitos casos graves com elevado percentual de óbitos. Os dadosde 1990 registram o total de 148 casos, e em 2006 o número foi de 614 casos. Dos demais grupos, ressaltamosas intoxicações por produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica – os domissanitários - que além de seremresponsáveis por um expressivo número de casos, suas vítimas são principalmente crianças menores de cincoanos exigindo cuidados especiais no tratamento.A Toxicologia não faz parte do currículo das Escolas de Enfermagem. A sua abordagem é vista no contextogeral das atividades de curriculares, e é voltada principalmente para noções gerais dos envenenamentos poranimais peçonhentos, citados sempre em pequenos capítulos da bibliografia básica. Desta forma, mesmoestando preparado para atuar em Unidades de Emergência, o enfermeiro se depara algumas vezes com acarência de conhecimentos específicos quando se vê diante de um paciente, vítima de envenenamento.O envenenamento agudo se caracteriza pelo acometimento de mal súbito e em geral exige hospitalização davítima, gerando grande carga emocional associada ao sofrimento físico. Nos casos onde a origem doenvenenamento é por tentativa de suicídio, este quadro se acentua e é sempre extensivo aos familiares.Atitudes exacerbadas de pena ou de reprovação podem resultar em grandes obstáculos à recuperação dopaciente. A equipe deve ter a perfeita compreensão desta realidade.16Grupo do Agente Tóxico NúmeroAranhas 156Agrotóxicos / Uso Agrícola 152Drogas de Abuso 139Agrotóxicos / Uso Doméstico 139Alimentos 72Outro 62Cosméticos 62Produtos Veterinários 41Metais 20Total 6.670Fonte: CIAVE-BAGrupo do Agente Tóxico NúmeroMedicamentos 1.585Serpentes 957Escorpiões 675Raticidas 614Animais Não Peçonhentos 502Domissanitários 475Produtos Químicos Industriais 387Ignorado 239Outros Animais Peçonhentos 216Plantas 177
  17. 17. Estabelecer desde o momento da admissão uma relação de confiança é a melhor conduta para um bomatendimento ao paciente intoxicado.A nossa intenção é reunir nesse capítulo os principais elementos teórico-práticos, que possam servir desubsídios no atendimento de emergência a este grupo de paciente.As palavras Intoxicação e Envenenamento são sinônimos, embora grande parte das pessoas tenha dúvida emcomo usá-las de forma correta. Alguns autores costumam referir-se a veneno e envenenamento, aos acidentescausados por toxinas animais, e usam o termo Intoxicação somente para aqueles casos em que o agentecausador é uma substancia química, como por exemplo, o arsênico. Conceitualmente, ambas são aplicadasindiscriminadamente por se referirem ao ato que resulta da contaminação de um individuo por uma substância,seja ela de origem biológica ou não.Nos Serviços de Emergência, é freqüente ouvirmos da pessoa vítima de intoxicação ou seus familiares ainformação de que a sua condição de saúde “estava boa’’ e de repente algo o faz correr risco de vida.Devemos levar em consideração que, na maioria dos casos de intoxicação aguda, esse relato é verdadeiro e opaciente estava hígido até o momento da exposição tóxica. No entanto, muitos deles podem apresentarmanifestações clínicas graves em curto espaço de tempo e é, por esta razão, que o primeiro atendimento devepriorizar as manifestações que ofereçam potencial risco, antes de aceitar um diagnóstico mais benigno dadoença. Nesses casos, as medidas prioritárias deverão estar voltadas para o suporte de vida e consisteminicialmente da avaliação rápida e eficiente das funções vitais e quando necessário, de medidas deressuscitação simultâneas, para posteriormente uma avaliação secundária mais detalhada.PROCEDIMENTOS GERAISManutenção das funções vitais: procedimento básico inicial visando identificar situação de risco à vida dopaciente e com a finalidade de restabelecer a sua normalidade, evitar o agravamento das condições gerais,oferecer maior conforto ao paciente e prevenir o aparecimento de complicações.Verificação dos Sinais Vitais: procedimento que indica se o paciente apresenta distúrbios que representemrisco iminente de vida, para que possam ser corrigidos:• Freqüência respiratória (FR)• Freqüência cardíaca (FC)• Pressão Arterial (PA)• Temperatura (T)Aparelho Respiratório: Algumas intoxicações podem alterar a função respiratória exigindo medidasimediatas com o objetivo de promover a permeabilidade das vias aéreas:• Aspirar às vias aéreas e cavidade oral• Retirar próteses dentárias e resíduos• Instalar cânula de Guedel• Preparar material para intubação.Freqüência Respiratória (FR) - observar e avaliar os movimentos respiratórios de inspiração e expiração:• Colocar o paciente em posição confortável, facilitando a permeabilidade das vias aéreas superiores.• Lateralizar e flexionar a cabeça promovendo expansão orotraqueal• Instalar oxímetro de pulso• Instalar oxigenioterapia, conforme prescrição médica.Aparelho Cardiovascular: Os cuidados imediatos devem constar da mensuração da freqüência cardíacaatravés das pulsações periféricas e da Pressão Arterial, alem da instalação de aparelhos de monitoraçãocardíaca. As intoxicações por medicamentos e por pesticidas são exemplos de situações que podem levar aalterações circulatórias.Temperatura Corporal: Sinais de alteração da temperatura são freqüentemente observados nos primeiroscuidados ao paciente intoxicado. A elevação da temperatura, hipertermia, pode ocorrer nas intoxicaçõesagudas por anfetaminas, atropina e outros agentes. Também pode estar relacionada a infecções secundárias,como a pneumonia química aspirativa e a infecção cutânea nos acidentes botrópicos (ação proteolítica)Avaliação do Nível de Consciência: estando normal o paciente poderá informar dados e circunstâncias daintoxicação como agente, quantidade, tempo decorrido, etc. As alterações podem variar de sonolência atécoma profundo. A escala de REED (página 14) tem se mostrado mais simples e melhor para avaliar casos deintoxicação que a de Glasgow.MEDIDAS DE DESCONTAMINAÇÃONos envenenamentos, de uma maneira geral, a descontaminação da vítima é um procedimento que está sempreindicado. A forma de executar essa prática varia de acordo com a via de exposição ao agente. Na maioria dasintoxicações acidentais por produtos químicos, a contaminação ocorre por exposição dérmica ou de mucosa(pele, olhos, couro cabeludo). Esses produtos atravessam facilmente roupas e calçados criando áreas dedepósito que, quando permanecem muito tempo em contato com o corpo da vítima, podem contribuir para oagravamento do acidente.17
  18. 18. Em outras circunstâncias, como nos casos dos envenenamentos por tentativa de suicídio, a ingestão dessassubstâncias provoca uma contaminação do trato gastrointestinal, exigindo medidas de descontaminação maisrigorosas.A descontaminação, quando realizada precocemente e com técnicas adequadas, constitui medida eficaz paraum bom prognóstico das intoxicações.Descontaminação Dérmica: Grande variedade de substâncias químicas presentes no ambiente doméstico eem boa parte dos locais de trabalho podem causar acidentes tóxicos. Embora na sua maioria de baixatoxicidade, são responsáveis por grande número de envenenamentos infantis. São em geral os sabões,detergentes, desinfetantes, saneantes e inseticidas de uso doméstico, que por uso inadequado ou falta decuidado na guarda dos mesmos, favorecem a ocorrência desses acidentes.O contato destas substâncias com a pele, determina dor, irritação, queimaduras e dermatites, que podem sertratadas com medidas simples indicadas para cada caso. Algumas plantas, por serem tóxicas, também causamsinais e sintomas semelhantes quando em contato direto com pele e mucosas.Entretanto, outras substâncias como os solventes químicos; os produtos de ação corrosiva; os inseticidas eoutros compostos industriais; alem de causarem intoxicação cutânea deve se considerar a possibilidade daabsorção transcutânea, podendo mesmo através da pele íntegra causar uma intoxicação sistêmica. Dentre essesagentes tóxicos citamos como exemplo os inseticidas organofosforados.Técnica de Descontaminação.♦ Proteção individual com uso de EPIs♦ Rápida remoção de roupas e calçados contaminados é essencial.♦ Lavar totalmente toda a área corporal atingida com água em abundância.♦ As normas técnicas de Higiene e Segurança determinam a instalação nas Unidades de Emergência dechuveiro de descontaminação;♦ O uso de sabão está indicado sempre que o agente contaminante for uma substancia oleosa ou graxas emgeral e nas picadas de animais;♦ O uso de bucha é contra indicado.Obs. Não recolocar roupas e calçados até que eles tenham sido adequadamente descontaminados.Descontaminação ocularFazer irrigação copiosa dos olhos durante o tempo necessário até ausência de resíduos do agente tóxico.• Alguns autores recomendam o tempo médio entre 10 a 15 minutos.• Usar preferencialmente Solução Fisiológica a 0,9% ou água corrente limpa.• Equipamentos de lavagem ocular devem ser instalados em pias de salas de higienização corporal parafacilitar esse procedimento.Descontaminação GástricaA maioria dos casos de exposição a venenos, em todas as idades é representada pela ingestão de substânciastóxicas ou potencialmente tóxicas. A remoção do agente tóxico do trato gastrointestinal evita a absorção ereduz os efeitos sistêmicos, potencialmente graves. Na literatura persistem as controvérsias quanto ao melhormétodo de esvaziamento gástrico, levando-se em conta a variedade de situações encontradas nosenvenenamentos por ingestão, principalmente em relação ao tempo decorrido máximo para realização dasmedidas, tipo de agentes envolvidos, eficácia e riscos das principais técnicas. Habitualmente, no ambientehospitalar orientamos a lavagem gástrica.LAVAGEM GÁSTRICATempo: Até 4 horas da ingestão, maior em alguns casos.Contra-indicações:1. Paciente inconsciente – ver escala de REED: em pacientes com alteração do nível de consciência, estáindicada a entubação endotraqueal prévia. Nestes casos, introduzir sonda orogástrica após entubação.2. Paciente em convulsão;3. Ingestão de substâncias cáusticas;4. Ingestão de produtos derivados do petróleo: nos casos de ingestão de derivados de petróleo, deve-seatentar para o critério médico de indicação - apenas quando na ingestão de grandes volumes (superior a200ml do produto) ou do risco iminente de morte, devido à toxicidade do produto, ou ainda da associaçãode agentes fazendo com que um se sobreponha ao outro em gravidade.5. Crianças < 6 meses: indicação discutível, sempre relacionada à alta toxicidade do agente.18
  19. 19. Solução utilizada: Solução Fisiológica a 0,9 %Volume por vez: Crianças 5 ml/Kg, Adultos 250mlVolume total: Recém-nascidos: 500 ml, Lactentes: 2 a 3 litros, Pré-escolares: 4 a 5 litros, Escolares: 5 a 6litros e Adultos: 6 a 10 litros.Técnica para a lavagem gástrica• Informar o paciente sobre o procedimento a ser realizado e a sua necessidade.• Colocar o paciente em decúbito lateral esquerdo.• Usar Sonda Nasogástrica (SNG) de grosso calibre, devidamente umidificada.• Medir o comprimento da parte da SNG que será introduzida, posicionando-a da ponta do nariz ao lóbuloda orelha e até o apêndice xifóide do paciente - posição de “L” invertido. Marcar o local na sonda, comum pequeno pedaço de esparadrapo.• Introduzir a Sonda pela narina suavemente.Observações: Ao introduzir a SNG, solicitar ao paciente que colabore, quando possível, com movimentosde deglutição para facilitar o procedimento. Pacientes com obstrução nasal ou com sangramento nasalimportante, introduzir sonda orogástrica.•Teste de segurança - Insuflar uma pequena quantidade de ar (3 a 5 ml) através de seringa e fazer a auscultasobre a região epigástrica (usar estetoscópio). A ausculta da entrada do ar no estômago assegura o bomposicionamento da sonda.•Aspirar com o auxílio de seringa ou deixar fluir por gravidade, maior quantidade possível de resíduo gástrico(armazenar para uma possível análise toxicológica).• Iniciar lavagem gástrica introduzindo lentamente solução fisiológica através da sonda.• Observar volume por vez e volume total de líquido indicado na prescrição médica.• Retirar o maior volume de líquido possível, em quantidade aproximada da introduzida. Repetir o processoaté atingir o volume total ou retorno limpo.• Fixar a sonda na pele da face, na testa ou lateralmente.ComplicaçõesApesar de pouco freqüentes, algumas complicações, como náusea, vômito ou epistaxe, decorrem da condiçãodo paciente no momento. A aspiração pulmonar pode ocorrer por posicionamento indevido da sonda natraquéia.CARVÃO ATIVADO (C.A.)Substância adsorvente que se liga à maioria dos agentes tóxicos, formando um composto estável que não éabsorvido pelo trato intestinal, sendo eliminado pelas fezes. Está indicado no auxílio da descontaminaçãogastrintestinal.Características: Pó muito fino, obtido a partir do carvão vegetal submetido a processos especiais de ativação,de coloração preta, inodoro, sem sabor, insolúvel e de fabricação manipulada. Vide capítulo ANTÍDOTOS.Apresentação: Potes com 30 gramas.Formas de utilização: Dose única ou doses múltiplas.Doses e diluição: Em adultos, usa-se a dose de 30 gramas de Carvão diluídos em 250ml de líquido (Água,Solução Fisiológica a 0,9% ou Glicosada a 5%). Em crianças, a dose recomendada é de 1 a 2 gramas deCarvão por quilo de peso, diluídos em 5 a 8 ml de líquido por quilo de peso.Vias de administração: O C.A. pode ser administrado por via oral (VO) ou através de Sonda Nasogástrica(SNG). Caso o paciente realize a lavagem gástrica prévia, o carvão deve ser introduzido logo após o términoda mesma.Preparação e uso: Informar ao paciente sobre o procedimento e sobre o produto a ser utilizado. A soluçãosomente deve ser preparada no momento do uso.Adicionar cuidadosamente a dose prescrita do C.A. à solução líquida indicada e misturar até obter umasuspensão uniforme.Para uso oral, a mistura deve ser ingerida de uma só vez – embora não tenha cheiro ou sabor, sua coloraçãopreta e consistência arenosa habitualmente causam repugnância no paciente, principalmente em crianças. Parauso por SNG, a solução já preparada deve ser introduzida lentamente, misturando-se de forma continuada paraevitar a sedimentação, a formação de grumos e a obstrução da sonda. Após a administração, introduzirpequeno volume de líquido, suficiente para lavar a sonda, que deverá permanecer fechada evitando o retorno.Recomendações: Avisar ao paciente que o escurecimento das fezes após o uso de C.A. é uma ocorrênciaesperada. Recomendamos observar e registrar a eliminação. O principal efeito adverso é a intolerância seguidade vômito. Também podem ocorrer: abrasão ocular, constipação, obstrução intestinal e aspiração cominfecção respiratória.19
  20. 20. ADMINISTRAÇÃO DOS SOROS ANTIVENENOPrincípios Gerais da SoroterapiaOs soros heterólogos antivenenos são concentrados de imunoglobulinas obtidos por sensibilização de diversosanimais, sendo mais utilizados os de origem eqüina.No Brasil, os laboratórios que produzem esses imunoderivados para a rede pública são: Instituto Butantan(São Paulo), Fundação Ezequiel Dias (Minas Gerais) e Instituto Vital Brazil (Rio de Janeiro). O sorodisponível para uso tem apresentação líquida em ampolas, que devem ser conservadas em geladeira, àtemperatura de 2 a 8 graus centígrados positivos, devendo-se evitar o congelamento. Sua validade é, em geral,de dois a três anos. O Instituto Buitantã já desenvolveu soro antipeçonhento na forma liofilizada, mas aindaencontra-se em testes.No Quadro 1 (abaixo) consta a relação dos antivenenos para o tratamento dos acidentes por ofídios earacnídeos, assim como o número de ampolas indicado nos tratamentos específicos. Todavia, deve-se levar emconta que as doses dos soros capazes de neutralizar o veneno circulante têm sido revistas nos últimos anos,havendo uma tendência progressiva para utilização de doses menores, principalmente nos acidentesbotrópicos.Estas recomendações baseiam-se em estudos clínicos da neutralização dos venenos pelos soros na circulaçãosistêmica e na reversão das alterações de coagulação.Indicações e DosesA soroterapia antiveneno (SAV), quando indicada, é um passo fundamental no tratamento adequado dospacientes picados pela maioria dos animais peçonhentos. A dose utilizada deve ser a mesma para adultos ecrianças, visto que o objetivo do tratamento é neutralizar a maior quantidade possível de veneno circulante,independente do peso do paciente.Quadro 1. Número de ampolas de Soros Antipeçonhentos , por tipo de acidente:Animal causador Classificação e N° de ampolas Tipo de Soro*Leve Moderado GraveBothrops (jararaca) 2 - 4 4 – 8 12 SAB, SABC ou SABLCrotalus (cascavel 5 10 20 SAC ou SABCMicrurus (coral) - - 10 SAELachesis (surucucu) - 10 20 SABLTityus (escorpião) - 2 – 3 4 - 6 SAES ou SAARPhoneutria (armadeira) - 2 – 4 5 - 10 SAARLoxosceles (aranha-marrom) - 5 10 SAARLatrodectus (viúva-negra) - 1 2 SALATFonte:MS/FUNASA.* - SAB – Soro antibotrópico; SABC – S.antibotrópico-crotálico;SABL – S.antibotrópico-laquético; SAC – S. anticrótalico; SAE – S. anti-elapídico;SAES – S. anti-escorpiônico; SAAR – S. antiaracnídico; SALAT – S.antilatrodético.A aplicação dos Soros Antipeçonhentos (heterólogos) só deve ser realizada em ambiente hospitalar. A via deadministração recomendada é a endovenosa (EV), exceto no caso de Soro Antilatrodético, que é usado por viaintramuscular. Pela via EV o soro deve ser diluído e infundido em 20 a 60 minutos, sob estrita vigilânciamédica e da enfermagem.A freqüência de reações à soroterapia parece ser menor quando o antiveneno é administrado desta forma. Adiluição pode ser feita, a critério médico, na razão de 1:2 a 1:5, em Solução Fisiológica a 0,9% ou Glicosada a5%, infundindo-se na velocidade de 8 a 12 ml/min, observando-se, entretanto, a possível sobrecarga devolume em crianças e em pacientes com insuficiência cardíaca. Habitualmente, dilui-se em 100ml de SoluçãoFisiológica a 0,9 % ou Glicosada a 5%.Reações à SoroterapiaPodem ser classificados em precoces e tardias. Reações precoces (RP): ocorrem nas primeiras 24 horas epodem manifestar-se sob a forma leve até a extremamente grave. Os sinais e sintomas mais freqüentementeobservados são: urticária, tremores, tosse, náuseas, dor abdominal, prurido e rubor facial. Mais raramente sãoobservadas reações precoces graves, semelhantes à reação anafilática ou anafilactóide. A reação anafilática émediada pela imunoglobulina do tipo E (Ig E) e ocorre em indivíduos previamente sensibilizados aos produtosderivados do cavalo, entre eles a carne, o pêlo e os próprios soros heterólogos.É possível detectar esta reação, pelo menos teoricamente, pela prova intradérmica.20
  21. 21. A reação anafilactóide não implica em sensibilização anterior, podendo surgir com a aplicação da primeiradose de antiveneno. Seu mecanismo está relacionado com a ativação do sistema complemento pela viaalternada, sem a presença de anticorpos. Nesse caso, ocorre a liberação de C3a e C5a, denominadosanafilatoxinas, que são capazes de degranular mastócitos e basófilos, por meio de receptores específicos. Aconseqüência é a liberação dos mesmos mediadores farmacológicos, responsáveis pela instalação de umquadro clínico semelhante ao da reação anafilática.Prevenção das Reações Precoces (RP)A soroterapia antiveneneo não é um procedimento isento de riscos, havendo possibilidade do aparecimento dereações precoces, semelhantes à reação “anafilática”.Baseados em experiências, alguns autores indicam o pré-tratamento com antagonistas, dos receptores H1 dahistamina e corticosteróides, embora estas drogas não previnam a liberação de histamina e ativação decomplemento.Aconselha-se a seguinte rotina antes da administração dos soros antivenenos:a)Garantir um bom acesso venoso.b)Deixar preparado e de fácil acesso: laringoscópio com lâminas e tubos traqueais adequados para o peso eidade, frascos de Soro Fisiológico e/ou de Ringer Lactato, frasco de solução aquosa de adrenalina (1:1000) eaminofilina (10 ml=240 mg).Caso seja feita a opção da pré-medicação, deve-se administrá-la 10 a 15 minutos antes de iniciar a soroterapia:1) Drogas anti-histamínicas (antagonistas H1 e H2) por via parenteral:Antagonistas H1: Maleato de dextroclorofeniramina na dose de 0,05 mg/kg por via intramuscular (IM) ouintravenosa(IV)-aplicar no máximo 5mg; ou Prometazina dose de 0,5 mg/kg IV ou IM - usar no máximo 25mg.Antagonistas H2: Cimetidina na dose de 10 mg/kg, máximo de 300 mg, ou Ranitidina na dose de 3 mg/kg,máximo de 100 mg, IV lentamente.2) Hidrocortisona na dose de 10 mg/kg IV. Aplicar no máximo 1.000 mg.Reações Tardias: São, em geral, benignas e ocorrem de 5 a 24 dias após a administração do soro. Quadroclínico: febre, urticária, dores articulares, infartamento ganglionar e, raramente, comprometimentoneurológico ou renal. Esta reação, também conhecida como “Doença do Soro”, é tratada de acordo com a suaintensidade, através da administração de corticosteróides, analgésicos ou anti-histamínicos.Teste de Sensibilidade:A indicação do teste de sensibilidade para soro heterólogo ainda é controversa. Vários estudos têm sidorealizados e a maioria concluiu pela contra-indicação devido à perda de tempo precioso, uma vez que o testenão é preditivo nem suficientemente sensível.ROTINA DE TRATAMENTO DOS ACIDENTES OFÍDICOS1. Colocar o paciente em repouso absoluto no leito, com elevação da região atingida pela picada (posição dedrenagem de edema);2. Lavagem do local atingido com água e sabão e/ou solução anti-séptica;3. Remover anéis, pulseiras, roupas ou quaisquer objetos constrictivos;4. Caso haja presença de garrote, não retirá-lo imediatamente (risco de choque). É recomendável puncionaruma veia e instalar um Soro (SF ou SG), em gotejamento lento. A retirada do garrote deverá ser feita deforma gradual e lenta, levando-se em conta o nível de isquemia da extremidade.5. O paciente deve ficar em dieta zero, até 2ª ordem.6. SOROTERAPIA: Verificar na prescrição o tipo e quantidade do soro.7. Puncionar veia de médio calibre (antebraço/braço). Não puncionar no membro afetado.8. Realizar profilaxia contra reações anafilactóides, com a administração prévia, 10 a 15 minutos, deantihistamínico e corticóide conforme prescrição.9. As ampolas deverão ser diluídas em 100ml de SG 5% e infundidas, via EV, com gotejamento rápido;10. Observar possíveis reações precoces durante a infusão, com vigilância permanente até 2 h após o término.11. Caso seja observada urticária, tremores, tosse, náuseas, dor abdominal, rubor facial ou prurido,interromper imediatamente a infusão do soro e informar ao médico assistente, para a conduta específica.A soroterapia poderá ou não ser reiniciada a critério médico;12. Manter o paciente com venóclise basal;13. Realizar balanço hídrico rigoroso, mantendo hidratação adequada para diurese entre 30 a 40 ml/hora emadultos e 1 a 2 ml/kg/h em crianças.14. Manter controle de sinais vitais.21
  22. 22. 15. O paciente deve ser internado, no mínimo 24 horas, a depender do quadro apresentado.CONCLUSÃOOs acidentes por serpentes ocorrem com maior freqüência no meio rural, onde alguns hábitos e crendicespopulares ainda persistem, tais como usar alho, querosene e outros produtos no local da picada, assim como“tratar” a vítima com beberagens, misturas de álcool com ervas ou partes do animal agressor. Estas condutas,assim como o uso do garrote ou torniquete, outro hábito comum, estão formalmente contra-indicados, vistoque não ajudam ao tratamento e aumentam as complicações locais. Salientamos que, em relação aos acidentespor animais peçonhentos, somente a partir de uma ampla divulgação das medidas de prevenção e de primeirossocorros junto à população em geral, poderá haver uma redução significativa do número destes acidentes e desuas conseqüências.22
  23. 23. A N T Í D O T O SINTRODUÇÃOAntídotos são medicamentos ou produtos químicos que atuam sobre o veneno ou se opõem aos seus efeitos,através de diferentes mecanismos. Alguns autores utilizam uma definição mais restrita, considerando apenasaqueles antídotos mais específicos e excluindo outros, como o carvão ativado. Aqui, consideraremos oconceito mais amplo.O prognóstico do paciente intoxicado depende da exatidão do diagnóstico, além da rapidez e eficácia decondutas terapêuticas. É importante ressaltar que, na grande maioria das vezes, a antidototerapia não é aprimeira conduta a ser adotada e sim a manutenção das funções vitais. Apenas em algumas situações, autilização de antídotos específicos se torna imprescindível, como nas intoxicações por cianeto.A avaliação da necessidade de sua indicação deve ser acompanhada por uma utilização correta, pelaprevenção de possíveis riscos e pela adoção de precauções devidas. Vale ressaltar que alguns destesmedicamentos possui elevada toxicidade, sendo necessário pesar o risco/benefício antes da sua administração.Tudo isto requer um bom conhecimento da natureza dos próprios antídotos. Além disso, devem ser avaliadasa sua eficácia e contra-indicações.Algumas vezes se faz necessário realizar uma monitorização constante do uso destes produtos, coletando-se ecomparando-se dados de forma a permitir a avaliação da sua eficácia e efeitos adversos.PROBLEMÁTICA DOS ANTÍDOTOS NO BRASILInfelizmente, o número de antídotos disponíveis é muito pequeno quando comparado com a diversidade devenenos existentes. Além disto, há uma grande dificuldade na obtenção de determinados antídotos, até mesmopor centros especializados em Toxicologia. No Brasil, assim como em outros países, estas questões passampor problemas de ordem científica, técnica, econômica e administrativa.As indústrias farmacêuticas não demonstram interesse em produzir estes medicamentos em virtude da pequenademanda de mercado. Assim sendo, os centros de informações e atendimento toxicológico (CIATs) muitasvezes tem que recorrer às farmácias de manipulação para a sua obtenção. Por outro lado, poucas são estasfarmácias que manipulam injetáveis, não existindo nenhuma no Estado da Bahia.A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), sensibilizada com a situação, vem trabalhando junto àrede nacional de CIATs para solucionar o problema, através da elaboração de um programa de aquisição edistribuição de antídotos.CLASSIFICAÇÃO DOS ANTÍDOTOSO veneno, assim como os fármacos, para agir no organismo necessita ser absorvido, distribuído a um ouvários locais do organismo, sofrer uma biotransformação e posterior excreção. Assim sendo, o antídoto podeagir contra o veneno em qualquer uma destas fases, através de diferentes mecanismos, sejam ações físicas ouquímicas. De uma forma didática, podemos classificar os antídotos de acordo com o seu mecanismo de ação:1. INIBIDORES DA ABSORÇÃO DO TÓXICONeste grupo, temos os antídotos que agem por adsorção. São utilizados com o objetivo de prevenir ou reduzira absorção do agente tóxico pelo organismo quando o contato se dá por via oral, facilitando a sua excreção porvia intestinal.São três os produtos utilizados com esta finalidade:a)Carvão ativado – constitui-se num material em forma de pó, finamente dividido, obtido da polpa damadeira. Esta é submetida a elevada temperatura (800ºC a 1000ºC), sob controle, para que não ocorra aqueima total, de forma que seja mantida sua estrutura porosa. Em seguida, é passada por um processo detamisação, para obtenção de uma granulometria finíssima e grande área superficial. Todo este processo lheconfere alta capacidade de adsorção, de maneira que 1g equivale a mais de 1m2de área adsorvente.Graças a essa intensa e extensa ação adsorvente, sua administração é considerada por muitos como condutamais adequada que o emprego de eméticos ou lavagem gástrica. É fundamental, contudo, que seja bempreparado e administrado precocemente.É realmente eficaz na prevenção da absorção de numerosas substâncias, quando administrado na primeira horaapós a ingestão do tóxico. O seu efeito protetor é diminuído após períodos mais prolongados, na dependênciade uma série de fatores relacionados ao paciente e à molécula tóxica.Assim como qualquer medicamento, o carvão ativado também possui contra-indicações. Desta forma, nãodeve ser utilizado na intoxicação por acetaminofen - quando tratada com acetilcisteína - para evitar que estaseja também adsorvida, com o consequente prejuízo da sua ação terapêutica. Não possui capacidade deadsorção sobre metais, ácido bórico, sulfato ferroso, cianetos, derivados de petróleo e malation. Não deve serutilizado também nos casos de ingestão de ácidos ou bases cáusticas.
  24. 24. A sua administração é feita por via oral ou através da sonda de lavagem, em suspensão aquosa adequadamentepreparada, evitando a formação de grumos. A posologia recomendada para adultos é de 50g/dose até de 4/4horas em suspensão aquosa. Em crianças, utiliza-se 1g/ Kg/dose até de 4/4 horas em suspensão aquosa. Suaadministração em doses múltiplas deve ser seguida de um laxante salino, como o sulfato de sódio. O CIAVE-BA utiliza em seus protocolos a dose de 30g para adulto, baseado na sua experiência e eficácia da dose.No mercado nacional, o carvão ativado só é obtido em farmácias de manipulação, não sendo produzido pelaindústria farmacêutica.b)Bentonita e Terra de Füller - são argilas compostas principalmente de silicatos de alumínio e magnésio,que adsorvem óleos e gorduras, dificultando a sua absorção pelo organismo e aumentando a excreçãointestinal. Administra-se 1 litro de suspensão a 30%, V.O., na intoxicação por herbicidas, como o Paraquat, e aseguir um laxante salino. Repetir posteriormente, 200-300ml da suspensão a cada 2 horas no 1º dia e a cada 4h. no dia seguinte.No Brasil, estes produtos não estão disponíveis comercialmente. Atualmente, a Terra de Füller é produzidapela ZENECA, para uso próprio, em embalagem de 60g. A sua obtenção pode ser feita através desta indústria.2. DE AÇÃO QUÍMICA - os antídotos que constituem este grupo reagem quimicamente com o agentetóxico, formando um produto de difícil absorção pelo organismo e facilitando a sua excreção.a)Cloreto de sódio – utilizado no tratamento de envenenamento por sais de prata, formando cloreto de prataque é insolúvel (deve-se ter atenção para o risco da intoxicação por sal, especialmente em crianças). A dose éde 1 colher de sopa para 1 litro de água.b)Hexacianoferrato férrico de potássio (Azul da Prússia) - empregado na intoxicação por tálio com o qualforma um quelato inabsorvível no intestino, facilitando a sua excreção fecal. Administrado por sondaduodenal em doses de 250 mg/kg/24 horas, em 2-4 vezes, junto com manitol a 15%, até que os níveisurinários de tálio estejam abaixo de 0,5 mg/dia.c)Amido – neutraliza o iodo, formando um precipitado. Administra-se em solução, utilizando 80 g em 1 litrode água, para lavagem gástrica.3. AGEM IMPEDINDO A FIXAÇÃO NO LOCAL DE AÇÃO - o exemplo clássico de agentes deste gruposão os antídotos utilizados no tratamento da intoxicação cianídrica. Os cianetos agem no organismo fixando-seao ferro trivalente (férrico) de enzimas respiratórias celulares (citocromo oxidase) provocando assim umahipóxia citotóxica. Os antídotos empregados são os agentes metahemoglobinizantes como:a)Nitrito de amila, Nitrito de sódio e Tiossulfato de sódio: estas três substâncias são utilizadas em conjunto,sendo denominada por alguns profissionais como “kit cianeto”.O objetivo do uso dos nitritos de amila e de sódio é a produção de taxa alta de metahemoglobina, que possuiferro férrico (trivalente, HbFe+++) e que tem maior afinidade pelo cianeto que a citocromo oxidase.A ampola de nitrito de amila é rompida e o conteúdo despejado em uma gaze, através da qual o paciente faráuma inalação durante 20 a 30 segundos a cada minuto.Concomitantemente, prepara-se a solução de nitrito de sódio para administração endovenosa, 300mg emadultos (10mL da solução a 3%) em três a cinco minutos e 4,5 a 10,0mg/Kg - de acordo com o nível dehemoglobina (Quadro I) - em crianças. Deve-se tomar cuidado no uso dos nitritos, pois quando administradosde forma rápida podem resultar em hipotensão arterial grave por serem potentes vasodilatadores. Casonecessário, utilizar nova ampola de nitrito de amila a cada três minutos enquanto não se administra o nitrito desódio.Reação 1: HbFe+++ NO2-→ HbFe+++hemoglobina nitrito metahemoglobinaA metahemoglobina formada compete com a citocromo-oxidase (Cit-Fe+++) pelo íon cianeto formando acianometahemoglobina (HbFeCN).Reação 2: HbFe++++ CN-→ HbFeCN + Cit-Fe+++metahemo- cianeto cianometahemo- citocromoglobina globina oxidaseA desintoxicação real é então conduzida pela administração de Tiossulfato de sódio - na dose de 12,5mg emadultos (50mL de solução a 25%, IV) e 0,4mg/Kg até o máximo de 12,5 mg/Kg em crianças - em que reagecom o íon cianeto formando tiocianato, substância relativamente atóxica que é prontamente excretada naurina.Reação 3: Na2S2O3 + CN-SCN-tiossulfato cianeto tiocianatoSCN-oxidaserodanese
  25. 25. Esta reação final é lentamente reversível por ação da tiocianato-oxidase. Isto explica porque os sintomas àsvezes reaparecem após o tratamento inicial. Quando do reaparecimento dos sintomas, o processo detratamento descrito deve ser repetido, em doses fracionadas.O grau de metahemoglobina pode ser maior que o desejado para a desintoxicação. Haverá necessidade de seadministrar, lentamente, Azul de Metileno a 1%, 1 a 2mg/Kg IV, quando atingir valores > 30%.b)4-Dimetilaminofenol (4-DMAP) – antídoto excepcionalmente ativo na rápida destruição da ligação entreíons cianeto e o ferro da citocromo-oxidase, consistindo numa alternativa para o tratamento da intoxicaçãopelo cianeto. A utilização do 4-DMAP no organismo permite atingir um nível elevado de metahemoglobinaem poucos minutos.O 4-DMAP apresenta uma baixa toxicidade e é facilmente excretado do organismo. A dose recomendada é de3-4 mg/Kg por via intravenosa, seguida de 100-500mg de tiossulfato de sódio/Kg. Não é comercializado noBrasil.c)Hidroxicobalamina - alguns relatos clínicos referem ter a hidroxicobalamina (vitamina B12) mostradoresultados aparentemente satisfatórios no tratamento da intoxicação cianídrica, tendo como vantagem a nãoprodução de metahemoglobinemia ou hipotensão arterial. Combina-se com o íon cianeto formandocianocobalamina (forma ativa da vitamina B12), atóxica, que é excretada pela urina. Teoricamente, serianecessária uma relação equimolar para neutralização do cianeto pela hidroxicobalamina (52 mg dehidroxicobalamina para 1 mg de cianeto).Em outros países, como a França e Austrália, está sendo utilizada uma dose de 50 mg/Kg de peso ou 4 a 5 gpara adultos. No Brasil, as apresentações comerciais possuem baixas concentrações (5 e 15 mg) nãopossibilitando a administração da dose recomendada para tratamento. Apesar disto, a hidroxicobalamina vemsendo utilizada na dose de 15 a 25mg (apesar de não existir comprovação de eficácia com a utilização destadose), E.V., como medida inicial antes da administração dos nitritos. Também deve ser associada aohipossulfito de sódio, devido ao sinergismo de ação. A hidroxicobalamina é comercializada no Brasil sob onome de Rubranova®).d)Edetato dicobáltico (Kelocyanor®) - na Europa, utiliza-se o edetato dicobáltico associado àhidroxicobalamina no tratamento das intoxicações por cianetos. São considerados antídotos mais seguros quea combinação de nitrito de sódio / tiossulfato de sódio. É um agente quelador que tem a propriedade de formarcomplexos relativamente pouco tóxicos com o cianeto, que são rapidamente eliminados por via renal.e)Fragmento Fab-antidigoxina (Digibind®) – usado no tratamento da intoxicação por digitálicos em virtudeda maior afinidade do digitálico pelo anticorpo do que pelos sítios de ligação tecidual. É obtido de anticorposespecíficos submetidos à digestão com papaína. O complexo formado por sua ligação ao fármaco é eliminadopor via renal. O seu uso deve ser reservado apenas para os casos mais graves onde não há resposta aotratamento convencional. É produzido sob o nome de Digibind®, em frasco-ampola com 40mg. Não écomercializado no Brasil.4. AGEM IMPEDINDO A BIOTRANSFORMAÇÃO - Algumas substâncias só se tornam tóxicas ou maistóxicas após serem metabolizadas no organismo, como é o caso do Paration e o Metanol ou álcool metílico.Os antídotos deste grupo impedem a biotransformação desses agentes e o seu conseqüente aumento detoxicidade. Aqui temos como exemplo o etanol:a)Etanol (álcool etílico) – o etanol é o antídoto utilizado no tratamento da intoxicação por metanol. O álcoolmetílico apresenta grande toxicidade orgânica devido à sua metabolização em ácido fórmico e aldeídofórmica. O etanol, por sua vez, compete pela mesma via oxidativa do metanol, através da álcool-desidrogenase, impedindo a sua transformação em metabólitos mais tóxicos. Como a metabolização dometanol é muito lenta, cerca de 1/7 do tempo levado pelo álcool etílico, o antídoto deve ser administrado porvários dias seguidos. Com base neste mesmo princípio, também se utiliza o etanol na intoxicação peloetilenoglicol.O etanol pode ser administrado por via oral ou endovenosa. Para uso endovenoso, utiliza-se solução a 5% emsoro glicosado no seguinte esquema:– dose de ataque: 8,8 mL/Kg da solução a 10% em soro glicosado (em pacientes diabéticos, utilizar o sorofisiológico), I.V.;– dose manutenção: 1,4 mL/Kg/h da solução I.V.Para o uso oral, recomenda-se 0,5 mL/Kg de solução a 50% de hora em hora. Pode-se utilizar bebidasalcoólicas de graduação conhecida. Por exemplo: uísque com graduação alcoólica de 40% - dilui-se à metadecom água destilada, administrando-se 1 a 1,5 mL/Kg de hora em hora. O objetivo é manter uma alcoolemiaentre 100 e 150 mg/dL. Para isto, a administração do etanol deverá ser acompanhada pela determinação
  26. 26. periódica da alcoolemia. A terapia deve ser mantida até que a acidose metabólica seja corrigida e os níveisséricos de etilenoglicol/metanol não sejam mais detectáveis.5. ANTÍDOTOS QUE AGEM CESSANDO A AÇÃO FARMACOLÓGICA – são assim classificados osseguintes antídotos:a)Oximas - são utilizadas no tratamento da intoxicação por inseticidas organofosforados, nos casos demoderada ou alta gravidade. Estes antídotos têm a propriedade de reativar a colinesterase de modo muito maisrápido que a regeneração espontânea por hidrólise. A velocidade de reativação depende do tipo de fosforadoresponsável (como exemplo, temos em ordem decrescente: dimeti, dietil, diisopropil) e do chamado processode “envelhecimento” da enzima fosforilada, que se torna totalmente resistente ao reativador. A administraçãodeve ser precoce e, de preferência, após as doses iniciais de atropina. A primeira dose para adultos é de200-400 mg, lentamente, por via intravenosa. A injeção muito rápida pode levar à fraqueza, distúrbios visuais,cefaléia, náuseas e taquicardia. A seguir, 200-400 mg em infusão contínua, até atingir um máximo de 1-2 gnas primeiras 24 horas. Doses excessivas podem ter um efeito inibidor da colinesterase. As doses pediátricasnão estão bem definidas.Sugere-se 20-40 mg/Kg, por via intravenosa, repetidas várias vezes, sem ultrapassar as doses de adultos. Asoximas se combinam com o átomo de fósforo eletrolítico formando um complexo oxima-fosforado que éliberado, deixando a colinesterase regenerada.No Brasil, só temos disponível o sulfoxilato de N-metil-piridilaldoxima (pralidoxima) comercializado sob onome de Contrathion®. O seu uso deve ser sempre associado à atropina. Existe hoje um grupo de profissionaisno Brasil sugerindo o seu uso também no tratamento por aldicarb, os quais tem referido melhoras no quadroclínico de pacientes intoxicados e atendidos pouco tempo após a ingestão deste potente carbamato. Contudo,ainda não existe um consenso na sua utilização para este fim.b)Azul de metileno e vitamina C - são indicados em metahemoglobinemia tóxica produzida por anilina ederivados, sulfona, piridium, nitratos e nitritos. Provocam, como redutores, regeneração do ferro férrico (Fe+++) em ferroso (Fe++), o que em outras palavras significa que transforma a metahemoglobina em hemoglobina.O azul de metileno age na enzima NADPH-redutase e é convertido em leucoazul de metileno (Figura 1),produzindo uma coloração azul-esverdeada na urina e nas fezes. A dose recomendada é de 1 a 2 mg/Kg eminfusão venosa lenta (cinco minutos) e pode ser repetido de 12 em 12 horas, se necessário. Nos casos em quehaja persistência da cianose e dos sintomas, pode-se fazer dose complementar de 1mg/Kg uma hora após adose inicial. A sua administração via oral produz distúrbios gástricos e por via subcutânea pode provocarnecrose no local. A administração de doses excessivas ou em pacientes com deficiência de G-6-PD podeprovocar o aumento dos níveis de metahemoglobina ou anemia hemolítica.c)Flumazenil - utilizado em intoxicações por benzodiazepínicos. Consiste num antagonista altamenteespecífico, exercendo seus efeitos por interação competitiva nos sítios receptores deste grupo demedicamentos. Após administração intravenosa sua meia-vida é inferior a 1 hora.A dose inicial usual é de 0,2-0,3 mg por via intravenosa em 15 segundos. Repete-se com intervalos de 1minuto até obtenção do grau desejável de consciência ou até um total de 2 mg.Em adultos com intoxicação diazepínica confirmada, pode-se administrar dose inicial de 1mg seguida, senecessário, por infusão contínua de 0,5mg/hora, diluída em soro glicosado a 5% ou soro fisiológico. Aadministração intravenosa rápida em paciente sob tratamento prolongado com um benzodiazepínico podeprecipitar síndrome de abstinência. É comercializado sob o nome de Lanexat®.ANTÍDOTOS QUE AGEM SOBRE O TÓXICO OU SEUS METABÓLITOS - Neste grupo de antídotos,encontram-se os chamados antagonistas dos metais pesados, isto é, aquelas substâncias que têm a propriedadede se ligar a metais prevenindo ou revertendo a ligação com moléculas celulares. Estas drogas também sãochamadas de agentes quelantes, entendendo-se por quelação a formação de complexos químicos estáveis emanel, a partir da ligação de elétrons do metal com par de elétrons do composto orgânico.Figura 1Reação da metahemoglobina ahemoglobina pelo azul de metileno.(Fonte: Adaptado de Larini,1997)
  27. 27. a)Edetato dissódico de cálcio (CaNa2EDTA – Versenate®) - é um agente quelante eficaz, que forma commetais polivalentes compostos rapidamente solúveis, praticamente não ionizados e não tóxicos. Sua utilidadecomo antídoto é, no entanto, limitada àqueles metais que são ligados mais fortemente que o cálcio, como é ocaso do chumbo, ferro, zinco, manganês e berílio. O EDTA é dado sob a forma de um quelato de cálcio, nosentido de prevenir a rápida remoção do cálcio orgânico. Na presença do chumbo, este quelato trocarapidamente cálcio pelo chumbo, permitindo então a detoxicação e excreção. A sua administração é por viaendovenosa e desaparece rapidamente da circulação, apresentando meia-vida de 20 a 60 minutos.A droga se localiza no plasma com excreção de mais de 95% através da urina em 24 horas. A administraçãointramuscular leva a uma boa absorção, contudo, produz dor intensa no local. Na encefalopatia saturnínica eaumento da pressão intracraniana, usa-se o EDTA por via intramuscular. Quando esta via for a escolhida,recomenda-se a associação com lidocaína a 2%. É pouco absorvido pela mucosa gastrointestinal e parece nãoser metabolizado pelo organismo.O EDTA na sua forma sódica (Na2EDTA) provoca tetania hipocalcêmica. Por este motivo, ele é utilizadocomo edetato dissódico de cálcio no tratamento da intoxicação por metais, desde que estes tenham maiorafinidade pelo quelante do que o íon de cálcio. Apresenta como reações adversas com dor e abscesso no localda injeção: náuseas, vômitos, dores musculares, febre, taquicardia, hipertensão arterial, convulsões e coma. Oseu uso pode provocar, ainda, necrose tubular renal.Não está disponível comercialmente no Brasil. Nos Estados Unidos, é comercializado sob o nome deVersenate ® em ampolas de 5mL de 200 mg/mL.b)2,3-dimercaptopropanol (BAL - British Anti-Lewisite) - é um agente quelador que apresenta dois grupossulfidrila em sua molécula que competem com os grupos sulfidrila das enzimas e proteínas teciduais nacombinação com metais (Figura 2). Assim sendo, não age em certas intoxicações como as por urânio, poiseste metal não afeta enzimas contendo radicais sulfidrila.É o medicamento de escolha no tratamento da intoxicação por arsênico e ouro. Mostrou relativa eficácia notratamento da intoxicação por antimônio, crômo, níquel e tungstênio. Apresenta efeitos discutíveis oucontraditórios na intoxicação por tálio, mercuriais ou bismuto.Está disponível comercialmente em ampolas de 1 mL na concentração de 100 mg/mL, em substância oleosa.Deve ser sempre administrado por via intramuscular profunda. A dose usualmente recomendada é de 5mg/Kg,a intervalos de 4 horas nos primeiros dois dias; no terceiro e quarto dias 2,5 a 3,0 mg/Kg a cada 6 horas e, aseguir, duas doses por dia (12/12 h) até o 10º dia.Na encefalopatia saturnina, após a primeira dose de 4mg/Kg, aplica-se 3-4 mg/Kg cada 4 horas juntamentecom EDTA-cálcico durante alguns dias.Nas intoxicações por mercúrio, a dose é de 5mg/Kg, IM, a cada 8-12 horas no 1odia. Depois 2,5-3,0 mg/Kg,IM, a cada 12-24 horas, até completar 10 dias.Os efeitos colaterais como náuseas, vômitos, dores abdominais, cefaléia, lacrimejamento, rinorréia, salivação,sensação de queimação na boca, lábios e garganta, ansiedade, hipertensão e taquicardia são comuns. Estessintomas são agudos e, geralmente, desaparecem em 30 a 90 minutos. A injeção é dolorosa e pode ocorrerabscesso no local. Pode ocorrer hipertermia em crianças após a segunda ou terceira dose e persistir durantetodo o tratamento. O BAL é também nefrotóxico, podendo determinar, embora com pouca frequência, necrosetubular e insuficiência renal aguda.O dimercaprol não deve ser utilizado na intoxicação por ferro ou selênio, pois o complexo formado é maistóxico que o próprio metal. O seu mecanismo de ação pode ser assim entendido:c)Deferoxamina – medicamento utilizado na terapêutica da intoxicação por ferro e alumínio. Comercializadosob o nome de DESFERAL® (Novartis) na concentração de 500 mg. A deferoxamina quela o íon ferroso,formando o complexo quelador-ferro (ferroxamina) que é eliminado pela urina a qual adquire uma coloraçãoavermelhada. A persistência desta cor indica a necessidade de se continuar o tratamento.Figura 2Mecanismo de ação do dimercaprol.(Fonte: Larini, 1997)
  28. 28. Pode também se ligar aos íons trivalentes de alumínio formando a aluminoxamina. A sua eficácia depende domomento da sua utilização. No caso do ferro, a sua ação principal ocorre através da ligação com o ferro livrecirculante. Desta forma, Sabe-se que o efeito terapêutico da deferoxamina será bastante reduzido quandoadministrada após 24 horas da ingestão do metal, uma vez que a maior parte do ferro livre já terá sedepositado nos tecidos, causando a toxicidade.Recomenda-se a sua administração em todos os pacientes sintomáticos com níveis de ferro sanguíneosuperiores a 350 µg/dL. O esquema terapêutico varia de acordo com o quadro clínico e os níveis de ferro. Nãoexiste consenso em relação à melhor via de administração e à duração do tratamento. Quando os níveissanguíneos forem superiores a 500 µg/dL, preconiza-se a administração por via intravenosa.A via intramuscular não é muito recomendada porque é dolorosa e menos eficaz que a intravenosa, apesar deoferecer menos riscos. A sua diluição deve ser feita com 100 mL de soro fisiológico. Administra-se através deinfusão contínua a 15 mg/Kg/h (máximo de 90mg/h em 8h), por via I.V. Em pacientes em choque, iniciar com1g, seguido de duas doses de 500mg cada 4 horas. A via intramuscular pode ser utilizada, com 90 mg/Kg acada 8 horas (máximo de 1g/dose). A dose máxima não deve passar de 6 g/dia (dose capaz de se ligar com 500mg de ferro, equivalente a 2,5 g de sulfato ferroso) e a velocidade de infusão não deve ultrapassar arecomendada sob o risco de levar à hipotensão devido à liberação de histamina.Por via oral, seus resultados são discutíveis. Pode ser usada na solução de lavagem gástrica, considerando que1g de deferoxamina quela cerca de 85 mg de ferro férrico e 41 mg de alumínio.d)d-Penicilamina – trata-se de um agente quelante graças aos grupos NH2 e SH que apresenta. É absorvidapor via oral, atingindo concentrações sanguíneas máximas em 1-2 horas. A sua metabolização ocorre nofígado e é excretada através da urina. O seu uso está indicado nas intoxicações por metais pesados, comochumbo, cobre e mercúrio. É administrado por via oral, de preferência em jejum para evitar interferência deoutros metais da dieta. A dose média recomendada para crianças é de 20 a 40 mg/Kg/dia e para adultos 250mg de 6/6 horas.É comercializado como CUPRIMINE® (Merck Sharp & Dohme), em cápsulas de 250 mg.e)n-Acetilcisteína (NAC) – medicamento utilizado normalmente como mucolítico, fluidificante eexpectorante, comercializado no Brasil sob o nome de FLUIMUCIL®, é também indicado nas intoxicaçõespor acetaminofen (paracetamol). Interfere no metabolismo desta droga, substituindo o glutation e desta formapoupado-o, na prevenção da formação de metabólitos tóxicos do acetaminofen ou na prevenção da necrose dohepatócito, principal efeito tóxico do antitérmico.A eficácia do tratamento é maior quando iniciada entre oito e dezesseis horas após a ingestão. Administra-seuma dose inicial de 140 mg/Kg por via oral em 200 mL de soro glicosado a 5%, ou em veículo de saboragradável, como suco ou refrigerante, para torná-lo mais palatável. A seguir, 70 mg/Kg, cada 4 horas, durantetrês dias, também por via oral. A administração pode ser feita através de sonda nasogástrica em pacientes quese encontrem comatosos ou não consigam ingerir o medicamento. Alternativamente, pode-se utilizar a viaendovenosa:1º) Regime de 20 horas (adotado para casos até 9 horas após a ingesta): dose inicial de 150mg / Kg em200mL de soro glicosado (SG) 5% para correr em 15 minutos. Em seguida, 50mg/Kg em 500mL de SG 5%para correr em 4 horas. Posteriormente, 100mg/Kg em 1 litro de SG 5% para correr em 16 horas. (Dose total:300mg/Kg nas 20 horas).2º) Regime de 48 horas (adotado para casos de atendimento 10 a 24 horas após a ingesta): Dose inicial(ataque): 140mg/Kg em SG 5% para correr em 1 hora. Em seguida, iniciar administração de 12 dosesconsecutivas de 70 mg/Kg, diluídas em SG 5%, para correr em ± 1 hora, com intervalo de 4 horas entre oinício de cada administração. (Dose total: 980mg/Kg ao longo de 48 horas).Em crianças, a dose do medicamento é igual, variando-se apenas o volume da solução de acordo com seu pesocorporal. Os principais efeitos colaterais são as ocorrências de náuseas e vômitos.6. ANTAGONISTA FARMACOLÓGICO - Os antídotos que agem por antagonismo farmacológico têm oseu ponto de ação nos receptores em que age o veneno. Nestes locais, a ação do veneno é diminuída ouanulada por um antagonista. Ocorre, então, diminuição do efeito provocado por uma dose tóxica.a)Atropina - utilizada em altas doses na intoxicação por organofosforados e carbamatos, antagonizando asações da acetilcolina em excesso, provocada pela inibição da colinesterase.Figura 3A atropina bloqueia os efeitosmuscarínicos da acetilcolina.(Fonte: Larini,1997).
  29. 29. Recomenda-se a administração em bolus (3 a 4 vezes) de 1 a 2 mg a cada 10 a 15 minutos em adultos e 0,01 a0,05 mg/Kg em crianças, uso endovenoso, com monitorização da frequência cardíaca, até surgirem sinais deatropinização (rubor facial, taquicardia, boca seca, midríase, diminuição da secreção brônquica, entre outros).A manutenção será de acordo com o quadro clínico e/ou resposta terapêutica, observando-se as limitações,principalmente decorrentes do aumento excessivo da frequência cardíaca. A dose sugerida é de 0,02 a 0,08mg/Kg/hora, equivalente a 2 a 8 mL/Kg/hora de uma solução obtida com a diluição de 20 ampolas de atropina0,25mg em 250mL de soro, solução com concentração de 0,01 mg/mL.b)Naloxona (Narcan®) – é utilizada na depressão respiratória causada pelos opiáceos/ opióides, dandoimediata proteção às vias aéreas e agindo sobre outros sinais e sintomas como sonolência, vasodilataçãoperiférica, melhorando o débito cardíaco. A naloxona desloca os opióides dos seus sítios receptores se ligandoa eles imediatamente. Nos pacientes com depressão respiratória a dose inicial é de 2 a 4 mg em bolus paraadultos e crianças. Dentro de 1 a 2 minutos, após injeção intravenosa, surgem os primeiros efeitos. Isto nãoocorrendo, deve ser repetida a dose inicial a cada 2 a 5 minutos até 20 mg, no máximo. Nas intoxicações pormetadona (opióides de longa duração), a infusão contínua é recomendada tendo em vista a meia-vida curta danaloxona (20 a 60 minutos). As convulsões induzidas pelos opióides são revertidas pela naloxona,excetuando-se nos casos de intoxicação por meperidina onde pode haver agravamento do quadro. Neste caso,usa-se benzodiazepínicos, tendo-se precaução devido ao risco de se potencializar a depressão dos sistemasrespiratório e nervoso central.c)Vitamina K1 (Fitomenadiona) - opõe-se aos efeitos das cumarinas e inandionas. O tempo de protrombina éo parâmetro para dosagen de vitamina K1 e duração do tratamento. A administração é feita por via I.M.profunda ou subcutânea. A via endovenosa é restrita para os casos muito graves em virtude do risco de reaçãoanafilática, não devendo exceder a dose de 1 mg/minuto. A dose para adultos é de 5 a 20 mg, enquanto emcrianças usa-se 1 a 5 mg, podendo repetir a cada 6 a 8 horas, se necessário. Nos casos mais severos, énecessário administrar doses elevadas: adulto até 50 mg e crianças (até 12 anos) 0,6 mg/Kg. Quandonecessário utilizar a via endovenosa, diluir a vitamina K em água destilada e administrar lentamente. O inícioda sua ação acontece 6 horas após a administração, com pico de ação em 24 horas. Não se recomenda o usoprofilático em pacientes sem sangramento e/ou alteração de protrombina, uma vez que ele altera o tempo deprotrombina (TP), inviabilizando o uso deste parâmetro para avaliar o grau de gravidade da intoxicaçãopassadas 48 horas da ingestão do cumarínico.

×