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Celibato [I]

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Do Curso de Atualização Para Sacerdotes [2010].

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  • Verifique a fonte ⇒ www.boaaluna.club ⇐. Este site me ajudou escrever uma monografia.
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Celibato [I]

  1. 1. O dom do celibato I História teológica do celibato eclesiástico
  2. 2. Dom precioso - atacado Uma conversa... Por que tão questionado? Pastores dabo vobis (29): “(celibato sacerdotal) constitui um inestimável dom de Deus à Igreja e representa um valor profético para o mundo atual”
  3. 3. Valor profético Sinal do Reino que não é deste mundo Sinal da completa entrega de Cristo ao Pai e à Igreja Enfático estímulo à fidelidade matrimonial
  4. 4. Tesouro em vasos de barro João Paulo II na carta aos sacerdotes de 1979: “um tesouro” mas um “tesouro em vasos de barro” Passou por vários momentos de de crise, em que se introduziu o relaxamento, em que foi dura- mente questionado Mas sempre se manteve
  5. 5. Momentos de crise Século de ferro (1000) – simo- nia e nicolaismo. Combatida pe- la influência de Cluny, terminou com a reforma gregoriana Renascimento (1500). Alexan- dre VI símbolo da época. Ex: em Bolonha, metade das legitimações. Escândalo de Lutero. Trento pôs fim à crise
  6. 6. Momentos de crise Iluminismo (culto à razão na- tural e forte anticlericalismo) Memorial (Denkschrift) de professores da universidade de Friburgo para obter abolição do celibato, contestado por Johann Adam Möhler e Kierkegaard. Modernismo (1900)
  7. 7. Momentos de crise Pós-concílio (identidade do sacerdote) Queda vertiginosa das vocações Número elevado de defecções O caso da Holanda: episcopado liderado pelo cardeal Alfrink apresentou ao papa pedido de abolição Já melhorou sob João Paulo II
  8. 8. Este Sínodo, nova e veementemente,afirma tudo quanto a Igreja latina ealguns ritos orientais preconizam, asaber, que o sacerdócio seja conferidosomente àqueles homens que rece-beram de Deus o dom da vocação àcastidade celibatária...O Sínodo não quer deixar dúvidas namente de ninguém sobre a firme von-tade da Igreja de manter a lei queexige o celibato livremente escolhido eperpétuo para os candidatos àordenação sacerdotal no rito latino.Propositio 11 do sínodo de 1990, em Pastores dabovobis
  9. 9. Argumentos contra Lei meramente eclesiástica, tardia, violaria o direito ao sa- cramento da ordem dos que não querem aderir ao celibato. Histórico Não existiria intrínseca cone- xão entre celibato e sacerdócio. Faltaria motivação teológica. Teológico
  10. 10. Argumentos contra Impediria o amadurecimento humano do sacerdote, condenando-o a carregar um fardo insuportável. Pedofilia Psicológico Exigência do celibato seria a causa da escassez de vocações no sacerdócio. Prático, de conveniência pastoral
  11. 11. Resposta ao argumentode tipo histórico
  12. 12. Previamente Ninguém tem direito à ordenação. Somente podem ordenar-se os que Deus chama através da Igreja E Igreja quer chamar apenas aqueles que estejam dispostos a um compromisso celibatário perpétuo, por terem recebido o dom de Deus O caso de outros sacramentos
  13. 13. Origem da lei universal Curioso que haja tanto desacordo em matéria fática tão relevante. Influência de paixões!  Relato da intervenção do bispo eremita Pafnúcio no Concílio de Nicéia.  Falsificação de texto do Concílio de Cartago feita pelos padres do II Concílio Trullano (690).
  14. 14. Data Desde 1900 aproximadamente, a partir de uma famosa disputa entre G. Bickell (Münster) e F. Funk (Tü- bingen), prevaleceu a tese de que lei do celibato surgiu nos anos 300 Atualmente, está cada vez mais claro que a lei é de tradição apostólica. Assim pensam o cardeal Stickler, Ch. Cochini, Sj, Stefan Heid, et alii
  15. 15. Duas diferentes formas 1a. A mais antiga corresponde ao celibato-continência. Podiam ordenar-se tanto solteiros como casados, mas depois de ordenados, os solteiros não podiam casar-se e os casados não podiam conviver maritalmente com esposas. Ordenação de casados exigia prévia autorização das esposas Concílio Lateranense II (1139)
  16. 16. Duas diferentes formas 2a. Proibição da ordenação de casados e compromisso prévio à ordenação de não contrair matrimônio A criação dos seminários pelo Concílio de Trento, fez com que em pouco tempo houvesse um número suficientemente grande de candidatos ao sacerdócio célibes
  17. 17. Primeiros documentos Datam dos anos 300 e 400 e são: Atas do Concílio dos bispos espanhóis em Elvira (306) Atas do Concílio africano de 390 recolhidas nas do famoso Concílio de Cartago de 419 Duas cartas do Papa Sirício: uma dirigida ao bispo de Tarragona (385) e outra aos bispos africanos, comunicando-lhes decisões do Síno- do romano de 386 (80 bispos)
  18. 18. Primeiros documentos Quatro cartas do papa Inocêncio I (401-417) sucessor de Sirício Testemunhos de Santo Ambrósio, São Jerônimo e Santo Agostinho A partir de então são freqüentes os documentos que se referem à vigência dessa disciplina, até o Concílio de Trento No oriente foi abandonada a partir do II Concílio Trullano (??)
  19. 19. Conteúdo comum É vedado a bispos, presbíteros e diáconos o uso do matrimônio após a ordenação Essa disciplina vige desde os tempos mais antigos, observada com mais ou com menos rigor, segundo a época e a região. Os infratores devem ser excluídos do estado clerical
  20. 20. Conclusão de Funk A disciplina celibatária teria se originado nos anos 300, o que acabaria com a pretensão de uma origem apostólica O que derrubou essa opinião? Tomada de consciência de que a argumentação de Funk continha dois erros graves bem apontados por Stickler:
  21. 21. Primeiro 1o. Apoiava-se fortemente em um testemunho falso: o relato da intervenção do bispo eremita egípcio Pafnúcio no concílio de Nicéia. Já na época de Funk esse relato era suspeito. Recentemente ficou demonstrada a sua inautenticidade.
  22. 22. Segundo Supor que o fato de a norma do celibato obrigatório estar documen- tada só a partir do ano 300 implica em que antes ela não existisse. Absurdo! Antes de 300, poucas normas disci- plinares estavam escritas. Como poderiam o Papa ou um Con- cílio promulgar uma norma desse alcance sem provocar uma revolu- ção?
  23. 23. Conclusão Evidentemente a disciplina imposta pelos papas e concílios da época só poderia consistir em uma reafirmação de uma disciplina já anteriormente consolidada, para coibir abusos e relaxamentos que, em épocas de decadência, terão sido freqüentes
  24. 24. Voltando à questão inicial Já sabemos que a disciplina celibatária era vigente bem antes dos anos 300 Por outro lado, Jesus Cristo exigiu dos primeiros sacerdotes (os após- tolos) o celibato-continência Há algum indício de que essa disci- plina não tenha surgido em algum momento depois da morte de Cristo, bem antes dos anos 300?
  25. 25. Sim! O próprio papa Sirício o utilizou nas suas cartas para afirmar que a continência clerical era de origem apostólica Testemunho muito significativo: da Igreja apostólica Cartas pastorais de Paulo a Tito e a Timóteo quando falam das condi- ções dos candidatos ao sacerdócio Maridos de uma só mulher!
  26. 26. Qual o sentido da frase? À primeira vista parece que é uma evidência contra o celibato obriga- tório. Mas qual é o sentido exato? Que só homens casados podiam ordenar-se? Não! Que era vedada a ordenação dos que vivessem em situação matrimo- nial irregular? Demasiado óbvio! Que não deviam ser ordenados viú- vos que tivessem voltado a casar-se depois da morte da 1a esposa!
  27. 27. Por que? O fato de terem contraído novo ma- trimônio permitia presumir que te- riam dificuldades com a continên- cia após uma eventual ordenação Finalmente, por que Paulo não se refere diretamente à continência? Porque suas orientações dizem res- peito apenas à idoneidade para a a ordenação. Sobre o comportamento que deveriam ter os já ordenados, não fala nada.
  28. 28. Resposta ao argumentode tipo teológico
  29. 29. A questão Certamente é possível o sacer- dócio não celibatário.  Praxe das Igrejas orientais (*)  Validade do sacramento requer apenas: varão e batizado Mas a vinculação entre sacer- dócio e celibato tem uma profunda raiz teológica...
  30. 30. É particularmente importante que o sacerdotecompreenda a motivação teológica da lei ecle-siástica do celibato. Enquanto lei, exprime avontade da Igreja, antes mesmo que seja ex-pressa a vontade do sujeito através da sua dis-ponibilidade. Mas a vontade da Igreja encontraa sua motivação última na conexão que o celi-bato tem com a Ordenação sagrada, a qual con-figura o sacerdote a Cristo Jesus, Cabeça e Es-poso da Igreja. Esta como Esposa de Cristo querser amada pelo sacerdote do modo total e ex-clusivo com que Jesus Cristo Cabeça e Esposo aamou. O celibato sacerdotal, é então, o dom desi em e com Cristo à sua Igreja e exprime o ser-viço do presbítero à Igreja no e com o Senhor.Pastores dabo vobis, 29
  31. 31. A grande motivação Cristo foi celibatário! O nosso sacerdócio está pro- fundamente vinculado ao seu. É participação do seu no mais forte sentido ontológico Somos sacerdotes em Cristo
  32. 32. Cristo foi celibatário  Fato assente entre os estudio- sos  Marco Adinolfi: “Para quem não confunda a tarefa do exegeta com a do romancista, nada há de mais pacífico que o celibato de Jesus”
  33. 33. Cristo foi celibatário  K. Barth, eminente teólogo protes- tante “É um fato – e a ética protestante na sua exaltação do matrimônio nascida da luta contra o celibato romano dos sacerdotes e dos reli- giosos descuidou deste ponto com uma boa dose de leviandade – que Jesus Cristo não teve outra amada, noiva, esposa, família, ou outro lar senão a sua comunidade” (1969)
  34. 34. Cristo foi celibatário  Hipótese de W. Phipps de que silên- cio da Escritura sobre estado matri- monial de Cristo não excluiria a existência de uma esposa é insus- tentável (John Meier)  Evangelho fala do ambiente familiar de Jesus  Na época de Jesus, celibato não era comum, mas existia entre os judeus. Essênios, Qumran etc.
  35. 35. Não por “casualidade” Porque não era comum, foi explicitamente querido Entre os judeus que esperavam a vinda do Messias, era incon- cebível que ele fosse casado. Continência era ligada à idéia do martírio
  36. 36. Celibato e Mediação Celibato faz de Cristo perfeito Mediador entre Deus e os homens Torna possível o seu amor imediato e indiviso ao Pai  Cristo amava todas as criaturas, mas seu amor ao Pai era diferen- te. O Pai, para Ele, era Tudo  Homem casado tem o coração de algum modo dividido Dá amplitude universal ao seu amor
  37. 37. Celibato e Mediação Celibato dilatou o seu coração
  38. 38. Celibato e Disponibilidade Só o celibato dá a Cristo a possibi- lidade de uma dedicação exclusiva ao cumprimento da Missão confiada pelo Pai: a Redenção  Seu único alimento era fazer a vontade do Pai e completar a Obra que o Pai lhe confiara  Não tinha outras pretensões: não veio para ser servido mas para servir e entregar a vida...
  39. 39. Cristo Esposo da Igreja Seu amor pela Igreja é esponsal Na Cruz, Cristo entrega a vida pela Igreja. (Paulo aos Efésios) Reflexões de João Paulo II sobre o caráter esponsal do amor de Cristo pela Igreja

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